27/03/2007

Gente Fina discute a relação usando cartuns

O cartunista Jaguar comentou recentemente que o cartum estava em processo de extinção. Segundo ele, não havia interesse dos jornais em publicar o gênero. A afirmação do desenhista é contraditória com a consultoria que ele presta à Coleção Sigmund, série da editora Desiderata especializada em humor. A contradição está no último número, "Gente Fina", lançado nesta semana (R$ 19,90).

O livro de Bruno Drummond, o sétimo da coleção, mostra exatamente cartuns. E cartuns publicados em jornais. O material faz parte da coluna homônima mantida pelo desenhista aos domingos em "O Globo". Reúne os cem primeiros trabalhos da seção, que começou a ser publicada em 2004.

Drummond é um cronista da zona sul carioca. Ele tem no relacionamento amoroso o principal tema. É o assunto que domina o livro. O desenhista ajusta o foco especificamente para os momentos de "discussão da relação". E se sai muito bem nesse território, até então dominado pela argentina Maitena (autora de "Mulheres Alteradas").

As piadas de Drummond, que já ilustrou na imprensa inglesa, são ágeis e simples de serem lidas. "Gente Fina" é daquelas obras que se lê uma página, outra, quando se vê já está no meio do livro. 

Bruno Drummond assume na introdução da obra que a inspiração vem de nomes clássicos do humor gráfico brasileiro, como J.Carlos e Calixto Cordeiro (ou K.lixto, como assinava), a quem dedicou o livro. Mas o humor de Drummond tem um quê mais afiado e provocador, com sexo verbalmente explícito às vezes.

"Gente Fina" é o segundo livro da Coleção Sigmund lançado no prazo de dez dias. O outro foi "Existe Sexo após a Morte", de Adão Iturrusgarai (leia mais aqui).

Escrito por PAULO RAMOS às 19h33
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22/03/2007

Lançados três livros com tiras de Angeli e Laerte

Três livros de bolso com tiras nacionais começam a chegar nesta semana às livrarias. Dois são de Laerte e um, de Angeli. As obras fazem parte da Coleção Pocket (especializada em livros de bolso) da editora L&PM. Cada uma custa R$ 9.

 

“Fagundes: Um Puxa-Saco de Mão Cheia” (capa ao lado) aborda uma das criações mais carismáticas de Laerte. É um funcionário que adora falar excessivamente bem do “chefinho querido”. É disso que vem o humor.

 

A segunda obra do cartunista, “Striptiras – 1”, traz outros personagens: Zelador, Virgínia Helena e Gato & Gata (que já tiveram álbum próprio lançado pela Editora Devir).

 

“Walter Ego” reúne tiras do personagem homônimo, conhecido pelo amor que nutre por si mesmo. A publicação não fica só nele. Traz também outras criações do cartunista, como Osgarmo e Rampal, o Paranormal.

 

A L&PM também lança nesta semana o sétimo volume de “Garfield” (R$ 11), de Jim Davis. As publicações seguem a tendência da editora gaúcha de investir em quadrinhos. Neste ano, já publicou Snoopy, Recruta Zero e uma coletânea de trabalhos de Angeli.

 

“Os Broncos Também Amam” traz uma série de textos de Angeli feitos para a extinta revista “Chiclete com Banana” (leia aqui). O segundo volume, “E Agora São Cinzas”, tinha sido anunciado para este mês (leia mais aqui).

Escrito por PAULO RAMOS às 09h42
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16/03/2007

Sandman e livrarias: uma estratégia que funcionou

Há uma tendência neste mês de discutir a venda de quadrinhos nas livrarias. Duas revistas pautaram o assunto ("Cult" e "Omelete"). É como se o grande público tivesse descoberto, com mais de um século de atraso, que os quadrinhos podem ter qualidades.
 
É uma sensação parecida com a que muita gente teve quando viu pela primeira vez uma das edições de luxo de Sandman, como a lançada nesta semana ("Vidas Breves", Editora Conrad, R$ 66).
 
As livrarias sempre flertaram com os quadrinhos. Asterix, Tintim e álbuns da editora gaúcha L&PM têm freqüentado estantes nos últimos 25 anos. Mas foi Sandman que mostrou para editores e livreiros que havia algo mais nessa forma de linguagem. Foi o impulso que faltava.
 
Com roteiro inteligente e bem amarrado, cheio de referências a outros autores e a elementos da cultura pop, Sandman caiu nas graças dos chamados formadores de opinião. E conseguiu um feito raro: furou o difícil bloqueio criado pelos cadernos de cultura dos jornais, os principais alvos de quem mantém a indústria cultural.
 
Ao noticiar o assunto, as reportagens implicitamente  reconheciam que havia um algo mais nos quadrinhos, até então desconhecido da grande massa. Algumas matérias chamavam o trabalho escrito pelo inglês Neil Gaiman de literatura. Não era. Era história em quadrinhos.  
 
Independentemente do papel exercido na ida dos quadrinhos à livrarias, o título da linha Vertigo (selo adulto da editora norte-americana DC Comics) se tornou um bom negócio. Apesar do preço alto, encontrou um público fiel. "Sandman - Vidas Breves" é o sétimo volume da série que reedita as histórias do personagem.
 
Desenhado por Jill Thompson, este arco de histórias foi publicado no Brasil pela primeira vez entre janeiro e novembro de 1994. Mostra a procura por Destruição, um dos irmãos de Sandman, desaparecido há 300 anos. A busca mostra que a relação entre os Perpétuos não é tão harmônica assim.
 
Para quem nunca leu, os Perpétuos são seres que sempre existiram. Não são deuses, mas é como se fossem. São sete ao todo: Destino, Morte (uma moça charmosa e acolhedora), Sonho (Sandman), Destruição, Desejo, Desespero e Delírio.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h22
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