16/02/2007

Mais quatro volumes com histórias clássicas de Carl Barks

A linha de revistas de R$ 1 da Disney foi cancelada pela Abril neste ano. A lógica indicaria que o título mais caro da editora seguisse o mesmo caminho. Não foi o caso. Estão garantidos mais quatro volumes de "O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barks", série que reedita histórias clássicas dos personagens de Patópolis.
 
O número 25 da coleção começou a ser vendido neste finzinho de semana (R$ 16,95). Traz material da revista "Walt Disney´s Comics and Stories", publicado entre 1948 e 1949. As histórias já tinham saído no Brasil na primeira metade dos anos 50 em "Pato Donald".
 
Donald é o principal protagonista deste volume. Ao lado dos sobrinhos, é colocado em diferentes aventuras e confusões. Tão interessante quanto (re)ler as histórias é acompanhar as curiosidades trazidas na obra.
 
Uma delas: Barks ainda não tinha definido o visual final do Tio Patinhas. O pato pão-duro é mostrado com enormes suíças de pena. Mais uma: parte das capas originais de "Walt Disney´s Comics and Stories", reproduzidas no álbum, foi feita por Walt Kelly, criador de Pogo (série de tiras com animais que influenciou, entre outros, Jeff Smith, de Bone).
 
Outra curiosidade, de bastidor, é relatada na apresentação do álbum. Barks fez as histórias num momento complicado, em que enfrentava o alcoolismo da esposa. Ela teria até rasgado alguns quadrinhos do marido. O problema se arrastou por alguns anos e terminou em divórcio. Mas nada disso comprometeu o trabalho do escritor/desenhista.
 
Criar as histórias em quadrinhos em meio a um tumulto pessoal só reforça o profissionalismo de Carl Barks. O desenhista foi uma espécie de escritor-fantasma. Disney levava a fama, Barks criava a alma dos personagens. Foi descoberto ainda em vida (morreu em 2000) e teve o merecido reconhecimento.
 
A Abril programou mais três volumes de "O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barks". Vai sair um por mês.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h43
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05/02/2007

Livro reúne parte das histórias da Chiclete com Banana, de Angeli

De pouquinho em pouquinho, os quadrinhos publicados pela Circo Editorial nos anos 80 vão ganhando novas edições. Parte do material já foi publicada pela editora Devir. Outra parte sai agora pela L&PM. São dois volumes, em formato de bolso, que reeditam algumas histórias produzidas para a extinta revista "Chiclete com Banana", de Angeli.
 
O conteúdo de "Os Broncos Também Amam" (R$ 8), lançado neste começo de mês, é da segunda metade dos anos 80. Traz ilustrações, quadrinhos e uma faceta pouco conhecida de Angeli: a de escritor. A maior parte da obra resgata textos feitos por ele para a "Chiclete" (que estreou em outubro de 1985), como os do colunista Edi Campana e do jornalista Benevides Paixão (duas criações dele).
 
Esta edição, com cem páginas, é o primeiro volume. A editora gaúcha programou o segundo número, "E Agora são Cinzas", para o mês que vem. No ano passado, Angeli publicou pela L&PM um outro título dentro da linha pocket, só com tiras de Rê Bordosa.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h22
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02/02/2007

Lançada nova coletânea de Calvin e Haroldo

 

 

 

 Álbum –o último da série- é inédito no Brasil

 
 
 
 
 
 
 
 
As tiras de "Calvin e Haroldo" estão de volta às livrarias. Começa a ser vendido nesta virada de semana o álbum "O Mundo é Mágico - As Aventuras de Calvin & Haroldo" (Conrad, R$ 44,90). É a última coletânea da série, que deixou de ser produzida no fim de 1995. O álbum é inédito no Brasil.
 
A edição tem 168 páginas, com duas tiras em cada uma, todas em preto-e-branco. A coletânea traz também algumas páginas dominicais (histórias maiores, publicadas pelos jornais norte-americanos nos suplementos de fim de semana). Esse material é colorido.
 
A decisão do norte-americano Bill Watterson de não criar mais histórias da dupla não significou o afastamento da série nos jornais. Desde então, as tiras são (re)publicadas à exaustão, tanto nos Estados Unidos como aqui no Brasil. E não há sinal de parada. Isso vale também para as livrarias. A Conrad programou dois álbuns por ano. Segundo a editora, o próximo será uma reedição, possivelmente a primeira coletânea da dupla. Deve ser lançado no segundo semestre.
 
A série se tornou um fenômeno e é uma das mais populares do mundo. Grande parte do sucesso é creditado à criatividade e inteligência das histórias de Watterson, um cientista político, hoje com 49 anos. As tiras mostram o relacionamento de um garoto de seis anos, Calvin, com seu tigre de pelúcia, Haroldo. O bicho ganha vida e personalidade apenas perto do menino. É uma espécie de amigo imaginário. Quando aparece algum adulto por perto, ele é apresentado como um boneco.
 
Isso poderia indicar traços autobiográficos de Watterson. Mas ele nega. "O que faço é apenas imaginar as piores características das crianças e torná-las ainda piores", disse ele numa de suas raras declarações.
 
Tornar Calvin sapeca e imaginativo (e põe imaginativo nisso) só aumentou a empatia com o personagem. Estratégia eficiente, narrativamente eficiente. É como se as travessuras fossem uma forma de contornar a solidão, dividida com o amigo imaginário de pelúcia. E tudo com verniz de um humor fino e inteligente. O público adorou. Tanto que está aí até hoje, sendo edita e reeditada.
 
No Brasil, a série começou a ganhar mais evidência com os lançamentos das coletâneas de tiras. A primeira, de 1987, é da editora Cedibra. Os álbuns, depois, passaram para a Best News. Houve também duas tentativas nas bancas, nas revistas "Tira a Mão" (Nova Sampa) e "Calvin e Cia." (Opera Graphica).

Escrito por PAULO RAMOS às 07h55
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