27/01/2007

Folheteen: o novo cartão de visitas de José Aguiar

Dizer que uma história é simples e simpática pode parecer pejorativo. Não é o caso. "Folheteen", álbum de José Aguiar lançado nesta semana (Devir, R$ 26), é uma narrativa simples e simpática. Na melhor acepção que as duas palavras têm.

A história conta o que se passa na vida e na mente de Malu. A garota tenta fugir das características de uma adolescente comum, mas, no fundo, no fundo, começa a perceber que seus problemas não são tão incomuns assim. Filha de pais separados, ela quer encontrar amor, respeito e, principalmente, ser compreendida.

Descrever um adolescente não é tarefa das mais fáceis. Há o sério risco de esbarrar nos rótulos e estereótipos. Aguiar contorna os dois, tanto na qualidade do texto quanto na criatividade do traço (o artista plástico é dono de um estilo muito pessoal, a começar pelo expressivo rosto triangular da protagonista). É difícil não criar empatia pela personagem-título.

(Preste atenção nas seqüências dentro do ônibus. No fim da leitura, você vai voltar a elas.)

"Folheteen" (uma brincadeira com a palavra "folhetim") começou como uma tira, publicada em jornais de Curitiba, no Paraná. Mas o álbum veio por outro caminho. A série foi a vencedora do 1º Concurso Internacional de Quadrinhos, promovido em 2005 pelo Senac e pela editora Devir. O prêmio previa a edição da história vencedora. José Aguiar, no entanto, retrabalhou o material e criou uma nova seqüência para compor o álbum.

A ligação do curitibano José Aguiar com os quadrinhos é antiga. Ele contribuiu para uma série de revistas e co-criou o Gralha, uma paródia aos super-heróis. No fim do ano passado, montou uma exposição com ilustrações feitas na Alemanha (pode ser vista até 28 de fevereiro; leia mais aqui).

Ele é daqueles desenhistas que merecem uma janela maior para mostrar seu trabalho. "Folheteen" não poderia ser cartão de visitas melhor.

Escrito por PAULO RAMOS às 14h03
[comente] [ link ]

19/01/2007

Depois de dois anos, Bone volta a ser publicado

Faz tempo que os fãs de Bone esperam por um novo álbum do personagem. Para ser exato, faz dois anos e um mês que o último encadernado da série foi lançado no Brasil. Agora, a editora Via Lettera faz uma espécie de renascimento da obra. Lança não um, mas vários volumes do título, criado pelo norte-americano Jeff Smith em 1991.
 
O novo volume, o décimo da série, começa a ser vendido nesta sexta-feira ("Bone: A Princesa Revelada"; R$ 25). A história continua do ponto de onde terminou o encadernado anterior. Os primos Fone Bone e Smiley Bone tentam escapar da montanha de Rojão, um leão gigante e falante. E passam a procurar Espinho, amiga deles.
 
A editora promete mais cinco volumes e um especial, "Estúpidas Criaturas Ratazanas". O próximo encadernado foi anunciado também para este mês. Se a programação se confirmar, será o ano com o maior número de publicações do personagem no Brasil.
 
Bone conta a história de três primos que se perderam ao retornar a Boneville, onde moravam. A busca pelo caminho de volta cruza por um vilarejo, onde passam a morar e a dividir aventuras com os habitantes de lá. Não demora para descobrirem que há algo mágico e diferente no local. E muitos segredos. Como o misterioso Dragão, que está sempre à espreita do grupo.
 
A série se revela aos poucos. Há uma nova pista a cada arco de histórias. É uma obra rara de se ver nos quadrinhos. Jeff Smith consegue escrever na exata linha que separa os públicos infantil e adulto. E consegue agradar os dois, assim como "Pogo", de Walt Kelly, sua principal fonte de inspiração.
 
Para quem nunca leu Bone, vai demorar algumas páginas para se acostumar com o que acontece. Mas, quando se acostumar, é bom avisar: a série vicia. É daquelas que dá vontade de esperar o próximo número. De preferência, sem esperar mais dois anos.
 
Leia mais sobre o personagem na postagem abaixo. Para ver imagens de "Bone: A Princesa Revelada", clique aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 07h55
[comente] [ link ]

Entenda a trajetória de Bone no Brasil

A Via Lettera renovou no fim do ano passado o contrato de publicação da série Bone no Brasil. O acordo prevê a edição do material em preto-e-branco e de dois especiais com minisséries de personagens secundários. A história termina no número 55, publicada nos Estados Unidos em junho de 2004 (inédito por aqui).
 
A série começou a ser publicada no Brasil no fim de 1998. Foram nove volumes, todos lançados pela Via Lettera. A editora tomou como base os encadernados norte-americanos. Dividia cada um deles em dois volumes. Por isso, há mais títulos por aqui do que nos Estados Unidos. Entenda a seqüência de publicação e os meses de lançamento:
 
Volume 1
"Bone: Fora de Boneville" - Dezembro de 1998
Volume 2
"Bone: Equinócio de Primavera" - Abril de 1999
Volume 3
"Bone: A Feira de Primavera" - Novembro de 1999
Volume 4
"Bone: A Grande Corrida de Vacas" - Dezembro de 1999
Volume 5
"Bone: A Jornada" - Janeiro de 2001
Volume 6
"Bone: A Tempestade" - Agosto de 2001
Volume 7
"Bone: A Vila Fortificada" - Março de 2003
Volume 8
"Bone:  O Matador de Dragões" - Julho de 2003
Volume 9
"Bone: Rojão, O Senhor da Fronteira Oriental" - Dezembro de 2004
 
O décimo volume, lançado nesta sexta-feira, mostra o último capítulo do encadernado anterior e já inicia a próxima saga (publicada nos Estados Unidos no encadernado "Old Man´s Cave"). Existe uma edição colorida de Bone impressa e pronta para ser vendida no Brasil. Mas ainda é dúvida se vai ser colocada à venda. Entenda por que aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 07h52
[comente] [ link ]

12/01/2007

Edição de luxo de 300 serve de prévia para o filme

É comum no cinema um filme ser reeditado e relançado com o rótulo de "versão do diretor". Nos quadrinhos, a prática não acontece muito (no máximo, há uma "versão do editor"). Mas há uma exceção: "Os 300 de Esparta", obra escrita e desenhada por Frank Miller que começa a ser vendida neste finzinho de semana (Devir, R$ 58).

A reedição da obra ficou do jeito como Miller queria que tivesse sido publicada na primeira vez, no meio dos anos 90 (quando as imagens foram divididas no meio e adaptadas para se adaptar ao formato tradicional). Foi feita em capa dura, tratamento de luxo e, principalmente, formato "widescreen", como o da tela de cinema. O álbum reúne num volume só as cinco partes da minissérie (que saíram no Brasil em 1999 pela editora Abril). São a base do filme, que tem estréia programada para março.

A história mostra as estratégias de 300 espartanos para combater o poderoso exército persa comandando pelo imperador Xerxes, personagem interpretado pelo brasileiro Rodrigo Santoro no filme. Os 300 guerreiros, liderados pelo rei Leônidas, conseguem sistematicamente derrotar as tropas inimigas. O interessante é ver como.

Miller conta a sua versão da história de uma maneira relativamente simples. Mas estão lá elementos que pautaram outras obras dele: violência, corrupção, heroísmo, lado mercantil das autoridades e da religião. É só comparar com "Sin City", trabalho do autor também adaptado para o cinema (vai ganhar uma seqüência).

Parece que o cinema norte-americano encontrou nos quadrinhos de Miller um território fértil de novas idéias. E Miller viu na linguagem cinematográfica um novo caminho a ser trilhado. Co-dirigiu "Sin City" e pretende repetir a dose. Não é de estranhar que queria ver "Os 300 de Esparta" em formato "widescreen" (33 cm por 24 cm).

Nota: o lançamento da obra estava previsto inicialmente para novembro, foi adiado para dezembro e, por fim, para o fim do mês passado. Mas só saiu agora. Segundo a editora, houve problema na gráfica que montou o material.

Veja cenas do filme "300" clicando aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 08h56
[comente] [ link ]

[ ver mensagens anteriores ]