30/11/2007
Evento em São Paulo vende quadrinhos com desconto
30/11/2007
Evento em São Paulo vende quadrinhos com desconto Começou nesta sexta-feira à noite e vai até as 17h de domingo a "Maratona HQ".
O atrativo do evento -que ocorre em São Paulo- está nos descontos: qualquer título em quadrinhos, nacional ou importado, com pelo menos 20% de desconto.
Durante a madrugada, o desconto é maior, 40%.
Paralelamente, ocorre uma série de palestras, várias delas com quadrinistas independentes (leia a programação completa aqui).
A "Maratona HQ" é realizada na loja da Devir, na rua Teodureto Souto, 624, em São Paulo.
25/11/2007
Álbum de luxo vai relançar primeiras histórias do Super-Homem
Capa da edição de luxo, que tem lançamento programado para dezembro Uma edição de luxo, com 212 páginas, vai relançar as primeiras histórias do Super-Homem produzidas entre 1938 e 1939. "Superman Crônicas" -obra feita em capa dura- será publicado pela Panini. Segundo a editora, o título chega às livrarias em dezembro e vai custar R$ 56. O álbum reedita os números de um a 13 da revista "Action Comics", publicação onde o super-herói fez sua estréia, em junho de 1938. As histórias são escritas pelos criadores do herói de Krypton, Jerry Siegel (texto) e Joe Shuster (desenhos). O livro terá também o número de estréia da revista "Superman", de 1939, e o especial "New York World´s Fair", sobre a presença do personagem na Feira Mundial de Nova York. A editora promete ainda no pacote uma reprodução da primeira revista nacional do herói: "Superman", de 1947, publicada pela extinta Ebal (Editora Brasil-América). A Panini havia anunciado em fevereiro que pretendia lançar o álbum no segundo semestre deste ano (leia aqui). Na ocasião, havia informado também que iria publicar uma obra semelhante com as primeiras histórias do Homem-Morcego, de 1939 e 1940. Essa edição -chamada "Batman Crônicas" foi lançada em setembro (leia mais aqui). A obra foi feita nos mesmos moldes desta de Super-Homem. As primeiras histórias do Homem de Aço já foram relançadas em outras publicações brasileiras. Um álbum da L&PM, chamado "As Primeiras Histórias do Superman", trouxe a estréia do super-herói. A obra da editora gaúcha é de 1987. Outras aventuras dessa fase inicial do personagem integraram a "Coleção Invictus", série publicada pela editora Sampa na primeira metade dos anos 1990. Os números seis e 19 da coleção traziam histórias clássicas. Tanto a edição da L&PM quando as da Sampa são encontradas apenas em sebos.
23/11/2007
Confesso: o cartum ainda existe Pode até ser coincidência, mas foi só o desenhista Jaguar dizer no início do ano que o cartum está em extinção que surgiram duas obras... com cartuns.
A primeira é de Fausto, lançada no fim do mês passado.
O livro de Jacobsen, de 144 páginas, dá um bom cenário de como é a produção do desenhista de 35 anos, nascido em Santos, no litoral de São Paulo.
Durante a leitura, é possível ver influência de outros cartunistas, entre eles o argentino Quino, pai da personagem "Mafalda".
Jacobsen concorda. Há um pouco de Quino, sim. Mas diz que seu estilo é uma mistura de outras influências. Cita, por exemplo, o francês Sempé.
"O meu trabalho parece uma colcha de retalhos tem muita coisa do Laerte, Jules Feiffer, Lauzier, Solda e Miram", diz, por e-mail.
O livro traz muito dessas influências e um pouco da história de Jacobsen.
"70% é de material inédito", diz. "O resto foi publicado em jornais e revistas aqui e ali."
Apesar de ter publicado cartuns "aqui e ali", o desenhista é mais conhecido como chargista.
Ele assina a charge diária da "Folha de Londrina", do Paraná.
![]() O Blog pergunta se ele concorda com o diagnóstico de Jaguar.
"Acho que o Jaguar está certo", disse, num primeiro e-mail.
Dias depois, ele enviou outra mensagem virtual.
"Quando eu disse que concordo com o Jaguar, o que eu quis dizer é que na verdade tem cartunista saindo pelo ladrão. Basta ver a quantidade de cartuns inscritos nos salões", diz.
No entender dele, falta espaço para cartuns nas revistas e nas editoras.
"Revistas que tradicionalmente publicavam cartuns agora reduziram drasticamente o espaço para isso", diz.
"O que se vê é charge ou tiras. Eu mesmo só tenho feito só charges, pois tirando o livro, é raro produzir cartum para qualquer outro veículo."
![]() O que reforça o ponto de vista dele é o modo como produziu o livro: por conta própria.
Jacobsen disputa desde o ano passado a verba municipal para bancar o livro.
Hoje, com a obra pronta, enfrenta uma segunda dificuldade: a distribuição.
Por enquanto, vende a publicação -impressa em capa dura- em livrarias de Curitiba, cidade onde mora desde criança, e por meio de seu site.
Para acessar, clique aqui.
Agenda cheia de eventos de quadrinhos nos próximos dias Para quem gosta de participar de eventos de quadrinhos, vai ter agenda cheia a partir deste fim de semana.
Há encontros no Piauí, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília.
Veja a programação:
24.11 - Pizzaria Brasil
O chargista Cláudio faz outra sessão de autógrafos de "Pizzaria Brasil".
Onde: Praça Benedito Calixto, em São Paulo
Horário: a partir das 14h
24.11 - Cão # 3
Lançamento do terceiro número da revista independente "Cão".
Onde: HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142, São Paulo)
Horário: a partir das 19h30
26.11 - Festival Alexandro Jodorowsky
O cineasta e escritor da série "Incal" participa de um festival em homenagem à obra dele, que ocorre simultaneamente no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
Dia 26 é a data em que ele participa no Rio.
Depois, vai para Brasília (dia 1º) e São Paulo (dia 4).
Durante o Festival Jodorowsky, ele lança o segundo volume de "Antes do Incal".
Veja a programação completa aqui.
26.11 - 25º Salão de Humor do Piauí
A data marca a abertura do salão, em Teresina.
O evento de humor terá exposições (o cartunista J.Carlos é o homenageado) e uma ampla programação de oficinas.
O salão também vai definir o cartum vencedor deste ano. O premiado ganha R$ 10 mil.
Veja a programação completa no site do salão (clique aqui).
27.11 - Zarabatana 1 ano
A editora de Campinas completa um ano num encontro.
A promessa é vender obras da Zarabatana com preços especiais no evento.
Onde: HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142, São Paulo)
Horário: a partir das 19h
Há também em Santos, no litoral paulista, o Festival Nacional de Fanzines e Publicações Independentes.
Leia mais na postagem abaixo.
22/11/2007
Versão 2007 da Mostra de Fanzines tem lançamento nesta sexta
A Associação dos Artistas do Litoral Paulista faz anualmente um levantamento dos fanzines e publicações independentes produzidas no país. O resultado integra uma mostra nacional, um dos poucos acervos existentes sobre o assunto e mantido a duras penas pela associação. A versão deste ano do catálogo vai ser lançada nesta sexta-feira, às 19h, em Santos, no litoral sul de São Paulo. A programação do evento vai até o dia 9 de dezembro e inclui debates sobre produção de fanzines (que já é uma tradição da mostra), oficinas e uma exposição com trabalhos humorísticos de desenhistas do litoral paulista. A Mostra Nacional de Fanzines e Publicações Independentes ocorre no Sesc de Santos (rua Conselheiro Ribas, 136, no bairro da Aparecida). Para ler a programação completa -que é gratuita e merece ser valorizada- clique aqui.
21/11/2007
Histórias do Clube da Esquina ganham versão em quadrinhos
Uma das canções criadas pelos músicos mineiros do Clube da Esquina dizia que os sonhos não envelhecem.
O desenhista Laudo Ferreira Junior deu uma outra leitura à música, escrita por Milton Nascimento e pelos irmãos Márcio e Lô Borges.
Os sonhos não envelhecem porque podem ser lidos na forma de quadrinhos.
Laudo produz histórias curtas sobre os integrantes do movimento musical mineiro para o Museu Clube da Esquina, página virtual criada para preservar a memória do grupo.
O projeto foi batizado de "Histórias do Clube da Esquina" e já está no ar para ser lido. O acesso é gratuito.
O desenhista diz que a idéia inicial era adaptar o livro "Os Sonhos Não Envelhecem" (da Geração Editorial), escrito por Márcio Borges, um dos integrantes do movimento mineiro.
Mas ajustou o projeto para "causos" do grupo de músicos, sejam do livro ou não.
"Em vez de fazer o negócio contando ano por ano, eu resolvi fazer uma história atemporal", diz por telefone o desenhista, nascido em São Vicente, no litoral sul de São Paulo.
"Pego os anos 60, depois vou aos 90 e assim por diante."
![]() A história inaugural, de três páginas, lança o olhar nos primeiros contatos entre Márcio Borges e Milton Nascimento, na Belo Horizonte dos anos 1960.
O conto em quadrinhos, baseado no livro de Borges, relata o encontro entre eles, o início da amizade e os primeiros acordes produzidos.
A amizade entre Milton e os irmãos Borges -Márcio, Lô e Marilton- foi a viga mestra do movimento.
Com os anos, outros músicos integraram o grupo, como Wagner Tiso, Fernando Brant e Flávio Venturini.
Laudo conta que o projeto é antigo. Inicialmente, pediu a André Diniz, também escritor de quadrinhos, que fizesse os textos.
Laudo evitava escrever o material por ser fã do grupo. Tinha medo que o gosto pessoal comprometesse a qualidade das histórias.
"Nunca fui um daqueles fãs babões, mas a música deles foi muito importante para mim, para minha adolescência", diz Laudo, que mora em São Paulo há 20 anos.
Mas o projeto não vingou naquele momento. A idéia amadureceu e ele resolveu, enfim, encarar o texto e o desenho.
"Como eu já estou com 43 anos, estou mais maduro para fazer um texto mais atraente, no sentido de não fazer algo piegas ou pretensioso. É uma homenagem minha a eles."
![]() O contato com o grupo foi por meio de um amigo comum, o fotógrafo Juvenal Pereira.
Pereira produziu as fotos do primeiro LP do grupo, "Clube da Esquina", lançado em 1972.
"Achei que eles fossem ficar relutantes", diz Laudo. "Pelo contrário, foram super-receptivos."
Esse contato facilitou o trânsito com os mantenedores do Museu Clube da Esquina, onde as histórias são mostradas. Foi bem remunerado pelo trabalho, diz.
Segundo ele, já tem mais três "causos" prontos.
"Não existe uma preocupação minha em fazer nenhuma das pessoas dali com cem por cento de fidelidade. É algo meio cartum, algo que remete a eles."
Mas ressalta que o conteúdo é real. Inclusive as referências visuais, como a casa onde o grupo se encontrava quando os músicos eram jovens.
Laudo pretende futuramente reunir o material num livro. Não seria a primeira publicação em quadrinhos feita por ele.
O desenhista já lançou álbuns da Tianinha, sua personagem mais conhecida. As histórias dela são publicadas na revista "Sexy Total".
Ele também já ganhou um HQMix -principal premiação de quadrinhos do país- pelo álbum "À Meia-Noite Levarei a Sua Alma", sobre o Zé do Caixão, obra lançada em 1995.
Para ler as "Histórias do Clube da Esquina", clique aqui.
20/11/2007
Jornalistas da Bahia criam site com reportagens em quadrinhos
Três jornalistas da Bahia desenvolvem um site para veicular reportagens feitas em quadrinhos. Segundo o trio, a página virtual entra no ar até o fim do ano. O grupo já desenvolve duas pautas para "Vanguarda", nome dado ao site. A primeira é um perfil de um sobrevivente do Holocausto que hoje mora na Bahia. A outra matéria é sobre mulheres acima dos 50 anos que contraíram o vírus HIV em relações sexuais com os próprios maridos. O que motivou a criação do site foi a produção de uma reportagem em quadrinhos sobre momentos marcantes do movimento estudantil baiano. A matéria –intitulada "Vanguarda: Histórias do Movimento Estudantil da Bahia"- foi feita como projeto de conclusão do curso de jornalismo no Centro Universitário da Bahia, em Salvador, no meio do ano. A reportagem garantiu a aprovação dos três jornalistas –Leandro Silveira, Fábio Franco e Caio Coutinho- com nota máxima. O material foi dividido em quatro partes e é publicado semanalmente no "Caderno Dez!", suplemento jovem do jornal "A Tarde", de Salvador. Nesta terça-feira, sai a terceira parte. Na semana que vem, as sete páginas finais. Um professor da faculdade, que também é um dos diretores do jornal, ajudou na ponte que separava a universidade e o jornal. Apesar de os autores não receberem nada pela publicação da matéria, eles capitalizaram em repercussão. Uma cena bem diferente da enfrentada quando surgiu a idéia da projeto. "A primeira vez que levei isso à sala de aula todo mundo deu risada, inclusive a professora, que depois se tornou minha orientadora", diz por telefone Leonardo Silveira, um dos três autores da reportagem. "Foram praticamente dois trabalhos de conclusão de curso. Um foi o memorial provando o que é jornalismo em quadrinhos e outro era a própria reportagem em quadrinhos." O estranhamento inicial foi se alterando gradualmente. Até que mudou em definitivo. "Agora é o contrário. Agora as pessoas estão chamando a gente para falar sobre o assunto", diz o jornalista, de 26 anos. O trio já foi convidado a dar duas palestras sobre jornalismo em quadrinhos em faculdades baianas. Ironicamente, uma delas foi para o curso de jornalismo da mesma instituição onde se formaram. Entre concepção e realização, a matéria levou cerca de um ano para ficar pronta. O trio até se matriculou num curso de histórias em quadrinhos para entender melhor os recursos da linguagem. A pesquisa envolveu material de pesquisa e entrevistas com pessoas ligadas ao movimento estudantil baiano. "A gente descobriu que em vários momentos da história política do Brasil o movimento estudantil baiano saía na frente dos demais", diz Silveira. A reportagem abordou quatro momentos do movimento estudantil, das passeatas pedindo a adesão do Brasil à 2ª Guerra Mundial, em 1942, à manifestação a favor da cassação do então senador Antônio Carlos Magalhães no escândalo da violação do painel de votação do Senado, em 2001. O resultado da apuração se converteu num detalhado roteiro, que foi passado aos três desenhistas da matéria, Franklin Mendes, Rodolfo Troll e Thiago Durães. "A gente fez uma pesquisa iconográfica, foi a acervos, a locais onde os entrevistados falavam que a cena havia ocorrido", diz Silveira, que hoje atua como assessor de imprensa. Os desenhistas recebiam as indicações do roteiro e fotografias dos autores dos depoimentos e de locais históricos da Bahia. Até roupas da época foram alvo de pesquisa. Houve também o cuidado de perguntar aos entrevistados o conteúdo aproximado do que disseram na ocasião. As falas foram incluídas nos diálogos das cenas. "Pode ser que alguma coisa não tenha ficado exatamente igual aos que eles disseram, mas foi tudo baseado no depoimento", afirma Silveira. Outro cuidado foi o distanciamento dos três jornalistas em relação às fontes. Nenhum dos autores aparece visualmente na matéria, ao contrário do que faz Joe Sacco, o principal expoente do gênero jornalismo em quadrinhos e o inspirador do projeto baiano. Esse distanciamento é fruto de um olhar pessoal do trio de jornalistas sobre o gênero. No entender deles, não é qualquer assunto que pode virar reportagem em quadrinhos, mas sim aquele que render boas imagens. O resultado pode ser lido também no blog do "Caderno Dez!", que tem disponibilizado as páginas da reportagem após a publicação. As duas primeiras partes podem ser lidas nas postagens dos dias 6 e 13 deste mês. Para acessar o blog, clique aqui.
19/11/2007
Júri do Salão de Paraguaçu Paulista define vencedores deste ano
A caricatura acima, da apresentadora e modelo Daniela Cicarelli, foi um dos desenhos premiados do 3º Salão de Humor de Paraguaçu Paulista, realizado no interior de São Paulo.
O trabalho foi feito por Bruno Rocha Maron, do Rio de Janeiro.
Além dele, o salão definiu os vencedores das outras quatro categorias: charge, tiras, cartum, e cartum temático (o assunto era "energia").
Um dos destaques foi o desenhista Musa Gumus, da Turquia.
Ele ficou em primeiro lugar na categoria charge e em terceiro na de cartum.
Os primeiros colocados em cada uma das categorias recebem prêmio de R$ 2.000 em dinheiro. Os segundos e terceiros lugares levam, respectivamente, R$ 1.000 e R$ 500.
O júri definiu e premiou os vencedores no fim de semana.
Já havia ocorrido uma seleção anterior, que definiu os 225 trabalhos que integram a exposição deste ano.
Esta terceira edição do salão de humor teve 1.400 trabalhos inscritos, 150 a mais do que no ano passado.
Veja abaixo os outros trabalhos que ficaram em primeiro lugar no salão deste ano.
![]() Cartum
Eduardo dos Reis Evangelista (Duke)
Belo Horizonte (MG)
![]() Cartum temático
Título:
É gato
João Carlos Matias do Nascimento
Rio de Janeiro (RJ)
![]() Charge
Título:
Ballon
Musa Gumus
Turquia
![]() Tiras
Título:
Sir Manoel
Evandro Alves
Lagoa Santa (MG)
Clique aqui para ver os outros trabalhos premiados na edição deste ano do salão de humor.
18/11/2007
Feira na USP vende livros -e quadrinhos- pela metade do preço Começa na próxima quarta-feira, dia 21, a nona edição da Feira do Livro da USP (Universidade de São Paulo). O grande atrativo do evento é o preço. Para participarem, as editoras têm de dar pelo menos 50% de desconto nas obras. Esta nona edição da feira vai reunir mais de cem editoras, algumas de quadrinhos. É o caso da Conrad, da Via Lettera e da Peirópolis. A feira vai de quarta a sexta-feira desta semana no saguão do prédio de História e Geografia da USP. Vai funcionar das 9h às 21h (nos anos anteriores, o horário mais vazio era o da manhã). Veja aqui a lista das editoras que participam da edição deste ano.
16/11/2007
Referências são ponto alto de encontro entre Planetary e Batman Encontros de personagens de franquias diferentes tendem, em geral, a ser mais caça-níqueis do que histórias que primem pela qualidade.Mas há exceções, sempre bem-vindas, que conseguem dar à reunião um algo mais.
É o que Warren Ellis e John Cassaday fazem com "Planetary/Batman - Noite na Terra", edição especial lançada nesta semana (Pixel, R$ 11,90).
Os dois autores são os mesmos que fazem a série "Planetary", da Wildstorm, um dos selos vinculados à editora norte-americana DC Comics, a mesma de Batman.
Eles trazem a este especial o mesmo clima da série, publicada na revista mensal "Pixel Magazine".
Há a mesma receita das demais histórias escritas por Ellis: suspense, mistério, sensação de não entender a trama e um choque cavalar de referências a outras obras dos quadrinhos.
E é nesse processo intertextual que o encontro consegue aquele "algo mais".
Os integrantes principais da equipe de exploradores do Planetary -Elijah Snow, Jakita Wagner e Baterista- desembarcam numa Gotham City diferente da mostrada nas revistas do homem-morcego.
O objetivo da empreitada é encontrar o autor de uma série de assassinatos.
A busca esbarra em Batman, ou melhor, em vários Batmans.
Uma espécie de pulso elétrico emitido pelo corpo do principal suspeito altera a realidade. Só não são afetados os membros do Planetary. A cada pulso, o Batman muda.
Pulso. Aparece o barrigudo e divertido Adam West do seriado de TV (que usa um bat-repelente-de-vilãs para se sair bem na luta).
Novo pulso. Surge o troncudo Cavaleiro das Trevas da minissérie homônima escrita e desenhada por Frank Miller no meio da década de 1980.
Outro pulso e entra em cena o Batman desenhado por Neal Adams no início dos anos 1970.
Há também o de Bob Kane, de 1939, devidamente armado.
O curioso da história está nessa sucessiva alternância de Batmans, que funciona como um bom teste para medir o volume de referências do leitor sobre o personagem.
Ajuda na identificação das várias fases o estilo do desenho, muito bem reproduzido por John Cassaday.
O diálogo visual com Neal Adams, em especial, é para agradar qualquer fã de Batman.
De resto, paira aquela sensação de ter perdido uma parte da trama, algo que não compromete a leitura e que não deve estranhar quem acompanha "Planetary" regularmente.
A edição tem 50 páginas e é lançada em formato maior, semelhante ao de revistas.
Nos Estados Unidos, a história foi publicada também numa edição especial, "Planetary/Batman - Night on Earth", vendida a partir de novembro de 2003.
15/11/2007
Benett: mais um tirista da nova geração apavora em livro
Há pelo menos três pontos em comum na talentosa nova geração de tiristas brasileiros. Eles abordam temas diversificados, trazem inovações no uso da linguagem dos quadrinhos no limitado espaço físico da tira e ganham maior projeção após compilarem as histórias, geralmente feitas na internet, em edições impressas. Foi o caminho seguido por André Dahmer e Allan Sieber, para ficar em dois exemplos. E é trilhado agora também por Benett, que lança neste mês o álbum de tiras "Benett Apavora!" (Juruá Editora, R$ 28). As 108 páginas da obra trazem material produzido no blog dele, criado em 2003, e no jornal "Gazeta do Povo", de Curitiba, cidade onde mora há uma década. As tiras mesclam situações mais soltas, nas quais o que importa é a piada, com outras em que há personagem fixos –um moço de boné viciado em sexo e acompanhado em algumas histórias por um poltergeist com o rosto parecido com o de Groucho Marx. "O sujeito de boné é uma espécie de versão piorada minha, se é que é possível", diz Benett, por e-mail. "É meio autobiográfico, com a diferença de que não tenho um poltergeist de estimação e me recuso terminantemente a falar em ectoplasmas." "Mas está tudo ali, de uma forma um pouco exagerada, caricata." Alberto Benett –ou só Benett, como assina- diz que o álbum traz o melhor dele. Vê na obra uma forma de levar seu trabalho a mais pessoas. "Funciona mais ou menos como uma banda independente que vende seus discos no Myspace", diz o desenhista, natural de Ponta Grossa, no Paraná. A analogia com o Myspace é por causa das vendas do álbum, feitas parte em seu site, parte nas unidades da livraria Fnac de São Paulo e do Rio de Janeiro. O site (acesse aqui) tem a vantagem de vender a obra mais em conta: sai por R$ 20, mais R$ 2 de frete. E ele ainda manda o exemplar com dedicatória desenhada. "Acho que essa é a saída. Uma tiragem menor de livros –evita encalhes desnecessários- vendido para pessoas certas e ainda com a possibilidade de oferecer algo mais para o cara que compra." No entender dele, a estratégia contorna o pouco espaço dos jornais dedicado a tiras novas e velhas. "Não há espaço [nos jornais] e, mesmo que houvesse, eles pagam tão pouco..." "Muitas vezes eles pensam ´Vamos dar uma grana tão miserável que nem vale a pena, porque o cara que aceita isso é tão fraquinho´. Sério, já vi essa discussão." Com 33 anos, Benett tem no currículo um primeiro lugar na categoria tiras do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, em 2005. No ano seguinte, ficou em terceiro na categoria quadrinhos do Salão Carioca de Humor. Jornalista por formação, limitou a profissão a poucos textos publicados. Mas viu na formação uma ajuda na produção das charges, publicadas em diferentes jornais. "Acho que, se não fosse o jornalismo, não seria capaz de fazer charges para o jornal", diz. "Penso que uma faculdade de jornalismo faria bem para novos chargistas." Influências? "Se Schulz [criador de Snoopy] não existisse, eu não existiria", diz. "E pretendo tatuar os rostos de Groucho Marx, Schluz e Woody Allen."
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