31/08/2007
Congresso de comunicação tem sala temática sobre quadrinhos
31/08/2007
Congresso de comunicação tem sala temática sobre quadrinhos
O Intercom, principal congresso do país na área de comunicação, vai ter uma sala temática sobre histórias em quadrinhos na edição deste ano.
O congresso é realizado em Santos, no litoral de São Paulo. Os trabalhos começaram na última quarta-feira e vão até o próximo domingo, quando ocorre a apresentação dos trabalhos sobre quadrinhos.
Seis pesquisadores de diferentes instituições de ensino do país vão participar da sala temática. Cada um apresentará um estudo diferente.
O Intercom já teve um núcleo de pesquisas de quadrinhos. Mas foi extinto há alguns anos. O grupo de pesquisadores não conseguiu se adequar às novas regras do congresso.
O Intercom passou a exigir que cada núcleo tivesse oito doutores com trabalhos ligados à área. Na época, os pesquisadores conseguiram a adesão de apenas seis doutores.
O grupo vê na mesa temática -sediada na área de produção editorial- o primeiro passo para recriar o núcleo de pesquisas no Intercom do ano que vem.
O congresso ocorre na Unisantos (Universidade Católica de Santos). A exposição dos trabalhos, no próximo domingo, vai ser das 14h às 17h.
A participação, em princípio, é restrita a quem se inscreveu no Intercom. Mas é comum eventos assim aceitarem ouvintes. A Unisantos fica na Av. Conselheiro Nébias, 300.
As diferentes portas de acesso a Corto Maltese
A leitura de uma história em quadrinhos possui diferentes portas de entrada. Qual será aberta durante o contato com a obra vai depender muito do olhar afiado e da curiosidade do leitor.O acesso a "Corto Maltese - As Célticas", álbum lançado neste mês (Pixel, R$ 33), é naturalmente plural. Assim como o aventureiro protagonista, a obra possui diferentes campos a serem explorados.
Há, por exemplo, a chave da porta da história. Existem várias referências sobre o período da 1ª Guerra Mundial, época em que se passam as seis histórias do álbum, o quarto lançado pela Pixel.
É um bom exercício verificar o que é fato e o que é ficção na trama.
Para quem (ainda) não sabe como usar quadrinhos na escola, essa seria uma boa prática.
Usar a história como pano de fundo para uma narrativa não é exatamente novo. Basta, então, usar uma segunda chave e abrir outra porta. Como a da linguagem cinematográfica presente no álbum.
O escritor e desenhista italiano Hugo Pratt (1927-1995) faz quase um storyboard em determinados trechos. Fiquemos em um, a título de exemplo.
Logo na primeira história, intitulada "O Anjo da Janela do Oriente", Corto Maltese é apresentado ao leitor por meio de um corte inesperado entre uma cena e outra (ou entre um quadrinho e outro).
Há três vinhetas. Na primeira, dois frades olham para o céu. Corte.
Na segunda, aparece o que vêem: um avião monomotor. Novo corte.
Na cena seguinte, surge o protagonista, observando o mesmo avião.
A primeira aparição de Corto Maltese em cada uma das histórias é feita sempre de forma diferenciada. Mas sempre marcante e reveladora, como se um segredo estivesse sendo revelado ao leitor.
Muito disso se deve ao estilo de Pratt. Essa é outra porta que o álbum de 138 páginas permite acessar.
Do primeiro trabalho -"Balada do Mar Salgado", lançado no começo do ano passado- até este, houve um aprimoramento na já aprimorada técnica narrativa do escritor e desenhista.
Pratt está à frente de outra porta de entrada para este quarto álbum do personagem. Vale investigar o quanto de Pratt há em Corto Maltese. O aventureiro é uma espécie de alter-ego do desenhista.
Pratt viajou muito durante toda a vida, em diferentes fases. Nasceu na Itália, morou parte da infância na Etiópia, atuou na Argentina, passou pelo Brasil mais de uma vez (teve até filha aqui), estabeleceu-se novamente na Itália.
Maltese também é um viajante que faz contatos e enfrenta problemas por onde passa. Neste quarto álbum, ele circula pela Europa.
Muitos dos locais por onde o personagem passa foram vistos in loco por Pratt. O quanto há de ficção na representação de todos esses países? O quanto há de realidade? Essa porta é de díficil acesso.
Um jeito -há outros- de se medir a qualidade de uma obra é olhar o volume de portas que ela possui, portas que conduzam o leitor a lugares bem diferentes.
É o caso de Corto Maltese.
30/08/2007
Panini põe freio na periodicidade de Grandes Astros Superman
A última história disponível era a do número oito da revista norte-americana "All Star Superman", que serve de base para a edição nacional. Essa aventura saiu neste mês nos Estados Unidos. Mesmo com a pequena diferença de tempo, a Panini conseguiu incluir a história no oitavo número da revista brasileira, que começou a ser vendida nesta quinta-feira (R$ 3,90). No fim da edição, A Panini informa o leitor sobre o problema e diz que vai tentar "manter a publicação bimestral ou lançar sempre que uma edição for publicada pela DC Comics." O site da DC nos Estados Unidos anuncia para outubro o lançamento do nono número. A publicação norte-americana, escrita por Grant Morrison e desenhada por Frank Quitley, passa por constantes atrasos desde que foi lançada. Problema parecido ocorreu com o outro título da série, "Grandes Astros – Batman & Robin". A Panini suspendeu a publicação da revista na quarta edição, lançada em maio (leia aqui). O motivo também foi o atraso no cronograma de lançamento nos Estados Unidos. O problema já existia quando as duas revistas estrearam no Brasil, no início deste ano. A linha Grandes Astros ("All Star", no original) mostra histórias de Batman e Super-Homem em uma realidade diferente da vista nas outras revistas mensais da DC. A série do homem de aço, mesmo sem ter chegado a um desfecho, venceu o prêmio Eisner deste ano na categoria melhor série. O Eisner é uma espécie de Oscar da indústria norte-americana de quadrinhos. Nesta oitava edição, Super-Homem tenta montar um foguete para fugir do planeta Bizarro, onde está preso. Para isso, tem a difícil tarefa de convencer os habitantes de lá a ajudarem na construção. A dificuldade é de comunicação. Os bizarros têm a característica de entenderem tudo ao contrário.
Uma nova Idéia que vem do sul
Há uma espécie de euforia de produções independentes de quadrinhos neste ano no país. As que já existiam se consolidaram e estimularam o surgimento de outras, como a "Idéia", do Rio Grande do Sul.O segundo número da revista começou a ser vendido neste mês. O foco principal são os quadrinhos, de diferentes gêneros. Mas há espaço também para textos e entrevistas.
A publicação é uma continuidade do jornal "Peixe Frito", que era produzido por Wagner Passos e Alisson Affonso, dois dos editores da "Idéia" (que conta com um terceiro integrante, Ivonei D´Peraça, pai de Passos).
O jornal circulou no ano passado. Teve poucas edições, mas suficientes para ser indicado no Troféu HQMix deste ano na categoria prozine.
A repercussão serviu de estímulo para a criação da publicação independente.
"Na possibilidade de termos mais alcance, pensamos se seria possível dar esse passo e produzir uma revista", diz Passos, por e-mail.
A primeira edição foi lançada em junho. Este segundo número conseguiu cumprir o cronograma dos três editores. Eles pretendem publicar uma nova "Idéia" a cada dois meses.
"Conseguimos montar uma estratégia interessante que torna a revista autosustentável e, assim, conseguimos cumprir essas datas pré-estabelecidas, o que é muito importante para se manter a freqüência e, a cada edição, conquistar mais leitores."
O trio imprimiu mil exemplares deste novo número, que tem 16 páginas. O grupo vende a revista em bancas de Rio Grande, cidade onde moram, e em mais 30 pontos de venda.
Há também um esquema de venda por meio do site "Vagão do Humor", organizado por Passos (para acessar, clique aqui). O plano do grupo é tornar a revista nacional.
"Mas esse é um outro patamar, um outro passo que precisa de um suporte muito grande e que ainda não comportamos", diz Passos.
A "Idéia" custa R$ 5. O preço é o mesmo para quem compra via internet. O grupo não cobra o custo do envio pelo correio.
29/08/2007
Novo álbum de Estranhos no Paraíso volta às origens da série
Há um ar de déjà vu no novo álbum de "Estranhos no Paraíso", obra que começou a ser vendida no último fim de semana nas lojas especializadas em quadrinhos (HQM, R$ 24,90, 88 págs.).O autor da série norte-americana, Terry Moore, leva a série de volta às origens, mais especificamente ao início da primeira história, lançada no Brasil em maio de 1998 pela Editora Abril.
O começa da série trazia um prelúdio de três páginas em que uma das protagonistas, a meiga Francine, encena uma peça no colégio.
No palco, a toga que ela vestia caía diante de toda a platéia. A página seguinte mostrava Francine e a inseparável amiga, a polêmica Katchoo, dez anos no futuro. Era quando a série iniciava oficialmente.
A curiosidade deste "Estranhos no Paraíso -
Tempos de Colégio" é que Moore conta o que se passou antes, durante e depois da constrangedora cena vivida por Francine no palco.A volta ao passado das protagonistas -por isso o título "tempos de colégio"- é para que o escritor e desenhista possa contar como Francine e Katchoo se conheceram e se tornaram as melhores amigas.
Isso cumpre também outro papel. Resgata o humor e as situações mais leves do cotidiano delas, deixados um pouco de lado nas últimas tramas.
Isso fica bem mais claro na quarta e última história do álbum, uma aventura solta, mais despreocupada.
Mostra o devaneio de Katchoo depois de levar uma "portada" no rosto pouco antes de assistir a um episódio de "Xena".
O devaneio se passa no universo das aventuras do seriado da TV. Francine é mostrada no papel de Xena e Katchoo, no de sua parceira.
O tom leve e a explicação sobre como foi o primeiro encontro das protagonistas torna este álbum de Estranhos no Paraíso -o segundo pela HQM- um bom ponto de partida para quem nunca leu a premiada série.
A edição toma como base o sexto encadernado da série, "Strangers in Paradise - High School", que reúne os números de 13 a 16 da revista. O material é inédito no Brasil.
A edição nacional ganhou uma sobrecapa, reproduzida no início desta postagem. A outra imagem é a da capa.
28/08/2007
Suspeita de plágio cancela premiação de cartum em Piracicaba
Cartum premiado no fim de semana no Salão Internacional de Humor de Piracicaba
Cartum de Cau Gomez, feito no ano passado, segundo o desenhista O presidente da comissão organizadora do Salão Internacional de Humor de Piracicaba deste ano, Ricardo Viveiros, suspendeu nesta terça-feira a entrega do prêmio para o primeiro colocado na categoria cartum.
A decisão foi tomada porque existe a suspeita de o desenho -feito por Evaristo Daniel Rodrigues- ter sido plagiado de um trabalho do cartunista mineiro Cau Gomez (vistos nesta postagem).
Os dois cartuns mostram um canibal, com uma medalha no peito, no alto de um pódio. A brincadeira sugere que ele tenha vencido um campeonato de comida humana.
Rodrigues -que nega o plágio- ainda não recebeu o prêmio do salão, no valor de R$ 5 mil.
Ele não compareceu à cerimônia de entrega, realizada no último sábado à noite, quando os vencedores foram divulgados ao público (leia aqui).
Segundo Viveiros, o caso terá de ser decidido na justiça. Isso, diz ele, se alguém fizer uma reclamação formal.
"O prejudicado tem de agir de acordo com a legislação", diz Viveiros, por telefone. "O meu antidoping é a justiça. Eu não tenho condições de avaliar plágio."
O cartunista Cau Gomez, de 35 anos, diz que não sabe se entraria ou não na justiça. "Teria de consultar ainda algumas pessoas para saber se isso é viável", diz, por telefone.
O desenhista diz que tudo ainda é muito recente. Mas vê "muita coincidência" nos dois cartuns. "Creio fielmente que o verdadeiro cartum tem de ser acima de qualquer suspeita."
Segundo o cartunista, o cartum com o canibal participou no ano passado do salão de humor de Pernambuco, evento ligado à FIHQ (Festival Internacional de Humor e Quadrinhos), e circulou também em um portfólio virtual dele.
De acordo com ele, houve ainda uma outra versão do desenho, feita há três anos.
"Atualmente é muito mais fácil identificar um desenho [pela internet] e assim não correr o risco de copiá-lo", diz o chargista do jornal "A Tarde", da Bahia (onde mora há 14 anos).
"É difícil caracterizar de tal modo x ou y. Mas é preciso que os jurados tenham muita atenção ao grande fluxo de produção de cartuns na internet." Houve dois júris nesta 34ª edição do salão, cada um com sete integrantes. O primeiro fez a seleção dos 273 trabalhos que integram a exposição deste ano. Houve 1.073 desenhos inscritos.
O outro júri fez a escolha dos premiados em cada uma das cinco categorias: charge, cartum, caricatura, tiras e vanguarda.
Esse júri contou com três nomes internacionais: Marlene Pohle, da Alemanha, Luís Humberto Marcos, de Portugal, e Xaquín Marín, da Espanha. Os demais eram brasileiros.
Para Evaristo Daniel Rodrigues, autor do cartum premiado em Piracicaba, trata-se de "coincidência pura".
Ele disse ao Blog, por telefone, que nunca tinha visto o outro desenho e que o trabalho apresentado em Piracicaba foi criação dele. Mas reconhece a semelhança.
"O que eu posso afirmar com toda a certeza é que é muito parecido. É muito igual. Mas é coincidência pura", diz o desenhista de 24 anos, que trabalha numa agência de publicidade em Barra Bonita, no interior paulista.
Na conversa, ele lamentou mais de uma vez o que ocorreu. O sentimento foi verbalizado em expressões como "caiu o mundo na minha cabeça", "estou sem chão" e "tô pasmo".
"O que eu não quero é que as pessoas pensem que eu sou um oportunista", diz Rodrigues, que mora em Mineiros do Tietê, cidade a 296 km de São Paulo.
Rodrigues afirma que via no prêmio uma chance de ser mais reconhecido na área.
Caso a premiação do desenho seja suspensa, o primeiro lugar vai, em tese, para um dos dois desenhistas incluídos na lista de menção honrosa na categoria cartum.
A menção é uma forma de reconhecer a qualidade de trabalhos não premiados. Na edição deste ano, não houve segundo colocado.
Houve duas menções na categoria cartum: Ahmet AyKanat, da Turquia, e Luigi Rocco Pasquale Recine, de São Paulo.
Em 2001, houve um caso de suspensão de prêmio em Piracicaba. Mas não por plágio.
O trabalho vencedor na categoria história em quadrinhos não era inédito, uma das exigências do salão de humor, o principal do país.
Divulgados os desenhos que tiveram menção honrosa em Piracicaba
A assessoria do 34º Salão Internacional de Humor de Piracicaba divulgou os oito trabalhos indicados como menções honrosas na edição deste ano.
Um deles é o mostrado acima, de autoria de Spacca.
Spacca volta a desenhar Santos-Dumont, figura histórica que usou no álbum "Santô e os Pais da Aviação". Foi o único trabalho mencionado na categoria charge.
A menção honrosa é um título usado para destacar a qualidade de desenhos não premiados com os primeiros lugares.
O júri deste ano concedeu a menção a oito dos 273 desenhos selecionados para a exposição deste ano.
Das cinco categorias do salão de humor, apenas tiras não teve trabalhos incluídos.
A nova categoria do salão, vanguarda (só com trabalhos feitos na internet), foi a que recebeu o maior número de menções, três no total.
Cartum e caricatura tiveram duas indicações cada uma.
Os nomes dos desenhistas premiados foram divulgados na abertura do evento, no último sábado à noite. O Blog noticiou os trabalhos vencedores no domingo (leia aqui e aqui).
Os outros desenhos que tiveram menção honrosa podem ser vistos no site do salão. Clique aqui para acessar.
27/08/2007
Revista Cão faz edição temática sobre anos 80
![]() Capa aberta da revista, que será lançada nesta terça-feira no Rio de Janeiro
O próximo número da "Cão" vai ser todo dedicado aos anos 1980.
O "revival" é o tema do segundo número da revista independente, que terá lançamento nesta terça-feira no Rio de Janeiro.
"A idéia era de uma história que tivesse o clima dos anos 80 e que, nesse percurso, encontrássemos alguns personagens marcantes daquela época", diz Harriot Junior, editor da revista.
"Os referenciais foram Labirinto, Indiana Jones, De Volta para o Futuro, Sandman, O Iluminado, Plunct Plact Zum [música de Raul Seixas]." Harriot Junior, que também participa da criação das histórias, diz que a revista tenta transmitir todo o clima da época, principalmente no que se refere a filmes, desenhos, guloseimas e música.
"Foram esses assuntos recorrentes que ficaram também em nossa memória", diz por e-mail o designer gráfico paulistano, de 29 anos.
Ao contrário das edições anteriores, a revista vai trazer uma história única, de 36 páginas, feita por diferentes autores e estilos.
A "Cão" é mantida pelo Studio Vermis, grupo de quadrinistas paulistas que se conheceu no Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo.
A revista independente já teve duas edições, lançadas em fevereiro (edição zero) e maio deste ano (leia aqui e aqui). A proposta do grupo é ter um novo número a cada três meses.
O lançamento deste segundo número, no Rio de Janeiro, vai ser na Livraria Dona Laura, que funciona na Casa de Cultura Laura Alvim (av. Vieira Souto, 176, Ipanema). Começa às 19h.
Na próxima segunda-feira, o grupo faz um segundo lançamento, em São Paulo, às 19h30.
Vai ser na Menor Livraria do Mundo, que funciona no Jeremias o Bar (rua Avanhandava, 37, centro).
A revista custa R$ 3. O Studio Vermis mantém um site com outras informações sobre o grupo. Para acessar, clique aqui.
Enem usa quadrinhos como tema de questões
![]() Charge de Angeli usada num dos testes da prova do governo federal
A charge acima, publicada por Angeli no jornal "Folha de S.Paulo" em março deste ano, foi tema de uma das 63 questões do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
O teste, elaborado pelo governo federal, foi aplicado ontem a mais de 3,5 milhões de estudantes de todo o país (3.568.592, segundo a área de educação do UOL).
O desenho de Angeli ironiza o interesse de outros países na tecnologia brasileira. Esse era o teor do assunto abordado nas cinco alternativas da questão.
Outro teste do Enem usou uma tira de "Níquel Náusea", de Fernando Gonsales. A história fazia uma brincadeira sobre a forma de reprodução das bactérias, pergunta do teste.
Não é a primeira vez que o exame do governo federal utiliza quadrinhos como tema de questões (fiz artigo sobre o assunto para o UOL; pode ser lido aqui).
O uso dos quadrinhos no Enem é para cumprir uma das metas do exame: a de avaliar o nível de proficiência do aluno na leitura de outras linguagens.
Uma das maiores contribuições da prova é a de propor aos estudantes a leitura de imagens, de textos visuais. Outras sete questões deste ano pediam a interpretação de fotos e pinturas.
Ou seja: das 63 questões do Enem deste ano, nove abordavam leitura de imagens, duas em quadrinhos. Isso representa 14% da prova.
O Enem, como o próprio nome diz, surgiu como um processo de avaliação do ensino médio. Mas adquiriu outros valores com o passar dos anos.
A nota da prova é usada na média final de grandes vestibulares, como o da Fuvest (que seleciona os estudantes ingressantes na Universidade de São Paulo).
Também permite ao aluno participar do sistema de bolsas do Prouni (Programa Universidade para Todos), voltado a alunos que não podem pagar os custos do ensino superior.
Por causa disso, tem sido muito forte a influência do Enem no ensino médio. A tendência de que o conteúdo dos testes migre para a sala de aula é grande.
Do ponto de vista dos quadrinhos, o Enem ajuda -e tem ajudado já há alguns anos- a colocar o tema dentro da sala de aula.
Não é por acaso que o governo federal no ano passado incluiu dez histórias em quadrinhos no Programa Nacional Biblioteca na Escola (leia aqui).
O programa distribui livros gratuitamente para escolas do ensino fundamental e tem pautado lançamentos de muitas editoras, como os do gênero "literatura em quadrinhos".
O interesse editorial é incluir obras na lista do governo para 2008. A relação com os novos títulos deve ser definida ainda este ano.
Clique aqui para ler a prova do Enem.
Crédito: a charge de Angeli foi reproduzida do arquivo virtual da "Folha Online"
Semana começa com três palestras sobre quadrinhos
Há três palestras ligadas a quadrinhos nesta segunda-feira à noite, cada uma em uma cidade diferente.
Em Recife, um debate discute a obra de Lailson de Holanda Cavalcanti. O desenhista pernambucano é autor dos álbuns "Lusíadas 2500", lançado no ano passado (leia aqui) e "Pindorama - A Outra História do Brasil".
Ele também tem papel de destaque no humor gráfico nacional e na área de pesquisa. Possui duas obras sobre a trajetória dos desenhos de humor no país.
Uma delas é referência na área, embora ainda inédita no Brasil. Chama-se "Historia del Humor Gráfico en el Brasil" e foi lançada apenas na Espanha (leia mais aqui).
O debate vai ser às 19h no auditório da Livraria Cultura Paço Alfândega (rua Madre de Deus, sem número, loja 135).
O segundo evento faz parte da programação do 18º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo.
Nesta segunda, às 20h, ocorre a exibição de três curtas de Osamu Tezuka, tido como o "pai" do mangá, nome dado ao quadrinho japonês.
Serão apresentados "Filme Quebrado", "Pular" e "Quadros de uma Exposição".
Antes, vai haver uma palestra de Rogério de Campos, dono da Conrad, editora que publicou a maior parte das obras de Tezuka no Brasil.
Entre elas, está "Adolf", minissérie em cinco partes que venceu o Troféu HQMix da categoria neste ano (leia mais aqui).
A palestra e as exibições ocorrem no CineSesc (rua Augusta, 2.075, Cerqueira César, na capital paulista).
E em Brasília, o tema de hoje do 2º Festival de Quadrinhos é "educação e políticas públicas para quadrinhos".
Participam da mesa o desenhista Jô Oliveira, Lima Neto, Selma Oliveira e o professor da USP (Universidade de São Paulo) Waldomiro Vergueiro.
A mesa-redonda começa às 19h30. O festival, iniciado na semana passada (leia aqui), ocorre na livraria Fnac de Brasília (fica no ParkShopping).
O evento vai até quinta-feira. Leia a programação aqui.
26/08/2007
Caricatura sobre Niemeyer recebe principal prêmio de Piracicaba
Desenho foi feito por José Raimundo Costa do Nascimento, do Rio de Janeiro O desenhista carioca José Raimundo Costa do Nascimento é o principal premiado do 34º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o principal do país. A caricatura dele –sobre o arquiteto Oscar Niemeyer- venceu o Troféu Zélio de Ouro. O troféu, iniciado neste ano no salão, premia o melhor desenho do salão. A mesma ilustração foi escohida como melhor caricatura deste ano. Pelos dois prêmios, Nascimento ganhou R$ 15 mil (R$ 10 mil pelo Zélio de Ouro e R$ 5 mil pela categoria caricatura). Os vencedores das outras quatro categorias ganharam R$ 5 mil cada um. Todos são brasileiros. O trabalho de Evaristo Daniel Rodrigues venceu como melhor cartum. A categoria charge ficou com Jean Charles Galvão. Tiras, com Caio Tavares Gómez. A categoria vanguarda, feita pela primeira vez no salão, ficou com Lucas Leibholz (que ficou em 2º lugar na categoria caricatura em 2006). A modalidade vanguarda era específica para trabalhos feitos por computador e foi a que teve o maior número de selecionados, 62. Uma caricatura de Eduardo Baptistão -sobre o cantor Nando Reis- recebeu um outro prêmio do salão, concedido pela Prefeitura de Piracicaba, cidade a 162 km de São Paulo. Baptistão ganhou R$ 2.500. Neste ano, não houve segundos e terceiros lugares em cada um das categorias. Mas o júri decidiu conceder oito menções honrosas. A divulgação dos premiados ao público foi na noite de sábado na cerimônia de abertura do salão, apresentada por Serginho Groissman, da TV Globo. Os premiados haviam sido definidos há uma semana. Os vencedores foram comunidados do prêmio durante a semana. A antecipação era para que os premiados pudessem comparecer à abertura do salão. A organização do evento pediu sigilo a eles. O salão recebeu nesta edição 1.073 trabalhos, 300 a mais do que no ano passado. Houve desenhos de 45 países. Mas a maior parte foi de brasileiros. A exposição com os 273 trabalhos selecionados deste ano poderá ser vista até 14 de outubro em Piracicaba. Há também uma série de mostras em paralelo. Os trabalhos estão no Parque Engenho Central (Avenida Maurice Allain, 454). A visita é das 9h às 22h. A entrada é franca. Veja os outros trabalhos vencedores nas postagens abaixo.
Salão de Humor de Piracicaba: cartum
Vencedor: Evaristo Daniel Rodrigues - Mineiros do Tietê (SP) Observação: na medalha, no peito da figura desenhada, está escrito "Food Festival"
Salão de Humor de Piracicaba: vanguarda
Vencedor: Lucas Leibholz - Piracicaba (SP)
A imagem mostra John Lennon e Yoko Ono e foi feita em alto relevo, em papel. Dependendo do ângulo de visão, é possível ver Lennon ou Ono. Veja abaixo:
Imagem vista pela direita... ... e pela esquerda.
Salão de Piracicaba: prêmio da prefeitura e menções honrosas
Vencedor do prêmio da Prefeitura de Piracicaba: Eduardo Baptistão - São Paulo (SP) Menções honrosas: Cartum Charge Caricatura Vanguarda Clique aqui e aqui para ver os premiados da última edição do salão de humor.
25/08/2007
Uma série de super-herói em que o super é o que menos importa
O primeiro número da minissérie em três partes começou a ser vendido nesta semana em bancas e lojas especializadas (Pixel, R$ 6, 90). A história é sobre o prefeito de Nova Iorque, Michell Hundred, que assumiu o cargo em 2002. Nada de mais, não fosse o fato de ele ser um ex-super-herói. Um acidente em 1999 concedeu a ele o dom de se comunicar com qualquer máquina. Hundred passou a usar os poderes como o herói "Grande Máquina". Em 2001, ele aceita deixar o uniforme e a carreira de engenheiro para disputar a prefeitura (por isso é ex-máquina). E ganha. Esta minissérie -escrita pelo criador da série, Brian K. Vaughan- mostra esse momento de transição na vida de Hundred. A história intercala a narrativa em flashback –o passado é representado com cores mais claras- com momentos presenciados em 2002, quando ele já ocupa o cargo de prefeito. O salto em dois momentos temporais é uma das características da série. É um recurso para apresentar, em pílulas, elementos da origem de Hundred sem deixar de lado os polêmicos bastidores da política, o ponto alto de "Ex-Machina". Neste primeiro número, o prefeito tem de decidir se realiza um casamento homossexual. A cautela é porque o envolvimento no caso pode garantir a ele o rótulo de gay (por ser trintão e ainda soletiro). Além disso, há um mistério envolvendo uma imagem do acidente que concedeu os poderes a ele no passado. Passado, presente, política, bastidores do poder, preconceitos, super-herói, ex-super-herói. É difícil articular tudo isso numa mesma série. "Ex-Machina" tem o mérito de conseguir. O prêmio Eisner –espécie de Oscar do quadrinho norte-americano- foi certeiro na escolha de Vaughan como melhor roteirista em 2005. Faltou um reconhecimento também para os desenhos de Tony Harris. Ele consegue criar expressões faciais extremamente realistas, que dão um ganho ao texto de Vaughan. A minissérie traz os número seis e sete da revista norte-americana homônima, publicada Wildstorm, um dos selos da editora DC Comics (a mesma de Batman e Super-Homem). A história continua do ponto onde a Panini havia parado. A editora havia lançado um encadernado com as cinco histórias iniciais em outubro de 2005. O álbum pode ser encontrado em lojas especializadas. Nota: merece registro outra história que deixou o lado super de lado e aprofundou as características do personagem. É série em oito partes publicada nas últimas quatro edições da revista "Super-Homem" (a última parte está nas bancas). O homem de aço está sem poderes, que vão reaparecendo paulatinamente. Isso tira o foco narrativo do super-herói e o ajusta em Clark Kent. A série, escrita por Geoff Johns e Kurt Busiek (de "Astro City") é, de longe, uma das melhores já feitas com o Super-Homem.
24/08/2007
Lançado álbum de luxo com histórias clássicas dos Vingadores
A edição de luxo com as primeiras histórias do grupo Os Vingadores começou a chegar neste finzinho de semana em lojas especializadas em quadrinhos e livrarias."Biblioteca Histórica Marvel - Os Vingadores" (Panini, R$ 53, 244 págs.) traz as dez aventuras iniciais da equipe, uma das principais da editora norte-americana Marvel Comics.
O material é de 1963 e 1964 e já foi publicado no Brasil pelas editoras Ebal (no fim da década de 1960) e Bloch (entre 1975 e 1976).
Os desenhos são de Jack Kirby, principal artista da fase inicial da Marvel. Ele criou alguns dos principais personagens da editora na época.
A história de estréia -que foi reeditada também pela Editora Abril- mostra o surgimento do grupo, formado por heróis clássicos da Marvel.
A primeira formação tinha Thor, Hulk, Homem de Ferro, Homem-Formiga e Vespa.
Os heróis foram reunidos por meio de um plano de Loki, meio-irmão de Thor. O vilão queria atrair a atenção de Hulk para que o monstro verde enfrentasse o deus do trovão (título dado a Thor).
O plano deu errado, porque os outros heróis também foram atraídos para o local. Todos enfrentam Loki e decidem, depois, unir forças para combater o mal como Os Vingadores.
A presença de Hulk, ser instável por natureza, não durou muito na equipe, como mostram essas aventuras iniciais.
Foi no quarto número da revista, de março de 1964, que a equipe encontrou seu eixo.
Nessa edição, os Vingadores encontram o corpo do Capitão América, mantido vivo num bloco de gelo. Ele estava nesse estado desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
O herói, criado em 1941, é descongelado, salva sozinho a equipe logo na primeira aventura e passa a integrar o grupo. Futuramente, torna-se líder dos Vingadores e uma espécie de elo do grupo.
O bloco de gelo foi a saída encontrada por Stan Lee, criador dos Vingadores e escritor das histórias deste álbum, para trazer de volta o herói ao universo de personagens da editora.
Havia nessas histórias, o leitor verá, uma preocupação excessiva com explicações para cada um dos poderes e apetrechos dos super-heróis.
É algo que não havia nos heróis da concorrente, DC Comics (de Batman e Super-Homem).
Mas havia também uma ingenuidade nas aventuras e nos diálogos dos personagens, elementos inexistentes no realista tratamento dos super-heróis de hoje.
A minissérie "Guerra Civil", publicada atualmente no Brasil, coloca esses mesmos heróis em lados opostos. E os leva a um inevitável e mortal confronto.
Nas histórias de "Biblioteca Histórica Marvel - Os Vingadores", obra lançada em capa dura, são todos leais (à exceção, talvez, de Hulk). Nem parece coisa da mesma editora Marvel.
Este é o terceiro álbum da coleção, que começou a ser lançada em junho deste ano.
Divulgação dos vencedores do Salão de Piracicaba é neste sábado
Os premiados da 34ª edição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o principal do país, serão conhecidos pelo público amanhã à noite. É quando ocorre a abertura do evento e da exposição deste ano, com 273 trabalhos.Os trabalhos vencedores das categorias charge, cartum, caricatura, tira e vanguada (só com trabalhos feitos na internet) foram escolhidos no último domingo.
Os desenhistas premiados em cada uma das cinco categorias já foram informados pelos organizadores do salão. Mas foi pedido sigilo.
Essa comunicação prévia é para dar tempo de os premiados se programarem para comparecer na abertura do salão, que ocorre em Piracicaba, cidade a 162 km de São Paulo.
Cada um dos premiados recebe um prêmio de R$ 5 mil, chamado Troféu Zélio de Prata, homenagem ao cartunista Zélio Alves Pinto.
Os cinco concorrem a um segundo prêmio, o Troféu Zélio de Ouro, no valor de R$ 10 mil. O grande vencedor ganha, então, R$ 15 mil (soma dos prêmios dos dois troféus).
Segundo a organização do salão de humor, os cinco premiados só vão saber na hora quem fica com o Zélio de Ouro.
O salão recebeu 1.073 trabalhos (300 a mais do que em 2006) vindos de 45 países. A maior parte é de desenhistas brasileiros.
A exposição com os 273 selecionados poderá ser vista até 14 de outubro. Há também uma série de mostras em paralelo.
A abertura do salão, às 20h deste sábado, será comandada por Serginho Groissman.
O apresentador da TV Globo comanda todos os anos a entrega do Troféu HQMix, principal premiação de quadrinhos do país (leia aqui).
A entrega dos prêmios e a abertura da exposição ocorrem no Parque Engenho Central (Avenida Maurice Allain, 454, Piracicaba).
23/08/2007
Discurso sobre quadrinhos na mídia impressa começa a mudar
Havia sinais de fumaça desde o ano passado de que a mídia, principalmente a impressa, começava a enxergar os quadrinhos de uma forma diferente.
A quantidade de alertas aumentou sensivelmente neste mês. Deixou de ser apenas mais um sinal. Tornou-se fato.
A revista "Época" da semana passada trouxe uma matéria sobre a chamada literatura em quadrinhos.
Segundo a reportagem, os novos "reis do mundo" não são Super-Homem ou Hulk, e sim Machado de Assis e Eça de Queirós (alusão às adaptações de "O Alienista" e "A Relíquia", lançadas neste ano).
A "IstoÉ" -também da semana passada- trouxe uma matéria de duas páginas a respeito do mesmo assunto: a ida dos quadrinhos às livrarias.
Havia um tom de surpresa no texto. Fica nítido logo na abertura da reportagem:
"Muita gente ainda acha que histórias em quadrinhos são coisa de criança. Ou de nerd. É só ir na livraria mais próxima e ver que esse mercado não é mais o mesmo."
A revista "Língua Portuguesa" deste mês traz uma reportagem de seis páginas sobre o jornalismo em quadrinhos, gênero que ainda se firma e que tem no jornalista maltês Joe Sacco o principal representante.
A matéria, feita por Luiz Costa Pereira Junior, é representativa por dois motivos: 1) é uma das mais completas sobre o assunto; 2) leva o tema "quadrinhos" a um universo de leitores que tradicionalmente não acompanha quadrinhos.
O maior exemplo, no entanto, foi visto no último domingo. E também sobre jornalismo em quadrinhos. A "Folha de S.Paulo" publicou 16 páginas em quadrinhos feitas por Joe Sacco.
A reportagem em quadrinhos foi veiculada no "Mais!", caderno voltado a literatura e artes.
O caderno é lido principalmente pelo grupo rotulado como "formador de opinião", que, embora pequeno, influencia o modo como outros enxergam temas artísticos.
A presença da história de Sacco no caderno repercutiu, dentro e fora do jornal.
O ombudsman da Folha, Mário Magalhães, incluiu a história na crítica interna que envia diariamente à redação (e que pode ser lida na versão virtual do jornal).
Segundo Magalhães, "o melhor da Folha no domingo, na minha opinião, foram os quadrinhos sobre a guerra no Iraque, de autoria de Joe Sacco, no Mais!"
Há seguramente outros exemplos. Mas os elencados aqui já bastam para mostrar que o discurso sobre quadrinhos lido na mídia impressa é outro, se comparado ao visto até então.
Pessoas que historicamente ignoravam quadrinhos passaram a noticiar o tema.
O que levou a essa mudança?
(Continua na próxima postagem)
Discurso sobre quadrinhos na mídia impressa começa a mudar - II
(Continuação da postagem anterior)
Os quadrinhos historicamente foram o "patinho feio" das artes nos cadernos de cultura dos jornais, tidos como formadores de opinião.
"Formadores" porque fazem um recorte de tudo o que é produzido em termos artísticos dentro e fora do país e o leva até o leitor, na forma de notícia.
Havia -e há ainda- nesses cadernos uma espécie de bloqueio invisível à área. É como se o assunto não interessasse ao público consumidor de cultura.
E, se não era noticiado, o fato simplesmente não existia aos olhos do grande público.
Cinema, teatro, música, dança, pintura e outras formas de arte sempre existiram com força e prestígio no discurso coletivo da sociedade. Não é coincidência o fato de serem sempre noticiados.
Havia -e há- poucas e louváveis exceções.
Um caso são os poucos colunistas de quadrinhos que marcam presença nos jornais desde a década de 1960.
Alguns nem recebiam para escrever sobre lançamentos da área (algo que ainda acontece). Faziam (ainda fazem) por puro amor à arte.
Outra exceção é a mídia especializada virtual, na qual este blog se inclui.
Esse tipo de página tende a ser lida com mais freqüencia por consumidores de quadrinhos, e não pelo grande público (embora alguns, como este blog, freqüentem a página principal de determinados portais na forma de chamadas).
São sites importantes, mantidos por pessoas sérias, que normalmente lêem e acompanham quadrinhos.
A novidade é que agora quem também noticia o assunto, até com profundidade, é o jornalista que atua na mídia impressa e que historicamente ignora o tema.
Repito a pergunta feita na postagem anterior: o que levou a essa mudança de discurso na chamada "grande mídia", em especial na impressa?
Do que se pode ver no calor dos acontecimentos, não se trata de um reconhecimento tardio ou algo do tipo.
O ponto é que os quadrinhos tomaram posse de dois aspectos valorizados pelos "formadores de opinião".
O primeiro foram as livrarias.
A notícia de que o número de obras em quadrinhos em parte das grandes livrarias aumentou 30% de 2006 para cá, noticiada ontem por este blog, é uma das informações mais relevantes deste ano para a área.
O formador de opinião -o profissional que noticia cultura e a pessoa que a consome e divulga- agora esbarra com quadrinhos na hora em que vai comprar livros.
E o que ele vê se parece com livros, com a mesma qualidade editorial. Não é algo "descartável". É um bem durável. É um outro olhar.
O outro ponto é que os quadrinhos se vincularam a três rótulos pra lá de prestigiados em todos os âmbitos sociais: educação e, principalmente, jornalismo e literatura.
Aos olhos do formador de opinião e do novo consumidor, não se trata de quadrinhos feitos com viés jornalístico. É exatamente o contrário. É jornalismo produzido em quadrinhos.
Destaca-se em primeiro lugar o teor jornalístico, valorizado socialmente, tido como "sério". Os quadrinhos vêm em segundo plano, acompanhando o rótulo "principal". Há uma sensível diferença.
Pelo mesmo raciocínio, não se trata de literatura em quadrinhos. É, do ponto de vista do público que não acompanha o tema, literatura feita em quadrinhos.
Não é por acaso que as notícias deste mês abordaram basicamente esses dois temas, jornalismo e literatura.
Mais um dado comprova essa leitura. As editoras de quadrinhos aumentaram o número de inserções na mídia impressa. A Devir registra esse crescimento. A Conrad, também.
O caso da Conrad é ainda mais revelador. Segundo a assessoria da editora, a média mensal de notícias sobre lançamentos em quadrinhos da Conrad de janeiro até o começo de agosto foi 15.
Em todo o ano de 2006, a média mensal de notícias foi 14.
O recorde foi deste ano foi com a adaptação literária de "A Relíquia", feita por Marcatti. A Conrad contou 41 matérias sobre o assunto nas mídias impressa e virtual.
"O Mundo Mágico", último álbum de Calvin e Haroldo, teve 28 matérias noticiando o lançamento neste ano.
Em 2006, o álbum que teve mais inserções na mídia foi a primeira coletânea das histórias de Valentina. Foram 27 notícias.
Uma das discussões que sempre nortearam a área era se quadrinhos eram literatura ou uma linguagem autônoma (embora com um claro diálogo entre as duas formas de arte).
Sempre defendi que associar quadrinhos à literatura era uma forma de buscar um rótulo socialmente aceito e prestigiado -a literatura- para justificar a aceitação dos quadrinhos.
Ironicamente, foi o que ocorreu. Corrigindo: que está ocorrendo.
A apropriação dos termos "literatura" e "jornalismo" ajudou a furar o bloqueio invisível da mídia impressa, que dá sinais de que começa a ver os quadrinhos como "algo sério".
Não pelos quadrinhos em si, mas pelas livrarias, pela educação, pelo jornalismo, pela literatura.
Não deixa de ser relevante.
E é uma porta de entrada para que outros gêneros dos quadrinhos sejam, enfim, descobertos.
Tardiamente descobertos.
22/08/2007
Número de quadrinhos em grandes livrarias aumenta 30%
A presença de obras em quadrinhos em livrarias de grande porte aumentou entre 2006 e 2007. Levantamento feito pelo Blog mostra que em pelo menos duas redes -Fnac e Saraiva- o crescimento nesse período foi de 30%.
No caso da Fnac, que tem sete lojas no país, o aumento foi o dobro do de livros.
Os livros na Fnac tiveram crescimento entre 15% e 16%, se comparado o primeiro semestre de 2006 com os primeiros seis meses deste ano.
A livraria, que tem sede na França, triplicou o crescimento em relação a 2005, ano em que a presença de quadrinhos nas estantes registrava aumento de 10% (contra os atuais 30%).
A projeção da Fnac para 2008 é a de repetir o índice de crescimento. Segundo a assessoria da livraria, já há planos para ampliar o espaço físico destinado a quadrinhos.
A Saraiva, que tem 35 lojas no país, também teve crescimento de 30% na área de quadrinhos entre 2006 e 2007. E pretende ampliar esse número no ano que vem.
Segundo o departamento de compras, o crescimento de 30% é registrado desde 2005. Na área de livros, o índice foi o mesmo nesse período.
A Livraria Cultura não possui dados sobre o crescimento de quadrinhos nas seis lojas que mantém no país, três delas em São Paulo.
Mas concorda que houve um aumento "significativo" no setor. O espaço físico das lojas foi ampliado para se enquadrar à nova realidade.
Um dos motivos apontados pela livraria para esse crescimento é a qualidade editorial das obras de quadrinhos.
O departamento de compras entende que há cinco, seis anos, o caráter da maioria desses títulos era "descartável".
Todas as livrarias consultadas concordam que o crescimento acompanha o aumento de títulos lançados pelas editoras brasileiras que atuam no setor.
Desde 2005, editoras grandes, como Companhia das Letras e Jorge Zahar, passaram a investir no setor, até então dominado por editoras tradicionais de quadrinhos, como Conrad, Devir, Via Lettera e Opera Graphica.
Nesse período -principalmente no ano passado-, houve também o surgimento de novas editoras de quadrinhos, como a HQM, Zarabatana, Pixel e Desiderata.
Para registro: o Blog entrou em contato duas vezes com a Siciliano, responsável por 62 lojas no país.
Em todas as ocasiões, a assessoria da livraria informou que não havia ninguém naquele momento para fornecer as informações sobre o assunto.
21/08/2007
Cartunista brasileiro vence salão de humor na Síria
O desenho ao lado, do brasileiro Marcio Leite, foi o primeiro colocado do Salão Internacional de Cartum da Síria.
O tema do salão de humor era "mulher".
Os demais prêmios ficaram para:
- Julian Pena Pai, da Romênia (2º lugar);
- Jovan Prokoglijevic, da Sérvia (3º lugar)
- Mourhaj Yousef, da Síria (3º lugar)
Pai e Prokoglijevic ficaram empatados em terceiro lugar.
Veja os outros trabalhos premiados aqui.
Panini anuncia novos especiais. Mas não lançou parte dos antigos A Panini anunciou os títulos especiais de super-heróis que pretende lançar até o fim do ano.
O que contrasta nessa informação é que a editora ainda não lançou parte dos encadernados especiais programados para o final do semestre passado.
Os novos lançamentos foram noticiados na última edição da "Wizmania" (Panini, R$ 7,90), revista especializada em informações sobre quadrinhos.
A lista de especiais inclui encadernados de minisséries publicadas pela Editora Abril, como "Guerras Secretas" (da Marvel) e "Odisséia Cósmica" (da DC Comics).
Há também álbuns de histórias já publicadas pela Panini (de Lanterna Verde e dos X-Men) e um outro volume de "Arquivo DC", com as primeiras histórias da Turma Titã.
A primeira edição de "Arquivo DC", com a estréia da Liga da Justiça, fazia parte do último anúncio de lançamentos da editora. A obra, de 548 páginas, ainda não foi publicada.
O mesmo ocorreu com "Batman: Crônicas", com as primeiras aventuras do homem-morcego.
Essa edição, em formato de luxo (vai custar R$ 48, segundo a editora), tinha sido anunciada inicialmente para junho (leia aqui). Também não foi lançada.
Há outros casos, como o encadernado de "Os Supremos", da Marvel. O lançamento tinha sido anunciado para abril. Começou a ser vendido no fim do mês passado (leia aqui e aqui).
Por que os títulos especiais da Panini não chegam ao leitor na data anunciada?
O Blog fez essa pergunta, por e-mail, a Fabiano Denardin, editor sênior das revistas DC.
Segue a resposta, na íntegra:
"Batman Crônicas, Arquivo DC: LJA, Batman: Cidade Castigada... todos esses lançamentos serão publicados.
O problema é que estamos numa transição. Estamos saindo de uma distribuição apenas em banca para uma diferenciada, envolvendo livrarias.
É uma nova fase para os nossos lançamentos, e toda mudança implica em adaptação.
Nesse processo, alguns lançamentos sofreram para se adaptar a essa nova realidade - com estudos de tiragem, acabamento e preço.
Os lançamentos que você pergunta estão entre os afetados.
O caso não é que "os títulos anunciados não chegam ao leitor na data anunciada", mas que temos alguns casos onde fatores externos nos obrigaram a postergar o lançamento."
Um dos momentos mais marcantes do HQMix em quadrinhos
Um dos momentos mais marcantes da cerimônia de entrega do Troféu HQMix, em julho, foi a exibição de dança de Nita, esposa do desenhista Sérgio Macedo, um dos premiados.
O casal mora no Taiti há de 26 anos. Nita, no palco, mostrou um pouco da cultura de lá.
Em trajes típicos, ela fez uma dança parecida com a havaiana. Sincronizava o balanço do corpo com um quase hipnótico movimento com as mãos.
A dança parou a platéia do teatro do Sesc Pompéia, em São Paulo.
![]() Fábio Moon era um dos presentes. O desenhista recebeu com o irmão gêmeo, Gabriel Bá, quatro estatuetas.
Moon transformou aquele momento em uma história em quadrinhos de uma página.
"Aquela coisa das mãos chamou minha atenção", diz ele, que divide os desenhos com aulas de dança de salão.
O resultado foi colocado no blog que ele e Bá mantêm, o "10 Pãezinhos".
É de lá que reproduzo a história em quadrinhos, que pode ser conferida a seguir:
Clique aqui para ver mais fotos da dança dela na entrega do Troféu HQMix.
Crédito da foto: Leandro Moraes
20/08/2007
Dois debates discutem literatura em quadrinhos
Quadrinhos e literatura formam manifestações artísticas diferentes. Mas o ressurgimento das adaptações literárias tem dado uma nova visibilidade aos quadrinhos. O tema vai ser discutido em dois eventos diferentes.
O primeiro é nesta terça-feira, às 20h, em São Paulo. O bate-papo vai reunir Marcatti, Índigo e Fábio Moon.
Os três são responsáveis, respectivamente, pelas adaptações de "A Relíquia", "Memórias de um Sargento de Milícias" e "O Alienista".
A mediação é do especialista em quadrinhos Álvaro de Moya, que prepara um livro de memórias (leia aqui).
O bate-papo vai ser no Sesc Vila Mariana (rua Pelotas, 141). O ingresso vai de R$ 2 a R$ 4.
O outro debate sobre literatura em quadrinhos integra a programação do 2º Festival de Quadrinhos, que vai de 22 a 30 deste mês na livraria Fnac de Brasília (fica no ParkShopping).
A mesa redonda sobre o assunto é no próximo sábado, às 18h. Participam Gabriel Góes, Kleber Sales, Gabriel Bá e Fábio Moon (que discute o tema pela segunda vez na semana).
O festival terá outros debates, um por dia, todos de graça. Os temas vão desde "quadrinhos & vampiros" (no dia 23) à discussão de políticas públicas para quadrinhos na área da educação (no dia 27).
Haverá também (re)lançamentos de obras de diferentes autores. O evento é promovido pela Fnac e pelas editoras Devir e Pixel.
A programação completa pode ser lida no site da Fnac. Para ler, clique aqui.
Antes do Incal: seqüência tem menos filosofia e mais investigação ![]() "Incal" tem muito da cinessérie "Guerra nas Estrelas". Ou melhor: Star Wars é que tem elementos da história em quadrinhos francesa.
Depois revelarem o fim da trama, ambas lançaram o olhar para os fatos que deram início à história. É o que se vê no primeiro volume -de um total de três- de "Antes do Incal" (Devir, R$ 42).
O álbum começou a ser distribuído nesta virada de semana a livrarias e lojas de quadrinhos.
A obra, lançada na França entre 1988 e 1992, conta a infância e adolescência de John Difool, o protagonista da série.
Difool, neste álbum, ainda não é o "detetive classe R" do planeta Terra # 2014.
O personagem também não encontrou o poderoso artefato Incal, algo que irá ocorrer no futuro dele, mostrado nos três primeiros álbuns da série.
Não ter o Incal por perto tira da série o ar excessivamente filosófico que pautou as edições anteriores. Isso simplifica a história e a torna mais fácil de ser compreendida, inclusive por quem nunca acompanhou a série.
Pode-se dividir este primeiro álbum em duas partes. Na primeira, o leitor descobre o passado de Difool, descobre que a mãe dele era prostituta, que o pai estava preso.
A outra parte é dedicada à investigação que ele tem de fazer para conseguir o título de "detetive classe R". Ele tenta descobrir que fim levam os filhos de prostitutas da Cidade-Poço, onde mora.
A cidade, literalmente um poço, é uma forma de o autor da série, o cineasta Alexandro Jodorowsky, criticar a estrutura capitalista do mundo ocidental.
As classes sociais, no poço, são divididas em andares. Nos mais altos, os bem afortunados. No chão, perto de uma poça de ácido, a ralé. É por lá que Difool perambula de um canto para outro.
É lá também onde ocorrem as cenas mais surreais. Incêndios e suicídios são filmados para entreter as camadas superiores.
Um palhaço joga fogo no próprio corpo e se deixa filmar. Se, durante a combustão, ele fizer as pessoas em volta rirem, a família ganha um prêmio.
"Antes do Incal" é uma história mais simples do que a trama que a precede e que, ao mesmo tempo, dá seqüência.
Não é desenhada por Moebius, como a primeira parte. Mas o estilo permanece. O traço de Zoran Janjetov, que assume a arte, tenta ser uma cópia do antecessor.
19/08/2007
Cartunistas internacionais e quadrinistas premiados em São Paulo
Um evento de quadrinhos, que ocorre nesta segunda-feira, em São Paulo, tem uma receita eclética. Tem nos ingredientes uma mistura de cartunistas estrangeiros com um tempero de produções independentes premiadas no último Troféu HQMix. O evento começa às 17h30 com uma palestra dos três convidados estrangeiros do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, que tem início no próximo sábado. O bate-papo é com Marlene Pohle, da Alemanha, Luís Humberto Marcos, de Portugal, e Xaquín Marín, da Espanha. Eles representam, respectivamente, a Feco (Federation of Cartoonists Organizations), o Museu Nacional da Imprensa, que promove o Porto-Cartoon (leia mais aqui), e o Museu da Arte de Fene. Às 19h30, eles fazem uma sessão de autógrafos. Juntam-se aos palestrantes internacionais alguns dos quadrinistas independentes premiados na edição deste ano do HQMix. Participam os autores de "Subterrâneo" (eleito melhor fanzine, R$ 2) e da revista independente "A Mosca no Copo de Vidro" (melhor prozine, R$ 3). Haverá também lançamentos de edições solo de personagens de "Subterrâneo". É o caso de "Sideralman" (R$ 3), do ilustrador Will, e "Piratas" (R$ 1), de Marcos Venceslau. Outra revista independente vai estar à venda: "Cambada" (R$ 5), feita pelo desenhista Papito. A palestra e a sessão coletiva de autógrafos vai ser na Menor Livraria do Mundo, que funciona no Jeremias o Bar (rua Avanhandava, 37, no centro de São Paulo).
Folha de S.Paulo publica reportagem em quadrinhos de Joe Sacco
A edição deste domingo do jornal "Folha de S.Paulo" traz uma reportagem em quadrinhos feita pelo desenhista e jornalista maltês Joe Sacco. A história de 16 páginas mostra o treinamento de um grupo da Guarda Nacional Iraquiana coordenado por dois militares norte-americanos. O registro de Sacco, feito em 2004 durante visita ao Iraque, revela a dureza dos treinamentos. E as particularidades dos homens que integram o grupo. Dos 14 soldados, por exemplo, só 5 sabiam ler e escrever. A reportagem de Joe Sacco, autor de vários álbuns do gênero "jornalismo em quadrinhos’, toma cinco páginas do "Mais!", caderno dedicado a literatura e debates intelectuais. Houve também uma chamada na capa do jornal. É algo raro, raríssimo de se ver na grande mídia. A página abaixo é a primeira do relato de Joe Sacco. A história completa pode ser lida na versão virtual da Folha (para assinante do UOL), de onde o trecho foi reproduzido. Para acessar, clique aqui.
18/08/2007
Documentário mostra vida e obra de Henfil e de seus dois irmãos
O documentário, finalizado em 2005, narra a trajetória comum dos irmãos Henrique de Souza Filho (ao lado), Herbert José de Souza e Francisco Mário de Souza, ou, respectivamente, Henfil, Betinho e Chico Mário, como eram conhecidos. Os três viveram uma série de coincidências. Eram hemofílicos e morreram por causa da Aids, vírus que contraíram em bancos de transfusão de sangue. Pontos comuns que dão título ao documentário. Mas, ao invés de ser uma narrativa sobre a morte, a produção caminha em sentido oposto. Capta algo Todos queriam ser músicos. Henfil se imaginava até como um dos Beatles. O sociólogo Betinho (ao lado) diz que desistiu depois de ouvir os primeiros acordes de Chico Mário no violão. O talento dele, o único a seguir essa carreira, inibiu as aspirações dos demais. Betinho passou a se destacar como militante, dom que o seguiu até a morte, em 1997. Viveu exilado, esteve à frente do Ação da Cidadania, movimento social de combate à fome, que apostava na solidariedade do brasileiro. Quem acompanha quadrinhos sabe exatamente onde Henfil se destacou. Ele representou para o desenho de humor brasileiro o que Quino –criador da Mesmo grandes nomes do meio reconhecem isso. É o caso de Ziraldo, um dos entrevistados do documentário de Ângela Patrícia Reiniger. Ziraldo diz que o cartunista conseguia dar um ar absurdamente expressivo à Graúna (ao lado), uma das criações de Henfil. "E só com três tracinhos no rosto dela", comentava, visivelmente espantado. A economia de traços era uma das características de Henfil. Ele revela, numa gravação dele reproduzida em "Três Irmãos de Sangue", que sempre flertou com o movimento do cinema. Outra cena de arquivo mostra o cartunista desenhando a Graúna e o Fradinho Baixinho. Como desenha rápido. Ele mesmo admitia. Henfil morreu em 1988. Chico Mário (na foto ao lado) perdeu a vida pouco depois, no mesmo ano. Betinho, como já comentado, foi o último a falecer, em 1997. Mesmo mortos, permanecem vivos por meio do trabalho que fizeram. O documentário é uma prova disso. Em tempo: há outro documentário sobre Henfil, "Cartas da Mãe", de 2003, disponível na internet. Dura 28 minutos. Para assistir, clique aqui. Crédito das fotos desta postagem: divulgação.
17/08/2007
Morre Evaldo Oliveira, a alma brasileira de Recruta Zero
![]() Desenhista, de 68 anos, estava internado havia duas semanas em Natal
O desenhista Evaldo de Oliveira, de 68 anos, foi enterrado na tarde desta sexta-feira no Cemitério Parque da Descoberta, em Natal, no Rio Grande no Norte.
Oliveira morreu de ataque cardíaco na virada de ontem para hoje. Ele estava internado havia duas semanas por causa de uma cirurgia de vesícula. Nesse tempo, o quadro clínico piorou.
O desenhista fazia charges para o "Jornal de Hoje", de Natal, havia dez anos. Ele também assinava uma coluna, "Histórias Fantásticas", com contos sobrenaturais.
Oliveira é mais lembrado por ter feito histórias nacionais para personagens estrangeiros da King Features Syndicate.
As mais marcantes foram as do Recruta Zero, personagem com quem conviveu por cerca de 20 anos.
Oliveira passou a fazer as histórias depois que o material estrangeiro deixou de ser produzido. Ele foi a alma brasileira do recruta, criado pelo norte-americano Mort Walker.
Essas histórias foram lançadas na revista do personagem, publicadas pela carioca Rio Gráfica Editora. E são muito lembradas por quem hoje está na faixa dos 30, 40 anos.
Entre uma produção e outra, escapava para outras formas de quadrinhos, como os de terror. São dele várias capas da extinta revista "Krypta".
Também desenhou outros personagens pouco conhecidos, como Flecha Ligeira.
O desenhista entrou na Rio Gráfica em 1960. Permaneceu por quase três décadas. Depois, trabalhou em São Paulo, na Editora Abril.
Na editora de Victor Civita, fez vários desenhos, de quadrinhos Disney à revista "Gugu", baseada no apresentador de TV Gugu Liberato.
Após se aposentar, em 1987, voltou ao Rio Grande do Norte, onde nasceu. Nos últimos 21 anos, nunca deixou de fazer desenhos, atividade que o acompanhava desde os 15 anos.
Evaldo de Oliveira foi um dos poucos artistas do Rio Grande do Norte -e do país- a conseguir viver do desenho durante toda a vida.
Crédito da foto: Jornal de Hoje
16/08/2007
Desenhistas de Pernambuco fazem versão da Bíblia em quadrinhos
Um grupo de desenhistas de Pernambuco lançou neste mês uma versão em quadrinhos de histórias da Bíblia. Este primeiro número se baseia em fragmentos do Antigo Testamento. Há outras três edições programadas.
A proposta é adaptar as narrativas a um público adolescente. "Se você reparar, ela [a bíblia] tem pra adulto e tem pra criança. Agora, pra adolescente, não", diz Eduardo Schloesser, um dos autores.
O artista plástico de 44 anos desenha dois dos cinco relatos bíblicos deste número de estréia feito em formato de revista.
Ele faz a arte das histórias de Sansão (imagem abaixo) e de Davi contra Golias.
"Escolheram [para mim] a história do Sansão porque achavam que tinha a minha cara", diz o desenhista paulista, que mora desde 2003 em Jaboatão dos Guararapes, cidade vizinha a Recife.De família evangélica, ele diz que era uma vontade antiga trabalhar com o tema. "A Bíblia tem histórias maravilhosas. Dá para viajar legal."
A "viagem" é principalmente na área visual. As fontes de pesquisa foram livros de arte do mundo antigo e outras edições da Bíblia. Ele diz que seguiu essas referências e a intuição na composição das roupas e reconstituições de época.
O corpo dos protagonistas, no entanto, teve outra base de inspiração. Como o público-alvo da edição é o adolescente, os autores procuraram reproduzir parte do estilo das histórias de super-heróis.
Sansão aparece com porte atlético. O mesmo ocorre com Adão na história do Gênesis que abre a revista. Adão é representado também com cabelos compridos.Schloesser diz que foi um dos primeiros a serem convidados pelo organizador da coleção, Alexandre de Freitas, que atua na área de publicidade. Outros escritores e desenhistas da região foram, depois, unindo-se ao grupo.
A obra, produzida com apoio cultural, não é vendida. Foi distribuída gratuitamente no lançamento, no último domingo, e vai ser levada agora a escolas de Recife.
Segundo Schloesser, o objetivo é usar a edição como uma janela. O desejo é que o lançamento chame atenção das editoras e de jornais, onde o grupo pretende encartar a revista.
Schloesser é mais conhecido do leitor de quadrinhos por ter feito as histórias de Zé Gatão, lançado em album há alguns anos. Ele programa outro para o ano que vem.
O trabalho no novo álbum é dividido com a criação de outras histórias da Bíblia, que vão integrar os próximos números.
O terceiro, já em produção, será sobre o Novo Testamento, época que mostra a vida de Jesus Cristo. Essa edição será feita inteiramente por ele.
Luluzinha: quadrinho infantil para adulto ler
Há um filão ainda pouco explorado pelo mercado editorial brasileiro: o dos quadrinhos infantis lidos por adultos. Luluzinha impera quase sozinha nesse ramo. E com bons resultados.A personagem, criada em 1935, ganhou mais um álbum, que começa a ser vendido neste meio de semana. A editora da obra, Devir, pretende lançar outros até o fim do ano.
"Luluzinha - O Clube da Lulu" (Devir, R$ 23) é o quarto livro da série, que republica as primeiras histórias da personagem. O álbum traz dez trabalhos do fim da década de 1940.
As histórias da menina ingênua e sapeca foram feitas originalmente para o público infantil. Elas começaram a ser lidas por crianças brasileiras nas décadas de 1950 e 1960, em revistas da editora de "O Cruzeiro".
Nas décadas seguintes, Lulu, Bolinha e o restante da turma migraram para a Editora Abril, onde moraram em revistas próprias até meados o início dos anos 1990.
As histórias dela só voltaram a ser publicadas no Brasil em junho do ano passado, pela Devir (leia aqui). Com uma novidade: em formato maior e encadernado, comum a um público de quadrinhos mais maduro.
O tiro, pelo que se vê, foi certeiro. Atingiu o coração do adulto de hoje, que guardava em algum canto da memória as lembranças das travessuras da menina de vestidinho vermelho.
É esse adulto criança que compra esses álbuns.
É o mesmo público que tem mantido a coleção de obras clássicas de Carl Barks, criador dos principais quadrinhos da Disney. A série da Abril já está na 30ª edição.
Este quarto álbum de Luluzinha, de novo, só tem o lançamento. O livro traz as primeiras histórias da personagem, publicadas na revista norte-americana "Marge´s Little Lulu".
O "Marge" do título é uma menção a Marjorie Henderson Buell, cartunista que criou a personagem. A revista, que era escrita e desenhada por John Stanley, circulou nos Estados Unidos entre 1945 e 1984.
Desde então, é reeditada em álbuns da editora norte-americana Dark Horse, material que serve de base para esta versão nacional.
É inegável que crianças podem se divertir como as histórias de Luluzinha, mais conhecida pelas novas gerações por causa da versão em desenho animado.
Mas Luluzinha é a prova de que o filão de quadrinhos infantis para adultos existe e vai bem, obrigado, embora ainda pouco explorado.
Não custa nada pensar em nomes de obras que poderiam ganhar reedições na forma de álbuns. O Exército dos Incríveis Amendoins, Kactus Kid, Riquinho, Pimentinha, muitos outros com Zé Carioca de Renato Canini...
A lista vai até onde a memória alcança.
15/08/2007
Astro City: o mundo dos super-heróis pelo olhar de uma criança
Houve vários escritores que tentaram homenagear os quadrinhos de super-heróis. Poucos conseguiram fugir dos clichês. É o caso de Kurt Busiek, autor de Astro City, série que ganhou neste mês mais um especial.As duas histórias de "Astro City - A Primeira Família" (Pixel, R$ 6,90), que já está nas bancas, são uma boa síntese do estilo criado por Busiek ao longo de toda a série.
Não interessam os grandes vilões ou batalhas. Tudo isso fica em segundo plano. O que importa é o lado humano dos protagonistas, os heróis que povoam a cidade que dá nome à série.
Esta edição, a segunda da série lançada pela Pixel (leia mais aqui), marca a estréia da Primeira Família, referência às equipes de super-heróis formadas por um núcleo familiar, como o Quarteto Fantástico (embora não só).
Há correlatos de vários elementos e personagens dos supergrupos das outras editoras. As referências são as homenagens de Busiek, declaradas, explícitas.
Mas o foco da história, seguindo seu estilo, está no olhar de Astra, a mascote da equipe. A heroína, de 10 anos, é uma versão mirim do Tocha Humana, do Quarteto Fantástico.
Apesar dos poderes e das batalhas impossíveis, ela é levada a enfrentar um outro conflito, de foro pessoal.
A aventura que ela tem de enfrentar é ter a oportunidade de conviver com outras crianças, algo que o modus operandi do grupo lhe nega.
O detalhe narrativo de Busiek ajusta ainda mais o foco nesse caso. A vitória que Astra procura é simples: aprender como brincar de amarelinha.
O jogo infantil é uma metonímia do isolamento pelo qual passa. Tudo o que quer é ser criança, como as outras da sua idade.
Do simples para o amplo. Da amarelinha para a introspecção da heroína. Do lado pessoal dos superseres à homenagem aos grandes heróis tradicionais.
Com esse jeito de narrar, Busiek pautou os demais títulos de "Astro City", parte já lançada no Brasil pelas editoras Pandora e Devir (leia mais aqui e aqui).
O escritor só repete a fórmula neste especial. E acerta. Mais uma vez.
13/08/2007
Mostra Nacional de Fanzines começa a receber trabalhos
O litoral sul de São Paulo funciona já há alguns anos como uma espécie de catalisador de fanzines. A região mantém a tradição e já prepara a terceira edição de uma mostra sobre essa forma independente de produção.
Os organizadores da 3ª Mostra Nacional de Fanzines e Publicações Independentes abriram inscrições para o catálogo da edição deste ano.
Os trabalhos podem ser enviados até 30 de setembro. A mostra será nos meses de outubro e novembro. Os exemplares, dois de cada edição, devem ser encaminhados pelo correio, para este endereço:
- rua Pero Corrêa, 581 B, bairro Itararé, São Vicente, São Paulo - CEP 11320-140.
A correspondência precisa conter o nome completo do autor, endereço, currículo, e-mail e telefone para contato.
A Associação dos Artistas do Litoral Paulista, organizadora do evento, mantém uma exposição itinerante com os trabalhos das edições anteriores. São cerca de 350 fanzines, de diversas partes do país.
Atualmente, a mostra está na Oficina Cultural Pagu, na cadeia velha de Santos (Praça dos Andradas, sem número, centro da cidade).
Pode ser vista de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h.
Em tempo: os responsáveis pelo Pop Balões criaram no site sobre quadrinhos "O Mapa dos Independentes".
A proposta é que se torne uma referência para a produção de quadrinhos feita fora do circuito comercial.
Já há material lá sobre a "Quadrinhópole", feita em Curitiba. A revista está na quarta edição.
O editor dela, Leonardo Melo, foi um dos organizadores da 1ª Festa do Quadrinho Independente, realizada no último sábado em Curitiba (leia mais aqui).
Para conhecer a área independente do site, clique aqui.
Uma chance rara de ler Mismatches em papel
A tira cômica acima, chamada "Mismatches", foi a surpresa da edição de 2006 do Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Pela primeira vez, o principal salão de humor do país dava o primeiro lugar da categoria tiras para um trabalho feito parte em desenho, parte com colagem. O trabalho -feito pelo paulista Acácio Geraldo de Lima- é uma das mais criativas e diferentes tiras já produzidas no Brasil. Mas estava restrita ao circuito virtual ou a quem assistiu in loco à exposição do ano passado em Piracicaba. Por isso, é pouco conhecida. O catálogo com os 270 trabalhos do salão do ano passado é uma chance rara de ter um registro da tira em papel. O livro, que será lançado nesta segunda à noite, em São Paulo, traz as oito tiras premiadas, que pertencem ao acervo do salão (já mostradas aqui no blog; veja aqui e aqui).
Há outra, não incluída no catálogo. Foi feita por Acácio especialmente para uma reportagem do programa "Metrópolis", da TV Cultura (também mostrada no blog; clique aqui).
O catálogo com os 270 trabalhos da edição de 2006, inclusive com os demais premiados, vai ser lançado às 20h, no prédio da Fiesp (Avenida Paulista, 1313).
O livro, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, custa R$ 40.
Em tempo: o autor de "Mismatches" conversou com o blog em outubro do ano passado.
Na entrevista, ele deu mais detalhes sobre o processo de construção das tiras.
Para ler, clique aqui.
11/08/2007
Preacher: novo álbum mantém formato dos anteriores
A Pixel, nova editora da série norte-americana, optou por manter o mesmo formato usado pela Devir, que até então lançava a série no Brasil. É um tamanho um pouco menor do chamado "formato americano" (como o das revistas de heróis). A Pixel também optou por continuar a série do ponto onde a outra editora havia parado (leia aqui). A Devir publicou três álbuns entre abril e dezembro de 2006. Essas edições correspondem aos números de 1 a 26 da série, que será adaptada pelo canal a cabo HBO. Mas nem tudo ficou igual. Há pelo menos duas mudanças. A primeira é o nome da namorada do protagonista, Tulipa, que volta a ter o nome traduzido, como era nas histórias do personagem lançadas no Brasil entre 1997 e 2004. A Devir optou por manter o nome original, Tulip. A outra mudança é no preço. Este quarto álbum da série custa em média R$ 15 a menos do que o valor cobrado pelos encadernados anteriores. A mudança de editora se deu porque a Pixel adquiriu no começo do ano os direitos de publicação de todos o títulos da Vertigo, selo adulto da editora norte-americana DC Comics (mesma de Batman e Super-Homem). Para quem nunca leu "Preacher", essa transição de editoras pode servir como um bom ponto de partida. A história é escrita por Garth Ennis, criador da série, e se passa num momento de recomeço na trajetória dos personagens centrais. A trama gira em torno do pastor renegado Jesse Custer, o Preacher do título. Depois de ser tomado por uma entidade celestial poderosíssima, resolve sair à caça de Deus. Neste álbum, de 180 páginas, ele e seus parceiros de aventura –o vampiro Cassidy e a namorada, Tulipa- decidem viajar para o sul do país para encontrar um especialista em vodu. A expectativa do trio é que a pessoa que vão encontrar possa explicar do que se trata exatamente a entidade alojada no corpo de Custer. No meio disso, eles têm de enfrentar uma seita de aspirantes a vampiros, Les Enfants du Sang, que querem raptar Cassidy. Essa trama, desenhada por Steve Dillon, já havia sido lançada no Brasil pela Brainstore em 2000. Corresponde aos números 27 a a 33 da revista norte-americana, lançada entre julho de 1997 e janeiro de 1998. A migração da Devir para a Pixel não foi a única mudança de editora da série. A trajetória da série foi marcada por saltos de uma editora para outra nos dez anos em que foi publicada no Brasil. Leia mais sobre isso na postagem abaixo.
Preacher: rumo ao sul, rumo ao fim?
Será que agora vai até o fim? Para o leitor brasileiro de "Preacher", a pergunta acima é incontornável, ainda mais quando vê mais um encadernado da série lançado por uma nova editora ("Preacher – Rumo ao Sul, Pixel, R$ 29,90). A pulga atrás da orelha é baseada na trajetória do personagem no Brasil. A série já passou por cinco editoras. E o leitor ainda não viu o desfecho da história do pastor renegado que sai à caça de Deus. Faz dez anos que a primeira história do pastor Jesse Custer foi publicada no Brasil pela Tudo em Quadrinhos. Teve duas edições especiais até ganhar uma revista própria, em março de 1998, com uma história por mês. Depois disso, começaram as sucessivas mudanças no nome da editora. Em junho de 1999, a Tudo em Quadrinhos passou a dividir a publicação com a Fractal Edições. A alteração dobrou o número de páginas da revista, que começou a trazer duas histórias da série. Em outubro do mesmo ano, o nome da editora foi alterado para Atitude Publicações. A numeração permaneceu a mesma. Foi até a edição 18. A volta da série foi em maio de 2000 pela Brainstore. A editora lançou uma nova revista mensal, que continuou do ponto onde a história havia parado. A numeração voltou ao início. O casamento da Brainstore com o personagem criado e escrito por Garth Ennis durou até janeiro de 2004. O título, que passava por sucessivos atrasos de lançamento, terminou na edição 34. Essa edição correspondia ao número 60 da revista norte-americana. Faltavam seis edições para o desfecho da série. Em abril de 2006, a Devir voltou a lançar a série no Brasil. A editora optou por publicar a história do início e em edições encadernadas. Foram três álbuns, ainda à venda. O primeiro foi lançado em abril, "Preacher – A Caminho do Texas" (leia aqui). No começo de outubro, "Preacher – Até o fim do Mundo" (aqui). E, em dezembro, "Preacher – Orgulho Americano" (aqui). O novo álbum da Pixel, "Preacher – Rumo ao Sul", continua do ponto onde a Devir havia parado (leia mais na postagem acima). "Preacher" é um dos melhores exemplos para analisar a trajetória da Vertigo no Brasil. A série teve a publicação fragmentada e feita por diferentes editoras, como os demais títulos do selo adulto da DC Comics. A Pixel mantém um contrato de cinco anos com a DC. O acordo teve início neste ano. Pelo menos no papel, a continuidade da série está garantida. Se não houver mudanças, o leitor brasileiro deve ter o inédito, adiado e, acima de tudo, aguardado final de "Preacher" lançado em 2009.
10/08/2007
Encontro em Curitiba discute produção independente brasileira
A pauta da 1ª Festa do Quadrinho Independente é promover debates durante toda a tarde. Mas, na prática, o evento dá mais um movimento no sentido da integração dos autores independentes nacionais, algo que tem ganhado força no Brasil nos últimos meses (leia mais aqui). "Essa idéia de que precisamos nos unir para sobrevivermos no mercado está crescendo cada vez mais", diz, por e-mail, o curitibano Leonardo Melo, de 24 anos, um dos organizadores do encontro. "A gente acaba conhecendo meio que todo mundo nesse meio e um vai ajudando o outro. A coisa toda A participação de Melo no encontro não é só nos bastidores. Ele vai participar de um dos debates e terá à venda o quarto número da "Quadrinhópole", revista independente da qual participa com dois roteiros. Outras revistas independentes também estarão à venda, como "Homem-Grilo", "Garagem Hermética" e "Avenida", mostradas nesta postagem. Todas já tiveram um primeiro lançamento em julho (leia mais aqui). "Espero que o pessoal possa vir com curiosidade para ver o que está rolando no mercado nacional e A programação tem início às 13h, com uma palestra sobre a edição da última "Quadrinhópole". Depois, há nova palestra a cada hora, com diferentes profissionais: - 14h, mercado editorial brasileiro; - 15h, quadrinhos e cotidiano urbano; - 16h, quadrinhos independentes e mercado nacional; Os debates serão na Gibiteca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 533). A entrada é franca. "Se der certo, quem sabe a gente não faz outro no ano que vem e acaba ampliando as atividades?", diz Melo, que se forma em Estatística pela UFPR (Universidade Federal do Paraná). A experiência universitária rendeu uma pesquisa sobre leitores de quadrinho virtual, feita em parceria com Leonardo Santana. As conclusões do estudo serão apresentadas na palestra das 16h. Leia os resultados na postagem abaixo.
Leitor aceita HQ na internet. Mas não quer pagar por isso
O leitor brasileiro de histórias em quadrinhos está aberto à possibilidade de ler quadrinhos na tela do computador. Mas não quer pagar por esse serviço. São duas das conclusões do levantamento feito pelos quadrinistas Leonardo Melo e Leonardo Santana, que debatem os resultados com o público neste sábado, em Curitiba, na 1ª Festa do Quadrinho Independente (leia mais na postagem acima). De acordo com o levantamento, 77,55% dos entrevistados disseram que acompanhariam uma série produzida na internet. Das pessoas ouvidas, um terço, 32,66%, estaria disposta a pagar por isso. Outro dado da pesquisa é que um em cada três leitores de quadrinhos no Brasil baixa os chamados "scans", versão escaneada de quadrinhos impressos. Desses, a maioria, 64,05%, também compra a versão impressa. Entre os entrevistados, 87,59% afirmaram ler quadrinhos, no mínimo, uma vez por semana. Super-heróis foi o gênero preferido, 24,03%. Em segundo e terceiro lugares, aparecem os gêneros "aventura" (21,29%) e "ficção científica" (13,75%). "Humor" figura em quarto (11,80%). Uma das conclusões da pesquisa é que não seria coincidência serem esses os gêneros mais encontrados nas produções brasileiras independentes. Melo e Santana ouviram as opiniões de 548 leitores de quadrinhos, a maior parte entre 19 e 38 anos (82,30%) e do sexo masculino (95,26%). A pesquisa tem índice de confiabilidade de 90% e margem de erro de 3,5%, para mais ou para menos. O resultado do levantamento, reunido em 12 páginas, está disponível para ser lido na internet. Para acessar, clique aqui.
09/08/2007
Os primeiros registros do Ilustra Brasil!
Foto do desenhista Hermenegildo Sábat, convidado internacional do evento O site da SIB (Sociedade dos Ilustradores do Brasil) colocou algumas imagens e informações sobre os dois primeiros dias do "Ilustra Brasil! 4". O evento, o principal do país na área de ilustração, teve início na última segunda-feira, em São Paulo. O desenhista Hermenegildo Sábat, de 74 anos, o convidado internacional do evento, fez palestra na terça-feira (leia mais aqui e aqui). Foi nessa data que o ilustrador Orlando Pedroso fez o registro reproduzido acima. O "Ilustra Brasil!" oferece oficinas e palestras até o fim de outubro. Para ver a programação, clique aqui. E aqui para acessar o site da SIB para ver mais fotos do evento.
08/08/2007
Salão de Piracicaba: definidos selecionados para edição deste ano
A organização do Salão Internacional de Humor de Piracicaba divulgou nesta semana os nomes dos autores dos 273 desenhos selecionados para a exposição deste ano. O número é um pouco maior do que o registrado em 2006. A edição passada teve três selecionados a menos, 270.
Mas, segundo os organizadores, o número foi sufiicente para creditar a exposição de 2007 como a maior da história do salão, criado em 1974.
Os autores dos trabalhos (leia os nomes aqui) concorrem aos prêmios das cinco categorias do salão: caricatura, cartum, charge, tira e vanguarda.
Vanguarda foi criada neste ano. É específica para desenhos feitos por computador (leia mais aqui).
Foi a categoria com o maior número de selecionados, 62 trabalhos.
Os primeiros colocados de cada uma das categorias ganham R$ 5 mil.
Esses cinco prêmios, a partir deste ano, recebem o título de Troféu Zélio de Prata, uma homenagem ao cartunista Zélio Alves Pinto, tido como o padrinho do salão.
Os cinco premiados concorrem a um segundo prêmio, o Troféu Zélio de Ouro, no valor de R$ 10 mil.
Esse desenhista vencedor acumulará, então, R$ 15 mil (R$ 10 mil somados dos 5 mil já conquistados no Zélio de Prata).
Os vencedores serão definidos no próximo dia 19. Mas os resultados só devem ser divulgados ao público no dia 25, data de abertura do salão, o principal do país.
A antecipação é uma forma de comunicar os vencedores com prazo suficiente para que compareçam à cerimônia de entrega dos prêmios, também no dia 25 à noite, em Piracicaba, cidade a 162 km de São Paulo.
A seleção dos trabalhos desta 34ª edição do salão foi no último fim de semana (leia aqui).
Foram 1.703 trabalhos de 45 países (300 trabalhos a mais do que em 2006). A maior parte dos selecionados é de brasileiros.Os 273 desenhos vão compor uma exposição, que pode ser vista até o dia 14 de outubro.
Os trabalhos também integrarão o catálogo impresso, que vai ser lançado no ano que vem.
O catálogo com os 270 trabalhos da edição de 2006, inclusive os premiados, tem lançamento na próxima segunda-feira, às 20h, no prédio da Fiesp, em São Paulo (Avenida Paulista, 1313).
O livro, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, custa R$ 40 (capa ao lado).
Laerte lança livro de memórias feito em quadrinhos
O cartunista Laerte, 56, vai reunir em livro memórias dos tempos de criança. As lembranças foram narradas em quadrinhos.Chamada de "Laertevisão - Coisas Que Não Esqueci" (capa ao lado), a obra está programa para ser lançada até o fim do mês.
Os quadrinhos são os mesmos que foram lançados nas edições dominicais da "Folha de S.Paulo".
Nas histórias, Laerte representa a si próprio quando criança e aborda em três, quatro quadrinhos, algum fato da infância.
Um ponto que permeia todas as lembranças é a presença da televisão.
Ou melhor: dos primórdios da TV no Brasil, na visão (por isso, o título "Laertevisão") do cartunista ainda criança.
Este lançamento da Conrad, de 128 páginas, traz também fotos do cartunista e uma raridade: desenhos dele produzidos ainda quando era menino.
A facilidade ao acesso do material biográfico é por um motivo familiar. A edição é feita por Rafael Coutinho, filho de Laerte.
O álbum foi produzido parte em preto-e-branco, parte em cores. Terá capa dura e vai custar R$ 46, segundo a editora.
É o segundo livro de Laerte programado para este mês.
A editora Devir vai lançar até o fim do mês o primeiro volume de uma coletânea de luxo dos Piratas do Tietê, criação mais famosa do desenhista (leia mais aqui).
07/08/2007
Congresso da USP tem sala dedicada a pesquisas sobre quadrinhos
Um congresso internacional sobre temas ligados à linguagem terá uma sala específica sobre pesquisas lingüísticas de quadrinhos.
A exposição dos trabalhos sobre quadrinhos é nesta quarta-feira, às 14h, na sala 165 da faculdade de Letras da USP (Universidade de São Paulo). O congresso vai até sexta-feira.
Três pesquisas foram inscritas. O nome da sala temática é "A Construção Narrativa e as Várias Possibilidades Comunicativas das Histórias em Quadrinhos".
Na sexta-feira à tarde, na sala 167, há apresentação de outro trabalho ligado a quadrinhos (este, de minha autoria). Vai ser numa sala dedicada a pesquisas de humor.
Podem participar do Enil (Encontro Nacional de Interação em Linguagem Verbal e Não-Verbal), nome do congresso, somente pessoas previamente inscritas.
Em julho, o Cole, principal congresso de leitura do país, também dedicou espaço a estudos teóricos de quadrinhos (leia aqui).
O relevante é destacar que:
O desafio, agora, é escoar essas produções ao público. Ainda há uma "barreira invisível" no meio editorial brasileiro com relação a esse tipo de produção científica.
Alguns pesquisadores já conseguiram furar esse bloqueio, entre os quais me incluo.
Mas são (somos) exceções.
Brasileiro é intimado a explicar charge sobre o Pan
![]() A charge acima levou o desenhista carioca Carlos Latuff a ser foi intimado a "prestar esclarecimentos" à Delegacia de Repressão aos Crimes de Propriedade Imaterial.
O motivo da intimação era uso indevido de marca.
O desenho fazia uma crítica à suposta violência do Estado na preparação dos Jogos Pan-Americanos, realizados no mês passado no Rio de Janeiro.
O mascote dos Jogos, Cauê, é mostrado com um fuzil em punho, pouco à frente de um camburão da polícia, apelidado de "caveirão".
A intimação era para que o desenhista comparecesse à delegacia, em São Cristóvão, no Rio, no dia 26 de julho. Latuff diz que foi dois dias antes, data em recebeu em casa a notificação.
A intimação é reproduzida ao lado. Segundo o desenhista, a parte em negrito esconde o endereço dele.
Não é a primeira vez que desenhos de Carlos Latuff causam polêmica.
No ano passado, militantes do Likud, o partido conservador de direita ligado a Israel, fez um manifesto contra ele.
O texto dizia que os desenhos de Latuff eram "cartuns satânicos" e pedia que os simpatizantes se unissem contra o trabalho do brasileiro, que circula principalmente por uma rede de sites da internet.
Latuff havia desenhado Tio Sam, personagem-símbolo dos Estados Unidos, aplaudindo um militar israelense, que segurava uma bomba sobre crianças libanesas da cidade de Qana.
A bomba trazia os dizeres "From Israel with Love" (De Israel com amor). Latuff dedicou os desenhos às vítimas.
Na semana passada, outro desenho dele gerou problemas na Espanha. Uma charge parodiava a publicidade da Benetton para criticar o governo do presidente dos Estados Unidos George W. Bush.
A charge, que estampava a capa do fanzine "Begó!Madrid", foi barrada numa galeria de Madri.
A notícia da intimação já repercutiu em alguns sites especializados em mídia, como o Portal Imprensa e o Mídia Independente.
O blog está em contato com Latuff desde o começo do mês.
Embora já tenha dado uma entrevista a este blog em setembro de 2006 (leia aqui), ele é muito cauteloso em conversar com jornalistas.
Após quatro trocas de e-mails, Latuff concordou em conceder a entrevista, feita também por e-mail. A conversa está na postagem abaixo.
Antes disso, o outro lado.
O Blog tenta entrar em contato com a doutora Valéria de Aragão Sádio, autora da intimação, desde o fim da semana passada.
Foram seis tentativas, a última nesta terça-feira, às 14h05. Em todas, o telefone chama várias vezes, mas ninguém atende.
Continua na postagem abaixo.
Brasileiro é intimado a explicar charge sobre o Pan Parte 2 Entrevista: Carlos Latuff
Blog - Quem fez a intimação? A delegacia ou outra pessoa/entidade?
Carlos Latuff - A intimação veio da Delegacia contra Crimes Imateriais, de parte da delegada Valéria de Aragão Sádio, e foi entregue por dois policiais que bateram na porta da minha casa. Um deles, sorridente, com a intimação na mão, me disse "Já sabe até o que é né?" Blog - Qual foi a justificativa da intimação que o levou à Delegacia de Repressão aos Crimes Contra Propriedade Imaterial? Latuff - "Uso indevido de marca", ou seja, utilização do mascote do Pan (Cauê) para outros fins que não aqueles para os quais ele foi criado, em suma, violação direitos autorais, que é uma das especialidades desta delegacia. Blog - Seu depoimento durou quanto tempo? Latuff - Meu depoimento não durou muito tempo. Assim que os policiais chegaram a minha residência, eu inclusive estava de saída pois tinha um compromisso, resolvi ir direto à delegacia para prestar os esclarecimentos. Blog - A delegacia queria saber exatamente o quê?
Latuff - Basicamente confirmar a autoria da ilustração, o que me levou a criá-la, questões genéricas. Blog - Qual foi sua resposta? Latuff - Assumi, é claro, a criação da charge, feita em 2006. A imagem inclusive é assinada. Blog - O que acontece juridicamente a partir de agora? Você contatou algum advogado ou consultou alguém sobre o assunto? Latuff - Pelo que sei não houve autuação ou indiciamento. Tudo o que assinei naquela delegacia foi o meu próprio depoimento. Caso seja necessário, buscarei assistência jurídica. Blog - A entrevista anterior [ao Portal Imprensa, em 26 de junho] esclarece, mas gostaria de ouvir de você: como você analisou esse episódio? Latuff - O mascote do Pan foi alvo de sátiras por parte do cartunista Aroeira, do jornal "O Dia", e mesmo do programa Pânico da Rede TV, sem que nenhum deles tivesse sido intimado a comparecer a delegacia. Entendo se tratar de uma represália por parte do Estado, nem tanto em relação a charge em si, mas sim a quem a reproduziu, a Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, que tem denunciado abusos por parte da polícia carioca em recentes operações no Complexo do Alemão e demais comunidades. Blog - E na Espanha [imagem acima]? O que ocorreu exatamente? Latuff - O designer gráfico Robert Vandenbego foi barrado numa galeria de arte em Madri, onde iria distribuir gratuitamente exemplares de seu bem produzido zine "Begó!Madrid". Tudo porque a galeria alegou que a ilustração de capa, uma fotomontagem que fiz em 2004 intitulada "United Colors of Bush", era de "mal gosto e anti-americana". Blog - Isso, de alguma forma o desanima? Latuff - Nem um pouco. Ao contrário. Se minhas imagens tem produzido ações e reações, é porque é arte viva, que espeta, que alfineta, que não é apenas estéril decoração multi-colorida. Blog - Você procura fazer militância por meio da charge. Como você interpreta o papel do chargista? Latuff - Já nem sei se poderia dizer que se trata de militância, sabe. Acho que é o mínimo que qualquer pessoa pode fazer. É que a ignorância, o conformismo, o império do senso comum, o capital sobre o social, tudo isso tem sido tão vendido como verdade absoluta, que quem decide remar contra essa maré acaba sendo visto como militante.
06/08/2007
Álbuns trazem o humor inovador de Allan Sieber e André Dahmer
Os norte-americanos têm o crédito de terem popularizado no mundo o formato fixo da tira cômica. Mas a renovação delas não é mérito exclusivo deles.
Os brasileiros têm muito a acrescentar nesse quesito.
Já não fossem suficientes os exemplos tradicionais de Laerte (autor de Piratas do Tietê) e de Caco Galhardo (Pescoçudos), há uma nova geração virtual, que começa a migrar para edições reais.
É o caso de André Dahmer e de Allan Sieber, que lançam nesta semana dois álbuns de tiras editados pela Desiderata.
É um humor novo, politicamente incorreto, mas inovador no processo de criação de tiras.
Dahmer, designer de 32 anos, se tornou conhecido por causa da tira "Malvados", publicada a partir de 2001 na internet e, depois, no "Jornal do Brasil", do Rio de Janeiro."Malvados" fica de fora de "O Livro Negro de André Dahmer (R$ 19,90, 112 págs.). O foco está em outros trabalhos virtuais dele, que não tem tema nem personagens fixos.
Ora são relações humanas, ora são situações surreais e provocadoras. Há uma clara tentativa de tatear novos caminhos para a tiras que produz.
E Dahmer consegue superar a restrição do tamanho necessariamente limitado da história.
O mesmo vale para Allan Sieber, um gaúcho de 35 anos que adotou o Rio de Janeiro para morar. Se bem que, para Sieber, o rótulo de inovador já
é notícia velha.Ele tem construído tiras "fora do comum" há alguns anos. A que mais destoa -e isso é positivo- é a série "The Allan Sieber Talk to Himself Show", em que entrevista a si mesmo.
"Mais Preto no Branco" (R$ 19,90, 112 págs.) traz algumas seqüências do show exibido no curto espaço da tira.
Uma delas merece menção. É quando Sieber passou a publicar tiras na edição de domingo da "Folha de S.Paulo", onde está até hoje.
Ele comenta consigo mesmo: "Achei que levaria mais tempo para você se vender, boneca".
Vendido ou não, o livro traz algumas das histórias publicadas no jornal, outras do site Minitonto e algumas inéditas.
O que pontua todas elas é a capacidade inesgotável que Sieber tem de inovar a cada nova tira e a pensada provocação nos temas e no humor, assim como ocorre com Dahmer.
A Desiderata, editora carioca que relançou o "Pasquim", anunciou os dois álbuns como sendo os primeiros de uma coleção de autores brasileiros calcados no humor negro (por isso as capas pretas). A editora escolheu bem as estréias.
Os dois fazem um lançamento dos álbuns nesta terça-feira às 19h na Travessa Ipanena, no Rio de Janeiro (rua Visconce de Pirajá, 572, Ipanema).
Álbum com primeiras tiras de Calvin sai em setembro
![]() Capa do novo livro da dupla, criada por Bill Watterson
A editora Conrad anunciou para setembro o lançamento de mais um álbum com Calvin e Haroldo. A edição vai trazer as primeiras tiras da dupla, criada em 1985 por Bill Watterson.
As histórias já tinham sido publicadas no Brasil nos jornais e em outro álbum, lançado em 1987 pela Cedibra.
O desenho da capa e o conteúdo eram os mesmos deste livro da Conrad. A diferença está na edição e na tradução, que foi refeita.
O álbum é o segundo lançado pela Conrad. Em fevereiro deste ano, a editora publicou "O Mundo é Mágico" (leia aqui), o último álbum inédito da série, que deixou de ser produzida em 1995.
Esta nova edição vai custar R$ 29,90 e terá 128 páginas em preto-e-branco. O formato é quase quadrado, 21,5 cm por 22,7 cm, como no original.
A programação da Conrad é lançar dois livros de Calvin por ano.
Ilustra Brasil! mescla experiência de Sábat com a de brasileiros
O Ilustra Brasil 4 conseguiu uma peculiar mistura sul-americana.O principal evento da área de ilustração no país terá oficinas e palestras de profissionais brasileiros mescladas à experiência do desenhista Hermenegildo Sábat, o destaque internacional desta nova edição.
O desenhista uruguaio, naturalizado argentino, faz ilustrações há quase três décadas para o jornal "Clarín", de Buenos Aires (leia mais sobre ele aqui).
O evento de ilustração tem início nesta segunda-feira à noite, em São Paulo, com a abertura da exposição. A mostra terá 94 trabalhos de desenhistas brasileiros.
A largada para os bate-papos e oficinas é amanhã, quando ocorre a palestra com Sábat, hoje com 74 anos.
A palestra dele começa às 20h. Vai ser no Senac Scipião (rua Scipião, 67, Lapa).
A entrada é franca, mas os organizadores pedem que as inscrições sejam feitas com antecedência no local.
A mesma orientação vale para as demais oficinas e palestras, que serão dadas pelos desenhistas brasileiros até o fim de setembro em unidades paulistanas do Senac.
Entre os participantes, estão Spacca, Guazzelli, Gabriel Bá, Fábio Moon e Daniel Bueno.
A programação completa pode ser vista no site da SIB (Sociedade Brasileira dos Ilustradores), que organiza o evento (para acessar, clique aqui).
As últimas edições do Ilustra Brasil! foram vencedoras do Troféu HQMix, principal premiação de quadrinhos do país.
05/08/2007
Álbum de luxo relança primeiras histórias do Homem-Aranha
A edição, de 250 páginas, foi feita com papel especial, em cores e com capa dura. A obra integra a coleção "Biblioteca Histórica Marvel", que relança material clássico da editora norte-americana. Esta edição traz histórias do surgimento do herói. A estréia foi na revista "Amazing Fantasy", de agosto de 1962. O criador do personagem, Stan Lee, diz na introdução do álbum de luxo que o Homem-Aranha só não foi publicado inicialmente num título próprio porque competia com vários anti-rótulos heróicos. O personagem dialogava com a fraqueza: vivia com a tia, era adolescente (faixa etária reservada até então aos parceiros dos grandes heróis), era excessivamente problemático. Lee conta que insistiu. Lançou a história do adolescente tímido e estudioso que é picado por uma aranha radioativa, acidente que confere a ele poderes extraordinários. Peter Parker, alter-ego do herói, tenta aproveitar os poderes para ganhar dinheiro, e não no combate ao crime. Tem a chance de impedir a fuga de um assaltante, mas não o barra. É o mesmo criminoso que, depois, iria assassinar o tio de Parker, Ben. Da tragédia, ele aprende a lição que irá motivar sua carreira de super-herói: com grandes poderes, vem grandes responsabilidades. A história é a base de parte do primeiro filme do Homem-Aranha, lançado em 2002. A persistência de Lee deu resultado. O lado anti-herói do personagem gerou empatia. A revista vendeu bem –até demais- e o herói conquistou um título próprio em março do ano seguinte, "Amazing Spider-Man". Os primeiros dez números da série compõem o restante do álbum da Panini, programado para ser vendido em lojas especializadas em quadrinhos e livrarias. As histórias marcam a estréia de vilões que passaram a acompanhar o herói desde então, como o Abutre, Doutor Octopus, Homem-Areia e o Lagarto. Os desenhos são de Steve Ditko, co-criador do personagem. As histórias, nesta primeira década de século 21, podem parecer ingênuas. Mas são clássicas. Mostram o ponto de partida do herói, que se tornou uma das maiores vendas da Marvel, algo que continua até hoje. A editora Panini lançou no início de julho um outro álbum da série "Biblioteca Histórica Marvel" com as primeiras aventuras do Quarteto Fantástico. Leia mais aqui e aqui.
Que discurso você está reproduzindo? Será realmente seu?
Já há pesquisas lingüísticas suficientes para dar crédito à premissa de que o texto, qualquer texto, é um meio de reprodução de discursos. Resta saber quais discursos são esses. As palavras e expressões utilizadas dão boas pistas. Um exemplo clássico é a construção "MST invade fazenda" ou "MST ocupa fazenda". Esta tende a ser pró-sem-terra. A outra destaca no verbo "invadir" o conteúdo de ilegalidade da ação e, por conseqüência, do movimento. As duas frases reproduzem termos diferentes, que explicitam discursos diferentes, com pontos de vistas diferentes. Há algumas semanas, este blog questionou que discurso estamos reproduzindo neste momento no país, principalmente após o acidente com o avião da TAM em Congonhas, no dia 17 de julho, que matou 199 pessoas. O assunto é delicado por si só, dada a dor que é a perda de qualquer vida, ainda mais de forma trágica. Isso tende a tornar mais emocionais discussões sobre o assunto, que tiram a necessária racionalidade da análise. Há também a necessidade de um distanciamento histórico para permitir uma investigação das reais causas e conseqüências dos eventos que presenciamos. Mas, mesmo sem o distanciamento histórico e a leitura nublada pela emocionalidade vivida pela sociedade, é possível enxergar que há algo no ar. E não é no ar dos aeroportos brasileiros. Em terra firme, duas mil pessoas (números da Polícia Militar) fizeram nesse sábado um protesto em São Paulo contra a corrupção e contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outras capitais repetiram o gesto. Cidadãos irem à rua para dar voz a qualquer queixa é algo próprio do sistema democrático e é um recurso ainda pouco utilizado no Brasil (em comparação, a título de exemplo, com os tradicionais panelaços argentinos). O protesto –e o direito de fazê-lo- tem de ser democraticamente respeitados, mesmo que, eventualmente, haja divergência de opiniões. Mas os motivos que levaram a esse protesto específico revelam algo vago e contraditório. O protesto paulistano foi organizado por meio do Orkut. Embora o Brasil seja o líder mundial de usuários do site de relacionamentos, quantos brasileiros possuem o sistema? A minoria. A maioria nem sequer possui computador, vítima da rotulada exclusão digital. Outro ponto da argumentação do protesto: os manifestantes vaiaram o governo federal, na figura do presidente, e gritaram frases como "Fora Lula". Ao mesmo tempo, deixaram claro que não se tratava de uma manifestação que procurasse dar um "golpe" no presidente. A mesma contradição argumentativa é vista no movimento do "Cansei", encabeçado por parte da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e incentivado por empresários paulistanos, alguns ligados ao PSDB. O verbo "cansei", na primeira pessoa do pretérito perfeito, é intencionalmente vago, posto que não explicita o seu objeto indireto. Cansei do quê? Encaixa-se no complemento do verbo tudo o que for ruim, inclusive o subentendido lingüístico de um cansaço do atual presidente, eleito democraticamente há menos de um ano. Reforça essa interpretação de contradição nos argumentos pesquisa do Datafolha noticiada neste domingo no jornal "Folha de S.Paulo". O índice de aprovação ao presidente Lula está em 48%, mesmo número registrado em março, antes do acidente com o avião da TAM. A pesquisa mostra também que a aprovação de Lula caiu sete pontos entre os mais ricos, com renda superior a R$ 3.500. Entre os mais pobres, com até cinco salários-mínimos (R$ 1.750), a aprovação subiu dois pontos. A história, sábia conselheira, sempre tem a melhor e mais precisa leitura dos fatos. Mas do que se lê e se vê no calor dos acontecimentos, os fatos revelam que esses protestos são: democraticamente justificáveis, contraditórios e vagos nos argumentos centrais e feitos por uma minoria, dona de poder aquisitivo mais alto e de fácil acesso aos meios de comunicação. Que discurso estamos reproduzindo? O pesquisador da USP (Universidade de São Paulo) Flávio Aguiar arrisca uma resposta em artigo publicado na edição deste domingo do jornal "O Estado de S. Paulo". Ele dá uma outra interpretação ao termo "golpe". Não se trataria, no entender dele, de uma tomada de poder, mas de um golpe de desgaste de condições administrativas da atual gestão, promovido por quem perdeu a eleição presidencial de 2006. A voz desse movimento –ou desse discurso- seria vista na e pela mídia. Nas palavras dele: "No presente momento, as chamas da tragédia em Congonhas ainda queimavam, e já havia dizeres no ar e artigos acusando o governo de ´assassino´, interpretação que as primeiras investigações descartaram." Segundo ele, é assim desde o fim do segundo governo do ex-presidente Getúlio Vargas. Rodrigo Sá Motta, em "Jango e o Golpe de 64 na Caricatura" (editora Jorge Zahar), mostra um detalhado levantamento de como as charges veiculadas nos jornais da década de 1960 contribuíram para o brasileiro formar uma imagem negativa do ex-presidente João Goulart, deposto pelos militares em 1964. Os desenhos dos jornais o reproduziam como um bobo. Motta diz que isso não teve necessariamente a ver com o golpe, mas contribuiu para a passividade dos brasileiros com a deposição de Jango. Afinal, "era um bobo". A história se encarregou de desnudar o discurso por trás do desgaste de Goulart e as conseqüências disso para a vida democrática brasileira. Pierre Bordieu, no livro "Sobre a Televisão" (Jorge Zahar), aborda o tema de outro ângulo. Ele postula duas premissas. Primeira: a televisão, objeto da análise dele, é responsável pela criação da realidade dos acontecimentos. A TV é a principal fonte de informação na maioria dos países. Segunda premissa: essa criação de realidade é permeada por discursos, que chegam enviesados à população. Bordieu vê no mecanismo um risco à democracia e à saúde política de um país. A história irá responder a tudo com mais precisão. Mas não custa questionar que discurso estamos reproduzindo antes de emitirmos qualquer opinião -democraticamente soberana e respeitada, qualquer que seja ela- sobre os últimos acontecimentos. Será que a opinião é realmente sua ou é o discurso de outrem camuflado na sua voz? Novamente, a história dirá.
04/08/2007
Grupo da Maturi vai lançar revistas sobre histórias do RN
As revistas terão 44 páginas e material colorido. Serão produzidas com verba vinda de patrocínio e de lei estadual de incentivo à cultura. "Faremos quatro ou cinco edições durante um ano", diz, por e-mail, Márcio José Monteiro Coelho, desenhista e presidente do Grupehq, sigla do Grupo de Pesquisa e História em Quadrinhos. "Será uma Maturi cultural. Estamos na fase de decidir as histórias que entrarão no primeiro número", diz. Coelho trabalha com a idéia de que o número de estréia saia em setembro ou outubro. As novas revistas consolidam a volta dos integrantes do Grupehq aos quadrinhos, processo reiniciado com o lançamento da "Maturi", em junho. A revista traz seis histórias e tiras de diferentes personagens, entre elas uma raridade: Traças (abaixo), feita por Cláudio Oliveira, chargista do jornal paulistano "Agora".
Os desenhistas não lançavam a "Maturi" desde fevereiro de 1987, cancelada por problemas financeiros. A primeira edição é de 1976. A publicação chegou a ter participação de Henfil. O grupo lançou também outras obras independentes e teve participações em jornais do Rio Grande do Norte. É o caso do suplemento dominical só com quadrinhos nacionais, que circulou por dois anos no jornal "O Poti". Como os autores não ganhavam nada pelo serviço, passaram a procurar outras formas de ganhar a vida. A volta da revista foi motivada pelo surgimento de publicações independentes em diferentes regiões do país e pela necessidade de o grupo produzir algo próprio, de visibilidade.
Hoje, o grupo tem seis integrantes: Coelho, Luiz Élson, Ivan Cabral, Gilvan Lira, Emanoel Amaral e Williandi, autor da imagem acima, publicada na última "Maturi". À exceção de Lira, nenhum deles vive exclusivamente dos desenhos que fazem. Coelho, por exemplo, é funcionário público em Natal, cidade onde mora.Ele é formado em Educação Artística, mas trabalha com desenho técnico na área de indústrias. Os pais queriam que fosse doutor ("coisas de pais", diz). "Quando éramos jovens, tínhamos todo o tempo a nosso favor", diz Coelho, hoje com 42 anos. "Desenhávamos e editávamos a revista, bem como saíamos para vendê-las. Hoje, somos mais acomodados." Ele diz que os integrantes da "Maturi" são uma geração sem ambição. "Nenhum de nós ambicionava ser desenhista da Marvel ou da DC [principais editoras norte-americanas de super-heróis]." Havia, segundo ele, a vontade de publicar nos grandes centros brasileiros. O que faziam e voltaram a fazer, e isso fica claro nas palavras dele, é por puro amor à arte. O grupo se mantém em sistema de cooperativa. Todo mês, cada um paga uma espécie de "dízimo", que vai para uma conta conjunta. "A idéia é que a cooperativa consiga editar trabalhos individuais de seus membros." Há também um conselho editorial, que terá a função de orientar a edição de quadrinhos de eventuais futuros integrantes do Grupohq. As reuniões são mensais. "Algumas reuniões chegam a pegar fogo, tamanha é a discussão de pontos discordantes, nem todos têm a mesma visão sobre o sistema de cooperativa e colaboração dentro do grupo", diz. "Mesmo assim, nós nos mantemos fiéis à idéia de fazer quadrinhos, principalmente autorais." Quanto à "Maturi", há vontade de torná-la uma publicação regular. "Para isso, precisamos que o dinheiro retorne para a cooperativa (depois das vendas) para que possamos investi-lo em outras revistas coletivas ou trabalhos individuais", diz Coelho. Um jeito de comprar a revista independente é por e-mail: marciojcoelho@hotmail.com ou mjmonteiro@rn.gov.br . O custo é R$ 7, já incluído o frete.
Agenda cheia para os salões de humor brasileiros
Há uma ebulição de inscrições e seleções para salões de humor neste início de semestre. Alguns já fazem parte do calendário do humor gráfico nacional. Outros estão na 1ª edição. Segundo o texto de apresentação do salão, a proposta é dar um "grito alucinado ante o horror da derrubada de árvores que pode ter efeitos trágicos para toda a população do planeta". O salão é organizado pelo Brazilcartoon, criado pelo cartunista mineiro Márcio Leite. O primeiro colocado leva um prêmio de R$ 10 mil. O vencedor será divulgado em outubro. As inscrições são por meio do site do Brazilcartoon (clique aqui). Outra mostra internacional começou a receber São cinco categorias cartum, caricatura, quadrinhos, charge e ilustração editorial. Cada um dos premiados recebe R$ 6 mil. O evento ocorre entre 16 de setembro e 7 de outubro, em Recife, e é promovido pela Acape (Associação dos Cartunistas de Pernambuco). As inscrições são pelo site do evento (aqui). Sem prêmio em dinheiro, mas com uma causa nobre e uma proposta de exposição dos trabalhos. É o mote do "Arte pela Paz", do Centro de Estudos Filosóficos Iluminatis. Há cinco categorias: desenho ou pintura, ilustração, charge, cartum e tiras. Os trabalhos podem ser enviados até o dia 15 deste mês para o site do Iluminatis (clique aqui). O tema é "A paz é a gente que faz". Até este momento, a página mostra oito desenhos inscritos. A votação dos melhores é feita pelos internautas e vai de 15 de agosto a 15 de setembro. Depois, os desenhos escolhidos são mostrados numa exposição virtual e em outra, real, na Biblioteca Municipal de Sorocaba, cidade do interior de São Paulo. E neste fim de semana ocorre a seleção dos 220 trabalhos que farão parte da exposição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o principal do país. Segundo a assessoria do evento, havia até o meio da semana cerca de dois mil trabalhos inscritos. Os vencedores serão divulgados no dia 25 de agosto, data do início da 34ª edição do salão de humor. Participam do júri os desenhistas Alcy, Fausto Longo, JAL, Luís Gê, Paulo Caruso e a pesquisadora e especialista em quadrinhos Sônia Bibe Luyten.
03/08/2007
Dois jeitos de ver a exposição com ilustrações de revistas da Abril
![]() Há duas maneiras de ver "Ilustrando em Revista", exposição que mostra quatro décadas de desenhos publicados em 47 publicações da editora Abril.
Uma delas é assistir in loco. Até o dia 26 de agosto, os 506 trabalhos originais estão à mostra no Museu de Artes e Ofícios de Belo Horizonte, em Minas Gerais.
A outra forma é por meio da internet. A página virtual do "Ilustrando em Revista" mostra trabalhos de cada um dos 177 ilustradores participantes.
Um deles é o que abre esta postagem, feito por Fortuna (1931-1994).
O desenho ilustrou uma crônica do Analista de Bagé escrita por Luis Fernando Verissimo para a "Playboy" em fevereiro de 1982.
Há também trabalhos de outros nomes conhecidos na área de quadrinhos, como Caco Galhardo, Fernando Gonsales, Adão Iturrusgarai, Gabriel Bá, Fábio Moon e Ziraldo.
O site traz também fotos, informações e um link para quem quiser comprar o catálogo da mostra (R$ 40 e tem 196 páginas).
A exposição intinerante, criada por ilustradores da Abril, fez a primeira exibição em público em 2004, em São Paulo. Depois, viajou para Brasília e cidades do interior paulista.
O Museu de Artes e Ofícios fica na Praça Rui Barbosa, sem número, no centro de Belo Horizonte.
Para acessar o site do "Ilustrando em Revista", clique aqui.
Estácio de Sá desiste de criar graduação em quadrinhos em 2007
A Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, não vai mais oferecer neste ano o curso de graduação em quadrinhos, que seria o primeiro do gênero no país.
O nome da Graduação em Produção de Charges, Cartuns e Histórias em Quadrinhos já não aparece no site da Estácio de Sá.
No serviço telefônico de inscrição, a orientação é que o futuro candidato aguarde até outubro, mês em que começa a oferta de novos cursos.
O atendente não soube informar se a graduação será oferecida em 2008. Também não soube dizer quem poderia responder à questão.
O blog contatou, por e-mail, Hélio Lopes, que era coordenador da graduação em quadrinhos. Ele confirma que o curso não sai em 2007. Mas não tem informação se será incluído na grade em 2008.
O curso ainda não conseguiu formar nenhuma turma. A primeira tentativa foi em agosto do ano passado, sem sucesso.
As inscrições foram adiadas para outubro e, depois, para o início deste ano, também sem resultado. Na época, a universidade exigia entre 30 e 50 alunos para formar uma turma.
A Estácio de Sá não pedia vestibular ou prova específica para ingresso no curso, pensado para durar dois anos.
Clique aqui para ler como o curso tinha sido imaginado.
Post postagem: Hélio Lopes, o coordenador do curso, deixou um comentário nesta postagem no dia 4 deste mês, às 20h10. Ele traz uma informação nova.
Lopes diz que foi contatado pela universidade para oferecer a graduação em quadrinhos no primeiro semestre de 2008. Fica o registro.
02/08/2007
Legião dos Super-Heróis volta em nova revista mensal da DC
A capa de "Os Melhores do Mundo" estampa uma curvilínea Mulher-Maravilha, heroína que aparece logo na primeira história. O destaque da edição de estréia do título, no entanto, está na aventura final, da Legião dos Super-Heróis.A revista mensal, que começou a ser vendida nesta semana (Panini, R$ 6,90), marca a volta do supergrupo aos leitores brasileiros. Fazia anos que a equipe não era incluída em algum título.
Não sem razão. A trajetória do grupo nas duas últimas décadas foi pautada por sucessivas tentativas de firmar novamente a equipe no primeiro escalão da editora norte-americana DC Comics.
As aventuras da equipe do futuro avançaram alguns anos, voltaram no tempo (após a minissérie "Zero Hora", que "arrumou" a cronologia dos personagens da editora), recomeçaram uma vez mais.
Ficava sempre na tentativa. As histórias não conseguiam superar a sombra das aventuras criadas no início dos anos 1980 pelo desenhista Keith Giffen e o escritor Paul Levitz, hoje funcionário do alto escalão da DC.
A dupla produziu uma seqüência de histórias, tida até hoje como a melhor fase do grupo, inspirado na lenda do Super-Homem.
Essas aventuras foram publicadas no Brasil pela editora Abril nas revistas "Super-Homem" e em algumas edições de "Superpowers", publicação lançada a cada três meses.
A nova fase, que começa a ser publicada agora no Brasil, é mais uma tentativa de recomeço. É produzida por duas pessoas que têm afinidade com os personagens.
A série é escrita por Mark Waid, ex-editor e ex-escritor da Legião. Os desenhos são de Barry Kitson, responsável por L.E.G.I.Ã.O., versão baseada no grupo, embora diferente.
A julgar por esta primeira história, a dupla acerta o passo. Produz uma série melhor que as versões anteriores, embora fique aquém, uma vez mais, do material de Levitz e Giffen.
A trama tem início no número 16 do título norte-americano, quando os heróis se encontram com a Supermoça. É um bom ponto de partida para novos leitores.
Segundo a Panini, não há planos por enquanto de publicar as primeiras 15 edições, também feitas por Waid e Kitson.
"Os Melhores do Mundo" traz também histórias do Flash, que tem um novo herói vestindo o uniforme do herói veolcista, e de Íon, nova forma do ex-Lanterna Verde Kyle Rainer.
Além, claro, da Mulher-Maravilha, que estampa também a capa da segunda edição, a ser lançada este mês.
Baptistão vence prêmio internacional de liberdade de imprensa
O desenhista Eduardo Baptistão foi um dos 12 vencedores do Prêmio de Liberdade de Imprensa. Ele ganhou na categoria caricaturas.O trabalho vencedor (ao lado) retrata o jogador Ronaldinho Gaúcho.
Outro desenhista brasileiro, Cláudio Duarte, do jornal carioca "O Globo", recebeu uma das menções honrosas do prêmio, que envolve todas as Américas.
Baptistão vai receber US$ 2 mil (quase R$ 4 mil). A cerimônia de premiação vai ser entre 12 e 16 de outubro em Miami, nos Estados Unidos.
A entrega será durante assembléia da SIP, Sociedade Interamericana de Imprensa, organizadora do prêmio. A entidade se dedica à liberdade de expressão nas Américas.
Este é o segundo prêmio recebido por Baptistão neste ano. Ele foi escolhido melhor caricaturista no último Troféu HQMix (leia aqui e aqui).
Baptistão faz ilustrações para o jornal "Estado de S. Paulo". Ele também mantém um blog com trabalhos seus, de onde foi reproduzida a imagem desta postagem.
Para acessar, clique aqui.
01/08/2007
Lenda maranhense vira tema de história em quadrinhos
Era uma vez uma viúva muito poderosa e de maldosa. Maltratava escravos, azucrinava quem se destacava mais do que ela. A mulher, chamada Ana Jansen, morava em São Luís, no Maranhão.Reza a lenda que, depois de morrer, foi condenada a vagar por toda a eternidade pelas ruas da cidade numa carruagem nas madrugadas de sexta-feira.
Cavalos sem cabeça puxavam a carruagem.
A quem se aproximava, a falecida viúva oferecia uma vela e dizia: "Segura e me mostra o caminhooo".
A história -uma das mais conhecidas entre os moradores de São Luís- ganhou forma e eco em outros estados na história em quadrinhos "A Lenda da Carruagem Encantada de Ana Jansen".
A revista, de 32 páginas, não está à venda. Ela foi produzida para ser distribuída de graça nas escolas da capital maranhense. Segundo o autor, Beto Nicácio, o contato dos alunos com a obra já começou.
"[A adaptação] Possui elementos muito interessantes para usar pedagogicamente", diz Nicácio, que já publicou trabalhos em revistas em quadrinhos nacionais (como a extinta "Metal Pesado") e em vários salões de humor.
Ele elenca aspectos como a relação de poder, o papel da mulher, o confronto étnico e a questão cultural do Maranhão como pontos de partida para práticas a serem aplicadas em sala de aula.
"São Luís é uma cidade bastante rica particularmente nas lendas", diz o desenhista de 36 anos, que nasceu em Morros, no interior do estado. Ele apresenta outras duas lendas no fim da revista, feita com verba de incentivo à cultura do Banco do Nordeste.
A idéia, diz, surgiu num projeto de graduação do curso de Artes Plásticas. Até chegar a essa versão, foram cinco meses entre produção e pesquisa de livros e dos relatos orais que aparecem na obra.
O levantamento feito por ele mostrou que Ana Jansen realmente existiu e que realmente exerceu influência política em São Luís, onde nasceu em 1787. Teve 11 filhos. Morreu em 1869, aos 82 anos.
Segundo Nicácio, que também é sócio de uma agência de publicidade, Jansen foi vítima de muitas calúnias, infladas pela lenda que persiste na cidade. Ele levanta a hipótese de que ela talvez não tenha sido tão má assim.
O site Bigorna, que noticia quadrinhos e cultura pop, disponibilizou algumas páginas da obra. É um jeito de ter contato com a revista, já que não será vendida. Para ler, clique aqui.
Um registro pessoal: essa história me lembrou da lenda da "loira do banheiro", que assustou muitos alunos nos tempos de escola.
Lembra dessa?
Uma pergunta para ser feita a Angeli
O desenhista Angeli participa nesta quinta-feira, em São Paulo, de um bate-papo sobre quadrinhos e humor. Laerte e Glauco, que fizeram com ele as histórias de "Los Três Amigos", também integram a mesa redonda. Uma boa pergunta para alguém da platéia fazer a Angeli é se ele matou mesmo Meiaoito, um militante comunista criado por ele que acreditava na tomada do poder via revolução. O desenhista publicou uma tira no dia 20 de julho, na "Folha de S.Paulo", que mostra o personagem sendo atropelado e esmagado por um caminhão da Coca-Cola (veja a tira aqui). Meiaoito, aparentemente, morreu. Este blog tentou ouvir Angeli sobre o assunto, sem sucesso. O bate-papo de amanhã é uma das raras chances de ouvir o desenhista. Inclusive sobre esse assunto. Fica a sugestão de pergunta a quem for. O bate-papo começa às 19h. Vai ser na gibiteca do Centro Cultural Sesi Vila Leopoldina, em São Paulo (rua Carlos Weber, 835). O evento é gratuito. Em tempo: ocorre nesta quarta-feira uma outra mesa redonda. Vai ser às 18h no Centro Cultural Oi Futuro, no Rio de Janeiro (rua Dois de Dezembro, 63, no Flamengo). A entrada é franca. Participam da mesa Ota (ex-editor da "Mad" e autor da tira "Don Ináfio"), Carlos Patati (um dos autores do livro "Almanque dos Quadrinhos"), Heitor Pitombo (jornalista especializado), entre outros nomes ligados à área.
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