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31/03/2007
Bons roteiros garantem qualidade de Gotham City Contra o Crime
Uma boa história em quadrinhos começa com um bom texto. A frase parece meio óbvia, mas não é sempre que é aplicada nas revistas de super-heróis. Não é o caso de "Gotham City contra o Crime", que teve mais um encadernado lançado nesta semana ("DC Especial 13", Panini, R$ 16,90).
A série é assinada por dois dos melhores escritores do gênero, Greg Rucka e Ed Brubaker (que escreve atualmente as aventuras do Capitão América e do Demolidor para a editora Marvel). A dupla se alterna nos roteiros. Os desenhos são de Michael Lark.
O tom de "Gotham City contra o Crime" é o mesmo que mantém as boas histórias de detetive. Com uma sutil diferença. Em geral, os mistérios esbarram em algum dos estranhos vilões da cidade, até então combatidos por Batman. Neste volume, aparecem o Chapeleiro Louco e o Pingüim.
É uma mudança de foco. O ponto de vista está na equipe de investigadores. O homem-morcego não é a estrela das aventuras. Tanto que, na história final, o departamento de polícia se rebela contra o herói. A ponto de destruir o equipamento que emitia o bat-sinal nos céus de Gotham.
Mas o destaque da edição é o primeiro arco, em quatro partes, assinado por Brubaker. Um caso antigo, o assassinato em massa do time de beisebol da cidade, é reaberto. Os investigadores são obrigados a ouvir o último detetive a trabalhar com o caso: Harvey Bullock, personagem que há muito não aparece nas revistas ligadas a Batman.
Este volume reúne as edições de 19 a 25 da revista norte-americana "Gotham Central". Estão um pouco defasadas em relação à atual cronologia, ancorada pela minissérie "Crise Infinita". Mesmo assim, merece registro o esforço da Panini em publicar o material, um dos mais bem escritos da editora norte-americana DC Comics.
Ser bem escrito, no entanto, não é sinônimo de garantia de publicação. A série foi cancelada nos Estados Unidos.
Ainda há histórias inéditas no Brasil. A Panini anunciou que o próximo DC Especial trará os números 26 a 31 do título norte-americano.
Apenas para registro. A Panini também lançou nesta semana o primeiro número da minissérie "Justiça" (R$ 4,90), de Alex Ross (conhecido por desenhar super-heróis de maneira hiper-realista). Lembra um pouco os antigos desenhos dos "Superamigos", mas com toques de "O Reino do Amanhã", minissérie de Ross feita com Mark Waid, que coloca Super-Homem, Batman e outros num futuro hipotético (no qual os heróis são vistos como deuses).
Escrito por PAULO RAMOS às 15h42
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30/03/2007
300 prova que fidelidade, quadrinhos e cinema podem andar juntos
O filme "300", que estreou nesta sexta-feira nos cinemas, derruma um mito e confirma uma tendência.
O mito: é possível levar uma história em quadrinhos para a telona sem ter de fazer inexplicáveis adaptações de conteúdo.
A tendência: os longa-metragens baseados em obras de Frank Miller levam a fidelidade às últimas conseqüências.
História, figurino dos personagens, até enquadramentos. O filme segue à risca a versão de Miller para a batalha de Termópilas, na qual 300 espartanos enfrentam o volumoso exército persa. Podem-se perder algumas boas horas comparando as páginas dos quadrinhos com o que sê na tela.
Há diferenças, claro, inerentes à linguagem cinematográfica. A trilha e os efeitos especiais (um dos pontos altos da produção) dão um ar ainda mais apoteótico à batalha contra os soldados de Xerxes, interpretado por Rodrigo Santoro (muito, muito diferente de outros trabalhos que fez).
A atuação dos atores também muda o tom do que se lê em "Os 300 de Esparta", relançada no Brasil em janeiro deste ano (a primeira edição é de 1999, feita pela editora Abril). O Rei Leônidas, interpretado por Gerard Butler, parece mais dono de si do que na história em quadrinhos. Santoro acentuou as emoções e incertezas vividas por Xerxes.
Mas nada disso ofusca a fidelidade excessiva com a história imaginada pelo escritor e desenhista. O mesmo ocorreu com "Sin City", produção dirigida por Miller e por Robert Rodriguez, também baseada nos quadrinhos dele (terá uma seqüência).
Se é possível adaptar com fidelidade, por que é algo tão raro de se ver nos cinemas, que cada vez mais pinçam roteiros dos quadrinhos?
Veja-se o caso de "Motoqueiro Fantasma", ainda em cartaz nos cinemas brasileiros. O personagem da editora norte-americana Marvel, vivido por Nicolas Cage, está visualmente impecável. Mas a personalidade e a história estão bem longe dos quadrinhos. O herói, para ficar em apenas um exemplo, tem um ar brincalhão e despojado e é fã das músicas da antiga dupla "The Carpenters".
"300" deve ir bem nos cinemas brasileiros. Não pela fidelidade, mas pelo apelo que a história tem, pelos efeitos especiais e por Rodrigo Santoro. Ter um brasileiro no elenco de um arrasa-quarteirão não deixa ser um chamariz, tanto para o público quanto para a imprensa.
Nota: adaptações de quadrinhos formam platéias ecléticas. A maioria nunca leu a história original. Um caso para comprovar, presenciado na curta fila da sessão de estréia na tarde desta sexta-feira. Dois adolescentes perguntam para a atendente qual é a próxima sessão. Ela responde que é "300", em cartaz em três das dez salas do cinema. Eles retrucam: e é comédia? Apenas para registro: ela diz que não.
Leia mais sobre "Os 300 de Esparta" na postagem abaixo. Veja imagens do filme aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 19h35
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300 teve duas edições no Brasil
A minissérie "Os 300 de Esparta" foi publicada pela primeira vez no Brasil em 1999. Foi lançada pela editora Abril, que a publicou em cinco edições quinzenais. Hoje, esse material é encontrado em sebos e, com sorte, em algumas lojas especializadas em quadrinhos.
Em janeiro deste ano, a editora Devir relançou a série num volume único. O álbum de luxo foi editado da forma como Frank Miller queria ter publicado a história pela primeira vez: em formato widescreen (tipo tela de cinema, com 33 cm por 24 cm). A primeira versão, da Abril, foi produzida no chamado formato americano, como o das revistas mensais da Panini.
A edição de luxo da Devir já está na terceira edição.
Para que quiser saber mais sobre a batalha de Termópilas, representada na obra, há um artigo muito bom escrito pelo historiador, professor e pesquisador de quadrinhos Tulio Vilela (que já tinha sido indicado anteriormente neste blog). Merece leitura. É só clicar aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 19h30
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29/03/2007
Bíblia e obras de Shakespeare vão virar mangá
A Bíblia e obras do escritor inglês William Shakespeare vão transformadas em mangá, forma como é chamado o quadrinho japonês. O material é produzido na Inglaterra e deve ser lançado nos próximos anos. Há previsão de levar as obras a outros países também.
Segundo a agência Reuters, a Bíblia vai ser publicada pela editora Hodder & Stoughton, especializada em livros cristãos e educacionais. A obra será feita por Siku, desenhista que atuou na revista inglesa “2000 AD” (especializada em quadrinhos alternativos).
É dele uma edição em mangá do Novo Testamento, lançada em fevereiro deste ano.
Duas obras de William Shakespeare (1564-1616) já tiveram versões no estilo japonês. “Romeu e Julieta” e “Hamlet” foram lançadas na Inglaterra no último dia 10. Há mais três programadas.
A editora Metro Media, responsável pelas obras de Shakespeare, pretende publicar em mangá todos os textos do escritor.
Escrito por PAULO RAMOS às 08h24
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28/03/2007
Inaugurado em Porto Alegre bar inspirado em quadrinho italiano
Da decoração ao cardápio. Um bar de Porto Alegre, inaugurado no último dia 21, é todo baseado em personagens do quadrinho italiano. A iniciativa é de um casal de publicitários. Os dois tiveram a idéia numa viagem à Itália.
O Blog pediu a Samir Machado, publicitário e professor de quadrinhos no Rio Grande do Sul, se poderia visitar a casa e passar para a tela do computador as impressões que teve do local. Ele não só aceitou como fez um detalhado relato, gostoso de ler.
É no texto dele que se descobre que a casa é especializada em bruschetta. Não sabe o que é? Então descubra:
O Gibi Bar Brushcetteria é o primeiro bar temático de quadrinhos de Porto Alegre e também a primeira bruscheteria. Pra quem não sabe, uma bruschetta é uma enorme fatia de pão italiano coberta com ingredientes variados e torrada.
Os donos são o casal de publicitários Natalie Bolzan e Jorge Áppio, que tiveram a idéia durante uma viagem à Itália, e depois desenvolveram o projeto do bar-e-brushcetteria durante dois anos, da busca do local ideal ao "planejamento visual" do bar, que, pra ser mais específico, é temático de quadrinhos italianos e foi desenvolvido nos mínimos detalhes.

Visual da entrada do bar
Logo na entrada, um painel feito com a capa de O Gaúcho de Milo Manara encara os clientes. As toalhas de papel trazem os personagens de Tex Willer e Kit Carson comendo bruschettas e tomando vinho. Nas paredes, imagens de Ranxerox, Zagor, Corto Maltese, uma página de Valentina, de Guido Crepax, emoldurada quadrinho por quadrinho e um mural feito com páginas de gibis da editora Bonelli. Até as luminárias trazem desenhos de Manara e Tex.
No balcão e em mesinhas nos cantos, edições de Tex, Zagor, Mister No, Milo Manara, das extintas revistas Animal e Gibi estão à disposição dos clientes para serem folheadas.
Cada prato leva o nome de um artista ou personagem de quadrinhos italiano. Por exemplo, a bruschetta Crepax (que eu provei e é muito boa, um dos pratos principais da casa), leva pastrami, palmito, azeitonas pretas e catupiry e custa R$ 13,00. É um dos principais da casa, junto com a bruschetta Manara (tomate, azeitona preta, anchovas).
Outras opções incluem a bruschetta Serpieri (quatro queijos) e a bruschetta Tex (chester, catupiry, castanha de caju, damasco e mussarela). O sanduíche Druuna é o mais apimentado: vai abobrinha italiana, parmesão, hortelã e pimenta vermelha. Outro destaque são as várias opções de cervejas e a carta de vinhos. De sobremesa, torta de sorvete e petit gauteau.
O ambiente é bem aconchegante, tem um climão de cantina italiana, com móveis artesanais de madeira antiga. Fica localizado na Bento Figueiredo, nº 72, no bairro Bonfim, um bairro de Porto Alegre característico pela tradição boêmia, pelos punks que sobreviveram aos anos oitenta, e pela forte presença da comunidade judaica.
Em tempo: as imagens desta postagem estão no blog do bar. Para acessar, clique aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 17h04
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21/03/2007
Tese sobre quadrinhos está disponível na internet
A última tese sobre quadrinhos defendida na USP (Universidade de São Paulo) está disponível na internet. A pesquisa de doutorado foi feita por Gazy Andraus e mostrou que o ensino, em especial o universitário, coloca as imagens em segundo plano.
Isso, segundo o pesquisador, implicaria duas mudanças no comportamento do cérebro, uma ligada à outra: 1) desenvolveria menos o lado direito, responsável pela criação; 2) trabalharia mais o hemisfério esquerdo do cérebro, mais lógico e racional.
O doutorado mostrou que a leitura e produção de quadrinhos pode ser um meio de reestabelecer o equilíbrio entre os dois hemisférios.
“Em cada história em quadrinhos há em geral uma junção entre os desenhos (ativando o hemisfério direito) e os textos contidos nos balões e nos recordatórios (que ativam o esquerdo). Há uma riqueza nessa fusão”, disse Andraus em entrevista ao Blog em 9 de dezembro, um dia após a defesa da tese na Escola de Comunicações e Artes da USP (leia mais aqui).
Não é a primeira tese sobre quadrinhos que vai para a internet. A dissertação de mestrado de Rodrigo Arco e Flexa sobre os super-heróis da EBAL (Editora Brasil-América) também está disponível na rede virtual. A pesquisa, noticiada pelo Blog em junho do ano passado, pode ser lida neste link.
A tendência, pelo menos na USP, é a de colocar na internet os textos de mestrado e doutorado. Neste ano, os pós-graduandos, quando concluem a pesquisa a ser defendida, têm de entregar uma versão em pdf. Esse material é para ser lançado na rede virtual.
Há ao menos três pesquisas sobre quadrinhos sendo produzidas atualmente na USP, todas de doutorado. Duas são na área de comunicação e outra na de Letras (de minha autoria, com defesa prevista para maio).
Para ler a tese de Gazy Andraus, clique aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 13h50
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20/03/2007
Panini lança versão mais barata de Cavaleiro das Trevas
A editora Panini lançou uma segunda versão de “Batman: O Cavaleiro das Trevas – Edição Definitiva”, escrita e desenhada por Frank Miller. Há duas diferenças em relação à primeira edição, publicada na virada do mês: 1) a capa; 2) o preço, R$ 26 reais mais barato.

A primeira versão custava R$ 95,90 e tinha capa dura, com uma imagem metalizada de Batman (leia mais aqui).
Esta segunda edição sai por R$ 69,90. Usa papel cartonado na capa e a mesma imagem de Batman, só que colorizada. A parte interna, com muito material extra, permanece a mesma.
O álbum reedita as duas minisséries feitas por Frank Miller. A primeira é de 1986 e teve quatro números. Saiu no Brasil no ano seguinte, publicada pela Editora Abril. Inovadora para a época, mostra um Batman envelhecido, que volta a combater o crime após ter abandonado o uniforme do morcego.
A segunda minissérie teve três edições e é tida como inferior à primeira. Dá seqüência à história anterior e envolve na trama mais heróis da editora norte-americana DC Comics.
Não é a primeira vez que a Panini lança versões diferentes de obras chamadas de definitas. No ano passado, edições de "Batman: Silêncio" e dos encontro entre Vingadores e Liga da Justiça também ganharam duas versões, primeira em capa dura, depois cartonada.
Escrito por PAULO RAMOS às 13h45
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19/03/2007
Troféu do HQ Mix 2007 vai homenagear Kactus Kid, de Canini
O personagem Kactus Kid vai ser o homenageado da edição deste ano do HQ Mix, principal premiação de quadrinhos do país. O troféu que será dado aos vencedores terá a forma do caubói, criado pelo brasileiro Renato Canini.
Todo ano, um personagem do quadrinho nacional vira tema do troféu. Em 2006, a homenageada foi “Madame e seu Bicho Muito Louco”, do cartunista Fortuna (já falecido).
Kactus Kid era uma paródia das histórias de caubói. Ele vivia na cidade de Descansa City. O pistoleiro sorridente e queixudo surgia apenas nos momentos de perigo. Quando reinava a paz e a tranqüilidade, voltava à sua identidade secreta.
Para que ninguém desconfiasse quem ele realmente era, usava óculos e perambulava pela cidade sem os dentes. Quando se transformava no caubói, punha uma dentadura. O sorriso dava um ar ainda mais irônico a Kactus Kid.
Kactus Kid foi publicado na revista “Crás”, da Abril, na metade da década de 70. Foi uma tentativa da editora paulista de colocar autores nacionais nas bancas. Mas não deu certo. Durou apenas quatro números.
Canini colaborou também com outras publicações da Abril. Trabalhou na revista “Recreio”, voltado para o público infantil, e revolucionou as histórias do Zé Carioca, da Disney. A primeira parceria entre autor e personagem foi em abril de 1971, no número 1015 da revista “Zé Carioca”.
O desenhista mudou o visual e o perfil do personagem. Tirou o paletó, o chapéu e o guarda-chuva e o transformou num malandro morador das favelas do Rio de Janeiro. Para muitos, foi a melhor fase do Zé Carioca. O quinto volume da coleção “Mestres Disney”, da Abril, é dedicada aos trabalhos de Canini.
O Troféu HQ Mix fará, neste ano, a 19ª edição. Começou a partir de um quadro do programa “TV Mix”, da TV Gazeta de São Paulo, comandado por Gualberto Costa e José Alberto Lovetro, o Jal. O prêmio começou por iniciativa da dupla. Hoje, é mantido por uma comissão, formada por diferentes profissionais da área.
A entrega dos prêmios neste ano será entre 10 e 20 de julho. Foram definidas algumas novidades. Vai haver uma nova categoria, a de roteirista revelação. Antes, o troféu ia apenas para desenhistas que se destacavam.
Outra alteração é quanto à seleção de trabalhos teóricos, antes reunidos numa categoria só. No HQ Mix 2007, vai haver uma premiação para mestrados e doutorados e outra para TCCs (Trabalhos de Conclusão de Curso), feitos em cursos universitários de graduação.
Em tempo. Há um documentário de 13 minutos sobre a trajetória de Renato Canini, nascido em Paraí, no Rio Grande do Sul, em 1936. Há, inclusive, curiosidades sobre Kactus Kid. Pode ser visto no site "Porta Curtas", mantido pela Petrobras. Para assistir, clique aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 20h25
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Mais de 30 desenhistas autografam trabalhos em São Paulo
Mais de 30 desenhistas e escritores do humor gráfico brasileiro vão participar de uma maratona de autógrafos, promovida por uma livraria de São Paulo. A cada dia, um grupo de ilustradores participa do evento assinando ou relançando obras já publicadas. Começa nesta segunda-feira à noite, com Angeli e Laerte.
O evento vai até terça-feira da semana que vem. Poucas vezes algo assim reuniu tanta gente de destaque na área. Para citar alguns dos participantes: Glauco, Paulo Caruso, Allan Sieber, Ciça, Zélio, Ziraldo, Lourenço Mutarelli, Fernando Gonsales, Jal, Adão Iturrusgarai, Orlando Pedroso, Jaguar.
Os autógrafos são para marcar a inauguração da “Menor Livraria do Mundo”, que funciona dentro do “Jeremias o Bar”, espaço inspirado no personagem Jeremias, o Bom, de Ziraldo. A livraria é mantida pelo casal Gualberto Costa e Daniela Baptista. Os dois cuidaram de todo o conceito e do visual do bar.
O convite para administrar a “Menor Livraria do Mundo” partiu do dono do local, Walter Mancini. “O Walter sabia do nosso sonho de ter uma livraria. Ele perguntou se a gente queria montar uma livraria lá no Jeremias. É claro que sim!”, diz Daniela Baptista.
A publicitária conta que vai vender os quadrinhos "a la carte”. Todos os itens da livraria constam num cardápio, que é oferecido aos clientes por um garçom. Há a capa do livro, a descrição e o preço. “A pessoa lê e escolhe o que quer comprar”, diz.
A proposta é ter material atual de artes gráficas e quadrinhos eróticos e de humor, tanto publicado por editoras como de forma independente. Há também itens fora de catálogo, como uma coleção da revista “Circo”, editada nos anos 80.
Para o mês que vem, o casal quer fazer compra, venda e troca de desenhos e gravuras originais. Segundo Daniela, é uma forma de valorizar a produção do setor. "A gente quer criar um mercado envolvendo a área. E o Jeremias é o patrono disso tudo”, diz.
O “Jeremias o Bar”, onde funciona a “Menor Livraria do Mundo”, fica na rua Avanhandava, 37, no centro de São Paulo.
Leia abaixo a programação completa.
Escrito por PAULO RAMOS às 12h38
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Programação de autógrafos em São Paulo
Programação dos autógrafos, promovidos pela “Menor Livraria do Mundo”:
- Dia 19 – Angeli e Laerte (20h30)
- Dia 20 – Xalberto, Bira Câmara e Alcy (19h)
- Dia 21 – Toninho Mendes e Glauco (19h)
- Dia 22 – Não haverá autógrafos
- Dia 23 – Paulo Caruso e Allan Sieber (19h)
- Dia 24 – Ciça e Zélio (17h); Lourenço Mutarelli (20h)
- Dia 25 – Autores da revista “Front” (11h); autores da série “Tiras de Letra” (14h); Jal (17h); Edra, Zélio e Ziraldo (17h); Ziraldo (19h)
- Dia 26 – Orlando Pedroso, Jaguar e Adão Iturrusgarai (19h); Adão vai lançar “Existe Sexo Após a Morte?” (leia mais aqui)
- Dia 27 – Fernando Gonsales, Fausto e Guazzelli (19h)
Escrito por PAULO RAMOS às 12h36
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18/03/2007
Adão Iturrusgarai reúne em livro duas décadas de humor
"É meu primeiro livro diferente". Percebe-se não só na frase mas também no tom da voz de Adão Iturrusgarai que ele dá uma atenção especial para o recém-lançado "Existe Sexo Após a Morte?" (Editora Desiderata, R$ 19,90). A diferença está no conteúdo. A obra mostra 22 anos de cartuns feitos por ele. É quase uma biografia profissional narrada com desenhos.
As 120 páginas trazem desde os primeiros desenhos, feitos em Porto Alegre aos 20 anos, até produções mais atuais. O material vem de diversas fontes. Há trabalhos da polêmica revista "Dundum", de 1991. Outros foram produzidos para páginas virtuais, principalmente a que ele mantém no UOL (clique aqui).
Segundo Adão, a maior parte dos desenhos nunca tinha sido publicada em papel.
Embora os cartuns não tenham sido editados em ordem cronológica, é possível ver no traço dele três momentos profissionais distintos. O primeiro era de um estilo mais livre, adotado no início da carreira. "Eu tinha um desenho supersolto. Depois, eu resolvi desenhar mais bonitinho". Por "bonitinho", leia-se a criação de figuras mais arredondadas e uma maior presença de detalhes.
Essa segunda fase começou pouco depois da vinda para São Paulo, em 1993, quando começou a participar de histórias de "Los Três Amigos", criação de Laerte, Angeli e Glauco. Pouco depois, em 1995, "Aline", seu trabalho mais conhecido, tornou-se tira fixa do caderno de cultura da "Folha de S.Paulo".
A terceira fase teve início lá pela virada do século. O estilo anterior, segundo ele, tinha ficado muito "burocrático". "Voltei ao estilo bagaceiro, despreocupado", diz ele com uma voz calma e educada, que contrasta com o jeito dos personagens que cria. A lição que tirou sobre o modo de desenhar é que "não adianta ser o que não é".
E o que ele é tem inspiração declarada nos trabalhos de Wolinski, cartunista que atua na França há quase 50 anos. A influência vem tanto do traço quanto da abordagem sexual. "Sexo sempre foi a temática do meu trabalho", diz Adão, que logo no início da carreira criou Rocky & Hudson, dois caubóis gays.
Neste novo livro, um projeto que vem sendo adiado há anos, não há só humor ligado a sexo, embora seja o tema predominante. O que talvez una todos os cartuns é o intencional tom de "politicamente incorreto" dos trabalhos. Tanto que dois cartuns chegaram a ser vetados para este livro: um sobre uma débil mental praticando sexo oral e outro sobre pedofilia (imagem ao lado).
O grande público pode até estranhar essa faceta de cartunista do desenhista de 42 anos, mais conhecido pela tira "Aline", da Folha. Mas ele revela que sempre deu atenção especial para o cartum. "É uma das coisas de mais gosto de fazer", diz por telefone, do Rio de Janeiro, onde mora há seis anos.
"Mas o Jaguar diz que o cartum é uma espécie em extinção", comenta o blogueiro. Jaguar, vale lembrar, é o consultor de humor da Desiderata e um dos organizadores da Coleção Sigmund, só com livros de humor. "Existe Sexo Após a Morte" é o quinto título da coleção.
"Não concordo muito [com a opinião de Jaguar]", diz. "Se estivesse morrendo, não teriam publicado vários livros de cartum". O problema, segundo ele, é outro. É que existem poucos lugares para publicar. E a mídia impressa, para ele, não ajuda muito nesse ponto.
Adão tem vários álbuns de tiras, publicados pela Devir e L&PM. Ele programa mais um título, só com tiras de "La Vie en Rose", que faz uma espécie de humor filosófico. O cartunista diz que já conversa com uma editora sobre o assunto e que faltam apenas alguns detalhes para fechar o contrato.
Escrito por PAULO RAMOS às 10h39
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15/03/2007
Tio Patinhas: 500 edições, 60 anos de criação

Uma revista chegar à quinta edição já é um feito a ser comemorado. Nem todas conseguem. Ter 50 números publicados é digno de nota. Poucas atingiram essa marca aqui no Brasil. 500 edições é algo raro em qualquer lugar do mundo.
“Tio Patinhas” conseguiu. O número 500 começou a ser vendido nesta semana (Abril, R$ 7,95).
As primeiras aparições do pato pão duro foram na revista do sobrinho, Pato Donald, que começou a circular em 1950. Foi o primeiro título Disney publicado pela Abril.
Patinhas ganhou revista própria em 1963. “Almanaque do Tio Patinhas” não tinha uma periodicidade regular. Saía de vez em quando. Tornou-se mensal em 1966. Tem sido assim desde então.
Esta edição comemorativa tem mais páginas. São 164, contando capa e contracapa. Para marcar os quinhentos números, a Abril fez uma seleção de oito histórias consideradas marcantes na vida do pato milionário. Uma delas é a criação da primeira caixa-forte, uma aventura produzida aqui no Brasil.
Há também, como era de se esperar, a presença de Carl Barks. A edição traz uma história, de 1959. Foi ele que deu alma a Patinhas e criou algumas das melhores aventuras do personagem. A parceria entre criador e criação durou décadas. Mesmo aposentado, o escritor e desenhista continuava a fazer histórias do milionário de Patópolis.
A revista de número 500 comemora também outra data: a de 60 anos de criação do Tio Patinhas. A primeira aparição foi na história “Natal nas Montanhas”.
Uma curiosidade: a edição 25 de “O Melhor da Disney – As Obras Completas de Carl Barks”, que ainda está nas bancas, traz uma das primeiras aparições de Patinhas. O pato tinha enormes suíças de pena. E já era pão-duro.
Escrito por PAULO RAMOS às 08h02
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14/03/2007
Luluzinha está de volta; a ingenuidade também
Há que se aprender muito com Luluzinha. A menina de vestido vermelho é sapeca e não mede muito a conseqüência dos atos que faz. Mesmo assim, mantém um ar de ingenuidade, algo perdido com a invasão dos mangás. Há muito dessa inocência em "Luluzinha - O Piquenique", álbum lançado nesta semana (Devir, R$ 23).
Numa das histórias, Bolinha decide fugir de casa. Vai para o México. Para não morrer de fome, o comilão leva onze bananas, uma torta de maçã e uma caixa de caramelos. "Esses caramelos vão ser uma mão na roda se eu precisar negociar com os nativos ou algo assim".
Luluzinha tenta convencer o amigo a não fugir para o México (de patins). Ela rasga a página do Atlas onde consta o país. Bolinha olha... e acredita que o México não está mais lá. Fim da viagem.
A edição apresenta histórias publicadas no fim da década de 40 no título "Marge´s Little Lulu". O título começou a circular em 1945. Foi uma resposta à crescente popularidade de Luluzinha, que tinha sido criada dez anos antes pela cartunista Marjorie (Marge) Henderson Buell para a revista "The Saturday Evening Post".
O sucesso, no entanto, não é de Marge, mas de John Stanley, que fazia as histórias para a revista, que circulou até 1984. É dele a definição da personalidade de Lulu, Bolinha e dos outros personagens da turma.
É Stanley quem assina os textos da coletânea. A arte ficou a cargo de Irving Tripp, que deu um sutil toque pessoal aos personagens, principalmente à dupla Luluzinha e Bolinha, que começou a ser publicada no Brasil nos anos 50 em revistas da editora de "O Cruzeiro".
"Luluzinha - O Piquenique" é a terceira coletânea da personagem lançada pela Devir. A primeira é de junho do ano passado. A editora programou outros três álbuns para este ano. E descobriu um novo filão: o do adulto que gosta de rever histórias que lia quando criança. Há material de sobra para ser reeditado, e não só de Luluzinha.
Escrito por PAULO RAMOS às 08h43
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12/03/2007
Devir vai publicar O Circo de Lucca
A editora Devir vai publicar "O Circo de Lucca", um dos mais inovadores trabalhos nacionais produzidos em 2006. O contrato foi assinado na tarde desta segunda-feira. A previsão é lançar o álbum no fim do semestre.
A história usa e abusa da metalinguagem. Mostra Lucca, um estudante de Desenho Industrial que tem de criar uma narrativa em quadrinhos. No processo de criação, a mente dele divaga. Tudo o que imagina sobre a linguagem dos quadrinhos se torna real.
"O Circo de Lucca" é o resultado de um projeto de conclusão de curso da Universidade Mackenzie, de São Paulo. A defesa foi no dia 13 de dezembro de 2006. Jorge Otávio Zugliani, o autor, tirou nota máxima. A banca examinadora recomendou a ele que publicasse o material. Jozz, forma como ele assina, tem conversado com a Devir desde então.
O álbum vai ficar bem parecido com a versão defendida na Universidade, que foi orientada pelo desenhista Luís Gê. Uma das diferenças é que a parte teórica, que acompanhava a história, vai ser colocada no fim da publicação.
O Blog dos Quadrinhos tinha noticiado o assunto no dia 14 de dezembro. Na ocasião, Jozz comentou que quis fazer um livro de quadrinhos, e não sobre quadrinhos. Essa é uma das distinções entre "O Circo de Lucca" e os trabalhos de metalinguagem feitos por Scott McCloud (autor de "Desvendando os Quadrinhos").
"Conversando com as pessoas, percebo que apenas quem tem uma experiência anterior vai a fundo no material de Scott", disse. "Eu queria criar algo que até os não-iniciados pudessem se envolver. Imagino que isso o torna viável para ser distribuído em escolas."
Veja algumas imagens da primeira versão do álbum, noticiada em dezembro pelo Blog. Clique aqui e aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 18h39
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11/03/2007
Hollywoodland: a influência real de um herói ficcional
O filme "Hollywood – Bastidores da Fama", que estreou neste fim de semana, foi anunciado como sendo a revelação por trás da morte do ator George Reeves, em 16 de junho de 1959. A dúvida é se o protagonista do seriado do Super-Homem (exibido nos Estados Unidos entre julho de 1951 e novembro de 1957) cometeu suicídio ou foi assassinado.
A produção não deixa de dar uma resposta -ou a sua resposta- à morte do ator, que estreou no filme "E o Vento Levou". A solução apresentada no desfecho do filme contradiz muito do que tinha sido desenvolvido na trama até então. Quem assistir verá.
Mas há um outro aspecto relevante na história, ainda pouco abordado nas críticas feitas pela imprensa. O filme deixa clara, quase transparente, a influência exercida por um personagem ficcional na vida real.
A morte de George Reeves, pouco mais de um ano após o cancelamento do seriado, afeta principalmente as crianças. O filho do detetive Simo, papel de Adrien Brody no longa-metragem, passa a viver uma quase depressão, fechando-se em seu próprio mundo infantil.
A história é narrada em dois momentos. No primeiro, pouco após a morte, o detetive Simo investiga se foi suicídio (como querem os poderosos donos dos estúdios cinematográficos) ou assassinato (como imagina a mãe de Reeves). O outro momento mostra a trajetória do ator e o envolvimento dele com a esposa de um gerente de produções de filmes, Mannix (vivida por Diane Lane).
É no passado que se percebe a influência do Super-Homem nas crianças. O diretor Allen Coutler soube montar as cenas em que a garotada nem pisca ao assistir à série, que teve 104 episódios. São as mesmas crianças que vibram e gritam com as vitórias do herói.
A influência do Super-Homem é sentida nos adultos também, o que fica mais evidente em George Reeves, interpretado por Ben Affleck (surpreendentemente bem no papel). O herói de Krypton ofuscou a carreira do ator a tal ponto que ele não conseguia mais papéis no cinema. Na última tentativa, em "A Um Passo da Eternidade", a aparição dele foi motivo de chacota na exibição de estréia. O filme reproduz essa cena.
Sem papéis bons e com o sonho de dirigir um filme tolhido, resta a Reeves o convite para participar de lutas livres. Em má forma, tudo indica que nem isso ele conseguiria. A sombra do herói e o fim da carreira seriam motivos fortes para justificar o suicídio dele. Ou não? É o mote do filme.
De qualquer forma, há quem veja na morte de George Reeves (imagem ao lado) o início de uma assombração que perseguiria atores que intepretaram Super-Homem no cinema. Christopher Reeve, que encarnou o herói em quatro produções entre o fim dos anos 70 e a década seguinte, sofreu um acidente hípico e ficou tetraplégico. Morreu em outubro de 2004.
Dean Cain, que viveu o herói no seriado "Lois & Clark – As Novas Aventuras do Superman" não encontra bons papéis desde o cancelamento da série. O dublador do seriado no Brasil, Alexandre Lipiani, morreu em 1997 num acidente de automóvel no Rio de Janeiro.
Na verdade, são coincidências. Tristes coincidências. Mas não tenha dúvida de que renderiam um outro bom filme sobre os bastidores reais de quem deu vida ao herói, a exemplo do que faz "Hollywoodland – Bastidores da Fama".
Nota: há um livro sobre o assunto, lançado em 1996: "Hollywood Kryptonite", escrito por Sam Kashner e Nancy Schoenberger (capa ao acima).
Escrito por PAULO RAMOS às 11h30
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09/03/2007
Nova edição da Graffiti tem lançamento em São Paulo

Há duas tendências do quadrinho nacional na revista independente "Graffiti 76% Quadrinhos", que tem lançamento neste sábado em São Paulo. A primeira tendência é a publicação em sistema de parceria. A segunda é a utilização de verba de incentivo à cultura para viabilizar o projeto.
A publicação de histórias em parceria é uma prática que ganha fôlego no país. Se um autor sozinho encontra dificuldade para publicar histórias, com vários autores as chances aumentam.
Só neste ano, foram publicados pelo menos cinco títulos em sistema de parceria: "Garagem Hermética" (SP), "Cão" (SP), "Prismarte" (PE), "Gorjeta" (MT), "Ragú" (PE). A Graffiti é de artistas de Minas Gerais. Outras duas obras têm lançamento no início da semana que vem.
A outra tendência é uso de dinheiro público para pagar os custos de edição. A Graffiti se vale de Lei de Incentivo à Cultura da prefeitura de Belo Horizonte. Revistas independentes como "Juke Box" (RJ) e "Ragú" também utilizam verba institucional.
A verba leva a uma tranqüilidade financeira, que permite pensar em novos projetos. O grupo pretende lançar graphic novels brasileiras. A primeira está planejada para este mês. Chama-se "Um Dia Uma Morte" e é assinada por Piero Bagnariol e Fabiano Barroso. Há pelo menos outras três em vista.
Segundo o grupo, as graphic novels não vão atrapalhar a publicação da Graffiti. Criada em 1995, é uma das revistas independentes de maior duração no país. Esta décima quinta edição traz dez histórias curtas, algumas narradas na linguagem das fotonovelas.
O destaque da edição está, curiosamente, no fim da revista. É a adaptação de um conto do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875), feita por Fabiano Barroso.
Chamada "A Menina dos Fósforos", mostra a história de uma garotinha pobre que acende fósforos para se aquecer. O clarão da chama revela imagens a ela. De fósforo em fósforo, a história se constrói.
O lançamento desta décima quinta edição da "Graffiti 76% Quadrinhos" é neste sábado, a partir da 22h, no restaurante Sapore di Rose (edifício Copan, av. Ipiranga, 200, no centro de São Paulo). Os ingressos custam entre R$ 10 e R$ 15.
Escrito por PAULO RAMOS às 13h09
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08/03/2007
Nova edição de Tulípio tem tiragem maior e distribuição no Rio

Você entra num bar. Na mesa, há cardápio, cinzeiro, guardanapos, sal, palitos de dente e uma edição com cartuns de "Tulípio" (capa ao lado). Parece estranho, mas a revista já compõe o cenário de 15 bares de São Paulo. O título, que é distribuído de graça, está no quarto número e começa a galgar novos espaços boêmios.
Esta quarta edição pega a ponte aérea e aporta em cinco bares cariocas. Foi um acordo feito com a revista "Piauí", da editora Alvinegra. A publicação colocou um anúncio de duas páginas na revista de boteco. Ficou responsável também pela distribuição no Rio de Janeiro.
A publicidade indica que a revista cresce. E aparece. São 15 mil cópias, três vezes mais do que quando foi lançada há seis meses em São Paulo (leia mais na postagem de 8 de junho).
O número aumenta a cada novo acordo. Já há planos para distribuição em Brasília e em duas cidades paulistas. A meta é atingir cem mil exemplares.
A edição tem 24 páginas e é feita em formato menor para caber direitinho no bolso. O custo que o leitor tem, evidentemente, é pagar a conta do que consumiu no bar. Mas aí já é outra história.
A idéia é do redator publicitário Eduardo Rodrigues, de 40 anos. A inspiração surgiu (claro) num bar. "Tinha uma época em que eu jantava todo dia num boteco. Eu ficava comendo e bebendo. Tinha uma sacada e anotava", diz. "As melhores histórias eu já estava bem ruim."
Os "insights" -sóbrios ou não- eram registrados em guardanapos. Ele chegava em casa e colocava os papéis num canto. "Quando vi, tinha um bolo em casa. resolvi passar a limpo. Vi que tinham frases, e frases boas", diz Rodrigues, paulistano do Brás e um dos poucos torcedores do Juventus, time de futebol de São Paulo.
Transformar palavras de guardanapo em imagens foi um passo só efetivado após conhecer Paulo Stocker, criador do álbum "Stockadas" (lançado no ano passado pela editora Via Lettera).
O desenhista catarinense, radicado em São Paulo, deu cara e forma a Tulípio. E o tornou tão central nos cartuns que é o único a aparecer em cores. Os coadjuvantes são todos em preto-e-branco.
A idéia é lançar a revista a cada dois meses. A dupla tem conseguido cumprir o cronograma. E a promessa de trazer dois convidados por edição.
Este quarto número tem um cartum de Jaguar e um texto do escritor e compositor Aldir Blanc, um fã da série, segundo os autores.
Eduardo Rodrigues e Paulo Stocker mantém uma página com histórias de Tulípio e com uma lista de bares onde encontrar a revista. Para acessar, clique aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 13h54
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07/03/2007
A guerra dos gibis (infantis)
A editora Globo voltou a publicar neste começo de mês a revista do Menino Maluquinho, criação do escritor e cartunista Ziraldo. O resgate do personagem é um sinal de reação da linha infantil da empresa após a ida de Mauricio de Sousa para a Panini.
 A leitura que se faz é que "O Menino Maluquinho" ressuscitou para fazer frente à Turma da Mônica, editada pela Panini desde janeiro. O mesmo raciocínio vale para "Julieta", outra criação de Ziraldo que também retorna às bancas.
A disputa começa pelo formato, idêntico ao dos títulos de Mauricio de Sousa. Antes, "O Menino Maluquinho" saía em formato maior. Há outra semelhança. O número de páginas, 68, é o mesmo de títulos como "Cebolinha" (abaixo, a capa do segundo número) e "Chico Bento".
Há duas diferenças. Uma está no preço. O título da Globo custa R$ 3,20, contra R$ 2,90 do concorrente. A segunda diferença é a numeração. A Globo optou por retomar o número do ponto onde havia parado no ano passado, quando a editora suspendeu a circulação da revista sem qualquer explicação. Esta edição é a 20.
A ida de Mauricio de Sousa para a multinacional Panini foi anunciada no meio do ano passado. Mas foi sentida pelo público no começo de janeiro, quando a publicação das revistas da Turma da Mônica voltou ao número um.
A transição foi um pouco confusa, principalmente nas bancas. A Globo atrasou a circulação das edições de dezembro, as últimas de Mauricio de Sousa. Resultado: com o lançamento das revistas pela Panini, houve uma overdose de títulos da Turma da Mônica disputando o mesmo espaço físico nas bancas.
Uma das estratégias da Panini para distinguir os exemplares foi criar anúncios destacando a presença do número um nas capas das edições.
A volta de "O Menino Maluquinho" é outro movimento da Globo para enfrentar a saída de seu principal rol de personagens. A editora, até então, apostava as fichas nas revistas do Sítio do Picapau Amarelo, que continuam sendo publicadas.
Escrito por PAULO RAMOS às 13h47
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06/03/2007
Editora HQM vai lançar mais histórias de Savage Dragon

Savage Dragon vai ter mais histórias publicadas no Brasil. A informação é da Editora HQM, que lançou no fim do mês passado uma edição especial com a origem do personagem (capa ao lado; R$ 5,90).
"Vamos trazer o Dragon de volta, sim, mas ainda estamos estudando a forma", diz por e-mail Carlos Eduardo Alves Costa, editor-chefe da HQM. Nos anos 90, o herói criado por Erik Larsen foi publicado pela Abril (numa minisérie em quatro partes e numa revista mensal própria, que teve 16 números).
"O ponto de partida mais provável será um encadernado a partir do ponto exato de onde a Abril parou e, depois, republicaremos o material da Abril, como a Panini tem feito com Witchblade e Darkness, e como iremos fazer com Estranhos no Paraíso [que teve um encadernado lançado pela HQM no ano passado]."
Savage Dragon -uma paródia-homenagem dos super-heróis- foi criado no começo dos anos 90. Foi um dos primeiros personagens da Image Comics, editora formada por artistas de destaque vindos da Marvel (Jim Lee, Todd McFarlane e o próprio Larsen). Tem sido publicado desde então.
A Editora HQM tem planos de outros lançamentos. Programou um novo encadernado inédito de "Estranhos no Paraíso" (Tempo de Colégio, "High School", no original) e um livro, cujo título ainda é mantido em segredo.
As novidades da editora devem ser lançadas após a publicação de "Liberty Meadows", de Frank Cho. O encadernado, inédito no Brasil, tinha sido anunciado para a virada de janeiro para fevereiro (leia mais na postagem de 8 de janeiro).
Escrito por PAULO RAMOS às 13h24
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05/03/2007
Exposição apresenta ilustrações inéditas de Orlando Pedroso
O ilustrador Orlando Pedroso vai fazer uma exposição com 30 trabalhos inéditos. A abertura da mostra "Uns Desenhos" é nesta terça-feira à noite, em São Paulo.
"A exposição é um pequeno apanhado do trabalho que venho fazendo em paralelo ao meu trabalho profissional", diz Orlando, que é mais conhecido pelos desenhos que faz para revistas e jornais, principalmente a "Folha de S.Paulo".
"Eu definitivamente não acho que ilustradores devam desenhar só por encomenda. Deveriam, sim, mergulhar num universo próprio com uma certa obsessão e disciplina. Em geral, ilustradores viraram técnicos em computação e isso tem me perturbado muito", diz ele, por e-mail.
"Depois, você até vê algumas exposições de ilustradores, mas quase nenhuma com originais, e muito menos inéditos. Sempre são compilações de trabalhos publicados. [A exposição] é um evento inédito com inéditos."
A tendência de publicar obras mais autoriais não vem de hoje. O artista paulistano, que completou 48 anos no último dia 14, lançou em outubro de 2006, por conta própria, o livro "Moças Finas", também com trabalhos inéditos (ver postagem de 10.10.06).
A abertura de "Uns Desenhos" é nesta terça, às 20h, na Calligraphia Galeria (rua Avanhandava, 40, região central de São Paulo). Depois, pode ser vista das 12h às 22h (de domingo a quinta) e das 12h às 24h (às sextas e sábados). Vai até 25 de março.
Para ver mais imagens da exposição, clique aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 19h29
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Fantasma Especial traz histórias inéditas de 2005

Um segundo título do Fantasma começou a ser vendido na virada de semana. "O Fantasma Especial" (Mythos, R$ 7,40) tem um formato maior, semelhante ao de uma revista. Traz duas histórias inéditas do herói, ambas de 2005.
Uma aventura é continuação da outra. A primeira, "O Submarino Alemão", mostra um grupo de exploradores à caça de um mapa, escondido numa embarcação, naufragada em 1945. O mapa os levaria aos tesouros do Tempo de Éden, desconhecido até mesmo do herói.
O título da segunda história, "Retorno ao Éden", explica do que se trata a aventura, bem mais cativante que a anterior. O espírito-que-anda e uma das exploradoras, Nina, voltam ao Templo para descobrir os mistérios que lá existem.
Uma curiosidade, principalmente para quem leu a minissérie "Crise de Identidade", da DC Comics (na qual os heróis usavam magia para fazer vilões esquecerem suas identidades secretas). Quando quer que os inimigos não se lembrem de algo, Fantasma pede que os inimigos nativos injetem uma droga chamada "pó bandar" (da aldeia Bandar). O efeito é amnésia de fatos recentes.
A revista mostra uma fase mais atual das tiras diárias do herói (o título reúne tiras de 3 de janeiro a 17 de setembro de 2005). Mostra textos de Tony De Paul e desenhos de George Olesen (apenas nas primeiras páginas) e de Paul Ryan, artista que lembra um pouco o traço de Sy Barry (antigo ilustrador do Fantasma).
Em janeiro, a Mythos lançou um título mensal do herói. Já está no segundo número. Leia mais aqui e aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 13h45
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02/03/2007
Preacher continua de onde parou; 100 Balas volta ao número um
A Pixel definiu a forma de publicação de parte dos títulos da linha Vertigo, selo adulto da editora norte-americana DC Comics. "Preacher", de Garth Ennis, vai ser lançado do ponto onde a série tinha parado na antiga editora, a Devir. O formato será o mesmo, um pouco menor do que o original norte-americano. "100 Balas", título da Vertigo que saía pela Opera Graphica, vai voltar ao número um.
"O Preacher tem uma história editorial complicada no Brasil. Ele já foi publicado e republicado várias vezes. A gente achou muito ruim editar de novo", diz Odair Braz Junior, editor-chefe da Pixel. "Talvez a gente volte a lançar as primeiras edições. Mas bem lá pra frente."
O encadernado da Pixel -o quarto da série- está programado para julho. Antes, sai um especial com duas histórias soltas ligadas ao título principal: "The Story of You-Know-Who" (A História de Você-Sabe-Quem) e "Tall in the Saddle" (O Cavaleiro Altivo). Ambas já tinham sido publicadas no Brasil (em fevereiro de 1999 e agosto de 2000, respectivamente). Essa edição está prevista para maio.
As revistas serão publicadas em livrarias e bancas. Segundo a Pixel, com uma tiragem um pouco maior e a um preço "bem mais barato que na Devir". O último encadernado da antiga editora, lançado em dezembro do ano passado, custava R$ 46.
"A gente vai publicar materiais bacanas, mas com papel não tão luxuoso. É pra dar uma popularizada no material", diz Braz Junior.
"100 Balas", série premiada de Brian Azzarello (texto) e Eduardo Risso (desenhos), também vai ser editada nesse esquema. A série vai voltar ao número um. O título vinha sendo publicado pela Opera Graphica. A última edição foi lançada na virada do ano ("100 Balas - Blues para um Minuteman") e custava R$ 79.
Os primeiros títulos da Vertigo começam a ser lançados em abril. "Pixel Magazine" vai trazer histórias de "Hellblazer" (a partir do número 120 do original norte-americano) e "Planetary", também do ponto onde parou na Devir. A revista terá cem páginas e vai contar também com outras histórias, em sistema de rodízio. O título não tem preço definido ainda. Deve custar entre R$ 8 e R$ 9.
A editora programou também um especial com as primeiras histórias de Neil Gaiman (autor de "Sandman") feitas para a Vertigo. O título vai se basear no norte-americano "Neil Gaiman: Midnight Days". Teve tradução literal no Brasil: "Neil Gaiman: Dias da Meia-Noite".
A Pixel adquiriu os direitos de publicação da linha Vertigo no fim de janeiro (leia mais aqui). O acordo prevê também títulos de outros dois selos da DC: Wildstorm e ABC (que tem histórias de Alan Moore). Para esses materiais, não há nada programado até o momento.
Escrito por PAULO RAMOS às 08h08
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01/03/2007
Livro conta trajetória da editora EBAL (parte II)
O livro “EBAL: Fábrica de Quadrinhos”, que está prestes a ser lançado, explica uma das estratégias editoriais adotadas por Adolfo Aizen, o dono da empresa. De quando em quando, as revistas voltavam ao número um.
Aizen tinha claro que as revistas em quadrinhos eram lidas por crianças. Com o passar dos anos, elas cresciam e abandonavam os títulos. Ele, então, voltava a numeração para conquistar a nova geração que surgia. Tentava fazia isso a cada cem edições.
Super-Homem é um bom exemplo. Segundo Ezequiel Ferreira Azevedo, autor do livro, a primeira série é de novembro novembro de 1947 a dezembro de 1955 (capa do primeiro número ao lado). A segunda, de janeiro de 1956 a abril de 1964 (mais cem edições). A terceira, de maio de 1964 a agosto de 1972. A quarta, de setembro de 1972 a março de 1977 (teve 55 edições). A quinta, de abril de 1977 a dezembro de 1979 (33 edições).
As fases finais não completaram cem números por causa do formatinho, tamanho menor das revistas que dominava o mercado na época (principalmente pela Editora Abril). Aizen migrou para o novo formato em maio de 1976, com o lançamento de “Superman em Cores”, o primeiro título de uma série de outros. A revista circulou até dezembro de 1983, quando a EBAL perdeu os direitos de publicação dos personagens da DC para a Abril.
As imagens abaixo trazem as capas dos outros primeiros números da revista “Superman” em formato maior.


Escrito por PAULO RAMOS às 09h48
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