31/10/2006

Cartunista Gilmar vence mais um prêmio de humor (o 3º neste ano)

 

 

 

Cartum de Gilmar, 1º lugar no Salão de Desenho para a Imprensa, de Porto Alegre

 

 

 

 

Salão Internacional de Humor de Piracicaba, 28 de agosto deste ano. O cartunista Gilmar Barbosa fica com o segundo lugar na categoria história em quadrinhos.

Prêmio Vladimir Herzog, 12 de outubro último. Gilmar Barbosa (ele, de novo) vence na categoria artes com a charge "Matou, morreu".
 
14º Salão de Desenho para a Imprensa, de Porto Alegre, realizado neste mês. O cartunista é premiado pela terceira vez. Fica em primeiro lugar na categoria cartum, com o trabalho "Chapeuzinho Vermelho" (imagem acima).
 
Três prêmios em dois meses, um feito raro de se conseguir. "É sempre bacana ser premiado, talvez eu tenha acertado no gosto dos jurados nestas categorias em que concorri", diz Gilmar, por e-mail. "Gosto de participar de salões e festivais de humor, é um estímulo para experimentar traços e linguagens, mas raramente sobra tempo para isso devido ao compromisso com jornal e editora."
 
Os "compromissos" a que ele se refere são as ilustrações feitas para o "Jornal do Brasil", "Folhateen" (caderno jovem do jornal "Folha de S.Paulo") , "Hoje" (do ABC paulista) e "Vida Econômica" (de Portugal). Sem falar dos trabalhos para editoras. Gilmar ainda encontra tempo para preparar um novo álbum com trabalhos seus. Segundo ele, sai no ano que vem. Gilmar já lançou outras duas coletâneas de tiras cômicas, "Pau para toda obra" e "Para ler quando o chefe não estiver olhando", ambas pela Devir.
 
O cartunista, premiado com um HQ Mix em 2002, colocou em seu site de cartuns os outros ganhadores do 14º Salão de Desenho para a Imprensa. Para conhecer os vencedores, clique aqui. Para ver os dois outros trabalhos premiados de Gilmar, acesse as postagens dos dias 28.08 e 11.10. 

Escrito por PAULO RAMOS às 19h30
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PONTE AÉREA 1

RIO DE JANEIRO: LANÇAMENTO DO 2º NÚMERO DA "JUKE BOX"

 

 

 

 

Arte do espanhol Paco Alcazar para a revista independente

 

 

 
 
 
 
 
 
 
A revista "Juke Box" chega ao segundo número. Ou à versão 2.1, como foi batizada. Nas palavras do editor Renato Lima, está "mantendo a periodicidade na raça". A publicação independente substituiu a "Mosh!", vencedora de vários troféus HQ Mix. A proposta era fazer da "Juke Box" uma obra que abordasse também rock e literatura.
 
"Acho que ganhamos um público novo porque chegamos a lugares que a ´Mosh!´ nunca conseguiu, como lançar em livrarias cult e feiras de moda", diz Lima. "Dos três mil exemplares do número 0.9, temos menos de 200 em estoque, o que é uma vitória para a nossa realidade."
 
A segunda edição da revista (capa ao lado) traz entrevistas e matérias, mas o destaque são os quadrinhos. Há autores nacionais (Denny, de Porto Alegre, e Paula Jardim, de Niterói) e material alternativo vindo da Espanha (do pouco conhecido Paco Alcazar). E há uma nova seção, com ilustrações dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá. A capa é do carioca Meton Joffily.
 
A festa de lançamento da revista é hoje à noite, no Rio de Janeiro. Faz parte de um roteiro, que continua no dia 8 de novembro, data em que autores da "Juke Box" participam de um debate na loja Sopa de Letrinhas (rua Gonzaga Bastos, 312, vila Isabel, Rio de Janeiro), às 18h.
 
SERVIÇO
Festa de lançamento da "Juke Box 2.1". Quando: hoje (31.10). Horário: 21h. Onde: Teatro Odisséia. Endereço: rua Mem de Sá, 66, Lapa, Rio de Janeiro. Preço: R$ 10 (a entrada dá direito a um exemplar da revista).

Escrito por PAULO RAMOS às 10h42
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30/10/2006

BIOGRAFIA  DE CHE GUEVARA

HQ COREANA NARRA A HISTÓRIA DO LÍDER REVOLUCIONÁRIO

Uma história em quadrinhos feita na Coréia do Sul vai mostrar a trajetória do líder revolucionário Che Guevara. A biografia vai ser publicada pela Conrad. A previsão da editora é lançar a obra no fim de novembro. O manhwa (como é chamado o quadrinho coreano) está em processo de edição. A história é assinada por Kim Yong Hee.
 
"Che" é um dos produtos da promissora indústria de quadrinhos coreana, que começa a chegar ao ocidente (caso de "Chonchu", já lançado por aqui). Os números dos manhwas impressionam. Em 1990, representavam 2,7% das revistas vendidas na Coréia. Em 2001, o índice saltou para 36%. Isso sem falar nas animações e nos videogames.
 
Segundo informações da Conrad, os dados são reflexo de uma política de estímulo à produção artística. 150 universidades ensinam quadrinhos. Em Seul, capital do país, a prefeitura investe anualmente no setor 5 milhões de dólares (cerca de 12 milhões de reais).
 
Não deixa de ser curioso o interesse de uma indústria como essa em Ernesto Che Guevara, médico argentino que optou por lutar pelo ideal marxista na América Latina. Homem de muitas viagens, participou da revolução cubana de 1959 e foi um dos homens de confiança do ditador Fidel Castro. O objetivo de Che era levar o princípio revolucionário a outros países latino-americanos. Foi assassinado em 1967, na Bolívia, pelo governo daquele país.
 
Veja abaixo em primeira mão uma prévia da biografia.

Escrito por PAULO RAMOS às 21h57
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PRÉVIA - CHE GUEVARA

 

 

Escrito por PAULO RAMOS às 21h55
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29/10/2006

HQ & EDUCAÇÃO

BLOG MOSTRA COMO USAR QUADRINHOS EM AULAS DE HISTÓRIA

 

A imagem acima mostra o encontro do cão Jarbas com Santos-Dumont. O personagem, criado em 1989, é um dos instrumentos usados pelo cartunista Ruy Jobim Neto para levar os quadrinhos até a sala de aula. Há outros métodos, material que ele começa a reunir num blog, recém-inaugurado. Usa a história em quadrinhos para ensinar em quadrinhos a História.
 
"O blog pretende ajudar professores de ensino fundamental a encontrar num só endereço uma série de artigos compilados semanalmente sobre quadrinhos e História", diz o desenhista gaúcho, por e-mail. "O que a gente percebe é a dificuldade que eles, professores, têm na hora de se reportar ao meio quadrinhos, e não evidentemente à História. No momento em que você faz a junção de uma coisa à outra, abre-se um novo leque, todo um novo universo diante do professor."
 
O cartunista, formado pela Universidade de São Paulo, já fez várias oficinas sobre o tema. A última teve o apoio do Núcleo de Comunicação e Educação da USP e virou tema de reportagem da edição de domingo do "Jornal da Tarde", de São Paulo. O desenhista explicava como o aluno poderia aprender sobre Santos-Dumont. A prática era voltada ao ensino fundamental e previa a criação de uma história em quadrinhos (que envolveria as disciplinas de História, Língua Portuguesa e Artes). Usava uma aventura de duas páginas para ilustrar o resultado final (um dos quadros é o que abre esta postagem).
 
Ruy Jobim diz que há muitos professores usando quadrinhos na sala de aula. "Outros, por sua vez, nunca tinham feito nada por não terem porta de contato com as histõrias em quadrinhos. A dificuldade visceral deles é na hora de propor aos alunos que façam quadrinhos como atividade, pois muitos professores não detêm alguns elementos exatamente porque ninguém explicou a eles como se produz uma HQ."
 
O namoro do desenhista com a área da educação começou em 2000, com a versão em quadrinhos dos 500 anos de  São Vicente, cidade do litoral paulista. Passou, então, de projeto em projeto. Hoje, participa do "A História na ponta do lápis", de estímulo ao uso de quadrinhos no ensino. O trabalho é feito em parceria com o cartunista Sergio Morettini.
 
Os planos de Ruy Jobim não ficam só na área da educação. Ele pretende exportar as tiras de Jarbas. Firmou neste ano um contrato para distribuir as histórias em outros países.
 
O blog de Ruy Jobim Neto se chama "História quadro a quadro". Para visitar, clique aqui. 

Escrito por PAULO RAMOS às 14h53
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27/10/2006

CRASH

NOVA REVISTA SOBRE HQ SURPREENDE (E CONVENCE)

Chegou às bancas neste finzinho de semana mais uma revista com notícias sobre quadrinhos. Mais uma talvez não seja o termo exato. A "Crash" (editora Escala, R$ 6,90) é uma das melhores publicações do gênero já lançadas no país. A revista
adotou a linha editorial de abordar qualquer assunto ligado a ícones da cultura pop (por isso a capa é com atores do seriado "Lost"). Mas o enfoque principal são os quadrinhos. Tomam cerca de 70% da revista.
 
Este número inaugural da "Crash" tem a grande qualidade de não se pautar apenas na indústria norte-americana. Tem matérias sobre Marvel e DC, mas não só isso. O cardápio de informações é bem diversificado, como há muito não se vê. E não deixa de lado autores nacionais (como o histórico -e esquecido- Gutemberg Monteiro).
 
Outro ponto positivo são os textos: bem escritos e bem informativos. São assinados por pessoas conhecidas no mercado de quadrinhos: Eloyr Pacheco (do site Bigorna), os jornalistas Gonçalo Junior e Franco de Rosa (que atua também na editora Opera Graphica), Heitor Pitombo, Leonardo Vicente Di Sessa (do site HQ Maniacs), para citar alguns.
 
A revista é séria e reúne qualidades que justificam a compra. E veio para disputar a preferência do leitor, a começar pelo preço. Custa R$ 1 a menos que a principal concorrente, a "Wizmania" (ex-Wizard"), há três anos no mercado.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h14
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WOOD & STOCK

DESENHO VENCE PRÊMIO DE ANIMAÇÃO NA ESPANHA

O desenho "Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock´n roll" venceu o Animacon 2006, prêmio vinculado ao 2º Festival de Animação de Córdoba, na Espanha. A informação foi divulgada agora há pouco pela Folha Online. É a primeira conquista internacional do desenho, que estreou no Brasil no último dia 12. Pela premiação, os produtores faturaram 12 mil euros (algo em torno de R$ 32 mil).
 
O desenho foi dirigido por Otto Guerra e se baseia nos personagens de quadrinhos criados por Angeli (nas tiras de Chiclete com Banana). Wood & Stock são dois hippies que envelheceram na idade, mas não no modo de vida "paz e amor". A animação mostra a dupla tentando se adaptar aos novos tempos. Há também outras criações de Angeli, como os Skrotinhos e Rê Bordosa (dublada por Rita Lee, um dos destaques do filme).
 
O desenho brasileiro concorreu com outras três animações: Finafárum 2", da República Tcheca; "Flipper and lopaka", uma parceria entre Alemanha e Áustria; "Olentzera y el tronco mágico", da Espanha.
 
Otto Guerra prepara mais uma animação baseada nos quadrinhos: "Piratas do Tietê", de Laerte. A previsão de estréia é em 2008.

Escrito por PAULO RAMOS às 16h36
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PRÉVIA EXCLUSIVA - 300 DE ESPARTA

Frank Miller queria publicar a minissérie "300 de Esparta" num formato diferente do usado no mercado norte-americano. Queria que as páginas tivessem o tamanho "widescreen", parecido com uma tela de cinema. Na época, não conseguiu, e a páginas foram divididas no meio para caberem no formato tradicional. Esse material foi publicado no Brasil em 1999, numa minissérie em cinco partes (pela editora Abril).

A publicação foi bem-sucedida nos Estados Unidos e mereceu uma reedição. Aí, prevaleceu a vontade de Miller, que conseguiu manter a forma que havia pensado originalmente. É essa a versão que chega em novembro ao Brasil pela editora Devir (imagem da capa ao lado). É uma obra em capa dura, com 88 páginas, que reúne num volume só as cinco partes da minissérie. A história mostra a resistência de um grupo de espartanos ao avanço do numeroso exército persa. Prevalece a estratégia dos espartanos ante a força bruta dos rivais.

O álbum ganha mais atenção por causa do filme "300". A adaptação da história em quadrinhos estréia no fim de março e tem o brasileiro Rodrigo Santoro no papel de Xerxes.

O Blog dos Quadrinhos mostra em primeira mão uma prévia da nova edição de "300 de Esparta", com páginas em "widescreen" (tamanho 33 cm por 24 cm). A primeira imagem é de Xerxes, que será interpretado por Santoro.

 

Escrito por PAULO RAMOS às 06h56
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PRÉVIA EXCLUSIVA - 300 DE ESPARTA II

Escrito por PAULO RAMOS às 06h52
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26/10/2006

DEFENSORES

MARVEL IMPORTA DA DC FÓRMULA DE HUMOR DEBOCHADO

A "Crise Infinita" que a DC Comics criou trouxe algumas baixas. Uma delas foi o humor do trio Keith Giffen, J.M. de Matteis e Kevin Maguire. A megassaga da DC pôs uma pá de cal nos Superamiguinhos e em suas cômicas histórias. Como o clima no mercado norte-americano é de guerra civil, a concorrente Marvel aproveitou e convidou os três para fazerem uma minissérie dos "Defensores" no mesmo estilo debochado. O resultado saiu esta semana no Brasil (Panini, "Marvel Apresenta 26 - Defensores", R$ 8).
 
Não é o melhor trabalho do trio. Havia uma química entre os personagens da antiga Liga da Justiça (atual Superamiguinhos) difícil de ser reproduzida nos Defensores, equipe que sempre ficou no segundo escalão da Marvel. Mas isso não quer dizer que a revista não tenha bons momentos. Tem, sim. E vai agradar quem acompanha os três desde o fim dos anos 80.
 
As tiradas se concentram na formação clássica da equipe: Hulk, Príncipe Namor e Surfista Prateado, liderados pelo mago Doutor Estranho. Todos são vítimas de chacota. A maioria das brincadeiras é sobre o modo de falar dos quatro super-heróis. Estranho é o primeiro a ser ironizado na história. Todas as falas dele têm uma palavra em negrito, indicando voz alta e melodramática (o que é questionado até pelos vilões). Namor fala como ar arrogante. O ingênuo Surfista se envolve com um grupo de surfistas (afinal, todos usam prancha) e não consegue entender as gírias que dizem.
 
Os melhores trechos envolvem Hulk e seu alter-ego, Bruce Banner. Banner é mostrado como um tirador de sarro. Está sempre cutucando Namor com alguma piadinha: "Será que alguma vez ele troca a sunguinha... ou usa a mesma o tempo todo?" Em outra seqüência (imagem ao lado), Banner pergunta a Namor: "Você já encontrou o Nemo... ou ainda está procurando?" Namor pára um segundo e, então, solta: "Se soubesse o que isso significa... eu o mataria sem a menor piedade".
 
Agora, uma tirada como Hulk. O grupo tem de enfrentar Dormammu (clássico vilão do Doutor Estranho) e a irmã dele, Umar. Ela é mostrada com a libido nas alturas. Umar vê em Hulk o homem ideal: bobo e poderoso. Arma para transar com ele. Seis minutos depois, há este diálogo: "Hulk... cansado"... "Umar... só começando".
 
O trabalho de Giffen e de de Matteis perderia muito sem a arte de Kevin Maguire. Ele é um achado. Faz rostos detalhadamente expressivos e irônicos. Casa perfeitamente com esse estilo de história. Contratar os três foi uma tacada certeira da Marvel, na acirrada disputa que trava com a DC.
 
Nota: a Panini lançou em julho a última história dos Superamiguinhos feita pelo trio. "Não acredito que não é a Liga da Justiça" saiu em DC Especial 10 (veja na postagem de 12.07).

Escrito por PAULO RAMOS às 19h54
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JEREMIAS, O BAR

SÃO PAULO GANHA BAR INSPIRADO NOS QUADRINHOS

São Paulo vai ganhar um novo bar. Bom, isso não seria nenhuma novidade. O espaço vai ser na região central da cidade, na tradicional rua Avanhandava. Convenhamos, também não seria notícia. O local, no entanto, vai ser um bar temático. A decoração será toda com ilustrações de mais de cem desenhistas brasileiros. E vai se chamar "Jeremias, o Bar", homenagem a "Jeremias, o Bom", personagem bonachão de Ziraldo. Bem, aí a história muda. E justifica a notícia, dada em primeira mão pelo Blog dos Quadrinhos.
 
O bar está pronto. Só espera a reforma no calçamento para inaugurar (a prefeitura paulistana faz obras para transformar a rua num semibulevar). O logotipo também já foi preparado. É esse aí ao lado. Assim que o bar for aberto, a proposta é tornar o espaço uma espécie de ponto de encontro de profissionais e admiradores do traço. Fazer ali lançamentos de livros e revistas é apenas uma das idéias.
 
O "Jeremias, o Bar" foi bancado por Walter Mancini, dono de vários restaurantes na cidade de São Paulo, parte deles na própria Avanhandava. A idéia original era que toda a área tivesse a criação de Ziraldo como tema. O desenhista-escritor preferiu que não fosse assim. Pediu que outros ilustradores também fossem homenageados. E assim foi feito.
 
O desafio, então, era outro: como conseguir obras de outros ilustradores. A tarefa -ou desafio- ficou nas mãos do cartunista Gualberto Costa e de sua esposa, Daniela Baptista. Uma parte veio de doações. "A gente combinou que cada pessoa que doasse teria o original incluído no acervo do Museu das Artes Gráficas. Uma cópia ficaria no bar", diz Gualberto, ou somente Gual, como é mais conhecido.
 
A outra parte dos desenhos veio de um banquete. Banquete? Foi o pretexto de Gual e Daniela para convidar cerca de 40 ilustradores, que teriam a missão de produzir material exclusivo para o bar. "Enquanto comiam e bebiam, desenhavam", brinca Gual.
 
"Jeremias, o Bom" era um figura boa, daquelas amigas mesmo. Era o oposto do "Amigo da Onça", de Péricles. É assim que Ziraldo o imaginou lá pelos idos de 1960 e 1970. Pouco conhecido nos dias de hoje, deve se tornar famoso por causa do bar. Se realmente existisse, o personagem responderia à homenagem com modéstia. Diria que "não é nada disso".
 
O proprietário promete captar essa essência de bondade da criação de Ziraldo. No bar, a proposta é que os produtos sejam mais baratos. Afinal, Jeremias não exploraria ninguém. O tempo e a clientela dirão se é marketing de inauguração ou se é realmente uma homenagem ao jeito bonachão do personagem.
 
Veja abaixo uma das histórias de Jeremias o Bom.

Escrito por PAULO RAMOS às 08h22
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UMA BONDADE DE JEREMIAS, O BOM

Escrito por PAULO RAMOS às 08h20
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25/10/2006

TENDÊNCIA

EDITORAS DE HQ ENSAIAM NOVO "NAMORO" COM ROMANCES

 

 

 
Trecho de "O Alienista", conto de Machado de Assis, no traço de Gabriel Bá e Fábio Moon.
 
 
 
 
 
 
 
 
Os dois principais autores do realismo-naturalismo são a prova de que as editoras brasileiras tateiam um novo mercado: o das adaptações de obras literárias. Os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá preparam uma versão em quadrinhos de "O Alienista", de Machado de Assis. Marcatti faz a versão de "A Relíquia", do escritor português Eça de Queirós (leia mais nas postagens abaixo). Os dois trabalhos coincidem no prazo de entrega: ambos têm de ficar prontos em novembro. Devem ser lançados no ano que vem.
 
Bá e Moon disseram que o convite para fazer a adaptação partiu da Ediouro, editora que vai publicar a obra. Na sexta-feira da semana passada, eles mostraram algumas páginas da obra durante o evento "Quanta Produção!", que ocorreu em São Paulo. Disseram que estão numa correria só para cumprir o prazo de entrega. Há uma prévia da obra no blog da dupla (imagem que abre esta postagem).
 
Há outros trabalhos recentes. No fim do ano passado, a Escala colocou nas bancas uma série de adaptações de contos de Machado de Assis e Lima Barreto. Neste ano, a editora Mascaro lançou "Domínio Público - Literatura em Quadrinhos", com versões de Olavo Bilac, Alcântara Machado, Lima Barreto, Augusto dos Anjos e Machado de Assis.
 
Faz-se hoje o que a Editora Brasil-América (EBAL), de Adolfo Aizen, realizou por décadas no Brasil.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h21
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A RELÍQUIA EM QUADRINHOS

MARCATTI ADAPTA ROMANCE DE EÇA DE QUEIRÓS

O leitor certamente se lembra do Marcatti ousado e irônico, conhecido por seus quadrinhos escatológicos. Esqueça. A nova produção dele faz parte de uma outra fase, mais voltada à literatura. O desenhista paulistano prepara uma adaptação do romance português "A Relíquia", de Eça de Queirós (1845-1900).
 
Marcatti já tem 170 páginas desenhadas. O álbum terá 206. O desenhista sabe o número com precisão inglesa. É que sempre imagina a quantidade de páginas antes de iniciar a ilustração da obra. E cumpre à risca. Assim como o prazo de entrega. Tem até o fim de novembro para encaminhar a versão final à Conrad, editora que vai publicar o material. Deve sair no começo do ano que vem.
 
A idéia, conta Marcatti, surgiu de uma conversa com a editora. O desenhista disse que gostaria de adaptar alguma obra literária. Sugeriram "A Relíquia", livro de 1887, algo que fugia completamente ao seu estilo. "Eu também achei muito estranho. Nunca tinha lido Eça de Queirós", diz. Após a leitura, a estranheza deu lugar à surpresa. "Fiquei embasbacado. É engraçado como ele [Eça de Queirós] constrói uma história superpolida, mas, na verdade, chuta o pau da barraca."
 
 
O livro mostra o jovem Teodorico Raposo, um órfão que é criado pela tia, uma mulher religiosa e bem relacionada com a alta-sociedade portuguesa. Teodorico, já adulto, viaja ao Egito e à Palestina. A tia e outras pessoas pedem a ele que traga de lá uma relíquia, o mote da trama, que Marcatti não pretende alterar. "Me senti com receio de trair a história em si", diz. Por isso, nada de escatologia. Segundo ele, não há espaço para isso.
 
Francisco de Assis Marcatti, ou só Marcatti, acredita que o leitor tradicional de seus trabalhos (como "Fráuzio") vai estranhar a notícia da adaptação. Mais a notícia do que o álbum em si. O traço é fiel ao estilo que o tornou conhecido, como mostram as imagens ao lado.
 
Marcatti conta que a mudança para um viés mais literário é nova apenas para o público. Ele concorda que "A Relíquia" é o ápice dessa transição, mas vê como marco da alteração de rumo o álbum "Creme de Milho com Bacon", de 1991. Seria o início de um amadurecimento, que se consolidou com a obra de Eça de Queirós. A adaptação do romance é uma série de primeiras vezes (expressão curiosa, se levada em conta a natureza da maioria dos quadrinhos do cartunista). É a primeira vez que trabalha com um texto literário, é a primeira vez que molda do zero algo escrito por outra pessoa, é a primeira história de época que faz.
 
O desenhista está hoje com 44 anos. Sua trajetória profissional no mundo dos quadrinhos começou em 1977, com a história "Fadiga", publicada na "Papagaio" (revista produzida por um grupo do Colégio Equipe, de São Paulo). Nos anos seguintes, ficou conhecido por fazer quadrinhos com situações escatológicas. O tema volta no próximo trabalho dele, "Quirica Borralheira", álbum que vai ter (de novo, a precisão britânica) 140 páginas. Ainda não começou a produzir o material.
 
O Blog perguntou a ele de onde surgiu esse interesse pela escatologia. "Não tenho a menor idéia. Costumo dizer que eu faço quadrinho infantil... quem gosta de cutucar bosta é criança", brinca.
 
Veja na postagem abaixo mais imagens da obra, divulgadas em primeira mão.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h29
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PRIMEIRAS IMAGENS - A RELÍQUIA, DE MARCATTI

Há uma outra seqüência no site de Marcatti. Para acessar, clique aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h26
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24/10/2006

DYLAN DOG 20 ANOS

BRASILEIRO FAZ CARTAZ PARA MOSTRA ITALIANA DO PERSONAGEM

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ilustração de Wilson Vieira para cartaz da exposição sobre os 20 anos de criação de Dylan Dog
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
  
 
Wilson Vieira é um brasileiro mais conhecido na Itália do que por aqui. Mais conhecido e mais respeitado. É dele a ilustração do cartaz da exposição "Buon Compleanno Dylan" (feliz aniversário, Dylan), que comemora os 20 anos de criação do personagem.
 
Vieira conta que o convite veio de Cristian Fasano, responsável pelo site "dylandogfili", organizador da mostra. "Fasano foi o primeiro a divulgar a minha biografia e relação de trabalhos feitos na Itália, daí o meu carinho especial por ele", diz o desenhista paulistano, que está com 56 anos. Da parceria entre os dois, surgiu a imagem de Dylan Dog, feita há algum tempo, sob encomenda. Estava só esperando um evento para ser usada.
 
"Ele [Fasano] então me escreveu dizendo se podia lhe dar autorizaçao para fazer o cartaz para a mostra vendê-lo sem fins lucrativos. Eu autorizei no ato." O dinheiro arrecadado com o leilão do desenho vai para a Associação "Mauro Emolo", que cuida de pessoas vítimas de doença neuro-degenerativa.
 
A mostra começa no próximo dia 31 e vai até o começo de janeiro. Isso na Itália. Por aqui, o leitor não tem muito motivo para comemorar. As histórias de Dylan Dog deixaram de ser publicadas em fevereiro deste ano, na edição 40. A revista era editada desde 2002 pela Mythos. O personagem era um detetive especializado em desvendar mistérios sobrenaturais.
 
Wilson Vieira desenhou edições italianas de western no fim dos anos 70. Seu trabalho até hoje é lembrado no país europeu. Ao contrário daqui. O Blog dos Quadrinhos conversou com ele no começo de agosto, quando lançou o faroeste "Gringo - O Escolhido", pela editora Nomad (ver postagem de 02.08). O Blog perguntou, na ocaisão, se o trabalho se via no Brasil o mesmo tratamento recebido na Itália. Resposta: "Infelizmente não. Se não fosse por poucos e bons amigos, os meus trabalhos não seriam publicados ou divulgados, coisa bem diferente por lá, pois ainda hoje sou lembrado como desenhista."

Escrito por PAULO RAMOS às 10h52
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23/10/2006

QUADRINHÓPOLE

NOVA REVISTA TRAZ QUADRINHOS 100% NACIONAIS

Uma nova revista com quadrinhos nacionais foi lançada neste fim de semana em Curitiba. A "Quadrinhópole" começou com um grupo de desenhistas da cidade paranaense, mas a proposta é crescer e agregar material do país inteiro.

Este primeiro número traz quatro histórias, cada uma de um gênero diferente: "Undeadman: crepúsculo ao amanhecer", de Leonardo Melo e André Caliman; "Invisíveis", de Pablo Casado e Thiago Oliveira; "Seqüestro relâmpago", de Joelson Souza e André Caliman; "Campo de feijãotração", outra de Leonardo Melo, com desenhos de Anderson Xavier.

O único personagem fixo é Jason de Ely, de "Undeadman". A história mostra as aventuras do cavaleiro, amaldiçoado por um feiticeiro a não morrer nunca. É dele a imagem da capa (ao lado).

A revista custa R$ 3 (mais R$ 2 para despesas de postagem). É vendida por meio do site da "Quadrinhópole". Lá também há uma prévia das quatro histórias. Para acessar, clique aqui.

A proposta editorial e de vendas da "Quadrinhópole" se parece muito com a experiência de outra revista nacional, a bem-sucedida "Prismarte". Veja na postagem abaixo.

Escrito por PAULO RAMOS às 16h00
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PRISMARTE

REVISTA NACIONAL JÁ É PUBLICADA HÁ QUATRO ANOS

Uma revista só com quadrinhos nacionais completa este mês 35 edições. Tem mais: a publicação está há quatro anos no mercado. Considerando a realidade editorial brasileira, a notícia poderia até parecer mentirosa. Mas não é, não. A "Prismarte" não só existe como acaba de ganhar nova edição, que começa a ser vendida neste início de semana.

Esta 35ª edição traz reportagens e quadrinhos nacionais. O destaque da capa é "Processo criativo", de Leonardo Santana e Mauro Barbieri. A "Prismarte" ainda é pouco conhecida. Tem sede em Olinda, em Pernambuco, e é mantida pela Pada (sigla da Produtora Artística de Desenhistas Associados).

A revista é vendida pelo correio. O endereço eletrônico é prismarte@prismarte.com.br Cada edição custa R$ 3,30. Para a postagem, são mais R$ 0,70.

O grupo mantém uma página com informações sobre a revista. Para conhecer, clique aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h07
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22/10/2006

OS SUPREMOS 2

NOVA ANIMAÇÃO IGNORA MATERIAL CRIADO POR MARK MILLAR

Começou a ser vendida nesta virada de semana a animação "Os Supremos 2" (Paris Filmes, R$ 41,90). O DVD mostra mais uma aventura com os personagens desenvolvidos por Mark Millar (texto) e Bryan Hitch (desenhos) para o universo Ultimate da Marvel Comics (versão modernizada dos heróis da editora norte-americana). Mas com uma diferença: esta segunda história não é baseada nos quadrinhos.

A trama foi criada do zero. Introduz o herói Pantera Negra, rei do pequeno país africano Wakanda, ao universo Ultimate (algo que não ocorreu nos quadrinhos). Na história, ele precisa da ajuda dos Supremos para derrotar Herr Kleiser (não, ele não morreu) e seu grupo de alienígenas Chitauri de mais uma ameaça de dominação global. Wakanda está no centro do conflito.

Não usar material dos quadrinhos fez o desenho perder muitas das características criadas por Millar e Hitch. Os heróis são todos amiguinhos, não há conflito interno. A Viúva Negra assume a liderança do grupo e ensaia um romance com o Capitão América. Um dos heróis morre. Hulk –o grande destaque do primeiro DVD- tem apenas uma aparição relâmpago.

O resultado não é uma aventura dos Supremos. É apenas mais uma aventura, que não soube repetir o acerto do desenho anterior, lançado há um mês (ver postagem do dia 23.09). A primeira aventura se baseou no arco inicial escrito por Millar, tido como uma das melhores histórias de super-heróis dos últimos anos. A Panini publica atualmente o segundo arco na revista "Homem-Aranha – Marvel Millenium".

O maior destaque deste "Os Supremos 2", curiosamente, é a dupla Millar e Hitch. Eles contam num dos extras como criaram a série em quadrinhos. O relato vale o DVD.

Nota: a Marvel descobriu nos desenhos um novo filão. Vem aí "Homem-Ferro" e "Doutor Estranho", animações "criadas do zero", dando "liberdade total aos roteiristas". Para quem é fã de quadrinhos, essas duas expressões dão um medo danado.

Escrito por PAULO RAMOS às 15h12
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19/10/2006

METAMORFOSE DE LUCIUS

ÁLBUM DE MANARA USA LITERATURA PARA FAZER EROTISMO

Convenhamos: ninguém compra um álbum erótico por causa da história. É o desenho (e o que ele mostra) o destaque desse gênero de quadrinhos. Mas há três outros motivos para ler "A Metamorfose de Lucius", que começou a ser vendido nesta semana (Pixel, R$ 25,90).

Primeiro motivo: Milo Manara. Os desenhos dele credenciam qualquer obra. O quadrinista, de 61 anos, tem uma predileção pelo erótico, e sabe fazê-lo. Para quem gosta do estilo dele –ou das belas e torneadas mulheres desenhadas pelo italiano-, este é um ano particularmente especial. De "Bórgia" a "O Clic", passando por esta "Metamorfose", o ilustrador teve um ano fértil no mercado editorial brasileiro. E tem mais. A Pixel anunciou outro álbum de Manara, "Péntiti". A Conrad deve publicar até o fim do ano a seqüência de "O Clic".

Segundo motivo para ler "A Metamorfose de Lucius": a entrevista de Manara, concedida ao jornalista e crítico de cinema Rodrigo Fonseca. A conversa está nas páginas finais do álbum. É curiosa. Manara conta, veja só, que se escandaliza quando campanhas publicitárias usam sexo para vender produtos. Diz que não faz desenhos vulgares, apenas eróticos, e que vê na pedofilia o limite para a sua arte (algo que não vai fazer). Acha que o futuro dos quadrinhos está nas livrarias, porque a internet estaria condenando as publicações regulares, como os títulos da Sergio Bonelli Editore (de Tex e Dylan Dog, para citar dois personagens).

Manara fala na entrevista que conhece pouco o governo Lula, que tem vontade de conhecer o Brasil e que, daqui, fixou uma coisinha: "O que guardei daí foi a impressão anatômica que as mulheres do seu país deixaram em mim. Principalmente quando falamos dos quadris. Quer dizer... das bundas. E das mulatas."

Terceiro motivo: a introdução elaborada pelo jornalista Gonçalo Junior, um especialista em beldades dos quadrinhos ( é autor de "Tentação Italiana", livro que aborda o tema). Gonçalo divide a obra de Manara em dois momentos. O primeiro seriam histórias mais despudoradas, voltadas ao voyerismo.

A mudança para uma outra fase teria começado nos anos 90, quando insere elementos literários em seus trabalhos.É desse momento artístico "A Metamorfose de Lucius", publicada em 1999. A história, segundo Gonçalo, é baseada em "O Asno de Ouro", de Lúcio Apuleio (século 2º aC.). Um romano, Lucius, transforma-se em burro durante visita à Tessália. Mesmo na forma animal, mantém a consciência humana. Antes e durante a transformação, envolve-se sexualmente com fogosas mulheres. Burro transando? Sim. E surreal. Mas algo possível sabendo que é uma obra de Manara.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h30
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17/10/2006

HQ NA TV CULTURA

METRÓPOLIS CRIA QUADRO COM NOTÍCIAS SOBRE QUADRINHOS 

O Metrópolis, da TV Cultura, criou um quadro só com notícias sobre histórias em quadrinhos. Fui convidado para comandar o quadro, assumindo a função de crítico de HQ do programa. A proposta é fazer resenhas de lançamentos e reportagens sobre o tema. O programa deu total liberdade para que eu produzisse e selecionasse o material que vai ao ar. As gravações são semanais e rendem cerca de oito matérias por mês. Estreei na função no meio de setembro.

O convite para fazer o quadro é antigo. A negociação ganhou força nos últimos meses por causa deste blog. Na verdade, é uma volta à TV Cultura, casa onde trabalhei durante três anos e onde tenho grandes amigos. Fui âncora e editor-executivo do telejornal Diário Paulista entre 2001 e 2003. Também substituía o jornalista Heródoto Barbeiro na apresentação do Jornal da Cultura no mesmo período.

Não é a primeira vez que o Metrópolis cria um espaço assim. Por muito tempo, os colegas do site Omelete mantiveram no programa um quadro com lançamentos e curiosidades sobre quadrinhos.

O Metrópolis foi criado em 1988 e é especializado na cobertura de notícias culturais. É transmitido de segunda a sexta-feira às 12h30. Há uma segunda edição à noite, após o Jornal da Cultura (19h50).

Não há um dia certo para o quadro ir ao ar. Após serem exibidas na TV, as reportagens ficam disponíveis no site TV UOL. Já há material de quadrinhos lá. Para acessar, clique aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 10h18
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MENINA NÃO ENTRA

NOVO ÁLBUM DE LULUZINHA MEXE COM SAUDOSISMO DO LEITOR

Há uma contradição na personagem Luluzinha. Ela foi feita originalmente para agradar o público infantil. Hoje, quem diria, é o adulto o principal comprador das peripécias ingênuas da garota sapeca. A explicação é simples: o leitor-mirim cresceu e, agora, já adulto, quer relembrar uma parte importante da infância. É esse o espírito de "Luluzinha - Menina Não Entra?!", segundo álbum com histórias dela (Devir, R$ 23), que começa a ser vendido nesta terça-feira.

O ar de volta ao passado começa no título. "Menina não entra" é a expressão usada por Bolinha e sua turma (só de garotos, não custa relembrar) para barrar a entrada de Lulu e suas amigas no clubinho que eles mantêm (tema da primeira história do álbum). A frase é usada até hoje no Brasil. Assim como "clube do bolinha", outra referência aos personagens, incorporada à nossa cultura verbal.

O álbum recupera as primeiras aventuras da personagem, material que começou a ser reeditado nos Estados Unidos no fim dos anos 90 (hoje, já são mais de dez volumes). As histórias são do primeiro semestre de 1949 e foram publicadas originalmente na revista "Little Lulu" (números nove a doze).

Luluzinha foi criada em 1935 na revista "Saturday Evening Post". A menina foi idealizada por Marjorie (Ou Marge") Henderson Buell. Na segunda metade dos anos 40, a personagem migrou para as revistas em quadrinhos. Marge levava o crédito, mas quem produzia as histórias era John Stanley (algo parecido com a relação entre Carl Barks e Walt Disney: este levava os créditos pelo trabalho daquele). Se Marge criou a forma de Luluzinha, Stanley deu-lhe alma. É dessa fase o material lançado hoje.

As histórias de Luluzinha foram muito populares no Brasil. A personagem começou a ser publicada no fim da década de 50, na extinta editora de O Cruzeiro. Depois, migrou para a Abril e lá ficou, até a revista ser cancelada nos anos 90.

O primeiro volume de Luluzinha ("Luluzinha Vai às Compras") saiu em maio deste ano. A Devir programou novos álbuns da personagem para 2007.

Veja na postagem abaixo, em primeira mão, uma prévia de "Luluzinha – Menina Não Entra?!"

Escrito por PAULO RAMOS às 23h06
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PRÉVIA EXCLUSIVA - LULUZINHA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h01
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14/10/2006

4º SALÃOZINHO DE PIRACICABA

DEFINIDOS VENCEDORES DO PRÊMIO INFANTIL DE HUMOR

Bruna Ortiz

13 anos

Piracicaba – SP

1º lugar

(Categoria 11 a 14 anos)

 

 

 

 

A assessoria do 4º Salãozinho de Humor de Piracicaba divulgou os vencedores deste ano. O concurso premia trabalhos feitos por crianças e adolescentes. Na categoria entre 7 e 10 anos, o primeiro lugar foi para João Pedro Montaro Barbosa, de 10 anos, morador de São Paulo. Na outra categoria, que vai de 11 a 14 anos, a premiada foi Bruna Ortiz, de 13 anos, de Piracicaba (imagem acima). A comissão organizadora concedeu ainda duas menções honrosas, uma para Jéssica Pampolini, também de Piracicaba, e Gabriel Giovanelli Rando, de Indaiatuba.

A organização do prêmio recebeu cerca de 900 trabalhos, o maior número nos quatro anos de existência do Salãozinho. O concurso é um dos eventos paralelos ao Salão Internacional de Humor de Piracicaba, que tem as 270 ilustrações da edição deste ano expostas na cidade do interior paulista até o próximo domingo. Há ainda outros eventos, como a Festa à Fantasia e o Concurso de Piadas. A programação completa está no site do Salão (para acessar, clique aqui).

Os trabalhos do Salãozinho de Humor ficam expostos até domingo no armazém nove do Engenho Central de Piracicaba (fica na av. Maurice Allain, 454). A entrada é franca.

Nas postagens abaixo, você vê os dois primeiros colocados na categoria entre 7 e 10 anos.

Escrito por PAULO RAMOS às 09h52
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4º SALÃOZINHO DE PIRACICABA - II

VENCEDORES NA CATEGORIA 7 A 10 ANOS

João Pedro Montaro Barbosa

10 anos

São Paulo – SP

1º lugar

 

 

 

 

 

 

Letícia Medino

10 anos

Piracicaba – SP

2º lugar

 

 

 

Escrito por PAULO RAMOS às 09h50
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13/10/2006

POR E-MAIL: MARCELO FERREIRA

"NÃO FOI 1º LUGAR, MAS JÁ FOI UMA VITÓRIA TREMENDA"

 

Vampirella, desenhada por Marcelo Ferreira

 

 

O Blog dos Quadrinhos recebeu um e-mail do desenhista Marcelo Ferreira. Ele foi um dos cinco finalistas do concurso Talent Search, promovido pela editora norte-americana Harris. O vencedor fecharia um contrato para ilustrar a personagem Vampirella (leia mais na postagem do dia 13.09). No e-mail, Marcelo agradece os votos e a ajuda que teve da imprensa especializada.

O resultado oficial do concurso ainda não saiu. Marcelo recebeu um e-mail da editora dizendo que foi um dos três mais votados pelos internautas (a escolha era feita pelo site da Harris). A última prévia –antes de a pesquisa sair do ar- mostrava o desenhista de Campinas em segundo lugar (apesar da ótima votação). Se não houve mudança, a vitória foi para Pablo Verdugo Munoz.

Achei que seria justo que o agradecimento fosse dividido com o leitor deste Blog. Pedi a Marcelo autorização para reproduzir o texto. Segue na íntegra:

"Olá, amigos!

Escrevo para agradecer a muitas pessoas pela atenção e força dadas na votação do Concurso Caça-Talentos da Vampirella, ocorrido agora em setembro, onde eu era concorrente. Agradeço a cada um que pôs seu votinho lá, principalmente àqueles que votaram em mim não porque eu sou brasileiro ou sou amigo pessoal, mas porque realmente apreciou o meu trabalho mais do que os outros. Foi muito legal ter recebido elogios e críticas sinceras, até de profissionais renomados e reconhecidos aqui do Brasil!

Ao pessoal dos sites e da imprensa em geral, agradeço desde a curta notinha até a reportagem especial. Muito obrigado pelo entusiasmo e atenção!

Ficaria feliz se cada um pudesse repassar meu agradecimento aos (milhares) de pessoas que nem sequer conheço e que se empolgaram com a coisa e votaram!

A votação já se encerrou há umas semanas. Ao que parece, obtive o segundo lugar (apesar de o pessoal da editora não ter dado um resultado oficial pra nós concorrentes por e-mail), que deve se confirmar com a publicação do meu perfil, juntamente com algumas das páginas que vocês viram no site, na revista Vampirella Halloween Special 1. Não foi primeiro lugar, mas já foi uma vitória tremenda! Ser selecionado entre tanta gente e ainda chegar tão perto foi muito bom. Além do mais, podem ter certeza de que não foi a última vez que ouviram falar do meu nome associado aos comics. Quem viver, verá! (desculpem o chavão!...rs)

Grande abraço e novamente obrigado!"

Marcelo Ferreira.

Escrito por PAULO RAMOS às 08h51
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12/10/2006

WOOD & STOCK

DESENHO COM PERSONAGENS DE ANGELI ESTRÉIA HOJE

Lançar nos cinemas um desenho animado baseado em personagens das histórias em quadrinhos e bem no Dia da Criança pode soar como a combinação exata para atingir o público infantil. Longe disso. Bem longe, aliás. É a platéia adulta a esperada nas salas de "Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock´n roll", longa-metragem que tem estréia nacional hoje.

O longa-metragem já teve algumas exibições em festivais brasileiros de cinema e de animação. Todas com sala cheia. A animação mostra a dupla de hippies tentando se afirmar nos tempos modernos. A trama, no entanto, acaba sendo ofuscada pelos personagens. Todos eles. O foco da história é em Wood e Stock, mas estão lá também outras criações de Angeli, que colaborou no roteiro. Há os revolucionários Nanico e Meiaoito, Overall, Ralah Ricota, os Skrotinhos, a porra-loca Rê Bordosa. A caracterização de cada um deles é fidelíssima aos quadrinhos de Chiclete com Banana, tanto no desenho quanto no espírito dos personagens.

Boa parte dessa caracterização foi conseguida na dublagem, curiosamente o elemento que inexiste na linguagem dos quadrinhos. As vozes se encaixam perfeitamente nos personagens. Duas se destacam: Tom Zé como Raulzito (versão em miniatura de Raul Seixas, que faz duas pontas na animação) e Rita Lee como Rê Bordosa (Angeli se inspirou na cantora para criar a porra-loca depressiva e viciada em sexo). A atuação de Rita Lee rendeu a ela em abril o inusitado prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no CINE-PE, Festival do Audiovisual.

Fique também de olho no porquinho roqueiro, vocal da banda Chiqueiro Elétrico. A atuação dele rouba a cena.

Otto Guerra, o diretor da produção, disse em julho ao Blog dos Quadrinhos (postagem de 25.07) que a idéia de fazer o desenho surgiu há onze anos. Foi num papo de boteco com Angeli. Guerra queria Ozzy, criação do cartunista voltada para o público infantil. Angeli retrucou: por que não Wood e Stock? É, por que não? Ficou Wood e Stock, a animação que estréia hoje.

O diretor Otto Guerra e sua produtora já começaram a montagem de outro desenho baseado nos quadrinhos: Piratas do Tietê, de Laerte. A previsão é estrear a animação em 2008. Em 1994, Guerra fez o desenho "Rock e Hudson", os caubóis gays criados por Adão Iturrusgarai.

Escrito por PAULO RAMOS às 09h15
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11/10/2006

PRÊMIO HERZOG

CARTUM DE GILMAR VENCE PRÊMIO DE JORNALISMO

O cartunista Gilmar Barbosa venceu o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia de Direitos Humanos na categoria artes. A charge premiada, "Matou, morreu" (imagem acima), foi publicada no jornal "Hoje São Bernardo", do ABC paulista, no dia 16 de julho deste ano. O resultado saiu no fim da tarde e é divulgado com exclusividade pelo Blog dos Quadrinhos.
 
É o segundo prêmio que Gilmar conquista neste ano. Em agosto, ele foi o segundo colocado na categoria história em quadrinhos do Salão Internacional de Humor de Piracicaba (com o personagem Ocre, mostrado em postagem do dia 28.08). No Prêmio Herzog, o cartunista concorreu com outros 32 trabalhos.
 
Integraram a Comissão Julgadora o cartunista JAL (José Alberto Lovetro, presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil), Cildo Oliveira (diretor da Associação dos Artistas Plásticos de São Paulo) e Antônio Luiz Cagnin (professor da Universidade de São Paulo). A comissão concedeu ainda duas menções honrosas (veja na postagem abaixo).
 
O prêmio é concedido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, que conta com apoio de outras entidades: Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo.
 
Gilmar mantém um fotoblog com trabalhos seus. O endereço é http://gilmarcartum.fotoblog.uol.com.br/
 
Veja abaixo as menções honrosas do Prêmio Herzog.

Escrito por PAULO RAMOS às 17h06
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PRÊMIO HERZOG - II

COMISSÃO JULGADORA CONCEDE DUAS MENÇÕES HONROSAS

Antonio Carlos de Paula Júnior (Junião)
 
Diário do Povo (Campinas)
 
Publicado em 10.07.06
 
(Junião ganha o prêmio pela segunda vez)
 
 
 
 
 
 
 
  
Miguel Falcão
 
Jornal do Commercio (PE)
 
Publicada em 17.05.06
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Escrito por PAULO RAMOS às 17h02
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SIDNEY GUSMAN

JORNALISTA SAI DA WIZARD PARA TRABALHAR COM MAURICIO

O jornalista Sidney Gusman vai ser o responsável pelo planejamento editorial de novos produtos (quadrinhos inclusive) das empresas de Mauricio de Sousa. Ele começa a exercer a função na próxima segunda-feira. O cargo levou Gusman a se desligar da "Wizard", revista especializada em quadrinhos. A edição deste mês é a última em que ele atua como editor.
 
Gusman diz que o convite partiu do próprio Mauricio de Sousa. A atribuição do jornalista será imaginar produtos novos para as bancas e livrarias. "Aceitei porque é um grande desafio", diz. "Além de mexer com quadrinhos, vou trabalhar com o negócio quadrinhos. Sem falar que Mauricio de Sousa é um líder no mercado brasileiro."
 
A relação profissional entre ambos se estreitou por causa do livro "Mauricio - Quadrinho a Quadrinho" (capa ao lado), escrito por Gusman. O jornalista entra na empresa num momento de mudança para os personagens da Turma da Mônica. A partir de janeiro do ano que vem, eles serão publicados pela editora Panini (até dezembro, saem pela Globo).
 
Quanto ao desligamento da Wizard, o editor-chefe do site Universo HQ conta que sai com as portas abertas. Havia o boato de que a quase certa (embora ainda não confirmada oficialmente) ida da DC para a editora Pixel pudesse ter influenciado na decisão. "As relações são boas. Teve problemas? Teve. Mas teve muito mais coisas legais do que ruins", diz. Ele afirma também que o trabalho no site, que faz em parceria com Marcelo Naranjo e Sérgio Codespoti, continua o mesmo.
 
Gusman é um nome forte no mercado de quadrinhos, tanto como jornalista quanto nos bastidores de produções editoriais (cuidou, por exemplo, da trabalhos a revisão da série Sandman). Ele também venceu as últimas seis edições do Troféu HQMix na categoria melhor jornalista.
 
Nota rápida sobre a "Wizard": a revista vai mudar de nome pela segunda vez em um mês. O novo título será "Wizmania". O nome anterior, "Wizzing Comics", anunciado no editorial da última edição, não foi aceito para a franquia. "Wizz", segundo o "Urban Dictionary", é gíria usada para o ato de urinar. Isso deve ter influenciado na decisão. As mudanças ocorreram por causa de problemas com a escola de idiomas Wizard.

Escrito por PAULO RAMOS às 08h06
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10/10/2006

LOST GIRLS

POLÊMICA SÉRIE DE ALAN MOORE VAI SAIR NO BRASIL

A polêmica série "Lost Girls", do escritor inglês Alan Moore, vai ser lançada no Brasil no ano que vem. A história vai sair pela Devir. Serão três volumes, em capa dura. A programação é vender o primeiro álbum em março. Os demais, em junho e setembro de 2007. A série é inédita no Brasil. Nos Estados Unidos, foi relançada no fim de julho numa edição única (capa ao lado). Os desenhos são da namorada de Moore, Melinda Gebbie.
 
A polêmica da obra está nas protagonistas: Wendy, Alice e Dorothy. Ou, respectivamente, a Wendy do clássico "Peter Pan", a Alice do País da Maravilhas e a Dorothy de "O Mágico de Oz". Já adultas, as três se encontram em um luxuoso hotel na Áustria e passam a relembrar a trajetória de vida (picante e intencionalmente pornográfica) de cada uma.
 
"Em muitos sentidos, ´Lost Girls´ é mais eloqüente do que os outros livros que fiz", disse o escritor em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo" no fim de agosto. "Ele é tanto pró-sexualidade e liberdade de expressão quanto fortemente antiguerra. Fala das maravilhas da imaginação sexual e também retrata a guerra como a ausência absoluta e fracasso da imaginação. A imaginação é algo que cria arte e beleza. A guerra destrói a arte e a beleza".
 
Não é a primeira vez que o premiado Moore remexe a vida de figuras literárias consagradas. Na série "A Liga Extraordinária", os protagonistas são personagens de clássicos ingleses, como o Homem-Invisível, Capitão Nemo, O Médico e o Monstro. Todos são convocados para trabalhar para a Rainha.
 
Moore começou a escrever na Inglaterra, mas fez fama nos Estados Unidos. É dele alguns dos principais trabalhos da DC Comics nos anos 80, entre eles as minisséries "Watchmen" e "V de Vingança" (que recentemente virou filme e motivou uma nova briga entre Moore e a DC). A Panini anunciou que vai publicar, ainda neste semestre, uma edição única com as (poucas) histórias de super-heróis escritas por Moore. Uma delas é a famosa "A Piada Mortal", de Batman, em que Batgirl leva um tiro do Coringa e fica paralítica.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h15
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CALVIN E HAROLDO

TIRAS VÃO SER EDITADAS NOVAMENTE NO BRASIL

As tiras de Calvin e Haroldo vão ser editadas novamente no Brasil. A Conrad confirmou ontem que adquiriu os direitos de publicação dos personagens, criados em 1985 por Bill Watterson. Os álbuns devem sair no ano que vem.

As histórias já haviam sido publicadas no Brasil pelas editoras Best News e Cedibra (responsável pela primeira coletânea, "Calvin e Haroldo", de 1987). O material, hoje, é item de colecionador e é muito raro de ser encontrado, mesmo em sebos. Ao todo, foram cerca de 15 volumes, com toda a trajetória da dupla.

A tira conta a história de Calvin, um menino questionador e sapeca. Seu melhor amigo é Haroldo (Hobbes, no original), um tigre de pelúcia que só ganha vida quando está perto de Calvin. É só aparecer um adulto -os pais, por exemplo- e ele volta a ser um boneco de pano (o que indica ser uma espécie de amigo imaginário). As maiores tiradas de humor vêm da relação e dos diálogos travados entre os dois.

Já não existem tiras inéditas de Calvin e Haroldo. Watterson deixou de produzir as histórias há dez anos, no auge da popularidade. Considerou estar perdendo o controle sobre suas criações. Mesmo assim, as tiras não deixaram de sair, tanto aqui como nos Estados Unidos. O "Estado de S. Paulo" é um dos jornais que ainda publicam o material com o rótulo "O melhor de Calvin".

Apesar da vida curta, dez anos apenas, a tira conseguiu se tornar um dos maiores clássicos do gênero.

Há um site muito bom com tiras de Calvin e Haroldo. Chama-se "Depósito do Calvin". Vale a pena conhecer. O endereço é http://depositodocalvin.blogspot.com/

Escrito por PAULO RAMOS às 08h02
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09/10/2006

RADICCI & MUIRAQUITÃ

DOIS LANÇAMENTOS MOSTRAM REGIONALISMO BRASILEIRO

Duas edições, que começam a ser vendidas nesta semana, colocam o regionalismo brasileiro em voga, cada uma a seu jeito.

"Radicci 6" (L&PM, R$ 9) traz mais uma coletânea de tiras do personagem, publicadas nos jornais do sul do país. Radicci, criação de Iotti, é o oposto do estereótipo do colono italiano que vive na região. Subverte todas as qualidades que fizeram dos colonos um povo trabalhor: é beberrão, folgado, machão. Evidentemente, o humor vem daí. Vale ficar de olho também nos balões, que também refletem o regionalismo. A fala de Radicci mistura termos do sul do país com o jeitão italiano de se expressar. 

O lançamento segue a política editorial da L&PM aumentar os títulos de quadrinhos. Só neste semestre, já publicou "Piratas do Tietê", "O Pato" e "Geraldão" (ver postagem do dia 30 de agosto).
 
Do sul para o norte. O outro lançamento mostra uma aventura com raízes na região da Amazônia. "Muiraquitã" (Marca de Fantasia, R$ 22, valor que inclui o frete) é um amuleto indígena, descoberto por um biólogo chamado Miguel Andrade. O artefato se funde ao corpo dele (parecido com o que ocorre em "Incal", de Jodorowsky e Moebius). A partir daí, passa (ou passam) a se envolver com figuras do folclore brasileiro, como o saci-pererê, lobisomens e curupiras.
 
A história é escrita por Wellington Srbek, que recentemente lançou o livro "Quadrinhos e Outros Bichos". "Muiraquitã" é para comemorar os 20 anos de envolvimento dele com os quadrinhos. Os desenhos são de Laz Muniz. O álbum só pode ser comprado no site da editora: http://www.marcadefantasia.com.br/

Escrito por PAULO RAMOS às 11h23
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08/10/2006

GOON, O CASCA-GROSSA

SÉRIE MISTURA AÇÃO COM HUMOR POLITICAMENTE INCORRETO

De quando em quando surge um lançamento que ninguém esperava. É o caso de "Goon – O Casca-Grossa", que aterrissou nas bancas na última sexta-feira (Mythos, R$ 38,90). O álbum compila as primeiras histórias da série, escrita e desenhada por Eric Powell. O título é uma boa surpresa, embora desconhecido da maioria dos leitores brasileiros.

A série foi publicada pela Dark Horse. Nos EUA, agradou. Venceu três prêmios Eisner (espécie de Oscar do quadrinho norte-americano), entre eles o de melhor publicação de humor e título regular (em 2005). A premiação é a aposta para chamar a atenção do leitor. Não fosse assim, a Mythos não teria colocado o assunto na capa do álbum. Dizer que uma obra ganhou um Eisner é sempre um rótulo interessante, principalmente como estratégia de marketing. Mas não quer dizer que o título seja necessariamente bom. Felizmente, não é a situação de Goon. Merece leitura. Apesar do Eisner.

A série conta a história de Goon, que desde a infância se passa por cobrador e executor do principal criminoso da região, Labrazio. O que ninguém sabe –ou demora a saber- é que Goon havia matado o vilão. O casca-grossa cresce e se torna referência no "pedaço", sendo respeitado por criminosos e moradores. Vira um defensor local. Só isso, claro, não foi suficiente para fazer da série um sucesso. A atração está na esquisita e improvável mistura de elementos criados por Powell.

Imagine articular, numa mesma história, as seguintes características: trechos de publicidade, referências à cultura pop (há um Rod Serling, da série "Além da imaginação", falando palavrões na abertura do que seria um dos episódios), orangotangos que se desintegram diante dos olhos(!!), caça a zumbis (que já fazem parte do cenário da região), convivência com uma aranha de chapéu e chegada num boteco, monstros pequenos, monstros grandes, um robô gigante e um cientista louco e amarelo (que ora é do bem, ora do mal), que tenta salvar a humanidade do déficit habitacional transformando todos os seres em anfíbios (tornando o mar a morada da humanidade). Goon é isso (tirando o lado non-sense, lembra muito o que Alan Moore fez na série "Tom Strong", é só comparar).

O humor permeia a articulação dos esses elementos. A Mythos pede, na contracapa do álbum, que o leitor separe uma caixa de lenços porque não vai parar de tanto rir durante a leitura da obra. Exagero. O lado cômico é de outra ordem, mas está mais próximo de um sarcasmo ácido, que detona qualquer rótulo do "politicamente incorreto". O escritor-desenhista tem uma fixação no deboche a pessoas "excluídas" (idosos, deficientes etc.). Num dos trechos, os pais levam a filha para adotar um imbecil. A garotinha trata a pessoa com deficiência mental como se fosse um brinquedo.

Um dos focos cômicos é o personagem Franky, parceiro de Goon. É o típico machão folgado, sempre cutucando as mulheres com frases das mais impertinentes (veja imagem abaixo). Nunca consegue nada com elas, evidentemente. O que só reforça o humor.

Franky, Goon e a maioria das figuras da série são desenhados de forma caricata. É um recurso antigo, usado nos anos 40 por Will Eisner em "Spirit" e retomado agora por Powell. É de Eisner que parece vir parte da inspiração para a elaboração das histórias do casca-grossa. Assim como em Spirit, cada capítulo tem uma abertura diferente, mas não só com desenhos em quadrinhos. Uma usa o recurso da fotonovela, outra, uma publicidade. O que só reforça a característica-mor da série, a articulação de elementos diametralmente diferentes.

Há um pouco de Will Eisner em Goon. Um pouco. Goon é bem mais violento e politicamente incorreto do qualquer coisa que o criador de Spirit pudesse ter imaginado. Vencer o prêmio Eisner é outra ironia da série.

Escrito por PAULO RAMOS às 17h00
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07/10/2006

FOLHINHA

SUPLEMENTO INFANTIL FAZ CONCURSO DE QUADRINHOS

Merece registro a iniciativa da "Folhinha", suplemento infantil do jornal "Folha de S.Paulo". O caderno promoveu um concurso chamado "Faça você mesmo a Folhinha". Os vencedores teriam os trabalhos publicados numa edição feita só por crianças.

A edição especial foi publicada hoje. Houve 1694 inscrições para diversas áreas (miniconto, reportagem, brinquedo, entre outras). O desenho ao lado é a vencedora da categoria história em quadrinhos. O autor é Artur Guimarães Dias D´Oliveira, de 13 anos. Ele mora em Mogi das Cruzes e concorreu com outros 140 trabalhos. Tive a oportunidade de participar do júri de seleção. Havia quadrinhos muito bons.

É raro ver na grande imprensa uma iniciativa de incentivo à produção de quadrinhos, ainda mais para crianças.

Um dado ruim e preocupante, conseqüência dos tempos modernos: não houve selecionados para os quadros Piadas e O que o que é. Motivo: segundo a organização, todos os inscritos copiaram o material da internet. Que o bom trabalho dos vencedores sirva de exemplo.

Escrito por PAULO RAMOS às 14h01
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06/10/2006

JÔ OLIVEIRA

DESENHISTA FALA SOBRE A CARREIRA NA REVISTA TOP! TOP!

A edição de outubro da revista "Top! Top!" (Marca de Fantasia, R$ 6) traz uma longa entrevista com o desenhista e ilustrador brasileiro Jô Oliveira. Ele conta detalhes da carreira, da experiência na Europa e, claro, de quadrinhos, uma paixão que começou quando ainda era criança.
 
Dois temas parecem dominar a produção do artista pernambucano: a cultura do brasileiro (como em "A Guerra do Reino Divino") e a história do país ("Hans Staden - Um Aventureiro no Novo Mundo"). O próximo projeto, curiosamente, não é daqui. Quer adaptar contos infantis dos Irmãos Grimm, de Perrault e de Christian Andersen. Falta só uma coisa para virar livro. "Falta editora", diz.
 
Parte da entrevista pode ser lida no site da editora Marca de Fantasia (a obra pode ser comprada pelo site; o endereço está no fim da postagem). O Blog dos Quadrinhos reproduziu um dos depoimentos do desenhista, nascido em 1944. Ele justifica o interesse pela cultura brasileira, fala da dificuldade de publicar no Brasil e faz uma leitura muito singular da produção nacional.
 
"Eu sempre tive um grande interesse pela cultura popular. Passei meus primeiros 15 anos de vida no Nordeste e isso foi muito marcante para mim. Não só o cordel, mas também os festejos populares, os brinquedos, tudo era ligado a manifestações culturais, populares e folclóricas. Quando eu ainda era bem criança, na Ilha de Itamaracá, lembro que participava do Bumba meu boi. Quando tive acesso aos quadrinhos, no Rio de Janeiro, vi que lhes faltava alguma coisa; eu não queria ser apenas um repetidor do estilo americano, do estilo de fulano ou cicrano. Eu me dei conta que o interessante era me voltar às raízes, a tudo aquilo que me influenciou quando eu era criança, inserindo-o nesse meio de comunicação de massa. Foi isso o que fiz. Eu tentei publicar aqui no Brasil, no Rio de Janeiro, antes de viajar, mas não tive nenhum sucesso, nenhuma editora se interessou por isso. Meu propósito, então, foi primeiro fazer desenho animado baseado em literatura de cordel, o que também não foi possível, porque desenho animado era muito caro na época.
 
Quando eu fui estudar na Hungria eu vi que eles davam muito valor a sua cultura popular, então eu fiz umas gravuras em linóleo, que é muito semelhante à gravura em madeira, e senti que os professores gostaram. Então pensei que poderia transformar isso em quadrinhos. Quando apareceu uma oportunidade de viajar para o Festival Internacional de Quadrinhos de Lucca, que na época era um dos maiores do mundo, eu levei um storyboard que fiz para um desenho animado e mais essas gravuras. Assim conheci editores que se interessaram por meu trabalho e sugeriram que eu transformasse o storyboard em quadrinhos. No Brasil há uma tendência de se copiar os quadrinhos de fora, quando se tem uma riqueza gráfica e um vasto universo imaginário que são desprezados. Você vai na contracorrente, utilizando a estética do cordel, da xilogravura em seus quadrinhos.
 
Acho que o problema é o desconhecimento dos jovens. A história que se estuda na escola é muito chata, cheia de nomes, de datas, contada pela classe dominante, pelos vencedores. Os jovens não têm acesso aos pontos de vista divergentes dos acontecimentos históricos, então essa falta de interesse faz com que a pessoa seja ignorante e influenciado pelo que vem de fora. A cultura de massa, principalmente a norte-americana, entra com muita força no país através da televisão, do cinema, dos quadrinhos, o que leva o jovem a não percebe a riqueza de nossa história.
 
Temos um país com muita diversidade, muita divergência, muitos conflitos, e esse desconhecimento faz com que a pessoa se apaixone pela forma do que vem de fora. O Brasil é um país que não tem escolas de quadrinhos, tem pouquíssimas escolas de arte e ainda por cima essas escolas, hoje na Universidade, desdenham o desenho; então a tendência do jovem é seguir um modelo que aparentemente é aceito por todo mundo. Ele entra nessa corrente, de ser mais um desenhista repetidor de um sistema; alguns dão certo.
 
Deodato Filho, por exemplo, que é um tremendo talento, é uma pessoa que nasceu aqui, mas a cabeça está nos Estados Unidos. Não estou falando como crítica. Eu gosto de Deodato, o trabalho dele é excepcional. Só não entendo a pessoa não se dar conta da riqueza cultural de seu país, não ter ânsia de transportar isso para seu trabalho. Eu sei também que meu trabalho é quase nulo, eu não poderia fazer uma revista mensal sobre essa temática, porque aqui no Brasil os quadrinhos só vendem quando tem a televisão por trás, ou quando tem um grande esquema de merchandising que sustenta o trabalho, como ocorre com Maurício de Sousa.
 
O que percebo nos jovens que freqüentam a Gibiteca Henfil, em João Pessoa, é que eles tentam copiar os quadrinhos norte-americanos porque não têm uma sólida formação cultural, mas também porque acham que só assim é possível entrar no mercado. Dessa forma, o que acontece é a imposição do mercado, determinando um estilo. Deodato fala que quando for muito famoso vai tentar publicar os quadrinhos que gosta, com traço personalizado e não o que ele faz para os super-heróis."
 
Leia mais no site da Marca de Fantasia. Clique aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h44
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04/10/2006

MORTE

ÁLBUM REÚNE HISTÓRIAS DA PERSONAGEM DE NEIL GAIMAN

A Morte chegou. É um lançamento de Morte. Mais uma Morte nas bancas, livrarias e lojas especializadas em quadrinhos. É a Morte completa. Há vários trocadilhos tentadores sobre o lançamento do álbum “Morte” (Conrad, R$ 60), que começa a ser vendido oficialmente hoje (oficialmente porque houve um lançamento na última segunda-feira em São Paulo). A edição reúne tudo o que saiu sobre a personagem fora dos arcos de Sandman (ela integra o rol de perpétuos da obra de Neil Gaiman).

 

Os trocadilhos são quase inevitáveis. Todo texto sobre a personagem bate na tecla de que “a morte nunca foi tão bela”.  Será mesmo? Checagem rápida no acervo de imagens Google. Morte. Clique. Primeira tela: 20 imagens. A inicial: um homem nu, ensangüentando numa cama. Há outros cadáveres no rol de fotografias. Entre os desenhos, imagens de violência, uma caveira e o tradicional estereótipo de uma pessoa com uma foice com a cabeça coberta. Resumo: a Morte, de Neil Gaiman, nunca foi tão bela. Pelo menos segundo o Google.

 

A sacada de Gaiman (mais uma) foi ignorar os rótulos lidos no parágrafo anterior e reproduzidos com fartura nos sites de busca. Por que a morte deveria ser algo ruim, conduzido por um arauto do apocalipse? Por que não poderia ser uma figura dócil, amiga, que teria a função de tornar a passagem para um outro plano algo sutil e natural. Talvez não seja sutil, mas é inevitavelmente natural.

 

A idéia funcionou, como já havia dado certo também com Sandman, série onde a Morte (agora, a personagem) fez suas primeiras aparições. Sandman nada mais é do que a encarnação do sonho, algo etéreo, abstrato, imaginário. Mais do que isso. É uma encarnação moderna, com ar sofisticado e charmoso. Virou cult. Assim como a Morte.

 

O lado cult dos dois perpétuos é o que justifica a reedição do material, tanto de Sandman quanto de Morte. As criações juntam duas características altamente desejáveis para um editor: é um produto aceito e elogiado pela crítica (apesar de ser quadrinhos), escrito por um nome de prestígio (Gaiman). Virou a nova galinha dos ovos de ouro da Conrad, que cresceu com mangás como Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco.

 

Este álbum de Morte (não foi trocadilho, embora pareça) mostra as duas minisséries da personagem: “Morte” e “Morte – O Grande Momento da Vida”. Saíram no Brasil, respectivamente, em 1994 (pela editora Globo, a primeira a publicar Sandman no Brasil) e 1997 (curiosamente pela Abril, que, até então, não mantinha nenhuma relação editorial com os Perpétuos). Das duas minis, a primeira se destaca pelo tom peculiar do enredo. A personagem tem de viver com os humanos para entender melhor o papel da morte.

 

Na verdade, fazer Morte viver é outra subversão das características da personagem, assim como o fazem os trocadilhos. Gaiman sabe trabalhar essa idéia. E muito bem. O melhor exemplo é a história curta, de sete páginas, que o álbum também apresenta (imagem ao lado). É o ponto alto da edição. Morte ensina como usar uma camisinha. “A vida... e creio que não sou a primeira a fazer esta comparação... é uma doença: sexualmente transmissível e invarialvelmente fatal”, diz a personagem, nas palavras escritas por Gaiman. O curioso –e, ao mesmo tempo, inusitado- é saber que a Morte é a autora dos conselhos, cheios de vida.

 

Gaiman não imaginou um Perpétuo chamado Vida. Nem teria sentido. Falar da morte, ou da Morte, é fazer uma alusão à vida. Após fechar o álbum, mesmo para quem já leu as antigas minisséries, fica aquela sensação de carpe diem, de aproveitar ao máximo cada momento. Ler a Morte fomenta o desejo de adiar o inevitável encontro com a morte.

Escrito por PAULO RAMOS às 10h35
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03/10/2006

MEMÓRIA VIVA

SITE VAI MOSTRAR PRIMEIRAS EDIÇÕES DE REVISTAS NACIONAIS

Só um clique. E a tela do computador mostra um banco de dados sobre as revistas que fizeram a história do país. Idéia ambiciosa, que só saiu do papel (literalmente, neste caso) graças ao trabalho do jornalista Sandro Fortunato, criador do  Memória Viva. O site já tem material sobre "O Malho" (com o chargista J.Carlos), "O Careta" (revistas de humor do começo do século) e "O Cruzeiro" (com o Amigo da Onça, de Péricles). Até o fim de outubro, deve ter uma nova seção: Área Nº 1, só com capas de primeiras edições.
 
"A Área Nº 1 pretende apresentar as edições na íntegra", diz Sandro. "Mas isso só acontecerá com publicações muito antigas ou que tenham a autorização dos seus editores e colaboradores. Na impossibilidade disso acontecer, isto é, de ter uma determinada revista completa, vou apresentar apenas a capa, um breve histórico e o que for liberado para ilustrar a edição. De certo, a Área Nº 1 será inaugurada com a Revistra Illustrada, de Angelo Agostini, lançada em janeiro de 1876 (veja na imagem ao lado)".
 
O objetivo é estimular a pesquisa e centralizar informações que, hoje, estão esparsas. O site surgiu no início da internet e só tem crescido desde então (como o Blog dos Quadrinhos noticiou na postagem do dia 29 de agosto). Muito por causa do espítito irriquieto do mantenedor. É Sandro Fortunato que  monta a página, os textos, os links, a configuração gráfica e paga a necessária compra das obras raras. "Quem banca absolutamente tudo no site sou eu", diz. "Além de ter uma EUquipe maravilhosa, tenho um fidelíssimo Sandrocinador", brinca.
 
Sandro não pára num só lugar. A migração começou cedo. Nasceu no Rio de Janeiro. "Aos 14, fui traficado para Natal; aos 29, pedi asilo em Brasília", diz. Duas vezes por ano, fica umas três semanas fora de casa. Faz um périplo por sebos de diferentes cidades em diferentes estados.
 
Este começo de mês é uma dessas datas reservadas para se hospedar nos sebos. Hoje, está em São Paulo. Fica até o dia 10. Depois, vai para o Rio de Janeiro, volta para São Paulo, vai para Londrina, Campinas, São Paulo de novo, retorno a Brasília. Em cada um dos sebos, tem paciência para procurar as edições uma a uma, exemplar por exemplar. Diz que é um dos segredos para encontrar bons negócios. Há outro: combinar o desinteresse do vendedor com o interesse do comprador.
 
"Vou catando, garimpando, negociando e, na maioria das vezes, ficando só na vontade mesmo. Mas antes de ser colecionador, sou jornalista e pesquisador. Quando acho algo que me interessa e não posso adquiri, quase invariavelmente eu dou um jeito dfe reproduzir o material. Um exemplo: tenho pouco mais de cem edições de ´O Cruzeiro', mas tenho outras 150 digitalizadas", diz.
 
A novidade é que, neste ano, começou a receber doações de "boas almas", como diz. "Se alguém quiser doar um apartamento, estou aceitando também. Estou começando a ter problemas de espaço". Parte do material fica em Brasília, onde mora. Lá, tem umas cinco mil edições. Mas há outras partes, uma em Natal e outra na casa dos sogros, em Campina Grande.
 
Sandro se define um jornalista por formação, historiador por paixão, filósofo por diletantismo. A bagagem de informação que carrega sempre surpreende as pessoas. Parece ter bem mais do que aparenta. "Tenho 34 anos, segundo o RG, mais de 60, segundo quem imagina o "editor do Memória Viva" ou fala comigo ao telefone, no máximo uns 16 de idade mental", brinca Sandro, que tem muitos planos para o site. Um deles é criar um sistema de busca exclusivo para as edições do Pasquim, algo como um índex de informações.
 
Merece visita. O endereço do Memória Viva é http://www.memoriaviva.com.br/ 

Escrito por PAULO RAMOS às 09h51
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