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27/09/2006
FORA DE BONEVILLE
BONE VOLTA A SER EDITADO NO BRASIL (EM VERSÃO COLORIDA)
A Devir vai publicar a série Bone no Brasil. O primeiro volume deve ser lançado em novembro ("Bone - Fora de Boneville"; capa ao lado) e conta a história dos personagens desde o início. A editora vai usar uma reedição do material, feita em cores (a primeira versão saiu em preto-e-branco). Os álbuns terão 144 páginas e sairão num formato um pouco menor do que o original norte-americano (16,5 cm por 22,8 cm). A informação é divulgada em primeira mão pelo Blog dos Quadrinhos.
As edições foram feitas em sistema de parceria com diferentes países. O trabalho de co-impressão foi centralizado na Alemanha pela empresa Tokyo Pop. "O primeiro volume já foi impresso e está a caminho do Brasil", diz o editor da obra no Brasil, Leandro Luigi Del Manto. "Já estamos em fase de pré-impressão do segundo volume".
"Os dois primeiros volumes serão lançados com um intervalo de tempo menor, mas nosso cronograma prevê que sejam lançados novos volumes de quatro em quatro meses. Assim, o último volume está previsto para ser lançado em maio de 2009", conta Del Manto. Ao todo, serão nove volumes. A lombada de todas as edições, quando reunidas lado a lado, formam a figura que abre esta postagem.
Bone foi criado em 1991 pelo norte-americano Jeff Smith. A série conta a história dos primos Bone (sensível, corajoso e fã de Moby Dick), Phoney Bone (ranzina e cheio de planos infalíveis) e Smiley Bone (bonachão e sempre bem-humorado), que se perderam na hora de voltar a Boneville, cidade onde moram. As aventuras deles agregam outros coadjuvantes (como um enigmático dragão), muito mistério, tramas pessoais e ação. É um caso raro nos quadrinhos. Bone consegue agradar tanto adultos quanto crianças.
A premiada série encerrou no número 55 (de junho de 2004, ainda inédito por aqui). Foi uma opção de Smith. Desde então, as aventuras vêm sendo reeditadas, ora na edição colorida que agora chega ao Brasil, ora num volume único, recém-lançado nos Estados Unidos.
Parte da série já saiu no Brasil pela editora Via Lettera. Foram nove álbuns. O primeiro foi lançado em dezembro de 1998 ("Fora de Boneville"). O último, em dezembro de 2004 ("Rojão - O senhor da fronteira oriental"). O Blog dos Quadrinhos procurou a editora para saber se haverá novos álbuns. A assessoria de imprensa respondeu que a Via Lettera pretende lançar mais dois volumes de Bone ainda neste ano, mas sem data certa. "Falta acertar alguns detalhes com os editores americanos". Não há informação se o acordo feito pela Devir anula o da Via Lettera.
Veja na postagem abaixo uma prévia exclusiva da versão em cores de Bone, editada pela Devir.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h25
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PRÉVIA EXCLUSIVA - BONE EM CORES




Escrito por PAULO RAMOS às 23h24
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26/09/2006
OS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA PELO OLHAR DO CHARGISTA - III
HELOÍSA HELENA
O Blog dos Quadrinhos ouviu a opinião de quatro chargistas sobre os candidatos à Presidência da República. Nesta postagem, Cláudio, Dacosta e Paulo e Chico Caruso falam sobre Heloísa Helena, do PSOL. As opiniões sobre Lula e Geraldo Alckmin estão nas duas últimas postagens.
Chico Caruso
A mal-amada da Albânia.
Cláudio
A Heloísa Helena ponho copm cara de alucinada. A propostas de extrema-esquerda, do tipo rever privatizações, são bem irrealistas.
Dacosta
Ela parece militante da Libelu, parece profeta dos filmes do Glauber Rocha ("Deus e o Diabo...")... será que ela tem coleção de camisas?
Paulo Caruso
É a Branca de Neve da Era Dunga.
Escrito por PAULO RAMOS às 10h04
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25/09/2006
OS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA PELO OLHAR DO CHARGISTA - II
GERALDO ALCKMIN
O Blog dos Quadrinhos perguntou para quatro chargistas como eles vêem os atuais candidatos à Presidência. As respostas foram sobre os três primeiros colocados. As opiniões sobre Lula estão na postagem de ontem (24.09).
Veja agora qual a leitura de Dacosta, Cláudio e dos irmãos Paulo e Chico Caruso sobre Geraldo Alckmin, do PSDB:
Chico Caruso
É um anestesista que virou anestesia.
Cláudio
O Alckmin eu faço com cara de bundinha. Meio elitista, com aquela história de "choque de gestão". O PSDB não se afirmou como partido do social.
Dacosta
Como diz o Jaguar (o velho cartunista), ele tem boca de rico e só governa pra rico. Será que ele come buchada?
Paulo Caruso
Me parece o Pinóquio. O nariz para o cartunista é um paraíso.
Na postagem acima, as opiniões sobre Heloísa Helena, candidata do PSOL.
Escrito por PAULO RAMOS às 17h08
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24/09/2006
OS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA PELO OLHAR DO CHARGISTA - I
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
O chargista ganha a vida transformando em imagem o dia-a-dia e a personalidade das figuras políticas. Não há ninguém melhor do que ele para entender e descrever os atuais candidatos à Presidência da República.
O Blog dos Quadrinhos ouviu as opiniões de quatro chargistas: Cláudio (do jornal "Agora"), Dacosta (autor da melhor charge no Salão Internacional de Humor de Piracicaba deste ano) e os irmãos Paulo ("Jornal do Brasil" e TV Cultura) e Chico Caruso ("O Globo" e TV Globo). A pergunta foi a mesma para todos: qual a leitura que você faz dos candidatos à Presidência? As respostas foram sobre os três primeiros colocados, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Heloísa Helena (PSOL).
A leitura deles começa a ser publicada hoje no Blog dos Quadrinhos, numa série de três postagens. A primeira é sobre o presidente Lula. Veja o que os quatro chargistas disseram:
Chico Caruso
Lula é o Fidel Castro de uma camarilha de sindicalistas bancários da maior estupidez, como se pôde ver agora nesses recentes episódios do dossiê Vedoin.
Cláudio
Eu costumo desenhar Lula meio cara de bundão. Ele não peitou os interesses estabelecidos e não mudou o modelo econômico. Deslumbrou-se com as delícias do poder.
Dacosta
Simão no deserto, quer acabar com a pobreza no mundo e aqui na terra dos tapuias... será que consegue?
Paulo Caruso
Vejo o cenário político atual como o filme do Shrek, onde o ogro abominável parece um padrão de beleza indiscutível. Nesse cenário, o Lula parece o Gato de Botas.
Na postagem acima, as opiniões sobre Geraldo Alckmin.
Crédito: a charge acima é de autoria de Paulo Caruso.
Escrito por PAULO RAMOS às 21h06
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22/09/2006
QUAL ÁLBUM LER?
ASTERIX E OS VIKINGS ou ASTERIX E OS NORMANDOS?
Estréia hoje nos cinemas "Asterix e os Vikings", nova animação sobre os personagens criados por René Goscinny e Albert Uderzo. O longa-metragem criou uma relação curiosa. O filme gerou um álbum que conta a história do próprio filme (capa ao lado). E ambos se basearam na aventura "Asterix e os Normandos", lançada no Brasil em 1985.
No álbum, o adolescente Calhambix chega à Gália e tem de se tornar um grande guerreiro. O problema é que morre de medo de entrar numa briga. Cabe a Asterix e Obelix, o fiel parceiro do pequeno herói gaulês, a tarefa de treinar o rapaz. De maneiras diferentes, a mesma história é contada três vezes. Vale a pena acompanhar tantas vezes a mesma aventura?
Primeiro, o longa-metragem. Ele foi anunciado como a animação mais cara já produzida na Europa. Custou U$ 30 milhões de dólares e envolveu desenhistas de várias países, inclusive o Brasil. A elaboração do filme teve a participação da Academia de Animação, empresa criada pelo casal Marcelo de Moura e Jean de Moura. A dupla contratou 20 estagiários para ajudar no serviço.
O resultado do investimento e, por que não, da experiência de Marcelo de Moura, deram um ar de megaanimação Disney aos heróis europeus. Moura já teve passagem pelos estúdios Disney e Warner, o que justifica a impressão. Como animação, é bem feita.
Mas o fã de Asterix terá dois estranhamentos. Primeiro estranhamento: há mais emoção no relacionamento entre os personagens. Parte do humor e dos diálogos inteligentes dos quadrinhos se perde na telona. Segundo estranhamento: a dublagem em português é feita por integrantes do programa Pânico na TV. Asterix, Obelix, Calhambix e Abba (garota viking por quem Calhambix se apaixona) ganharam as vozes de Vesgo, Ceará, Mendigo e Sabrina Satto. Em São Paulo, a maioria das salas exibe a versão dublada.
O álbum "Asterix e os Vikings - O Álbum do Filme" (Record, R$ 23,90) mostra tudo o que ocorre no filme. Mistura um longo texto com cenas da animação. A obra chegou às livrarias há algumas semanas e é a mais recente publicação de Asterix no Brasil (já saíram quase 40 aventuras por aqui). É o filme em formato de livro. É mais para os fãs que compram tudo o que sai sobre o personagem.
Se é para gastar R$ 23,90, talvez seja melhor ir direto à fonte, "Asterix e os Normandos" (capa ao lado, também pela Record), que mostra a aventura que inspirou o longa-metragem. A primeira edição do álbum saiu no Brasil em 1985 e também custa R$ 23, 90. Ainda é possível encontrar algum exemplar perdido nas seções de quadrinhos das grandes livrarias. Ou então nos sebos, que costumam vender edições de Asterix pela metade do preço. Se o vendedor pedir mais do que R$ 12, pechinche que sai mais barato.
Resumo da ópera: das três versões da aventura de Asterix, a original ainda é a melhor.
Escrito por PAULO RAMOS às 09h02
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20/09/2006
CARLOS LATUFF
DESENHISTA BRASILEIRO RECEBE AMEAÇA DO LIKUD
"Ele é um dos que mais odeiam Israel. Ele é o cabeça de uma das maiores indústrias de propaganda e incitamento contra Israel. Ele destila veneno por toda parte. O dano que ele está fazendo a Israel, junto à juventude mundial, é enorme."
"Ele odeia a América e Israel. Seus cartuns mostram os israelenses e seus líderes como demônios. Ele envia mísseis de ódio não menos potentes que aqueles que o Irã está desenvolvendo e faz parte de gigantesca indústria genocida, cuja missão é a destruição do Estado judeu."
O "ele" das frases acima tem nome: é o brasileiro Carlos Latuff, de 36 anos. O desenhista carioca é o autor de várias charges contra a ocupação de Israel no território palestino. A ilustração que parece ter criado toda a polêmica é esta, reproduzida ao lado. Tio Sam (= Estados Unidos) aplaude um militar que segura uma bomba com os dizeres "From Israel with Love (De Israel com amor). O alvo são crianças libanesas da cidade de Qana, a quem Latuff dedica a arte ("in loving memory").
O manifesto contra o desenhista rotula esse e outros trabalhos dele de "cartuns satânicos". E conclama os simpatizantes a se unirem contra o artista brasileiro. O texto circulou pela primeira vez num site israelense e teria sido assinado por um militante do partido conservador de direita Likud, ligado a Israel. "Nada de novo no front", diz Latuff ao Blog dos Quadrinhos, numa de suas raras entrevistas. "Essas ameaças vem sempre dos mesmos segmentos conservadores e direitistas. Não poderia ser diferente, já que estou pisando nos calos deles."
A Embaixada de Israel comentou o caso. A nota foi reproduzida esta semana pelo site Comunique-se, voltado a notícias sobre a mídia. É assinada por Raphael Singer, primeiro-secretário da Embaixada. No texto, ele afirma que o país respeita a liberdade de expressão e que é aberto a críticas. Lamenta os desenhos e os compara "aos do sistema de propaganda nazista". E acrescenta: "Da mesma forma que o sr. Latuff tem o direito de se expressar, também tem esse mesmo direito o site do Likud".
"Mas é claro que IsraHell (sic.) não poderia responder de forma diferente", rebate Latuff. "Agora imagine se a mesma declaração tivesse sido feita numa página relacionada a um partido árabe/muçulmano, referindo-se a um cartunista judeu. Será que a Embaixada de IsraHell (sic., de novo) teria a mesma opinião sobre liberdade de expressão?"
Carlos Latuff não se define como um ativista, mas sim um "artivista". Começou a desenhar na imprensa sindical em 1990. Em 1997, descobriu o movimento Zapatista de Chiapas, para quem produziu ilustrações livres de direitos autorais. Desde então, tem abraçado causas semelhantes e difundido seus desenhos pela internet. São vários os sites que reproduzem os trabalhos que faz.
"Essa ´rede´ se criou espontaneamente a partir do momento em que comecei a espalhar esses desenhos pela internet. Dado o seu conteúdo e o fato de serem livres de impedimentos autorais, surgiu rapidamente um fluxo, um tráfico de imagens por todo o planeta", conta o desenhista, que tem como um dos alvos a atuação norte-americana no Iraque (veja a imagem ao lado e também a da próxima postagem).
As ameaças, diz Latuff, não inibem a produção de novos trabalhos. "Não muda nada no que eu faço e penso. Continuarei colocando meu trabalho a serviço da causa palestina, pelo fim da ocupação de territórios palestinos e em favor de um Estado palestino independente."
Veja na postagem abaixo alguns links para conhecer o trabalho de Latuff.
Escrito por PAULO RAMOS às 19h44
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LATUFF NA NET
DESENHISTA SELECIONA SITES COM MELHORES TRABALHOS
Carlos Latuff tem trabalhos espalhados por várias páginas da internet. O Blog dos Quadrinhos pediu a ele que indicasse quais os melhores sites. Os links estão a seguir:
Tradução aproximada da charge ao lado: "Você me deu seu filho, agora eu te dou uma bandeira... bastante justo, hein? (risos)"
Escrito por PAULO RAMOS às 19h42
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19/09/2006
MISMATCHES INÉDITO
LEIA AS ÚLTIMAS QUATRO TIRAS VENCEDORAS EM PIRACICABA
Existem só oito tiras de Mismatches, a vencedora do Salão Internacional de Humor de Piracicaba deste ano. O autor, o artista plástico Acácio Geraldo de Lima, fez apenas duas pranchas, com quatro tiras cada uma. Metade já foi publicada pelo Blog dos Quadrinhos (no dia 28 de agosto). É o mesmo material que foi reproduzido por outros sites. A seguir, estão as quatro tiras que faltavam. O material é inédito. Os originais estão expostos em Piracicaba ao lado dos demais trabalhos que participaram do salão de humor, o maior do país e um dos principais do mundo.
Acácio conversou com o Blog dos Quadrinhos sobre o processo de criação de Mismatches. Leia na postagem de ontem (18.09).
Escrito por PAULO RAMOS às 23h02
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17/09/2006
TULÍPIO
REVISTA DISTRIBUÍDA EM BARES DE SP CHEGA AO 2º NÚMERO

- O figurinha aí ao lado tá fazendo sinal de "paz e amor" ou é marketing gratuito do segundo número da revista?
- Marketing gratuito, não tenha dúvida disso.
- Do que se trata, se me permite a pergunta.
- É uma tal de "revista de boteco". Ou sobre a vida no boteco. A idéia é dos autores, Paulo Stocker e Eduardo Rodrigues. O Paulo desenha, o Eduardo escreve, o Tulípio protagoniza, todos bebem. O Edu diz que tem as idéias durante "visita" aos bares paulistanos. Surge a idéia, escreve num guardanapo.
- Os dois devem ser chegados num copo, hein? Já tá no segundo número!
- O Eduardo conta que tem mais de 800 guardanapos escritos...
- Eita! E tem gente que lê?
- O primeiro número teve 7.000 cópias. Esgotou. Nem eu consegui ler.
- E essa segunda edição?
- 8.000 cópias. A dupla quer chegar a 100 mil. A gente já conversou sobre isso no dia 8 de junho. É só conferir na postagem desse dia.
- E quem compra isso?
- Ninguém.
- Tá me tirando?
- Ninguém compra. Todo mundo recebe. É dada de graça em bares de São Paulo.
- Agora tenho certeza: tu tá tirando uma com a minha cara...
- É sério! É um acordo que eles fizeram com uma rede de bares de Sampa. Os bares exibem os cartuns num telão enquanto os dois distribuem as edições. Eles dizem que a aceitação é boa. Pelo menos quem pega um exemplar leva a sério.
- A bebida é de graça também?
- Não. Só a revista.
- Tava bom demais. E que bar que dá o Tulípio?
- Tem uma lista no site do Stocker.
- E você faria o favor de me dizer o endereço ou vai mendigar o link?
- Mais alguma coisa?
- Tipo?
- Tem mais alguma coisa legal da revista?
- Até que tem. Cada edição tem um desenhista convidado. No primeiro número, foi o Paulo Caruso. Neste segundo, é o Glauco. O desenho mostra o Geraldão levando o Tulípio pra casa. Hilário...
- Eta postagenzinha de bêbedo essa tua, hein?
- Mas captou direitinho o espírito do personagem.
Escrito por PAULO RAMOS às 10h00
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16/09/2006
MOSTRA EM SANTOS
EXPOSIÇÃO REÚNE 350 FANZINES DO BRASIL E DO EXTERIOR
Começa amanhã em Santos, no litoral de São Paulo, a Mostra Nacional de Fanzines e Publicações Independentes 2006. Segundo os organizadores, a proposta é "identificar e catalogar a produção nacional de histórias em quadrinhos". E também divulgar. 350 fanzines brasileiros e do exterior vão estar em exposição até o próximo dia 30.
Os organizadores prepararam também um catálogo com o material da mostra, a exemplo do que ocorre com os salões de humor. O catálogo será lançado neste domingo, às 17h. Os exemplares serão distribuídos a fanzineiros participantes e a gibitecas de todo o país. A exposição deve se repetir em 2007. Já é feita uma chamada de trabalhos para o ano que vem.
A mostra terá também uma série de palestras e oficinas. No dia 20, às 19h, Gazy Andraus (doutorando da USP e fanzineiro) participa de um bate-papo sobre o assunto. Ele ensina um jeito de fazer fanzine a um custo baixíssimo. Gazy participa também no dia 27 de uma mesa-redonda sobre produção de histórias em quadrinhos no Brasil. Estarão na mesa, além dele, Sônia Luyten (pesquisadora e autora de "Mangá, o Poder dos Quadrinhos Japoneses"), JAL (cartunista e criador do HQMix), Sidney Gusman (jornalista do UniversoHQ e da Wizard/Brasil), Roberto Miranda (do estúdio Prancheta.com) e Elza Keiko (editora de mangás da Panini). Também participo da mesa. Começa às 19h.
O evento confirma a importância do litoral paulista no processo de arquivamento de fanzines brasileiros. Muito por mérito do idealizador desta mostra, Fábio Tatsubô. Boa parte do que foi produzido no Brasil foi reunido por ele há alguns anos na Fanzinoteca de São Vicente, a segunda do mundo (a primeira é a Fanzinothèque de Poitiers, na França). O acervo, hoje, está a cargo de uma Associação de Artistas do Litoral.
No campo teórico, três livros abordaram o fenômeno: "Fanzine" (de Edgard Guimarães), "O Rebuliço Apaixonante dos Fanzines" e "A Nova Onda dos Fanzines" (ambos de Henrique Magalhães). As três edições são da Marca de Fantasia e só são encontradas no site da editora ( www.marcadefantasia.com.br).
SERVIÇO - Mostra Nacional de Fanzines e Publicações Independentes 2006. Quando: de 17 a 30 de setembro. Local: SESC/Santos. Endereço: rua Conselheiro Ribas, 136, bairro Aparecida, Santos (litoral de São Paulo). A programação completa pode ser lida no site http://musicaearte.com.br.
Escrito por PAULO RAMOS às 09h41
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13/09/2006
MUDANÇA À VISTA
PIXEL PODE EDITAR DC COMICS NO BRASIL EM 2007
A DC Comics pode trocar de editora no Brasil. Sairia da Panini e iria para a Pixel, que estreou no mercado nacional no começo do ano. Se concretizada, a transação começaria a valer em janeiro de 2007.
A notícia foi divulgada hoje pelo jornalista Sidney Gusman no site Universo HQ. A reportagem dá como certa a transação. O Blog dos Quadrinhos apurou que a negociação existe, mas que o acordo ainda não está cem por cento fechado. A editora Pixel informou que não vai comentar o assunto. Na Panini, ninguém foi encontrado na tarde desta quarta-feira.
Havia um boato no mercado de que a DC Comics iria mudar de casa no Brasil. A informação circula há uns três meses, mas nunca era confirmada. Um alto funcionário de uma das grandes editoras do mercado confirmou, na época, que tinha sido sondado por representantes da DC sobre uma possível transação. Mas, de concreto, nada.
Sabe-se que o valor pago à DC Comics não é baixo. Se a Pixel realmente adquirir os direitos autorais de Super-Homem, Batman e companhia, terá de desembolsar uma altíssima quantia. A editora norte-americana passa por uma de suas melhores fases, ancorada pelo megaevento "Crise Infinita". O prelúdio da saga é publicado atualmente pela Panini, que começou a editar material da DC no fim de 2002.
A Panini é uma multinacional italiana, que investe em quadrinhos no Brasil há cinco anos. Primeiro, conseguiu os direitos de publicação dos personagens Marvel. Depois, foi a vez da DC Comics. A estratégia "matou" a linha de super-heróis da editora Abril. A empresa, desde então, tem diversificado suas publicações. Hoje, edita mangás, material europeu e, a partir de janeiro do ano que vem, a Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.
A Pixel começou no início deste ano. Surgiu a partir da fusão de oduas editoras: Ediouro e Futuro Comunicação (que surgiu da separação dos sócios da Conrad; a Futuro é de André Forastieri). A Pixel tem se firmado com a publicação de álbuns, a um preço que não passa de R$ 35. Tem como público-alvo o leitor de poder aquisitivo mais alto. O carro-chefe tem sido o personagem italiano Corto Maltese.
Levar a DC seria a chance de a Pixel atingir outra fatia de mercado, o público adolescente, consumidor de histórias de super-heróis. A transação teria outro impacto no mercado: tiraria parte do "império" que a Panini começava a firmar no Brasil. E acirraria a disputa entre Marvel e DC, a exemplo do que ocorre há décadas no Estados Unidos.
Se confirmada a transação, janeiro de 2007 promete ser um mês muito interessante de se acompanhar.
Escrito por PAULO RAMOS às 17h36
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VAMPIRELLA
BRASILEIRO É FINALISTA EM CONCURSO NOS ESTADOS UNIDOS
Um desenhista de Campinas pode fechar um contrato para fazer a arte da personagem Vampirella nos Estados Unidos. O inusitado é que a escolha é feita por um concurso, o Talent Search, promovido pela editora da sensual vampira, a Harris Publications. A votação é feita pela internet.
O campineiro Marcelo Ferreira é um dos cinco finalistas. E lidera a disputa, com mais da metade dos votos. A página ao lado é uma das seis que ele enviou à editora. As outras podem ser vistas no site da personagem, onde também ocorre a votação. Lá estão os trabalhos dos outros concorrentes: Michela da Sacco, Pablo Verdugo Munoz, Eduardo Savid e Agnes Garbowska.
Para conhecer o trabalho dele- e votar-, é só acessar o endereço www.vampirella.com
Marcelo soube que era um dos finalistas no último dia 5. Ele diz que teve pouco mais de duas semanas para desenhar o roteiro de seis páginas exigido pela editora. Cumpriu o prazo à risca. "Santo FedEx", brinca. Ele conta que é fã de quadrinhos desde criança. Ser um dos finalistas do concurso, diz, "é como um sonho prestes a se tornar real".
Marcelo é desenhista profissional há seis anos, mas atua há oito no mercado. Deu aulas de desenho e tem trabalhos em livros infantis e sites. Um pouco do que faz pode ser visto no site do Eureka Studio, www.eurekastudio.com.br.
Vampirella já teve algumas histórias lançadas no Brasil, mas nunca fez muito sucesso por aqui. Nos Estados Unidos, tem um grupo fiel de fãs. A personagem é uma mistura de Drácula, anti-heróis (ou anti-heroínas) e quadrinhos sensuais italianos (características que a arte de Marcelo captou muito bem).
Escrito por PAULO RAMOS às 07h45
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MONSTER
SUSPENSE SE DESTACA ENTRE OS MANGÁS NO MERCADO
Continha rápida: quantos mangás são publicados por mês no Brasil? Só em setembro, estão programados 41 títulos. E as conversas de bastidor sugerem que vem muito mais por aí. É difícil ler todas as revistas. Por isso, vale a lei darwiniana mais básica, a da seleção natural. É preciso pinçar o que realmente vale a leitura. É o caso de "Monster" (Conrad, R$ 12). O terceiro número chega hoje às bancas (capa ao lado).
Há um bom jeito de medir se uma história é boa. Basta ver se ela deixa o leitor com vontade de ler o número seguinte. "Monster" consegue isso, muito por mérito de seu criador, Naoki Urasawa (tido como expert em suspense). O desenhista-escritor criou uma trama ambientada na Alemanha pré-queda do Muro de Berlim. O jovem médico Kenzo Tenma tem de enfrentar o dilema ético de atender os pacientes pela ordem de chegada ou pela importância social ou política. Prefere a primeira opção. Atende um menino ao invés do prefeito. O político morre e Tenma vê uma reviravolta em sua vida.
O menino salvo é o monstro que dá nome ao título (ao lado, as imagens do médico e do Monster, quando jovem e já adulto). Anos depois, já com o fim do muro que separava as Alemanhas Ocidental e Oriental, ele é o principal suspeito de uma série de assassinatos a casais idosos. O neurocirurgião descobre e tenta impedir. Ao mesmo tempo em que enfrenta a desconfiança da polícia, que vê nele o possível autor das mortes.
É nesse ponto que a tensão deixada a cada número fisga o leitor. E que surge uma sensação de já ter visto algo parecido. E já viu mesmo. Lembra um pouco a antiga série de TV dos anos 60 "O Fugitivo". Um médico tenta provar sua inocência e foge de tudo e de todos. A história foi transposta para o cinema anos depois, em filme estrelado por Harrison Ford e Tommy Lee Jones.
A série "Monster" é bem mais do que o pouco relatado aqui. Bem mais não. Muito mais. Segundo a Conrad, editora da revista, a obra deve ser publicada em 18 edições. No Japão, saiu entre 1994 e 2001.
Nota: pelo menos dois outros mangás merecem menção. "Lobo Solitário", principal obra de Kazuo Koike e Goseki Gojima, chega este mês ao número 21. E "Adolf", de Osamu Tezuka, obra que já foi comentada duas vezes neste blog. Chega agora à terceira edição, prevista para sair no próximo dia 20. São dois clássicos do quadrinho japonês, que também valem leitura.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h13
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12/09/2006
MENINO CARANGUEJO
FUNDAÇÃO DE JOINVILLE BANCA MINISSÉRIE DO PERSONAGEM
Houve quem dissesse que a polêmica envolvendo a revista "Banda Grossa" sepultaria qualquer outra idéia de publicação de quadrinhos com dinheiro público. A previsão não se concretizou. E por iniciativa da própria Fundação Cultural de Joinville, a mesma que processa os autores da "Banda Grossa", pedindo de volta o dinheiro investido. A entidade, mantida pela prefeitura, fez um novo concurso de incentivo a produções culturais. Na categoria Artes Visuais, venceu o projeto ecológico "O Menino Caranguejo", do designer gráfico José Francisco Xavier (mais conhecido como Chicolam). Ele recebeu R$ 9.140 para criar uma minissérie com o personagem, programada para o ano que vem.
A Fundação optou por um projeto mais conhecido, ao contrário do que ocorreu com a "Banda Grossa" (a entidade reclama que o projeto original, de estímulo à produção de autores regionais, foi alterado; os autores negam, como mostram as postagens dos dias 10 de julho e 7 de agosto). O trabalho com o Menino Caranguejo existe há nove anos. Começou com um projeto de conclusão de curso em desenho industrial na Escola de Belas Artes de São Paulo. Desde então, tem sido usado em animações de cunho ecológico, aplicadas como ferramenta educacional. Em 2004, ficou em segundo lugar no júri-popular do festival Anima Mundi.
A história em quadrinhos é uma forma de tornar a proposta do personagem mais conhecida. Segundo Chicolam, o roteiro da minissérie já está pronto. "Trata-se da relação do personagem e seus poderes, numa trama de conflitos entre sua existência e sua ligação com os diversos meio ambientes", diz o autor, que também dá aulas de design na Univille, na região de Joinville. "É uma história com muita ação, mistério envolvendo fatos históricos e naturais, relacionados à cultura, sociedade e regionalidade do nosso Brasil".
A história do personagem brasileiro também tem ligação com a ecologia. Segundo resumo no site do herói mirim, ele foi salvo de uma queimada numa floresta. Mora no litoral sul e vive catando e vendendo caranguejos na beira da estrada. Tudo muda quando ele encontra a "Garra", artefato que lhe dá poderes especiais: uma ligação de energia entre o mangue e as florestas tropicais. Torna-se, então, o Menino Caranguejo.
Além dos projetos e das aulas na universidade, Chicolam arruma tempo para o mestrado na área de educação, que faz na Univali. Desenvolve um trabalho de "desenho animado ambiental", como chama. "Tem como um de seus objetivos principais o estudo de uma das sete animações como material didático para educação ambiental na sala de aula", diz.
Há um site com outras informações sobre o Menino-Caranguejo. Para conhecer, clique aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h02
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11/09/2006
11.09 NAS HQs - PARTE I
QUADRINHOS TÊM COMPORTAMENTO DÚBIO SOBRE 11.09
A indústria norte-americana de quadrinhos teve um comportamento dúbio em relação aos ataques de 11 de Setembro, tragédia que completa hoje cinco anos. Num primeiro momento, as editoras seguiram a tendência de solidariedade e de pesar extremo vivido dentro dos Estados Unidos (e, de certo modo, em outras nações do mundo ocidental). Esse sentimento deu o tom às primeiras histórias que abordaram o tema. Dois, três anos depois, o povo americano viu que seus filhos não voltavam da guerra. O sentimento mudou, a popularidade do presidente George W. Bush caiu (e continua baixa) e os super-heróis mudaram sua atitude em relação aos atentados e à política externa norte-americana.
A dubiedade vista nas revistas, ao longo desses cinco anos, só é coerente com o sentimento da população estadunidense.
O caso é um excelente estudo sobre uso ideológico nos quadrinhos. É algo muito parecido com o que foi feito durante a 2ª Guerra Mundial. O ataque a Pearl Harbor obrigou os Estados Unidos a entrar no conflito mundial. Não demorou para os super-heróis também estarem no front. Super-Homem, Mulher-Maravilha, Capitão América (criado para combater os nazistas) e outros passaram a viver histórias de guerra, em que os inimigos eram os países do Eixo e seus líderes. O exemplo mais exacerbado talvez tenha sido o de Flash Gordon. O herói espacial voltou do Planeta Mongo para combater ao lado dos Aliados.
Havia uma política do governo norte-americano de usar a mídia como um veículo ufanista pró-aliados (ou anti-nazistas). Os quadrinhos não foram exceção. Não é que a presença do conflito era necessariamente imposta pelo governo: ela era consentida pelos escritores e desenhistas. Eles também haviam captado o sentimento de sofrimento vivido em Pearl Harbor e escreviam aquilo que os leitores queriam ver. Essa interpretação é do pesquisador Chris Murray, no artigo "Popaganda: superhero in World War Two". Ele chamou de "popaganda" a mistura da propaganda governamental pró-guerra com o uso da cultura pop.
A argumentação de Murray se encaixa perfeitamente no 11 de Setembro. Novamente, os Estados Unidos foram vítimas de um ataque em larga escala. Novamente, a maior potência do mundo se sentiu ferida. Novamente, partiu para um ataque em terras estrangeiras, passando por cima de uma decisão do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), que pedia provas mais consistentes sobre a presença de armas químicas (que o tempo mostrou inexistirem). Novamente, os Estados Unidos usaram a mídia a seu favor (hoje, a literatura sobre o assunto já é suficientemente extensa para comprovar esse ponto de vista).
Continua na postagem abaixo.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h08
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11.09 NAS HQs - PARTE II
O altíssimo número de mortos após os ataques do 11 de Setembro criou outro índice altíssimo: o de popularidade a Bush. Isso deu a ele o cacife necessário para implementar a política de invasões ao Eixo do Mal (outra semelhança com a 2ª Guerra). Apresentou como argumentos a caça ao terror (palavra vazia, com conteúdo vago e pejorativo) e a presença de armas químicas (que não foram encontradas, como admitiu a Casa Branca anos depois).
Os primeiros quadrinhos sobre o conflito refletiam essa soma de características. Á primeira história veio da Marvel Comics, que fez uma edição com capa toda preta, numa clara demonstração de luto. Era do Homem-Aranha, mas mostrava a comoção de todos os heróis da editora. Heróis e vilões. Havia uma cena em que até o inescrupuloso Doutor Destino chorava (veja na imagem abaixo). Houve, com o passar dos meses, outras publicações semelhantes. Só para citar um exemplo, o Capitão América (aquele da 2ª Guerra) passou a caçar terroristas.

A invasão norte-americana no Iraque –ainda não resolvida- fez a popularidade de Bush cair vertiginosamente. Havia um novo sentimento no povo norte-americano, sintetizado no documentário "Farenheit 11/9", do polêmico Michael Moore. Os soldados estavam morrendo. E nada parecia justificar racionalmente o conflito.
Os quadrinhos passaram a refletir esse sentimento. É difícil dizer a data exata da virada na abordagem, mas parece ser 2004. Alguns escritores da DC Comics começaram a dar cutucadas na política externa dos Estados Unidos. Um caso. Joe Kelly escreveu uma história da Liga da Justiça (publicada aqui no número 25 da revista homônima) em que Super-Homem tem uma série de visões. Numa delas, argumenta com o então presidente Lex Luthor sobre a irracionalidade de uma invasão a um país indefeso. Luthor, metáfora de Bush, responde aos gritos que invadirá, sim: "É assim que manteremos a paz. Mostrando a terroristas e ditadores que eles não podem desafiar a ONU. Se o Conselho de Segurança não entende isso os Estados Unidos suportarão esse fardo sozinhos se for preciso. Infelizmente, não vejo outra saída". Oficialmente, o tom de crítica fica para o leitor mais atento, já que a história não passa de uma visão do homem de aço.
Outro exemplo, também já publicado no Brasil, é de autoria de Greg Rucka e tem a esposa do Super-Homem como protagonista. Lois Lane não aceita receber notícias do exército norte-americano, como os demais repórter se sujeitaram a aceitar. Ela não queria o discurso oficial, compartilhado por todos os jornais e redes de televisão. Perry White, seu editor, alerta que sair das asas do governo implicaria correr riscos desnecessários na região do conflito. Resposta: "O governo vai controlar a reportagem, Perry. Se não diretamente, vai restringir acesso e censurar o que eu mandar. Me deixe pegar a história inteira" (leia diálogo ao lado). Lois foi.
Há, certamente, outros exemplos. Hoje, as produções fazem a crítica de forma ainda mais acirrada e explícita. Um caso é o álbum "A sombra das torres ausentes", de Art Spiegelman (pela Companhia das Letras). Outro é "9/11 Report", versão quadrinizada do relatório da Comissão de Ataques Terroristas, recém-lançado nos Estados Unidos e que solta várias farpas na direção de Bush (ver na postagem do dia primeiro deste mês).
De cinco anos para cá, os quadrinhos deixaram de produzir histórias ufanistas sobre os ataques do 11 de Setembro e seguiram o comportamento crítico do povo norte-americano. Tal qual na 2ª Guerra Mundial, o comportamento dúbio é um reflexo do sentimento vivido pela sociedade, coerente apenas com esse sentimento. Tudo o que lemos é um reflexo do social? Tudo indica que sim.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h07
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10/09/2006
IVAN REIS & ED BENES
DESENHISTAS BRASILEIROS RECEBEM PRÊMIO INÉDITO NOS EUA
Os desenhistas Ivan Reis e Ed Benes foram premiados nos Estados Unidos. Eles receberam o Wizard´s Fan Award pela participação na revista "Contagem Regressiva para Crise Infinita", obra do ano passado que recentemente ganhou versão nacional pela editora Panini (ver postagem do dia 12 de julho). É a primeira vez que dois brasileiros recebem um prêmio da indústria norte-americana por um trabalho feito com super-heróis.
"Contagem Regressiva" venceu na categoria "favorite one-shot", forma como são chamadas as edições especiais na indústria norte-americana de quadrinhos. Benes e Reis (que teve arte-fnal de outro brasileiro, Marc Campos; veja imagem ao lado) dividiram a arte do título com outros três artistas, Rags Morales, Jesus Saiz e Phil Jimenez. Cada um fez um dos cinco capítulos da revista, escrita por Geoff Johns, Greg Rucka e Judd Winick. Todos receberão o prêmio.
O troféu de Ivan Reis vai chegar pelo correio. Vai direito para sua casa, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. O desenhista soube do prêmio na semana passada. "Achei fantástico! É o primeiro prêmio que eu ganho na vida. Não esperava", diz Reis, por telefone. "Isso dá uma visibilidade muito maior. Eu acredito que deva dar mais atenção para os meus próximos trabalhos".
Talvez já tenha dado atenção. Reis é tido como uma das estrelas da DC Comics, com quem tem um contrato de exclusividade até 2009. Nos dois últimos anos, esteve à frente dos principais projetos da editora. Além da edição premiada, fez a arte de "Guerra Rann-Thanagar" (atualmente publicada pela Panini"), participou da minissérie "Crise Infinita" e cuida da arte da revista do Lanterna Verde, um dos campeões de venda da DC. Terminou os desenhos da edição 14 e está começando a seguinte. "Continuo no Lanterna Verde até Segunda ordem. Eu pretendo ficar mais um ano e meio ou dois no título."
Ed Benes (imagem ao lado) também é visto como um dos principais desenhistas da editora, a ponto de receber elogios públicos do vice-presidente sênior e editor-executivo da DC Comics, Dan Didio (ele chamou os brasileiros de "incrivelmente talentosos meninos do Brasil; leia na postagem do dia 22 de agosto). Benes –forma abreviada de José Edilbenes- também mantém um contrato de exclusividade. Foi escalado para fazer a arte da prestigiada revista "Liga da Justiça", uma das mais badaladas da editora. O texto será de Brad Meltzer, que escreveu a minissérie "Crise de Identidade", já lançada no Brasil.
Outros brasileiros já tinham conseguido trabalhos na indústria norte-americana no começo dos anos 90. Foram muito criticados por aqui na época. O mercado redescobriu a arte brasileira neste século. Reis e Benes são dois dos vários desenhistas que hoje trabalham na DC Comics e na Marvel Comics, as duas principais editoras de super-heróis.
O Wizard´s Fan Award foi anunciado numa convenção no mês passado. É promovido pela revista "Wizard", especializada em quadrinhos norte-americanos (leia-se super-heróis). O prêmio ouve a opinião dos fãs, por isso a palavra "favorita" no nome das categorias vitoriosas. A "Wizard" tem uma versão nacional, editada pela Panini. "Contagem Regressiva para Crise Infinita", escolhida a "edição única favorita" serve de prelúdio para a minissérie em sete partes "Crise Infinita", ainda inédita no Brasil. Mostra a trajetória trágida do personagem Besouro Azul, que descobre uma rede de conspiração contra todos os super-heróis.
Escrito por PAULO RAMOS às 14h11
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06/09/2006
ALDEBARAN
SAI 2º NÚMERO DA SÉRIE CRIADA PELO BRASILEIRO LEO

Saiu hoje o segundo número de "Aldebaran", umas das apostas européias da editora Panini (R$ 22,90). A revista chama a atenção por ter sido escrita e desenhada por um brasileiro, Leo (assinatura do carioca Luís Eduardo de Oliveira, de 62 anos). Merece ser lida também por ser dele. A história de mistério e ficção científica entretém o leitor, recriando um pouco do clima visto no seriado Lost.
Aldebaran é um planeta colonizado pela Terra. Os moradores esperam há décadas uma missão de resgate terrestre. Nada. Abandonados, tiveram de se arranjar sozinhos, com trabalhos improvisados e poderes paralelos (nas mãos da Igreja, possivelmente uma metáfora do período ditatorial brasileiro, do qual Leo foi vítima). Tudo seguia razoavelmente bem até que passam a presenciar uma série de manifestações da natureza. O primeiro número, lançado no fim de junho, começa com uma vila inteira sendo destruída. O que teria causado a tragédia é o mote da história.
Leo é feliz na condução do mistério. Vai soltando pistas aos poucos. Neste segundo número, o leitor descobre mais alguns elementos, que embaralham ainda mais a trama. Os mistérios não serão revelados aqui para não estragar a surpresa. O que se pode antecipar é que os protagonistas Marc e Kim, os protagonistas da série, estão mais velhos e se reencontram. Eles são a chave para o reconhecimento de duas pessoas, que trariam respostas para o que está ocorrendo em Aldebaran.
Leo deixou o Brasil nos anos 70. Fugia do regime militar. Encontrou berço na França. Encantou-se com os quadrinhos produzidos por lá. Isso o incentivou a produzir os próprios trabalhos, algo que não conseguia fazer no Brasil. Aldebaran, lançado entre 1990 e 1998- é sua história de maior projeção. Tanto que gerou uma seqüência, "Bételgeuse".
Este segundo número, lançado hoje pela Panini, reúne os tomos três e quatro da série. Aldebaran foi publicado na França pela editora Dargaud, a mesma de XIII e Tenente Blueberry, outros títulos franceses editados pela Panini.
Nota: a Panini continua com a política de diversificar os títulos que põe em bancas. A novidade são livros baseados em personagens dos quadrinhos. Os dois primeiros contam histórias dos X-Men e do Homem-Aranha. Adaptações assim já foram feitas outras vezes. Foram sempre obras isoladas, que não tiveram continuidade.
Escrito por PAULO RAMOS às 11h52
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04/09/2006
HQ NA FACULDADE
DUAS UNIVERSIDADES ABREM CURSO DE QUADRINHOS
Houve uma época em que ler histórias em quadrinhos na escola era motivo para ficar de castigo e levar uma baita bronca, tanto do professor quanto dos pais. A atitude seria inimaginável para alunos da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, e da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio Grande do Sul. Eles vão para a faculdade estudar quadrinhos, em cursos oferecidos pelas duas instituições.
A Estácio de Sá organizou uma graduação em histórias em quadrinhos, algo inédito no país. O coordenador do curso, Hélio Eduardo Lopes, diz que a idéia surgiu a partir de conversas com outros professores e também da percepção de que se trata de um mercado emergente. "Há também um interesse político nessa história", diz. "Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei do deputado Simplício Mário que quer institucionalizar que as editoras nacionais passem obrigatoriamente a publicar, em dois anos, 20% de títulos nacionais. Enfim, é o universo conspirando a nosso favor".
A Graduação em Produção de Charges, Cartuns e Histórias em Quadrinhos foi pensada para ser bem prática e direcionada para o mercado. Terá, segundo o coordenador do curso, uma "grade curricular muito voltada para estimular a multidisciplinaridade dos alunos, que terão, além das aulas específicas para quadrinhos (desenho, roteiro, arte-final, cartum etc.), matérias que trabalharão a parte editorial e de produção". As aulas serão ministradas por profissionais que atuam na área.
O curso foi oferecido pela primeira vez em agosto. Não preencheu todas as vagas. O início dos trabalhos foi adiado para outubro, para ver se haverá novas inscrições. Para a abertura de uma turma, a faculdade espera entre 30 e 50 alunos. A Estácio de Sá não exige vestibular ou prova específica para o curso, que tem mensalidade de R$ 370 e duração de dois anos.
A graduação ainda não teve o registro aprovado pelo MEC (Ministério da Educação e do Desporto). Hélio Eduardo Lopes acredita que seja uma questão de tempo. "Precisa ser levado ao conhecimento do MEC e, como é uma área nova, precisará ser avaliada sob todos os aspectos para receber a aprovação. Mas isso não significa que será uma via-crúcis para tal. A Estácio aprovou mais de 20 novos cursos nos dois últimos anos."
O curso da PUC do Rio Grande do Sul, por ser de extensão, não precisa do aval do MEC. Ao contrário da estácia de Sá, o enfoque é na parte teórica. A proposta é fazer 13 aulas semanais de duas horas de duração cada uma. Os encontros serão sempre às quartas-feiras à noite. É organizado e ministrado por Samir Machado e Guilherme Sfredo Miorando, dois publicitários que estudam o assunto há cinco anos. A idéia deles é romper definitivamente com o estereótipo de que "quadrinhos são coisas para crianças".
"Notamos que havia um interesse considerável dos alunos de comunicação social por histórias em quadrinhos, mas não havia até então nada na faculdade direcionado para pesquisa da área", diz Samir Machado. "Havia, e ainda há, uma abundância de cursos de ilustração e desenho para histórias em quadrinhos. Um dos argumentos que usamos para convencer a faculdade da viabilidade do projeto é que há uma grande faixa de público que consome quadrinhos sem necessariamente ter interesse em desenhá-los".
O Curso de Extensão em Histórias em Quadrinhos da PUCRS (veja cartaz ao lado) é aberto ao público em geral, seja ele graduado ou não. Os organizadores aceitam inscrições até o início do curso. Mas é bom correr: as aulas começam nesta quarta-feira (06.09). São oferecidas 35 vagas. "É possível que, em caso de grande procura, abram-se mais três ou quatro vagas adicionais", diz Machado. O custo é dividido em três parcelas de R$ 100 para alunos da PUC e de R$ 120 para outros interessados.
A USP (Universidade de São Paulo) ofereceu um curso semelhante entre 1991 e 1993. Foi a primeira especialização em histórias em quadrinhos do país. A experiência era voltada a alunos que já possuíam diploma de graduação e formou duas turmas. Até então, o que havia eram disciplinas esporádicas em cursos de comunicação, primeiro na Universidade Federal de Brasília, em 1970, e depois na própria USP, na década de 70. A Universidade de São Paulo sedia, há 15 anos, o Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos, também pioneiro no Brasil.
Escrito por PAULO RAMOS às 19h16
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EDITORA PROCURA DESENHISTAS PARA LIVRO DE TIRAS
ENTREVISTA: MARIO MASTROTTI

Editora com sede no ABC paulista procura desenhista interessado em participar de coletânea de tiras cômicas. Parece anúncio. E é. A proposta é reunir um grupo de ilustradores para compor a quinta edição do projeto "Tiras de Letra", que edita os trabalhos de diferentes autores em sistema de cooperativa. O novo número está programado sair em outubro.
A organização é do professor universitário e desenhista Mario Mastrotti, ele também um dos cooperados. Ele conta que a idéia surgiu por causa da "falta de oportunidades do mercado editorial convencional". O livro vai sair novamente pela Virgo, editora que o ilustrador capitania em São Caetano do Sul. Mastrotti está na luta há mais de 30 anos. É o criador das tiras "Cubinho", "De-co-ra-ção-e-de-men-te" e "Filhos da Máquina", todas reunidas nas edições anteriores.
A curiosidade da coleção são os nomes. Há sempre um trocadilho no nome dos livros: "Tiras de Letra Outra Vez", no segundo número, "Tiras de Letra Muito Mais", no terceiro, "Tiras de Letra Pra Valer", no quarto. A quinta edição foi batizada de "Tiras de Letra Todo dia" (capa na imagem acima, de autoria do cartunista Gilmar).
Mastrotti fecha o livro assim que reunir 27 autores, como fez nos números anteriores. Já tem dez. Na entrevista a seguir, ele fala como funciona o projeto, como os interessados podem participar e comenta a experiência como presidente do 2º Salão de Humor de Paraguaçu Paulista, que agora é internacional (a abertura da mostra é em 15 de novembro; as inscrições abertas vão até 20 de outubro).
- Como funciona a cooperativa na prática? O que cada autor tem de fazer?
- Fornece o trabalho, faz um pequeno investimento e tem cota de livros correspondente com margem de lucro real.
- Já é o quinto número. Como foi a recepção dos quatro primeiros (ao lado, capa do primeiro número)?
- Muito boa, nossos livros são únicos no país. Infelizmente, pois já era tempo de termos muito mais. Temos 27 tiristas no mesmo livro.
- Cada número faz uma brincadeira com a palavra "tiras". Você tem nome na manga para mais edições?
- Isso é o que não falta, no início de 2007 está previsto o número 6,"Tiras de Letra na Casa da Vizinha"!
- Você está fazendo uma chamada de trabalhos para este quinto número. Quem se interessar, o que tem de fazer?
- A internet tem popularizado e difundido muito o humor visual, tiras inclusive. O papel está perdendo espaço, na sua opinião?
- Penso que a portabilidade de um gibi ainda é um diferencial forte.No longo prazo, creio que isso pode mudar. A questão econômica sempre tem um grande peso nessas mudanças.
- Há uma outra chamada de trabalhos, só que para o Salão Internacional de Humor de Paraguaçu Paulista. Como se inscrever?
- A inscrição pode ser feita através do site www.salaodehumordeparaguacu.com destacando que este salão estou participando da organização e presidencia do mesmo eele é o primeiro ater 5 categorias que aceita envio pela internet e trabalhos digitais. Outro destaque é o valor.No total são R$ 17.500,00 de prêmios em dinheiro
Escrito por PAULO RAMOS às 07h17
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03/09/2006
ULTRA - SETE DIAS
SÉRIE COLOCA SUPER-HEROÍNAS NO "MUNDO DE CARAS"
"Ultra – Sete Dias", lançado nesta semana (Pixel, R$ 33,90), tem sido anunciado como uma versão super-heróis do seriado "Sex and the City". A comparação realmente é tentadora. Três jovens –ao contrário das quatro da série de TV- discutem relacionamentos e experiências enquanto vivem o estressante dia a dia de trabalho batendo em bandidos. Para apimentar ainda mais a semelhança, uma das mulheres, Liv, costuma se gabar para as amigas dos relacionamentos fúteis e superficiais que têm. Seria a Samantha do seriado, interpretada por Kim Catrall?
Os autores de Ultra, os irmãos Jonathan e Joshua Luna (ou Luna Brothers, como assinam), concordam que os temas são semelhantes, mas contam que a produção da HBO não os influenciou. "Na verdade, nunca assisti a um episódio inteiro de Sex and the City", diz Jonathan na introdução do álbum, em entrevista ao editor e jornalista Odair Braz Junior. Se o seriado não serviu de influência direta, de onde veio a idéia de mostrar super-heroínas "discutindo a relação"? Eles dizem que queriam uma história sobre amor, amizade e destino. O destino vem de uma visita que as três fizeram a uma vidente, que teria previsto mudanças na vida delas em sete dias (que dá nome ao álbum).
Na verdade, a história criada pelos Luna Brothers, lançada originalmente há dois anos pela Image Comics, é uma mescla de influências. Quando o assunto é mostrar o relacionamento entre mulheres em quadrinhos, o primeiro nome que surge à mente é o de Terry Moore. O escritor e desenhista já trabalhava o mundo feminino em "Estranhos do Paraíso" bem antes de Sex and the City. Há um pouco de Moore nas histórias, mas com uniformes, capas e superpoderes.
Mas a maior influência não está nos quadrinhos nem na televisão. Está no marketing usado pela indústria do entretenimento e que tem no cinema norte-americano o seu oásis. As personagens da série não são apenas super-heroínas que combatem o mal porque "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades". Longe disso. Elas são celebridades que alimentam o lado comercial do trabalho que exercem. São garotas-propaganda de uma série de produtos e estampam as capas das revistas de fofoca. Até o uniforme é pensado como produto de marketing. É por isso que a série é intercalada com páginas que simulam capas de revista ou anúncios publicitários, que mostram as curvas das protagonistas.
A futilidade movida a dinheiro é o real alvo dos Luna Brothers. Nas mãos deles, os super-heróis invadiram a ilha de Caras. O que rende diálogos peculiares. Ultra, a personagem-título, pede a seu agente uma mudança no curto uniforme por causa do inverno. "Tomara-que-caia no inverno é uma idiotice. Falando sério, qualquer tipo de tecido térmico na região dos mamilos seria bem-vindo". Resposta do agente: "Vamos ver, mas o tomara-que-caia fica. Desculpa... as pesquisas com os fãs são unânimes." E nada muda.
Os Luna Brothers são novatos no mercado de quadrinhos. Ainda não se pode fazer uma análise profunda do trabalho deles. Mas é possível ver algumas tendências. Uma delas: querem crescer na indústria dos entretenimento. Ultra virou um malsucedido piloto de série de TV (não vai haver a versão super-heróis de Sex and the City).
Outra tendência: a exemplo de Terry Moore, a dupla tem declarada predileção por figuras femininas. O segundo trabalho, Girls, também joga o foco nas mulheres (a Pixel anunciou que vai publicar a série no Brasil; ao lado, a capa do primeiro encadernado). Os irmãos há pouco tempo foram convidados para fazer uma série da Mulher-Aranha, herína que tem pela primeira vez destaque na Marvel Comics, graças aos textos de Brian Bendis.
Os Luna começam bem.
Nota: a Pixel anunciou os próximos lançamentos. Na lista, estão o brasileiro "O Curupira" (já divulgado, mas ainda não lançado) e três álbuns europeus: "A Metamorfose de Lucius", "Péntiti" (ambos de Milo Manara) e o quarto volume de Corto Maltese ("Corto Maltese – As Célticas"), de Hugo Pratt.
Escrito por PAULO RAMOS às 13h45
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01/09/2006
ATÉ O FIM DO MUNDO
EDITORA LANÇA SEGUNDO ENCADERNADO DE PREACHER
Os super-heróis sofreram muito na década de 90. Os vilões eram poderosíssimos e atendiam pelo codinome "editor". Ele, o temível editor, matou o homem de aço, quebrou as costas do homem morcego, arrumou um clone para o incrível Homem-Aranha, assassinou portadores de anéis esmeralda e tornou heróis históricos em vilões. A estratégia era criar megaeventos para aumentar as vendas. Funcionava num primeiro momento. Mas o leitor, sempre fiel a raízes, percebia que a qualidade da história ficava em segundo plano. Meses ou anos depois, tudo voltava ao normal. A linha Vertigo, selo adulto da DC Comics, caminhava em sentido oposto nessa época. Investia na qualidade das histórias. O resultado é colhido agora. É do selo Vertigo boa parte das (re)edições dos anos 90, como Sandman, pela Conrad, e Preacher, que tem um segundo álbum lançado neste finzinho de semana ("Preacher – Até o fim do mundo", Devir, R$ 45).
Este segundo volume reúne as histórias dos números 8 a 17 da revista norte-americana, material já lançado no Brasil. As 256 páginas da edição são praticamente as mesmas do encadernado lançado nos Estados Unidos em 1997. É de lá a introdução do cineasta Kevin Smith, reaproveitada na versão nacional. É uma fase em que as características dos personagens já estão consolidadas. Por isso, a preocupação está nas origens, principalmente no primeiro arco, o violento "Tudo em família". O leitor fica sabendo como Jesse Custer (nome do personagem-título Preacher) se tornou pastor e por que deixou o cargo. Descobre também como conheceu Tulip (a editora optou por manter o nome inglês, e não a versão que havia saído antes no Brasil, Tulipa). O "até o fim do mundo", nome do álbum, está relacionado ao um detalhe do casal. E, claro, é apresentado à vovó de Preacher.
A vovó, como é chamada na trama, é um personagem que o leitor aprende a odiar logo na primeira cena. Não é tanto pelo visual de "cara de bosta seca", como diz Custer (veja na imagem abaixo). É pelas atitudes. Mesmo presa numa cadeira de rodas, ela esteve diretamente relacionada à morte dos pais de Preacher e passou a criá-lo. Não por amor ao neto. Mas porque queria que sua linhagem continuasse. O processo de "educação" contava com métodos pouco convencionais. O castigo era ser colocado num caixão, que ficava dias no fundo de um lago pantanoso. Para suportar o confinamento no caixão, Custer tinha o apoio de John Wayne, o ator do cinema. Mesmo falecido, misteriosamente aparece de quando em quando para ajudar o "parceiro".
Wayne e vovó só reforçam uma das características do escritor Garth Ennis na confecção de suas histórias: usar coadjuvantes com personalidade forte. Em muitos dos momentos, chegam a ofuscar os protagonistas. No segundo arco, "Caçadores", surge um terceiro coadjuvante, que rouba a cena ainda mais: Herr Starr. Ele começa nesse arco uma caçada a Preacher que irá continuar até o fim da série, ainda inédito no Brasil. Starr, na cabeça amalucada de Ennis, é o líder de um grupo que quer proteger a linhagem divina e vê em Jesse Custer um perigo iminente. É violento, como a maioria dos personagens do escritor. Mas é também cômico. Um dos ajudantes arruma uma mulher para Starr. Não sabia que, na verdade, era um travesti. É motivo para querer matar o assistente: "Você me transformou num homossexual, seu grande animal".
Fica claro, hoje, que Garth Ennis começa a se repetir nas fórmulas de construir uma história. Usa violência em excesso, diálogos cheios de palavrões, personagens com personalidade forte, coadjuvantes com características peculiares (que os tornam mais interessantes do que os "mocinhos"). É só observar as primeiras histórias que escreveu para o Justiceiro, no começo deste século. É um repeteco do que fez em Preacher. Havia até uma mafiosa italiana, bem velha e maldosa, presa numa cadeira de rodas. A vovó do Preacher? Não tenha dúvidas disso. Mas não tira o mérito deste álbum lançado pela Devir. Pelo contrário. É onde a criatividade de Ennis foi mostrada pela primeira vez. É, ainda, o melhor trabalho dele e um dos principais quadrinhos dos anos 90. Dois motivos que justificam a reedição.
Preacher saiu no Brasil por diferentes editoras (veja em postagem do dia 29 de abril). A última, Brainstore, deixou de publicar a série a poucos números do fim. O assunto era um mistério. Era. Leia sobre isso na postagem abaixo.
Escrito por PAULO RAMOS às 08h50
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PREACHER NO BRASIL
POR QUE A BRAINSTORE DEIXOU DE PUBLICAR O PERSONAGEM?
Quando o assunto é Preacher, é comum surgir a pergunta: por que a Brainstore, antiga editora do personagem, deixou de publicar o título a poucos números do fim? A revista nacional parou no número 34 (correspondente ao número 62 norte-americano), de janeiro de 2004 (veja capa ao lado). O último arco, "Álamo", em que o pastor Jesse Custer finalmente confronta Deus, ficou sem desfecho, até hoje inédito por aqui.
Quando o Blog dos Quadrinhos noticiou o lançamento do primeiro encadernado de Preacher da Devir (postagens do dia 28 de abril), houve algumas (pertinentes) perguntas de internautas sobre o assunto. O lançamento do segundo volume (veja postagem acima) deve trazer o tema novamente à tona. O Blog tentou descobrir o que aconteceu e foi direto à fonte: Eloyr Pacheco, editor-chefe e proprietário da Brainstore. Ele comentou pela primeira vez o assunto.
Pacheco conta que a Brainstore não fechou as portas oficialmente, ao contrário do que é noticiado. A editora estaria inativa por causa de uma série de contratempos vividos por ele. Em abril de 2004, quebrou a perna e teve de ficar fora da empresa por cinco meses. Nesse período, títulos da Brainstore -entre eles Preacher, Sandman e Lúcifer- passaram para outras editoras (Devir, Conrad e Opera Graphica, respectivamente).
A Brainstore voltou aos trabalhos em maio do ano seguinte, na Bienal do Rio de Janeiro, com a publicação da revista "Replicante". Só que houve um segundo contratempo: o escritório da editora, em São Paulo, foi arrombado. Os ladrões levaram computadores, scanners, impressoras. Os equipamentos seriam a última reserva de Pacheco. O editor conseguiu se manter no mercado por meio do Bigorna, site com notícias e artigos sobre quadrinhos que mantém na internet há pouco mais de um ano (http://www.bigorna.net/). Recentemente, editou a graphic novel nacional "Gringo", da nova Nomad Editora, escrita por Wilson Vieira e desenhada por Aloísio de Castro (veja na postagem do dia 2 de agosto).
Os dois fins, o da revista e o da última saga de Preacher, teriam sido conseqüência de tudo isso. "Acho que o importante, no momento, é a série [Preacher] estar sendo publicada", diz.
Escrito por PAULO RAMOS às 08h48
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