31/05/2006
REVISTA F. AGORA SAI EM BANCAS

31/05/2006
REVISTA F. AGORA SAI EM BANCAS
A revista de humor F. vai ser publicada, a partir de junho, pela editora Conrad. Até então, era editada e bancada pelos próprios autores, os cartunistas Allan Sieber, Arnaldo Branco e Leonardo. Eles já produziram três números, encontrados apenas em algumas lojas especializadas em quadrinhos. A quarta edição, a primeira pela Conrad (veja capa ao lado), será vendida nas bancas. Sai no próximo dia 5, a R$ 5,90 cada uma.
A Conrad procura na F. uma maneira de diversificar o material nas bancas. Os autores, por outro lado, encontraram uma forma mais segura de financiar a revista. "A gente viu que ia ser complicado colocar um novo número nas bancas. Eu ofereci à Conrad, eles analisaram e resolveram investir", conta Allan Sieber, que já teve outros títulos publicados pela Conrad, "Vida de Estagiário" (R$ 25) e "Preto no Branco" (R$ 24).
A nova casa trouxe algumas mudanças. O formato original, 31 cm de altura por 27 cm de largura, foi reduzido para se adaptar ao novo mercado. As 52 páginas terão, agora, 27cm por 21 cm. Vai ser editada a cada dois meses. A linha editorial continua a mesma. Ou seja: a palavra final é dos três autores. A revista F. continuará mesclando quadrinhos, entrevistas (pelo menos uma grande entrevista por edição) e fotonovelas de humor (recurso pouco usado atualmente).
"A idéia de criar a revista é antiga", diz Sieber do Rio de Janeiro, onde mora há sete anos. Ele conta que queria fazer a F. com Leonardo, quando ambos ainda moravam em Porto Alegre. Tinham no Pasquim, tablóide do qual eram e são fãs, a principal fonte de inspiração. Não é coincidência entre as duas publicações. Faltava apenas o empurrão final, que foi dado quando conheceram Arnaldo, em 2003.
O trio desenvolveu e custeou as três primeiras edições. As datas de lançamento mostram a dificuldade em produzir o material. O número um saiu em dezembro de 2004. O dois, em março de 2005. O três, em julho.
Veja na postagem abaixo uma das tiras que serão publicadas na quarta edição.
30/05/2006
EDITORA VAI LANÇAR ALMANAQUE DE CARLOS ZÉFIRO
A Editora A Cena Muda, do Rio de Janeiro, vai publicar um almanaque com histórias pornográficas criadas por Carlos Zéfiro. A notícia é divulgada em primeira mão pelo Blog dos Quadrinhos. O material sai ainda neste ano, provavelmente no segundo semestre. Cada edição vai reunir dez produções de Zéfiro, acompanhadas por dez depoimentos de antigos leitores.
A idéia é da proprietária da editora, Adda Di Guimarães, que publica os chamados "catecismos" de Carlos Zéfiro desde março de 2005 (já saíram 24 números; acima, a capa da edição 22). Adda conta que os leitores foram sua fonte de inspiração. Apareciam para comprar a obra em quadrinhos e iniciavam uma "viagem, uma volta ao passado".
As lembranças surgiam no momento em que punham os olhos nos catecismos. A capa e o formato, fiéis aos originais, ajudavam a aumentar o saudosismo. O entusiasmo dos clientes se transformava em palavras. Faziam relatos animados de quando liam os catecismos, muitas vezes escondidos, com medo de serem flagrados pelos pais.
Adda percebeu que começaram a aparecer muitos relatos, todos igualmente curiosos. Surgiu aí a idéia do almanaque. Reuniria dez histórias já publicadas, mescladas com os casos que escutava.
Um dos relatos -um dos mais curiosos, segundo Adda- foi contado por uma moça. Ela, para ler os catecismos, tinha de pagar aluguel ao irmão, dono das revistas. Os pagamentos continuaram até que ela descobriu o esconderijo dos catecismos: dentro de um violão. Logo bolou uma estratégia. Disse ao irmão que havia se confessado e que, a partir daquele momento, não leria mais Zéfiro. Pura artimanha para ler de graça.
Carlos Zéfiro acompanhou diferentes gerações de leitores com suas histórias sobre sexo. A família estima que ele tenha feito desenhos para mais de 800 catecismos, publicados entre o final da década de 40 e o início dos anos 70. Zéfiro era o pseudônimo de Alcides de Aguiar Caminha Filho. Revelou o verdadeiro nome numa entrevista, concedida pouco antes de morrer, em cinco de julho de 1992, aos 71 anos.
Leia mais sobre a publicação dos catecismos de Zéfiro na postagem abaixo.
EDITORA POSSUI MAIS 300 CATECISMOS
Foram os leitores de Carlos Zéfiro que levaram Adda Di Guimarães a republicar os catecismos. A banca que mantém no Rio de Janeiro, A Cena Muda (que deu o nome da editora que publica os catecismos), sempre tinha gente à procura dos antigas revistas, consideradas raridade. Havia um mercado.
Adda procurou a família de Alcides Caminha, verdadeiro nome de Zéfiro, e adquiriu os direitos de publicação de mais ou menos 300 histórias por um período de dez anos. Algumas passam agora por uma triagem, para saber se foram mesmo produzidas por ele. Quem dá a palavra final é a família.
A cada 15 dias, sai um novo número da Coleção Carlos Zéfiro. Para saber quando chega uma nova edição, é só olhar o cartaz na lateral da banca, em Ipanema. "Chegou o número 22", anunciava no dia em que o Blog dos Quadrinhos esteve lá. São impressas duas mil cópias, vendidas a R$ 12 reais cada uma. "Os originais eram adorados por duas gerações", conta Ada. "Me surpreendeu a procura do Brasil inteiro". E até do exterior. Ela recebe uma média de 50 e-mails por semana com solicitações. Responde um por um.
O sistema de vendas por e-mail foi uma forma de contornar as dificuldades na distribuição dos catecismos. "Em bancas, não funcionou muito bem. Para os jornaleiros, é um outro pornô. Só que o público é outro", diz Adda. O resultado foi limitar as vendas a um pequeno grupo pontos de venda, além da banca A Cena Muda e dos e-mails.
Adda tem outros planos para os catecismos, mas não revela todos. O Almanaque de Carlos Zéfiro é apenas uma das idéias.
Leia sobre o Almanaque de Carlos Zéfiro na postagem acima.
CATECISMOS DE CARLOS ZÉFIRO / ONDE ENCONTRAR
Banca A Cena Muda. Rua Visconde de Pirajá, 54. Ipanema, Rio de Janeiro. Tel.: (21) 2287-8072.
E-mail: addadig@hotmail.com
JORODOWSKY: HOMENAGEM EM CANNES
O cineasta, ator e escritor de quadrinhos Alejandro Jorodowsky foi o homenageado do ano do Festival de Cannes, que terminou no último dia 28. Dois de seus filmes, “El Topo”, de 1970, e “A Montanha Sagrada”, de 1973, obra que o projetou internacionalmente. Os dois longas foram relançados em DVD. Jorodowsky disse, na cerimônia, que não esperava a homenagem. O tom do discurso prova isso. O cineasta de 77 anos criticou o tom comercial dos festivais de cinema, inclusive o que o homenageou. “Cannes estreou com ´O Código da Vinci´ e não há mais nada a dizer. Lamentavelmente, o cinema é uma indústria e Cannes é uma entidade comercial. Ponto.” Para os leitores de quadrinhos, o chileno Alejandro Jorodowsky é mais conhecido como o autor de “Incal”, lançado neste mês pela Devir (veja postagem do dia 09.05). É dele também o texto os dois volumes de, “Bórgia” (acima, a capa do segundo número), feitos com o desenhista Milo Manara e lançados recentemente pela Editora Conrad.
26/05/2006
A SOMBRA DE CRUMB, A LUZ DE PEKAR
Crumb fazia os desenhos. Hoje, a presença dele é o principal chamariz do álbum "Bob & Harv - Dois Anti-Heróis Americanos" (Conrad, R$ 33), lançado hoje. O destaque exclusivo para Crumb -o Bob do título- merece revisão. Lendo a obra, percebe-se que é exatamente o contrário. Apesar da presença de Crumb, é Pekar quem fala mais alto. "Fala" não é força de expressão. É dele a voz da maioria dos contos urbanos reunidos na obra. Sabe quando você encontra um amigo e começa a divagar sobre alguma coisa? O relato não precisa fazer muito sentido, basta que seja dito numa conversa à toa. Harvey Pekar faz o mesmo. Numa das histórias, divaga sobre a "arte" de pegar a fila mais rápida do supermercado. "Há muitos fatores a considerar - a velocidade e eficiência do caixa, o número e tipo de pessoas na fila, a quantidade e os tipos de coisas que estão comprando- é uma verdadeira arte!", conta o narrador de um dos contos, representado na imagem do próprio Pekar. Não é só representação. Há um quê autobiográfico no álbum. Intencionalmente autobiográfico. Ele explica como criou a revista, de que forma começou a amizade com Crumb (iniciada pelo amor mútuo aos discos de vinil), como convenceu o velho companheiro a desenhar as histórias que o leitor está acompanhando. É puro non-sense. Crumb desenha um roteiro -criado por outra pessoa- que conta como era a juventude do próprio Crumb. É inovador, e justifica a influência que exerceu sobre outros criadores de quadrinhos alternativos. Um exemplo é a maneira como os causos (parece com os causos brasileiros) são contados. O narrador fica de pé e divaga sobre a história. Silencia. Volta a dialogar novamente com quem lê, como efetivamente ocorre num bate-papo qualquer. Para os leitores mais novos, as histórias podem lembrar o seriado Seinfeld, tido como a melhor série sobre o nada. Mas o nada de Pekar é, ao mesmo tempo, tudo o que ele precisa para contar os relatos de vida. O leitor irá comprar o álbum por causa de Crumb. Mas é Pekar que roubará a cena. Vale a pena também alugar o filme "Anti-Herói Americano", que conta a história dele. Em tempo: a editora colocou um trecho do álbum na internet. Para acessar, clique aqui.
25/05/2006
PIXEL CONFIRMA MAIS CORTO MALTESE (E OUTROS TÍTULOS)
A editora Pixel confirmou o lançamento de outros títulos de Corto Maltese. A previsão é que saiam ainda neste ano. A estratégia é alternar a produção européia com outras obras, em geral dos Estados Unidos. Nesta semana, a editora lança a segunda edição de Corto Maltese (ver postagem acima) e outros dois títulos, ambos americanos: "Nexus - Justiça Alienígena", de Mike Baron e Steve Rude, e "Madman Comics - Volume I", de Mike Allred, o mais inusitado dos três (mais um título que "brinca" com os rótulos dos super-heróis).No mês que vem, saem "O Reino dos Malditos" e "Crimes Macabros", este de Steve Niles, que, ao lado de Robert Kirkman, tem dado um novo fôlego às histórias de vampiros, zumbis e terror. Está programado também o segundo volume de "O Coração do Império", de Brian Talbot (a primeira parte já foi lançada pela editora).
Em julho, há uma intencional redução nos lançamentos. Mas há uma novidade em relação aos demais títulos: sai o primeiro álbum com autor nacional. É "Curupira", de Flávio Colin. Está prevista ainda uma coletânea com as edições de Star Wars lançadas pela Ediouro (com caixa para guardar as edições). E, ainda sem confirmação de lançamento, outras obras de Milo Manara, o mesmo de "Gullivera" (outro produto da Pixel já lançado).
BLOG DOS QUADRINHOS: UM MÊS NO AR
Este blog completa hoje um mês. O resultado, confesso, surpreendeu. O número de visitas foi bem maior do que imaginava, sinal de que a página está no caminho certo. Agradeço a todos os que colaboraram com este projeto, direta ou indiretamente. E ao leitor, que me honra com a visita e com os comentários. Vamos a mais um mês.
24/05/2006
LUSÍADAS 2500
Ele levou o clássico de Camões muito adiante do além-mar. Colocou a idéia da navegação do povo português quinhentos anos no futuro. A primeira parte da trilogia criada por Lailson de Holanda Cavalcanti -ou somente Lailson- vai ser lançada na semana que vem em São Paulo e, na seguinte, em Recife.Segundo o autor, o que o instigou a fazer "Lusíadas 2500" foram as sucessivas viagens feitas a Portugal, terra de Camões. Lailson acredita que há dificuldade em compreender a história de Camões e a tecnologia envolvida nas navegações. Por isso, o deslocamento para o futuro. Fica mais fácil de perceber a dimensão do avanço tecnológico.
A obra promete atingir um público diversificado, indo desde do fã de quadrinhos até o literato. "Lusíadas 2500" é um dos trabalhos de destaque de Lailson. Ele é autor de uma obra que tem muito a acrescentar aos estudos do humor gráfico brasileiro (veja mais na postagem abaixo).
Lailson já fez de tudo um pouco nas artes gráficas: publicidade, trabalhos em revistas, charges para jornais. Venceu vários prêmios de humor, entre eles o prestigiado Salão de Humor de Piracicaba (em 1977).
SERVIÇO
Lusíadas 2500.
São Paulo - Quando: 30.05 (terça-feira). Horário: 19h. Onde: Livraria Cultura (Conjunto Nacional). Avenida Paulista, 2073.
Recife - Quando: 09.06 (sexta-feira). Horário: 19h. Onde: Livraria Cultura (Paço Alfândega). Rua Madre de Deus, s/n.
HISTÓRIA DEL HUMOR GRAFICO EN EL BRASIL - II O livro de Lailson parte da monarquia, na primeira metade do século XIX, passa por toda a república até chegar aos dias de hoje. Ao lado de "Raízes do Riso", de Elias Thomé Saliba, é referência sobre o tema. Veja como "História del Humor Grafico em el Brasil" foi organizado: Introdução 1500-1831: Os motivos do riso Cap I 1831-1837: A primeira caricatura Cap II 1844-1868: As primeiras revistas na Corte Imperial Cap III 1864-1891: O Humor nas provínicas Cap IV 1867 -1889: Os grande mestres Cap V 1889-1920: O Humor na Primeira República Cap VI 1920-1945: Humor em tempos de revolução, ditadura e guerra Cap VII 1946-1964: Uma breve Democracia Cap VIII 1964-1970: O Humor e a Ditadura Militar Cap IX 1970-1985: Da Ditadura à Democracia Cap X 1985-2000: Humor no fim do Século Cap XI 2000-2004: O Humor em um novo Século O livro não saiu no Brasil. É espanhol e só pode ser comprado por importação. As grandes livrarias costumam ter a obra em catálogo., caso da Livraria Cultura. Leva até oito semanas para chegar ao Brasil. Outro caminho é neste site espanhol. Para acessar, clique aqui.
23/05/2006
MAIS DOIS ÁLBUNS DE TINTIN NO BRASIL
A Companhia das Letras confirmou a publicação de mais dois álbuns de Tintin no Brasil. Os títulos serão "O Cetro de Ottokar" (de 1939) e "O Caranguejo das Pinças de Ouro" (de 1941). A editora programou o lançamento para julho. A notícia consolida o interesse na (re)edição de todas as aventuras do personagem, seguindo a ordem original de publicação. A editora já lançou quatro álbuns de Tintin. No fim do ano passado, publicou "Os Charutos do Faraó", "O Lótus Azul", "O Ídolo Roubado" e "A Ilha Negra" (R$ 33 cada). As obras ainda podem ser encontradas nas livrarias. Trata-se de novas edições. Aventuras com o jovem repórter haviam saído no Brasil pela editora Record. O material é artigo de colecionador e só é encontrado em sebos. Tintin foi criado na Bélgica por Hergé, forma como Georges Rémi assinava suas histórias. A primeira história é de 1929. As aventuras mostram o repórter viajando pelo mundo atrás de notícias (sempre encontra perigos pelo caminho). Os álbuns (foram 24 ao todo, um deles inacabado) agradaram o público e ganharam fama nos anos seguintes. Tintin se tornou uma referência na Europa, tanto em termos mercadológicos como estilísticos. O traço criado por Hergé ainda hoje conta com uma série de seguidores. No Brasil, Tintin conta com fãs fiéis. O número de apreciadores aumentou com a exibição do desenho animado com as aventuras dele, exibido pela TV Cultura e TVE. É um personagem raro. Consegue interessar tanto adultos como crianças.
22/05/2006
PRÉVIA - OS MORTOS-VIVOS
Capa e uma das páginas da edição nacional de "Os Mortos-Vivos", programada para sair esta semana. O álbum é escrito por Robert Kirkman e desenhado por Tony Moore. A publicação é da editora HQManiacs.
21/05/2006
MAURICIO DE SOUSA VAI PUBLICAR TIRAS DE RONALDINHO NO EXTERIOR
Mauricio de Sousa fechou contrato para publicar Ronaldinho Gaúcho e a Turma da Mônica no exterior. A distribuição das tiras e páginas em quadrinhos nos jornais será feita pela empresa norte-americana Universal, uma das maiores do ramo, responsável por personagens como Garfield e Calvin & Haroldo. O acordo foi firmado há um mês e é divulgado em primeira mão pelo Blog dos Quadrinhos. Foram feitos dois contratos: um para a Turma da Mônica e outro exclusivo para o personagem Ronaldinho Gaúcho, lançado no Brasil há pouco mais de uma semana (na revista "Ronaldinho Gaúcho e Turma da Mônica"). O primeiro jornal a publicar histórias criadas pela equipe de Mauricio de Sousa é o inglês Daily Mirror. Estréia tiras de Ronaldinho no dia 30 deste mês. Segundo Mauricio de Sousa, o jogador da seleção brasileira e do Barcelona é o carro-chefe do projeto. "Ronaldinho me pareceu a chave ideal para fazer uma entrada no mercado internacional. Serviu para melhorar a nossa estratégia", disse por telefone de Barcelona, na Espanha, onde esteve na semana passada. Por estratégia, leia-se: Ronaldinho é o cartão de visitas. Só que, junto com ele, vão também os outros personagens da empresa, como Mônica e Cebolinha. De acordo com o empresário, a quantidade de jornais interessados no material ainda não chega a cem. Ele espera multiplicar esse número por cinco num prazo de seis meses. A Universal mantém uma rede de 4700 jornais. O plano de colocar a Turma da Mônica em outros países não é novo. Teve início na virada do século. Os personagens começaram a participar de feiras e mostras internacionais. Foi uma preparação do terreno, até que surgiu a idéia de transformar o jogador num personagem de histórias em quadrinhos. A iniciativa partiu do próprio empresário. Mônica, Cebolinha e companhia já tinham sido publicados no exterior na década de 80. 18 países veiculavam os personagens, entre eles Alemanha e Inglaterra. A experiência não foi positiva. A chegada dos quadrinhos japoneses -fartos de cenas de ação e violência- impuseram uma nova realidade às criações de Mauricio de Sousa. "O nosso material era muito pacífico, sem violência. Os editores pediram mais violência. Não concordei Perdi a publicação em 15 países". Não há chance de o problema se repetir? O empresário entende que não. Para ele, a situação mudou. "Agora, o nosso material é que está na moda. Há procura por mais humor e mais alegria". Ronaldinho Gaúcho não foi o primeiro jogador a virar personagem de Maurico de Sousa. Na década de 70, Pelé inspirou a criação de Pelezinho (que também tinha uma turma de personagens coadjuvantes). A revista com o personagem foi publicada de 1977 a 1982. Veja uma prévia exclusiva das tiras de Ronaldinho Gaúcho nas postagens a seguir. Leia também sobre a revista do jogador. Clique aqui.
19/05/2006
DOIS BRASILEIROS SÃO PREMIADOS NO EXTERIOR
Dois brasileiros foram premiados na oitava edição do Porto Cartoon-Wolrd Festival, de Portugal. O salão de humor é tido como um dos três maiores do mundo. José Antonio Costa e João Vieira de Melo, o Lin, receberam menção honrosa do júri, presidido pelo cartunista francês Georges Wolinski.
A ilustração de José Antonio, do Piauí, ironiza a polêmica criada a partir de charge que representava o profeta Maomé (e que causou protestos em vários países). João Vieira brincou com um desenho diferente no meio de imagens aparentemente iguais.
O grande prêmio foi para o cartunista Musa Gümüs, da Turquia. A premiação será no fim de junho. Os vencedores ganharão troféus, uma quantia em dinheiro (não divulgada) e garrafas de vinho da região do Porto.
O Porto Cartoon-World Festival deste ano teve como tema a desertificação e a degradação da terra. O salão de humor recebeu 1360 trabalhos, vindos de 50 países. Mais de 200 foram de brasileiros, que registraram o maior número de participações.
A grande qualidade dos trabalhos, termos do próprio júri, fez com que 10 ilustrações recebessem menção honrosa. Os dois brasileiros estão entre os selecionados.
Veja nas postagens abaixo as ilustrações de José Antonio Costa e João Vieira de Melo, que o Blog dos Quadrinhos mostra em primeira mão.
CHARGE PREMIADA 1
Sem título Menção honrosa no oitavo Porto Cartoon
CHARGE PREMIADA 2
Título: alvo Menção honrosa na oitava edição do Porto Cartoon
18/05/2006
QUADRINHOS NA VIRADA CULTURAL PAULISTANA
A "PutzGrila" é uma compilação de desenhos produzidos durante um curso de histórias em quadrinhos ministrado no próprio Centro Cultural. O álbum reúne os trabalhos de 41 alunos. Eles colocaram na prática o que aprenderam com os cartunistas JAL e Gual e com os professores Waldomiro Vergueiro (Universidade de São Paulo) e Sonia Bibe Luyten (da Unisantos). A primeira edição da "PutzGrila" venceu um HQMix (um dos principais prêmios de quadrinhos do país) na categoria prozine. A revista será distribuída de graça. São cerca de 300 exemplares. Os autores ainda não viram a edição final. Acreditam que devea ter entre 160 e 170 páginas. A Jam Session é a outra atração da Virada Cultural. A proposta é reunir diferentes artistas e uni-los na produção coletiva de histórias e caricaturas. Segundo os organizadores, confirmaram presença: Alexandre Nagado, Rodolfo Zalla, Rafael Coutinho, Fábio Cobiaco, Sam Hart, Sandro Castelli, Osvaldo Pavaneli e Eloar Guazzelli (que venceu recentemente o Grande Prêmio de um concurso de humor gráfico promovido pelo jornal "Folha de S.Paulo"). Os artistas da "PutzGrila" também devem participar. Os trabalhos produzidos ficarão expostos na Gibiteca Henfil, que também fica no Centro Cultural, até o dia 31 de maio. A grande mídia noticiou a Virada Cultural. Curiosamente, ignorou este evento de quadrinhos. SERVIÇO Lançamento de "PutzGrila" e Jam Session de quadrinhos. Sábado (20.05). Onde: Centro Cultural Vergueiro. Rua Vergueiro, 1000. Paraíso. São Paulo. Horário: 18h. Domingo (21.05). Onde: Galeria Olido. Avenida São João, 473. Centro. São Paulo. Horário: 10h. Os dois eventos são gratuitos.
RELACIONAMENTO ABUSIVO NO BRASIL
O Brasil mantém um sistema telefônico para atender e orientar casos de violência doméstica. É o 180, Central de Atendimento à Mulher, mantido pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Funciona 24 horas por dia desde o mês passado.
O serviço entrou no ar no dia 25 de novembro de 2005. Até abril deste ano, recebeu 17.991 ligações. A maioria (49,4%) era para obter informações sobre direitos e como proceder nos casos de violência. A região sudeste liderou o número de chamadas (43,12%). A maior procura partiu do Estado de São Paulo (5.172 chamadas).
A mulher que ligou para o serviço foi uma mulher, casada (26%) ou solteira (25%), com apenas o ensino fundamental, entre 20 e 29 anos.
Os dados levantados pelo serviço não dão uma dimensão aprofundada sobre o tema. Mas permitem perceber o quão presente é a violência doméstica entre as brasileiras. A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres mantém um site. Para acessar, clique aqui.
17/05/2006
DOIS LANÇAMENTOS USAM QUADRINHOS PARA TORNAR LIVROS MAIS POPULARES
O primeiro é a adaptação da obra homônima de João Cabral de Melo Neto. O álbum da Editora Massangana, de Recife, celebra em quadrinhos o cinqüentenário do livro "Morte e Vida Severina". Foi adaptado por Miguel Falcão, ou Leuguim ("Miguel" lido de trás para frente), como gosta de assinar.
O álbum usa palavras e figuras para remontar a dura busca do personagem Severino por uma vida melhor no sertão nordestino. Ele, na verdade, é uma metáfora usada por João Cabral para representar a situação difícil de tantos outros "severinos" brasileiros: "O meu nome é Secerino, não tenho outro de pia. / Como há muitos severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar Severino de Maria. / Como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do finado Zacarias." A quadrinização guarda uma curiosidade. O álbum -bancado pela Fundação Joaquim Nabuco, órgão do Ministério da Educação- não vai ser vendido ao público: será oferecido de graça. Segundo os responsáveis pela edição, a idéia é atender um desejo antigo do poeta, o de ver sua obra popularizada. É exatamente esse o caso do outro lançamento. "Passos Perdidos, História Desenhada: a Presença Judaica em Pernambuco no Século XX - Vol. 1" será distribuído gratuitamente nas escolas municipais de Recife. O material também será enviado a secretarias de educação do Estado e a bibliotecas de todo o país. De novo: de graça. A obra é uma versão quadrinizada do livro homônimo, escrito por Tânia Kaufman, professora da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e diretora do Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco. A adaptação ficou a cargo do sociólogo e desenhista Amaro Braga, também professor da Universidade. A história é narrada pela (agora personagem) Tania Kaufman. Ela é retratada como uma avó que conta aos netos a presença e a importância da comunidade judaica em Pernambuco. Instalada a partir do século 16, fincou raiz no Estado. O registro do tema, em livro ou quadrinhos, é um resgate da memória pernambucana. Como conseguir os álbuns. "Morte e Vida Severina" é distribuído Editora Massangana. Há um telefone de contato: (81) 3441-5500, ramal 576. "Passos Perdidos, História Desenhada: a Presença Judaica em Pernambuco no Século XX - Vol 1" deve chegar às bibliotecas universitárias, principalmente as de Recife. Hoje à noite, há uma boa chance de conseguir um exemplar e conhecer os autores. Haverá um lançamento às 19h na Livraria Cultura do Shopping Paço Alfândega, em Recife.
11/05/2006
ENCONTRADOS DESENHOS CENSURADOS DE OSAMU TEZUKA
Material produzido por Osamu Tezuka entre 1945 e 1949 foi encontrado nos Estados Unidos. Estava na Universidade de Maryland. Os desenhos fariam parte de um acervo que reúne jornais japoneses confiscados pela censura americana no período pós-guerra.A notícia circulou hoje e é creditada à agência de notícias France Presse. Não há informação sobre o conteúdo dos desenhos. Sabe-se que são da infância do artista. A agência ouviu Minoru Kotoku, da Tezuka, empresa fundada pelo artista. "Essa descoberta é significativa para o conhecimento da obra de Tezuka e para o universo do mangá".
Osamu Tezuka criou um estilo próprio de produzir os mangás, como são conhecidos os quadrinhos no Japão. Criou personagens famosos entre os brasileiros, especialmente entre os que têm mais de trinta anos (caso de "A Princesa e o Cavaleiro"). Seu trabalho influenciou a maioria dos artistas das gerações seguintes.
Osamu Tezuka morreu em 1989. A última publicação dele publicada no Brasil foi "Adolf", lançada na semana passada (Conrad, R$ 27,90). Conta a história de três pessoas com o mesmo nome (o do título da obra), ligadas por uma situação do destino. Um dos Adolfs é Hitler. O nazismo é o pano de fundo do enredo. Leia mais sobre "Adolf" na postagem do dia 3 deste mês.
RECRUTA ZERO ANO UM Recruta Zero vai ganhar uma edição de luxo. A obra irá reunir todas as tiras do primeiro ano de publicação do personagem. O material deverá ter por volta de 120 páginas. Será publicado em capa dura e no formato 27 x 36,5 cm. O tamanho vai ser o mesmo utilizado nas histórias de Príncipe Valente (criação de Hal Foster, há anos editado num formato maior). Segundo a Opera Graphica, editora responsável pela publicação, o título do álbum será Recruta Zero Ano Um. Começa com a primeira tira, de 4 de setembro de 1950, até o período em que ele entra para o serviço militar. A fase inicial do personagem de Mort Walker mostrava Zero como um universitário. Os problemas dele na faculdade eram o tema central da narrativa. Foi só em 1951 que Walker o recrutou para o exército. Funcionou. E Zero ficou por lá desde então. O ranzinza Sargento Tainha surge nesse período. Parte dessa fase inicial já foi mostrada no Brasil. A diferença da edição da Opera Graphica é que serão publicadas todas as tiras em seqüência, da universidade ao exército. As outras edições publicadas por aqui faziam uma triagem das tiras mais relevantes, intercalando quadrinhos com notas explicativas. Nos últimos 20 anos, três editoras utilizaram esse recurso (com publicações muito semelhantes). A gaúcha LP&M editou miniálbuns com diferentes personagens. Zero era um deles. Saiu em 1986 e teve reedição neste ano, em formato pocket (é o número 483 e ainda está à venda). A Editora Globo selecionou, em 1993, uma série de personagens da King Features Syndicate -empresa que detém os direitos de Recruta Zero e o distribui para outras países- para estamparem edições do Gibi (publicado no chamado "formatinho", o mesmo tamanho de revistas em quadrinhos da Turma da Mônica). A edição reservada para o Recruta Zero foi a de número 3. A Opera Graphica, que vai lançar o álbum de luxo, já editou Recruta Zero antes, com uma proposta semelhante. Em 2002, inclui o personagem na Coleção Opera King, que apresenta, a cada volume, uma das criações do selo. O folgado e preguiçoso Zero foi o selecionado para a quinta edição. A editora não tem uma data exata para o lançamento de Recruta Zero Ano Um. Sabe-se que deve ser nos próximos meses. A obra também terá notas explicativas. Leia mais sobre Recruta Zero a seguir.
10/05/2006
TIO PATINHAS CITADO NA CPI
Só faltava essa no sempre inovador mundo político brasileiro: Tio Patinhas (personagem de Walt Disney) foi citado agora há pouco na CPI dos Bingos. Foi durante depoimento do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira. O ex-petista fazia referência à amizade que mantinha com o presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Paulo Okamotto."A imagem que tenho de Paulo Okamotto é a de uma pessoa muito séria. Ele sempre foi muito conservador em termos de gastos. Era chamado de Patinhas. Não deixava gastar."
(Se não deixava gastar, é o mesmo Patinhas).
Não deixa de ser curioso imaginar como seria a atuação de uma CPI em Patópolis. O Pato Donald resolve contar tudo. Tio Patinhas nega saber de qualquer irregularidade ("não sei de nada") e arma um esquema de caixa dois para justificar todos os gastos. Entrega as "provas" ao Peninha. É fácil imaginar o resto da história.
Bom mesmo seria ver uma CPI em Sin City, a cidade barra-pesada criada por Frank Miller.
Em tempo: em entrevista ao jornal "O Globo", Silvio Pereira disse que Marcos Valério pretendia conseguir R$ 1 bilhão por meio de contratos de empresas com o governo federal.
VALENTINA: NOVO PASSEIO PELO BRASIL
A edição da Conrad (R$ 55) é uma ode à personagem. O álbum de 142 páginas, envolvido numa capa plástica dura, apresenta as histórias da fotógrafa em ordem cronológica, algo nunca feito antes no Brasil. Esta edição -a proposta da editora é dar seqüência à publicação- reúne quatro histórias, compreendendo os anos de 1965 e 1966. A maioria foi publicada na revista Linus, que mesclava produções italianas com outras, importadas dos Estados Unidos. Há uma curiosidade sobre Valentina, que só reforça o destaque que ela alcançou. Era personagem secundária na primeira aventura, A Curva de Lesmo. O protagonista era Neutron, o protótipo do herói de aventuras. Valentina roubou a cena. Ganhou um espaço maior na segunda história, a começar pelo título, Olá, Valentina. Neutron ficou em segundo plano, até cair no esquecimento. Essa mudança fica clara durante a leitura. A mudança de protanonista tem uma boa explicação, principalmente por parte do público masculino. Havia uma erotização das mais bizarras situações. Apesar de ser um clichê, ganhava outra cor nas mãos de Guido Crepax. É quase um delírio, que ganhava forma por meio dos desenhos dele. A impressão que se tem, durante a leitura, é que Crepax aprimora o estilo página após página. Não é impressão. Ele refina a estética e se supera a cada nova história. O elemento visual é tão forte que uma das críticas mais comuns ao autor é que prioriza o visual em detrimento do conteúdo. Será que Crepax sabia a projeção que a personagem alcançaria? Difícil dizer. O fato é que o casamento durou 29 anos. Terminou em 1994, com a história Valentina Movie.Há algumas hipóteses sobre quem teria sido a inspiração para a criação de Valentina. Estão reunidas no livro Desnudando Valentina - Realidade e Fantasia no Universo de Guido Crepax (veja entrevista com o autor Marco Aurélio Lucchetti a seguir). Há quem diga que Crepax tenha se baseado na atriz Louise Brooks. Há outro relato, no entanto, de que era parecida com a esposa dele. O nome teria vindo de uma sobrinha. São mistérios que dificilmente terão uma resposta definitiva. O autor, que poderia dar o veredicto, morreu em julho de 2003. Ficou a obra. Os brasileiros tiveram contato com Valentina em edições da revista Grilo, do Gibi e em álbuns da editora LP&M. Nenhuma das edições obedeceu à ordem cronológica. A leitura das histórias em seqüência é uma boa oportunidade para entender o mito, que se tornou um dos maiores símbolos sexuais dos quadrinhos. É também uma chance de apreciar os delírios visuais de Crepax, até hoje inovadores.
07/05/2006
QUADRINHOS NO TEATRO 2: AVENIDA DROPSIE
A peça Avenida Dropsie volta a ser encenada. A reestréia é na próxima sexta-feira em São Paulo. A montagem da Sutil Companhia de Teatro é baseada na graphic novel criada pelo norte-americano Will Eisner (1917-2005), um dos mais respeitados nomes dos quadrinhos mundiais. O roteiro e a direção são de Filipe Hirsch, que repete as mesmas funções da primeira encenação. A previsão é de curta temporada. Estão programadas 12 apresentações no Teatro Alfa. Na primeira montagem, em 2005, a estimativa inicial também era de poucas semanas. Ficou seis meses em cartaz no Teatro Popular do Sesi. Segundo a produção, foi vista por cerca de 40 mil pessoas. Avenida Dropsie foi indicada a três categorias do prêmio Shell de teatro. Ganhou por iluminação (para Beto Bruel). Bruel volta nesta nova montagem, assim como os fundadores da Sutil Companhia de Teatro, Felipe Hirsch e Guilherme Weber. Ambos criaram o grupo em 1993 em Curitiba. Parte do elenco também volta nesta reestréia. A peça conta ainda com a voz do ator Gianfrancesco Guarnieri, fazendo a voz do criador da história, Will Eisner. Avenida Dropsie deve ficar em cartaz no Teatro Alfa até 4 de junho. Esta é a segunda encenação sobre histórias em quadrinhos atualmente em São Paulo. Chapa Quente, baseada nos quadrinhos de André Kitagawa, estreou na sexta-feira passada. Veja mais detalhes na postagem do último dia 5. Leia mais sobre Eisner e a história em quadrinhos que inspirou a peça na postagem abaixo. SERVIÇO Avenida Dropsie. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722. Santo Amaro, São Paulo. Sextas e sábados: 21h. Domingos: 20h. Ingressos: R$ 50,00 (platéia inferior) e R$ 30,00 (platéia superior). Classificação: 14 anos.
A AVENIDA DROPSIE DE WILL EISNER
Will Eisner justificou a escolha do tema na introdução da obra (texto originalmente escrito em 1994). "Minha preocupação com esse fenômeno tem ocupado minhas reflexões sobre a vida na cidade há bastante tempo, mas foi só em 1990, quando o New York Times noticiou o renascimento do sul do Bronx, que minha atenção tornou-se mais evidente. Para mim, isso geralmente leva a escrever um livro". O livro foi outra de suas graphic novels, nome que serviu de rótulo para as produções de quadrinhos norte-americanas de cunho mais autoral e mais trabalhadas. A obra pertence a um segundo momento do autor. Eisner havia deixado definitivamente para trás seu personagem mais famoso, Spirit (criado em 1940), e passou a produzir, a partir dos anos 70, histórias mais autorais e adultas. Não tinha nada a provar. Cada história parecia um exercício da arte seqüencial, termo que usou para se referir às histórias em quadrinhos. Avenida Dropsie traz muito desse exercício criativo. O local da avenida é o cenário e o personagem principal. Os seres que por lá passaram servem para justificar as sucessivas mudanças nas residências. É também por meio deles que se percebe o passar do tempo, em outra brincadeira criativa de Eisner. Eles envelhecem, passam de crianças a adultos, e, quando o leitor percebe, passaram-se décadas, sem que fosse necessária a presença do narrador para explicar o que está acontecendo. Tudo fica claro, graças ao talento do autor. A vizinhança, subtítulo do álbum, é uma menção às famílias de holandeses que se estabeleceram no que seria o Bronx, ainda em 1870. A história parte daí. São as pessoas que fazem uma vizinhança, segundo o autor. Em qualquer avenida. A Dropsie é apenas uma delas.
05/05/2006
QUADRINHOS NO TEATRO: CHAPA QUENTE
Estréia hoje em São Paulo a peça Chapa Quente. O trabalho é baseado nas histórias em quadrinhos criadas pelo arquiteto e ilustrador André Kitagawa. Ele é o co-diretor da encenação. A direção ficou a cargo de Mário Bortolotto, que comanda a o grupo teatral Cemitério de Automóveis. Os dois iniciaram a parceria por causa dos quadrinhos. Bertolotto gostou das histórias produzidas por Kitagawa. "Ele não me conhecia", conta o ilustrador. "Entrou em contato comigo depois de ler meu material". Foi um namoro ("no bom sentido", brinca) que levou dois anos até a estréia deste fim de semana. Os quadrinhos estão reunidos numa página da internet, mantida pelo ilustradorhá três anos. Lá, há os principais trabalhos dele. São histórias curtas, uma espécie de microcontos. Sete são utilizados na peça: Mariza?, Vagabundo, Paranga Insana (imagem acima), Balada Sangrenta, O Pacote, Faísca Existência e Super-T. André Kitagawa não é um novato na área de quadrinhos. As histórias reunidas no site foram produzidas entre 1996 (caso de Mariza?, uma das primeiras do autor) e 2002 (Faísca Existência e Super-T, publicadas originalmente na revistas Front números 10 e 11 (editadas pela Via Lettera). Clique aqui para ler os trabalhos dele. Outra forma de ler o material de André Kitagawa é comprar a coletânea editada por ele, em parceria com a editora Atrito Art. A tiragem é pequena, 500 exemplares. Os álbuns serão vendidos apenas na peça. A peça fica em cartaz até o dia 7 de julho. É o segundo trabalho sobre quadrinhos em cartaz. Avenida Dropsie, baseada nas histórias de Will Eisner, voltará a ser encenada. SERVIÇO Chapa Quente. Rua Capote Valente, 1323. Pinheiros. São Paulo. Próximo ao metrô Sumaré. Sextas e sábados: 21h30. Domingos: 20h30. Ingresso: R$ 20.
04/05/2006
AUMENTA O NÚMERO DE TESES SOBRE QUADRINHOS NA USP
Aumentou nos últimos anos o número de trabalhos científicos sobre quadrinhos na USP (Universidade de São Paulo). Houve, desde 2000, 13 teses e dissertações defendidas nos cursos de pós-graduação. É quase a metade de tudo o que foi o que já foi produzido a respeito desde a fundação da universidade.
A pesquisa revela que a USP produziu, até o ano passado, 30 trabalhos científicos. 43,4% foram de 2000 a 2005. O número deve aumentar nos próximos anos. Há pelo menos três trabalhos em andamento. Se esses estudos forem concluídos, esta década deverá terminar com o maior volume de pesquisas sobre histórias em quadrinhos já feito pela USP.
O levantamento -que o Blog dos Quadrinhos veicula em primeira mão- é inédito. Foi feito pelos professores Waldomiro Vergueiro e Roberto Elísio dos Santos, coordenadores do Núcleo de Pesquisa de Histórias em Quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da USP. O estudo deve ser apresentado ainda neste ano em congresso na área de comunicação.
A tendência não é só na USP, segundo Roberto Elísio. "Pelos trabalhos apresentados no Congresso da Intercom [Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação] por pesquisadores de todo o país, essa tendência de aumento do número de pesquisas acadêmicas sobre quadrinhos pode ser notada em diversas universidades do país."
Para ele, houve uma mudança na maneira como as histórias em quadrinhos são vistas na academia. "Eu acredito que o preconceito contra os quadrinhos tenha
Pessoas interessadas na pesquisa sobre quadrinhos começaram a ter coragem de apresentar e desenvolver seus projetos de pesquisa." Mas faz uma ressalva: "Isso não significa que o preconceito acabou".
Leia a pesquisa completa a seguir.
VEJA A PESQUISA COMPLETA A pesquisa revela que houve aumento no número de teses e dissertações produzidas na USP (Universidade de São Paulo).
Período Número de trabalhos
1970-1979 - 3 (10%)
1980-1989 - 4 (13,4%)
1990-1999 - 10 (33,3%)
2000-2005 - 13 (43,3%)
Total - 30 Fonte: Doutores Waldomiro Vergueiro e Roberto Elísio dos Santos
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