29/08/2007
Mais uma explicação de Laerte. Agora, sobre as tiras filosóficas
29/08/2007
Mais uma explicação de Laerte. Agora, sobre as tiras filosóficas
Ontem, foi em "O Globo". Hoje, na "Folha de S.Paulo". Em dois dias, o cartunista Laerte Coutinho concedeu duas entrevistas diferentes, que ajudam a entender melhor as mudanças por que passaram as tiras que ele publica diariamente na Folha.
Para "O Globo", ele comentou sobre o ano sabático que deu a si próprio e que o levou a republicar tiras de "Classificados" no espaço que mantém na Folha.
Ele comentou também que abandonou -em princípio, temporariamente- o uso de personagens fixos (leia aqui).
Na entrevista desta quarta-feira, o cartunista disse que está em "crise" criativa. Esse foi um dos motivos que o levaram a fazer as chamadas "tiras filosóficas".
Essas tiras foram publicadas no caderno "Ilustrada" da Folha entre 2005 e 2006. Tinham em comum o fato de não produzirem uma piada no fim.
Algumas tinham roteiros que dialogavam com o surrealismo.
O cartunista, de 56 anos, disse que a morte do filho, num acidente de carro em 2006, serviu como um "divisor de águas". Desde então, passou a não ver mais o humor do mesmo jeito.
Por isso, abandonou os personagens fixos -comentado também na entrevista a "O Globo"- e abraçou algo "bastante livre, indagativo, experimental, porra-louca".
Nas palavras dele:
"Passei a ver e pensar as coisas de outro jeito, uma série de procedimentos começou a perder o sentido ou ganhar outros.
Muito do que consistia a natureza das minhas tiras era um tipo de prestação de contas, como se eu estivesse fazendo para algum juiz, era um modo extenuante de trabalhar.
Passei a não achar mais graça no tipo de humor que fazia, não me identificava mais com aquele modo de fazer, então resolvi deixar de lado os personagens."
O jornalista Marco Aurélio Canônico, autor da entrevista publicada na Folha, perguntou ao criador dos "Piratas do Tietê" se o novo método tornou mais fácil a criação das tiras.
"Não, não facilitou. Abriu possibilidades, mas era muito mais complicado, eu demorava mais para fazer as tirinhas.
Aí, no fim do ano passado, cansei, fiquei sem rumo novamente e passei a republicar o material do Classifolha [um dos cadernos da Folha], os cartuns livres, achei que dava para tirar um ano sabático."
A parada, segundo ele, é também para produzir um álbum de 96 páginas para a editora Desiderata.
28/08/2007
Laerte explica por que tem publicado tiras repetidas na Folha
O desenhista Laerte Coutinho –ou simplesmente Laerte- explicou por que tem publicado tiras repetidas no espaço diário que mantém na "Ilustrada", caderno de cultura do jornal "Folha de S.Paulo". A tira acima é a da edição desta terça-feira. No canto direito superior, aparece escrito "século 20", que indica a reedição da piada. Isso tem ocorrido desde o começo do ano. "Como esse material tinha saído há uns oito, dez anos, somente na cidade de São Paulo, no caderno de classificados do jornal, é uma forma de mostrar agora essas tiras ao resto do país", disse. "É um efeito meio sabático." As tiras eram publicadas nos cadernos de imóveis, empregos e veículos sob o nome "Classificados". Parte delas foi reunida em três álbuns, publicados pela editora Devir. A explicação de Laerte faz parte de uma entrevista concedida a Telio Navega, responsável pelo blog "Gibizada". A conversa foi publicada nesta terça-feira na coluna sobre quadrinhos que Navega mantém no "Megazine", suplemento jovem do jornal carioca "O Globo". Na entrevista, Laerte confirma que parou de fazer histórias com personagens fixos. A exceção é Suriá, tira infantil que publica aos sábados na "Folhinha", suplemento para crianças da "Folha". Suriá é um dos personagens que pretende adaptar para o cinema. Segundo a entrevista, o mesmo deve ocorrer com os Palhaços (sempre mudos nas histórias em que aparecem). Laerte diz que tem planos de produzir vinhetas de Los Tres Amigos para o canal Cartoon Network. As animações seriam feitas com os outros dois "amigos", Angeli e Glauco. Piratas do Tietê vai virar um longa animado, feito por Otto Guerra, o mesmo diretor de "Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock´n´roll" (premiado com o Troféu HQMix deste ano; leia mais aqui e aqui). Laerte –que diz na entrevista ser bissexual- lança dois álbuns nos próximos dias. "Laertevisão – Coisas que não Esqueci" -editado pelo filho, Rafael Coutinho- deve começar a ser vendido na virada do mês (Conrad, R$ 46). A obra, de 128 páginas, traz memórias da infância dele feitas em quadrinhos. O material já tinha sido lançado na "Folha de S.Paulo" (leia mais aqui). O outro álbum reedita todas as histórias dos Piratas do Tietê (Devir, R$ 52). É o primeiro de uma série de três livros em capa dura, com 112 páginas cada um (leia aqui). "Piratas do Tietê – A Saga Completa" começou a chegar às lojas especializadas em quadrinhos no último fim de semana. A obra será lançada oficialmente na sexta-feira, com presença de Laerte. Vai ser na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2.073, São Paulo). Começa às 18h30. A entrevista de Laerte pode ser lida na versão virtual de "O Globo" (mediante cadastro). Há link no "Gibizada". Para acessar, clique aqui.
|
|
| [ ver mensagens anteriores ] | |