Mais uma explicação de Laerte. Agora, sobre as tiras filosóficas

Ontem, foi em "O Globo". Hoje, na "Folha de S.Paulo". Em dois dias, o cartunista Laerte Coutinho concedeu duas entrevistas diferentes, que ajudam a entender melhor as mudanças por que passaram as tiras que ele publica diariamente na Folha.
 
Para "O Globo", ele comentou sobre o ano sabático que deu a si próprio e que o levou a republicar tiras de "Classificados" no espaço que mantém na Folha.
 
Ele comentou também que abandonou -em princípio, temporariamente- o uso de personagens fixos (leia aqui).
 
Na entrevista desta quarta-feira, o cartunista disse que está em "crise" criativa. Esse foi um dos motivos que o levaram a fazer as chamadas "tiras filosóficas".
 
Essas tiras foram publicadas no caderno "Ilustrada" da Folha entre 2005 e 2006. Tinham em comum o fato de não produzirem uma piada no fim.
 
Algumas tinham roteiros que dialogavam com o surrealismo.
 
O cartunista, de 56 anos, disse que a morte do filho, num acidente de carro em 2006, serviu como um "divisor de águas". Desde então, passou a não ver mais o humor do mesmo jeito.
 
Por isso, abandonou os personagens fixos -comentado também na entrevista a "O Globo"- e abraçou algo "bastante livre, indagativo, experimental, porra-louca".
 
Nas palavras dele:
 
"Passei a ver e pensar as coisas de outro jeito, uma série de procedimentos começou a perder o sentido ou ganhar outros.
 
Muito do que consistia a natureza das minhas tiras era um tipo de prestação de contas, como se eu estivesse fazendo para algum juiz, era um modo extenuante de trabalhar.
 
Passei a não achar mais graça no tipo de humor que fazia, não me identificava mais com aquele modo de fazer, então resolvi deixar de lado os personagens."
 
O jornalista Marco Aurélio Canônico, autor da entrevista publicada na Folha, perguntou ao criador dos "Piratas do Tietê" se o novo método tornou mais fácil a criação das tiras.
 
"Não, não facilitou. Abriu possibilidades, mas era muito mais complicado, eu demorava mais para fazer as tirinhas.
 
Aí, no fim do ano passado, cansei, fiquei sem rumo novamente e passei a republicar o material do Classifolha [um dos cadernos da Folha], os cartuns livres, achei que dava para tirar um ano sabático."
 
A parada, segundo ele, é também para produzir um álbum de 96 páginas para a editora Desiderata.
 
O cartunista lança nos próximos dias dois álbuns com material antigo: "Piratas do Tietê - A Saga Completa" e "Laertevisão - Coisas que Não Esqueci" (leia mais aqui e aqui).