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26/03/2007
Panini: primeiras histórias da Marvel e duas novas revistas DC
A Panini vai publicar edições especiais com as primeiras histórias de heróis da Marvel. E a DC Comics terá mais dois títulos mensais. As novidades estão programadas para este trimestre e foram divulgadas no número deste mês da revista "Wizmania" (R$ 7,90), uma das publicações da editora.
"Biblioteca Histórica Marvel" vai trazer as aventuras iniciais de Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e Vingadores. Todas foram produzidas na década de 60. As histórias dos dois grupos foram escritas por Stan Lee e Jack Kirby, dupla que deu mais humanidade às revistas de super-heróis e influenciou muito do que se vê hoje no gênero.
A multinacional Panini pretende publicar também mais números da coleção "Os Maiores Clássicos", que reedita histórias da Marvel produzidas em geral na década de 80. Foi programado um terceiro volume de Quarteto Fantástico (de John Byrne), dos Vingadores (combates com o vilão Kang) e de Homem-Aranha (com foco em Venom, um dos vilões do terceiro longa-metragem do herói).
É comum haver atraso no lançamento dessas edições especiais. "Os Maiores Clássicos" com histórias da Tropa Alfa, escritas e desenhadas por John Byrne, tinha sido anunciado para janeiro. Foi anunciado novamente para este mês. Ainda não saiu.
Na DC, a Panini continua com a política de expansão, motivada pela renovação de contrato com a editora norte-americana (negócio acertado em dezembro; leia mais aqui). São duas novas publicações.
A primeira foi anunciada para o mês que vem: "Batman Extra", segundo título mensal do herói. De acordo com a "Wizmania", a revista trará "apenas histórias saídas de revistas e minisséries do Cavaleiro das Trevas".
A outra publicação mensal está prevista para junho. "Universo DC" trará histórias derivadas do evento "Crise Infinita" (minissérie em sete edições publicada atualmente). Os títulos são "Checkmate", "Shadowpact", "Secret Six" e "Battle for Blüdhaven". Há também mais um volume de "Gotham City contra o Crime" (em "DC Especial").
A má notícia: não há qualquer notícia sobre "Blacksad", material espanhol que vinha sendo publicado pela Panini. Há um bom tempo não sai um número novo. O título nem consta mais no site da editora. Até prova em contrário, foi cancelado.
Escrito por PAULO RAMOS às 16h49
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22/03/2007
Mais uma matéria: revistas descobrem os quadrinhos
A revista “Caros Amigos” deste mês traz uma reportagem de seis páginas sobre a evolução das mulheres nos quadrinhos. Assinada pela jornalista Andrea Dip, a matéria traz também três entrevistas com autores ligados ao universo feminino: a argentina Maitena, o brasileiro Miguel Paiva (criador da Radical Chic) e Sophie Crumb (filha de Robert Crumb, um dos principais nomes do quadrinho alternativo norte-americano).
São de Sophie Crumb algumas das frases mais polêmicas e interessantes. A começar pela relação com o pai excêntrico: “Já agüentei muita merda por ser filha de Crumb”. Ela questiona a versão feminina feita por desenhistas homens. “Ninguém pode desenhar uma mulher melhor do que uma mulher que desenha bem.”
Neste mês, é a segunda revista não especializada que faz uma matéria sobre quadrinhos. A “Cult”, voltada à literatura, publicou na última edição uma série de artigos sobre a ida dos quadrinhos às livrarias (leia mais aqui).
Não é coincidência.
A mídia costuma descobrir temas "novos" de quando em quando. Isso gera uma onda, seguida por outros veículos noticiosos. Parece que as revistas "descobriram" os quadrinhos.
Colhe-se neste início de 2007 o que se viu durante todo o ano de 2006 (leia mais aqui).
Escrito por PAULO RAMOS às 08h48
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17/03/2007
Ainda há preconceito na compra de quadrinhos, diz vendedora
A matéria abaixo abordou o papel que a série Sandman teve na ida dos quadrinhos às livrarias. Vários leitores comentaram o assunto. Um dos depoimentos da postagem foi escrito por Denise Jaqueline de Moura, de 28 anos. Ela revelou um lado ainda não ouvido sobre esse assunto, o do vendedor das grandes livrarias.
Denise trabalha na Fnac do shopping Morumbi, em São Paulo. A megaloja vende CDs, DVDs, artigos de computação, livros e quadrinhos. Segundo ela, ainda existe preconceito na compra de histórias em quadrinhos.
Pedi a Denise autorização para reproduzir o testemunho numa postagem à parte. Pedido aceito, segue o relevante comentário dela, na íntegra:
"Eu trabalho em uma livraria, e até bem pouco tempo os quadrinhos ficavam em cestas, e geralmente bem no cantinho. Escondidos mesmo. De uns meses para cá, eles têm ganhado lugares de exposição que antes pertenciam à literatura mais tradicional. Mas ainda há certo preconceito, principalmente dos pais de adolescentes e pré-adolescentes. Quando alguém pede uma sugestão e eu recomendo quadrinhos, a pessoa dá ‘aquele’ sorrisinho de canto de boca... Continuemos perseverando..."
Escrito por PAULO RAMOS às 15h38
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13/03/2007
O cartum é uma espécie em extinção, diz Jaguar
O cartum está no fim porque quase ninguém faz. A opinião é do veterano cartunista Jaguar e faz parte de uma entrevista dele publicada nesta terça-feira no jornal "Folha de S.Paulo".
Aos 75 anos, Jaguar diz o que pensa. Ou continua a dizer o que pensa. É o mesmo estilo direto e sem "papas na língua" que marcou a passagem dele pelo jornal alternativo "O Pasquim", um dos principais contrapontos da ditadura militar brasileira.
Algumas opiniões dele, pinçadas da entrevista concedida à jornalista Sylvia Colombo:
"O cartum é uma espécie em extinção. Tem muita gente publicando história em quadrinhos, charges, caricaturas. Não é a mesma coisa. Sou cartunista, mas sobrevivo fingindo que sou cartunista. Senão, não pago as minhas contas."
"Eu não tenho onde publicar [cartum]. De vez em quando emplaco um cartum. Mas tem de ser disfarçado de charge. Se não for assim, não passa."
"A maioria dos humoristas hoje é muito certinha. Criou-se um limite e, se a gente passa um puco, leva pito. Eu não levo mais porque sou velho e sou o Jaguar. Aí as pessoas dizem: ´Ah, é o Jaguar, deixa ele´."
Escrito por PAULO RAMOS às 12h25
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12/03/2007
Revista Piauí publica história inédita de Art Spiegelman
A revista "Piauí" deste mês traz uma história inédita de Art Spiegelman (Editora Alvinegra, R$ 7,90; o desenho da capa também é dele). É uma narrativa autobiográfica, feita em oito páginas. "Retrato do Artista Quando Jovem" mostra os primeiros contatos do autor com os desenhos, bem como a conflituosa relação com a mãe e o pai.
Não é a primeira vez que Spiegelman usa uma história em quadrinhos para contar algo relacionado a seu círculo familiar. Em "Maus", trabalho mais famoso do cartunista e já publicado no Brasil, ele narra a trajetória dos pais nos campos de concentração nazistas. Estes são representados como gatos. Os judeus, como ratos.
A publicação do trabalho de Spiegelman parece consolidar o interesse da "Piauí" em histórias em quadrinhos curtas. A revista já editou narrativas de Angeli e Laerte.
Esta edição de março traz também quadrinhos de Gotlib (presente nos números anteriores) e Santiago (uma narrativa curta, de seis quadros).
Há outro indício do interesse da publicação nos quadrinhos. A "Piauí" pagou uma publicidade de duas páginas no último número de "Tulípio", revista distribuída gratuitamente em bares de São Paulo e do Rio de Janeiro. A escolha dos pontos de circulação no Rio de Janeiro ficou a cargo dos responsáveis pela "Piauí".
Escrito por PAULO RAMOS às 00h40
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10/03/2007
Mais uma revista discute venda de quadrinhos nas livrarias
A ida dos quadrinhos às livrarias é tema de uma das reportagens da edição de estréia da revista "Omelete", que chegou às bancas nesta semana (Mythos Editora, R$ 8,90). É a segunda publicação a abordar o assunto neste mês. A "Cult", especializada em literatura, também discutiu a tendência no número de março.
A matéria da "Omelete", assinada por Érico Assis, faz um exaustivo panorama do tema do ponto de vista dos editores. A reportagem ouve um a um. Parece consenso entre eles que as livrarias se tornaram um bom e rentável negócio.
Talvez seja de Hélio Lopes, da Ediouro, a melhor síntese do assunto. "Os quadrinhos sofreram uma mudança de acabamento, ficando mais parecidos com os livros, feitos com papel de qualidade, lombada quadrada, capas duras e, claro, o preço ficou mais alto", diz ele à revista. "Com isso, o status da HQ mudou na visão dos donos de livrarias. A rentabilidade passa a ser maior e vale a pena ter e expor o produto nas prateleiras".
Em outras palavras: não é que houve uma conscientização do mercado. É que as vendas revelaram que quadrinhos pode ser, sim, um bom negócio. O dinheiro falou mais alto.
O mercado de quadrinhos é discutido também numa história em quadrinhos de seis páginas, assinada por José Aguiar. O autor de "Folheteen" (álbum lançado neste ano) relata sua passagem pela Alemanha e França e faz um raio-X de como é o mercado por lá.
Na Alemanha, segundo Aguiar, há mais títulos, mas o cenário é semelhante ao visto no Brasil (mais quadrinhos estrangeiros, menos "nativos"). Na França, o mercado é mais maduro, com público diversificado e tido como uma manifestação artística séria.
A revista "Omelete" é baseada no site homônimo. A publicação mantém a mesma linha da página virtual, colocando foco nas diversas manifestações da chamada cultura pop. Matérias sobre quadrinhos, TV e, principalmente, cinema são os carros-chefes do título.
Escrito por PAULO RAMOS às 16h04
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04/03/2007
Revista Cult discute mercado de quadrinhos
A revista "Cult" -especializada em literatura- dedica um terço da edição deste mês para discutir o papel que os quadrinhos exercem atualmente no mercado (Editora Bregantini, número 111, R$ 9,90). Há cinco artigos sobre o tema.
Os textos abordam as inovações estilísticas trazidas pelas graphic novels, a histórica censura enfrentada pelos autores, as várias nuances do quadrinho erótico, a evolução do traço ao longo das décadas, uma entrevista com Ziraldo Alves Pinto, escritor, cartunista e criador do "Menino Maluquinho".
Os artigos foram claramente imaginados para um público que ainda se surpreende ao ver arte nos quadrinhos. É o mesmo público que começou a ver histórias em quadrinhos dividindo espaço com obras literárias nas livrarias. E vê nisso uma novidade.
Não é por acaso que o artigo que abre as 21 páginas dedicadas ao assunto se chama "Livraria em alta; bancas em baixa". Assinado pelo jornalista e pesquisador Gonçalo Junior, mostra a migração das publicações do gênero para as livrarias, fenômeno que continua neste ano.
No artigo, Gonçalo Junior dá números sobre esse comportamento do mercado. "Tio Patinhas", que antes vendia perto de 500 mil exemplares/mês, hoje fica em torno de 30 mil. Mauricio de Sousa estaria vendendo um terço do que registrava há cinco anos. Segundo o autor:
"As histórias em quadrinhos vivem no país atualmente duas realidades bem distintas. Uma, a das livrarias. Outra, a das bancas de jornal. Dois mundos distantes em que poucas pessoas freqüentam ambos. O primeiro nunca esteve tão bem, em franca expansão. O segundo passa por sua maior crise (...)."
Foi a presença nas livrarias, e não outro motivo, que motivou a pauta da "Cult" (o tema não é freqüente na revista). Mas isso é um sinal de que se começam a ver quadrinhos com outros olhos. A publicação repete hoje o que a "Revista de Cultura Vozes" fez no início da década de 70. À época, dedicou uma edição inteira para defender a idéia de que quadrinhos eram obras de arte, e não apenas produtos feitos para crianças. Foi um marco.
A "Revista de Cultura Vozes", corajosa à época, voltou ao tema nos anos seguintes. Teve o papel de ser uma das primeiras a abordar seriamente o assunto no Brasil. Plantou algumas sementes duradouras. A "Cult" repete a fórmula quase quarenta anos depois. Também deve plantar novas sementes.
Escrito por PAULO RAMOS às 22h26
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