Casamento entre tiras e jornais está em crise, diz Scott McCloud
Ainda não é possível viver de quadrinhos na internet, é chato ler histórias virtuais usando barra de rolagem e a relação entre tiras e jornais está em crise. As opiniões são do escritor e desenhista norte-americano Scott McCloud e fazem parte de uma entrevista dele reproduzida pelo portal UOL.
As opiniões de McCloud merecem crédito. Ele é o autor de dois livros que ganharam status de referência na área: "Desvendando os Quadrinhos" e "Reinventando os Quadrinhos" (lançados no Brasil pela editora M.Books). As duas obras rediscutem a linguagem das HQs e a relação delas com a internet.
No ano passado, McCloud lançou um terceiro livro, "Making Comics", ainda inédito no Brasil. A entrevista foi concedida durante uma das viagens de divulgação da obra. O desenhista, que prepara uma graphic novel (em papel, é bom que se diga), reservou um ano para promover o trabalho pelos Estados Unidos e outros países.
A seguir, alguns trechos da entrevista.
- Quadrinhos virtuais:
"Segundo estimativas conservadoras, eu acho que atualmente há pelo menos entre 10 mil e 20 mil pessoas fazendo quadrinhos na Internet, o que é bastante. Alguns são bem ruins -provavelmente a maioria- mas também há ótimos trabalhos na Internet. Assim, o grau com que a distribuição pela Internet mudou a cultura dos quadrinhos é enorme."
- Viver de quadrinhos virtuais:
"Há muitas coisas no livro que esperava e que não vimos ainda - algumas mudanças na forma como o comércio se dá na Internet ainda não ocorreram. Na verdade, eu até mesmo tentei e fracassei nos últimos dois anos. (...) O que eu esperava no lado comercial era alguma forma de vendedores interessados e compradores interessados trocarem diretamente pequenos valores em dinheiro."
- Barra de rolagem:
"Rolar é chato; sempre foi. Eu não acho que será permanente; eu ficarei surpreso se em 10 anos ainda estivermos procurando pelos botões de rolagem."
- Quadrinhos impressos:
"Eu acho que ainda existirão revistas e álbuns em quadrinhos físicos, mas o que temos visto é que a recente geração de criadores medita muito mais sua opção de impressão. Eles estão encontrando formas de tornar o material impresso mais interessante, explorando as qualidades únicas da impressão, as qualidades táteis. Eles estão criando quadrinhos em papéis diferentes interessantes, em formatos interessantes, coisas que são realmente agradáveis de segurar nas mãos."
- Tiras e(m) jornais:
"Acho que as tiras de quadrinhos e os jornais, particularmente, foi uma espécie de casamento de conveniência no início do século passado, mas não estou certo se ainda há amor em tal casamento."
(Para ler a íntegra da entrevista, clique aqui).