12/09/2006
HQ NA SALA DE AULA
GOVERNO DISTRIBUI QUADRINHOS NAS ESCOLAS EM 2007
O governo federal vai incluir histórias em quadrinhos no programa Biblioteca na Escola, mantido pelo MEC (Ministério da Educação e do Desporto). As obras serão distribuídas para 46.700 escolas brasileiras e devem ser lidas por 14 milhões de estudantes. Os alunos vão receber os quadrinhos até o começo do ano que vem, quando tem início o período letivo.
A informação é do jornalista Marko Ajdaric e foi divulgada no site Bigorna, especializado em notícias sobre quadrinhos. Segundo a reportagem, haverá títulos de editoras como Conrad, Martins Fontes, Devir, Companhia das Letras e Salamandra. Para as editoras, é um excelente negócio. Ter o governo como cliente garante um volume grande e regular de vendas, o que deve incentivar o lançamento de outras publicações parecidas às adquiridas dentro do programa do MEC.
Um dos filões que já estão sendo explorados pelas editoras é o de biografias. Spacca venceu o último Troféu HQMix com o álbum “Santô e os Pais da Aviação”, em que conta a história de Santos Dummont. O cartunista prepara uma biografia de Monteiro Lobato (como antecipado em postagem do dia 11 de julho). Outra abordagem que garante vendas na área de ensino é a de adaptações de obras literárias, gênero que sempre acompanhou a história dos quadrinhos, desde os tempos da extinta EBAL (Editora Brasil-América). A Conrad já começa a investir no setor.
A presença de quadrinhos na escola, com política financiada pelo governo federal, é algo que chega com atraso. No começo da década de 90, o vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) já pedia aos futuros universitários a interpretação do humor em tiras cômicas. A questão é repetida até hoje. O ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) também usou o recurso em todas as provas, exceção feita à deste ano.
O governo federal apenas segue a orientação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, elaborados no fim dos anos 90, ainda sob administração de Fernando Henrique Cardoso. Os Parâmetros –popularmente conhecidos como PCNs- têm como eixo central a necessidade da leitura de textos de diversos gêneros. Assim, orientavam os professores dos ensinos fundamental e médio a utilizar em sala de aula piadas, editorias, reportagens. As histórias em quadrinhos também foram incluídas.
A presença dos quadrinhos nos PCNs foi o principal motivo do aumento dos estudos sobre o tema nas universidades de Letras. Até então, eram raras abordagens lingüísticas sobre o assunto. Foi nesse contexto que surgiu o livro “Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula”, organizado por Ângela Rama e Waldomiro Vergueiro e do qual sou um dos autores (meu capítulo aborda especificamente o uso dos quadrinhos em aulas de língua portuguesa). A obra, lançada pela Contexto em 2004, está na terceira edição.









Escrito por PAULO RAMOS às 10h23
A novata editora Desiderata cresce e começa a mostrar a que veio. Ganhou projeção nacional com o lançamento dos primeiros números d´O Pasquim, de 1969 a 1971 (imagem ao lado). Daqui para frente, promete mais do mesmo. Programou outros volumes do jornal de humor, inclusive com material censurado pela ditadura. E anuncia uma novidade: adaptações em quadrinhos de obras literárias. A informação foi trazida hoje no "Estado de S. Paulo", em reportagem de Ubiratan Brasil.