27/06/2006
23/06/2006
JAGUAR DEVOLVE MEDALHA A VEREADORES DO RIO Seria piada, não fosse verdade. A última do cartunista Jaguar: ele devolveu nesta semana aos vereadores cariocas a medalha Pedro Ernesto, considerada a maior condecoração do Rio de Janeiro. Motivo da devolução: não quer dividir a "honra" com o ex-deputado federal Roberto Jefferson, do PTB, agraciado com a mesma medalha há pouco mais de uma semana. Jefferson foi um dos cassados pela Câmara dos Deputados no ano passado em razão do escândalo do mensalão. Jaguar havia recebido a homenagem há oito anos.
A informação foi antecipada na coluna que Jaguar mantém no jornal "O Dia", do Rio de Janeiro. O Blog reproduz um trecho:
E agora, mudando de assunto, hoje, quarta, às três horas da tarde, vou devolver a medalha Pedro Ernesto que a Câmara de Vereadores me deu. Se é que tem alguém trabalhando lá a essa hora. Desconfio que o Ancelmo Góis tem um olheiro no Bracarense. Falei de sacanagem no boteco que me recusava a ser colega de medalha do Roberto Jefferson, a notícia saiu no dia seguinte na coluna dele.
Coisa parecida aconteceu quando joguei ovos na Academia Brasileira de Letras no dia da posse de Roberto Campos. Depois que o presidente da ABL disse “Jaguar é covarde, não vai fazer isso”, Ancelmo publicou e lá fui eu, “pressionado pela mídia”, como Ronaldo Fenômeno, aliás Fenô, porque não está jogando nem metade do que sabe. Aluguei no Mundo Teatral um fardão de imortal, troquei de roupa no Vilarinho e, depois de tomar algumas doses para espantar a covardia, joguei meia dúzia de ovos nas paredes do vetusto prédio, devidamente cozidos para não emporcalhar mais ainda a cidade.
E por falar em sacanagem, pô, Bussunda!
"O Dia" também repercutiu o assunto. A reportagem é de Madalena Romeo e está disponível no site do jornal. Ela conta a divertida trajetória de Jaguar para devolver a medalha. Deixou os funcionários da Câmara dos Vereadores sem saber o que fazer. Leia um trecho:
Foi andando até a Câmara e deixou os servidores atônitos, ao pedir que protocolassem a devolução. “Isso é no segundo andar”, reagiu a balconista, como se existisse departamento de devolução de medalhas. A situação era inédita e foram tirar do plenário a presidente em exercício da Câmara, vereadora Leila do Flamengo.
Política, ela compromenteu-se a mudar os critérios de condecoração para evitar vexames e convidou Jaguar a ir a Plenário. “Não dá. Vou ver Argentina e Holanda no Amarelinho”, respondeu. Com a medalha em mãos, a vereadora prometeu que iria ao bar para entregar-lhe o protocolo. A caminho do Amarelinho, Jaguar era só indagações: “Você sabia que a Leila do Flamengo mora na Barra? Você acha que ela virá ao bar? Você confia em político?” No intervalo do jogo, duas saideiras depois, deve ter encontrado respostas. Despediu-se e partiu sem o protocolo mesmo.
Jaguar -ou Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe- trabalha com humor gráfico desde os naos 50. Foi um dos responsáveis pelo tablóide "O Pasquim", jornal conhecido servir de resistência ao regime militar. Para ler a reportagem de "O Dia" sobre o assunto, clique aqui.
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