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18/09/2007
A história de Dom Quixote, segundo Bira Dantas

Cena da adaptação em quadrinhos do romance de Miguel de Cervantes
O desenhista Bira Dantas luta contra o calendário. Ele tem pouco menos de três meses para terminar a adaptação em quadrinhos do romance “Dom Quixote”.
O desafio aumenta quando se sabe que o clássico do espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616) soma cerca de 600 páginas.
A história do cavaleiro idealista foi publicada em dois volumes, lançados em 1605 e 1615, respectivamente.
A adaptação em quadrinhos, que será lançada pela Escala Editorial, vai ter um volume só. Dantas prevê por volta de 120 páginas.
As imagens desta e da próxima postagem mostram trechos das primeiras páginas da obra. Os desenhos são feitos com aquarela em sulfite.
Parte das referências visuais vem de ilustrações, fotos e recortes cedidos por um amigo de Campinas, cidade do interior paulista onde Dantas mora.
“Está sendo muito legal trabalhar na obra original, pois estou descobrindo preciosidades que nenhuma adaptação ainda tinha mostrado, pelo menos as que eu li”, diz o desenhista de 44 anos.
“Cervantes trata a vida de Dom Quixote como algo real, como se o fidalgo tivesse realmente existido e fosse Cervantes um biógrafo da sua vida.”
O convite para adaptar a obra partiu da própria editora. Dantas já tinha trabalhado em outra adaptação da Escala, lançada no início do ano.
Ele fez os desenhos de “Memórias de um Sargento de Milícias”, romance de Manoel Antônio de Almeida (1831-1861).
O desenhista paulista divide o trabalho na adaptação com outras produções visuais. Entre elas, estão as charges, onde expressa um olhar positivo sobre a atual administração federal.
O lado contestador o acompanha há quase três décadas. A primeira charge foi para o jornal do Partido dos Trabalhadores, em 1981.
No ano seguinte, começou a fazer desenhos em jornais sindicais, nos quais atua até hoje.
O início, no entanto, foi em 1979, com um estágio nos estúdios de Ely Barbosa, autor de quadrinhos que faleceu em janeiro deste ano (leia mais aqui).
Em pouco tempo, Dantas assumiu os desenhos da extinta revista dos Trapalhões, uma das feitas pelo estúdio.
Hoje, ele mantém o ritmo de produção. Tem outras histórias prontas. Uma delas, “Qual é o desejo?”, integra o próximo volume da “Front”.
A publicação, da editora Via Lettera, reúne histórias curtas de diferentes quadrinistas nacionais.
Foi por causa da “Front” que ele fez uma das cenas mais memoráveis da cerimônia de entrega do último Troféu HQMix, principal premiação de quadrinhos do país.
Ele e os integrantes da revista foram receber o prêmio de melhor publicação de quadrinhos.
No palco, Dantas sacou uma gaita, instrumento que aprendeu a tocar sozinho.
E aprendeu bem. Tocou um “Asa Branca” que silenciou e emocionou os cerca de 800 convidados.
A música era uma homenagem a Conceição Cahú, uma das primeiras desenhistas brasileiras. Cahú, morta no ano passado, era uma das homenageadas do troféu (leia mais aqui e aqui).
Entre a correria na criação das páginas de “Dom Quixote” e a atualização das 19 páginas virtuais que mantém, Dantas arrumou um tempo de conversar por e-mail com o Blog.
Na entrevista, ele fala um pouco mais da adaptação da obra de Cervantes, de como vê a literatura em quadrinhos e sobre a gaita que calou a festa do HQMix, em julho.
(Continua na próxima postagem).
Escrito por PAULO RAMOS às 19h40
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A história de Dom Quixote, segundo Bira Dantas - II
Entrevista: Bira Dantas
Blog - Já houve outras adaptações da obra de Cervantes, como a de Caco Galhardo e a de Will Eisner. O que a sua terá de diferente?
Bira Dantas - Quando fui convidado para desenvolver o projeto pela Escala Educacional, me perguntei exatamente isso: por que quadrinizar esta obra. Ora, pensei com meus pincéis, canetas e gaitas, primeiro porque me encomendaram, segundo porque será a minha versão e terceiro, pelo desafio. Eu sou um aficionado pelos detalhes e a obra de Cervantes, é extremamente detalhada. Não só na forma, no texto arcaico, mas no conteúdo, nas citações, nas ambientações, na construção de personagens, nas confusões emaranhadas que se formam do nada. Eu adoro isso. Eu já tinha lido e adorado a adaptação do Caco, mas achei que conseguiria fazer algo um pouco menos centrado no cavaleiro, mostrando mais os movimentos e ações em volta dele do que as promovidas pelo fidalgo. Também queria esmiuçar outras passagens do livro original.
Blog - Há uma nova onda de adaptações literárias em quadrinhos no Brasil. Qual a sua leitura dessa tendência? Dantas - Acho fantástico. É um desafio para o artista e acho incrível perceber como cada um se vira de um jeito diferente para resolver alguns problemas comuns. Acabei de ler “A Relíquia”, do Marcatti, [Conrad], e quase chorei. É ducacete! O final do livro é totalmente sui-generis.
Blog - Fazendo um paralelo com o personagem Dom Quixote, qual o seu grande moinho? Dantas - Ótima pergunta. Eu acho que é a luta de classes. Essa bendita luta me deixa doido dia a dia. Em pleno século 21, com um mundo globalizado, internetizado, fábricas automatizadas, produtos baratos made in Taiwan, Hong Kong e China, camelôs high-tec que vendem ipods e toda a parafernália informatizada, continuo desenhando para sindicatos, levantando bandeiras de luta contra os gigantes da comunicação. Criando blogs e fotologs para falar das minhas influências e da história passada que nosso povo sempre esquece. Eu sou um chargista quixotesco. Minha filha de sete anos, Thaís, já me disse que é muito legal ter um pai meio louco e que ainda gosta de gibis.

Bira Dantas (à dir.) toca sua gaita durante entrega do Troféu HQMix
Blog - A inspiração foi Conceição Cahú, mas o que o motivou a tocar Asa Branca na cerimônia do HQMix? E o que achou da reação da platéia? Dantas - Eu sou filho de nordestinos, meus pais são do Rio Grande do Norte, e cresci ouvindo muito Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Jackson do Pandeiro, Marinês... Quando comecei a tocar gaita "de ouvido", há cerca de 10 anos, tirar alguns clássicos do forró foi um caminho natural. Quando reencontrei a Cahu na Merlin [loja de quadrinhos de São Paulo, que já fechou], uma das músicas que toquei foi Asa Branca. E ao tocar Asa Branca lá no HQ Mix, acabei homenageando todos nordestinos lá presentes. Dona Lourdinha, minha mãe, se derreteu em lágrimas.
Bira Dantas mantém um blog dedicado exclusivamente aos bastidores da adaptação de Cervantes.
São de lá as imagens da obra reproduzidas nesta postagem e na anterior.
Para acessar, clique aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 19h35
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04/09/2007
Antologia de Fortuna: as memórias do pai pelas mãos da filha
O cartunista Fortuna, um dos principais da história do país, vai ganhar uma antologia.
A obra será publicada pela editora Desiderata e deve ser lançada no ano que vem.
O livro é organizado pela filha dele, Anna Fortuna. É uma espécie de presente póstumo ao trabalho do pai.
A obra vai ter desenhos das diferentes produções feitas por Fortuna, morto em setembro de 1994, aos 63 anos.
A seleção inclui cartum, charge, caricatura, capas de revista e, claro, Madame e Seu Bicho Muito Louco, criação em quadrinhos mais famosa dele (abaixo, uma das histórias curtas dela).

"Já que é uma antologia, acho importante ter algumas histórias da Madame e Seu Bicho Muito Louco", diz Anna Fortuna, por e-mail.
"São seus únicos personagens, fora o Professor Reginaldo, que é um personagem de texto."
Fortuna –o pai- trabalhou nas principais produções de humor que surgiram no país a partir da década de 1960 (e que ilustram esta postagem).
Teve participação da revista "Pif-Paf", de Millor.
Depois, integrou o time fundador do jornal alternativo "Pasquim", uma das principais vozes de resistência à ditadura militar brasileira (1964-1985).
Criou na década de 1970 a revista em quadrinhos "O Bicho", que também trazia as histórias da Madame, personagem homenageada com a estátua do Troféu HQMix de 2006 (leia aqui).
Paralelamente, atuava na grande imprensa. Passou por "Folha de S.Paulo", "Jornal do Brasil", "Veja", "IstoÉ", "Playboy".
E ainda arrumava tempo para estudar a produção do Barão de Itararé.
Lançou três livros: "Aberto para Balanço", com charges, "Diz, logotipo!", em que dava outra interpretação a logos famosos (veja ao lado) e "Acho Tudo Muito Estranho (Já o Professor Reginaldo, Não)", com ilustrações e textos de humor.
Fortuna –a filha- herdou de Fortuna –o pai- a veia humorística. Ela estreou com textos no "Pasquim 21" com a personagem "Mulher-Cartum". Mantém um blog com material dela (leia aqui).
Ela também é uma das colaboradoras da "Revista M...", que traz trabalhos de humor (leia aqui).
A carioca Anna Fortuna tem no gene outra característica do pai: a diversidade de campos de atuação.
Fez dança contemporânea, teatro, educação artística, atuou como terapeuta ocupacional, é blogueira, colunista, escritora.
E faz planos mais planos. Quer criar uma loja virtual só com produtos de humor. Inclusive os do pai.
Entre uma atividade e outra, ela arrumou tempo para conversar com o Blog.
Na entrevista, ela dá mais detalhes da obra, releva um lado pessoal pouco conhecido de Fortuna e conta como ficam as memórias da filha organizando a memória viva dos trabalhos do pai.
Leia a entrevista na próxima postagem.
Escrito por PAULO RAMOS às 20h18
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Antologia de Fortuna: as memórias do pai pelas mãos da filha - Parte II
Entrevista: Anna Fortuna
Blog - Como você imaginou a obra que vai ser lançada pela Desiderata?
Anna Fortuna - A Martha Batalha, editora da Desiderata, me propôs uma antologia. Então, eu imagino uma seleção mesmo dos seus trabalhos, abrangendo toda a sua carreira; cartuns, charges, ilustrações, caricaturas, capas de revistas, jornais e livros, pôsteres, frases e textos, de forma a mostra a sua versatilidade. Alguns cartuns/charges seus são antológicos, como o do general despachando sentado em cima de um cavalo. Gostaria de colocar também seus primeiros trabalhos publicados, com um traço completamente diferente, ainda sem a influência do Steinberg (leia aqui) e usando pseudônimo.
Blog - Como fica a cabeça da filha mexendo com trabalhos que resgatam a memória do pai?
Anna - É um pouco complicado, muitas vezes não dá pra não se emocionar ao mexer em seu material, relembrá-lo trabalhando, conversando, suas teorias (ele tinha teoria de tudo!). Mas, quando eu tomei a resolução de não deixar a sua obra morrer e fazer o que fosse possível para que a nova geração conhecesse seu trabalho, sabia que ia ter que encarar isso. Mas, ao mesmo tempo, eu me divirto, apesar da grande responsabilidade que é. Espero fazer a coisa certa.
Blog - Qual é a primeira lembrança que você tem do trabalho de seu pai?
Anna - Eu gostava de observá-lo trabalhando na prancheta, principalmente quando ele desenhava com nanquim. Era interessante também quando ele usava materiais estranhos, como palitos de fósforos e algodão, para dar acabamento ao seu trabalho. Assim, de publicações, me lembro de, ainda bem criança, já curti demais a revista "O Bicho", que ele editava.
Blog - Como você descreveria o seu pai e o trabalho dele?
Anna - Muitos já falaram, mas é verdade: era um perfeccionista, podia ficar dias em cima de um mesmo trabalho. Acho incrível o seu traço. A junção entre o traço e a idéia é perfeita. Era um intelectual no sentido pleno da palavra, um pensador. Sofisticado, como o seu traço, mas, ao mesmo tempo, simples e cordial. Vejo-o também como uma espécie de pioneiro em muitas das suas criações. Gostava muito de conversar. Era também muito engraçado quando nos mostrava seus próprios trabalhos e ria pra valer deles. Sua gargalhada era contagiante.
Escrito por PAULO RAMOS às 20h12
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01/09/2007
Álbum mostra causos do sertão brasileiro
Os quadrinhos nacionais têm seu "Sagarana". "Estórias Gerais" faz uma narrativa de 158 páginas sobre "causos" do serão brasileiro da década de 1920.
O álbum começou a ser vendido nesta semana (Conrad, R$ 24). Na verdade, é um relançamento, com novo tratamento editorial. A história foi lançada de forma independente em 2001.
Na época, já ganhou destaque. A história foi premiada em 2002 com dois HQMix (melhor roteirista e graphic novel nacional) e dois Angelo Agostini (roteirista e desenhista).
Os dois prêmios são da área de quadrinhos.
A obra é o escrita pelo mineiro Wellington Srbek, de 32 anos. Ele possui outros trabalhos em quadrinhos, mas "Estórias Gerais" é o que teve maior destaque.
O álbum mostra o conflito armado entre os jagunços do insensível Antônio Mortalma e os de Manuel Grande.
O fio condutor da história principal é ladeado por outras narrativas. São "causos" do sertão e de seus ricos personagens, que nome dá à obra.
O roteiro é um dos atrativos do álbum. Há outro: o traço de Flavio Colin (1930-2002), um dos mais conceituados desenhistas brasileiros.
Apesar a sintonia entre palavra e imagem vista na obra, Srbek e Colin (auto-retrato ao lado)curiosamente nunca se encontraram.
A produção deste e de outros trabalhos da dupla foi toda feita à distância.
Esse é um dos bastidores da produção que Srbek conta na entrevista a seguir, feita por e-mail.
Ele divide a atividade de roteirista com as pesquisas na área de quadrinhos.
Srbek tem doutorado sobre humor nas histórias de Henfil defendido na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
Parte do estudo foi publicado no livro "O Riso que Liberta", lançado em junho deste ano (leia mais aqui).
Leia a entrevista na postagem abaixo.
Escrito por PAULO RAMOS às 11h57
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Álbum mostra causos do sertão brasileiro - II
Entrevista: Wellington Srbek
Blog - Qual foi sua inspiração para criar o texto? Guimarães Rosa? Outro?
Wellington Sbrek - Tem havido alguma imprecisão em torno desta questão, pois o "Estórias Gerais" não é “inspirado em Guimarães Rosa”, tampouco é uma “adaptação de Grande Sertão: Veredas” (coisas que eu não teria o direito de fazer). Na verdade, o que aconteceu é que a leitura da obra-prima de João Guimarães Rosa motivou-me a criar uma história em quadrinhos com elementos daquele universo ficcional dos jagunços e senhores de terras das Gerais. Mas outras obras, como "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, e "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto, tiveram um papel na origem de "Estórias Gerais", sem falar em autores como Luiz Gonzaga, Sérgio Buarque de Hollanda e Dias Gomes, que são citados em minha introdução para o livro.
Blog - Como surgiu a possibilidade de reeditar a obra?
Srbek - Quando conheci o Rogério Campos, [dono e diretor editorial] da Conrad, em 2002, ele me disse que o "Estórias Gerais" era um dos melhores “gibis” que ele tinha lido nos últimos dez anos e que gostaria de publicá-lo no futuro. Quando nos reencontramos no FIQ [Festival Internacional de Quadrinhos de Pernambuco] de 2005, ele me perguntou sobre o álbum e, já que a primeira edição estava esgotada, deixamos “palavrada” esta reedição. E o livro saiu agora numa reedição muito caprichada.

Blog - Especificamente sobre Colin, como foi a entrada dele no projeto original?
Srbek - No início de 1997, eu mandei para o Colin exemplares das revistas Solar e Caliban, que eu publicava. Ele gostou do trabalho e escreveu uma carta bastante incentivadora. Fomos mantendo contato e combinamos de fazer uma HQ juntos. Quando surgiu a idéia para "Estórias Gerais", em fins de 1997, Colin foi o único desenhista em que pensei. Na época eu pude fazer uma boa proposta financeira e ele aceitou desenhar o álbum para mim.
Blog - Como se deu o processo de criação entre vocês? ele já pegou o roteiro pronto ou houve troca de experiências?
Srbek - Tecnicamente, o processo com Colin foi semelhante a minhas parcerias com todos os outros desenhistas. Eu enviei a ele esboços e textos explicativos sobre os personagens e todas as páginas do roteiro já esboçadas, com o texto à parte. Claro que Colin trouxe muitíssimo para o projeto, não apenas com seu estilo único mas também com o extenso conhecimento visual que tinha, pois ele sabia desenhar coisas como estribo, arreio, sela e cavalo sem ter que olhar em livros de referência.

Blog - Como foi o contato com ele nesse álbum?
Srbek - Foi sempre muito prazeroso e recompensador, pois Colin tinha um ótimo papo e nos tornamos amigos. Para além disso, embora não conseguisse trabalho entre os grandes editores, o saudoso mestre queria muito fazer quadrinhos, e tenho orgulho de poder ter propiciado a ele um trabalho de qualidade por uma remuneração adequada – o que infelizmente não é comum na história dos quadrinhos brasileiros.
Blog - Há algum bastidor sobre o trabalho dele, algo ainda não revelado?
Srbek - Algo interessante a se contar é que eu e ele produzimos as [mais de] 150 páginas de "Estórias Gerais" e as 40 páginas de nossos outros trabalhos (publicados em "Fantasmagoriana", "Mirabilia" e "Mystérion") sem jamais termos nos encontrado pessoalmente.
Srbek pretende colocar outros bastidores da produção de "Estórias Gerais" no site Mais Quadrinhos, página virtual com trabalhos dele.
Segundo Srbek, o material entra no ar na segunda-feira. Para acessar, clique aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 11h51
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