22/06/2007

Livro mostra as origens da caricatura

A Marca de Fantasia explora -e sabe explorar- um filão ainda ignorado pelo mercado editorial brasileiro: o de livros teóricos sobre quadrinhos. Já faz tempo que a editora tem o melhor catálogo do gênero. E tem em Wellington Srbek um de seus principais colaboradores.
 
O pesquisador mineiro, de 32 anos, tem cinco obras publicadas pela editora, que fica em João Pessoa, na Paraíba. A última -"O Riso que nos Liberta: ou as Origens da Caricatura" (R$ 15, capa ao lado)- começou a ser vendida neste mês.
 
O livro recupera as raízes da caricatura, manifestação artística iniciada entre os séculos 15 e 16. A obra também traça diferenças com outros gêneros-irmãos, como a charge e o cartum.
 
A obra mostra a fundamentação teórica do doutorado defendido por Srbek na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). A pesquisa abordava o humor nos quadrinhos do brasileiro Henfil (criador de Graúna, morto em 1988).
 
Foi na universidade mineira que Srbek se formou em História e concluiu um mestrado sobre a revista "Pererê", de Ziraldo. A pesquisa gerou dois outros livros da Marca de Fantasia: "Um Mundo em Quadrinhos" e "Quadrinhos & Outros Bichos". E há planos para outros dois.
 
"Eles correspondem à pesquisa analítica de meu mestrado e doutorado e têm os títulos Pererê, uma Aventura Brasileira e A Revolução de Fradim", diz ele, por e-mail. "Na verdade, eles já esperam por um editor desde 2000 e 2004, respectivamente."
 
Na entrevista a seguir, Wellington Srbek dá mais detalhes de seu último livro, que terá lançamento neste sábado no Salão do Livro de Belo Horizonte (espaço Serraria Souza Pinto, no centro de BH). Começa às 14h, com uma mesa redonda.
 
(A entrevista está na próxima postagem)

Escrito por PAULO RAMOS às 11h40
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Livro mostra as origens da caricatura - Parte 2

(continuação da postagem anterior)
 
Entrevista: Wellington Srbek
 
- É possível mapear um marco inicial da caricatura no mundo? E no Brasil?
- Elementos da estética da caricatura já estavam presentes na Antigüidade e na Idade Média, como nas imagens anticlassicistas da górgona ou nas alegorias anti-oficiais dos clérigos goliardos. Mas, segundo defendo no livro, o que conhecemos como “caricatura”, ou seja¨, o estilo de desenho de formas distorcidas e o retrato cômico da personalidade, surge na Europa dos séculos 16 e 17, desenvolvendo-se artisticamente a partir dos séculos 18 e 19. É uma trajetória que envolve nomes como Leonardo da Vinci, William Hogarth, James Gillray e Honoré Daumier. No Brasil, como desenho de humor ligado à imprensa, a caricatura terá como principal promovedor, na segunda metade do século 19, o piemontês naturalizado brasileiro Angelo Agostini [pioneiro do quadrinho no Brasil].
 
- Há uma cara da caricatura no Brasil?
- Creio que sim. Se você pegar um desenho do Henfil, por exemplo, há algo na força expressiva do traço que é radicalmente brasileiro, "latino-americano", de "terceiro mundo". Algo muito distinto do traço bem-acabado dos europeus e norte-americano em geral.
 
- Há quem defenda que o termo "caricatura" seja um grande rótulo, que abriga os diferentes gêneros do humor gráfico (charge, cartum, a caricatura em si). É nesse espectro que se insere seu estudo?
- Bom, na verdade o termo "caricatura" é o mais antigo dos três listados por você. Ele surgiu na passagem do século 15 para o 16. Em parte por esse motivo, ele acabou representando não apenas o estilo de formas hiperbólicas e incongruentes mas também o desenho humorístico como um todo. Porém, há uma clara distinção, pelo menos para mim, entre o que é a caricatura-retrato, a charge e o cartum. Na verdade, boa parte de "O Riso que Liberta" é dedicada a estabelecer essa diferenciação.
 
"O Riso que nos Liberta: ou as Origens da Caricatura" só é vendido no site da editora Marca de Fantasia. Para acessar clique aqui.
 
Wellington Srbek mantém uma página virtual com detalhes de trabalhos em quadrinhos escritos por ele, como "Alienz" e "Muiraquitã", vencedor do Troféu Casa dos Quadrinhos como melhor história em quadrinhos de 2006. Para visitar, clique aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 11h38
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16/06/2007

Três perguntas e três respostas sobre Valentina

O pesquisador e professor universitário Marco Aurélio Lucchetti é um especialista em Valentina. A personagem foi o tema de seu doutorado na Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo), defendido em 1999.

A pesquisa foi compilada no livro "Desnudando Valentina – Realidade e Fantasia no Universo de Guido Crepax", publicado em 2005 pela editora Opera Graphica.

Lucchetti teve o primeiro contato com a personagem em novembro de 1971. Foi quando a viu na capa de uma edição da revista "Grilo", comprada por seu pai, o escritor R. F. Lucchetti. Tornou-se um colecionador de tudo o que saía sobre ela, dentro e fora do país.

O Blog dos Quadrinhos entrevistou Lucchetti em maio do ano passado, quando foi lançada a primeira coletânea da editora Conrad. Recupermaos, a seguir, reproduzimos três perguntas e respostas sobre o universo surreal de Valentina.

É uma criação que prioriza a estética ou a história?

- O primeiro impacto do leitor é pela estética. Valentina não tem aquela paginação normal dos quadrinhos. Foge totalmente à diagramação tradicional. Esse é o primeiro nível de leitura. Depois, vem a história. É um fiozinho. Não possui muita aventura ou drama (quem lê só super-heróis vai detestar). A intenção de Crepax foi contar o dia-a-dia de uma mulher normal, com profissão própria [é fotógrafa] e filho.

- E é válido deixar a história num segundo plano?

- É válido. Acontece em todos os campos da arte: no cinema, na música e em outros. O que mais importante á a forma. A gente nunca lembra uma história completa. Lembramos partes dela. A intenção de Crepax é essa. Fixar as partes, não a coerência da narrativa. Ele não era um bom contador de histórias. É o inverso de Hugo Pratt [criador de Corto Maltese]. O forte [de Crepax] eram os referenciais e a diagramação.

- O que tornou Valentina um personagem tão forte e duradouro?

- Ela é a personagem que melhor representa a mulher liberal, independente, que é várias coisas ao mesmo tempo. É intelectual, mãe, fotógrafa, independente, amante e comunista (embora, com o temo, ela mude o referencial político).

Leia a íntegra da entrevista aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h08
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