27/05/2007

Marcatti prepara novo álbum em quadrinhos

Marcatti produz mais uma obra em quadrinhos. Segundo ele, vai ser lançada pela Conrad, mesma editora de "A Relíquia", adaptação para o romance homônimo do escritor português Eça de Queirós, lançada neste mês (leia mais na postagem abaixo).

O quadrinista ainda prepara o roteiro. Mas diz sentir algo de novo no processo de criação. Segundo ele, é a presença do texto de Eça de Queirós. O um ano e sete meses que levou para produzir "A Relíquia" mudou a maneira como desenvolve os personagens. Procura, agora, mais profundidade.

Ele diz que aprendeu com a adaptação mais do que tudo o que fez nos 30 anos de carreira, iniciada com a publicação da história "Fadiga" na revista "O Papagaio", de 1977. Mesmo assim, vai manter no próximo trabalho sua marca registrada, a escatologia, vista em boa parte de seus quadrinhos.

O Blog conversou por telefone com Francisco de Assis Marcatti, ou só Marcatti, como gosta de assinar. O desenhista de 44 anos fala sobre o processo de criação do álbum recém-lançado, "A Relíquia", e do próximo, ainda em preparação.

- Houve adaptações na produção de "A Relíquia", mas a história se mantém bastante fiel ao trabalho de Eça de Queirós. Como foi o processo de produção?

- O primeiro passo foi reescrever a história de memória. Eu contei todo o romance. Depois, fui repassando a leitura e inserindo alguns detalhes. [O resultado final] foi baseado na memória da primeira leitura. É um truquezinho. É influência do Hitchcock [cinesta, 1899-1980]. Eu sou alucinado por ele. Ele fazia as adaptações assim.

 

- Quando conversamos pela primeira vez (para matéria do Blog de outubro de 2006), você parecia muito empolgado com a obra. O que você achou quando viu o trabalho já pronto?

- Eu gostei muito. Eu sempre tive dificuldade em reler meus trabalhos. É que eu não consigo prestar atenção, fico sempre pensando no que poderia mudar. Com "A Relíquia", não aconteceu isso. A leitura me prendeu. Eu tenho a impressão de que, com a adaptação, eu aprendi muito mais coisas de quadrinhos do que aprendi a vida inteira. Foi uma aula. Eu quase reaprendi a fazer quadrinhos.

 

- E daqui pra frente?

- Adaptação, não. Não tão já. Talvez intercalar os trabalhos. O próximo é um livro com roteiro meu, como foi com "Mariposa" [de 2005]. Eu já trabalho na nova história. Fazendo essa nova trama, já dá pra notar a influência que a adaptação exerceu em mim. A construção da história tem sido completamente diferente. É inspirado pela forma como Eça construiu o romance.

 

- Sobre o que é?

- Vai ser pela Conrad também. O tema principal ainda não está pronto. Eu imagino uma situação cotidiana sem a menor importância. Aí, imagino algumas pessoas e fico pensando quem são elas. Começo a construir as histórias sobre elas.

 

- E é escatológico?

- Quando faço uma história, eu não pensao no escatológico, ele vem naturalmente (risos). Acho que eu tenho algum tipo de distúrbio. É muito provável que tenho (risos).

 

Leia mais sobre "A Relíquia", de Marcatti, na postagem abaixo.

Escrito por PAULO RAMOS às 09h31
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25/05/2007

Livro mostra que Capitão América reproduz ideologia da Marvel

"O Escudo Manchado - Um Herói em Tempo de Guerra", livro lançado neste mês, mostra que o Capitão América funciona como porta-voz das opiniões da Marvel Comics, editora que publica o personagem.
 
Segundo o autor, o jornalista Daslei Bandeira, o papel que o herói exerce para a empresa de quadrinhos é o mesmo que um editorial tem nos jornais.
 
Parte dessa visão opinativa ficou bem evidente depois dos atentatos do 11 de Setembro, em que aviões destruíram as torres gêmeas de Nova Iorque e parte do Pentágono norte-americano.
 
A revista mensal do herói ganhou novo enfoque e ele passou a lutar contra o terrorismo. As histórias, escritas por John Ney Rieber e desenhadas por John Cassaday, já foram publicadas no Brasil.
 
"Por estar ligado diretamente à nação americana, ele não tinha como fugir desse fato em suas histórias, como foi no caso dos personagens da editora DC Comics, e [a Marvel] teria que tratar do assunto de forma tal que agradasse o povo americano e ao mesmo tempo algo comercialmente bom para o mundo", diz Bandeira.
 
"O Escudo Manchado - Um Herói em Tempo de Guerra" (Marca de Fantasia, R$ 13) é o resultado de um projeto de conclusão de curso. O jornalista imaginava inicialmente abordar a influência dos eventos de 11 de setembro de 2001 no cinema.
 
Surgiu então a idéia de abordar o tema ajustando o foco no Capitão América. Hoje, Bandeira se diz fã do herói, criado em 1941 por Jack Kirby e Joe Simon para lutar na 2ª Guerra Mundial.
 
"Mas, de início, não era muito [fã], por causa do discurso politicamente correto que era traspassado nas histórias", diz o jornalista, que está com 26 anos. O interesse surgiu quando o personagem ficou mais questionador sobre o papel que exerce nos Estados Unidos.
 
Daslei Bandeira mora em João Pessoa, na Paraíba. É de lá que ele respondeu às perguntas do Blog dos Quadrinhos, feitas por e-mail. A conversa é reproduzida nesta e na próxima postagem.
 

- Por que o título "escudo manchado"?

- Foi meio que por sorte. Eu tinha que entregar um esboço do projeto, que até então tinha o nome de “A influência dos atentados de 11 de Setembro de 2001 no personagem Capitão América” e fui reler as revistas da saga que John Rieber e John Cassaday fizeram.Em uma pagina, tinha um quadro onde mostrava o escudo com um veio de sangue do próprio personagem (que se tornou a capa do livro, com arte de Paloma Nogueira). Vi aquilo como uma metáfora que resumia o sentimento dos Estados Unidos em relação ao acontecido, uma ferida aberta no sonho americano.

 

(Continua na próxima postagem)

Escrito por PAULO RAMOS às 13h05
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Livro mostra que Capitão América reproduz ideologia da Marvel    Parte 2

(Continuação da postagem anterior. A entrevista é com Daslei Bandeira, autor do livro "O Escudo Manchado - Um Herói em Tempo de Guerra", lançado neste mês)

 

- Há uma hipótese que você defende na obra?

- Sim, o personagem se tornou em uma espécie de foco opinativo da própria editora Marvel, algo parecido como um editorial nos jornais. As ações do Capitão América são baseadas nos ideais que a empresa acredita, mas, como ele é um produto de massa, tem que ser algo vendável, assim ficando preso na questão mercadológica. Não tendo como escapar disso, a própria editora mantém um bolsão cronológico que, a qualquer sinal de necessidade de uma opinião mais forte e partidária, o que potencialmente diminuiria a vendagem da(s) revista(s) em que este atua, o personagem é enviado para lá. Funciona como um bote salva-vidas, por isso sempre que essa opinião é cobrada pelo público, algo do passado dele é recriado ou descoberto. Como exemplo, posso citar a saga do "Soldado Invernal", que há pouco tempo foi lançada aqui no Brasil [pela Panini], mas por lá foi durante a pior fase da invasão americana no Iraque.

 

- O enfoque está especificamente no Capitão América ou outros personagens são abordados?

- O enfoque é no personagem Steve Rogers [alter-ego do herói]. O livro tem um capítulo especifico para os outros personagens que chegaram a utilizar o nome Capitão América, como John Walker, que primeiramente se chamava Super Patriota, mas que ficou conhecido como o Agente Americano. 

 

- O personagem mudou de 1941 para cá. Primeiro , era a 2ª Guerra. Neste século 21, esteve ligado ao combate ao terrorismo e aos eventos do 11 de Setembro. Ele é uma espécie de reflexo dos eventos históricos dos séculos 20 e 21?

- Ele é um personagem que passou não pelos principais eventos do mundo, mas pelos principais eventos que a nação americana estava envolvida, que são os mais divulgados pela mídia. Por ser um personagem extenso, em questão temporal, e ser publicado mensalmente, sim ele é um reflexo como qualquer outro objeto da mídia de entretenimento pode ser. Um reflexo distorcido, mas real dos sentimentos de um povo. 

 

- Onde entra a questão ideológica nas histórias do personagem?

- Ele deixou de seguir o país, Estados Unidos, como era pregado em sua criação, e segue apenas o Sonho, como o próprio personagem chama. Esse "Sonho" nada mais é que a reformulação para a ideologia da Revolução Francesa, Igualdade, Fraternidade e Liberdade. Ele deixou de ser apenas um soldado americano para ser um soldado do mundo. Os autores que trabalham e trabalharam com ele depois da década de oitenta, quando houve tal reformulação, sempre tentam pregar esse discurso de desapego patriota e defesa do homem comum em suas histórias. Algumas vezes se torna enfadonho e até mesmo hipócrita, mas vejo-o como um discurso quase que religioso para o personagem, algo que só ele acredita e ninguém mais. Um discurso belo que os leitores deveriam aprender. 

 

- Recentemente, a Marvel "matou" o personagem. Você vê relação entre a suposta morte e o que abordou no seu livro?

- Sim e não. Logo depois dos atentados o personagem se tornou mais questionador em relação ao Governo em si, por causa das ações deste em sua política externa. Como ele mesmo disse, no arco posterior aos atentados, os Estados Unidos têm sua parcela de culpa pelo sentimento que o resto do mundo nutre em relação a eles. As ações do personagem feitas na saga "Civil War" [ainda inédita no Brasil] podem ser vistas como resultado direto de como ele reagiu aos atentados. Mas sua morte ainda não dá para ser interpretada dessa forma, veremos isso quando/se ele ressuscitar.

 

Serviço: o livro é vendido apenas no site da editora Marca de Fantasia. Para acessar a página virtual, clique aqui.

 

Leia mais sobre a atuação das editoras no 11 de Setembro aqui e aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h05
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09/05/2007

Duas perguntas e duas respostas sobre Tropa Alfa

(continuação da postagem anterior)
 
Entrevista: Fernando Lopes, editor das revistas da Marvel no Brasil
 
Blog dos Quadrinhos - Gostaria de saber se há um segundo número de Tropa Alfa em vista e uma previsão (aproximada) de lançamento.
Fernando Lopes - Nossa intenção é republicar toda a fase do Byrne no título, mas vai depender do retorno nas bancas. Se for bem, acho que poderemos ter outro volume no próximo ano.

Blog - O lançamento desta edição de Tropa Alfa foi adiado várias vezes. Qual foi o motivo do atraso?
Lopes -
O que geralmente ocorre: problemas com os arquivos. Recebemos um deles em preto-e-branco e demorou pra vir o correto. Convém destacar que, quando planejamos esse lançamento, nem a Marvel tinha anunciado republicar esse material. Creio que resolveram relançá-lo este ano porque solicitamos a digitalização/recolorização dessas edições.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h21
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