13/12/2006
Livro-reportagem conta história do quadrinho paraibano

jornalismo com as histórias em quadrinhos.- A pesquisa levou cerca de um ano, já que livros sobre o tema só existiam dois: um de 1983 (de Henrique Magalhães, quando as HQs na Paraíba completaram 20 anos) e outro -muitíssimo mal elaborado, por sinal - editado pelo jornal "A União", em 1993. Fora isso, apenas fanzines, os próprios quadrinhos para analisar e reportagens em jornais e entrevistas que tive que fazer com alguns autores. A confecção dos desenhos junto com a finalização (digitalização, balonamento, revisão, etc.) levou mais um ano. Tudo entre 2003 e 2004.
- Você acha que é possível desenhar uma notícia, mantendo os mesmo princípios de distanciamento necessário com o assunto reportado?
- Sobre desenhar uma notícia acho impossível, já que a divulgação de um acontecimento recente demanda pouco tempo para se escrever e publicar. O que pode chegar perto de uma "notícia" é a charge, por ser um só desenho sobre um determinado acontecimento importante. O jornalismo em quadrinhos se enquadra mais nas grandes reportagens, perfis e matérias mais atemporais. Ou seja, jornalismo em quadrinhos não dá certo com redação de jornal. Sobre a tal imparcialidade, é sempre uma discussão complicada, que pode, sim, ter um distanciamento de princípios do repórter até determinado ponto, já que a pessoa é o que vive, lê ou sente, tendo opiniões próprias sobre determinadas situações e momentos.
- Você menciona uma espécie de marco-zero para o quadrinho na Paraíba, "As aventuras do Flama" (imagem abaixo). Do que se trata?
- "As aventuras do Flama" foi a primeira revista de histórias em quadrinhos publicada na Paraíba que se tem conhecimento. Criada por Deodato Taumaturgo Borges (o pai de "Mike" Deodato) em 1963, o personagem Flama foi concebido originalmente em 1960 pelas ondas de rádio, "combatendo" o Jerônimo (personagem do sul do país) na audiência. A novela de aventuras era escrita e narrada pelo próprio Deodato, como a produção da revista, escrita e desenhada por ele. O Flama é baseado em personagens como "The Spirit" e "Flash Gordon", sucessos na época, e durou apenas cinco edições no mesmo ano.
- O quadrinho paraibano tem uma "cara" própria?
- Sou um tanto pessimista com relação a isso. O quadrinho paraibano existiu e existe, mas nunca teve uma "cara", uma identidade. Os autores são muitos dispersos em relação a um avanço nesse campo tão marginalizado no Brasil, imagine a Paraíba! Com exceção de Henrique Magalhães, que sempre coloca uma obra de sua editora independente na berlinda da notícia sobre quadrinhos, acho que se você desenhar para os EUA ou mantiver um estúdio calcado nos super-hérois, ou ainda mantiver uma personagem que não "amadurece", é muito pouco para que seja uma "cara". Se for, precisa de uma plástica urgente.









Escrito por PAULO RAMOS às 14h03
A pesquisa conferiu a Angela um mestrado em Geografia, defendido há pouco mais de um mês na USP (Universidade de São Paulo). Ela fez uma leitura do ambiente vivido pelos super-heróis, principalmente a Gotham City de Batman. Uma das conclusões é que o espaço geográfico é usado para reforçar as características dos personagens. Por isso que a cidade do homem-morcego é fria e sombria, tal qual Batman.