23/11/2006
Pesquisa da UFMG mostra como ensinar artes usando quadrinhos
João Marcos é mais conhecido pela faceta de desenhista. Só que o ilustrador mineiro –mora em Governador Valadares- esconde um outro lado, bem menos noticiado: o de pesquisador. Ele tem um estudo sobre o uso de quadrinhos no ensino de artes. A pesquisa fez parte de um mestrado, defendido neste semestre na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
O estudo levou dois anos para ficar pronto. "Mas há um bom tempo eu já estava lendo bastante, procurando algumas respostas", diz. A pesquisa mostrou uma aplicação para o ensino fundamental da história em quadrinhos "Persépolis", da iraniana Marjane Satrapi, em que a narradora descreve a infância vivida naquele país (a Companhia das Letras publicou três volumes da obra). A página é uma das usadas no mestrado.
"As questões relacionadas à produção de imagens, à apreciação, à reflexão e à elaboração artística são pontos importantes no que diz respeito ao ensino de arte", diz o pesquisador, de 31 anos, que também atua como professor de cursos de design gráfico, arquitetura e urbanismo. "Através da produção de histórias em quadrinhos, em que os estudantes passam por várias etapas, é possível desenvolver vários conteúdos e o mais importante, competências e habilidades comuns a outras modalidades artísticas e outras tantas específicas das HQs."
A conclusão do mestrado atesta que é, sim, possível utilizar quadrinhos para o ensino de artes. O problema é outro, segundo ele. É a resistência que ainda existe no meio acadêmico. "Pessoalmente, foi muito bom poder defender uma dissertação sobre quadrinhos numa escola de Belas Artes, que, apesar da inegável abertura para essa área, ainda encontra uma certa resistência. Às vezes, nas disciplinas, eu me sentia um peixe fora d’água, mas sempre tive convicção de que os quadrinhos poderiam oferecer muito mais no campo das artes."
João Marcos Parreira Mendonça quer dar seqüência ao estudo, que deve ser compilado num livro. Recebeu da banca avaliadora a recomendação de publicar o
mestrado. Ele faz parte de um novo grupo de pesquisadores que também são desenhistas. E de destaque. Na semana passada, João Marcos venceu a categoria tiras do Salão de Humor de Paraguaçu Paulista, seu primeiro prêmio (veja na postagem do dia 17.11). Na imprensa, publica na imprensa mineira as histórias de Mendelévio, um garoto que fica às turras com a irmã, Telúria. O personagem já rendeu um livro. Pode vir outro no ano que vem.
Na entrevista abaixo, feita por e-mail, João Marcos comenta sobre seus trabalhos e fala da pesquisa no ensino de artes.









Escrito por PAULO RAMOS às 23h42
