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14/08/2006
GRUMP NO EXTERIOR
ORLANDELI FECHA ACORDO PARA DISTRIBUIR TIRA FORA DO BRASIL
O cartunista Orlandeli fechou contrato para distribuir tiras do personagem Grump no exterior. A distribuição vai ficar a cargo da empresa Intercontinental Press (ou somente Ipress). O acordo prevê que o syndicate veicule a tira em países da América do Sul. No Brasil, Grump é publicado nos jornais Diário da Região e Folha da Região, ambos do interior de São Paulo, região onde o ilustrador mora (a "base de operações" é em São José do Rio Preto).
Walmir Américo Orlandeli -ou só Orlandeli, como costuma assinar- conta que a idéia é tornar o personagem mais conhecido dentro e fora do país. É o terceiro autor nacional que se associa a um Syndicate nos últimos meses. Ruy Jobim Neto terá material do cão Jarbas distribuído pela mesma Ipress de Grump. Mauricio de Sousa fechou acordo com a Universal Press para publicar Ronaldinho Gaúcho no exterior (leia nas postagens dos dias 21 de maio e 3 de julho).
Orlandeli criou Grump em 1994. Integrava o rol de personagens de outra tira, Violência Gratuita. O jeito brasileiro do personagem cativou e ganhou vida própria. Em 2002, virou revista em quadrinhos, publicada pela editora Escala. Apesar de o título vencer um HQMix, teve vida curta e foi cancelado. Deve voltar num álbum, que vai reunir nove seqüências de tiras.
Grump é apenas uma das facetas visuais do ilustrador de 32 anos, formado em Publicidade e Propaganda. Ele é também um premiado cartunista. Neste ano, foi um dos premiados do Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco (o desenho está na postagem do dia 6 de junho). No bate-papo a seguir, Orlandeli fala sobre seus desenhos de humor e, claro, a respeito do recente acordo com a Ipress.
- Como começou a parceria com a Ipress? - Negociar o material por conta própria é meio difícil, então resolvi investir em uma parceria com uma empresa especializada. Entrei em contato com eles e apresentei o material.
- Só para entender: como funciona na prática a parceria? Você tem de pagar alguma coisa ou é na base da divisão dos lucros?
- O autor não paga nada. A Ipress recebe uma porcentagem em cima do valor negociado por cada tira.
- Já há algo concreto? Algum país ou jornal demonstrou interesse pelo personagem?
- Por enquanto não. A parceria é bem recente, começamos a trabalhar juntos desde junho, e estamos na fase de divulgação do personagem entre os jornais. Isso é feito de várias formas, contato pessoal, mala-direta... Enfim. Na próxima etapa é que começam as propostas de comercialização.
- Quanto pagam em média por uma tira aqui no Brasil? E no exterior?
- É complicado definir valores. Não existe um preço único, varia conforme as características do veículo, tiragem... Essas coisas. Pode ser menos que um salário mínimo, mais que o dobro... Enfim, cada caso é um caso. O que é fato é que tira é um investimento de baixo custo se levarmos em conta as características de cada jornal. Para o autor, só se torna viável se publicar a mesma tira em vários jornais ao mesmo tempo. No exterior ainda não posso opinar.
- Grump ainda não é muito divulgado na imprensa nacional. Você acha que a parceria com a Ipress vai ajudar a tornar o personagem mais conhecido por aqui também? - A idéia é essa. A IPress atua no seguimento há vários anos, fornece material para jornais de todo Brasil e até fora dele. Toda essa tradição e experiência faz dela uma empresa sólida e confiável. Acredito que essa credibilidade é fundamental para convencer os editores a apostarem no Grump.
- A revista do Grump foi muito elogiada (venceu até um HQMix), mas teve vida curta. Há outros planos para o personagem? - Estou finalizando um livro com as tiras do Grump. O material já está todo selecionado e, mesmo sendo suspeito pra falar, promete ficar bem bacana.
- Você é também um cartunista premiado nos vários salões de humor. Quanto tempo em média você leva para fazer um desenho desses? E de onde vem a idéia?
- Depende. O desenho em si não demora muito, no máximo umas duas ou três horas. Mas a idéia já é mais complicado. Geralmente foco meu pensamento em um assunto, ou situação, e fico analisando as possibilidades de deixar aquilo interessante e engraçado. A sacada tanto pode vir na hora, como ficar dias cozinhando na cabeça.
Leia mais sobre Grump na postagem abaixo.
Escrito por PAULO RAMOS às 08h13
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DUAS VEZES GRUMP
As tiras abaixo vieram de diferentes fontes. A primeira foi indicada por Orlandeli, o criador do personagem. Faz parte de um álbum com histórias do personagem, ainda ser data para ser lançado. As outras duas vieram dos sites que ele mantém: www.orlandeli.com.br e http://blogorlandeli.zip.net/.
O blog, além de Grump, contém textos de Orlandeli. O último relembra um diálogo travado por Sandman nas profundezas do inferno. Era um jogo verbal, disputado com Chorozon, daquelas "eu sou o fogo, e você?"; "Eu sou a água que apaga o fogo". Em dado momento, Chorozon diz que é a escuridão, o fim do universo e de tudo o que existe. "E agora, Lorde dos Sonhos, o que você é?". Resposta: "Sou a esperança". Nem precisaria dizer quem venceu. Merece visita. E há um desenho de Sandman no traço do cartunista.


Escrito por PAULO RAMOS às 08h12
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02/08/2006
GRINGO, O ESCOLHIDO: FAROESTE MADE IN BRASIL
ENTREVISTA: WILSON VIEIRA
O Brasil tem leitores fiéis às histórias de faroeste. É o mesmo grupo que mantém a revista italiana "Tex" há tantos anos no mercado. O curioso é que poucos autores nacionais se aventuraram no gênero. É o que, à primeira vista, chama a atenção em "Gringo - O Escolhido", que chegou às bancas nessa virada de mês (Editora Nomad, R$ 29,90). Olhando a obra mais a fundo, percebe-se que há muito mais.
O texto é escrito por Wilson Vieira, paulistano de 56 anos. Começou como desenhista. No fim dos anos 70, fez trabalhos na Itália, na prestigiada Sergio Bonelli Editore (a mesma de Tex). Foi lá que conheceu em detalhes o faroeste. Seu traço ainda hoje é lembrado no país. Voltou ao Brasil no começo da década seguinte e trouxe na bagagem a idéia desta história, ambientada no período seguinte à Guerra Civil norte-americana (1861-1865). Sobre o assunto, diga-se, é uma assumidade. Faz um elucidativo sumário sobre o conflito no fim do álbum.
Desde que imaginou a obra, 23 anos atrás, deu uma guinada na carreira: passou a se dedicar à produção de roteiros (é dele o texto de "Cangaceiros - Homens de Couro"). A transição abriu espaço para a arte de Aloísio de Castro, desenhista que divide o tempo entre o traço e a coordenação de comunicação do Metrô paulistano. É dono de um estilo europeu difícil de ver por aqui. Acentua a expressão dos personagens de forma bem realista e tem o cuidado de criar diagramações revolucionárias em cada página. "Sensacionais desenhos. O Aloísio, além de amigo particular, é um excelente profissional e captou muito facilmente a personalidade do personagem", diz Wilson Vieira.
O Blog dos Quadrinhos conversou por e-mail com o criador de Gringo. Ele fala da carreira, do mercado nacional de quadrinhos e deste álbum, que tem jeitão de material europeu. Bom material, diga-se, que pretende dar seqüência numa minissérie.
- Foram 23 anos entre concepção e publicação. Por que tanto tempo?
- Talvez pelo fato de os editores [brasileiros] não me conhecerem bem efetivamente, apesar de meus sete anos de profissionalismo na Itália.
- Você teve essa experiência na Itália nos anos 70. E com faroeste. Você ainda colabora para edições italianas? Por que a volta ao Brasil nos anos 80?
- É verdade, desenhei para a SBE (Sergio Bonelli Editore), o personagem "Il Piccolo Ranger". Bem, resolvi voltar, pois, como profissional da nona arte, tinha atingido o degrau máximo, ou seja, tinha desenhado para o maior editor europeu. Não colaboro hoje, mas continuo mantendo contato com antigos colegas de profissão e editores.
- É difícil produzir uma obra desse porte no Brasil?
- Para mim não é, pois faço tudo detalhadamente por antecipação, sou minucioso, quando se trata de quadrinhos. O Aloísio, o artista, também o é, portanto fizemos tudo com calma, sem pressão alguma, pelo simples gosto que temos pela história em quadrinhos brasileira.
- Faroeste é uma tema que tem muitos fãs no Brasil, mas poucos artistas nacionais se aventuram no gênero. Por quê?
- Concordo. O número de leitores de "western" é imenso em nosso país. Creio que seja um tema muito específico e é necessária uma vasta pesquisa para que o produto final seja realista, como é a proposta do Gringo. Bem, eu amo de paixão o tema. Criar e desenvolver o roteiro foi muito relaxante.
- Há, no fim da obra, um texto seu sobre a Guerra Civil Americana. É uma aula sobre o assunto. Há quanto tempo você "flerta" com o assunto?
- Obrigado pelo elogio. Bem, o "western", visto dessa maneira bem real, que chamamos de "spaghetti western", já está em minha vida há mais de 30 anos e continuo estudando.
- O resultado final do álbum parece material europeu. Lá, o autor goza de respeito artístico. Tanto que seu trabalho, Gringo, é divulgado na Itália. Você sente o mesmo tratamento aqui?
- Infelizmente não. Se não fosse por poucos e bons amigos, os meus trabalhos não seriam publicados ou divulgados, coisa bem diferente por lá, pois ainda hoje sou lembrado como desenhista. Tanto o "Cangaceiros - Homens de Couro" como "Gringo - O Escolhido" foram e estão sendo divulgados por lá.
- Por que parou de desenhar na primeira metade dos anos 80? Por que passou a investir no roteiro?
- Não é que parei assim abruptamente, foi uma transição natural para mim, pois me envolvo demais em pesquisas e isso toma um tempo imenso. Ficaria impossível desenhar também. Mas, com a facilidade de visualizar as cenas, acho que me tornei um roteirista aceitável (risos).
- E daqui para frente? Para onde Wilson Vieira vai levar Gringo?
- Bem, o futuro a Deus pertence. Continuo a escrever e revisar as histórias do Gringo. Primeiramente, gostaria que o personagem fosse muito conhecido por aqui e, talvez depois, torná-lo uma minissérie. Já escrevi 16 episódios com 132 páginas cada uma e estou traduzindo-os em italiano.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h06
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