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31/12/2007
O que mudou no mercado de quadrinhos nos últimos 40 anos?
O Brasil lançou neste ano de 2007 uma diversidade maior de títulos em quadrinhos do que há exatos 40 anos.
O mercado nacional também possui mais editoras e diversificou os pontos de venda de quadrinhos, embora as bancas ainda dominem o setor.
Essas são algumas das conclusões de uma comparação feita entre o mercado atual de quadrinhos e o registrado em 1967 por um grupo de pesquisadores da Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo.
O estudo, um dos primeiros da área feitos no país, mapeou o mercado de quadrinhos da época. É o único desse porte realizado no Brasil.
A equipe foi organizada pelo professor de comunicação José Marques de Melo, que hoje atua na pós-graduação da Universidade Metodista, em São Bernardo do Campo, no Grande ABC.
O resultado foi publicado anos depois no livro "Comunicação Social – Teoria e Pesquisa", organizado por Melo e lançado pela editora Vozes.
A pesquisa tomou como base os títulos lançados em bancas entre os meses de agosto e novembro de 1967. O levantamento registrou apenas as revistas chamadas "regulares", ou seja, com periodicidade fixa (quinzenal, mensal, bimestral, trimestral).
Quarenta anos depois, o blog atualizou parte dessa pesquisa, também tomando como base os meses de agosto a novembro.
A comparação entre os dois estudos permite uma leitura mais precisa e fundamentada do atual mercado de quadrinhos.
Bancas
O número de títulos regulares lançados nas bancas em 2007 foi menor se comparado com o levantamento anterior.
Houve uma média de 121 publicações regulares entre agosto e novembro de 1967.
O levantamento de 40 anos atrás incluiu fotonovelas como um dos gêneros dos quadrinhos. Essas histórias eram publicadas em revistas voltadas ao público feminino, como "Capricho" e "Contigo", e representavam 15,7% dos lançamentos.
Em 2007, que não registra mais fotonovelas, a média foi de 84 títulos regulares.
Esse número, no entanto, aumenta se forem somadas as publicações não regulares, como álbuns, minisséries e revistas sem periodicidade fixa.
Nesse outro cenário, 2007 registra média de 110 títulos.
Editoras
Há mais editoras hoje atuando nas bancas do que há 40 anos.
São pelo menos 11 em 2007, contra dez na época da primeira pesquisa.
Hoje, investem no setor as editoras Abril, Conrad, Globo, JBC, Lumus, Mythos, Panini, Pixel, New Tokyo, On-Line e LB3.
Esse número, entretanto, é maior. Há outras editoras, como HQM, L&PM e Devir, que mantém títulos esporadicamente em algumas bancas de grande porte.
Há 40 anos, as editoras eram Ebal (Editora Brasil-América Ltda.), Rio Gráfica Editora, O Cruzeiro, Vecchi, Bloch, Abril, La Selva, Novo Mundo, Taika e Graúna.
Abril e Rio Gráfica (esta rebatizada de Globo) foram as únicas que se mantiveram no mercado de quadrinhos nesse periodo.
Vecchi e Bloch, na época, investiam exclusivamente em fotonovelas.
Material estrangeiro
Segundo a pesquisa feita em 1967, 70% das obras vendidas nas bancas tinham material estrangeiro.
Esse número, hoje, é maior. 84,1% das revistas de banca têm conteúdo importado de outros países, principalmente Estados Unidos e Japão.
Das 15,9% revistas com histórias nacionais, todas são infantis.
Troca de gêneros
Terror e fotonovela, dois gêneros com títulos regulares em 1967, sumiram das bancas em 2007.
As fotonovelas, em especial, representavam as maiores vendagens da época. A recordista era a "Capricho", com tiragem média de 461.776 exemplares.
A título de comparação, a revista infantil de maior tiragem era "Mickey": média de 334.508 exemplares por mês.
No lugar do terror e da fotonovela, há presença em 2007 dos mangás e manhwás, nomes como são conhecidos, respectivamente, os quadrinhos japoneses e sul-coreanos.
Os mangás e manwás representaram entre agosto e dezembro de 2007 18,6% dos quadrinhos regulares e não-regulares vendidos em bancas.
Tiragem
Não há dados oficiais ou confiáveis hoje sobre tiragem de quadrinhos no Brasil.
Por isso, não foi possível fazer uma comparação entre os dois períodos.
Mas é possível perceber alguns sinais de que as vendas são menores.
A revista de "Recruta Zero" tinha, em 1967, tiragem de 75 mil exemplares/mês.
Em dezembro de 2006, a editora Mythos recolou a revista no mercado. A publicação foi cancelada meses depois por falta de compradores.
Outro dado são as revistas Disney. Quatro delas, "Mickey", "Tio Patinhas", "Pato Donald" e "Zé Carioca" (as duas últimas quinzenais), somavam quase 1,114 milhões de exemplares.
Estima-se que hoje a única franquia que faça frente a esses números seja a dos personagens criados por Mauricio de Sousa.
O desenhista e empresário publica mais que o dobro de títulos do que a Disney apresentava há 40 anos. A média é de oito revistas mensais e duas bimestrais.
Segundo a assessoria da Panini, que edita a Turma da Mônica, houve neste ano crescimento de 12% das vendas em relação a 2006, quando as revistas eram publicadas pela Globo.
Outros dados
A comparação, até este ponto, tomou como base os mesmos critérios da primeira pesquisa, ou seja, verificar o número de quadrinhos regulares presente em bancas.
Ampliando o escopo atual, é possível observar outras diferenças em relação a 1967:
- Hoje há pelo menos 24 editoras que mexem especificamente (Panini, Conrad) ou parcialmente (Companhia das Letras, Jorge Zahar) com quadrinhos.
- As bancas continuam sendo o principal ponto de venda. Representam, em 2007, 88% do mercado (se desconsiderada a internet).
- Apesar disso, a maioria das editoras (70,8%) investe em livrarias, que representam 12% do setor. Algumas, como a Panini e a Conrad, vendem tanto em livrarias quanto em bancas.
- A presença nas livrarias diversificou os gêneros de títulos lançados hoje no país, de jornalismo em quadrinhos a adaptações literárias. A ida às livrarias também tem conseguido chamar a atenção de um leitor adulto, com maior poder aquisitivo.
- Livrarias, internet e lojas especializadas em quadrinhos representam novos pontos de venda de quadrinhos, inexistentes em 1967. A editora gaúcha L&PM tem feito parcerias com farmácias também.
- A média de lançamentos entre bancas e livrarias é de 125 títulos por mês (contra 121 nas bancas em 1967, que não levava em conta os títulos não-regulares). O número aumenta se forem consideradas as revistas independentes (que tem média de três a quatro publicações por mês). É bem possível que haja hoje mais quadrinhos publicados do que há 40 anos.
- A Panini é a editora que mais publica quadrinhos no país. De cada dez lançamentos, seis são da editora multinacional.
- A presença da Panini no Brasil –a editora começou a investir em quadrinhos no país no início do século- mudou o mercado nacional, principalmente o de bancas, que registrava anos atrás um interesse editorial visivelmente menor.
- Super-heróis são o gênero que tem mais títulos lançados no Brasil. Representam média 24,5% dos títulos regulares publicados entre agosto e novembro de 2007. Essa fatia do mercado aumenta se forem considerados os álbuns e minisséries (tidos como não-regulares). Revistas exclusivamente Infantis representam 23,5% das publicações.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 17h14
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Brat Pack faz crítica a heróis e a editoras que os publicam

Capa da minissérie já dá o tom da crítica ao universo dos super-heróis norte-americanos
O 12º número de "Watchmen", lançado nos Estados Unidos em 1987 pela DC Comics, encerrava a minissérie, mas não a proposta por ela representada.
O tratamento ultra-realista dos super-heróis inspirou outras tramas nos anos seguintes.
Uma delas é "Brat Pack", que começou a ser vendida no Brasil em novembro (HQM, R$ 29,90, 186 págs.) e que este blog resenha com atraso.
O álbum, escrito e desenhado por Rick Veitch no começo dos anos 1990, não faz uma cópia de "Watchmen". A obra dá alguns passos além. Critica não só a estrutura dos super-heróis norte americanos como também a indústria que os publica.
A trama é centrada na atuação dos chamados "sidekicks", os parceiros mirins dos grandes e populares heróis.
O que mais se destaca é Chippy, o "menino sensacional", versão de Robin no fictício mundo criado por Veitch.
Quem usa a máscara, o minúsculo calção de Chippy é o que menos importa. Se o dono do uniforme morre, como ocorre no início da história, outro garoto é selecionado para tomar o lugar.
Mas o novo usuário do uniforme tem de concordar com o modus operandi de seu parceiro, Doninha Noturna, o Batman de "Brat Pack" (expressão que é traduzida como "bando de pirrralhos" no álbum).
Uma das atribuições é ser parceiro também sexual do herói, rótulo que persegue a dupla Batman e Robin até hoje, principalmente em piadas.
Seguramente existe aí uma das várias cutucadas de Veitch na DC Comics.
Anos antes, ele tinha saído da editora ao ver recusada uma de suas histórias, um encontro entre o personagem Monstro do Pântano com Jesus Cristo.
A própria morte do primeiro Chippy é outra crítica à editora.
A DC Comics havia feito uma votação para decidir se o segundo Robin, Jason Todd, deveria morrer. Os leitores decidiram pela morte. No álbum de Veitch, votação parecida é feita por um programa de rádio.
A bronca de Rick Veitch com a DC Comics terminou em lua de mel. Hoje, ele faz novos trabalhos para a editora, mas nenhum tão ácido como "Brat Pack".
A obra foi publicada num momento em que a indústria norte-americana de quadrinhos estava em crise editorial e criativa.
O álbum aproveita e escancara essa crise, percebida com mais facilidade hoje por causa do distanciamento histórico.
Essa interpretação é reforçada pelo prefácio de Neil Gaiman, autor da série "Sandman". Gaiman faz um esclarecedor texto nas páginas inicias da obra.
Começaria por esse texto. Ajuda a entender melhor o destrutivo universo criado por Veitch.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 13h21
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28/12/2007
Uma das melhores tiras do ano se destacou num blog (não em jornal)
Pelo formato reduzido, as tiras estão os gêneros dos quadrinhos que mais bem se adaptaram à realidade virtual.
Um sinal disso é que elas já começaram a ofuscar o prestigiado meio impresso.
Uma delas, produzida pelo gaúcho Rafael Sica, está entre as melhores produzidas neste ano de 2007.
Só depois de se consolidar na internet é que começou a circular em jornais. Atualmente, sai num jornal de Porto Alegre.
A publicação impressa tem ocorrido desde o meio do ano, mas sem a mesma regularidade e difusão vistas no meio virtual.
Sica faz parte da trupe de novos autores brasileiros que estão reinventando o modo de fazer tiras cômicas.
A exemplo de outros desenhistas de sua geração, ele procura fugir de tudo o que parece ser convencional ao gênero, à exceção do formato retangular.
"As tiras passam por um momento importante de transformação de recursos gráficos e de discurso, justamente porque a internet é um meio com características próprias que possibilitam essa transformação sem amarras", diz ele, por e-mail.
"Se, hoje, dependesse só dos jornalões e das editoras, o quadrinho brasileiro já teria sufocado."
O desenhista, que está com 27 anos, vê no meio virtual -e não no impresso- sua principal vitrine profissional. Segundo ele, é uma forma de chegar a vários lugares.
O blog que ele mantém, o "Rafael Sica - Quadrinho Ordinário", existe desde 2004 e é hospedado no portal UOL.
A página virtual começou com ilustrações, histórias um pouco mais longas e tiras. Estas, com o passar dos meses, se ganharam espaço e deram a cara que o blog tem hoje.
Sica diz produzir mais de uma tira por dia. Não há um tema fixo em suas curtas piadas. E isso, afirma, é intencional.
Não ter uma idéia fixa se reflete na variedade de situações de humor -nem todas comuns- que as tiras dele abordam.
Também não há um personagem fixo, elemento comum à maioria das tiras do século passado. O único com um pouco mais de regularidade, usado de quando em quando, é o Cara de Plástico.
Ele tem um rosto com a mesma expressão facial, como se fosse mesmo de plástico.
Sica explica que o personagem surgiu da "passiva observação da passividade induzida a que nós brasileiros fomos submetidos".
O blog tem atualização freqüente. As idéias, segundo Rafael Sica, vêm do dia-a-dia e são anotadas em papeizinhos para serem esquecidas.
"Vou anotando as idéias ali, depois rascunho num papel maior, pra amadurecer a idéia", diz.
"Procuro não deixar pra ter idéias na frente do papel em branco. Isso, na minha opinião, facilita a produção."
Essa não é a primeira experiência dele com tiras. Em 2006, criou com o escritor Castelo as histórias de "Nestor & Laika", dois cachorros que viviam grudados.
A experiência, também feita para a internet, terminou com sua transferência de São Paulo para Porto Alegre, onde mora atualmente.
Apesar de ter a produção vinculada ao mundo virtual, Rafael Sica começa a fletar com produções feitas em papel.
"O importante da publicação impressa é o registro histórico do material, isso não tem como contornar. Uma hora seu trabalho tem que ir pro papel, do contrário, ele morre precoce."
Um dos flertes com o papel, além da publicação em jornal, é a adaptação do conto "João Sortudo", feito para o livro "Irmãos Grimm em Quadrinhos", lançado este mês (leia mais aqui).
O conto aborda a ingenuidade do personagem, que se sente realizado após ser enganado em sucessivas trocas.
"A história original é uma beleza, usa da sutileza pra maquiar a acidez. Espero não ter estragado."
Outro flerte com o meio impresso faz parte de um dos planos para 2008.
Ele pretende publicar parte de suas histórias numa publicação chamada "Tuc! - Breves Histórias em Quadros Pequenos".
"É uma espécie de coletânea de tiras, com algumas histórias um pouco maiores e outras coisas inéditas", diz.
Clique neste link para conhecer o blog de Rafael Sica.
Post postagem: fiz uma sutil alteração no texto à 0h24 do sábado.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h17
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27/12/2007
Adaptação de Irmãos Grimm tira ar de ingenuidade dos contos

Capa do álbum, que mostra 14 versões em quadrinhos de contos dos Irmãos Grimm Não deixa de ser curioso. Um ano marcado pela revitalização das adaptações literárias em quadrinhos termina com mais um lançamento do gênero. "Irmãos Grimm em Quadrinhos" (Desiderata, R$ 24,90) traz 14 contos inspirados nos textos dos alemães Jacob (1785-1863) e Willhelm Grimm (1786-1859). Os dois irmãos transformaram em contos literários as várias narrativas orais populares que ouviam no início do século 19. Várias são famosas até hoje e devem ser as primeiras a serem reconhecidas pelo leitor do álbum em quadrinhos, caso de "A Bela Adormecida" e "Chapeuzinho Vermelho", para ficar em dois exemplos. A obra da Desiderata -que traz também outros contos desconhecidos do grande público- parte do princípio de como tais narrativas seriam se contadas na linguagem dos quadrinhos. O resultado ficou a cargo dos 17 autores nacionais que participaram do projeto, entre eles S. Lobo, editor da obra e da área de quadrinhos da Desiderata. A maioria vem de trabalhos alternativos, feitos em publicações independentes ou na internet. Essa opção editorial tirou da obra o ar infantil, o que torna o trabalho ainda mais interessante. As histórias têm um traço mais pessoal (underground, em alguns casos), uso de palavrões (pouquíssimos) e cenas de nudez (poucas também). E não espere ver nas adaptações o ar ingênuo das animações feitas por Walt Disney. A irmãs malvadas de "A Gata Borralheira" têm de cortar partes dos pés para fazê-los entrar no sapatinho deixado para trás após o baile com o príncipe. Outro exemplo. "Rapunzel" fica menstruada, é mantida presa numa torre pela madrasta e, lá, é mostrada nua ao lado do amado. Mais do que uma adaptação, a obra é um convite aos adultos de hoje relembrarem, com outro enfoque, os contos até então pueris que viram ou leram quando crianças. "Irmãos Grimm em Quadrinhos" é o terceiro álbum em quadrinhos da editora carioca lançado no último trimestre. A Desiderata tinha programado para 2008 outros trabalhos na área (leia mais aqui). Não se sabe ainda se a negociação com a Ediouro, que finaliza a compra da Desiderata, vai interferir nessa política (leia aqui). O Blog antecipou algumas imagens de "Irmãos Grimm em Quadrinhos" quando noticiou o lançamento em novembro (na época, a informação é que seriam 18 contos, e não 14). Veja as imagens neste link.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 18h41
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ONU usa super-heróis da Marvel para melhorar imagem da entidade
Super-heróis da Marvel Comics vão protagonizar uma história em quadrinhos que será usada para melhorar a imagem da ONU (Organização das Nações Unidas).
A Marvel Comics é a editora norte-americana que detém os direitos de personagens como Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e X-Men, que se tornaram ainda mais populares após terem versões feitas para o cinema.
Segundo o jornal "Financial Times", que noticiou a história, um milhão de exemplares da revista vão ser distribuídos a estudantes norte-americanos.
Depois, a história vai ser levada a outros países.
A trama ainda não está pronta. O roteiro deve ser aprovado em fevereiro.
De acordo com a matéria, assinada por Deborah Brewster, os heróis vão atuar com grupos ligados à ONU num "país fictício devastado por guerras".
A organização internacional, que tem sede em Nova York, registra um histórico de atritos com os Estados Unidos, acentuados após os atentados de 11 de setembro de 2001.
Na ocasião, três aviões seqüestrados se chocaram com as torres do World Trade Center, em Nova York, e no prédio do Pentágono, em Virgínia. Uma quarta aeronave caiu.
A retaliação norte-americana contra o Afeganistão, num primeiro momento, e contra o Iraque não contou com o aval da ONU, em tese necessário para esse tipo de ação.
Os quadrinhos da Marvel Comics -como o restante da mídia do país- inicialmente deram suporte às ações militares do governo do presidente George W. Bush.
Nos últimos anos, no entanto, alguns autores da editora têm se manifestado visivelmente contrários à política externa do país e usam os quadrinhos como metáfora para criticar a política adotada por Bush.
É o caso de Mark Millar, escritor de "Os Supremos". No segundo arco da série, várias potências mundiais se unem para conter a presença dos Estados Unidos no mundo.
O país é chamado, em alguns momentos, de novo Império Romano (leia aqui e aqui).
Houve neste ano outro flerte da ONU com os quadrinhos.
Mônica, do brasileiro Mauricio de Sousa, foi escolhida embaixadora brasileira do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
O UOL traduziu a reportagem do jornal "Financial Times". O texto pode ser lido neste link.
Categoria: NA MÍDIA
Escrito por PAULO RAMOS às 15h36
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26/12/2007
Álbum torna mais acessível passagem da família real pelo Brasil

Capa de "D. João Carioca", obra que começou a ser vendida neste mês
Há um inegável lado estratégico no álbum "D. João Carioca - A Corte Portuguesa Chega ao Brasil (1808-1821)", lançado neste neste mês (Cia. das Letras, R$ 33).
A obra em quadrinhos começa a ser vendida a poucos dias do ano que marca os dois séculos da vinda da família real portuguesa, no início do século 19.
Fugindo das invasões francesas, o príncipe Dom João vê na vinda ao Brasil a saída para manter a realeza.
Esse lado estratégico do álbum, no entanto, não tira o valor do álbum, de 95 páginas. Ou os valores do álbum.
O primeiro mérito da obra é saber contar esse capítulo da história brasileira de um modo que se torna acessível aos mais jovens e conteudisticamente interessante aos adultos.
O texto de Lilia Moritz Schwarcz, especialista no tema, dá a profundidade necessária a quem quer se iniciar no assunto, mas sem perder o humor.
Isso dá leveza à leitura, o outro ponto positivo da obra.
A evolução cronológica dos fatos é narrada com pitadas de diálogos cômicos, evidentemente ficcionais.
O uso do humor foi uma boa saída encontrada por Schwarcz para ilustrar cada um dos eventos históricos, difíceis de serem conduzidos na linguagem dos quadrinhos com cem por cento de precisão.
Nesse ponto, seguramente contribuíram no processo de construção da narrativa real os desenhos de Spacca, premiado em quatro categorias do Troféu HQMix de 2006 pela biografia de Santos-Dumont (leia aqui).
O traço dele casa com a proposta leve de leitura, sem dela tirar o necessário tom factual.
O desenhista usou fotos e pinturas -citadas ao lado dos quadrinhos em que aparecem- para compor os personagens e cenários representados em "D. João Carioca".
As páginas finais do álbum mostram um pouco desse trabalho de pesquisa, tão interessante quanto a leitura da obra em si.
É de se lamentar apenas a não-inclusão de reproduções das pinturas que serviram de referência.
Esse método de Spacca, na verdade, não é novo.
Ele também usou referências em pintura para narrar a biografia do pintor francês Jean-Baptiste Debret (1768-1848), personagem que aparece rapidamente neste "D. João Carioca".
Debret também migrou para o Brasil, mas em 1815, alguns anos depois da família real portuguesa.
O resultado foi mostrado em "Debret em Viagem Histórica e Quadrinhesca ao Brasil", álbum lançado há exatamente um ano, também pelo Cia. das Letras (leia mais aqui).
Talvez o mérito final de "D. João Carioca" seja sua difusão. A história da vinda dele e da coroa portuguesa ao Brasil, na forma de quadrinhos, tem grande chance de chegar a um público maior, de diferentes faixas etárias.
Em livro, teria o mesmo potencial de difusão? Dificilmente.
Para encerrar, apenas um registro: Lailson Cavalcanti também quadrinizou a vinda da família real ao Brasil.
O resultado foi publicado ao longo do ano na revista "Nossa História". Leia mais aqui.
Post postagem: os leitores deste blog me lembram de outro lançamento deste ano que abordou o assunto: "Ponha-se na Rua!", de André Diniz e Tiburcio. Só não o mencionei por puro esquecimento. Leia mais sobre a obra aqui.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 19h07
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Revista distribuída de graça chega ao sexto número
Distribuir uma revista de graça, quem diria, virou um bom negócio.
Começou a circular neste fim de ano o sexto número de "Tulípio".
A publicação, feita em formato de bolso, é distribuída gratuitamente em bares e livrarias de São Paulo e Rio de Janeiro.
O que paga os custos são uma parceria com uma rede de bares paulistana e os patrocínios da revista, que estreou em junho de 2006 (leia aqui).
A revista é uma criação do publicitário Eduardo Rodrigues e do cartunista Paulo Stocker.
O cartunista Zélio e o escritor e compositor Nei Lopes participam deste sexto número.
Veja aqui onde encontrar a revista.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 17h24
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24/12/2007
Um excelente Natal

Desejo a todos os leitores deste blog um excelente Natal.
Aproveito para agradecer às pessoas que enviaram desenhos de boas festas.
Uso o cartum de Spacca, um dos desenhos enviados, para ilustrar meu agradecimento.
Abração a todos. E um excelente Natal.
Escrito por PAULO RAMOS às 12h17
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21/12/2007
Aumenta venda de quadrinhos nas bancas, dizem jornaleiros
Há poucos anos, tinha virado senso comum dizer que os quadrinhos de banca estavam fadados à extinção. Os algozes seriam as grandes livrarias, novo ponto de venda que teve crescimento de 30% entre 2006 e este ano.
Mas não é o que se vê. As bancas brasileiras vivem hoje um novo boom de revistas em quadrinhos.
É difícil conseguir números precisos sobre o tema. As editoras, possivelmente preocupadas com a concorrência, têm resistência em dizer quanto vendem.
O Blog ouviu, então, jornaleiros de cinco capitais brasileiras para saber se eles confirmam esse novo cenário de crescimento.
As opiniões foram unânimes. Eles registraram aumento no número de quadrinhos de dois anos para cá, a ponto de a maioria ter de ampliar o espaço das prateleiras para abrigar novos títulos.
Capas de "X-Men" e "Wolverine", duas das revistas de super-heróis da Panini, em banca paulistana
Outro ponto comum é que as revistas de super-heróis têm registrado as maiores vendas. Elas tendem a ser compradas por homens adultos, com maior poder aquisitivo.
Parte desse comportamento se deve ao volume de títulos do gênero colocados à venda pela multinacional Panini, a líder nesse segmento.
Neste mês, a editora colocou à venda cerca de 40 títulos de super-heróis, metade deles de publicações especiais ou minisséries.
Comprador em banca de Curitiba; jornaleiros vêem nos homens adultos os principais consumidores
São os homens adultos que compram os quadrinhos de heróis das editoras Panini e Pixel na banca "Expresso Cultural", que funciona há dez anos no Shopping Estação, no centro de Curitiba.
Por isso, as revistas das duas editoras são colocadas estrategicamente ao lado das de esportes, automóveis e games, também compradas por um público masculino.
As publicações da Panini e da Pixel -que também investe em heróis- representam a maior venda de quadrinhos da banca, segundo Maciel dos Santos e Ana Carolina, os responsáveis pelo local.
A presença de tantas publicações -inclusive mangás e álbuns de outras editoras- tem feito os quadrinhos invadirem outras prateleiras da banca.
Super-heróis, infantis, mangás, edições especiais e álbuns dividem espaço nas prateleiras das bancas
Para contornar a falta de espaço, a loja de quadrinhos "Agência Riccio", na região central de Belo Horizonte, dobrou o número de prateleiras dedicadas a quadrinhos. Hoje, são quatro.
O gerente da loja, Rogério Riccio, estima em dez por cento o aumento no volume de revistas do gênero em relação ao ano passado.
Segundo ele, títulos mensais como "Tex" e "Mônica" têm mantido uma regularidade na procura. Produções independentes têm saída tímida. O impulso no aumento das vendas foram os super-heróis.
Ele credita esse crescimento à melhora na qualidade gráfica das revistas e nas capas mais chamativas. Mas acredita que, se as publicações fossem mais baratas, venderiam melhor.
Riccio diz ouvir algumas queixas quanto ao preço padrão das revistas da Panini, R$ 6,90. A outra reclamação é quanto aos atrasos na chegada de alguns títulos.
São as mesmas reclamações ouvidas pelo jornaleiro Rodrigo Maurício da Silva, que trabalha há um ano na banca "Machado de Assis", do Largo do Machado, no Rio de Janeiro.
Ele cita o caso de "Guerra Civil", da Panini, como exemplo de como se dá o impacto do preço no comportamento do leitor. O valor mais em conta -R$ 3,90- tornou a minissérie a mais vendida da banca.
A "Machado de Assis" tem também livros de bolso da editora gaúcha L&PM, que trazem quadrinhos nacionais. Mas há desconhecimento quanto a isso.
Quando perguntado sobre produções brasileiras, Silva não soube dizer se havia alguma. Atestou, no entanto, a diversidade das demais publicações: mangás, infantis, super-heróis.
Dono de banca de Salvador (BA) diz que leitor tem dificuldade de localizar as revistas nas prateleiras
Revistas da Marvel Comics (de Homem-Aranha), quadrinhos adultos, mangás e "Dragon Slayer" (sobre RPG) têm muita saída na banca "Santana", no bairro Rio Vermelho, em Salvador.
Os independentes nacionais, por outro lado, tornaram-se inviáveis. As obras, comercializadas por consignação, nunca eram devolvidas cem por cento intactas.
O "diagnóstico" é do jornaleiro Renato Diniz, de 62 anos, que abre a banca durante a semana pontualmente às 7 da manhã. Sai de lá às 10 da noite.
Ele diz encontrar dificuldade para destacar os títulos na banca, um dos motivos das reclamações que ouve dos compradores.
"Os leitores não conseguem localizar os títulos e tampouco visualizar a capa", diz.
"O ideal seria que 50% das capas aparecessem pelo menos. Mas, infelizmente, hoje só dispomos de um quinto [do espaço] para isso."
Espaço destinado a quadrinhos dobrou nos últimos três anos em banca 24 horas da capital paulista
O problema vivido hoje pelo jornaleiro baiano foi percebido há três anos pelos donos da freqüentadíssima banca da esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta, em São Paulo, maior pólo consumidor de quadrinhos do país.
Foi na época em que estavam trocando a banca por uma mais moderna, que tem até televisão.
Decidiram aproveitar a mudança para ampliar o espaço físico destinado aos quadrinhos. A parte voltada a publicações de culinária foi sacrificada.
A área para as revistas dobrou. Há uma prateleira para infantis, outra para mangás, italianos e especiais, uma terceira para super-heróis e um estande só com obras da Devir, resultado de uma parceria feita com a editora paulista.
Amauri Pereira Martins, que trabalha desde 1999 na banca 24 horas, estima um aumento de mais de 30% nas vendas de quadrinhos nos dois últimos anos.
Os mais vendidos são mangás e, principalmente, super-heróis, por causa do perfil do público comprador, que "não tem dó de gastar".
"O pessoal que lê gibi de super-heróis é fanático. Tudo o que sai eles compram", diz.
"Tem um rapaz que vem todo sábado. A compra dele é de R$ 100 pra cima."
Crédito: colaboraram para esta matéria Anna Fortuna (Rio de Janeiro), Cau Gomez (Salvador), Fabiano Barroso (Belo Horizonte) e Liber Paz (Curitiba).
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 18h53
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20/12/2007
Quem te viu, quem te vê. Super-Homem era outro há 70 anos
Há um inegável valor histórico no livro "Superman Crônicas", que começou a ser vendido nesta semana (Panini, R$ 56).
A obra não só traz as primeiras histórias de Super-Homem mas também mostra como se deu o surgimento do gênero super-heróis.
Heróis com uniformes não era algo inédito em 1938, ano em foi publicada a primeira aventura do homem de aço.
Alguns anos antes, o "Fantasma" já perambulava com máscara e um calção por cima do traje que usava para combater o mal.
Mas foi com o herói de roupa azul, vermelha e amarela que os superseres surgiram nos quadrinhos.
Super-Homem é um fruto da imaginação dos jovens Joe Shuster (1914-1992) e Jerry Siegel (1914-1996).
A criação da dupla se tornou tão popular que seria até redundante lembrar que o personagem é o único sobrevivente do extinto planeta Krypton.
Enviado à Terra em um foguete, que cai especificamente nos Estados Unidos, ele cresce com habilidades físicas muito acima das dos demais habitantes.
A origem é contada logo nas primeiras páginas da história de estréia, publicada na revista "Action Comics" número um, de julho de 1938. É também a que abre "Superman Crônicas".
Nessa época, os autores diziam que ele não tinha sido adotado. Foi descoberto dormindo dentro do foguete e conduzido a um orfanato. Adulto, tornou-se o repórter Clark Kent.
Essa não é a única diferença em relação ao Super-Homem que se lê hoje. E não só nos superpoderes, que, no fim da década de 1930, eram sensivelmente menores (ele tinha força acima da média e dava enormes saltos, nem sequer voava).
O personagem de Shuster e Siegel era caracterizado como um ser obsessivamente preocupado em ajudar pessoas comuns -e não em enfrentar supervilões-, sem medir esforços para isso.
O modus operandi do herói, para se ter uma idéia, era se disfarçar de outra pessoa.
Nestas primeiras histórias, ele se torna mineiro, jogador de futebol americano, prisioneiro, personagem de circo, soldado.
A vida de soldado é mais um elemento da obsessão dele em levar malfeitores à cadeia.
O herói se alistou para acompanhar um produtor de munições, que fazia fortuna com uma guerra. Era a forma que encontrou de convencê-lo a abandonar a atividade.
Outro dado que certamente causa estranhamento quando lido hoje é o comportamento ético do super-herói.
Ele manifesta atitudes agressivas e diz frases ora debochadas, ora violentas, sem a tradicional preocupação com o bem-estar dos outros.
Um caso, para ilustrar. Ao ameaçar um capanga, dobra uma barra de aço e diz:
"Está vendo como dobro sem esforço esta barra de ferro em minhas mãos? Ela poderia facilmente ser seu pescoço."
Quadrinho seguinte, dizendo o que faria com o vilão se este não embarcasse num navio no dia seguinte:
"Se não encontrá-lo a bordo quando ele zarpar, juro que vou segui-lo para qualquer buraco em que se esconda e arrancarei seu coração cruel com minhas próprias mãos."
Para registro: o super-herói o seguiu mesmo assim.
Esse tom persiste em todas as histórias dessa fase, em maior ou menor grau. Mas funcionou.
O herói ganhou popularidade a ponto de conquistar uma revista própria, em julho de 1939 (também presente em "Superman Crônicas"), que recontou a origem do herói, agora adotado pelos Kent.
O livro da Panini, produzido em capa dura e papel especial, traz as primeiras 15 histórias do herói, publicadas de julho de 1938 a julho do ano seguinte.
A edição traz ainda uma reprodução da primeira revista do herói publicada no Brasil em novembro de 1947 pela Ebal (Editora Brasil-América Ltda.).
Embora o nome da revista fosse em inglês, nas páginas internas o personagem teve o nome traduzido para Super-Homem. E Lois Lane era Miriam Lane.
As primeiras histórias do Super-Homem já foram publicadas por outras editoras, como a L&PM.
Mas nenhuma das obras teve um tratamento editorial que fizesse jus à importância do material, como faz agora a Panini com Super-Homem e como fez com Batman, em obra similar lançada em setembro (leia mais aqui).
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 19h09
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Japoneses lêem menos mangás. Mercado migra para mídias digitais
A imagem que se tem no Ocidente é que o mangá, nome dado ao quadrinho japonês, é uma febre em seu país de origem. Reportagem do jornal norte-americano "USA Today", traduzida hoje pelo UOL, mostra um cenário diferente.
Segundo a matéria, assinada pelo correspondente em Tóquio Paul Wiseman, os quadrinhos têm perdido espaço para as mídias digitais, como celulares, internet e games. Estes seriam a nova febre entre os jovens japoneses.
A reportagem traz alguns números, baseados no Instituto de Pesquisa de Publicações de Tóquio. Houve queda de 4% nas vendas de mangás entre 2006 e 2007.
A redução é ainda maior se vista em comparação com 1995, ano em que as vendas somavam 1,34 bilhão de revistas. Em 2006, o número caiu para 745 milhões de mangás.
De acordo com o jornal, uma parcela do público transferiu a leitura para o aparelho de celular. Isso porque já existe um mercado voltado para mangás na tela do telefone.
As vendas de mangás para serem lidos pelo celular somaram 4,6 bilhões de ienes em 2005. O negócio dobrou no ano passado.
Mesmo assim, especialistas em mangá ouvidos pelo "USA Today" dão a entender que existam ainda outros fatores que estão interferindo nessa queda na leitura dos quadrinhos impressos no Japão.
Entre eles, estão um cansaço em relação à escrita tradicional, a presença de roteiros vistos como repetitivos e um envelhecimento da população japonesa, causado pela queda na taxa de natalidade.
Essa informação é particularmente relevante para o mercado editorial americano, ainda aquecido pela presença dos mangás.
Hoje, no Brasil, o número de mangás à venda nas bancas de jornal se equipara ao de outras publicações em quadrinhos, como as revistas de super-heróis.
JBC, Panini e Conrad são as editoras que mais investem no setor.
Comportamento semelhante é visto em outros países sul-americanos, como a Argentina.
Leia neste link a reportagem do jornal "USA Today".
Categoria: NA MÍDIA
Escrito por PAULO RAMOS às 16h34
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19/12/2007
Livro analisa tiras cômicas como um dos gêneros do jornalismo
Há diferentes perspectivas teóricas para pesquisar os gêneros dos quadrinhos, nem todas coincidentes.
Uma delas, mais rara, é a que vincula as diferentes formas de produção quadrinística à área jornalística. É com esse olhar que o professor universitário Marcos Nicolau enxerga as tiras no livro "Tirinhas – A Síntese Criativa de um Gênero Jornalístico". A obra começou a ser vendida nesta semana (Marca de Fantasia, R$ 11). O teor jornalístico das tiras, para ele, não se resume ao fato de serem publicadas em jornal. Seria mais que isso. No entender do autor, os cem anos de produção delas permitem afirmar constituam um dos gêneros do jornalismo. A fundamentação é feita na primeira parte do livro, a mais importante das 68 páginas da obra. Nicolau aproxima as tiras –ou tirinhas, como ele prefere- de outras produções rotuladas de jornalísticas, mas que não seguem à risca os manuais de redação. É o caso das crônicas, que possuem uma liberdade de conteúdo e de estética próprias, algumas vezes com função de entretenimento. Para Nicolau, o mesmo ocorreria com a tira cômica. No entender dele, "ela traz em seu texto muito da literariedade encontrada na crônica e da denúncia ou crítica apresentada pelo artigo." Esse diálogo com o cotidiano seria um dos elementos que aproximariam as tiras do jornalismo. Tal qual o cronista, o desenhista faria por meio dos quadrinhos um olhar próprio da sociedade moderna. Nicolau consegue fundamentar essa premissa com propriedade, inclusive teórica. É uma contribuição científica inovadora, posto que caminha na contramão do pouco que se estudou sobre o assunto no país. Por isso mesmo, a aplicação das idéias teóricas no corpus de análise teria uma responsabilidade ainda maior de comprovar a premissa ao leitor. Mas não é o que ocorre. O autor se restringiu a uma descrição rápida das características de algumas tiras, como "Hagar, o Horrível", "Calvin e Haroldo", "Rango" e "Mafalda". Sem essa aplicação mais aprofundada, fica difícil convencer o leitor de que uma tira como "Níquel Náusea", outro exemplo citado na obra, seja jornalística. Marcos Nicolau abre uma discussão pertinente não só sobre as tiras como também sobre o diálogo entre os quadrinhos e o jornalismo, ainda pouco explorado academicamente. Mas é um início de discussão. Que venham outros estudos. Nota: a obra é vendida somente no site da Marca de Fantasia. Para acessar, clique aqui.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 23h16
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Morre Borges de Barros, a voz do Dr. Smith
Esta notícia não tem muito a ver com quadrinhos, mas merece registro.
Soube hoje, com atraso, da morte de Borges de Barros.
O nome dele talvez seja desconhecido da maioria. Mas a voz dele, ao contrário, ficou marcada na memória da geração que hoje passou dos trinta anos.
Borges de Barros foi o dublador do medroso Dr. Smith, da série "Perdidos no Espaço", exibida no Brasil na segunda metade da década de 1960.
Na época, o ator do personagem, Jonatahn Harris, também falecido, disse ser do brasileiro sua melhor interpretação fora dos Estados Unidos.
São dele bordões como "nada tema, com Smith não há problema" e "oh, dor!"
Mais do que sincronizar sua voz à do ator estrangeiro, Barros interpretava o personagem. Invariavelmente, somava algo a quem dublava, algo que era muito comum nas dublagens da época, em especial da empresa AIC-SP.
Foi assim também com o Pingüim do seriado Batman com Adam West, com o Moe de Os Três Patetas, com as inúmeras pontas que fez em filmes e outras séries.
Borges de Barros -que também atuou por décadas nas diferentes versões da "Praça é Nossa"- se diferenciou também por outro motivo: foi um dos felizardos de sua geração que teve a dublagem preservada.
As versões em DVD de "Perdidos no Espaço" e algumas de "Os Três Patetas" mantiveram a dublagem original. As exibições de "Batman" também têm feito isso.
Mas isso, inexplicavelmente, não é regra.
Ou a dublagem foi inexplicavelmente perdida (caso de Agente 86) ou, pior, a empresa opta por redublar os episódios para dar um ar de atualidade, ineditismo ou para contornar o uso de expressões da época (caso da trilogia "De Volta para o Futuro").
Há casos também de empresas que ignoraram a dublagem -que existe- e lançaram DVDs com legendas (vide "Esquadrão Classe A").
Na verdade, os motivos são inexplicáveis. Na prática, servem apenas para matar o talento de um grupo de atores que tem seu trabalho eliminado da memória cultural brasileira.
Só o fato de não haver uma cultura de preservação dessas dublagens é prova disso.
Borges de Barros pode ter seu trabalho (re)visto nos DVDs de "Perdidos no Espaço" e de alguns de "Os Três Patetas".
Seria no mínimo justo com a memória cultural do país se o mesmo pudesse ser dito de outros dubladores da época.
Em tempo: segundo o site "RetroTV", especializado em seriados, Borges de Barros morreu no último dia 12, de parada cardíaca durante sessão de hemodiálise. Tinha 87 anos.
Ironicamente, Barros morreu 34 dias depois de Helena Samara, que também dublou "Perdidos no Espaço". Ela fazia a voz de Maureen Robinson.
Samara também dublou Vilma Flintstone, Endora de "A Feiticeira" e a Bruxa do 71, do seriado "Chaves".
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 19h31
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18/12/2007
Um brasileiro foi lá e conferiu: existe humor de qualidade no Irã
O ilustrador Eduardo Baptistão já recebeu cinco prêmios neste ano por suas caricaturas, entre eles um no exterior e um Troféu HQMix. Ele já se preparava para disputar uma sexta vitória, também fora do país.
Seria no 8º edição do Tehran International Cartoon Biennial (Bienal Internacional de Cartuns de Teerã), principal premiação de humor gráfico do Irã.
Na edição anterior, em 2005, uma caricatura do ator italiano Roberto Benigni garantiu a ele um dos prêmios do salão (imagem abaixo).
Neste ano, os organizadores propuseram ao desenhista paulistano de 41 anos uma troca de papéis: em vez de ser analisado, seria dele a responsabilidade de integrar o júri internacional de seleção.
O ilustrador -que trabalha desde 1991 no jornal "Estado de S. Paulo"- embarcou no dia três deste mês. Ele passou pouco mais de uma semana em Teerã, capital do Irã e sede do salão de humor.
Baptistão voltou no último dia 12 com novos contatos profissionais e cheio de bastidores para contar, tanto do prêmio quanto do país.
O Blog pediu a ele para contar um pouco dessa experiência.
Convite aceito, segue o relato:
Já havia sido uma grande surpresa para mim ganhar o primeiro lugar em caricatura na 7th Tehran International Cartoon Biennial em 2005. Foi o primeiro prêmio que ganhei fora do Brasil.
Eu já estava escolhendo o personagem para a caricatura que inscreveria na edição deste ano, quando veio outra grande surpresa. Um telefonema me acordou às 5 da manhã com o convite para ser jurado da 8ª Bienal. Era início de setembro.
Viajar sozinho para o Irã, país de cultura tão diferente e de um idioma indecifrável para mim, que nem sequer o inglês sei falar, era uma aventura que me assustava. Mas o convite era uma honra irrecusável.
A viagem incluiu um vôo de 14 horas e meia até Dubai, uma espera de três horas e outro vôo de uma hora e meia até Teerã.
A recepção na sala VIP do aeroporto já antecipava o tratamento especialíssimo que eu e os outros convidados teríamos na nossa estada.
Fui recebido pelo coordenador da Bienal, Massoud Shojai Tabatabai, grande pessoa e grande cartunista, responsável também pela Iranian House Cartoon, entidade com sede própria que congrega os cartunistas do Irã.
No dia seguinte à minha chegada, fiz uma palestra, no belo Museu de Arte Contemporânea de Teerã, para jovens interessados em humor gráfico, alguns já com um pé no profissionalismo.
Por duas horas, fiz uma apresentação comentada de desenhos de várias fases da minha vida. Nessa ocasião, contei com a preciosa ajuda da Sra. Marjaneh Najafi, que traduziu minha fala.
Meu principal compromisso aconteceu na tarde do dia 6. Às 14 horas, o espaço que abriga a exposição foi fechado para que iniciássemos o julgamento dos trabalhos selecionados.
Além de mim, mais seis jurados: o romeno Florian-Doru Crihana, o bielorrusso Oleg Goutsol e os iranianos Kambiz Derabakhsh, Javad Alizadeh, Barham Azimi e Touka Neyestani - o convidado chinês, Wu Jianjun, chegaria apenas no dia seguinte.
Sistema de escolha dos vencedores foi feito com colagem de selos
O sistema de julgamento foi, na minha opinião, funcional e justo. Recebíamos cinco selos, que deveriam ser colados às molduras dos desenhos que escolhêssemos como os melhores de cada categoria.
Os mais votados eram agrupados e, numa segunda votação, escolhíamos dentre eles quais seriam primeiro, segundo e terceiros colocados.
A contagem de pontos (um para o terceiro, dois para o segundo e três para o primeiro) definia os premiados.
Importante destacar que, no momento do julgamento, os nomes e as procedências dos artistas foram cobertos, para evitar que influenciassem na escolha.
Cartum de Jilet Koestana, da Indonésia, vencedor do prêmio principal do salão
Cartum do brasileiro Dalcio Machado, que teve menção honrosa no salão de humor de Teerã
A prevalência de iranianos entre os premiados reafirma a ótima qualidade do trabalho dos artistas gráficos nativos. O que contradiz a idéia que muitos leigos fazem do Irã, supostamente um país desprovido de bom humor. Antes pelo contrário.
A cerimônia de anúncio dos premiados, no dia 11, encerrou a nossa participação no evento.
Cerimônia de entrega dos prêmios; Baptistão aparece no centro
Fiquei encantado com a gentileza e a hospitalidade dos iranianos, com a beleza das cidades e com a estrutura do evento. Nada nos faltou nesses dez dias.
Na minha bagagem de volta, além dos presentes que ganhei, trouxe amizades a serem cultivadas, e uma experiência que não será esquecida.
Trouxe também, principalmente, respeito e admiração enormes pelo povo do Irã em geral, e pelos seus artistas gráficos em particular.
Imagem de construções do Irã
Crédito: as imagens e parte das fotos são do site "Iran Cartoon". A outra parte das fotografias foi tirada por Baptistão.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 21h06
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17/12/2007
Brasileiro é escolhido melhor desenhista de 2007 por revista dos EUA
Página da revista norte-americana "Wizard", que mostra Ivan Reis como melhor desenhista do ano
A notícia chegou a Ivan Reis por meio de um amigo. O nome do desenhista brasileiro figurava na lista dos melhores de 2007 da "Wizard", revista norte-americana especializada em quadrinhos.
A princípio, não acreditou. A ficha realmente caiu quando o amigo escaneou a página que trazia "melhor desenhista: Ivan Reis".
"Um mês antes eles [editores da revista] pediram uma pequena entrevista, tipo pergunta e resposta. Mas não me falaram nada do prêmio", diz Reis, por telefone.
A escolha dos destaques de 2007 no mercado norte-americano foi feita pelos profissionais da revista.
A lista foi publicada na edição 195, que começou a ser vendida em novembro. No Brasil, matérias da "Wizard" são traduzidas e incluídas na revista "Wizmania".
Influenciou a participação do brasileiro na série "Sinestro Corps War" (guerra da Tropa Sinestro), publicada na revista mensal do herói Lanterna Verde e ainda inédita no Brasil.
A série foi listada pelo site da CNN –canal norte americano especializado em notícias- como "top comic book" deste ano.
A parceria de Reis com o personagem teve início em 2006. E vai até 2009, ano em ele diz ser "bem provável" que deixe de fazer a arte da revista.
Na verdade, não é uma saída, é uma transferência para outro projeto, também escrito por Geoff Johns, autor das aventuras do Lanterna Verde.
Reis não está autorizado a dizer do que se trata. Adianta apenas que deve ser publicado em meados de 2010.
O desenhista de 31 anos vê nessa "misteriosa" saga uma prorrogação ou renovação de seu contrato de exclusividade, que vence em 2009.
Até lá, trabalha nas sagas do Lanterna Verde.
Nesta segunda-feira, ele desenha a página oito da edição 29 da revista do personagem, também inédita no Brasil. A trama, diz, é uma espécie de "Lanterna Verde Ano Um".

Seqüência de Ivan Reis feita para a revista "Green Lantern", que traz histórias do herói Lanterna Verde
Foi Reis quem optou por desenhar o personagem, publicado no Brasil na revista "Liga da Justiça", da Panini. Era uma das três opções que foram dadas a ele pela DC na época.
As outras eram a revista dos "Novos Titãs" ou um retorno a "Action Comics", com histórias do Super-Homem, título no qual trabalhou por alguns meses.
As opções foram um sinal de confiança da editora no trabalho dele. Ou mais um sinal, já que ele participou de várias edições ligadas a "Crise Infinita", principal evento da DC nos últimos anos.
A participação de Reis no especial "Contagem Regressiva para Crise Infinita" rendeu outro prêmio da "Wizard", o Wizard´s Fan Award, que tem votação feita por leitores.
A obra foi escolhida na categoria "favorite one-shot", nome dado pela indústria norte-americana a edições especiais lançadas em um volume (leia mais aqui).
Essa repercussão, a confiança da DC e um contrato de exclusividade deram a ele uma tranqüilidade financeira, rara entre desenhistas brasileiros.
Isso permitiu a ele montar um estúdio em sua casa, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, cidade onde nasceu e mora.
"O mercado norte-americano nunca se preocupou se o desenhista é brasileiro ou não", diz.
"A preocupação é se é profissional ou não. E isso o brasileiro já mostrou há muito tempo que pode fazer."
Leia mais sobre o início de Ivan Reis na DC Comics. Clique aqui.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 12h13
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Mastrotti resgata antigo personagem e lança novo livro de tiras
O desenhista Mário Mastrotti é pauta duas vezes nesta semana. Ambas envolvem tiras.
A primeira notícia, ironicamente, não tem nada de dobro. É ao cubo, ou Cubinho, personagem criado por ele há 27 anos e que é recuperado nesta segunda feira à noite.
Mastrotti autografa uma edição rara de Cubinho, lançada em 1980 para comemorar os cinco anos de publicação do personagem no jornal "Diário do Grande ABC".
Os exemplares estavam guardados com o autor e serão vendidos a R$ 15 cada um.
O desenhista, que também é professor universitário, participa no fim de semana do lançamento do sexto número da coleção "Tiras de Letra", série organizada por ele.
Cada edição traz uma seleção de tiras nacionais. Participam 27 autores, entre eles o próprio Mastrotti.
A obra é feita em sistema de cooperativa e é uma das raras obras com coletâneas de tiras brasileiras existentes no país.
Serviço. A sessão de autógrafos de Cubinho vai ser nesta segunda-feira, na HQMix Livraria, que fica na Praça Roosevelt, 142, no centro de São Paulo. Começa às 19h30.
"Tiras de Letras na Casa daVizinha" tem lançamento no sábado, a partir das 14h, na Livraria Emporium Cultural, na rua Vergueiro, 1877, também na capital paulista.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 09h42
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14/12/2007
O Primeiro Dia: uma reflexão sobre a guerra na visão de um brasileiro
Capa da obra, escrita e desenhada por Eloar Guazzelli
Não é na primeira leitura que as histórias do gaúcho Eloar Guazzelli dizem a que vieram. É preciso um segundo contato para deixar as idéias amadurecerem.
A mensagem, quando revelada, dá um tapa na cara no leitor, como se o estivesse alertando para as fraquezas, passividades e contradições que compõem a sociedade moderna.
"O Primeiro Dia", álbum que ele lança neste sábado em São Paulo (Editora Casa 21, R$ 25), é recheado dessas situações.
A obra traz 12 histórias curtas, publicadas pelo autor em momentos diferentes da carreira.
Um fio une os 12 contos: a relação (in)direta dos homens diante da guerra, seja qual guerra for.
Esse ponto de união entre as narrativas, no entanto, não é tão nítido. Falta ao livro uma introdução.
O que faz esse papel é a última capa, que traz um texto explicativo de Guazzelli.
Nele, o escritor e desenhista, de 45 anos, explica que a obra se trata de uma reflexão sobre o mundo em que sua filha viverá.
Ao contrário dos anos 1960, ele não vê mobilização nos dias de hoje.
"Eu escrevi só pata que minha filha um dia venha a saber que seu pai não estava distraído", diz ele, no texto.
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