30/11/2007

Evento em São Paulo vende quadrinhos com desconto

Começou nesta sexta-feira à noite e vai até as 17h de domingo a "Maratona HQ".
 
O atrativo do evento -que ocorre em São Paulo- está nos descontos: qualquer título em quadrinhos, nacional ou importado, com pelo menos 20% de desconto.
 
Durante a madrugada, o desconto é maior, 40%.
 
Paralelamente, ocorre uma série de palestras, várias delas com quadrinistas independentes (leia a programação completa aqui).
 
A "Maratona HQ" é realizada na loja da Devir, na rua Teodureto Souto, 624, em São Paulo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h36
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Ediouro negocia compra da editora Desiderata

Uma negociação, até há poucos dias sigilosa, pode terminar na venda da editora carioca Desiderata para a Ediouro.

A informação foi confirmada agora à tarde pela assessoria da Desiderata.

Segundo a assessoria, a editora está "em processo de compra", mas o contrato ainda não foi assinado.

O assunto veio a público na quarta-feira, numa nota da coluna de Ancelmo Gois, publicada no jornal "O Globo", do Rio de Janeiro.

Para o jornalista, a compra já foi efetivada.

A Desiderata se firmou no mercado no ano passado.

A editora carioca ganhou destaque com a boa repercussão das antologias do jornal alternativo "Pasquim".

Foram lançadas duas coletâneas até agora, que se tornaram uma espécie de "galinha dos ovos de ouro" da editora.

O lucro estimulou investimento em outras áreas, como humor gráfico (sob os cuidados do veterano cartunista Jaguar).

O último lançamento foi uma antologia do "Planeta Diário", jornal alternativo que era feito por parte dos integrantes do programa "Casseta & Planeta", da TV Globo.

Neste ano, a Desiderata começou a investir em álbuns nacionais de quadrinhos.

Lançou duas obras: "Caraíba", de Flavio Colin (1930-2002), e "A Boa Sorte de Solano Dominguez", de Wander Antunes e Mozart Couto (leia mais aqui).

A proposta da editora, pelo menos até a negociação, era publicar outros álbuns.

Um estava previsto para dezembro. Trata-se de uma adaptação de contos dos Irmãos Grimm (leia aqui).

Pelo menos outros dois estavam em processo de produção: 1) "Copacabana" e 2) "O Cabaleira" (leia aqui).

A Ediouro é sócia de outra editora de quadrinhos, a Pixel, que tem publicado revistas da ABC, Vertigo e Wildstorm, selos vinculados à editora norte-americana DC Comics (a mesma de Batman e Super-Homem).

A Pixel entrou no mercado de quadrinhos no início do ano passado.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h41
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29/11/2007

Fun Home: o lado real, porém surreal, da vida em família

É inevitável a sensação de que os quadrinhos chegaram a um outro patamar após a leitura de "Fun Home - Uma Tragicomédia em Família", lançado neste mês (Conrad, R$ 42,90).
 
Com verniz literário, o livro narra as memórias familiares da autora, a norte-americana Alison Bechdel, hoje com 47 anos.
 
O foco é o relacionamento com o pai, Bruce Bechdel, já falecido.
 
Não é possível medir o grau de fidelidade aos eventos descritos nas 240 páginas do trabalho, vencedor de um Eisner Awards, espécie de Oscar da indústria norte-americana de quadrinhos.
 
Fiel ou não, o espírito da obra é ser autobiográfico. E o que é mostrado foge muito ao núcleo familiar convencional.
 
Nas suas lembranças, Alison vai construindo narrativamente uma figura paterna introspectiva (Bruce quase não ri em toda a obra) e problemática.
 
Ele encapsula diferentes níveis de estranhamento. Um deles é profissional.
 
O pai é professor de inglês e dono de uma agência funerária, ganha por herança.
 
O nome do livro vem desse lado mórbido. "Fun Home" é uma brincadeira com a expressão "Funeral Home", nome dado às casas funerárias.
 
Mais do que dono, é ele quem prepara os corpos dos cadáveres a serem enterrados.
 
Outro nível de estranhamento é de ordem pessoal. Casado, mantém relações homossexuais com outros homens.
 
O lado gay, aos olhos dos filhos, era mantido às escuras.
 
Ou quase às escuras. Havia pistas. Uma estava na fixação do pai por decoração.
 
A família não só acompanhava as decorações dele como também era instigada a ajudar.
 
O perfil problemático o acompanhou até a morte, segundo o relato de Alison.
 
Ela levanta a possbilidade de ele ter se suicidado no atropelamento que o matou.
 
Foi nesse ambiente quase surreal que Alison cresceu.
 
Na reavaliação da vida do pai, a autora vê traços da vida dele em sua própria trajetória.
 
Uma semelhança é o lesbianismo, que assumiu à família quando estava na faculdade.
 
A revelação também teve cores surreais. Após contar à mãe, ouviu dela que o pai também teve casos homossexuais no passado.
 
Bechdel, a filha, é uma autora de tiras que teve em "Fun Home" o ponto alto da carreira, iniciada na primeira metade dos anos 1980.
 
O livro -lançado com todo o jeitão de livro- se alinha com outros trabalhos em quadrinhos incluídos na seleta lista de obras aceitas e citadas pela mídia e pelos chamados formadores de opinião, como "Maus", de Art Spiegelman.
 
Não por acaso que foi listada pela revista "Time" em 2006 como livro do ano.
 
Também não é coincidência o espaço que conseguiu na capa de hoje do caderno "Ilustrada" da "Folha de S.Paulo", com direito até a entrevista com a autora (leia aqui).
 
Os quadrinhos geralmente conseguem bons resultados quando deixam de lado o real e dialogam com o ficcional.
 
"Fun Home - Uma Tragicomédia em Família" é mais um (bom) exemplo disso.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 18h20
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Começa votação para Prêmio Angelo Agostini 2007

A organização do 24º Prêmio Angelo Agostini começou a  votação para definir os autores nacionais que mais se destacaram neste ano.
 
As orientações sobre a premiação foram divulgadas nesta quinta-feira no site "Bigorna", especializado em quadrinhos e cultura pop.
 
O texto é assinado por Worney Almeida de Souza, da Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo.
 
A associação promove o evento, um dos poucos da área existentes no país.
 
Qualquer pessoa pode participar da votação. A entrega dos prêmios será no dia 16 de fevereiro do ano que vem.
 
O Prêmio Angelo Agostini possui sete categorias:
  • melhor desenhista
  • melhor roteirista
  • melhor lançamento
  • melhor fanzine
  • melhor cartunista
  • Prêmio Jayme Cortez (para quem se destacou na incentivação ou divulgação da área)
  • Mestres do Quadrinho Nacional
 
Cada pessoa pode votar em dois nomes. A única exceção é a categoria "Mestres do Quadrinho Nacional", que aceita três indicações.
 
A organização recebe os votos até o dia 5 de janeiro.
 
As escolhas podem ser enviadas por e-mail (angeloagostini@bigorna.net) ou por carta para este endereço:
 
AQC-ESP / Worney Almeida de Souza
Caixa postal 675          CEP 01059-970
São Paulo / SP
 
Na premiação do ano passado, o livro "Katita - Tiras sem Preconceito" foi o principal vencedor.
 
Ganhou em duas categorias: melhor lançamento de 2006 e melhor roteirista (para a escritora Anita Costa Prado).
 
Veja aqui os outros vencedores de 2006 do Prêmio Angelo Agostini.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h32
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27/11/2007

Convidados especiais marcam segundo volume de Piratas do Tietê

 
Nem só piratas circulavam pelas águas do paulistano rio Tietê.
 
Batman, Fantasma e até mesmo o poeta português Fernando Pessoa passaram por lá.
  
Pelo menos nas histórias imaginadas pelo cartunista Laerte Coutinho.
 
Os inusitados encontros pautam o segundo volume de "Piratas do Tietê - A Saga Completa", que começou a ser vendido neste finzinho de mês (Devir, R$ 52, 112 págs.).
 
Cada encontro é antecedido por um texto curto, em que Laerte traz algum bastidor da história.
 
Na que mostra Batman, ele diz que "adora" o herói. A justificativa faz sentido.
 
Na história, o Homem-Morcego resolve integrar a trupe de piratas e passa a viver do mesmo modo que os amalucados personagens.
 
No final, ele revela "o segredo do morcego", que evidentemente, não será revelado aqui. Mas explica a justificativa do autor.
 
O encontro com Fernando Pessoa é, talvez, uma das histórias mais divertidas dos Piratas.
 
Eles tentam matar o poeta, que declama um de seus poemas. 
 
Nunca conseguem. O poeta é imortal.
 
A participação de Fantasma se deu numa história em três partes. Foi uma "experiência", segundo Laerte, de que os leitores gostaram.
 
O álbum traz também duas curiosidades: o texto da peça teatral "Piratas do Tietê - O Filme", encenada em São Paulo, e oito quadrinhos do storyboard do desenho animado dos personagens, ainda em processo de produção.
 
A coleção, que terá mais um volume, reedita em formato de luxo as histórias longas dos sádicos personagens de Laerte, criados em 1986.
 
Este número traz histórias publicadas em 1987, 1989 e 1990 nas revistas "Circo", "Chiclete com Banana" e "Piratas do Tietê" (que trazia as narrativas no formato horizontal).
 
A editoria de humor do UOL preparou um álbum com algumas imagens da obra. Para acessar, clique aqui.
 
Saiba mais sobre a primeira edição aqui.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 17h20
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Zarabatana: a trajetória da caçula das editoras de quadrinhos

Faz um ano que “O Prolongado Sonho do Sr. T”, do espanhol Max, começou a ser vendido. 

 

O álbum marcava a entrada da Zarabatana no mercado brasileiro de quadrinhos.

 

O sonho que dá nome à obra sintetizava um outro sonho, o de criar uma editora de quadrinhos.

 

O dono e editor da Zarabatana, Cláudio Martini, conta que o desejo publicar quadrinhos é antigo. O nome da editora,  diz, tinha sido definido em 1993.

 

Ele gostou da sonoridade da palavra "Zarabatana" e do fato de o termo iniciar e terminar com os extremos do alfabeto.

 

Nesse primeiro ano, a editora formou um catálogo com sete títulos, até então pouco conhecidos no país.

 

Entre as obras, estão dois dos melhores lançamentos do ano, "Mulheres" e "Pyongyang - Uma Viagem à Coréia do Norte" (leia mais aqui e aqui).

 

Um oitavo título, "Escombros - Crumble: O Status de Knucle", está programado para dezembro (capa abaixo).

 

 

As obras são produzidas em Campinas, no interior paulista, cidade onde Martini mora. Nasceu no município vizinho, Valinhos, há 52 anos.

 

A dedicação à editora não é exclusiva. Publicitário por formação, trabalha em paralelo com projetos editoriais, principalmente para revistas.

 

Ele também assina uma coluna sobre quadrinhos no portal Terra (acesse aqui).

 

Na coluna virtual, ele dá dicas do quanto entende e se interessa por publicações estrangeiras alternativas, características que se tornaram a alma da Zarabatana.

 

A festa de um ano da editora é nesta terça-feira à noite, na  “HQMix Livraria”, no centro de São Paulo (leia mais aqui).

 

Mas, antes de viajar para a capital paulista, Martini conversou com o blog, por e-mail.

 

O bate-papo virtual teve ares de balanço.

 

Qual o saldo que a caçula das editoras de títulos adultos de quadrinhos faz do atual mercado?

 

Há mercado para tantos quadrinhos, de novas e de antigas editoras?

 

As respostas ajudam a entender um pouco melhor a situação atual dos quadrinhos no Brasil do privilegiado ponto de vista do editor.

 

 

                                                        ***

 

Blog - Qual o saldo que você tira desse primeiro ano da editora?

Cláudio Martini - A recepção que os livros tiveram na mídia especializada (e na não especializada também, que começa a dar mais espaço para os quadrinhos) foi muito boa. Como estamos editando histórias em quadrinhos de autor, que eu classificaria como alternativos, o leitor de quadrinhos e mesmo o que não costuma ler habitualmente quadrinhos – que também esperamos atingir – ainda precisa descobrir estas obras. E tenho certeza de que vai gostar muito.

 

Blog - Financeiramente, a editora já tem lucro com o material que lança?

Martini - Estamos na fase de investimento e formação de um catálogo de títulos consistente, o que creio que vai levar pelo menos mais um ano.

 

Blog - A Zarabatana é nova no mercado. Houve uma espécie de "bloqueio" das demais editoras de quadrinhos para os seus lançamentos?

Martini - Não tive conhecimento de nada nesse sentido.

 

Blog - Houve obras da Zarabatana que chegaram a ser expostas com destaque em pelo menos uma grande livraria de São Paulo. Como tem sido a inserção dos títulos nesse mercado?

Martini - A Livraria Cultura da [Avenida] Paulista expôs durante vários meses nossos primeiros lançamentos em suas vitrines. Nossos títulos estão presentes na maioria das lojas virtuais, mas ainda estamos batalhando para construir uma distribuição mais eficiente para as livrarias.

 

Blog - Você acredita que começa a existir uma overdose de lançamentos e de editoras com olhos apenas nas livrarias? Ou há mercado para todas?

Martini - Creio que havia uma lacuna de décadas que está sendo finalmente preenchida. Só que as livrarias não estavam preparadas para isso e nem tinham espaço em suas prateleiras para essa quantidade de lançamentos que estamos presenciando. Se há mercado para todas, creio que é cedo para responder.

 

Blog - Aproveitando o gancho sobre mercado: qual a leitura que você faz do atual momento editorial brasileiro?

Martini - O Brasil ficou muitos anos sem ter acesso a grande parte do que vinha sendo criado de melhor em histórias em quadrinhos no mundo. Agora estamos pondo isso em dia, e também tendo um grande número de lançamentos de ótima qualidade de artistas brasileiros. Espero que não seja apenas um “momento”, mas algo que veio para ficar.

 

Blog - Para onde você acredita que esse mercado vá migrar em 2008?

Martini - O cenário de dois anos atrás era muito diferente do que temos hoje, e creio que ninguém imaginaria como estaria o mercado hoje. Portanto, temos que esperar para ver.

 

Blog - O que você tem programado para o ano que vem? Algo nacional?

Martini - Por enquanto, temos como certo o livro de tirinhas Underworld, do norte-americano Kaz; Clara de Noche (Clara da Noite), de Bernet, Trillo e Maicas; outros volumes da coleção de mangá de terror de Hideshi Hino. Obras nacionais, talvez a médio prazo.

 

Blog - Voltando às origens, como surgiu a idéia de criar a editora?

Martini - Minha vida sempre foi ligada aos quadrinhos, e era um sonho de muitos anos ter uma editora de histórias em quadrinhos (o nome Zarabatana, eu já tinha desde 1993). Havia muitas obras que eu lia e achava que deveriam ser publicadas no Brasil, hoje estou realizando este sonho, juntando minha experiência como designer gráfico com minha paixão pelas histórias em quadrinhos.

 

Blog - E como você faz para selecionar o material?

Martini - Para estes primeiros títulos lançados me baseei na qualidade do trabalho (desenhos e roteiro), em meu gosto pessoal, ineditismo no mercado brasileiro e disponibilidade dos mesmos para negociação de direitos de publicação.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h27
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26/11/2007

Polêmica sobre declaração de FHC tem tudo a ver com quadrinhos

Há um lado bom na declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, noticiada com destaque pela imprensa no fim de semana.
 
O caso trouxe à tona uma das raras oportunidades de discutir, na mídia, o conceito de preconceito lingüístico e de variações lingüísticas. E de como essas idéias têm tudo a ver com os quadrinhos.
 
Aos fatos.
 
A polêmica declaração do ex-presidente foi dada na convenção do PSDB na sexta-feira passada.
 
A fala, segundo a imprensa, foi endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
 
"Queremos brasileiros melhor educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria."
 
A declaração ecoou nos jornais no sábado e no domingo.
 
As matérias mostravam que a fala do ex-presidente pecava num ponto: não seguia a crítica que fazia.
 
Do ponto de vista da norma culta, não deveria ser "melhor educados", mas sim "mais bem educados".
 
Verbos no partícípio aceitam apenas as formas "mais bem" e "mais mal": mais bem escrito, mais mal escrito, mais bem falado, mais malfalado ("malfalado" é escrito junto, segundo os dicionários).
 
Está "errado", então, falar "melhor educado"?
 
Depende. De que ponto de vista estamos falando?
 
Sob o olhar da norma culta, sim.
 
Sob o olhar lingüístico, devem-se levar em conta outros aspectos.
 
A Lingüística trabalha com a idéia de que a língua varia. Uma dessas variações é chamada norma culta, socialmente a mais prestigiada no país.
 
Desse ponto de vista, a língua varia conforme uma série de fatores.
 
Não haveria um certo ou um errado, mas sim situações em que é adequado falar ou escrever de determinado jeito.
 
Na internet, por exemplo, é comum adaptarmos a escrita para a aproximarmos da fala coloquial.
 
É "errado" escrever assim? Não, desde que o contexto e as pessoas que participem do diálogo virtual aceitem tal uso.
 
Numa conversa com os amigos, você fala "me contaram uma história de você" ou "contaram-me uma história de você"?
 
A primeira possibilidade, com a próclise, é a mais coloquial, embora seja a condenada pela norma culta.
 
Há quem defenda que quem não segue a norma culta é burro ou despreparado intelectualmente.
 
Responderia, então, que somos todos -inclusive eu- burros e despreparados intelectualmente.
 
Que atire a primeira pedra quem nunca cometeu "deslizes" no uso da norma.
 
Essa intolerância sobre as várias formas de uso da língua, principalmente a oral, é o que a academia chama de "preconceito lingüístico".
 
É o mesmo preconceito que a fala de Fernando Henrique Cardoso escondia e que, para alguns autores, é tão sério e condenável quanto outras formas de preconceito.
 
Mas o que isso tem a ver com quadrinhos?
 
Se posto de lado, o preconceito lingüístico abre os ouvidos para uma infinidade de usos distintos da língua, até então analisados como "erros".
 
Se observados como variantes possíveis da língua, ajudam, e muito, a caracterizar os personagens dos quadrinhos nos balões de fala.
 
Alguém imagina o informal Coisa, do Quarteto Fantástico, gritando algo como "Está na hora da briga?"
 
Claro que não. O bordão dele se fixou na forma "tá na hora do pau", uma mescla de redução verbal (tá) com expressão gíria.
 
Por outro lado, ninguém imaginaria o Poderoso Thor, nobre por formação, dizendo algo como "Xará! É briga que você quer?", como faziam as traduções da Bloch nos anos 1970.
 
A fala de Thor é representada nos balões de uma maneira muito mais formal, com vocabulário bem rebuscado e pronomes na segunda pessoa do plural.
 
Ainda são raros os estudos científicos sobre o papel da variação lingüística na caracterização dos personagens. Mas é possível enxergar algumas tendências.
 
Uma delas é que há um gradual aumento no número de gírias e de construções coloquiais nos quadrinhos da década de 1960 para cá.
 
É só observar os extremos.
 
A extinta Ebal (Editora Brasil-América) raramente trazia gírias no vocabulário dos personagens. Quando o fazia, usava aspas.
 
Numa história do Quarteto Fantástico, a Mulher-Invisível chamava o Coisa de "um pão", termo usado entre aspas (a gíria faz referência ao fato de uma pessoa ser tida como atraente).
 
A Panini nas atuais histórias de super-heróis usa e abusa de coloquialismos no vocabulário, de reduções, de colocação pronominal fora da norma padrão.
 
O Coisa, novamente ele, serve de exemplo.
 
Outra tendência é que a caracterização da fala do personagem é feita geralmente com base em estereótipos.
 
Se a pessoa é inteligente, tende a falar de acordo com a variante culta; se não, de modo mais informal, com vocabulário informal.
 
Mais uma conclusão, talvez a mais relevante: o vocabulário utilizado pelos personagens se torna um registro de época.
 
"Um pão" era uma gíria comum na década de 1960. Hoje, caiu em desuso. Uma história do Quarteto Fantástico, publicada na época, traz um registro físico do vocabulário de então.
 
Desse ponto de vista, os quadrinhos se tornam documentos históricos a serem resgatados e estudados a posteriori.
 
É o que falta: mais estudos. Material para pesquisa tem de sobra.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h02
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25/11/2007

Álbum de luxo vai relançar primeiras histórias do Super-Homem

 

 

 

 

 

 

 

Capa da edição de luxo, que tem lançamento programado para dezembro

 

 

 

 

 

 

 

Uma edição de luxo, com 212 páginas, vai relançar as primeiras histórias do Super-Homem produzidas entre 1938 e 1939.

"Superman Crônicas" -obra feita em capa dura- será publicado pela Panini.

Segundo a editora, o título chega às livrarias em dezembro e vai custar R$ 56.

O álbum reedita os números de um a 13 da revista "Action Comics", publicação onde o super-herói fez sua estréia, em junho de 1938.

As histórias são escritas pelos criadores do herói de Krypton, Jerry Siegel (texto) e Joe Shuster (desenhos).

O livro terá também o número de estréia da revista "Superman", de 1939, e o especial "New York World´s Fair", sobre a presença do personagem na Feira Mundial de Nova York.

A editora promete ainda no pacote uma reprodução da primeira revista nacional do herói: "Superman", de 1947, publicada pela extinta Ebal (Editora Brasil-América).

A Panini havia anunciado em fevereiro que pretendia lançar o álbum no segundo semestre deste ano (leia aqui).

Na ocasião, havia informado também que iria publicar uma obra semelhante com as primeiras histórias do Homem-Morcego, de 1939 e 1940.

Essa edição -chamada "Batman Crônicas" foi lançada em setembro (leia mais aqui). A obra foi feita nos mesmos moldes desta de Super-Homem.

As primeiras histórias do Homem de Aço já foram relançadas em outras publicações brasileiras.

Um álbum da L&PM, chamado "As Primeiras Histórias do Superman", trouxe a estréia do super-herói. A obra da editora gaúcha é de 1987.

Outras aventuras dessa fase inicial do personagem integraram a "Coleção Invictus", série publicada pela editora Sampa na primeira metade dos anos 1990.

Os números seis e 19 da coleção traziam histórias clássicas.

Tanto a edição da L&PM quando as da Sampa são encontradas apenas em sebos.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h39
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23/11/2007

Confesso: o cartum ainda existe

Pode até ser coincidência, mas foi só o desenhista Jaguar dizer no início do ano que o cartum está em extinção que surgiram duas obras... com cartuns.
 
A primeira é de Fausto, lançada no fim do mês passado.
 

A outra é Marco Jacobsen, "Confesso" (R$ 30, capa ao lado), produzida com lei de incentivo à cultura da Prefeitura de Curitiba.
 
O livro de Jacobsen, de 144 páginas, dá um bom cenário de como é a produção do desenhista de 35 anos, nascido em Santos, no litoral de São Paulo.
 
Durante a leitura, é possível ver influência de outros cartunistas, entre eles o argentino Quino, pai da personagem "Mafalda".
 
Jacobsen concorda. Há um pouco de Quino, sim. Mas diz que seu estilo é uma mistura de outras influências. Cita, por exemplo, o francês Sempé.
 
"O meu trabalho parece uma colcha de retalhos tem muita coisa do Laerte, Jules Feiffer, Lauzier, Solda e Miram", diz, por e-mail.
 
O livro traz muito dessas influências e um pouco da história de Jacobsen.
 
"70% é de material inédito", diz. "O resto foi publicado em jornais e revistas aqui e ali."
 
Apesar de ter publicado cartuns "aqui e ali", o desenhista é mais conhecido como chargista.
 
Ele assina a charge diária da "Folha de Londrina", do Paraná.
 
 
O Blog pergunta se ele concorda com o diagnóstico de Jaguar.
 
"Acho que o Jaguar está certo", disse, num primeiro e-mail.
 
Dias depois, ele enviou outra mensagem virtual.
 
"Quando eu disse que concordo com o Jaguar, o que eu quis dizer é que na verdade tem cartunista saindo pelo ladrão. Basta ver a quantidade de cartuns inscritos nos salões", diz.
 
No entender dele, falta espaço para cartuns nas revistas e nas editoras.
 
"Revistas que tradicionalmente publicavam cartuns agora reduziram drasticamente o espaço para isso", diz.
 
"O que se vê é charge ou tiras. Eu mesmo só tenho feito só charges, pois tirando o livro, é raro produzir cartum para qualquer outro veículo."
O que reforça o ponto de vista dele é o modo como produziu o livro: por conta própria.
 
Jacobsen disputa desde o ano passado a verba municipal para bancar o livro.
 
Hoje, com a obra pronta, enfrenta uma segunda dificuldade: a distribuição.
 
Por enquanto, vende a publicação -impressa em capa dura- em livrarias de Curitiba, cidade onde mora desde criança, e por meio de seu site.
 
Para acessar, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h32
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Uma boa tira de Adão Iturrusgarai

Crédito: a tira de "La Vie en Rose", feita por Adão Iturrusgarai, saiu na edição desta sexta-feira da "Folha de S.Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h47
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Agenda cheia de eventos de quadrinhos nos próximos dias

Para quem gosta de participar de eventos de quadrinhos, vai ter agenda cheia a partir deste fim de semana.
 
Há encontros no Piauí, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília.
 
Veja a programação:
 
24.11 - Pizzaria Brasil
O chargista Cláudio faz outra sessão de autógrafos de "Pizzaria Brasil".
Onde: Praça Benedito Calixto, em São Paulo
Horário: a partir das 14h
 
24.11 - Cão # 3
Lançamento do terceiro número da revista independente "Cão".
Onde: HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142, São Paulo)
Horário: a partir das 19h30
 
26.11 - Festival Alexandro Jodorowsky
O cineasta e escritor da série "Incal" participa de um festival em homenagem à obra dele, que ocorre simultaneamente no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
Dia 26 é a data em que ele participa no Rio.
Depois, vai  para Brasília (dia 1º) e São Paulo (dia 4).
Durante o Festival Jodorowsky, ele lança o segundo volume de "Antes do Incal".
Veja a programação completa aqui.
 
26.11 - 25º Salão de Humor do Piauí
A data marca a abertura do salão, em Teresina.
O evento de humor terá exposições (o cartunista J.Carlos é o homenageado) e uma ampla programação de oficinas.
O salão também vai definir o cartum vencedor deste ano. O premiado ganha R$ 10 mil.
Veja a programação completa no site do salão (clique aqui).
 
27.11 - Zarabatana 1 ano
A editora de Campinas completa um ano num encontro. 
A promessa é vender obras da Zarabatana com preços especiais no evento.
Onde: HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142, São Paulo)
Horário: a partir das 19h
 
Há também em Santos, no litoral paulista, o Festival Nacional de Fanzines e Publicações Independentes.
 
Leia mais na postagem abaixo. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h49
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22/11/2007

Versão 2007 da Mostra de Fanzines tem lançamento nesta sexta

A Associação dos Artistas do Litoral Paulista faz anualmente um levantamento dos fanzines e publicações independentes produzidas no país.

O resultado integra uma mostra nacional, um dos poucos acervos existentes sobre o assunto e mantido a duras penas pela associação.

A versão deste ano do catálogo vai ser lançada nesta sexta-feira, às 19h, em Santos, no litoral sul de São Paulo.

A programação do evento vai até o dia 9 de dezembro e inclui debates sobre produção de fanzines (que já é uma tradição da mostra), oficinas e uma exposição com trabalhos humorísticos de desenhistas do litoral paulista.

A Mostra Nacional de Fanzines e Publicações Independentes ocorre no Sesc de Santos (rua Conselheiro Ribas, 136, no bairro da Aparecida).

Para ler a programação completa -que é gratuita e merece ser valorizada- clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h49
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21/11/2007

Histórias do Clube da Esquina ganham versão em quadrinhos

 

Uma das canções criadas pelos músicos mineiros do Clube da Esquina dizia que os sonhos não envelhecem.
 
O desenhista Laudo Ferreira Junior deu uma outra leitura à música, escrita por Milton Nascimento e pelos irmãos Márcio e Lô Borges.
 
Os sonhos não envelhecem porque podem ser lidos na forma de quadrinhos.
 
Laudo produz histórias curtas sobre os integrantes do movimento musical mineiro para o Museu Clube da Esquina, página virtual criada para preservar a memória do grupo.
 
O projeto foi batizado de "Histórias do Clube da Esquina" e já está no ar para ser lido. O acesso é gratuito.
 
O desenhista diz que a idéia inicial era adaptar o livro "Os Sonhos Não Envelhecem" (da Geração Editorial), escrito por Márcio Borges, um dos integrantes do movimento mineiro.
 
Mas ajustou o projeto para "causos" do grupo de músicos, sejam do livro ou não.
 
"Em vez de fazer o negócio contando ano por ano, eu resolvi fazer uma história atemporal", diz por telefone o desenhista, nascido em São Vicente, no litoral sul de São Paulo.
 
"Pego os anos 60, depois vou aos 90 e assim por diante."
 
 
 
 
A história inaugural, de três páginas, lança o olhar nos primeiros contatos entre Márcio Borges e Milton Nascimento, na Belo Horizonte dos anos 1960.
 
O conto em quadrinhos, baseado no livro de Borges, relata o encontro entre eles, o início da amizade e os primeiros acordes produzidos.
 
A amizade entre Milton e os irmãos Borges -Márcio, Lô e Marilton- foi a viga mestra do movimento.
 
Com os anos, outros músicos integraram o grupo, como Wagner Tiso, Fernando Brant e Flávio Venturini.
 
Laudo conta que o projeto é antigo. Inicialmente, pediu a André Diniz, também escritor de quadrinhos, que fizesse os textos.
 
Laudo evitava escrever o material por ser fã do grupo. Tinha medo que o gosto pessoal comprometesse a qualidade das histórias.
 
"Nunca fui um daqueles fãs babões, mas a música deles foi muito importante para mim, para minha adolescência", diz Laudo, que mora em São Paulo há 20 anos.
 
Mas o projeto não vingou naquele momento. A idéia amadureceu e ele resolveu, enfim, encarar o texto e o desenho.
 
"Como eu já estou com 43 anos, estou mais maduro para fazer um texto mais atraente, no sentido de não fazer algo piegas ou pretensioso. É uma homenagem minha a eles."
 
 
 
O contato com o grupo foi por meio de um amigo comum, o fotógrafo Juvenal Pereira.
 
Pereira produziu as fotos do primeiro LP do grupo, "Clube da Esquina", lançado em 1972.
 
"Achei que eles fossem ficar relutantes", diz Laudo. "Pelo contrário, foram super-receptivos."
 
Esse contato facilitou o trânsito com os mantenedores do Museu Clube da Esquina, onde as histórias são mostradas. Foi bem remunerado pelo trabalho, diz.
 
Segundo ele, já tem mais três "causos" prontos.
 
"Não existe uma preocupação minha em fazer nenhuma das pessoas dali com cem por cento de fidelidade. É algo meio cartum, algo que remete a eles."
 
Mas ressalta que o conteúdo é real. Inclusive as referências visuais, como a casa onde o grupo se encontrava quando os músicos eram jovens.
 
Laudo pretende futuramente reunir o material num livro. Não seria a primeira publicação em quadrinhos feita por ele.
 
O desenhista já lançou álbuns da Tianinha, sua personagem mais conhecida. As histórias dela são publicadas na revista "Sexy Total".
 
Ele também já ganhou um HQMix -principal premiação de quadrinhos do país- pelo álbum "À Meia-Noite Levarei a Sua Alma", sobre o Zé do Caixão, obra lançada em 1995.
 
Para ler as "Histórias do Clube da Esquina", clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h21
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20/11/2007

Jornalistas da Bahia criam site com reportagens em quadrinhos

Três jornalistas da Bahia desenvolvem um site para veicular reportagens feitas em quadrinhos. Segundo o trio, a página virtual entra no ar até o fim do ano.

O grupo já desenvolve duas pautas para "Vanguarda", nome dado ao site.

A primeira é um perfil de um sobrevivente do Holocausto que hoje mora na Bahia.

A outra matéria é sobre mulheres acima dos 50 anos que contraíram o vírus HIV em relações sexuais com os próprios maridos.

O que motivou a criação do site foi a produção de uma reportagem em quadrinhos sobre momentos marcantes do movimento estudantil baiano.

A matéria –intitulada "Vanguarda: Histórias do Movimento Estudantil da Bahia"- foi feita como projeto de conclusão do curso de jornalismo no Centro Universitário da Bahia, em Salvador, no meio do ano.

A reportagem garantiu a aprovação dos três jornalistas –Leandro Silveira, Fábio Franco e Caio Coutinho- com nota máxima.

O material foi dividido em quatro partes e é publicado semanalmente no "Caderno Dez!", suplemento jovem do jornal "A Tarde", de Salvador.

Nesta terça-feira, sai a terceira parte. Na semana que vem, as sete páginas finais.

Um professor da faculdade, que também é um dos diretores do jornal, ajudou na ponte que separava a universidade e o jornal.

Apesar de os autores não receberem nada pela publicação da matéria, eles capitalizaram em repercussão.

Uma cena bem diferente da enfrentada quando surgiu a idéia da projeto.

"A primeira vez que levei isso à sala de aula todo mundo deu risada, inclusive a professora, que depois se tornou minha orientadora", diz por telefone Leonardo Silveira, um dos três autores da reportagem.

"Foram praticamente dois trabalhos de conclusão de curso. Um foi o memorial provando o que é jornalismo em quadrinhos e outro era a própria reportagem em quadrinhos."

O estranhamento inicial foi se alterando gradualmente. Até que mudou em definitivo.

"Agora é o contrário. Agora as pessoas estão chamando a gente para falar sobre o assunto", diz o jornalista, de 26 anos.

O trio já foi convidado a dar duas palestras sobre jornalismo em quadrinhos em faculdades baianas. Ironicamente, uma delas foi para o curso de jornalismo da mesma instituição onde se formaram.

Entre concepção e realização, a matéria levou cerca de um ano para ficar pronta.

O trio até se matriculou num curso de histórias em quadrinhos para entender melhor os recursos da linguagem.

A pesquisa envolveu material de pesquisa e entrevistas com pessoas ligadas ao movimento estudantil baiano.

"A gente descobriu que em vários momentos da história política do Brasil o movimento estudantil baiano saía na frente dos demais", diz Silveira.

A reportagem abordou quatro momentos do movimento estudantil, das passeatas pedindo a adesão do Brasil à 2ª Guerra Mundial, em 1942, à manifestação a favor da cassação do então senador Antônio Carlos Magalhães no escândalo da violação do painel de votação do Senado, em 2001.

O resultado da apuração se converteu num detalhado roteiro, que foi passado aos três desenhistas da matéria, Franklin Mendes, Rodolfo Troll e Thiago Durães.

"A gente fez uma pesquisa iconográfica, foi a acervos, a locais onde os entrevistados falavam que a cena havia ocorrido", diz Silveira, que hoje atua como assessor de imprensa.

Os desenhistas recebiam as indicações do roteiro e fotografias dos autores dos depoimentos e de locais históricos da Bahia. Até roupas da época foram alvo de pesquisa.

Houve também o cuidado de perguntar aos entrevistados o conteúdo aproximado do que disseram na ocasião. As falas foram incluídas nos diálogos das cenas.

"Pode ser que alguma coisa não tenha ficado exatamente igual aos que eles disseram, mas foi tudo baseado no depoimento", afirma Silveira.

Outro cuidado foi o distanciamento dos três jornalistas em relação às fontes.

Nenhum dos autores aparece visualmente na matéria, ao contrário do que faz Joe Sacco, o principal expoente do gênero jornalismo em quadrinhos e o inspirador do projeto baiano.

Esse distanciamento é fruto de um olhar pessoal do trio de jornalistas sobre o gênero.

No entender deles, não é qualquer assunto que pode virar reportagem em quadrinhos, mas sim aquele que render boas imagens.

O resultado pode ser lido também no blog do "Caderno Dez!", que tem disponibilizado as páginas da reportagem após a publicação.

As duas primeiras partes podem ser lidas nas postagens dos dias 6 e 13 deste mês.

Para acessar o blog, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h29
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19/11/2007

Justiça da Espanha condena chargistas por ironizarem príncipe

O vídeo acima mostra a leitura da sentença judicial que condenou o escritor Manel Fontdevilla e o desenhista José María Vásquez Honrubia ao pagamento de multa de 3 mil euros cada um (o equivalente a cerca de R$ 5.100).

A gravação foi feita no dia 13 deste mês, data da condenação, e reproduzida no dia seguinte no site espanhol "El Mundo". A cena também está disponível no UOL Vídeos.
 
O motivo da condenação é uma charge feita por Fontdevilla e Honrubia para "El Jueves", tradicional revista de humor gráfico da Espanha.
 
A charge, mostrada na capa de uma das edições de julho (ao lado), trazia o príncipe espanhol Filipe de Bourbon fazendo sexo com a esposa, a jornalista Letizia Ortiz.
 
O herdeiro do trono espanhol dizia, numa tradução aproximada:
 
- Viu? Se ficar grávida, isso vai ser a coisa mais parecida com trabalho que já fiz na vida!
 
A brincadeira se pautava na decisão do primeiro-ministro espanhol José Luiz Zapatero de dar 2.500 euros (cerca de R$ 4.300) a cada filho que os casais tivessem a partir de então.
 
A revista foi recolhida das bancas em julho por decisão da justiça.
 
Uma lei espanhola proíbe injúria a membros da Coroa. 
 
 
"Injurioso" foi o termo exato usado pelo juiz na condenação.
 
Os chargistas argumentaram que não tinham "nenhum sentimento de culpa" pelo desenho publicado.
  
A decisão da Justiça espanhola pautou a última edição da revista semanal.
 
Mais de uma história da "El Jueves" aborda o tema, sempre em tom de provocação.
 
Numa das brincadeiras, o desenhista Albert Monteys tenta imaginar o será feito com os 6 mil euros da multa (3 mil euros de cada um):
 
 
O grupo "Repórteres sem Froteiras", entidade internacional que defende a atuação livre da imprensa, condenou a decisão da justiça.
 
A organização também tinha se posicionado contra o recolhimento da revista em julho, classificando o caso como um "ato de censura".
 
Em nota no site da entidade, o grupo pede alteração na lei que defende a Coroa de críticas, de modo adequar a legislação penal "à sociedade da informação".
 
Quando o Blog noticiou o caso em julho, a Associação dos Cartunistas do Brasil também tinha visto no caso restrição à liberdade de imprensa (leia aqui).
 
Crédito: o desenho desta postagem foi reproduzido da página virtual do "El Jueves".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h06
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Júri do Salão de Paraguaçu Paulista define vencedores deste ano

 

A caricatura acima, da apresentadora e modelo Daniela Cicarelli, foi um dos desenhos premiados do 3º Salão de Humor de Paraguaçu Paulista, realizado no interior de São Paulo.
 
O trabalho foi feito por Bruno Rocha Maron, do Rio de Janeiro.
 
Além dele, o salão definiu os vencedores das outras quatro categorias: charge, tiras, cartum, e cartum temático (o assunto era "energia").
 
Um dos destaques foi o desenhista Musa Gumus, da Turquia.
 
Ele ficou em primeiro lugar na categoria charge e em terceiro na de cartum.
 
Os primeiros colocados em cada uma das categorias recebem prêmio de R$ 2.000 em dinheiro. Os segundos e terceiros lugares levam, respectivamente, R$ 1.000 e R$ 500.
 
O júri definiu e premiou os vencedores no fim de semana.
 
Já havia ocorrido uma seleção anterior, que definiu os 225 trabalhos que integram a exposição deste ano.
 
Esta terceira edição do salão de humor teve 1.400 trabalhos inscritos, 150 a mais do que no ano passado.
 
Veja abaixo os outros trabalhos que ficaram em primeiro lugar no salão deste ano.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cartum
 
 
Eduardo dos Reis Evangelista (Duke)
 
 
Belo Horizonte (MG)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cartum temático
 
 
Título:
É gato
 
 
João Carlos Matias do Nascimento
 
 
Rio de Janeiro (RJ)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Charge
 
 
Título:
Ballon
 
 
Musa Gumus
 
 
Turquia
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tiras
 
 
Título:
Sir Manoel
 
 
Evandro Alves
 
 
Lagoa Santa (MG)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Clique aqui para ver os outros trabalhos premiados na edição deste ano do salão de humor.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h31
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18/11/2007

Feira na USP vende livros -e quadrinhos- pela metade do preço

Começa na próxima quarta-feira, dia 21, a nona edição da Feira do Livro da USP (Universidade de São Paulo).

O grande atrativo do evento é o preço.

Para participarem, as editoras têm de dar pelo menos 50% de desconto nas obras.

Esta nona edição da feira vai reunir mais de cem editoras, algumas de quadrinhos.

É o caso da Conrad, da Via Lettera e da Peirópolis.

A feira vai de quarta a sexta-feira desta semana no saguão do prédio de História e Geografia da USP.

Vai funcionar das 9h às 21h (nos anos anteriores, o horário mais vazio era o da manhã).

Veja aqui a lista das editoras que participam da edição deste ano. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h41
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16/11/2007

Referências são ponto alto de encontro entre Planetary e Batman

Encontros de personagens de franquias diferentes tendem, em geral, a ser mais caça-níqueis do que histórias que primem pela qualidade.
 
Mas há exceções, sempre bem-vindas, que conseguem dar à reunião um algo mais.
 
É o que Warren Ellis e John Cassaday fazem com "Planetary/Batman - Noite na Terra", edição especial lançada nesta semana (Pixel, R$ 11,90).
 
Os dois autores são os mesmos que fazem a série "Planetary", da Wildstorm, um dos selos vinculados à editora norte-americana DC Comics, a mesma de Batman.
 
Eles trazem a este especial o mesmo clima da série, publicada na revista mensal "Pixel Magazine".
 
Há a mesma receita das demais histórias escritas por Ellis: suspense, mistério, sensação de não entender a trama e um choque cavalar de referências a outras obras dos quadrinhos.
 
E é nesse processo intertextual que o encontro consegue aquele "algo mais".
 
Os integrantes principais da equipe de exploradores do Planetary -Elijah Snow, Jakita Wagner e Baterista- desembarcam numa Gotham City diferente da mostrada nas revistas do homem-morcego.
 
O objetivo da empreitada é encontrar o autor de uma série de assassinatos.
 
A busca esbarra em Batman, ou melhor, em vários Batmans.
 
Uma espécie de pulso elétrico emitido pelo corpo do principal suspeito altera a realidade. Só não são afetados os membros do Planetary. A cada pulso, o Batman muda.
 
Pulso. Aparece o barrigudo e divertido Adam West do seriado de TV (que usa um bat-repelente-de-vilãs para se sair bem na luta).
 
Novo pulso. Surge o troncudo Cavaleiro das Trevas da minissérie homônima escrita e desenhada por Frank Miller no meio da década de 1980.
 
Outro pulso e entra em cena o Batman desenhado por Neal Adams no início dos anos 1970.
 
Há também o de Bob Kane, de 1939, devidamente armado.
 
O curioso da história está nessa sucessiva alternância de Batmans, que funciona como um bom teste para medir o volume de referências do leitor sobre o personagem.
 
Ajuda na identificação das várias fases o estilo do desenho, muito bem reproduzido por John Cassaday.
 
O diálogo visual com Neal Adams, em especial, é para agradar qualquer fã de Batman.
 
De resto, paira aquela sensação de ter perdido uma parte da trama, algo que não compromete a leitura e que não deve estranhar quem acompanha "Planetary" regularmente.
 
A edição tem 50 páginas e é lançada em formato maior, semelhante ao de revistas.
 
Nos Estados Unidos, a história foi publicada também numa edição especial, "Planetary/Batman - Night on Earth", vendida a partir de novembro de 2003. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h48
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15/11/2007

Benett: mais um tirista da nova geração apavora em livro

 

Há pelo menos três pontos em comum na talentosa nova geração de tiristas brasileiros.

Eles abordam temas diversificados, trazem inovações no uso da linguagem dos quadrinhos no limitado espaço físico da tira e ganham maior projeção após compilarem as histórias, geralmente feitas na internet, em edições impressas.

Foi o caminho seguido por André Dahmer e Allan Sieber, para ficar em dois exemplos.

E é trilhado agora também por Benett, que lança neste mês o álbum de tiras "Benett Apavora!" (Juruá Editora, R$ 28).

As 108 páginas da obra trazem material produzido no blog dele, criado em 2003, e no jornal "Gazeta do Povo", de Curitiba, cidade onde mora há uma década.

As tiras mesclam situações mais soltas, nas quais o que importa é a piada, com outras em que há personagem fixos –um moço de boné viciado em sexo e acompanhado em algumas histórias por um poltergeist com o rosto parecido com o de Groucho Marx.

"O sujeito de boné é uma espécie de versão piorada minha, se é que é possível", diz Benett, por e-mail.

"É meio autobiográfico, com a diferença de que não tenho um poltergeist de estimação e me recuso terminantemente a falar em ectoplasmas."

"Mas está tudo ali, de uma forma um pouco exagerada, caricata."

Alberto Benett –ou só Benett, como assina- diz que o álbum traz o melhor dele. Vê na obra uma forma de levar seu trabalho a mais pessoas.

"Funciona mais ou menos como uma banda independente que vende seus discos no Myspace", diz o desenhista, natural de Ponta Grossa, no Paraná.

A analogia com o Myspace é por causa das vendas do álbum, feitas parte em seu site, parte nas unidades da livraria Fnac de São Paulo e do Rio de Janeiro.

O site (acesse aqui) tem a vantagem de vender a obra mais em conta: sai por R$ 20, mais R$ 2 de frete. E ele ainda manda o exemplar com dedicatória desenhada.

"Acho que essa é a saída. Uma tiragem menor de livros –evita encalhes desnecessários- vendido para pessoas certas e ainda com a possibilidade de oferecer algo mais para o cara que compra."

No entender dele, a estratégia contorna o pouco espaço dos jornais dedicado a tiras novas e velhas.

"Não há espaço [nos jornais] e, mesmo que houvesse, eles pagam tão pouco..."

"Muitas vezes eles pensam ´Vamos dar uma grana tão miserável que nem vale a pena, porque o cara que aceita isso é tão fraquinho´. Sério, já vi essa discussão."

Com 33 anos, Benett tem no currículo um primeiro lugar na categoria tiras do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, em 2005.

No ano seguinte, ficou em terceiro na categoria quadrinhos do Salão Carioca de Humor.

Jornalista por formação, limitou a profissão a poucos textos publicados. Mas viu na formação uma ajuda na produção das charges, publicadas em diferentes jornais.

"Acho que, se não fosse o jornalismo, não seria capaz de fazer charges para o jornal", diz.

"Penso que uma faculdade de jornalismo faria bem para novos chargistas."

Influências?

"Se Schulz [criador de Snoopy] não existisse, eu não existiria", diz.

"E pretendo tatuar os rostos de Groucho Marx, Schluz e Woody Allen."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h12
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13/11/2007

A hora e a vez dos álbuns nacionais

O trem que conduz o quadrinho nacional começa a fazer uma curva rumo aos álbuns que trazem histórias maiores e bem trabalhadas, como ocorre na Europa.