30/11/2007

Evento em São Paulo vende quadrinhos com desconto

Começou nesta sexta-feira à noite e vai até as 17h de domingo a "Maratona HQ".
 
O atrativo do evento -que ocorre em São Paulo- está nos descontos: qualquer título em quadrinhos, nacional ou importado, com pelo menos 20% de desconto.
 
Durante a madrugada, o desconto é maior, 40%.
 
Paralelamente, ocorre uma série de palestras, várias delas com quadrinistas independentes (leia a programação completa aqui).
 
A "Maratona HQ" é realizada na loja da Devir, na rua Teodureto Souto, 624, em São Paulo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h36
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Ediouro negocia compra da editora Desiderata

Uma negociação, até há poucos dias sigilosa, pode terminar na venda da editora carioca Desiderata para a Ediouro.

A informação foi confirmada agora à tarde pela assessoria da Desiderata.

Segundo a assessoria, a editora está "em processo de compra", mas o contrato ainda não foi assinado.

O assunto veio a público na quarta-feira, numa nota da coluna de Ancelmo Gois, publicada no jornal "O Globo", do Rio de Janeiro.

Para o jornalista, a compra já foi efetivada.

A Desiderata se firmou no mercado no ano passado.

A editora carioca ganhou destaque com a boa repercussão das antologias do jornal alternativo "Pasquim".

Foram lançadas duas coletâneas até agora, que se tornaram uma espécie de "galinha dos ovos de ouro" da editora.

O lucro estimulou investimento em outras áreas, como humor gráfico (sob os cuidados do veterano cartunista Jaguar).

O último lançamento foi uma antologia do "Planeta Diário", jornal alternativo que era feito por parte dos integrantes do programa "Casseta & Planeta", da TV Globo.

Neste ano, a Desiderata começou a investir em álbuns nacionais de quadrinhos.

Lançou duas obras: "Caraíba", de Flavio Colin (1930-2002), e "A Boa Sorte de Solano Dominguez", de Wander Antunes e Mozart Couto (leia mais aqui).

A proposta da editora, pelo menos até a negociação, era publicar outros álbuns.

Um estava previsto para dezembro. Trata-se de uma adaptação de contos dos Irmãos Grimm (leia aqui).

Pelo menos outros dois estavam em processo de produção: 1) "Copacabana" e 2) "O Cabaleira" (leia aqui).

A Ediouro é sócia de outra editora de quadrinhos, a Pixel, que tem publicado revistas da ABC, Vertigo e Wildstorm, selos vinculados à editora norte-americana DC Comics (a mesma de Batman e Super-Homem).

A Pixel entrou no mercado de quadrinhos no início do ano passado.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h41
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29/11/2007

Fun Home: o lado real, porém surreal, da vida em família

É inevitável a sensação de que os quadrinhos chegaram a um outro patamar após a leitura de "Fun Home - Uma Tragicomédia em Família", lançado neste mês (Conrad, R$ 42,90).
 
Com verniz literário, o livro narra as memórias familiares da autora, a norte-americana Alison Bechdel, hoje com 47 anos.
 
O foco é o relacionamento com o pai, Bruce Bechdel, já falecido.
 
Não é possível medir o grau de fidelidade aos eventos descritos nas 240 páginas do trabalho, vencedor de um Eisner Awards, espécie de Oscar da indústria norte-americana de quadrinhos.
 
Fiel ou não, o espírito da obra é ser autobiográfico. E o que é mostrado foge muito ao núcleo familiar convencional.
 
Nas suas lembranças, Alison vai construindo narrativamente uma figura paterna introspectiva (Bruce quase não ri em toda a obra) e problemática.
 
Ele encapsula diferentes níveis de estranhamento. Um deles é profissional.
 
O pai é professor de inglês e dono de uma agência funerária, ganha por herança.
 
O nome do livro vem desse lado mórbido. "Fun Home" é uma brincadeira com a expressão "Funeral Home", nome dado às casas funerárias.
 
Mais do que dono, é ele quem prepara os corpos dos cadáveres a serem enterrados.
 
Outro nível de estranhamento é de ordem pessoal. Casado, mantém relações homossexuais com outros homens.
 
O lado gay, aos olhos dos filhos, era mantido às escuras.
 
Ou quase às escuras. Havia pistas. Uma estava na fixação do pai por decoração.
 
A família não só acompanhava as decorações dele como também era instigada a ajudar.
 
O perfil problemático o acompanhou até a morte, segundo o relato de Alison.
 
Ela levanta a possbilidade de ele ter se suicidado no atropelamento que o matou.
 
Foi nesse ambiente quase surreal que Alison cresceu.
 
Na reavaliação da vida do pai, a autora vê traços da vida dele em sua própria trajetória.
 
Uma semelhança é o lesbianismo, que assumiu à família quando estava na faculdade.
 
A revelação também teve cores surreais. Após contar à mãe, ouviu dela que o pai também teve casos homossexuais no passado.
 
Bechdel, a filha, é uma autora de tiras que teve em "Fun Home" o ponto alto da carreira, iniciada na primeira metade dos anos 1980.
 
O livro -lançado com todo o jeitão de livro- se alinha com outros trabalhos em quadrinhos incluídos na seleta lista de obras aceitas e citadas pela mídia e pelos chamados formadores de opinião, como "Maus", de Art Spiegelman.
 
Não por acaso que foi listada pela revista "Time" em 2006 como livro do ano.
 
Também não é coincidência o espaço que conseguiu na capa de hoje do caderno "Ilustrada" da "Folha de S.Paulo", com direito até a entrevista com a autora (leia aqui).
 
Os quadrinhos geralmente conseguem bons resultados quando deixam de lado o real e dialogam com o ficcional.
 
"Fun Home - Uma Tragicomédia em Família" é mais um (bom) exemplo disso.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 18h20
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Começa votação para Prêmio Angelo Agostini 2007

A organização do 24º Prêmio Angelo Agostini começou a  votação para definir os autores nacionais que mais se destacaram neste ano.
 
As orientações sobre a premiação foram divulgadas nesta quinta-feira no site "Bigorna", especializado em quadrinhos e cultura pop.
 
O texto é assinado por Worney Almeida de Souza, da Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo.
 
A associação promove o evento, um dos poucos da área existentes no país.
 
Qualquer pessoa pode participar da votação. A entrega dos prêmios será no dia 16 de fevereiro do ano que vem.
 
O Prêmio Angelo Agostini possui sete categorias:
  • melhor desenhista
  • melhor roteirista
  • melhor lançamento
  • melhor fanzine
  • melhor cartunista
  • Prêmio Jayme Cortez (para quem se destacou na incentivação ou divulgação da área)
  • Mestres do Quadrinho Nacional
 
Cada pessoa pode votar em dois nomes. A única exceção é a categoria "Mestres do Quadrinho Nacional", que aceita três indicações.
 
A organização recebe os votos até o dia 5 de janeiro.
 
As escolhas podem ser enviadas por e-mail (angeloagostini@bigorna.net) ou por carta para este endereço:
 
AQC-ESP / Worney Almeida de Souza
Caixa postal 675          CEP 01059-970
São Paulo / SP
 
Na premiação do ano passado, o livro "Katita - Tiras sem Preconceito" foi o principal vencedor.
 
Ganhou em duas categorias: melhor lançamento de 2006 e melhor roteirista (para a escritora Anita Costa Prado).
 
Veja aqui os outros vencedores de 2006 do Prêmio Angelo Agostini.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h32
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27/11/2007

Convidados especiais marcam segundo volume de Piratas do Tietê

 
Nem só piratas circulavam pelas águas do paulistano rio Tietê.
 
Batman, Fantasma e até mesmo o poeta português Fernando Pessoa passaram por lá.
  
Pelo menos nas histórias imaginadas pelo cartunista Laerte Coutinho.
 
Os inusitados encontros pautam o segundo volume de "Piratas do Tietê - A Saga Completa", que começou a ser vendido neste finzinho de mês (Devir, R$ 52, 112 págs.).
 
Cada encontro é antecedido por um texto curto, em que Laerte traz algum bastidor da história.
 
Na que mostra Batman, ele diz que "adora" o herói. A justificativa faz sentido.
 
Na história, o Homem-Morcego resolve integrar a trupe de piratas e passa a viver do mesmo modo que os amalucados personagens.
 
No final, ele revela "o segredo do morcego", que evidentemente, não será revelado aqui. Mas explica a justificativa do autor.
 
O encontro com Fernando Pessoa é, talvez, uma das histórias mais divertidas dos Piratas.
 
Eles tentam matar o poeta, que declama um de seus poemas. 
 
Nunca conseguem. O poeta é imortal.
 
A participação de Fantasma se deu numa história em três partes. Foi uma "experiência", segundo Laerte, de que os leitores gostaram.
 
O álbum traz também duas curiosidades: o texto da peça teatral "Piratas do Tietê - O Filme", encenada em São Paulo, e oito quadrinhos do storyboard do desenho animado dos personagens, ainda em processo de produção.
 
A coleção, que terá mais um volume, reedita em formato de luxo as histórias longas dos sádicos personagens de Laerte, criados em 1986.
 
Este número traz histórias publicadas em 1987, 1989 e 1990 nas revistas "Circo", "Chiclete com Banana" e "Piratas do Tietê" (que trazia as narrativas no formato horizontal).
 
A editoria de humor do UOL preparou um álbum com algumas imagens da obra. Para acessar, clique aqui.
 
Saiba mais sobre a primeira edição aqui.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 17h20
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Zarabatana: a trajetória da caçula das editoras de quadrinhos

Faz um ano que “O Prolongado Sonho do Sr. T”, do espanhol Max, começou a ser vendido. 

 

O álbum marcava a entrada da Zarabatana no mercado brasileiro de quadrinhos.

 

O sonho que dá nome à obra sintetizava um outro sonho, o de criar uma editora de quadrinhos.

 

O dono e editor da Zarabatana, Cláudio Martini, conta que o desejo publicar quadrinhos é antigo. O nome da editora,  diz, tinha sido definido em 1993.

 

Ele gostou da sonoridade da palavra "Zarabatana" e do fato de o termo iniciar e terminar com os extremos do alfabeto.

 

Nesse primeiro ano, a editora formou um catálogo com sete títulos, até então pouco conhecidos no país.

 

Entre as obras, estão dois dos melhores lançamentos do ano, "Mulheres" e "Pyongyang - Uma Viagem à Coréia do Norte" (leia mais aqui e aqui).

 

Um oitavo título, "Escombros - Crumble: O Status de Knucle", está programado para dezembro (capa abaixo).

 

 

As obras são produzidas em Campinas, no interior paulista, cidade onde Martini mora. Nasceu no município vizinho, Valinhos, há 52 anos.

 

A dedicação à editora não é exclusiva. Publicitário por formação, trabalha em paralelo com projetos editoriais, principalmente para revistas.

 

Ele também assina uma coluna sobre quadrinhos no portal Terra (acesse aqui).

 

Na coluna virtual, ele dá dicas do quanto entende e se interessa por publicações estrangeiras alternativas, características que se tornaram a alma da Zarabatana.

 

A festa de um ano da editora é nesta terça-feira à noite, na  “HQMix Livraria”, no centro de São Paulo (leia mais aqui).

 

Mas, antes de viajar para a capital paulista, Martini conversou com o blog, por e-mail.

 

O bate-papo virtual teve ares de balanço.

 

Qual o saldo que a caçula das editoras de títulos adultos de quadrinhos faz do atual mercado?

 

Há mercado para tantos quadrinhos, de novas e de antigas editoras?

 

As respostas ajudam a entender um pouco melhor a situação atual dos quadrinhos no Brasil do privilegiado ponto de vista do editor.

 

 

                                                        ***

 

Blog - Qual o saldo que você tira desse primeiro ano da editora?

Cláudio Martini - A recepção que os livros tiveram na mídia especializada (e na não especializada também, que começa a dar mais espaço para os quadrinhos) foi muito boa. Como estamos editando histórias em quadrinhos de autor, que eu classificaria como alternativos, o leitor de quadrinhos e mesmo o que não costuma ler habitualmente quadrinhos – que também esperamos atingir – ainda precisa descobrir estas obras. E tenho certeza de que vai gostar muito.

 

Blog - Financeiramente, a editora já tem lucro com o material que lança?

Martini - Estamos na fase de investimento e formação de um catálogo de títulos consistente, o que creio que vai levar pelo menos mais um ano.

 

Blog - A Zarabatana é nova no mercado. Houve uma espécie de "bloqueio" das demais editoras de quadrinhos para os seus lançamentos?

Martini - Não tive conhecimento de nada nesse sentido.

 

Blog - Houve obras da Zarabatana que chegaram a ser expostas com destaque em pelo menos uma grande livraria de São Paulo. Como tem sido a inserção dos títulos nesse mercado?

Martini - A Livraria Cultura da [Avenida] Paulista expôs durante vários meses nossos primeiros lançamentos em suas vitrines. Nossos títulos estão presentes na maioria das lojas virtuais, mas ainda estamos batalhando para construir uma distribuição mais eficiente para as livrarias.

 

Blog - Você acredita que começa a existir uma overdose de lançamentos e de editoras com olhos apenas nas livrarias? Ou há mercado para todas?

Martini - Creio que havia uma lacuna de décadas que está sendo finalmente preenchida. Só que as livrarias não estavam preparadas para isso e nem tinham espaço em suas prateleiras para essa quantidade de lançamentos que estamos presenciando. Se há mercado para todas, creio que é cedo para responder.

 

Blog - Aproveitando o gancho sobre mercado: qual a leitura que você faz do atual momento editorial brasileiro?

Martini - O Brasil ficou muitos anos sem ter acesso a grande parte do que vinha sendo criado de melhor em histórias em quadrinhos no mundo. Agora estamos pondo isso em dia, e também tendo um grande número de lançamentos de ótima qualidade de artistas brasileiros. Espero que não seja apenas um “momento”, mas algo que veio para ficar.

 

Blog - Para onde você acredita que esse mercado vá migrar em 2008?

Martini - O cenário de dois anos atrás era muito diferente do que temos hoje, e creio que ninguém imaginaria como estaria o mercado hoje. Portanto, temos que esperar para ver.

 

Blog - O que você tem programado para o ano que vem? Algo nacional?

Martini - Por enquanto, temos como certo o livro de tirinhas Underworld, do norte-americano Kaz; Clara de Noche (Clara da Noite), de Bernet, Trillo e Maicas; outros volumes da coleção de mangá de terror de Hideshi Hino. Obras nacionais, talvez a médio prazo.

 

Blog - Voltando às origens, como surgiu a idéia de criar a editora?

Martini - Minha vida sempre foi ligada aos quadrinhos, e era um sonho de muitos anos ter uma editora de histórias em quadrinhos (o nome Zarabatana, eu já tinha desde 1993). Havia muitas obras que eu lia e achava que deveriam ser publicadas no Brasil, hoje estou realizando este sonho, juntando minha experiência como designer gráfico com minha paixão pelas histórias em quadrinhos.

 

Blog - E como você faz para selecionar o material?

Martini - Para estes primeiros títulos lançados me baseei na qualidade do trabalho (desenhos e roteiro), em meu gosto pessoal, ineditismo no mercado brasileiro e disponibilidade dos mesmos para negociação de direitos de publicação.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h27
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26/11/2007

Polêmica sobre declaração de FHC tem tudo a ver com quadrinhos

Há um lado bom na declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, noticiada com destaque pela imprensa no fim de semana.
 
O caso trouxe à tona uma das raras oportunidades de discutir, na mídia, o conceito de preconceito lingüístico e de variações lingüísticas. E de como essas idéias têm tudo a ver com os quadrinhos.
 
Aos fatos.
 
A polêmica declaração do ex-presidente foi dada na convenção do PSDB na sexta-feira passada.
 
A fala, segundo a imprensa, foi endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
 
"Queremos brasileiros melhor educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria."
 
A declaração ecoou nos jornais no sábado e no domingo.
 
As matérias mostravam que a fala do ex-presidente pecava num ponto: não seguia a crítica que fazia.
 
Do ponto de vista da norma culta, não deveria ser "melhor educados", mas sim "mais bem educados".
 
Verbos no partícípio aceitam apenas as formas "mais bem" e "mais mal": mais bem escrito, mais mal escrito, mais bem falado, mais malfalado ("malfalado" é escrito junto, segundo os dicionários).
 
Está "errado", então, falar "melhor educado"?
 
Depende. De que ponto de vista estamos falando?
 
Sob o olhar da norma culta, sim.
 
Sob o olhar lingüístico, devem-se levar em conta outros aspectos.
 
A Lingüística trabalha com a idéia de que a língua varia. Uma dessas variações é chamada norma culta, socialmente a mais prestigiada no país.
 
Desse ponto de vista, a língua varia conforme uma série de fatores.
 
Não haveria um certo ou um errado, mas sim situações em que é adequado falar ou escrever de determinado jeito.
 
Na internet, por exemplo, é comum adaptarmos a escrita para a aproximarmos da fala coloquial.
 
É "errado" escrever assim? Não, desde que o contexto e as pessoas que participem do diálogo virtual aceitem tal uso.
 
Numa conversa com os amigos, você fala "me contaram uma história de você" ou "contaram-me uma história de você"?
 
A primeira possibilidade, com a próclise, é a mais coloquial, embora seja a condenada pela norma culta.
 
Há quem defenda que quem não segue a norma culta é burro ou despreparado intelectualmente.
 
Responderia, então, que somos todos -inclusive eu- burros e despreparados intelectualmente.
 
Que atire a primeira pedra quem nunca cometeu "deslizes" no uso da norma.
 
Essa intolerância sobre as várias formas de uso da língua, principalmente a oral, é o que a academia chama de "preconceito lingüístico".
 
É o mesmo preconceito que a fala de Fernando Henrique Cardoso escondia e que, para alguns autores, é tão sério e condenável quanto outras formas de preconceito.
 
Mas o que isso tem a ver com quadrinhos?
 
Se posto de lado, o preconceito lingüístico abre os ouvidos para uma infinidade de usos distintos da língua, até então analisados como "erros".
 
Se observados como variantes possíveis da língua, ajudam, e muito, a caracterizar os personagens dos quadrinhos nos balões de fala.
 
Alguém imagina o informal Coisa, do Quarteto Fantástico, gritando algo como "Está na hora da briga?"
 
Claro que não. O bordão dele se fixou na forma "tá na hora do pau", uma mescla de redução verbal (tá) com expressão gíria.
 
Por outro lado, ninguém imaginaria o Poderoso Thor, nobre por formação, dizendo algo como "Xará! É briga que você quer?", como faziam as traduções da Bloch nos anos 1970.
 
A fala de Thor é representada nos balões de uma maneira muito mais formal, com vocabulário bem rebuscado e pronomes na segunda pessoa do plural.
 
Ainda são raros os estudos científicos sobre o papel da variação lingüística na caracterização dos personagens. Mas é possível enxergar algumas tendências.
 
Uma delas é que há um gradual aumento no número de gírias e de construções coloquiais nos quadrinhos da década de 1960 para cá.
 
É só observar os extremos.
 
A extinta Ebal (Editora Brasil-América) raramente trazia gírias no vocabulário dos personagens. Quando o fazia, usava aspas.
 
Numa história do Quarteto Fantástico, a Mulher-Invisível chamava o Coisa de "um pão", termo usado entre aspas (a gíria faz referência ao fato de uma pessoa ser tida como atraente).
 
A Panini nas atuais histórias de super-heróis usa e abusa de coloquialismos no vocabulário, de reduções, de colocação pronominal fora da norma padrão.
 
O Coisa, novamente ele, serve de exemplo.
 
Outra tendência é que a caracterização da fala do personagem é feita geralmente com base em estereótipos.
 
Se a pessoa é inteligente, tende a falar de acordo com a variante culta; se não, de modo mais informal, com vocabulário informal.
 
Mais uma conclusão, talvez a mais relevante: o vocabulário utilizado pelos personagens se torna um registro de época.
 
"Um pão" era uma gíria comum na década de 1960. Hoje, caiu em desuso. Uma história do Quarteto Fantástico, publicada na época, traz um registro físico do vocabulário de então.
 
Desse ponto de vista, os quadrinhos se tornam documentos históricos a serem resgatados e estudados a posteriori.
 
É o que falta: mais estudos. Material para pesquisa tem de sobra.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h02
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25/11/2007

Álbum de luxo vai relançar primeiras histórias do Super-Homem

 

 

 

 

 

 

 

Capa da edição de luxo, que tem lançamento programado para dezembro

 

 

 

 

 

 

 

Uma edição de luxo, com 212 páginas, vai relançar as primeiras histórias do Super-Homem produzidas entre 1938 e 1939.

"Superman Crônicas" -obra feita em capa dura- será publicado pela Panini.

Segundo a editora, o título chega às livrarias em dezembro e vai custar R$ 56.

O álbum reedita os números de um a 13 da revista "Action Comics", publicação onde o super-herói fez sua estréia, em junho de 1938.

As histórias são escritas pelos criadores do herói de Krypton, Jerry Siegel (texto) e Joe Shuster (desenhos).

O livro terá também o número de estréia da revista "Superman", de 1939, e o especial "New York World´s Fair", sobre a presença do personagem na Feira Mundial de Nova York.

A editora promete ainda no pacote uma reprodução da primeira revista nacional do herói: "Superman", de 1947, publicada pela extinta Ebal (Editora Brasil-América).

A Panini havia anunciado em fevereiro que pretendia lançar o álbum no segundo semestre deste ano (leia aqui).

Na ocasião, havia informado também que iria publicar uma obra semelhante com as primeiras histórias do Homem-Morcego, de 1939 e 1940.

Essa edição -chamada "Batman Crônicas" foi lançada em setembro (leia mais aqui). A obra foi feita nos mesmos moldes desta de Super-Homem.

As primeiras histórias do Homem de Aço já foram relançadas em outras publicações brasileiras.

Um álbum da L&PM, chamado "As Primeiras Histórias do Superman", trouxe a estréia do super-herói. A obra da editora gaúcha é de 1987.

Outras aventuras dessa fase inicial do personagem integraram a "Coleção Invictus", série publicada pela editora Sampa na primeira metade dos anos 1990.

Os números seis e 19 da coleção traziam histórias clássicas.

Tanto a edição da L&PM quando as da Sampa são encontradas apenas em sebos.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h39
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23/11/2007

Confesso: o cartum ainda existe

Pode até ser coincidência, mas foi só o desenhista Jaguar dizer no início do ano que o cartum está em extinção que surgiram duas obras... com cartuns.
 
A primeira é de Fausto, lançada no fim do mês passado.
 

A outra é Marco Jacobsen, "Confesso" (R$ 30, capa ao lado), produzida com lei de incentivo à cultura da Prefeitura de Curitiba.
 
O livro de Jacobsen, de 144 páginas, dá um bom cenário de como é a produção do desenhista de 35 anos, nascido em Santos, no litoral de São Paulo.
 
Durante a leitura, é possível ver influência de outros cartunistas, entre eles o argentino Quino, pai da personagem "Mafalda".
 
Jacobsen concorda. Há um pouco de Quino, sim. Mas diz que seu estilo é uma mistura de outras influências. Cita, por exemplo, o francês Sempé.
 
"O meu trabalho parece uma colcha de retalhos tem muita coisa do Laerte, Jules Feiffer, Lauzier, Solda e Miram", diz, por e-mail.
 
O livro traz muito dessas influências e um pouco da história de Jacobsen.
 
"70% é de material inédito", diz. "O resto foi publicado em jornais e revistas aqui e ali."
 
Apesar de ter publicado cartuns "aqui e ali", o desenhista é mais conhecido como chargista.
 
Ele assina a charge diária da "Folha de Londrina", do Paraná.
 
 
O Blog pergunta se ele concorda com o diagnóstico de Jaguar.
 
"Acho que o Jaguar está certo", disse, num primeiro e-mail.
 
Dias depois, ele enviou outra mensagem virtual.
 
"Quando eu disse que concordo com o Jaguar, o que eu quis dizer é que na verdade tem cartunista saindo pelo ladrão. Basta ver a quantidade de cartuns inscritos nos salões", diz.
 
No entender dele, falta espaço para cartuns nas revistas e nas editoras.
 
"Revistas que tradicionalmente publicavam cartuns agora reduziram drasticamente o espaço para isso", diz.
 
"O que se vê é charge ou tiras. Eu mesmo só tenho feito só charges, pois tirando o livro, é raro produzir cartum para qualquer outro veículo."
O que reforça o ponto de vista dele é o modo como produziu o livro: por conta própria.
 
Jacobsen disputa desde o ano passado a verba municipal para bancar o livro.
 
Hoje, com a obra pronta, enfrenta uma segunda dificuldade: a distribuição.
 
Por enquanto, vende a publicação -impressa em capa dura- em livrarias de Curitiba, cidade onde mora desde criança, e por meio de seu site.
 
Para acessar, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h32
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Uma boa tira de Adão Iturrusgarai

Crédito: a tira de "La Vie en Rose", feita por Adão Iturrusgarai, saiu na edição desta sexta-feira da "Folha de S.Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h47
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Agenda cheia de eventos de quadrinhos nos próximos dias

Para quem gosta de participar de eventos de quadrinhos, vai ter agenda cheia a partir deste fim de semana.
 
Há encontros no Piauí, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília.
 
Veja a programação:
 
24.11 - Pizzaria Brasil
O chargista Cláudio faz outra sessão de autógrafos de "Pizzaria Brasil".
Onde: Praça Benedito Calixto, em São Paulo
Horário: a partir das 14h
 
24.11 - Cão # 3
Lançamento do terceiro número da revista independente "Cão".
Onde: HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142, São Paulo)
Horário: a partir das 19h30
 
26.11 - Festival Alexandro Jodorowsky
O cineasta e escritor da série "Incal" participa de um festival em homenagem à obra dele, que ocorre simultaneamente no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
Dia 26 é a data em que ele participa no Rio.
Depois, vai  para Brasília (dia 1º) e São Paulo (dia 4).
Durante o Festival Jodorowsky, ele lança o segundo volume de "Antes do Incal".
Veja a programação completa aqui.
 
26.11 - 25º Salão de Humor do Piauí
A data marca a abertura do salão, em Teresina.
O evento de humor terá exposições (o cartunista J.Carlos é o homenageado) e uma ampla programação de oficinas.
O salão também vai definir o cartum vencedor deste ano. O premiado ganha R$ 10 mil.
Veja a programação completa no site do salão (clique aqui).
 
27.11 - Zarabatana 1 ano
A editora de Campinas completa um ano num encontro. 
A promessa é vender obras da Zarabatana com preços especiais no evento.
Onde: HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142, São Paulo)
Horário: a partir das 19h
 
Há também em Santos, no litoral paulista, o Festival Nacional de Fanzines e Publicações Independentes.
 
Leia mais na postagem abaixo. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h49
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22/11/2007

Versão 2007 da Mostra de Fanzines tem lançamento nesta sexta

A Associação dos Artistas do Litoral Paulista faz anualmente um levantamento dos fanzines e publicações independentes produzidas no país.

O resultado integra uma mostra nacional, um dos poucos acervos existentes sobre o assunto e mantido a duras penas pela associação.

A versão deste ano do catálogo vai ser lançada nesta sexta-feira, às 19h, em Santos, no litoral sul de São Paulo.

A programação do evento vai até o dia 9 de dezembro e inclui debates sobre produção de fanzines (que já é uma tradição da mostra), oficinas e uma exposição com trabalhos humorísticos de desenhistas do litoral paulista.

A Mostra Nacional de Fanzines e Publicações Independentes ocorre no Sesc de Santos (rua Conselheiro Ribas, 136, no bairro da Aparecida).

Para ler a programação completa -que é gratuita e merece ser valorizada- clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h49
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21/11/2007

Histórias do Clube da Esquina ganham versão em quadrinhos

 

Uma das canções criadas pelos músicos mineiros do Clube da Esquina dizia que os sonhos não envelhecem.
 
O desenhista Laudo Ferreira Junior deu uma outra leitura à música, escrita por Milton Nascimento e pelos irmãos Márcio e Lô Borges.
 
Os sonhos não envelhecem porque podem ser lidos na forma de quadrinhos.
 
Laudo produz histórias curtas sobre os integrantes do movimento musical mineiro para o Museu Clube da Esquina, página virtual criada para preservar a memória do grupo.
 
O projeto foi batizado de "Histórias do Clube da Esquina" e já está no ar para ser lido. O acesso é gratuito.
 
O desenhista diz que a idéia inicial era adaptar o livro "Os Sonhos Não Envelhecem" (da Geração Editorial), escrito por Márcio Borges, um dos integrantes do movimento mineiro.
 
Mas ajustou o projeto para "causos" do grupo de músicos, sejam do livro ou não.
 
"Em vez de fazer o negócio contando ano por ano, eu resolvi fazer uma história atemporal", diz por telefone o desenhista, nascido em São Vicente, no litoral sul de São Paulo.
 
"Pego os anos 60, depois vou aos 90 e assim por diante."
 
 
 
 
A história inaugural, de três páginas, lança o olhar nos primeiros contatos entre Márcio Borges e Milton Nascimento, na Belo Horizonte dos anos 1960.
 
O conto em quadrinhos, baseado no livro de Borges, relata o encontro entre eles, o início da amizade e os primeiros acordes produzidos.
 
A amizade entre Milton e os irmãos Borges -Márcio, Lô e Marilton- foi a viga mestra do movimento.
 
Com os anos, outros músicos integraram o grupo, como Wagner Tiso, Fernando Brant e Flávio Venturini.
 
Laudo conta que o projeto é antigo. Inicialmente, pediu a André Diniz, também escritor de quadrinhos, que fizesse os textos.
 
Laudo evitava escrever o material por ser fã do grupo. Tinha medo que o gosto pessoal comprometesse a qualidade das histórias.
 
"Nunca fui um daqueles fãs babões, mas a música deles foi muito importante para mim, para minha adolescência", diz Laudo, que mora em São Paulo há 20 anos.
 
Mas o projeto não vingou naquele momento. A idéia amadureceu e ele resolveu, enfim, encarar o texto e o desenho.
 
"Como eu já estou com 43 anos, estou mais maduro para fazer um texto mais atraente, no sentido de não fazer algo piegas ou pretensioso. É uma homenagem minha a eles."
 
 
 
O contato com o grupo foi por meio de um amigo comum, o fotógrafo Juvenal Pereira.
 
Pereira produziu as fotos do primeiro LP do grupo, "Clube da Esquina", lançado em 1972.
 
"Achei que eles fossem ficar relutantes", diz Laudo. "Pelo contrário, foram super-receptivos."
 
Esse contato facilitou o trânsito com os mantenedores do Museu Clube da Esquina, onde as histórias são mostradas. Foi bem remunerado pelo trabalho, diz.
 
Segundo ele, já tem mais três "causos" prontos.
 
"Não existe uma preocupação minha em fazer nenhuma das pessoas dali com cem por cento de fidelidade. É algo meio cartum, algo que remete a eles."
 
Mas ressalta que o conteúdo é real. Inclusive as referências visuais, como a casa onde o grupo se encontrava quando os músicos eram jovens.
 
Laudo pretende futuramente reunir o material num livro. Não seria a primeira publicação em quadrinhos feita por ele.
 
O desenhista já lançou álbuns da Tianinha, sua personagem mais conhecida. As histórias dela são publicadas na revista "Sexy Total".
 
Ele também já ganhou um HQMix -principal premiação de quadrinhos do país- pelo álbum "À Meia-Noite Levarei a Sua Alma", sobre o Zé do Caixão, obra lançada em 1995.
 
Para ler as "Histórias do Clube da Esquina", clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h21
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20/11/2007

Jornalistas da Bahia criam site com reportagens em quadrinhos

Três jornalistas da Bahia desenvolvem um site para veicular reportagens feitas em quadrinhos. Segundo o trio, a página virtual entra no ar até o fim do ano.

O grupo já desenvolve duas pautas para "Vanguarda", nome dado ao site.

A primeira é um perfil de um sobrevivente do Holocausto que hoje mora na Bahia.

A outra matéria é sobre mulheres acima dos 50 anos que contraíram o vírus HIV em relações sexuais com os próprios maridos.

O que motivou a criação do site foi a produção de uma reportagem em quadrinhos sobre momentos marcantes do movimento estudantil baiano.

A matéria –intitulada "Vanguarda: Histórias do Movimento Estudantil da Bahia"- foi feita como projeto de conclusão do curso de jornalismo no Centro Universitário da Bahia, em Salvador, no meio do ano.

A reportagem garantiu a aprovação dos três jornalistas –Leandro Silveira, Fábio Franco e Caio Coutinho- com nota máxima.

O material foi dividido em quatro partes e é publicado semanalmente no "Caderno Dez!", suplemento jovem do jornal "A Tarde", de Salvador.

Nesta terça-feira, sai a terceira parte. Na semana que vem, as sete páginas finais.

Um professor da faculdade, que também é um dos diretores do jornal, ajudou na ponte que separava a universidade e o jornal.

Apesar de os autores não receberem nada pela publicação da matéria, eles capitalizaram em repercussão.

Uma cena bem diferente da enfrentada quando surgiu a idéia da projeto.

"A primeira vez que levei isso à sala de aula todo mundo deu risada, inclusive a professora, que depois se tornou minha orientadora", diz por telefone Leonardo Silveira, um dos três autores da reportagem.

"Foram praticamente dois trabalhos de conclusão de curso. Um foi o memorial provando o que é jornalismo em quadrinhos e outro era a própria reportagem em quadrinhos."

O estranhamento inicial foi se alterando gradualmente. Até que mudou em definitivo.

"Agora é o contrário. Agora as pessoas estão chamando a gente para falar sobre o assunto", diz o jornalista, de 26 anos.

O trio já foi convidado a dar duas palestras sobre jornalismo em quadrinhos em faculdades baianas. Ironicamente, uma delas foi para o curso de jornalismo da mesma instituição onde se formaram.

Entre concepção e realização, a matéria levou cerca de um ano para ficar pronta.

O trio até se matriculou num curso de histórias em quadrinhos para entender melhor os recursos da linguagem.

A pesquisa envolveu material de pesquisa e entrevistas com pessoas ligadas ao movimento estudantil baiano.

"A gente descobriu que em vários momentos da história política do Brasil o movimento estudantil baiano saía na frente dos demais", diz Silveira.

A reportagem abordou quatro momentos do movimento estudantil, das passeatas pedindo a adesão do Brasil à 2ª Guerra Mundial, em 1942, à manifestação a favor da cassação do então senador Antônio Carlos Magalhães no escândalo da violação do painel de votação do Senado, em 2001.

O resultado da apuração se converteu num detalhado roteiro, que foi passado aos três desenhistas da matéria, Franklin Mendes, Rodolfo Troll e Thiago Durães.

"A gente fez uma pesquisa iconográfica, foi a acervos, a locais onde os entrevistados falavam que a cena havia ocorrido", diz Silveira, que hoje atua como assessor de imprensa.

Os desenhistas recebiam as indicações do roteiro e fotografias dos autores dos depoimentos e de locais históricos da Bahia. Até roupas da época foram alvo de pesquisa.

Houve também o cuidado de perguntar aos entrevistados o conteúdo aproximado do que disseram na ocasião. As falas foram incluídas nos diálogos das cenas.

"Pode ser que alguma coisa não tenha ficado exatamente igual aos que eles disseram, mas foi tudo baseado no depoimento", afirma Silveira.

Outro cuidado foi o distanciamento dos três jornalistas em relação às fontes.

Nenhum dos autores aparece visualmente na matéria, ao contrário do que faz Joe Sacco, o principal expoente do gênero jornalismo em quadrinhos e o inspirador do projeto baiano.

Esse distanciamento é fruto de um olhar pessoal do trio de jornalistas sobre o gênero.

No entender deles, não é qualquer assunto que pode virar reportagem em quadrinhos, mas sim aquele que render boas imagens.

O resultado pode ser lido também no blog do "Caderno Dez!", que tem disponibilizado as páginas da reportagem após a publicação.

As duas primeiras partes podem ser lidas nas postagens dos dias 6 e 13 deste mês.

Para acessar o blog, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h29
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19/11/2007

Justiça da Espanha condena chargistas por ironizarem príncipe

O vídeo acima mostra a leitura da sentença judicial que condenou o escritor Manel Fontdevilla e o desenhista José María Vásquez Honrubia ao pagamento de multa de 3 mil euros cada um (o equivalente a cerca de R$ 5.100).

A gravação foi feita no dia 13 deste mês, data da condenação, e reproduzida no dia seguinte no site espanhol "El Mundo". A cena também está disponível no UOL Vídeos.
 
O motivo da condenação é uma charge feita por Fontdevilla e Honrubia para "El Jueves", tradicional revista de humor gráfico da Espanha.
 
A charge, mostrada na capa de uma das edições de julho (ao lado), trazia o príncipe espanhol Filipe de Bourbon fazendo sexo com a esposa, a jornalista Letizia Ortiz.
 
O herdeiro do trono espanhol dizia, numa tradução aproximada:
 
- Viu? Se ficar grávida, isso vai ser a coisa mais parecida com trabalho que já fiz na vida!
 
A brincadeira se pautava na decisão do primeiro-ministro espanhol José Luiz Zapatero de dar 2.500 euros (cerca de R$ 4.300) a cada filho que os casais tivessem a partir de então.
 
A revista foi recolhida das bancas em julho por decisão da justiça.
 
Uma lei espanhola proíbe injúria a membros da Coroa. 
 
 
"Injurioso" foi o termo exato usado pelo juiz na condenação.
 
Os chargistas argumentaram que não tinham "nenhum sentimento de culpa" pelo desenho publicado.
  
A decisão da Justiça espanhola pautou a última edição da revista semanal.
 
Mais de uma história da "El Jueves" aborda o tema, sempre em tom de provocação.
 
Numa das brincadeiras, o desenhista Albert Monteys tenta imaginar o será feito com os 6 mil euros da multa (3 mil euros de cada um):
 
 
O grupo "Repórteres sem Froteiras", entidade internacional que defende a atuação livre da imprensa, condenou a decisão da justiça.
 
A organização também tinha se posicionado contra o recolhimento da revista em julho, classificando o caso como um "ato de censura".
 
Em nota no site da entidade, o grupo pede alteração na lei que defende a Coroa de críticas, de modo adequar a legislação penal "à sociedade da informação".
 
Quando o Blog noticiou o caso em julho, a Associação dos Cartunistas do Brasil também tinha visto no caso restrição à liberdade de imprensa (leia aqui).
 
Crédito: o desenho desta postagem foi reproduzido da página virtual do "El Jueves".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h06
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Júri do Salão de Paraguaçu Paulista define vencedores deste ano

 

A caricatura acima, da apresentadora e modelo Daniela Cicarelli, foi um dos desenhos premiados do 3º Salão de Humor de Paraguaçu Paulista, realizado no interior de São Paulo.
 
O trabalho foi feito por Bruno Rocha Maron, do Rio de Janeiro.
 
Além dele, o salão definiu os vencedores das outras quatro categorias: charge, tiras, cartum, e cartum temático (o assunto era "energia").
 
Um dos destaques foi o desenhista Musa Gumus, da Turquia.
 
Ele ficou em primeiro lugar na categoria charge e em terceiro na de cartum.
 
Os primeiros colocados em cada uma das categorias recebem prêmio de R$ 2.000 em dinheiro. Os segundos e terceiros lugares levam, respectivamente, R$ 1.000 e R$ 500.
 
O júri definiu e premiou os vencedores no fim de semana.
 
Já havia ocorrido uma seleção anterior, que definiu os 225 trabalhos que integram a exposição deste ano.
 
Esta terceira edição do salão de humor teve 1.400 trabalhos inscritos, 150 a mais do que no ano passado.
 
Veja abaixo os outros trabalhos que ficaram em primeiro lugar no salão deste ano.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cartum
 
 
Eduardo dos Reis Evangelista (Duke)
 
 
Belo Horizonte (MG)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cartum temático
 
 
Título:
É gato
 
 
João Carlos Matias do Nascimento
 
 
Rio de Janeiro (RJ)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Charge
 
 
Título:
Ballon
 
 
Musa Gumus
 
 
Turquia
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tiras
 
 
Título:
Sir Manoel
 
 
Evandro Alves
 
 
Lagoa Santa (MG)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Clique aqui para ver os outros trabalhos premiados na edição deste ano do salão de humor.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h31
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18/11/2007

Feira na USP vende livros -e quadrinhos- pela metade do preço

Começa na próxima quarta-feira, dia 21, a nona edição da Feira do Livro da USP (Universidade de São Paulo).

O grande atrativo do evento é o preço.

Para participarem, as editoras têm de dar pelo menos 50% de desconto nas obras.

Esta nona edição da feira vai reunir mais de cem editoras, algumas de quadrinhos.

É o caso da Conrad, da Via Lettera e da Peirópolis.

A feira vai de quarta a sexta-feira desta semana no saguão do prédio de História e Geografia da USP.

Vai funcionar das 9h às 21h (nos anos anteriores, o horário mais vazio era o da manhã).

Veja aqui a lista das editoras que participam da edição deste ano. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h41
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16/11/2007

Referências são ponto alto de encontro entre Planetary e Batman

Encontros de personagens de franquias diferentes tendem, em geral, a ser mais caça-níqueis do que histórias que primem pela qualidade.
 
Mas há exceções, sempre bem-vindas, que conseguem dar à reunião um algo mais.
 
É o que Warren Ellis e John Cassaday fazem com "Planetary/Batman - Noite na Terra", edição especial lançada nesta semana (Pixel, R$ 11,90).
 
Os dois autores são os mesmos que fazem a série "Planetary", da Wildstorm, um dos selos vinculados à editora norte-americana DC Comics, a mesma de Batman.
 
Eles trazem a este especial o mesmo clima da série, publicada na revista mensal "Pixel Magazine".
 
Há a mesma receita das demais histórias escritas por Ellis: suspense, mistério, sensação de não entender a trama e um choque cavalar de referências a outras obras dos quadrinhos.
 
E é nesse processo intertextual que o encontro consegue aquele "algo mais".
 
Os integrantes principais da equipe de exploradores do Planetary -Elijah Snow, Jakita Wagner e Baterista- desembarcam numa Gotham City diferente da mostrada nas revistas do homem-morcego.
 
O objetivo da empreitada é encontrar o autor de uma série de assassinatos.
 
A busca esbarra em Batman, ou melhor, em vários Batmans.
 
Uma espécie de pulso elétrico emitido pelo corpo do principal suspeito altera a realidade. Só não são afetados os membros do Planetary. A cada pulso, o Batman muda.
 
Pulso. Aparece o barrigudo e divertido Adam West do seriado de TV (que usa um bat-repelente-de-vilãs para se sair bem na luta).
 
Novo pulso. Surge o troncudo Cavaleiro das Trevas da minissérie homônima escrita e desenhada por Frank Miller no meio da década de 1980.
 
Outro pulso e entra em cena o Batman desenhado por Neal Adams no início dos anos 1970.
 
Há também o de Bob Kane, de 1939, devidamente armado.
 
O curioso da história está nessa sucessiva alternância de Batmans, que funciona como um bom teste para medir o volume de referências do leitor sobre o personagem.
 
Ajuda na identificação das várias fases o estilo do desenho, muito bem reproduzido por John Cassaday.
 
O diálogo visual com Neal Adams, em especial, é para agradar qualquer fã de Batman.
 
De resto, paira aquela sensação de ter perdido uma parte da trama, algo que não compromete a leitura e que não deve estranhar quem acompanha "Planetary" regularmente.
 
A edição tem 50 páginas e é lançada em formato maior, semelhante ao de revistas.
 
Nos Estados Unidos, a história foi publicada também numa edição especial, "Planetary/Batman - Night on Earth", vendida a partir de novembro de 2003. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h48
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15/11/2007

Benett: mais um tirista da nova geração apavora em livro

 

Há pelo menos três pontos em comum na talentosa nova geração de tiristas brasileiros.

Eles abordam temas diversificados, trazem inovações no uso da linguagem dos quadrinhos no limitado espaço físico da tira e ganham maior projeção após compilarem as histórias, geralmente feitas na internet, em edições impressas.

Foi o caminho seguido por André Dahmer e Allan Sieber, para ficar em dois exemplos.

E é trilhado agora também por Benett, que lança neste mês o álbum de tiras "Benett Apavora!" (Juruá Editora, R$ 28).

As 108 páginas da obra trazem material produzido no blog dele, criado em 2003, e no jornal "Gazeta do Povo", de Curitiba, cidade onde mora há uma década.

As tiras mesclam situações mais soltas, nas quais o que importa é a piada, com outras em que há personagem fixos –um moço de boné viciado em sexo e acompanhado em algumas histórias por um poltergeist com o rosto parecido com o de Groucho Marx.

"O sujeito de boné é uma espécie de versão piorada minha, se é que é possível", diz Benett, por e-mail.

"É meio autobiográfico, com a diferença de que não tenho um poltergeist de estimação e me recuso terminantemente a falar em ectoplasmas."

"Mas está tudo ali, de uma forma um pouco exagerada, caricata."

Alberto Benett –ou só Benett, como assina- diz que o álbum traz o melhor dele. Vê na obra uma forma de levar seu trabalho a mais pessoas.

"Funciona mais ou menos como uma banda independente que vende seus discos no Myspace", diz o desenhista, natural de Ponta Grossa, no Paraná.

A analogia com o Myspace é por causa das vendas do álbum, feitas parte em seu site, parte nas unidades da livraria Fnac de São Paulo e do Rio de Janeiro.

O site (acesse aqui) tem a vantagem de vender a obra mais em conta: sai por R$ 20, mais R$ 2 de frete. E ele ainda manda o exemplar com dedicatória desenhada.

"Acho que essa é a saída. Uma tiragem menor de livros –evita encalhes desnecessários- vendido para pessoas certas e ainda com a possibilidade de oferecer algo mais para o cara que compra."

No entender dele, a estratégia contorna o pouco espaço dos jornais dedicado a tiras novas e velhas.

"Não há espaço [nos jornais] e, mesmo que houvesse, eles pagam tão pouco..."

"Muitas vezes eles pensam ´Vamos dar uma grana tão miserável que nem vale a pena, porque o cara que aceita isso é tão fraquinho´. Sério, já vi essa discussão."

Com 33 anos, Benett tem no currículo um primeiro lugar na categoria tiras do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, em 2005.

No ano seguinte, ficou em terceiro na categoria quadrinhos do Salão Carioca de Humor.

Jornalista por formação, limitou a profissão a poucos textos publicados. Mas viu na formação uma ajuda na produção das charges, publicadas em diferentes jornais.

"Acho que, se não fosse o jornalismo, não seria capaz de fazer charges para o jornal", diz.

"Penso que uma faculdade de jornalismo faria bem para novos chargistas."

Influências?

"Se Schulz [criador de Snoopy] não existisse, eu não existiria", diz.

"E pretendo tatuar os rostos de Groucho Marx, Schluz e Woody Allen."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h12
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13/11/2007

A hora e a vez dos álbuns nacionais

O trem que conduz o quadrinho nacional começa a fazer uma curva rumo aos álbuns que trazem histórias maiores e bem trabalhadas, como ocorre na Europa.

 

A paisagem por onde o vagão passa já mostra alguns exemplos nestes meses finais do ano. Outros já estão programados para 2008.

 

A Desiderata ganhou destaque –e dinheiro- com a antologia do jornal alternativo “Pasquim”.

 

Depois, a editora carioca migrou para o humor gráfico e, agora, agregou também a produção de álbuns nacionais.

 

Dois começaram a ser vendidos neste mês.

 

“A Boa Sorte de Solano Dominguez” (capa ao lado) traz o trabalho mais recente de Wander Antunes.

 

É o mesmo Antunes que no meio do ano lançou pela Pixel o álbum ”O Corno que Sabia Demais e Outras Aventuras de Zózimo Barbosa”.

 

O novo trabalho é feito em parceria com o desenhista Mozart Couto.

 

Conta a história de Solano Dominguez, um cafetão que vivia às custas da prostituição da esposa.

 

Com a morte dela, vê na filha a tal “boa sorte” para continuar no ramo e com a renda fácil.

 

O outro lançamento é do falecido Flavio Colin (1930-2002).

 

Segundo a editora, parte da obra é inédita e foi obtida com a viúva do escritor e desenhista.

 

 “Caraíba”, nome do álbum, aborda um tema recorrente a Colin: a natureza e a proteção do meio ambiente, neste caso, da Floresta Amazônica.

 

Para a editora, as duas obras são apenas o início dos investimentos da editora nos álbuns nacionais.

 

“Vamos publicar outras, várias, muitas, todas que pudermos”, diz Lobo, editor da área de quadrinhos da Desiderata.

 

Lobo, ex-editor da extinta revista independente “Mosh!”, foi contratado especificamente para cuidar da área das novas publicações em quadrinhos.

 

A editora está em busca de outros roteiros. “Qualquer pessoa pode mandar o material pra gente que nós pensamos como colocar no mercado”, diz.

 

Por ora, a editora tem pelo menos três outros projetos.

 

Até o fim do ano, a Desiderata lança uma versão em quadrinhos de 18 contos dos Irmãos Grimm (leia mais aqui).

 

Todas as histórias foram produzidas por desenhistas brasileiros.

 

 

Para o primeiro semestre de 2008, já há outros trabalhos em andamento.

 

Um deles é “Copacabana”, assinado pelo próprio Lobo e desenhado por Odyr, diretor de arte da editora.

 

Segundo Lobo, trata-se da história de Diana, uma prostituta da Avenida Atlântica, do Rio de Janeiro (imagem acima).

 

“O Cabeleira”, outro álbum da editora, terá como foco um bandoleiro mau, que mata todos todos sem dó nem piedade.

 

A trama se passa no Nordeste brasileiro do século 18 e é produzida por Leandro Assis, Alan Alex e Hiroshi Maeda.

 

(Continua na próxima postagem)

Escrito por PAULO RAMOS às 19h49
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A hora e a vez dos álbuns nacionais - Parte 2

 

 

A Conrad já tem alguns trabalhos nacionais em catálogo e pretende ampliar esse número. Programa mais três ou quatro álbuns para 2008.

 

O mais próximo parece ser “Almirante Negro”, nome provisório para a história da Revolta da Chibata, ocorrida em 1910 (imagens acima e abaixo).

 

O ponto de vista da história estará em João Candido, o líder do movimento.

 

O álbum terá desenhos de Hemeterio e texto de Olinto Gadelha (leia mais aqui e aqui).

 

 

Outro álbum programado “Hi-fi” e será produzido por Marcelo Quintanilha.

 

A obra vai trazer várias histórias sobre o Rio de Janeiro.

 

Alexandre Linares, gerente de marketing da Conrad, defende que esse novo momento é conseqüência das adaptações literárias em quadrinhos e da compra de obras da área pelo governo federal.

 

“Esse boom fortalece também a produção de quadrinhos nacional”, diz ele, que vai se transferir para outra empresa, a Boitempo Editorial.

 

A paulistana Devir lançou neste ano a versão nacional de “Xingu!”, obra do brasileiro Sérgio Macedo que já tinha saído no exterior.

 

O desenhista prepara outro trabalho, este inédito, em que conta a história das tribos do Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso (leia aqui).

 

A editora diz que tem outros planos, mas nada oficializado até o momento.

 

A Companhia das Letras começa a buscar uma tradição na área de quadrinhos, inclusive nacionais.

 

A editora tem em catálogo “Santô e os Pais da Aviação”, biografia em quadrinhos feita por Spacca e a grande premiada do Troféu HQMix do ano passado (venceu quatro categorias).

 

O próximo projeto nacional também envolve Spacca.

 

A editora pretende lançar até o fim do ano “Dom João Carioca – A Corte Portuguesa no Brasil (1808-1821).

 

A obra é para marcar os 200 anos da vinda da Corte Portuguesa ao Brasil. O texto é de Lilia Moritz Schwarcz.

 

“Os quadrinhos são uma área que a gente está descobrindo e tem interesse em fazer mais coisas”, diz Thyago Nogueira, um dos editores da Companhia das Letras.

 

“A gente tem lido mais sobre o assunto”, diz.

 

Após esse projeto, Spacca volta à produção da obra que mostra o petróleo pautou parte da vida de Monteiro Lobato.

 

É possível, embora ainda não confirmado, que a obra seja publicada pela editora.

 

O quadrinho independente já possui pelo menos dois exemplos de álbuns nacionais, ambos produzidos pelos editores da revista mineira “Graffiti 76% Quadrinhos”.

 

O primeiro volume da “Coleção 100% Quadrinhos” foi “Um Dia Uma Morte”, de Fabiano Barroso e Piero Bagnariol. Foi lançado em maio deste ano (leia mais aqui).

 

O outro começou a ser vendido no início do mês. “O Relógio Insano”, de Eloar Guazzelli, traz uma história densa envolvendo o desaparecimento de uma pessoa, que reaparece inexplicavelmente.

 

É talvez o trabalho mais denso dele, tanto do ponto de vista da história quanto da condução da narrativa.

 

“A Coleção 100% Quadrinhos pretende ser uma evolução natural daquilo que vínhamos fazendo e também um desafio: editar longas histórias de autores nacionais”, diz Fabiano Barroso, um dos editores do projeto.

 

Os dois álbuns foram produzidos com verba de lei de incentivo à cultura da Prefeitura de Belo Horizonte.

 

O grupo busca novas fontes de renda, nos níveis municipal, estadual e federal.

 

Os novos projetos prevêem a continuidade dos álbuns nacionais e a produção de outros, temáticos, sobre o Rio São Francisco, a Estrada Real e Padre Cícero.

 

“Nossa proposta é, sim, continuar com os álbuns”, diz Barroso.

 

“Fizemos convites a outros autores, todos se interessaram e um deles já começou a trabalhar.”

 

A Editora Casa 21, do Rio de Janeiro, tem pronto um outro lançamento de Guazzelli.

 

“O Primeiro Dia – 12 Contos de Guerra” foi definida pelo escritor e desenhista como uma série de histórias curtas sobre os bastidores da guerra.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h48
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Whiteout antecipa estilo de Greg Rucka usado em outras histórias

O apelo de vendas do álbum "Whiteout - Morte no Gelo" (Devir, R$ 25) está no filme homônimo, programado para ser lançado no Brasil em 2008. 
 
Mas, para o público de quadrinhos, o atrativo é outro: o texto do americano Greg Rucka.
 
A trama, publicada pela primeira vez nos Estados Unidos em 1998, antecipa o estilo de narrar histórias que Rucka voltou a usar nas obras seguintes, em especial nas da editora DC Comics, de Batman e Super-Homem.
 
A primeira semelhança com os demais trabalhos dele é o uso de uma protagonista mulher, durona e vivendo no limite da lei. 
 
Em "Whiteout", o papel coube à agente federal Carrie Stetko, deslocada para a Antártida após matar um homem.
 
Pode-se ver em Stetko muito da detetive Renee Montoya e da espiã Sasha Bourdeaux, personagens que ele desenvolveu depois para as séries "Gotham City contra o Crime" e "Xeque-Mate", ambas da DC.
 

 
A segunda semelhança com outras obras de Rucka é o papel narrativo desempenhado pela protagonista. Ela tem de enfrentar algum tipo de investigação criminal.
 
O desafio de Stetko em "Whiteout - Morte no Gelo" é descobrir quem foi o autor dos assassinatos que dão nome à obra.
 
A outra semelhança é o suspense. Rucka, que completa 38 anos no fim do mês, sabe deixar no leitor aquela vontade de querer saber o que vai acontecer nas páginas seguintes.
 
Em "Whiteout", ele consegue manter esse desejo em quem lê. E garante pelo menos uma boa surpresa (envolvendo uma das mãos da protagonista) e uma reviravolta.
 
A edição da Devir, lançada no início do mês, reúne as quatro partes da minissérie da editora norte-americana Oni Press. 
 
É uma espécie de "edição definitiva" da trama, desenhada por Steve Lieber.
 
Rucka produziu uma seqüência, "Whiteout: Melt", e uma minissérie derivada, "Queen & Country". A Devir pretende lançar ambas no ano que vem.

Escrito por PAULO RAMOS às 16h06
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12/11/2007

A árvore genealógica de Schulz na figura de seus personagens

A revista "Época", que começou a ser vendida no fim de semana, traz mais uma matéria sobre "Schulz and Peanuts - A Biography", livro sobre a vida do criador de Snoopy.
 
O diferencial da reportagem, assinada por Marcelo Zorzanelli, é que traz uma espécie de "árvore genealógica" do autor no rosto dos personagens que criou.
 
As informações foram baseadas no livro biográfico de David Michaelis, lançado no mês passado nos Estados Unidos.
 
O autor defende que Charles Schulz, falecido em 2000, representou a si mesmo nas tiras de Snoopy e companhia (leia mais aqui).
 
 
 
As relações, segundo quadro apresentado pela revista, têm como elemento nuclear Lucy, menina que sempre ridiculariza Charlie Brown, dono de Snoopy.
 
A atitude dela seria uma forma de representar a primeira esposa, Joyce Halverson.
 
Charlie Brown -sonhador, melancólico e vítima do sarcasmo de Lucy- seria a representação do próprio Schulz quando criança.
 
 
O criador da tira, que começou a circular em 1950 nos Estados Unidos, teria ainda um segundo alter ego, Schroeder, menino que ficava sempre tocando piano (imagem acima).
 
Seria o Schulz adulto. O piano indicaria uma metáfora da tiras que criava, uma válvula de escape.
 
Reforça essa leitura o fato de Schroeder sempre ignorar Lucy, representação da primeira esposa.
 
Até onde se pôde apurar, a biografia não tem previsão de lançamento no Brasil. Mas pode ser importada.
 
Créditos das imagens desta postagem: sites www.overworm.com e http://ci.santa-rosa.com.ca.us

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h02
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10/11/2007

E se o Homem-Aranha tivesse morrido?

O jornalismo vive de informações e de boas histórias.

O fim desta semana trouxe um personagem jornalisticamente saborosíssimo.

Riquelme Wesley Maciel dos Santos, um menino de cinco anos, salvou um bebê de um ano e dez meses de um incêndio em uma casa em Palmeira, em Santa Catarina.

O detalhe que chamou a atenção da imprensa: ele vestia uma roupa semelhante ao uniforme do Homem-Aranha. Sem máscara, o traje deixava os braços e as pernas do menino de fora.

O assunto ganhou projeção após ser exibido na sexta-feira em uma reportagem da RBS, afiliada na TV Globo no sul do país.

Não demorou para a notícia ganhar destaque em outros veículos informativos.

À tarde, já era uma das chamadas da página principal do UOL.

À noite, a notícia foi reexibida no Jornal Nacional em tom de crônica, narrada pelo apresentador Willian Bonner.

Neste sábado, a foto do menino estampa a capa da "Folha de S.Paulo" e do "Estado de S.Paulo".

As reportagens traziam mais ou menos o mesmo enfoque.

O fogo ocorria na casa da vizinha, uma construção de cinqüenta metros quadrados, feita de madeira.

Aos prantos, a mulher percebeu que a casa pegava fogo.

Ela correu para o quarto onde estava a filha. Viu as chamas.

A fumaça e o fogo inibiram a entrada da mãe.

Mesmo assim, Riquelme, que brincava na casa, invadiu o quarto e salvou o bebê, deitado no berço.

Oitenta por cento da casa foi destruída. Ninguém se feriu.

Riquelme sentiu medo?

"Claro que não. O Homem-Aranha não é fraco e não tem medo", diz o menino, alçado a herói, em trecho da reportagem do Estado.

Os bombeiros tiveram registro rápida em todas as reportagens. Algumas nem os mencionaram).

Eles desaprovaram a atitude do menino, dado o perigo que correu.

"Ele poderia ter se tornado mais uma vítima", ponderou um dos bombeiros ao UOL.

Felizmente, ninguém se machucou.

Mas, como o enfoque dado ao caso foi lúdico, uso o artifício para imaginar um outro cenário.

E se o menino tivesse ficado ferido ou, pior, morrido?

Felizmente, não custa reiterar, não foi o que ocorreu.

Mas esse desfecho trágico poderia ter ocorrido, como alerta o próprio Corpo de Bombeiros.

Será que teríamos na mídia o mesmo olhar lúdico do menino que se sentiu super-herói e tentou um ato de bravura?

Ou será que o olhar seria na influência que um personagem exerceu num garoto de cinco anos, a ponto de ele se sentir um herói e perder a vida num incêndio?

Os anos de convivência com a grande imprensa me levam a crer na segunda alternativa.

É daquelas pautas prontas: mostra-se a tragédia da morte do garoto e usa-se a roupa de super-herói como algoz.

A mãe, no velório, chora. Gera automática comoção. 

Os bombeiros -agora, sim, ouvidos com destaque- condenariam a atitude do menino, como já condenaram.

Os repórteres iriam em busca de especialistas em psicologia infantil para que eles dissessem que a criança, com roupa de um herói, sentia-se o próprio personagem.

Afinal, alguém iria lembrar, foi o próprio garoto quem disse: "O Homem-Aranha não é fraco e não tem medo."

O termo "quadrinhos" seria inserido nas matérias com o conteúdo pejorativo que ainda carrega (embora, sabemos todos, isso tem mudado a passos largos de dois anos para cá).

Pessoas ligadas a quadrinhos dificilmente seriam ouvidas nas reportagens para dar o chamado "outro lado".

Por um detalhe simples: a maior parte da grande mídia não tem um ritmo de notícias de quadrinhos e, por isso, não possui contatos na área.

Mas algum jornalista lembraria no texto "a violência existente nas histórias em quadrinhos lidas pelas crianças".

Se alguma matéria citasse o mangá "Battle Royale" –no qual estudantes têm de matar uns aos outros-, o impacto seria ainda maior.

O enfoque da imprensa, em suma, de lúdico não teria nada.

A mídia voltaria à caça às bruxas de que os quadrinhos foram vítimas a partir da década de 1950 e que, ainda hoje, traz resquícios à área.

Felizmente, Riquelme dos Santos, vestido de Homem-Aranha, saiu ileso do salvamento.

Sem saber, o menino salvou também a imprensa de reproduzir o desgastado discurso estereotipado sobre as histórias em quadrinhos.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h24
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09/11/2007

Encontro em São Paulo reúne independentes Ragú e Graffiti

Um encontro raro na noite deste sábado em São Paulo reúne editores e autores da "Graffiti 76% Quadrinhos" e da "Ragú", duas das mais duradouras e bem-sucedidas revistas em quadrinhos independentes do país.

O evento é para o lançamento no número 16 da "Graffiti" e de uma sessão de autógrafos da quinta edição da "Ragú".

Mas a reunião dos criadores das duas revistas serve também para mostrar os pontos em comum que unem as duas experiências.

Tanto a mineira "Graffiti" quanto a pernambucana "Ragú" conseguiram se firmar no mercado.

A primeira existe desde 1995 e a segunda, desde a virada do século.

O que tem contribuído para a longevidade das duas publicações, que trazem histórias curtas de diferentes autores nacionais, é a força de vontade dos editores e o uso de verbas públicas.

Esta edição da "Graffiti", de 82 páginas, foi produzida com lei de incentivo à cultura da Prefeitura de Belo Horizonte.

O acordo previa para este ano duas edições da revista (a edição 15 foi publicada em março) e dois álbuns nacionais, também já lançados ("Um Dia, Uma Morte", de Fabiano Barroso e Piero Bagnariol, e "O Relógio Insano", de Eloar Guazzelli).

Os editores já disputam novos editais de verbas públicas, nos âmbitos municipal, estadual e federal. Mas garantem que a revista continua, mesmo que o dinheiro público não venha.

Um dos quatro editores, Fabiano Barroso, participa do encontro deste sábado.

A "Ragú" usa verba da Prefeitura de Recife.

A edição, já lançada em fevereiro deste ano, traz 30 contos em quadrinhos, parte em preto-e-branco, parte colorida.

A revista reúne autores conhecidos na área de quadrinhos, como Christiano Mascaro (também editor da obra e autor do desenho da capa), Osvaldo Pavanelli, Fábio Zimbres, Eloar Guazzelli e Lelis.

Os dois últimos também têm histórias na "Graffiti", outro elo entre as publicações.

O encontro deste sábado celebra involuntariamente a maturidade das duas boas experiências nacionais.

E serve de parâmetro do que se pode esperar do quadrinho nacional.

A reunião vai ser às 19h30 na "HQMix Livraria", novo espaço de quadrinhos mantido pelos responsáveis pelo "Jeremias o Bar".

A livraria fica na Praça Roosevelt, 12, no centro de São Paulo.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h01
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08/11/2007

Mauricio de Sousa critica sistema de distribuição setorizada

Mauricio de Sousa fez críticas ao sistema de distribuição setorizada de revistas em quadrinhos nas bancas brasileiras.
 
Por esse sistema, uma mesma revista não é lançada ao mesmo tempo em todo o país.
 
A publicação chega primeiro aos estados com maior poder de compra, como São Paulo e Rio de Janeiro, e depois ao restante do país. A estratégia é para evitar encalhe de material.
 
A crítica do criador da Turma da Mônica foi feita ontem num bate-papo virtual promovido pelo portal BOL.
 
Mauricio de Sousa respondia à pergunta de um leitor do Rio Grande do Sul.
 
O internauta -identificado como "MauriccioRS"- queria saber se o emprésário e desenhista considerava mais difícil escrever histórias com personagens mais maduros.
 
A resposta, na íntegra:
 
Aí no Rio Grande do Sul está saindo um gibi grande da Tina com novos temas avançados.
 
Por um problema de setor, de distribuição setorizada, os gibis não saem ao mesmo tempo no país.
 
Estou brigando por isso. Acham que em SP e RJ tem que sair primeiro.
 
Estou conversando com a distribuidora Dinap para fazer isso.
 
A distribuição de jornal já era assim há 30 ou 40 anos atrás e por que não poderia agora?
 
A revista da personagem Tina a que ele se refere é a minissérie "Tina e os Caçadores de Enigmas", em que os personagens são mostrados num traço um pouco mais realista.
 
O primeiro número da minissérie foi lançado em São Paulo há mais de um mês.
 
A obra é da Panini, editora onde Mauricio de Sousa publica suas revistas desde o início do ano (leia mais aqui).
 
Outras publicações especiais da editora têm sido vendidas de forma setorizada.
 
No bate-papo, mediado por Marcelo Tas, Mauricio de Sousa disse também que pretende estimular a leitura via Unicef (Mônica recebeu nesta semana o título de "embaixadora do Unicef no Brasil").
 
Falou ainda sobre um curioso comercial dos anos 60, que trazia Cascão tomando banho.
 
E reiterou que fará uma versão da Mônica em mangá, nome dado ao quadrinho japonês.
 
Clique aqui para ler o bate-papo na íntegra.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h02
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07/11/2007

Nanquim Descartável revela lado mais pessoal de Daniel Esteves

Nos lançamentos semanais de quadrinhos deste ano do "Jeremias o Bar", no centro de São Paulo, Daniel Esteves batia cartão sempre.
 
Nesta quinta-feira, é dele o destaque. O escritor de 25 anos lança em São Paulo, cidade onde nasceu, a revista "Nanquim Descartável", projeto pessoal dele, custeado com dinheiro próprio.
 
A publicação -associada ao selo independente Quarto Mundo- é o primeiro trabalho de destaque dele desde que venceu o Troféu HQMix deste ano na categoria roteirista revelação.
 
O prêmio foi por uma história publicada na "Front" (álbum que reúne trabalhos de diferentes quadrinistas).
 
O texto de Esteves ganha diferentes interpretações nas 26 páginas da história.
 
Muito disso se dá por ser desenhada por diferentes artistas: Wanderson de Souza, Júlio Brilha, Alex Rodrigues, Wagner de Souza, Mário Mancuso e Bira Dantas.
 
 
A história tem como protagonistas duas universitárias da USP (Universidade de São Paulo), Ju e Sandra. As duas têm na amizade e na paixão pelos quadrinhos o ponto que as une.
 
Sandra, por exemplo, é fanática por mangás. O lado introspectivo dela na trama é representado visualmente no estilo de desenho dos quadrinhos japoneses, recurso de metalinguagem que obra apresenta.
 
Esteves já pensa num segundo número. Pretende lançar outra edição até o fim do ano.
 
"A proposta da revista é ser uma série com personagens fixas", diz Esteves, também ele um "uspiano" (cursou História na USP).
 
"A idéia é criar uma série com uma dinâmica mais de seriado de TV, em que as edições podem ser lidas de forma independente sem criar uma cronologia que exija do leitor o conhecimento das edições passadas."
 
Mas, segundo ele, quem ler em seqüência, terá uma visão mais abrangente da personalidade das protagonistas.
 
 
Ju, estudante de jornalismo e escritora, é mais extrovertida. A amiga, desenhista e fã de mangás, é o oposto: introspectiva e com complexo de gordura.
 
Há na história um espírito de "Estranhos no Paraíso", série criada pelo norte-americano Terry Moore e publicada atualmente no Brasil pela editora HQM.
 
Esteves admite a inspiração de Moore, mas diz que bebe de outras fontes.
 
É neste ponto que começa a entrevista do Blog feita com ele, por e-mail.
 
                                                               ***                                                                 
 
Blog - Há muita semelhança com "Estranhos no Paraíso": duas protagonistas, amigas, moram juntas, cabelos parecidos com as personagens de Terry Moore. Há até uma menção rápida à série norte-americana na história. Você é fã da série? 

Daniel Esteves - Sou fã, sim, da série, mas eu não colocaria essa “semelhança” como algo tão claro. Tem influência, assim como tem influencia de outras coisas. O fator “duas protagonistas, amigas que moram juntas” é pura coincidência. Mas tenho outras influências pra esse tipo de material, como por exemplo, os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, "Love and Rockets" [dos irmãos Hernandes], Harvey Pekar e outras histórias alternativas ou independentes (tem um lançamento recente da Devir que vai nessa linha que eu achei muito bom: "11 Razões para Amá-la"). Essa questão de trabalhar com personagens reais e histórias cotidianas é bem presente nos quadrinhos no caso de tramas curtas sem continuação. Porém, em séries essa forma não é tão presente, o que me entristece e me impulsiona a criar algo assim. Acho que uma semelhança muito grande com Estranhos no Paraíso é o lado da amizade. Assim como a série do Terry Moore, a minha também tem como tema principal esse assunto. Mas daí isso não pode ser considerado uma semelhança no que concerne à trama, pois é o tema da história, e eu poderia tratar desse tema em outros tipos de tramas: policiais, espaciais, de terror, heróis etc.

 

 

Blog - Há um recurso de linguagem bem legal na história que é a inserção do estilo dos mangás ao se referir a uma das personagens. Como surgiu a idéia?

Esteves - Essa idéia foi “roubada” de desenhos animados e quadrinhos japoneses ou com influência de mangás. Acho um recurso interessante, mas não combina necessariamente com os desenhos de todos os artistas. No caso do Wanderson, Wagner e Alex, ficou muito bacana. Já com o Mancuso pediu uma ajuda, pois não achou que ficaria bom com o traço dele e a cena onde aparece essa distorção foi feita pelo Wanderson. Com o Julio, ele optou por deixar normais as cenas originalmente indicadas no roteiro com essa distorção e no final achei até melhor, pois destoaria muito do estilo dele.

 

Blog - Uma das protagonistas menciona na história que as melhores idéias surgem dirigindo ou no banheiro, durante o banho. Foi o seu caso com esta série?

Esteves - A série em si, não. Mas um grande trecho original da segunda história nasceu num banho. E exatamente por eu ter colocado um bloco de papel no box pra não perder idéias é que acabei jogando essa fala na história. Como digo posteriormente, a personagem Ju é baseada em mim, então eu realmente me sinto inspirado andando de carro ou tomando banho.

 

 

Blog - Os personagens são baseados em mais alguém real?

Esteves - Todos os meus personagens têm sempre algo de pessoas que eu conheço ou de mim mesmo. Porém, nessa série tenho aí uma personagem me representando de fato. Como no começo a idéia era uma dupla de quadrinistas, obviamente, querendo ou não, a roteirista começou a carregar características minhas. Mais pra frente, percebi que ela me representava na história em quadrinhos. Ela é roteirista, tem meus gostos de leitura, musicais e meu jeito. Lógico que ela tem diferenças, pois é uma personagem, mas, conforme vou escrevendo, mais e mais coisas vão se aproximando... até mesmo um pequeno detalhe que me diferencia bastante dele, quando se aproximou da minha vida pessoal me fez colocar novos elementos na personagem. A Sandra é mais um contraponto. Tem características de um ou outro amigo, assim como minhas, mas não é alguém específico. As características delas vieram mais para criar uma interação interessante com a outra personagem. Já o Tuba [redução de "Tubarão", jovem com fama de conquistador que cruza o caminho das personagens] é parcialmente inspirado num amigo meu. Tanto visual quanto algumas características psicológicas. Não posso dizer que é tudo, pois ele não faz quadrinhos e várias outras coisas que aparecem não são da personalidade desse amigo. O mendigo Malaca, que aparece na história, no visual é uma homenagem ao cartunista Bira [Dantas]. Na verdade, o mendigo que mora perto da casa delas tinha esse lado de ter feito quadrinhos, daí eu quis homenagear alguém e o fiz com o Bira (meio estranho dizer que um mendigo é homenagem a alguém, mas é!).

 

Serviço: o lançamento de "Nanquim Descartável" é nesta quinta-feira, às 19h30, na HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo).

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h00
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06/11/2007

Álbum nacional trará histórias dos Irmãos Grimm em quadrinhos

Um álbum nacional, programado para ser lançado ainda este ano, vai fazer uma versão em quadrinhos de contos dos Irmãos Grimm.
 
Segundo a editora Desiderata, responsável pelo projeto, o livro terá 18 histórias.
 
Lobo, editor de quadrinhos da Desiderata, diz que a idéia da obra surgiu de uma provocação.
 
"Seria muito legal se a gente fizesse um álbum imaginando se os Irmãos Grimm fossem quadrinistas", diz, por telefone. "Como eles criariam as histórias?"
 
A resposta envolveu mais de 15 desenhistas brasileiros, debruçados em contos escritos pelos alemães Jacob (1785-1863) e Willhelm Grimm (1786-1859).
 
Os dois irmãos compilaram em forma de contos literários as várias narrativas orais populares que ouviam no início do século 19. Várias são famosas até hoje. 
 
Veja abaixo como ficaram trechos de algumas das histórias.
 
 
A Gata Borralheira, adaptada por Fido Nesti, mesmo autor de "Os Lusíadas em Quadrinhos"
 
 
 
Rapunzel, desenhada por Fábio Lyra, desenhista revelação no Troféu HQMix deste ano
 
 
 
João Sortudo, produzido no divertido traço de Rafael Sicca
 
 
 
O Velho Sultão, por Alan Alex 

Escrito por PAULO RAMOS às 19h19
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05/11/2007

Pesquisa da Federal do Paraná analisa literatura em quadrinhos

O estrondo do ressurgimento das adaptações literárias em quadrinhos dá os primeiros ecos na universidade. Uma pesquisa da Universidade Federal do Paraná é um dos primeiros estudos do país a dar respostas científicas para o tema.
 
O mestrado, de autoria de Lielson Zeni, foi defendido na semana passada.
 
A pesquisa comparou o clássico "A Metamorfose", do tcheco Franz Kafka (1883-1924), com a adaptação em quadrinhos homônima feita pelo norte-americano Peter Kuper (lançada no Brasil pela Conrad).
 
A escolha do livro, trabalho mais lembrado de Kafka, surgiu da necessidade de abordar uma obra que aliasse quadrinhos e literatura de modo "inegável", nas palavras de Zeni.
 
 
Zeni tentou estudar o trabalho de Lourenço Mutarelli, passou para outro tema ("que recebeu o conselho de troque") até chegar à história de Gregor Samsa, homem que acordava metamorfoseado num inseto gigante (enredo da obra de Kafka, mostrado acima na versão em quadrinhos).
 
"Escolhi uma [obra] com que eu tivesse alguma afinidade e interesse no autor", diz ele, que mora há sete anos em Curitiba. "Além do mais, poucas coisas são mais canônicas que Kafka."

Zeni é publicitário, mas mantém um braço na área de letras e literatura, onde fez a pós-graduação. Nascido há 27 anos na cidade paranaense de Francisco Beltrão, defende que não há adaptação sem transformação.
 
É uma das conclusões do mestrado "A Metamorfose da Linguagem: Análise de Kafka em Quadrinhos", nome dado à pesquisa, que ficou com pouco mais de 150 páginas.
 
Nesta entrevista, feita por e-mail, Zeni detalha um pouco mais o estudo e fala como vê o ressurgimento do gênero literatura em quadrinhos no Brasil.
 
                                                              ***

Blog - O que você procurou mostrar em seu estudo?
Lielson Zeni - Que a linguagem necessita de transformação quando é passada para um outro meio. O mito da fidelidade absoluta é um paradoxo: se mantivermos tudo que existe em um livro na adaptação cinematográfica, perderemos a eficiência do meio texto escrito e não teremos as habilidades do cinema. Algumas coisas necessitam ser transformadas para termos uma pretensa fidelidade da recepção. Se é que há o interesse por essa fidelidade.
 
Blog - Você chegou a algum tipo de conclusão?
Zeni - Uma das conclusões é que a análise de uma adaptação ajuda muito a entender a obra original. É um excelente instrumento pedagógico. Outra conclusão que tirei é que toda adaptação recupera em grande parte a história, a sinopse dos eventos de seu original e que ela tem a intenção de se parecer com o original, de lembrar o original, de criar uma ponte de contato com ele. E, talvez a mais importante, que uma adaptação é uma leitura da obra original e não a leitura definitiva.
 
 
Blog - No caso de "A Metamorfose", quais as diferenças entre a versão letrada e a feita em quadrinhos?
Zeni
- Bem, tem um problema interessantíssimo de saída: Franz Kafka não queria que nenhuma imagem da criatura na qual Gregor Samsa se transformou fosse mostrada. Aqui já temos uma diferença obrigatória de intenção entre os dois artistas. Como eu esperava, muitas das leituras que podemos fazer a partir da prosa desaparecem ou perdem destaque na versão em quadrinhos. E -uma característica muito típica dos quadrinhos, sobretudo dos quadrinhos norte-americanos- a versão em quadrinhos é mais veloz. Os eventos acontecem de modo muito mais rápido que no
texto, o que causa uma outra percepção da história.
 
Blog - Qual -ou quais- a diferença que você vê no processo de adaptação em quadrinhos? Há algum tipo de perda ou ganho nessa transposição?
Zeni - Ao mudar de meio, muda-se a linguagem obrigatoriamente. Ao mudar uma história que está em um meio para outro, haverá perdas e haverá ganhos. No caso específico de adaptar para quadrinhos, um elemento que será comum para adaptações oriundas de qualquer meio é a imagem estática que, ao lado de outra imagem estática, cria um movimento imaginado, com provável presença de texto e imagem conjugados.
 
 
Blog - O gênero literatura em quadrinhos voltou a ganhar destaque no país. Com base em seu estudo, como você analisa as adaptações que foram feitas de um, dois anos para cá?
Zeni
- A
cho que tem muita coisa boa sendo criada. Mas, no geral, elas ainda são muito paradidáticas. Poucos se aventuraram a mexer um tanto no texto. Parece um tipo de respeito pelos figurões da literatura. Fazer uma coisa bem simples, como usar um traço menos realista, como em "A Relíquia", do Marcatti. O resultado foi excelente. Tem também o trabalho do "Domínio Público", mas, como ainda não vi, prefiro não falar muito. Mas a proposta é a de fazer algo mais livre, o que é bastante interessante. Acredito que, com o tempo, teremos mais adaptações com essa intenção, o que acho muito bom, pois valoriza ainda mais a obra adaptada.
 
Blog - Muito se discute se quadrinhos são literatura. Você abordou o assunto na dissertação? Defende algum ponto de vista a respeito?
Zeni - Não abordei propriamente o tema, mas fica claro na minha dissertação que considero que quadrinhos e literatura são duas artes diferentes, pois são meios diferentes que usam linguagens diferentes para expressar. Creio, porém, ser possível usar instrumental teórico de literatura, teatro, cinema para analisar histórias em quadrinhos com os devidos cuidados de especificidade de cada um desses meios.
 
 
Blog - O governo federal tem priorizado adaptações literárias em quadrinhos no PNBE (Programa Nacional Biblioteca na Escola). No seu entender, é mais eficiente o aluno ter um primeiro contato com a obra original ou com a versão em  quadrinhos?
Zeni - U
ma abordagem ao texto literário mediado por adaptações dele é um processo bastante interessante e revelador. Se o foco de análise é o texto literário. Creio que a leitura deve se concentrar primeiramente em analisar esse texto texto literário e só então partir para as adaptações. Nesse caso, a adaptação será tratada como paradidática.
 
Blog - Você sentiu alguma resistência na Federal do Paraná para estudar quadrinhos de um ponto de vista literário?
Zeni - Tive algumas dificuldades, sobretudo no começo. Um professor confundiu charge com tiras e disse ser impossível tratar do tema pelo viés da literatura. Mas, depois que passei a tratar com adaptação, não tive mais problemas.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h07
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Encontro no ABC discute pesquisas em quadrinhos

Um seminário nesta semana vai debater pesquisas universitárias realizadas no último ano em cursos de pós-graduação.

 

O 2º Seminário de Pesquisa de Histórias em Quadrinhos vai ocorrer na quarta-feira à tarde na Universidade Metodista, em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista.

 

O evento é promovido pela Faculdade de Educação e Letras da universidade e pelo Núcleo de Pesquisa em História em Quadrinhos da USP (Universidade de São Paulo).

 

O encontro vai reunir cinco estudos. Veja a programação:

 

13h30 - Abertura

 

13h40 – Apresento o resultado de meu doutorado, que comparou tiras cômicas e piadas. A pesquisa foi realizada na USP e concluída em maio deste ano (leia aqui).

 

14h20 – Mesa sobre “História em Quadrinhos, Cultura e Educação: Narrativas Contemporâneas”, sob coordenação de Roberto Elísio dos Santos, professor da Universidade Imes. O debate é com base em duas pesquisas:

  • “Fanzines de quadrinhos, narrativas contemporâneas e culturas juvenis”, de Elydio dos Santos Neto, da Universidade Metodista
  • “O simulacro caipira nas Histórias em Quadrinhos de Chico Bento”, mestrado realizado na PUC-SP por Cláudia Aparecida Teodoro

15h50 – Mesa sobre “Histórias em Quadrinhos e Educação Científica (Geografia e Universidade)”, sob coordenação de Waldomiro Vergueiro, professor da USP. Há dois trabalhos na mesa:

  • “As histórias em quadrinhos como informação imagética integrada ao ensino universitário”, doutorado produzido por Gazy Andraus na USP. A pesquisa venceu o Troféu HQMix de melhor tese de 2006 (leia mais aqui)
  • “A representação do espaço nas histórias em quadrinhos do gênero super-heróis: a metrópole nas aventuras de Batman”, mestrado de Angela Rama produzido na USP (saiba mais aqui)

A proposta do seminário de pesquisas em quadrinhos, iniciado em novembro do ano passado, é ser realizado sempre em uma universidade diferente.

 

Em 2006, o encontro ocorreu na Universidade Imes, em São Caetano do Sul, também na região do ABC paulista (leia mais aqui).

 

A participação é gratuita. Mas os organizadores pedem que os interessados se inscrevam antes (pelo tefone (11) 4366-5406 ou pelo e-mail regina.luz@metodista.br).

 

O campus Vergueiro da Universidade Metodista, local do seminário, fica na avenida Senador Vergueiro, 1301, em São Bernardo do Campo.

Escrito por PAULO RAMOS às 10h10
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03/11/2007

Amplia número de obras com histórias infantis para adultos

Ainda não são todas as editoras que investem neste filão. Mas começa a se consolidar um modelo de publicação com histórias infantis voltadas ao leitor adulto.

O apelo das obras está na reedição de histórias que foram lidas quando os adultos de hoje eram as crianças de ontem.

A diferença está no tratamento editorial, com álbuns bem trabalhados e em formato maior.

O preço -também maior, em torno de R$ 20- é voltado à realidade do leitor de poder aquisitivo mais alto.

"Luluzinha – Tarde de Domingo", que começa a ser vendido neste fim de semana, é o quinto álbum da série que relança as histórias clássicas da personagem, criada em 1935.

A editora Devir, que publica os álbuns, planeja mais volumes para 2008.

"Nós não temos uma pesquisa sobre o assunto, mas pra gente é evidente que os leitores são adultos", diz Leandro Luigi del Manto, editor da Devir.

Ele diz que de todos os telefonemas de leitores que recebe na editora, a maior freqüência é de adultos querendo saber sobre os próximos volumes da personagem.

"O público comprador é quem se lembra da época da [editora] Abril", diz. A Abril publicou a revista de Luluzinha e Bolinha até a primeira metade da década de 1990.

Embora não edite mais Luluzinha, a Abril foi uma das primeiras a tatear o público adulto com material infantil.

A editora lançou em abril de 2004 a coleção "O Melhor da Disney – As Obras Completas de Carl Barks" (ao lado, a capa da primeira edição).

A série reedita as histórias escritas e desenhadas por Carl Barks, o verdadeiro criador das aventuras passadas em Patópolis (por anos, achou-se que o autor delas fosse Disney).

A coleção, lançada em formato maior e com papel especial, é a mais duradoura do gênero. Está na 32ª edição.

A editora Panini passou a investir nesse público por meio dos personagens de Mauricio de Sousa. Duas edições tem foco também no leitor adulto.

A primeira é "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica", que relança em ordem cronológica as primeiras histórias curtas dos personagens.

A segunda obra é "As Primeiras Revistas da Turma da Mônica".

É uma caixa que tras as primeiras edições de "Mônica" (de 1970), "Cebolinha" (1973), "Cascão" (1982), "Chico Bento" (1982) e "Magali" (1989). A editora manteve o formato das atuais revistas da Turma da Mônica.

A proposta da Panini é dar continuidade às séries.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h57
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Definidos selecionados do Salão de Humor de Paraguaçu Paulista

O júri do 3º Salão de Humor de Paraguaçu Paulista definiu os selecionados para a edição deste ano.

Foram indicados 225 trabalhos nas cinco categorias do salão: charge, tiras, cartum, caricatura e cartum temático.

No item cartum temático, os desenhos tinham de ser sobre "energia".

O júri define os finalistas no feriado de 15 de novembro, quando têm início oficinas e palestras ligadas ao evento.

Os vencedores em cada uma das categorias vão ser divulgados ao público na abertura oficial do salão, marcada para o próximo dia 17, às 20h.

Os primeiros colocados das cinco categorias ganham um prêmio de R$ 2.000 em dinheiro.

Os segundos lugares levam R$ 1.000 e os terceiros, R$ 500.

Apesar de recente, o Salão de Humor de Paraguaçu Paulista, realizado na cidade homônima do interior de São Paulo, tem ganhado destaque a cada nova edição.

Neste ano, foram mais de 1.400 trabalhos inscritos. A edição passada, houve 1.250.

A lista dos selecionados e a programação podem ser vistos no site oficial do salão. Para acessar, clique aqui.

Veja os vencedores do ano passado neste link.

Escrito por PAULO RAMOS às 11h49
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02/11/2007

Professor precisa ser alfabetizado em quadrinhos, diz especialista

Só comprar histórias em quadrinhos e distribuir nas escolas do ensino fundamental, como faz o governo federal, não significa que a obra seja bem utilizada na sala de aula.

A opinião é de Waldomiro Vergueiro, professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e coordenador do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da USP.

"Chegar à escola e colocar na estante não é suficiente, mas é alguma coisa", diz.

"É preciso que os professores tenham seu projeto pessoal de aplicação dos quadrinhos."

No entender dele, os responsáveis pelo ensino precisam ser instruídos sobre a linguagem dos quadrinhos para, a partir daí, pensar as práticas pedagógicas.

"Eu diria que boa parte dos professores ainda não pensou seriamente a respeito", diz.

"Eles precisam se informar sobre as histórias em quadrinhos."

Esse "informar" é o que o pesquisador tem chamado de "alfabetização em quadrinhos".

O assunto foi pontuado por ele em "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula", livro organizado por ele e por Angela Rama (e do qual sou um dos co-autores). A primeira edição da obra foi lançada em 2004.

A falta de familiaridade com o tema pode resultar em práticas que usem os quadrinhos apenas de forma superficial.

Um exemplo disso foi visto no mês passado num colégio da cidade de São Paulo.

A professor do terceiro ano do ensino fundamental usou uma história curta de Suriá, personagem infantil desenhada por Laerte. A narrativa foi extraída de "Folha de S.Paulo" de 28 de setembro de 2002.

Havia dois balões na história, um no primeiro quadrinho e outro no terceiro.

A professora pediu aos alunos como lição de casa que reescrevessem "as falas dos balões usando travessões". E só.

A deficiência docente ecoa no processo de leitura dos alunos, em especial com textos que envolvem imagens, como os quadrinhos.

Pesquisa divulgada pelo jornal "Folha de S.Paulo" há um mês mostrava que alunos paulistas dos ensinos fundamental e médio apresentavam nível de leitura aquém da série que cursavam.

Os dados, baseados no Saeb (exame federal de averiguação de aprendizagem), indicavam, por exemplo, que 43,1% dos estudantes do terceiro ano do ensino médio demonstravam processo de leitura semelhante ao esperado dos alunos do oitavo ano do fundamental.

De cada dez estudantes do colegial, quatro não conseguiam entender o humor de uma tira cômica.

A inclusão dos quadrinhos na escola foi oficializada no PCN (Parâmetro Curricular Nacional), elaborado pela administração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

O parâmetro sugeria conteúdos a serem usados pelos professores em sala de aula.

Os quadrinhos são citados especificamente nas disciplinas de artes e língua portuguesa.

Depois disso, tiras e charges têm sido tema de questões do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) desde a criação da prova.

No Enem deste ano, o exame usou uma charge de Angeli e uma tira de "Níquel Náusea", de Fernando Gonsales (leia mais aqui).

Na administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os quadrinhos têm sido vistos como forma de estímulo à leitura.

O raciocínio do governo é que os quadrinhos podem ser uma forma de os alunos ingressarem no mundo da leitura (leia mais aqui).

É por isso que os quadrinhos passaram a integrar a lista do PNBE (Programa Nacional Biblioteca na Escola), que distribui livros às escolas do ensino fundamental.

O PNBE incluiu quadrinhos pela primeira vez na lista de 2006 (leia aqui). O material foi distribuído neste ano.

Na mais recente lista, referente às obras para 2008, figuram oito títulos em quadrinhos.

Leia os selecionados na postagem abaixo.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h40
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Quadrinhos incluídos na lista do PNBE/2008

  • A Turma do Xaxado - Volume 2 (Cedraz)
  • Courtney Crumrin & As Criaturas da Noite (Devir)
  • Hans Staden (Conrad)
  • Mitos Gregos - O Vôo de Ícaro e Outras Lendas (Clássicos em Quadrinhos /Ática)
  • Os Lusíadas em Quadrinhos (Peirópolis)
  • Pequeno Vampiro Vai à Escola (Jorge Zahar)
  • Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda (Clássicos em Quadrinhos/Ática)
  • 25 Anos do Menino Maluquinho (Globo)

Um outro título que integra a lista, "Lampião e Lancelote" (Cosac Naify), mescla elementos de quadrinhos e de livro ilustrado. Por não ser exclusivamente uma história em quadrinhos, não aparece na relação acima. Mas também merece menção.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h38
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01/11/2007

Fest Comix tem menos lançamentos que edições anteriores

A nova edição da Fest Comix, uma das principais feiras de quadrinhos do país, vai ter menos lançamentos se comparada às versões passadas. O evento começa nesta sexta-feira em São Paulo e vai até domingo.
 
Na penúltima edição, realizada em 2006 também no início de novembro, houve 25 lançamentos.
 
Na última, no fim de junho deste ano, houve 30 títulos novos.
 
Segundo a organização da Fest Comix, o número menor de obras novas se deve a uma espécie de "entressafra" editorial.
 
Até o momento, estão previstos pelo menos quatro lançamentos: 
  • o encadernado "Lanterna Verde: Renascimento" (Panini)
  • "Luluzinha - Tarde de Domingo" (Devir)
  • "Whiteout - Morte no Gelo" (Devir)
  • "Cão" número três (Quarto Mundo)
Mas, como nas edições anteriores, trata-se de uma previsão. Pode ser que as obras não cheguem a tempo ou que outras, não programadas, sejam lançadas.
 
Os demais lançamentos anunciados já estão à venda em bancas, lojas especializadas em quadrinhos ou livrarias.
 
O destaque, desta vez, vai estar nas palestras, nos descontos e numa novidade: a presença de quadrinistas independentes.
 
As palestras vão tomar os três dias da feira de quadrinhos, promovida pela loja Comix, de São Paulo.
 
A pauta da sexta-feira conta com Cassius Medauar, editor da Pixel, e com palestras de vários autores independentes.
 
Os independentes, aliás, estão presentes nas palestras dos três dias do evento.
 
No sábado, participam desenhistas Fábio Moon, Gabriel Bá, Laerte, artistas que atuam no mercado norte-americano e editores da HQM.
 
No domingo, estão programadas palestras de Rogério Saladino e Levi Trindade, editores da Panini/Mythos, e Marcelo del Grego, editor-chefe da JBC.
 
Os descontos, o principal atrativo da feira de quadrinhos, variam conforme a obra.
 
O desconto mínimo é de 20%, inclusive para os últimos lançamentos de quadrinhos.
 
A dica é olhar a relação de ofertas, pesquisar os preços e fazer uma lista para não se perder nem para gastar mais do que o previsto.
 
A relação de obras, e a programação completa, pode ser vista no site do Fest Comix, que está na 13ª edição.
 
Para ver, clique aqui.
 
O Fest Comix vai até domingo no centro de eventos do Colégio São Luís, em São Paulo (rua Luís Coelho, 323, perto do metrô Consolação).
 
Sexta e sábado, fica aberto das 10h às 20h. Domingo, das 10h às 20h.

Escrito por PAULO RAMOS às 18h28
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Encontro entre Lampião e Lancelote ganha Prêmio Jabuti

 
 
 
 
 
 
Capa do livro ilustrado, escrito e desenhado por Fernando Vilela
 
 
 
 
 
 
 
"Lampião & Lancelote" - obra que fica na exata linha divisória entre quadrinhos e livro ilustrado- venceu o Prêmio Jabuti deste ano na categoria "ilustração de livro juvenil ou infantil". Os vencedores foram divulgados ontem à noite, em São Paulo.
 
A premiação, mantida pela Câmara Brasileira do Livro, é uma das prestigiadas do país na área de literatura e está na 49ª edição.
 
O livro do artista plástico paulistano Fernando Vilela foi lançado em outubro do ano passado pela editora Cosac Naify.
 
A obra, produzida em capa dura e papel especial, promove um imaginário encontro entre o cangaceiro Lampião e Lancelote, cavaleiro da Távola Redonda.
 
O diferencial da publicação é o método utilizado por Vilela para compor os desenhos. As imagens foram feitas por meio de carimbos, produzidos artesanalmente por ele.
 
"Lampião & Lancelote" é uma das obras incluídas no PNBE (Programa Nacional Biblioteca na Escola), do governo federal.
 
O programa distribui livros e quadrinhos a escolas do ensino fundamental.
 
O Blog entrevistou Fernando Vilela no ano passado, quando ele lançou o livro.
 
Na matéria, há mais imagens da obra. Para ler, clique aqui e aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h43
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