31/10/2007

Coleção sobre história das HQs traz erros sobre produção brasileira

Uma coleção espanhola que narra a história dos quadrinhos comete falhas na referência a personagens e autores brasileiros.
 
"Del Tebeo al Manga: Una Historia de Los Cómics" é publicado pela editora Panini da Espanha.
 
Os problemas sobre o quadrinho brasileiro estão no segundo volume, dedicado a "tiras de humor crítico para adultos" (capa abaixo).
 
O Blog teve acesso à obra. Das 208 páginas, duas são dedicadas às tiras brasileiras. 
 
Há nelas pelo menos sete equívocos:
 
  • diz que o escritor Marcelo Rubens Paiva, de "Feliz Ano Velho", é o autor da tira "Gatão de Meia Idade"; a tira é de Miguel Paiva
  • Henfil é chamado de "Enrique de Sousa", e não Henrique de Souza Filho
  • "A Gazeta Juvenil" é resumida como "A Gazeta"
  • a obra, dedicada a tiras adultas, inclui Mônica e Cebolinha, de Mauricio de Sousa, e Turma do Xaxado, de Cedraz; ambas trazem tiras infantis, e não de temática adulta
  • a obra cita quase todas as tiras brasileiras adultas de destaque, mas, inexplicavelmente, não menciona "Chiclete com Banana", de Angeli, uma das mais importantes do gênero
  • o escritor José de Alencar é grafado como "José de Alentar"
  • há menção à "Facultad de Arquitetura Rango de la Universidade Federal do Rio Grande do Sul"
Os erros não desabonam a coleção. Mas exigem dela uma leitura mais atenta.
 
A série foi programada para ter 12 volumes temáticos. O dedicado às tiras adultas (ao lado) é o segundo a ser lançado.
 
O primeiro era sobre os quadrinhos publicados na imprensa diária ("Los cómics en la prensa diaria: humor y aventuras").
 
O próximo é sobre super-heróis e outros gêneros ("El comic-book: superhéroes y otros géneros").
 
O Blog entrou em contato com a filial espanhola da Panini na terça-feira à noite.
 
O contato, feito por e-mail, questiovana o processo de apuração das informações sobre os quadrinhos brasileiros. 
Até o momento, a empresa não respondeu à mensagem.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h51
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Projeto de quadrinhos na escola não leva prêmio de incentivo à leitura

O projeto de uma escola paulista que usava quadrinhos na escola não ganhou o Prêmio Vivaleitura 2007, do governo federal.
 
A premiação seleciona experiências de incentivo à leitura.
 
O trabalho com quadrinhos, feito em Pompéia, no interior paulista, tinha ficado entre os cinco finalistas da categoria escolas públicas e privadas.
 
O prêmio foi para um projeto de Barra Mansa, no Rio de Janeiro. Os vencedores foram divulgados na terça-feira à noite. Os nomes constam no site do prêmio.
 
Nas outras duas categorias -bibliotecas públicas e sociedade, que inclui universidades, empresas e ONGs-, os prêmios foram, respectivamente, para duas experiências feitas em Minas Gerais.
 
Cada um dos vencedores levou um prêmio em dinheiro no valor de R$ 25 mil.
 
Ao todo, o Vivaleitura teve 15 finalistas, de nove estados do país. O prêmio teve 1.855 iniciativas inscritas.
 
É a segunda edição do Vivaleitura. O prêmio está atrelado ao PNLL (Plano Nacional do Livro e Leitura), órgão do governo federal que concentra políticas de estímulo à leitura.
 

Os quadrinhos, merece menção, já fazem parte dessa política.

 

Há dois anos, eles fazem parte da lista do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), que leva obras a escolas do ensino fundamental.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h05
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30/10/2007

Autor de Guerra dos Gibis vê caso de plágio em novo livro sobre Ebal

O jornalista Gonçalo Junior acusa de plágio o autor do livro "Ebal - Fábrica de Quadrinhos: Guia do Colecionador". A obra, escrita pelo pesquisador Ezequiel de Azevedo e publicada pela Via Lettera, começou a ser vendida neste mês.
 
Gonçalo diz que 90% do conteúdo dos dois primeiros capítulos são cópia de "A Guerra dos Gibis", livro escrito por ele e lançado em dezembro de 2004 pela Companhia das Letras. Azevedo nega o plágio.
 
O ponto comum entre as duas obras é a trajetória de Adolfo Aizen (1907-1991) e de sua empresa, a extinta Ebal (Editora Brasil-América), que se tornou uma das principais editoras da história do país.
 
No livro de Ezequiel, de 111 páginas, o assunto é abordado em três capítulos da primeira metade da obra. A outra parte do livro traz um catálogo com capas do primeiro número de revistas da editora.
 
Segundo Gonçalo Junior, a semelhança com "A Guerra dos Gibis" está na estrutura de organização das informações e na proximidade do conteúdo sobre Ebal e Aizen.
 
A obra de Azevedo faz uma menção a "A Guerra dos Gibis", mas não no texto. O livro é um dos 26 títulos mencionados na bibliografia, mostrada na página 111.
 
"Se ele queria fazer um catálogo das capinhas da Ebal, eu até entendo. Mas ele pegar meu livro, não", diz o jornalista, por telefone.
 
"Eu não sou dono dos fatos, mas as pessoas têm de pesquisar", diz. "Ele poderia fazer o que quisesse, desde que citasse a fonte."
 
"Esta semana vou consultar um advogado em direito autoral para avaliar se é possível uma retratação ou uma outra edição corrigida em que [ele] cite a fonte de onde tirou as informações."
 
O assunto veio a público no início desta semana. O caso foi o tema da coluna que Gonçalo mantém no site Bigorna, especializado em notícias sobre quadrinhos e cultura pop (leia aqui).
 
No texto, de oito parágrafos, o jornalista expõe erros de informação que encontrou na obra e afirma que "um perito criminal não teria muitas dificuldades em apontar o livro da Via Lettera como uma peça de plágio a 'A Guerra dos Gibis'".
 
Outro lado.
 
Ezequiel de Azevedo diz que não houve plágio. 
 
Ele diz que usou a obra de Gonçalo Junior como uma das fontes de informações e que a mencionou na bibliografia. Mas afirma que se baseou também em outras fontes para compor o texto, em especial os depoimentos dos filhos de Aizen, Naumim e Paulo Adolfo.
 
"O Naumim e o Paulo Adolfo passaram muita coisa a ele [Gonçalo Junior] e a mim também. A fonte é a mesma", diz Azevedo, por telefone. "Acho que daí a semelhança."
 
O pesquisador diz que os dois irmãos leram a versão final do livro e deram consentimento sobre o conteúdo. Ele lembra que Paulo Adolfo aceitou assinar o prefácio do livro e que a obra foi autorizada pela família.
 
No texto de abertura, o filho de Aizen diz que "Fábrica de Quadrinhos" é para "guardar e consultar" e que "Adolfo Aizen, se vivo fosse, estaria muito satisfeito com o lançamento e a homenagem."
 
Azevedo admite que, apesar da leitura prévia dos filhos de Aizen, passaram alguns erros na versão final. Ele afirma que tentou corrigir alguns, mas que a edição já estava na gráfica.
 
O pesquisador diz também estar surpreso com a reação de Gonçalo Junior, uma das fontes entrevistadas por ele para a elaboração do livro (o encontro foi no ano passado).
 
"Há muito tempo eu conversei com ele [Gonçalo Junior] sobre esse livro e eu comentei com ele a estrutura [da obra]", diz Azevedo, por telefone.
 
"Mas ele tem meus contatos. Pode me ligar ou escrever para a gente conversar."

Escrito por PAULO RAMOS às 15h45
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29/10/2007

O Globo começa a publicar história em quadrinhos em capítulos

A "Revista O Globo", que circula encartada no jornal carioca, começou a publicar histórias em quadrinhos em capítulos.
 
A novidade começou na edição do último fim de semana. A história aparece na última página, em substituição à coluna de Artur Xexéo, em férias.
 
O jornalista volta a ocupar o espaço no dia 25 de novembro. A proposta é que os quadrinhos preencham a vaga até lá.
 
Por isso, a primeira história, "Conveniências Emocionais", de Vinicius Mitchell, foi dividida em quatro capítulos, um para cada fim de semana.
 
No final, todas as partes completam uma narrativa mais longa.
 
"Se a resposta dos leitores for positiva, a idéia é continuar nos meses seguintes, vamos ver se o pessoal do jornal também aprova", diz Telio Navega, designer gráfico de "O Globo" e autor do projeto.
 
"Quero emplacar histórias brasileiras e urbanas, não necessariamente de humor", diz ele.
 
Navega tem sido um entusiasta dos quadrinhos em "O Globo".
 
Ele mantém no portal do jornal o "Gibizada", blog especializado sobre quandrinhos, e assina regularmente matérias na edição impressa.
 
A partir da semana que vem, ele assina uma nova coluna semanal no "Megazine", suplemento jovem do jornal. Até então, o espaço que ele tinha no caderno era mensal.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h37
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Para Jaguar, cartum está em extinção. Para Ziraldo, foi reinaugurado

O escritor e desenhista Ziraldo Alves Pinto acredita que o cartum brasileiro não está morto, mas, sim, reinaugurado.
 
A opinião consta no prefácio do livro "Viva Cartum - O Humor Solto de Fausto", lançado na última sexta-feira em São Paulo.
 
Diz o criador do Menino Maluquinho:
 
"O cartum não está morto, e o Fausto, reinaugurando-o no Brasil, está aqui para provar isso."
 
A opinião de Ziraldo, também ele um cartunista de longa data, ganha força por servir de contraponto à opinião de outro desenhista da geração dele, Jaguar.
 
Numa entrevista, em março deste ano, Jaguar havia declarado que o "cartum é uma espécie em extinção".
 
"Eu não tenho onde publicar [cartum]", dizia ele, à época.
 
"De vez em quando emplaco um cartum. Mas tem de ser disfarçado de charge. Se não for assim, não passa."
 
Clique aqui para ler mais sobre a entrevista de Jaguar.
 
Em tempo: o desenhista Ruy Jobim fez uma boa cobertura do lançamento de "Viva Cartum" para o site Bigorna. 
 
A obra marcou o início dos trabalhos da "HQMix Livraria", novo espaço dedicado a quadrinhos em São Paulo. Para ler, clique aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 18h20
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28/10/2007

Dica do fim de semana: site em homenagem a Appe

O desenhista Appe (1920-2006) ganhou nesta semana uma página virtual dedicada a ele.
 
 
Appe atuou por décadas na imprensa brasileira, em especial a carioca.
 
 
O trabalho em jornais teve início nos anos 1940, quando se mudou do Acre, onde nasceu, para o Rio de Janeiro.
 
 
Anilde (ele preferia Amilde) Pedrosa -nome verdadeiro dele- fez ilustrações e charges para jornais como "Amanhã", "A Vanguarda" e na revista "O Cruzeiro".
 
 
Em "O Cruzeiro", manteve uma coluna a partir da década de 1970, a "BlowAppe".
 
 
Diferentes personalidades, não só do mundo político, passaram pelo traço dele.
 
 
Esta postagem mostra uma charge do ex-presidente Janio Quadros, de 1961, e uma caricatura do ator Paulo Autran, morto neste mês (o desenho é de 1973).
 
 
A história toda está na página dedicada a ele.
 
 
Há também muitas outras ilustrações e pinturas, outra atividade visual exercida por ele.
 
 
O site está sediado dentro do portal "Memória Viva", que reúne parte importante da memória gráfica nacional.
 
 
 
Para acessar, clique aqui.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h51
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Rápidas da semana

Fábrica de quadrinhos
Ezequiel de Azevedo lança na próxima segunda-feira sua pesquisa sobre a extinta Ebal (Editora Brasil-América), uma das principais editoras da história do país. Vai ser às 19h30, no Bar Balcão, em São Paulo (rua Dr. Melo Alves, 150).
 
Shimamoto em destaque - 1
Julio Shimamoto foi um dos homenageados do último FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos). Nesta semana, o desenhista ganhou outra homenagem: a obra "Shima - HQs Clássicas de um Samurai dos Quadrinhos".
 
Shimamoto em destaque - 2
O livro da Marca de Fantasia traz oito histórias publicadas entre 1959 e 1961. A obra tem 68 páginas e custa R$ 11. É vendida somente no site da editora (para acessar, clique aqui).
 
Quadrinhos na final
Sai nesta semana que entra o vencedor do prêmio Vivaleitura, do governo federal. Um dos 15 finalistas é um projeto paulista que incentiva a leitura com uso de histórias em quadrinhos (leia mais aqui).
 
Além de Dragon Ball
A Conrad tem lançado outros trabalhos de Akira Toryiama, conhecido por ser o criador da série "Dragon Ball". A última novidade começou a ser vendida nesta semana: "Cowa" (R$ 14,90). A história é sobre monstros.
 
Finis-Machina
Já chegou às bancas o terceiro e último número da minissérie "Ex-Machina - Símbolo" (R$ 6,90). A série é um dos melhores trabalhos lançados pela Pixel desde que assumiu os títulos da Vertigo e Wildstorm no início do ano.
 
Irreconhecível
A Panini colocou nas bancas o quinto número de "Grandes Astros: Batman & Robin". O homem-morcego de Frank Miller está irreconhecível. Numa cena, gargalha de felicidade enquanto perambula pelos arranha-céus de Gotham City.
 
100% nacional
Merece registro. Houve dois eventos de quadrinhos de uma semana para cá: o FIQ, em Belo Horizonte, e o HQ o Quê, em São Paulo. Em ambos, todos os lançamentos eram de autores nacionais.

Escrito por PAULO RAMOS às 10h49
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27/10/2007

Tiras de Snoopy tinham traços da vida do autor

As tiras de Snoopy, Charlie Brown e companhia traziam elementos autobiográficos do criador da série, Charles M. Schulz.

A informação consta na biografia dele, "Schultz and Peanuts", escrita por David Michaelis e lançada neste mês nos Estados Unidos.

O assunto veio à tona numa reportagem do jornal "The New York Times", produzida por Randy Kennedy.

A matéria teve tradução na edição deste sábado de "O Estado de S. Paulo".

A reportagem cita um exemplo.

No fim do primeiro casamento, a então esposa de Schulz desconfiava que ele tinha um caso e passou a investigar suas ligações telefônicas.

Nessa época, uma das tiras mostrava, nas palavras da reportagem, "Charlie Brown gritando para um Snoopy apaixonado: ´E pare de fazer esses interurbanos!´."

O cenário mostrado por Michaelis é de um Schulz consciente de si e dos temas que abordava nas histórias que produzia.

As tiras de "Peanuts", como foram batizadas nos Estados Unidos, começaram a ser publicadas em 1950.

As histórias do grupo de garotos -acompanhados do cão Snoopy- agradaram e foram distribuídas para vários jornais. 

A série trazia algumas inovações temáticas (nem sempre tinha uma piada e abordava temas mais filosóficos) e estilísticas (eliminava a cena de fundo em alguns quadrinhos).

A tira foi produzida até o ano 2000. Na última história, Schulz fez um agradecimento aos fãs por acompanharem a série por tantos anos.

O desenhista morreu pouco depois, aos 77 anos.

No Brasil, as tiras de Snoopy são publicadas em formato de bolso pela L&PM.

A editora gaúcha lançou até agora quatro volumes.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h06
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26/10/2007

Álbum de luxo vai trazer histórias de Krazy Kat da década de 1920

Um álbum de luxo, em capa dura e tamanho grande, vai publicar histórias clássicas de Krazy Kat, um dos primeiros personagens do quadrinho norte-americano.
 
A edição vai ter 112 páginas em preto-e-branco.
 
Será publicada pela Opera Graphica e vai custar R$ 74 (ao lado, a imagem da capa).
 
A obra terá páginas dominicais publicadas entre 1925 e 1926.
 
Página dominical é o nome dado às histórias em quadrinhos publicadas nas edições de domingo dos jornais norte-americanos.
 
Nem sempre ocupavam uma página inteira. Mas receberam esse nome porque a história era feita num espaço físico maior que o da tira.
 
Os personagens de Krazy Kat foram criados em 1913 por George Herriman (1880-1944). A série encerrou com a morte do desenhista.
 
O gato que dá nome à série é um animal ingênuo, de sexo indefinido e com um jeito de falar esquisito (e de difícil tradução).
 
Ele vive às voltas com o guarda Bull Pupp e com o sádico camundongo Ignatz, que adora lançar tijolos na cabeça de Krazy Kat.
 
A vontade da editora -que já havia publicado anos atrás um outro álbum de Krazy Kat em formato menor- é lançar a obra no Fest Comix, em São Paulo.
 
O evento ocorre nos dias 2, 3 e 4 de novembro e é conhecido por dar descontos na venda das obras em quadrinhos.
 
Mas a presença do álbum no evento vai depender do cumprimento do prazo de impressão da obra, que terá formato 26 cm por 35,5 cm.
 
É o mesmo tamanho da edição de luxo com histórias do Recruta Zero, lançada pela editora em outubro do ano passado (leia aqui).

Escrito por PAULO RAMOS às 18h23
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Encadernado relança fase de Grant Morrison nos X-Men

Há um segredo em torno das revistas de super-heróis. Muitas das boas histórias -em geral, as mais lembradas pelos fãs- estão vinculadas à passagem de determinado escritor ou desenhista na condução da revista.
 
Os X-Men -grupo líder de vendas da norte-americana Marvel Comics- possuem algumas dessas fases. Uma delas é relançada nesta semana numa edição encadernada.
 
"Novos X-Men - E de Extinção" (Panini, R$ 25,90) traz as primeiras oito aventuras escritas por Grant Morrison para a revista mensal do supergrupo.
 
Foi o primeiro trabalho de destaque dele na Marvel.
 
Morrison tinha ganhado fama em publicações da concorrente DC Comics, dona de Super-Homem e Batman.
 
A fase de histórias dele nos X-Men -iniciada em julho de 2001- se tornou marcante por uma série de motivos.
 
O escritor aposentou os uniformes de super-heróis. Trocou por outros, mais parecidos com a versão cinematográfica dos X-Men (o primeiro longa-metragem é de 2000).
 
Morrison trabalhou ainda com uma equipe mais enxuta e inseriu a vilã Emma Frost no grupo, o que aumentou a tensão entre os integrantes. Até hoje, ela faz parte dos X-Men.
 
E, claro, Morrison matou em uma página milhões de mutantes de uma só vez (o tal "E de Extinção" do título). O desenho é de Frank Quitely, parceiro dele em outros trabalhos.
 
O mentor do grupo, Professor Xavier, é o ponto focal dos problemas enfrentados pela equipe nesta fase inicial da série.
 
Ele é possuído pela mente de sua irmã gêmea, Cassandra Nova. A exemplo dele, a vilã também é uma poderosa telepata. Foi ela quem deu à ordem para o extermínio mutante.
 
No corpo de Xavier, Nova revela ao mundo que a escola onde o supergrupo atua é, na verdade, um abrigo de mutantes.
 
A medida atrai a atenção da mídia e acirra os protestos contra os mutantes.
 
Há nos elementos dessa trama um clima de outra fase dos X-Men, a de John Byrne e Chris Claremont, ainda hoje a mais lembrada entre os fãs do grupo.
 
Com um olho no passado, Morrison conseguiu trazer algo novo à série e produziu uma série de histórias acima da média do que vinha sendo lançado até então.
 
A Panini tem planos de publicar o restante das histórias dele à frente da revista. Segundo a editora, vai depender das vendas deste primeiro volume.
 
Mas ainda há material melhor, e quem também merecia relançamento em álbum.
 
O escritor Joss Whedon, anos depois, usou os mesmos elementos do passado e produziu uma das melhores seqüências dos heróis mutantes vistas até hoje.
 
Parte da fase -a tal fase, de novo- de Whedon é publicada atualmente na revista "X-Men Extra", também da Panini.

Escrito por PAULO RAMOS às 14h56
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25/10/2007

Livro de tiras revela um outro lado de Marcelo Campos

O leitor que conhece o trabalho do brasileiro Marcelo Campos feito com super-heróis vai estranhar o livro de tiras "Talvez isso...", editado pela Casa 21.

A obra, que tem lançamento nesta sexta-feira em São Paulo, é diferente de tudo o que o desenhista já fez. Parece até um outro artista.

São 72 tiras não cômicas. O tema é o lado existencial e filosófico do ser humano.

Em vários momentos, as histórias se assemelham às "tiras filosóficas" que o cartunista Laerte produziu para o caderno "Ilustrada" da "Folha de S.Paulo".

O desenhista de 42 anos diz que, na verdade, esse é o eu verdadeiro dele, escondido enquanto realizava outros trabalhos.

A válvula de escape para essa nova produção foi por meio de um blog que criou em 2006.

A página virtual, hoje, não se limita só a tiras. Apresenta experimentações dele em outros formatos também.

Campos ficou mais conhecido do leitor brasileiro, curiosamente, por causa dos trabalhos feitos para editoras norte-americanas.

Começou no mercado externo em 1989. Em 1991, já desenhava para a DC Comics, editora de Super-Homem e Batman.

Em poucos meses, Marc Campos, como assina à época, assumiu a arte da revista mensal da Liga da Justiça, uma das principais da DC.

Por ser um dos primeiros brasileiros a atuar nos Estados Unidos, recebeu muitas críticas de outros desenhistas à época.

A acusação mais ouvida é que havia se "vendido" (ele comenta a polêmica aqui).

Paralelamente, criou por aqui o personagem Quebra-Queixo, lançado em mais de um álbum.

Hoje, ele divide o tempo entre os desenhos e a direção da Quanta, academia de desenho que mantém em São Paulo, onde mora (o trecho não ambíguo: ele mora na escola).

Separado, vive um novo momento de vida.

O desenhista sul-mato-grossente -nasceu em Três Corações- fala sobre essa nova fase, pessoal e profissional, na reveladora entrevista a seguir, feita por e-mail.

Ele comenta o que o motivou a fazer uma produção mais existencial, fala sobre as semelhanças com as tiras filosóficas de Laerte e que pretende, daqui para a frente, evitar outros tipos de produção.

                                                             ***

Blog - Seu novo livro mostra um outro Marcelo Campos, algo diferente de tudo o que você já fez. Por que essa mudança? 

Marcelo Campos - Na verdade, este sou eu. Nunca me identifiquei com o que fazia em quadrinhos, tanto que não tenho nada do que produzi até hoje, seja como ilustrador, animador, ou desenhistas de quadrinhos para o mercado nacional ou de fora. Com exceção do Quebra-Queixo, que ainda guardo porque, apesar de ele não ter muito a ver comigo, é um personagem que eu criei. Minhas reais influências são outras e acho que aqui elas aparecem mais. Leio sobre filosofia, antropologia, religião, ciência... A Quanta – minha escola de artes – tem esse nome porque leio muito sobre física quântica. Mas todos esses temas são lidos de uma maneira muito diferente, sempre procurando uma outra perspectiva de entendimento, mais subjetiva, paralela. Como as tiras. Vejo isso porque cada amigo que lê uma tira a entende de maneira diferente, inclusive da minha. Acho isso fantástico! Aí percebi que estava no caminho certo.

 

Blog - Em geral, temas assim são abordados em histórias mais longas. Por que a escolha das tiras, que possuem um formato mais reduzido?

Campos - Foi uma coisa muito natural. Tinha idéias bem concisas sobre pensamentos a respeito da vida e do que vejo como existência que acabaram saindo por essa vertente. Não foi um direcionamento consciente. Apenas aconteceu. Tenho produzido alguns outros materiais mais longos agora que estão no meu blog. Páginas... No mesmo tom das tiras, mas onde posso trabalhar melhor alguns pensamentos.

 

 

Blog - Há alguma semelhança com as "tiras filosóficas" de Laerte. Você se pautou nelas para produzir as suas?

Campos - Gosto muito das tiras filosóficas do Laerte, adoro o trabalho dele. Mas não foi isso, não. Quando comecei o blog com este material, o Laerte me mandou um e-mail dizendo que tinha curtido muito as tiras. Foi um elogio e tanto pra mim. Mas isso tudo foi uma coisa muito natural pra mim, mesmo. Eu não queria mais fazer quadrinhos. Não queria mais trabalhar com “linhas narrativas” no sentido em que elas são aplicadas normalmente. Queria algo diferente, mas nada foi “pensado”, planejado. Quando vi, tinha um monte dessas tiras, e fiquei contente com isso. Mostrava só pros amigos, e eles me convenceram em abrir o blog. 

 

Blog - Os temas existencialistas deste novo trabalho casam com um novo momento pessoal vivido por você?

Campos - Certamente. É um momento muito especifico da minha vida. Muitas coisas aconteceram comigo nos últimos 13 anos, pelo menos. Muitas delas bastante dolorosas em termos de vivência, o que me fez direcionar minha vida para outras estradas, ou pelo menos ser “obrigado” a ver minha vida e toda essa questão de existência de outra maneira.

 

Blog - Esse lançamento foi uma surpresa. Como se deu a negociação do livro? Como chegou até a editora Casa 21?

Campos - Bom, isso aconteceu quando o David Lloyd [desenhista da minissérie "V de Vingança"] esteve aqui na Quanta, em uma de suas visitas. O Roberto Ribeiro [editor da Casa 21] me perguntou o que eu andava fazendo e eu disse que não estava mais trabalhando pros Estados Unidos, estava cuidando da escola. Ele me perguntou se eu tinha parado mesmo de desenhar e tal. Eu disse que estava fazendo umas tiras estranhas. Ele me pediu pra ver. Gostou delas e disse que tinha interesse em publicá-las. Foi assim. A partir daí, começamos a negociar. Nunca fui tratado tão bem por um editor como foi com o Roberto. Conversávamos sobre as tiras, seus significados e tudo mais. Não era um papo sobre como lançaríamos, mas sobre os conceitos envolvidos. Achei isso honesto como as tiras. Foi isso. Duas outras editoras viram o material, mas acabei fechando com o Roberto.

 

 

Blog - Daqui para a frente, para onde procura direcionar sua produção?

Campos - Eu não sei. Não planejo absolutamente nada na minha vida. Tenho feito estas outras páginas no meu blog e também estou escrevendo um livro pra mim. Só mostrei pra uns amigos... Só pra ver se é muito ruim! Não tenho a pretensão de publicá-lo. Ele é muito maluco pra isso. Acho que nenhum editor publicaria isso!

 

Blog - Quebra-Queixo e super-heróis nunca mais?

Campos - Eu não digo nunca, mas... se eu puder evitar, vou evitar. Isso tudo é uma questão de escolha de como quero viver. Eu larguei tudo. Tenho ofertas de trabalho o tempo todo, mas estou cuidando da escola e pra mim isso está legal. Não tenho dinheiro e moro na minha escola. Tudo é uma questão de escolha, e estou escolhendo viver agora. Trabalhei muito... Muito mesmo. Batalhei por uma porrada de coisas e agora estou livre de certos conceitos. É assim que me sinto... estou vivendo. Apenas. 

Clique aqui para ter mais detalhes sobre o lançamento de "Talvez isso...".

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h03
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24/10/2007

Blog reúne cartunistas para homenagear Ziraldo

 
O cartunista e escritor Ziraldo completa hoje 75 anos.
 
Para marcar a data, um blog, mantido pelo desenhista Rico, está postando nesta quarta-feira uma série de ilustrações sobre o pai do Menino Maluquinho.
 
 
 
Cada imagem é feita por um desenhista diferente.
 
As mostradas acima foram feitas por Spacca e Jean, respectivamente.
 
A apresentada abaixo é do dono da idéia, Rico (que autorizou a reprodução dos desenhos neste blog).
 
 
 

Há muitos outros desenhos no blog mantido por Rico.

Para visitar, clique aqui.

A editoria de Humor do UOL também preparou um álbum com criações famosas de Ziraldo.

Clique aqui para ver (ou rever).

Escrito por PAULO RAMOS às 15h10
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Um lançamento por dia em São Paulo até o fim da semana

Até o fim desta semana, há pelo menos um lançamento de quadrinhos por dia em São Paulo.
 
Quatro lançamentos ocorrem "HQ o Quê?", evento sobre quadrinhos realizado na livraria Fnac da unidade Pinheiros (Praça dos Omaguás, 34):
  • hoje: "Xingu!, de Sérgio Macedo (19h)
  • quinta-feira: "Fanzine", de Gabriel Bá e Fábio Moon (19h)
  • sexta-feira: "Talvez isso...", de Marcelo Campos (19h)
  • sábado: "Mauricio de Sousa - Biografia em Quadrinhos" (14h)
A idéia é que haja um bate-papo com a platéia, seguido da sessão de autógrafos.
 
Os organizadores pedem que os interessados retirem uma senha com uma hora de antecedência.
 
A programação do "HQ o Quê?" inclui outras palestras e oficinas (leia a programação completa aqui).
 
Outro lançamento da semana é "Viva Cartum", de Fausto (na sexta-feira, a partir das 17h).
 
A sessão de autógrafos marca o início da "HQMix Livraria", novo espaço para obras de arte e quadrinhos na capital paulista.
 
A livraria -que fica na Praça Roosevelt, 142, no centro- é mantida pelos mesmos responsáveis pelo "Jeremias o Bar", o cartunista Gualberto Costa e a esposa Daniela Baptista.
 
O "Jeremias o Bar" se tornou referência em lançamentos de quadrinhos neste ano.

Escrito por PAULO RAMOS às 14h31
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23/10/2007

Com atraso, Chiclete com Banana volta às bancas

O terceiro número da "Antologia Chiclete com Banana", de Angeli, começa a ser vendido nas bancas neste meio de semana.
 
A informação é do editor da revista, Toninho Mendes.
 
O último número da publicação, programada para ser mensal, tinha saído em agosto (leia aqui).
 
"A gente segurou para lançar no Brasil inteiro", diz Mendes, por telefone.
 
As duas primeiras edições da antologia foram lançadas de forma setorizada.
 
A venda era feita primeiro em São Paulo e Rio Grande do Sul e, depois, em outros estados.
 
Agora, segundo Mendes, o esquema de distribuição permite que a mesma edição seja levada ao mesmo tempo ao Brasil inteiro.
 
A antologia reedita as melhores histórias da primeira versão da revista, lançada entre 1985 e 1990 e também editada por Mendes na Circo Editorial.
 
O primeiro número da antologia começou a ser vendido em julho (leia aqui).
 
O projeto prevê um total de 16 edições, montadas no mesmo formato e papel da versão original.
 
Este terceiro número -que terá tiragem de 35 mil exemplares- dá destaque aos Skrotinhos, dupla criada por Angeli.
 
A revista reedita também trabalhos de Glauco, Laerte e Luís Gê.
 
"Antologia Chiclete com Banana" (Sampa/Devir) tem 48 páginas e custa R$ 5,90.

Escrito por PAULO RAMOS às 16h37
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Um outro olhar sobre os convidados do FIQ

 

O desenho acima mostra um outro olhar sobre o convidados do FIQ deste ano.

O Festival Internacional de Quadrinhos terminou neste fim de semana em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Segundo os organizadores do FIQ, o público deste ano foi recorde e superou 50 mil visitantes.

As caricaturas foram feitas por Bira Dantas, que também era um dos palestrantes do evento.

(Bira aparece no canto direito inferior do desenho, ao lado de Benoit Sokal)

Dantas usou a imagem ontem em seu blog e a reproduziu hoje na coluna que mantém no site Bigorna.

Nota: reproduzo a imagem com autorização dele.

Escrito por PAULO RAMOS às 14h41
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21/10/2007

FIQ 2007 bate recorde de público

O FIQ deste ano teve seis dias, um a mais do que na edição passada, em 2005.

Mesmo assim, no quarto dia de evento já registrava mais público.

Segundo a organização, passaram pelo FIQ 36 mil pessoas até sexta-feira passada.

Em 2005, o público foi de 35 mil.

Tentei acompanhar o evento do ponto de vista do turista.

Coloquei nesta e nas postagens abaixo um pouco do que vi e ouvi, como se fosse mesmo um dos mais de 36 mil visitantes.

A impressão que fica deste Festival Internacional de Quadrinhos é que algo mudou.

Não em relação ao evento em si. Mas sim no tratamento dado aos quadrinhos.

Houve muita seriedade ao tema, tanto de expositores quanto de platéia.

Quando quadrinhos são trabalhados com seriedade, sem preocupação em justificar a linguagem...

Quando há condições propícias a estimular esse debate, inclusive financeiras...

Quando se juntam experiências nacionais e estrangeiras...

Quando se vê um grupo de quadrinistas independentes produzindo e lançando obras a todo vapor...

Quando se dedica um espaço para discutir pesquisas sobre quadrinhos num evento deste porte...

Quando se bate recorde de público num festival assim...

... é sinal de que algo muda.

E muda para melhor.

Nota: espero que as postagens tenha ajudado o leitor a ter uma idéia de como foi o FIQ deste ano, mesmo que à distância.

Escrito por PAULO RAMOS às 16h06
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Um pensamento em forma de postagem

O roteirista italiano Giancarlo Berardi era um dos convidados internacionais do FIQ deste ano.

No evento, pude conversar pouco com ele, por correria de ambas as partes.

Mas, para minha surpresa, viajamos para São Paulo no mesmo avião na manhã deste domingo.

Novamente para minha surpresa, sentou-se na poltrona ao meu lado.

E foi ele quem puxou conversa: "sobre o que você falou no FIQ?"

O papo -agradável, feito em castelhano, língua que ele domina bem- foi sobre roteiro de quadrinhos, produção nacional, problemas do vôo da Gol (era nacional, virou internacional) e, claro, Julia.

Uma das curiosidades que contou é que a editora Sergio Bonelli, que publica a série na Itália, pediu a ele que desse uma "abrandada" no tom duro das primeiras três aventuras (já publicadas no Brasil).

Segundo ele, a edição seria lida também por um público mais jovem.

Berardi levou quatro anos para compor a criminóloga.

Para isso, voltou à universidade e leu cerca de 150 livros sobre a área.

Mas o que também me chamou a atenção foi a semelhança da esposa dele com a protagonista da série.

Sentada na poltrona ao lado, sempre simpática, mantinha o mesmo cabelo curto, traços faciais, postura e olhar compenetrado na personagem, como se tivesse solucionado algum mistério.

Comento sobre a semelhança. Berardi diz, rindo, ser coincidência. 

Sempre li que a personagem Julia tinha sido inspirada na atriz Audrey Hepburn (1929-1993).

Busca rápida nas imagens disponíveis no Google realmente revelam a semelhança de Hepburn com a criminóloga, criada pelo roteirista italiano Giancarlo Berardi.

Mas será que não teve mesmo um pouco da esposa na composição da personagem?

Oficialmente, sigo a resposta de Berardi.

Pessoalmente, fico a impressão de que Hepburn divide os créditos com outra pessoa.

Escrito por PAULO RAMOS às 15h51
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O vibrante apocalipse de Belo Horizonte

Uma pessoa do FIQ, de Belo Horizonte, me cutuca e pergunta se eu já vi a "muvuca lá fora".

"Que muvuca?"

"É o Celton", disse meu empolgado interlocutor.

Já tinha lido sobre ele e sabia que foi personagem em uma matéria do "Globo Repórter".

Mas ver pessoalmente é algo completamente diferente.

"Lá fora" vi uma placa no meio do pátio de exposições do FIQ e um roda de gente em volta dela.

Dava para ler o que estava escrito, mesmo de longe:

 

Claro que a foto acima foi tirada mais de perto.

Foi no momento em que iniciei já me aproximava do lendário "Celton", figura folclórica e, pelo que se pôde apurar, muito conhecida em Belo Horizonte.

Mesmo sem estar entre os convidados oficiais do FIQ, roubou a cena na noite de sábado.

"Celton", na verdade, é o nome do personagem-título da revista independente.

Mas é como as pessoas chamam o autor da obra, Lacarmélio Alfêo de Araújo, um mineiro de Itabeirinha de Mantena, interior do estado.

Cheguei a ouvir mais de uma vez frases como "olha lá, é o Celton".

Difícil não vê-lo de longe.

Araújo (foto acima) já acostumou os ombros na hora de vender a revista.

A placa é escorada no ombro, coberto por um elegante blaser.

É com ela que Araújo comercializa a publicação nas ruas de Belo Horizonte.

Nas ruas, não. Nos semáforos.

"Por que nos samáforos?", pergunto.

Disse que já tentou vender na porta de tudo quanto é lugar.

"A que deu certo foi no sinal", diz. "É mais ´quente´o tempo todo."

O comércio é feito à tarde, segundo ele.

As manhãs, diz, são dedicadas à pesquisa e à produção gráfica.

O quadrinista de 48 anos conta que procura ser criterioso nesse cronograma.

"Pro negócio dar certo, tem que ter profissionalismo. O resto é aiuê."

Segundo ele, hoje, vive das revistas.

O que ganha sustenta a si, à esposa e ao filho.

"Se eu não aprendesse a vender, eu seria mais um falando mal do sistema", diz.

Pergunto quanto consegue tirar com as vendas.

"Não respondo a isso", fala, de pronto.

Diz que tem até dizia, mas decidiu não mais fazê-lo.

"Tem coisas que a gente aprende", sem justificar qual o real motivo do receio.

Mas o negócio tem funcionado.

Ele mantém uma exposição na cidade e já fez parceria com a Petrobras para distribuir gratuitamente uma edição especial de "Celton".

A tiragem, na ocasião, foi de 100 mil exemplares.

A parceria rendeu mais um fruto: a Petrobras mantém um anúncio na última página desta edição 19, a última produzida por ele.

 

Araújo, ou Celton, é popular, não resta dúvida.

A rápida conversa com o Blog foi interrompida mais de uma vez por pessoas querendo comprar a revista.

Ele diz que produz a publicação há 26 anos.

Começou como hobby, virou profissão. Desde 1998, é também seu ganha pão.

"Larguei um monte de coisa para me dedicar a este caminho", diz.

Ele é o "faz-tudo" da revista, de 36 páginas.

Como Araújo diz no início da publicação, ele faz o "roteiro, pesquisas, esboços, desenhos, arte-final, computação gráfica, diagramação geral e erros que são muitos".

A história é centrada no protagonista, Celton, dono de força acima da média.

As tramas da revista se passam na capital mineira.

Na aventura do "vibrante número", "O Apocalipse de Belo Horizonte", o herói (no centro da imagem acima) tem de morrer para entrar no plano espiritual.

O objetivo é barrar a entrada do histórico Tiradentes no céu.

Só o mártir da inconfidência mineira poderia derrotar o retorno de Joaquim Silvério do Reis.

Silvério é tido como o traidor dos inconfidentes.

Para recuperar o prestígio perdido, o vilão -Silvério- quer que a capital mineira volte a ser Ouro Preto.

Para isso, elaborou um plano em duas partes.

Primeira: destruir Belo Horizonte.

Segunda: seqüestrar o atual governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimental (PT), para mudem a lei.

Mas a dupla de políticos (Pimentel, à esquerda, e Aécio, à direita) não fica quieta, vendo o vilão destruir Belo Horizonte. 

Aécio Neves e Fernando Pimentel decidem lutar contra Silvério.

"Lutar" não é força de expressão. É lutar mesmo, com direito até a socos e tudo mais (veja abaixo).

Araújo faz as edições sob medida para os leitores.

"Agradar a mim? E onde está meu faro de vendedor?"

O faro já migra para outras áreas.

Recentemente, lançou um CD, feito e, depois, refeito.

Ele diz que tem também dado palestras sobre empreendedorismo e sobre como fazer o dinheiro render.

A placa que Araújo carrega nos ombros (pesada, segundo ele) esconde muito mais do que mostra.

(Leia mais sobre o FIQ nas postagens abaixo)

Escrito por PAULO RAMOS às 14h25
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Lançamentos e sessões de autógrafos - Bá e Moon

Pedi a Gabriel Bá e Fábio Moon que fizessem uma cara de "dez anos de Dez Pãezinhos".

A série de histórias criada pelos dois irmãos completa uma década neste ano.

O resultado foi este:

 

"Não muda muita coisa", dizem. "Só umas rugas a mais."

Eles lançaram no FIQ, no sábado à noite, o álbum "Fanzine".

A edição, da Devir, mostra algumas das primeiras histórias do então fanzine "Dez Pãezinhos".

Os irmãos gêmeos também relançam neste mês o álbum "O Girassol e a Lua", pela Via Lettera.

A dupla é um dos destaques deste domingo do FIQ.

Segundo eles, vão inovar no bate-papo com a platéia.

Bá vai entrevistar Moon. E Moon vai entrevistar Bá.

Os dois foram destaque também na premiação do Troféu HQMix deste ano.

Receberam quatro troféus.

(Leia mais sobre o FIQ nas postagens abaixo)

Escrito por PAULO RAMOS às 14h10
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Lançamentos e sessões de autógrafos - Eduardo Risso

 

O argentino Eduardo Risso fez uma sessão de autógrafos na noite do sábado.

"100 Balas" foi a revista mais autografada por ele.

A série é editada atualmente no Brasil pela Pixel.

Boa parte da trama já havia sido publicada por aqui pela Opera Graphica.

Conversei pouco com ele por causa da correria.

Num dos rápidos contatos, falamos sobre o ressurgimento do quadrinho argentino.

"Os independentes estão ganhando espaço", disse.

Acrescentaria: a passos largos.

Do começo do ano para cá, houve um aumento significativo de títulos argentinos nas "comiquerias".

"Comiqueria" -inspirada no termo ingês "comics"- é o nome dada na Argentina às lojas de quadrinhos.

(Leia mais sobre o FIQ nas postagens abaixo)

Escrito por PAULO RAMOS às 14h03
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Lançamentos e sessões de autógrafos - Sérgio Macedo

 

Sérgio Macedo autografa um dos exemplares de "Xingu!", lançado no sábado à noite no FIQ.

Autografa não é bem o termo exato. Ele faz um desenho para cada comprador.

"E isso toma tempo", diz, com sua natural voz calma, permeada por um sotaque de fora do país.

O brasileiro, atualmente no país, viveu no exterior por três décadas.

As páginas do álbum, editado pela Devir, tiveram de ser limpas uma a uma.

Segundo Macedo, estava deterioradas por causa do tempo (ele as produziu há 20 anos).

 

Macedo, como ocorre sempre, estava acompanhado da esposa.

Ela sempre está vestida a caráter e costuma dar uma "canja" de uma dança parecida com a havaiana.

É a mesma dança que fez na cerimônia de entrega do último Troféu HQMix, em julho.

Não foi diferente nesta quinta edição do FIQ.

Mas perdi a dança. Estava, no mesmo horário, na palestra sobre pesquisa e quadrinhos.

Fica o registro fotográfico dela.

(Leia mais sobre o FIQ nas postagens abaixo)

Escrito por PAULO RAMOS às 13h56
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Um filho virtual numa família impressa

 

Henrique Fonseca Duarte abocanhou um espaço virtual num evento dedicado ao quadrinho impresso.

Henrique FD -como é mais conhecido- manteve um estande de quadrinhos virtuais no FIQ, em Belo Horizonte.

Ele lançou no evento uma novidade: uma revista digital, feita na forma de CD.

O primeiro número da "Web Comix" reúne algumas histórias já veiculadas no site homônimo, criado e dirigido por ele.

Das 11 narrativas gráficas do CD, só uma é inédita.

A revista virtual traz também entrevistas com os autores e outras informações sobre a página virtual.

"É uma forma de fazer com que o público se identifique com o nosso produto", diz.

A Webcomix -a página virtual- existe há pouco mais de um ano.

Henrique vê futuro no processo de produção virtual.

É algo que ele já reforçou em outras entrevistas, inclusive para este blog.

"Muitas pessoas se prednem no passado", diz.

"A digitalização dos quadrinhos é uma tendência que á gente está tentando adiantar."

Segundo ele, várias desenhistas que visitaram o estande dele perguntaram sobre formas de colocar o material na internet.

(Leia mais sobre o FIQ nas postagens abaixo)

Escrito por PAULO RAMOS às 13h41
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20/10/2007

Há mais curiosidades sobre o FIQ...

... mas fica (com desculpas pelo trocadilho infame) para serem postadas neste domingo.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h10
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Pesquisa e quadrinhos

 

Gazy Andraus (à esquerda) e Eloar Guazzelli, na palestra sobre pesquisa e quadrinhos.

Também integrei a mesa, iniciada pouco depois das 18h30.

Bom o papo. Boas perguntas da platéia. Ficamos quase meia hora além do horário.

Andraus foi o premiado no último HQMix na categoria tese.

O troféu tinha a imagem de Kactus Kid, personagem criado por Renato Canini.

Canini, curiosamente, é o tema do mestrado de Guazzelli na USP (Universidade de São Paulo).

Guazzelli também lança neste FIQ "O Relógio Insano", álbum publicado pelo grupo da independente "Graffiti".

Ele também prepara outros dois álbuns.

Um deles é uma adaptação de "O Pagador de Promessas", de Dias Gomes.

(Leia mais sobre o FIQ nas postagens abaixo)

Escrito por PAULO RAMOS às 20h08
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Atrás do balcão, um beijo gay

Havia uma curiosidade atrás do balcão de venda dos quadrinhos independentes.

Havia um beijo gay...

 

Explico.

O desenho era o último quadrinho de uma história coletiva feita pelos autores.

O desenhista que aparecia no estande era convidado a dar seqüência à narrativa.

Às 17h40, hora em que passei por lá, havia sete páginas completas da história, cheia de reviravoltas.

A cena do beijo gay era a última cena.

O engraçado é ver como a história começou.

Veja o quadrinho que deu início à narrativa:

 

Bota reviravolta nisso...

Escrito por PAULO RAMOS às 17h11
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Os independentes estão chegando...

 

Os autores independentes de quadrinhos montaram um estande nesta edição da FIQ.

Montaram na raça: pagaram pelo espaço, tiraram do bolso o dinheiro para a estadia e o transporte.

É o segundo evento de quadrinhos de eles participam sob o rótulo "Quarto MUndo".

"Quarto Mundo" é o nome do selo independente criado por eles.

Perguntei a Will, autor de "Sideralman" e um dos integrantes da trupe, como estava o movimento.

"Bombou", disse sem pensar muito.

 

O grupo preparou sete lançamentos para o FIQ:

  • "Nanquim"
  • "O Dinossauro do Amazonas"
  • "Quadrinhópole" número cinco, com 120 páginas
  • "Juke Box" número quatro
  • "Café Espacial"
  • "O Relógio Insano" (álbum feito por Eloar Guazzelli)
  • "Graffiti" número 16

Os títulos foram produzidos em diferentes estados, do sul ao sudeste.

No detalhe abaixo, Renato Lima (editor da carioca "Juke Box", à esquerda) e Daniel Esteves (roteirista da "Nanquim").

Escrito por PAULO RAMOS às 17h10
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Mesa redonda sobre literatura em quadrinhos

 

Da esquerda para a direita: Bira Dantas, Marcatti e o francês Pascal Rabaté.

Cheguei no fim da fala de Rabaté, que deu oficina de desenho na sexta-feira.

 

Aproveitei a abertura de perguntas para a platéia para fazer a minha.

A questão foi direcionada especificamente aos dois desenhistas brasileiros.

Queria saber como eles viam a política do governo federal de comprar quadrinhos -inclusive adaptações de obras literárias- para distribuir gratuitamente em escolas do ensino fundamental.

Do ponto de vista deles, autores, isso tem ajudado a fomentar a volta do gênero "literatura em quadrinhos"?

 

Marcatti (foto acima) relativiza.

"Eu não sei se essa volta foi impulsionada pelo governo com o incentivo das compras ou pelos autores. No meu caso, foi uma iniciativa minha."

Marcatti lançou neste ano uma adaptação de "A Relíquia", de Eça de Queirós.

Antes da palestra, ele comentou que via na obra uma outra história, que, coincidentemente, ficou fiel ao romance do escritor português.

"Se os programas do governo puderem contribuir para isso [a volta das adaptações literárias em quadrinhos], ótimo. Desde que não atrapalhe."

 

Bira Dantas, mostrado na foto, acredita que o pontapé para o ressurgimento das adaptações foi dado pelas editoras.

"Quando o governo definiu o edital [de seleção de quadrinhos para o programa que distribui quadrinhos na escola), isso veio num segundo momento, vendo que se estava criando esse mercado."

O edital deste ano citava especificamente adaptações literárias em quadrinhos.

Mas é fato: a tendência começou há uns dois, três anos.

A Escala Editoral adaptou doze romances e crônicas de autores brasileiros.

Um deles, "Memórias de um Sargento de Milícias", foi desenhada por Bira.

Ele prepara outra adaptação, a do romance "Dom Quixote", de Miguel de Cervantes.

O desenhista, que mora em Campinas, no interior paulista, diz que corre contra o relógio para terminar a obra.

O "Dom Quixote", versão Bira Dantas, deve ter cerca de 120 páginas. 

"Eu acho que é uma vertente que está sendo retomada", diz.

"Mas não sei até que ponto o quanto as editoras vão investir", conclui.

Escrito por PAULO RAMOS às 16h41
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Acervo francês itinerante: outra boa surpresa do FIQ

Que a França dá prestígio aos quadrinhos não é novidade.

Que o país mantém uma biblioteca itinerante, sim, é novidade.

O acervo foi trazido para esta quinta edição do Festival Internacional de Quadrinhos.

Dá para se perder entre os títulos. Há segurante mais de 200.

 

Encontrei entre as estantes do acervo este volume de "Epilético".´

A primeira parte da história foi lançada há poucos meses pela Conrad.

Conta a trajetória pessoal do escritor e desenhista do álbum, David B.

Ele narra a tumultuada infância que teve, conseqüência da epilepsia do irmão.

 

Este que lê atentamente é Cláudio Martini, editor da Zarabatana.

A editora de Campinas, no interior paulista, iniciou os trabalhos no ano passado.

Cresceu rápido e se firmou no filão de quadrinhos adultos pouco conhecidos.

Ele descobre na raça os lançamentos que lança.

Será que algum dos títulos do acervo será publicado nos próximos anos por aqui?

Por ora, ele adiantou os próximos títulos da editora (leia aqui).

 

Cláudio me mostra este material do acervo.

Segundo ele, é um fanzine.

O que chama a atenção é o tamanho da publicação, no formato de revistas como "Caros Amigos" e "Piauí".

 (Leia mais sobre o FIQ nas postagens abaixo)

Escrito por PAULO RAMOS às 15h21
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Gibiteca: é só pegar uma revista e ler

 

Uma das boas surpresas deste FIQ foi a presença de uma biblioteca de quadrinhos.

Era só entrar, escolher uma das várias revistas espalhadas e ler.

 

A criançada era a parte mais interessada na leitura...

 

... mas alguns pais também acompanharam a leitura

Escrito por PAULO RAMOS às 15h11
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Posso ser sincera?

 

No giro pelo FIQ, eu em esbarrei com essas três garotas.

Pergunto por que vieram fantasiadas.

"Posso ser sincera", respondeu a moça do meio, ao estilo de Alice no País das Maravilhas.

"É para ganhar um mangá", disse.

Segundo elas, a organização daria um quadrinho japonês para quem visitasse o FIQ com fantasia.

A garota da direita tomou o cuidado de me explicar o que era mangá.

"É o nome que dão aos quadrinhos japoneses."

Falou empolgada, com ar de autoridade. O olho até brilhava durante a explicação.

A animação me inibiu a dizer que já sabia do que se tratava.

Ouvi com atenção e agradeci.

Escrito por PAULO RAMOS às 15h08
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Um giro rápido pelo FIQ

 

Estande das editoras de quadrinhos. Às 15h40, estava entupido de gente

 

A seção de games também estava abarrotada. Nem só de quadrinhos vive o FIQ

 

Um outro olhar do pátio da Serraria Souza Pinto

Escrito por PAULO RAMOS às 15h02
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Aula de roteiro, cortesia de Giancarlo Berardi

 

Simpático, eloqüente, persuasivo.

Platéia comprenetrada, ouvindo com atenção, anotando o que podia.

Foi o que se vi no trecho em que fiquei na oficina de roteiro ministrada por Giancarlo Berardi, iniciada por volta das 15h (estava prevista para as 14h).

Berardi é o criador e escritor das histórias de faroeste de "Ken Parker", já publicadas no Brasil, e da criminóloga Julia, lançada mensalmente pela editora Mythos.

 

O escritor italiano é tido como um dos principais roteiristas de quadrinhos.

(As tramas de Julia mostram que a fama é verdadeira)

Na oficina, ele contou que começou a atuar com os "fumetti" (nome dos quadrinhos na Itália) numa época em que eles eram mais voltados ao público infantil.

Aos poucos, começou a "adultizar" as histórias que fazia.

Começou com detalhes, como a eliminação de legendas do tipo "durante a noite..." ou "ao anoitecer".

Berardi defende que a imagem é eloqüente e se deve escrever com elas em mente.

O amadurecimento buscado por ele foi mais do que alcançado.

Tornou-se inspiração.

À noite, Berardi faz sessão de autógrafos.

(Leia mais sobre o FIQ nas postagens abaixo)

Escrito por PAULO RAMOS às 14h21
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Dois lançamentos para o ano que vem

Cláudio Martini, editor da Zarabatana, confirmou aqui no FIQ dois lançamentos para o ano que vem.

O primeiro é "Underworld", tira norte-americana assinada por Kaz.

(Há um site com algumas das tiras; para acessar, clique aqui)

Martini define o material como uma tira mais alternativa, na linha de "Maakies", lançada neste ano pela editora.

O outro lançamento é "Clara de Noche", escrita pelo argentino Carlos Trillo e desenhada pelo espanhol Jordi Bernet.

Segundo Martini, é um álbum de "humor erótico".

Clara de Noche é uma prostituta e as situações cômicas são construídas em torno dela.

Até o fim deste ano, a Zarabatana vai lançar "Escombros" (tradução do original "Crumple"), do canadense Dave Cooper.

(Leia mais sobre o FIQ nas postagens abaixo)

Escrito por PAULO RAMOS às 13h58
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O início do quadrinho adulto japonês

 

A imagem acima é o original da capa do álbum "Mulheres", de Yoshihiro Tatsumi.

O livro é um dos primeiros quadrinhos adultos japoneses e foi lançado este ano no Brasil pela Zarabatana.

Esse gênero é chamado "gekigá".

Sônia Bibe Luyten é uma das principais especialistas do mundo em mangá.

Ela é uma das das convidadas do FIQ.

Pedi a ela que definisse "gekigá":

"Gekigá significa desenho realista. Quem introduziu o termo foi Yoshihiro Tatsumi, pois seus desenhos não se enquadravam na classificação de desenhos para meninas adolesentes (shojo mangá ) ou shonem mangá para rapazes."

Escrito por PAULO RAMOS às 13h43
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Acrílico + nanquim = Pascal Rabaté

 

O francês Pascal Rabaté tem uma das exposições do FIQ em nome dele.

Faz sentido: ele é um dos convidados do Festival.

Rabaté deu uma das oficinas da sexta-feira e participa hoje de uma das mesas.

(O folheto do evento diz que ele tem 28 anos; não é verdade, tem bem mais, segundo o próprio)

A técnica usada por ele mistura acrílico com nanquim.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h34
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Uma exposição para o quadrinho infantil nacional

 

Um dos irmãos da tira "Mendelévio", de João Marcos, convida o visitante para a ala infantil.

Há de tudo um pouco, dos mais conhecidos (caso de "Suriá", de Laerte") a "Juventude" (da desenhista Chantal).

 

Outro original é da "Turma do Xaxado", de Cedraz.

O material recebeu um dos prêmios do HQMix deste ano.

E foi um dos incluídos na lista de quadrinhos comprados pelo governo federal para serem distribuídos nas escolas de ensino fundamental em 2008.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h26
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Bienvenidos, hermanos argentinos

Há uma resistência estranha sobre o quadrinho argentino no Brasil.

É um "bloqueio" editorial estranho e injustificado.

O material deles é acima da média.

Uma exposição do FIQ é dedicada inteiramente à nova produção do país.

Depois de um período econômico recessivo, os quadrinhos de lá começam a se recuperar.

E a passos largos.

Um exemplo é a revista "Fierro", editada nos anos 80 e 90 e que voltou a ser lançada no ano passado.

(Está atualmente na edição 11)

 

Liniers é uma das revelações do quadrinho argentino.

A seqüência acima é de uma das histórias da "Fierro".

Mas o melhor material dele é mesmo "Macanudo".

As tiras são inovadoras, apesar do espaço limitado da tira.

(Fica a dica para alguma editora olhar com cuidado um dos quatro álbuns de Macanudo lançados na Argentina)

 

"Paolo Pinoccio", de Lucas Varela, é um dos personagens fixos da "Fierro".

A história é sobre um Pinóquio politicamente incorreto.

Uma curiosidade sobre a "Fierro": a revista é vendida mensalmente como encarte do jornal "Página 12", de Buenos Aires.

Segundo a capa da publicação, a revista "no puede ser vendida" separadamente.

Não é o que acontece.

Não é difícil encontrar os 11 números publicados até aqui nas bancas de Buenos Aires, em especial nas da Avenida Corrientes.

(Falta uma publicação assim no Brasil... temos muito o que aprender com los hermanos argentinos)

Escrito por PAULO RAMOS às 13h17
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Super-heróis visitam Minas

Outra das exposições deste 5º Festival Internacional de Quadrinhos é sobre super-heróis.

(Seria quase pleonasmo dizer super-heróis norte-americanos).

 

O original acima, com a Liga da Justiça, é de Alex Ross.

Ross deu novo ânimo ao estilo de desenhar os quadrinhos de heróis.

Ele trouxe o recurso ultrarrealista da pintura para as páginas do gênero (até então apenas "realistas").

A minissérie "Justiça", publicada atualmente pela Panini no Brasil, traz desenhos dele.

 

Outro original -de muitos outros- é esse pôster, feito por George Pérez.

A imagem não nova para os fãs de quadrinhos de heróis.

Mostra os eventos da minissérie em 12 partes "Crise nas Infinitas Terras", uma das principais sagas da editora norte-americana DC Comics.

O interessante nela são os detalhes.

Por mais que se olhe, sempre se encontra algo novo.

(É uma espécie de "Onde está Wally" versão super-heróis)

(Falo com conhecimento de causa: tenho este pôster enquadrado em meu quarto)

Nos poucos minutos em que fiquei nesta ala das exposições, quatro pessoas ficaram paradas um tempão olhando e olhando de novo o pôster de Pérez.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h04
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Uma década de Bá e Moon numa exposição

 

O "Alienista", adaptado por Gabriel Bá e Fábio Moon, é um dos originais mostrados na exposição dos dos escritores/desenhistas.

A dupla -premiada com quatro HQMix neste ano- completa dez anos na área de quadrinhos.

O início foi no fanzine (publicação independente) "Dez Pãezinhos", lançado em São Paulo.

De fanzine para revista independente, de revista para álbum, de álbum para desenhos no exterior.

A trajetória dos dois irmãos gêmeos é mostrada na exposição e reunida numa nova obra, "Fanzine", que será lançada no FIQ neste fim de semana.

O álbum traz algumas das primeiras histórias do ainda fanzine "Dez Pãezinhos" e várias curiosidades sobre eles.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h54
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Os enigmas de Julia Kendall

 

Os cubos mostrados acima giram em 360 graus, mas encontram sempre as formas de Julia Kendall.

É o primeiro contato que o visitante tem com a exposição da criminóloga.

O restante da mostra traz originais das aventuras dela, publicadas no Brasil pela editora Mythos (a edição deste mês é a de número 35).

 

A página acima é o desenho original de um trecho da primeira história da personagem.

É bem do comecinho da história (quem leu certamente lembra).

É do tempo em que a revista ainda se chamava "Julia" no Brasil.

(O nome mudou para "J.Kendall - Aventuras de uma Criminólogoa" a partir do quinto número... segundo nota da editora, houve problema autorais com relação aos romances homônimos vendidos em bancas).

O interesse de Julia está nos roteiros, escritos pelo italiano Giancarlo Berardi.

Berardi é um dos convidados do FIQ.

Ele dá oficina agora à tarde e faz noite de autógrafos.

Berardi está na pauta do dia.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h43
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Abram ala para Orlando...

 

Uma das exposições é inteira para Orlando Pedroso.

O ilustrador, que atua na "Folha de S.Paulo", é um dos homenageados do evento.

Um detalhe da foto: parece que o palhaço mascarado ficou com pés (um par de tênis).

Os originais dessa exposição já passaram por São Paulo no ano passado.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h34
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O quadrinho nacional em perspectiva

 

A primeira ala das exposições é dedicada aos autores nacionais.

Há uma mostra de alguns desenhos originais, ladeada por uma curta biografia de cada um dos desenhistas.

Adão Iturrsugarai, Alain Voss, Alan Sieber... só para ficar em alguns da letra "a".

No centro do corredor, há um espaço exclusivo para originais de Sérgio Macedo.

Macedo foi o homenageado deste ano do Troféu HQMix, principal premiação de quadrinhos do país.

Ele deixou o Brasil na primeira metade dos anos 1970 e rumou para a Europa, em busca de novas perspectivas profissionais.

Deu certo. Publicou mais de uma dezena de álbuns por lá.

Uma dessas produções vai ser lançada agora à tarde aqui no FIQ.

É o álbum "Xingu!" (com belíssimos desenhos sobre os índios brasileiros).

A imagem abaixo é uma dos originais usados na edição, publicada pela Devir.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h31
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Exposições daqui, de lá, de todo canto

 

Um dos destaques do FIQ são as exposições com trabalhos originais.

São quadrinhos de diferentes autores, tanto daqui quanto de outros países.

São vários painéis.

A foto acima mostra uma visão em perspectiva, observado a partir do primeiro painel.

Vamos ver as seções, uma a uma...

Escrito por PAULO RAMOS às 12h19
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Uma pergunta desconcertante...

 

Houve um espaço para perguntas da platéia na palestra de Eddie Berganza, editor sênior da norte-americana DC Comics.

A maior parte das perguntas -e respostas- foi sobre os super-heróis da editora.

Não resisti...

Quis saber -fui o sétimo a perguntar- qual a pauta dele no Brasil, além de participar do FIQ e de dois bate-papos em São Paulo ao longo desta semana.

Sabe-se que ele teve um encontro com o staff da Panini/Mythos, editoras que publicam a DC no Brasil.

Perguntei qual foi a pauta do encontro e o que foi discutido.

Surpresa geral, inclusive para mim.

Houve um silêncio na platéia e na mesa que conduzia a palestra.

Foi, confesso, desconcertante.

Berganza ficou uns 20 segundos cochichando com o condutor da palestra.

Demorou mais uns 10 para responder. E, quando o fez, fpoi evasivo:

"Estive aqui no Brasil para conhecer as pessoas que fazem os quadrinhos da DC".

Não se duvida que ele tenha feito isso, mas não só isso.

Não convenceu. Pena que não houve direito a réplica.

Em tempo: Eduardo Nasi fez um bate-papo bem interessante com ele para o site Universo HQ, também sobre quadrinhos.

Para quem curte DC Comics, merece leitura.

(Leia mais sobre o FIQ nas postagens abaixo)

Escrito por PAULO RAMOS às 12h04
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Bate-papo com Eddie Berganza

 

Eddie Berganza (foto acima) é um dos convidados internacionais do FIQ.

Ele é editor sênior da DC Comics, uma das principais editoras de quadrinhos dos EUA.

É a mesma que publica Batman e Super-Homem.

A palestra começou às 11h.

Berganza passou o primeiro terço do tempo mostrando imagens e informações sobre o que é publicado neste momento nos Estados Unidos.

Mostrou às cerca de 40 pessoas presentes o que é rotulado "spoilers", notícias que antecipam informações não mostradas ainda aos brasileiros.

Na verdade, não havia muita novidade aos leitores que acompanham sites de quadrinhos:

  • Super-Homem da minissérie "O Reino do Amanhã" participa da nova série da Sociedade da Justiça
  • Arqueiro Verde se casa com Canário Negro
  • Wally West volta a vestir o uniforme do super-herói velocista Flash
  • Vai haver uma minissérie com o Capitão Marvel

(Como se vê, papo de fã, para fã)

Mas escaparam algumas novidades.

Vai haver versões infantis dos supergrupos Novos Titãs e Liga da Justiça, rebatizada de Super-Amigos.

Há uma nova série, chamada "Gotham Underground", em que o foco está nos vilões de Batman (a imagem mostrava o Charada).

Em nome da clareza: as histórias da DC Comics são publicadas no Brasil com um ano de intervalo em relação aos Estados Unidos.

(Leia mais sobre os FIQ nas postagens abaixo)

Escrito por PAULO RAMOS às 12h02
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Cartaz do FIQ

 

Já na parte interna, o visitante é recebido por um largo cartaz.

O desenho é feito pelo veterano desenhista Julio Shimamoto.

O brasileiro é um dos homenageados desta quinta edição do Festival.

O outro homenageado é o ilustrador Orlando Pedroso.

(Leia mais sobre o FIQ nas postagens abaixo)

Escrito por PAULO RAMOS às 11h53
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Quadrinhos na serraria

 

Essa é a fachada da Serraria Souza Pinto, onde ocorre o FIQ.

Fica bem no centro de Belo Horizonte.

O local, como o nome diz, é uma antiga serraria, adaptada como centro de eventos.

É um espaço bem amplo, hoje pautado por quadrinhos.

Escrito por PAULO RAMOS às 11h50
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Um dia no FIQ

Passo o sábado no FIQ, Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte (MG).

É a quinta edição do festival, que ocorre a cada dois anos.

O FIQ é um dos principais eventos de quadrinhos do país e já entrou no calendário turístico de BH.

É o quinto dia de atividades.

As palestras, bate-papos e lançamentos começaram na terça-feira.

O objetivo é mostrar as atividades de hoje do ponto de vista do visitante.

Espero que o leitor consiga ter uma idéia de como é o evento, mesmo que virtualmente.

Nota: visito a convite da organização do FIQ (sou um dos palestrantes do dia).

Escrito por PAULO RAMOS às 11h47
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