26/09/2007

Até a volta

Faço uma necessária pausa. Volto a postar no fim de outubro. Até lá.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h12
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Quadrinhos voltam a ser distribuídos nas escolas em 2008

Álbuns em quadrinhos farão parte da lista de obras que o governo federal vai distribuir no ano que vem em escolas públicas.

 

O repasse é gratuito e faz parte do PNBE (Programa Nacional Biblioteca na Escola), que objetiva estimular a leitura dos estudantes.

 

Na última lista, elaborada em 2006 e distribuída neste ano, havia dez títulos em quadrinhos.

 

O interesse em publicações assim foi demonstrado publicamente no edital de seleção das obras.

 

São as editoras que procuram o governo (e não o contrário, como algumas informaram ao longo deste ano).

 

Elas tiveram até o fim de maio para inscrever os títulos que gostariam de vender para o governo, que vai gastar mais de R$ 25,6 milhões na compra para o ensino fundamental (alunos de 6 a 14 anos).

 

O edital sobre o processo de inscrição diz que o acervo a ser comprado para o ano que vem terá necessariamente livros em prosa, em poesia, com imagens e em quadrinhos.

 

O interesse principal são obras sobre literatura em quadrinhos, o que explica, oficialmente, por que o gênero teve tanta atenção editorial no último ano.

 

O texto do edital afirma que serão selecionados “livros em histórias em quadrinhos, entre os quais se incluem obras da literatura universal artisticamente adaptadas ao público de educação infantil e das séries/anos iniciais do ensino fundamental”.

 

As obras, após serem recebidas, passam para um departamento de pesagem e de avaliação do material.

 

O cuidado é porque as edições serão manuseadas por mais de um aluno. Essa etapa já foi feita.

 

Se aprovadas, as obras passam para a Coordenadoria Geral de Estudos e Avaliação de Materiais, ligada ao Ministério da Educação.

 

O departamento é que faz a triagem das obras e que dá a palavra final sobre quais livros serão incluídos na lista para 2008.

 

A seleção ainda é feita. A lista deve ser fechada em outubro.

 

Os quadrinhos, do ponto de vista do governo, são vistos como uma ferramenta mais atraente para estimular a leitura.

 

“O apelo visual, a figura, é algo que atrai demais a criança, é uma forma de ela se interessar para a leitura por um outro formato”, diz Cecília Correa Sampaio, coordenadora substituta do departamento de seleção de obras.

 

O MEC adotou como política instigar os jovens a lerem. Outra iniciativa é o prêmio Vivaleitura, em que um projeto educacional sobre quadrinhos entre os 15 finalistas (leia aqui).

 

“A gente observa que apenas a distribuição das obras não é suficiente, é necessário um trabalho de mediação do professor”, diz Cecília.

 

No caso específico dos quadrinhos, ela não adianta ainda quais são os títulos. Mas confirma que os quadrinhos estão na lista, em especial as adaptações.

 

“Temos priorizado a seleção de obras [em quadrinhos] literárias. No momento, nós damos essa ênfase à literatura.”

 

Cecília acredita, no entanto, que edições sobre outros gêneros dos quadrinhos devam também integrar a lista.

 

Segundo o governo, o programa deve chegar a mais de 16 milhões de alunos de 127,5 mil escolas de todo o país.

 

As edições vão para alunos do ensino fundamental (de seis a 14 anos).

 

Crianças da educação infantil (quatro a cinco anos), incluídos pela primeira vez no PNBE.

 

A proposta é dividir a distribuição de acordo com o número de alunos. Escolas com 120 alunos vão receber um acervo –como o governo chama-, composto por 20 títulos.

 

Locais que tiverem entre 151 e 300 estudantes receberão dois acervos e assim sucessivamente.

 

Veja na postagem abaixo as dez obras em quadrinhos que integraram a lista neste ano.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h08
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Obras em quadrinhos que integraram o PNBE neste ano

  • A Metamorfose (Conrad)
  • Na Prisão (Conrad)
  • Níquel Náusea – Nem Tudo Que Balança Cai (Devir)
  • O Nome do Jogo (Devir)
  • Pau Pra Toda Obra (Devir)
  • Asterix e Cleópatra (Record)
  • Dom Quixote em Quadrinhos (Peirópolis)
  • Santô e os Pais da Aviação (Companhia das Letras)
  • Toda Mafalda (Martins Fontes)
  • A Turma do Pererê – As Gentilezas (Salamandra)

Escrito por PAULO RAMOS às 20h04
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25/09/2007

Lançada obra que narra trajetória da Ebal

O livro que conta a trajetória da Ebal (Editora Brasil-América) começa a ser vendido neste fim de mês.

 

“Ebal – Fábrica de Quadrinhos” (Via Lettera, R$ 48) vai contar a história da empresa e de seus diferentes lançamentos.

 

A empresa carioca, fundada por Adolfo Aizen em 1945, foi uma das principais editoras brasileiras de quadrinhos do século passado.

 

O levantamento foi feito pelo pesquisador Ezequiel de Azevedo, autor de “O Tico-Tico – Cem Anos de Revista”, lançado em 2005 pela Via Lettera.

 

Quando o Blog antecipou a publicação do livro sobre a Ebal, em maio (leia aqui), o autor disse que levou cinco anos para juntar todo o material.

 

A obra, de 112 páginas, fará referência a mais de 10 mil revistas e 1.700 livros infantis. Terá ainda reprodução de capas dos primeiros números de várias publicações.

 

“Ebal – Fábrica de Sonhos” é lançada num ano estratégico. Se estivesse vivo, Aizen faria cem anos em 2007.

 

O editor morreu em 10 de maio de 1991, de infarte. A Ebal encerrou as atividades pouco depois, em 1995.

 

Leia mais detalhes sobre a obra aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h43
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Relançado álbum com uma das primeiras histórias de Bá e Moon

Primeiro, foi o fanzine. Depois, as histórias foram reunidas num volume único.

 

Agora, o álbum é relançado para comemorar os dez anos da história produzida no mesmo fanzine do início desta postagem.

 

É essa a trajetória de “O Girassol e a Lua”, que será relançada neste fim de mês pela Via Lettera.

 

É a mesma editora da primeira versão, publicada em 2000. A capa foi refeita (ao lado).

 

A história é um dos primeiros trabalhos em quadrinhos dos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon.

 

“O Girassol e a Lua” é a segunda série que a dupla publicou no fanzine “Dez Pãezinhos”, que ambos criaram em fevereiro de 1997.

 

Esse conto em quadrinhos começou a ser publicado em agosto daquele ano. A dupla narrou a história em sete números, de 12 páginas cada um.

 

O fanzine “Dez Pãezinhos” se confunde com a trajetória de Bá e Moon, que venceram neste ano quatro troféus HQMix. Leia mais aqui.

 

Escrito por PAULO RAMOS às 19h37
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Novo álbum de Marcio Baraldi satiriza figura do rock

Você já viu e ouviu boa parte dos personagens de “Humortífero”, novo álbum de Marcio Baraldi.

 

A obra, que começa a ser vendida no início de outubro (Opera Graphica, R$ 10), cria situações cômicas às custas dos figurões do rock´n´roll.

 

Talvez a “situações cômicas” não condiga exatamente com o que Baraldi faz com os músicos.  O desenhista, na verdade, pinta e borda com eles.

 

Quem passava pela imaginação dele ganhava uma história de uma página ou virava personagem humorístico de outra narrativa maior.

 

De Mutantes e Ultraje a Rigor aos internacionais U2 e Beatles, Baraldi não perdoa a ninguém. Mas ele tem os preferidos para malhar.

 

É fácil de perceber de quem ele não gosta. A personalidade musical é indicada por meio de um apelido, e não com o nome original (como os demais).

 

A lista é longa: Zandy e Xúnior, Abbaba (referência ao grupo Abba), Padre Marmello (e não Padre Marcelo), Carla Perereca (no lugar de Carla Peres).

 

Dois, no entanto, lideram a lista dos mais “citados”: Richard Gayderman (referência ao pianista Richard Clayderman) e Girl George (menção jocosa ao cantor Boy George).

 

O álbum não é só diversão. É também um exercício de conhecimento sobre o mundo do rock. O limite é a memória e as referências de cada leitor.

 

Há até menções a Sapula-Pula (lembra-se dele?), antigo personagem de desenho animado, transmitido no Brasil por diferentes emissoras de televisão.

 

Baraldi mostra que possui um leque vasto de informações sobre a área.

  

Isso já havia sido demonstrado em outro trabalho, as histórias de “Roko-Loko e Adrina-Lina”, personagens mais famosos dele (leia mais aqui).

 

As histórias de “Humortífero” são reedições. O material foi publicado pela primeira vez entre 1996 e 2007 na revista “Metalhead”, especializada em rock.

 

Baraldi faz uma festa-lançamento do álbum e de outros produtos ligados a seus personagens no dia 7 de outubro.

 

O evento vai ser na Blackmore Bar, em São Paulo (al. Maracatins, 1.317). Está programado para começar às 16h.

Escrito por PAULO RAMOS às 18h42
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24/09/2007

Autores independentes se unem e criam selo para publicar revistas

Autores de revistas independentes brasileiras criaram um selo para integrar publicações do gênero existentes atualmente no país.

 

O selo vai se chamar “Quarto Mundo”, mesmo nome da lista de discussão que integra diferentes escritores e desenhistas independentes de diferentes estados.

 

A proposta é que o selo não funcione como uma editora ou limite a criatividade de seus integrantes.

 

O objetivo é dar uma cara mais uniforme e maior visibilidade às diferentes produções. Uma das possibilidades é usar o selo na capa das edições.

 

O primeiro evento público dos integrantes do Quarto Mundo é o FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), que ocorre de 16 a 21 de outubro em Belo Horizonte (leia aqui).

 

O grupo alugou um estande no local para vender as publicações. O dinheiro para o pagamento foi rateado entre os participantes.

 

A existência de que havia os autores independentes mantinham uma lista de discussão foi noticiada pelo Blog em julho (leia aqui). 

 

Foi mais um indício de que o movimento ganhava corpo e começava a se entrosar.

 

Na entrega do Troféu HQMix, em 11 de julho, já havia um estande único com diferentes publicações do gênero (leia aqui).

 

Algumas traziam um “checklist” de revistas independentes lançadas no período.

 

O Blog pediu a Cadu Simões, autor da revista “Homem-Grilo” e um dos integrantes do grupo, que explicasse melhor a proposta.

 

É dele o texto da próxima postagem.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h42
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Autores independentes se unem e criam selo para publicar revistas - II

Texto: Cadu Simões, um dos integrantes do selo independente Quarto Mundo

Em uma explicação rápida, o Quarto Mundo é basicamente um coletivo de quadrinistas independentes que buscam se ajudar na solução de problemas comuns que encontramos na produção de nossas revistas em quadrinhos, como a divulgação, distribuição e venda.


O grupo começou quando eu e o Leonardo Melo [da independente "Quadrinhópole"] criamos um grupo de e-mail e convidamos alguns quadrinistas amigos nossos pra podermos trocar idéias e experiências.

 

Uma dessas idéias que surgiu logo de cara foi a de trocarmos nossas revistas entre si, assim cada um venderia a revista do outro, o que ajudaria tanto na distribuição das revistas pelo país quanto na própria venda, pois se você tem mais títulos diferenciados pra oferecer ao leitor, maiores são as chances de ele levar ao menos um deles.

 

Uma amostra disso foi a banca que montamos durante o HQ Mix. Outra idéia inicial foi a do "checklist independente" que você já pode conferir em algumas revistas.


Hoje em dia o grupo de e-mails do Quarto Mundo possui representantes de diversas revistas em quadrinhos independentes que estão sendo publicadas pelo país, entre elas: "Garagem Hermética", "Quadrinhópole", "Avenida", "Cão", "Jukebox", "Tipos", "Isto não é uma Revista", "Gorjeta", "Menino Carangueijo", "O Contínuo", "Subterrâneo", "Tarja Preta", "Sociedade Radioativa", "Grande Klan".

 

No entanto, o objetivo do Quarto Mundo não é ser uma panelinha fechada aos integrantes que já estão no grupo. Muito pelo contrário.

 

Todo quadrinista independente já é um integrante em potencial do Quarto Mundo - mesmo sem saber disso.

 

Porque a nossa filosofia é pautada pela colaboração e compartilhamento. É o que eu chamo de organização de colméia.

 

Vejo os quadrinistas independentes como abelhas. Sozinhos, eles são quase invisíveis, não conseguem se destacar. Mas quando reunidos em uma "colméia", ganham muito mais visibilidade, e possuem mais chance de crescer e se destacar.

 

Mas, diferentemente de uma colméia, no Quarto Mundo não há hierarquia. Isso quer dizer também que não há imposição editorial. Cada grupo de quadrinistas independentes deve continuar produzindo suas revistas como sempre produziu.

 

Inclusive, a grande variedade de temas, estilos e linhas editorias das revistas em quadrinhos independentes são o grande trunfo do Quarto Mundo.

 

Se fôssemos uma editora, teríamos facilmente uma catálogo de títulos nacionais tão grande e variado, ou até mais, do que qualquer editora que publica quadrinhos nacionais (que aliás, não são muitas).


O nosso ponto de contato tanto com os leitores, quanto com outros quadrinistas independentes que queiram se juntar ao Quarto Mundo é através do nosso blog, que ainda está em construção.

 

Mas pretendemos colocá-lo no ar até o início do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), onde será a estréia oficial do Quarto Mundo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h36
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Evento sobre quadrinhos em São Paulo enfoca independentes

 

 

O quadrinho independente brasileiro é o principal foco do “HQ na BA”, evento que vai ocorrer no dia 6 de outubro no Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo.

 

A publicação independente –que ganhou novo fôlego neste ano- está na pauta de quase todas as atividades programadas.

 

Os “workshops”, por exemplo, vão abordar temas ligados à produção de quadrinhos, do desenho ao roteiro. Há um específico para criação de personagens.

 

Algumas oficinas ensinarão até como divulgar as produções.

 

O “HQ na BA” (sigla de “Belas Artes”) terá também dois debates. Às 10h, Eloyr Pacheco, do site “Bigorna”, coordena uma mesa sobre quadrinhos e internet.

 

Às 20h, o tema é a produção independente brasileira. Faço a mediação dessa mesa, que terá participação de diferentes autores independentes.

 

O “HQ na BA” vai das 9h às 21h (ou até mais). Nessas 12 horas, a proposta é que um grupo de desenhistas faça uma pequena maratona de quadrinhos.

 

A idéia é criar uma história de 12 páginas até o fim do encontro, numa média de uma página por hora.

 

Está programada ainda uma feira de quadrinhos –com obras independentes e de editoras tradicionais- e uma exposição com originais dos desenhistas Roger Cruz, Greg Tocchini e Renato Guedes.

 

É a segunda vez neste ano que uma universidade paulista abre as portas para promover um evento ligado a quadrinhos.

 

No fim de abril, houve evento semelhante, o “HQ & Cultura”. O encontro ocorreu na Uninove, também em São Paulo (leia mais aqui).

 

O “HQ na BA” é gratuito. O encontro é coordenado por Harriot Junior, editor e escritor da revista independente “Cão” (leia mais aqui e aqui).

 

O Centro Universitário Belas Artes fica na rua José Antônio Coelho, 879, na Vila Mariana, em São Paulo.

 

Clique neste link para ler a programação completa do evento.

Escrito por PAULO RAMOS às 16h41
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23/09/2007

Dálcio Machado: prêmio no exterior, livro de charges no Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cartum do desenhista brasileiro, premiado em Istambul, na Turquia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pode-se dizer, sem margem de erro, que este é um mês especial para o desenhista Dálcio Machado. Duplamente especial.

 

Ele lança um livro de charges e teve um trabalho premiado no Aydin Dogan International Cartoon Competition, salão de humor gráfico de Istambul, na Turquia.

 

O cartum –mostrado acima- disputou com outras 3.326 obras de 91 países. O trabalho ficou em segundo lugar, empatado com o de um desenhista mexicano, Boligán.

 

Foi Boligán quem deu a notícia a ele por telefone, no meio da madrugada, há algumas semanas. “Nunca fiquei tão feliz em ser acordado às três da matina”, diz, por e-mail.

 

A idéia de participar do salão de humor turco surgiu no ano passado. Ao receber outro prêmio em Atenas (o Greekartoon), decidiu conhecer com a esposa Istambul, a uma hora de vôo.

 

“Por uma grande coincidência, a abertura do Aydin Dogan seria naquela semana, e tivemos o privilégio de acompanhar tudo de perto”, diz o desenhista, que está com 35 anos.

 

“Ali, decidi que, no ano seguinte, eu concorreria, só pra ter a chance de voltar praquele lugar mágico mais uma vez. Você pode imaginar minha felicidade quando recebi a notícia da premiação.”

 

A volta para o lugar mágico já tem data. Ele programa estar na cerimônia de abertura deste ano, que vai ocorrer no seis de novembro.

 

Pelas contas de Dálcio Machado, este é o 85º prêmio da carreira dele, o quarto do ano.

 

De janeiro até agora, ele venceu como melhor capa no Prêmio Abril de Jornalismo e teve duas menções honrosas, uma no Salão Carioca e outra no World Press Cartoon.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do livro que reúne 80 charges de Dálcio Machado

 

 

 

 

 

 

 

 

O livro –capa acima- também tem sabor de conquista.

 

É o primeiro da carreira, iniciada aos 16 anos no jornal “Correio Popular” de Campinas, cidade paulista onde mora (fica a 95 km da capital).

 

Machado passou um longo tempo no concorrente, “Diário do Povo”, mas voltou ao Correio em 2003. Está lá desde então.

 

O livro reúne charges produzidas desde 2003. A obra traz 80 desenhos, um para cada ano de vida do Correio, que completa oito décadas neste ano.

 

Nesse período de cinco anos como chargista do jornal, ele produziu cerca de 1.500 trabalhos. O difícil –ou o “complicado”, segundo ele- foi selecionar quais entrariam no livro.

 

“Muitas, que eram boas na ocasião em que foram feitas, mas muito ligadas a um assunto de pouco fôlego, perderam um pouco o sentido e ficaram de fora”, diz.

 

“As que foram premiadas em eventos internacionais tinham lugar garantido, assim como as que tiveram boas respostas dos leitores.”

 

O livro é vendido pelo correio. Custa R$ 8,50 mais o valor do frete.

 

As encomendas são feitas por meio de serviço telefônico do jornal “Correio Popular”. Há dois números: 0800 122121 / (19) 3736-3200.

Escrito por PAULO RAMOS às 17h48
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22/09/2007

BigHatBoy: história em quadrinhos com toque de dobradura

Fiz um texto curto para o "Folhinha", suplemento infantil do jornal "Folha de S.Paulo", sobre o lançamento de "BigHatBoy" (Conrad, R$ 25).

A matéria saiu na edição deste sábado e pode ser lida neste link (assinante UOL).

A obra, do brasileiro Marco Alemar, se passa num mundo em que todos os personagens são de papel e usam chapéus.

A editora pretende dar continuidade à série, feita no estilo dos mangás, no ano que vem. 

O álbum, de 88 páginas, teve lançamento na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.

Saiba mais aqui.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h39
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21/09/2007

Pyongyang: o lado desconhecido da vida na Coréia do Norte

Não é regra. Mas quando quadrinhos abordam assuntos reais –e não ficcionais-, a tendência é que a história suba a um outro patamar de qualidade.

 

“Pyongyang – Uma Viagem à Coréia do Norte” atinge essa escala qualitativa. E com méritos.

 

O álbum, lançado nesta semana (Zarabatana, R$ 35), levanta o véu que cobre a misteriosa –mas extremamente curiosa- vida na Coréia do Norte.

 

A história, na verdade, é um tour em quadrinhos. O guia turístico é o escritor e desenhista canadense Guy Delisle, hoje com 41 anos.

 

Ele narra em primeira pessoa os dois meses que passou na capital do país, Pyongyang. Foi a serviço para trabalhar no Sek, um dos estúdios de animação de lá.

 

O trabalho dele –revisar seqüências erradas de um seriado animado- rende bons momentos de humor.

 

Numa das cenas, por exemplo, ele pede correção no rosto de felicidade de um dos personagens. O papai urso do desenho sorri quando descobre que os filhos estão desaparecidos.

 

O serviço no estúdio de animação –de custo mais barato, por isso atrai tantos estrangeiros- fica em segundo plano quando ele observa –e leva o leitor a observar- a realidade de lá.

 

A sensação que ele passa é a de que o país –uma ditadura comunista- gira em torno da negação da auto-existência.

 

  

O que predomina é o regime e as vontades de seu líder, Kim Jong-il, que herdou o comando do pai, Kim Il-Song. Imagens dos dois e alusões a eles predominam em cada canto da capital do país. Ganha-se pelo cansaço.

 

Nas paredes há fotos maquiadas de ambos. Nos documentários de TV, são citados elogiosamente. Nas poucas emissoras de rádio, as músicas incluem o nome dos líderes nas letras.

 

No trajeto do aeroporto até o hotel, os turistas fazem uma parada obrigatória ante a uma estátua do grande líder. Com direito a reverência.

 

 

Um guia ou um tradutor (ou os dois) acompanham cada um dos estrangeiros que passam pelo país. A presença deles é obrigatória.

 

Eles vão aonde os turistas forem, como sombras. Censuram locais, permitem acesso a outros, reproduzem sincronicamente o mesmo discurso pró-regime.

 

Canções estrangeiras são malvistas. Num dos relatos de Delisle, um norte-coreano fecha a porta quando o desenhista ouve música. A canção, diz o morador, pode ser uma má influência.

 

Há outras citações, tão surreais quanto. Após ver uma monitora expor durante um longo tempo que os Estados Unidos são o inimigo do país, ela pergunta a ele se mudou de opinião.

 

Em outro momento, Delisle pergunta por que não vê deficientes nas ruas.

 

Ouve como resposta –dita seriamente pelo tradutor- que todos os norte-coreanos nascem inteligentes e saudáveis.

 

Na leitura do desenhista, que hoje mora na França, as restrições levam a um isolamento completo do mundo. Os meios de comunicação veiculam apenas a voz do governo.

 

E os moradores acreditam. Ou se omitem no questionamento. A ironia é que o único livro levado por Delisle ao país é “1984”, de George Orwell.

 

É um país cuja vida é pouco conhecida no ocidente. É uma realidade até então desconhecida. O véu que Delisle levanta assusta e incomoda. Mas merece ser visto.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h18
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Por que Ajax virou J´onn J´onzz?

A editora Panini optou por rebatizar no Brasil o nome do super-herói Ajax.
 
Ele agora é mostrado como J´onn J´onzz, nome original do marciano, que possui poderes semelhantes aos do Super-Homem.
 
A troca de nome ocorreu há alguns meses. Mas fica bem evidente no encadernado "Arquivo DC - Liga da Justiça América", que começou a ser vendido neste mês (leia mais aqui).
 
A obra relança as primeiras aventuras do principal grupo da editora norte-americana DC Comics. As histórias são de 1960 a 1962.
 
O herói marciano é um dos integrantes da equipe. O novo nome, J´onn J´onzz é usado várias vezes.
 
Nas revistas mensais, Ajax -ou J´onn J´onzz- está sumido desde o início de "Crise Infinita".
 
minissérie, lançada em janeiro, tentava reestruturar os heróis da editora (leia aqui).
 
O herói marciano foi atacado pouco antes da minissérie começar. Está desaparecido desde então. O retorno dele foi anunciado para o mês que vem na revista mensal da Liga.
 
O Blog perguntou ao editor sênior da DC no Brasil, Fabiano Denardin, quais foram os motivos que levaram ao novo batismo do personagem no país.
 
Blog - Por que houve a mudança do nome do personagem?
Fabiano Denardin - Quando começamos a publicar a DC, assumimos o compromisso de mudar o que não estivesse de acordo com a nossa linha editorial, que é de uma fidelidade maior ao conteúdo original - tanto na forma (formato americano) quanto no conteúdo. E o caso do J'onn J'onnz era um dos mais emblemáticos, já que "Ajax" não é uma tradução, mas um rebatismo. Nessa mesma linha, também voltamos a chamar Smallville de Smallville [até então, a cidade era chamada de Pequenópolis]. Não me recordo se isso foi feito pela Abril.
 
Blog - Esse tipo de mudança não arranha a memória do personagem no país, historicamente conhecido pelos leitores com outro nome?
Denardin - Por esse argumento, estaríamos lendo as aventuras dos fantásticos repórteres Eduardo Kent (justiça seja feita, a própria Ebal optou por manter Clark em seguida) e Miriam Lane (voltou a ser Lois só nos anos 80, pela Abril). Pedro Prado seria a identidade secreta do amigão da vizinhança. E o vilão Jaganata aterrorizaria o universo Marvel, não o Fanático. Não acredito que algum desses personagens tenha tido sua memória arranhada por uma correção de nome. Pra não dizer que simplesmente ignoramos o passado, Joel Ciclone continua sendo chamado assim algumas vezes, pra diferenciá-lo dos outros Flash.
 
A Editora Abril fez troca semelhante no início do século. Mudou o nome de Super-Homem para Superman, como é nos Estados Unidos.
 
Leia mais sobre essa mudança aqui.
 
Crédito da imagem: www.hq.pro.br

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h19
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20/09/2007

Projeto sobre quadrinhos é finalista de prêmio de estímulo à leitura

Um projeto feito numa escola paulista é um dos 15 finalistas do Prêmio Vivaleitura 2007.

 

O prêmio do governo federal escolhe iniciativas de estímulo à leitura em três áreas: escolas públicas e privadas, leitura nas bibliotecas e leitura nas universidades.

 

Segundo o site do prêmio, os vencedores de cada uma das categorias ganham R$ 25 mil.

 

“Semeando o prazer de ler com a história em quadrinhos”, nome do projeto sobre quadrinhos, concorre na categoria leitura nas escolas.

 

O projeto pedagógico disputa o primeiro lugar com outros quatro finalistas da área. Os resultados serão divulgados no dia 30 de outubro.

 

O prêmio teve 1.855 iniciativas inscritas. Os 15 projetos selecionados para a final são de nove estados do país.

 

É a segunda edição do Vivaleitura. O prêmio está atrelado ao PNLL (Plano Nacional do Livro e Leitura), órgão do governo federal que concentra políticas de estímulo à leitura.

 

Os quadrinhos já fazem parte dessa política.

 

No ano passado, o Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) inclui dez álbuns em quadrinhos na lista de obras compradas pelo governo.

 

O PNBE distribui livros gratuitamente a alunos do ensino fundamental (leia mais aqui).

 

Clique aqui para ver a relação completa dos finalistas.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h40
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FIQ começa a definir convidados nacionais

Aos poucos, a 5ª edição do Festival Internacional de Quadrinhos vai ganhando uma cara.

 

Os organizadores já definiram os convidados nacionais e as mesas de debate do evento, um dos principais do país na área de quadrinhos.

 

Os participantes ainda são contatados. Por isso, pode haver ainda alguma alteração na lista de convidados do evento, que vai ocorrer em Belo Horizonte no meio do mês que vem.

 

Até o momento, a lista inclui:

 

  • Antônio Cedraz – criador da Turma do Xaxado
  • Bira Dantas – quadrinista que prepara adaptação do romance “Dom Quixote”
  • Carlos Patati – um dos autores de “Almanaque dos Quadrinhos”
  • Daniel Bueno – quadrinista, ilustrador e mestre pela USP (Universidade de São Paulo)
  • Eloar Guazzelli – quadrinista e pesquisador
  • Fábio Moon e Gabriel Bá – criadores dos álbuns “10 Pãezinhos”
  • Fábio Zimbres – quadrinista e editor
  • Gazy Andraus – quadrinista e doutor em comunicação pela USP
  • Henrique Magalhães – professor universitário e editor da “Marca de Fantasia”
  • Gualberto Costa – quadrinista e pesquisador (prepara livro sobre a história da revista “Balão”)
  • José Aguiar – autor do álbum “Folheteen”
  • Luís Augusto – criador da série “Fala Menino!”
  • Marcelo Campos – desenhista e dono da Quanta Academia, em São Paulo
  • Renato Alarcão – designer gráfico e mestre em ilustração pela School of Visual Arts, de Nova York
  • Renato Guedes – desenhista de quadrinhos com experiência no mercado norte-americano
  • Santiago – chargista
  • Sônia Luyten – doutora especializada em quadrinhos japoneses; é autora de “Mangá – O Poder dos Quadrinhos Japoneses”

Também integro a lista de convidados.

 

Outros dois participantes são Orlando Pedroso e Julio Shimamoto. Os dois serão os homenageados do FIQ nas categorias ilustração (Pedroso) e quadrinhos (Shimamoto).

 

Os nomes internacionais tinham sido divulgados no começo de julho (leia mais aqui).

 

A antecedência, segundo os organizadores, é porque são pessoas mais difíceis de agendar.

 

Os convidados são Benoît Sokal, Carlos Sampayo, Domingo Madrafina, Eduardo Risso, Giancarlo Berardi, Juan Sáenz Valiente, Kan Takahama, Pascal Rabaté e Ethan van Sciver (ainda não confirmado).

 

Melinda Gebbie, esposa de Alan Morre e desenhista da minissérie “Lost Girls”, também integrava a lista. Ela cancelou a vinda ao Brasil no início deste mês (leia aqui).

 

Os convidados, tanto nacionais quanto estrangeiros, vão participar de diferentes debates. Os temas foram definidos nesta semana.

 

Entre os temas das mesas, estão literatura em quadrinhos e pesquisas científicas desenvolvidas na área.

 

O FIQ ocorre entre 16 e 21 de outubro na Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte, Minas Gerais. O evento –gratuito- é organizado pela editora Casa 21 e pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte.

  

Há mais informações no site do festival de quadrinhos. Para acessar, clique aqui.

 

Só um registro: FIQ é diferente do FIHQ, Festival Internacional de Humor e Quadrinhos.

 

O FIHQ começou nesta semana, em Recife, e vai até o dia 7 de outubro. Leia mais aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h41
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19/09/2007

Álbum faz leitura bem-humorada da união homossexual

Parece fácil, mas requer precisão quase cirúrgica o uso do humor no trato de temas delicados. O risco é o de soar caricato ou pejorativo.

 

O alemão Ralf König, num álbum lançado este mês, consegue discutir o universo homossexual sem apelar para os tradicionais rótulos.

 

Ajuda o fato de o autor ser homossexual, opção que assumiu em 1979. Desde então, inclui essa temática nas criações em quadrinhos que faz.

 

“E, Agora os Noivos Podem se Beijar” (Via Lettera, R$ 30) mostra a história de dois homens, Paul e Conrad, que decidem se casar após 15 anos de relacionamento.

 

“Casar” não é bem o termo exato. Trata-se do registro civil de parceira entre casais homossexuais.

 

A medida se tornou possível na gestão do último premiê alemão, o social-democrata Gerard Schröder. Hoje, o cargo está nas mãos da democrata-cristã Ângela Merkel, eleita em 2005.

 

É em meio a esse cenário político que Paul e Conrad decidem dar um passo mais sério no relacionamento.

 

Mas a união não será fácil. E é nisso –e nos diálogos- que reside o bom humor do álbum, de 144 páginas.

 

Paul é viciado em sexo. Mesmo às vésperas da união, fica recebendo torpedo para marcar encontros com outros viciados em sexo.

 

Conrad, mais erudito, não vê na atitude do parceiro um problema. Para ele, o desafio é outro: convencer a família e a antiga noiva sobre o enlace.

 

O álbum lembra um pouco o enredo do filme norte-americano “Eu os Declaro Marido e... Larry”, atualmente em cartaz.

 

Mas, ao contrário dos personagens interpretados por Adam Sandler e Kevin James, os protagonistas do álbum têm plena convicção de sua opção sexual.

 

Outra diferença é a qualidade dos diálogos.

 

É por meio deles que König diverte ao mesmo tempo em que passa, sutilmente, seu ponto de vista sobre a legalização da união homossexual.

 

É a segunda obra de König lançada pela Via Lettera. A primeira, “O Homem Ideal”, foi publicada em dezembro de 1997.

 

A editora anunciou no início do ano mais um trabalho do desenhista alemão, “Os Coelhos”. Leia mais aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h57
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18/09/2007

A história de Dom Quixote, segundo Bira Dantas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cena da adaptação em quadrinhos do romance de Miguel de Cervantes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O desenhista Bira Dantas luta contra o calendário. Ele tem pouco menos de três meses para terminar a adaptação em quadrinhos do romance “Dom Quixote”.

 

O desafio aumenta quando se sabe que o clássico do espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616) soma cerca de 600 páginas.

 

A história do cavaleiro idealista foi publicada em dois volumes, lançados em 1605 e 1615, respectivamente.

 

A adaptação em quadrinhos, que será lançada pela Escala Editorial, vai ter um volume só. Dantas prevê por volta de 120 páginas.

 

As imagens desta e da próxima postagem mostram trechos das primeiras páginas da obra. Os desenhos são feitos com aquarela em sulfite.

 

Parte das referências visuais vem de ilustrações, fotos e recortes cedidos por um amigo de Campinas, cidade do interior paulista onde Dantas mora.

 

“Está sendo muito legal trabalhar na obra original, pois estou descobrindo preciosidades que nenhuma adaptação ainda tinha mostrado, pelo menos as que eu li”, diz o desenhista de 44 anos.

 

“Cervantes trata a vida de Dom Quixote como algo real, como se o fidalgo tivesse realmente existido e fosse Cervantes um biógrafo da sua vida.”

 

O convite para adaptar a obra partiu da própria editora. Dantas já tinha tr