26/09/2007

Até a volta

Faço uma necessária pausa. Volto a postar no fim de outubro. Até lá.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h12
[comente] [ link ]

Quadrinhos voltam a ser distribuídos nas escolas em 2008

Álbuns em quadrinhos farão parte da lista de obras que o governo federal vai distribuir no ano que vem em escolas públicas.

 

O repasse é gratuito e faz parte do PNBE (Programa Nacional Biblioteca na Escola), que objetiva estimular a leitura dos estudantes.

 

Na última lista, elaborada em 2006 e distribuída neste ano, havia dez títulos em quadrinhos.

 

O interesse em publicações assim foi demonstrado publicamente no edital de seleção das obras.

 

São as editoras que procuram o governo (e não o contrário, como algumas informaram ao longo deste ano).

 

Elas tiveram até o fim de maio para inscrever os títulos que gostariam de vender para o governo, que vai gastar mais de R$ 25,6 milhões na compra para o ensino fundamental (alunos de 6 a 14 anos).

 

O edital sobre o processo de inscrição diz que o acervo a ser comprado para o ano que vem terá necessariamente livros em prosa, em poesia, com imagens e em quadrinhos.

 

O interesse principal são obras sobre literatura em quadrinhos, o que explica, oficialmente, por que o gênero teve tanta atenção editorial no último ano.

 

O texto do edital afirma que serão selecionados “livros em histórias em quadrinhos, entre os quais se incluem obras da literatura universal artisticamente adaptadas ao público de educação infantil e das séries/anos iniciais do ensino fundamental”.

 

As obras, após serem recebidas, passam para um departamento de pesagem e de avaliação do material.

 

O cuidado é porque as edições serão manuseadas por mais de um aluno. Essa etapa já foi feita.

 

Se aprovadas, as obras passam para a Coordenadoria Geral de Estudos e Avaliação de Materiais, ligada ao Ministério da Educação.

 

O departamento é que faz a triagem das obras e que dá a palavra final sobre quais livros serão incluídos na lista para 2008.

 

A seleção ainda é feita. A lista deve ser fechada em outubro.

 

Os quadrinhos, do ponto de vista do governo, são vistos como uma ferramenta mais atraente para estimular a leitura.

 

“O apelo visual, a figura, é algo que atrai demais a criança, é uma forma de ela se interessar para a leitura por um outro formato”, diz Cecília Correa Sampaio, coordenadora substituta do departamento de seleção de obras.

 

O MEC adotou como política instigar os jovens a lerem. Outra iniciativa é o prêmio Vivaleitura, em que um projeto educacional sobre quadrinhos entre os 15 finalistas (leia aqui).

 

“A gente observa que apenas a distribuição das obras não é suficiente, é necessário um trabalho de mediação do professor”, diz Cecília.

 

No caso específico dos quadrinhos, ela não adianta ainda quais são os títulos. Mas confirma que os quadrinhos estão na lista, em especial as adaptações.

 

“Temos priorizado a seleção de obras [em quadrinhos] literárias. No momento, nós damos essa ênfase à literatura.”

 

Cecília acredita, no entanto, que edições sobre outros gêneros dos quadrinhos devam também integrar a lista.

 

Segundo o governo, o programa deve chegar a mais de 16 milhões de alunos de 127,5 mil escolas de todo o país.

 

As edições vão para alunos do ensino fundamental (de seis a 14 anos).

 

Crianças da educação infantil (quatro a cinco anos), incluídos pela primeira vez no PNBE.

 

A proposta é dividir a distribuição de acordo com o número de alunos. Escolas com 120 alunos vão receber um acervo –como o governo chama-, composto por 20 títulos.

 

Locais que tiverem entre 151 e 300 estudantes receberão dois acervos e assim sucessivamente.

 

Veja na postagem abaixo as dez obras em quadrinhos que integraram a lista neste ano.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h08
[comente] [ link ]

Obras em quadrinhos que integraram o PNBE neste ano

  • A Metamorfose (Conrad)
  • Na Prisão (Conrad)
  • Níquel Náusea – Nem Tudo Que Balança Cai (Devir)
  • O Nome do Jogo (Devir)
  • Pau Pra Toda Obra (Devir)
  • Asterix e Cleópatra (Record)
  • Dom Quixote em Quadrinhos (Peirópolis)
  • Santô e os Pais da Aviação (Companhia das Letras)
  • Toda Mafalda (Martins Fontes)
  • A Turma do Pererê – As Gentilezas (Salamandra)

Escrito por PAULO RAMOS às 20h04
[comente] [ link ]

25/09/2007

Lançada obra que narra trajetória da Ebal

O livro que conta a trajetória da Ebal (Editora Brasil-América) começa a ser vendido neste fim de mês.

 

“Ebal – Fábrica de Quadrinhos” (Via Lettera, R$ 48) vai contar a história da empresa e de seus diferentes lançamentos.

 

A empresa carioca, fundada por Adolfo Aizen em 1945, foi uma das principais editoras brasileiras de quadrinhos do século passado.

 

O levantamento foi feito pelo pesquisador Ezequiel de Azevedo, autor de “O Tico-Tico – Cem Anos de Revista”, lançado em 2005 pela Via Lettera.

 

Quando o Blog antecipou a publicação do livro sobre a Ebal, em maio (leia aqui), o autor disse que levou cinco anos para juntar todo o material.

 

A obra, de 112 páginas, fará referência a mais de 10 mil revistas e 1.700 livros infantis. Terá ainda reprodução de capas dos primeiros números de várias publicações.

 

“Ebal – Fábrica de Sonhos” é lançada num ano estratégico. Se estivesse vivo, Aizen faria cem anos em 2007.

 

O editor morreu em 10 de maio de 1991, de infarte. A Ebal encerrou as atividades pouco depois, em 1995.

 

Leia mais detalhes sobre a obra aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h43
[comente] [ link ]

Relançado álbum com uma das primeiras histórias de Bá e Moon

Primeiro, foi o fanzine. Depois, as histórias foram reunidas num volume único.

 

Agora, o álbum é relançado para comemorar os dez anos da história produzida no mesmo fanzine do início desta postagem.

 

É essa a trajetória de “O Girassol e a Lua”, que será relançada neste fim de mês pela Via Lettera.

 

É a mesma editora da primeira versão, publicada em 2000. A capa foi refeita (ao lado).

 

A história é um dos primeiros trabalhos em quadrinhos dos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon.

 

“O Girassol e a Lua” é a segunda série que a dupla publicou no fanzine “Dez Pãezinhos”, que ambos criaram em fevereiro de 1997.

 

Esse conto em quadrinhos começou a ser publicado em agosto daquele ano. A dupla narrou a história em sete números, de 12 páginas cada um.

 

O fanzine “Dez Pãezinhos” se confunde com a trajetória de Bá e Moon, que venceram neste ano quatro troféus HQMix. Leia mais aqui.

 

Escrito por PAULO RAMOS às 19h37
[comente] [ link ]

Novo álbum de Marcio Baraldi satiriza figura do rock

Você já viu e ouviu boa parte dos personagens de “Humortífero”, novo álbum de Marcio Baraldi.

 

A obra, que começa a ser vendida no início de outubro (Opera Graphica, R$ 10), cria situações cômicas às custas dos figurões do rock´n´roll.

 

Talvez a “situações cômicas” não condiga exatamente com o que Baraldi faz com os músicos.  O desenhista, na verdade, pinta e borda com eles.

 

Quem passava pela imaginação dele ganhava uma história de uma página ou virava personagem humorístico de outra narrativa maior.

 

De Mutantes e Ultraje a Rigor aos internacionais U2 e Beatles, Baraldi não perdoa a ninguém. Mas ele tem os preferidos para malhar.

 

É fácil de perceber de quem ele não gosta. A personalidade musical é indicada por meio de um apelido, e não com o nome original (como os demais).

 

A lista é longa: Zandy e Xúnior, Abbaba (referência ao grupo Abba), Padre Marmello (e não Padre Marcelo), Carla Perereca (no lugar de Carla Peres).

 

Dois, no entanto, lideram a lista dos mais “citados”: Richard Gayderman (referência ao pianista Richard Clayderman) e Girl George (menção jocosa ao cantor Boy George).

 

O álbum não é só diversão. É também um exercício de conhecimento sobre o mundo do rock. O limite é a memória e as referências de cada leitor.

 

Há até menções a Sapula-Pula (lembra-se dele?), antigo personagem de desenho animado, transmitido no Brasil por diferentes emissoras de televisão.

 

Baraldi mostra que possui um leque vasto de informações sobre a área.

  

Isso já havia sido demonstrado em outro trabalho, as histórias de “Roko-Loko e Adrina-Lina”, personagens mais famosos dele (leia mais aqui).

 

As histórias de “Humortífero” são reedições. O material foi publicado pela primeira vez entre 1996 e 2007 na revista “Metalhead”, especializada em rock.

 

Baraldi faz uma festa-lançamento do álbum e de outros produtos ligados a seus personagens no dia 7 de outubro.

 

O evento vai ser na Blackmore Bar, em São Paulo (al. Maracatins, 1.317). Está programado para começar às 16h.

Escrito por PAULO RAMOS às 18h42
[comente] [ link ]

24/09/2007

Autores independentes se unem e criam selo para publicar revistas

Autores de revistas independentes brasileiras criaram um selo para integrar publicações do gênero existentes atualmente no país.

 

O selo vai se chamar “Quarto Mundo”, mesmo nome da lista de discussão que integra diferentes escritores e desenhistas independentes de diferentes estados.

 

A proposta é que o selo não funcione como uma editora ou limite a criatividade de seus integrantes.

 

O objetivo é dar uma cara mais uniforme e maior visibilidade às diferentes produções. Uma das possibilidades é usar o selo na capa das edições.

 

O primeiro evento público dos integrantes do Quarto Mundo é o FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), que ocorre de 16 a 21 de outubro em Belo Horizonte (leia aqui).

 

O grupo alugou um estande no local para vender as publicações. O dinheiro para o pagamento foi rateado entre os participantes.

 

A existência de que havia os autores independentes mantinham uma lista de discussão foi noticiada pelo Blog em julho (leia aqui). 

 

Foi mais um indício de que o movimento ganhava corpo e começava a se entrosar.

 

Na entrega do Troféu HQMix, em 11 de julho, já havia um estande único com diferentes publicações do gênero (leia aqui).

 

Algumas traziam um “checklist” de revistas independentes lançadas no período.

 

O Blog pediu a Cadu Simões, autor da revista “Homem-Grilo” e um dos integrantes do grupo, que explicasse melhor a proposta.

 

É dele o texto da próxima postagem.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h42
[comente] [ link ]

Autores independentes se unem e criam selo para publicar revistas - II

Texto: Cadu Simões, um dos integrantes do selo independente Quarto Mundo

Em uma explicação rápida, o Quarto Mundo é basicamente um coletivo de quadrinistas independentes que buscam se ajudar na solução de problemas comuns que encontramos na produção de nossas revistas em quadrinhos, como a divulgação, distribuição e venda.


O grupo começou quando eu e o Leonardo Melo [da independente "Quadrinhópole"] criamos um grupo de e-mail e convidamos alguns quadrinistas amigos nossos pra podermos trocar idéias e experiências.

 

Uma dessas idéias que surgiu logo de cara foi a de trocarmos nossas revistas entre si, assim cada um venderia a revista do outro, o que ajudaria tanto na distribuição das revistas pelo país quanto na própria venda, pois se você tem mais títulos diferenciados pra oferecer ao leitor, maiores são as chances de ele levar ao menos um deles.

 

Uma amostra disso foi a banca que montamos durante o HQ Mix. Outra idéia inicial foi a do "checklist independente" que você já pode conferir em algumas revistas.


Hoje em dia o grupo de e-mails do Quarto Mundo possui representantes de diversas revistas em quadrinhos independentes que estão sendo publicadas pelo país, entre elas: "Garagem Hermética", "Quadrinhópole", "Avenida", "Cão", "Jukebox", "Tipos", "Isto não é uma Revista", "Gorjeta", "Menino Carangueijo", "O Contínuo", "Subterrâneo", "Tarja Preta", "Sociedade Radioativa", "Grande Klan".

 

No entanto, o objetivo do Quarto Mundo não é ser uma panelinha fechada aos integrantes que já estão no grupo. Muito pelo contrário.

 

Todo quadrinista independente já é um integrante em potencial do Quarto Mundo - mesmo sem saber disso.

 

Porque a nossa filosofia é pautada pela colaboração e compartilhamento. É o que eu chamo de organização de colméia.

 

Vejo os quadrinistas independentes como abelhas. Sozinhos, eles são quase invisíveis, não conseguem se destacar. Mas quando reunidos em uma "colméia", ganham muito mais visibilidade, e possuem mais chance de crescer e se destacar.

 

Mas, diferentemente de uma colméia, no Quarto Mundo não há hierarquia. Isso quer dizer também que não há imposição editorial. Cada grupo de quadrinistas independentes deve continuar produzindo suas revistas como sempre produziu.

 

Inclusive, a grande variedade de temas, estilos e linhas editorias das revistas em quadrinhos independentes são o grande trunfo do Quarto Mundo.

 

Se fôssemos uma editora, teríamos facilmente uma catálogo de títulos nacionais tão grande e variado, ou até mais, do que qualquer editora que publica quadrinhos nacionais (que aliás, não são muitas).


O nosso ponto de contato tanto com os leitores, quanto com outros quadrinistas independentes que queiram se juntar ao Quarto Mundo é através do nosso blog, que ainda está em construção.

 

Mas pretendemos colocá-lo no ar até o início do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), onde será a estréia oficial do Quarto Mundo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h36
[comente] [ link ]

Evento sobre quadrinhos em São Paulo enfoca independentes

 

 

O quadrinho independente brasileiro é o principal foco do “HQ na BA”, evento que vai ocorrer no dia 6 de outubro no Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo.

 

A publicação independente –que ganhou novo fôlego neste ano- está na pauta de quase todas as atividades programadas.

 

Os “workshops”, por exemplo, vão abordar temas ligados à produção de quadrinhos, do desenho ao roteiro. Há um específico para criação de personagens.

 

Algumas oficinas ensinarão até como divulgar as produções.

 

O “HQ na BA” (sigla de “Belas Artes”) terá também dois debates. Às 10h, Eloyr Pacheco, do site “Bigorna”, coordena uma mesa sobre quadrinhos e internet.

 

Às 20h, o tema é a produção independente brasileira. Faço a mediação dessa mesa, que terá participação de diferentes autores independentes.

 

O “HQ na BA” vai das 9h às 21h (ou até mais). Nessas 12 horas, a proposta é que um grupo de desenhistas faça uma pequena maratona de quadrinhos.

 

A idéia é criar uma história de 12 páginas até o fim do encontro, numa média de uma página por hora.

 

Está programada ainda uma feira de quadrinhos –com obras independentes e de editoras tradicionais- e uma exposição com originais dos desenhistas Roger Cruz, Greg Tocchini e Renato Guedes.

 

É a segunda vez neste ano que uma universidade paulista abre as portas para promover um evento ligado a quadrinhos.

 

No fim de abril, houve evento semelhante, o “HQ & Cultura”. O encontro ocorreu na Uninove, também em São Paulo (leia mais aqui).

 

O “HQ na BA” é gratuito. O encontro é coordenado por Harriot Junior, editor e escritor da revista independente “Cão” (leia mais aqui e aqui).

 

O Centro Universitário Belas Artes fica na rua José Antônio Coelho, 879, na Vila Mariana, em São Paulo.

 

Clique neste link para ler a programação completa do evento.

Escrito por PAULO RAMOS às 16h41
[comente] [ link ]

23/09/2007

Dálcio Machado: prêmio no exterior, livro de charges no Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cartum do desenhista brasileiro, premiado em Istambul, na Turquia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pode-se dizer, sem margem de erro, que este é um mês especial para o desenhista Dálcio Machado. Duplamente especial.

 

Ele lança um livro de charges e teve um trabalho premiado no Aydin Dogan International Cartoon Competition, salão de humor gráfico de Istambul, na Turquia.

 

O cartum –mostrado acima- disputou com outras 3.326 obras de 91 países. O trabalho ficou em segundo lugar, empatado com o de um desenhista mexicano, Boligán.

 

Foi Boligán quem deu a notícia a ele por telefone, no meio da madrugada, há algumas semanas. “Nunca fiquei tão feliz em ser acordado às três da matina”, diz, por e-mail.

 

A idéia de participar do salão de humor turco surgiu no ano passado. Ao receber outro prêmio em Atenas (o Greekartoon), decidiu conhecer com a esposa Istambul, a uma hora de vôo.

 

“Por uma grande coincidência, a abertura do Aydin Dogan seria naquela semana, e tivemos o privilégio de acompanhar tudo de perto”, diz o desenhista, que está com 35 anos.

 

“Ali, decidi que, no ano seguinte, eu concorreria, só pra ter a chance de voltar praquele lugar mágico mais uma vez. Você pode imaginar minha felicidade quando recebi a notícia da premiação.”

 

A volta para o lugar mágico já tem data. Ele programa estar na cerimônia de abertura deste ano, que vai ocorrer no seis de novembro.

 

Pelas contas de Dálcio Machado, este é o 85º prêmio da carreira dele, o quarto do ano.

 

De janeiro até agora, ele venceu como melhor capa no Prêmio Abril de Jornalismo e teve duas menções honrosas, uma no Salão Carioca e outra no World Press Cartoon.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do livro que reúne 80 charges de Dálcio Machado

 

 

 

 

 

 

 

 

O livro –capa acima- também tem sabor de conquista.

 

É o primeiro da carreira, iniciada aos 16 anos no jornal “Correio Popular” de Campinas, cidade paulista onde mora (fica a 95 km da capital).

 

Machado passou um longo tempo no concorrente, “Diário do Povo”, mas voltou ao Correio em 2003. Está lá desde então.

 

O livro reúne charges produzidas desde 2003. A obra traz 80 desenhos, um para cada ano de vida do Correio, que completa oito décadas neste ano.

 

Nesse período de cinco anos como chargista do jornal, ele produziu cerca de 1.500 trabalhos. O difícil –ou o “complicado”, segundo ele- foi selecionar quais entrariam no livro.

 

“Muitas, que eram boas na ocasião em que foram feitas, mas muito ligadas a um assunto de pouco fôlego, perderam um pouco o sentido e ficaram de fora”, diz.

 

“As que foram premiadas em eventos internacionais tinham lugar garantido, assim como as que tiveram boas respostas dos leitores.”

 

O livro é vendido pelo correio. Custa R$ 8,50 mais o valor do frete.

 

As encomendas são feitas por meio de serviço telefônico do jornal “Correio Popular”. Há dois números: 0800 122121 / (19) 3736-3200.

Escrito por PAULO RAMOS às 17h48
[comente] [ link ]

22/09/2007

BigHatBoy: história em quadrinhos com toque de dobradura

Fiz um texto curto para o "Folhinha", suplemento infantil do jornal "Folha de S.Paulo", sobre o lançamento de "BigHatBoy" (Conrad, R$ 25).

A matéria saiu na edição deste sábado e pode ser lida neste link (assinante UOL).

A obra, do brasileiro Marco Alemar, se passa num mundo em que todos os personagens são de papel e usam chapéus.

A editora pretende dar continuidade à série, feita no estilo dos mangás, no ano que vem. 

O álbum, de 88 páginas, teve lançamento na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.

Saiba mais aqui.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h39
[comente] [ link ]

21/09/2007

Pyongyang: o lado desconhecido da vida na Coréia do Norte

Não é regra. Mas quando quadrinhos abordam assuntos reais –e não ficcionais-, a tendência é que a história suba a um outro patamar de qualidade.

 

“Pyongyang – Uma Viagem à Coréia do Norte” atinge essa escala qualitativa. E com méritos.

 

O álbum, lançado nesta semana (Zarabatana, R$ 35), levanta o véu que cobre a misteriosa –mas extremamente curiosa- vida na Coréia do Norte.

 

A história, na verdade, é um tour em quadrinhos. O guia turístico é o escritor e desenhista canadense Guy Delisle, hoje com 41 anos.

 

Ele narra em primeira pessoa os dois meses que passou na capital do país, Pyongyang. Foi a serviço para trabalhar no Sek, um dos estúdios de animação de lá.

 

O trabalho dele –revisar seqüências erradas de um seriado animado- rende bons momentos de humor.

 

Numa das cenas, por exemplo, ele pede correção no rosto de felicidade de um dos personagens. O papai urso do desenho sorri quando descobre que os filhos estão desaparecidos.

 

O serviço no estúdio de animação –de custo mais barato, por isso atrai tantos estrangeiros- fica em segundo plano quando ele observa –e leva o leitor a observar- a realidade de lá.

 

A sensação que ele passa é a de que o país –uma ditadura comunista- gira em torno da negação da auto-existência.

 

  

O que predomina é o regime e as vontades de seu líder, Kim Jong-il, que herdou o comando do pai, Kim Il-Song. Imagens dos dois e alusões a eles predominam em cada canto da capital do país. Ganha-se pelo cansaço.

 

Nas paredes há fotos maquiadas de ambos. Nos documentários de TV, são citados elogiosamente. Nas poucas emissoras de rádio, as músicas incluem o nome dos líderes nas letras.

 

No trajeto do aeroporto até o hotel, os turistas fazem uma parada obrigatória ante a uma estátua do grande líder. Com direito a reverência.

 

 

Um guia ou um tradutor (ou os dois) acompanham cada um dos estrangeiros que passam pelo país. A presença deles é obrigatória.

 

Eles vão aonde os turistas forem, como sombras. Censuram locais, permitem acesso a outros, reproduzem sincronicamente o mesmo discurso pró-regime.

 

Canções estrangeiras são malvistas. Num dos relatos de Delisle, um norte-coreano fecha a porta quando o desenhista ouve música. A canção, diz o morador, pode ser uma má influência.

 

Há outras citações, tão surreais quanto. Após ver uma monitora expor durante um longo tempo que os Estados Unidos são o inimigo do país, ela pergunta a ele se mudou de opinião.

 

Em outro momento, Delisle pergunta por que não vê deficientes nas ruas.

 

Ouve como resposta –dita seriamente pelo tradutor- que todos os norte-coreanos nascem inteligentes e saudáveis.

 

Na leitura do desenhista, que hoje mora na França, as restrições levam a um isolamento completo do mundo. Os meios de comunicação veiculam apenas a voz do governo.

 

E os moradores acreditam. Ou se omitem no questionamento. A ironia é que o único livro levado por Delisle ao país é “1984”, de George Orwell.

 

É um país cuja vida é pouco conhecida no ocidente. É uma realidade até então desconhecida. O véu que Delisle levanta assusta e incomoda. Mas merece ser visto.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h18
[comente] [ link ]

Por que Ajax virou J´onn J´onzz?

A editora Panini optou por rebatizar no Brasil o nome do super-herói Ajax.
 
Ele agora é mostrado como J´onn J´onzz, nome original do marciano, que possui poderes semelhantes aos do Super-Homem.
 
A troca de nome ocorreu há alguns meses. Mas fica bem evidente no encadernado "Arquivo DC - Liga da Justiça América", que começou a ser vendido neste mês (leia mais aqui).
 
A obra relança as primeiras aventuras do principal grupo da editora norte-americana DC Comics. As histórias são de 1960 a 1962.
 
O herói marciano é um dos integrantes da equipe. O novo nome, J´onn J´onzz é usado várias vezes.
 
Nas revistas mensais, Ajax -ou J´onn J´onzz- está sumido desde o início de "Crise Infinita".
 
minissérie, lançada em janeiro, tentava reestruturar os heróis da editora (leia aqui).
 
O herói marciano foi atacado pouco antes da minissérie começar. Está desaparecido desde então. O retorno dele foi anunciado para o mês que vem na revista mensal da Liga.
 
O Blog perguntou ao editor sênior da DC no Brasil, Fabiano Denardin, quais foram os motivos que levaram ao novo batismo do personagem no país.
 
Blog - Por que houve a mudança do nome do personagem?
Fabiano Denardin - Quando começamos a publicar a DC, assumimos o compromisso de mudar o que não estivesse de acordo com a nossa linha editorial, que é de uma fidelidade maior ao conteúdo original - tanto na forma (formato americano) quanto no conteúdo. E o caso do J'onn J'onnz era um dos mais emblemáticos, já que "Ajax" não é uma tradução, mas um rebatismo. Nessa mesma linha, também voltamos a chamar Smallville de Smallville [até então, a cidade era chamada de Pequenópolis]. Não me recordo se isso foi feito pela Abril.
 
Blog - Esse tipo de mudança não arranha a memória do personagem no país, historicamente conhecido pelos leitores com outro nome?
Denardin - Por esse argumento, estaríamos lendo as aventuras dos fantásticos repórteres Eduardo Kent (justiça seja feita, a própria Ebal optou por manter Clark em seguida) e Miriam Lane (voltou a ser Lois só nos anos 80, pela Abril). Pedro Prado seria a identidade secreta do amigão da vizinhança. E o vilão Jaganata aterrorizaria o universo Marvel, não o Fanático. Não acredito que algum desses personagens tenha tido sua memória arranhada por uma correção de nome. Pra não dizer que simplesmente ignoramos o passado, Joel Ciclone continua sendo chamado assim algumas vezes, pra diferenciá-lo dos outros Flash.
 
A Editora Abril fez troca semelhante no início do século. Mudou o nome de Super-Homem para Superman, como é nos Estados Unidos.
 
Leia mais sobre essa mudança aqui.
 
Crédito da imagem: www.hq.pro.br

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h19
[comente] [ link ]

20/09/2007

Projeto sobre quadrinhos é finalista de prêmio de estímulo à leitura

Um projeto feito numa escola paulista é um dos 15 finalistas do Prêmio Vivaleitura 2007.

 

O prêmio do governo federal escolhe iniciativas de estímulo à leitura em três áreas: escolas públicas e privadas, leitura nas bibliotecas e leitura nas universidades.

 

Segundo o site do prêmio, os vencedores de cada uma das categorias ganham R$ 25 mil.

 

“Semeando o prazer de ler com a história em quadrinhos”, nome do projeto sobre quadrinhos, concorre na categoria leitura nas escolas.

 

O projeto pedagógico disputa o primeiro lugar com outros quatro finalistas da área. Os resultados serão divulgados no dia 30 de outubro.

 

O prêmio teve 1.855 iniciativas inscritas. Os 15 projetos selecionados para a final são de nove estados do país.

 

É a segunda edição do Vivaleitura. O prêmio está atrelado ao PNLL (Plano Nacional do Livro e Leitura), órgão do governo federal que concentra políticas de estímulo à leitura.

 

Os quadrinhos já fazem parte dessa política.

 

No ano passado, o Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) inclui dez álbuns em quadrinhos na lista de obras compradas pelo governo.

 

O PNBE distribui livros gratuitamente a alunos do ensino fundamental (leia mais aqui).

 

Clique aqui para ver a relação completa dos finalistas.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h40
[comente] [ link ]

FIQ começa a definir convidados nacionais

Aos poucos, a 5ª edição do Festival Internacional de Quadrinhos vai ganhando uma cara.

 

Os organizadores já definiram os convidados nacionais e as mesas de debate do evento, um dos principais do país na área de quadrinhos.

 

Os participantes ainda são contatados. Por isso, pode haver ainda alguma alteração na lista de convidados do evento, que vai ocorrer em Belo Horizonte no meio do mês que vem.

 

Até o momento, a lista inclui:

 

  • Antônio Cedraz – criador da Turma do Xaxado
  • Bira Dantas – quadrinista que prepara adaptação do romance “Dom Quixote”
  • Carlos Patati – um dos autores de “Almanaque dos Quadrinhos”
  • Daniel Bueno – quadrinista, ilustrador e mestre pela USP (Universidade de São Paulo)
  • Eloar Guazzelli – quadrinista e pesquisador
  • Fábio Moon e Gabriel Bá – criadores dos álbuns “10 Pãezinhos”
  • Fábio Zimbres – quadrinista e editor
  • Gazy Andraus – quadrinista e doutor em comunicação pela USP
  • Henrique Magalhães – professor universitário e editor da “Marca de Fantasia”
  • Gualberto Costa – quadrinista e pesquisador (prepara livro sobre a história da revista “Balão”)
  • José Aguiar – autor do álbum “Folheteen”
  • Luís Augusto – criador da série “Fala Menino!”
  • Marcelo Campos – desenhista e dono da Quanta Academia, em São Paulo
  • Renato Alarcão – designer gráfico e mestre em ilustração pela School of Visual Arts, de Nova York
  • Renato Guedes – desenhista de quadrinhos com experiência no mercado norte-americano
  • Santiago – chargista
  • Sônia Luyten – doutora especializada em quadrinhos japoneses; é autora de “Mangá – O Poder dos Quadrinhos Japoneses”

Também integro a lista de convidados.

 

Outros dois participantes são Orlando Pedroso e Julio Shimamoto. Os dois serão os homenageados do FIQ nas categorias ilustração (Pedroso) e quadrinhos (Shimamoto).

 

Os nomes internacionais tinham sido divulgados no começo de julho (leia mais aqui).

 

A antecedência, segundo os organizadores, é porque são pessoas mais difíceis de agendar.

 

Os convidados são Benoît Sokal, Carlos Sampayo, Domingo Madrafina, Eduardo Risso, Giancarlo Berardi, Juan Sáenz Valiente, Kan Takahama, Pascal Rabaté e Ethan van Sciver (ainda não confirmado).

 

Melinda Gebbie, esposa de Alan Morre e desenhista da minissérie “Lost Girls”, também integrava a lista. Ela cancelou a vinda ao Brasil no início deste mês (leia aqui).

 

Os convidados, tanto nacionais quanto estrangeiros, vão participar de diferentes debates. Os temas foram definidos nesta semana.

 

Entre os temas das mesas, estão literatura em quadrinhos e pesquisas científicas desenvolvidas na área.

 

O FIQ ocorre entre 16 e 21 de outubro na Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte, Minas Gerais. O evento –gratuito- é organizado pela editora Casa 21 e pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte.

  

Há mais informações no site do festival de quadrinhos. Para acessar, clique aqui.

 

Só um registro: FIQ é diferente do FIHQ, Festival Internacional de Humor e Quadrinhos.

 

O FIHQ começou nesta semana, em Recife, e vai até o dia 7 de outubro. Leia mais aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h41
[comente] [ link ]

19/09/2007

Álbum faz leitura bem-humorada da união homossexual

Parece fácil, mas requer precisão quase cirúrgica o uso do humor no trato de temas delicados. O risco é o de soar caricato ou pejorativo.

 

O alemão Ralf König, num álbum lançado este mês, consegue discutir o universo homossexual sem apelar para os tradicionais rótulos.

 

Ajuda o fato de o autor ser homossexual, opção que assumiu em 1979. Desde então, inclui essa temática nas criações em quadrinhos que faz.

 

“E, Agora os Noivos Podem se Beijar” (Via Lettera, R$ 30) mostra a história de dois homens, Paul e Conrad, que decidem se casar após 15 anos de relacionamento.

 

“Casar” não é bem o termo exato. Trata-se do registro civil de parceira entre casais homossexuais.

 

A medida se tornou possível na gestão do último premiê alemão, o social-democrata Gerard Schröder. Hoje, o cargo está nas mãos da democrata-cristã Ângela Merkel, eleita em 2005.

 

É em meio a esse cenário político que Paul e Conrad decidem dar um passo mais sério no relacionamento.

 

Mas a união não será fácil. E é nisso –e nos diálogos- que reside o bom humor do álbum, de 144 páginas.

 

Paul é viciado em sexo. Mesmo às vésperas da união, fica recebendo torpedo para marcar encontros com outros viciados em sexo.

 

Conrad, mais erudito, não vê na atitude do parceiro um problema. Para ele, o desafio é outro: convencer a família e a antiga noiva sobre o enlace.

 

O álbum lembra um pouco o enredo do filme norte-americano “Eu os Declaro Marido e... Larry”, atualmente em cartaz.

 

Mas, ao contrário dos personagens interpretados por Adam Sandler e Kevin James, os protagonistas do álbum têm plena convicção de sua opção sexual.

 

Outra diferença é a qualidade dos diálogos.

 

É por meio deles que König diverte ao mesmo tempo em que passa, sutilmente, seu ponto de vista sobre a legalização da união homossexual.

 

É a segunda obra de König lançada pela Via Lettera. A primeira, “O Homem Ideal”, foi publicada em dezembro de 1997.

 

A editora anunciou no início do ano mais um trabalho do desenhista alemão, “Os Coelhos”. Leia mais aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h57
[comente] [ link ]

18/09/2007

A história de Dom Quixote, segundo Bira Dantas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cena da adaptação em quadrinhos do romance de Miguel de Cervantes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O desenhista Bira Dantas luta contra o calendário. Ele tem pouco menos de três meses para terminar a adaptação em quadrinhos do romance “Dom Quixote”.

 

O desafio aumenta quando se sabe que o clássico do espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616) soma cerca de 600 páginas.

 

A história do cavaleiro idealista foi publicada em dois volumes, lançados em 1605 e 1615, respectivamente.

 

A adaptação em quadrinhos, que será lançada pela Escala Editorial, vai ter um volume só. Dantas prevê por volta de 120 páginas.

 

As imagens desta e da próxima postagem mostram trechos das primeiras páginas da obra. Os desenhos são feitos com aquarela em sulfite.

 

Parte das referências visuais vem de ilustrações, fotos e recortes cedidos por um amigo de Campinas, cidade do interior paulista onde Dantas mora.

 

“Está sendo muito legal trabalhar na obra original, pois estou descobrindo preciosidades que nenhuma adaptação ainda tinha mostrado, pelo menos as que eu li”, diz o desenhista de 44 anos.

 

“Cervantes trata a vida de Dom Quixote como algo real, como se o fidalgo tivesse realmente existido e fosse Cervantes um biógrafo da sua vida.”

 

O convite para adaptar a obra partiu da própria editora. Dantas já tinha trabalhado em outra adaptação da Escala, lançada no início do ano.

 

Ele fez os desenhos de “Memórias de um Sargento de Milícias”, romance de Manoel Antônio de Almeida (1831-1861).

 

O desenhista paulista divide o trabalho na adaptação com outras produções visuais. Entre elas, estão as charges, onde expressa um olhar positivo sobre a atual administração federal.

 

O lado contestador o acompanha há quase três décadas. A primeira charge foi para o jornal do Partido dos Trabalhadores, em 1981.

 

No ano seguinte, começou a fazer desenhos em jornais sindicais, nos quais atua até hoje.

 

O início, no entanto, foi em 1979, com um estágio nos estúdios de Ely Barbosa, autor de quadrinhos que faleceu em janeiro deste ano (leia mais aqui).

 

Em pouco tempo, Dantas assumiu os desenhos da extinta revista dos Trapalhões, uma das feitas pelo estúdio.

 

Hoje, ele mantém o ritmo de produção. Tem outras histórias prontas. Uma delas, “Qual é o desejo?”, integra o próximo volume da “Front”.

 

A publicação, da editora Via Lettera, reúne histórias curtas de diferentes quadrinistas nacionais.

 

Foi por causa da “Front” que ele fez uma das cenas mais memoráveis da cerimônia de entrega do último Troféu HQMix, principal premiação de quadrinhos do país.

 

Ele e os integrantes da revista foram receber o prêmio de melhor publicação de quadrinhos.

 

No palco, Dantas sacou uma gaita, instrumento que aprendeu a tocar sozinho.

 

E aprendeu bem. Tocou um “Asa Branca” que silenciou e emocionou os cerca de 800 convidados.

 

A música era uma homenagem a Conceição Cahú, uma das primeiras desenhistas brasileiras. Cahú, morta no ano passado, era uma das homenageadas do troféu (leia mais aqui e aqui).

 

Entre a correria na criação das páginas de “Dom Quixote” e a atualização das 19 páginas virtuais que mantém, Dantas arrumou um tempo de conversar por e-mail com o Blog.

 

Na entrevista, ele fala um pouco mais da adaptação da obra de Cervantes, de como vê a literatura em quadrinhos e sobre a gaita que calou a festa do HQMix, em julho.

 

(Continua na próxima postagem). 

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h40
[comente] [ link ]

A história de Dom Quixote, segundo Bira Dantas - II

Entrevista: Bira Dantas

 

Blog - Já houve outras adaptações da obra de Cervantes, como a de Caco Galhardo e a de Will Eisner. O que a sua terá de diferente?
Bira Dantas
- Quando fui convidado para desenvolver o projeto pela Escala Educacional, me  perguntei exatamente isso: por que quadrinizar esta obra.  Ora, pensei com meus pincéis, canetas e gaitas, primeiro porque me encomendaram, segundo porque será a minha versão e terceiro, pelo desafio. Eu sou um aficionado pelos detalhes e a obra de Cervantes, é  extremamente detalhada. Não só na forma, no texto arcaico, mas no conteúdo, nas citações, nas ambientações, na construção de personagens, nas confusões emaranhadas que se formam do nada. Eu adoro isso. Eu já tinha lido e adorado a adaptação do Caco, mas achei que conseguiria fazer algo um pouco menos centrado no cavaleiro, mostrando mais os movimentos e ações em volta dele do que as promovidas pelo fidalgo. Também queria esmiuçar outras passagens do livro original.

 

Blog - Há uma nova onda de adaptações literárias em quadrinhos no Brasil. Qual a sua leitura dessa tendência?
Dantas
- Acho fantástico. É um desafio para o artista e acho incrível perceber como cada um se vira de um jeito diferente para resolver alguns problemas comuns. Acabei de ler “A Relíquia”, do Marcatti, [Conrad], e quase chorei. É ducacete! O final do livro é totalmente sui-generis.

 

Blog - Fazendo um paralelo com o personagem Dom Quixote, qual o seu grande moinho?
Dantas
- Ótima pergunta. Eu acho que é a luta de classes. Essa bendita luta me deixa doido dia a dia. Em pleno século 21, com um mundo globalizado, internetizado, fábricas automatizadas, produtos baratos made in Taiwan, Hong Kong e China, camelôs high-tec que vendem ipods e toda a parafernália informatizada, continuo desenhando para sindicatos, levantando bandeiras de luta contra os gigantes da comunicação. Criando blogs e fotologs para falar das minhas influências e da história passada que nosso povo sempre esquece. Eu sou um chargista quixotesco. Minha filha de sete anos, Thaís, já me disse que é muito legal ter um pai meio louco e que ainda gosta de gibis.


 

 

 

 

 

 

 

Bira Dantas (à dir.) toca sua gaita durante entrega do Troféu HQMix

 

 

 

 

 

 

 

Blog - A inspiração foi Conceição Cahú, mas o que o motivou a tocar Asa Branca na cerimônia do HQMix? E o que achou da reação da platéia?
Dantas
- Eu sou filho de nordestinos, meus pais são do Rio Grande do Norte, e cresci ouvindo muito Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Jackson do Pandeiro, Marinês... Quando comecei a tocar gaita "de ouvido", há cerca de 10 anos, tirar alguns clássicos do forró foi um caminho natural. Quando reencontrei a Cahu na Merlin [loja de quadrinhos de São Paulo, que já fechou], uma das músicas que toquei foi Asa Branca. E ao tocar Asa Branca lá no HQ Mix, acabei homenageando todos nordestinos lá presentes. Dona Lourdinha, minha mãe, se derreteu em lágrimas.

 

Bira Dantas mantém um blog dedicado exclusivamente aos bastidores da adaptação de Cervantes.

 

São de lá as imagens da obra reproduzidas nesta postagem e na anterior.

 

Para acessar, clique aqui.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h35
[comente] [ link ]

Verba pública garante segundo número de Menino Caranguejo

Verbas vindas de administrações públicas têm garantido a sobrevivência de alguns projetos independentes de quadrinhos.

 

Um deles é a série infantil “Menino Caranguejo”, que terá um segundo número (R$ 6).

 

Segundo o autor, o designer gráfico José Francisco Xavier, o lançamento ocorre ainda este mês.

 

As duas mil cópias da revista independente foram produzidas com dinheiro da Fundação Cultural de Joinville, órgão ligado à cidade catarinense.

 

O primeiro número, lançado em abril deste ano, também foi produzido com verba da fundação (leia mais aqui e aqui).

 

O personagem-título é um menino que tem a vida mudada depois que encontra um artefato, parecido com a garra de um caranguejo.

 

Com a manopla, ele adquire poderes especiais, usados para enfrentar quem agride o meio ambiente.

 

Como na edição de estréia, este segundo número aborda temas ecológicos.

 

A revista mostra a história de um empresário, Gustavo Serra (apelidade de Moto Serra), que vê ambientalistas e ecologistas como demagogos.

 

“Sua vida acaba mudando bruscamente ao se apaixonar por uma garota que encara no contato pleno com a natureza uma fonte de energia e paz”, diz por e-mail Chicolam, nome que Xavier usa para assinar suas produções.

 

Apesar de ter verba municipal, a distribuição da revista segue as dificuldades de uma revista independente nacional.

 

“A distribuição tem sido para nós o maior desafio a enfrentar”, diz o quadrinista, formado na Escola de Belas Artes de São Paulo.

 

Ele diz que tem conseguido firmar parcerias em bancas de Joinville. Para outras regiões, a venda é feita via internet (clique aqui para acessar o site dedicado ao personagem).

 

Outra forma de divulgação é nas escolas. A série, criada há uma década, tinha desde a origem uma preocupação pedagógica.

 

O projeto de Chicolam é criar mais quatro números da revista.

 

Ele pretende novamente pleitear verba pública, concedida por meio de edital.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h26
[comente] [ link ]

17/09/2007

Premiação em salão de humor dá largada ao FIHQ 2007

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
Caricatura
 
Carlus
 
Ceará
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
 
 
Charge
 
Alves
 
Minas Gerais
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cartum
 
Muhamad Ali
 
Irã
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ilustração Editorial
 
Vladimir Kazanevsky
 
Ucrânia
 
 
 
 
 
 
Os desenhos acima são quatro dos cinco premiados da edição deste ano do salão de humor que abre do FIHQ (Festival Internacional de Humor e Quadrinhos).
 
Na outra categoria -história em quadrinhos e ilustração editorial-, o vencedor foi Rodrigo Rosa, do Rio Grande do Sul.
 
O júri concedeu também 11 menções honrosas.
 
O título, comum nos salões de humor, é um reconhecimento a trabalhos de qualidade que tenham conquistado os primeiros lugares.
 
Os premiados foram divulgados no domingo na abertura do festival, realizado em Recife, em Pernambuco. Cada um deles vai receber R$ 6 mil.
 
A premiação marca o início dos trabalhos deste ano do FIHQ, que vai até o 7 de outubro, na Torre Malakoff, em Recife.
 
O FIHQ é organizado pela Acape (Organização dls Cartunista de Pernambuco) e é um dos principais eventos de quadrinhos do país.
 
A programação conta com palestras, oficinas e exposições (leia mais no site do evento).
 
Entre os convidados desta edição, estão o caricaturista Baptistão, o cartunista Márcio Leite e os quadrinistas Gabriel Bá e Fábio Moon.
 
O "Brazil Cartoon", site de onde o Blog reproduziu as imagens desta postagem (com autorização dos mantenedores), mostra os trabalhos que tiveram menção honrosa.
 
Para ver, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h28
[comente] [ link ]

Laerte e Chico Anysio fazem lançamentos em São Paulo

Não fossem locais relativamente próximos, seria uma escolha de Sofia decidir em qual lançamento ir nesta terça-feira à noite, em São Paulo.
 
Laerte lança às 19h "Laertevisão - Coisas Que Não Esqueci" (Conrad, R$ 49). Vai ser na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena).
 
A obra autobiográfica mostra, em quadrinhos, memórias dos tempos de infância do cartunista. As histórias já tinham sido lançadas no jornal "Folha de S.Paulo".
 
No centro da capital paulista, o ator e humorista Chico Anysio faz a partir das 19h30 mais uma sessão de autógrafos de "É Mentira, Chico" (Di Momento, R$ 79).
 
A obra mostra caricaturas de personagens dele, como a de Alberto Roberto, mostrada ao lado.
 
O livro foi organizado por Ziraldo e já teve um primeiro lançamento no Rio de Janeiro no fim de junho (leia aqui).
 
Os autógrafos são na Menor Livraria do Mundo, que funciona no Jeremias o Bar (rua Avanhandava, 37).
  
Com esse evento, a livraria encerra as atividades no local. Os responsáveis pelo espaço cultural, Gualberto Costa e Daniela Baptista, vão inaugurar outra livraria, também em São Paulo.
 
A editoria de humor do UOL preparou um álbum com outras imagens da obra sobre Chico Anysio. Para ver, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h13
[comente] [ link ]

16/09/2007

Álbum erótico discute relação em quadrinhos

O erotismo nos quadrinhos apela muito mais para a imagem do que para a narrativa em si.

"Morango e Chocolate" (Casa 21, R$ 37), último lançamento do gênero, também faz provocações visuais. Mas o maior interesse é no texto.

O diferencial na autora da obra, a francesa Aurélia Aurita, hoje com 27 anos.

Ela narra em primeira pessoa o tórrido relacionamento sexual que manteve com o também quadrinista Frédéric Boilet.

O inusitado é que ela consegue passar para o papel –tanto nas imagens como no texto- minúcias do que se passa na cabeça de uma mulher durante um relacionamento.

Dúvidas, inseguranças, novas descobertas, medos, paixões eternas. Tudo isso é representado do ponto de vista feminino nas 144 páginas do álbum.

É como se Aurita estivesse discutindo a relação em quadrinhos, tendo o leitor como interlocutor privilegiado (ouve e vê tudo em detalhes, mas não comenta).

As datas das viagens dela ao Japão e o relacionamento com Boilet –que também passou parte da vida no país- conferem com dados reais.

É de Boilet a única foto dela mostrada no álbum (na cozinha, cortando maçãs). Isso tudo reforça o rótulo de "autobiografia" dado ao álbum.

Em princípio, o que se lê e vê é o que realmente ocorreu com o casal. Ou não, posto que cabe ao narrador relatar os acontecimentos a seu bel-prazer. Literalmente, neste caso.

Boilet, o namorado, também já flertou com a mente feminina em outras obras em quadrinhos, como "Espinafre de Yukiko" e "Garotas de Tóquio", já lançadas no Brasil.

Mas Aurita consegue detalhar a mente feminina como poucos. A começar pelo título do álbum. "Morango" e "chocolate" têm muito a ver com isso. O leitor verá por quê.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h37
[comente] [ link ]

Pesquisadores querem retomar núcleo de quadrinhos do Intercom

O principal congresso de comunicação do país, o Intercom, pode ter novamente uma área destinada exclusivamente para pesquisas acadêmicas sobre quadrinhos.

Já houve uma grupo assim no congresso, mas foi desativado por falta de pesquisadores com título de doutor.

Um passo para a recriação da área de quadrinhos –chamada de Núcleo de Pesquisas- foi dado na última edição do Intercom, realizada no início deste mês em Santos, no litoral paulista (leia aqui).

Um dos que participaram da edição deste ano foi Gazy Andraus, quadrinista e pesquisador do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da USP (Universidade de São Paulo).

O professor universitário é também o premiado com o título de melhor doutorado sobre quadrinhos na edição deste ano do Troféu HQMix. A tese foi defendida em dezembro do ano passado na USP (leia aqui).

Andraus fez para o Blog um relato sobre os bastidores do evento.

Neste texto, ele também comenta sobre a expectativa de recriação de um núcleo de quadrinhos no principal congresso de comunicação do país.

                                                          * * * 

O 30º Intercom -Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação- trouxe seis trabalhos sobre histórias em quadrinhos.

A intenção era que o NP (núcleo de pesquisas) de quadrinhos tivesse sido retomado nesta edição, pois ele foi extinto há poucos anos (desde sua criação original, em 1995, por Flávio Calazans).

O Intercom, com novas regras, instaurou que deveria haver oito doutores para a reincorporação do NP ao Congresso, mas só houve a adesão de seis (embora já haja bem mais que oito doutores na área).

Então, a continuidade de trabalhos acerca das histórias em quadrinhos foi crucial este ano.

Além de prosseguir com a divulgação do potencial dos quadrinhos, também possibilitou verificar que há mesmo a necessidade de se recriar o NPHQ, haja visto que o número de ouvintes suplantou a quantidade de cadeiras e espaço físico da sala (muitos ficaram sentados no chão!).

O Núcleo de Pesquisas de Produção Editorial -que abrigou os trabalhos de quadrinhos neste Intercom- teve sessões nos dias 1º e 2 º de setembro.

Foi no segundo dia que houve a mesa temática chamada Quadrinhos, História e Cultura, coordenada por Ana Claudia Gruszinski.

Nessa mesa, ocorreram as apresentações com debates, com alguns dos pesquisadores da área de quadrinhos, que também são autores.

Dentre os nomes, figurou o do também desenhista Luiz Gê, expondo uma parte de seu doutorado defendido na USP acerca do potencial do desenho.

Ele foi seguido por Roberto Elísio dos Santos, pesquisador do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da USP. Ele enfocou os quadrinhos brasileiros de maior expressão da década de 1980.

A seguir, eu apresentei um artigo para homenagear o falecido autor Joacy Jamys, alertando que a memória do quadrinho nacional precisa urgentemente ser resgatada, já que a autoralidade nas histórias em quadrinhos -e também nas produções brasileiras- precisa ser percebida em meio a tantos quadrinhos estrangeiros que aportam em nosso país.

A seguir, Elydio dos Santos Neto, também pesquisador do Núcleo da USP, apontou que os quadrinhos, por refletirem a essência dos autores, podem ser lidos e usados para atestar uma nova visão mais humana em todos os setores da sociedade.

Para isso, ele exemplificou com minha história "Hurizen", já que ela traz elementos filosófico-existenciais que podem ser retomados e discutidos.

Fabio Luiz Carneiro Mourilhe Silva expôs os diferentes níveis de violência nos quadrinhos como um reflexo natural da própria sociedade.

Por fim, André Luiz Souza da Silva elucidou o potencial imagético do mangá "Dragon Ball", influenciado pela estética da animação, como potencial de leitura e educação dos leitores, que percebem a comicidade nesse tipo de produção em meio aos roteiros de fantasia e violência.

Como se vê, a necessidade da pesquisa e divulgação da área das histórias em quadrinhos não é apenas necessária, mas essencial para que congressos de comunicação e afins possam ser completos na preocupação da pesquisa, a fim de apontar novos caminhos e soluções de propostas acadêmicas e sociais.

Este artigo já serve para tal alerta a todos que criem ou façam eventos com histórias em quadrinhos.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h24
[comente] [ link ]

14/09/2007

Site cria arquivo virtual com desenhos de Carlos Estêvão

Toda a produção do desenhista Carlos Estêvão (foto ao lado) foi feita em papel. Mas é o meio virtual que vai preservar esse material.
 
Trabalhos dele serão reunidos num página sediada no site "Memória Viva".
 
O "Memória Viva" é um portal com arquivo digitalizado de publicações antigas e de outros materias ligados a cultura. 
 
Há raridades, como as revistas "O Malho" e "O Careta", do início do século 20.
 
O pernambucano Carlos Estêvão (1921-1972) ficou conhecido por ter dado continuidade às histórias do "Amigo da Onça" na extinta revista "O Cruzeiro".
 
Ele assumiu após o suicídio do cartunista Péricles, em dezembro de 1961. Estêvão fez as histórias até o fim da vida.
 
Mas a produção dele não se limitou ao personagem. O desenhista produziu vários outros trabalhos ligados a humor, como a série "Perguntas Inocentes", mostrada abaixo.
 
Um deles era a revista em quadrinhos "Dr. Macarra" (uma das capas ao lado).
 
A publicação teve nove edições, lançadas em 1962.
 
A revista usava histórias publicadas em "Cruzeiro". São as mesmas que ilustram esta postagem.
 
O site em homenagem ao desenhista terá trabalhos dele  dos anos 1950 até o início dos anos 1970.
 
Vai haver também fotos inéditas cedidas pela família e acervo com depoimentos e outras informações sobre o autor.
 
A página virtual é mantida pelo jornalista e pesquisador carioca Sandro Fortunato, o mesmo que mantém o "Memória Viva".
 
Ele organiza o acervo por conta própria, a partir doações e muitas compras feitas em sebos de diferentes estados do país.
 
Costuma dizer que possui uma "EUquipe".
 
No caso de Estêvão, a base do acervo virtual foi a revista "Cruzeiro", famosa no Brasil nos anos 1950 e 1960.
 
"As charges foram digitalizadas a partir dos originais, mas foram todas publicadas na Cruzeiro", diz ele, por e-mail.
 
"Além da Cruzeiro, Carlos Estevão publicou em vários jornais dos Diários Associados, chegando a desenhar mais de 400 piadas por ano (portanto mais de uma por dia) na década de 60."
 
A página dedicada a Estêvão entra no ar no próximo domingo. Vai haver link no portal "Memória Viva" (para acessar, clique aqui). Leia mais sobre o site aqui e aqui.
 
Veja dois trabalhos de Carlos Estêvão na postagem abaixo.
 
São da série "As Aparências Enganam...", em que ele brincava com o uso da sombra no desenhos.
 
Ambas foram publicadas na página 20 da revista "Dr. Macarra", de 10 de maio de 1962.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h01
[comente] [ link ]

Dois trabalhos de As Aparências Enganam..., de Carlos Estêvão

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h57
[comente] [ link ]

13/09/2007

Editoras de quadrinhos invadem a Bienal de Livros do Rio

Nem só de livros vive uma bienal. As editoras de quadrinhos prepararam uma série de lançamentos para a 13ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.

 

O evento literário –e de quadrinhos- começou nesta quinta-feira no Riocentro e conta com cerca de 950 expositores.

 

A Panini foi a editora de quadrinhos que anunciou o maior número de títulos novos, dez.

 

Da linha de super-heróis, o destaque são os encadernados. Um deles é o que traz as primeiras aventuras da Liga da Justiça, publicadas nos Estados Unidos entre 1960 e 1962.

 

“Arquivo DC – Liga da Justiça América” tem de 548 páginas em preto-e-branco.

 

A edição traz 20 histórias da principal equipe de heróis da DC Comics.

 

Outros dois encadernados da DC trazem em edição única histórias já lançadas pela Panini: “Batman – Cidade Castigada” e “Crise de Identidade”.

 

"Crise de Identidade" é tida como uma das mais bem escritas minisséries da editora.

 

A obra vai ser lançada em duas versões: em capa dura, mais cara (capa ao lado), e em capa mole, um pouco mais em conta. 

 

Da editora Marvel, também há álbuns de material já publicado: “X-Men Millenium 2 – Retorno à Arma X” e “1602”, que compila a minissérie homônima escrita por Neil Gaiman.

 

A multinacional Panini pretende levar também à bienal a edição comemorativa “Marvel – 40 Anos no Brasil”, que já é encontrada em outros pontos de venda (leia mais sobre a obra aqui).

 

Há ainda quatro novidades das criações de Mauricio de Sousa, que começaram a ser publicadas pela Panini no início deste ano.

 

“Turma da Mônica – Coleção Histórica” traz os primeiros números das revistas “Mônica”, “Cebolinha” (ambas da primeira metade da década de 1970), “Cascão”, “Chico Bento” e “Magali”.

 

“As Tiras Clássicas da Turma da Mônica – Volume 1”, segundo a editora, traz tiras cômicas publicadas no jornal “Folha de S.Paulo” entre 1962 e 1964.

 

Esses dois lançamentos são um flerte com o leitor adulto que lia as histórias quando criança. 

 

Até o meio da tarde, não tinham chegado à bienal.

 

Os outros dois lançamentos -uma biografia em quadrinhos de Mauricio de Sousa e uma minissérie de Tina- serão vendidas na bienal por volta do dia 19, segundo a assessoria da editora.

 

O evento termina no dia 23 deste mês.

 

(Continua na próxima postagem)

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h18
[comente] [ link ]

Editoras de quadrinhos invadem a Bienal de Livros do Rio - II

(Continuação da postagem anterior)

A JBC, especializada em quadrinhos japoneses, vai lançar na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro a adaptação do romance “Sócrates In Love – O Amor Sobrevive ao Tempo”.

 

Outro mangá, só que nacional, é um dos destaques da Conrad para o evento literário.

 

“BigHatBoy – O Grande Chapeú” (capa ao lado) é o primeiro investimento da editora em mangás nacionais.

 

A obra é escrita e desenhada pelo designer gráfico Marco Alemar.

 

Outro lançamento da editora paulista é o álbum em quadrinhos “Black Hole – Introdução à Biologia”.

 

A publicação é feita por Charles Burns e vai ser lançada em dois volumes.

 

O trabalho venceu no ano passado o Eisner Awards, considerado o Oscar da indústria norte-americana de quadrinhos.

 

Nas três últimas décadas, Burns teve passagens por algumas das mais importantes revistas de quadrinhos dos Estados Unidos e da Europa.

 

Não é quadrinhos, mas tem a ver com a área, o terceiro lançamento da Conrad para a Bienal. É “Lugar Nenhum”, primeiro romance de Neil Gaiman.

 

O autor é mais conhecido por ser o escritor da série “Sandman”.

 

A Devir vai ter um estande na bienal, mais voltado ao jogo RPG. Mas vai vender quadrinhos por lá.

 

É possível, embora não confirmado, que o segundo número de “Lost Girls”, minissérie pornográfica de Alan Moore, esteja à venda.

 

O álbum de luxo já pode ser encontrada em livrarias e lojas especializadas em quadrinhos.

 

A Editora Globo deixou para lançar na bienal o início do relançamento das obras completas de Monteiro Lobato.

 

Uma das edições adapta em quadrinhos o livro “Dom Quixote das Crianças”. A coleção em quadrinhos terá mais cinco obras de Lobato (leia mais aqui).

 

A Bienal Internacional do Livro do Rio fica no Riocentro (av, Salvador Allende, 6.555, na Barra da Tijuca). Os ingressos custam R$ 10.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h16
[comente] [ link ]

Álbum mostra trajetória dos 40 anos da Marvel no Brasil

O álbum que comemora as quatro décadas de publicação da Marvel no país começou a ser vendido nesta semana.
 
"Marvel - 40 Anos no Brasil" (Panini, R$ 49) possui três eixos centrais, que a tornam especial aos leitores, principalmente os mais antigos.
 
O primeiro atrativo é uma reedição do número zero de "Capitão Z". A revista, de 1967, trazia aventuras de Capitão América e Homem-de-Ferro.
 
A revista (capa abaixo) marcou a estréia dos heróis Marvel no Brasil. A Panini manteve a mesma tradução e ortografia da versão original.
 
A publicação dividia espaço com "Álbum Gigante", com histórias de Thor, e "Super-X", com o Príncipe Namor e O Incrível Hulk.
 
Os três títulos -publicados pela editora Ebal- tinham o rótulo de "Super-Heróis Shell" e eram vendidos nos postos de gasolina da empresa.
 
A Shell patrocinou a entrada dos personagens no Brasil, tanto nos quadrinhos como na televisão (por meio de desenhos animados dos heróis).
 
Os bastidores dessa história -o segundo atrativo da edição- são narrados em detalhes numa matéria de 28 páginas escrita pelo jornalista Gonçalo Junior e por Fernando Lopes, editor do álbum.
 
O detalhamento torna a matéria uma das melhores -senão a melhor- já feita sobre o assunto no Brasil.
 
Há diversas curiosidades sobre os 40 anos da trajetória brasileira da Marvel, que passou por diferentes editoras até chegar à Panini, que a publica atualmente.
 
Uma delas é sobre as negociações por baixo dos panos para uma editora tirar da concorrente os direitos de publicação dos títulos da Marvel.
 
Isso ocorreu na transição da Ebal para a Bloch, que lançou os personagens a partir de 1975. Segundo a reportagem, a Bloch entrou em contato com os representantes da Marvel sem avisar a outra editora.
 
A matéria também explica por que a publicação dos personagens ficou dividida entre a RGE (Rio Gráfica Editora), ligada à Rede Globo, e a Editora Abril em 1979.
 
A RGE teria os direitos exclusivos. Um diretor da Abril, diz a reportagem, conseguiu convencer a editora norte-americana a repartir o bolo. Com uma condição: ficaria com os de menor vendagem.
 
A Abril ficou com Capitão América, Thor, Surfista Prateado e alguns outros. A concorrente, com Homem-Aranha, Hulk, X-Men, Quarteto Fantástico.
 
A Rio Gráfica não teria se oposto à divisão porque interessava ter revistas em quadrinhos de personagens exibidos pela Rede Globo na forma de desenho animado ou seriado.
 
Outra curiosidade são os bastidores da migração dos personagens da RGE para a Abril, que se consolidou em 1983.
 
O primeiro passo foi com personagens que não eram publicados por nenhuma das duas empresas.
 
A reportagem relata que a Marvel negava a publicação desses títulos alegando que os direitos pertenciam à RGE.
 
Para saber se isso era mesmo verdade, o irmão de um dos editores da Abril foi "escalado" a mandar uma carta à RGE como se fosse um leitor.
 
 Ele perguntaria por que a editora caricoa não publicava "Vingadores", "Demolidor", "Namor" e outros heróis.
 
A carta foi publicada. A resposta da editora, também publicada, foi a de que não tinha os direitos sobre esses heróis.
 
Foi a cartada (com desculpas pelo trocadilho) da Abril para publicar os personagens. Daí ao fechamento do contrato para editar todos os heróis da Marvel foi um passo.
 
A reportagem se soma ao terceiro atrativo de "Marvel - 40 Anos no Brasil": a reedição de histórias marcantes da editora norte-americana.
 
Os responsáveis pela obra selecionaram 14 aventuras. Houve a nítida preocupação de diversificar o material selecionado.
 
Leia na postagem abaixo as histórias que compõem o álbum comemorativo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h27
[comente] [ link ]

Seleção de histórias do álbum "Marvel - 40 Anos no Brasil"

1. O confronto entre o Quarteto Fantástico e Galactus, lançado nos EUA em 1966.

2. A briga entre os Vingadores e o Conde Nefária, de 1977, desenhada por Jonh Byrne

3. A história em o Homem-de Ferro enfrenta o alcoolismo, de 1979 (uma das mais importantes do herói)

4 e 5. "Dias de um Futuro Esquecido", em duas partes. A história, da dupla Chris Claremont e John Byrne, foi lançada em 1981 e é tida como uma das principais aventuras dos X-Men.

6. "Roleta-Russa", de 1983, última história da primeira fase de Frank Miller no Demolidor.

7. "O Menino que Coleciona o Homem-Aranha", de 1984. Segundo o álbum, foi escolhida pelos fãs como uma das dez melhores histórias do herói.

8. Uma história do Capitão América, de 1985, desenhada por Frank Miller.

9. Uma aventura de Wolverine , também de 1985, desenhada por Barry Windsor-Smith (famoso pela arte de histórias de Conan, o Bárbaro).

10. O primeiro número da revista do herói "Estigma", de 1986, do chamado "Novo Universo".

11. A história de estréia de "Homem-Aranha 2099", versão futurista do Homem-Aranha (a história é de 1992).

12. Uma aventura do Incrível Hulk, de 1994, sobre Aids.

13. Uma história dos X-Men, de 2002, da linha Millenium. Millenium é o rótulo dado às revistas da versão modernizada dos heróis da Marvel.

14. A aventura de estréia de "Poder Supremo", de 2003.

Todas as aventuras já foram publicadas no Brasil, algumas mais de uma vez, por diferentes editoras.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h24
[comente] [ link ]

12/09/2007

Lançado no Brasil terceiro livro de Scott McCloud sobre quadrinhos

"Desenhando Quadrinhos", último livro do escritor e desenhista Scott McCloud, começa a ser vendido neste mês.
 
A obra, que vai custar R$ 49, ensina técnicas de desenho, inclusive para a internet. O livro foi publicado nos Estados Unidos no ano passado.
 
Na obra, McCloud narra as informações desenhando a si próprio como personagem de uma história em quadrinhos.
 
O mecanismo é o mesmo que ele utilizou nos outros dois livros sobre o tema: "Desvendando os Quadrinhos", que teve duas edições no Brasil, e "Reinventando os Quadrinhos".
 
Ambos se tornaram referência para pesquisadores de quadrinhos. As duas obras foram publicadas pela M.Books.
 
É a mesma editora que lança este terceiro livro, notícia que havia sido antecipada pelo blog em fevereiro deste ano (leia aqui).
 
O site da M.Books traz o sumário da obra. Para ler, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h32
[comente] [ link ]

Livros de Monteiro Lobato vão ganhar versão em quadrinhos

Livros infanto-juvenis escritos por Monteiro Lobato vão ganhar versão em quadrinhos. O primeiro é uma adaptação de “Dom Quixote das Crianças”.

 

A obra será lançada pela Editora Globo, que vai republicar todos os livros de Lobato. Até então, os direitos de publicação pertenciam à Brasiliense.

 

O lançamento da adaptação em quadrinhos será na 13ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que começa nesta quinta-feira, no Riocentro. Não há ainda definição do preço.

 

A obra de Miguel de Cervantes é uma das histórias clássicas que foram adaptadas em livro pelo pai do Sítio do Picapau Amarelo (que também foi quadrinizado).

 

O site da editora Globo prevê o lançamento em quadrinhos de outros cinco livros de Lobato: “O Minotauro”, “Hans Staden”, “Peter Pan”, “Fábulas” e “Os Doze Trabalhos de Hércules”.

 

Todos serão publicados sob o rótulo “Monteiro Lobato em Quadrinhos”.

 

A adaptação de obras de Lobato confirma o investimento das editoras no gênero literatura em quadrinhos, tendência que ganhou força neste ano.

 

Em 2007, houve adaptações de “O Alienista” (conto de Machado de Assis), “O Beijo no Asfalto” (do dramaturgo Nelson Rodrigues), “A Relíquia” (do português Eça de Queirós) e de “Memórias de um Sargento de Milícias” (de Manuel Antônio de Almeida).

 

O desenhista Bira Dantas prepara outra adaptação, também da obra de Cervantes.

 

A literatura em quadrinhos vai ser também tema de um dos debates desta nova edição da Bienal do Livro do Rio.

 

O assunto vai ser discutido numa mesa redonda no dia 22, às 17h. Participam Telio Navega (do blog “Gibizada”) e os desenhistas Allan Sieber e André Diniz. A mediação é do jornalista Rodrigo Fonseca.

 

O tema do debate é uma pergunta: “Quadrinhos, Um Novo e Rentável Gênero Literário?”

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h02
[comente] [ link ]

11/09/2007

Editora procura autores para livro de tiras nacionais

Esta notícia tem cara de anúncio. Mas é notícia. Principalmente para quem faz tiras cômicas.
 
A Editora Virgo procura autores que queiram participar do sexto livro da série "Tiras de Letra", que publica só tiras nacionais.
 
"Tiras de Letra na Casa da Vizinha", nome da obra, marca os quatro anos da coleção, organizada pelo cartunista Mário Mastrotti.
 
Os interessados em integrar a obra, feita em sistema de cooperativa, devem enviar um e-mail a ele (mmastrotti@uol.com.br).
 
Há outras informações no site da editora. Para acessar, clique aqui.
 
Post Postagem (escrito em 12.09): Mário Mastrotti, editor do livro, avisa que já fechou o grupo para este novo livro.
 
Mas ele ainda aceita inscrições para o sétimo título da série, "Tiras de Letra Até Debaixo D´água", que vai ser lançado no ano que vem.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h01
[comente] [ link ]

10/09/2007

Panini programa volumes de Biblioteca Histórica com outros heróis

A repercussão dos três primeiros números da coleção "Biblioteca Histórica Marvel" animou a Panini. Mais até do que a expectativa inicial. A editora programa para o ano que vem mais edições.
  
"A coleção teve um retorno muito bom",  diz por e-mail Fernando Lopes, editor sênior da Marvel.
 
"Os leitores podem esperar novos volumes não só dos personagens desta primeira leva, mas também de outros heróis para o ano que vem".
 
Até o momento, não há nenhum personagem definido. A editora ainda planeja a programação para o ano que vem.
 
O único volume certo é o quarto da série, anunciado para este mês. A edição, em capa dura, vai trazer as aventuras iniciais dos X-Men (capa ao lado). 
 
A coleção -iniciada em junho- relança em edições de luxo as primeiras histórias dos heróis da editora norte-americana Marvel Comics. 
 
As outras edições mostravam as primeiras revistas do Quarteto Fantástico (leia mais aqui),  do Homem-Aranha (aqui) e dos Vingadores (aqui).
 
Todas as histórias são da década de 1960.
 
Os álbuns são vendidos em algumas bancas de grande porte e em lojas especializadas em quadrinhos.
 
Mas a proposta da Panini é levar os volumes às livrarias, novo mercado que a editora pretende conquistar.
 
Clique aqui para ler mais sobre o aumento no número de obras em quadrinhos nas livrarias.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h50
[comente] [ link ]

09/09/2007

Pizzaria Brasil tem lançamento nesta segunda à noite

O chargista Cláudio de Oliveira faz um lançamento do livro "Pizzaria Brasil – Da Abertura Política à Reeleição de Lula" nesta segunda-feira à noite, em São Paulo.

A obra da editora Devir (R$ 32) –que começou a ser vendida em julho- faz um panorama histórico dos principais eventos políticos do país desde 1964.

O livro traz charges de Cláudio já publicadas na imprensa, intercaladas com um resumo dos principais acontecimentos de cada período presidencial (a pesquisa é do autor).

O último fato político mostrado no livro é sobre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), adotado neste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Cláudio é responsável pela charge de capa do jornal "Agora", publicado em São Paulo. O livro comemora 31 anos de carreira dele, iniciada aos 13 anos em Natal (RN).

O lançamento começa às 19h. Vai ser na Menor Livraria do Mundo, que funciona no Jeremias o Bar (rua Avanhandava, 37, no centro de São Paulo).

Clique aqui para ler mais sobre a obra e sobre a carreira de Cláudio.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h38
[comente] [ link ]

Lançado álbum com as primeiras tiras de Calvin e Haroldo

 

 

 

 

 

Capa da obra, que relança tiras publicadas entre 1985 e 1986

 

 

 

 

 

O álbum que reedita as primeiras tiras de Calvin e Haroldo começou a ser vendido neste fim de semana prolongado.

"Calvin e Haroldo – E Foi Assim Que Tudo Começou" (Conrad, R$ 29,90), como o subtítulo já indica, traz as primeiras travessuras do menino travesso criado por Bill Watterson.

A tira de estréia foi publicada nos Estados Unidos no dia 18 de novembro de 1985. Na história, Calvin fazia uma "isca" com sanduíche de atum para fisgar um tigre (veja abaixo).

O fisgado, no caso, era Haroldo, o bicho de pelúcia de Calvin. O tigre (chamado Hobbes, no original) só ganhava vida quando não havia adultos por perto.

A estratégia -que seguiu a série até o fim, em dezembro de 1995- é revelada ao leitor na terceira tira, também mostrada neste novo álbum:

O livro com as histórias iniciais de Calvin e Haroldo já havia sido lançado no Brasil em 1987 pela Editora Cedibra.

As duas edições são essencialmente as mesmas: formato igual (quadrado), ambas têm 128 páginas, trazem as mesmas histórias.

Há basicamente duas diferenças. A primeira é a tradução, que foi refeita. Até as onomatopéias ganharam outra versão (a maioria aportuguesada).

A outra diferença é com relação ao subtítulo, que não existia na edição da Cedibra. Incluí-lo é uma forma de destacar ao leitor que se trata efetivamente do início da tira.

Do ponto de vista da Conrad, isso é importante para diferenciar este álbum do outro, "O Mundo é Mágico – As Aventuras de Calvin e Haroldo", lançado em fevereiro deste ano.

"O Mundo é Mágico" era o último livro da série ainda inédito no Brasil. Foi esse álbum que a Conrad adotou como ponto de partida para a publicação da série.

A editora pretende lançar dois álbuns por ano. Os próximos devem seguir a ordem cronológica da série, a exemplo do que começou a ser vendido neste início de mês.

Crédito das tiras: divulgação.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h18
[comente] [ link ]

08/09/2007

Mais uma publicação traz histórias de Joe Sacco

O quadrinista e jornalista maltês Joe Sacco caiu nas graças da mídia impressa. Mais uma publicação traz histórias dele. Desta vez, é a edição de setembro da revista "Piauí" (Alvinegra, R$ 7,90).

A história, contada em oito tiras, é uma ficção sobre "Alessio Mancha K. Valete". O protagonista é um auto-intitulado artista plástico que vive trocando de amantes.

No dia 19 do mês passado, a "Folha de S.Paulo" publicou outra história de Sacco na edição de domingo do jornal (leia mais aqui).

A narrativa, sobre o treinamento de um grupo de soldados no Iraque, era do gênero jornalismo em quadrinhos, especialidade de Sacco.

A "Piauí" traz ainda outras duas histórias em quadrinhos, uma delas do francês Gotlib (autor que a revista publica desde os primeiros números).

Neste décimo segundo número da publicação, Gotlib faz uma sátira das histórias de Príncipe Valente. O personagem foi criado em 1937 por Hal Foster.

A "Piauí" já publicou histórias curtas de Angeli e Laerte nas edições da revista lançadas no fim do ano passado. Leia mais aqui e aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h12
[comente] [ link ]

Ilustradores fazem encontros simultâneos em seis cidades do país

Ilustradores vão fazer encontros simultâneos na tarde deste sábado em seis cidades do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília.

As reuniões são organizadas pela Abipro (Associação Brasileira dos Ilustradores Profissionais).

Os encontros têm diferentes objetivos. A curto prazo, a proposta é integrar a categoria. A longo prazo, discutir questões ligadas à área, como a regularização da profissão.

"Ilustrador é uma profissão que até hoje não foi reconhecida pelo governo", diz, por e-mail, Flávio Roberto Mota, diretor-presidente da Abipro.

Outro possível assunto em pauta, segundo ele, é a definição de um dia do ilustrador.

Uma primeira proposta é que seja realizado em 8 de setembro (por isso, a escolha desta data para as reuniões simultâneas).

O dia é relevante para a área porque marca o nascimento de Jayme Cortez (1926-1987), um dos principais desenhistas que atuaram no Brasil.

Segundo Mota, os encontros de hoje não têm uma pauta definida.

Num primeiro momento, a idéia é confraternizar os ilustradores. Mas, se for do interesse dos participantes, podem-se discutir assuntos da área.

"Caso não haja nenhum objetivo traçado pelo encontro, vale a oportunidade de aproximação entre os ilustradores e a promessa de que haverá outras oportunidades de integração entre todos", diz.

O site da Abipro mostra o local das reuniões nas seis cidades brasileiras.

Para acessar, clique aqui

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h45
[comente] [ link ]

07/09/2007

Lançado álbum de luxo com as primeiras histórias de Batman

O álbum com as primeiras aventuras de Batman começou a ser vendido neste final de semana.

"Batman Crônicas - Volume Um" (Panini, R$ 48,90) traz histórias publicadas em "Detective Comics" entre 1939 e 1940.

Foi na revista que o homem-morcego fez a primeira aparição, em maio de 1939.

O álbum, de 196 páginas, traz também o número de estréia da revista "Batman", lançada em 1940.

Essa edição da revista mostra a primeira aparição do Coringa, um dos piores inimigos do herói.

O álbum publica também a estréia de Robin, o parceiro mirim de Batman. O menino-prodígio foi criado em abril de 1940.

O álbum, feito em capa dura, é um prato cheio para os fãs de Batman, principalmente para os que gostam de procurar minúcias nas histórias.

No aspecto visual, é nítida a evolução do uniforme do herói. De início, ele era desenhado com luvas curtas. Na máscara, o oposto: havia orelhas muito longas.

A cada edição, o desenhista Bob Kane, ajustava algum elemento do uniforme. Até que chegou a um formato mais parecido (embora não muito) com o visto hoje.

Kane é tido como o criador do personagem. Em "Batman Crônicas", fica bem claro o que já se sabia por outras fontes: o crédito não é só dele.

Muito da personalidade do herói é creditada aos autores das histórias iniciais, Bill Finger e Gardner Fox. É deles, por exemplo, a criação dos bat-utensílios do cinto de utilidades.

O primeiro bat-acessório é visto na terceira edição de "Detective Comics". Batman saca uma pílula de gás, usada contra o vilão da vez.

Foi o primeiro passo. Nas edições seguintes, o bat-gás volta a ser usado, mas passa a dividir o cinto com o batarangue (um bumerangue em formato de morcego) e um batplano (mistura de voador com helicóptero).

Não havia nas histórias iniciais um batmóvel. Mas o herói possuía um carro, num dos modelos da época, curiosamente vermelho.

Com o passar dos meses, os autores trocam o veículo por outro, azul escuro, semelhante à cor da capa de Batman.

O leitor atento vai perceber muitas outras curiosidades. Bob Kane só assinava assim a partir da terceira edição. Até então, escrevia Rob´t Kane.

Mais uma: Batman não tinha pudores em matar os inimigos. Logo na primeira história, o vilão cai num tanque de ácido. "Um fim perfeito para sua laia", diz o herói.

"Batman Crônicas" se tornou uma das edições mais aguardadas no ano. Muito da expectativa se deve ao atraso no lançamento, anunciado para junho.

A Panini adiou a publicação, mas não havia uma data precisa de quando começaria a venda (leia mais aqui e aqui).

O álbum vai ser vendido em lojas especializadas em quadrinhos, algumas bancas e livrarias, novo ponto de venda que a Panini tenta conquistar.

Esta edição é o primeiro volume. A editora planeja lançar outros, e não só de Batman.

A editora anunciou no início do ano que pretende relançar também as primeiras histórias de Super-Homem, de 1938 (leia mais aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h23
[comente] [ link ]

Eterno e Tempero Verde: mais dois lançamentos independentes

Os lançamentos independentes nacionais continuam a todo vapor. Há mais dois neste início de mês.

Um é o segundo número de "Eterno", produzido por Rodrigo Alonso e Felipe Cunha (capa ao lado).

O primeiro número foi lançado na entrega do Troféu HQMix, no início de julho.

Esta nova edição é vendida pelo correio.

Mais detalhes no blog dos autores, que já produzem a terceira edição. Para acessar, clique aqui.

O outro lançamento é "Tempero Verde", do cartunista e jornalista Leandro Dóro. A imagem abaixo é a da capa da revista.

A edição reúne seis contos em quadrinhos, nome dado por Dóro à produção que faz no blog que mantém na internet.

A idéia surgiu em 2006, mas a revista traz material do primeiro semestre deste ano. Dóro diz que queria ter um registro impresso desses contos.

As histórias são sobre diferentes gêneros dos quadrinhos. Uma delas adapta o conto "A Orelha de Van Gogh", de Moacyr Scliar.

A revista, de 44 páginas, é vendida pelo correio. Custa R$ 5 para quem mora no Rio Grande do Sul e R$ 7 para outros estados.

Há mais detalhes de como comprar no blog de Dóro (clique aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h34
[comente] [ link ]

06/09/2007

Fanzine faz edição especial sobre a carreira de Edgar Vasques

O novo número do fanzine "Top! Top!" (Marca de Fantasia, R$ 6) é quase todo dedicado ao cartunista gaúcho Edgar Vasques.

A publicação faz um completo raio-X da carreira dele, inicada há quase quatro décadas.

Em entrevista ao fanzine, ele explica por que andava meio sumido nos últimos anos. O desenhista, de 58 anos, se tornou diretor de arte de uma agência ligada à Prefeitura de Porto Alegre.

Esse distanciamento o tornou desconhecido para uma nova geração de leitores. Mas Vasques teve uma atuação importante no humor gráfico nacional.

Ele foi autor de uma tira bastante conhecida no país, o sempre esfomeado "Rango", criado em 1970.

Vasques diz ao fanzine que ter a fome como tema foi uma das formas de driblar a censura imposta pelo regime militar (1964-1985).

"Eu usei minha linguagem, que era o humor, pra dizer o óbvio", diz ele, ao fanzine.

"Ninguém podia pregar a revolução nem nada porque se ia em cana, mas dizer que tinha miséria já era uma revolução, porque era proibido isso na época."

O personagem, que foi publicado em jornais e no alternativo "Pasquim", tornou-se uma espécie de foco de resistência à ditadura.

O último jornal a publicar a tira foi o "Jornal do Brasil", em 2005.

No mesmo ano, a L&PM lançou um livro de bolso em comemoração aos 35 anos de criação do personagem (capa ao lado).

A edição comemorativa tem um outro significado para a editora gaúcha. É que Rango foi o primeiro livro lançado pela L&PM, criada em 1974.

Vasques também fez várias charges e os desenhos da versão quadrinizada de "O Analista de Bagé".

As histórias de uma página, escritas por Luis Fernando Verissimo, foram publicadas na revista "Playboy" entre 1983 e 1990.

Parte desse material foi relançado neste ano pela editora Objetiva (leia mais aqui).

O "Top! Top!" traz cinco histórias do Analista. E outra, de quatro páginas, de Piru, outra criação de Vasques (o personagem só se envolvia com mulheres feias).

A publicação, de 40 páginas, também traz uma longa entrevista feita com o cartunista.

O fanzine, editado por Henrique Magalhães, só é vendido por meio do site da editora Marca de Fantasia.

Para acessar a página, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h21
[comente] [ link ]

Site cria seção com tiras cômicas (inclusive Maakies)

Arnaldo Branco às segundas. O norte-americano Tony Millionaire às quartas. André Dahmer às sextas-feiras.

O trio integra uma nova seção do portal G1 dedicada a quadrinhos. As primeiras tiras entraram no ar nesta semana.

Branco publicará histórias inéditas da tira "Mundinho Animal".

Ele já tem um álbum publicado com outro personagem, "As Aventuras do Capitão Presença", lançado no ano passado (leia aqui).

O cartunista também fez o roteiro da adaptação em quadrinhos da peça "Beijo no Asfalto", publicada há poucas semanas.

Tony Millionaire é o autor de "Maakies", uma das tiras cômicas mais inovadoras (e intencionalmente surreais) dos últimos anos.

Os protagonistas da tira são dois marinheiros: o corvo bêbado Drinky Crow e o não menos bêbado macaco Tio Gabby (Uncle Gabby, no original).

As histórias surreais da dupla foram publicadas no Brasil num álbum, lançado em junho (leia mais aqui).

André Dahmer também tem um dos trabalhos mais inovadores na área de tiras.

Isso fica bem claro na série "Malvados", muito lida na internet e publicada na seção de cultura do "Jornal do Brasil".

No mês passado, ele publicou parte de sua produção virtual em "O Livro Negro de André Dahmer" (leia aqui).

Clique aqui para ler as tiras.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h46
[comente] [ link ]

05/09/2007

Melinda Gebbie cancela participação no FIQ

A desenhista Melinda Gebbie cancelou a participação no próximo FIQ, Festival Internacional de Quadrinhos, que ocorre em outubro em Belo Horizonte (MG).
 
Segundo a assessoria do festival, ela atribuiu a ausência a "compromissos inadiáveis num projeto com Alan Moore".
 
Ainda de acordo com a assessoria, a desenhista também pediu desculpas pela demora no envio do fax com o cancelamento da presença.
 
Gebbie é conhecida pela arte de "Lost Girls", feita em parceria com o marido, Alan Moore (autor de "V de Vingança" e "Watchmen" e outras séries famosas).
 
A minissérie pornográfica mostra versões adultas de Wendy, Alice e Dorothy, personagens de "Peter Pan", "Alice no País das Maravilhas" e "O Mágico de Oz".
 
O primeiro número da minissérie foi lançado no Brasil em maio pela editora Devir (leia aqui). Estão programados mais dois.
 
Os demais convidados internacionais do FIQ estão mantidos.
 
Entre eles, estão o italiano Giancarlo Berardi (escritor de "Ken Parker" e "J. Kendall - Aventuras de uma Criminóloga") e o argentino Eduardo Risso (desenhista da série "100 Balas"). Leia a lista completa aqui.
 
Esta quinta edição do FIQ terá também convidados brasileiros e diferentes exposições com trabalhos nacionais e estrangeiros.
 
O brasileiro Julio Shimamoto vai ser o homenageado na área de quadrinhos. Orlando Pedroso, na de ilustração (leia mais aqui).
 
O festival ocorre entre os dias dias 16 e 21 de outubro na Serraria Sousa Pinto, no centro de Belo Horizonte. O evento é gratuito.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h45
[comente] [ link ]

04/09/2007

Antologia de Fortuna: as memórias do pai pelas mãos da filha

O cartunista Fortuna, um dos principais da história do país, vai ganhar uma antologia.

A obra será publicada pela editora Desiderata e deve ser lançada no ano que vem.

O livro é organizado pela filha dele, Anna Fortuna. É uma espécie de presente póstumo ao trabalho do pai.

A obra vai ter desenhos das diferentes produções feitas por Fortuna, morto em setembro de 1994, aos 63 anos.

A seleção inclui cartum, charge, caricatura, capas de revista e, claro, Madame e Seu Bicho Muito Louco, criação em quadrinhos mais famosa dele (abaixo, uma das histórias curtas dela).

"Já que é uma antologia, acho importante ter algumas histórias da Madame e Seu Bicho Muito Louco", diz Anna Fortuna, por e-mail.

"São seus únicos personagens, fora o Professor Reginaldo, que é um personagem de texto."

Fortuna –o pai- trabalhou nas principais produções de humor que surgiram no país a partir da década de 1960 (e que ilustram esta postagem).

Teve participação da revista "Pif-Paf", de Millor.

Depois, integrou o time fundador do jornal alternativo "Pasquim", uma das principais vozes de resistência à ditadura militar brasileira (1964-1985).

Criou na década de 1970 a revista em quadrinhos "O Bicho", que também trazia as histórias da Madame, personagem homenageada com a estátua do Troféu HQMix de 2006 (leia aqui).

Paralelamente, atuava na grande imprensa. Passou por "Folha de S.Paulo", "Jornal do Brasil", "Veja", "IstoÉ", "Playboy".

E ainda arrumava tempo para estudar a produção do Barão de Itararé.

Lançou três livros: "Aberto para Balanço", com charges, "Diz, logotipo!", em que dava outra interpretação a logos famosos (veja ao lado) e "Acho Tudo Muito Estranho (Já o Professor Reginaldo, Não)", com ilustrações e textos de humor.

Fortuna –a filha- herdou de Fortuna –o pai- a veia humorística. Ela estreou com textos no "Pasquim 21" com a personagem "Mulher-Cartum". Mantém um blog com material dela (leia aqui).

Ela também é uma das colaboradoras da "Revista M...", que traz trabalhos de humor (leia aqui).

A carioca Anna Fortuna tem no gene outra característica do pai: a diversidade de campos de atuação.

Fez dança contemporânea, teatro, educação artística, atuou como terapeuta ocupacional, é blogueira, colunista, escritora.

E faz planos mais planos. Quer criar uma loja virtual só com produtos de humor. Inclusive os do pai.

Entre uma atividade e outra, ela arrumou tempo para conversar com o Blog.

Na entrevista, ela dá mais detalhes da obra, releva um lado pessoal pouco conhecido de Fortuna e conta como ficam as memórias da filha organizando a memória viva dos trabalhos do pai.

Leia a entrevista na próxima postagem.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h18
[comente] [ link ]

Antologia de Fortuna: as memórias do pai pelas mãos da filha - Parte II

Entrevista: Anna Fortuna
 
Blog - Como você imaginou a obra que vai ser lançada pela Desiderata?
Anna Fortuna - A Martha Batalha, editora da Desiderata, me propôs uma antologia. Então, eu imagino uma seleção mesmo dos seus trabalhos, abrangendo toda a sua carreira; cartuns, charges, ilustrações, caricaturas, capas de revistas, jornais e livros, pôsteres, frases e textos, de forma a mostra a sua versatilidade. Alguns cartuns/charges seus são antológicos, como o do general despachando sentado em cima de um cavalo. Gostaria de colocar também seus primeiros trabalhos publicados, com um traço completamente diferente, ainda sem a influência do Steinberg (leia aqui) e usando pseudônimo.
 
 
Blog - Como fica a cabeça da filha mexendo com trabalhos que resgatam a memória do pai?
Anna - É um pouco complicado, muitas vezes não dá pra não se emocionar ao mexer em seu material, relembrá-lo trabalhando, conversando, suas teorias (ele tinha teoria de tudo!). Mas, quando eu tomei a resolução de não deixar a sua obra morrer e fazer o que fosse possível para que a nova geração conhecesse seu trabalho, sabia que ia ter que encarar isso. Mas, ao mesmo tempo, eu me divirto, apesar da grande responsabilidade que é. Espero fazer a coisa certa.
 
Blog - Qual é a primeira lembrança que você tem do trabalho de seu pai?
Anna - Eu gostava de observá-lo trabalhando na prancheta, principalmente quando ele desenhava com nanquim. Era interessante também quando ele usava materiais estranhos, como palitos de fósforos e algodão, para dar acabamento ao seu trabalho. Assim, de publicações, me lembro de, ainda bem criança, já curti demais a revista "O Bicho", que ele editava.
 
 
Blog - Como você descreveria o seu pai e o trabalho dele?
Anna - Muitos já falaram, mas é verdade: era um perfeccionista, podia ficar dias em cima de um mesmo trabalho. Acho incrível o seu traço. A junção entre o traço e a idéia é perfeita. Era um intelectual no sentido pleno da palavra, um pensador. Sofisticado, como o seu traço, mas, ao mesmo tempo, simples e cordial. Vejo-o também como uma espécie de pioneiro em muitas das suas criações. Gostava muito de conversar. Era também muito engraçado quando nos mostrava seus próprios trabalhos e ria pra valer deles. Sua gargalhada era contagiante.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h12
[comente] [ link ]

03/09/2007

Virei colunista de site ligado ao PC do B. Só não me avisaram disso

Um texto deste blog foi reproduzido no site "Vermelho", página virtual ligada ao PC do B.

A postagem do blog, veiculada em duas partes na manhã do dia 23 de agosto, analisava a mudança do discurso da mídia impressa com relação aos quadrinhos (leia aqui).

O site "Vermelho" reproduziu o texto no mesmo dia, às 21h43 (veja aqui).

Lá, eu assino a matéria (ao lado aparece o nome deste blog) e tenho tratamento de colunista aos olhos do leitor.

Os responsáveis pelo site só se esqueceram de me avisar e de me pedir autorização.

Também se esqueceram de me comunicar quais foram os critérios usados para alterar parte do texto que fiz (e que, não custa reforçar, assino no site deles).

O título original, "Discurso sobre quadrinhos na mídia impressa começa a mudar", foi alterado para "Como e por que a mídia passou a falar melhor dos quadrinhos".

Se consultado (não fui), ponderaria que o texto original ajustava o foco na mídia impressa, não em toda a mídia. A alteração, editorialmente falando, foi para pior.

Outra mudança foi a inserção de intertítulos, nome dado no jornalismo às palavras em negrito usadas no meio do texto para separar blocos de parágrafos.

O recurso é usado para organizar melhor a matéria ao leitor.

Foram inseridos quatro intertítulos: "reportagem", "nova pauta", "outro olhar", "inserção maior". Eles inexistiam na versão original.

Pelo que vejo, os mantenedores da página lêem este blog. É mais um sinal de que esta página é acompanhada por leitores fora do âmbito dos quadrinhos.

Agradeço as visitas, a intenção de usar a informação deste blog, mas insisto que os senhores deveriam ter consultado o autor antes.

Para uma eventual próxima vez, antecipo que não autorizo a reprodução do texto.

Dois motivos balizam essa postura.

O primeiro é a falta de confiança manifestada nessa primeira experiência involuntária.

O segundo motivo é a vinculação do site a um partido político.

A associação a um partido –qualquer que seja ele, é importante que se registre- tira do jornalista a isenção e a independência necessárias ao bom cumprimento da função.

É um valor meu. E é inegociável.

Pelo mesmo motivo, opto por não usar anúncios publicitários neste blog.

Só lamento não ser este um fato isolado. Os colegas do site Universo HQ, também sobre quadrinhos, tiveram há poucas semanas problema semelhante.

Matéria assinada por Marcus Ramone foi reproduzida, na íntegra, pela Agência JB, vinculada ao "Jornal do Brasil", do Rio de Janeiro.

E sem crédito à fonte. A própria agência assinava o texto.

A mídia virtual ainda luta para conquistar a mesma credibilidade dos demais veículos de informação.

Fatos como esses só servem para reforçar o coro dos que desconfiam da internet e das informações jornalísticas veiculadas por ela.

E ajudam a destruir a credibilidade real criada pelos sites sérios do mundo virtual.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h32
[comente] [ link ]

02/09/2007

Site com quadrinhos nacionais completa um ano no ar

Um dos sites que abrigam quadrinhos nacionais, o Webcomix, completa um ano neste fim de semana. Nesse período, a página passou de seis para 40 publicações on-line.

O site conta hoje com 48 artistas. Eles assinam um contrato em que se comprometem a atualizar a página regularmente num prazo de um ano.

O responsável pelo Webcomix é o administrador de empresas e escritor de quadrinhos Henrique Fonseca Duarte, ou Henrique FD, como costuma assinar.

Um dos planos dele para este segundo ano é tornar o site mais popular.

O Blog pediu a ele -um entusiasta da produção virtual- que fizesse uma avaliação de como vê a produção de quadrinhos nacionais na internet.

Segue um trecho da análise, feita por e-mail:

"Para mim, a publicação de quadrinhos on-line não passa de puro bom senso.

Eu não estou esperando para ver se vai dar certo ou não, pois eu não tenho a menor dúvida do sucesso.

Porém, eu entendo a apreensão de certas pessoas que não acreditam nesse novo segmento do mercado, principalmente porque há uma grande comparação entre a publicação impressa e a on-line.

A publicação on-line não chegou para substituir, mas para agregar.

Obviamente, o futuro do papel no nosso mundo é desaparecer e ser digitalizado. É uma transição gradual, que já está acontecendo.

Para quem não acredita, procure saber quando foi a ultima vez que seus pais, ou qualquer pessoa que você conhece, comprou uma coleção de enciclopédias."

Henrique FD vê também um possível diálogo entre as produções virtual e impressa.

"No caminho do quadrinho on-line, mais à frente, está inclusa a publicação impressa, não como meta final, mas como uma das metas a serem alcançadas", diz.

"O sucesso de uma publicação on-line permitirá a venda da versão impressa dessa publicação para aquela parcela do público que quiser adquiri-la."

Para visitar o Webcomix, clique aqui.

Conheça também o Nona Arte e o Pato de Laranja, outros sites com quadrinhos nacionais. Clique aqui e aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h07
[comente] [ link ]

01/09/2007

Álbum mostra causos do sertão brasileiro

Os quadrinhos nacionais têm seu "Sagarana". "Estórias Gerais" faz uma narrativa de 158 páginas sobre "causos" do serão brasileiro da década de 1920.

O álbum começou a ser vendido nesta semana (Conrad, R$ 24). Na verdade, é um relançamento, com novo tratamento editorial. A história foi lançada de forma independente em 2001.

Na época, já ganhou destaque. A história foi premiada em 2002 com dois HQMix (melhor roteirista e graphic novel nacional) e dois Angelo Agostini (roteirista e desenhista).

Os dois prêmios são da área de quadrinhos.

A obra é o escrita pelo mineiro Wellington Srbek, de 32 anos. Ele possui outros trabalhos em quadrinhos, mas "Estórias Gerais" é o que teve maior destaque.

O álbum mostra o conflito armado entre os jagunços do insensível Antônio Mortalma e os de Manuel Grande.

O fio condutor da história principal é ladeado por outras narrativas. São "causos" do sertão e de seus ricos personagens, que nome dá à obra.

O roteiro é um dos atrativos do álbum. Há outro: o traço de Flavio Colin (1930-2002), um dos mais conceituados desenhistas brasileiros.

Apesar a sintonia entre palavra e imagem vista na obra, Srbek e Colin (auto-retrato ao lado)curiosamente nunca se encontraram.

A produção deste e de outros trabalhos da dupla foi toda feita à distância.

Esse é um dos bastidores da produção que Srbek conta na entrevista a seguir, feita por e-mail.

Ele divide a atividade de roteirista com as pesquisas na área de quadrinhos.

Srbek tem doutorado sobre humor nas histórias de Henfil defendido na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Parte do estudo foi publicado no livro "O Riso que Liberta", lançado em junho deste ano (leia mais aqui).

Leia a entrevista na postagem abaixo.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h57
[comente] [ link ]

Álbum mostra causos do sertão brasileiro - II

Entrevista: Wellington Srbek

Blog - Qual foi sua inspiração para criar o texto? Guimarães Rosa? Outro? 

Wellington Sbrek - Tem havido alguma imprecisão em torno desta questão, pois o "Estórias Gerais" não é “inspirado em Guimarães Rosa”, tampouco é uma “adaptação de Grande Sertão: Veredas” (coisas que eu não teria o direito de fazer). Na verdade, o que aconteceu é que a leitura da obra-prima de João Guimarães Rosa motivou-me a criar uma história em quadrinhos com elementos daquele universo ficcional dos jagunços e senhores de terras das Gerais. Mas outras obras, como "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, e "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto, tiveram um papel na origem de "Estórias Gerais", sem falar em autores como Luiz Gonzaga, Sérgio Buarque de Hollanda e Dias Gomes, que são citados em minha introdução para o livro.

 

Blog - Como surgiu a possibilidade de reeditar a obra?
Srbek - Quando conheci o Rogério Campos, [dono e diretor editorial] da Conrad, em 2002, ele me disse que o "Estórias Gerais" era um dos melhores “gibis” que ele tinha lido nos últimos dez anos e que gostaria de publicá-lo no futuro. Quando nos reencontramos no FIQ [Festival Internacional de Quadrinhos de Pernambuco] de 2005, ele me perguntou sobre o álbum e, já que a primeira edição estava esgotada, deixamos “palavrada” esta reedição. E o livro saiu agora numa reedição muito caprichada.

 

 

Blog - Especificamente sobre Colin, como foi a entrada dele no projeto original?

Srbek - No início de 1997, eu mandei para o Colin exemplares das revistas Solar e Caliban, que eu publicava. Ele gostou do trabalho e escreveu uma carta bastante incentivadora. Fomos mantendo contato e combinamos de fazer uma HQ juntos. Quando surgiu a idéia para "Estórias Gerais", em fins de 1997, Colin foi o único desenhista em que pensei. Na época eu pude fazer uma boa proposta financeira e ele aceitou desenhar o álbum para mim.

 

Blog - Como se deu o processo de criação entre vocês? ele já pegou o roteiro pronto ou houve troca de experiências?

Srbek - Tecnicamente, o processo com Colin foi semelhante a minhas parcerias com todos os outros desenhistas. Eu enviei a ele esboços e textos explicativos sobre os personagens e todas as páginas do roteiro já esboçadas, com o texto à parte. Claro que Colin trouxe muitíssimo para o projeto, não apenas com seu estilo único mas também com o extenso conhecimento visual que tinha, pois ele sabia desenhar coisas como estribo, arreio, sela e cavalo sem ter que olhar em livros de referência.

 

 

Blog - Como foi o contato com ele nesse álbum?

Srbek - Foi sempre muito prazeroso e recompensador, pois Colin tinha um ótimo papo e nos tornamos amigos. Para além disso, embora não conseguisse trabalho entre os grandes editores, o saudoso mestre queria muito fazer quadrinhos, e tenho orgulho de poder ter propiciado a ele um trabalho de qualidade por uma remuneração adequada – o que infelizmente não é comum na história dos quadrinhos brasileiros.

 

Blog - Há algum bastidor sobre o trabalho dele, algo ainda não revelado?

Srbek - Algo interessante a se contar é que eu e ele produzimos as [mais de] 150 páginas de "Estórias Gerais" e as 40 páginas de nossos outros trabalhos (publicados em "Fantasmagoriana", "Mirabilia" e "Mystérion") sem jamais termos nos encontrado pessoalmente.

Srbek pretende colocar outros bastidores da produção de "Estórias Gerais" no site Mais Quadrinhos, página virtual com trabalhos dele.

Segundo Srbek, o material entra no ar na segunda-feira. Para acessar, clique aqui.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h51
[comente] [ link ]

[ ver mensagens anteriores ]