31/08/2007

Congresso de comunicação tem sala temática sobre quadrinhos

O Intercom, principal congresso do país na área de comunicação, vai ter uma sala temática sobre histórias em quadrinhos na edição deste ano.
 
O congresso é realizado em Santos, no litoral de São Paulo. Os trabalhos começaram na última quarta-feira e vão até o próximo domingo, quando ocorre a apresentação dos trabalhos sobre quadrinhos.
 
Seis pesquisadores de diferentes instituições de ensino do país vão participar da sala temática. Cada um apresentará um estudo diferente.
 
O Intercom já teve um núcleo de pesquisas de quadrinhos. Mas foi extinto há alguns anos. O grupo de pesquisadores não conseguiu se adequar às novas regras do congresso.
 
O Intercom passou a exigir que cada núcleo tivesse oito doutores com trabalhos ligados à área. Na época, os pesquisadores conseguiram a adesão de apenas seis doutores.
 
O grupo vê na mesa temática -sediada na área de produção editorial- o primeiro passo para recriar o núcleo de pesquisas no Intercom do ano que vem.
 
O congresso ocorre na Unisantos (Universidade Católica de Santos). A exposição dos trabalhos, no próximo domingo, vai ser das 14h às 17h.
 
A participação, em princípio, é restrita a quem se inscreveu no Intercom. Mas é comum eventos assim aceitarem ouvintes. A Unisantos fica na Av. Conselheiro Nébias, 300. 

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h31
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As diferentes portas de acesso a Corto Maltese

A leitura de uma história em quadrinhos possui diferentes portas de entrada. Qual será aberta durante o contato com a obra vai depender muito do olhar afiado e da curiosidade do leitor.
 
O acesso a "Corto Maltese - As Célticas", álbum lançado neste mês (Pixel, R$ 33), é naturalmente plural. Assim como o aventureiro protagonista, a obra possui diferentes campos a serem explorados.
 
Há, por exemplo, a chave da porta da história. Existem várias referências sobre o período da 1ª Guerra Mundial, época em que se passam as seis histórias do álbum, o quarto lançado pela Pixel.
 
É um bom exercício verificar o que é fato e o que é ficção na trama.
 
Para quem (ainda) não sabe como usar quadrinhos na escola, essa seria uma boa prática.
 
Usar a história como pano de fundo para uma narrativa não é exatamente novo. Basta, então, usar uma segunda chave e abrir outra porta. Como a da linguagem cinematográfica presente no álbum.
 
O escritor e desenhista italiano Hugo Pratt (1927-1995) faz quase um storyboard em determinados trechos. Fiquemos em um, a título de exemplo.
 
Logo na primeira história, intitulada "O Anjo da Janela do Oriente", Corto Maltese é apresentado ao leitor por meio de um corte inesperado entre uma cena e outra (ou entre um quadrinho e outro).
 
Há três vinhetas. Na primeira, dois frades olham para o céu. Corte.
 
Na segunda, aparece o que vêem: um avião monomotor. Novo corte.
 
Na cena seguinte, surge o protagonista, observando o mesmo avião.
 
A primeira aparição de Corto Maltese em cada uma das histórias é feita sempre de forma diferenciada. Mas sempre marcante e reveladora, como se um segredo estivesse sendo revelado ao leitor.
 
Muito disso se deve ao estilo de Pratt. Essa é outra porta que o álbum de 138 páginas permite acessar.
 
Do primeiro trabalho -"Balada do Mar Salgado", lançado no começo do ano passado- até este, houve um aprimoramento na já aprimorada técnica narrativa do escritor e desenhista.
 
Pratt está à frente de outra porta de entrada para este quarto álbum do personagem. Vale investigar o quanto de Pratt há em Corto Maltese. O aventureiro é uma espécie de alter-ego do desenhista.
 
Pratt viajou muito durante toda a vida, em diferentes fases. Nasceu na Itália, morou parte da infância na Etiópia, atuou na Argentina, passou pelo Brasil mais de uma vez (teve até filha aqui), estabeleceu-se novamente na Itália.
 
Maltese também é um viajante que faz contatos e enfrenta problemas por onde passa. Neste quarto álbum, ele circula pela Europa.
 
Muitos dos locais por onde o personagem passa foram vistos in loco por Pratt. O quanto há de ficção na representação de todos esses países? O quanto há de realidade? Essa porta é de díficil acesso.
 
Um jeito -há outros- de se medir a qualidade de uma obra é olhar o volume de portas que ela possui, portas que conduzam o leitor a lugares bem diferentes.
 
É o caso de Corto Maltese.

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Escrito por PAULO RAMOS às 17h11
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30/08/2007

Panini põe freio na periodicidade de Grandes Astros Superman

A revista "Grandes Astros – Superman" vai deixar de ser mensal. A editora Panini, que publica a série, não tem mais material inédito para lançar.

A última história disponível era a do número oito da revista norte-americana "All Star Superman", que serve de base para a edição nacional.

Essa aventura saiu neste mês nos Estados Unidos.

Mesmo com a pequena diferença de tempo, a Panini conseguiu incluir a história no oitavo número da revista brasileira, que começou a ser vendida nesta quinta-feira (R$ 3,90).

No fim da edição, A Panini informa o leitor sobre o problema e diz que vai tentar "manter a publicação bimestral ou lançar sempre que uma edição for publicada pela DC Comics."

O site da DC nos Estados Unidos anuncia para outubro o lançamento do nono número.

A publicação norte-americana, escrita por Grant Morrison e desenhada por Frank Quitley, passa por constantes atrasos desde que foi lançada.

Problema parecido ocorreu com o outro título da série, "Grandes Astros – Batman & Robin". A Panini suspendeu a publicação da revista na quarta edição, lançada em maio (leia aqui).

O motivo também foi o atraso no cronograma de lançamento nos Estados Unidos. O problema já existia quando as duas revistas estrearam no Brasil, no início deste ano.

A linha Grandes Astros ("All Star", no original) mostra histórias de Batman e Super-Homem em uma realidade diferente da vista nas outras revistas mensais da DC.

A série do homem de aço, mesmo sem ter chegado a um desfecho, venceu o prêmio Eisner deste ano na categoria melhor série.

O Eisner é uma espécie de Oscar da indústria norte-americana de quadrinhos.

Nesta oitava edição, Super-Homem tenta montar um foguete para fugir do planeta Bizarro, onde está preso.

Para isso, tem a difícil tarefa de convencer os habitantes de lá a ajudarem na construção.

A dificuldade é de comunicação. Os bizarros têm a característica de entenderem tudo ao contrário.

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Escrito por PAULO RAMOS às 21h49
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Uma nova Idéia que vem do sul

Há uma espécie de euforia de produções independentes de quadrinhos neste ano no país. As que já existiam se consolidaram e estimularam o surgimento de outras, como a "Idéia", do Rio Grande do Sul.
 
O segundo número da revista começou a ser vendido neste mês. O foco principal são os quadrinhos, de diferentes gêneros. Mas há espaço também para textos e entrevistas.
 
A publicação é uma continuidade do jornal "Peixe Frito", que era produzido por Wagner Passos e Alisson Affonso, dois dos editores da "Idéia" (que conta com um terceiro integrante, Ivonei D´Peraça, pai de Passos).
 
O jornal circulou no ano passado. Teve poucas edições, mas suficientes para ser indicado no Troféu HQMix deste ano na categoria prozine.
 
A repercussão serviu de estímulo para a criação da publicação independente. 
 
"Na possibilidade de termos mais alcance, pensamos se seria possível dar esse passo e produzir uma revista", diz Passos, por e-mail.
 
A primeira edição foi lançada em junho. Este segundo número conseguiu cumprir o cronograma dos três editores. Eles pretendem publicar uma nova "Idéia" a cada dois meses.
 
"Conseguimos montar uma estratégia interessante que torna a revista autosustentável e, assim, conseguimos cumprir essas datas pré-estabelecidas, o que é muito importante para se manter a freqüência e, a cada edição, conquistar mais leitores."
 
O trio imprimiu mil exemplares deste novo número, que tem 16 páginas. O grupo vende a revista em bancas de Rio Grande, cidade onde moram, e em mais 30 pontos de venda.
 
Há também um esquema de venda por meio do site "Vagão do Humor", organizado por Passos (para acessar, clique aqui). O plano do grupo é tornar a revista nacional.
 
"Mas esse é um outro patamar, um outro passo que precisa de um suporte muito grande e que ainda não comportamos", diz Passos.
 
A "Idéia" custa R$ 5. O preço é o mesmo para quem compra via internet. O grupo não cobra o custo do envio pelo correio.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h14
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29/08/2007

Novo álbum de Estranhos no Paraíso volta às origens da série

Há um ar de déjà vu no novo álbum de "Estranhos no Paraíso", obra que começou a ser vendida no último fim de semana nas lojas especializadas em quadrinhos (HQM, R$ 24,90, 88 págs.).
 
O autor da série norte-americana, Terry Moore, leva a série de volta às origens, mais especificamente ao início da primeira história, lançada no Brasil em maio de 1998 pela Editora Abril.
 
O começa da série trazia um prelúdio de três páginas em que uma das protagonistas, a meiga Francine, encena uma peça no colégio.
 
No palco, a toga que ela vestia caía diante de toda a platéia. A página seguinte mostrava Francine e a inseparável amiga, a polêmica Katchoo, dez anos no futuro. Era quando a série iniciava oficialmente.
 
A curiosidade deste "Estranhos no Paraíso - Tempos de Colégio" é que Moore conta o que se passou antes, durante e depois da constrangedora cena vivida por Francine no palco.
 
A volta ao passado das protagonistas -por isso o título "tempos de colégio"- é para que o escritor e desenhista possa contar como Francine e Katchoo se conheceram e se tornaram as melhores amigas.
 
Isso cumpre também outro papel. Resgata o humor e as situações mais leves do cotidiano delas, deixados um pouco de lado nas últimas tramas.
 
Isso fica bem mais claro na quarta e última história do álbum, uma aventura solta, mais despreocupada.
 
Mostra o devaneio de Katchoo depois de levar uma "portada" no rosto pouco antes de assistir a um episódio de "Xena".
 
O devaneio se passa no universo das aventuras do seriado da TV. Francine é mostrada no papel de Xena e Katchoo, no de sua parceira.
 
O tom leve e a explicação sobre como foi o primeiro encontro das protagonistas torna este álbum de Estranhos no Paraíso -o segundo pela HQM- um bom ponto de partida para quem nunca leu a premiada série.
 
A edição toma como base o sexto encadernado da série, "Strangers in Paradise - High School", que reúne os números de 13 a 16 da revista. O material é inédito no Brasil.
 
A edição nacional ganhou uma sobrecapa, reproduzida no início desta postagem. A outra imagem é a da capa.
 
Clique aqui e aqui para ver a trajetória da série no Brasil.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h14
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Mais uma explicação de Laerte. Agora, sobre as tiras filosóficas

Ontem, foi em "O Globo". Hoje, na "Folha de S.Paulo". Em dois dias, o cartunista Laerte Coutinho concedeu duas entrevistas diferentes, que ajudam a entender melhor as mudanças por que passaram as tiras que ele publica diariamente na Folha.
 
Para "O Globo", ele comentou sobre o ano sabático que deu a si próprio e que o levou a republicar tiras de "Classificados" no espaço que mantém na Folha.
 
Ele comentou também que abandonou -em princípio, temporariamente- o uso de personagens fixos (leia aqui).
 
Na entrevista desta quarta-feira, o cartunista disse que está em "crise" criativa. Esse foi um dos motivos que o levaram a fazer as chamadas "tiras filosóficas".
 
Essas tiras foram publicadas no caderno "Ilustrada" da Folha entre 2005 e 2006. Tinham em comum o fato de não produzirem uma piada no fim.
 
Algumas tinham roteiros que dialogavam com o surrealismo.
 
O cartunista, de 56 anos, disse que a morte do filho, num acidente de carro em 2006, serviu como um "divisor de águas". Desde então, passou a não ver mais o humor do mesmo jeito.
 
Por isso, abandonou os personagens fixos -comentado também na entrevista a "O Globo"- e abraçou algo "bastante livre, indagativo, experimental, porra-louca".
 
Nas palavras dele:
 
"Passei a ver e pensar as coisas de outro jeito, uma série de procedimentos começou a perder o sentido ou ganhar outros.
 
Muito do que consistia a natureza das minhas tiras era um tipo de prestação de contas, como se eu estivesse fazendo para algum juiz, era um modo extenuante de trabalhar.
 
Passei a não achar mais graça no tipo de humor que fazia, não me identificava mais com aquele modo de fazer, então resolvi deixar de lado os personagens."
 
O jornalista Marco Aurélio Canônico, autor da entrevista publicada na Folha, perguntou ao criador dos "Piratas do Tietê" se o novo método tornou mais fácil a criação das tiras.
 
"Não, não facilitou. Abriu possibilidades, mas era muito mais complicado, eu demorava mais para fazer as tirinhas.
 
Aí, no fim do ano passado, cansei, fiquei sem rumo novamente e passei a republicar o material do Classifolha [um dos cadernos da Folha], os cartuns livres, achei que dava para tirar um ano sabático."
 
A parada, segundo ele, é também para produzir um álbum de 96 páginas para a editora Desiderata.
 
O cartunista lança nos próximos dias dois álbuns com material antigo: "Piratas do Tietê - A Saga Completa" e "Laertevisão - Coisas que Não Esqueci" (leia mais aqui e aqui).

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h12
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28/08/2007

Suspeita de plágio cancela premiação de cartum em Piracicaba

 

 

 

Cartum premiado no fim de semana no Salão Internacional de Humor de Piracicaba

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cartum de Cau Gomez, feito no ano passado, segundo o desenhista

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
O presidente da comissão organizadora do Salão Internacional de Humor de Piracicaba deste ano, Ricardo Viveiros, suspendeu nesta terça-feira a entrega do prêmio para o primeiro colocado na categoria cartum.
 
A decisão foi tomada porque existe a suspeita de o desenho -feito por Evaristo Daniel Rodrigues- ter sido plagiado de um trabalho do cartunista mineiro Cau Gomez (vistos nesta postagem).
 
Os dois cartuns mostram um canibal, com uma medalha no peito, no alto de um pódio. A brincadeira sugere que ele tenha vencido um campeonato de comida humana.
 
Rodrigues -que nega o plágio- ainda não recebeu o prêmio do salão, no valor de R$ 5 mil.
 
Ele não compareceu à cerimônia de entrega, realizada no último sábado à noite, quando os vencedores foram divulgados ao público (leia aqui).
 
Segundo Viveiros, o caso terá de ser decidido na justiça. Isso, diz ele, se alguém fizer uma reclamação formal.
 
"O prejudicado tem de agir de acordo com a legislação", diz Viveiros, por telefone. "O meu antidoping é a justiça. Eu não tenho condições de avaliar plágio."
 
O cartunista Cau Gomez, de 35 anos, diz que não sabe se entraria ou não na justiça. "Teria de consultar ainda algumas pessoas para saber se isso é viável", diz, por telefone.
 
O desenhista diz que tudo ainda é muito recente. Mas vê "muita coincidência" nos dois cartuns. "Creio fielmente que o verdadeiro cartum tem de ser acima de qualquer suspeita."
 
Segundo o cartunista, o cartum com o canibal participou no ano passado do salão de humor de Pernambuco, evento ligado à FIHQ (Festival Internacional de Humor e Quadrinhos), e circulou também em um portfólio virtual dele.
 
De acordo com ele, houve ainda uma outra versão do desenho, feita há três anos.
 
"Atualmente é muito mais fácil identificar um desenho [pela internet] e assim não correr o risco de copiá-lo", diz o chargista do jornal "A Tarde", da Bahia (onde mora há 14 anos).
 
"É difícil caracterizar de tal modo x ou y. Mas é preciso que os jurados tenham muita atenção ao grande fluxo de produção de cartuns na internet."
 
Houve dois júris nesta 34ª edição do salão, cada um com sete integrantes. O primeiro fez a seleção dos 273 trabalhos que integram a exposição deste ano. Houve 1.073 desenhos inscritos.
 
O outro júri fez a escolha dos premiados em cada uma das cinco categorias: charge, cartum, caricatura, tiras e vanguarda.
 
Esse júri contou com três nomes internacionais: Marlene Pohle, da Alemanha, Luís Humberto Marcos, de Portugal, e Xaquín Marín, da Espanha. Os demais eram brasileiros.
 
Para Evaristo Daniel Rodrigues, autor do cartum premiado em Piracicaba, trata-se de "coincidência pura".
 
Ele disse ao Blog, por telefone, que nunca tinha visto o outro desenho e que o trabalho apresentado em Piracicaba foi criação dele. Mas reconhece a semelhança.
 
"O que eu posso afirmar com toda a certeza é que é muito parecido. É muito igual. Mas é coincidência pura", diz o desenhista de 24 anos, que trabalha numa agência de publicidade em Barra Bonita, no interior paulista.
 
Na conversa, ele lamentou mais de uma vez o que ocorreu. O sentimento foi verbalizado em expressões como "caiu o mundo na minha cabeça", "estou sem chão" e "tô pasmo".
 
"O que eu não quero é que as pessoas pensem que eu sou um oportunista", diz Rodrigues, que mora em Mineiros do Tietê, cidade a 296 km de São Paulo.
 
Rodrigues afirma que via no prêmio uma chance de ser mais reconhecido na área.
 
Caso a premiação do desenho seja suspensa, o primeiro lugar vai, em tese, para um dos dois desenhistas incluídos na lista de menção honrosa na categoria cartum.
 
A menção é uma forma de reconhecer a qualidade de trabalhos não premiados. Na edição deste ano, não houve segundo colocado.
 
Houve duas menções na categoria cartum: Ahmet AyKanat, da Turquia, e Luigi Rocco Pasquale Recine, de São Paulo.
 
Em 2001, houve um caso de suspensão de prêmio em Piracicaba. Mas não por plágio.
 
O trabalho vencedor na categoria história em quadrinhos não era inédito, uma das exigências do salão de humor, o principal do país.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h04
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Divulgados os desenhos que tiveram menção honrosa em Piracicaba

 
 
A assessoria do 34º Salão Internacional de Humor de Piracicaba divulgou os oito trabalhos indicados como menções honrosas na edição deste ano.
 
Um deles é o mostrado acima, de autoria de Spacca.
 
Spacca volta a desenhar Santos-Dumont, figura histórica que usou no álbum "Santô e os Pais da Aviação". Foi o único trabalho mencionado na categoria charge.
 
A menção honrosa é um título usado para destacar a qualidade de desenhos não premiados com os primeiros lugares.
 
O júri deste ano concedeu a menção a oito dos 273 desenhos selecionados para a exposição deste ano.
 
Das cinco categorias do salão de humor, apenas tiras não teve trabalhos incluídos.
 
A nova categoria do salão, vanguarda (só com trabalhos feitos na internet), foi a que recebeu o maior número de menções, três no total.
 
Cartum e caricatura tiveram duas indicações cada uma.
 
Os nomes dos desenhistas premiados foram divulgados na abertura do evento, no último sábado à noite. O Blog noticiou os trabalhos vencedores no domingo (leia aqui e aqui).
 
Os outros desenhos que tiveram menção honrosa podem ser vistos no site do salão. Clique aqui para acessar.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h38
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Laerte explica por que tem publicado tiras repetidas na Folha

 

O desenhista Laerte Coutinho –ou simplesmente Laerte- explicou por que tem publicado tiras repetidas no espaço diário que mantém na "Ilustrada", caderno de cultura do jornal "Folha de S.Paulo".

A tira acima é a da edição desta terça-feira. No canto direito superior, aparece escrito "século 20", que indica a reedição da piada. Isso tem ocorrido desde o começo do ano.

"Como esse material tinha saído há uns oito, dez anos, somente na cidade de São Paulo, no caderno de classificados do jornal, é uma forma de mostrar agora essas tiras ao resto do país", disse. "É um efeito meio sabático."

As tiras eram publicadas nos cadernos de imóveis, empregos e veículos sob o nome "Classificados". Parte delas foi reunida em três álbuns, publicados pela editora Devir.

A explicação de Laerte faz parte de uma entrevista concedida a Telio Navega, responsável pelo blog "Gibizada".

A conversa foi publicada nesta terça-feira na coluna sobre quadrinhos que Navega mantém no "Megazine", suplemento jovem do jornal carioca "O Globo".

Na entrevista, Laerte confirma que parou de fazer histórias com personagens fixos.

A exceção é Suriá, tira infantil que publica aos sábados na "Folhinha", suplemento para crianças da "Folha".

Suriá é um dos personagens que pretende adaptar para o cinema. Segundo a entrevista, o mesmo deve ocorrer com os Palhaços (sempre mudos nas histórias em que aparecem).

Laerte diz que tem planos de produzir vinhetas de Los Tres Amigos para o canal Cartoon Network. As animações seriam feitas com os outros dois "amigos", Angeli e Glauco.

Piratas do Tietê vai virar um longa animado, feito por Otto Guerra, o mesmo diretor de "Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock´n´roll" (premiado com o Troféu HQMix deste ano; leia mais aqui e aqui).

Laerte –que diz na entrevista ser bissexual- lança dois álbuns nos próximos dias.

"Laertevisão – Coisas que não Esqueci" -editado pelo filho, Rafael Coutinho- deve começar a ser vendido na virada do mês (Conrad, R$ 46).

A obra, de 128 páginas, traz memórias da infância dele feitas em quadrinhos. O material já tinha sido lançado na "Folha de S.Paulo" (leia mais aqui).

O outro álbum reedita todas as histórias dos Piratas do Tietê (Devir, R$ 52). É o primeiro de uma série de três livros em capa dura, com 112 páginas cada um (leia aqui).

"Piratas do Tietê – A Saga Completa" começou a chegar às lojas especializadas em quadrinhos no último fim de semana.

A obra será lançada oficialmente na sexta-feira, com presença de Laerte. Vai ser na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2.073, São Paulo). Começa às 18h30.

A entrevista de Laerte pode ser lida na versão virtual de "O Globo" (mediante cadastro). Há link no "Gibizada". Para acessar, clique aqui.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h27
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27/08/2007

Revista Cão faz edição temática sobre anos 80

 
 
 
 
 
 
 
 
Capa aberta da revista, que será lançada nesta terça-feira no Rio de Janeiro
 
 
 
 
 
 
O próximo número da "Cão" vai ser todo dedicado aos anos 1980.
 
O "revival" é o tema do segundo número da revista independente, que terá lançamento nesta terça-feira no Rio de Janeiro.
 
"A idéia era de uma história que tivesse o clima dos anos 80 e que, nesse percurso, encontrássemos alguns personagens marcantes daquela época", diz Harriot Junior, editor da revista.
 
"Os referenciais foram Labirinto, Indiana Jones, De Volta para o Futuro, Sandman, O Iluminado, Plunct Plact Zum [música de Raul Seixas]."
 
Harriot Junior, que também participa da criação das histórias, diz que a revista tenta transmitir todo o clima da época, principalmente no que se refere a filmes, desenhos, guloseimas e música.
 
"Foram esses assuntos recorrentes que ficaram também em nossa memória", diz por e-mail o designer gráfico paulistano, de 29 anos.
 
Ao contrário das edições anteriores, a revista vai trazer uma história única, de 36 páginas, feita por diferentes autores e estilos.
 
A "Cão" é mantida pelo Studio Vermis, grupo de quadrinistas paulistas que se conheceu no Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo.
 
A revista independente já teve duas edições, lançadas em fevereiro (edição zero) e maio deste ano (leia aqui e aqui). A proposta do grupo é ter um novo número a cada três meses.
 
O lançamento deste segundo número, no Rio de Janeiro, vai ser na Livraria Dona Laura, que funciona na Casa de Cultura Laura Alvim (av. Vieira Souto, 176, Ipanema). Começa às 19h.
 
Na próxima segunda-feira, o grupo faz um segundo lançamento, em São Paulo, às 19h30.
 
Vai ser na Menor Livraria do Mundo, que funciona no Jeremias o Bar (rua Avanhandava, 37, centro).
 
A revista custa R$ 3. O Studio Vermis mantém um site com outras informações sobre o grupo. Para acessar, clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 20h08
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Enem usa quadrinhos como tema de questões

 
 
 
 
 
 
 
 
Charge de Angeli usada num dos testes da prova do governo federal
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A charge acima, publicada por Angeli no jornal "Folha de S.Paulo" em março deste ano, foi tema de uma das 63 questões do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
 
O teste, elaborado pelo governo federal, foi aplicado ontem a mais de 3,5 milhões de estudantes de todo o país (3.568.592, segundo a área de educação do UOL).
 
O desenho de Angeli ironiza o interesse de outros países na tecnologia brasileira. Esse era o teor do assunto abordado nas cinco alternativas da questão.
 
Outro teste do Enem usou uma tira de "Níquel Náusea", de Fernando Gonsales. A história fazia uma brincadeira sobre a forma de reprodução das bactérias, pergunta do teste.
 
Não é a primeira vez que o exame do governo federal utiliza quadrinhos como tema de questões (fiz artigo sobre o assunto para o UOL; pode ser lido aqui).
 
O uso dos quadrinhos no Enem é para cumprir uma das metas do exame: a de avaliar o nível de proficiência do aluno na leitura de outras linguagens.
 
Uma das maiores contribuições da prova é a de propor aos estudantes a leitura de imagens, de textos visuais. Outras sete questões deste ano pediam a interpretação de fotos e pinturas.
 
Ou seja: das 63 questões do Enem deste ano, nove abordavam leitura de imagens, duas em quadrinhos. Isso representa 14% da prova.
 
O Enem, como o próprio nome diz, surgiu como um processo de avaliação do ensino médio. Mas adquiriu outros valores com o passar dos anos.
 
A nota da prova é usada na média final de grandes vestibulares, como o da Fuvest (que seleciona os estudantes ingressantes na Universidade de São Paulo).
 
Também permite ao aluno participar do sistema de bolsas do Prouni (Programa Universidade para Todos), voltado a alunos que não podem pagar os custos do ensino superior.
 
Por causa disso, tem sido muito forte a influência do Enem no ensino médio. A tendência de que o conteúdo dos testes migre para a sala de aula é grande.
 
Do ponto de vista dos quadrinhos, o Enem ajuda -e tem ajudado já há alguns anos- a colocar o tema dentro da sala de aula.
 
Não é por acaso que o governo federal no ano passado incluiu dez histórias em quadrinhos no Programa Nacional Biblioteca na Escola (leia aqui). 
 
O programa distribui livros gratuitamente para escolas do ensino fundamental e tem pautado lançamentos de muitas editoras, como os do gênero "literatura em quadrinhos".
 
O interesse editorial é incluir obras na lista do governo para 2008. A relação com os novos títulos deve ser definida ainda este ano.
 
Clique aqui para ler a prova do Enem.
 
Crédito: a charge de Angeli foi reproduzida do arquivo virtual da "Folha Online"

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Escrito por PAULO RAMOS às 14h18
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Semana começa com três palestras sobre quadrinhos

Há três palestras ligadas a quadrinhos nesta segunda-feira à noite, cada uma em uma cidade diferente.
 
Em Recife, um debate discute a obra de Lailson de Holanda Cavalcanti. O desenhista pernambucano é autor dos álbuns "Lusíadas 2500", lançado no ano passado (leia aqui) e "Pindorama - A Outra História do Brasil".
 
Ele também tem papel de destaque no humor gráfico nacional e na área de pesquisa. Possui duas obras sobre a trajetória dos desenhos de humor no país.
 
Uma delas é referência na área, embora ainda inédita no Brasil. Chama-se "Historia del Humor Gráfico en el Brasil" e foi lançada apenas na Espanha (leia mais aqui).
 
O debate vai ser às 19h no auditório da Livraria Cultura Paço Alfândega (rua Madre de Deus, sem número, loja 135).
 
O segundo evento faz parte da programação do 18º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo.
 
Nesta segunda, às 20h, ocorre a exibição de três curtas de Osamu Tezuka, tido como o "pai" do mangá, nome dado ao quadrinho japonês.
 
Serão apresentados "Filme Quebrado", "Pular" e "Quadros de uma Exposição".
 
Antes, vai haver uma palestra de Rogério de Campos, dono da Conrad, editora que publicou a maior parte das obras de Tezuka no Brasil.
 
Entre elas, está "Adolf", minissérie em cinco partes que venceu o Troféu HQMix da categoria neste ano (leia mais aqui).
 
A palestra e as exibições ocorrem no CineSesc (rua Augusta, 2.075, Cerqueira César, na capital paulista).
 
E em Brasília, o tema de hoje do 2º Festival de Quadrinhos é "educação e políticas públicas para quadrinhos".
 
Participam da mesa o desenhista Jô Oliveira, Lima Neto, Selma Oliveira e o professor da USP (Universidade de São Paulo) Waldomiro Vergueiro.
 
A mesa-redonda começa às 19h30. O festival, iniciado na semana passada (leia aqui), ocorre na livraria Fnac de Brasília (fica no ParkShopping).
 
O evento vai até quinta-feira. Leia a programação aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h39
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26/08/2007

Caricatura sobre Niemeyer recebe principal prêmio de Piracicaba

 

 

 

 

 

 

Desenho foi feito por José Raimundo Costa do Nascimento, do Rio de Janeiro

 

 

 

 

 

 

 

 

O desenhista carioca José Raimundo Costa do Nascimento é o principal premiado do 34º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o principal do país.

A caricatura dele –sobre o arquiteto Oscar Niemeyer- venceu o Troféu Zélio de Ouro. O troféu, iniciado neste ano no salão, premia o melhor desenho do salão.

A mesma ilustração foi escohida como melhor caricatura deste ano.

Pelos dois prêmios, Nascimento ganhou R$ 15 mil (R$ 10 mil pelo Zélio de Ouro e R$ 5 mil pela categoria caricatura).

Os vencedores das outras quatro categorias ganharam R$ 5 mil cada um. Todos são brasileiros.

O trabalho de Evaristo Daniel Rodrigues venceu como melhor cartum. A categoria charge ficou com Jean Charles Galvão. Tiras, com Caio Tavares Gómez.

A categoria vanguarda, feita pela primeira vez no salão, ficou com Lucas Leibholz (que ficou em 2º lugar na categoria caricatura em 2006).

A modalidade vanguarda era específica para trabalhos feitos por computador e foi a que teve o maior número de selecionados, 62.

Uma caricatura de Eduardo Baptistão -sobre o cantor Nando Reis- recebeu um outro prêmio do salão, concedido pela Prefeitura de Piracicaba, cidade a 162 km de São Paulo. Baptistão ganhou R$ 2.500.

Neste ano, não houve segundos e terceiros lugares em cada um das categorias. Mas o júri decidiu conceder oito menções honrosas.

A divulgação dos premiados ao público foi na noite de sábado na cerimônia de abertura do salão, apresentada por Serginho Groissman, da TV Globo.

Os premiados haviam sido definidos há uma semana. Os vencedores foram comunidados do prêmio durante a semana.

A antecipação era para que os premiados pudessem comparecer à abertura do salão. A organização do evento pediu sigilo a eles.

O salão recebeu nesta edição 1.073 trabalhos, 300 a mais do que no ano passado. Houve desenhos de 45 países. Mas a maior parte foi de brasileiros.

A exposição com os 273 trabalhos selecionados deste ano poderá ser vista até 14 de outubro em Piracicaba. Há também uma série de mostras em paralelo.

Os trabalhos estão no Parque Engenho Central (Avenida Maurice Allain, 454). A visita é das 9h às 22h. A entrada é franca.

Veja os outros trabalhos vencedores nas postagens abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h16
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Salão de Humor de Piracicaba: charge

Vencedor: Jean Carlos Galvão - São José dos Campos (SP)

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Escrito por PAULO RAMOS às 13h09
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Salão de Humor de Piracicaba: cartum

Vencedor: Evaristo Daniel Rodrigues - Mineiros do Tietê (SP)

Observação: na medalha, no peito da figura desenhada, está escrito "Food Festival"

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Escrito por PAULO RAMOS às 13h08
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Salão de Humor de Piracicaba: vanguarda

Vencedor: Lucas Leibholz - Piracicaba (SP)

 

A imagem mostra John Lennon e Yoko Ono e foi feita em alto relevo, em papel.

Dependendo do ângulo de visão, é possível ver Lennon ou Ono. Veja abaixo:

      

Imagem vista pela direita...              ... e pela esquerda.

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Escrito por PAULO RAMOS às 13h06
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Salão de Humor de Piracicaba: tiras

Vencedor: Caio Tavares Gómez - Brasília (DF)

 

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Escrito por PAULO RAMOS às 13h00
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Salão de Piracicaba: prêmio da prefeitura e menções honrosas

Vencedor do prêmio da Prefeitura de Piracicaba: Eduardo Baptistão - São Paulo (SP)

Menções honrosas:

Cartum

  • Ahmet AyKanat - Bursa (Turquia)
  • Luigi Rocco Pasquale Recine - São Paulo (SP)

Charge

  • João Spacca de Oliveira / São Paulo (SP)

Caricatura

  • Omar Alberto Figueroa Turcios – Madrid (Espanha)
  • Siney Cláudio Oliveira Chaves – Rio de Janeiro (RJ)

Vanguarda

  • Sebastian Xavier de Lima – Avaré (SP)
  • Júnior Lopes – São Paulo (SP)
  • Moacir Knorr Gutterres – Porto Alegre (RS)

Clique aqui e aqui para ver os premiados da última edição do salão de humor.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h59
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25/08/2007

Uma série de super-herói em que o super é o que menos importa

As histórias de super-heróis tendem a ganhar em qualidade quando trabalham menos o lado "super" e mais as características dos personagens. "Ex-Machina" é um bom exemplo.

O primeiro número da minissérie em três partes começou a ser vendido nesta semana em bancas e lojas especializadas (Pixel, R$ 6, 90).

A história é sobre o prefeito de Nova Iorque, Michell Hundred, que assumiu o cargo em 2002. Nada de mais, não fosse o fato de ele ser um ex-super-herói.

Um acidente em 1999 concedeu a ele o dom de se comunicar com qualquer máquina. Hundred passou a usar os poderes como o herói "Grande Máquina".

Em 2001, ele aceita deixar o uniforme e a carreira de engenheiro para disputar a prefeitura (por isso é ex-máquina). E ganha.

Esta minissérie -escrita pelo criador da série, Brian K. Vaughan- mostra esse momento de transição na vida de Hundred.

A história intercala a narrativa em flashback –o passado é representado com cores mais claras- com momentos presenciados em 2002, quando ele já ocupa o cargo de prefeito.

O salto em dois momentos temporais é uma das características da série.

É um recurso para apresentar, em pílulas, elementos da origem de Hundred sem deixar de lado os polêmicos bastidores da política, o ponto alto de "Ex-Machina".

Neste primeiro número, o prefeito tem de decidir se realiza um casamento homossexual. A cautela é porque o envolvimento no caso pode garantir a ele o rótulo de gay (por ser trintão e ainda soletiro).

Além disso, há um mistério envolvendo uma imagem do acidente que concedeu os poderes a ele no passado.

Passado, presente, política, bastidores do poder, preconceitos, super-herói, ex-super-herói. É difícil articular tudo isso numa mesma série. "Ex-Machina" tem o mérito de conseguir.

O prêmio Eisner –espécie de Oscar do quadrinho norte-americano- foi certeiro na escolha de Vaughan como melhor roteirista em 2005.

Faltou um reconhecimento também para os desenhos de Tony Harris. Ele consegue criar expressões faciais extremamente realistas, que dão um ganho ao texto de Vaughan.

A minissérie traz os número seis e sete da revista norte-americana homônima, publicada Wildstorm, um dos selos da editora DC Comics (a mesma de Batman e Super-Homem).

A história continua do ponto onde a Panini havia parado. A editora havia lançado um encadernado com as cinco histórias iniciais em outubro de 2005. O álbum pode ser encontrado em lojas especializadas.

Nota: merece registro outra história que deixou o lado super de lado e aprofundou as características do personagem.

É série em oito partes publicada nas últimas quatro edições da revista "Super-Homem" (a última parte está nas bancas).

O homem de aço está sem poderes, que vão reaparecendo paulatinamente. Isso tira o foco narrativo do super-herói e o ajusta em Clark Kent.

A série, escrita por Geoff Johns e Kurt Busiek (de "Astro City") é, de longe, uma das melhores já feitas com o Super-Homem.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h07
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24/08/2007

Lançado álbum de luxo com histórias clássicas dos Vingadores

A edição de luxo com as primeiras histórias do grupo Os Vingadores começou a chegar neste finzinho de semana em lojas especializadas em quadrinhos e livrarias.
 
"Biblioteca Histórica Marvel - Os Vingadores" (Panini, R$ 53, 244 págs.) traz as dez aventuras iniciais da equipe, uma das principais da editora norte-americana Marvel Comics.
 
O material é de 1963 e 1964 e já foi publicado no Brasil pelas editoras Ebal (no fim da década de 1960) e Bloch (entre 1975 e 1976).
 
Os desenhos são de Jack Kirby, principal artista da fase inicial da Marvel. Ele criou alguns dos principais personagens da editora na época.
 
A história de estréia -que foi reeditada também pela Editora Abril- mostra o surgimento do grupo, formado por heróis clássicos da Marvel.
 
A primeira formação tinha  Thor, Hulk, Homem de Ferro, Homem-Formiga e Vespa.
 
Os heróis foram reunidos por meio de um plano de Loki, meio-irmão de Thor. O vilão queria atrair a atenção de Hulk para que o monstro verde enfrentasse o deus do trovão (título dado a Thor).
 
O plano deu errado, porque os outros heróis também foram atraídos para o local. Todos enfrentam Loki e decidem, depois, unir forças para combater o mal como Os Vingadores.
 
A presença de Hulk, ser instável por natureza, não durou muito na equipe, como mostram essas aventuras iniciais.
 
Foi no quarto número da revista, de março de 1964, que a equipe encontrou seu eixo.
 
Nessa edição, os Vingadores encontram o corpo do Capitão América, mantido vivo num bloco de gelo. Ele estava nesse estado desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
 
O herói, criado em 1941, é descongelado, salva sozinho a equipe logo na primeira aventura e passa a integrar o grupo. Futuramente, torna-se líder dos Vingadores e uma espécie de elo do grupo.
 
O bloco de gelo foi a saída encontrada por Stan Lee, criador dos Vingadores e escritor das histórias deste álbum, para trazer de volta o herói ao universo de personagens da editora.
 
Havia nessas histórias, o leitor verá, uma preocupação excessiva com explicações para cada um dos poderes e apetrechos dos super-heróis.
 
É algo que não havia nos heróis da concorrente, DC Comics (de Batman e Super-Homem).
 
Mas havia também uma ingenuidade nas aventuras e nos diálogos dos personagens, elementos inexistentes no realista tratamento dos super-heróis de hoje.
 
A minissérie "Guerra Civil", publicada atualmente no Brasil, coloca esses mesmos heróis em lados opostos. E os leva a um inevitável e mortal confronto.
 
Nas histórias de "Biblioteca Histórica Marvel - Os Vingadores", obra lançada em capa dura, são todos leais (à exceção, talvez, de Hulk). Nem parece coisa da mesma editora Marvel.
 
Este é o terceiro álbum da coleção, que começou a ser lançada em junho deste ano.
 
A primeira edição teve as primeiras aventuras do Quarteto Fantástico (leia aqui e aqui). A segunda, do Homem-Aranha (aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h41
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Divulgação dos vencedores do Salão de Piracicaba é neste sábado 

Os premiados da 34ª edição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o principal do país, serão conhecidos pelo público amanhã à noite. É quando ocorre a abertura do evento e da exposição deste ano, com 273 trabalhos.
 
Os trabalhos vencedores das categorias charge, cartum, caricatura, tira e vanguada (só com trabalhos feitos na internet) foram escolhidos no último domingo.
 
Os desenhistas premiados em cada uma das cinco categorias já foram informados pelos organizadores do salão. Mas foi pedido sigilo.
 
Essa comunicação prévia é para dar tempo de os premiados se programarem para comparecer na abertura do salão, que ocorre em Piracicaba, cidade a 162 km de São Paulo.
 
Cada um dos premiados recebe um prêmio de R$ 5 mil, chamado Troféu Zélio de Prata, homenagem ao cartunista Zélio Alves Pinto.
 
Os cinco concorrem a um segundo prêmio, o Troféu Zélio de Ouro, no valor de R$ 10 mil. O grande vencedor ganha, então, R$ 15 mil (soma dos prêmios dos dois troféus).
 
Segundo a organização do salão de humor, os cinco premiados só vão saber na hora quem fica com o Zélio de Ouro.
 
O salão recebeu 1.073 trabalhos (300 a mais do que em 2006) vindos de 45 países. A maior parte é de desenhistas brasileiros. 
 
A exposição com os 273 selecionados poderá ser vista até 14 de outubro. Há também uma série de mostras em paralelo.
 
A abertura do salão, às 20h deste sábado, será comandada por Serginho Groissman.
 
O apresentador da TV Globo comanda todos os anos a entrega do Troféu HQMix, principal premiação de quadrinhos do país (leia aqui).
 
A entrega dos prêmios e a abertura da exposição ocorrem no Parque Engenho Central (Avenida Maurice Allain, 454, Piracicaba).
 
Clique aqui e aqui para ver os trabalhos vencedores do salão em 2006.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h02
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Personagem de tira é usada em semana temática sobre lesbianismo

 
 
 
 
 
 
 
Cartão com Katita, personagem lésbica criada por Anita Costa Prado
 
 
 
 
 
 
 
 
Uma personagem de histórias em quadrinhos estampa um cartão postal, que vai ser distribuído na Semana da Visibilidade Lésbica. O evento começa nesta sexta-feira à noite em São Paulo.
 
Katita é a personagem-título de uma tira criada pela escritora paulistana Anita Costa Prado, uma militante de causa sociais e homossexuais. A protagonista da tira é lésbica.
 
Anita diz que a relação com a Cads (Coordenaria de Assuntos de Diversidade Sexual), que organiza a semana temática, é antiga, vem desde 1995. O órgão é ligado à prefeitura paulistana.
 
"Em 95, [a Cads] fez uma exposição para os dez anos da Katita", diz a escritora. "No ano passado, fez um postal que foi muito bem recebido."
 
Para este ano, Katita vai estar também em uma cartilha e em jogos de passatempos, distribuídos na semana sobre lesbianismo (leia a programação aqui).
 
Katita começou a ganhar mais projeção no ano passado. Um livro da editora independente Marca de Fantasia reuniu uma série de tiras da personagem. A obra foi lançada em junho de 2006 (leia aqui).
 
"Katita - Tiras sem Preconceito", nome da obra (capa ao lado), foi o principal destaque do 23º Prêmio Angelo Agostini, promovido pela Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo.
 
O livro, desenhado pelo cearense Ronaldo Mendes, foi escolhido como melhor lançamento de 2006 e Anita, a melhor roteirista (leia mais aqui).
 
Nesta entrevista, feita por e-mail, Anita dá mais detalhes da participação da personagem na Semana de Visibilidade Lésbica e fala da vontade de tornar a personagem mais conhecida do grande público.
 
Blog - Como será feita a distribuição do cartão?
Anita Costa PradoKits contendo o postal, cartilhas sobre a saúde da mulher e a publicação de jogos e passatempos, além de informativos serão distribuídos nas intervenções que ocorrerão em diversos estabelecimentos e nos eventos.
 
Blog - No seu entender, o que representa a inserção de um personagem de quadrinhos em um evento como esse?
Anita - Representa um espaço valioso para divulgar uma personagem que, por sua orientação sexual, sofreu preconceito editorial e pessoal, Hoje a Katita é premiada e reconhecida, mas sempre serei grata ao coordenador da Cads, Cássio, e um anjo nipônico chamado Takeo, pessoas que me apoiaram antes mesmo de ter um livro da Katita publicado. E, no que se refere a quadrinhos especificamente, é uma afirmação de que a história em quadrinhos pode ser um veículo utilizado em diversos setores, como propagação de idéias, conceitos ou mero entretenimento. 

 

Blog - Quais os próximos planos para a Katita?
AnitaA Katita foi publicada pela editora Marca de Fantasia, que não possui pontos de venda nem distribuição ampla. Assim sendo, os planos incluem uma publicação que consiga chegar a um número maior de pessoas.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h24
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23/08/2007

Discurso sobre quadrinhos na mídia impressa começa a mudar

Havia sinais de fumaça desde o ano passado de que a mídia, principalmente a impressa, começava a enxergar os quadrinhos de uma forma diferente.
 
A quantidade de alertas aumentou sensivelmente neste mês. Deixou de ser apenas mais um sinal. Tornou-se fato.
 
A revista "Época" da semana passada trouxe uma matéria sobre a chamada literatura em quadrinhos.
 
Segundo a reportagem, os novos "reis do mundo" não são Super-Homem ou Hulk, e sim Machado de Assis e Eça de Queirós (alusão às adaptações de "O Alienista" e "A Relíquia", lançadas neste ano).
 
A "IstoÉ" -também da semana passada- trouxe uma matéria de duas páginas a respeito do mesmo assunto: a ida dos quadrinhos às livrarias.
 
Havia um tom de surpresa no texto. Fica nítido logo na abertura da reportagem:
 
"Muita gente ainda acha que histórias em quadrinhos são coisa de criança. Ou de nerd. É só ir na livraria mais próxima e ver que esse mercado não é mais o mesmo."
 
A revista "Língua Portuguesa" deste mês traz uma reportagem de seis páginas sobre o jornalismo em quadrinhos, gênero que ainda se firma e que tem no jornalista maltês Joe Sacco o principal representante.
 
A matéria, feita por Luiz Costa Pereira Junior, é representativa por dois motivos: 1) é uma das mais completas sobre o assunto; 2) leva o tema "quadrinhos" a um universo de leitores que tradicionalmente não acompanha quadrinhos.
 
O maior exemplo, no entanto, foi visto no último domingo. E também sobre jornalismo em quadrinhos. A "Folha de S.Paulo" publicou 16 páginas em quadrinhos feitas por Joe Sacco.
 
A reportagem em quadrinhos foi veiculada no "Mais!", caderno voltado a literatura e artes.
 
O caderno é lido principalmente pelo grupo rotulado como "formador de opinião", que, embora pequeno, influencia o modo como outros enxergam temas artísticos.
 
A presença da história de Sacco no caderno repercutiu, dentro e fora do jornal.
 
O ombudsman da Folha, Mário Magalhães, incluiu a história na crítica interna que envia diariamente à redação (e que pode ser lida na versão virtual do jornal).
 
Segundo Magalhães, "o melhor da Folha no domingo, na minha opinião, foram os quadrinhos sobre a guerra no Iraque, de autoria de Joe Sacco, no Mais!"
 
Há seguramente outros exemplos. Mas os elencados aqui já bastam para mostrar que o discurso sobre quadrinhos lido na mídia impressa é outro, se comparado ao visto até então.
 
Pessoas que historicamente ignoravam quadrinhos passaram a noticiar o tema.
 
O que levou a essa mudança?
 
(Continua na próxima postagem)

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h32
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Discurso sobre quadrinhos na mídia impressa começa a mudar - II

(Continuação da postagem anterior)
 
Os quadrinhos historicamente foram o "patinho feio" das artes nos cadernos de cultura dos jornais, tidos como formadores de opinião.
 
"Formadores" porque fazem um recorte de tudo o que é produzido em termos artísticos dentro e fora do país e o leva até o leitor, na forma de notícia.
 
Havia -e há ainda- nesses cadernos uma espécie de bloqueio invisível à área. É como se o assunto não interessasse ao público consumidor de cultura.
 
E, se não era noticiado, o fato simplesmente não existia aos olhos do grande público.
 
Cinema, teatro, música, dança, pintura e outras formas de arte sempre existiram com força e prestígio no discurso coletivo da sociedade. Não é coincidência o fato de serem sempre noticiados.
 
Havia -e há- poucas e louváveis exceções.
 
Um caso são os poucos colunistas de quadrinhos que marcam presença nos jornais desde a década de 1960.
 
Alguns nem recebiam para escrever sobre lançamentos da área (algo que ainda acontece). Faziam (ainda fazem) por puro amor à arte.
 
Outra exceção é a mídia especializada virtual, na qual este blog se inclui. 
 
Esse tipo de página tende a ser lida com mais freqüencia por consumidores de quadrinhos, e não pelo grande público (embora alguns, como este blog, freqüentem a página principal de determinados portais na forma de chamadas).
 
São sites importantes, mantidos por pessoas sérias, que normalmente lêem e acompanham quadrinhos. 
 
A novidade é que agora quem também noticia o assunto, até com profundidade, é o jornalista que atua na mídia impressa e que historicamente ignora o tema.
 
Repito a pergunta feita na postagem anterior: o que levou a essa mudança de discurso na chamada "grande mídia", em especial na impressa?
 
Do que se pode ver no calor dos acontecimentos, não se trata de um reconhecimento tardio ou algo do tipo.
 
O ponto é que os quadrinhos tomaram posse de dois aspectos valorizados pelos "formadores de opinião".
 
O primeiro foram as livrarias.
 
A notícia de que o número de obras em quadrinhos em parte das grandes livrarias aumentou 30% de 2006 para cá, noticiada ontem por este blog, é uma das informações mais relevantes deste ano para a área.
 
O formador de opinião -o profissional que noticia cultura e a pessoa que a consome e divulga- agora esbarra com quadrinhos na hora em que vai comprar livros.
 
E o que ele vê se parece com livros, com a mesma qualidade editorial. Não é algo "descartável". É um bem durável. É um outro olhar.
 
O outro ponto é que os quadrinhos se vincularam a três rótulos pra lá de prestigiados em todos os âmbitos sociais: educação e, principalmente, jornalismo e literatura.
 
Aos olhos do formador de opinião e do novo consumidor, não se trata de quadrinhos feitos com viés jornalístico. É exatamente o contrário. É jornalismo produzido em quadrinhos.
 
Destaca-se em primeiro lugar o teor jornalístico, valorizado socialmente, tido como "sério". Os quadrinhos vêm em segundo plano, acompanhando o rótulo "principal". Há uma sensível diferença.
 
Pelo mesmo raciocínio, não se trata de literatura em quadrinhos. É, do ponto de vista do público que não acompanha o tema, literatura feita em quadrinhos.
 
Não é por acaso que as notícias deste mês abordaram basicamente esses dois temas, jornalismo e literatura.
 
Mais um dado comprova essa leitura. As editoras de quadrinhos aumentaram o número de inserções na mídia impressa. A Devir registra esse crescimento. A Conrad, também.
 
O caso da Conrad é ainda mais revelador. Segundo a assessoria da editora, a média mensal de notícias sobre lançamentos em quadrinhos da Conrad de janeiro até o começo de agosto foi 15.
 
Em todo o ano de 2006, a média mensal de notícias foi 14.
 
O recorde foi deste ano foi com a adaptação literária de "A Relíquia", feita por Marcatti. A Conrad contou 41 matérias sobre o assunto nas mídias impressa e virtual.
 
"O Mundo Mágico", último álbum de Calvin e Haroldo, teve 28 matérias noticiando o lançamento neste ano.
 
Em 2006, o álbum que teve mais inserções na mídia foi a primeira coletânea das histórias de Valentina. Foram 27 notícias.
 
Uma das discussões que sempre nortearam a área era se quadrinhos eram literatura ou uma linguagem autônoma (embora com um claro diálogo entre as duas formas de arte).
 
Sempre defendi que associar quadrinhos à literatura era uma forma de buscar um rótulo socialmente aceito e prestigiado -a literatura- para justificar a aceitação dos quadrinhos.
 
Ironicamente, foi o que ocorreu. Corrigindo: que está ocorrendo. 
 
A apropriação dos termos "literatura" e "jornalismo" ajudou a furar o bloqueio invisível da mídia impressa, que dá sinais de que começa a ver os quadrinhos como "algo sério".
 
Não pelos quadrinhos em si, mas pelas livrarias, pela educação, pelo jornalismo, pela literatura.
 
Não deixa de ser relevante.
 
E é uma porta de entrada para que outros gêneros dos quadrinhos sejam, enfim, descobertos.
 
Tardiamente descobertos.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h32
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22/08/2007

Número de quadrinhos em grandes livrarias aumenta 30%

A presença de obras em quadrinhos em livrarias de grande porte aumentou entre 2006 e 2007. Levantamento feito pelo Blog mostra que em pelo menos duas redes -Fnac e Saraiva- o crescimento nesse período foi de 30%.
 
No caso da Fnac, que tem sete lojas no país, o aumento foi o dobro do de livros.
 
Os livros na Fnac tiveram crescimento entre 15% e 16%, se comparado o primeiro semestre de 2006 com os primeiros seis meses deste ano.
 
A livraria, que tem sede na França, triplicou o crescimento em relação a 2005, ano em que a presença de quadrinhos nas estantes registrava aumento de 10% (contra os atuais 30%).
 
A projeção da Fnac para 2008 é a de repetir o índice de crescimento. Segundo a assessoria da livraria, já há planos para ampliar o espaço físico destinado a quadrinhos.
 
A Saraiva, que tem 35 lojas no país, também teve crescimento de 30% na área de quadrinhos entre 2006 e 2007. E pretende ampliar esse número no ano que vem.
 
Segundo o departamento de compras, o crescimento de 30% é registrado desde 2005. Na área de livros, o índice foi o mesmo nesse período.
 
A Livraria Cultura não possui dados sobre o crescimento de quadrinhos nas seis lojas que mantém no país, três delas em São Paulo.
 
Mas concorda que houve um aumento "significativo" no setor. O espaço físico das lojas foi ampliado para se enquadrar à nova realidade.
 
Um dos motivos apontados pela livraria para esse crescimento é a qualidade editorial das obras de quadrinhos. 
 
O departamento de compras entende que há cinco, seis anos, o caráter da maioria desses títulos era "descartável".
 
Todas as livrarias consultadas concordam que o crescimento acompanha o aumento de títulos lançados pelas editoras brasileiras que atuam no setor.
 
Desde 2005, editoras grandes, como Companhia das Letras e Jorge Zahar, passaram a investir no setor, até então dominado por editoras tradicionais de quadrinhos, como Conrad, Devir, Via Lettera e Opera Graphica.
 
Nesse período -principalmente no ano passado-, houve também o surgimento de novas editoras de quadrinhos, como a HQM, Zarabatana, Pixel e Desiderata.
 
Para registro: o Blog entrou em contato duas vezes com a Siciliano, responsável por 62 lojas no país.
 
Em todas as ocasiões, a assessoria da livraria informou que não havia ninguém naquele momento para fornecer as informações sobre o assunto.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h00
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21/08/2007

Cartunista brasileiro vence salão de humor na Síria

 
 
O desenho ao lado, do brasileiro Marcio Leite, foi o primeiro colocado do Salão Internacional de Cartum da Síria.
 
O tema do salão de humor era "mulher".
 
Os demais prêmios ficaram para:
 
- Julian Pena Pai, da Romênia (2º lugar);
 
- Jovan Prokoglijevic, da Sérvia (3º lugar)
 
- Mourhaj Yousef, da Síria (3º lugar)
 
Pai e Prokoglijevic ficaram empatados em terceiro lugar.
 
Veja os outros trabalhos premiados aqui.
 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h23
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Panini anuncia novos especiais. Mas não lançou parte dos antigos

A Panini anunciou os títulos especiais de super-heróis que pretende lançar até o fim do ano.
 
O que contrasta nessa informação é que a editora ainda não lançou parte dos encadernados especiais programados para o final do semestre passado.
 
Os novos lançamentos foram noticiados na última edição da "Wizmania" (Panini, R$ 7,90), revista especializada em informações sobre quadrinhos.
 
A lista de especiais inclui encadernados de minisséries publicadas pela Editora Abril, como "Guerras Secretas" (da Marvel) e "Odisséia Cósmica" (da DC Comics).
 
Há também álbuns de histórias já publicadas pela Panini (de Lanterna Verde e dos X-Men) e um outro volume de "Arquivo DC", com as primeiras histórias da Turma Titã.
 
A primeira edição de "Arquivo DC", com a estréia da Liga da Justiça, fazia parte do último anúncio de lançamentos da editora. A obra, de 548 páginas, ainda não foi publicada.
 
O mesmo ocorreu com "Batman: Crônicas", com as primeiras aventuras do homem-morcego.
 
Essa edição, em formato de luxo (vai custar R$ 48, segundo a editora), tinha sido anunciada inicialmente para junho (leia aqui). Também não foi lançada.
 
Há outros casos, como o encadernado de "Os Supremos", da Marvel. O lançamento tinha sido anunciado para abril. Começou a ser vendido no fim do mês passado (leia aqui e aqui).
 
Por que os títulos especiais da Panini não chegam ao leitor na data anunciada?
 
O Blog fez essa pergunta, por e-mail, a Fabiano Denardin, editor sênior das revistas DC.
 
Segue a resposta, na íntegra:
 
"Batman Crônicas, Arquivo DC: LJA, Batman: Cidade Castigada... todos esses lançamentos serão publicados.
 
O problema é que estamos numa transição. Estamos saindo de uma distribuição apenas em banca para uma diferenciada, envolvendo livrarias.
 
É uma nova fase para os nossos lançamentos, e toda mudança implica em adaptação.
 
Nesse processo, alguns lançamentos sofreram para se adaptar a essa nova realidade - com estudos de tiragem, acabamento e preço.
 
Os lançamentos que você pergunta estão entre os afetados.
 
O caso não é que "os títulos anunciados não chegam ao leitor na data anunciada", mas que temos alguns casos onde fatores externos nos obrigaram a postergar o lançamento."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h45
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Um dos momentos mais marcantes do HQMix em quadrinhos

Um dos momentos mais marcantes da cerimônia de entrega do Troféu HQMix, em julho, foi a exibição de dança de Nita, esposa do desenhista Sérgio Macedo, um dos premiados.
 
O casal mora no Taiti há de 26 anos. Nita, no palco, mostrou um pouco da cultura de lá.
 
Em trajes típicos, ela fez uma dança parecida com a havaiana. Sincronizava o balanço do corpo com um quase hipnótico movimento com as mãos.
 
A dança parou a platéia do teatro do Sesc Pompéia, em São Paulo.
 
 
Fábio Moon era um dos presentes. O desenhista recebeu com o irmão gêmeo, Gabriel Bá, quatro estatuetas.
 
Moon transformou aquele momento em uma história em quadrinhos de uma página.
 
"Aquela coisa das mãos chamou minha atenção", diz ele, que divide os desenhos com aulas de dança de salão.
 
O resultado foi colocado no blog que ele e Bá mantêm, o "10 Pãezinhos".
 
É de lá que reproduzo a história em quadrinhos, que pode ser conferida a seguir:
 
 
 
Clique aqui para ver mais fotos da dança dela na entrega do Troféu HQMix.
 
Crédito da foto: Leandro Moraes

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Escrito por PAULO RAMOS às 09h39
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20/08/2007

Dois debates discutem literatura em quadrinhos

Quadrinhos e literatura formam manifestações artísticas diferentes. Mas o ressurgimento das adaptações literárias tem dado uma nova visibilidade aos quadrinhos. O tema vai ser discutido em dois eventos diferentes. 
 
O primeiro é nesta terça-feira, às 20h, em São Paulo. O bate-papo vai reunir Marcatti, Índigo e Fábio Moon.
 
Os três são responsáveis, respectivamente, pelas adaptações de "A Relíquia", "Memórias de um Sargento de Milícias" e "O Alienista".
 
A mediação é do especialista em quadrinhos Álvaro de Moya, que prepara um livro de memórias (leia aqui).
 
O bate-papo vai ser no Sesc Vila Mariana (rua Pelotas, 141). O ingresso vai de R$ 2 a R$ 4.
 
O outro debate sobre literatura em quadrinhos integra a programação do 2º Festival de Quadrinhos, que vai de 22 a 30 deste mês na livraria Fnac de Brasília (fica no ParkShopping).
 
A mesa redonda sobre o assunto é no próximo sábado, às 18h. Participam Gabriel Góes, Kleber Sales, Gabriel Bá e Fábio Moon (que discute o tema pela segunda vez na semana).
 
O festival terá outros debates, um por dia, todos de graça. Os temas vão desde "quadrinhos & vampiros" (no dia 23) à discussão de políticas públicas para quadrinhos na área da educação (no dia 27).
 
Haverá também (re)lançamentos de obras de diferentes autores. O evento é promovido pela Fnac e pelas editoras Devir e Pixel.
 
A programação completa pode ser lida no site da Fnac. Para ler, clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 18h54
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Antes do Incal: seqüência tem menos filosofia e mais investigação

"Incal" tem muito da cinessérie "Guerra nas Estrelas". Ou melhor: Star Wars é que tem elementos da história em quadrinhos francesa. 
 
Depois revelarem o fim da trama, ambas lançaram o olhar para os fatos que deram início à história. É o que se vê no primeiro volume -de um total de três- de "Antes do Incal" (Devir, R$ 42).
 
O álbum começou a ser distribuído nesta virada de semana a livrarias e lojas de quadrinhos.
 
A obra, lançada na França entre 1988 e 1992, conta a infância e adolescência de John Difool, o protagonista da série.
 
Difool, neste álbum, ainda não é o "detetive classe R" do planeta Terra # 2014.
 
O personagem também não encontrou o poderoso artefato Incal, algo que irá ocorrer no futuro dele, mostrado nos três primeiros álbuns da série.
 
Esses livros foram lançados no ano passado pela Devir (leia mais aqui e aqui).
 
Não ter o Incal por perto tira da série o ar excessivamente filosófico que pautou as edições anteriores. Isso simplifica a história e a torna mais fácil de ser compreendida, inclusive por quem nunca acompanhou a série.
 
Pode-se dividir este primeiro álbum em duas partes. Na primeira, o leitor descobre o passado de Difool, descobre que a mãe dele era prostituta, que o pai estava preso.
 
A outra parte é dedicada à investigação que ele tem de fazer para conseguir o título de "detetive classe R". Ele tenta descobrir que fim levam os filhos de prostitutas da Cidade-Poço, onde mora.
 
A cidade, literalmente um poço, é uma forma de o autor da série, o cineasta Alexandro Jodorowsky, criticar a estrutura capitalista do mundo ocidental.
 
As classes sociais, no poço, são divididas em andares. Nos mais altos, os bem afortunados. No chão, perto de uma poça de ácido, a ralé. É por lá que Difool perambula de um canto para outro.
 
É lá também onde ocorrem as cenas mais surreais. Incêndios e suicídios são filmados para entreter as camadas superiores.
 
Um palhaço joga fogo no próprio corpo e se deixa filmar. Se, durante a combustão, ele fizer as pessoas em volta rirem, a família ganha um prêmio.
 
"Antes do Incal" é uma história mais simples do que a trama que a precede e que, ao mesmo tempo, dá seqüência.
 
Não é desenhada por Moebius, como a primeira parte. Mas o estilo permanece. O traço de Zoran Janjetov, que assume a arte, tenta ser uma cópia do antecessor. 

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Escrito por PAULO RAMOS às 13h53
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19/08/2007

Cartunistas internacionais e quadrinistas premiados em São Paulo

Um evento de quadrinhos, que ocorre nesta segunda-feira, em São Paulo, tem uma receita eclética. Tem nos ingredientes uma mistura de cartunistas estrangeiros com um tempero de produções independentes premiadas no último Troféu HQMix.

O evento começa às 17h30 com uma palestra dos três convidados estrangeiros do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, que tem início no próximo sábado.

O bate-papo é com Marlene Pohle, da Alemanha, Luís Humberto Marcos, de Portugal, e Xaquín Marín, da Espanha.

Eles representam, respectivamente, a Feco (Federation of Cartoonists Organizations), o Museu Nacional da Imprensa, que promove o Porto-Cartoon (leia mais aqui), e o Museu da Arte de Fene.

Às 19h30, eles fazem uma sessão de autógrafos. Juntam-se aos palestrantes internacionais alguns dos quadrinistas independentes premiados na edição deste ano do HQMix.

Participam os autores de "Subterrâneo" (eleito melhor fanzine, R$ 2) e da revista independente "A Mosca no Copo de Vidro" (melhor prozine, R$ 3).

Haverá também lançamentos de edições solo de personagens de "Subterrâneo". É o caso de "Sideralman" (R$ 3), do ilustrador Will, e "Piratas" (R$ 1), de Marcos Venceslau.

Outra revista independente vai estar à venda: "Cambada" (R$ 5), feita pelo desenhista Papito.

A palestra e a sessão coletiva de autógrafos vai ser na Menor Livraria do Mundo, que funciona no Jeremias o Bar (rua Avanhandava, 37, no centro de São Paulo).

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Escrito por PAULO RAMOS às 22h55
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Folha de S.Paulo publica reportagem em quadrinhos de Joe Sacco

A edição deste domingo do jornal "Folha de S.Paulo" traz uma reportagem em quadrinhos feita pelo desenhista e jornalista maltês Joe Sacco.

A história de 16 páginas mostra o treinamento de um grupo da Guarda Nacional Iraquiana coordenado por dois militares norte-americanos.

O registro de Sacco, feito em 2004 durante visita ao Iraque, revela a dureza dos treinamentos. E as particularidades dos homens que integram o grupo. Dos 14 soldados, por exemplo, só 5 sabiam ler e escrever.

A reportagem de Joe Sacco, autor de vários álbuns do gênero "jornalismo em quadrinhos’, toma cinco páginas do "Mais!", caderno dedicado a literatura e debates intelectuais.

Houve também uma chamada na capa do jornal.

É algo raro, raríssimo de se ver na grande mídia.

A página abaixo é a primeira do relato de Joe Sacco.

A história completa pode ser lida na versão virtual da Folha (para assinante do UOL), de onde o trecho foi reproduzido. Para acessar, clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 13h15
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18/08/2007

Documentário mostra vida e obra de Henfil e de seus dois irmãos

É difícil ficar indiferente após assistir à exibição de "Três Irmãos de Sangue", documentário que estreou neste fim de semana. Há um lado apaixonadamente familiar, solidário e militante dos protagonistas que faz pensar. Muito.

O documentário, finalizado em 2005, narra a trajetória comum dos irmãos Henrique de Souza Filho (ao lado), Herbert José de Souza e Francisco Mário de Souza, ou, respectivamente, Henfil, Betinho e Chico Mário, como eram conhecidos.

Os três viveram uma série de coincidências. Eram hemofílicos e morreram por causa da Aids, vírus que contraíram em bancos de transfusão de sangue. Pontos comuns que dão título ao documentário.

Mas, ao invés de ser uma narrativa sobre a morte, a produção caminha em sentido oposto. Capta algo que era característico nos três: a necessidade de viver intensamente cada dia, antes e, principalmente, depois de saberem da doença.

Todos queriam ser músicos. Henfil se imaginava até como um dos Beatles. O sociólogo Betinho (ao lado) diz que desistiu depois de ouvir os primeiros acordes de Chico Mário no violão. O talento dele, o único a seguir essa carreira, inibiu as aspirações dos demais.

Betinho passou a se destacar como militante, dom que o seguiu até a morte, em 1997. Viveu exilado, esteve à frente do Ação da Cidadania, movimento social de combate à fome, que apostava na solidariedade do brasileiro.

Quem acompanha quadrinhos sabe exatamente onde Henfil se destacou. Ele representou para o desenho de humor brasileiro o que Quino –criador da Mafalda- significou para a área na Argentina.

Mesmo grandes nomes do meio reconhecem isso. É o caso de Ziraldo, um dos entrevistados do documentário de Ângela Patrícia Reiniger.

Ziraldo diz que o cartunista conseguia dar um ar absurdamente expressivo à Graúna (ao lado), uma das criações de Henfil. "E só com três tracinhos no rosto dela", comentava, visivelmente espantado.

A economia de traços era uma das características de Henfil. Ele revela, numa gravação dele reproduzida em "Três Irmãos de Sangue", que sempre flertou com o movimento do cinema.

Por isso, as linhas cinéticas (indicadoras de movimento nos quadrinhos) eram em geral onduladas. O recurso, segundo ele, acentuava o efeito de movimento no leitor.

Outra cena de arquivo mostra o cartunista desenhando a Graúna e o Fradinho Baixinho. Como desenha rápido. Ele mesmo admitia.

Henfil morreu em 1988. Chico Mário (na foto ao lado) perdeu a vida pouco depois, no mesmo ano. Betinho, como já comentado, foi o último a falecer, em 1997.

Mesmo mortos, permanecem vivos por meio do trabalho que fizeram. O documentário é uma prova disso.

Em tempo: há outro documentário sobre Henfil, "Cartas da Mãe", de 2003, disponível na internet. Dura 28 minutos. Para assistir, clique aqui.

Crédito das fotos desta postagem: divulgação.

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Escrito por PAULO RAMOS às 10h15
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17/08/2007

Morre Evaldo Oliveira, a alma brasileira de Recruta Zero

 
 
 
 
 
 
 
Desenhista, de 68 anos, estava internado havia duas semanas em Natal
 
 
 
 
 
 
 
O desenhista Evaldo de Oliveira, de 68 anos, foi enterrado na tarde desta sexta-feira no Cemitério Parque da Descoberta, em Natal, no Rio Grande no Norte.
 
Oliveira morreu de ataque cardíaco na virada de ontem para hoje. Ele estava internado havia duas semanas por causa de uma cirurgia de vesícula. Nesse tempo, o quadro clínico piorou.
 
O desenhista fazia charges para o "Jornal de Hoje", de Natal, havia dez anos. Ele também assinava uma coluna, "Histórias Fantásticas", com contos sobrenaturais.
 
Oliveira é mais lembrado por ter feito histórias nacionais para personagens estrangeiros da King Features Syndicate.
 
As mais marcantes foram as do Recruta Zero, personagem com quem conviveu por cerca de 20 anos.
 
Oliveira passou a fazer as histórias depois que o material estrangeiro deixou de ser produzido. Ele foi a alma brasileira do recruta, criado pelo norte-americano Mort Walker.
 
Essas histórias foram lançadas na revista do personagem, publicadas pela carioca Rio Gráfica Editora. E são muito lembradas por quem hoje está na faixa dos 30, 40 anos.
 
Entre uma produção e outra, escapava para outras formas de quadrinhos, como os de terror. São dele várias capas da extinta revista "Krypta".
 
Também desenhou outros personagens pouco conhecidos, como Flecha Ligeira.
 
O desenhista entrou na Rio Gráfica em 1960. Permaneceu por quase três décadas. Depois, trabalhou em São Paulo, na Editora Abril.
 
Na editora de Victor Civita, fez vários desenhos, de quadrinhos Disney à revista "Gugu", baseada no apresentador de TV Gugu Liberato.
 
Após se aposentar, em 1987, voltou ao Rio Grande do Norte, onde nasceu. Nos últimos 21 anos, nunca deixou de fazer desenhos, atividade que o acompanhava desde os 15 anos.
 
Evaldo de Oliveira foi um dos poucos artistas do Rio Grande do Norte -e do país- a conseguir viver do desenho durante toda a vida.
 
Crédito da foto: Jornal de Hoje

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Escrito por PAULO RAMOS às 17h52
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16/08/2007

Desenhistas de Pernambuco fazem versão da Bíblia em quadrinhos

Um grupo de desenhistas de Pernambuco lançou neste mês uma versão em quadrinhos de histórias da Bíblia.
 
Este primeiro número se baseia em fragmentos do Antigo Testamento. Há outras três edições programadas.
 
A proposta é adaptar as narrativas a um público adolescente. "Se você reparar, ela [a bíblia] tem pra adulto e tem pra criança. Agora, pra adolescente, não", diz Eduardo Schloesser, um dos autores.
 
O artista plástico de 44 anos desenha dois dos cinco relatos bíblicos deste número de estréia feito em formato de revista. 
 
Ele faz a arte das histórias de Sansão (imagem abaixo) e de Davi contra Golias.
 
"Escolheram [para mim] a história do Sansão porque achavam que tinha a minha cara", diz o desenhista paulista, que mora desde 2003 em Jaboatão dos Guararapes, cidade vizinha a Recife.
 
De família evangélica, ele diz que era uma vontade antiga trabalhar com o tema. "A Bíblia tem histórias maravilhosas. Dá para viajar legal."
 
A "viagem" é principalmente na área visual. As fontes de pesquisa foram livros de arte do mundo antigo e outras edições da Bíblia. Ele diz que seguiu essas referências e a intuição na composição das roupas e reconstituições de época.
 
O corpo dos protagonistas, no entanto, teve outra base de inspiração. Como o público-alvo da edição é o adolescente, os autores procuraram reproduzir parte do estilo das histórias de super-heróis.
 
Sansão aparece com porte atlético. O mesmo ocorre com Adão na história do Gênesis que abre a revista. Adão é representado também com cabelos compridos.
 
Schloesser diz que foi um dos primeiros a serem convidados pelo organizador da coleção, Alexandre de Freitas, que atua na área de publicidade. Outros escritores e desenhistas da região foram, depois, unindo-se ao grupo.
 
A obra, produzida com apoio cultural, não é vendida. Foi distribuída gratuitamente no lançamento, no último domingo, e vai ser levada agora a escolas de Recife.
 
Segundo Schloesser, o objetivo é usar a edição como uma janela. O desejo é que o lançamento chame atenção das editoras e de jornais, onde o grupo pretende encartar a revista.
   
Schloesser é mais conhecido do leitor de quadrinhos por ter feito as histórias de Zé Gatão, lançado em album há alguns anos. Ele programa outro para o ano que vem.
 
O trabalho no novo álbum é dividido com a criação de outras histórias da Bíblia, que vão integrar os próximos números.
 
O terceiro, já em produção, será sobre o Novo Testamento, época que mostra a vida de Jesus Cristo. Essa edição será feita inteiramente por ele.

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h08
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Luluzinha: quadrinho infantil para adulto ler

Há um filão ainda pouco explorado pelo mercado editorial brasileiro: o dos quadrinhos infantis lidos por adultos. Luluzinha impera quase sozinha nesse ramo. E com bons resultados.
 
A personagem, criada em 1935, ganhou mais um álbum, que começa a ser vendido neste meio de semana. A editora da obra, Devir, pretende lançar outros até o fim do ano.
 
"Luluzinha - O Clube da Lulu" (Devir, R$ 23) é o quarto livro da série, que republica as primeiras histórias da personagem. O álbum traz dez trabalhos do fim da década de 1940.
 
As histórias da menina ingênua e sapeca foram feitas originalmente para o público infantil. Elas começaram a ser lidas por crianças brasileiras nas décadas de 1950 e 1960, em revistas da editora de "O Cruzeiro".
 
Nas décadas seguintes, Lulu, Bolinha e o restante da turma migraram para a Editora Abril, onde moraram em revistas próprias até meados o início dos anos 1990.
 
As histórias dela só voltaram a ser publicadas no Brasil em junho do ano passado, pela Devir (leia aqui). Com uma novidade: em formato maior e encadernado, comum a um público de quadrinhos mais maduro.
 
O tiro, pelo que se vê, foi certeiro. Atingiu o coração do adulto de hoje, que guardava em algum canto da memória as lembranças das travessuras da menina de vestidinho vermelho.
 
É esse adulto criança que compra esses álbuns.
 
É o mesmo público que tem mantido a coleção de obras clássicas de Carl Barks, criador dos principais quadrinhos da Disney. A série da Abril já está na 30ª edição.
 
Este quarto álbum de Luluzinha, de novo, só tem o lançamento. O livro traz as primeiras histórias da personagem, publicadas na revista norte-americana "Marge´s Little Lulu".
 
O "Marge" do título é uma menção a Marjorie Henderson Buell, cartunista que criou a personagem. A revista, que era escrita e desenhada por John Stanley, circulou nos Estados Unidos entre 1945 e 1984.
 
Desde então, é reeditada em álbuns da editora norte-americana Dark Horse, material que serve de base para esta versão nacional.
 
É inegável que crianças podem se divertir como as histórias de Luluzinha, mais conhecida pelas novas gerações por causa da versão em desenho animado.
 
Mas Luluzinha é a prova de que o filão de quadrinhos infantis para adultos existe e vai bem, obrigado, embora ainda pouco explorado.
 
Não custa nada pensar em nomes de obras que poderiam ganhar reedições na forma de álbuns. O Exército dos Incríveis Amendoins, Kactus Kid, Riquinho, Pimentinha, muitos outros com Zé Carioca de Renato Canini...
 
A lista vai até onde a memória alcança.

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Escrito por PAULO RAMOS às 07h13
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15/08/2007

Astro City: o mundo dos super-heróis pelo olhar de uma criança

Houve vários escritores que tentaram homenagear os quadrinhos de super-heróis. Poucos conseguiram fugir dos clichês. É o caso de Kurt Busiek, autor de Astro City, série que ganhou neste mês mais um especial.
 
As duas histórias de "Astro City - A Primeira Família" (Pixel, R$ 6,90), que já está nas bancas, são uma boa síntese do estilo criado por Busiek ao longo de toda a série.
 
Não interessam os grandes vilões ou batalhas. Tudo isso fica em segundo plano. O que importa é o lado humano dos protagonistas, os heróis que povoam a cidade que dá nome à série.
 
Esta edição, a segunda da série lançada pela Pixel (leia mais aqui), marca a estréia da Primeira Família, referência às equipes de super-heróis formadas por um núcleo familiar, como o Quarteto Fantástico (embora não só).
 
Há correlatos de vários elementos e personagens dos supergrupos das outras editoras. As referências são as homenagens de Busiek, declaradas, explícitas.
 
Mas o foco da história, seguindo seu estilo, está no olhar de Astra, a mascote da equipe. A heroína, de 10 anos, é uma versão mirim do Tocha Humana, do Quarteto Fantástico. 
 
Apesar dos poderes e das batalhas impossíveis, ela é levada a enfrentar um outro conflito, de foro pessoal.
 
A aventura que ela tem de enfrentar é ter a oportunidade de conviver com outras crianças, algo que o modus operandi do grupo lhe nega.
 
O detalhe narrativo de Busiek ajusta ainda mais o foco nesse caso. A vitória que Astra procura é simples: aprender como brincar de amarelinha.
 
O jogo infantil é uma metonímia do isolamento pelo qual passa. Tudo o que quer é ser criança, como as outras da sua idade.
 
Do simples para o amplo. Da amarelinha para a introspecção da heroína. Do lado pessoal dos superseres à homenagem aos grandes heróis tradicionais.
 
Com esse jeito de narrar, Busiek pautou os demais títulos de "Astro City", parte já lançada no Brasil pelas editoras Pandora e Devir (leia mais aqui e aqui).
 
O escritor só repete a fórmula neste especial. E acerta. Mais uma vez.

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Escrito por PAULO RAMOS às 18h04
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14/08/2007

Estudo desvenda identidade do brasileiro nas charges de Jeca Tatu

O caboclo Jeca Tatu surgiu em 1914 num artigo escrito por Monteiro Lobato. 
 
Mas foram as charges que ajudaram na popularização do personagem, a ponto de ele se tornar um reflexo da identidade do brasileiro da primeira metade do século passado.
 
Essa é uma das conclusões de um mestrado defendido no  departamento de ciência política da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
 
A pesquisa, feita pelo sociólogo Márcio José Melo Malta, foi defendida -com sucesso- no início do mês.
 
Malta investigou a presença do personagem na revista de humor político "Careta" (ao lado). Ele pesquisou edições lançadas entre 1919 e 1960.
 
O pesquisador, de 24 anos, constatou que o Jeca estampou mais de 500 capas da publicação.
 
"A identidade nacional criada pelo Jeca Tatu é a de um brasileiro que ao mesmo tempo revela-se um preguiçoso,  do alto da sua ingenuidade, [mas] é carregado de matreirice, esperteza", diz.
 
O estudo trouxe outra novidade, pouco conhecida: o lado desenhista de Monteiro Lobato (1882-1948).
 
É do criador do "Sítio do Picapau Amarelo" a ilustração ao lado, publicada na revista "Fon-fon", em 11 de setembro de 1909.
 
Mais do que um produtor de telas, Lobato é revelado como um dos primeiros a produzir no país um texto sobre o papel da caricatura, da qual não escondia o interesse.
 
A charge de Jeca Tatu mostrada ao lado era a preferida do escritor, segundo Malta. Foi feita por Osvaldo em 1925.
 
Malta levou dois anos para concluir a pesquisa. Pretende acatar a sugestão da banca que o avaliou e publicar o estudo.
 

"No ano que vem, a revista "Careta" completa 100 anos do seu lançamento", diz.

 

"É um momento muito oportuno para a sua publicação, além do Jeca Tatu e Monteiro Lobato terem grande viabilidade comercial, pois sempre foram um sucesso de vendas."

 

Não será a primeira obra dele. No ano passado, lançou "E Agora Lula? Charges do Desastrado Governo", pela editora Marimba. O livro, de 40 páginas, reúne trabalhos do lado desenhista dele (leia mais aqui).

 

Malta já publicou em publicações como o "Pasquim 21". Assina os desenhos como Nico, apelido que o acompanha desde a infância.
 
As charges são sua principal fonte de renda, divida com as aulas de sociologia que dá na rede pública de ensino.
 
O desenhista e pesquisador carioca já tem outra obra em vista. Ele finaliza um livro sobre o humor político e a militância do cartunista Henfil, criador da Graúna e dos Fradinhos.
 
Segundo ele, a obra já tem editora e deve ser lançada no ano que vem. 2008 marca os 20 anos da morte de Henfil (1944-1988).
 
Na entrevista que o Blog viecula nas duas próximas postagens, Márcio Malta dá mais detalhes sobre a elaboração das 142 páginas de "O Jeca na Careta - Charges e Identidade Nacional", nome do mestrado.
 
Na condversa, feita por e-mail, ele fala sobre charges, a paixão de Lobato pelos desenhos, do Jeca feito por Mazzaropi e sobre o papel do personagem na identidade do brasileiro.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h17
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Estudo desvenda identidade do brasileiro nas charges de Jeca Tatu

Parte 2

Entrevista: Márcio Malta
  
Blog - Quem é o Jeca Tatu, segundo sua pesquisa?

Márcio Malta - Existem vários Jecas, pois trabalho com o conceito de metamorfoses do personagem. O personagem foi criado por Monteiro Lobato e se define prioritariamente pela preguiça e abandono pelo Estado. Com o passar do tempo a sua popularização foi moldando o Jeca Tatu, sendo adaptado em vários campos, como na música, no cinema e nas charges – objeto da minha pesquisa.

 

Blog - Você entende que essa identidade é uma metáfora do brasileiro da época? Se sim, de quais brasileiros?

Malta - O Jeca, nas charges, a princípio representava um tipo, o caboclo, o indivíduo desvalido do meio rural brasileiro, principalmente do Vale do Paraíba. Com o passar dos anos o Jeca passou a representar todo brasileiro, independente de classe ou região geográfica.

 

 

Blog - O Jeca foi criado em livro de Lobato, não em charge [as primeiras referências estão em dois artigos de 1914, reunidos no livro "Urupês", cuja primeira edição é de 1918]. O quanto a charge contribuiu para a criação dessa identidade?

Malta - Essa pergunta pode ser observada por dois ângulos. Acredito que o fato de Monteiro Lobato ser desenhista o facilitou a criar a imagem do Jeca, desde o seu início muito visual e carregada de humor. Por outro lado, dialeticamente, os chargistas tiveram em suas mãos um prato cheio para desenhar. O pesquisador Antônio Cândido [professor emérito da Universidade de São Paulo] definiu o Jeca muito sabiamente como um tipo “caricatural”, o que realmente contribuiu para não só os chargistas como ilustradores explorarem a figura do Jeca. 

 

Blog - Em vários momentos da pesquisa, você menciona que se tratava de "caricaturas" do Jeca. Algumas são charges, não?

Malta - Na pesquisa dou prioridade em dar o tratamento aos desenhos como charges políticas. A definição é importante, pois os pesquisadores da área não fazem a distinção. A charge política pode ser vista como um desenho humorístico em cima de um fato e é o que trabalho a partir das capas da revista "Careta" (mais de 500 com o Jeca, no período que vai de 1919 a 1960). O termo caricatura foi utilizado algumas vezes, pois assim era classificada a charge antigamente, indistintamente. 

 

 

Blog - E quais eram os temas abordados?

Malta - Com o levantamento das imagens, pude constatar que alguns temas eram recorrentes, tais como,  identidade nacional, a preguiça do Jeca, o povo opilado e o comunismo. Inflação e custo de vida são dois temas intimamente ligados e recorrentes nas charges sobre o personagem.  Mas, sem dúvida, o tema campeão em aparições nesse segmento é o que apresenta o Jeca esfomeado.

 

(Continua na próxima postagem)

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h14
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Estudo desvenda identidade do brasileiro nas charges de Jeca Tatu

Parte 3

Blog - Na pesquisa, você menciona que houve mudanças no perfil do Jeca. Quais foram essas alterações?

Malta - No início, o Jeca foi retratado especialmente ao lado do político e jurista Rui Barbosa [1849-1923], pois o mesmo o citou em um de seus discursos à presidência da república, o que acabou por popularizar ainda mais o personagem. Essas charges iniciais [a vista ao lado, de abril de 1920, é de J. Carlos] lidavam principalmente com a temática de oposição do intelectual com o povo ignorante e preguiçoso. Com o correr dos anos, já na década de 1920, o Jeca ganhou contornos de oposição a figuras como do Tio Sam e defensor das riquezas nacionais. A passividade que é marca do personagem também deu lugar a uma atitude mais matreira e crítica aos desmandos das elites políticas brasileiras.

 

Blog - O foco de sua pesquisa foi investigado na revista "Careta", material raríssimo no país. Como você contornou esse problema?

Malta - A pesquisa das fontes primárias se deu por meio do acesso ao acervo da Biblioteca Nacional, que foi digitalizado e está disponível no site da entidade. Também tive acesso ao material físico no acervo da Biblioteca Estadual do Rio de Janeiro.

 

Blog - O Jeca interpretado por Mazzaropi no cinema, contribuiu de certa forma para a fixação do personagem no imaginário coletivo do brasileiro?

Malta - O comediante Amâncio Mazzaropi [1912-1981] foi um dos muitos artistas que manusearam o personagem ao seu bel-prazer, o que conferiu ao Jeca uma grande carga de vida. Até hoje o Jeca é relembrado e encontra-se fortemente localizado na memória nacional, servindo para designar costumes populares como moda e comidas classificadas como Jeca.

 

(Continua na próxima postagem) 

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h11
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Estudo desvenda identidade do brasileiro nas charges de Jeca Tatu

Parte 4

 

Blog - Sua dissertação de mestrado traz à tona um lado pouco conhecido de Lobato, o de desenhista. Seu levantamento mostrou que ele chegou a produzir exatamente o quê?

MaltaA minha pesquisa busca lançar luzes para um lado pouco explorado de Monteiro Lobato, o de apaixonado pelo desenho de humor. Normalmente são citadas apenas as aquarelas do autor – excepcionais, diga-se de passagem – mas Lobato chegou a colaborar em revistas de grande importância como a "Fon-fon", no ano de 1909. Foi ainda estudioso e pesquisador do desenho de humor, chegando a escrever importantes artigos, tais como “A Caricatura no Brasil”, onde mapeia a caricatura no Brasil e no mundo; e o artigo “O Rei de Congo”, no qual propõe o uso das charges como recurso e fonte para a historiografia.

 

Blog - Outro ponto é o lado editorial de Lobato, que buscava vender os livros em novos mercados, como farmácias. Ele não estava na vanguarda? Não se vê o mesmo hoje [com a coleção pocket da L&PM, para ficar num exemplo]?

Malta - Monteiro Lobato sempre foi muito prático. Ao tornar-se editor constatou que não existiam pontos de venda de livros no Brasil. Assim resolveu cria-los. Enviou cartas-proposta a comerciantes de pequeno porte e teve ampla recepção. A sua atitude realmente ficou de exemplo, sendo contudo pouco explorado ainda.  

 

Blog - Ele chegou a desenhar o Jeca Tatu?

Malta - Não existem registros de Lobato ter desenhado o Jeca Tatu. O que merece registro é que Monteiro Lobato ilustrou o seu primeiro livro, “Urupês”. 

 

BlogA pesquisa foi feita na área de Ciência Política, algo raro de se ver na academia. Houve algum tipo de barreira ou preconceito a ser superado?

MaltaEm princípio, houve um certo estranhamento e até mesmo falta de condições dos profissionais da área em compreender a importância do tema. Normalmente a charge é pouco aproveitada na academia por conta de alguns fatores: a supervalorização do texto, em detrimento da imagem; o não-reconhecimento do humor como válido cientificamente; e por último a multiplicidade de interpretações que a charge pode ter – o que é a sua riqueza – e normalmente é visto com um certo temor pelos dogmáticos.

 

Blog - Já houve vários símbolos do brasileiro, do índio ao Jeca, citado por você. No seu entender, há um símbolo atual do brasileiro, neste início de século?

MaltaConcluo o meu trabalho com a menção de que o posto de identidade nacional encontra-se vago. As chances de aparecer um personagem que nos represente são cada vez menores, pois vivemos uma conjuntura de neo-liberalismo, onde as identidades nacionais encontram-se cada vez mais diluídas.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h08
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13/08/2007

Mostra Nacional de Fanzines começa a receber trabalhos

O litoral sul de São Paulo funciona já há alguns anos como uma espécie de catalisador de fanzines. A região mantém a tradição e já prepara a terceira edição de uma mostra sobre essa forma independente de produção.
 
Os organizadores da 3ª Mostra Nacional de Fanzines e Publicações Independentes abriram inscrições para o catálogo da edição deste ano.
 
Os trabalhos podem ser enviados até 30 de setembro. A mostra será nos meses de outubro e novembro. Os exemplares, dois de cada edição, devem ser encaminhados pelo correio, para este endereço:
 
- rua Pero Corrêa, 581 B, bairro Itararé, São Vicente, São Paulo - CEP 11320-140.
 
A correspondência precisa conter o nome completo do autor, endereço, currículo, e-mail e telefone para contato. 

A Associação dos Artistas do Litoral Paulista, organizadora do evento, mantém uma exposição itinerante com os trabalhos das edições anteriores.
 
São cerca de 350 fanzines, de diversas partes do país.
 
Atualmente, a mostra está na Oficina Cultural Pagu, na cadeia velha de Santos (Praça dos Andradas, sem número, centro da cidade).
 
Pode ser vista de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h.
 
Em tempo: os responsáveis pelo Pop Balões criaram no site sobre quadrinhos "O Mapa dos Independentes". 
 
A proposta é que se torne uma referência para a produção de quadrinhos feita fora do circuito comercial.
 
Já há material lá sobre a "Quadrinhópole", feita em Curitiba. A revista está na quarta edição.
 
O editor dela, Leonardo Melo, foi um dos organizadores da 1ª Festa do Quadrinho Independente, realizada no último sábado em Curitiba (leia mais aqui).
 
Para conhecer a área independente do site, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h02
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Uma chance rara de ler Mismatches em papel

 

A tira cômica acima, chamada "Mismatches", foi a surpresa da edição de 2006 do Salão Internacional de Humor de Piracicaba. 

Pela primeira vez, o principal salão de humor do país dava o primeiro lugar da categoria tiras para um trabalho feito parte em desenho, parte com colagem.

O trabalho -feito pelo paulista Acácio Geraldo de Lima- é uma das mais criativas e diferentes tiras já produzidas no Brasil.

Mas estava restrita ao circuito virtual ou a quem assistiu in loco à exposição do ano passado em Piracicaba. Por isso, é pouco conhecida.

O catálogo com os 270 trabalhos do salão do ano passado é uma chance rara de ter um registro da tira em papel.

O livro, que será lançado nesta segunda à noite, em São Paulo, traz as oito tiras premiadas, que pertencem ao acervo do salão (já mostradas aqui no blog; veja aqui e aqui).
 
Há outra, não incluída no catálogo. Foi feita por Acácio especialmente para uma reportagem do programa "Metrópolis", da TV Cultura (também mostrada no blog; clique aqui).
 
O catálogo com os 270 trabalhos da edição de 2006, inclusive com os demais premiados, vai ser lançado às 20h, no prédio da Fiesp (Avenida Paulista, 1313).
 
O livro, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, custa R$ 40.
 
Em tempo: o autor de "Mismatches" conversou com o blog em outubro do ano passado.
 
Na entrevista, ele deu mais detalhes sobre o processo de construção das tiras.
 
Para ler, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h44
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Um tira de Laerte para começar bem a semana

 

Fonte: "Folha de S.Paulo" desta segunda-feira

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h46
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12/08/2007

Lançada história em que Homem-Aranha revela identidade secreta

A história em que o Homem-Aranha revela a identidade secreta ao mundo começou a ser vendida nas bancas brasileiras nesta última semana.

A revelação é feita no segundo número minissérie "Guerra Civil" (Panini, R$ 3,90).

"Meu nome é Peter Parker e eu sou o Homem-Aranha desde os 15 anos", diz o herói, durante entrevista coletiva para todo o mundo.

Ele decide acatar uma lei do governo dos Estados Unidos. A medida exige que todos os super-heróis tornem públicas as identidades que mantêm escondidas por baixo das máscaras.

Quem não seguir a determinação do governo passa a atuar na clandestinidade. É o caso do Capitão América e de alguns heróis que o seguem.

A luta entre os dois lados é o mote da "guerra civil" (leia mais aqui).

As conseqüências da decisão de Peter Parker são mostradas no número 68 da revista mensal do herói (Panini, R$ 6,90, capa ao lado).

Um dos medos dele é a segurança de sua esposa, Mary Jane, e de sua tia, May Parker.

A notícia da revelação deveria ser uma surpresa para o leitor brasileiro. Não é porque circula virtualmente pelos sites de quadrinhos desde o ano passado, quando a história foi publicada nos Estados Unidos.

O "spoiler" –nome dado às notícias antecipadas-, em todo caso, não "matou" todas as surpresas. Principalmente no tocante às reações de pessoas próximas a Parker.

Qual foi, por exemplo, a reação do carrancudo J. Jonah Jameson, editor-chefe do "Clarim", jornal onde Parker atua há anos como fotógrafo?

O "spoiler" tem sido muito usado pelas editoras como estratégia de marketing para atrair atenção, inclusive da mídia, para determinada história ou acontecimento.

Não foi diferente com essa revelação do Homem-Aranha, que agora chega ao Brasil.

O lado bom é que a surpresa, antecipada pelo meio virtual, ainda não condenou o prazer da leitura real.

Escrito por PAULO RAMOS às 16h21
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Gibizada: os bastidores de um blogueiro de quadrinhos

O blog é um recurso midiático relativamente novo no Brasil. O blog jornalístico, mais novo ainda. Mas se firma nos grandes portais a passos largos.

Na área de quadrinhos, ainda há poucos blogs jornalísticos. Um dos pioneiros é o Gibizada, mantido pelo carioca Telio Navega (clique aqui).

A página completou dois anos no último dia cinco. Tempo suficiente para fazer dela uma das principais referências na área de quadrinhos no Brasil.

O blog está hospedado no portal de "O Globo", jornal onde Telio trabalha na área de diagramação. Ele se define como um designer gráfico de formação que se transformou em jornalista.

Navega foi um dos indicados do último Troféu HQMix na categoria melhor jornalista especializado em quadrinhos.

Os dois anos à frente da página virtual já renderam outros frutos, como uma coluna mensal sobre quadrinhos no "Megazine", suplemento jovem de "O Globo".

As resenhas de lançamentos mais adultos ficam para outro caderno do jornal, o "Prosa e Verso", onde também escreve esporadicamente.

A repercussão está atrelada a muito, muito esforço, como ele mesmo conta neste bate-papo, feito por e-mail.

Um dos maiores desafios, diz o blogueiro de 38 anos, é equacionar a falta de tempo com a necessidade de atualizações constantes da página virtual.

Blog - Quais as principais dificuldades de se manter um blog sobre quadrinhos no ar?
Telio Navega - Acho que blog tem que ter atualização diária. Ou quase. Não dá para ser semanal ou mensal. Senão já era, não tem leitura constante. Essa é a dificuldade: manter a atualização diária, já que o blog não é minha atividade principal, meu ganha-pão. Sou designer de formação e esta é minha profissão. Um designer de jornal que acabou se transformando também em jornalista, porque jornal vicia, você sabe.

Blog - Como é o seu ritmo de trabalho no blog?
Navega - Bem que eu tento escrever algo antecipadamente, deixar pronto e só "subir" no dia, mas não consigo. Se escrevo antes ponho logo no ar. Acabo usando minha "pilha" natural para passar madrugadas escrevendo. E escrever um blog de quadrinhos tem que ser bonito, tem que ter uma bela imagem. Selecioná-la nunca é fácil. Mas escrever também não é.

Blog - Sobra tempo para outras coisas?
Navega - Tem que sobrar, né? Tempo para filhos, mulher e trabalho. Fora cinema, livros e gibis. E ainda ver séries de TV, pois agora, além do Gibizada on-line e Gibizada no Megazine na última terça de cada mês, ainda escrevo a seis mãos-com os amigos jornalistas Bruno Porto e Tom Leão- a coluna "Seriais" na "Revista da TV". Sai todo domingo também no "Globo".

Blog - De dois anos para cá, o que mudou no seu dia-a-dia por causa da página virtual?
Navega - Muita coisa. Não escrevia nada, só uma resenha para o "Prosa e Verso" uma vez ou outra. Agora é todo dia, ou quase. Mas fiquei todo orgulhos de ter o meu nome incluído entre os melhores jornalistas especializados em quadrinhos no último HQ Mix. Faz bem ao ego e só tinha gente boa ao meu lado. Gente como você e o Sidney [Gusman, do site Universo HQ], que leio há muitos anos, desde que eu era moleque (ele vai odiar isso) e comprava "Sandman" na banca.

Blog - No aniversário de primeiro ano, você comentou que, depois da criação do Gibizada, encontrava pouco tempo para ler quadrinhos. Isso melhorou?
Navega - Não, só piorou. O volume de lançamentos só tem aumentado, é assustador. Vivemos um momento histórico de títulos em livrarias e gibiterias. Uma pena que a banca sai prejudicada. Para a pobrezinha só vão super-heróis. E isso é muito pouco no fabuloso e amplo universo das histórias em quadrinhos.

Blog - Que lição você tira dessa experiência? 
Navega - A melhor possível, mesmo fazendo isso por amor. Acho que os quadrinhos hoje são tratados com um pouco mais de dignidade. O aumento de títulos conseqüentemente trouxe um aumento de caras especializados no segmento. Temos sites como o Universo HQ, Omelete, Bigorna, Blog dos Quadrinhos, HQ Maniacs. E sujeitos como o Gonçalo Junior [autor do livro "Guerra dos Gibis" e colunista de quadrinhos da revista "Cult"], Pedro Cirne [crítico de quadrinhos da "Folha de S.Paulo], o Diego Assis [jornalista de cultura do site G1], o Claude Bornél [da coluna Seqüencial, do jornal "O Povo", de Fortaleza] e o Cláudio Yuge [colunista de quadrinhos do portal "Bonde"]. E pérolas como o Nona Arte, de André Diniz. Volume de informação que não existia há alguns anos. Boa parte desse material, na verdade, também existe graças à internet.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h33
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11/08/2007

Preacher: novo álbum mantém formato dos anteriores

Quem já acompanhava "Preacher" no Brasil não vai sentir muita diferença na edição do quarto álbum da série, "Preacher – Rumo ao Sul" (R$ 29,90), lançado nesta semana nas bancas, livrarias e lojas especializadas em quadrinhos.

A Pixel, nova editora da série norte-americana, optou por manter o mesmo formato usado pela Devir, que até então lançava a série no Brasil. É um tamanho um pouco menor do chamado "formato americano" (como o das revistas de heróis).

A Pixel também optou por continuar a série do ponto onde a outra editora havia parado (leia aqui).

A Devir publicou três álbuns entre abril e dezembro de 2006. Essas edições correspondem aos números de 1 a 26 da série, que será adaptada pelo canal a cabo HBO.

Mas nem tudo ficou igual. Há pelo menos duas mudanças.

A primeira é o nome da namorada do protagonista, Tulipa, que volta a ter o nome traduzido, como era nas histórias do personagem lançadas no Brasil entre 1997 e 2004. A Devir optou por manter o nome original, Tulip.

A outra mudança é no preço. Este quarto álbum da série custa em média R$ 15 a menos do que o valor cobrado pelos encadernados anteriores.

A mudança de editora se deu porque a Pixel adquiriu no começo do ano os direitos de publicação de todos o títulos da Vertigo, selo adulto da editora norte-americana DC Comics (mesma de Batman e Super-Homem).

Para quem nunca leu "Preacher", essa transição de editoras pode servir como um bom ponto de partida. A história é escrita por Garth Ennis, criador da série, e se passa num momento de recomeço na trajetória dos personagens centrais.

A trama gira em torno do pastor renegado Jesse Custer, o Preacher do título. Depois de ser tomado por uma entidade celestial poderosíssima, resolve sair à caça de Deus.

Neste álbum, de 180 páginas, ele e seus parceiros de aventura –o vampiro Cassidy e a namorada, Tulipa- decidem viajar para o sul do país para encontrar um especialista em vodu.

A expectativa do trio é que a pessoa que vão encontrar possa explicar do que se trata exatamente a entidade alojada no corpo de Custer.

No meio disso, eles têm de enfrentar uma seita de aspirantes a vampiros, Les Enfants du Sang, que querem raptar Cassidy.

Essa trama, desenhada por Steve Dillon, já havia sido lançada no Brasil pela Brainstore em 2000. Corresponde aos números 27 a a 33 da revista norte-americana, lançada entre julho de 1997 e janeiro de 1998.

A migração da Devir para a Pixel não foi a única mudança de editora da série.

A trajetória da série foi marcada por saltos de uma editora para outra nos dez anos em que foi publicada no Brasil.

Leia mais sobre isso na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h12
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Preacher: rumo ao sul, rumo ao fim?

Será que agora vai até o fim?

Para o leitor brasileiro de "Preacher", a pergunta acima é incontornável, ainda mais quando vê mais um encadernado da série lançado por uma nova editora ("Preacher – Rumo ao Sul, Pixel, R$ 29,90).

A pulga atrás da orelha é baseada na trajetória do personagem no Brasil. A série já passou por cinco editoras. E o leitor ainda não viu o desfecho da história do pastor renegado que sai à caça de Deus.

Faz dez anos que a primeira história do pastor Jesse Custer foi publicada no Brasil pela Tudo em Quadrinhos. Teve duas edições especiais até ganhar uma revista própria, em março de 1998, com uma história por mês.

Depois disso, começaram as sucessivas mudanças no nome da editora.

Em junho de 1999, a Tudo em Quadrinhos passou a dividir a publicação com a Fractal Edições. A alteração dobrou o número de páginas da revista, que começou a trazer duas histórias da série.

Em outubro do mesmo ano, o nome da editora foi alterado para Atitude Publicações. A numeração permaneceu a mesma. Foi até a edição 18.

A volta da série foi em maio de 2000 pela Brainstore. A editora lançou uma nova revista mensal, que continuou do ponto onde a história havia parado. A numeração voltou ao início.

O casamento da Brainstore com o personagem criado e escrito por Garth Ennis durou até janeiro de 2004. O título, que passava por sucessivos atrasos de lançamento, terminou na edição 34.

Essa edição correspondia ao número 60 da revista norte-americana. Faltavam seis edições para o desfecho da série.

Em abril de 2006, a Devir voltou a lançar a série no Brasil. A editora optou por publicar a história do início e em edições encadernadas. Foram três álbuns, ainda à venda.

O primeiro foi lançado em abril, "Preacher – A Caminho do Texas" (leia aqui). No começo de outubro, "Preacher – Até o fim do Mundo" (aqui). E, em dezembro, "Preacher – Orgulho Americano" (aqui).

O novo álbum da Pixel, "Preacher – Rumo ao Sul", continua do ponto onde a Devir havia parado (leia mais na postagem acima).

"Preacher" é um dos melhores exemplos para analisar a trajetória da Vertigo no Brasil. A série teve a publicação fragmentada e feita por diferentes editoras, como os demais títulos do selo adulto da DC Comics.

A Pixel mantém um contrato de cinco anos com a DC. O acordo teve início neste ano. Pelo menos no papel, a continuidade da série está garantida.

Se não houver mudanças, o leitor brasileiro deve ter o inédito, adiado e, acima de tudo, aguardado final de "Preacher" lançado em 2009.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h56
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10/08/2007

Encontro em Curitiba discute produção independente brasileira

Um encontro neste sábado em Curitiba vai discutir o quadrinho nacional e a produção independente brasileira.

A pauta da 1ª Festa do Quadrinho Independente é promover debates durante toda a tarde.

Mas, na prática, o evento dá mais um movimento no sentido da integração dos autores independentes nacionais, algo que tem ganhado força no Brasil nos últimos meses (leia mais aqui).

"Essa idéia de que precisamos nos unir para sobrevivermos no mercado está crescendo cada vez mais", diz, por e-mail, o curitibano Leonardo Melo, de 24 anos, um dos organizadores do encontro.

"A gente acaba conhecendo meio que todo mundo nesse meio e um vai ajudando o outro. A coisa toda está tomando uma cara muito legal. Não é à toa que acabou surgindo a oportunidade de produzir o evento."

A participação de Melo no encontro não é só nos bastidores. Ele vai participar de um dos debates e terá à venda o quarto número da "Quadrinhópole", revista independente da qual participa com dois roteiros.

Outras revistas independentes também estarão à venda, como "Homem-Grilo", "Garagem Hermética" e "Avenida", mostradas nesta postagem.

Todas já tiveram um primeiro lançamento em julho (leia mais aqui).

"Espero que o pessoal possa vir com curiosidade para ver o que está rolando no mercado nacional e que possamos todos ver as palestras com profissionais da área, discutir sobre assuntos que são de interesse de todos e que todo mundo possa aprender um pouco com o pessoal que estará lá", diz Melo.

A programação tem início às 13h, com uma palestra sobre a edição da última "Quadrinhópole".

Depois, há nova palestra a cada hora, com diferentes profissionais:

- 14h, mercado editorial brasileiro;

- 15h, quadrinhos e cotidiano urbano;

- 16h, quadrinhos independentes e mercado nacional;

- 17h, produção dos quadrinhos em Curitiba.

Os debates serão na Gibiteca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 533). A entrada é franca.

"Se der certo, quem sabe a gente não faz outro no ano que vem e acaba ampliando as atividades?", diz Melo, que se forma em Estatística pela UFPR (Universidade Federal do Paraná).

A experiência universitária rendeu uma pesquisa sobre leitores de quadrinho virtual, feita em parceria com Leonardo Santana.

As conclusões do estudo serão apresentadas na palestra das 16h.

Leia os resultados na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h34
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Leitor aceita HQ na internet. Mas não quer pagar por isso

O leitor brasileiro de histórias em quadrinhos está aberto à possibilidade de ler quadrinhos na tela do computador. Mas não quer pagar por esse serviço.

São duas das conclusões do levantamento feito pelos quadrinistas Leonardo Melo e Leonardo Santana, que debatem os resultados com o público neste sábado, em Curitiba, na 1ª Festa do Quadrinho Independente (leia mais na postagem acima).

De acordo com o levantamento, 77,55% dos entrevistados disseram que acompanhariam uma série produzida na internet.

Das pessoas ouvidas, um terço, 32,66%, estaria disposta a pagar por isso.

Outro dado da pesquisa é que um em cada três leitores de quadrinhos no Brasil baixa os chamados "scans", versão escaneada de quadrinhos impressos.

Desses, a maioria, 64,05%, também compra a versão impressa.

Entre os entrevistados, 87,59% afirmaram ler quadrinhos, no mínimo, uma vez por semana.

Super-heróis foi o gênero preferido, 24,03%.

Em segundo e terceiro lugares, aparecem os gêneros "aventura" (21,29%) e "ficção científica" (13,75%). "Humor" figura em quarto (11,80%).

Uma das conclusões da pesquisa é que não seria coincidência serem esses os gêneros mais encontrados nas produções brasileiras independentes.

Melo e Santana ouviram as opiniões de 548 leitores de quadrinhos, a maior parte entre 19 e 38 anos (82,30%) e do sexo masculino (95,26%).

A pesquisa tem índice de confiabilidade de 90% e margem de erro de 3,5%, para mais ou para menos.

O resultado do levantamento, reunido em 12 páginas, está disponível para ser lido na internet. Para acessar, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h32
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09/08/2007

Os primeiros registros do Ilustra Brasil!

 

 

 

Foto do desenhista Hermenegildo Sábat, convidado internacional do evento 

 

 

O site da SIB (Sociedade dos Ilustradores do Brasil) colocou algumas imagens e informações sobre os dois primeiros dias do "Ilustra Brasil! 4".

O evento, o principal do país na área de ilustração, teve início na última segunda-feira, em São Paulo.

O desenhista Hermenegildo Sábat, de 74 anos, o convidado internacional do evento, fez palestra na terça-feira (leia mais aqui e aqui).

Foi nessa data que o ilustrador Orlando Pedroso fez o registro reproduzido acima.

O "Ilustra Brasil!" oferece oficinas e palestras até o fim de outubro.

Para ver a programação, clique aqui. E aqui para acessar o site da SIB para ver mais fotos do evento.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h13
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08/08/2007

Salão de Piracicaba: definidos selecionados para edição deste ano

A organização do Salão Internacional de Humor de Piracicaba divulgou nesta semana os nomes dos autores dos 273 desenhos selecionados para a exposição deste ano. 
 
O número é um pouco maior do que o registrado em 2006. A edição passada teve três selecionados a menos, 270.
 
Mas, segundo os organizadores, o número foi sufiicente para creditar a exposição de 2007 como a maior da história do salão, criado em 1974.
 
Os autores dos trabalhos (leia os nomes aqui) concorrem aos prêmios das cinco categorias do salão: caricatura, cartum, charge, tira e vanguarda.
 
Vanguarda foi criada neste ano. É específica para desenhos feitos por computador (leia mais aqui). 
 
Foi a categoria com o maior número de selecionados, 62 trabalhos.
 
Os primeiros colocados de cada uma das categorias ganham R$ 5 mil.
 
Esses cinco prêmios, a partir deste ano, recebem o título de Troféu Zélio de Prata, uma homenagem ao cartunista Zélio Alves Pinto, tido como o padrinho do salão.
 
Os cinco premiados concorrem a um segundo prêmio, o Troféu Zélio de Ouro, no valor de R$ 10 mil.
 
Esse desenhista vencedor acumulará, então, R$ 15 mil (R$ 10 mil somados dos 5 mil já conquistados no Zélio de Prata).
 
Os vencedores serão definidos no próximo dia 19. Mas os resultados só devem ser divulgados ao público no dia 25, data de abertura do salão, o principal do país.
 
A antecipação é uma forma de comunicar os vencedores com prazo suficiente para que compareçam à cerimônia de entrega dos prêmios, também no dia 25 à noite, em Piracicaba, cidade a 162 km de São Paulo.
 
A seleção dos trabalhos desta 34ª edição do salão foi no último fim de semana (leia aqui).
 
Foram 1.703 trabalhos de 45 países (300 trabalhos a mais do que em 2006). A maior parte dos selecionados é de brasileiros.
 
Os 273 desenhos vão compor uma exposição, que pode ser vista até o dia 14 de outubro.
 
Os trabalhos também integrarão o catálogo impresso, que vai ser lançado no ano que vem.
 
O catálogo com os 270 trabalhos da edição de 2006, inclusive os premiados, tem lançamento na próxima segunda-feira, às 20h, no prédio da Fiesp, em São Paulo (Avenida Paulista, 1313).
 
O livro, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, custa R$ 40 (capa ao lado).
 
Veja os premiados do salão de 2006 aqui e aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h00
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Laerte lança livro de memórias feito em quadrinhos

O cartunista Laerte, 56, vai reunir em livro memórias dos tempos de criança. As lembranças foram narradas em quadrinhos.
 
Chamada de "Laertevisão - Coisas Que Não Esqueci" (capa ao lado), a obra está programa para ser lançada até o fim do mês.
 
Os quadrinhos são os mesmos que foram lançados nas edições dominicais da "Folha de S.Paulo".
 
Nas histórias, Laerte representa a si próprio quando criança e aborda em três, quatro quadrinhos, algum fato da infância.
 
Um ponto que permeia todas as lembranças é a presença da televisão.
 
Ou melhor: dos primórdios da TV no Brasil, na visão (por isso, o título "Laertevisão") do cartunista ainda criança.
 
Este lançamento da Conrad, de 128 páginas, traz também fotos do cartunista e uma raridade: desenhos dele produzidos ainda quando era menino.
 
A facilidade ao acesso do material biográfico é por um motivo familiar. A edição é feita por Rafael Coutinho, filho de Laerte.
 
O álbum foi produzido parte em preto-e-branco, parte em cores. Terá capa dura e vai custar R$ 46, segundo a editora.
 
É o segundo livro de Laerte programado para este mês.
 
A editora Devir vai lançar até o fim do mês o primeiro volume de uma coletânea de luxo dos Piratas do Tietê, criação mais famosa do desenhista (leia mais aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h32
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07/08/2007

Congresso da USP tem sala dedicada a pesquisas sobre quadrinhos

Um congresso internacional sobre temas ligados à linguagem terá uma sala específica sobre pesquisas lingüísticas de quadrinhos.
 
A exposição dos trabalhos sobre quadrinhos é nesta quarta-feira, às 14h, na sala 165 da faculdade de Letras da USP (Universidade de São Paulo). O congresso vai até sexta-feira.
 
Três pesquisas foram inscritas. O nome da sala temática é "A Construção Narrativa e as Várias Possibilidades Comunicativas das Histórias em Quadrinhos".
 
Na sexta-feira à tarde, na sala 167, há apresentação de outro trabalho ligado a quadrinhos (este, de minha autoria). Vai ser numa sala dedicada a pesquisas de humor.
 
Podem participar do Enil (Encontro Nacional de Interação em Linguagem Verbal e Não-Verbal), nome do congresso, somente pessoas previamente inscritas.
 
Em julho, o Cole, principal congresso de leitura do país, também dedicou espaço a estudos teóricos de quadrinhos (leia aqui).
 
O relevante é destacar que:
  • foi criado um espaço para discutir quadrinhos num congresso internacional de lingüística, algo que não ocorria anos atrás;
  • o volume de pesquisas sobre quadrinhos continua crescendo e gradativamente ganhando espaço no meio universitário.
O desafio, agora, é escoar essas produções ao público. Ainda há uma "barreira invisível" no meio editorial brasileiro com relação a esse tipo de produção científica.
 
Alguns pesquisadores já conseguiram furar esse bloqueio, entre os quais me incluo.
 
Mas são (somos) exceções.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h19
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Brasileiro é intimado a explicar charge sobre o Pan

A charge acima levou o desenhista carioca Carlos Latuff a ser foi intimado a "prestar esclarecimentos" à Delegacia de Repressão aos Crimes de Propriedade Imaterial.
 
O motivo da intimação era uso indevido de marca.
 
O desenho fazia uma crítica à suposta violência do Estado na preparação dos Jogos Pan-Americanos, realizados no mês passado no Rio de Janeiro.
 
O mascote dos Jogos, Cauê, é mostrado com um fuzil em punho, pouco à frente de um camburão da polícia, apelidado de "caveirão".
 
A intimação era para que o desenhista comparecesse à delegacia, em São Cristóvão, no Rio, no dia 26 de julho.
 
Latuff diz que foi dois dias antes, data em recebeu em casa a notificação.
 
A intimação é reproduzida ao lado. Segundo o desenhista, a parte em negrito esconde o endereço dele.
 
Não é a primeira vez que desenhos de Carlos Latuff causam polêmica.
 
No ano passado, militantes do Likud, o partido conservador de direita ligado a Israel, fez um manifesto contra ele.
 
O texto dizia que os desenhos de Latuff eram "cartuns satânicos" e pedia que os simpatizantes se unissem contra o trabalho do brasileiro, que circula principalmente por uma rede de sites da internet.
 
Latuff havia desenhado Tio Sam, personagem-símbolo dos Estados Unidos, aplaudindo um militar israelense, que segurava uma bomba sobre crianças libanesas da cidade de Qana.
 
A bomba trazia os dizeres "From Israel with Love" (De Israel com amor). Latuff dedicou os desenhos às vítimas.
 
Na semana passada, outro desenho dele gerou problemas na Espanha. Uma charge parodiava a publicidade da Benetton para criticar o governo do presidente dos Estados Unidos George W. Bush.
 
A charge, que estampava a capa do fanzine "Begó!Madrid", foi barrada numa galeria de Madri.
 
A notícia da intimação já repercutiu em alguns sites especializados em mídia, como o Portal Imprensa e o Mídia Independente.
 
O blog está em contato com Latuff  desde o começo do mês.
 
Embora já tenha dado uma entrevista a este blog em setembro de 2006 (leia aqui), ele é muito cauteloso em conversar com jornalistas.
 
Após quatro trocas de e-mails, Latuff concordou em conceder a entrevista, feita também por e-mail. A conversa está na postagem abaixo.
 
Antes disso, o outro lado.
 
O Blog tenta entrar em contato com a doutora Valéria de Aragão Sádio, autora da intimação, desde o fim da semana passada.
 
Foram seis tentativas, a última nesta terça-feira, às 14h05. Em todas, o telefone chama várias vezes, mas ninguém atende.
 
Continua na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h17
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Brasileiro é intimado a explicar charge sobre o Pan

Parte 2

Entrevista: Carlos Latuff
 
Blog - Quem fez a intimação? A delegacia ou outra  pessoa/entidade?
Carlos Latuff - A intimação veio da Delegacia contra Crimes Imateriais, de parte da delegada Valéria de Aragão Sádio, e foi entregue por dois policiais que bateram na porta da minha casa. Um deles, sorridente, com a intimação na mão, me disse "Já sabe até o que é né?"

Blog - Qual foi a justificativa da intimação que o levou à Delegacia de Repressão aos Crimes Contra Propriedade Imaterial?
Latuff - "Uso indevido de marca", ou seja, utilização do mascote do Pan (Cauê) para outros fins que não aqueles para os quais ele foi criado, em suma, violação direitos autorais, que é uma das especialidades desta delegacia.
 
Blog - Seu depoimento durou quanto tempo? 
Latuff - Meu depoimento não durou muito tempo. Assim que os policiais chegaram a minha residência, eu inclusive estava de saída pois tinha um compromisso, resolvi ir direto à delegacia para prestar os esclarecimentos.
 
Blog - A delegacia queria saber exatamente o quê?
Latuff - Basicamente confirmar a autoria da ilustração, o que me levou a criá-la, questões genéricas.

Blog - Qual foi sua resposta?
Latuff - Assumi, é claro, a criação da charge, feita em 2006. A imagem inclusive é assinada.

Blog - O que acontece juridicamente a partir de agora? Você contatou algum advogado ou consultou alguém sobre o assunto?
Latuff - Pelo que sei não houve autuação ou indiciamento. Tudo o que assinei naquela delegacia foi o meu próprio depoimento. Caso seja necessário, buscarei assistência jurídica.

Blog - A entrevista anterior [ao Portal Imprensa, em 26 de junho] esclarece, mas gostaria de ouvir de você: como você analisou esse episódio?
LatuffO mascote do Pan foi alvo de sátiras por parte do cartunista Aroeira, do jornal "O Dia", e mesmo do programa Pânico da Rede TV, sem que nenhum deles tivesse sido intimado a comparecer a delegacia. Entendo se tratar de uma represália por parte do Estado, nem tanto em relação a charge em si, mas sim a quem a reproduziu, a Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, que tem denunciado abusos por parte da polícia carioca em recentes operações no Complexo do Alemão e demais comunidades.
 
 

Blog - E na Espanha [imagem acima]? O que ocorreu exatamente?
Latuff - O designer gráfico Robert Vandenbego foi barrado numa galeria de arte em Madri, onde iria distribuir gratuitamente exemplares de seu bem produzido zine "Begó!Madrid". Tudo porque a galeria alegou que a ilustração de capa, uma fotomontagem que fiz em 2004 intitulada "United Colors of Bush", era de "mal gosto e anti-americana".

Blog - Isso, de alguma forma o desanima?
Latuff - Nem um pouco. Ao contrário. Se minhas imagens tem produzido ações e reações, é porque é arte viva, que espeta, que alfineta, que não é apenas estéril decoração multi-colorida.
 
Blog - Você procura fazer militância por meio da charge. Como você interpreta o papel do chargista?
Latuff - Já nem sei se poderia dizer que se trata de militância, sabe. Acho que é o mínimo que qualquer pessoa pode fazer. É que a ignorância, o conformismo, o império do senso comum, o capital sobre o social, tudo isso tem sido tão vendido como verdade absoluta, que quem decide remar contra essa maré acaba sendo visto como militante.

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Escrito por PAULO RAMOS às 13h07
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06/08/2007

Álbuns trazem o humor inovador de Allan Sieber e André Dahmer

Os norte-americanos têm o crédito de terem popularizado no mundo o formato fixo da tira cômica. Mas a renovação delas não é mérito exclusivo deles.
 
Os brasileiros têm muito a acrescentar nesse quesito.
 
Já não fossem suficientes os exemplos tradicionais de Laerte (autor de Piratas do Tietê) e de Caco Galhardo (Pescoçudos), há uma nova geração virtual, que começa a migrar para edições reais.
 
É o caso de André Dahmer e de Allan Sieber, que lançam nesta semana dois álbuns de tiras editados pela Desiderata.
 
É um humor novo, politicamente incorreto, mas inovador no processo de criação de tiras.
 
Dahmer, designer de 32 anos, se tornou conhecido por causa da tira "Malvados", publicada a partir de 2001 na internet e, depois, no "Jornal do Brasil", do Rio de Janeiro.
 
"Malvados" fica de fora de "O Livro Negro de André Dahmer (R$ 19,90, 112 págs.). O foco está em outros trabalhos virtuais dele, que não tem tema nem personagens fixos.
 
Ora são relações humanas, ora são situações surreais e provocadoras. Há uma clara tentativa de tatear novos caminhos para a tiras que produz. 
 
E Dahmer consegue superar a restrição do tamanho necessariamente limitado da história.
 
O mesmo vale para Allan Sieber, um gaúcho de 35 anos que adotou o Rio de Janeiro para morar. Se bem que, para Sieber, o rótulo de inovador já é notícia velha.
 
Ele tem construído tiras "fora do comum" há alguns anos. A que mais destoa -e isso é positivo- é a série "The Allan Sieber Talk to Himself Show", em que entrevista a si mesmo.
 
"Mais Preto no Branco" (R$ 19,90, 112 págs.) traz algumas seqüências do show exibido no curto espaço da tira.
 
Uma delas merece menção. É quando Sieber passou a publicar tiras na edição de domingo da "Folha de S.Paulo", onde está até hoje.
 
Ele comenta consigo mesmo: "Achei que levaria mais tempo para você se vender, boneca".
 
Vendido ou não, o livro traz algumas das histórias publicadas no jornal, outras do site Minitonto e algumas inéditas.
 
O que pontua todas elas é a capacidade inesgotável que Sieber tem de inovar a cada nova tira e a pensada provocação nos temas e no humor, assim como ocorre com Dahmer.
 
A Desiderata, editora carioca que relançou o "Pasquim", anunciou os dois álbuns como sendo os primeiros de uma coleção de autores brasileiros calcados no humor negro (por isso as capas pretas). A editora escolheu bem as estréias.
 
Os dois fazem um lançamento dos álbuns nesta terça-feira às 19h na Travessa Ipanena, no Rio de Janeiro (rua Visconce de Pirajá, 572, Ipanema).

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Escrito por PAULO RAMOS às 20h20
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Álbum com primeiras tiras de Calvin sai em setembro

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capa do novo livro da dupla, criada por Bill Watterson
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A editora Conrad anunciou para setembro o lançamento de mais um álbum com Calvin e Haroldo. A edição vai trazer as primeiras tiras da dupla, criada em 1985 por Bill Watterson.
 
As histórias já tinham sido publicadas no Brasil nos jornais e em outro álbum, lançado em 1987 pela Cedibra.
 
O desenho da capa e o conteúdo eram os mesmos deste livro da Conrad. A diferença está na edição e na tradução, que foi refeita.
 
O álbum é o segundo lançado pela Conrad. Em fevereiro deste ano, a editora publicou "O Mundo é Mágico" (leia aqui), o último álbum inédito da série, que deixou de ser produzida em 1995.
 
Esta nova edição vai custar R$ 29,90 e terá 128 páginas em preto-e-branco. O formato é quase quadrado, 21,5 cm por 22,7 cm, como no original.
 
A programação da Conrad é lançar dois livros de Calvin por ano.

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h04
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Ilustra Brasil! mescla experiência de Sábat com a de brasileiros

O Ilustra Brasil 4 conseguiu uma peculiar mistura sul-americana.
 
O principal evento da área de ilustração no país terá oficinas e palestras de profissionais brasileiros mescladas à experiência do desenhista Hermenegildo Sábat, o destaque internacional desta nova edição.
 
O desenhista uruguaio, naturalizado argentino, faz ilustrações há quase três décadas para o jornal "Clarín", de Buenos Aires (leia mais sobre ele aqui).
 
O evento de ilustração tem início nesta segunda-feira à noite, em São Paulo, com a abertura da exposição. A mostra terá 94 trabalhos de desenhistas brasileiros.
 
A largada para os bate-papos e oficinas é amanhã, quando ocorre a palestra com Sábat, hoje com 74 anos.
 
A palestra dele começa às 20h. Vai ser no Senac Scipião (rua Scipião, 67, Lapa).
 
A entrada é franca, mas os organizadores pedem que as inscrições sejam feitas com antecedência no local.
 
A mesma orientação vale para as demais oficinas e palestras, que serão dadas pelos desenhistas brasileiros até o fim de setembro em unidades paulistanas do Senac.
 
Entre os participantes, estão Spacca, Guazzelli, Gabriel Bá, Fábio Moon e Daniel Bueno.
 
A programação completa pode ser vista no site da SIB (Sociedade Brasileira dos Ilustradores), que organiza o evento (para acessar, clique aqui).
 
As últimas edições do Ilustra Brasil! foram vencedoras do  Troféu HQMix, principal premiação de quadrinhos do país.

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Escrito por PAULO RAMOS às 14h38
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05/08/2007

Álbum de luxo relança primeiras histórias do Homem-Aranha

As primeiras histórias do Homem-Aranha já foram publicadas mais de uma vez no Brasil. Mas não no formato de luxo lançado, nesta virada de semana (Panini, R$ 53).

A edição, de 250 páginas, foi feita com papel especial, em cores e com capa dura.

A obra integra a coleção "Biblioteca Histórica Marvel", que relança material clássico da editora norte-americana.

Esta edição traz histórias do surgimento do herói. A estréia foi na revista "Amazing Fantasy", de agosto de 1962.

O criador do personagem, Stan Lee, diz na introdução do álbum de luxo que o Homem-Aranha só não foi publicado inicialmente num título próprio porque competia com vários anti-rótulos heróicos.

O personagem dialogava com a fraqueza: vivia com a tia, era adolescente (faixa etária reservada até então aos parceiros dos grandes heróis), era excessivamente problemático.

Lee conta que insistiu. Lançou a história do adolescente tímido e estudioso que é picado por uma aranha radioativa, acidente que confere a ele poderes extraordinários.

Peter Parker, alter-ego do herói, tenta aproveitar os poderes para ganhar dinheiro, e não no combate ao crime. Tem a chance de impedir a fuga de um assaltante, mas não o barra.

É o mesmo criminoso que, depois, iria assassinar o tio de Parker, Ben. Da tragédia, ele aprende a lição que irá motivar sua carreira de super-herói: com grandes poderes, vem grandes responsabilidades.

A história é a base de parte do primeiro filme do Homem-Aranha, lançado em 2002.

A persistência de Lee deu resultado. O lado anti-herói do personagem gerou empatia. A revista vendeu bem –até demais- e o herói conquistou um título próprio em março do ano seguinte, "Amazing Spider-Man".

Os primeiros dez números da série compõem o restante do álbum da Panini, programado para ser vendido em lojas especializadas em quadrinhos e livrarias.

As histórias marcam a estréia de vilões que passaram a acompanhar o herói desde então, como o Abutre, Doutor Octopus, Homem-Areia e o Lagarto. Os desenhos são de Steve Ditko, co-criador do personagem.

As histórias, nesta primeira década de século 21, podem parecer ingênuas. Mas são clássicas. Mostram o ponto de partida do herói, que se tornou uma das maiores vendas da Marvel, algo que continua até hoje.

A editora Panini lançou no início de julho um outro álbum da série "Biblioteca Histórica Marvel" com as primeiras aventuras do Quarteto Fantástico. Leia mais aqui e aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 17h04
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Que discurso você está reproduzindo? Será realmente seu?

Já há pesquisas lingüísticas suficientes para dar crédito à premissa de que o texto, qualquer texto, é um meio de reprodução de discursos. Resta saber quais discursos são esses.

As palavras e expressões utilizadas dão boas pistas.

Um exemplo clássico é a construção "MST invade fazenda" ou "MST ocupa fazenda". Esta tende a ser pró-sem-terra. A outra destaca no verbo "invadir" o conteúdo de ilegalidade da ação e, por conseqüência, do movimento.

As duas frases reproduzem termos diferentes, que explicitam discursos diferentes, com pontos de vistas diferentes.

Há algumas semanas, este blog questionou que discurso estamos reproduzindo neste momento no país, principalmente após o acidente com o avião da TAM em Congonhas, no dia 17 de julho, que matou 199 pessoas.

O assunto é delicado por si só, dada a dor que é a perda de qualquer vida, ainda mais de forma trágica. Isso tende a tornar mais emocionais discussões sobre o assunto, que tiram a necessária racionalidade da análise.

Há também a necessidade de um distanciamento histórico para permitir uma investigação das reais causas e conseqüências dos eventos que presenciamos.

Mas, mesmo sem o distanciamento histórico e a leitura nublada pela emocionalidade vivida pela sociedade, é possível enxergar que há algo no ar. E não é no ar dos aeroportos brasileiros.

Em terra firme, duas mil pessoas (números da Polícia Militar) fizeram nesse sábado um protesto em São Paulo contra a corrupção e contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outras capitais repetiram o gesto.

Cidadãos irem à rua para dar voz a qualquer queixa é algo próprio do sistema democrático e é um recurso ainda pouco utilizado no Brasil (em comparação, a título de exemplo, com os tradicionais panelaços argentinos).

O protesto –e o direito de fazê-lo- tem de ser democraticamente respeitados, mesmo que, eventualmente, haja divergência de opiniões. Mas os motivos que levaram a esse protesto específico revelam algo vago e contraditório.

O protesto paulistano foi organizado por meio do Orkut. Embora o Brasil seja o líder mundial de usuários do site de relacionamentos, quantos brasileiros possuem o sistema? A minoria. A maioria nem sequer possui computador, vítima da rotulada exclusão digital.

Outro ponto da argumentação do protesto: os manifestantes vaiaram o governo federal, na figura do presidente, e gritaram frases como "Fora Lula".

Ao mesmo tempo, deixaram claro que não se tratava de uma manifestação que procurasse dar um "golpe" no presidente.

A mesma contradição argumentativa é vista no movimento do "Cansei", encabeçado por parte da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e incentivado por empresários paulistanos, alguns ligados ao PSDB.

O verbo "cansei", na primeira pessoa do pretérito perfeito, é intencionalmente vago, posto que não explicita o seu objeto indireto. Cansei do quê?

Encaixa-se no complemento do verbo tudo o que for ruim, inclusive o subentendido lingüístico de um cansaço do atual presidente, eleito democraticamente há menos de um ano.

Reforça essa interpretação de contradição nos argumentos pesquisa do Datafolha noticiada neste domingo no jornal "Folha de S.Paulo".

O índice de aprovação ao presidente Lula está em 48%, mesmo número registrado em março, antes do acidente com o avião da TAM.

A pesquisa mostra também que a aprovação de Lula caiu sete pontos entre os mais ricos, com renda superior a R$ 3.500.

Entre os mais pobres, com até cinco salários-mínimos (R$ 1.750), a aprovação subiu dois pontos. 

A história, sábia conselheira, sempre tem a melhor e mais precisa leitura dos fatos.

Mas do que se lê e se vê no calor dos acontecimentos, os fatos revelam que esses protestos são: democraticamente justificáveis, contraditórios e vagos nos argumentos centrais e feitos por uma minoria, dona de poder aquisitivo mais alto e de fácil acesso aos meios de comunicação.

Que discurso estamos reproduzindo?

O pesquisador da USP (Universidade de São Paulo) Flávio Aguiar arrisca uma resposta em artigo publicado na edição deste domingo do jornal "O Estado de S. Paulo".

Ele dá uma outra interpretação ao termo "golpe". Não se trataria, no entender dele, de uma tomada de poder, mas de um golpe de desgaste de condições administrativas da atual gestão, promovido por quem perdeu a eleição presidencial de 2006.

A voz desse movimento –ou desse discurso- seria vista na e pela mídia. Nas palavras dele:

"No presente momento, as chamas da tragédia em Congonhas ainda queimavam, e já havia dizeres no ar e artigos acusando o governo de ´assassino´, interpretação que as primeiras investigações descartaram."

Segundo ele, é assim desde o fim do segundo governo do ex-presidente Getúlio Vargas.

Rodrigo Sá Motta, em "Jango e o Golpe de 64 na Caricatura" (editora Jorge Zahar), mostra um detalhado levantamento de como as charges veiculadas nos jornais da década de 1960 contribuíram para o brasileiro formar uma imagem negativa do ex-presidente João Goulart, deposto pelos militares em 1964.

Os desenhos dos jornais o reproduziam como um bobo. Motta diz que isso não teve necessariamente a ver com o golpe, mas contribuiu para a passividade dos brasileiros com a deposição de Jango. Afinal, "era um bobo".

A história se encarregou de desnudar o discurso por trás do desgaste de Goulart e as conseqüências disso para a vida democrática brasileira.

Pierre Bordieu, no livro "Sobre a Televisão" (Jorge Zahar), aborda o tema de outro ângulo. Ele postula duas premissas.

Primeira: a televisão, objeto da análise dele, é responsável pela criação da realidade dos acontecimentos. A TV é a principal fonte de informação na maioria dos países.

Segunda premissa: essa criação de realidade é permeada por discursos, que chegam enviesados à população.

Bordieu vê no mecanismo um risco à democracia e à saúde política de um país.

A história irá responder a tudo com mais precisão.

Mas não custa questionar que discurso estamos reproduzindo antes de emitirmos qualquer opinião -democraticamente soberana e respeitada, qualquer que seja ela- sobre os últimos acontecimentos.

Será que a opinião é realmente sua ou é o discurso de outrem camuflado na sua voz?

Novamente, a história dirá.

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Escrito por PAULO RAMOS às 09h02
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04/08/2007

Grupo da Maturi vai lançar revistas sobre histórias do RN

O Grupehq, que publica a revista independente "Maturi" (ao lado), programa lançar edições em quadrinhos com lendas e histórias ligadas à cultura do Rio Grande do Norte, estado onde o grupo atua.

As revistas terão 44 páginas e material colorido. Serão produzidas com verba vinda de patrocínio e de lei estadual de incentivo à cultura.

"Faremos quatro ou cinco edições durante um ano", diz, por e-mail, Márcio José Monteiro Coelho, desenhista e presidente do Grupehq, sigla do Grupo de Pesquisa e História em Quadrinhos.

"Será uma Maturi cultural. Estamos na fase de decidir as histórias que entrarão no primeiro número", diz.

Coelho trabalha com a idéia de que o número de estréia saia em setembro ou outubro.

As novas revistas consolidam a volta dos integrantes do Grupehq aos quadrinhos, processo reiniciado com o lançamento da "Maturi", em junho.

A revista traz seis histórias e tiras de diferentes personagens, entre elas uma raridade: Traças (abaixo), feita por Cláudio Oliveira, chargista do jornal paulistano "Agora".

Os desenhistas não lançavam a "Maturi" desde fevereiro de 1987, cancelada por problemas financeiros. A primeira edição é de 1976. A publicação chegou a ter participação de Henfil.

O grupo lançou também outras obras independentes e teve participações em jornais do Rio Grande do Norte.

É o caso do suplemento dominical só com quadrinhos nacionais, que circulou por dois anos no jornal "O Poti". Como os autores não ganhavam nada pelo serviço, passaram a procurar outras formas de ganhar a vida.

A volta da revista foi motivada pelo surgimento de publicações independentes em diferentes regiões do país e pela necessidade de o grupo produzir algo próprio, de visibilidade.

Hoje, o grupo tem seis integrantes: Coelho, Luiz Élson, Ivan Cabral, Gilvan Lira, Emanoel Amaral e Williandi, autor da imagem acima, publicada na última "Maturi".

À exceção de Lira, nenhum deles vive exclusivamente dos desenhos que fazem. Coelho, por exemplo, é funcionário público em Natal, cidade onde mora.

Ele é formado em Educação Artística, mas trabalha com desenho técnico na área de indústrias. Os pais queriam que fosse doutor ("coisas de pais", diz).

"Quando éramos jovens, tínhamos todo o tempo a nosso favor", diz Coelho, hoje com 42 anos. "Desenhávamos e editávamos a revista, bem como saíamos para vendê-las. Hoje, somos mais acomodados."

Ele diz que os integrantes da "Maturi" são uma geração sem ambição. "Nenhum de nós ambicionava ser desenhista da Marvel ou da DC [principais editoras norte-americanas de super-heróis]."

Havia, segundo ele, a vontade de publicar nos grandes centros brasileiros. O que faziam e voltaram a fazer, e isso fica claro nas palavras dele, é por puro amor à arte.

O grupo se mantém em sistema de cooperativa. Todo mês, cada um paga uma espécie de "dízimo", que vai para uma conta conjunta.

"A idéia é que a cooperativa consiga editar trabalhos individuais de seus membros."

Há também um conselho editorial, que terá a função de orientar a edição de quadrinhos de eventuais futuros integrantes do Grupohq. As reuniões são mensais.

"Algumas reuniões chegam a pegar fogo, tamanha é a discussão de pontos discordantes, nem todos têm a mesma visão sobre o sistema de cooperativa e colaboração dentro do grupo", diz.

"Mesmo assim, nós nos mantemos fiéis à idéia de fazer quadrinhos, principalmente autorais." Quanto à "Maturi", há vontade de torná-la uma publicação regular.

"Para isso, precisamos que o dinheiro retorne para a cooperativa (depois das vendas) para que possamos investi-lo em outras revistas coletivas ou trabalhos individuais", diz Coelho.

Um jeito de comprar a revista independente é por e-mail: marciojcoelho@hotmail.com ou mjmonteiro@rn.gov.br . O custo é R$ 7, já incluído o frete.

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Escrito por PAULO RAMOS às 12h39
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Agenda cheia para os salões de humor brasileiros

Há uma ebulição de inscrições e seleções para salões de humor neste início de semestre. Alguns já fazem parte do calendário do humor gráfico nacional. Outros estão na 1ª edição.

É o caso do 1º Salão Internacional de Humor pela Floresta Amazônica, que recebe trabalhos até o dia 31 deste mês.

Segundo o texto de apresentação do salão, a proposta é dar um "grito alucinado ante o horror da derrubada de árvores que pode ter efeitos trágicos para toda a população do planeta".

O salão é organizado pelo Brazilcartoon, criado pelo cartunista mineiro Márcio Leite. O primeiro colocado leva um prêmio de R$ 10 mil. O vencedor será divulgado em outubro.

As inscrições são por meio do site do Brazilcartoon (clique aqui).

Outra mostra internacional começou a receber inscrições nesta semana. O Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco aceita trabalhos até o dia 1º de setembro.

São cinco categorias cartum, caricatura, quadrinhos, charge e ilustração editorial. Cada um dos premiados recebe R$ 6 mil.

O evento ocorre entre 16 de setembro e 7 de outubro, em Recife, e é promovido pela Acape (Associação dos Cartunistas de Pernambuco).

As inscrições são pelo site do evento (aqui).

Sem prêmio em dinheiro, mas com uma causa nobre e uma proposta de exposição dos trabalhos. É o mote do "Arte pela Paz", do Centro de Estudos Filosóficos Iluminatis.

Há cinco categorias: desenho ou pintura, ilustração, charge, cartum e tiras. Os trabalhos podem ser enviados até o dia 15 deste mês para o site do Iluminatis (clique aqui). O tema é "A paz é a gente que faz".

Até este momento, a página mostra oito desenhos inscritos. A votação dos melhores é feita pelos internautas e vai de 15 de agosto a 15 de setembro.

Depois, os desenhos escolhidos são mostrados numa exposição virtual e em outra, real, na Biblioteca Municipal de Sorocaba, cidade do interior de São Paulo.

E neste fim de semana ocorre a seleção dos 220 trabalhos que farão parte da exposição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o principal do país.

Segundo a assessoria do evento, havia até o meio da semana cerca de dois mil trabalhos inscritos. Os vencedores serão divulgados no dia 25 de agosto, data do início da 34ª edição do salão de humor.

Participam do júri os desenhistas Alcy, Fausto Longo, JAL, Luís Gê, Paulo Caruso e a pesquisadora e especialista em quadrinhos Sônia Bibe Luyten.

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Escrito por PAULO RAMOS às 11h54
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03/08/2007

Dois jeitos de ver a exposição com ilustrações de revistas da Abril

 
Há duas maneiras de ver "Ilustrando em Revista", exposição  que mostra quatro décadas de desenhos publicados em 47 publicações da editora Abril.
 
Uma delas é assistir in loco. Até o dia 26 de agosto, os 506 trabalhos originais estão à mostra no Museu de Artes e Ofícios de Belo Horizonte, em Minas Gerais.
  
A outra forma é por meio da internet. A página virtual do "Ilustrando em Revista" mostra trabalhos de cada um dos 177 ilustradores participantes.
 
Um deles é o que abre esta postagem, feito por Fortuna (1931-1994).
 
O desenho ilustrou uma crônica do Analista de Bagé escrita por Luis Fernando Verissimo para a "Playboy" em fevereiro de 1982.
 
Há também trabalhos de outros nomes conhecidos na área de quadrinhos, como Caco Galhardo, Fernando Gonsales, Adão Iturrusgarai, Gabriel Bá, Fábio Moon e Ziraldo.
 
O site traz também fotos, informações e um link para quem quiser comprar o catálogo da mostra (R$ 40 e tem 196 páginas).
 
A exposição intinerante, criada por ilustradores da Abril, fez a primeira exibição em público em 2004, em São Paulo. Depois, viajou para Brasília e cidades do interior paulista.
 
O Museu de Artes e Ofícios fica na Praça Rui Barbosa, sem número, no centro de Belo Horizonte.
 
Para acessar o site do "Ilustrando em Revista", clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h22
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Estácio de Sá desiste de criar graduação em quadrinhos em 2007

A Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, não vai mais oferecer neste ano o curso de graduação em quadrinhos, que seria o primeiro do gênero no país.
 
O nome da Graduação em Produção de Charges, Cartuns e Histórias em Quadrinhos já não aparece no site da Estácio de Sá.
 
No serviço telefônico de inscrição, a orientação é que o futuro candidato aguarde até outubro, mês em que começa a oferta de novos cursos.
 
O atendente não soube informar se a graduação será oferecida em 2008. Também não soube dizer quem poderia responder à questão.
 
O blog contatou, por e-mail, Hélio Lopes, que era coordenador da graduação em quadrinhos. Ele confirma que o curso não sai em 2007. Mas não tem informação se será incluído na grade em 2008.
 
O curso ainda não conseguiu formar nenhuma turma. A primeira tentativa foi em agosto do ano passado, sem sucesso.
 
As inscrições foram adiadas para outubro e, depois, para o início deste ano, também sem resultado. Na época, a universidade exigia entre 30 e 50 alunos para formar uma turma.
 
A Estácio de Sá não pedia vestibular ou prova específica para ingresso no curso, pensado para durar dois anos.
 
Clique aqui para ler como o curso tinha sido imaginado.
 
Post postagem: Hélio Lopes, o coordenador do curso, deixou um comentário nesta postagem no dia 4 deste mês, às 20h10. Ele traz uma informação nova.
 
Lopes diz que foi contatado pela universidade para oferecer a graduação em quadrinhos no primeiro semestre de 2008. Fica o registro.

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Escrito por PAULO RAMOS às 12h26
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02/08/2007

Legião dos Super-Heróis volta em nova revista mensal da DC

A capa de "Os Melhores do Mundo" estampa uma curvilínea Mulher-Maravilha, heroína que aparece logo na primeira história. O destaque da edição de estréia do título, no entanto, está na aventura final, da Legião dos Super-Heróis.
 
A revista mensal, que começou a ser vendida nesta semana (Panini, R$ 6,90), marca a volta do supergrupo aos leitores brasileiros. Fazia anos que a equipe não era incluída em algum título.
 
Não sem razão. A trajetória do grupo nas duas últimas décadas foi pautada por sucessivas tentativas de firmar novamente a equipe no primeiro escalão da editora norte-americana DC Comics.
 
As aventuras da equipe do futuro avançaram alguns anos, voltaram no tempo (após a minissérie "Zero Hora", que "arrumou" a cronologia dos personagens da editora), recomeçaram uma vez mais.
 
Ficava sempre na tentativa. As histórias não conseguiam superar a sombra das aventuras criadas no início dos anos 1980 pelo desenhista Keith Giffen e o escritor Paul Levitz, hoje funcionário do alto escalão da DC.
 
A dupla produziu uma seqüência de histórias, tida até hoje como a melhor fase do grupo, inspirado na lenda do Super-Homem.
 
Essas aventuras foram publicadas no Brasil pela editora Abril nas revistas "Super-Homem" e em algumas edições de "Superpowers", publicação lançada a cada três meses.
 
A nova fase, que começa a ser publicada agora no Brasil, é mais uma tentativa de recomeço. É produzida por duas pessoas que têm afinidade com os personagens.
 
A série é escrita por Mark Waid, ex-editor e ex-escritor da Legião. Os desenhos são de Barry Kitson, responsável por L.E.G.I.Ã.O., versão baseada no grupo, embora diferente.
 
A julgar por esta primeira história, a dupla acerta o passo. Produz uma série melhor que as versões anteriores, embora fique aquém, uma vez mais, do material de Levitz e Giffen.
 
A trama tem início no número 16 do título norte-americano, quando os heróis se encontram com a Supermoça. É um bom ponto de partida para novos leitores.
 
Segundo a Panini, não há planos por enquanto de publicar as primeiras 15 edições, também feitas por Waid e Kitson.
 
"Os Melhores do Mundo" traz também histórias do Flash, que tem um novo herói vestindo o uniforme do herói veolcista, e de Íon, nova forma do ex-Lanterna Verde Kyle Rainer.
 
Além, claro, da Mulher-Maravilha, que estampa também a capa da segunda edição, a ser lançada este mês.

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h23
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Baptistão vence prêmio internacional de liberdade de imprensa

O desenhista Eduardo Baptistão foi um dos 12 vencedores do Prêmio de Liberdade de Imprensa. Ele ganhou na categoria caricaturas.
 
O trabalho vencedor (ao lado) retrata o jogador Ronaldinho Gaúcho.
 
Outro desenhista brasileiro, Cláudio Duarte, do jornal carioca "O Globo", recebeu uma das menções honrosas do prêmio, que envolve todas as Américas.
 
Baptistão vai receber US$ 2 mil (quase R$ 4 mil). A cerimônia de premiação vai ser entre 12 e 16 de outubro em Miami, nos Estados Unidos.
 
A entrega será durante assembléia da SIP, Sociedade Interamericana de Imprensa, organizadora do prêmio. A entidade se dedica à liberdade de expressão nas Américas.
 
Este é o segundo prêmio recebido por Baptistão neste ano. Ele foi escolhido melhor caricaturista no último Troféu HQMix (leia aqui e aqui).
 
Baptistão faz ilustrações para o jornal "Estado de S. Paulo". Ele também mantém um blog com trabalhos seus, de onde foi reproduzida a imagem desta postagem.
 
Para acessar, clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 14h25
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01/08/2007

Lenda maranhense vira tema de história em quadrinhos

Era uma vez uma viúva muito poderosa e de maldosa. Maltratava escravos, azucrinava quem se destacava mais do que ela. A mulher, chamada Ana Jansen, morava em São Luís, no Maranhão.
 
Reza a lenda que, depois de morrer, foi condenada a vagar por toda a eternidade pelas ruas da cidade numa carruagem nas madrugadas de sexta-feira. 
 
Cavalos sem cabeça puxavam a carruagem.
 
A quem se aproximava, a falecida viúva oferecia uma vela e dizia: "Segura e me mostra o caminhooo".
 
A história -uma das mais conhecidas entre os moradores de São Luís- ganhou forma e eco em outros estados na história em quadrinhos "A Lenda da Carruagem Encantada de Ana Jansen".
 
A revista, de 32 páginas, não está à venda. Ela foi produzida para ser distribuída de graça nas escolas da capital maranhense.
 
Segundo o autor, Beto Nicácio, o contato dos alunos com a obra já começou.
 
"[A adaptação] Possui elementos muito interessantes para usar pedagogicamente", diz Nicácio, que já publicou trabalhos em revistas em quadrinhos nacionais (como a extinta "Metal Pesado") e em vários salões de humor.
 
Ele elenca aspectos como a relação de poder, o papel da mulher, o confronto étnico e a questão  cultural do Maranhão como pontos de partida para práticas a serem aplicadas em sala de aula.
 
"São Luís é uma cidade bastante rica particularmente nas lendas", diz o desenhista de 36 anos, que nasceu em Morros, no interior do estado. 
 
Ele apresenta outras duas lendas no fim da revista, feita com verba de incentivo à cultura do Banco do Nordeste. 
 
A idéia, diz, surgiu num projeto de graduação do curso de Artes Plásticas. Até chegar a essa versão, foram cinco meses entre produção e pesquisa de livros e dos relatos orais que aparecem na obra.
 
O levantamento feito por ele mostrou que Ana Jansen realmente existiu e que realmente exerceu influência política em São Luís, onde nasceu em 1787. Teve 11 filhos. Morreu em 1869, aos 82 anos.
 
Segundo Nicácio, que também é sócio de uma agência de publicidade, Jansen foi vítima de muitas calúnias, infladas pela lenda que persiste na cidade.
 
Ele levanta a hipótese de que ela talvez não tenha sido tão má assim.
 
O site Bigorna, que noticia quadrinhos e cultura pop, disponibilizou algumas páginas da obra. É um jeito de ter contato com a revista, já que não será vendida. Para ler, clique aqui.
 
Um registro pessoal: essa história me lembrou da lenda da "loira do banheiro", que assustou muitos alunos nos tempos de escola.
 
Lembra dessa?

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Escrito por PAULO RAMOS às 18h49
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Uma pergunta para ser feita a Angeli

O desenhista Angeli participa nesta quinta-feira, em São Paulo, de um bate-papo sobre quadrinhos e humor. 

Laerte e Glauco, que fizeram com ele as histórias de "Los Três Amigos", também integram a mesa redonda.

Uma boa pergunta para alguém da platéia fazer a Angeli é se ele matou mesmo Meiaoito, um militante comunista criado por ele que acreditava na tomada do poder via revolução.

O desenhista publicou uma tira no dia 20 de julho, na "Folha de S.Paulo", que mostra o personagem sendo atropelado e esmagado por um caminhão da Coca-Cola (veja a tira aqui).

Meiaoito, aparentemente, morreu.

Este blog tentou ouvir Angeli sobre o assunto, sem sucesso.

O bate-papo de amanhã é uma das raras chances de ouvir o desenhista. Inclusive sobre esse assunto.

Fica a sugestão de pergunta a quem for.

O bate-papo começa às 19h. Vai ser na gibiteca do Centro Cultural Sesi Vila Leopoldina, em São Paulo (rua Carlos Weber, 835). O evento é gratuito.

Em tempo: ocorre nesta quarta-feira uma outra mesa redonda. Vai ser às 18h no Centro Cultural Oi Futuro, no Rio de Janeiro (rua Dois de Dezembro, 63, no Flamengo). A entrada é franca. 

Participam da mesa Ota (ex-editor da "Mad" e autor da tira "Don Ináfio"), Carlos Patati (um dos autores do livro "Almanque dos Quadrinhos"), Heitor Pitombo (jornalista especializado), entre outros nomes ligados à área. 

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Escrito por PAULO RAMOS às 10h23
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