31/08/2007
Congresso de comunicação tem sala temática sobre quadrinhos
Categoria: NOTÍCIA
31/08/2007
Congresso de comunicação tem sala temática sobre quadrinhos
O Intercom, principal congresso do país na área de comunicação, vai ter uma sala temática sobre histórias em quadrinhos na edição deste ano.
O congresso é realizado em Santos, no litoral de São Paulo. Os trabalhos começaram na última quarta-feira e vão até o próximo domingo, quando ocorre a apresentação dos trabalhos sobre quadrinhos.
Seis pesquisadores de diferentes instituições de ensino do país vão participar da sala temática. Cada um apresentará um estudo diferente.
O Intercom já teve um núcleo de pesquisas de quadrinhos. Mas foi extinto há alguns anos. O grupo de pesquisadores não conseguiu se adequar às novas regras do congresso.
O Intercom passou a exigir que cada núcleo tivesse oito doutores com trabalhos ligados à área. Na época, os pesquisadores conseguiram a adesão de apenas seis doutores.
O grupo vê na mesa temática -sediada na área de produção editorial- o primeiro passo para recriar o núcleo de pesquisas no Intercom do ano que vem.
O congresso ocorre na Unisantos (Universidade Católica de Santos). A exposição dos trabalhos, no próximo domingo, vai ser das 14h às 17h.
A participação, em princípio, é restrita a quem se inscreveu no Intercom. Mas é comum eventos assim aceitarem ouvintes. A Unisantos fica na Av. Conselheiro Nébias, 300.
Categoria: NOTÍCIA
As diferentes portas de acesso a Corto Maltese
A leitura de uma história em quadrinhos possui diferentes portas de entrada. Qual será aberta durante o contato com a obra vai depender muito do olhar afiado e da curiosidade do leitor.O acesso a "Corto Maltese - As Célticas", álbum lançado neste mês (Pixel, R$ 33), é naturalmente plural. Assim como o aventureiro protagonista, a obra possui diferentes campos a serem explorados.
Há, por exemplo, a chave da porta da história. Existem várias referências sobre o período da 1ª Guerra Mundial, época em que se passam as seis histórias do álbum, o quarto lançado pela Pixel.
É um bom exercício verificar o que é fato e o que é ficção na trama.
Para quem (ainda) não sabe como usar quadrinhos na escola, essa seria uma boa prática.
Usar a história como pano de fundo para uma narrativa não é exatamente novo. Basta, então, usar uma segunda chave e abrir outra porta. Como a da linguagem cinematográfica presente no álbum.
O escritor e desenhista italiano Hugo Pratt (1927-1995) faz quase um storyboard em determinados trechos. Fiquemos em um, a título de exemplo.
Logo na primeira história, intitulada "O Anjo da Janela do Oriente", Corto Maltese é apresentado ao leitor por meio de um corte inesperado entre uma cena e outra (ou entre um quadrinho e outro).
Há três vinhetas. Na primeira, dois frades olham para o céu. Corte.
Na segunda, aparece o que vêem: um avião monomotor. Novo corte.
Na cena seguinte, surge o protagonista, observando o mesmo avião.
A primeira aparição de Corto Maltese em cada uma das histórias é feita sempre de forma diferenciada. Mas sempre marcante e reveladora, como se um segredo estivesse sendo revelado ao leitor.
Muito disso se deve ao estilo de Pratt. Essa é outra porta que o álbum de 138 páginas permite acessar.
Do primeiro trabalho -"Balada do Mar Salgado", lançado no começo do ano passado- até este, houve um aprimoramento na já aprimorada técnica narrativa do escritor e desenhista.
Pratt está à frente de outra porta de entrada para este quarto álbum do personagem. Vale investigar o quanto de Pratt há em Corto Maltese. O aventureiro é uma espécie de alter-ego do desenhista.
Pratt viajou muito durante toda a vida, em diferentes fases. Nasceu na Itália, morou parte da infância na Etiópia, atuou na Argentina, passou pelo Brasil mais de uma vez (teve até filha aqui), estabeleceu-se novamente na Itália.
Maltese também é um viajante que faz contatos e enfrenta problemas por onde passa. Neste quarto álbum, ele circula pela Europa.
Muitos dos locais por onde o personagem passa foram vistos in loco por Pratt. O quanto há de ficção na representação de todos esses países? O quanto há de realidade? Essa porta é de díficil acesso.
Um jeito -há outros- de se medir a qualidade de uma obra é olhar o volume de portas que ela possui, portas que conduzam o leitor a lugares bem diferentes.
É o caso de Corto Maltese. Categoria: NOTÍCIA 30/08/2007
Panini põe freio na periodicidade de Grandes Astros Superman
A última história disponível era a do número oito da revista norte-americana "All Star Superman", que serve de base para a edição nacional. Essa aventura saiu neste mês nos Estados Unidos. Mesmo com a pequena diferença de tempo, a Panini conseguiu incluir a história no oitavo número da revista brasileira, que começou a ser vendida nesta quinta-feira (R$ 3,90). No fim da edição, A Panini informa o leitor sobre o problema e diz que vai tentar "manter a publicação bimestral ou lançar sempre que uma edição for publicada pela DC Comics." O site da DC nos Estados Unidos anuncia para outubro o lançamento do nono número. A publicação norte-americana, escrita por Grant Morrison e desenhada por Frank Quitley, passa por constantes atrasos desde que foi lançada. Problema parecido ocorreu com o outro título da série, "Grandes Astros – Batman & Robin". A Panini suspendeu a publicação da revista na quarta edição, lançada em maio (leia aqui). O motivo também foi o atraso no cronograma de lançamento nos Estados Unidos. O problema já existia quando as duas revistas estrearam no Brasil, no início deste ano. A linha Grandes Astros ("All Star", no original) mostra histórias de Batman e Super-Homem em uma realidade diferente da vista nas outras revistas mensais da DC. A série do homem de aço, mesmo sem ter chegado a um desfecho, venceu o prêmio Eisner deste ano na categoria melhor série. O Eisner é uma espécie de Oscar da indústria norte-americana de quadrinhos. Nesta oitava edição, Super-Homem tenta montar um foguete para fugir do planeta Bizarro, onde está preso. Para isso, tem a difícil tarefa de convencer os habitantes de lá a ajudarem na construção. A dificuldade é de comunicação. Os bizarros têm a característica de entenderem tudo ao contrário. Categoria: NOTÍCIA
Uma nova Idéia que vem do sul
Há uma espécie de euforia de produções independentes de quadrinhos neste ano no país. As que já existiam se consolidaram e estimularam o surgimento de outras, como a "Idéia", do Rio Grande do Sul.O segundo número da revista começou a ser vendido neste mês. O foco principal são os quadrinhos, de diferentes gêneros. Mas há espaço também para textos e entrevistas.
A publicação é uma continuidade do jornal "Peixe Frito", que era produzido por Wagner Passos e Alisson Affonso, dois dos editores da "Idéia" (que conta com um terceiro integrante, Ivonei D´Peraça, pai de Passos).
O jornal circulou no ano passado. Teve poucas edições, mas suficientes para ser indicado no Troféu HQMix deste ano na categoria prozine.
A repercussão serviu de estímulo para a criação da publicação independente.
"Na possibilidade de termos mais alcance, pensamos se seria possível dar esse passo e produzir uma revista", diz Passos, por e-mail.
A primeira edição foi lançada em junho. Este segundo número conseguiu cumprir o cronograma dos três editores. Eles pretendem publicar uma nova "Idéia" a cada dois meses.
"Conseguimos montar uma estratégia interessante que torna a revista autosustentável e, assim, conseguimos cumprir essas datas pré-estabelecidas, o que é muito importante para se manter a freqüência e, a cada edição, conquistar mais leitores."
O trio imprimiu mil exemplares deste novo número, que tem 16 páginas. O grupo vende a revista em bancas de Rio Grande, cidade onde moram, e em mais 30 pontos de venda.
Há também um esquema de venda por meio do site "Vagão do Humor", organizado por Passos (para acessar, clique aqui). O plano do grupo é tornar a revista nacional.
"Mas esse é um outro patamar, um outro passo que precisa de um suporte muito grande e que ainda não comportamos", diz Passos.
A "Idéia" custa R$ 5. O preço é o mesmo para quem compra via internet. O grupo não cobra o custo do envio pelo correio.
Categoria: NOTÍCIA 29/08/2007
Novo álbum de Estranhos no Paraíso volta às origens da série
Há um ar de déjà vu no novo álbum de "Estranhos no Paraíso", obra que começou a ser vendida no último fim de semana nas lojas especializadas em quadrinhos (HQM, R$ 24,90, 88 págs.).O autor da série norte-americana, Terry Moore, leva a série de volta às origens, mais especificamente ao início da primeira história, lançada no Brasil em maio de 1998 pela Editora Abril.
O começa da série trazia um prelúdio de três páginas em que uma das protagonistas, a meiga Francine, encena uma peça no colégio.
No palco, a toga que ela vestia caía diante de toda a platéia. A página seguinte mostrava Francine e a inseparável amiga, a polêmica Katchoo, dez anos no futuro. Era quando a série iniciava oficialmente.
A curiosidade deste "Estranhos no Paraíso -
Tempos de Colégio" é que Moore conta o que se passou antes, durante e depois da constrangedora cena vivida por Francine no palco.A volta ao passado das protagonistas -por isso o título "tempos de colégio"- é para que o escritor e desenhista possa contar como Francine e Katchoo se conheceram e se tornaram as melhores amigas.
Isso cumpre também outro papel. Resgata o humor e as situações mais leves do cotidiano delas, deixados um pouco de lado nas últimas tramas.
Isso fica bem mais claro na quarta e última história do álbum, uma aventura solta, mais despreocupada.
Mostra o devaneio de Katchoo depois de levar uma "portada" no rosto pouco antes de assistir a um episódio de "Xena".
O devaneio se passa no universo das aventuras do seriado da TV. Francine é mostrada no papel de Xena e Katchoo, no de sua parceira.
O tom leve e a explicação sobre como foi o primeiro encontro das protagonistas torna este álbum de Estranhos no Paraíso -o segundo pela HQM- um bom ponto de partida para quem nunca leu a premiada série.
A edição toma como base o sexto encadernado da série, "Strangers in Paradise - High School", que reúne os números de 13 a 16 da revista. O material é inédito no Brasil.
A edição nacional ganhou uma sobrecapa, reproduzida no início desta postagem. A outra imagem é a da capa.
Categoria: NOTÍCIA
Mais uma explicação de Laerte. Agora, sobre as tiras filosóficas
Ontem, foi em "O Globo". Hoje, na "Folha de S.Paulo". Em dois dias, o cartunista Laerte Coutinho concedeu duas entrevistas diferentes, que ajudam a entender melhor as mudanças por que passaram as tiras que ele publica diariamente na Folha.
Para "O Globo", ele comentou sobre o ano sabático que deu a si próprio e que o levou a republicar tiras de "Classificados" no espaço que mantém na Folha.
Ele comentou também que abandonou -em princípio, temporariamente- o uso de personagens fixos (leia aqui).
Na entrevista desta quarta-feira, o cartunista disse que está em "crise" criativa. Esse foi um dos motivos que o levaram a fazer as chamadas "tiras filosóficas".
Essas tiras foram publicadas no caderno "Ilustrada" da Folha entre 2005 e 2006. Tinham em comum o fato de não produzirem uma piada no fim.
Algumas tinham roteiros que dialogavam com o surrealismo.
O cartunista, de 56 anos, disse que a morte do filho, num acidente de carro em 2006, serviu como um "divisor de águas". Desde então, passou a não ver mais o humor do mesmo jeito.
Por isso, abandonou os personagens fixos -comentado também na entrevista a "O Globo"- e abraçou algo "bastante livre, indagativo, experimental, porra-louca".
Nas palavras dele:
"Passei a ver e pensar as coisas de outro jeito, uma série de procedimentos começou a perder o sentido ou ganhar outros.
Muito do que consistia a natureza das minhas tiras era um tipo de prestação de contas, como se eu estivesse fazendo para algum juiz, era um modo extenuante de trabalhar.
Passei a não achar mais graça no tipo de humor que fazia, não me identificava mais com aquele modo de fazer, então resolvi deixar de lado os personagens."
O jornalista Marco Aurélio Canônico, autor da entrevista publicada na Folha, perguntou ao criador dos "Piratas do Tietê" se o novo método tornou mais fácil a criação das tiras.
"Não, não facilitou. Abriu possibilidades, mas era muito mais complicado, eu demorava mais para fazer as tirinhas.
Aí, no fim do ano passado, cansei, fiquei sem rumo novamente e passei a republicar o material do Classifolha [um dos cadernos da Folha], os cartuns livres, achei que dava para tirar um ano sabático."
A parada, segundo ele, é também para produzir um álbum de 96 páginas para a editora Desiderata.
Categoria: NA MÍDIA 28/08/2007
Suspeita de plágio cancela premiação de cartum em Piracicaba
Cartum premiado no fim de semana no Salão Internacional de Humor de Piracicaba
Cartum de Cau Gomez, feito no ano passado, segundo o desenhista O presidente da comissão organizadora do Salão Internacional de Humor de Piracicaba deste ano, Ricardo Viveiros, suspendeu nesta terça-feira a entrega do prêmio para o primeiro colocado na categoria cartum.
A decisão foi tomada porque existe a suspeita de o desenho -feito por Evaristo Daniel Rodrigues- ter sido plagiado de um trabalho do cartunista mineiro Cau Gomez (vistos nesta postagem).
Os dois cartuns mostram um canibal, com uma medalha no peito, no alto de um pódio. A brincadeira sugere que ele tenha vencido um campeonato de comida humana.
Rodrigues -que nega o plágio- ainda não recebeu o prêmio do salão, no valor de R$ 5 mil.
Ele não compareceu à cerimônia de entrega, realizada no último sábado à noite, quando os vencedores foram divulgados ao público (leia aqui).
Segundo Viveiros, o caso terá de ser decidido na justiça. Isso, diz ele, se alguém fizer uma reclamação formal.
"O prejudicado tem de agir de acordo com a legislação", diz Viveiros, por telefone. "O meu antidoping é a justiça. Eu não tenho condições de avaliar plágio."
O cartunista Cau Gomez, de 35 anos, diz que não sabe se entraria ou não na justiça. "Teria de consultar ainda algumas pessoas para saber se isso é viável", diz, por telefone.
O desenhista diz que tudo ainda é muito recente. Mas vê "muita coincidência" nos dois cartuns. "Creio fielmente que o verdadeiro cartum tem de ser acima de qualquer suspeita."
Segundo o cartunista, o cartum com o canibal participou no ano passado do salão de humor de Pernambuco, evento ligado à FIHQ (Festival Internacional de Humor e Quadrinhos), e circulou também em um portfólio virtual dele.
De acordo com ele, houve ainda uma outra versão do desenho, feita há três anos.
"Atualmente é muito mais fácil identificar um desenho [pela internet] e assim não correr o risco de copiá-lo", diz o chargista do jornal "A Tarde", da Bahia (onde mora há 14 anos).
"É difícil caracterizar de tal modo x ou y. Mas é preciso que os jurados tenham muita atenção ao grande fluxo de produção de cartuns na internet." Houve dois júris nesta 34ª edição do salão, cada um com sete integrantes. O primeiro fez a seleção dos 273 trabalhos que integram a exposição deste ano. Houve 1.073 desenhos inscritos.
O outro júri fez a escolha dos premiados em cada uma das cinco categorias: charge, cartum, caricatura, tiras e vanguarda.
Esse júri contou com três nomes internacionais: Marlene Pohle, da Alemanha, Luís Humberto Marcos, de Portugal, e Xaquín Marín, da Espanha. Os demais eram brasileiros.
Para Evaristo Daniel Rodrigues, autor do cartum premiado em Piracicaba, trata-se de "coincidência pura".
Ele disse ao Blog, por telefone, que nunca tinha visto o outro desenho e que o trabalho apresentado em Piracicaba foi criação dele. Mas reconhece a semelhança.
"O que eu posso afirmar com toda a certeza é que é muito parecido. É muito igual. Mas é coincidência pura", diz o desenhista de 24 anos, que trabalha numa agência de publicidade em Barra Bonita, no interior paulista.
Na conversa, ele lamentou mais de uma vez o que ocorreu. O sentimento foi verbalizado em expressões como "caiu o mundo na minha cabeça", "estou sem chão" e "tô pasmo".
"O que eu não quero é que as pessoas pensem que eu sou um oportunista", diz Rodrigues, que mora em Mineiros do Tietê, cidade a 296 km de São Paulo.
Rodrigues afirma que via no prêmio uma chance de ser mais reconhecido na área.
Caso a premiação do desenho seja suspensa, o primeiro lugar vai, em tese, para um dos dois desenhistas incluídos na lista de menção honrosa na categoria cartum.
A menção é uma forma de reconhecer a qualidade de trabalhos não premiados. Na edição deste ano, não houve segundo colocado.
Houve duas menções na categoria cartum: Ahmet AyKanat, da Turquia, e Luigi Rocco Pasquale Recine, de São Paulo.
Em 2001, houve um caso de suspensão de prêmio em Piracicaba. Mas não por plágio.
O trabalho vencedor na categoria história em quadrinhos não era inédito, uma das exigências do salão de humor, o principal do país. Categoria: NOTÍCIA
Divulgados os desenhos que tiveram menção honrosa em Piracicaba
A assessoria do 34º Salão Internacional de Humor de Piracicaba divulgou os oito trabalhos indicados como menções honrosas na edição deste ano.
Um deles é o mostrado acima, de autoria de Spacca.
Spacca volta a desenhar Santos-Dumont, figura histórica que usou no álbum "Santô e os Pais da Aviação". Foi o único trabalho mencionado na categoria charge.
A menção honrosa é um título usado para destacar a qualidade de desenhos não premiados com os primeiros lugares.
O júri deste ano concedeu a menção a oito dos 273 desenhos selecionados para a exposição deste ano.
Das cinco categorias do salão de humor, apenas tiras não teve trabalhos incluídos.
A nova categoria do salão, vanguarda (só com trabalhos feitos na internet), foi a que recebeu o maior número de menções, três no total.
Cartum e caricatura tiveram duas indicações cada uma.
Os nomes dos desenhistas premiados foram divulgados na abertura do evento, no último sábado à noite. O Blog noticiou os trabalhos vencedores no domingo (leia aqui e aqui).
Os outros desenhos que tiveram menção honrosa podem ser vistos no site do salão. Clique aqui para acessar. Categoria: NOTÍCIA
Laerte explica por que tem publicado tiras repetidas na Folha
O desenhista Laerte Coutinho –ou simplesmente Laerte- explicou por que tem publicado tiras repetidas no espaço diário que mantém na "Ilustrada", caderno de cultura do jornal "Folha de S.Paulo". A tira acima é a da edição desta terça-feira. No canto direito superior, aparece escrito "século 20", que indica a reedição da piada. Isso tem ocorrido desde o começo do ano. "Como esse material tinha saído há uns oito, dez anos, somente na cidade de São Paulo, no caderno de classificados do jornal, é uma forma de mostrar agora essas tiras ao resto do país", disse. "É um efeito meio sabático." As tiras eram publicadas nos cadernos de imóveis, empregos e veículos sob o nome "Classificados". Parte delas foi reunida em três álbuns, publicados pela editora Devir. A explicação de Laerte faz parte de uma entrevista concedida a Telio Navega, responsável pelo blog "Gibizada". A conversa foi publicada nesta terça-feira na coluna sobre quadrinhos que Navega mantém no "Megazine", suplemento jovem do jornal carioca "O Globo". Na entrevista, Laerte confirma que parou de fazer histórias com personagens fixos. A exceção é Suriá, tira infantil que publica aos sábados na "Folhinha", suplemento para crianças da "Folha". Suriá é um dos personagens que pretende adaptar para o cinema. Segundo a entrevista, o mesmo deve ocorrer com os Palhaços (sempre mudos nas histórias em que aparecem). Laerte diz que tem planos de produzir vinhetas de Los Tres Amigos para o canal Cartoon Network. As animações seriam feitas com os outros dois "amigos", Angeli e Glauco. Piratas do Tietê vai virar um longa animado, feito por Otto Guerra, o mesmo diretor de "Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock´n´roll" (premiado com o Troféu HQMix deste ano; leia mais aqui e aqui). Laerte –que diz na entrevista ser bissexual- lança dois álbuns nos próximos dias. "Laertevisão – Coisas que não Esqueci" -editado pelo filho, Rafael Coutinho- deve começar a ser vendido na virada do mês (Conrad, R$ 46). A obra, de 128 páginas, traz memórias da infância dele feitas em quadrinhos. O material já tinha sido lançado na "Folha de S.Paulo" (leia mais aqui). O outro álbum reedita todas as histórias dos Piratas do Tietê (Devir, R$ 52). É o primeiro de uma série de três livros em capa dura, com 112 páginas cada um (leia aqui). "Piratas do Tietê – A Saga Completa" começou a chegar às lojas especializadas em quadrinhos no último fim de semana. A obra será lançada oficialmente na sexta-feira, com presença de Laerte. Vai ser na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2.073, São Paulo). Começa às 18h30. A entrevista de Laerte pode ser lida na versão virtual de "O Globo" (mediante cadastro). Há link no "Gibizada". Para acessar, clique aqui. Categoria: NA MÍDIA 27/08/2007
Revista Cão faz edição temática sobre anos 80
![]() Capa aberta da revista, que será lançada nesta terça-feira no Rio de Janeiro
O próximo número da "Cão" vai ser todo dedicado aos anos 1980.
O "revival" é o tema do segundo número da revista independente, que terá lançamento nesta terça-feira no Rio de Janeiro.
"A idéia era de uma história que tivesse o clima dos anos 80 e que, nesse percurso, encontrássemos alguns personagens marcantes daquela época", diz Harriot Junior, editor da revista.
"Os referenciais foram Labirinto, Indiana Jones, De Volta para o Futuro, Sandman, O Iluminado, Plunct Plact Zum [música de Raul Seixas]." Harriot Junior, que também participa da criação das histórias, diz que a revista tenta transmitir todo o clima da época, principalmente no que se refere a filmes, desenhos, guloseimas e música.
"Foram esses assuntos recorrentes que ficaram também em nossa memória", diz por e-mail o designer gráfico paulistano, de 29 anos.
Ao contrário das edições anteriores, a revista vai trazer uma história única, de 36 páginas, feita por diferentes autores e estilos.
A "Cão" é mantida pelo Studio Vermis, grupo de quadrinistas paulistas que se conheceu no Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo.
A revista independente já teve duas edições, lançadas em fevereiro (edição zero) e maio deste ano (leia aqui e aqui). A proposta do grupo é ter um novo número a cada três meses.
O lançamento deste segundo número, no Rio de Janeiro, vai ser na Livraria Dona Laura, que funciona na Casa de Cultura Laura Alvim (av. Vieira Souto, 176, Ipanema). Começa às 19h.
Na próxima segunda-feira, o grupo faz um segundo lançamento, em São Paulo, às 19h30.
Vai ser na Menor Livraria do Mundo, que funciona no Jeremias o Bar (rua Avanhandava, 37, centro).
A revista custa R$ 3. O Studio Vermis mantém um site com outras informações sobre o grupo. Para acessar, clique aqui. Categoria: NOTÍCIA
Enem usa quadrinhos como tema de questões
![]() Charge de Angeli usada num dos testes da prova do governo federal
A charge acima, publicada por Angeli no jornal "Folha de S.Paulo" em março deste ano, foi tema de uma das 63 questões do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
O teste, elaborado pelo governo federal, foi aplicado ontem a mais de 3,5 milhões de estudantes de todo o país (3.568.592, segundo a área de educação do UOL).
O desenho de Angeli ironiza o interesse de outros países na tecnologia brasileira. Esse era o teor do assunto abordado nas cinco alternativas da questão.
Outro teste do Enem usou uma tira de "Níquel Náusea", de Fernando Gonsales. A história fazia uma brincadeira sobre a forma de reprodução das bactérias, pergunta do teste.
Não é a primeira vez que o exame do governo federal utiliza quadrinhos como tema de questões (fiz artigo sobre o assunto para o UOL; pode ser lido aqui).
O uso dos quadrinhos no Enem é para cumprir uma das metas do exame: a de avaliar o nível de proficiência do aluno na leitura de outras linguagens.
Uma das maiores contribuições da prova é a de propor aos estudantes a leitura de imagens, de textos visuais. Outras sete questões deste ano pediam a interpretação de fotos e pinturas.
Ou seja: das 63 questões do Enem deste ano, nove abordavam leitura de imagens, duas em quadrinhos. Isso representa 14% da prova.
O Enem, como o próprio nome diz, surgiu como um processo de avaliação do ensino médio. Mas adquiriu outros valores com o passar dos anos.
A nota da prova é usada na média final de grandes vestibulares, como o da Fuvest (que seleciona os estudantes ingressantes na Universidade de São Paulo).
Também permite ao aluno participar do sistema de bolsas do Prouni (Programa Universidade para Todos), voltado a alunos que não podem pagar os custos do ensino superior.
Por causa disso, tem sido muito forte a influência do Enem no ensino médio. A tendência de que o conteúdo dos testes migre para a sala de aula é grande.
Do ponto de vista dos quadrinhos, o Enem ajuda -e tem ajudado já há alguns anos- a colocar o tema dentro da sala de aula.
Não é por acaso que o governo federal no ano passado incluiu dez histórias em quadrinhos no Programa Nacional Biblioteca na Escola (leia aqui).
O programa distribui livros gratuitamente para escolas do ensino fundamental e tem pautado lançamentos de muitas editoras, como os do gênero "literatura em quadrinhos".
O interesse editorial é incluir obras na lista do governo para 2008. A relação com os novos títulos deve ser definida ainda este ano.
Clique aqui para ler a prova do Enem.
Crédito: a charge de Angeli foi reproduzida do arquivo virtual da "Folha Online" Categoria: NOTÍCIA
Semana começa com três palestras sobre quadrinhos
Há três palestras ligadas a quadrinhos nesta segunda-feira à noite, cada uma em uma cidade diferente.
Em Recife, um debate discute a obra de Lailson de Holanda Cavalcanti. O desenhista pernambucano é autor dos álbuns "Lusíadas 2500", lançado no ano passado (leia aqui) e "Pindorama - A Outra História do Brasil".
Ele também tem papel de destaque no humor gráfico nacional e na área de pesquisa. Possui duas obras sobre a trajetória dos desenhos de humor no país.
Uma delas é referência na área, embora ainda inédita no Brasil. Chama-se "Historia del Humor Gráfico en el Brasil" e foi lançada apenas na Espanha (leia mais aqui).
O debate vai ser às 19h no auditório da Livraria Cultura Paço Alfândega (rua Madre de Deus, sem número, loja 135).
O segundo evento faz parte da programação do 18º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo.
Nesta segunda, às 20h, ocorre a exibição de três curtas de Osamu Tezuka, tido como o "pai" do mangá, nome dado ao quadrinho japonês.
Serão apresentados "Filme Quebrado", "Pular" e "Quadros de uma Exposição".
Antes, vai haver uma palestra de Rogério de Campos, dono da Conrad, editora que publicou a maior parte das obras de Tezuka no Brasil.
Entre elas, está "Adolf", minissérie em cinco partes que venceu o Troféu HQMix da categoria neste ano (leia mais aqui).
A palestra e as exibições ocorrem no CineSesc (rua Augusta, 2.075, Cerqueira César, na capital paulista).
E em Brasília, o tema de hoje do 2º Festival de Quadrinhos é "educação e políticas públicas para quadrinhos".
Participam da mesa o desenhista Jô Oliveira, Lima Neto, Selma Oliveira e o professor da USP (Universidade de São Paulo) Waldomiro Vergueiro.
A mesa-redonda começa às 19h30. O festival, iniciado na semana passada (leia aqui), ocorre na livraria Fnac de Brasília (fica no ParkShopping).
O evento vai até quinta-feira. Leia a programação aqui. Categoria: NOTÍCIA 26/08/2007
Caricatura sobre Niemeyer recebe principal prêmio de Piracicaba
Desenho foi feito por José Raimundo Costa do Nascimento, do Rio de Janeiro O desenhista carioca José Raimundo Costa do Nascimento é o principal premiado do 34º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o principal do país. A caricatura dele –sobre o arquiteto Oscar Niemeyer- venceu o Troféu Zélio de Ouro. O troféu, iniciado neste ano no salão, premia o melhor desenho do salão. A mesma ilustração foi escohida como melhor caricatura deste ano. Pelos dois prêmios, Nascimento ganhou R$ 15 mil (R$ 10 mil pelo Zélio de Ouro e R$ 5 mil pela categoria caricatura). Os vencedores das outras quatro categorias ganharam R$ 5 mil cada um. Todos são brasileiros. O trabalho de Evaristo Daniel Rodrigues venceu como melhor cartum. A categoria charge ficou com Jean Charles Galvão. Tiras, com Caio Tavares Gómez. A categoria vanguarda, feita pela primeira vez no salão, ficou com Lucas Leibholz (que ficou em 2º lugar na categoria caricatura em 2006). A modalidade vanguarda era específica para trabalhos feitos por computador e foi a que teve o maior número de selecionados, 62. Uma caricatura de Eduardo Baptistão -sobre o cantor Nando Reis- recebeu um outro prêmio do salão, concedido pela Prefeitura de Piracicaba, cidade a 162 km de São Paulo. Baptistão ganhou R$ 2.500. Neste ano, não houve segundos e terceiros lugares em cada um das categorias. Mas o júri decidiu conceder oito menções honrosas. A divulgação dos premiados ao público foi na noite de sábado na cerimônia de abertura do salão, apresentada por Serginho Groissman, da TV Globo. Os premiados haviam sido definidos há uma semana. Os vencedores foram comunidados do prêmio durante a semana. A antecipação era para que os premiados pudessem comparecer à abertura do salão. A organização do evento pediu sigilo a eles. O salão recebeu nesta edição 1.073 trabalhos, 300 a mais do que no ano passado. Houve desenhos de 45 países. Mas a maior parte foi de brasileiros. A exposição com os 273 trabalhos selecionados deste ano poderá ser vista até 14 de outubro em Piracicaba. Há também uma série de mostras em paralelo. Os trabalhos estão no Parque Engenho Central (Avenida Maurice Allain, 454). A visita é das 9h às 22h. A entrada é franca. Veja os outros trabalhos vencedores nas postagens abaixo. Categoria: NOTÍCIA
Salão de Humor de Piracicaba: charge Vencedor: Jean Carlos Galvão - São José dos Campos (SP)
Categoria: NOTÍCIA
Salão de Humor de Piracicaba: cartum
Vencedor: Evaristo Daniel Rodrigues - Mineiros do Tietê (SP) Observação: na medalha, no peito da figura desenhada, está escrito "Food Festival"
Categoria: NOTÍCIA
Salão de Humor de Piracicaba: vanguarda
Vencedor: Lucas Leibholz - Piracicaba (SP)
A imagem mostra John Lennon e Yoko Ono e foi feita em alto relevo, em papel. Dependendo do ângulo de visão, é possível ver Lennon ou Ono. Veja abaixo:
Imagem vista pela direita... ... e pela esquerda. Categoria: NOTÍCIA
Salão de Piracicaba: prêmio da prefeitura e menções honrosas
Vencedor do prêmio da Prefeitura de Piracicaba: Eduardo Baptistão - São Paulo (SP) Menções honrosas: Cartum Charge Caricatura Vanguarda Clique aqui e aqui para ver os premiados da última edição do salão de humor. Categoria: NOTÍCIA 25/08/2007
Uma série de super-herói em que o super é o que menos importa
O primeiro número da minissérie em três partes começou a ser vendido nesta semana em bancas e lojas especializadas (Pixel, R$ 6, 90). A história é sobre o prefeito de Nova Iorque, Michell Hundred, que assumiu o cargo em 2002. Nada de mais, não fosse o fato de ele ser um ex-super-herói. Um acidente em 1999 concedeu a ele o dom de se comunicar com qualquer máquina. Hundred passou a usar os poderes como o herói "Grande Máquina". Em 2001, ele aceita deixar o uniforme e a carreira de engenheiro para disputar a prefeitura (por isso é ex-máquina). E ganha. Esta minissérie -escrita pelo criador da série, Brian K. Vaughan- mostra esse momento de transição na vida de Hundred. A história intercala a narrativa em flashback –o passado é representado com cores mais claras- com momentos presenciados em 2002, quando ele já ocupa o cargo de prefeito. O salto em dois momentos temporais é uma das características da série. É um recurso para apresentar, em pílulas, elementos da origem de Hundred sem deixar de lado os polêmicos bastidores da política, o ponto alto de "Ex-Machina". Neste primeiro número, o prefeito tem de decidir se realiza um casamento homossexual. A cautela é porque o envolvimento no caso pode garantir a ele o rótulo de gay (por ser trintão e ainda soletiro). Além disso, há um mistério envolvendo uma imagem do acidente que concedeu os poderes a ele no passado. Passado, presente, política, bastidores do poder, preconceitos, super-herói, ex-super-herói. É difícil articular tudo isso numa mesma série. "Ex-Machina" tem o mérito de conseguir. O prêmio Eisner –espécie de Oscar do quadrinho norte-americano- foi certeiro na escolha de Vaughan como melhor roteirista em 2005. Faltou um reconhecimento também para os desenhos de Tony Harris. Ele consegue criar expressões faciais extremamente realistas, que dão um ganho ao texto de Vaughan. A minissérie traz os número seis e sete da revista norte-americana homônima, publicada Wildstorm, um dos selos da editora DC Comics (a mesma de Batman e Super-Homem). A história continua do ponto onde a Panini havia parado. A editora havia lançado um encadernado com as cinco histórias iniciais em outubro de 2005. O álbum pode ser encontrado em lojas especializadas. Nota: merece registro outra história que deixou o lado super de lado e aprofundou as características do personagem. É série em oito partes publicada nas últimas quatro edições da revista "Super-Homem" (a última parte está nas bancas). O homem de aço está sem poderes, que vão reaparecendo paulatinamente. Isso tira o foco narrativo do super-herói e o ajusta em Clark Kent. A série, escrita por Geoff Johns e Kurt Busiek (de "Astro City") é, de longe, uma das melhores já feitas com o Super-Homem. Categoria: NOTÍCIA 24/08/2007
Lançado álbum de luxo com histórias clássicas dos Vingadores
A edição de luxo com as primeiras histórias do grupo Os Vingadores começou a chegar neste finzinho de semana em lojas especializadas em quadrinhos e livrarias."Biblioteca Histórica Marvel - Os Vingadores" (Panini, R$ 53, 244 págs.) traz as dez aventuras iniciais da equipe, uma das principais da editora norte-americana Marvel Comics.
O material é de 1963 e 1964 e já foi publicado no Brasil pelas editoras Ebal (no fim da década de 1960) e Bloch (entre 1975 e 1976).
Os desenhos são de Jack Kirby, principal artista da fase inicial da Marvel. Ele criou alguns dos principais personagens da editora na época.
A história de estréia -que foi reeditada também pela Editora Abril- mostra o surgimento do grupo, formado por heróis clássicos da Marvel.
A primeira formação tinha Thor, Hulk, Homem de Ferro, Homem-Formiga e Vespa.
Os heróis foram reunidos por meio de um plano de Loki, meio-irmão de Thor. O vilão queria atrair a atenção de Hulk para que o monstro verde enfrentasse o deus do trovão (título dado a Thor).
O plano deu errado, porque os outros heróis também foram atraídos para o local. Todos enfrentam Loki e decidem, depois, unir forças para combater o mal como Os Vingadores.
A presença de Hulk, ser instável por natureza, não durou muito na equipe, como mostram essas aventuras iniciais.
Foi no quarto número da revista, de março de 1964, que a equipe encontrou seu eixo.
Nessa edição, os Vingadores encontram o corpo do Capitão América, mantido vivo num bloco de gelo. Ele estava nesse estado desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
O herói, criado em 1941, é descongelado, salva sozinho a equipe logo na primeira aventura e passa a integrar o grupo. Futuramente, torna-se líder dos Vingadores e uma espécie de elo do grupo.
O bloco de gelo foi a saída encontrada por Stan Lee, criador dos Vingadores e escritor das histórias deste álbum, para trazer de volta o herói ao universo de personagens da editora.
Havia nessas histórias, o leitor verá, uma preocupação excessiva com explicações para cada um dos poderes e apetrechos dos super-heróis.
É algo que não havia nos heróis da concorrente, DC Comics (de Batman e Super-Homem).
Mas havia também uma ingenuidade nas aventuras e nos diálogos dos personagens, elementos inexistentes no realista tratamento dos super-heróis de hoje.
A minissérie "Guerra Civil", publicada atualmente no Brasil, coloca esses mesmos heróis em lados opostos. E os leva a um inevitável e mortal confronto.
Nas histórias de "Biblioteca Histórica Marvel - Os Vingadores", obra lançada em capa dura, são todos leais (à exceção, talvez, de Hulk). Nem parece coisa da mesma editora Marvel.
Este é o terceiro álbum da coleção, que começou a ser lançada em junho deste ano.
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Divulgação dos vencedores do Salão de Piracicaba é neste sábado
Os premiados da 34ª edição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o principal do país, serão conhecidos pelo público amanhã à noite. É quando ocorre a abertura do evento e da exposição deste ano, com 273 trabalhos.Os trabalhos vencedores das categorias charge, cartum, caricatura, tira e vanguada (só com trabalhos feitos na internet) foram escolhidos no último domingo.
Os desenhistas premiados em cada uma das cinco categorias já foram informados pelos organizadores do salão. Mas foi pedido sigilo.
Essa comunicação prévia é para dar tempo de os premiados se programarem para comparecer na abertura do salão, que ocorre em Piracicaba, cidade a 162 km de São Paulo.
Cada um dos premiados recebe um prêmio de R$ 5 mil, chamado Troféu Zélio de Prata, homenagem ao cartunista Zélio Alves Pinto.
Os cinco concorrem a um segundo prêmio, o Troféu Zélio de Ouro, no valor de R$ 10 mil. O grande vencedor ganha, então, R$ 15 mil (soma dos prêmios dos dois troféus).
Segundo a organização do salão de humor, os cinco premiados só vão saber na hora quem fica com o Zélio de Ouro.
O salão recebeu 1.073 trabalhos (300 a mais do que em 2006) vindos de 45 países. A maior parte é de desenhistas brasileiros.
A exposição com os 273 selecionados poderá ser vista até 14 de outubro. Há também uma série de mostras em paralelo.
A abertura do salão, às 20h deste sábado, será comandada por Serginho Groissman.
O apresentador da TV Globo comanda todos os anos a entrega do Troféu HQMix, principal premiação de quadrinhos do país (leia aqui).
A entrega dos prêmios e a abertura da exposição ocorrem no Parque Engenho Central (Avenida Maurice Allain, 454, Piracicaba).
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Personagem de tira é usada em semana temática sobre lesbianismo
![]() Cartão com Katita, personagem lésbica criada por Anita Costa Prado
Uma personagem de histórias em quadrinhos estampa um cartão postal, que vai ser distribuído na Semana da Visibilidade Lésbica. O evento começa nesta sexta-feira à noite em São Paulo.
Katita é a personagem-título de uma tira criada pela escritora paulistana Anita Costa Prado, uma militante de causa sociais e homossexuais. A protagonista da tira é lésbica.
Anita diz que a relação com a Cads (Coordenaria de Assuntos de Diversidade Sexual), que organiza a semana temática, é antiga, vem desde 1995. O órgão é ligado à prefeitura paulistana.
"Em 95, [a Cads] fez uma exposição para os dez anos da Katita", diz a escritora. "No ano passado, fez um postal que foi muito bem recebido."
Para este ano, Katita vai estar também em uma cartilha e em jogos de passatempos, distribuídos na semana sobre lesbianismo (leia a programação aqui).
Katita começou a ganhar mais projeção no ano passado. Um livro da editora independente Marca de Fantasia reuniu uma série de tiras da personagem. A obra foi lançada em junho de 2006 (leia aqui)."Katita - Tiras sem Preconceito", nome da obra (capa ao lado), foi o principal destaque do 23º Prêmio Angelo Agostini, promovido pela Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo.
O livro, desenhado pelo cearense Ronaldo Mendes, foi escolhido como melhor lançamento de 2006 e Anita, a melhor roteirista (leia mais aqui).
Nesta entrevista, feita por e-mail, Anita dá mais detalhes da participação da personagem na Semana de Visibilidade Lésbica e fala da vontade de tornar a personagem mais conhecida do grande público.
Blog - Como será feita a distribuição do cartão?
Anita Costa Prado - Kits contendo o postal, cartilhas sobre a saúde da mulher e a publicação de jogos e passatempos, além de informativos serão distribuídos nas intervenções que ocorrerão em diversos estabelecimentos e nos eventos.
Blog - No seu entender, o que representa a inserção de um personagem de quadrinhos em um evento como esse?
Anita - Representa um espaço valioso para divulgar uma personagem que, por sua orientação sexual, sofreu preconceito editorial e pessoal, Hoje a Katita é premiada e reconhecida, mas sempre serei grata ao coordenador da Cads, Cássio, e um anjo nipônico chamado Takeo, pessoas que me apoiaram antes mesmo de ter um livro da Katita publicado. E, no que se refere a quadrinhos especificamente, é uma afirmação de que a história em quadrinhos pode ser um veículo utilizado em diversos setores, como propagação de idéias, conceitos ou mero entretenimento.
Blog - Quais os próximos planos para a Katita?
Anita - A Katita foi publicada pela editora Marca de Fantasia, que não possui pontos de venda nem distribuição ampla. Assim sendo, os planos incluem uma publicação que consiga chegar a um número maior de pessoas. Categoria: ENTREVISTA 23/08/2007
Discurso sobre quadrinhos na mídia impressa começa a mudar
Havia sinais de fumaça desde o ano passado de que a mídia, principalmente a impressa, começava a enxergar os quadrinhos de uma forma diferente.
A quantidade de alertas aumentou sensivelmente neste mês. Deixou de ser apenas mais um sinal. Tornou-se fato.
A revista "Época" da semana passada trouxe uma matéria sobre a chamada literatura em quadrinhos.
Segundo a reportagem, os novos "reis do mundo" não são Super-Homem ou Hulk, e sim Machado de Assis e Eça de Queirós (alusão às adaptações de "O Alienista" e "A Relíquia", lançadas neste ano).
A "IstoÉ" -também da semana passada- trouxe uma matéria de duas páginas a respeito do mesmo assunto: a ida dos quadrinhos às livrarias.
Havia um tom de surpresa no texto. Fica nítido logo na abertura da reportagem:
"Muita gente ainda acha que histórias em quadrinhos são coisa de criança. Ou de nerd. É só ir na livraria mais próxima e ver que esse mercado não é mais o mesmo."
A revista "Língua Portuguesa" deste mês traz uma reportagem de seis páginas sobre o jornalismo em quadrinhos, gênero que ainda se firma e que tem no jornalista maltês Joe Sacco o principal representante.
A matéria, feita por Luiz Costa Pereira Junior, é representativa por dois motivos: 1) é uma das mais completas sobre o assunto; 2) leva o tema "quadrinhos" a um universo de leitores que tradicionalmente não acompanha quadrinhos.
O maior exemplo, no entanto, foi visto no último domingo. E também sobre jornalismo em quadrinhos. A "Folha de S.Paulo" publicou 16 páginas em quadrinhos feitas por Joe Sacco.
A reportagem em quadrinhos foi veiculada no "Mais!", caderno voltado a literatura e artes.
O caderno é lido principalmente pelo grupo rotulado como "formador de opinião", que, embora pequeno, influencia o modo como outros enxergam temas artísticos.
A presença da história de Sacco no caderno repercutiu, dentro e fora do jornal.
O ombudsman da Folha, Mário Magalhães, incluiu a história na crítica interna que envia diariamente à redação (e que pode ser lida na versão virtual do jornal).
Segundo Magalhães, "o melhor da Folha no domingo, na minha opinião, foram os quadrinhos sobre a guerra no Iraque, de autoria de Joe Sacco, no Mais!"
Há seguramente outros exemplos. Mas os elencados aqui já bastam para mostrar que o discurso sobre quadrinhos lido na mídia impressa é outro, se comparado ao visto até então.
Pessoas que historicamente ignoravam quadrinhos passaram a noticiar o tema.
O que levou a essa mudança?
(Continua na próxima postagem) Categoria: NOTÍCIA
Discurso sobre quadrinhos na mídia impressa começa a mudar - II
(Continuação da postagem anterior)
Os quadrinhos historicamente foram o "patinho feio" das artes nos cadernos de cultura dos jornais, tidos como formadores de opinião.
"Formadores" porque fazem um recorte de tudo o que é produzido em termos artísticos dentro e fora do país e o leva até o leitor, na forma de notícia.
Havia -e há ainda- nesses cadernos uma espécie de bloqueio invisível à área. É como se o assunto não interessasse ao público consumidor de cultura.
E, se não era noticiado, o fato simplesmente não existia aos olhos do grande público.
Cinema, teatro, música, dança, pintura e outras formas de arte sempre existiram com força e prestígio no discurso coletivo da sociedade. Não é coincidência o fato de serem sempre noticiados.
Havia -e há- poucas e louváveis exceções.
Um caso são os poucos colunistas de quadrinhos que marcam presença nos jornais desde a década de 1960.
Alguns nem recebiam para escrever sobre lançamentos da área (algo que ainda acontece). Faziam (ainda fazem) por puro amor à arte.
Outra exceção é a mídia especializada virtual, na qual este blog se inclui.
Esse tipo de página tende a ser lida com mais freqüencia por consumidores de quadrinhos, e não pelo grande público (embora alguns, como este blog, freqüentem a página principal de determinados portais na forma de chamadas).
São sites importantes, mantidos por pessoas sérias, que normalmente lêem e acompanham quadrinhos.
A novidade é que agora quem também noticia o assunto, até com profundidade, é o jornalista que atua na mídia impressa e que historicamente ignora o tema.
Repito a pergunta feita na postagem anterior: o que levou a essa mudança de discurso na chamada "grande mídia", em especial na impressa?
Do que se pode ver no calor dos acontecimentos, não se trata de um reconhecimento tardio ou algo do tipo.
O ponto é que os quadrinhos tomaram posse de dois aspectos valorizados pelos "formadores de opinião".
O primeiro foram as livrarias.
A notícia de que o número de obras em quadrinhos em parte das grandes livrarias aumentou 30% de 2006 para cá, noticiada ontem por este blog, é uma das informações mais relevantes deste ano para a área.
O formador de opinião -o profissional que noticia cultura e a pessoa que a consome e divulga- agora esbarra com quadrinhos na hora em que vai comprar livros.
E o que ele vê se parece com livros, com a mesma qualidade editorial. Não é algo "descartável". É um bem durável. É um outro olhar.
O outro ponto é que os quadrinhos se vincularam a três rótulos pra lá de prestigiados em todos os âmbitos sociais: educação e, principalmente, jornalismo e literatura.
Aos olhos do formador de opinião e do novo consumidor, não se trata de quadrinhos feitos com viés jornalístico. É exatamente o contrário. É jornalismo produzido em quadrinhos.
Destaca-se em primeiro lugar o teor jornalístico, valorizado socialmente, tido como "sério". Os quadrinhos vêm em segundo plano, acompanhando o rótulo "principal". Há uma sensível diferença.
Pelo mesmo raciocínio, não se trata de literatura em quadrinhos. É, do ponto de vista do público que não acompanha o tema, literatura feita em quadrinhos.
Não é por acaso que as notícias deste mês abordaram basicamente esses dois temas, jornalismo e literatura.
Mais um dado comprova essa leitura. As editoras de quadrinhos aumentaram o número de inserções na mídia impressa. A Devir registra esse crescimento. A Conrad, também.
O caso da Conrad é ainda mais revelador. Segundo a assessoria da editora, a média mensal de notícias sobre lançamentos em quadrinhos da Conrad de janeiro até o começo de |