31/07/2007
Encadernado de Supremos é lançado em duas versões
O encadernado com as primeiras 13 edições da série "Os Supremos" começou a ser vendido nesta terça-feira em duas versões. 
Categoria: NOTÍCIA
31/07/2007
Encadernado de Supremos é lançado em duas versões
O encadernado com as primeiras 13 edições da série "Os Supremos" começou a ser vendido nesta terça-feira em duas versões. O conteúdo é o mesmo. As diferenças estão na capa e no preço.
A edição vendida nas bancas tem capa cartonada e custa R$ 54,90. A outra versão, em capa dura, sai mais cara, R$ 79, e é encontrada em lojas especializadas em quadrinhos (ao lado).
As imagens de capa também são diferentes.
A obra -rotulada de "edição definitiva- traz o primeiro arco da equipe, já lançado pela Panini, mesma editora do encadernado.
As histórias foram publicadas na revista mensal "Marvel Millennium - Homem-Aranha".
A linha Millennium faz uma interpretação atualizada dos heróis da editora norte-americana Marvel Comics, a mesma de Homem-Aranha e X-Men.
Os Supremos são a versão século 21 dos Vingadores, supergrupo criado por Stan Lee e Jack Kirby no início da década de 1960.
Há os mesmos heróis, mas com personalidades e propósitos bem diferentes.
O Capitão América, líder dos Supremos, faz o que for necessário num combate corpo a corpo. Thor, o Deus do Trovão, é uma espécie de ativista hippie. O Homem-de Ferro é excessivamente egocêntrico e mulherengo.
A maior diferença está no Incrível Hulk. O escritor Mark Millar, autor da série, faz do monstro um ser descontrolado, meio tarado, com toques de canibal.
O "pega" do grupo com Hulk é um dos pontos altos destes números iniciais da série. Os desenhos de Bryan Hitch tornam o personagem e a briga bem mais reais do que na cronologia normal da editora.
O tom realista norteia o texto também. Millar fez da equipe uma unidade a serviço do governo norte-americano.
As histórias funcionam como uma metáfora do papel dos Estados Unidos no mundo, que têm como núcleo político o reforço militar interno e externo.
O tom de crítico à gestão do presidente George W. Bush fica mais explícito na continuação da série, feita pelos mesmos autores.
O desfecho dessa segunda parte também vai ser lançado nesta semana, na edição 67 da revista "Marvel Millennium - Homem-Aranha" (R$ 8, capa dupla abaixo). A história é de maio deste ano.
![]() A Marvel anunciou uma terceira parte, escrita por Jeph Loeb, autor mais conhecido pelos trabalhos com Batman e Super-Homem.
O leitor mais tradicional talvez tenha alguma resistência com as histórias da linha Marvel Millenium. Pelo menos no caso de Os Supremos, vale um esforço para superar esse estranhamento inicial.
A série é um dos melhores e mais polêmicos trabalhos que a Marvel publicou desde os anos 1960.
É um material que faz jus a uma edição encadernada, só arranhada pela demora no lançamento (o álbum tinha sido anunciado para abril).
Post postagem: o blog havia consultado a editora no início da tarde, por e-mail, sobre o atraso no lançamento. A resposta chegou à noite.
O editor-sênior da Marvel no Brasil, Fernando Lopes, disse que a demora se deu por causa de negociação com gráficas.
Segundo ele, isso ajudou a baratear o preço da edição em capa dura, que deveria custar originalmente R$ 84,90.
A editora pretende lançar mais três encadernados: "1602: Edição Definitiva" (nos moldes de "Os Supremos"), "Marvel: 40 Anos no Brasil" e "X-Men Millennium: Retorno à Arma X". Categoria: NOTÍCIA 30/07/2007
Coleção de luxo vai relançar histórias dos Piratas do Tietê
![]() Layout da capa do primeiro volume, programado para agosto
Uma coleção em três volumes vai relançar todas as histórias em quadrinhos dos Piratas do Tietê, personagens criados pelo cartunista Laerte Coutinho. A informação é noticiada em primeira mão pelo Blog.
As edições terão capa dura e 112 páginas cada uma. A primeira foi programada para agosto. As outras duas devem ser lançadas dentro de um ano.
Os volumes serão lançados pelas editoras Devir e Jacaranda, que têm em catálogo outros álbuns com trabalhos de Laerte. Se não houver mudança, vai custar R$ 52.
Cada uma das histórias trará um texto introdutório de Laerte, dando detalhes sobre ela.
O volume de estréia traz sete aventuras dos truculentos personagens, que navegam pelas águas do Rio Tietê, em São Paulo.
A história que deu origem à série, publicada em 1986 no número quatro da revista "Chiclete com Banana", abre o primeiro volume.
Na história de estréia, os Piratas invadem o "Playcenter" (ou "Pleicenter", como diz o capitão da trupe), parque de diversões que fica na Marginal Tietê, ao lado do rio homônimo.
Na invasão, atacam -e devoram- uma orca, uma das atrações do parque.
Laerte explica no texto introdutório dessa história que os Piratas surgiram para atender a um pedido de Toninho Mendes, editor da Chiclete e dono da editora que publicava a revista, a Circo Editorial.
Mendes queria uma história de Laerte na publicação de Angeli. "Depois de umas viagens, cheguei aos Piratas", escreve Laerte, hoje com 56 anos.
"E gostei dos ingredientes: bandidagem, romantismo, humor, aventura, sociologia... o fato de ser no Rio Tietê levou naturalmente ao Playcenter e à orca."
Fotos do rio paulistano e de pontos da cidade compõem o primeiro volume. A edição e projeto gráfico foram feitos por Toninho Mendes, que faz nova parceria com Laerte.
Mendes editou a revista dos Piratas, que foi lançada nas bancas entre maio de 1990 e abril de 1992. Foram 14 números.
Esta nova coleção dos Piratas -que tem o subtítulo "a saga completa"- traz histórias da revista homônima, da "Circo" e da "Chiclete com Banana", todas da Circo Editorial.
"[A coleção] É para reunir, pela primeira vez, todas as histórias dos Piratas", diz Mendes. "E, acima de tudo, é uma homenagem ao Laerte".
Mendes imaginou um diferencial para cada um dos três volumes.
O primeiro terá um perfil de Laerte, de oito páginas. O texto é de Marcelo Alencar, que por muito tempo escreveu sobre quadrinhos no jornal "Estado de S. Paulo".
O segundo número vai trazer o texto da peça "Piratas do Tietê - O Filme", encenada em São Paulo em 2003. O texto é inédito em livro.
O último número terá um pôster colorido dos Piratas.
Embora o foco esteja nas histórias em quadrinhos de mais de uma página, os três volumes trarão algumas tiras. Mas serão poucas.
Elas aparecerão antes das histórias e vão ter a função de antecipar o clima da narrativa.
As tiras dos Piratas foram publicadas por anos no jornal "Folha de S.Paulo" e foram reeditadas pela editora gaúcha L&PM em dois volumes de bolso, lançados no ano passado.
Apesar de o nome das tiras da Folha continuar sendo "Piratas do Tietê" até hoje, eles raramente aparecem nas piadas diárias de Laerte. Ele tem preferido criar um personagem diferente para cada tira. Categoria: NOTÍCIA 29/07/2007
Álbum de Sérgio Macedo sobre o Xingu vai ser lançado no Brasil
![]() O álbum "Xingu!", de Sérgio Macedo, vai ser lançado no Brasil neste segundo semestre.
O livro já foi publicado na França e na Alemanha e é inédito por aqui.
A obra, de 1989, vai sair pela Devir, que fechou contrato com Macedo neste mês.
A editora pretende lançar o álbum até o FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), que tem início no dia 16 de outubro, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
![]() "Xingu!" mostra a visita de um estrangeiro, Vic Voyage, à região do pantanal matogrossense.
Ele descobre com os índios kayapós um Brasil bem diferente do visto no Rio de Janeiro, onde estava.
O aventureiro se torna um aliado dos índios para enfrentar problemas como o desmatamento e a atuação de caçadores, que vendem a pele dos animais no exterior.
O destaque da obra são as imagens realistas dos índios e da região do pantanal.
Um dos personagens que Voyage encontra é o cacique Raoni (na imagem acima e na que abre a postagem), famoso por defender causas indígenas junto a autoridades e personalidades famosas.
Um dos encontros mais noticiados de Raoni foi com o cantor Sting, em 1989.
A história é uma das narrativas que Sérgio Macedo fez depois de conviver com índios do Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso, entre janeiro e fevereiro de 1987.
![]() Há outra obra de Sérgio Macedo, ainda não finalizada, que narra a trajetória cronológica de pelo menos 12 tribos indígenas brasileiras.
O acordo com a Devir prevê a publicação desse trabalho assim que ficar pronto (não há uma data de quando isso vá acontecer).
Os dois álbuns são resultado dos relatos de vida contados pelos próprios índios e passados de uma geração para outra.
"Os índios se intervisitam", disse o desenhista em entrevista veiculada pelo Blog dos Quadrinhos no início de junho.
"As tribos se comunicam muito. Aprendi com os diálogos entre um índio e outro."
![]() O desenhista, hoje com 56 anos, diz que o interesse pelos índios vem desde criança.
Ele mora há quase 26 anos no Taiti, onde vive com a mulher, Nita.
Os dois foram destaque neste mês na cerimônia de entrega do Troféu HQMix, principal premiação da área de quadrinhos no país.
Ele, por ter ganho o prêmio de grande mestre. Ela, por ter mostrado no palco Sesc Pompéia, em São Paulo (local da cerimônia), uma dança típica, parecida com o estilo havaiano (veja imagens aqui).
Os dois estão atualmente no Brasil. Um dos objetivos da viagem era negociar a publicação dos trabalhos de Macedo.
![]() O desenhista é mais conhecido fora do país, principalmente na Europa. Tem 15 álbuns publicados no exterior.
O "desconhecimento" dele no Brasil é porque publicou pouco por aqui.
Sérgio Macedo teve participação em publicações alternativas, como a revista independente "Grilo", que circulou na primeira metade da década de 1970.
Em 1974, viajou para a França, onde firmou a carreira artística e se tornou um bem-sucedido desenhista.
![]() Leia mais sobre a trajetória de Sérgio Macedo aqui.
Veja mais imagens de "Xingu!" na postagem abaixo. Categoria: NOTÍCIA
Livro faz raio-x de desenhos, seriados e quadrinhos japoneses
O livro (capa ao lado), que tem lançamento nesta segunda-feira, em São Paulo, faz um detalhado raio-x da indústria cultural japonesa e da inserção dela no Brasil. A obra da editora Via Lettera (R$ 34) reúne textos feitos pelo ilustrador e professor de desenho paulistano Alexandre Nagado, de 36 anos. Ele produziu nos últimos dez anos artigos para as revistas "Herói" e "Henshin" e sites, como o Omelete. Tornou-se um especialista no tema. O livro é, desde já, uma referência sobre o assunto. As 224 páginas da obra trazem de tudo, dos seriados de monstros, chamados de "tokusatsu", aos animês e quadrinhos japoneses, os mangás. Há produções recentes, caso dos fenômemos "Dragon Ball" e "Cavalerios do Zodíaco", mescladas a outras, que mostram nomes e personagens saudosamente guardados na memória de muitos brasileiros. A lista é longa: Ultraman, Ultra Seven, Spectreman (dos seriados de monstros), Fantomas, A Princesa e o Cavaleiro, o JudoKa e Sawamu, o Demolidor (dos desenhos). Há também a trajetória dos mangás, tanto lá, no Japão, quanto cá. No Brasil, chegaram em 1988, com "Lobo Solitário", da Cedibra, recentemente lançado pela Panini. Curiosamente, não se firmaram no país na época, como tinha ocorrido com os seriados e animês. Os mangás só ganharam um terreno mais sólido neste século. Hoje, possuem uma larga fatia dos quadrinhos vendidos em bancas. O livro traz um detalhado histórico de cada produto. E muitas curiosidades. Um exemplo é um seriado de TV japonês, que tinha o Homem-Aranha como protagonista. A série era uma tentativa da Marvel, editora do personagem, de se inserir no mercado japonês. Segundo o livro, foi exibida entre 1978 e 1979. O herói possuía os mesmos poderes dos quadrinhos. Com uma "pequena" diferença: quando enfrentava monstros, pilotava um robô chamado Leopardon. A série não empolgou. Na leitura de Nagado, faltava ao Homem-Aranha made in Japan um golpe tradicional, como tinham os outros super-heróis do país. Gerações de brasileiros convivem há décadas com os produtos da "cultura pop japonesa". Neste século, os mangás se somaram a esse bolo. Todos estão no livro de Alexandre Nagado, obra que teve a felicidade de usar o nome "almanaque" no título. Tem tudo para conquistar o mesmo público-leitor do "Almanaque dos Anos 80", da Ediouro, que mexe com a memória juvenil do leitor adulto. Ocorre a mesma sensação quando se desfolham as páginas do livro de Nagado. O lançamento da obra é nesta segunda, a partir das 19h30, na Menor Livraria do Mundo, que funciona no Jeremias o Bar (rua Avanhandava, 37, no centro de São Paulo). Categoria: NOTÍCIA 28/07/2007
Luke Ross, Bá e Moon participam da estréia de revista virtual nos EUA
Os desenhistas brasileiros Gabriel Bá, Fábio Moon e Luke Ross participam do número de estréia da revista norte-americana "Dark Horse Presents".
Os três trabalham em histórias diferentes.
A publicação da editora Dark Horse foi feita apenas para ser lida na internet.
O acesso é gratuito e está disponível no site MySpace.
Bá e Moon -e a Dark Horse- divulgam a novidade na San Diego Comic Con, principal encontro de quadrinhos dos Estados Unidos.
Os dois brasileiros participam do evento.
![]() Fábio Moon desenha "Sugarshock!", história de oito páginas que mistura rock com um clima tecnofuturista.
A protagonista, Dandelion, é vocalista de uma banda que tem um robô nas guitarras.
A imagem acima é um das seqüências da história, escrita por Joss Whedon, criador da série de TV "Buffy, a Caça Vampiros".
Ele é também o escritor de "Os Surpreendentes X-Men", título da Marvel Comics que voltou a ser publicado este mês no Brasil na revista "X-Men Extra", da editora Panini.
Gabriel Bá, que criou com o irmão Fábio Moon as histórias de Dez Pãezinhos, faz uma narrativa curta da série "The Umbrella Academy". O título é "Safe & Sound".
A história é escrita por Gerard Way, cantor da banda My Chemical Romance.
É dele também o texto da série homônima, desenhada por Bá.
![]() Luke Ross assina a arte de um conto curto, de oito páginas de "Samurai - O Céu e a Terra".
A imagem acima é de um trecho da história. No conto, o samurai que dá nome à história disputa um espaço numa floresta.
As primeiras histórias do personagem foram publicadas no Brasil pela Devir em fevereiro (leia aqui).
O herói é um peregrino que busca a noiva, seqüestrada. O texto é de Ron Marz.
A participação dos brasileiros, na verdade, marca uma reestréia da revista. A "Dark Horse Presents" já teve uma versão impressa, publicada na década de 1990.
A publicação abrigou histórias curtas de séries famosas, como Concreto, de Paul Chadwick, e Sin City, de Frank Miller.
Para acessar o primeiro número da revista, clique aqui.
Categoria: NOTÍCIA 27/07/2007
Domingo é dedicado aos quadrinhos em Santos Um dia dedicado às histórias em quadrinhos. É a idéia do "HQ - Arte no Lápis", marcado para este domingo em Santos, no litoral paulista.
As atividades são gratuitas e vão das 9h30 às 19h. A programação inclui palestras, oficinas de desenho e de produção de fanzines.
O evento é promovido pela União dos Desenhistas da Baixada Santista. O grupo reúne profissionais dos quadrinhos do litoral sul de São Paulo.
Vários deles participam do "HQ - Arte no Lápis", que vai ocorrer na Gibiteca de Santos (posto 3, na orla da praia).
Categoria: NOTÍCIA
Novo número da Chiclete traz origem de Mara-Tara
A segunda edição da "Antologia Chiclete com Banana" -que começou a ser vendida nesta semana nas bancas (Nova Sampa/Devir, R$ 5,90)- traz a história de como surgiu a obcecada Mara-Tara.A recatada doutora Mara contraiu um vírus que causa uma mutação no corpo dela.
Em momentos de alta tensão (ou de alto tesão, como diz a revista), ela se transforma na insaciável personagem.
A história de Angeli, publicada em novembro de 1986, não é o único destaque da revista. Há também encontros curiosos.
Rê Bordosa -morta por Angeli em 1987- recebe os pais no banheiro onde enfrenta sua eterna ressaca.
O guru Rhalah Rikota encontra Mr. Natural, personagem de Robert Crumb, um dos principais autores do quadrinho underground norte-americano (e uma das inspirações de Angeli).
A "Antologia Chiclete com Banana" foi programada para ter 16 números, todos mensais. A proposta é trazer as principais histórias da revista, que foi publicada entre 1985 e 1990 pela Circo Editorial.
Leia mais aqui.
Categoria: NOTÍCIA 26/07/2007
Justiça espanhola tira das bancas revista de humor gráfico
A edição da revista de humor "El Jueves", da Espanha, que começou a circular na semana passada, foi recolhida das bancas por ordem da justiça.Um juiz espanhol acionou um artigo do código penal do país que proíbe injúria a membros da coroa.
A capa da revista, reproduzida ao lado, ironizava a decisão do primeiro-ministro espanhol, José Luiz Zapatero, de conceder 2.500 euros (mais ou menos R$ 6.500) a casais para cada filho que tivessem no país a partir de agora.
A revista semanal de humor gráfico estampou na capa o príncipe Filipe de Bourbon na cama fazendo sexo com a esposa, a jornalista Letizia Ortiz.
Bourbon, de 39 anos, é filho do rei Juan Carlos 1º e da rainha Sofia e herdeiro do trono espanhol.
Na charge, o príncipe diz, numa tradução adaptada:
- Viu? Se ficar grávida, isso vai ser a coisa mais parecida com trabalho que já fiz na vida!
O caso foi noticiado por vários sites de notícias, de diferentes partes do mundo. Até onde se pôde apurar, a maioria interpretou a decisão da justiça espanhola como um ato de censura.
O site do "Repórteres sem Fronteiras", organização internacional que defende a liberdade de atuação da imprensa, condenou a atitude da justiça espanhola e pediu mudanças no código penal do país.
“A liberdade de caricaturar é um dos componentes da liberdade de expressão", diz a entidade, em nota colocada no site.
"Compreendemos que haja quem possa ver mau gosto na charge do ´El Jueves', mas nada justifica o que é, nem mais nem menos, um ato de censura."
O presidente da ACB (Associação dos Cartunistas do Brasil), José Alberto Lovetro, o JAL, também vê no caso restrição à liberdade de expressão."Eu acho que tem, sim, um resquício de censura. Se você der abertura para isso, ninguém vai publicar mais nada", diz.
Ele acredita que quem sai perdendo é o próprio príncipe. A censura dá visibilidade à charge e o caso repercute ainda mais.
A resposta da revista veio na capa da edição desta semana (ao lado).
O príncipe é desenhado como um zangão e a rainha, como uma flor. Acima da charge, há a frase:
- Retificamos! Esta é a primeira página que queríamos publicar! Categoria: NOTÍCIA
11 de Setembro e o discurso nas mídias
A real análise de um fato se dá com um necessário distanciamento histórico. O espaço de seis anos já autoriza uma leitura mais crítica da participação do Homem-Aranha no desastre do 11 de Setembro de 2001, relançada nesta semana. A história foi publicada pela primeira vez no Brasil um ano após os atentados. Esta reedição integra o sexto e último volume da coleção "Homem-Aranha – Grandes Desafios" (Panini, R$ 18,90), que reúne histórias clássicas do personagem da editora Marvel Comics. Nos Estados Unidos, a história, de 22 páginas, foi publicada três meses após os ataques aéreos. Dois aviões se chocaram contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, que vieram abaixo. Um terceiro avião atingiu o Pentágono, sede do departamento de defesa norte-americano, e outro caiu na Pensilvânia. Na época, imperava nos Estados Unidos um clima de estupefação, incredulidade e dor. Esses sentimentos imediatamente migraram para a grande mídia e nublaram a necessária cobertura crítica dos acontecimentos. Emissoras de TV e jornais concordaram em não criticar a gestão de George W. Bush, que tinha seu mandato presidencial em queda de popularidade. Os atentados deram uma guinada nos índices de aprovação dele. A postura acrítica da cobertura dos eventos pós-11 de Setembro migrou para as agências internacionais. Elas reproduziam o mesmo tom nas notícias enviadas ao exterior. Grande parte dessas informações chegou ao Brasil impregnada de emoção. Aqui, redações enxutas impediam -e impedem- uma cobertura detalhada in loco. Havia poucos correspondentes. A saída era -ainda é- usar material das agências. Reproduzimos –eu me incluo, estava na TV Cultura na época- muito do olhar enviado pelos Estados Unidos. O discurso do governo norte-americano era "comprado" de maneira acrítica, com raras exceções. A estratégia da gestão Bush era usar rótulos vazios e expressões de efeito, reproduzidos ipsis literis. O recurso migrava para a mídia. A história, sábia conselheira, revelou um contra-argumento para cada argumento da gestão Bush. Maior atentado da história? E as bombas de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945? Um olhar autobiográfico sobre isso foi feito nos livros da série "Gen – Pés Descalços", de Keiji Nakazawa, já lançados no Brasil pela Conrad. "Há armas químicas no Afeganistão e no Iraque". Não havia, como o próprio governo admitiu anos depois. "Temos de combater o terror"? O que é exatamente terror? É uma palavra com conteúdo negativo, mas intencionalmente oca. A própria ONU (Organização das Nações Unidas) passou a discutir uma definição para "terrorismo", que até então inexistia. "Temos de livrar o povo iraquiano de um ditador assassino". Saddam Hussein foi julgado e enforcado após a invasão norte-americana, feita sem aval da ONU. O enforcamento foi, inclusive, filmado por um telefone celular e inserido no YouTube, site específico de vídeos. Já há literatura suficiente para corroborar essa leitura. Para ficar em um exemplo, há a longa análise de Carlos Dorneles, repórter da TV Globo, no livro "Deus É Inocente, a Imprensa, Não", da editora Globo. Dorneles detalha como se deu essa reprodução do discurso nos veículos impressos brasileiros. Para ele, a mídia distorceu e autocensurou o episódio. O Homem-Aranha, na história relançada nesta semana, está inserido nesse circo midiático. A presença dele nos escombros do World Trade Center, bem como de outros heróis, reproduz o tom comovente vivido e sentido pelo povo norte-americano, algo que deve ser sempre respeitado. Mas, ao mesmo tempo, evidencia que era o porta-voz do discurso da editora que o publica, a Marvel Comics. Mas é um discurso volátil, que se molda ao momento. A Marvel de 2001 nem parece a mesma editora que, hoje, bate forte na administração Bush nas histórias do Esquadrão Supremo e de Os Supremos. O Brasil viveu neste mês um acidente aéreo de proporções menores se comparado ao norte-americano, mas tão trágico e sério quanto qualquer perda de vida (foram 199 mortes até agora causadas pela queda do avião da TAM ao lado do aeroporto de Congonhas). Que discurso estamos reproduzindo? A história dirá. Categoria: NOTÍCIA 25/07/2007
Lançado catálogo com charges do festival de prevenção contra Aids
Foi o que uniu as 300 charges do catálogo do 1º Festival Internacional de Humor, DST & Aids, obra que começa a ser vendida neste fim de mês (R$ 50). O livro reúne apenas os trabalhos selecionados, como este ao lado, do espanhol Andrés Furtado. Foram 1.200 trabalhos, de diferentes países. O festival foi organizado em 2003 pelo Ministério da Saúde e pelo Imag (Instituto do Memorial de Artes Gráficas do Brasil). O lançamento do catálogo estava previsto desde O livro (capa ao lado) só vai ser vendido na Menor Livraria do Mundo, que funciona no Jeremias o Bar (rua Avanhandava, 37, no centro de São Paulo). O catálogo vai estar à disposição nos dias de lançamento de obras. O próximo é do livro "Almanaque da Cultura Pop Japonesa", na segunda-feira que vem. Categoria: NOTÍCIA
Sábat vai participar do próximo Ilustra Brasil
O desenhista Hermenegildo Sábat vai ser o destaque internacional do Ilustra Brasil 4, principal evento da ilustração no país.
A palestra dele foi agendada para o dia 7 de agosto, às 20h, no Senac Lapa, em São Paulo, local desta edição do Ilustra Brasil. Ele vai coordenadar também uma oficina de desenho.
É de Sábat a caricatura ao lado, de Carlos Gardel (1890-1935), mais famoso cantor de tango da Argentina. A imagem, de 1985, é uma das disponíveis no site do desenhista (clique aqui).Segundo a página virtual, Sábat nasceu em Montevidéu, no Uruguai, em 1933. Mas fez carreira na Argentina. Publica ilustrações no jornal "Clarín" há quase três décadas.
Em 1997, recebeu o título de "cidadão ilustra de Buenos Aires", cidade onde mora desde 1966. Em 1980, tornou-se cidadão argentino.
Sábat vai abrir o evento, promovido pela SIB (Sociedade Brasileira dos Ilustradores). As outras palestras serão nas semanas seguintes e terão autores brasileiros.
O ciclo de debates vai abordar temas como grafiti, animação e técnicas de desenho. Todas são gratuitas, mas há necessidade de inscrição prévia (feita pelo site do Sesc).O Ilustra Brasil terá também exposições de 94 desenhistas brasileiros, que podem ser vistas até 6 de setembro. A ilustração do cartaz ao lado é de Gonzalo Cárcamo.
Entre os expositores, figuram nomes como , Spacca, Orlando Pedroso, Fábio Zimbres e José Luiz Benício, famoso por criar cartazes de filmes nacionais nos anos 70 e 80. Categoria: NOTÍCIA 24/07/2007
Angeli matou Meiaoito?
A tira acima é o último registro de Meiaoito. O revolucionário personagem foi atropelado e esmagado por um caminhão da Coca-Coca, empresa-símbolo do grande império capitalista (na visão de Meiaoito, claro). O flagrante veio a público na sexta-feira passada. Circulou no caderno Ilustrada do jornal "Folha de S.Paulo", de onde foi reproduzida. Desde então, não se tem notícias do personagem, tido como o último comunista vivo. Ainda acreditava na tomada do poder via revolução. Nanico testemunhou a cena do atropelamento. Ele era o fiel seguidor de Meiaoito na causa revolucionária. Embora não seja relevante para este caso, há farto material de arquivo que revela cenas de assédio de Nanico para cima do parceiro. Pelo que se sabe, ficou apenas no flerte. O suspeito do possível crime é Angeli, criador do personagem e autor das tiras de Chiclete com Banana. Ele é réu confesso do assassinato de outro personagem. Angeli matou a "porraloca" Rê Bordosa quatro anos após da primeira aparição dela nos quadrinhos. A cena foi mostrada num especial da revista "Chiclete com Banana", de dezembro de 1987. Houve uma segunda edição em agosto de 1991. Toninho Mendes, cúmplice de Angeli na morte de Rê Bordosa, disse por telefone estar tão surpreso quanto os leitores da Folha. Mendes era o editor da revista "Chiclete com Banana". Ele é também o responsável pela antologia da publicação, lançada mês passado. As buscas ao suspeito principal continuam. Angeli foi procurado ontem, por telefone. Até este momento, não ligou de volta. O testemunho dele é essencial para saber o real destino de Meiaoito. As tiras de sábado, de segunda-feira e de hoje têm abordado outros temas. Os quadrinhos têm vários casos de personagens que morrem e voltam. Fradinho Baixinho e Graúna, de Henfil, servem de exemplos aqui no Brasil. Mas há muitos outros que morrem e não voltam. Nas últimas tiras de Meiaoito, publicadas desde o mês passado, ele era mostrado em crise existencial. Em seu banheiro, reavaliava seu papel na revolução e via vários fantasmas, de Che Guevara a Stálin. Um dos conselhos que ouviu é que o tempo de revolução já havia terminado. "Se não pegou ninguém naquela época, não vai pegar agora", disse um dos fantasmas. Angeli matou mesmo Meiaoito? Categoria: NOTÍCIA 23/07/2007
Autores de revistas independentes começam a trabalhar em conjunto
Hoje à noite, há lançamento simultâneo de três publicações independentes em São Paulo: "Zine Royale" 2, "Garagem Hermética" 3 e "O Contínuo" 6 (esta edição, com 58 páginas, traz quatro histórias baseadas em futebol). Esse lançamento em conjunto, dizem os autores, é uma coincidência de datas. Mas a junção de forças é bem real. "Há um movimento de união, sim", diz Cadu Simões, participante da "Garagem Hermética" e primeiro editor da revista. A publicação é feita pela Sócios Ltda. O grupo se conheceu em 2005 num "Começamos a perceber que os nossos públicos são praticamente os mesmos", diz. "E é interessante notar que o público leitor de quadrinhos independente não é o mesmo do de banca." Simões, um professor de história de 25 anos, mantém contato hoje com autores independentes de pelo menos sete estados do país. Um dos primeiros reflexos disso foi no HQMix deste ano. Havia uma dezena de títulos independentes vendidos numa mesma banca. Outro reflexo, não visto pelo público leitor, é a troca de revistas entre os autores. Essa permuta ajuda a distribuir as publicações em diferentes estados. "Uma das nossas maiores dificuldades encontradas como quadrinistas independentes é a distribuição das revistas", diz Simões, que escreve histórias para outra publicação independente, "Homem-Grilo", já na 42ª edição. "Percebo que há muita gente interessada em comprar quadrinhos independentes, mas não sabe onde achar." O grupo decidiu, então, concentrar as publicações em dois sites, Loser Graphics (clique aqui) e Bodega (aqui). As páginas virtuais funcionam como um grande catálogo de vendas. Já se discute a criação de um outro site e de um blog, com "check lists" das novas publicações, experiência que já é feita em parte das revistas. As últimas edições de "Homem-Grilo", de São Paulo, e "Quadrinhópole" e "Avenida", do Paraná, trazem no final da revista uma lista dos lançamentos independentes mais recentes. A expectativa do grupo é que outros autores façam o mesmo. "No geral, o plano é fazer com que a cena de quadrinhos independente atravesse a barreira do underground e se torne cada vez mais visível para o leitor que ´vive na superfície´", diz Simões, que mora em Osasco, cidade da grande São Paulo. (Continua na próxima postagem) Categoria: NOTÍCIA
Autores de revistas independentes começam a trabalhar em conjunto 2ª parte
(Continuação da postagem anterior) Segundo Jorge Otávio Zugliani, mais conhecido como Jozz, editor e um dos autores de "Zine Royale", os primeiros contatos reais começaram no primeiro semestre deste ano. Um evento de quadrinhos em São Paulo reuniu num mesmo local vários autores independentes. Foi o começo de uma conversa de soma de forças e de troca de experiências. "Com tantos lançamentos, nossas caixas de e-mails este mês estavam cheias de sugestões de orçamento de gráficas, um ajudando o outro", diz. "Isso não acontecia antes." A parte do custo da publicação é outro ponto comum enfrentado pelo grupo. Os preços variam de edição para edição, porque variam também a gráfica e o número de páginas. Esta segunda edição de "Zine Royale", que tem lançamento hoje à noite, custou R$ 500. Foram impressos 500 exemplares em preto-e-branco e formato A6. "Na verdade, consegui baixar pra 0,80 pois consegui R$ 100 de patrocínio", diz Jozz, um paulistano de 23 anos. "Só gastei 400, que veio praticamente da venda do anterior e um pouco do bolso." "Vendo a R$ 3, pois está na faixa de todos, e dá perfeitamente para fazer um esquema de distribuição independente que estou tentando testar. Venderei 20 unidades a R$ 2,00 cada uma pra um quadrinista de Porto Alegre, por exemplo", diz. "Paguei meu custo, e tenho um pouco de lucro. O cara pega as 20 unidades e vende/distribui lá a R$ 3,00, levando a parte dele. Não é nada demais, muitos devem fazer isso. Mas é a primeira vez que estou tentando." O "Zine Royale" surgiu a partir de aulas de quadrinhos da "Quanta Academia de Artes" de São Paulo, em 2005. Jozz foi um dos poucos que permaneceram à frente da publicação. A diferença de tempo no lançamento das duas edições se deu por causa de outros projetos. Ele, por exemplo, finalizava "O Circo de Lucca", trabalho de conclusão de curso da Universidade Mackenzie, defendido em dezembro do ano passado. A pesquisa, feita na forma de quadrinhos, vai ser lançada este ano pela Devir (leia mais aqui e aqui). Serviço. O lançamento de "Zine Royale", "O Contínuo" e "Garagem Hermética" começa às 19h30. Vai ser na Menor Livraria do Mundo, que funciona no Jeremias o Bar (rua Avanhandava, 37, centro de São Paulo). No evento, vai ser lançado também o quinto número da revista "Mundo dos Super-Heróis", vencedora do HQMix deste ano de melhor publicação especializada em quadrinhos. Categoria: NOTÍCIA
Revista do Fantasma reaparece nas bancas
A revista "O Fantasma" voltou às bancas no fim dessa última semana. Os créditos finais indicam que a edição é de junho. Este terceiro número de "O Fantasma" (Mythos, R$ 5,99) traz três histórias inéditas do herói, criado em 1936 por Lee Falk e Ray Moore. Falk (1911-1999) assina duas das aventuras, publicadas nos Estados Unidos em 1989. Os desenhos são de Sy Barry, que trabalhou com o personagem por mais de 30 anos. A outra história, que abre a edição, é de Toni de Paul e Graham Nolan. Foi lançada entre abril e setembro de 2006 em páginas dominicais. A Mythos lançou também uma edição especial com histórias do "espírito-que-anda", como o herói também é conhecido. Saiu em março. Leia mais aqui. Categoria: NOTÍCIA 21/07/2007
Jornal argentino faz caderno especial sobre morte de Fontanarrosa
O criador de personagens como Inodoro Pereyra –ao lado, o mais popular- morreu na última quinta-feira, aos 62 anos, na cidade argentina de Rosario. "El Negro", como também era conhecido, sofria uma doença neurológica degenerativa, que já o impedia de desenhar (leia mais aqui). A notícia do falecimento ganhou destaque nas Os sites do "Página 12" e do "Clarín" destacaram a morte como a segunda principal notícia do dia (a primeira era o anúncio da candidatura da senadora Cristina Kirchner, esposa de Nestor Kirchner, à Presidência). O "Clarín", jornal mais vendido do país, colocou o assunto na capa na edição impressa de sexta-feira. Mais ainda. O jornal trouxe um caderno especial de 12 páginas sobre o desenhista e escritor. O suplemento trazia a notícia da morte em si, contos de Fontanarrosa, biografias de personagens dele e depoimentos. Um deles era de Maitena, autora de "Mulheres Alteradas", um dos poucos trabalhos argentinos publicados no Brasil. "Para mim, como desenhista, foi o melhor: superexpressivo, contundente, seguro", disse Maitena em seu depoimento, que ocupava uma coluna da página três do caderno especial. O suplemento foi intitulado "Que lo parió!". A expressão era uma das marcas registradas do cãozinho de Inodoro Pereyra, Mendieta, como mostram as ilustrações desta postagem. Na página final do "Clarín", reservada às tiras cômicas, dois dos autores dedicaram a história do dia à memória de Fontanarrosa. Como esta, de "Yo Matías", feita por Sendra. Mais de uma vez, este blog questionou por que há um histórico "bloqueio invisível" à publicação do quadrinho argentino aqui no Brasil. A cobertura da mídia argentina à morte de um de seus melhores desenhistas dá uma boa dica da resposta. Categoria: NOTÍCIA
Acidente em Congonhas vira tema de charge interativa O acidente com o avião Airbus-A320 da TAM virou tema de uma charge interativa no fotoblog do desenhista JAL (José Alberto Lovetro). Ele apresentou a imagem ao lado e pede aos internautas idéias para desenhar novas charges sobre o tema. O autor da melhor sugestão ganha quadrinhos. O humor de uma charge, não custa lembrar, é uma das mais contundentes formas de crítica. Para acessar –ou conhecer- a página virtual, clique aqui. Categoria: NOTÍCIA 20/07/2007
Tomaram emprestado o top top de Henfil
O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, protagonizou ontem, em Brasília, uma cena típica dos quadrinhos do cartunista Henfil (1944-1988).Uma câmera da TV Globo flagrou Garcia batendo uma das mãos, fechada, na outra, aberta. Ele fez o gesto três vezes.
A cena foi exibida no "Jornal da Globo" de ontem (a reprodução, ao lado, foi feita pela Folha Online).
Trata-se do "top top", gesto que se tornou uma das marcas registradas do Fradinho Baixinho (ou Baixim), criado por Henfil em 1964.A rádio CBN noticiou o caso hoje de manhã como sendo o gesto do "top top".
O personagem era ácido nas diabruras. Dividia as histórias com o Fradinho Comprido, mais ingênuo.
A dupla foi publicada no jornal alternativo "Pasquim" e, nos anos 1970, em publicação própria, "Fradim", da editora Codecri.
É do número 12 da revista, de agosto/setembro de 1976, a imagem ao lado.
Garcia e um de seus auxiliares, Bruno Gaspar, assistiam à reportagem do "Jornal Nacional" que mostrava haver defeito no Airbus-A320, da TAM.
O avião caiu ao lado do aeroporto de Congonhas na quarta-feira, com 186 pessoas a bordo. Não houve sobreviventes.
Os dois estavam no terceiro andar do Palácio do Planalto. A janela estava aberta. A Câmera estava do lado de fora.
O auxiliar de Garcia fez outro gesto, em que puxa os braços para trás na direção do tronco.
O assunto repercutiu hoje nos jornais, nos sites de notícias e já entrou no YouTube, página virtual específica de vídeos. Alguns veículos noticiaram o caso como obsceno.
Outro lado.
Marco Aurélio Garcia divulgou hoje uma nota, reproduzida pela Folha Online. Garcia diz que foi uma reação pessoal, feita em privado, que demonstrava sentimento de indignação.
"Sem nenhuma investigação, ou parecer técnico consistente, importantes setores dos meios de comunicação não hesitaram, poucas horas depois do acidente, em lançar sobre o governo a responsabilidade da tragédia de São Paulo, como já haviam feito anteriormente com a queda do avião da Gol", disse, na nota.
"Os novos fatos mereceriam ao menos o reconhecimento de que houve precipitação e desinformação da opinião pública."
"O sentimento que extravasei, em privado, foi e é de repúdio aqueles que trataram sordidamente de aproveitar a comoção que o país vive, para insistir na postura partidária de oposição sistemática a um governo duas vezes eleito pela imensa maioria do povo brasileiro."
Garcia, na nota, também pede desculpas pelo gesto. "Aos que possam, ainda assim, sentir-se atingidos por minha atitude, apresento minhas desculpas."
Categoria: NOTÍCIA
52: o próximo passo na engenharia editorial da DC Comics
A história está inserida numa série de acontecimentos da editora norte-americana DC Comics iniciada anos atrás. "52" é parte dessa engrenagem editorial. A DC –que publica Super-Homem, Batman, entre vários outros- decidiu há alguns anos que era de recolocar o trem nos trilhos (leia-se: aprimorar a qualidade das revistas para melhorar a concorrência com a rival Marvel, de Homem-Aranha e X-Men). Chamou seus escritores de mais destaque e pediu idéias. O resultado foi um plano de ação de longo prazo. Por dois anos, houve indícios nas revistas mensais de que algo iria acontecer. Esse "algo" recebeu o nome de "Crise Infinita", minissérie em sete partes que precede "52". A história, já lançada no Brasil, era para ser o ponto alto dessa volta aos trilhos. Percebe-se que não era. A série também era um dos elementos da engrenagem, que ainda não terminou nos Estados Unidos (a editora confirmou que vai haver mais uma crise, batizada de "Crise Final). Mas onde exatamente "52" se encaixa? Antes do fim de "Crise Infinita", as histórias de todos os super-heróis da editora deram um salto de um ano. Os leitores passaram, de um mês para o outro, a ver mudanças que não souberam como aconteceram (leia mais aqui). "52" conta o que se passou nesse "ano perdido". O nome corresponde a cada uma das semanas do ano. Nos Estados Unidos, a minissérie foi lançada semanalmente. No Brasil, a minissérie será mensal, em 13 partes. Esta primeira edição da Panini traz os quatro primeiros números, escritos por quatro das "estrelas" da casa: Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka e Mark Waid. Os desenhos das histórias iniciais são do brasileiro Joe Bennett, forma como Bené Nascimento assina os trabalhos que faz. A "engenharia" da DC Comics surtiu efeito. Tanto em vendas quanto na concorrência. A Marvel preparou –aparentemente às pressas- sua versão de "crise": "Guerra Civil", também lançada no Brasil neste mês (leia aqui). Categoria: NOTÍCIA 19/07/2007
Morre o desenhista argentino Roberto Fontanarrosa
Morreu nesta quinta-feira, na Argentina, aos 62 anos, o desenhista Roberto Fontanarrosa. Ele era um dos principais autores do humor gráfico argentino.
A causa da morte foi uma parada cardíaca. "El Negro", como também era conhecido, estava doente havia alguns anos.
Segundo os sites de notícias argentinos, ele sofria de uma doença neurológica, que o fez perder gradativamente os movimentos. Já não vinha desenhando mais.
Fontanarrosa era para os argentinos -numa tentativa de analogia- o que Henfil, Millor ou Ziraldo representam para os brasileiros.
Para se ter uma idéia da popularidade do desenhista, os sites do "Clarín" e do "Página 12" -dois dos principais jornais de Buenos Aires- colocavam a morte dele como segunda manchete de destaque no início da noite.
A primeira manchete era a cerimônia em que a senadora Cristina Kirchner, esposa de Nestor Kirchner, anunciava sua candidatura à Presidência do país.
Um dos poucos trabalhos de Fontanarrosa publicados no Brasil foi o álbum "Boogie - O Seboso", da editora gaúcha L&PM (capa ao lado). Não importava o problema, Boogie o resolvia à bala.O personagem de queixo grande e cigarrinho no canto da boca foi criado em 1972 na revista "Hortensia", que abrigou trabalhos de vários desenhistas de humor argentinos.
A criação mais famosa de Fontanarrosa é outra, surgida na mesma época: Inodoro Pereyra. O personagem é a representação do estereótipo das características de um argentino nato, segundo descrição do autor.
As livrarias argentinas vendem, já faz tempo, uma antologia de luxo de Inodoro Pereyra, nos mesmos
moldes de "Toda Mafalda", de Quino (tanto no formato quanto no uso de capa dura).É apenas uma das várias publicações de Fontanarrosa, que também era escritor. Ele teve também uma farta contribuição na imprensa argentina, como o jornal "Clarín".
Existe um fotoblog em homenagem a ele. Uma das ilustrações é do brasileiro Bira Dantas, mostrada ao lado.
Segundo Dantas, foi enviada a Fontanarrosa ainda em vida. Para acessar, clique aqui.
Há também na internet um site oficial do desenhista argentino. Para ler, clique aqui. Categoria: NOTÍCIA
Pesquisa da USP mostra influência de Steinberg no cartum brasileiro
Uma pesquisa da USP (Universidade de São Paulo) mostra que o estilo de desenhistas brasileiros do humor gráfico, como os da chamada "geração Pasquim", teve muita influência do ilustrador Saul Seinberg (1914-1999).O mestrado é de autoria de Daniel Bueno, que também é ilustrador. O estudo demorou três anos para ficar pronto e foi defendido em maio na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo).
Steinberg esteve no Brasil em 1952. Expôs no Masp (Museu de Arte de São Paulo). Segundo Bueno, isso ajudou a fazer com que se tornasse a primeira referência de vários desenhistas daqui.
"Diria que o cartum de Steinberg foi uma das maiores referências desde gênero moderno de
cartum que passou a ser produzido: mais gráfico, mudo, sintético, abstrato", diz Bueno, por e-mail."O que procuro fazer é contextualizar toda sua produção no meio das artes gráficas -cartum, charge, ilustração, design gráfico."
O pesquisador paulistano, de 33 anos, deixa claro que Steinberg não é o criador do humor mudo. Mas ter feito cartuns menos realistas e mais abstratos e metafóricos funcionou como um divisor de águas na área.
O ilustrador romeno, naturalizado norte-americano, fazia desenhos que fazia para a revista "The New Yorker" (ao lado, uma das capas dele), que circula nos Estados Unidos desde 1925.
Muito da repercussão de seu trabalho,
principalmente a partir dos anos 1950, vem da publicação. Apesar disso, não havia ainda um estudo sobre o assunto, segundo Bueno.O ineditismo da pesquisa dele ajudou na elaboração de outra obra sobre o ilustrador, "Saul Steinberg: Iluminations", lançada pela Steinberg Foundation, com sede em Nova York.
"Colaborei com muitas informações novas sobre o desenhista e meu nome aparece nos
agradecimentos", diz. O livro conta em detalhes a obra e a carreira de Steinberg.Mas não mede o impacto dos trabalhos nas artes gráficas, como fez o estudo de Bueno.
Este é um ano especial para ele. Não só pelo mestrado. O ilustrador, que teve quadrinhos publicados nas revistas "Front" e "Ragú", foi um dos vencedores do último HQ Mix (é dele a arte ao lado).
Ele foi escolhido melhor ilustrador de livro infantil, pela arte feita para "Histórias de Bicho Feio", da Companhia das Letrinhas.
A experiência de ilustrador já levou seus trabalhos a vários eventos de humor gráfico do exterior. Ele vê no desenho uma espécie de linguagem universal.
"Quaisquer que sejam os países, as pessoas parecem compreender meu trabalho, seja nos Estados Unidos, Brasil, Índia, Irã, Bolívia."Ele faz planos de produzir uma história em quadrinhos neste semestre. Diz que "vai ser uma prioridade".
Pretende também dar seqüência aos estudos de artes gráficas, com prioridade à produção brasileira.
Na entrevista, mostrada na próxima postagem, ele dá mais detalhes sobre o mestrado, intitulado "O Desenho Moderno de Saul Steinberg: Obra e Contexto." Categoria: ENTREVISTA
Pesquisa da USP mostra influência de Steinberg no cartum brasileiro 2ª parte
(Continuação da postagem anterior)
Entrevista: Daniel Bueno
Blog - Você considera o trabalho de Steinberg um divisor de águas na forma como o cartum passou a ser produzido no mundo. Essa influência vale também para a geração de desenhistas brasileiros de humor surgida a partir dos anos 60/70?Daniel Bueno - Sim, é possível considerar seu trabalho um divisor de águas. Sua influência foi fundamental para a geração de cartunistas do Pasquim, como Millôr, Ziraldo, Jaguar, Borjalo, Fortuna, Claudius. No livro de Herman Lima "História da Caricatura no Brasil", publicado em 1963, é interessante constatar como o autor percebe o surgimento de um novo cartum ao comentar o trabalho de Borjalo. Outros artistas de gerações seguintes, como Mário Vale e Guto Lacaz, também extraíram lições de Steinberg. Sua influência pode ser sentida até os dias de hoje, em maior ou menor grau. É referência mesmo para aqueles que não apresentam uma relação tão direta com seu trabalho; Paulo Caruso o homenageou na Bundas, quando Saul faleceu; outro dia, o Angeli dedicou uma tira da Chiclete com Banana a ele. Blog - Você fala de um cartum antigo, em oposição a outro, mais novo. Do que se trata o antigo? Bueno - O cartum antigo seria aquele dependente de legendas, mais atrelado a situações (com maior presença do fator "tempo") do que a abstrações. Havia também uma maior necessidade de "explicar" o que ocorria. Eram comuns nos cartuns de Bordalo Pinheiro (final do século 19), por exemplo, inscrições no próprio corpo dos personagens, para deixar claro o que representavam. Nas típicas charges de J. Carlos, com desenho evidentemente mais moderno, ainda assim predominavam as situações com legendas. Quando havia simbolismo e alguma ilusão e ambigüidade gráfica, o cartum não conseguia ser resolvidos unicamente a partir dos atributos do desenho - recebia sempre o apoio de uma explicaçãozinha textual extra. Também é importante fazer um paralelo de Steinberg com a ilustração: neste caso, o contraponto ao seu desenho abstrato e cheio de alusões simbólicas seria o realismo de Norman Rockwell. Várias das soluções "antigas" continuam atuais, no entanto. Serviram de contraste à novidade do cartum moderno, mas isso não significa que o realismo ou o uso de legendas sejam coisas ultrapassadas - o termo "antigo" não deve ser visto aqui em sentido pejorativo. Blog - Qual a relação de Steinberg com os quadrinhos?Bueno - Steinberg não era exatamente um quadrinista, daqueles que colaboram para publicações do gênero. Mas muitas das páginas que fez para a "New Yorker" a partir dos anos 1970 eram estruturadas em "quadrinhos", de dois a seis quadros com desenhos por página, que, por mais que tivessem sua autonomia, estabeleciam alguma relação entre si ao serem colocados lado a lado. Steinberg também fez algumas histórias em quadrinhos experimentais metalingüísticas. E chegou a esboçar quadrinhos curtos autobiográficos (publicados no recente livro "Saul Steinberg: Illumination"). A relação de seu trabalho era mais direta com o universo dos cartunistas. De qualquer modo, os aspectos do cartum moderno como desenho simples, sintético, humor mudo, os recursos gráficos ilusórios e metalingüísticos podem ser considerados contribuições para os quadrinhos também (um bom exemplo são alguns quadrinhos de Quino).
Blog - Por que a escolha dele como tema da pesquisa? Bueno - Tinha interesse em pesquisar a ruptura promovida pelo cartum moderno, caracterizada por abordagens mais "gráficas" e humor mudo, em trabalhos de desenho simples e sintético. Percebi que Steinberg era importante referência e quando resolvi me centrar em um nome, achei que o melhor seria partir dele, uma vez que ainda havia sido pouco estudado. Blog - Pretende dar seqüência ao estudo num doutorado? Ou abordar tema parecido? Bueno - Pretendo prosseguir com o estudo do desenho moderno nas artes gráficas, priorizando a produção brasileira. A banca de defesa sugeriu o estudo de designers/ilustradores brasileiros para o doutorado, proposta que considerei muito interessante. É importante frisar que Steinberg teve uma passagem pelo Brasil, expôs no MASP em 1952, e é primeira referência de vários dos mais importantes cartunistas brasileiros, como os da geração Pasquim. Ao falar de Steinberg, trago também o interesse de explorar a formação do cartum moderno brasileiro. Ao mesmo tempo, minha vontade é continuar escrevendo artigos sobre Steinberg e os assuntos levantados na pesquisa para revistas científicas e outras publicações. Categoria: ENTREVISTA 18/07/2007
Polêmica na Inglaterra aumenta em 4.000% venda de Tintim no Congo
As vendas do álbum "Tintim no Congo" aumentaram 4 mil por cento. A informação foi noticiada nesta quarta-feira no jornal "El Pais", da Espanha.
Segundo o jornal, o dado sobre a procura é creditado à editora Egmond, que publica a obra na Inglaterra.
O boom começou depois que a Comissão para Igualdade Racial do Reino Unido pediu que as livrarias do país deixassem de vender o álbum, feito pelo belga Hergé (1907-1983).
A comissão argumenta que a obra é racista por representar os moradores do Congo de forma idiotizada e com traços de macacos.
As livrarias britânicas acataram parcialmente a solicitação. Passaram a colocar a obra na seção de adultos.
A própria editora Egmond já havia colocado um aviso no livro, alertando o leitor que o conteúdo era esterotipado e poderia ser ofensivo para alguns.
A obra foi lançada pela primeira vez em 1929. É o segundo livro da série de aventuras do jovem repórter Tintim. Hergé a considerava um de seus "pecados de juventude".
A história foi lançada no Brasil em 1970 pela Record. A editora, na época, deu o título de "Tintim na África", e não "no Congo", como no original.
Os direitos de publicação do álbum pertencem à Companhia das Letras, que reedita a série no Brasil.
Segundo a editora, a polêmica não vai interferir no lançamento de "Tintim no Congo", programado para maio do ano que vem.
O Blog dos Quadrinhos noticiou o início da polêmica na última sexta-feira.
Para ler, clique aqui.
Categoria: NOTÍCIA
O mundo real poderia ter um pouco do ficcional. Infelizmente não tem
O início da minissérie "O Homem de Aço" mostra a primeira aparição pública do Super-Homem, na versão escrita e desenhada por John Byrne. O maior herói da editora norte-americana DC Comics evita um desastre aéreo. Uma aeronave, com jeitão de nave espacial, Lois Lane a bordo, ameaça cair. Problemas mecânicos. Clark Kent, ainda sem o uniforme azul, vermelho e amarelo, voa do meio da multidão rumo aos céus de Metrópolis. Salva a nave, o dia, centenas de vidas. No primeiro longa-metragem, no fim dos anos 1970, a versão em carne e osso do herói vivida por Christopher Reeve impede outra tragédia aérea. Super-Homem, agora com uniforme, se coloca numa das asas do avião e mantém a normalidade do vôo. Ainda arruma tempo de acenar para o piloto. Trata-se de ficção. Na nova série cinematográfica, há cena semelhante, mas bem mais dramática. O herói de Krypton, agora vivido por Brandon Routh, salva um avião em queda livre, despedaçando-se. É ovacionado por isso. Pena que é ficção. No mundo real, um Airbus-A320 da TAM explode ao se chocar com um prédio ao lado do aeroporto de Congonhas em São Paulo. Havia 186 passageiros a bordo, segundo a última informação da companhia aérea. Não houve sobreviventes. O desejo era que a ficção, às vezes, ou só desta vez, migrasse para o mundo real. Categoria: NOTÍCIA 17/07/2007
A história recente do Brasil narrada pelas charges de Cláudio - I
Há diferentes modos de contar a história de um país. O desenhista Cláudio optou pela charge, gênero que faz uma crítica bem-humorada de um fato do noticiário, geralmente político.O chargista reuniu trabalhos de seus 31 anos de carreira e criou "Pizzaria Brasil - Da Abertura Política à Reeleição de Lula". A obra começa a ser vendida nesta semana (Devir, R$ 32).
A idéia inicial era comemorar as três décadas de charges, atividade que começou a fazer com 13 anos, em Natal, no Rio Grande do Norte, onde nasceu.
Mas o resultado final ficou bem mais do que isso. O livro se tornou uma das mais completas coletâneas de charges já lançadas no país.
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