30/06/2007

Bem-Vindo a Astro City funciona como ponto de partida para a série

Astro City passou por três editoras diferentes no Brasil. Começou na Pandora em 2002, migrou para a Devir em 2006, chega agora à Pixel, que lança um especial da série neste fim de semana.

Tantas mudanças nublam o acompanhamento das histórias. Um dos acertos de "Bem-Vindo a Astro City" (R$ 8,90), título de estréia da série na Pixel, é exatamente servir de ponto de partida para novos e antigos leitores.

A edição traz material de dois especiais inéditos da série, criada em 1995 pelo escritor Kurt Busiek, responsável também pelas histórias da edição.

Um dos especiais é do título "Astro City a Visitor´s Guide", lançado nos Estados Unidos em dezembro de 2004. A revista da Pixel, de 84 páginas, traz a primeira parte desse material, que faz uma espécie de dicionário ilustrado dos superseres de Astro City.

Cada herói é apresentado numa página. Há um resumo de sua origem e de suas principais características. Estão lá alguns já conhecidos dos leitores brasileiros, como o Samaritano, o Confessor e seu parceiro Coroinha, versões de Super-Homem, Batman e Robin.

Quem não conhece a série vai perceber mais semelhanças com outros personagens das editoras norte-americanas Marvel e DC Comics. Cada herói de Astro City é espelhado em outro já existente.

É uma forma de Busiek homenagear o mundo dos super-heróis, com uma leitura bastante pessoal e adulta, que dá o tom de toda a série, desenhada por Brent Anderson.

O segundo especial de "Bem-Vindo a Astro City" é de uma revista avulsa do Samaritano, tido como o principal herói de Astro City. A história é de setembro do ano passado e mostra a origem de Infiel, um de seus arqui-inimigos.

A Pixel já anunciou outro passeio pelas ruas de Astro City. Programou para agosto uma edição inédita com a Primeira Família, versão de Busiek para o Quarteto Fantástico.

Leia mais sobre os últimos lançamentos de Astro City no Brasil aqui e aqui.

Nota: a Pixel também começou a vender nesta semana o segundo número de "100 balas" (R$ 6,90). A revista traz as edições quatro e cinco da série norte-americana, escrita por Brian Azzarello e desenhada por Eduardo Risso. Esse material já tinha sido lançado no Brasil pela Opera Graphica.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h20
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29/06/2007

Revista Prismarte tem preço reduzido

Começou a circular neste fim de mês o novo número da revista "Prismarte", de Pernambuco. Esta edição 42 traz uma novidade rara: teve o preço reduzido. Custa agora R$ 5 (50 centavos a menos do que as últimas edições).
 
Este novo número traz entrevistas e três histórias em quadrinhos: "Quimera Brasil" (na capa ao lado), de André Gomes Torres, "Achados e Perdidos", de Fábio Turbay, e "Atmavictu", de Abmael Moraes e Marcos Roberto.
 
A "Prismarte" é uma das mais longas revistas independentes brasileiras. É mantida pela Pada, Produtora Artística de Desenhistas Associados.
 
A venda é por meio do site da Pada. É cobrado R$ 1,50 de envio postal (total: R$ 6,50).
 
Para acessar a página virtual, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h21
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Quarteto 2 mantém clima dos quadrinhos, mas história deixa a desejar

 
Há uma química entre os integrantes do Quarteto Fantástico. Pode ser pelos laços familiares deles, pelo carisma ou por um pouco dos dois elementos. O segundo filme do supergrupo, que estréia nesta sexta-feira, consegue preservar na tela boa parte dessa interação vista nos quadrinhos, embora a história deixe um pouco a desejar.
 
O elenco já estava à vontade no primeiro longa-metragem, lançado em 2005. Nesta seqüência, parece ainda mais solto nos papéis dos heróis que encarnam. Isso ajuda a -e muito- na condução das cenas de humor, um dos pontos altos do filme.
 
Assim como nas histórias da editora norte-americana Marvel Comics, boa parte das piadas vem das birras entre o Coisa e o Tocha Humana, interpretados no filme por Michael Chiklis e Chris Evans. Em geral, o herói de pedra é a vítima (embora haja uma exceção no longa).
 
Mas há outras boas cenas de humor, entre elas o jeitinho que sempre é dado para a Mulher Invisível (Jessica Alba) ficar sem roupa em público.
 
Ou a tentativa de Stan Lee, o criador do grupo, em 1961, de entrar na festa de casamento dela com o Senhor Fantástico (Ioan Gruffud). É a melhor participação de Lee nos filmes de heróis da Marvel (ele fez uma ponta em todos).
 
O humor se mescla a boas cenas de ação. O Surfista Prateado -feito por computação gráfica- rouba a cena na maioria delas, principalmente em sua primeira aparição, voando entre os arranha-céus de Nova York.
 
Mas é só. Do meio para o fim, o filme do diretor Tim Story perde o cenário apoteótico criado até então. E tem um desfecho frustrante, em especial para quem esperava a presença do gigante Galactus, de quem o Surfista é arauto.
 
Galactus era o grande vilão das histórias do Quarteto que inspiraram o roteiro deste segundo longa-metragem e que marcaram o primeiro encontro do grupo com o Surfista. Mas ficou só na inspiração.
 
Aproveite o humor e as cenas de ação. Diverte, mas não espere muito mais. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h31
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28/06/2007

Entenda melhor a Fest Comix

O que é?
A Fest Comix é uma das principais feiras de quadrinhos do país. É promovida pela Comix, loja de São Paulo especializada em publicações do setor. Está na 12ª edição.
 
 
Vai até quando?
Começa nesta sexta-feira e vai até domingo.
 
Por que a feira tem tanta repercussão?
São dois motivos. O primeiro é o volume de títulos à venda. Nesta edição, são 200 mil obras. Há material de todas as as editoras, novos e antigos. O segundo motivo são os descontos, que variam de 20% a 60%. Em geral, os lançamentos têm 20%.
 
Quantas obras serão lançadas?
A organização incluiu cerca de 30 títulos. Mas nem todos serão lançados na feira. Parte deles começou a ser vendida de uma semana para cá em bancas, livrarias ou lojas especializadas.
 
Quais serão lançados especificamente na feira?
Destacam-se:
  • o livro "Almanaque da Cultura Pop Japonesa" e as novas edições de "Bone" e da nacional "Front" (Via Lettera)
  • "Biblioteca Histórica Marvel - Quarteto Fantástico", "As Tiras do Homem-Aranha" e o mangá "Samurai Executor" (Panini)
  • "Whoa, Nellie" (Zarabatana)
  • "Bem-Vindo a Astro City", "Monstro do Pântanto - Amor em Vão", "Spawn - Origem" e o segundo volume de "WildCats - Círculo Vicioso" (Pixel)
  • "Liberty Meadows" (HQM)
  • "Groo Odisséia" (Opera Graphica)
  • "Epilético" e o terceiro número de "Nausicaã" (Conrad); "Sandman - Fim dos Tempos" teve lançamento adiado; segundo a editora, houve problema na impressão da obra, reprogramada para julho
Quais títulos foram anunciados, mas já estão à venda fora da feira?
Entre os destaques, estão:
  • o segundo volume do "Pasquim" (Desiderata)
  • "A Saga do Monstro do Pântano", o segundo número de "100 Balas" e o nacional "O Corno que Sabia Demais" (Pixel)
  • "Umbra", "12 Razões para Amá-la" e "Supremo - A Era de Ouro" (Devir)
  • Os três novos álbuns de Tintim: "As Sete Bolas de Cristal", "O Templo do Sol" e "Tintim no País do Ouro Negro" (Companhia das Letras)
A entrada é de graça?
Não. É cobrado um ingresso. A meia-entrada custa R$ 5.
 
Vai muita gente?
Vai. É comum haver fila na entrada e no caixa. Neste ano, os organizadores da Fest Comix esperam superar o recorde da edição passada, realizada em novembro do ano passado, que teve público de 14 mil pessoas. 
 
Vai haver apenas venda de quadrinhos?
Não. Há um ciclo de palestras nos três dias do evento, chamado pelos organizadores de Arena Comix. Nesta sexta, as exposições são voltadas à produção e à linguagem dos quadrinhos. No sábado, representantes de editoras e de sites de quadrinhos se alternam nas palestras. No domingo, o enfoque é no mangá, nome como é conhecido o quadrinho japonês. No site da feira, há todas as palestras com os horários de cada uma (para acessar, clique aqui).
 
Há alguma dica para a compra?
Há. Tente ir ao evento pela manhã. É menos cheio. Outra dica: pesquise antes e faça uma lista com as obras que pretende comprar. É muito comum a pessoa perder a referência no evento e gastar além do que pretendia.
 
Qual o horário da feira?
Sexta e sábado, vai das 10h às 20h. No domingo, das 10h às 18h.
 
Onde fica?
Esta 12ª edição vai ser no Colégio São Luís, em São Paulo. Fica na rua Luís Coelho, 323. É perto da estação Consolação do Metrô.
 
Leia mais sobre os lançamentos aqui, aqui e aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h34
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Monstro do Pântano: a primeira semente da fase adulta da DC

Não precisava muito para perceber que havia algo de diferente nas histórias do Monstro do Pântano feitas por Alan Moore e relançadas em edição de luxo neste finzinho de mês (Pixel; R$ 54,90).
 
O escritor inglês assumiu o título no início de 1984 com olhos no leitor adulto. A DC Comics, editora da revista, mirava o adolescente, público-alvo de Super-Homem, Batman e companhia e, em tese, o mesmo do Monstro do Pântano.
 
O aparente impasse foi produtivo para as duas partes, como o tempo se encarregou de comprovar. Moore salvou o título do cancelamento e se tornou um dos escritores mais cortejados da editora.
 
A DC Comics aproveitou a aceitação das histórias para consolidar uma tendência que se avizinhava nos Estados Unidos: a do quadrinho produzido especificamente para adultos.
 
A editora "importou" outros autores ingleses -como Neil Gaiman, de Sandman- e criou um selo só abrigar histórias mais adultas, Vertigo (material que é publicado no Brasil com exclusividade pela Pixel).
 
A primeira semente plantada por Moore, em Monstro do Pântano, encontrou solo fértil na introspecção. O autor de "Watchmen" e de "V de Vingança" ajustou o foco para a mente dos personagens centrais e secundários, sem deixar de lado os elementos do terror, marca da série.
 
Moore também inseriu citações e referências a elementos literários e da cultura pop. O recurso virou estilo e fez escola. É, por exemplo, uma das marcas fundantes do texto de Neil Gaiman em "Sandman".
 
As sete histórias iniciais à frente do Monstro do Pântano, reunidas no álbum de 198 páginas da Pixel, podem ser divididas em três momentos diferentes.
 
No primeiro, ele encerra o arco de histórias anterior. É na trama de abertura, lançada na edição 21 da revista "The Saga of the Swamp Thing", de janeiro de 1984. A aventura é inédita no Brasil.
 
A outra parte do álbum continua desse ponto. Moore reconstrói a alma do ser, até então conhecido como o pesquisador-médido Alec Holland. A reviravolta imaginada por Moore é tão grande que o Monstro passa a questionar se é mesmo Holland.
 
As mudanças levam à última parte, como um personagem já redefinido. Ele tem de ajudar a amiga Abigail Cable a salvar crianças de um abrigo, vítimas de um ser demoníaco que se alimenta do medo delas.
 
O tempo mostra que as histórias não perderam a atualidade. E, lidas em seqüência, evidenciam que Moore ganha mais familiaridade com os personagens e com a escrita das histórias a cada edição.
 
Essas histórias foram publicadas no Brasil pela primeira vez nos anos 80, nas revistas "Novos Titãs" e "Superamigos", da Editora Abril. Depois, o personagem ganhou título próprio, lançado entre janeiro de 1990 e julho de 1991.
 
Houve um segundo lançamento em 2002 e 2003. A editora Brainstore publicou três encadernados com a fase do escritor britânico. As edições eram em preto-e-branco (ao contrário desta da Pixel). As três obras reeditaram os números de 21 a 42 da revista.
 
Tantas versões da mesma obra dão crédito às histórias. Monstro do Pântano marcou um momento de transição, tanto da carreira de Moore quanto da postula editorial da DC Comics. Ganha, agora, uma edição à altura de sua importância. Segundo a editora, haverá outras (leia mais aqui).
 
Nota: a Pixel lança neste fim de semana uma história da fase atual do personagem. "Monstro do Pântano: Amor em Vão" (R$ 6,90, 52 páginas) será publicado em duas partes. Vale inclusive a título de comparação. 

Escrito por PAULO RAMOS às 11h17
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27/06/2007

Diários de um brasileiro premiado em Portugal

O cartunista Osvaldo da Silva Costa -ou somente DaCosta, como ele assina- recebeu no último dia 22, em Portugal, o prêmio pelo segundo lugar no Porto Cartoon, um dos mais importantes salões de humor do mundo.
 
O Blog pediu a ele, antes do embarque, se toparia enviar por e-mail algumas impressões da viagem e da experiência vivida na cidade do Porto.
 
O primeiro relato chegou no dia 21, dois dias depois do embarque no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na grande São Paulo. O segundo e-mail chegou na tarde desta quarta-feira.
 
DaCosta divide o segundo lugar como italiano Alessandro Gatto. O primeiro lugar ficou com o polonês Grzegorz Szumovski (veja os desenhos aqui e aqui). Outro brasileiro, Osmani Simanca, teve dois cartuns incluídos nas 15 menções honrosas do salão.
 
 
 
 
 
Grzegorz Szumowski (2º da esquerda para a direita), ao lado de Luiz Humberto, diretor do Museu Nacional da Imprensa (à dir.) e DaCosta (ao centro)

 
 
O santista DaCosta não fez só o texto. Tirou também fotos do evento, que pontuam a narrativa dele na próxima postagem.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h25
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Diários de um brasileiro premiado em Portugal - Parte 2

Com a palavra DaCosta, nosso representante no Porto Cartoon, em Portugal:
 
Relaxa e goza. Não imaginei que ia passar por isso, mas realmente a ministra tá certa. Quase cinco horas dentro do avião esperando ordens de decolagem de Brasília.
 
Cheguei à cidade do Porto às 12h45. 9h30 seria o horário da chegada, mas, na terra dos Calheiros (o rei do Gado), ainda estou falando do Brasil onde tudo fica pra depois. 
 
 
 
 
 
 
Prédio do Museu Nacional da Imprensa, onde ocorreu a entrega dos prêmios
 
 
 
 
 
 
A abertura do salão é dia 22. Tá cheio de cartuns brasileiros e é muito legal ver trabalho dos patrícios.
 
A grande característica que marca muito o humor gráfico e seus salões é conhecer cartunistas de terras distantes e nascer uma nova amizade.
 
Sem precisar conhecer a língua nativa do país, conseguimos conversar com gestos e compreendemo-nos pela forma única que é o desenho de humor.
 
 
 
 
 
 
Da esquerda para a direita, cartum do polonês Szumovski (1º lugar) e de DaCosta (2º)


 

Na semana da festa, dois dias fomos para a Praça da Liberdade, no centro da cidade, desenhar rostos do povo português e de toda a Europa por estar acontecendo paralelamente a festa do padroeiro São João do Porto.

Sardinhada na brasa é o símbolo do Santo.

 
 
 
 
 
 
 
DaCosta na festa da caricatura, na Praça da Liberdade
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Povo educado e muito gentil, temos muito que aprender com os portugueses e os laços que unem as nações.
 
O humor gráfico faz sua parte: sensibiliza sem usar o verbo, com poucos traços, o sorriso que todos gostaríamos de ver nos rostos nessa globalização à qual o salão propôs como tema deste ano.

Bom! Por enquanto é isso, quando voltar ao normal talvez eu tenha mais assunto. Agora é muito sono.
 
Abraços,
DaCosta
 
A organização do Porto Cartoon fez uma exposição virtual com os trabalhos vencedores, inclusive o dos brasileiros DaCosta e Osmani Simanca. Para ver, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h24
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Duas (boas) tiras do dia

Piratas do Tietê, de Laerte:
 
 
 
Níquel Náusea, de Fernando Gonsales:
 
 
 
Fonte: Folha de S.Paulo (edição desta quarta-feira)

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h22
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26/06/2007

Tiras do Homem-Aranha: uma das surpresas da Fest Comix

 

A Fest Comix é uma caixinha de surpresas. Sempre ocorre um lançamento inesperado na feira de quadrinhos. Nesta 12ª edição, que ocorre no próximo fim de semana, há duas surpresas: um livro de tiras do Homem-Aranha e um álbum de Jaime Hernandez, um dos autores de "Love and Rockets".
 
Nenhuma dos dois álbuns tinha sido divulgado pela Panini e Zarabatana, editoras das obras. Também não faziam parte dos lançamentos divulgados no site das editoras.
 
O álbum do Homem-Aranha (capa acima) tem 328 páginas. A edição da Panini vai trazer tiras diárias do herói publicadas entre 3 de janeiro de 1977 e 28 de janeiro de 1979. 
 
"As Tiras do Homem-Aranha" foi produzido no formato 21 cm por 16,5 cm e vai custar R$ 49,90 (no evento, terá 20% de desconto).
 
As histórias são escritas por Stan Lee, o criador do personagem. Os desenhos são de John Romita, que fez a arte das aventuras do super-herói nos anos 60.
 
A outra surpresa da Fest Comix é "Whoa, Nellie!", de Jaime Hernandez. O álbum foi produzido em 1996.
 
Segundo a editora, a história foi feita num momento em que ele havia anunciado que iria parar com "Love and Rockets", revista feita com o irmão, Gilbert Hernandez. Mesmo assim, o rótulo "Love and Rockets" foi mantido na capa (ao lado).
 
A história é sobre luta-livre feminina (as protagonistas mulheres são uma obsessão no trabalho dos Hernandes). Xo e Gina, duas amigas, colocam a amizade à prova quando se tornam adversárias de ringue.
 
A Zarabatana diz que a edição possui páginas produzidas especialmente para o álbum. A obra tem 80 páginas e vai  custar R$ 26 (também terá desconto de 20% na feira de quadrinhos).
 
A organização da feira de quadrinhos confirmou também dois novos mangás da Panini: "Vampire Knight", de Matsuri Hino, e "Samurai Executor" (ao lado), de Kazuo Koike e Goseki Kojima, os mesmos criadores de "Lobo Solitário".
 
A Fest Comix é uma das principais feiras de quadrinhos do país. O atrativo são os lançamentos e os descontos, que chegam a 60%.
 
Esta 12ª edição começa na próxima sexta-feira e vai até domingo, dia 1º de julho. Vai ser no Colégio São Luís, em São Paulo (perto da Avenida Paulista). Os organizadores esperam 14 mil visitantes. Leia sobre outros lançamentos da feira aqui e aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h50
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Obras de André Diniz têm lançamento paulistano nesta quarta

O escritor e desenhista André Diniz autografa nesta quarta-feira à noite, em São Paulo, "Chico Rei" e "Ponha-se na Rua!".
 
As duas obras da Franco Editora foram lançadas no Rio de Janeiro no mês passado e se baseiam em episódios reais da história do Brasil.
 
"Chico Rei" faz uma rápida história de Galanga, rei do Congo, trazido para o Brasil como escravo no século 18. Ele dedica a vida para a libertação dos negros de Ouro Preto, em Minas Gerais.
 
"Ponha-se na Rua!" era o apelido dado à sigla PR (príncipe regente), que era pintada nas casas brasileiras que iriam abrigar a família real portuguesa. Os desenhos são de Tibúrcio.
 
As duas obras têm 24 páginas cada uma.
 
A sessão de autógrafos começa às 19h30 na Menor Livraria do Mundo, que funciona no Jeremias o Bar (rua Avanhandava, 37, centro de São Paulo).
 
André Diniz é o autor da série "Subversivos" e é um dos mantenedores do site "Nona Arte" (com quadrinhos para serem lidos de graça).
 
O Blog conversou com Diniz no fim passado, quando lançou os dois livros no Rio de Janeiro. Leia mais aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h55
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Revista dos EUA inclui Bá e Moon entre promessas para 2007

Os irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon, autores das histórias de "10 Pãezinhos", foram incluídos entre na lista das cem maiores promessas do mundo do entretenimento para este ano. A relação é feita pelo revista norte-americana "Entertainment Weekly".

Pesaram na escolha as produções feitas pelos gêmeos para o mercado americano, caso de "The Umbrella Academy" e de "Casanova". No Brasil, o último trabalho deles foi a versão em quadrinhos do conto "O Alienista", de Machado de Assis (leia mais aqui).

Na entrevista para a publicação, eles dizem "não, obrigado" às histórias de super-heróis. "Para desenhar super-heróis, você tem de estar preparado para não se preocupar com a história", disse Moon à revista.

Na ilustração abaixo, feita pela dupla especialmente para a "Entertainment Weekly", eles dizem que preferem contar histórias sobre pessoas reais, "pessoas como você [leitor]". O desenho foi reproduzido no blog de Bá e Moon (clique aqui para acessar).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h04
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25/06/2007

Caricatura é tema de palestra e lançamento no Rio de Janeiro

Dois eventos de humor gráfico no Rio de Janeiro. Nesta terça-feira, a pesquisadora Isabel Lustosa faz palestra sobre como as charges e caricaturas (re)contam a história do Brasil. Lustosa é especialista no tema.
 
A palestra vai ser às 17h30 na Academia Brasileira de Letras (av. Presidente Wilson, 203). O portal da academia (clique aqui) programou de transmitir a palestra ao vivo.
 
Na quarta-feira, há o lançamento do livro "É Mentira, Chico?". A obra faz uma homenagem, com caricaturas, ao humorista Chico Anysio.
 
O livro foi organizado por Ziraldo, autor da capa. Ele e Chico participam do lançamento, às 19h, na livraria Saraiva (av. Lauro Muller, 116, 3º piso).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h44
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Novo número de Tulípio chega aos bares nesta segunda

O novo número da revista "Tulípio" começa a circular nesta segunda-feira à noite por bares paulistanos e cariocas. Esta quinta edição tem tiragem de 15 mil exemplares (a mesma quantidade de cópias da edição anterior). 

A publicação tem 24 páginas, formato de bolso e é distribuída de graça.
 
A "revista de boteco" foi criada pelo desenhista Paulo Stocker e pelo redator publicitário Eduardo Rodrigues (ele escrevia as histórias enquanto freqüentava os bares paulistanos).
 
A distribuição gratuita faz parte de um acordo dos autores com donos de bares. Em São Paulo, o acerto prevê exibição de cartuns de Tulípio num telão (no projeto chamado "Cine Boteco").
 
Stocker e Rodrigues têm planos de chegar a cem mil exemplares. Dentro e fora do eixo Rio-São Paulo. Três mil cópias da primeira edição já começaram a chegar à cidade de Belém, no Pará.
 
Os autores mantêm um site com mais informações sobre o personagem e sobre os pontos de distribuição. Para acessar, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h36
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Definidos os vencedores do 1º Troféu Alfaiataria de Fanzines

O nordeste dominou a lista de vencedores do 1º Troféu Alfaiataria de Fanzines. A divulgação dos vencedores foi na última sexta-feira, na Quanta Academia, em São Paulo.
 
O prêmio foi criado e organizado por Zé Oliboni e Diego Figueira, do site Pop Balões (especializado em quadrinhos). Esta primeira edição teve oito categorias e nove menções honrosas. Confira os premiados:
 

Melhor Fanzine

Manicomics nº 32

 

Melhor Revista Independente

Jayne Mastodonte nº 2
Flávio Luiz
 
Prêmio especial de Publicação Virtual
Escola de Animais
Leandro Robles
 
Melhor Desenhista
Lene / Manicomics

Melhor Roteirista

Leonardo Santana / Prismarte

 

Melhor Editor

JJ Marreiro / Manicomics

 

Melhor História

Flora (Marginalzine)

Autor: Shiko

 

Melhor Fanzine Sobre Quadrinhos

Justiça Eterna

  

O site Pop Balões, mantido pelos organizadores do Troféu, vão dar mais detalhes sobre os vencedores nesta semana. Para acessar, clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 11h35
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24/06/2007

Universo DC consolida novo momento da editora no Brasil

"Universo DC" consolida um novo momento da DC Comics no Brasil. A revista da Panini (R$ 6,90), que começou a ser vendida nesta virada de semana, dá vez a títulos do chamado "segundo escalão" da editora norte-americana.

A nova revista traz histórias criadas a partir da minissérie "Crise Infinita", que dá um novo rumo a todos os personagens da editora, que publica Super-Homem e Batman. A última parte está à venda.

"Universo DC" traz quatro histórias: Batalha por Blüdhaven, Xeque-Mate, Sexteto Secreto e Pacto das Sombras. Os três últimos já tiveram uma minissérie cada um, lançada no ano passado em "Contagem Regressiva para Crise Infinita".

Nas últimas três décadas, personagens assim dificilmente encontravam espaço nas revistas brasileiras da DC. Ainda mais num título próprio.

O que ocorria até então era restringir as publicações aos carros-chefe da editora (mesmo assim, houve ocasiões em que alguns ficaram de fora). Títulos secundários que eventualmente furavam esse "bloqueio" eram publicados em revistas com um personagem mais forte para puxar as vendas.

Era o caso de "Esquadrão Suicida", na Abril, e de "Aves de Rapina", na Panini. O primeiro era publicado na revista da Liga da Justiça. O segundo ainda integra a revista Novos Titãs.

O lançamento de "Universo DC" é conseqüência na renovação de contrato da DC no ano passado, disputada entre as editoras Pixel e Panini. Esta conseguiu fechar o acordo em dezembro (leia mais aqui). A Pixel ficou com os títulos adultos, publicados nos selos Vertigo, Wildstorm e ABC (leia aqui e aqui).

A disputa levou a propostas melhores. A Panini havia prometido aumento no volume de publicações mensais e especiais. Nestes seis primeiros meses do ano, já se vê um outro momento editorial da DC se comparado ao ano passado.

Com "Universo DC", são sete revistas mensais (eram cinco em 2006). Um oitavo título será lançado no mês que vem, "Melhores do Mundo", com histórias da Mulher-Maravilha, Flash e Legião dos Super-Heróis (que há anos não era publicada no Brasil).

A Panini lançou também duas minisséries, especiais e as revistas da linha Grandes Astros, que mostram versões alternativas de Super-Homem e Batman.

A editora programou ainda edições de luxo com as primeiras histórias dos dois heróis e da Liga da Justiça. O primeiro, "Batman – Crônicas", foi anunciado para este mês (aqui).

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Escrito por PAULO RAMOS às 11h00
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Salão de Humor Paraguaçu Paulista abre inscrições

Mais um salão internacional de humor abre inscrições neste mês. É o de Paraguaçu Paulista, cidade do interior de São Paulo. Os trabalhos podem ser enviados até 15 de outubro. A premiação ocorre no mês seguinte, também no dia 15.

O salão tem cinco categorias: cartum livre, charge, tiras e caricatura. A quinta categoria é cartum temático, que vai receber trabalhos sobre "energia", assunto escolhido para a edição deste ano. Em 2006, o tema era "homem voador".

Os cinco primeiros colocados recebem R$ 2 mil cada um. Os desenhistas que ficarem em segundo lugar ganham R$ 1 mil e em terceiro, R$ 500.

Os trabalhos vencedores ficarão expostos na cidade até 15 de março de 2008.

Cada desenhista pode inscrever até três trabalhos por categoria. Mas todos têm de ser inéditos, inclusive o personagem usado na tira. Há mais informações sobre o regulamento e a forma de inscrição no site do evento (clique aqui).

Esta é a terceira edição do Salão de Humor de Paraguaçu Paulista. Em 2006, foram 1250 trabalhos inscritos. Conheça os desenhos vencedores do ano passado aqui.

Neste mês, o Salão Internacional de Humor de Piracicaba também iniciou o processo de inscrição de trabalhos. Leia mais na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h22
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23/06/2007

Salão de Piracicaba vai ter categoria para trabalhos digitais

O Salão Internacional de Humor de Piracicaba vai ter uma nova categoria de premiação na edição deste ano. Batizada de "vanguarda", vai receber trabalhos feitos em computador.

É a primeira vez que o salão seleciona trabalhos digitais. Até o ano passado, o evento aceitava apenas trabalhos feitos em papel. Esse sistema continua para as demais categorias: charge, cartum, caricatura e tiras.

O tema é livre. Cada desenhista pode enviar até dois trabalhos. As inscrições vão até 13 de julho (podem ser feitas pelo site do evento; clique aqui).

Os vencedores de cada uma das categorias vão receber R$ 4 mil. Um deles concorre também ao grande prêmio do salão, no valor de R$ 5 mil.

Esta é a 34ª edição do Salão Internacional de Humor de Piracibaca, o principal do país e um dos mais reconhecidos do mundo. A abertura do salão vai ser no dia 25 de agosto. Os 220 trabalhos selecionados ficam expostos até o dia 14 de outubro.

O salão, criado em 1974, já faz parte do calendário turístico da cidade do interior paulista. Este ano, vai homenagear o caricaturista Cassio Loredano, hoje com 59 anos. Foi programada uma exposição com trabalhos dele.

Veja os vencedores da edição do ano passado. Clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h00
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22/06/2007

As várias vezes em que Gwen Stacy morreu no Brasil

É difícil dizer com precisão cirúrgica qual a história do Homem-Aranha mais relançada no Brasil. Mas é possível dizer com segurança que a da morte de Gwen Stacy está no "top 5" da lista.
 
A história ganhou mais uma reedição nesta semana. Ela foi incluída no quarto número de "Homem-Aranha: Grandes Desafios - A Volta do Duende Verde" (Panini, R$ 18,90), coleção que reúne momentos marcantes da vida do herói.
 
Gwen Stacy era a namorada de Peter Parker, alter-ego do Homem-Aranha, na virada dos anos 60 para os 70. A história com a morte dela foi publicada em duas partes.
 
A primeira publicação no Brasil foi na revista "O Homem-Aranha" nº 54, de setembro de 1973. Continuava na edição seguinte (capa abaixo). A história saiu três meses depois da norte-americana.
 
Além deste novo álbum da Panini, houve pelo menos outras quatro reedições da história no país:
  • - junho de 1980, em "Homem-Aranha" nº 18, da Rio Gráfica Editora (primeira reedição, capa abaixo);
  •  
  • - dezembro de 1986, em "Marvel Especial - Homem-Aranha x Duende Verde" nº 2, da Editora Abril;
  •  
  • - agosto de 1994, na revista "Teia do Aranha" nº 23, também da Abril;
  •  
  • - novembro de 2004, no terceiro volume da série "Os Maiores Clássicos do Homem-Aranha", da Panini.
O "pecado" de Gwen Stacy foi ter conquistado o coração de Peter Parker. Até demais. O relacionamento dos dois se tornou cada vez mais sério (a edição da Panini reproduz uma das histórias de amor do casal).
 
Os editores da época começaram a visualizar o risco de um enlace mais duradouro do líder de vendas da editora. Para que Parker não se casasse, a meiga Gwen Stacy tinha de sumir. E sumiu.
 
Na edição 121 da revista "Amazing Spider-Man" (de junho de 1973), ela foi brutalmente assassinada pelo Duende Verde, um dos mais mortais vilões do herói.
 
A cena é uma das mais marcantes do personagem, criado em 1963 por Stan Lee e Steve Ditko.
 
O Homem-Aranha, tonto e enfraquecido por causa de uma gripe, tenta salvar a namorada no alto da ponte do Brooklin, em Nova Iorque (embora, na história, o herói mencione que seja ponte George Washington).
 
A cena é tão marcante que foi reproduzida no primeiro longa-metragem do Homem-Aranha. Mas com duas diferenças: 1) no lugar de Gwen foi colocada Mary Jane; 2) terminou com final feliz.
 
O álbum da Panini traz a história e as duas aventuras seguintes. Numa delas, Luke Cage, um herói de aluguel, é contratado para conter o Homem-Aranha, acusado do crime.
 
O leitor mais novo, alvo dessa coleção da Panini, talvez estranhe a história. E Gwen, bem diferente da versão vista no terceiro filme, ainda em cartaz.
 
Mas quem conhece o mínimo do personagem já sabe de cor e salteado todos os detalhes da história, bem como a importância dela para o herói. O que justifica tantas reedições.
  
Crédito: a capa da edição da Ebal, usada nesta postagem, foi reproduzida do site "Guia dos Quadrinhos" (para conhecer, clique aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h18
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Livro mostra as origens da caricatura

A Marca de Fantasia explora -e sabe explorar- um filão ainda ignorado pelo mercado editorial brasileiro: o de livros teóricos sobre quadrinhos. Já faz tempo que a editora tem o melhor catálogo do gênero. E tem em Wellington Srbek um de seus principais colaboradores.
 
O pesquisador mineiro, de 32 anos, tem cinco obras publicadas pela editora, que fica em João Pessoa, na Paraíba. A última -"O Riso que nos Liberta: ou as Origens da Caricatura" (R$ 15, capa ao lado)- começou a ser vendida neste mês.
 
O livro recupera as raízes da caricatura, manifestação artística iniciada entre os séculos 15 e 16. A obra também traça diferenças com outros gêneros-irmãos, como a charge e o cartum.
 
A obra mostra a fundamentação teórica do doutorado defendido por Srbek na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). A pesquisa abordava o humor nos quadrinhos do brasileiro Henfil (criador de Graúna, morto em 1988).
 
Foi na universidade mineira que Srbek se formou em História e concluiu um mestrado sobre a revista "Pererê", de Ziraldo. A pesquisa gerou dois outros livros da Marca de Fantasia: "Um Mundo em Quadrinhos" e "Quadrinhos & Outros Bichos". E há planos para outros dois.
 
"Eles correspondem à pesquisa analítica de meu mestrado e doutorado e têm os títulos Pererê, uma Aventura Brasileira e A Revolução de Fradim", diz ele, por e-mail. "Na verdade, eles já esperam por um editor desde 2000 e 2004, respectivamente."
 
Na entrevista a seguir, Wellington Srbek dá mais detalhes de seu último livro, que terá lançamento neste sábado no Salão do Livro de Belo Horizonte (espaço Serraria Souza Pinto, no centro de BH). Começa às 14h, com uma mesa redonda.
 
(A entrevista está na próxima postagem)

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h40
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Livro mostra as origens da caricatura - Parte 2

(continuação da postagem anterior)
 
Entrevista: Wellington Srbek
 
- É possível mapear um marco inicial da caricatura no mundo? E no Brasil?
- Elementos da estética da caricatura já estavam presentes na Antigüidade e na Idade Média, como nas imagens anticlassicistas da górgona ou nas alegorias anti-oficiais dos clérigos goliardos. Mas, segundo defendo no livro, o que conhecemos como “caricatura”, ou seja¨, o estilo de desenho de formas distorcidas e o retrato cômico da personalidade, surge na Europa dos séculos 16 e 17, desenvolvendo-se artisticamente a partir dos séculos 18 e 19. É uma trajetória que envolve nomes como Leonardo da Vinci, William Hogarth, James Gillray e Honoré Daumier. No Brasil, como desenho de humor ligado à imprensa, a caricatura terá como principal promovedor, na segunda metade do século 19, o piemontês naturalizado brasileiro Angelo Agostini [pioneiro do quadrinho no Brasil].
 
- Há uma cara da caricatura no Brasil?
- Creio que sim. Se você pegar um desenho do Henfil, por exemplo, há algo na força expressiva do traço que é radicalmente brasileiro, "latino-americano", de "terceiro mundo". Algo muito distinto do traço bem-acabado dos europeus e norte-americano em geral.
 
- Há quem defenda que o termo "caricatura" seja um grande rótulo, que abriga os diferentes gêneros do humor gráfico (charge, cartum, a caricatura em si). É nesse espectro que se insere seu estudo?
- Bom, na verdade o termo "caricatura" é o mais antigo dos três listados por você. Ele surgiu na passagem do século 15 para o 16. Em parte por esse motivo, ele acabou representando não apenas o estilo de formas hiperbólicas e incongruentes mas também o desenho humorístico como um todo. Porém, há uma clara distinção, pelo menos para mim, entre o que é a caricatura-retrato, a charge e o cartum. Na verdade, boa parte de "O Riso que Liberta" é dedicada a estabelecer essa diferenciação.
 
"O Riso que nos Liberta: ou as Origens da Caricatura" só é vendido no site da editora Marca de Fantasia. Para acessar clique aqui.
 
Wellington Srbek mantém uma página virtual com detalhes de trabalhos em quadrinhos escritos por ele, como "Alienz" e "Muiraquitã", vencedor do Troféu Casa dos Quadrinhos como melhor história em quadrinhos de 2006. Para visitar, clique aqui.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h38
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21/06/2007

Fest Comix vai ter Bone, Sandman, Front e Biblioteca Histórica Marvel

Há novos lançamentos confirmados para a Fest Comix, feira de quadrinhos que ocorre na virada do mês, em São Paulo. A lista inclui novos números de Bone e de Sandman, mais um álbum da Front, um livro sobre mangás e o primeiro volume de Bibliteca Histórica Marvel, com o Quarteto Fantástico. Todos os títulos da feira serão vendidos com desconto.
 
"Bone - A Caverna do Ancião" (Via Lettera, será vendido a R$ 20) continua a história do ponto onde terminou o álbum anterior, lançado em janeiro deste ano. As aventuras são inéditas.
 
Esta décima primeira edição do personagem criado pelo norte-americano Jeff Smith tinha sido anunciada para o fim de janeiro deste ano (leia aqui). Segundo a editora, o motivo do atraso foi a fusão da Via Lettera com a Beca Editora, de São Paulo, no mercado desde 1999.
 
A Via Lettera terá mais dois lançamentos na feira de quadrinhos. Um é o número 18 da "Front", que traz  histórias produzidas por escritores e desenhistas nacionais. De acordo com a organização do evento, será vendida por R$ 25,60.
 
A outra obra inclui análises sobre mangás, nome como é conhecido o quadrinho japonês. "Almanaque da Cultura Pop Japonesa"  reúne textos do redator e desenhista Alexandre Nagado produzidos desde 1995 para diferentes sites.
 
Segundo blog do autor, o livro ficou com 224 páginas. O preço ainda não foi definido.
 
"Sandman - Fim dos Mundos" é o oitavo volume da coleção que reedita do personagem escritas pelo inglês Neil Gaiman. A primeira publicação das histórias foi pela Editora Globo, na década de 90.
 
O preço do álbum não foi divulgado pela organização da feira de quadrinhos. No site da Conrad, editora da obra, o preço indicado é R$ 66. Deve ser vendido por menos do que isso.
 
A Conrad vai lançar no evento o primeiro volume de "Epilético", obra pouco conhecida no Brasil. Segundo síntese da editora, o escritor e desenhista David B. mostra a convivência que teve com o irmão, Jean Christophe, com a epilepsia (doença que causa distúrbio no sistema nervoso).
 
O valor da obra também não foi definido pela organização da Fest Comix. No site da Conrad, sai por R$ 44,90.
 
A Panini, uma das patrocinadoras da Fest Comix, ainda não divulgou os lançamentos da feira. Só um foi confirmado: o primeiro número de Biblioteca Histórica Marvel, que mostrará as histórias iniciais do Quarteto Fantástico.
 
O álbum de luxo (produzido com capa dura) tinha sido programado inicialmente para abril (leia aqui). A nova data vai coincidir com a estréia do segundo longa-metragem dos heróis da Marvel Comics, criados por Stan Lee e Jack Kirby no início dos anos 60 (que assinam as histórias da edição).
  
A lista de lançamentos da feira de quadrinhos possui, até agora, 25 títulos. A relação inclui obras que começam a ser vendidas nesta e na próxima semana.
 
É o caso da reedição das histórias do "Monstro do Pântano" escritas por Alan Moore (da Pixel), que tem lançamento nesta sexta-feira à noite em São Paulo. 
 
Outra parte dos lançamentos já tinha sido anunciada na semana passada. Os primeiros títulos confirmados foram novos álbuns de Groo e de Tintim e a publicação das tiras de "Liberty Meadows", de Frank Cho, inédito no Brasil (leia aqui).
 
Esta décima segunda edição da Fest Comix deve ter 200 mil títulos à venda. A feira de quadrinhos ganhou popularidade por vender as obras com descontos de até 60%.
 
A feira vai ser entre os dias 29 de junho e 1º de julho no Colégio São Luís, em São Paulo (perto da Avenida Paulista). Os organizadores esperam 14 mil visitantes.
 
A Fest Comix mantém um site com os lançamentos, página que vai sendo atualizada regularmente. Para acessar, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h28
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Devir vai lançar dois trabalhos inéditos de Will Eisner

A Devir vai publicar dois álbuns de Will Eisner inéditos no Brasil: "A Força da Vida" e "O Sonhador". A programação da editora é lançar as obras no segundo semestre deste ano.
 
"A Força da Vida" se passa na década de 30, durante a depressão norte-americana. É uma época marcante na vida de Eisner (1917-2005). Foi nesse período que ele passou o início e o fim da adolescência.
 
As memórias dessa época pautaram diferentes obras do escritor e desenhista. É o caso de "A Força da Vida". O  próprio Eisner classifica o trabalho como parte de uma trilogia envolvendo a Avenida Dropsie, de Nova York, onde cresceu.
 
Os outros trabalhos da trilogia são "Um Contrato com Deus & Outras Histórias de Cortiço", relançado este mês pela Devir (leia aqui), e "Avenida Dropsie", também publicado pela editora paulista.
 
"A Força da Vida" tem cerca de 170 páginas. Segundo a editora, a obra vai ser lançada em capa dura, assim como "Um Contrato com Deus".
 
O outro álbum a ser lançado este ano, "O Sonhador", também mostra memórias de Eisner. Pega o início da carreira dele como desenhista. É quase autobiográfico. "Quase" porque ele altera nomes dos personagens que representa.
 
Há, por exemplo, um certo "Jack King", referência a Jack Kirby, desenhista que ajudou a criar o Capitão América em 1941 (e vários outros personagens para a Marvel e DC nas décadas de 60 e 70).
 
Will Eisner se tornou famoso na década de 40. Foi quando criou o herói mascarado "Spirit", espécie de contos curtos publicados nos jornais norte-americanos. Ainda é sua criação mais famosa.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h54
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20/06/2007

Relançada obra de Will Eisner que deu início às graphic novels

Muitas vezes o que prepara a leitura de uma história em quadrinhos é o rótulo dado a ela. Até o fim da década de 70, faltava nos Estados Unidos um nome para o quadrinho tido como mais "sério" e voltado ao público adulto.
 
Will Eisner (1917-2005) precisava desse rótulo para dar um ar mais literário ao álbum "Um Contrato com Deus & Outras Histórias de Cortiço", relançado neste mês numa edição de luxo, em capa dura (Devir, R$ 48,50).
 
O escritor e desenhista contornou o problema criando o termo "graphic novel". Funcionou. Outras editoras, inclusive de super-heróis, passaram a usar o rótulo para dizer ao leitor que se tratava de uma obra mais rebuscada. O recurso é usado até hoje.
 
O nome, diferente do corriqueiro "comics", ajudou os quadrinhos a fugirem do estereótipo de "leitura de criança". Era exatamente o que Eisner queria. Transformou uma história em quadrinhos em romance gráfico.
 
Ele encontrou nessa saída lexical o recurso que faltava para consolidar seu lado literário, manifestado no casamento entre palavra e imagem. Era algo que ele já fazia na década de 40 com o herói mascarado Spirit, ainda sua criação mais famosa.
 
"Um Contrato com Deus & Outras Histórias de Cortiço" traz quatro contos urbanos, ambientados nas primeiras décadas do século passado. A maior parte se baseia em uma leitura ficcional de experiências reais de Eisner.
 
Algumas foram vividas na infância pobre no bairro do Bronx, em Nova York. Outras foram presenciadas já na fase adulta.
 
A mescla entre os dois momentos da vida de Eisner é bem nítida na história que dá título ao álbum, de 200 páginas.
 
Um judeu, Frimme Hersh, se revolta após a morte da filha adotiva. Acha que Deus não cumpriu o contrato fictício, "firmado" entre os dois décadas antes.
 
O acordo, escrito numa pedra, previa que Deus seria com com Hersh se ele fosse uma pessoa justa, postura que se tornou sua filosofia de vida desde então. A morte da filha seria uma "quebra de contrato".
 
Essa história se passa na Avenida Dropsie, onde Eisner cresceu (a avenida deu título a outra graphic novel dele, já lançada pela Devir).
 
Mas a situação do conto foi espelhada numa experiência adulta: a perda da filha Alice, que morreu de leucemia em 1970, aos 16 anos. O grito de Hersh era também o de Eisner.
 
O desenhista relata esse bastidor numa introdução, no início do álbum. Era algo que não havia mencionado em 1978, ano de publicação da obra nos Estados Unidos. No Brasil, a primeira edição foi lançada em 1988 pela Brasiliense (num formato um pouco menor).
 
O termo "graphic novel", inaugurado nesta obra de Eisner, foi a resposta norte-americana a algo que já vinha ocorrendo na Europa há alguns anos com os álbuns de luxo. Mas serviu para agregar um público adulto para os quadrinhos.
 
As editoras colhem os louros hoje, quase trinta anos depois. Inclusive no Brasil.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h02
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19/06/2007

Maakies: tira inovadora com humor intencionalmente surreal

 

O primeiro contato com Maakies vai causar estranheza. A tira acima é um bom exemplo. O humor gira em torno da "caca" de nariz e do que fazer com ela.
 
A reação inicial de incômodo é perfeitamente normal. Mas vale insistir nas histórias, reunidas num álbum lançado neste mês (Zarabatana, R$ 36, capa ao lado).
 
É o inusitado que a diferencia e a torna inovadora.
 
A série se passa num navio. Os protagonistas são dois marinheiros: o corvo bêbado Drinky Crow e o não menos bêbado macaco Tio Gabby (Uncle Gabby, no original). O álbum traz 200 tiras da dupla.
 
Maakies, inédita no Brasil, foge do padrão de uma tira normal. Há o tradicional humor no fim, mas a abordagem é completamente surreal. A começar pela estrutura da tira. Há sempre duas histórias: a principal, em primeiro plano, e outra, no rodapé, sem personagens fixos.
 
As situações da série criada pelo norte-americano Tony Millionaire também escapam do convencional. Os personagens comem o próprio corpo, atiram em si, perdem partes do corpo. Mas nunca morrem.
 
Millionaire, hoje com 51 anos, capitaliza a repercussão da série, que publica desde 1994 em semanários dos Estados Unidos. Ele prepara uma versão animada dos personagens para o canal de TV Adult Swim. Já foi gravado um piloto da série.
 
Segundo a editora Zarabatana, há material de Maakies para pelo menos mais dois álbuns. Um segundo número vai depender da aceitação deste álbum de estréia.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h51
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Até sábado, há pelo menos um evento de quadrinhos por dia

Esta semana tem uma overdose de eventos ligados a quadrinhos.
 
Há de tudo um pouco, e em diferentes estados.
 
Terça-feira
Paulo Caruso autografa "As Mil e Uma Noites", livro com tiras produzidas por ele para o "Jornal do Brasil" na primeira metade dos anos 80 (leia aqui). Vai ser no Jeremias o Bar (rua Avanhandava, 37, no centro de São Paulo).
 
Quarta-feira
Há debate na 2ª  Semana de Quadrinhos, que ocorre desde segunda na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os pesquisadores Alvaro de Moya, Moacy Cirne e Carlos Patati debatem a identidade cultural dos quadrinhos. Começa às 14h. O evento, que é produzido pelos alunos, é de graça.
 
Quinta, sexta e sábado.
Há um ciclo de palestras e lançamentos na livraria Fnac da Avenida Paulista (nº 901). Na quinta, Wander Antunes dá palestra e lança "As Aventuras de Zózimo Barbosa - O Corno Sabia Demais". O álbum é da editora Pixel, que também organiza o evento. Às 19h.
Na sexta, há lançamento do primeiro encadernado do "Monstro do Pântano" (de Alan Moore, leia aqui) e do terceiro número de "Pixel Magazine". Ocorre também uma mesa-redonda sobre quadrinhos adultos com o jornalista Sidney Gusman (site Universo HQ / Estúdios Mauricio de Sousa) e os editores da Pixel Odair Braz Junior e Cassius Medaur. A partir das 19h.
No dia 30 de junho, às 16h, foi programado um evento para divulgar o mangá da cantora Avril Lavigne, com show e reunião de fãs.
 
Sexta-feira
Entrega do 1º Troféu Alfaiataria de Fanzines, promovido pelos organizadores do site Pop Balões. Haverá também palestra com Jozz, criador do álbum "O Circo de Lucca", ainda não lançado (leia aqui). Vai ser na Quanta Academia (rua Minas Gerais, 27, em São Paulo). Começa às 20h.
 
Sábado
Há uma mesa-redonda sobre produção e edição de quadrinhos no Salão do Livro de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Participam Fabiano Barroso (da revista Graffiti), Cristiano Seixas (do estúdio Big Jack) e o pesquisador e quadrinista Wellington Srbek, que lança o livro "O Riso que nos Liberta". O Salão é no espaço cultural Serraria Souza Pinto, no centro de BH. Começa às 14h.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h22
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A discutível ética dos superjornalistas dos quadrinhos

O site Universo HQ, especializado em notícias sobre quadrinhos, deu hoje uma nota que merece registro. O "Observatório da Imprensa" desta terça-feira à noite vai discutir os jornalistas das histórias em quadrinhos.
 
O programa, apresentado por Alberto Dines, discute semanalmente temas ligados à cobertura da imprensa. É produzido pela TVE do Rio de Janeiro e é retransmitido por outras emissoras públicas, como a TV Cultura (vai ao ar às 23h30).
 
Segundo o site, participam da mesa Álvaro de Moya e Moacy Cirne, ambos pioneiros na pesquisa teórica de quadrinhos no Brasil, e os jornalistas Sidney Gusman (Universo HQ) e Rodrigo Fonseca (O Globo).
 
O papel dos jornalistas nos quadrinhos foi estudado num TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) concluído no ano passado na Universidade de São Paulo. O autor da pesquisa, Maurício Kanno, abordou a atuação dos super-heróis na imprensa. Ou do alter-ego deles.
 
O foco do estudo esteve em Clark Kent e Peter Parker, respectivamente Super-Homem e Homem-Aranha. Kanno analisou 172 revistas em quadrinhos dos dois heróis, a maioria da década de 90. Uma das conclusões foi que a atuação deles na imprensa foge à ética profissional do jornalista.
 
O ponto mais questionável é que tanto Kent quanto Parker  usam seus próprios feitos como fonte de parte das reportagens que fazem. O caso do Homem-Aranha é mais explícito: Parker viveu por muito tempo de fotos do herói vendidas para o jornal "Clarim Diário".
 
Em outras palavras: os dois reportam notícias das quais participaram e ajudaram a tornar reais. Isso reduz a tênue linha que separa o interesse público do individual, algo condenado pela ética jornalística.
 
Clark Kent e Peter Parker, quando atuam na imprensa, não são éticos, segundo a pesquisa de Kanno.
 
Há um resumo do estudo no site do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da USP, do qual Kanno faz parte. Para ler, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h21
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18/06/2007

Criador de Ken Parker vai participar do próximo FIQ

O escritor italiano Giancarlo Berardi, criador do caubói Ken Parker, virá ao Brasil em outubro. Ele vai participar da quinta edição do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), que vai ocorrer em Belo Horizonte, Minas Gerais.
 
A informação foi noticiada pelo site TexBR, especializado em quadrinhos italianos, e foi confirmada na tarde desta segunda pela editora Casa 21, uma das organizadoras do FIQ.
 
"Ele está muito animado, porque é a primeira vez que vem ao Brasil", diz por telefone Roberto Ribeiro, da editora Casa 21. "Ele mantém contato com os fãs. E vê a visita como uma oportunidade de entrar em contato com eles."
 
Junto com Berardi, virá uma exposição de Julia, personagem criada por ele em 1998. As histórias dela são publicadas no Brasil na revista mensal "J. Kendall - Aventuras de uma Criminóloga", da editora Mythos.
 
A exposição foi produzida no ano passado pela Editora Sergio Bonelli, que publica as tramas da personagem na Itália (a Bonelli edita também Tex, maior sucesso da empresa). O material já foi enviado ao Brasil, mas ainda não chegou.
 
O FIQ ocorre entre 16 e 21 de outubro. Berardi chega a Belo Horizonte um dia antes do início do evento. A programação ainda não foi definida.
 
Segundo os organizadores, esta quinta edição terá a presença de 30 autores nacionais e por volta de 12 estrangeiros, nomes que a editora ainda não revela.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h58
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Gorjeta chega ao quarto número. E faz planos para outras edições

A produção de revistas independentes tem ganhado novo fôlego no Brasil. Em diferentes cantos do país, surgem exemplos de quadrinistas dispostos a publicar suas histórias e a furar os limites do estado onde foram criadas.

 

O último caso é o da “Gorjeta”, de Mato Grosso, que tem lançamento nesta segunda-feira à noite em São Paulo.

 

A revista reúne diferentes autores e já está no quarto número (capa ao lado). A publicação intercala histórias independentes com outras, de personagens fixos.

 

Como as tiras conjugais de “Diário de um Casal”, de Ricardo Leite, e “Zezé, o Cartunista Pistoludo”, criação autobiográfica do desenhista Vinícius (que assina somente com o prenome).

 

Leite e Vinícius –que já se conhecem há dez anos- encabeçam a produção. A iniciativa de criar a revista também é deles. Foi uma junção de dois fatores: necessidade de publicar quadrinhos e falta de espaço nos jornais de Mato Grosso.

 

“A gente tentou publicar pelos jornais daqui”, diz Ricardo Leite, por telefone. “Nosso conteúdo não tinha abertura nos jornais. Achavam que era muito pesado.” Foi aí que surgiu a idéia da revista.

 

O primeiro número saiu em dezembro de 2005. Foi bancado pela própria dupla. A edição de estréia, ao contrário das demais, tinha formato de bolso. Isso ajudou a baratear o preço final (esta quarta edição sai por R$ 3). E, ironicamente, deu origem ao nome da publicação.

 

“A idéia é que era uma revista para caber tanto no preço quanto no nome”, diz Leite, que assina algumas histórias da edição como Ric Milk. “Brincamos o preço era quase uma gorjeta. A idéia pegou. É difícil encontrar uma revista com esse valor. Se aumentar o preço o nome vira ´propina’ (risos)”.

 

Verba de Lei de Incentivo à Cultura do estado de Mato Grosso garantiu a continuidade da revista e o preço baixo. O dinheiro público bancou a terceira e esta quarta edição, a última que contará com o incentivo.

 

Leite diz que consegue garantir uma quinta edição. Pretende lançar uma nova “Gorjeta” a cada dois meses, ao contrário do que ocorreu com os números iniciais. E faz planos. Um deles é ter publicidade suficiente para fazer distribuição gratuita da revista.

 

Outro plano é colocar a publicação nas bancas de todo o país. “Falta verba ou um parceiro para isso”, diz Leite, um designer gráfico de 28 anos, nascido e crescido em Cuiabá.

 

Mora na cidade com a esposa, Josiana Kaniesk, 29. É da convivência com ela a inspiração para as tiras de “Diário um Casal”. Leite conta que já chegaram até a reconhecer a esposa por causa do desenho.

 

Ricardo Leite trabalha paralelamente em outro projeto. Desenha uma graphic novel, escrita por Gabriel de Mattos, outro colaborador da “Gorjeta”. É a mesma dupla que produziu em 2005 o álbum “Destino Oeste” (pela editora Tanta Tinta), sobre o início da aviação em Mato Grosso no fim da década de 20.

 

Ao contrário do anterior, o novo trabalho tem olhos no futuro. “É uma ficção científica. Se passa num período pós-apocalíptico”, diz. O foco da história está numa banda de jazz, “que precisa se deslocar para fazer os shows”. Leite já tem 27 páginas prontas. O álbum deve ter o dobro. Segundo ele, já há conversas com duas editoras para publicar a obra.

 

Leite e Vinícius não vêm para o lançamento paulista da “Gorjeta”. Eles serão representados por outra dupla, Marko Ajdaric, mantenedor do site Neorama, e o cartunista Marcio Baraldi. Os dois participam da revista com duas histórias de humor feitas com fotografias. Outro colaborador, Giorgio Cappelli, também vai estar na sessão de autógrafos. 

 

O lançamento vai ser às 19h na Menor Livraria do Mundo, que funciona no Jeremias o Bar (rua Avanhandava, 37, no centro de São Paulo). A compra da "Gorjeta" dá direito a um exemplar do novo número da revista Tulipio, feita para ser distribuída em bares (leia mais aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h04
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16/06/2007

Coletânea de Valentina recupera estilo erótico e surreal de Crepax

Na produção artística, é bem visível a presença da forma e do conteúdo. Há quem consiga percorrer os dois campos com igual precisão e criatividade. Há quem priorize um deles. É o caso de Guido Crepax e de sua criação máxima, Valentina, que tem nova coletânea lançada neste mês (Conrad, R$ 55).

O foco do desenhista italiano, morto em julho de 2003, estava na forma. Era dono de um estilo único. A moldura do quadrinho era pequena para ele. Crepax estrapolava a rigidez da estética que dominava a linguagem quadrinística e vazava as imagens para toda a página.

Era como se fossem fragmentos de ação percorrendo todo o formato do papel. Em várias páginas, nem quadrinhos havia. Existia no lugar uma psicodelia de imagens e de situações eróticas e surreais, muitas vezes sem uma conexão clara entre uma cena e outra.

O apelo era mesmo à estética em detrimento do conteúdo, da narração da história em si. O resultado é inovador ainda hoje, como fica claro nas cinco histórias desta segunda coletânea da provocante personagem. O que diria, então, na época em que foram publicadas, entre 1966 e 1968.

A fotógrafa Valentina Rosselli foi criada por Guido Crepax em 1965. Ela era a namorada do investigador Neutron, o personagem-título. A história era publicada em capítulos na revista italiana "Linus", que mesclava material italiano com outros, vindos dos Estados Unidos.

O estilo provocante de Valentina chamou a atenção e ela foi ganhando cada vez mais espaço. A ponto de se tornar a protagonista da história. A Neutron foram reservadas apenas aparições esporádicas. Até que sumiu de vez.

"Valentina 66-68" evidencia essa transição, já iniciada na primeira coletânea, lançada em maio do ano passado (ia de 1965 a 1966). É algo que fica mais claro com a leitura das histórias na seqüência cronológica em que foram publicadas.

Até então, o contato dos brasileiros com a personagem era fragmentado. Valentina foi publicada em edições da revista "Grilo", no "Gibi" e em álbuns da editora gaúcha L&PM. Nenhuma das edições obedeceu à ordem cronológica.

O relacionamento de Crepax com sua personagem durou 29 anos. Terminou em 1994, com a história "Valentina Movie".

Sabe-se que foi baseada numa Valentina real. Embora pairem dúvidas sobre quem seja.

No livro "Desnudando Valentina – Realidade e Fantasia no Universo de Guido Crepax", o pesquisador Marco Aurélio Lucchetti levanta duas possibilidades sobre quem seria ela: ou a atriz Louise Brooks, ou a esposa de Crepax. O nome viria de uma sobrinha.

A Conrad pretende dar continuidade à série. Já confirmou um terceiro volume de Valentina.

Leia mais na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h10
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Três perguntas e três respostas sobre Valentina

O pesquisador e professor universitário Marco Aurélio Lucchetti é um especialista em Valentina. A personagem foi o tema de seu doutorado na Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo), defendido em 1999.

A pesquisa foi compilada no livro "Desnudando Valentina – Realidade e Fantasia no Universo de Guido Crepax", publicado em 2005 pela editora Opera Graphica.

Lucchetti teve o primeiro contato com a personagem em novembro de 1971. Foi quando a viu na capa de uma edição da revista "Grilo", comprada por seu pai, o escritor R. F. Lucchetti. Tornou-se um colecionador de tudo o que saía sobre ela, dentro e fora do país.

O Blog dos Quadrinhos entrevistou Lucchetti em maio do ano passado, quando foi lançada a primeira coletânea da editora Conrad. Recupermaos, a seguir, reproduzimos três perguntas e respostas sobre o universo surreal de Valentina.

É uma criação que prioriza a estética ou a história?

- O primeiro impacto do leitor é pela estética. Valentina não tem aquela paginação normal dos quadrinhos. Foge totalmente à diagramação tradicional. Esse é o primeiro nível de leitura. Depois, vem a história. É um fiozinho. Não possui muita aventura ou drama (quem lê só super-heróis vai detestar). A intenção de Crepax foi contar o dia-a-dia de uma mulher normal, com profissão própria [é fotógrafa] e filho.

- E é válido deixar a história num segundo plano?

- É válido. Acontece em todos os campos da arte: no cinema, na música e em outros. O que mais importante á a forma. A gente nunca lembra uma história completa. Lembramos partes dela. A intenção de Crepax é essa. Fixar as partes, não a coerência da narrativa. Ele não era um bom contador de histórias. É o inverso de Hugo Pratt [criador de Corto Maltese]. O forte [de Crepax] eram os referenciais e a diagramação.

- O que tornou Valentina um personagem tão forte e duradouro?

- Ela é a personagem que melhor representa a mulher liberal, independente, que é várias coisas ao mesmo tempo. É intelectual, mãe, fotógrafa, independente, amante e comunista (embora, com o temo, ela mude o referencial político).

Leia a íntegra da entrevista aqui.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h08
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15/06/2007

Um convite para avaliar as adaptações literárias em quadrinhos

Qualquer afirmação sobre as adaptações literárias em quadrinhos carece de precisão até que um estudo mais aprofundado forneça algumas respostas teóricas sobre o assunto. Mas há tendências que já podem ser percebidas.
 
Uma delas é que é necessária uma obrigatória adaptação. Por um motivo bem simples: são linguagens diferentes. Os quadrinhos têm o elemento icônico, a literatura não.
 
Isso fica bem explícito na série "Em Busca do Tempo Perdido", que tem novo volume lançado neste encerramento de semana (R$ 49).
 
A coleção adapta o círculo de romances escritos pelo francês Marcel Proust (1871-1922). Foram sete edições, lançadas entre 1913 e 1927.
 
Este quarto volume em quadrinhos -o último foi lançado no Brasil em 2004- traz a primeira parte de "Um Amor de Swann", subtítulo do álbum da editora Jorge Zahar.
 
O autor, o francês Stéphane Heuet, demonstra ter ciência do mecanismo da adaptação da obra máxima de Proust. E das mudanças necessárias nesse processo. Ele parece trabalhar cada um dos quadrinhos das 46 páginas da história.
 
O segredo está exatamente no que torna os quadrinhos peculiares: o elemento visual. Não se sabe se há a perda de boa parte das palavras escritas por Proust ou se há ganho na tradução delas em imagens.
 
Na história, ambientada em Paris, o galanteador Charles Swann se envolve com a romântica Odette de Crécy. E, por meio dela, se insere no fechado círculo de amizades da obsessiva de Madame Verdurin, que mede as amizades pela freqüência diária com que visitam sua casa à noite.
 
A editora Jorge Zahar pretende editar o quinto número da coleção. Não há data definida porque a obra ainda não foi publicada na França. Este quarto volume foi lançado na Europa em dezembro de 2006.
 
Quando o quinto volume sair, será mais uma boa oportunidade para avaliar o processo de passagem da literatura para os quadrinhos. Talvez esteja aí o intesse -ou um dos interesses- na leitura e no estudo das adaptações literárias.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h40
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Mais quatro volumes com histórias clássicas de Carl Barks

Lançar histórias clássicas dos personagens Disney para um público adulto se revelou um promissor negócio para a Abril. Prova disso é a longevidade da coleção que reedita as aventuras de Carl Barks, criador da maioria dos habitantes de Patópolis.

 

A editora programou mais quatro volumes da série. O primeiro começou a ser vendido nesta semana (R$ 16,95). Vai sair um por mês.

 

As edições correspondem aos números 29 a 32 da coleção “O Melhor da Disney – As Obras Completas de Carl Barks”. O foco dessa nova fase da publicação está no Pato Donald e em seus três sobrinhos, Huguinho, Zezinho Luisinho.

 

Os quatro volumes vão trazer histórias lançadas na revista “Donald Duck” (nome original do Pato Donald) e de algumas edições especiais. A maior parte do material é da década de 50.

 

O volume que chega esta semana às bancas traz cinco aventuras de 1951: “O Agente Secreto”, “Na Velha Califórnia” e “O Encantador de Serpentes”. Há também uma quarta aventura, “O Lobisomem do Ártico”, de 1968, a única não desenhada por Barks.

 

Curiosamente, é essa história o destaque da edição. O álbum traz os esboços de Barks para as 21 páginas da aventura, que conta com participação de Tio Patinhas. O desenhista Tony Strobl se baseou nos rascunhos para fazer a arte.

 

A edição mostra as duas versões, o storyboard de Barks numa página à esquerda e a versão final, de Strobl, na página ao lado. A curiosidade é comparar uma à outra. E, depois, fazer nova analogia com outra versão da história, feita por Daan Jippes e publicada na Holanda em janeiro de 1999.

 

Carl Barks foi por muitos anos um autor-fantasma para os leitores. Ele criava as histórias e os personagens, mas era Disney quem levava a fama. O desenhista, apelidado de o “homem dos patos”, foi descoberto ainda em vida (morreu em 2000) e teve o merecido reconhecimento dos fãs.

 

A Abril tem outro lançamento voltado ao público adulto. É o segundo volume de “A Saga do Tio Patinhas” (R$ 14,95), que começou a ser reeditado no mês passado (leia aqui). Novamente, o autor da série, Don Rosa, não foi creditado na edição (por problemas de uso do nome).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h40
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14/06/2007

Groo e Liberty Meadows: os primeiros lançamentos da Fest Comix

Quando se avista no horizonte a chegada de uma Fest Comix, principal feira de quadrinhos do país, começam a pipocar lançamentos. Os primeiros foram divulgados na tarde desta quinta-feira. A lista inclui Liberty Meadows e um novo álbum de Groo, o Errante.
 
"Groo - Odisséia" (Opera Graphica, R$ 49) traz quatro histórias do atrapalhado bárbaro, que satiriza quadrinhos no estilo de Conan, o Bárbaro. Segundo a divulgação do evento, trata-se de aventuras da fase inicial do personagem, criado por Sergio Aragonés no início dos anos 80.
 
Groo já foi publicado no Brasil por diferentes editoras. A estréia foi na Abril, em 1989.
 
O outro lançamento é "Liberty Meadows" (HQM, R$ 32,90). A série é inédita no Brasil. São tiras sobre os seres de uma reserva animal.
 
As histórias são escritas e desenhadas por Frank Cho. O álbum terá formato grande, igual ao de Corto Maltese, da editora Pixel. "Liberty Meadows" tinha sido anunciado para março, mas o lançamento foi reprogramado pela editora. 
 
A feira de quadrinhos também vai ter material da Panini, embora nenhum ainda confirmado. A editora tem vários lançamentos especiais atrasados, como "Biblioteca Histórica Marvel - Quarteto Fantástico", anunciado para abril.
 
Esta 12ª edição da Fest Comix programou 200 mil títulos, vendidos com descontos de até 60% (o principal atrativo do evento). A feira de quadrinhos vai ser entre os dias 29 de junho e 1º de julho no Colégio São Luís, perto da Avenida Paulista, em São Paulo.
 
Os organizadores esperam 14 mil visitantes. A última edição da feira de quadrinhos ocorreu em outubro do ano passado.
 
Post postagem: a organização da feira divulgou na sexta-feira, dia 15, mais três lançamentos. São os próximos álbuns de Tintim: "As Sete Bolas de Cristal", "O Templo do Sol" e "Tintim no País do Ouro Negro" (Companhia das Letras, R$ 34,50 cada um).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h26
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Novos livros de bolso com tiras de Glauco e Laerte

Dois novos livros de bolso trazem tiras dos cartunistas Glauco e Laerte.
 
As duas obras reeditam material publicado no jornal "Folha de S.Paulo" e começam a chegar às livrarias nesta semana.
 
"Geraldão 2 - A Genitália Desnuda" (L&PM, R$ 9) traz histórias do solteirão preguiçoso, que vive dentro de casa às custas da mãe. O personagem é a criação mais famosa de Glauco.
 
O subtítulo desta segunda coletânea faz menção à radical mexida no visual do personagem. Glauco passou a desenhar o solteirão nu, com o pênis ereto explicitamente à mostra.
 
Nas primeiras tiras, Geraldão aparecia segurando a cueca com uma das mãos para que ela não caísse.
 
Essa fase foi mostrada no primeiro livro de bolso do personagem, lançado pela editora gaúcha em agosto do ano passado (leia aqui).
 
"Striptiras 2" (L&PM, R$ 9) reúne uma parte das tiras  urbanas e ecléticas criadas por Laerte.
 
São diferentes personagens em diferentes situações. A edição traz Grafiteiro (destacado na capa, vista ao lado), Vizinhos e Gato & Gata.
 
O primeiro volume de Striptiras também trazia Gato & Gato. Mas havia outros personagens, como Zelador e Virgínia Helena.
 
Essa edição foi lançada em março junto com outro livro de bolso de Laerte, "Fagundes - Um Puxa-Saco de Mão Cheia" (leia aqui).
 
Os dois novos livros de bolso de Glauco e Laerte têm 112 páginas cada um.
 
O número de tiras também é semelhante: em torno de 210.
 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h13
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13/06/2007

Catálogo virtual mostra trabalhos premiados do Porto Cartoon

 
Os trabalhos vencedores da edição deste ano do "Porto Cartoon - World Festival" foram reunidos num catálogo virtual, disponível no site do salão de humor português. Há três cartuns brasileiros na exposição. O tema era globalização.
 
Um é do santista Dacosta, já mostrado no Blog no fim de abril, quando saíram os resultados (leia aqui e aqui). Ele ficou em segundo lugar, empatado com o desenhista italiano Alessandro Gatto.
 
Os outros trabalhos são de Osmani Simanca (um deles é o reproduzido nesta postagem). O desenhista brasileiro teve dois cartuns incluídos nas 15 menções honrosas do salão, um dos mais reconhecidos do mundo.
 
Para ver a exposição virtual desta e de outras edições do salão, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h42
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David Lloyd vem ao Brasil no segundo semestre

O desenhista inglês David Lloyd vai estar no Brasil no segundo semestre deste ano. Ele vem ao país para lançar o sétimo volume da coleção "Cidades Ilustradas", que mostra municípios brasileiros pelo traço de diferentes autores. O álbum mostrará o olhar dele sobre São Paulo.
 
A informação é da Casa 21, que publica a coleção. Foi a editora que trouxe Lloyd ao Brasil em novembro do ano passado. O desenhista da minissérie "V de Vingança" percorreu a cidade durante 15 dias coletando cenas e registrando impressões pessoais (leia mais aqui).
 
Segundo a editora, Lloyd finaliza o álbum em julho. A edição começa no mês seguinte. A previsão é que seja lançado no início de outubro, data programada para a vinda dele. O desenhista participará do lançamento, feito na cidade de São Paulo.
 
A cena abaixo é uma das ilustrações que integrarão as 72 páginas da obra. A imagem, feita num dia chuvoso, reproduz o Cemitério do Araçá, que fica próximo aos aranha-céus da região da Avenida Paulista.
 
A coleção "Cidades Ilustradas" já mostrou Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Salvador, Belém e as cidades históricas de Minas Gerais. No segundo semestre, a editora pretende lançar, além de São Paulo, álbuns sobre Florianópolis e Porto Alegre. 
 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h14
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12/06/2007

Lançado terceiro número da Juke Box

O terceiro número da revista independente carioca "Juke Box" tem lançamento nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro.
 
A edição mescla quadrinhos de desenhistas brasileiros e estrangeiros (no caso, espanhóis). É algo que já havia sido feito no número anterior, lançado no fim de outubro de 2006 (leia aqui).
 
A "Juke Box" surgiu para substituir "Mosh!", revista independente que venceu várias edições do Troféu HQMix. Com a mudança, o título incluiu dois novos temas, rock e literatura, presentes também neste novo número.
 
O lançamento é na Baratos da Ribeiro, rua Barata Ribeiro, 354, no Rio de Janeiro. Começa às 19h. Na virada do mês, a "Juke Box 3.33" faz dois outros lançamentos em São Paulo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h41
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Versão em quadrinhos do Analista de Bagé ganha nova edição

O Analista de Bagé é o personagem mais multimídia do escritor Luis Fernando Verissimo. O personagem começou como crônica, teve longa vida no teatro e teve várias histórias produzidas em quadrinhos. É a versão em quadrinhos que ganha uma nova edição, lançada neste mês.
 
"As Melhores do Analista de Bagé" (R$ 44,90) faz parte dos lançamentos do escritor feitos pela Objetiva, do Rio de Janeiro, que detém os direitos de publicação das obras de Verissimo. A editora já tem em catálogo uma coletânea de contos do personagem, publicada em 2000.
 
A versão em quadrinhos do Analista de Bagé traz novas crônicas, com duas diferenças: cada uma em uma página, e todas com uma piadinha no fim. O gaúcho Edgar Vasques faz o desenho das histórias produzidas por Verissimo, hoje com 71 anos.
 
O perfil do personagem é o mesmo da versão literária. Trata-se do psicanalista machão que não mede esforços para dar uma surra nos pacientes homens ou uma "sessão fechada" para as mulheres que o procuram no consultório.
 
O psicanalista de Bagé (cidade do Rio Grande do Sul) está sempre acompanhado de um busto de Sigmund Freud, com quem trava alguns diálogos, e da atendente Lindaura.
 
Na definição de Verissimo, ela é a "recepcionista que, além de receber, também dava". Era uma das amantes do analista.
 
As 90 páginas da edição trazem causos do psicanalista publicados na revista "Playboy" entre junho de 1983 e outubro de 1990. 
 
Há só duas exceções. Uma história lançada na revista "Superinteressante", em 1987, e outra inédita, intitulada "Papai Fresco".
 
A primeira passagem do personagem em forma de livro foi em 1983. "O Analista de Bagé em Quadrinhos" foi lançado pela gaúcha L&PM, que editou as obras de Verissimo por mais de 20 anos.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h22
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11/06/2007

Antologia de Chiclete com Banana traz estréia de Los Três Amigos

Angeli era Angel Villa. Laerte, Laerton. Glauco, Glauquito. Juntos, os três cartunistas se auto-satirizavam na forma de Los Três Amigos. 
 
A história de estréia deles foi incluída na primeira edição da "Antologia Chiclete com Banana", que começou a ser vendida nesta segunda-feira (Nova Sampa/Devir, R$ 5,90).
 
Os desenhistas se inspiraram no filme "Três Amigos!", de 1986, estrelado por Steve Martin, Chevy Chase e Martin Short.
 
A versão em quadrinhos ironizava as histórias de faroeste, em especial as ambientadas na divisa com o México (com os Miguelitos, rótulo dado aos meninos que povoavam o local).
 
A aventura foi publicada pela primeira vez no número 12 da "Chiclete com Banana", de novembro de 1987. Foi o primeiro passo para uma série de outras histórias, que serão lançadas edição sim, edição não da antologia.
 
A nova Chiclete vai reeditar material dos 24 números da revista de Angeli, publicada entre 1985 e 1990. Terá também histórias de edições especiais de personagens criados por Angeli (leia mais aqui). A vedete será Rê Bordosa, presente em todos os 16 números mensais da antologia.
 
A assiduidade dela é "por ser a personagem mais famosa e admirada", diz por telefone Toninho Mendes, editor das duas versões da revista. "Tudo o que foi feito sobre ela vai sair nas 16 edições." A morte dela foi programada para a edição 13.
 
Mendes selecionou 800 páginas de histórias de um total de 2.300. Um dos critérios foi a atualidade do material. O que foi separado para a antologia será lançado fora da ordem cronológica.
 
Neste primeiro número, há histórias das edições 1 (duas histórias), 2, 5, 9, 12, 18 e de um especial de Rê Bordosa, de outubro de 1987. O motivo, segundo Mendes, é para distribuir melhor os autores pelos 16 números.
 
Angeli produziu muitas histórias até a edição sete. Depois, apareceram outros autores que passaram a dividir o espaço da revista com ele. É o caso de Laerte, que tem a história "Penas" publicada neste número de estréia.
 
"Se eu mantivesse a ordem cronológica, eu teria as quatro primeiras edições [da antologia] só com Angeli e as últimas teriam menos material dele. E é uma coisa que não nos interessa."
 
Toninho Mendes foi o criador e editor da Circo Editorial, que publicou por 11 anos o novo quadrinho urbano que surgia em São Paulo após a abertura política, em 1985.
 
Além da Chiclete, passaram pelas mãos dele revistas como "Geraldão", "Piratas do Tietê" e "Circo".
 
Hoje, ele se dedica a outras atividades. Mas mantém um pé firme nessas histórias. Ele coordena as reedições do material, publicadas há alguns anos pela Devir.
 
A volta da "Chiclete com Banana", a mais famosa da Circo Editorial, era uma "necessidade dos leitores e nossa", diz. Mendes conta que a revista era muito procurada, mas pouco encontrada.
 
E uma volta da Chiclete com material inédito? "A gente [ele e Angeli] não descarta vir a fazer uma revista. Mas precisa ver antes como é que esta edição vai se comportar nas bancas".
 
Ao todo, foram distribuídas 35 mil cópias, vendidas em bancas de São Paulo e do Rio Grande do Sul. Cada número terá 48 páginas e será publicado em papel jornal, o mesmo usado na primeira versão da "Chiclete com Banana".

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h03
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Fetichast: uma crítica em quadrinhos ao poder exercido pela TV

Uma obra -qualquer obra- reflete parte da sociedade em que foi produzida. O reflexo pode ser disfarçado, percebido apenas nos detalhes. Ou escancarado, gritantemente explícito ao leitor. 
 
É desse último caso "Fetichast - Províncias dos Cruzados", que tem lançamento nesta segunda-feira em São Paulo (Devir, R$ 33).
 
O álbum inteiro faz uma releitura de fragmentos da realidade em voga hoje no país, principalmente a realidade midiática. Fetichast, nome da nação onde se passa a história, é dominada pela televisão.
 
Domínio intencional. O aparelho é usado pelo imperador Desejo para influenciar no modus vivendi dos mais jovens.
 
É em torno da televisão que se passa toda a história. E toda a crítica do brasileiro J. Márcio Nicolosi, autor do álbum e produtor de desenhos animados.
 
Pela manhã, a garotada de Fetichast assiste ao programa da corpulenta Pucha-Puchá. A apresentadora é uma leitura caricata de Xuxa Meneghel, da TV Globo, a começar pela semelhança do nome. Com os "dotes" de Puchá, a juventude se esquece da crítica.
 
Quando o programa dela começa a dar sinais de cansaço, o imperador cria uma nova atração, o Zôo-Yú-Mano. Trata-se de um reality show à la BBB (Big Brother Brasil) que mostra tudo o que os participantes fazem. Tudo mesmo. Inclusive para as crianças.
 
O reality show é uma forma de impedir a juventude de comprar fitas piratas com produções cinematográficas. As fitas vêm de uma região de Fetichast parecida com a China.
 
Há outras citações, muitas outras. São tantas que, em vários momentos, ofuscam a real história da qual fazem parte. E afastam o leitor da real crítica da obra.
 
O álbum é uma seqüência de "Fetichast - Províncias do Desejo", lançado em 1991 e vencedor de um Troféu HQMix.
 
Não há necessidade de ter lido a primeira obra para entender este novo trabalho de Nicolosi. Mas faltou ao leitor essa contextualização, algo comum nos demais lançamentos da Devir.
 
"Fetichast - Províncias dos Cruzados" tem lançamento nesta segunda-feira à noite na Menor Livraria do Mundo, em São Paulo. Fica no Jeremias o Bar, na rua Avanhandava, 37, no centro de São Paulo. Começa às 19h30. A obra será vendida com 20% de desconto.

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Escrito por PAULO RAMOS às 10h00
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10/06/2007

Uma pergunta póstuma para Adolfo Aizen

Adolfo Aizen completaria neste domingo cem anos.

Aizen foi o criador da extinta EBAL (Editora Brasil-América), uma das principais editoras de quadrinhos do país no século passado. Morreu em 10 de maio de 1991, de infarte.

Se ele estivesse vivo, seria uma boa pessoa para ser ouvida sobre a atual tendência de adaptações de obras literárias em quadrinhos.

A resposta de Aizen certamente ecoaria. Ele era catedrático no assunto. Afinal, foi um dos primeiros a reduzir a fronteira entre os quadrinhos e as obras literárias no Brasil.

Criou em 1949 (há quem diga que tenha sido um ano antes) a coleção "Edição Maravilhosa", com adaptações de romances nacionais e estrangeiros.

A série da EBAL teve cerca de 200 edições e durou até fins de 1961.

A revista "Edição Maravilhosa" foi a tentativa de Aizen de cooptar pessoas que viam os quadrinhos como algo prejudical às crianças.

Hoje, as adaptações voltam à pauta editorial. E ganham destaque na mídia. Mais pelo teor literário do que por serem quadrinhos.

Será, Aizen, que não se repete hoje a mesma estratégia feita por você em "Edição Maravilhosa"?

Pena que fique sem uma resposta dele.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h49
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09/06/2007

Lançada segunda antologia do Pasquim

O humor era a arma dos integrantes do "Pasquim" para combater o regime militar brasileiro (1964-1985). E era uma arma poderosíssima. Não por acaso, o grupo vivia às turras com a censura, como fica claro na segunda antologia do jornal alternativo, lançada neste início de mês (Desiderata, R$ 74,90).
 
O livro traz os principais trechos de 50 edições do "Pasquim", publicadas entre 16 de maio de 1972 e 1º de maio de 1973. Cada uma delas dava uma cutucada em temas que os militares repudiavam. Quando a censura na parte interna do jornal era inevitável, o grupo dava o troco nas capas.
 
Parte delas foi reunida na obra. Como a da edição 161 (reproduzida abaixo). Um punho cerrado esmagava o ratinho Sig, personagem-símbolo do jornal. O recado era claro: mesmo vítima da "mão forte" da censura, a edição não deixava de sair.
 
Mas as cutucadas nos militares não eram a única fonte de inspiração do grupo. Havia outras, muitas umbilicalmente atreladas à época. Dois casos, só para ilustrar.
 
Millôr Fernandes escreve um poemete em que justifica o formato de cada uma das letras do alfabeto. O "B" maiúsculo, por exemplo, é um "I" que se apaixonou por um "3". Ao "C", versa o escritor, só lhe resta uma saída.
 
O nome dado ao poemete foi "Alfabeto Concreto", alusão à então recente poesia concreta, que tinha no semiólogo Décio Pignatari e nos irmãos Haroldo e Augusto de Campos os principais representantes. A idéia deles é agregar o elemento visual aos poemas.
 
Outro caso é uma história em quadrinhos feita por Ziraldo, que usa e abusa da metalinguagem. A começar pela forma como o desenhista mineiro assina a narrativa, "Ziraldo Bogarth", alusão a Burne Hogarth, um dos principais desenhistas de Tarzan.
 
Não é por acaso que é intitulada "Tarzan contra o corte epistemológico". Ziraldo usa cenas de personagens clássicos dos quadrinhos -não só Tarzan- para brincar com os teóricos da época.
 
Num dos quadrinhos, o Príncipe Valente de Hal Foster faz uma chamada para os presos de um calabouço. "Sérgio Augusto! Presente! Moacy Cirne! Presente! Álvaro de Moya! Presente!" São todos nomes de teóricos dos quadrinhos, que começavam a estudar a "nova" arte no início dos anos 70.
 
Esta segunda "Antologia do Pasquim" deveria ter material de 150 edições do jornal alternativo, a exemplo da primeira edição, lançada no início do ano passado. Teve só 50.
 
O motivo, segundo os organizadores da coletânea, foi a difuldade de deixar de lado parte do conteúdo. A saída foi restringir a publicação entre as edições 150 e 200.
 
Por mais que tenha contribuições de diferentes autores, as 370 páginas do livro se concentram nos trabalhos dos "cabeças" do grupo: Millôr, Henfil, Ivan Lessa, Ziraldo, Paulo Francis, Jaguar e Sérgio Augusto. Os dois últimos organizam a antologia.
 
A seleção do material demorou um ano. É provável que demore outro para chegar a terceira edição.
 
Até lá, talvez a editora publique outras obras ligadas ao jornal, como ocorreu com "Gip! Gip! Nheco! Nheco!", de Ivan Lessa (coluna presente também nesta antologia), e "Desenhos de Humor", do casseta Reinaldo, lançadas neste ano.
 
Leia mais aqui e aqui.
 
Nota: o jornal "Folha de S.Paulo" deste sábado traz uma boa entrevista com Ivan Lessa. O escritor comenta os tempos de "Pasquim". Para ler, clique aqui (assinante UOL).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h58
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08/06/2007

HQMix vai homenagear desenhista Sergio Macedo

O desenhista Sergio Macedo vai ser um dos homenageados da edição deste ano do Troféu HQMix. Ele será premiado na categoria Grande Mestre, que lembra nomes importantes do quadrinho nacional.
 
A informação foi passada ao desenhista por um dos integrantes da comissão organizadora do prêmio, o principal do país na área de quadrinhos.
 
Sergio Macedo é o primeiro nome do HQMix que "vaza" para o público. Segundo o site do evento, os vencedores serão divulgados somente a uma semana da premiação.
 
Macedo iniciou a carreira no Brasil na primeira metade dos anos 70, mas fez fama no exterior. Produziu 15 álbuns, a maior parte na Europa. Os trabalhos dele são inéditos no Brasil.
 
O desenhista mora no Taiti, mas está em visita ao Brasil. Macedo, hoje com 56 anos, negocia a publicação de um álbum que narra a trajetória dos índios brasileiros (leia mais aqui e aqui).
 
As imagens desta postagem, todas inéditas, mostram trechos do álbum. O primeiro desenho é de um kayapó, uma das aldeias do Parque Nacional do Xingu. O outro, ao lado, mostra um suruí, de Rondônia.
 
No ano passado, a categoria Grande Mestre homenageou Ignácio Justo, desenhista especializado em histórias de guerra. Ele teve trabalhos muito populares na década de 50.
 
Os premiados na edição deste ano do HQMix vão receber um troféu inspirado em Kactus Kid, caubói criado por Renato Canini. O troféu vai simular um dólar furado (veja aqui).
 
A entrega dos prêmios vai ser no dia 11 de julho, no Sesc Pompéia, em São Paulo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h08
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07/06/2007

Homem-Aranha x Duende Verde: primeiros rounds

Há dois atrativos no terceiro número da coleção "Homem-Aranha – Grandes Desafios", que começou a ser vendido nesta semana (Panini, R$ 18,90).

O primeiro atrativo a capa deixa bem claro qual é: Duende Verde. O álbum reedita os confrontos iniciais com o vilão, inclusive o primeiro, publicado em julho de 1964. Essa história é reproduzida numa edição à parte (capa abaixo).

O Duende Verde é um dos principais inimigos do Homem-Aranha. O vilão conhece a identidade secreta do herói, Peter Parker, e é pai de Harry Osborn, melhor amigo de Parker.

O segundo interesse está na última aventura do encadernado, "Homem-Aranha Nunca Mais!", de julho de 1967. Na história, um frustrado Peter Parker decide abandonar a vida de super-herói.

Ele entra num beco, joga o uniforme numa lata de lixo e sai caminhando cabisbaixo.

A cena, desenhada por John Romita, é uma das mais marcantes da história do personagem e foi reproduzida fielmente no segundo longa-metragem do Homem-Aranha.

Todas as histórias deste terceiro número de "Homem-Aranha – Grandes Desafios" são escritas por Stan Lee, o criador do herói.

A próxima edição vai trazer outros confrontos com o Duende Verde, inclusive o que causou a morte de Gwen Stacy, então namorada de Peter Parker. É uma das histórias mais famosas e reeditadas do personagem.

Leia mais sobre os dois primeiros números da coleção aqui e aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 11h25
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06/06/2007

Álbum com primeiras histórias de Batman sai este mês, diz editora

"Batman Crônicas", coletânea das primeiras histórias do homem-morcego, foi programada para ser lançada este mês.
 
O álbum consta na lista de lançamentos de junho da Panini. A informação foi divulgada esta semana no site da editora.
 
A obra terá 196 páginas (capa ao lado). Vai trazer histórias publicadas entre os números 27 e 38 da revista "Detective Comics". O título marcou a estréia do herói, criado em 1939 por Bob Kane. As aventuras são dessa época.
 
A edição de luxo vai reeditar também o primeiro número da revista "Batman", criada para capitalizar a fama do defensor de Gotham City.
 
A obra não vai para as bancas. Será lançada em livrarias e lojas especializadas em quadrinhos.
 
A Panini pretende publicar outros álbuns com as histórias iniciais de Super-Homem, de 1938, e da Liga da Justiça (leia mais aqui).
 
Em abril, a Panini anunciou também reedições de histórias clássicas da editora norte-americana Marvel (leia aqui). O primeiro, do Quarteto Fantástico, seria lançado no mês passado. Não foi. O site da editora anuncia novamente a obra, só que para este mês.

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h41
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05/06/2007

Álbum inédito conta história dos índios brasileiros

Uma história em quadrinhos inédita conta a trajetória dos índios brasileiros antes, durante e depois do descobrimento. O álbum está quase pronto para ser publicado e é negociado com quatro editoras.
 
O álbum conta a história de pelo menos 12 tribos. Nesta e nas próximas duas postagens, há imagens dos kayapó, dos xavante e dos kreen-akarore. As imagens são mostradas em primeira mão pelo Blog dos Quadrinhos.
 
A trajetória cronológica dos índios foi narrada por Sergio Macedo, desenhista brasileiro mais conhecido no exterior do que por aqui. Ele morou dois meses no Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso.
 
A experiência foi no início de 1987. O álbum também começou a ser produzido nessa época.
 
"Desde criança, minha paixão eram os índios", diz o desenhista. "Meus pais diziam que eu era adotado por índios. Eu adorava."
 
A realização do sonho de criança rendeu muitas histórias. Uma delas já inspirou um álbum em quadrinhos, "Xingu!", lançado na França em 1989. A obra tem o cacique Raoni como um dos personagens.
 
Sua fonte de informação eram as histórias de vida ouvidas nas diferentes aldeias. Os relatos passam de geração para geração, de tribo para tribo.
 
"Os índios se intervisitam", diz. "As tribos se comunicam muito. Aprendi com os diálogos entre um índio e outro."
 
O álbum inédito, segundo ele, vai reunir todos esses relatos, tribo por tribo.
 
"[Vai] ser estritamente cronológico. Não tem nada de ficção. É didático, pedagógico, como um documentário, com começo e fim."
 
(Leia mais na postagem abaixo)

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Escrito por PAULO RAMOS às 09h24
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Álbum inédito conta história dos índios brasileiros - Parte 2

(Continuação da postagem anterior)
 
A aventura com os índios, vivida em janeiro e fevereiro de 1987, é apenas uma das histórias do desenhista brasileiro Sergio Macedo.
 
Basta falar com ele por um minuto para entender por quê. Ou melhor: basta olhar para ele.
 
Cabelos encaracoralados loiros, chinelos nos pés, camisa aberta, mostrando uma camiseta clara por baixo. Pinta de surfista.
 
O traje contrastava naturalmente com o ambiente onde o Blog conversou com o desenhista, o Jeremias o Bar, que fica numa das ruas mais elitizadas do centro paulistano (Avanhandava).
 
A roupa, na verdade, revela muito do jeito de ser de Macedo. Ele mora há quase 26 anos no Taiti.  

Conheceu e se casou com uma dançarina de lá, Nita. Os dois v
ivem numa casa de praia, de frente para o mar.
 
É lá que ele surfa (não é só pinta de surfista que ele tem). "Minha vida é muito esportiva. Aqui em São Paulo não estou fazendo nada", diz.
 
Dias depos da entrevista, ele viajou para a calmaria do interior de Minas Gerais, estado onde nasceu e passou a infância.
 
Macedo está de passagem pelo Brasil. Fica pelo menos seis meses, segundo ele.
 
O desenhista saiu do Brasil em 1974 rumo à França. Na Europa, conseguiu consolidar a carreira artística, iniciada aqui anos antes, com trabalhos em publicações alternativas, como a extinta revista independente "Grilo".
 
Macedo se tornou um bem-sucedido e reconhecido desenhista de álbuns europeus. Já tem 15 publicados. Leva de seis meses a um ano para produzir cada um.
 
Segundo ele, vive dos trabalhos que faz. E de trabalhos avulsos, como capas de livros e revistas.
 
Macedo diz que viaja muito. Foi numa dessas viagens que conheceu os índios do Xingu.
 
Em outra, chegou ao Taiti, onde faz a maior parte de suas produções, bem perto da natureza.
 
"Fui artista até me tocar que arte é... arte é saber viver", diz o desenhista, hoje com 56 anos.
 
Aparenta bem menos.  
 
 
(Leia mais na postagem abaixo).

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Escrito por PAULO RAMOS às 09h12
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Álbum inédito conta história dos índios brasileiros - Parte 3

(Continuação das postagens anteriores)

 

O álbum de Sergio Macedo sobre os índios do Xingu recupera a história das aldeias e a memória de alguns personagens famosos ligados ao tema.

 

É o caso do sertanista Orlando Villas Boas (1914-2002), que conviveu parte da vida com os índios, e do xavante Mário Juruna (1942-2002), que foi deputado federal na década de 80.

 

São de Villas Boas (à esquerda) e Juruna as imagens abaixo, primeiro em destaque e, depois, nas páginas do álbum.

 

  

 

 

 

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Escrito por PAULO RAMOS às 09h09
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04/06/2007

Menino-Vampiro: caso raro (no Brasil) de produção argentina

É raro. Mas de vez em quando alguma editora fura o imaginário (porém real) bloqueio que existe ao quadrinho argentino no Brasil, restrito aos trabalhos de Quino e Maitena. É o caso de "O Menino-Vampiro - Infância Maldita", atualmente nas bancas (Mythos, R$ 27,90). 
 
Ter sido produzido por dois argentinos -Carlos Trillo e Eduardo Risso- é o primeiro cartão de visitas do álbum, de 132 páginas. Mas não o único. Há também uma história surreal que entretém (ou que sabe entreter) o leitor.
 
Trillo trabalha com o mistério a seu favor. Revela aos poucos quem é o menino do título. Sabe-se apenas que ressuscitou nos EUA, que é vampiro, que é imortal e que tem um fome acima do normal (chega a comer 20 porções de raviolli de uma vez).
 
Até o fim deste primeiro volume, descobre-se muita coisa. Inclusive quem é a histórica inimiga do protagonista, Ahmasi. Mas o leitor tem de acompanhar página por página, tarefa valorizada pelo desenho de luz e sombras de Risso, que desenha a série "100 Balas", relançada por aqui em maio (leia aqui).
 
Muito do apelo da obra está no traço do desenhista, que fez fama no exterior. Tanto que a edição da Mythos vem da SAF (Strip Art Features), empresa com sede na Eslovênia.
 
Também é da SAF outro lançamento de Risso publicado pela Mythos: "Caim", lançado em agosto do ano passado (leia mais aqui). Tem mais. A editora anuncia na última página do álbum mais três volumes de "O Menino-Vampiro".

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Escrito por PAULO RAMOS às 13h18
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03/06/2007

Nova revista da DC vai publicar Mulher-Maravilha, Flash e Legião

"Os Melhores do Mundo", nova revista mensal da DC Comics, vai trazer histórias de Mulher-Maravilha, Flash, Íon e Legião dos Super-Heróis, grupo que há muito tempo não é publicado no Brasil. O título está programado para estrear em julho.

As histórias se passam após o desfecho de "Crise Infinita", minissérie em sete edições que reformula parte dos personagens da editora. O último número sai neste mês.

A informação foi noticiada na edição de maio da "Wizmania", que chegou às bancas no início deste mês. O texto é assinado por Levi Trindade, editor da revista e também dos quadrinhos mensais da DC publicados pela Panini.

A notícia esclarece uma dúvida que existe desde o mês passado, quando a Panini iniciou as vendas de assinaturas das revistas de super-heróis. Dois dos pacotes de opções incluem "Os Melhores do Mundo", mas não havia informação do que se tratava a obra.

Até o momento em que esta postagem vai ao ar, o site de assinaturas da Panini ainda não dá detalhes da revista aos assinantes. A única informação que consta sobre o título é a previsão de lançamento, julho.

A revista "Os melhores do Mundo" será a oitava publicação mensal com personagens da DC. Neste mês, estréia outro título, "Universo DC".

A "Wizmania" antecipa também outros lançamentos da DC para o segundo semestre. "52", minissérie em 13 partes que substitui "Crise Infinita", está programada para julho. Nos Estados Unidos, foi lançada em 52 edições semanais.

Os números 4 e 5 de "DC Apresenta" vão trazer histórias da Mulher-Gato e de Espectro, respectivamente. A editora pretende lançar também reedições encadernadas da minissérie "Crise de Identidade" e de "Pelo Amanhã", publicada na revista mensal do Super-Homem.

A Panini programou ainda o relançamento de "Batman - O Messias", minissérie escrita por Jim Starlin e desenhada por Berni Wrightson. A história tinha sido lançada no Brasil pela Editora Abril de maio a agosto de 1989, em quatro partes.

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Escrito por PAULO RAMOS às 10h22
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02/06/2007

Justine: o encontro de Sade com Guido Crepax

Há muito em comum entre o escritor francês Marquês de Sade e o desenhista italiano Guido Crepax. Ambos têm no erotismo, no uso de protagonistas femininas e na quebra de valores grande parte da temática de suas histórias.

Não é de estranhar que os trabalhos dos dois autores convergissem para um mesmo ponto, mesmo que fosse com mais de dois séculos de diferença.

O tal encontro é a versão de Crepax para "Justine" (R$ 33), romance de Sade escrito no século 18. O álbum em quadrinhos, de 148 páginas, começou a ser vendido em maio, mas ficou ofuscado por causa dos outros lançamentos da Pixel, editora da obra (leia mais aqui).

A personagem Justine protagonizou três obras de Sade (1740-1814). O desenhista italiano se baseou na versão de 1787. Justine e a irmã, Juliette, perdem os pais ainda adolescentes e têm de se virar sozinhas para sobreviver.

Ocorre uma intencional divisão entre elas, uma metáfora do lado bom e mau da vida. Juliette se torna uma influente e bem-sucedida prostituta, que comete assassinatos sem ser punida.

A irmã tenta seguir o caminho da correção. Tudo o que consegue é ter subempregos, ir presa, ser estuprada e usada sexualmente. Fartamente usada.

É nesse ponto que as palavras de Sade se tornam explícitas no desenho de Crepax (1933-2003). Vêem-se, em minúcias, todas as intencionais provocações sexuais do Marquês, que o levaram para a prisão mais de uma vez.

O sadismo (palavra que tem origem no escritor francês) e a representação diferenciada de aventuras sexuais, muitas vezes surreais, são temas que Crepax já dominava. E muito bem.

Ele tinha exercitado desenhos assim em vários outros álbuns, como nos de "Valentina", sua criação mais famosa (será relançada neste mês pela Conrad). Não é por acaso que é visto como um dos "pais" do quadrinho erótico italiano.

A versão em quadrinhos de "Justine" foi lançada pela primeira vez em 1979. No Brasil, já teve outra edição, lançada em 1991 pela Martins Fontes. É um dos trabalhos mais fortes do desenhista italiano. Certamente pela influência explícita do texto de Sade, sempre presente, em maior ou menor grau, nos trabalhos de Crepax.

Para ver uma prévia do álbum, clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 11h56
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A Relíquia e Vampiros do Rio Douro têm lançamento em São Paulo

Há dois lançamentos de quadrinhos em São Paulo.

Neste sábado, há sessão de autógrafos do primeiro volume de "Vampiros do Rio Douro" (Novo Século, R$ 29,90, capa ao lado), aventura que se passa no século 14, em Portugal.

A história mostra como surgiram os vampiros dos romances de terror "Os Sete" e "Sétimo", escritos por André Vianco. O texto também é dele. Os desenhos, não creditados na capa, são de Rodrigo Santana.

Das 16h às 20h, na Livraria Nobel do Shopping Tatuapé, em São Paulo.

O outro lançamento é na segunda-feira.

Marcatti autografa sua versão do romance "A Relíquia", do escritor português Eça de Queirós, álbum em quadrinhos que começou a ser vendido no meio do mês passado (Conrad, R$ 33; leia resenha aqui).

Começa às 19h. Local: Menor Livraria do Mundo, que funciona no Jeremias o Bar (Rua Avanhandava, 37, no centro de São Paulo).

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Escrito por PAULO RAMOS às 10h49
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01/06/2007

Editora virtual cria revista para ser impressa pelo leitor

Nada de bancas ou livrarias. Você lê a "Revista Sagu" na tela do computador. Vira as 32 páginas com um clique do mouse. Gostou? Então, é só imprimir a obra. A proposta é que o leitor seja o próprio editor.
 
A idéia é do autor da revista, o desenhista e designer gráfico Mauricio Brancalion. A publicação está hospedada no site da Editora Trocatapa, mantida por ele.
 
"A pessoa personaliza o pdf do jeito que ela quiser", diz o desenhista, por e-mail. "O legal é que dá para marcar uma noite de autógrafos em que o público leva sua impresão para o autor autografar."
 
A revista é lançada virtualmente nesta sexta-feira, 1º de junho. A escolha da data não é mera coincidência. No mesmo dia, há sete anos, Brancalion publicava em papel o primeiro número do "Fanzine Sagu". 
 
Foram seis edições, com acertos e erros, que amadureceram a iniciativa da versão virtual.
 
"Eu passei os anos seguintes tentando viabilizar a idéia de lançar minha revista", diz o desenhista, por e-mail. "Aí, vivi todas as dificuldades deste mercado e da falta de oportunidades das editoras."
 
Brancalion viu na rede mundial de computadores um caminho -ou o caminho- para transformar a idéia em algo real. "Acho que a internet faz com que a gente pare de choramingar por falta de espaço", diz o desginer gráfico, formado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista).
 
"Está nas nossas mãos criar um consumo de quadrinho contemporâneo. Eu vejo minha iniciativa mais como empreendimento (visa ter anunciantes e patrocinadores) do que algo que tenta se desviar dos meios comuns [de produção]."
 
O desenhista, de 30 anos, defende que está criando uma produção "aboveground" ou "upground", em oposição às chamadas produções "underground". Vê a revista como um empreendimento. Com direito, inclusive, a patrocínio.
 
"A receita tem de vir de anúncios dentro da revista on-line. [Deve-se] quebrar esse tabu de que não existe anunciante para quadrinhos. Existe, sim. Eles querem retorno e isso a internet dá. De maneira imediata: link!"
 
A primeira edição da "Revista Sagu" pode ser lida em formato pdf. Foi toda produzida por Brancalion, que já teve trabalhos publicados no "Folhateen", suplemento jovem do jornal "Folha de S.Paulo".
 
Há de tudo um pouco na revista virtual, inclusive tiras de personagens fixos do autor, como "Racolta, a Pulga Breaca", mostrada na capa. A editora virtual tem planos de lançar futuramente nas bancas, na forma impressa, um anuário da revista.
 
A Trocatapa também está aberta a trabalhos de outros autores. Desde que a história tenha o mesmo perfil humorístico da publicação digital.
 
Para ler a "Revista Sagu", clique aqui. Depois, imprima a versão virtual e aguarde o lançamento real.

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Escrito por PAULO RAMOS às 18h37
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Chiclete com Banana vai ser relançada nas bancas

A revista "Chiclete com Banana", do cartunista Angeli, vai ser relançada nas bancas. A nova série vai ter 16 edições mensais, com 48 páginas cada uma.

A primeira está programada para sair entre 10 e 15 de junho (capa ao lado). Vai custar R$ 5,90.

A "Antologia Chiclete com Banana", nome da coletânea, vai trazer os melhores trabalhos da revista, publicada pela Circo Editorial entre 1985 e 1990. A série original teve 24 números.

A publicação vai trazer também histórias de edições especiais da revista e de trabalhos de Angeli produzidos na primeira metade da década de 90.

A revista vai ser publicada como a série original, em formato revista e com papel jornal.

A única diferença será a capa, plastificada.

O objetivo da coleção, lançada pela Devir e Nova Sampa, é atingir o público que sempre quis ler a revista, mas nunca teve acesso ao material.

A L&PM lançou neste ano dois livros de bolso com histórias da "Chiclete com Banana". Leia mais aqui e aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 09h02
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