31/05/2007

Em menos de um mês, Panini publica duas vezes origem de Venom

A história que conta o surgimento de Venom, vilão que aparece no terceiro filme do Homem-Aranha, foi publicada mais uma vez pela editora Panini. A mesma aventura tinha sido lançada no Brasil há menos de um mês.
 
A nova reedição integra o quinto número de "Os Maiores Clássicos do Homem-Aranha" (R$ 25,90, capa ao lado), que chegou às bancas no meio desta semana. O álbum relança as oito primeiras histórias do herói feitas por Todd McFarlane, um dos mais populares desenhistas do personagem.
 
A primeira publicação foi no número de estréia da coleção "O Homem-Aranha - Grandes Desafios", lançado no dia 4 de maio, data em que o longa-metragem do herói chegou aos cinemas nacionais (leia mais aqui).
 
O surgimento de Venom já tinha sido publicado pela Editora Abril na década de 90. Nos Estados Unidos, saiu no número 300 da revista "Amazing Spider-Man", de maio de 1988. Era uma edição especial, com o dobro de páginas.
 
Os dois álbuns trazem outras histórias do Homem-Aranha. Mas por que lançar uma das aventuras duas vezes num curto período de tempo?
 
"Basicamente, porque são dois produtos diferentes voltados para públicos distintos", diz por e-mail Fernando Lopes, editor das revistas Marvel, empresa norte-americana que detém os direitos do personagem.
 
"O primeiro [Grandes Desafios] é destinado aos fãs do filme que desejam conhecer um pouco mais da trajetória do personagem nos quadrinhos, enquanto o segundo é mais um item para colecionadores, compilando uma fase específica", diz.
 
Segundo Lopes, a fase de McFarlane era uma das mais pedidas pelos leitores. Em agosto de 1990, a Marvel criou uma revista do Homem-Aranha exclusiva para o desenhista, que passou também a escrever as histórias.
 
As cinco primeiras aventuras do novo título de McFarlane, batizadas de "Tormento", foram reunidas no segundo número da coleção "O Homem-Aranha - Grandes Desafios", lançado também neste mês (leia aqui).

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Escrito por PAULO RAMOS às 13h34
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Troféu do HQMix deste ano simula moeda furada (com Kactus Kid)

Já está pronto o troféu que vai ser entregue neste ano no HQMix, principal premiação de quadrinhos do país. A estatueta vai ser em formato arredondado, simulando uma moeda furado, e mostrará o caubói Kactus Kid, criado pelo brasileiro Renato Canini.

 

A primeira imagem do troféu foi mostrada nesta semana no site Herói (é a mesma que o Blog reproduz abaixo). Em cada um dos lados da estatueta (ou da moeda) há uma faceta do personagem. Num lado, aparece o sorridente caubói. No outro, o alter-ego do herói.

 

As aventuras de Kactus Kid parodiavam os faroestes norte-americanos. O herói morava na cidade de Descansa City. Como disfarce, usava óculos e tirava a dentura, usada apenas quando tinha de se tornar o sorridente caubói (como aparece no troféu).

 

As histórias foram publicadas na extinta “Crás”, revista publicada pela editora Abril no meio da década de 70.

 

Cada edição do HQMix faz uma homenagem a um personagem do quadrinho nacional. Kactus Kid é o deste ano, como o Blog havia antecipado em março (leia aqui). Em 2006, o troféu lembrou “Madame e seu Bicho Muito Louco”, do cartunista Fortuna (já falecido).

 

A entrega do 19º HQMix vai ser no dia 11 de julho no Sesc Pompéia, em São Paulo. Segundo o site do prêmio, os vencedores serão anunciados uma semana antes do evento.

 

Veja abaixo a imagem do troféu. Frente e verso (ou herói e alter-ego).

 

    

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Escrito por PAULO RAMOS às 08h31
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30/05/2007

Documentário sobre 1º salão de humor do país ganha nova edição

Faz 39 minutos que Fernando Coelho dos Santos mostra como ficou a nova versão do documentário sobre o 1º Salão Mackenzie de Humor e Quadrinhos, que organizou em 1973. No momento em que este texto entra no ar (19h39), ele faz um lançamento fechado para cerca de 200 convidados no Jeremias o Bar, no centro de São Paulo.
 
O documentário ganhou mais imagens históricas. Ficou com 15 minutos de duração, cinco a mais do que na primeira versão, produzida por alunos da Universidade Mackenzie como projeto de conclusão de curso.
 
A reedição foi toda bancada por Fernando Coelho. Ele fez mais de 200 cópias, distribuídas de graça no evento desta quarta. O acordo com o Mackenzie estabelece que o vídeo não pode ser vendido, apenas exibido em eventos e em redes públicas de televisão.
 
Por ser o organizador do salão, o primeiro do país, Coelho é um dos personagens centrais do documentário. Na época, era vice-presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes) do Mackenzie, universidade onde estudava economia.
 
O salão ocorreu entre 14 e 28 de outubro de 1973 no Museu Lasar Segall, em São Paulo. Ele conta que teve a idéia meses antes. Passou logo para a prática.
 
Entrou em contato com todas faculdades de comunicação do país e com vários veículos de imprensa. Mandava um texto personalizado para cada mídia. Seu e-mail era a boa e velha carta.
 
"Eu enchi um Fusca branco de correspondência para os correios", diz Coelho, hoje com 57 anos. O carro era dele. E tornou-se um curioso parceiro na organização do evento de humor.
 
Foi com o Fusca que ele viajou para o Rio de Janeiro para organizar a exposição carioca do salão, realizada no fim de 1973. A mostra apresentava os cerca de 70 trabalhos selecionados. Foram mais de 800 inscritos.
 
Na mostra, havia nomes então desconhecidos, como Paulo José Caruso e Arnaldo Angeli Filho, respectivamente, Paulo Caruso e Angeli, cartunistas que hoje dispensam muitas apresentações.
 
O 1º Salão Mackenzie de Humor e Quadrinhos tinha duas categorias: desenho de humor e histórias em quadrinhos.  Foram premiados quatro desenhistas de cada uma. Um dos vencedores foi Flavio Migliaccio, hoje ator da TV Globo.
 
"O cartum dele mostrava um cara na parede. E quem eram os atiradores? As câmeras de TV", diz Coelho, que trabalha atualmente como corretor de seguros.
 
O valor dado aos premiados, em valores de hoje, daria mais ou menos uns R$ 2 mil, segundo Coelho, que atualmente trabalha com corretor de seguros.
 
Ele conta que conseguiu que a maior parte do salão paulista -os prêmios inclusive- fosse bancada com verba do DCE. O resto do dinheiro veio de conversas aqui e ali. As conversas, diz, foram essenciais para tocar o projeto.
 
Foi com lábia que ele superou as resistências ao salão. Não dos militares, que comandaram o país 1964 a 1985. Mas dos próprios artistas. "Todos eles diziam que o Mackenzie era CCC [Comando de Caça aos Comunistas]. Eles diziam que não iam participar".
 
A resistência era por causa da briga entre estudantes do Mackenzie e da USP (Universidade de São Paulo), ocorrida em outubro 1968 na rua Maria Antônia, no centro paulistano. No Mackenzie, havia estudantes ligados ao CCC e a outras entidades contrárias ao comunismo.
 
Fernando Coelho, que em 2006 foi homenageado no Troféu HQMix, diz que ganhou todos os resistentes no "xaveco". Inclusive o grupo da "Balão", tida como primeira revista independente brasileira, que revelou artistas como Laerte, Luís Gê e os irmãos Caruso.
 
"Fui para a casa do Laerte. Fui xavecando e consegui contornar essa situação desconfortável na conversa", diz ele, que ajudou anos depois a organizar a primeira edição internacional do salão de Piracicaba.
 
Só nessa edição, a terceira, é que Piracicaba superou os mais de 800 inscritos de seu irmão mais velho, o Salão Mackenzie de Humor e Quadrinhos, que teve uma outra edição seis anos depois, organizada pelo cartunista Gualberto Costa.

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Escrito por PAULO RAMOS às 18h39
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Mulheres: o Japão do pós-guerra pelo olhar feminino

"Mulheres" não é um mangá. É um gekigá, nome dado ao quadrinho japonês mais dramático e realista, voltado a um público adulto. A obra, lançada nesta semana (Zarabatana Books, R$ 33), é produzida pelo "pai" do gênero, Yoshihiro Tatsumi.
 
O autor, hoje com 72 anos, é pouco conhecido no Brasil. Por isso, o álbum toma o cuidado de contextualizar quem ele é. E contexto, no caso de Tatsumi, é essencial para entender o trabalho dele.
 
O escritor e desenhista desenvolveu o gênero nos anos que vieram depois da 2ª Guerra Mundial. Derrotado, o Japão procurava se reerguer. O país e seus moradores, todos vítimas da recessão.
 
O olhar detalhista de Tatsumi -com traços igualmente realistas- vê a realidade pelo ângulo de seus habitantes. Ou melhor: de suas habitantes.
 
É por meio delas que o autor mostra as diferentes formas de viver no Japão dos anos 60, época de publicação da obra.
 
São seis mulheres em seis contos diferentes. Há as prostitutas Hisako e Mika, a assistente de doentes Kyouko, a dedicada esposa Kuriko, a vingativa Keiko, a dona de bar Hanai.
 
Em comum, todas buscam de alguma forma ascender socialmente. Nem que seja de uma maneira pouco nobre.
 
As mulheres funcionam como uma metonímia. A realidade delas é também a do Japão. São contos urbanos com toques de poesia, algo que fica bem mais explícito na sexta e última história, "A Mulher que Pescava" (o tamanho dos peixes capturados é uma metáfora do poderio financeiro dos homens conquistados).
 
Após a leitura, entende-se por que Yoshihiro Tatsumi conquistou a reputação que tem.
 
Nota: as quatro páginas da introdução da obra são assinadas pela especialista em quadrinho japonês Sonia Bibe Luyten. Esta postagem se baseou muito nos ensinamentos dela. Assim como a obra, o texto de Sonia merece uma cuidadosa leitura.

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Escrito por PAULO RAMOS às 07h09
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29/05/2007

Série Maakies vai sair no Brasil

A editora Zarabatana vai publicar "Maakies", tira alternativa do norte-americano Tony Millionaire. 
A série conta as histórias de dois marinheiros: o corvo bêbado Drinky Crow e o macaco Tio Gabby (Uncle Gabby, no original). 
O álbum (capa ao lado) está programado para junho e vai trazer 200 tiras inéditas no Brasil. 
Há pouco mais de duas semanas, o jornalista Diego Assis, do site G1, fez uma boa entrevista com Millionaire. Para ler, clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h22
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Panini coloca na internet uma das histórias de Sete Soldados

A editora Panini colocou na internet uma das histórias de "Sete Soldados da Vitória". A aventura é a mesma que abre o primeiro número da minissérie, atualmente nas bancas.
 
A história está disponível no site Omelete, especializado em quadrinhos e cultura pop. A trama corresponde ao número zero da saga.
 
É uma espécie de prelúdio para a série, que é escrita por Grant Morrison (mesmo autor de "Grandes Astros DC - Superman", também nas bancas).
 
A proposta de Morrison foi criar sete minisséries separadas, cada uma com um personagem diferente da editora norte-americana DC Comics (os tais sete soldados da vitória).
 
Ao final, o escritor interligou todas as tramas.
 
De acordo com a Panini, a ida da história para a internet é para promover o lançamento da segunda edição de "Sete Soldados da Vitória" (capa acima, R$ 6,90), prestes a ir para as bancas.
 
"É um teste", diz por e-mail Fabiano Denardin, editor da minissérie. "Dependendo da repercussão/sucesso, poderemos fazer isso mais vezes como forma de promoção/divulgação pra outros grandes eventos/séries."
 
No Brasil, a série será publicada em oito edições mensais.
 
Para ler a história zero, disponível em formato pdf, clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 14h00
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28/05/2007

Histórias em quadrinhos narram dois momentos da história do Brasil

"Chico Rei" e "Ponha-se na Rua!" não são apenas duas histórias em quadrinhos. São fragmentos da História em quadrinhos. As obras, que têm lançamento nesta semana, mostram dois momentos do Brasil colonial.
 
"Chico Rei" faz uma biografia de Galanga, rei do Congo, trazido à força para o Brasil para atuar como escravo em Ouro Preto, Minas Gerais, no século 18. Aqui, dedicou a vida para libertar outros negros na mesma situação, entre eles o filho.
 
"Ponha-se na Rua!" foi o apelido dado no início do século 19 à sigla PR. As duas letras resumiam a expressão "Príncipe Regente" e eram desenhadas na porta das casas que abrigariam membros da família real portuguesa na época em que esteve no Brasil. O livro conta um "causo" dessa época.
 
As duas obras, de 24 páginas cada uma, são escritas por André Diniz. Em "Chico Rei", ele também faz os desenhos da edição (em "Ponha-se na Rua!", a arte foi de Tiburcio). "É um sonho antigo meu o de usar as histórias em quadrinhos como recurso didático", diz Diniz, por e-mail.
 
"`Ponha-se na Rua!`, por exemplo, foi escrita em 2002, assim como uma primeira versão de roteiro de ´Chico Rei´ também foi escrito na mesma época. Na ocasião, não encontrei nenhuma editora interessada em publicar quadrinhos didáticos, veja só. Pouco depois, virou um filão."
 
Diniz, hoje, se diz um apaixonado pela área. Mas, nos tempos de colégio, não tinha empatia pelo tema. O gosto pela história veio depois, por conta própria.
 
"Tomei gosto a ponto de quase todos os meus trabalhos terem em maior ou menor grau a reconstituição histórica como ingrediente", diz o quadrinista de 31 anos, autor da série "Subversivos", sobre a ditadura militar brasileira (disponível no site Nona Arte, mantido por ele e pelo desenhista Antonio Eder).
 
"A escola, ao menos no meu caso, falhou ao tornar aborrecido algo tão importante e tão interessante. Mesmo o ensino tendo mudado desde aquela época até hoje, acho que ainda há muito o que acrescentar a essa estrutura tradicional de ensino, e é isso que eu busco com essas histórias em quadrinhos."
 
"Chico Rei" e "Ponha-se na Rua!" fazem parte de uma coleção da Franco Editora voltada a leitores mais jovens (embora interessem também os mais velhos). Não há nada definido sobre outros número. Vai depender das vendas dessas duas edições.
 
O que está certo é a produção de outros 12 trabalhos em quadrinhos. Mas Diniz mantém o tema em segredo.
 
"Tudo o que eu posso adiantar é que são quatro de história do Brasil, quatro de história geral e quatro de filosofia, com desenhos meus, do Laudo, do Antonio Eder, do Daniel Brandão e do José Aguiar."
 
Paralelamente ao novo projeto, Diniz divide a tarefa com várias outras, como a produção de palavras-cruzadas, roteiro para as revistas do Sito do Picapau Amarelo (da Editora Globo) e a criação da filha Lia, nascida há seis meses.
 
Ele arruma tempo ainda para fazer dois lançamentos num intervalo de 24 horas em dois estados diferentes, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
 
Nesta terça-feira, lança as obras na 2ª Fest Ler, evento literário de Juiz de Fora, em Minas (Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, av. Getúlio Vargas, 200, centro). Começa às 15h.
 
Na quarta, já está no Rio para o segundo lançamento, às 16h, em outro evento sobre livros. Vai ser no Museu de Arte Moderna (MAM). Fica na av. Infante Dom Henrique, 85, no Parque do Flamengo.

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h45
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Livro reúne charges do futebol carioca feitas por Henfil

Henfil gostava de rotular os torcedores do futebol carioca nas charges que fazia. O Bacalhau era o do Vasco; o Pó-de-arroz, do Fluminense; o Cri-Cri, do Botafogo. O mais famoso era o Urubu, personagem-símbolo do Flamengo e título da coletânea de desenhos dele lançada neste fim de mês (Desiderata, R$ 24,90).

Há dois motivos para a fama do Urubu. O primeiro é de ordem pessoal. Henfil era flamenguista roxo. O segundo motivo foi a fase vitoriosa que o time viveu na virada da década de 70 para a de 80, época em que as charges foram produzidas.

O time foi tricampeão carioca e brasileiro. Ganhou a Taça Libertadores da América e foi Campeão Mundial num mesmo ano, 1981. E tinha na equipe um inspirado Zico, objeto de várias dos desenhos humorísticos.

O jogador, que assina a orelha da obra, foi tão representado pelo traço de Henfil que ganhou um capítulo só para ele no livro.

Zico diz que as "críticas ao Flamengo eram bem pesadas". Mas não perdia uma. A preferida era a que repórteres entrevistavam o joelho machucado dele (incluída no livro), assunto que dominou por muito tempo a cobertura esportiva nacional. 

Os outros dois capítulos são dedicados ao Urubu -ou seja, ao Flamengo- e a situações genéricas do futebol do Rio de Janeiro.

Os trabalhos reunidos nas quase 150 páginas do livro foram publicados na revista "Placar" e no "Jornal dos Sports", periódico criado em 1931.

Como deve ser, as charges recuperam um momento histórico privilegiado no futebol carioca.

O livro também tem outro papel: tira do esquecimento mais uma seqüência de trabalhos do mineiro Henrique de Souza Filho, o Henfil, morto em 1988 aos 43 anos.

O autor, que teve passagem marcante no jornal alternativo "Pasquim", contraiu Aids numa transfusão de sangue, necessária por ser hemofílico.

O fim triste de Henfil contrasta com a alegria de suas criações, bem acima da média. Usando o jargão do futebol, pode-se dizer que o desenhista era um craque. "Urubu" comprova isso.

Para ver imagens do livro, clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 08h04
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27/05/2007

Novo número da Cão tem lançamento nesta segunda

Há quem diga que o difícil não é tanto lançar uma revista em quadrinhos independente. O difícil é chegar à segunda edição.

Essa barreira, pelo menos, os organizadores da "Cão" conseguiram superar. O lançamento do novo número tem dia e horário marcados. Vai ser nesta segunda-feira, em São Paulo.

A nova edição é o número um da revista (Studio Vermis, R$ 2,60). Os autores já tinham feito uma edição zero do título, lançada em fevereiro (leia aqui).

A primeira publicação, a de fevereiro, ainda não se pagou. Mas não impediu que os responsáveis por ela colocassem grana do próprio bolso para uma segunda empreitada.

"A gente não faz isso para ganhar dinheiro", diz por telefone Harriot Junior, editor da "Cão" e autor de três das quatro histórias da revista. Segundo ele, a vontade do grupo é a de publicar quadrinhos para iniciar uma carreira na área.

"A crítica do público é o melhor retorno para saber se a gente está fazendo [quadrinhos] certo ou errado", diz Junior, um designer gráfico paulistano de 29 anos. Ele já participou de outras publicações independentes, como a "Garagem Hermética".

O grupo da "Cão", batizado de Studo Vermis, se conheceu no Centro Universitário Belas Artes, onde a maioria dos integrantes estudou e se formou. A trupe é composta por cinco autores fixos: Harriot, Ko Ming, HErvilha (aglutinação do nome de Henrique Ervilha), Rodrigo Taniguchi e Marcelo Manzano.

A cada edição, convidam um sexto integrante. O deste número é a desenhista Joana Cristina.

O processo de criação da revista é coletivo. Os autores se reúnem e definem um tema a ser trabalhado. O deste número é uma mescla de tecnologia com cyberpunk. No encontro, também fica definida uma lista de filmes e livros que vão servir de base para a produção das histórias.

É por isso que as histórias apresentam várias referências. Neste número, é possível perceber elementos de longas como "Tron", "O Homem Bicentenário", "Metrópolis" e, mais explicitamente, "Blade Runner – O Caçador de Andróides", estrelado por Harrison Ford (representado na capa da revista, feita em tons prateados).

O tema da próxima edição já está definido: anos 80. Vai sair em agosto. A proposta é que a revista seja publicada religiosamente a cada três meses. "A gente se comprometeu a manter a cronologia certinha. É um respeito com o leitor", diz Junior.

Outra intenção dos integrantes do Studio Vermis é ter sempre mais páginas de quadrinhos. Na edição zero, foram 24. Nesta, 32. "O objetivo é aumentar as páginas, mais e mais. E manter o preço numa margem em torno de R$ 3."

Quanto ao nome da revista, Harriot Junior explica que vem dos livros de Robert E. Howard, criador de Conan, o Bárbaro. "Toda vez que Conan ia falar um palavrão, ele gritava ´cão’. Foi aí que a gente decidiu colocar esse nome."

"Além disso, há múltiplos sentidos para a palavra. Pode ser o melhor amigo do homem, pode ser o capeta, pode ser múltiplas coisas", diz.

O lançamento da revista "Cão" é nesta segunda-feira, a partir das 19h, no Jeremias o Bar (rua Avanhandava, 37, no centro de São Paulo).

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Escrito por PAULO RAMOS às 22h54
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Marcatti prepara novo álbum em quadrinhos

Marcatti produz mais uma obra em quadrinhos. Segundo ele, vai ser lançada pela Conrad, mesma editora de "A Relíquia", adaptação para o romance homônimo do escritor português Eça de Queirós, lançada neste mês (leia mais na postagem abaixo).

O quadrinista ainda prepara o roteiro. Mas diz sentir algo de novo no processo de criação. Segundo ele, é a presença do texto de Eça de Queirós. O um ano e sete meses que levou para produzir "A Relíquia" mudou a maneira como desenvolve os personagens. Procura, agora, mais profundidade.

Ele diz que aprendeu com a adaptação mais do que tudo o que fez nos 30 anos de carreira, iniciada com a publicação da história "Fadiga" na revista "O Papagaio", de 1977. Mesmo assim, vai manter no próximo trabalho sua marca registrada, a escatologia, vista em boa parte de seus quadrinhos.

O Blog conversou por telefone com Francisco de Assis Marcatti, ou só Marcatti, como gosta de assinar. O desenhista de 44 anos fala sobre o processo de criação do álbum recém-lançado, "A Relíquia", e do próximo, ainda em preparação.

- Houve adaptações na produção de "A Relíquia", mas a história se mantém bastante fiel ao trabalho de Eça de Queirós. Como foi o processo de produção?

- O primeiro passo foi reescrever a história de memória. Eu contei todo o romance. Depois, fui repassando a leitura e inserindo alguns detalhes. [O resultado final] foi baseado na memória da primeira leitura. É um truquezinho. É influência do Hitchcock [cinesta, 1899-1980]. Eu sou alucinado por ele. Ele fazia as adaptações assim.

 

- Quando conversamos pela primeira vez (para matéria do Blog de outubro de 2006), você parecia muito empolgado com a obra. O que você achou quando viu o trabalho já pronto?

- Eu gostei muito. Eu sempre tive dificuldade em reler meus trabalhos. É que eu não consigo prestar atenção, fico sempre pensando no que poderia mudar. Com "A Relíquia", não aconteceu isso. A leitura me prendeu. Eu tenho a impressão de que, com a adaptação, eu aprendi muito mais coisas de quadrinhos do que aprendi a vida inteira. Foi uma aula. Eu quase reaprendi a fazer quadrinhos.

 

- E daqui pra frente?

- Adaptação, não. Não tão já. Talvez intercalar os trabalhos. O próximo é um livro com roteiro meu, como foi com "Mariposa" [de 2005]. Eu já trabalho na nova história. Fazendo essa nova trama, já dá pra notar a influência que a adaptação exerceu em mim. A construção da história tem sido completamente diferente. É inspirado pela forma como Eça construiu o romance.

 

- Sobre o que é?

- Vai ser pela Conrad também. O tema principal ainda não está pronto. Eu imagino uma situação cotidiana sem a menor importância. Aí, imagino algumas pessoas e fico pensando quem são elas. Começo a construir as histórias sobre elas.

 

- E é escatológico?

- Quando faço uma história, eu não pensao no escatológico, ele vem naturalmente (risos). Acho que eu tenho algum tipo de distúrbio. É muito provável que tenho (risos).

 

Leia mais sobre "A Relíquia", de Marcatti, na postagem abaixo.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h31
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26/05/2007

Lançada versão de Marcatti para A relíquia, de Eça de Queirós

Mais do que uma nova tendência editorial, as adaptações de obras literárias promovem encontros inusitados.

 

Quem imaginaria que um autor conhecido pelos trabalhos escatológicos, como é o caso de Marcatti, levaria para os quadrinhos o romance “A Relíquia”, do escritor português Eça de Queirós.

 

Tão imprevisível quanto o encontro é o resultado final, que chegou às livrarias nesta semana (Conrad, R$ 32).

 

Marcatti faz um trabalho inédito em seus 30 anos de carreira. Ele teve de se reinventar para produzir a adaptação, iniciada em junho de 2005. Abandonou a escatologia, sua marca registrada, e recontou em detalhes a trama do romance de Eça de Queirós (1845-1900).

 

O foco de “A Relíquia”, tanto a de Eça quanto a de Marcatti, está no relacionamento de Teodorico Raposo com a tia Titi, senhora severa e excessivamente religiosa, que passa a criar o sobrinho quando ele fica órfão.

 

Raposo quer herdar as riquezas da tia (na imagem ao lado). Por isso, mantém uma vida dissimulada. Na frente dela, reza terços e se diz temente a Deus. Longe de Titi, é o oposto. Entrega-se à boemia e aos amores carnais.

 

Marcatti preserva a história-base nas mais de 200 páginas da obra, mas insere algumas mudanças. O texto de Eça é modificado (há apenas um trecho mantido igual ao original) e alguns personagens são agregados em um só.

 

Isso dá à história, narrada em dez capítulos, uma agilidade inexistente na obra de Eça, autor que trabalha muito a figura do narrador em seus romances. Na versão em quadrinhos, há o narrador, o próprio Teodorico. Mas os personagens é que se tornam o real fio condutor da trama.

 

É por meio deles –dos personagens- que Marcatti conserva uma característica primordial da obra do escritor português: a ironia à sociedade lisboeta da segunda metade do século 19, que tem na religião um de seus pilares (a obra original foi escrita em 1887).

 

O uso do estilo caricato para representar os personagens, característica que Marcatti mantida na adaptação- torna a ironia visual. Olhos arregalados, corpos magros e tortos, cenas profanas ou de fidelidade religiosa. Tudo o que Eça usava páginas e páginas para descrever em palavras, Marcatti fez por meio das imagens.

 

O inusitado encontro entre quadrinista escatológico e romancista português produziu uma história ágil e convincente, muito bem produzida. Reavaliando, talvez o resultado não seja tão supreendente assim. Eça e Marcatti têm muito em comum. São dois autores contestadores, que souberam usar o tempo para aprimorar seus trabalhos.

 

Para registro: o fim do álbum traz um “making off” da obra. Marcatti conta algumas curiosidades sobre a produção, como o uso de cidades históricas brasileiras como cenário para a Lisboa do século 19 e a inspiração no cavalo do personagem Lucky Luke para desenhar o animal em algumas cenas da adaptação.

 

O Blog dos Quadrinhos havia noticiado a preparação desta obra no fim de outubro do ano passado. Para ler, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h06
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25/05/2007

Livro mostra que Capitão América reproduz ideologia da Marvel

"O Escudo Manchado - Um Herói em Tempo de Guerra", livro lançado neste mês, mostra que o Capitão América funciona como porta-voz das opiniões da Marvel Comics, editora que publica o personagem.
 
Segundo o autor, o jornalista Daslei Bandeira, o papel que o herói exerce para a empresa de quadrinhos é o mesmo que um editorial tem nos jornais.
 
Parte dessa visão opinativa ficou bem evidente depois dos atentatos do 11 de Setembro, em que aviões destruíram as torres gêmeas de Nova Iorque e parte do Pentágono norte-americano.
 
A revista mensal do herói ganhou novo enfoque e ele passou a lutar contra o terrorismo. As histórias, escritas por John Ney Rieber e desenhadas por John Cassaday, já foram publicadas no Brasil.
 
"Por estar ligado diretamente à nação americana, ele não tinha como fugir desse fato em suas histórias, como foi no caso dos personagens da editora DC Comics, e [a Marvel] teria que tratar do assunto de forma tal que agradasse o povo americano e ao mesmo tempo algo comercialmente bom para o mundo", diz Bandeira.
 
"O Escudo Manchado - Um Herói em Tempo de Guerra" (Marca de Fantasia, R$ 13) é o resultado de um projeto de conclusão de curso. O jornalista imaginava inicialmente abordar a influência dos eventos de 11 de setembro de 2001 no cinema.
 
Surgiu então a idéia de abordar o tema ajustando o foco no Capitão América. Hoje, Bandeira se diz fã do herói, criado em 1941 por Jack Kirby e Joe Simon para lutar na 2ª Guerra Mundial.
 
"Mas, de início, não era muito [fã], por causa do discurso politicamente correto que era traspassado nas histórias", diz o jornalista, que está com 26 anos. O interesse surgiu quando o personagem ficou mais questionador sobre o papel que exerce nos Estados Unidos.
 
Daslei Bandeira mora em João Pessoa, na Paraíba. É de lá que ele respondeu às perguntas do Blog dos Quadrinhos, feitas por e-mail. A conversa é reproduzida nesta e na próxima postagem.
 

- Por que o título "escudo manchado"?

- Foi meio que por sorte. Eu tinha que entregar um esboço do projeto, que até então tinha o nome de “A influência dos atentados de 11 de Setembro de 2001 no personagem Capitão América” e fui reler as revistas da saga que John Rieber e John Cassaday fizeram.Em uma pagina, tinha um quadro onde mostrava o escudo com um veio de sangue do próprio personagem (que se tornou a capa do livro, com arte de Paloma Nogueira). Vi aquilo como uma metáfora que resumia o sentimento dos Estados Unidos em relação ao acontecido, uma ferida aberta no sonho americano.

 

(Continua na próxima postagem)

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h05
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Livro mostra que Capitão América reproduz ideologia da Marvel    Parte 2

(Continuação da postagem anterior. A entrevista é com Daslei Bandeira, autor do livro "O Escudo Manchado - Um Herói em Tempo de Guerra", lançado neste mês)

 

- Há uma hipótese que você defende na obra?

- Sim, o personagem se tornou em uma espécie de foco opinativo da própria editora Marvel, algo parecido como um editorial nos jornais. As ações do Capitão América são baseadas nos ideais que a empresa acredita, mas, como ele é um produto de massa, tem que ser algo vendável, assim ficando preso na questão mercadológica. Não tendo como escapar disso, a própria editora mantém um bolsão cronológico que, a qualquer sinal de necessidade de uma opinião mais forte e partidária, o que potencialmente diminuiria a vendagem da(s) revista(s) em que este atua, o personagem é enviado para lá. Funciona como um bote salva-vidas, por isso sempre que essa opinião é cobrada pelo público, algo do passado dele é recriado ou descoberto. Como exemplo, posso citar a saga do "Soldado Invernal", que há pouco tempo foi lançada aqui no Brasil [pela Panini], mas por lá foi durante a pior fase da invasão americana no Iraque.

 

- O enfoque está especificamente no Capitão América ou outros personagens são abordados?

- O enfoque é no personagem Steve Rogers [alter-ego do herói]. O livro tem um capítulo especifico para os outros personagens que chegaram a utilizar o nome Capitão América, como John Walker, que primeiramente se chamava Super Patriota, mas que ficou conhecido como o Agente Americano. 

 

- O personagem mudou de 1941 para cá. Primeiro , era a 2ª Guerra. Neste século 21, esteve ligado ao combate ao terrorismo e aos eventos do 11 de Setembro. Ele é uma espécie de reflexo dos eventos históricos dos séculos 20 e 21?

- Ele é um personagem que passou não pelos principais eventos do mundo, mas pelos principais eventos que a nação americana estava envolvida, que são os mais divulgados pela mídia. Por ser um personagem extenso, em questão temporal, e ser publicado mensalmente, sim ele é um reflexo como qualquer outro objeto da mídia de entretenimento pode ser. Um reflexo distorcido, mas real dos sentimentos de um povo. 

 

- Onde entra a questão ideológica nas histórias do personagem?

- Ele deixou de seguir o país, Estados Unidos, como era pregado em sua criação, e segue apenas o Sonho, como o próprio personagem chama. Esse "Sonho" nada mais é que a reformulação para a ideologia da Revolução Francesa, Igualdade, Fraternidade e Liberdade. Ele deixou de ser apenas um soldado americano para ser um soldado do mundo. Os autores que trabalham e trabalharam com ele depois da década de oitenta, quando houve tal reformulação, sempre tentam pregar esse discurso de desapego patriota e defesa do homem comum em suas histórias. Algumas vezes se torna enfadonho e até mesmo hipócrita, mas vejo-o como um discurso quase que religioso para o personagem, algo que só ele acredita e ninguém mais. Um discurso belo que os leitores deveriam aprender. 

 

- Recentemente, a Marvel "matou" o personagem. Você vê relação entre a suposta morte e o que abordou no seu livro?

- Sim e não. Logo depois dos atentados o personagem se tornou mais questionador em relação ao Governo em si, por causa das ações deste em sua política externa. Como ele mesmo disse, no arco posterior aos atentados, os Estados Unidos têm sua parcela de culpa pelo sentimento que o resto do mundo nutre em relação a eles. As ações do personagem feitas na saga "Civil War" [ainda inédita no Brasil] podem ser vistas como resultado direto de como ele reagiu aos atentados. Mas sua morte ainda não dá para ser interpretada dessa forma, veremos isso quando/se ele ressuscitar.

 

Serviço: o livro é vendido apenas no site da editora Marca de Fantasia. Para acessar a página virtual, clique aqui.

 

Leia mais sobre a atuação das editoras no 11 de Setembro aqui e aqui.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h05
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24/05/2007

Quadrinhos e livros de Verissimo viram tema de bar em SP

 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem de "Verissimo", inaugurado neste mês
 
 
 
 
 
 
 
 
A moda pegou. Foi inaugurado neste mês mais um bar temático com temas de quadrinhos. Na verdade, de quadrinhos e literatura. "Verissimo", como o nome já diz, baseia-se no escritor e quadrinista Luis Fernando Verissimo.
 
O bar, que fica em São Paulo, é todo ambientado com capas de livros dele e com personagens de quadrinhos, como Ed Mort e As Aventuras da Família Brasil (publicado aos domingos no jornal "O Estado de S.Paulo"). O nome dos pratos do cardápio segue a mesma linha.
 
A inauguração, no início do mês, contou com a presença do autor (imagem ao lado). Ele também fez uma apresentação com sua banda, a Jazz 6. O criador da tira "As Cobras" é o saxofonista do grupo.
 
"Verissimo" é o terceiro espaço ligado a quadrinhos inaugurado neste ano. 
 
Em janeiro, começou a funcionar em São Paulo o "Jeremias o Bar", baseado no personagem bonachão de Ziraldo. Desde então, o lugar tem promovido vários eventos de quadrinhos (leia mais aqui), que reúnem diferentes profissionais da área.
 
O outro espaço foi inaugurado em Porto Alegre (RS) há dois meses. A "Gibi Bar Brushcetteria" é toda inspirada em personagens do quadrinho italiano (leia aqui).
 
Serviço: o "Verissimo" fica na av. Nova Independência, 12, no Brooklin Novo, em São Paulo. Funciona de segunda a sábado, das 11h às 24h.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h47
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23/05/2007

Um ano depois: o mais novo recomeço da DC Comics

É muito comum reiniciar o computador quando há algum problema na máquina ou em algum programa. Ocorre estratégia parecida nos quadrinhos de super-heróis. De quando em quando, as revistas mensais ganham um novo começo. O último caso de "re-start" chegou às bancas nesta semana.
 
"Um ano depois" envolve todos os títulos mensais da DC Comics, editora que publica Super-Homem e Batman. A estratégia editorial é para fisgar novos leitores. Para isso, cria-se um megaevento, que funciona como chamariz de vendas e como pretexto para as histórias -todas elas- terem um reinício.
 
O chamariz atrai leitores novos para as revistas. E o recomeço permite que as aventuras sejam compreendidas por quem não lia as revistas antes.
 
O pretexto editorial desta vez, como o nome sugere, é dar um pulo de um ano na vida dos personagens. As primeiras histórias dessa nova fase começam a ser mostradas nas revistas da DC deste mês. Dos cinco títulos mensais, já foram lançados três: "Superman", "Liga da Justiça" e "Novos Titãs" (Panini, R$ 6,90 cada um).
 
Por mais diferentes e ecléticas que sejam, há dois pontos em comum nas histórias envolvidas no evento editorial: o salto de um ano, já comentado, e criação de uma novidade e de um mistério.
 
Um caso: Novos Titãs, o supergrupo jovem da DC. A novidade: no prazo de um ano, a equipe ganhou nova formação. Dos antigos, resta apenas Robin, parceiro de Batman. O mistério: o que ocorreu com os outros integrantes e por que saíram do grupo?
 
Outro caso: Super-Homem. A novidade: o homem de aço está sem poderes. O mistério: como perdeu a superforça, a visão de raio-X e de calor, a invulnerabilidade?
 
A idéia é deixar o leitor curioso mesmo. A ponto de comprar a edição seguinte e também a minissérie "52", que revela tudo o que ocorreu durante o ano pulado (vai ser lançada pela Panini). 
 
Dos três títulos à venda, o destaque é a nova seqüência de histórias de Super-Homem, escrita por Kurt Busiek (de "Astro City", que será lançado pela Pixel) e Geoff Johns (que escreve alguns dos principais títulos da editora).
 
Como o personagem está sem poderes, o foco das histórias é o alter-ego do herói, o jornalista investigativo Clark Kent.
 
A dupla de escritores consegue mesclar o lado mítico do herói de Krypton com um enfoque mais humanizado dele. E sem deixar de lado a natural curiosidade pelo sumiço dos poderes.
 
"Um ano depois" está interligado à minissérie "Crise Infinita" (o megaevento desta estratégia editorial). Das sete edições, já foram lançadas seis. A saga, escrita por Johns, redefine mais uma vez o universo dos personagens da editora.
 
"Mais uma vez" porque a DC já teve outros recomeços. Nos últimos 20 anos, usou o recurso pelo menos duas vezes (em "Crise nas Infinitas Terras", no meio dos anos 80, e em "Zero Hora", na década seguinte).
 
Nota: a Panini divulgou nesta semana que começa a fazer assinaturas das revistas Marvel e DC. No site da editora, há três pacotes, com diferentes opções de títulos e de descontos. E uma novidade: o anúncio de uma nova revista da DC, "Melhores do Mundo", também disponível para assinantes. A única informação sobre o título é que estréia em julho.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h49
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Autor de Maus cancela participação na Flip

Art Spiegelman cancelou a vinda à Flip (Festa Literária Internacional de Parati), marcada para o início de julho. O autor de “Maus – A História de um Sobrevivente” alegou problemas de saúde na família.

 

A informação foi divulgada sábado numa nota curta do jornal “Folha de S.Paulo” e foi confirmada nesta semana pela assessoria da Flip.

 

Segundo a assessoria da feira literária, Spiegelman ficou com medo de que pudesse acontecer algo com o parente enfermo durante a estadia em Paraty, no Rio de Janeiro, sede do evento.

 

A organização da festa literária já o convidou para participar da Flip no ano que vem. Não há informação se Spiegelman virá ou não.

 

A ausência do escritor e desenhista cancela também a mesa sobre quadrinhos, inédita nos cinco anos de existência da Flip.

 

A mesa era uma forma de a organização do evento aproximar o tema do público que não lê histórias em quadrinhos (mas que as vê em livrarias).

 

Não seria o caso, então, de substituir Spiegelman por outro nome ligado aos quadrinhos, inclusive nacional?

 

Segundo a assessoria, a idéia era ter um nome de peso de fora do país, que pudesse interagir com os artistas e leitores daqui. Sem esse nome, diz a assessoria, a mesa perdeu o sentido original. E não haveria tempo hábil para agendar a vinda de outra pessoa.

 

A Festa Literária Internacional de Parati ocorre entre os dias 4 e 8 de julho. A organização programou a vinda de 40 escritores, tanto nacionais como estrangeiros. Esta quinta edição vai homenagear o dramaturgo e romancista brasileiro Nelson Rodrigues (1912-1980).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h31
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22/05/2007

Criador de Tintim morreu de Aids, diz biógrafo

No dia em que o criador de Tintim completaria cem anos, um dos biógrafos dele diz que Hergé possivelmente morreu de Aids. Até então, a informação é que a causa da morte teria sido uma leucemia (doença que aumenta o número de células cancerosas no sangue).

 

A suspeita é porque no ano de falecimento do desenhista belga, 1983, era muito difícil detetar o vírus por meio de exames. No fim da vida, Hergé (forma como Georges Remi assinava) precisou de várias transfusões de sangue. Seria a causa da contaminação.

 

Para Philippe Goddin, um dos biógrafos, foi o vírus que causou as “gripes, pneumonias e bronquites sucessivas que afetaram Hergé depois que começou a receber transfusões sangüíneas regularmente”.

 

A biografia de Hergé vai ser lançada pela Ediciones Moulinsart, segundo a agência internacional France Press, que divulgou a notícia nesta terça-feira. Não há informação sobre a data de lançamento.

 

No Brasil, também há novidade sobre o autor. A Companhia das Letras programou o lançamento de mais três álbuns de Tintim: “As Sete Bolas de Cristal”, “O Templo do Sol” e “No País do Ouro Negro”. Segundo a editora, começam a ser vendidos na virada do mês.

 

Hergé escreveu e desenhou 24 álbuns do repórter investigativo, criado em 1929. Um deles não foi terminado.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h46
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A Saga do Tio Patinhas ganha reedição de luxo

Que o Tio Patinhas é milionário todo mundo sabe. Mas como ele fez para conseguir tanto dinheiro? A resposta está em “A Saga do Tio Patinhas”, relançada neste mês (Abril, R$ 14,95). A série faz uma biografia em quadrinhos do personagem.

 

A Abril dividiu as doze partes da saga em três volumes de luxo. O de estréia, já nas bancas, traz os oito primeiros capítulos.

 

A edição de 148 páginas mostra a infância pobre de Patinhas, na Escócia, e a decisão dele de ir à América para enriquecer. E traz muitas curiosidades, como a conquista da moedinha número um (que deu início à sua fortuna) e o primeiro encontro com o Professor Pardal.

 

“A Saga do Tio Patinhas” foi escrita e desenhada por Don Rosa, não creditado na edição da Abril (por problemas de uso do nome).

 

O trabalho dele venceu em 1995 o prêmio Eisner, uma espécie de Oscar do quadrinho norte-americano.

 

Rosa é tido como o sucessor de Carl Barks, não só no estilo como na forma de narrar as histórias. Barks criou por décadas as revistas em quadrinhos da Disney. A Abril atualmente lança uma coleção só com obras feitas por ele. Está no número 28 (leia mais aqui).

 

Foi Barks, por exemplo, quem criou o Tio Patinhas, em 1947. O relançamento da saga do pato "quaquilionário", segundo a Abril, é justamente para marcar os 60 anos do personagem.

 

A Abril já havia lançado a série em dois volumes em 2003. A diferença desta reedição é o formato de luxo e o tamanho, maior que o anterior (publicado no mesmo formato da revista mensal do Tio Patinhas).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h51
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21/05/2007

Pixel: 4 lançamentos em 4 dias

A Pixel começa a ocupar mais espaço nas bancas. A editora lança duas revistas nesta segunda-feira, "Preacher Especial" e o segundo número de "Pixel Magazine". Na última sexta-feira, colocou à venda edições de "Authority" e de "100 Balas". São quatro novos títulos em quatro dias.

"Preacher Especial" (R$ 10,90) traz duas histórias relacionadas à série criada por Garth Ennis para a Vertigo, linha adulta da editora norte-americana DC Comics. Ambas foram lançadas nos Estados Unidos em revistas à parte, que não fazem parte da numeração normal de Preacher.

A primeira, "O Cavaleiro Altivo", mostra aventuras de um Jesse Custer mais jovem, bem antes de ele se tornar um pastor renegado e ir à caça de Deus (mote da série). Lançada em 2000, tem desenhos de Steve Dillon, o mesmo ilustrador das 66 edições da série mensal, que antes era publicada no Brasil pela Devir.

A segunda aventura do especial de 116 páginas é "A História de Você-Sabe-Quem". Mostra como o Cara de Cu, personagem secundário da série, ficou com o rosto deformado (como mostra a imagem da capa).

O outro lançamento da semana, o segundo número de "Pixel Magazine" (R$ 9,90), segue a linha da edição anterior. Traz uma história dos carros-chefe do título, Planetary (há um bom resumo sobre o grupo) e Hellblazer, e quatro episódios curtos de outros personagens.

Destaque para um conto de seis páginas de Morte, irmão de Sandman, escrito pelo criador do mestre dos sonhos, Neil Gaiman.

"Authority"(R$ 9,90) continua do ponto onde a Devir parou (a editora publicava a série até o ano passado). A história percorre os números 17 a 20 da revista norte-americana, escrita por Mark Millar. Nesse novo arco, o supergrupo tem de resolver uma série de anomalias climáticas que surge por todo o planeta.

As duas primeira histórias são desenhadas por Chris Weston. As seguintes por Frank Quitely, o mesmo de "Grandes Astros DC Superman" (a presença dele dá outra cara à trama; parece até outra história).

Ao contrário de "Authority", as três histórias de "100 Balas" (R$ 8,90) não são inéditas no Brasil. Já saíram em 2001 pela editora Opera Graphica, que lançou a série em revista própria.

A trama mostra o começo da série, escrita por Brian Azzarello e desenhada pelo argentino Eduardo Risso.

A história policial tem início quando um desconhecido chamado Agente Graves oferece a uma moça, Isabelle Cordova, ou só "Dizzy".

O misterioso agente dá a ela uma mala com provas sobre os policiais que mataram o marido dela e o filho. Há também uma arma, cem balas não rastreáveis a a promessa de que terá ficha limpa na polícia. A dúvida da história é saber se ela vai matar ou não os assassinos.

Também na semana passada, a Pixel lançou "Neil Gaiman – Dias da Meia-Noite" (R$ 49,90).

O álbum, vendido somente em livrarias e lojas especializadas em quadrinhos, traz as primeiras histórias do escritor inglês para o selo Vertigo. Uma das histórias, sobre o Monstro do Pântano, é inédita.

Os lançamentos fazem parte do acordo firmado no começo do ano entre Pixel e DC Comics. O contrato autoriza a publicação no Brasil de obras dos selos Vertigo, WildStorm e ABC (que tem revistas escritas pelo inglês Alan Moore).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h10
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20/05/2007

Largada! E Patrícia Carla correu. De um blog para outro

Imagine uma maratona. Agora, acrescente um detalhe: a corrida é feita pela internet. Em vez de pistas ou calçadas, o percurso é feito virtualmente, de um blog para outro.

A idéia é de André Leal, ilustrador de 28 anos. A largada da corrida virtual foi no dia 11 de fevereiro com o desenho ao lado, de Patrícia Carla (veja aqui). A partir dessa primeira imagem, outros desenhistas fazem em seus blogs e fotoblogs versões próprias da corredora.

Patrícia Carla, segundo descrição de Leal, "é uma garota muito saudável e adora fazer cooper. Ela não fica quieta nunca, é uma espoleta, está sempre pra lá e pra cá. E a prova disso é que ela mal chegou a este blog e já partiu a milhão para o ..." E o ilustrador acrescenta o endereço de seu site.

Até agora, Patrícia percorreu 27 páginas virtuais, duas de Leal.

O ilustrador já criou outra personagem, Marcela Summers, que corre numa esteira de academia.

Veja abaixo duas versões de Patrícia Carla produzidas, respectivamente, para os sites de Bira Dantas e Childrens Bar (clique aqui e aqui).

            

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h07
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Sites de quadrinhos têm capas e histórias novas

Dica rápida. Três sites que mantêm histórias em quadrinhos estão com novas atualizações.

O Nona Arte voltou a ter atualizações. Há três novas histórias disponíveis: "Olho", de Carlos Soares, "Censurado", de Wilson Vieira e Aloísio de Castro (mesma dupla do álbum "Gringo - o Escolhido"), e "1985", de André Diniz, um dos mantenedores do site, que venceu o Troféu HQmix do ano passado.

O Webzinez é uma nova página virtual criada por Henrique FD, fundador do site Webcomix, também com quadrinhos. A diferença é que no Webzinez não há necessidade de contrato e de regularidade nas atualizações. Qualquer escritor e desenhista pode sediaruma história no site, desde que faça um cadastro prévio da obra.

O Nostalgia do Terror, mantido por Ulisses Azeredo, é especializado em produções nacionais de horror. A página virtual, que concorre no Troféu HQMix deste ano na categoria "site de quadrinhos", apresenta novas capas de revistas históricas das editoras La Selva, Outubro, GEP, Taika, Novo Mundo e Trieste. O site também tem quadrinhos de terror para serem lidos em pdf.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h13
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19/05/2007

Homem-Aranha e Thor: mais duas reedições da Marvel

Nem sempre é a importância da história ou a popularidade do super-herói o que garante o relançamento de uma obra. Muitas vezes o motivo está no escritor/desenhista, que produziu uma fase tão marcante do personagem que fez jus a um bis. É o caso dos encadernados de Homem-Aranha e Thor, que chegaram às bancas nesta semana.

"Tormento" (Panini, R$ 14,90) se pauta no trabalho de Todd McFarlane. Ele ganhou popularidade na indústria norte-americana de quadrinhos pela forma inovadora como desenhava o Homem-Aranha. Tanto que a Marvel Comics, que edita o personagem, deu a ele um título próprio, "Spider-Man", no qual também escreveria as histórias do herói.

"Tormento" é a primeira saga de McFarlane para a nova revista, que estreou nos Estados Unidos em agosto de 1990. Foi narrada nos cinco números primeiros de "Spider-Man". Na trama, um Homem-Aranha enfeitiçado e enfraquecido tem de enfrentar uma versão bem mais cruel do vilão Lagarto.

O encadernado de 132 páginas é o segundo volume da "Coleção o Homem-Aranha – Grandes Desafios" (o primeiro foi lançado há duas semanas; leia mais aqui), que relança momentos marcantes da trajetória do personagem.

Esta edição traz também a reprodução do primeiro confronto com o Lagarto, publicado em novembro de 1963 (capa ao lado). A história –bem mais ingênua que a anterior- é produzida pelos criadores do herói, Stan Lee (texto) e Steve Ditko (desenhos).

"Tormento" já tinha sido publicado pela Editora Abril na forma de uma minissérie em dois números, lançada entre março e abril de 1992.

As dez histórias de "Os Maiores Clássicos do Poderoso Thor – Volume 2" (Panini, R$ 26,90) também já saíram no Brasil pela Abril. A diferença é que, desta vez, são publicadas no formato original e com tradução integral (na outra editora, o material foi produzido em formatinho, tamanho semelhante ao das revistas infantis).

O álbum de 244 páginas reúne aventuras da revista norte-americana de Thor, publicadas entre novembro de 1984 e setembro de 1985.

Na época, quem produzia as histórias era Walt Simonson. A fase do escritor e desenhista é tida como uma das mais marcantes do herói de Asgard.

Simonson explorava o lado mítico de Thor, um deus nórdico, mas sem deixar de lado a aventura. O destaque da edição é o confronto com Surtur, senhor de fogo e do fogo.

O ser é tão poderoso que derrotou no passado dois dos irmãos de Odin, pai de Thor, o mais poderoso dos asgardianos.

Uma legião é convocada para derrotar o ser de fogo. A batalha toma a primeira metade do encadernado. O resultado do confronto é o mote das aventuras da outra metade.

Este mês está concentrando uma série de relançamentos da Marvel. Além dos dois números da "Coleção o Homem-Aranha" (há mais quatro previstos), a Panini pôs à venda um encadernado com histórias da "Tropa Alfa" produzidas por John Byrne (leia aqui).

A editora anunciou também um álbum especial com as dez primeiras histórias do Quarteto Fantástico, produzidas na década de 60. A obra de luxo estava prevista para abril e será o primeiro número de uma nova coleção, chamada "Biblioteca Histórica Marvel" (leia aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h12
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18/05/2007

Versão de Crumb para livro do Gênesis fica pronta em 2009

Robert Crumb deve terminar uma versão do livro bíblico do Gênesis nos próximos dois anos. Ele está há outros dois no projeto e promete que os leitores verão a obra como "jamais viram", inclusive com "elementos mais ousados".
 
A informação faz parte de uma entrevista concedida pelo escritor e desenhista norte-americano ao jornal francês "Le Monde" no início deste mês.
 
Diz Crumb:
 
Eu tenho intenção de trabalhar sobre o que é a origem de tudo. Minha versão será uma síntese de um texto em inglês e dois dois outros em hebraico.
 
Eu trabalho há dois anos num ritmo de uma página por semana. O álbum deve ter mais de 200 páginas. Ainda tenho dois anos de trabalho. Eu não tinha me dado conta que me tomaria tanto tempo!
 
Os leitores verão "O Gênesis" como nunca jamais viram. Eu utilizei tudo o que encontrei e incluí com elementos mais ousados.
 
Na entrevista, Crumb diz também não ter vontade de voltar para os Estados Unidos, onde publicava quadrinhos desde os anos 60. O "pai" do quadrinho underground abandonou o país e mora atualmente na França com a esposa e a filha.
 
Crumb é conhecido como o pai do quadrinhos underground norte-americano. Criou personagens como "Fritz The Cat" (que assassinou) e "Mr. Natural". O estilo polêmico de Crumb influenciou toda uma geração de quadrinistas, inclusive aqui no Brasil.
 
Post postagem: Alexandre Linares, da Conrad, deixou registrado nos comentários deste blog que a editora tem os direitos de publicação da série no Brasil. Segundo ele, a Conrad vai lançar a obra quase simultaneamente à edição estrangeira.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h51
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História em quadrinhos mostra como usar cinema na escola

Uma história em quadrinhos conta a experiência do projeto Cineducação. Criado pelo professor universitário Nielson Modro, mostra aos professores como usar o cinema na sala de aula.
 
A dica do projeto é do professor e quadrinista Gazy Andraus, que defendeu em dezembro passado um doutorado que mostra a importância do uso dos quadrinhos no ensino superior (leia aqui). A tese foi produzida na Universidade de São Paulo.
 
Gazy Andraus se ofereceu para resenhar a história em quadrinhos sobre o Cineducação (capa ao lado). É o texto a seguir:
 
Os quadrinhos continuam em alta, como que para compensar os insidiosos momentos por que passaram entre a década de 1950 e 1970.
 
Além de estarem sendo utilizados como aconselhamento pelas normas do PCN -Parâmetros Curriculares Nacionais-, são comprados pelo governo para munir as escolas.
 
Embora ainda falte muito para serem respeitados unanimemente, inclusive por intelectuais e acadêmicos que ainda não reconhecem seu real potencial, estão despontando muitos trabalhos que buscam melhorar o ensino com a linguagem dos quadrinhos.
 
É o caso da versão quadrinizada do projeto Cineducação, de Nielson Modro e Paulo Kielwagen. Modro é mestre em Literatura Brasileira e leciona em cursos universitários em Joinville, Santa Catarina.
 
O professor concebeu o projeto em 2001, a partir de aulas "tapa-buracos" do ensino médio. Ele viu que os filmes que a escola passava se repetiam e não eram bem explorados. Assim, em 2003, ofertou uma disciplina no curso de letras da Univille chamada "Literatura e Cinema" e criou em 2005 o site Cineducação para apoiar aulas de professores que buscam subsídios acerca de filmes.
 
Modro não se contentou com as aulas que se utilizavam de filmes, sem contextualizá-los, e quis mostrar as qualidades pedagógicas e multidisciplinares que poderiam ser exploradas pelos professores ao passarem filmes aos alunos.
 
Partindo desse pressuposto, e com base nas aulas, o autor concebeu em 2005 o livro Cineducação, teorizando e propondo a utilização dos filmes em salas de aulas. Logo em seguida, no ano de 2006, lançou o Cineducação 2, contendo outros aspectos teóricos para o uso do cinema em sala de aula.
 
Logo em seguida, com os desenhos de Paulo Kielwagen, lançou o livro "Cineducação em Quadrinhos", que demonstra na forma da linguagem das histórias em quadrinhos a sua teoria do uso de filmes em salas de aulas, expondo também a questão da pertinência dos quadrinhos como mediadoras e facilitadoras de sua teoria e projeto.
 
Na página 5, do livro adaptado para os quadrinhos, o personagem "Modro" conjectura: "A opção de falar sobre o projeto usando quadrinhos é uma forma diferente...ainda que até certo ponto informal...de falar sobre assuntos sérios..."
 
Mas o autor não quis dizer que os quadrinhos simplificam as coisas. Pelo tom e seu uso nas 80 páginas da edição, percebe-se que Modro sabe da proximidade das duas linguagens: o cinema e as histórias em quadrinhos – e do alcance que elas permitem.
 
Há sacadas imagéticas inteligentíssimas, como nas páginas 17 e 18, mostrando uma crítica ao ensino tradicional que se utiliza apenas de lousa e giz. A página 17 traz de forma caricatural como seria o ensino, se ele tivesse existido na pré-história, e, logo em seguida, a mesma cena se repete, só se modificando a "tecnologia".
 
O livro mostra, ainda, como se pode utilizar o cinema (filmes) de forma interdisciplinar para se trabalharem diversos conceitos, desde a visão histórica, à antropológica e estética, por exemplo.
 
O interessante neste projeto é a interdisciplinaridade sendo discutida e utilizada através do cinema, que por sua vez é explorada na forma da história em quadrinhos, que por sua vez abarca uma didática diferenciada.
 
A história em quadrinhos está disponível no site do Cineducação. Para ler, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h36
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17/05/2007

Revista Cult cria coluna fixa sobre quadrinhos

Havia desde o ano passado alguns sinais de fumaça bem nítidos de que o olhar sobre os quadrinhos tinha começado a mudar. Este mês registra outro marco nesse novo comportamento. A revista "Cult", especializada em literatura, criou uma coluna fixa para abordar o tema.

 

A estréia da coluna, de duas páginas, é na edição deste mês (Editora Bregantini, número 113, R$ 9,90). O responsável pelo espaço é o jornalista e pesquisador Gonçalo Junior, autor de "Biblioteca dos Quadrinhos" e "Guerra dos Gibis", obra vencedora de um HQMix.

 

É a segunda vez que a "Cult" namora os quadrinhos. Em março, a revista mensal publicou cinco artigos especiais apresentando o assunto ao leitor que desconhece o tema (leia aqui). Gonçalo Junior assinava a maior parte das 21 páginas do chamado "Dossiê Quadrinhos". Foi daí que surgiu o convite para assinar a coluna.

 

"Ela [a coluna] é oportuna diante da aposta que as editoras têm de adaptar literatura em quadrinhos, como nunca houve na história deste país", diz o jornalista, que em 2006 recebeu o Troféu HQMix na categoria "grande contribuição aos quadrinhos". Ele concorre neste ano em quatro categorias, entre elas a de jornalista especializado.

 

Segundo ele, outros dois fatores influenciaram na criação da coluna: a valorização dos quadrinhos como obra literária e a aproximação do público de literatura de um momento dos quadrinhos "de narrativas altamente elaboradas”, nas palavras dele.

 

"Esse fenômeno dos anos 80 pra cá ainda é muito desconhecido desse público. A coluna pode ajudar nisso", diz ele, que prepara mais três livros sobre quadrinhos (leia aqui). Uma das obras, a continuação de "Guerra dos Gibis", está concluída. As outras são biografias do desenhista Rodolfo Zalla e do pesquisador Álvaro de Moya (leia aqui).

 

O tom da coluna é o mesmo do espaço que Gonçalo Junior mantém no site Bigorna, que noticia quadrinhos e cultura pop em geral. O primeiro texto da “Cult” aborda o centenário de nascimento de Adolfo Aizen, fundador da Editora Brasil-América, EBAL, uma das mais importantes da indústria nacional de quadrinhos. Aizen faria cem anos no próximo dia 10.

 

A coluna traz também uma tira. A primeira é assinada por Sidney Falcão, um dos desenhistas do Estúdio Cedraz, da Bahia (que produz as histórias infantis da Turma do Xaxado). O jornalista quer publicar um trabalho diferente por mês. “Quem quiser mandar [trabalhos] será bem-vindo”.

 

A próxima coluna vai abordar as adaptações de obras literárias. A deste mês está disponível na internet. Para ler, clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 07h17
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16/05/2007

Livro de bolso reúne tiras de Paulo Caruso

Quando se fala no nome de Paulo Caruso, o que mais vem à mente são as sátiras políticas de Avenida Brasil, coluna que ele publica na imprensa há 25 anos. Há, no entanto, um outro lado do cartunista, pouco lembrado pelo público: o de autor de tiras. Esse material foi reunido num livro de bolso, que começou a ser vendido neste mês (L&PM, R$ 9).

 

“As Mil e Uma Noites” traz 195 tiras de Caruso produzidas para o “Jornal do Brasil” na primeira metade dos anos 80. Segundo ele mesmo conta na introdução da obra, o JB na época “abriu espaço para dez artistas nacionais serem confrontados diariamente em suas criações com dez artistas estrangeiros consagrados, distribuídos pela King Features [de Recruta Zero, Fantasma e  outros]”.

 

O tempo de permanência da tira no jornal não foi tão longo quanto o esperado. Mas serviu para Caruso fazer um exercício de criatividade. Ele optou pelo difícil caminho de criar personagens desconhecidos, muitos inspirados na boemia noturna. Às vezes, enveredava pelo caminho da metalinguagem.

 

O resultado foi uma tira inovadora, talvez até demais para o que era produzido no Brasil lá pelos anos 80. Não é de estranhar que ele tenha migrado para o formato de uma página inteira em “Avenida Brasil”. O espaço limitado da tira ficou pequeno demais para a criatividade dele.

 

Em dezembro último, Paulo Caruso lançou um álbum com histórias de “Avenida Brasil” sobre o primeiro mandado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A obra, chamada “Se Meu Rolls-Royce Falasse”, foi lançada pela editora Devir. Leia mais aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 12h27
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15/05/2007

Saga de Lobo Solitário chega ao fim

Há algumas formas de avaliar se uma história em quadrinhos é boa ou não. Uma delas é prestar atenção na vontade que se tem de virar as páginas para saber o final da trama. Isso o último número de "Lobo Solitário" tem de sobra (Panini, R$ 12,90).
 
A revista, que começa a ser vendida nesta semana, consegue prender a atenção do leitor, principalmente daquele que acompanha a saga desde o primeiro número (são 28 ao todo).
 
A edição inteira se pauta no combate final entre o samurai ex-executor Itto Ogami (conhecido como Lobo Solitário) e mestre Retsudô, da família dos Yagyu.
 
Itto foi vítima de uma trama feita pelos Yagyu, conflito que existe o início da série.
 
Como são exímios lutadores, há um acentuado equilíbrio na luta. Em boa parte das mais de 300 páginas da revista, Ogami e Retsudô permanecem imóveis, à espera do erro ou do movimento do outro.
 
Nem a participação do menino Daigoro, filho de Ogami que o acampanha durante toda a série, desequilibra a luta (embora Daigoro roube a cena em vários momentos, mas por outros motivos).
 
O recurso de prolongar ao máximo o desfecho da luta é um dos méritos -ou mais um dos méritos- da dupla de autores, Kazuo Koike e Goseki Kojima. Adiar o final aumenta a tensão. E a vontade de virar as páginas.
 
Quando chegar ao fim, o leitor terá uma surpresa (apesar de a capa estragar boa parte dela).
 
Outras editoras já tentaram publicar no Brasil "Lobo Solitário", um dos clássicos do quadrinho japonês. A Panini tem o mérito de ter sido a única a chegar até o fim da série, mesmo que com atraso (esta última edição tinha sido anunciada para abril).

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Escrito por PAULO RAMOS às 11h39
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14/05/2007

Liberty Meadows sai este mês, segundo editora

 
 
 
 
 
 
 
Capa e contracapa do álbum, escrito e desenhado por Frank Cho
 
 
 
 
 
O álbum com as primeiras histórias de "Liberty Meadows"  está programado para sair este mês. A informação é da editora HQM, que vai publicar a obra criada por Frank Cho. O material é inédito no Brasil.
 
"Liberty Meadows" -tiras sobre os seres que povoam uma reserva animal- tinha sido anunciado pela editora para o fim de janeiro, começo de fevereiro (leia aqui). Mas ainda não saiu.
 
Essa não é a única obra divulgada pela editora e ainda não lançada. O segundo volume de "Estranhos do Paraíso" e o terceiro de "Mortos-Vivos" também estão atrasados. A HQM tinha programado os álbuns para o primeiro trimestre.
 
O mesmo vale para a revista sobre quadrinhos que a HQM pretende lançar. A publicação, que prometia usar vários nomes da área como colunistas, tinha sido anunciada para março (leia aqui).
 
Os únicos títulos noticiados e lançados foram uma edição simples do herói "Savage Dragon" (aqui) e o terceiro número de "Invencível" (capa ao lado), ambos da editora norte-americana Image Comics. Mesmo assim, saíram depois do previsto.
 
O Blog dos Quadrinhos entrou em contato com a editora para saber o porquê dos atrasos. A resposta, enviada por e-mail, é de Carlos Costa, editor-chefe da HQM:
 
Como sabe, somos uma empresa pequena, nada comparável às grandes do mercado. Tivemos alguns imprevistos e, por isso, tivemos que reprogramar algumas coisas.
 
"Liberty Meadows" sai neste mês. "Estranhos no Paraíso" deve sair entre o final deste mês e início de junho. Após esse volume, vamos tentar dar um gás na série.
 
Em seguida, teremos um livro, que ainda é segredo, e nesse meio tempo deve pintar algo de material nacional.
 
A revista HQM vai sair, mas, de momento, ainda sem uma data prevista.
 
As demais novidades serão divulgadas assim que forem definidas, como o volume 3 de Os Mortos-Vivos, Dragon, entre outras coisas que estamos em negociação, além de outras coisas que poderão vir, fora os títulos da Image Comics que já lançamos.

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Escrito por PAULO RAMOS às 11h54
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13/05/2007

Blog dos Quadrinhos: mais de 1 milhão de acessos

Este blog ultrapassou a marca de um milhão de visitas.

Pedi um parâmetro aos colegas do departamento de interação do UOL, que cuidam dos blogs do portal. Esse número é representativo?

Ouvi como resposta que é algo muito, muito bom, digno de ser comemorado, ainda mais para um blog jornalístico criado há pouco mais de um ano.

Comemoremos, então.

E comemoremos também outra marca, coincidentemente alcançada também neste fim de semana. Já são 3 mil comentários deixados no blog, uma média de oito por dia (o volume de mensagens tem aumentado semana após semana, o que é ótimo).

Os números, é importante que se registre, só foram possíveis graças ao leitor, que fielmente acessa este blog (às vezes, mais de uma vez por dia).

Obrigado pelas visitas e pelos comentários.

Obrigado mesmo.

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Escrito por PAULO RAMOS às 22h56
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Lançada Lost Girls, obra pornográfica de Alan Moore

Quem tem resistência com releitura de obras clássicas vai ter muita dificuldade para aceitar o primeiro volume "Lost Girls – Meninas Crescidas", álbum erótico de Alan Moore que começou a ser vendido nesta virada de semana (Devir, R$ 65). Ainda mais sabendo que as tais meninas crescidas são as protagonistas de "Alice no País das Maravilhas", "O Mágico de Oz" e "Peter Pan".

Alice, Dorothy e Wendy, já adultas, se hospedam ao mesmo tempo num hotel chamado Himmelgarten. Lá, uma passa a conhecer a outra (intimamente) e as três começam a compartilhar as fantásticas histórias que viveram na infância. Mas, como se trata de uma obra erótica, as memórias têm sempre um viés sexual.

Dorothy, por exemplo, relata que se masturbou enquanto era levada por um tornado ao criativo Reino de Oz (imagem abaixo). Wendy fez sexo com Peter Pan pouco antes de voar pelo céu rumo à Terra do Nunca. Alice teve sua iniciação com o Coelho (que, no álbum, de coelho não tem nada). Adulta, tornou-se lésbica.

Provocador? Sem dúvida. Era exatamente a intenção de Alan Moore, mais conhecido pelos trabalhos com super-heróis (criou as minisséries "V de Vingança" e "Watchmen", para ficar em dois exemplos). Mas a proposta era uma provocação literária, sem deixar de lado o aspecto artístico.

"Eu pensava: ´É possível criar pornografia que preencha todos os requisitos da arte e da literatura e que ainda assim continue sendo pornografia?´", disse o escritor no ano passado em entrevista à revista "Trip". Ele mesmo responde à pergunta: "Eu imaginava que era possível".

E é possível, sim. Deixado de lado o inevitável estranhamento inicial, percebe-se que há mais do que um álbum pornográfico. Há uma engenhosa narrativa. Em todos os quadrinhos do primeiro capítulo (de um total de dez), a história de Alice é relatada por meio do reflexo de um espelho.

Outro caso. No capítulo terceiro, desejos sexuais escondidos são evidenciados por sombras. Enquanto a realidade mantém o pudor, as sombras realizam o que a mente de Wendy quer. Nesse ponto, ajuda muito o desenho de Melinda Gebbie, esposa de Moore.

"Lost Girls- Meninas Crescidas" recebeu tratamento de luxo, com capa dura e papel especial. É uma das melhores edições já feitas pela Devir. A editora pretende lançar as outras duas partes da série ainda este ano.

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Escrito por PAULO RAMOS às 10h30
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Um Dia Uma Morte tem mais um lançamento (agora em São Paulo)

Registro rápido.

Os autores de "Um Dia Uma Morte" fazem um lançamento paulista da obra, primeiro título da "Coleção 100% Quadrinhos".

Fabiano Barroso (texto) e Piero Bagnariol (desenhos) autografam o álbum nesta segunda-feira, a partir das 19h, no Jeremias O Bar (rua Avanhandava, 37, centro de São Paulo).

Os dois são também editores da "Graffiti 76% Quadrinhos" e vão aproveitar o evento para vender números antigos da revista independente mineira (inclusive as raras primeiras edições).

"Um Dia Uma Morte" já teve um primeiro lançamento em Minas Gerais, no dia 3 deste mês.

Para saber mais sobre o álbum, clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 09h45
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12/05/2007

Lendas: mais um trabalho de John Byrne relançado

Há uma onda de reedições de trabalhos do escritor e desenhista John Byrne, um dos mais disputados da indústria norte-americana de quadrinhos nos anos 80 e 90. No começo do mês, houve "Tropa Alfa". A última republicação é "Lendas", lançada nesta semana dentro da coleção "Grandes Clássicos DC"(Panini, R$ 18,50).

Em "Lendas", Byrne faz apenas a arte. O texto ficou a cargo de John Ostrander e do veterando Len Wein, que tem no currículo a criação do personagem Wolverine, dos X-Men. A minissérie em seis partes, relançada agora num volume só, é um dos clássicos de super-heróis da editora norte-americana DC.

A minissérie, publicada entre novembro de 1986 e abril de 1987, foi pensada para ser o primeiro grande evento após "Crise nas Infinitas Terras", saga que tinha acertado a cronologia da editora e dado um novo rumo a Super-Homem, Batman e companhia.

A história -lançada pela primeira vez no Brasil no segundo semestre de 1988 (pela editora Abril)- tem como grande vilão o sombrio Darkseid, uma das maiores heranças de Jack Kirby para a DC. O senhor supremo do planeta Apokolips arma um plano para desacreditar os heróis –ou lendas- da Terra.

Darkseid usa um de seus lacaios para assumir o papel de um psiquiatra, que usa os meios de comunicação de massa –principalmente a televisão- para instigar a população a enxergar nos super-heróis um dos males da violência na sociedade. A estratégia funciona e os norte-americanos se voltam contra eles.

A trama, na verdade, é apenas um pretexto para mostrar aos leitores como ficaram os personagens após Crise. E para apresentar outros novos. Foi em "Lendas" que surgiu o Esquadrão Suicida, que depois ganhou revista própria, escrita por Ostrander.

A minissérie também traçou o primeiro esboço de uma nova formação da Liga da Justiça, principal supergrupo da editora. A equipe passava para as mãos do escritor Keith Giffen, que transformou as histórias numa versão explicitamente cômica, algo inédito até então.

Há ainda um detalhe em "Lendas", creditado a John Byrne. Foi um dos primeiros trabalhos dele para a DC após sua saída da rival Marvel, onde fez X-Men, Quarteto Fantástico e Tropa Alfa (leia aqui). Byrne aproveitou para dar uma cutucada na Marvel. Ou, mais especificamente, no então editor-chefe da empresa, o todo-poderoso Jim Shooter.

Byrne e Shooter não se davam bem. Numa seqüência do quinto capítulo de "Lendas", o Lanterna Verde Guy Gardner luta com um vilão, Mancha Solar, que tem rosto idêntico ao de Shooter.

O bandido grita coisas como "Eu tenho o poder máximo como sempre sonhei", "Eu tô no controle. Aliás, como sempre" e Não sabe quem eu sou... ou o que sou? O detentor do poder máximo capaz de criar um novo universo" (alusão ao "novo universo", linha alternativa de heróis criada pela Marvel sem muito sucesso). Pura vingança. Em quadrinhos.

"Lendas" conserva uma ingenuidade das histórias de super-heróis, inexistente nas produções atuais. Faz o que se propõe a fazer. Diverte, mas sem muito compromisso. Não é a melhor saga da DC ("Crise nas Infinitas Terras" ainda é muito superior). Mas também não é a pior. Após ela, surgiram várias outras, uma por ano, de qualidade bem inferior.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h54
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11/05/2007

Tese da USP compara piadas e tiras cômicas

Há a percepção -intuitiva- de que uma tira cômica funcione como uma piada. Mas isso é mesmo verdade? Uma tese de doutorado da USP (Universidade de São Paulo) procurou discutir a fundo a questão. A pesquisa –de minha autoria- foi defendida nesta quinta-feira e foi aprovada com louvor e distinção (título máximo conferido a uma tese de pós-graduação).

O estudo inédito, de 424 páginas, demorou seis anos para ficar pronto e foi produzido na Faculdade de Letras da USP. A conclusão é que tira cômica e piada apresentam estratégias muito próximas para produzir humor. Mais até do que se imagina, a ponto de a tira ser um híbrido, uma mescla de piada e história em quadrinhos.

A piada –que pode ser falada ou escrita- apresenta um conjunto de características próprias. É uma narrativa tendencialmente curta, com desfecho inesperado (sempre no final, base da chamada Teoria da Incongruência), uso de estereótipos, temática de humor e exige inferências e conhecimentos prévio e compartilhado para ser entendida.

Mais um ponto: pode ter personagens fixos (como o português, a loira etc.) ou não.

Para ter o humor construído pelo leitor, há a necessidade de reconstrução dos elementos socioculturais de onde foi produzida. Em Portugal, digamos, o português certamente não é o alvo da chacota (há estudos que comprovam que isso muda de país para país, de região para região).

E a tira cômica?

A tira também é uma narrativa, obrigatoriamente curta (dada a exigência do formato fixo), com desfecho inesperado (sempre no final), uso de figuras e situações estereotipadas (para facilitar a produção e a leitura no formato curto), com temática de humor e necessidade de inferências e conhecimentos prévio e compartilhado para ser compreendida.

Também pode ter personagens fixos (como Cascão e Calvin) ou não (como ocorre nas tiras de "Classificados", de Laerte).

Resumindo: é igual a uma piada.

Tiras que não apresentem essas características seriam de outro gênero: tiras cômicas seriadas (como "Ed Mort"), tiras de aventuras (como "Fantasma") ou um novo gênero de tira, ainda em processo de formação (caso das tiras filosóficas de Laerte, publicadas em "Piratas do Tietê")

A diferença mais evidente entre os gêneros é a presença do elemento visual na tira. Vê-se a narrativa que, na piada, é apenas relatada. Isso dá às tiras um ganho expressivo se comparadas às piadas orais e escritas.

Imagine uma piada falada que envolva gestos ou mudança de voz. Há um monte delas. Se a mesma história for transposta na escrita, a produção do sentido fica comprometida. Descrever em palavras um gesto ou uma alteração no tom da voz pode comprometer a produção do sentido. E não se vê graça na piada.

Agora, imagine essa mesma piada colocada na forma de uma tira. A linguagem dos quadrinhos –há dois capítulos da tese que atualizam todos os recursos da linguagem- possui uma série de recursos que permitem a visualização da narrativa.

O sentido pretendido ficariam preservado, mesmo na escrita. Mais ainda: haveria um ganho expressivo em comparação com a piada oral. Os quadrinhos permitem reproduzir algo que a escrita tradicional não consegue.

"Tiras Cômicas e Piadas: Duas Leituras, um Efeito de Humor", nome da tese, apresenta outras contribuições.

Na área da Teoria do Texto –um dos campos teóricos da Lingüística-, inclui os quadrinhos como objeto de estudo, bem como a presença da imagem na composição do texto.

A pesquisa também revisa –e atualiza- muitos dos estudos clássicos da área de quadrinhos.

Na área de gêneros, apresenta uma leitura diferente de tudo o que já foi publicado sobre o assunto. A interpretação é que as histórias em quadrinhos funcionam como um hipergênero, um campo maior, que abriga vários gêneros diferentes.

Todos seriam narrativas que compartilham a linguagem dos quadrinhos.

Fariam parte do hipergênero histórias em quadrinhos: tiras cômicas, tiras cômicas seriadas, tiras de aventuras, charge, cartum e os diferentes modos de produção dos quadrinhos (quadrinhos de faroeste, quadrinhos infantis, quadrinhos de terror, mangás etc.).

Nesse processo de consolidação do gênero, interfere muito a forma como é rotulado pelo autor ou pela editora. Um exemplo: se uma determinada editora rotula uma história como sendo de "super-herói", ela será vista como tal pelo leitor. O rótulo vai interferir tanto no processo de produção da obra como na recepção dela.

A banca que compôs a defesa sugeriu publicação da tese. Tenho planos disso. Mas é possível que divida a pesquisa em duas ou três publicações diferentes.

"Tiras Cômicas e Piadas: Duas Leituras, um Efeito de Humor" é a primeira pesquisa sobre quadrinhos defendida neste ano na USP. Há pelo menos duas outras em andamento, ambas na ECA (Escola de Comunicações e Artes).

Em 2006, houve sete pesquisas sobre quadrinhos na universidade, número recorde na história da USP.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h41
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09/05/2007

Tropa Alfa: um trabalho inspirado de John Byrne

Tropa Alfa está longe de ser o supergrupo mais popular da editora norte-americana Marvel Comics (que publica X-Men e Quarteto Fantástico, para ficar em dois exemplos).
 
Por que, então, lançar uma reedição com histórias da equipe?
 
A resposta tem nome: John Byrne. O autor hoje não é mais tão popular, mas ainda conserva uma série de órfãos no Brasil. Do contrário, a editora Panini não teria publicado três encadernados da coleção "Os Maiores Clássicos" com trabalhos dele dos anos 80 (dois do Quarteto e um dos Vingadores).
 
O último álbum, justamente o da Tropa Alfa, começou a ser vendido neste início de mês (R$ 26,90). Para quem gosta da série ou de Byrne, foi uma espera de meses. A editora adiou mais de uma vez o lançamento.
 
A edição traz as primeiras aparições do grupo, do fim da década de 70. Foi como coadjuvantes dos X-Men, na época também desenhados por Byrne. Coube a ele a tarefa de fixar num título próprio a superequipe, que foi montada e custeada pelo governo do Canadá.
 
O desenhista já gozava de popularidade a essa altura e era uma das estrelas da Marvel. Isso certamente influenciou na estética de Tropa Alfa, um dos interesses da obra. Com heróis pouco conhecidos e com um status profissional em alta, Byrne inovou -e a fama permitia inovar- tanto no conteúdo quanto na forma.
 
No conteúdo. Fez histórias mais introspectivas, cadenceando a narrativa com tramas mais curtas, contando a origem dos integrantes do grupo.
 
Na forma. Ele não só desenha como também cria no ato de desenhar. Um exemplo é uma seqüência de luta numa nevasca. Byrne deixa todos os quadrinhos em branco durante sete páginas. A ação é conduzida por meio de balões, legendas e onomatopéias.
 
O álbum reedita as primeiras aparições da equipe no título dos X-Men (em 1978 e 1979) e traz as seis edições iniciais da revista própria do grupo. É material de um Byrne inspirado. E um ensaio criativo do que faria com Mulher-Hulk, um de seus trabalhos mais inovadores.
  
Leia mais sobre Tropa Alfa na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h23
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Duas perguntas e duas respostas sobre Tropa Alfa

(continuação da postagem anterior)
 
Entrevista: Fernando Lopes, editor das revistas da Marvel no Brasil
 
Blog dos Quadrinhos - Gostaria de saber se há um segundo número de Tropa Alfa em vista e uma previsão (aproximada) de lançamento.
Fernando Lopes - Nossa intenção é republicar toda a fase do Byrne no título, mas vai depender do retorno nas bancas. Se for bem, acho que poderemos ter outro volume no próximo ano.

Blog - O lançamento desta edição de Tropa Alfa foi adiado várias vezes. Qual foi o motivo do atraso?
Lopes -
O que geralmente ocorre: problemas com os arquivos. Recebemos um deles em preto-e-branco e demorou pra vir o correto. Convém destacar que, quando planejamos esse lançamento, nem a Marvel tinha anunciado republicar esse material. Creio que resolveram relançá-lo este ano porque solicitamos a digitalização/recolorização dessas edições.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h21
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História em quadrinhos ressuscita deputado Ulysses Guimarães

 
 
 
 
Na HQ, feita por Eduardo Filipe, o político do PMDB volta como um morto-vivo (seqüência ao lado)
 
 
 
 
 
Uma história em quadrinhos trouxe de volta à vida o deputado federal Ulysses Guimarães, morto em um acidente de helicóptero em 1992. A "ressureição" ocorreu na edição deste mês da revista "Piauí" (Alvinegra, R$ 7,90).
 
O político do PMDB aparece em três quadrinhos da história "A Volta dos que Não Foram", escrita e desenhada por Eduardo Filipe. Ulysses Guimarães retorna como um morto-vivo, saído do mar (onde ocorreu o acidente que o matou).
 
A trama, de cinco páginas, mostra uma invasão de zumbis no Rio de Janeiro. Temidos de início, eles passam a ser aceitos porque conseguem ressuscitar pessoas falecidas. No fim da história, há também referência a políticos da atualidade.
 
Ulysses Guimarães teve atuação importante no processo de redemocratização do país. Foi um dos organizadores das Diretas-Já, na primeira metade dos anos 80, e presidiu a Assembléia Constituinte de 1988. No ano seguinte, concorreu à Presidência da República.
 
Em 12 de outubro de 1992, o helicóptero que o levava de Angra dos Reis para São Paulo caiu em alto-mar. Todos os tripulantes morreram (ele e a mulher Mora, o senador Severo Gomes e a esposa).
 
O único corpo que não encontrado foi o de Ulysses Guimarães. Ele estava com 76 anos.
 
Post postagem: o site Gibizada, de Telio Navega, traz uma boa entrevista com Eduardo Filipe, o autor da história. Para ler, clique aqui

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h28
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08/05/2007

Panini suspende publicação de Grandes Astros Batman & Robin

A editora Panini suspendeu a publicação de "Grandes Astros DC: Batman & Robin", revista que estreou em janeiro deste ano. O motivo são os atrasos do título nos Estados Unidos.
 
A informação consta na página virtual da editora (na lista de lançamentos de maio) e foi noticiada nesta terça-feira pelos sites HQManiacs e Omelete, especializados em quadrinhos e cultura pop.
 
O último número da série, o quinto, ainda não saiu nos Estados Unidos. Por isso, a versão nacional pára na edição quatro, de abril, ainda não lançada.
 
O título é escrito por Frank Miller e desenhado por Jim Lee. Os atrasos já existiam antes do lançamento da revista no Brasil.
 
O Blog ouviu a editora sobre o assunto. As respostas, enviadas por e-mail, são do editor das revistas da DC no Brasil, Levi Trindade:
 
Blog dos Quadrinhos - Pelo que li no site da DC, a série está no número cinco, que sai agora em maio [nos Estados Unidos]. O sexto ainda não saiu. Confere?
Levi Trindade - Apesar de anunciada pela DC, ainda não saiu a edição cinco e só Deus sabe quando saem as próximas.
 
Blog - A série estava atrasada antes do lançamento aqui no Brasil. Não seria o caso de adiar a publicação, já que esse problema estava em vista?
Trindade - Como os atrasos lá fora não param de acontecer, daremos um tempo indeterminado na publicação por aqui.
 
Blog - Há alguma previsão de quando o título volta a ser publicado?
TrindadeAinda não.
 
Blog - Isso afeta -ou vai afetar- o outo título mensal da linha Grandes Astros DC, Superman [o quinto número foi anunciado para este mês]?
Trindade - Temos os arquivos até a edição cinco de Grandes Astros Superman. Estamos no aguardo dos próximos.
 
Leia mais sobre a série aqui e aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h03
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Exposição sobre vida na Alemanha vai para o RJ

A exposição "Reisetagebuch - Uma Viagem Ilustrada pela Alemanha", de José Aguiar, estréia em Niterói nesta quarta. Até fevereiro, estava em Curitiba, terra natal do desenhista.
 
As ilustrações mostram a passagem de Aguiar pela cidade alemã de Leipzig, onde morou com a esposa. Lá, ele produziu um caderno de esboços (tradução de "Reisetagebuch") com cenas da vida na Alemanha.
 
A mostra terá também desenhos dele produzidos na França. Por isso, os organizadores chamaram a reunião de trabalhos de "Viajando em Quadrinhos pela França e Alemanha" (cartaz ao lado).
 
Na abertura, nesta quarta-feira, José Aguiar faz mais um lançamento do álbum "Folheteen", lançado em janeiro deste ano (leia mais aqui).
 
A sessão de autógrafos começa às 18h.
 
A exposição pode ser vista no Centro Cultural França Alemanha, em Niterói, Rio de Janeiro (Estrada Francisco da Cruz Nunes, 6.266, no Oásis Shopping Center. De segunda a sexta-feira, das 13h às 21h. Aos sábados, das 8h às 12h. A entrada é franca.
 
Leia mais sobre a passagem da exposição por Curitiba. Clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h07
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07/05/2007

Livro reúne cartuns de Reinaldo, do Casseta & Planeta

Talvez alguém estranhe ao ler que um dos integrantes da trupe do Casseta & Planeta, da TV Globo, é o autor de uma coletânea de cartuns. Não estranhe. Antes de se tornar ator, Reinaldo fez desenhos para uma série de publicações de humor, a maioria carioca.

Parte desse material foi reunida nas 130 páginas de "Desenhos de Humor" (Desiderata, R$29,90), livro lançado neste começo de mês.

A edição traz trabalhos dele feitos para a "Casseta & Planeta", "Bundas", "Chiclete com Banana" e, principalmente, "Pasquim", jornal alternativo que circulou durante o período da ditadura militar brasileira (1964-1985).

Foi no "Pasquim" que Reinaldo publicou o primeiro cartum, em 1974. Ficou no jornal até 1985.

O cartunista Jaguar –que também atuou no “Pasquim”- diz na introdução do livro que Reinaldo já começou pronto, "sem copiar o estilo de ninguém". Bondade do velho cartunista. Na verdade, Reinaldo bebe de outras influências, inclusive do traço do próprio Jaguar.

É um estilo de desenho simples, mas sem perder o tom crítico, muitas vezes inserido nos detalhes.

Um caso: numa conversa entre dois políticos, que deveria ser o foco da história, vê-se que as mãos de ambos estão completamente sujas. Desnecessário dizer por quê.

Mais um caso: um representante dos países desenvolvidos fala com pessoas de nações pobres do alto de um penhasco. Metáfora sugerida: há um abismo entre pobres e ricos.

Reinaldo já ensaiava nessa época também os primeiros passos como ator. Ou as primeiras imagens. Ele protagonizava algumas das fotonovelas feitas no jornal alternativo, como na seqüência ao lado. O livro traz uma dessas histórias.

Do "Pasquim", Reinaldo integrou a equipe do "Planeta Diário", com Cláudio Paiva e Hubert. Só em 1988 é que se uniu ao grupo de outra publicação de humor, o "Casseta Popular".

Da união, surgiu o Casseta & Planeta. A ida para a TV colocou o cartum em segundo plano.

“Desenhos de Humor” é a terceira obra da Desiderata com trabalhos do “Pasquim”. Em 2006, a editora lançou um livro com os primeiros números do jornal alternativo. No começo deste ano, publicou outra obra, só com textos do escritor Ivan Lessa feitos para a coluna “Gip! Gip! Nheco! Nheco!” (leia mais aqui).

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Escrito por PAULO RAMOS às 10h07
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06/05/2007

Jornal publica histórias reais de amor em quadrinhos

Era uma vez um leitor de jornal que encontrou finalmente a pessoa amada. Ele achou sua história de amor tão, mas tão legal que resolveu compartilhá-la com mais gente. Mandou uma descrição do que aconteceu para o jornal que lia e pronto: eis que seu relato apaixonado saiu publicado na forma de uma história... em quadrinhos.
 
Relatos assim, sobre relacionamentos reais, são publicados a cada quinze dias no jornal "Diário da Região", de São José do Rio Preto, cidade a 440 km de São Paulo. Já saíram cinco, o último neste fim de semana (história ao lado).
 
A coluna é fixa. Parte dela é em palavras, parte em desenhos. A versão escrita da história é feita pelo jornalista Raul Marques. A versão em quadrinhos é do cartunista Walmir Américo Orlandeli -ou só Orlandeli, como é mais conhecido.
 
"O Raul recebe as cartas e seleciona as histórias que possuem um ingrediente especial, que renda uma boa história", diz o desenhista de 32 anos (faz 33 no fim de maio).
 
"Ele visita o casal e escreve a matéria. Eu leio o material e faço a minha versão em quadrinhos."
 
Orlandeli conta que, inicialmente, foi chamado apenas para ilustrar a coluna. "Quando li o material, pensei ´Putz, isso dá uma HQ´. Então sugeri em vez das ilustrações, fazer a história em quadrinhos."
 
Orlandeli e Raul já pensam em, futuramente, reunir os relatos de amor em livro.
 
Na postagem a seguir, Orlandeli comenta como tem sido a recepção das histórias e a quantas anda outra idéia, a de publicar um álbum com tiras de Grump, uma de suas criações.
 
A conversa foi por e-mail. O bate-papo virtual, por incrível que pareça, foi mais rápido que o telefônico. Os horários do blogueiro e do cartunista simplesmente não coincidem.

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Escrito por PAULO RAMOS às 12h46
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Jornal publica histórias reais de amor em quadrinhos (parte 2)

(Continuação da postagem anterior)
 
Blog dos Quadrinhos - Qual tem sido a recepção? Alguma pessoa representada chegou a reclamar do que viu?
Orlandeli - A recepção tem sido muito boa. Até agora não sei de nenhuma reclamação, muito pelo contrário. Teve uma vez que fui ao shopping e, ao estacionar a moto, tem um cara que anota a placa. Enquanto ele anotava, olhei o dito e perguntei: ´Ei, seu nome é Juvenir?´. Ele abriu um sorrisão e disse que sim. Juvenir foi um dos protagonistas da segunda história (imagem ao lado). Disse que, depois que a coluna saiu, muita gente o reconhecia na rua. Quando falei que fui eu quem fez os quadrinhos, ele ficou todo contente. Tava até com a página do jornal guardada na guarita (para ler a história completa, clique aqui).
 
Blog - Quais os cuidados que você toma na composição da história? Tem de deixar de lado muita coisa?
Orlandeli - Uma coisa importante é não esquecer que a história é verídica e que o casal se propôs a dividi-la com os outros leitores do jornal. Minha preocupação é fazer algo agradável não apenas para os leitores mas também para os protagonistas. Quando desenvolvo o roteiro procuro fazer duas coisas. Uma é anotar as principais passagens da história. Fatos concretos, que dão o tom verídico da narrativa. Outra é tentar achar um "gancho" para amarrar esses fatos. Algo mais subliminar, que faça parte da história real, mas que possibilite ser contada com certa licença poética, criando situações fictícias. Por exemplo: na primeira, o gancho é "Euriarcil à procura de alguém para dar seu coração". Na história toda, aparece um personagem em forma de coração ao lado da Euriarcil, participando ativamente da busca ao tal pretendente. Em outra história, falo do "acaso", para contar a história do Juvenir e Maria José.
 
Blog - E os trovadores? Um é você?
Orlandeli - Isso. Um sou eu e o outro é o Raul Marques [responsável pela coluna]. O Raul é o que canta e conta a história. Eu fico só fazendo firula.
 
Blog - Foram inspirados no filme "Quem vai ficar com Mary"?
Orlandeli - "Quem vai ficar com Mary" tinha uma coisa assim, no meio da história aparecia os dois carinhas e cantavam o que tava acontecendo. Achei perfeito. Outra influência gritante são as histórias do "Groo, o Errante", personagem do Sérgio Aragonês. Nas histórias, também aparecia um trovador como narrador.
 
Blog - Há quase um ano, você firmou um acordo com a Intercontinental Press para circular as tiras de Grump no exterior (leia mais aqui). Qual o saldo desse acordo? 
Orlandeli - Cara, publicação de tiras no Brasil é mesmo um problema. Depois de um ano o Grump continua saindo apenas em dois jornais. No "Diário da Região" e "Folha da Região" [jornais do interior de São Paulo]. Enviei material em espanhol para a Intercontinental, mas até agora não tive nenhum retorno positivo.
 
Blog - Na ocasião, você comentou que iria publicar um livro com tiras de Grump. A idéia continua em pé? Se sim, quando sai?
Orlandeli - A idéia continua de pé. Por conta de alguns compromissos, tive de deixar o projeto de lado por um tempo, mas pretendo retomá-lo ainda este ano. O material já está selecionado. Espero em breve dar novas e boas notícias sobre o livro.

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Escrito por PAULO RAMOS às 12h43
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05/05/2007

Coleção reedita histórias que inspiraram Homem-Aranha 3

A ida de um personagem dos quadrinhos para o cinema tem um efeito bumerangue. O herói sai das páginas da revista direto para a telona. Ganha mídia e repercussão. E lança os olhares de muita gente de volta para os quadrinhos. As editoras capitalizam relançando o que puderem.

Foi o que aconteceu com Homem-Aranha, um dos maiores faturamentos da editora norte-americana Marvel Comics. O terceiro longa-metragem do super-herói, que estreou nesta sexta-feira, levou a editora Panini –que publica o personagem no Brasil- a lançar uma coleção com alguns dos momentos mais marcantes da história do personagem.

A "Coleção O Homem-Aranha – Grandes Desafios" (Panini, R$14,90) chegou às bancas no mesmo dia em que o filme estreava nos cinemas. Não por coincidência, o primeiro número aborda o surgimento de Venom, um dos vilões do longa.

"O Ataque de Venom" tem 148 páginas e mostra as primeiras brigas do vilão com o Homem-Aranha, ocorridas entre 1988 e 1990 na revista do herói nos Estados Unidos. No Brasil, as histórias foram publicadas pela Editora Abril.

Venom é uma forma alienígena negra que se mescla ao corpo de um ser humano. Inicialmente, incorporou em Peter Parker, alter-ego do Homem-Aranha, que "usava" o ser como uniforme (abandonou depois que descobriu do se tratava). O vilão passou, então, a se fundir com o ex-fotógrafo Eddie Brock, que nutre um ódio mortal pelo super-herói.

Quem é marinheiro de primeira viagem, não vai ter dificuldade para entender a história. A edição foi pensada para servir de cartão de visitas para o público não iniciado em quadrinhos. Apresenta notas e textos explicativos.

Para quem já leu as histórias, tem agora a oportunidade de ver, numa edição só e no formato original, as primeiras edições feitas por Todd McFarlane. O desenhista ficou conhecido e ganhou renome por causa do trabalho em Homem-Aranha. No começo dos anos 90, abandonou o herói para criar Spawn na Image Comics, editora que organizou com outros artistas saídos da Marvel.

A Panini vai lançar mais cinco volumes de "Coleção Homem-Aranha – Grandes Desafios", também pautados em histórias usadas como base para o terceiro longa-metragem. Este número de estréia traz uma reprodução da primeira vez que o herói mostra o uniforme negro ao mundo (na edição de maio de 1984 da revista norte-americana).

O contato com o ser alienígena se deu na minissérie "Guerras Secretas", publicada em 12 edições pela Editora Abril entre agosto de 1986 e janeiro de 1987. O uniforme negro apareceu na edição oito (capa ao lado), quando o Homem-Aranha usou uma máquina para reconstruir seu antigo uniforme, rasgado.

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Escrito por PAULO RAMOS às 11h15
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04/05/2007

Novo livro de bolso de Snoopy

Começou a ser vendido neste início de mês o segundo livro de bolso com tiras de Snoopy, personagem criado em 1950 por Charles M Schulz.
 
"Snoopy - Feliz Dia dos Namorados" (L&PM, R$ 9,50) tem 128 páginas e segue a proposta da editora gaúcha de reeditar parte do acervo de Charlie Brown e sua turma.
 
A L&PM programou pelo menos mais três volumes. O primeiro foi lançado em janeiro deste ano (leia aqui).
 
A tira foi publicada durante cinco décadas e se tornou uma promissora fraquia.
 
A última história foi publicada em 2000, com um agradecimento de Schulz aos leitores. O desenhista morreu pouco depois.

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h50
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Nos quadrinhos, quem morre reaparece em 7,15% das vezes

Os super-heróis são conhecidos por fazer façanhas. Uma delas é a de ressuscitar depois de um tempo de sumiço. Mas é uma proeza que nem todos conseguem. Os personagens voltam da morte em 7,15% das vezes.

O número é de um levantamento feito pelo jornalista Marcelo Soares. Ele tomou como base informações do extinto site "Books of Morbidity" (Livros da Morbidez), que registrava mortes de personagens ligados ao universo dos super-heróis. A última atualização foi em 2006.

Soares é um profundo conhecedor do assunto. O jornalista gaúcho traduz algumas das histórias de heróis publicadas pela editora Panini (entre elas, a do aventureiro cego Demolidor). É um "hobby remunerado", como gosta de definir. Paralelamente, é coordenador de banco de dados da organização Transparência Brasil.

O Blog pediu a Soares se poderia sintetizar a pesquisa.

Convite gentilmente aceito, segue o texto:

A morte, nos quadrinhos de heróis, é uma porta giratória. Super-Homem, Arqueiro Verde, Mulher-Maravilha, Supermoça, Elektra, Duende Verde, Colossus, Lanterna Verde, o segundo Robin e até a tia do Homem-Aranha já morreram e voltaram.

Vários fãs já começaram a contagem regressiva para a volta do Capitão América, assassinado há pouco mais de um mês [ao lado].

Em gibi, quem é morto sempre aparece.

Mas qual é a freqüência disso?

A confiar num levantamento eletrônico feito a partir do extinto site "Books of Morbidity" (Livros da Morbidez), o assassinato e ressurreição de personagens, usado à farta como recurso para alavancar vendas de histórias em quadrinhos especialmente desde os anos 90, é menos comum do que parece -mas ainda assim comum o suficiente para dar margem a piadas.

Quem morre nos gibis da DC ("lar" de Super-Homem e Batman) e da Marvel (que publica Homem-Aranha, Capitão América e X-Men) só volta em 7,15% das vezes.

Estão aumentando as voltas de personagens mortos: em 2005, quando o levantamento foi feito pela primeira vez, as ressurreições ocorriam em 5,3% das mortes de personagens.

Em 2006, quando da mais recente atualização do site, a seção da Marvel contabilizava 1.989 mortes (média de 44 para cada um dos então 45 anos de existência da editora). A da DC contava 2.041 mortes - ou 30 para cada ano de história da editora entre 1938 e 2006.

Vale notar a variação na quantidade de mortes registradas pelo site: em 2005, a Marvel já teria assassinado 1.799 personagens, enquanto a DC teria dado cabo de 1.938 deles.

O grande salto da DC é explicável pela inclusão dos chacinados em séries recentes, como "Crise Infinita" - atualmente em publicação no Brasil. Ao menos 52 personagens foram dados como mortos nas séries conexas, segundo o "Books of Morbidity". O levantamento relativo à Marvel não inclui algumas séries recentes, como "Dinastia M".

(Continua na postagem abaixo).

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Escrito por PAULO RAMOS às 08h54
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Nos quadrinhos, quem morre reaparece em 7,15% das vezes (parte 2)

(Continuação do texto da postagem anterior, escrito pelo jornalista Marcelo Soares)

Acompanhando os comentários feitos após cada registro, é possível ter uma idéia de como os personagens ressuscitam. Geralmente, esses registros explicam por que um personagem foi visto entre os vivos após sua morte.

Na DC, 187 mortos trazem comentários. Na Marvel, são 101. Em termos relativos, a editora do Super-Homem também está na frente: 9,16% dos personagens mortos têm algum tipo de ressalva. Na turma do Aranha, são 5,08%. Também no quesito ressurreição a DC deu um salto: em 2005, 4,11% dos mortos voltavam.

Na Marvel, a revista em que mais houve mortes foi a primeira série do Capitão América, que durou de 1968 a 1996: 93 personagens morreram. Se contar todas as mudanças de nome e séries diversas, o título recordista é o dos Vingadores: 153 personagens morreram lá.

Na DC, o título mais assassino é Detective Comics - a primeira revista da editora, em cujo número 39 surgiu o Batman. O "Books of Morbidity" registra 60 mortes no título. Logo depois vem Hitman, com 54 mortes (o título teve apenas 60 números).

Considerando todos os mortos e ressurreições das duas editoras, é possível dizer que 7,15% dos personagens que morrem acabam voltando.

Algumas mortes costumam se repetir. Um dos grandes eventos dos quadrinhos, neste ano, foi o assassinato do Capitão América. Segundo o site, porém, Steve Rogers já havia morrido no Massacre Marvel, mas voltou a partir do universo alternativo de Heróis Renascem. Outros dois ex-Capitães América também já morreram.

Não se sabe se e quando o Capitão deve voltar. Mas não será por falta de precedentes que ele terá morrido de vez. Ed Brubaker, o autor da história da morte, já disse ter planejado os próximos dois anos de tramas do Capitão.

Poucos mortos do mundo real podem se dar a esse luxo.

O que não se conclui.

O levantamento não leva em conta a importância dos personagens. Mas certamente há diferenças de proporção entre voltas de personagens principais e de personagens secundários. Entre heróis e vilões, também deve haver.

Outra análise interessante, mas que demandaria muito tempo, seria associar a morte ao ano da história. É senso comum que o ritmo aumentou nos anos 90, mas seria necessário incluir nessa planilha o ano de cada morte para saber o quanto.

Para acessar o site "Books of Morbidity", clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 08h53
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03/05/2007

Usagi Yojimbo: uma leitura mais leve das histórias de samurai

Histórias de samurai em geral são densas e introspectivas. Vide "Lobo Solítário", da Panini, que está a um número do desfecho. "Usagi Yojimbo - Sombras da Morte", álbum que começa a ser vendido nesta semana (Devir, R$ 32), foge do rótulo. A preocupação é mais divertir do que fazer pensar.
 
A leitura mais leve tem uma vantagem em relação às demais histórias do gênero, surgido no Japão. Consegue ampliar o público, atingindo também o juvenil. A proposta do autor da história, Stan Sakai, parece ser exatamente essa.
 
Prova disso é que, logo na primeira história, o coelho-samurai se encontra com as Tartarugas Ninja, personagens que têm forte apelo junto ao público mais jovem e que estarão em um álbum lançado pela Devir (leia aqui).
 
Uma viagem no tempo meio zen permite o encontro (as histórias de Yojimbo se passam no fim do século 16). Juntos, Yojimbo e Tartarugas têm de enfrentar um clã de ninjas num fictício Japão feudal, em que todos os habitantes são animais.
 
O álbum é um bom ponto de partida para quem nunca leu a série. A edição inicia do momento em que a publicação norte-americana tinha voltado ao número um.
 
As primeiras histórias, da segunda metade dos anos 80, já tinham sido publicadas no Brasil. As aventuras foram reunidas em três álbuns da editora Via Lettera, lançados em 1999 e 2000.
 
Uma curiosidade. A Devir pediu à editora de Stan Sakai que ele fizesse um texto introdutório para a edição brasileira. No lugar, Sakai fez uma arte de página inteira especialmente para o álbum.

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Escrito por PAULO RAMOS às 14h39
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02/05/2007

Um Dia Uma Morte: primeiro álbum nacional da Graffiti

O grupo mineiro que há 12 anos edita a revista independente "Graffiti 76% Quadrinhos" parte para uma nova etapa: a produção de álbuns nacionais. O primeiro, "Um Dia Uma Morte" (R$ 20), vai ser lançado nesta quinta-feira em Belo Horizonte (MG).
 
A obra apresenta uma história fechada, de 88 páginas. Foi desenhada por Piero Bagnariol, um italiano que há 15 anos adotou Minas Gerais como morada, e escrita por Fabiano Barroso. Ambos integram o conselho editorial da Graffiti.
 
Barroso -um artista plástico de 29 anos que mora em Belo Horizonte- diz que procurou dar um contexto mais moderno ao tema da busca por um tesouro, um dos vários rótulos da literatura.
 
"É uma história passada numa favela", diz o artista plástico, por telefone.
 
"São quatro amigos. Eles descobrem um mapa, que consideram ser um mapa do tesouro. Tudo acontece num dia, mas tem flashbacks sobre a vida dos personagens para que os leitores se situem sobre eles."
 
A modernização esbarra em outro rótulo literário: o dos fantasmas. Luís, um dos quatro jovens da trama, vê e conversa com pessoas mortas, entre elas, o pai e seu assassino. Os dois funcionam como conselheiros do garoto, que é tido como "louco" pelos demais moradores. "É um personagem mais instrospectivo", diz Barroso.
 
"Um Dia Uma Morte" levou um ano e meio para ficar pronto e vai ser pago com verba de incentivo à cultura da prefeitura de Belo Horizonte. O dinheiro vai bancar também o 16º número da "Graffiti 76% Quadrinhos" e mais dois álbuns nacionais, um produzido pelo desenhista Melado e outro, por Eloar Guazzelli.
 
O de Guazzelli -um dos colaboradores da revista independente- terá duas histórias longas inéditas. "Estamos tentando um dinheiro extra. Queremos colocar também uma coletânea de trabalhos dele para a Graffiti", diz Rafael Soares, outro editor do grupo mineiro. O de Melado deve seguir o mesmo molde.
 
Soares espera receber a versão final dos autores até o fim de maio. As três publicações, espera, saem até outubro deste ano.
 
O lançamento de "Um Dia Uma Morte" é nesta quinta-feira na Livraria Quixote, rua Fernandes Tourinho, 274, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Começa às 19h. O grupo vende a obra também por e-mail. Para entrar no site da Graffiti, que tem uma prévia do álbum, clique aqui.
 
Crédito: tomo emprestada do site "Universo HQ" a imagem que ilustra a postagem.

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h27
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Mais um livro de bolso com histórias da Chiclete com Banana

Começa a ser vendido neste início de mês o segundo livro de bolso com histórias da extinta revista "Chiclete com Banana", do cartunista Angeli.
 
O conteúdo de "E Agora São Cinzas" (L&PM, R$ 9) é da segunda metade dos anos 80. Traz desenhos e textos feitos por Angeli para a "Chiclete", revista que estreou em outubro de 1985.
 
A edição tem 104 páginas e completa a coletânea iniciada no volume anterior, "Os Broncos Também Amam", lançado em  fevereiro (leia aqui).
 
"E Agora São Cinzas" -que tinha sido programado inicialmente para março- é o quarto livro de bolso da L&PM com reedições de Angeli.
 
Além dos dois números da coletânea, a editora gaúcha publicou histórias de Rê Bordosa e, no mês passado, "Walter Ego - O Mais Walter dos Walters", com tiras de vários personagens do cartunista (leia mais aqui).

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Escrito por PAULO RAMOS às 00h28
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01/05/2007

Pixel Magazine traz 4 histórias de Warren Ellis

Quem curte o trabalho de Warren Ellis vai gostar do número de estréia de "Pixel Magazine", revista que começou a ser vendida neste feriadão (Pixel, R$ 9,90). Das cinco histórias da publicação mensal, quatro são escritas pelo roteirista inglês.

"Foi uma coincidência", diz por telefone o editor-chefe da Pixel, Odair Braz Junior. "A gente tinha programado outros autores: Neil Gaiman, Alan Moore e Warren Ellis. Mas a DC não mandou os arquivos digitais a tempo."

O jeito foi editar com o que havia à mão, ou seja, material de Ellis. O escritor assina Freqüência Global, Planetary (criadas por ele), uma aventura solo de Hellblazer e um especial de Authority.

As histórias partem de um ponto que não exige conhecimento prévio das séries, antes editadas pela Devir (com exceção de Freqüência Global).

Até Planetary, que já teve 12 histórias publicadas no Brasil, tem uma história que pode ser perfeitamente compreendida. A série continua da edição 13 da revista norte-americana, ponto de onde a Devir parou (o último encadernado da Devir saiu em março de 2006).

A proposta da revista é essa mesma: servir de cartão de visitas para séries dos selos Vertigo, Wildstorm e ABC, ligados à editora DC Comics. Há textos introdutórios, que explicam do que se trata cada história e relembram onde a série foi publicada no Brasil.

Num segundo momento, a idéia da Pixel é reeditar parte do material em edições encadernadas (leia mais aqui).

Planetary volta no próximo número, segundo a editora. Hellblazer também. As outras duas histórias serão de Morte e de Sandman: Máscara do Mistério.

A seleção das séries e o número de páginas, cem, lembra muito a extinta revista "Vertigo", da editora Abril, publicada entre março de 1995 e fevereiro de 1996. A publicação mensal também tinha histórias de Hellblazer, Sandman: Máscara do Mistério e outros títulos do selo Vertigo. Durou 12 edições.

Em tempo: a quinta história deste número de "Pixel Magazine" é de Alan Moore. É uma seqüência de seis páginas do título "Tomorrow Stories", do selo ABC, que tem somente séries escritas por Moore. Uma curiosidade: o Menino Amarelo, tido como marco da criação dos quadrinhos no fim do século 19, faz um ponta em três quadrinhos.

Leia sobre outros lançamentos da Pixel aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 09h25
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