31/01/2007

Morre autor de "O Fotógrafo"

O autor das imagens da série "O Fotógrafo - Uma História do Afeganistão", Didier Lefèvre, morreu na noite de segunda para terça-feira. Segundo o jornal francês "Le Monde", ele estava em casa, na França, quando sofreu um ataque cardíaco.
 
No último fim de semana, Lefèvre foi um dos ganhadores do Salão Internacional de Quadrinhos de Angoulême, na França. Venceu pelo terceiro volume de "O Fotógrafo", feito em parceria com Emmanuel Guibert e Frédéric Lemercier.
 
Lefèvre estava com 49 anos. Começou a trabalhar como fotógrafo em 1984. Dois anos depois, acompanhou o grupo dos Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão. A experiência foi contada num álbum inovador, um livro-reportagem que mescla fotos com quadrinhos desenhados.
 
O primeiro volume de "O Fotógrafo - Uma História do Afeganistão" foi lançado no Brasil em novembro do ano passado, pela Conrad (leia mais na postagem de 8 de novembro). A editora pretende lançar o próximo volume no segundo semestre.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h20
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Pop Balões: um ano no ar

A área de quadrinhos tem vários casos como o de Zé Oliboni e Diego Figueira. Por puro amor à causa, criam um site para divulgar e discutir o tema. No caso deles, o esforço já dura um ano, completado nesta quarta-feira. 
 
O Pop Balões é uma página virtual que mistura textos (acadêmicos, inclusive) e histórias em quadrinhos. Já há 25 disponíveis e 13 coletâneas de charges e cartuns. Tudo pode ser lido de graça.
 
"Assim, a gente não é exatamente um site para publicar quadrinhos, mas, sim, um ambiente com um público cativo, que sempre vem ler os textos e, com certeza, vai ler os quadrinhos que a gente colocar também", diz por e-mail Zé Oliboni, que divide o tempo entre o site e o curso de matemática da USP (Universidade de São Paulo).
 
Não são eles que procuram os autores das histórias. É exatamente o contrário. "Volta e meia temos algumas surpresas, como foi a história ´Censurado´, dos mesmos autores de ´Gringo´ [Wilson Vieira e Aloísio de Castro]."
 
Zé Oliboni e Diego Figueira (que faz mestrado em Lingüística na Universidade Federal de São Carlos) atualizam o Pop Balões duas vezes por semana, sempre às quartas e sábados. Para este ano, eles esperam continuar com a política de incluir uma nova história a cada semana.
 
"Tenho umas três ou quatro na fila", diz Oliboni. "O que virá este ano depende do que os artistas mandarem."

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h11
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Adolf, de Osamu Tezuka, chega ao fim

Começa a ser vendido nesta semana o quinto volume de "Adolf" (Conrad, R$ 27,90). A edição encerra uma das séries mais autorais de Osamu Tezuka (1928-1989), considerado o pai dos quadrinhos japoneses.
 
Este último volume mostra o desfecho da história de três pessoas chamadas Adolf, que vivem de maneiras diferentes a ascensão do nazismo e a Segunda Guerra Mundial. O fim de Hitler, um dos Adolfs da trama, já é conhecido. A novidade é saber o destino dos outros dois.
 
Adolf Kamil e Adolf Kaufmann eram amigos no começo da série (o volume inicial foi lançado em maio do ano passado). Agora, vivem uma cisão na amizade. Amam a mesma mulher e enfrentam uma incompatibilidade política: o primeiro é judeu; o segundo, fiel servidor no nazismo.
 
O desfecho da trajetória de ambos se dá no início e no fim deste quinto volume. Os capítulos intermediários centram o foco em Sohei Toge, o narrador da história. Fica explicado, enfim, por que ele começou a fazer o relato sobre a trajetória dos Adolfs.
 
A exemplo dos demais números da série, Osamu Tezuka prende a atenção do leitor. É como se fosse um exercício de criação, de alguém que já não precisava provar mais nada à indústria japonesa de quadrinhos. Mas a narrativa peca em ao menos um ponto: os dois capítulos finais.
 
O próprio Tezuka admite, num texto ao final da edição, que o desfecho não ficou o ideal. Ele teve de enxugar a história. O jeito que encontrou foi dar grandes saltos no tempo. A ação passa abruptamente do fim da Segunda Guerra para 1973. Depois, pula para 1983.
 
As mudanças de tempo deixaram de lado muitas características da evolução dos personagens centrais (os secundários ficaram praticamente esquecidos). E arrasta um desfecho já definido páginas antes. Mas é, de longe, melhor do que muitos mangás lançados atualmente.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h00
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30/01/2007

Divulgados os vencedores da maratona de HQ de Recife

A comissão julgadora do "Recife 12 Horas de HQ" divulgou os vencedores do desafio, realizado no último sábado. A proposta era que os inscritos produzissem uma história em quadrinhos completa, do roteiro às letras, com 12 páginas e num prazo de 12 horas. Os temas foram sorteados na hora (tempo, um mundo sem verde, a invenção do século).
 
Dos 17 inscritos, 12 foram selecionados e apenas oito fizeram as histórias no prazo estipulado. Foram premiados quatro trabalhos (um a mais do que o previsto inicialmente).
 
O primeiro lugar ficou Thony Silas Dias de Aguiar. Os demais com José Carlos Braga Câmara (2º lugar), José Henrique Pereira (3º) e Anderson Carlo Lucena Costa (4º), que produziu a história em seis horas. Os quatro terão o material publicado numa edição especial da revista independente Prismarte
 
O evento é uma preparação para o "24 Hours Comic Day", realizado há três anos nos Estados Unidos. A edição de 2007 está marcada para outubro.
 
Leia mais sobre o "Recife 12 Horas de HQ" no blog do evento. Clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h13
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Quadrinho nacional invade a internet

O dia do quadrinho nacional, comemorado hoje, é uma boa data para reavaliar a produção brasileira. Uma mudança é visível: a internet, e não mais o papel, tem sido o principal suporte difusor de histórias e de novos artistas. A tendência ocorre tanto em blogs e fotoblogs individuais como em sites que funcionam como portais de quadrinhos.
 
O "Nona Arte" é um dos mais conhecidos. E premiados. Venceu no ano passado o HQ Mix na categoria melhor site de quadrinhos. Entrou no ar em setembro de 2000 com um par de histórias, com três páginas cada uma. Hoje, tem 450 histórias em quadrinhos disponíveis para download gratuito.
 
"A resposta foi muito melhor do que eu esperava", diz por -e-mail André Diniz, escritor e um dos responsáveis pela página virtual. "Isso me animou a ir colocando novas histórias em quadrinhos. Fora que muitos autores passaram também a oferecer seus trabalhos."
 
Dinis -autor de "Fawcett" (imagem ao lado) e da série "Subversivos"- vê na internet uma espécie de grande janela para os autores nacionais serem mais conhecidos. "Não acho que seja o caminho, mas um caminho é, sem dúvida. É um meio fabuloso de atingirem-se milhares de leitores em potencial, sem investimentos ou com investimentos mínimos."
 
Ele tem um número que dá uma boa idéia do alcance do mundo virtual. As edições impressas de quadrinhos dele tiveram cerca de duas mil cópias e o deixaram no vermelho. "E isso porque venderam bem, ganharam prêmio e tudo o mais", reforça ele, que mora em Petrópolis, no Rio de Janeiro. As mesmas histórias na internet tiveram 50 mil downloads, e a um custo bem mais baixo.
 
Continua na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h15
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Quadrinho nacional invade a internet (parte 2)

Henrique Fonseca Duarte (ou só Henrique FD), fundador do site "Webcomix", tem opinião diferente de André Diniz, do "Nona Arte". Para Henrique, os quadrinhos virtuais são o caminho, e não apenas um caminho.

Ele pensa e atua como administrador de empresas, sua formação profissional (já faz especialização na área). "Eu tenho espírito empreendedor e tenho certeza de que as webcomics podem fazer sucesso aqui no Brasil, como fizeram e fazem internacionalmente", diz ele, que escreve a história "The Legend of the Chaos Box, uma das dez séries do site (imagem ao lado).

"Não se trata apenas de criar um site e jogar revistas em quadrinhos nele. Existe todo um modelo de sucesso criado pelas webcomics internacionais que precisa ser copiado, adaptado, e melhorado, para que você possa ter sucesso também."

Cada um dos artistas fecha um contrato, em que se responsabiliza por produzir três páginas por semana por um perído de um ano. O site mantém 15 pessoas nesse sistema. Mas, nos cinco meses de existência, já foi procurado por mais de 40 artistas.

A procura tão grande já faz os organizadores pensarem em abrigar na página virtual uma área livre, em que a pessoa coloca o trabalho que quiser, sem o compromisso com a regularidade de atualizações.

Henrique FD diz que há mais de cinco anos só lê quadrinhos virtuais, muitos deles norte-americanos. É de lá o parâmetro para o "Webcomix". Segundo ele, há sites nos Estados Unidos que têm muito mais acessos do que as revistas mensais de super-heróis. Seria um fenômeno mundial.

Para ele, o poder da internet ainda é desvalorizado. Erroneamente. "A internet é o meio de mídia do futuro. Basta prestar atenção nos números e nas notícias. O brasileiro é o povo que passa mais tempo em média usando a internet. O brasileiro já passa mais tempo na internet do que vendo TV", diz o administrador de empresas, que tem 29 anos e mora em Belo Horizonte, Minas Gerais.

"Compare isso com os limites de investimento, distribuição e numero de vendas das revistas independentes, e você compreenderá como as webcomics possuem um potencial maior de divulgação, e como seu modelo é mais atraente."

Continua na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h10
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Quadrinho nacional invade a internet (parte 3)

Há um número muito grande de blogs e fotoblogs de artistas nacionais na internet. Descobrir todos é quase impossível. O melhor meio é clicar em um e rastrear por meio das relações de outras páginas virtuais, indicadas em cada blog/fotoblog.

Um bom começo é acessar a lista de endereços virtuais sobre o assunto sediadas no UOL. Neste Dia do Quadrinho Nacional, o site preparou uma relação de páginas sobre quadrinhos mantidos pelo portal, como "Universo Ran", de Salvador (imagem ao lado).

Para acessar a lista, clique aqui.

Em tempo: comemora-se hoje o dia do quadrinho nacional porque marca a publicação da primeira história em quadrinhos brasileira, "As Aventuras de Nhô Quim", que circulou no jornal "Vida Fluminense" no dia 30 de janeiro de 1869.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h08
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29/01/2007

Cartunistas fazem encontro no ABC paulista

Registro rápido. Está marcado para esta terça-feira, Dia do Quadrinho Nacional, o 4º Encontro de Cartunistas do ABC. A reunião não é exclusiva para desenhistas. Qualquer pessoa pode participar.
 
O evento inaugura uma exposição com o tema "Previsões dos cartunistas para 2007" e promove mais um lançamento do livro "Tiras de Letra Todo Dia" (já houve um em dezembro).
 
O encontro ocorre no Fran´s Café de Santo André, cidade vizinha a São Paulo (Av. Portugal, 1126). Começa às 18h.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h53
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Pererê e Jeremias: Ziraldo volta às origens

Ziraldo é um só, claro. Mas tem várias facetas. É escritor, cartunista, quadrinista, empresário, jornalista, palestrante... a lista é longa, assim como a relação de obras criadas por ele. Por isso, não é de estranhar que duas delas sejam lançadas num mesmo mês.

Na verdade, são relançamentos. Trata-se de novas edições de materiais antigos, já publicados pelo artista mineiro, de 75 anos. Ambas começaram a ser vendidas neste fim de mês: "Jeremias, o Bom" (Melhoramentos, R$ 39) e "A Turma do Pererê – 365 Dias na Mata do Fundão" (Globo, R$ 28).

Ziraldo não esconde um carinho especial por Pererê. É uma atenção quase paternal. A figura folclórica foi a primeira revista em quadrinhos que ele lançou no país, em 1960. Além disso, parte dos nomes de personagens vem de amigos de infância do escritor.

O título foi cancelado no início da ditadura militar. Desde então, ele tem feito uma série de retornos à obra, tanto em revista própria como em forma de livro. A última foi pela Salamandra, que editou três volumes de Pererê, projeto que não teve continuidade.

A nova aposta agora é este álbum da Globo, que tenta mostrar 365 dias da vida do personagem. É apenas um pretexto para dar um ar de novidade às histórias já publicadas. São 20 aventuras curtas com a turma da Mata do Fundão.

"Jeremias, o Bom" é talvez um dos melhores trabalhos de Ziraldo ao longo de sua rica carreira. O escritor era particularmente criativo na criação de cartuns, algo que fez à exaustão para o jornal independente "O Pasquim".

Jeremias era uma espécie de contraponto ao "Amigo da Onça", personagem que tinha como característica colocar sempre alguém em maus lençóis. Jeremias era o oposto. Era a bondade em excesso. Ele trocava de roupa com mendigos, não comemorava gol do time do coração na frente dos adversários, aplaudia quando todos vaiavam.

As histórias saíram no "Jornal do Brasil" (de 1965 e 1969) e, depois, na extinta revista "O Cruzeiro". Foi nessa transição que os cartuns começaram a funcionar como charges, usadas contra a ditadura.

Foi aí também o fim das bondades do personagem. "Os editores da velha revista custaram a descobrir as jogadas do Jeremias e, assim que o fizeram, nos mandaram embora de vez", diz Ziraldo na introdução do álbum.

A fase foi registrada num livro, lançado na virada dos anos 60 para 70. Esta nova edição é uma retomada do material antigo, mas com um acréscimo: a inserção das charges censuradas à época. Uma delas em especial, em que Jeremias é morto, é estritamente crítica, desprovida de qualquer humor (está na página 108).

Mas Jeremias, como se vê, sobreviveu. Não era apenas o personagem que era bom. O material também era, de um Ziraldo adulto, às vezes esquecido por causa da produção infantil.

Jeremias inspirou também um bar, inaugurado este mês em São Paulo. Leia mais aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h38
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28/01/2007

Justiça (de Alex Ross) e Sete Soldados vão sair no Brasil

Aos poucos, começam a aparecer as novidades da Panini para a DC em 2007. A editora vai lançar "Justiça", trabalho mais recente de Alex Ross (sobre a Liga da Justiça), e "Sete Soldados", escrita por Grant Morrison e vencedora do prêmio Eisner do ano passado na categoria melhor minissérie.

Ainda não há informação sobre o preço e a forma de publicação dos títulos. A editora colocou apenas anúncios (de página inteira) em "DC Apresenta" (R$, 6,90; capa ao lado), nova revista da DC que começa a ser vendida nesta semana (traz quatro histórias da Poderosa, escritas por Geoff Johns, que servem de prelúdio para "Crise Infinita").

Há outros três anúncios na nova revista bimestral. Dois mostram as séries de Batman e Super-Homem para a linha All-Star, já noticiadas pelo Blog dos Quadrinhos (leia aqui). A terceira imagem apresenta a Tropa dos Lanternas Verdes.

Não foi divulgado como a Tropa será publicada. Na metade de 2006, a Panini cogitou lançar uma revista mensal do Lanterna Verde, atualmente desenhado pelo brasileiro Ivan Reis. A idéia foi abortada, pelo menos naquele momento. Não seria estranho se o projeto tivesse sido retomado.

Os lançamentos reforçam o que tinha dito o presidente da Panini, José Eduardo Severo Martins, quando a editora renovou contrato com a DC. O projeto para este ano, segundo ele, é aumentar o número de títulos mensais e especiais (leia mais aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h19
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27/01/2007

Folheteen: o novo cartão de visitas de José Aguiar

Dizer que uma história é simples e simpática pode parecer pejorativo. Não é o caso. "Folheteen", álbum de José Aguiar lançado nesta semana (Devir, R$ 26), é uma narrativa simples e simpática. Na melhor acepção que as duas palavras têm.

A história conta o que se passa na vida e na mente de Malu. A garota tenta fugir das características de uma adolescente comum, mas, no fundo, no fundo, começa a perceber que seus problemas não são tão incomuns assim. Filha de pais separados, ela quer encontrar amor, respeito e, principalmente, ser compreendida.

Descrever um adolescente não é tarefa das mais fáceis. Há o sério risco de esbarrar nos rótulos e estereótipos. Aguiar contorna os dois, tanto na qualidade do texto quanto na criatividade do traço (o artista plástico é dono de um estilo muito pessoal, a começar pelo expressivo rosto triangular da protagonista). É difícil não criar empatia pela personagem-título.

(Preste atenção nas seqüências dentro do ônibus. No fim da leitura, você vai voltar a elas.)

"Folheteen" (uma brincadeira com a palavra "folhetim") começou como uma tira, publicada em jornais de Curitiba, no Paraná. Mas o álbum veio por outro caminho. A série foi a vencedora do 1º Concurso Internacional de Quadrinhos, promovido em 2005 pelo Senac e pela editora Devir. O prêmio previa a edição da história vencedora. José Aguiar, no entanto, retrabalhou o material e criou uma nova seqüência para compor o álbum.

A ligação do curitibano José Aguiar com os quadrinhos é antiga. Ele contribuiu para uma série de revistas e co-criou o Gralha, uma paródia aos super-heróis. No fim do ano passado, montou uma exposição com ilustrações feitas na Alemanha (pode ser vista até 28 de fevereiro; leia mais aqui).

Ele é daqueles desenhistas que merecem uma janela maior para mostrar seu trabalho. "Folheteen" não poderia ser cartão de visitas melhor.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 14h03
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26/01/2007

Reeditada a primeira desconstrução do Visão

John Byrne tinha uma característica. Não importa o título por onde passava, o escritor e desenhista procurava deixar sua marca. Fazia uma mudança tão radical que, no futuro, os leitores tivessem de fazer referência à história para recontar a interminável cronologia dos super-heróis.

Não foi diferente na fase em que trabalhou com os Vingadores da Costa Oeste, material relançado nesta semana pela editora Panini ("Os Maiores Clássicos dos Vingadores Volume 2"; R$ 26,90).

A mudança radical da vez é sugerida no subtítulo do encadernado: a busca pelo Visão. Byrne reconstrói o andróide vingador, então casado com a Feiticeira Escarlate. "Reconstrói" não é força de expressão. O herói é encontrado completamente desmontado e tem de ser reconstruído. O resultado muda a personalidade e o aspecto visual dele (fica todo branco e sem emoções).

Como se sabe hoje, a mudança não durou por muito tempo. Visão voltou ao que era antes. Mas encontrou pela frente um escritor ainda mais revolucionário e com muito mais carta branca para mudanças do que Byrne: Brian Bendis, que destroçou de vez o andróide na nova fase dos Vingadores. Até que se prove o contrário, morreu.

O álbum reedita as nove primeiras histórias de Byrne à frente dos Vingadores da Costa Oeste, produzidas em 1989 (o material já tinha sido publicado no Brasil pela editora Abril no começo dos anos 90). A edição ganhou nova tradução e é bem cuidada, a exemplo das demais da série "Os Melhores Clássicos". Mas não é o melhor trabalho de Byrne.

Há outros títulos da Marvel feitos por ele que encabeçariam a lista de reedições, como "Mulher-Hulk", um de seus trabalhos mais criativos. Ou Tropa Alfa, anunciada pela Panini para este mês. Se seguir a tendência dos especiais anteriores, sai com atraso. O álbum dos Vingadores, lançado nesta semana, tinha sido prometido para dezembro.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h50
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Battle Royale: violência e crueldade made in mangá

"Battle Royale" é, de longe, um dos quadrinhos mais violentos já publicados no país. O mangá conseguiu agora um segundo rótulo. É também um dos mais cruéis, como mostra uma das seqüências do terceiro número, lançado nesta semana (Conrad, R$ 12,90).

A seqüência está entre as páginas 49 e 102. Evidentemente, a exposição pára por aqui para não estragar a surpresa do leitor. Mas pode-se dizer que segue o estilo de narrativa desenvolvido por Koushun Takami. Ele cria uma situação dramática, que é fragmentada por flashbacks (assim como no seriado "Lost"). Em geral, a cena termina em massacre explícito (do tipo olho furado e pedaços do cérebro voando para tudo quanto é canto).

A violência e a crudelidade ajudaram a tornar a série ao mesmo tempo polêmica e popular. No Brasil, trilha caminho parecido. A revista, que terá 15 volumes, mostra um grupo de estudantes de uma mesma sala que é obrigado a participar de um jogo do governo, chamado "O Programa". Ficam todos confinados numa ilha deserta. O vencedor é aquele que matar todos os outros. Um dispositivo fixado no pescoço de cada um explode a cabeça de quem tentar fugir.

A história foi feita originalmente em livro, em 1999, escrito pelo mesmo Takami. No ano seguinte, ele levou a idéia para os quadrinhos, desenhados por Masayuki Taguchi. A obra gerou duas adaptações para o cinema.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h17
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25/01/2007

Brasileiros disputam prêmio inglês de quadrinhos

O jornalista Marko Ajdaric, do Neorama, fez uma descoberta que merece registro. O site brasileiro HQ Maniacs concorre ao prêmio inglês Eagle Awards na categoria melhor página virtual sobre quadrinhos. Além dele, cinco desenhistas daqui foram incluídos na lista de votação.

Al Rio, Ed Benes, Ivan Reis e Luke Ross (autor da imagem ao lado) concorrem na categoria melhor desenhista. Al Rio também disputa como melhor arte-finalista, junto com Marcelo (Marc) Campos. Todos atuam no mercado norte-americano.

A lista com os concorrentes é feita por especialistas da área, mas a votação ocorre pela internet. Vai até o dia 28 de fevereiro. Depois, são selecionados os cinco mais citados e ocorre uma nova votação, que vai até 12 de março. O prêmio vai ser entregue no dia 12 de maio em Bristol, na Inglaterra.

Quer votar? Clique aqui.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h26
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Site coloca on-line quadrinhos históricos de terror

A internet tem sido um bom veículo de preservação da memória dos quadrinhos nacionais. Se bem usada, claro. É o caso de "Nostalgia do Terror", a melhor página de quadrinhos do gênero no Brasil.

A página virtual já foi noticiada aqui mais de uma vez. O site começou com capas de revistas brasileiras de terror. Foi crescendo e se aprimorando. A novidade, agora, é que coloca on-line um arquivo de histórias em quadrinhos do gênero. Já há 15. A previsão é ampliar o número.

Há, inclusive, uma raridade: "A Garra Cinzenta", publicada em "Gazetinha" entre 1937 e 1939 (imagem ao lado). A história, escrita por Francisco Armond e desenhada por Renato Silva, transita entre dois gêneros: super-heróis e terror. É um marco dos quadrinhos nacionais.

Há muito mais material no site, mantido graças ao esforço de Ulisses Azeredo, um antigo colecionador de quadrinhos de terror. Morador de Itiúba, no interior da Bahia, ele não ganha nada para manter a página virtual. Faz por puro amor à causa.

Leia abaixo a primeira página de "A Garra Cinzenta", vale repetir, de 1937 (cedida ao Nostalgia pelo site Nona Arte). Para ler o resto da história e conhecer o site, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h13
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Garra Cinzenta - História de 1937

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h09
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24/01/2007

Reportagem de Gip! Gip! Nheco! Nheco! no Metrópolis

Comento o lançamento de "Gip! Gip! Nheco! Nheco!", nova antologia do Pasquim, em reportagem do programa "Metrópolis", da TV Cultura. A obra da editora Desiderata reúne histórias escritas por Ivan Lessa e desenhadas por Redi, publicadas entre 1971 e 1977. Para assistir à matéria, clique aqui (assinante UOL).

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h23
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Lançado novo livro de bolso com tiras de Recruta Zero

A L&PM começou a vender nesta semana uma segunda coletânea de tiras de Recruta Zero. A edição reúne histórias de diferentes fases do personagem, criado por Mort Walker em 1950. Há material das décadas de 60 (a maior parte) e 70.
 
"O Melhor do Recruta Zero - Volume 2" (R$ 9,50) faz parte da Coleção Pocket, especializada em livros de bolso. Outra coletânea tinha sido lançada no ano passado. A obra reeditava uma antiga publicação da L&PM.
 
É o segundo lançamento de Recruta Zero no prazo de um mês. No fim de dezembro, a Mythos colocou nas bancas uma revista do personagem (leia mais aqui).
 
A L&PM pretende lançar uma coletânea com tiras de Angeli: "E Agora São Cinzas". Em 2006, a editora publicou um pocket com Rê Bordosa, também de Angeli. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h32
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23/01/2007

Via Lettera aumenta número de lançamentos

A Via Lettera volta a apostar na publicação de quadrinhos. A editora confirmou para este ano pelo menos 13 lançamentos, um aumento em relação aos últimos anos. Se a programação for cumprida, a empresa volta a disputar espaço nas livrarias, um mercado que ajudou a construir.
 

Há algumas novidades entre os lançamentos. A editora vai publicar mais histórias do alemão Ralf König. São dois títulos: "Os Coelhos" e "Os Noivos Podem se Beijar". König é o autor de "O Homem Ideal", álbum lançado pela editora em dezembro de 1997 (capa ao lado).
 
A Via Lettera programou ainda três novos volumes da "Front", obra que reúne várias histórias curtas produzidas por autores nacionais. Cada número tem um tema central. O da próxima edição é ódio. O dos outros dois volumes ainda não foi definido.
 
Outra obra nacional é "Esta Noite Encarnarei Seu Cadáver", escrita por Zé do Caixão e desenhado por Laudo Ferreira.
 
Os demais lançamentos já tinham sido anunciados. A Via Lettera prevê mais cinco volumes de Bone (um saiu na semana passada; leia aqui) e um especial ligado à série, "Estúpidas Criaturas Ratazanas".
 
Outro lançamento, noticiado nesta segunda pelo Blog dos Quadrinhos, é a continuação de "Sopa de Gran Peña", série de "Love and Rockets" escrita e desenhada por Gilbert Hernandez. O primeiro volume também tinha sido publicado pela editora (leia mais aqui).
 
A Via Lettera foi uma das primeiras a apostar no filão das livrarias. No fim dos anos 90 e no começo deste século, a editora lançou uma série de quadrinhos em formato de livro. Aos poucos, esse formato foi conquistando espaço e público (de maior poder aquisitivo).
 
A editora, que já foi referência nesse setor, foi reduzindo os lançamentos nos últimos anos. Em 2006, colocou à venda poucos títulos (entre eles, uma reedição de "Watchmen"). Isso ajudou a abrir espaço para outras editoras, como a Conrad e a Devir.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h32
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22/01/2007

Love and Rockets vai ser publicada de novo no Brasil

A série "Love and Rockets", um cult dos anos 80, vai ser lançada de novo no Brasil. "Sopa de Gran Peña – Volume 2" trará mais uma coletânea de histórias escritas e desenhadas por Gilbert Hernandez. A edição está programada para este ano e vai sair pela Via Lettera, mesma editora que publicou o primeiro volume, lançado em agosto de 2004 (capa ao lado).

Há quem veja toques literários nas narrativas de Hernandez. Há muita verdade nisso. As histórias –ou crônicas- se passam em Palomar, um vilarejo fictício da América Central. É lá que o escritor-desenhista tece a alma de seus personagens de maneira exageradamente humanos. Eles se enamoram, amam, brigam, criticam, sentes ciúmes, matam. Também crescem, casam, envelhecem, tal qual nos romances.

É uma série essencialmente de relacionamentos, narrados com o convincente verniz literário. Talvez seja por isso que existam leitores que adoram convulsivamente a série, ao lado de outros que demonstram total indiferença em relação a ela. Não há meio-termo.

"Sopa de Gran Peña" ("Heartbreak Soup", no original) era uma das histórias da revista "Love and Rockets", editada de forma independente nos Estados Unidos pelos irmãos Gilbert (o mais talentoso) e Jaime Hernandez (que se dedicava a outras narrativas, as surreais "Locas"). O título começou a ser publicado de forma oficial em 1982. Oficial porque um ano antes lançaram uma outra versão, bem mais precária, com cerca de 800 exemplares.

"Love and Rockets" era um grande rótulo para abrigar os trabalhos deles (algo bem parecido com o que fazem hoje no Brasil os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon, que editam suas histórias sob o título "10 Pãezinhos").

Os trabalhos dos Hernandez chegaram a sair no Brasil entre 1991 e 1992 na revista "Love and Rockets", publicada pela Record. A editora lançou também algumas edições especiais, como "Crônicas de Palomar" (só com histórias de "Sopa de Gran Peña"). Mas as revistas tiveram vida curta.

A Via Lettera retomou neste mês outra série que há mais de dois anos não era publicada pela editora: Bone. Leia mais aqui e aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h17
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21/01/2007

Katita é o grande destaque do 23º Prêmio Angelo Agostini

"Katita, Tiras sem Preconceito" foi o grande destaque do 23º Prêmio Angelo Agostini, promovido pela Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo.

A revista de tiras, publicada pela editora independente Marca de Fantasia, venceu duas categorias: melhor lançamento de 2006 (com desenhos de Ronaldo Mendes) e melhor roteirista, dado à escritora paulistana Anita Costa Prado. A obra aborda, com humor, o homossexualismo feminino.

Fábio Moon e Gabriel Bá, autores da série "10 Pãezinhos", venceram como melhores desenhistas de 2006. O título de melhor cartunista ficou com Márcio Baraldi, autor de "Roko-Loko e Adrina-Lina". Baraldi já tinha sido premiado em edições anteriores.

O melhor fanzine foi para "Justiça Eterna", de Sérgio Chaves. O troféu Jayme Cortez, dado a destaques na área, foi para o pesquisador Edgard Guimarães. Ele é autor de vários livros sobre quadrinhos, a maioria pela editora Marca de Fantasia, de Henrique Magalhães (editora que, indiretamente, foi outro destaque do Prêmio).

Os escolhidos para serem homenageados como Mestres do Quadrinho Nacional são Gutemberg Monteiro, Luiz Teixeira da Silva e Xalberto.

A entrega do 23º Prêmio Angelo Agostini vai ser no dia 10 de fevereiro, às 16h. Antes, vai haver uma série de palestras e sessões de autógrafos. O evento vai ser no Senac Lapa, em São Paulo (av. Scipião, 67). A entrada é franca.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h14
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Morre Ely Barbosa, criador dos Tutti Fruttis e dos Incríveis Amendoins

Quem já passou dos trinta certamente se lembra do comercial da DDDrin, empresa especializada em controle de pragas. O desenho mostrava uma festa com várias baratas, que acabava com a chegada de um funcionário da firma de dedetização. A animação foi feita por Ely Barbosa, que morreu na última sexta-feira. Era um criador plural: fez publicidade, quadrinhos, TV, teatro, desenhos.

Nos quadrinhos, ele criou vários personagens infantis, que chegaram a dividir espaço com as produções de Maurício de Sousa por alguns anos. A lista é longa: Turma do Cacá, Turma da Fofura, Gordo e sua turma, Os Tutti Fruttis, Patrícia e companhia, Os Incríveis Amendoins (talvez sua criação mais popular).

Todos tiveram revistas publicadas pelas editoras Abril e Rio Gráfica nos anos 70 e 80. A ilustração acima, feita por Bira Dantas, mostra o artista rodeado por suas várias criações.

A opção por investir em quadrinhos ocorreu em 1976. Além dos personagens próprios, Barbosa fez também revistas em quadrinhos dos Trapalhões (para a Bloch) e da Hanna Barbera (para a Rio Gráfica).

Em 1983, deu uma nova guinada na carreira. Transformou suas criações em bonecos e as levou para a televisão. Teve dois programas na TV Bandeirantes (hoje Band): "Boa Noite, Amiguinhos" e "TV Tutti Frutti", que venceu o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) como melhor programa infantil daquele ano.

Da TV, migrou para o teatro, onde passou a abrigar seus personagens. No fim da década de 90, segundo seu site, desenvolveu os novos personagens do Sítio do Picapau Amarelo para a TV Globo. A família informou que pretende dar continuidade aos projetos dele.

Ely Barbosa estava com 69 anos. Nasceu em Vera Cruz, cidade do interior de São Paulo. Ficou órfão cedo. O pai, um jornalista, morreu com 29 anos. Coube à mãe, Aurora, criar Ely e os irmãos, entre eles o escritor de novelas Benedito Ruy Barbosa.

Segundo a curta biografia que escreveu em seu site, Ely Barbosa conta que o interesse pela criação de bonecos começou cedo: "Aos sete anos modelei diversos bichinhos para o presépio da igreja, e o monsenhor Santamaria me pagou por este trabalho. Foi o primeiro dinheiro que ganhei com minha arte."

Atualmente, Ely Barbosa veiculava na internet os quadrinhos de seus personagens, a maior parte em tiras cômicas. Leia algumas nas postagens abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h57
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Alguns personagens de Ely Barbosa

 

Fonte: site de Ely Barbosa (clique aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h54
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20/01/2007

Inaugurado em SP bar inspirado em personagem de Ziraldo

O "Jeremias, o Bar" foi inaugurado oficialmente neste sábado, em São Paulo. Oficialmente porque a casa já vinha sendo usada informalmente para eventos ligados a cartunistas. A idéia é usar o espaço como uma espécie de ponto de encontro para desenhistas e admiradores do traço.

O Blog dos Quadrinhos tinha antecipado a notícia na postagem do dia 26 de outubro. O bar temático é inspirado em "Jeremias, o Bom", personagem bonachão criado por Ziraldo e publicado nos anos 60 e 70 (e que deve ganhar um novo álbum neste ano).

O espaço é ambientado com trabalhos de mais de cem cartunistas. Fica na Avanhandava, rua que se tornou um minibulevar na região do centro da cidade. O local foi bancado por Walter Mancini, dono de vários restaurantes paulistanos, parte deles na própria Avanhandava.

O proprietário promete captar essa essência de bondade da criação de Ziraldo. No bar, a proposta é que os produtos sejam mais baratos. Afinal, Jeremias não exploraria ninguém. O tempo e a clientela dirão se é marketing de inauguração ou se é realmente uma homenagem ao jeito bonachão do personagem.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h11
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19/01/2007

Depois de dois anos, Bone volta a ser publicado

Faz tempo que os fãs de Bone esperam por um novo álbum do personagem. Para ser exato, faz dois anos e um mês que o último encadernado da série foi lançado no Brasil. Agora, a editora Via Lettera faz uma espécie de renascimento da obra. Lança não um, mas vários volumes do título, criado pelo norte-americano Jeff Smith em 1991.
 
O novo volume, o décimo da série, começa a ser vendido nesta sexta-feira ("Bone: A Princesa Revelada"; R$ 25). A história continua do ponto de onde terminou o encadernado anterior. Os primos Fone Bone e Smiley Bone tentam escapar da montanha de Rojão, um leão gigante e falante. E passam a procurar Espinho, amiga deles.
 
A editora promete mais cinco volumes e um especial, "Estúpidas Criaturas Ratazanas". O próximo encadernado foi anunciado também para este mês. Se a programação se confirmar, será o ano com o maior número de publicações do personagem no Brasil.
 
Bone conta a história de três primos que se perderam ao retornar a Boneville, onde moravam. A busca pelo caminho de volta cruza por um vilarejo, onde passam a morar e a dividir aventuras com os habitantes de lá. Não demora para descobrirem que há algo mágico e diferente no local. E muitos segredos. Como o misterioso Dragão, que está sempre à espreita do grupo.
 
A série se revela aos poucos. Há uma nova pista a cada arco de histórias. É uma obra rara de se ver nos quadrinhos. Jeff Smith consegue escrever na exata linha que separa os públicos infantil e adulto. E consegue agradar os dois, assim como "Pogo", de Walt Kelly, sua principal fonte de inspiração.
 
Para quem nunca leu Bone, vai demorar algumas páginas para se acostumar com o que acontece. Mas, quando se acostumar, é bom avisar: a série vicia. É daquelas que dá vontade de esperar o próximo número. De preferência, sem esperar mais dois anos.
 
Leia mais sobre o personagem na postagem abaixo. Para ver imagens de "Bone: A Princesa Revelada", clique aqui.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 07h55
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Entenda a trajetória de Bone no Brasil

A Via Lettera renovou no fim do ano passado o contrato de publicação da série Bone no Brasil. O acordo prevê a edição do material em preto-e-branco e de dois especiais com minisséries de personagens secundários. A história termina no número 55, publicada nos Estados Unidos em junho de 2004 (inédito por aqui).
 
A série começou a ser publicada no Brasil no fim de 1998. Foram nove volumes, todos lançados pela Via Lettera. A editora tomou como base os encadernados norte-americanos. Dividia cada um deles em dois volumes. Por isso, há mais títulos por aqui do que nos Estados Unidos. Entenda a seqüência de publicação e os meses de lançamento:
 
Volume 1
"Bone: Fora de Boneville" - Dezembro de 1998
Volume 2
"Bone: Equinócio de Primavera" - Abril de 1999
Volume 3
"Bone: A Feira de Primavera" - Novembro de 1999
Volume 4
"Bone: A Grande Corrida de Vacas" - Dezembro de 1999
Volume 5
"Bone: A Jornada" - Janeiro de 2001
Volume 6
"Bone: A Tempestade" - Agosto de 2001
Volume 7
"Bone: A Vila Fortificada" - Março de 2003
Volume 8
"Bone:  O Matador de Dragões" - Julho de 2003
Volume 9
"Bone: Rojão, O Senhor da Fronteira Oriental" - Dezembro de 2004
 
O décimo volume, lançado nesta sexta-feira, mostra o último capítulo do encadernado anterior e já inicia a próxima saga (publicada nos Estados Unidos no encadernado "Old Man´s Cave"). Existe uma edição colorida de Bone impressa e pronta para ser vendida no Brasil. Mas ainda é dúvida se vai ser colocada à venda. Entenda por que aqui.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 07h52
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18/01/2007

Manara usa erotismo para criticar televisão

É difícil contar a história dos quadrinhos sem esbarrar no bombardeio que a linguagem sofreu ao longo dos anos. Bombardeio acadêmico, inclusive. Houve uma série de estudos que viram em algumas HQs o mal dos jovens e um instrumento de comunicação de massa a serviço da ideologia norte-americana. O álbum "Revolução" (Conrad, R$ 39,90) parece uma resposta aos críticos, ainda que tardia. Eles teriam errado o foco. O "mal da humanidade" não estaria nos quadrinhos, mas na televisão.

A obra, escrita e desenhada por Milo Manara, começa a chegar às livrarias nesta quinta-feira (em bancas de grande porte, no fim do mês). E, em se tratando do desenhista italiano, já se sabe que o tom da história é erótico, a especialidade dele.
A protagonista da vez é a dançarina Kay.  Durante um teste para um programa de TV, ela é seqüestrada por um grupo de rebeldes ligados ao programa de TV comandado por Robespierre.
 
A crítica aos meios de comunicação está exatamente no programa, história que é narrada em paralelo. É uma espécie reality show, que coloca em praça pública figuras que tem voz ativa na televisão: o jornalista esportivo, o arrogante diretor de um telejornal (que só pensa em transformar a informação em espetáculo), o publicitário (que usa mulheres para vender qualquer coisa nos comerciais).
 
O apresentador, Robespierre, pede que a platéia, em polvorosa, decida o destino dos julgados. Vida ou morte? Se for morte, a pessoa é degolada, à la Revolução Francesa (a inspiração para o programa e para o nome do álbum).  É metalinguagem pura: um programa de TV determina o rumo de quem comanda os programas de TV.
 
Não é o melhor trabalho erótico de Manara. Mas se diferencia pela crítica. Clara, direta, pontual, algo incomum nas obras dele. Não fossem as curvas e a pouca roupa da protagonista, o leitor poderia até imaginar que o álbum, lançado em capa dura, não tivesse sido escrito pelo italiano.
 
A Conrad promete pelo menos mais duas obras de Milo Manara para este semestre. "Clic 3" está prevista para março. A outra obra foi noticiada nesta semana pelo site Omelete: "Verão Índio", feita em parceria com Hugo Pratt. 2007, a exemplo do ano passado, deve ter mais uma overdose de títulos do desenhista. Leia mais aqui.
 
Para ver algumas imagens de "Revolução", clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h18
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17/01/2007

Abril cancela mais da metade da linha Disney

O site Universo HQ trouxe hoje uma nota que merece registro. A editora Abril vai cancelar mais da metade das revistas Disney. A maioria é da linha econômica, vendida a R$ 1.
 
Segundo a matéria, o cancelamento atingiu sete títulos: "Minnie", "Urtigão", "Margarida", "Pateta", "Peninha", "Pluto" e "Os Sobrinhos do Donald". Os demais continuam.
 
O Blog dos Quadrinhos entrou em contato com a Abril, por e-mail, no começo da tarde. Até este momento, não houve resposta.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h19
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Chiara Rosenberg: mais um lançamento do erotismo italiano

Pode não parecer, mas há diferenças sensíveis entre os quadrinhos eróticos produzidos na Itália. Uns usam situações cotidianas como pretexto para as cenas provocantes. Outros tentam inserir os protagonistas (ou a protagonista, como geralmente ocorre) em cenários futuristas ou surreais. "Chiara Rosenberg", lançado neste mês (Zarabatana Boks; R$ 39,00), é do primeiro caso. Mas tenta se diferenciar, principalmente na condução da narrativa.
 
Logo na primeira página, a protagonista faz uma carta ao leitor. O texto antecipa o que será lido e visto a seguir: o relacionamento fantasioso que ela mantém com o marido, Angelo. Chiara é vítima das fantasias agressivas dele. Ela, por sua vez, desconta no amante, Michel, de maneira ainda mais violenta e pertubada. Com Michel, Chiara é a dona das fantasias.
 
A carta inicial tem outra função: preparar o leitor para um dilema, que será desvendado apenas no final. A estratégia narrativa funciona e realmente desperta a curiosidade, apesar de o desfecho não corresponder a tanta expectativa criada.
 
"Chiara Rosenberg" é um trabalho pouco conhecido no Brasil. Foi produzido pela dupla Celestino Pes (texto) e Roberto Baldazzini (desenho), autores ainda à margem dos demais criadores do erotismo italiano. Eles criam um trabalho simples, mas correto. Deve agradar o fãs do gênero.
 
O título é o segundo lançamento da nova editora Zarabatana Books, de Campinas (interior de São Paulo). No fim do ano passado, pôs à venda "O Prolongado Sonho do Sr. T", do espanhol Max (ver postagem de 25 de novembro). A proposta do proprietário da editora, Cláudio Martini, é lançar apenas quadrinhos alternativos, material que dificilmente sairia por aqui. Há outros dois títulos programados para este ano.
 
Há uma prévia de "Chiara Rosenberg" no site da editora. Para ler, clique aqui

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h39
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16/01/2007

Fantasma volta às bancas

De quando em quando, alguma editora brasileira lança uma revista mensal com o Fantasma. Foi assim pelo menos nos últimos 15 anos. A aposta agora é da Mythos, que começa a vender nesta terça-feira um novo título do personagem, criado em 1936 por Lee Falk e Ray Moore.
 
"O Fantasma" (R$ 5,99, em preto-e-branco)  traz somente histórias inéditas. A edição mostra duas aventuras, que foram publicadas originalmente em forma de tiras e páginas dominicais.
 
A história principal, "Os aprendizes do crime", é da virada 2005 para 2006. Tem texto de Tony De Paul e arte de Paul Ryan. A outra, "A ilha da deusa serpente", saiu entre 2002 e 2003 e tem desenhos de Grahan Nolan. Ryan e Nolan já ilustraram vários personagens da Marvel e da DC.
 
No material inédito, o espírito-que-anda (forma como o herói também é conhecido) se mantém atualizado. Em dado momento, ele acessa o laptop de assaltantes para saber quais são os planos deles para um roubo.
 
A Mythos vai lançar uma segunda revista do personagem, "Fantasma Especial". Em dezembro, a editora lançou outros dois títulos com personagens da King features Syndicate: Recruta Zero e Hagar, o Horrível (leia aqui).
 
Perguntar não ofende: por que a revista custa R$ 5,99, e não R$ 6?

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h51
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15/01/2007

Filmes com personagens de HQ já têm data de estréia

Há várias adaptações cinematográficas de quadrinhos previstas para este semestre, como "Tartarugas Ninjas" e "300", longa baseado na obra de Frank Miller. Mas os heróis da Marvel lideram o ranking de filmes de HQ levados para a telona. Três lançamentos estão programados para os próximos meses.
 
As datas ja foram divulgadas. Se não houver alterações, teremos o seguinte cenário:

- "Motoqueiro Fantasma" é o primeiro filme da Marvel a estrear. Chega aos cinemas brasileiros no dia 2 de março. O herói que faz um pacto com o demônio é interpretado por Nicolas Cage (um fã assumido de histórias em quadrinhos).

- "Homem Aranha 3" (imagem ao lado) tem estréia prevista para o dia 4 de maio. Desta vez, o herói enfrenta os vilões Venon, Homem-Areia e o segundo Duende Verde.

- "Quarteto Fantástico 2" vai mostrar o encontro do supergrupo com o Surfista Prateado. O Quarteto vai também enfrentar alguma ameaça do Doutor Destino, a exemplo do primeiro filme. A estréia no Brasil está programada para 29 de junho.

- "300" estréia no dia 30 de março e "Tartarugas Ninjas", em 20 de abril.

Em tempo: "Os 300 de Esparta" -tanto a edição de luxo, recém-lançada, quanto o filme- são o tema da coluna de quadrinhos desta semana do programa "Metrópolis", da TV Cultura. Para assistir, clique aqui (assinante UOL).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h54
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Jaguar comenta lançamentos de humor

Registro rápido. O cartunista Jaguar comentou sobre os lançamentos de humor da Desiderata, editora que o contratou como consultor de humor. "Vi aí uma possibilidade de reeditar livros fantásticos, que iriam cair no esquecimento", diz em entrevista ao jornalista Antonio Farinaci, do UOL News.

A primeira fornada de lançamentos foi reunida na Coleção Sigmund, dedicada a livros de humor (o nome da coleção é inspirado no ratinho Sig, ao lado, criado por Jaguar). Os títulos incluem trabalhos de Millor Fernandes e Allan Sieber, que lançou em dezembro "Assim Rasteja a Humanidade".

A Desiderata é a mesma que reedita as antologias de "O Pasquim", jornal em que Jaguar trabalhou por anos. A última foi "Gip! Gip! Nheco! Nheco!" (leia aqui.). Para assistir à entrevista, clique aqui.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h53
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14/01/2007

Humor gráfico brasileiro é tema de evento na França

Sete desenhistas brasileiros embarcam nesta segunda-feira para a França. Angeli, Cau Gomez, Mário Vale, Dálcio Machado, Lute, Amorim e Rodrigo Rosa levam junto com as bagagens a missão de representar o humor gráfico do Brasil na oitava edição do Ridep (Recontres Internationales du Dessin de Presse), evento que discute os desenhos feitos para a imprensa. As palestras ocorrem nos dias 19, 20 e 21 na cidade de Carquefou.

Coube a Cau Gomez a tarefa de selecionar a comissão brasileira. Na verdade, foi um convite, feito por Pascal Phillippe, editor de fotografia do "Courrier International", jornal francês onde o cartunista mineiro colabora. "O meu editor neste jornal, do nada, me mandou um e-mail dizendo que queria me indicar para fazer o cartaz e participar especialmente do RIDEP 2007", diz Gomez, por e-mail. "Topei fazer três layouts. Dois bateram na trave e este [do cartaz ao lado] virou gol de placa."

"Depois, eles me pediram uma espécie de consultoria em humor brasileiro. Eles não conheciam praticamente ninguém e queriam levar alguns nomes para o RIDEP. Acabei tendo de levantar os contatos." O entrosamento com os franceses começou por causa do "World Press Cartoon", salão internacional de humor que deu a ele o segundo lugar na categoria caricatura em 2005 . Além de uma série de trabalhos na Europa, o prêmio o tornou um ponto de referência sobre as artes visuais no Brasil.

A referência ficou ainda mais consolidada no fim do ano passado, quando conquistou o primeiro lugar na Bienal Internacional de Caricaturas e Desenho Humorístico de Santa Cruz de Tenefire, na Espanha. O prêmio foi pelo cartum "Sombras" (ao lado).

"Para mim, [o prêmio] está sendo a salvação da lavoura, não podia acontecer em hora melhor", diz Cau Gomez, que atualmente mora em Salvador, na Bahia. "Ultimamente eu não agüentava de frustração por não ver os meus desenhos e idéias autorais não serem compreendidos e aceitos pelos jurados mundo afora. Acredito que tive sorte e perseverança. Daí foi uma corrente só, que puxou até o segundo lugar em Foz do Iguaçu (leia aqui)."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h44
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13/01/2007

Linha All Star, da DC, vai sair no Brasil

"Grandes Astros: Batman & Robin" e "Grandes Astros: Superman". Serão esses os nomes dos títulos da linha "All Star", da DC Comics, anunciados para este mês. A informação consta na lista de lançamentos da Panini, que entrou no ar no site da editora nesta virada de semana.

As duas revistas terão 28 páginas e vão custar R$ 3,90 cada uma. Os títulos vão publicar material de "All Star Superman", escrito por Grant Morrison e desenhado por Frank Quitely (ao lado, a capa da edição americana), e "All Star Batman & Robin, The Boy Wonder", de Frank Miller e Jim Lee (título que a Panini já tinha anunciado para o semestre passado).

A linha All Star coloca os personagens da DC Comics em histórias que fogem à cronologia normal das revistas de linha. É parecido (embora com mudanças menos radicais) com o que a Marvel faz com o selo Millenium.

A publicação das duas novas revistas segue a política da editora Panini de lançar mais títulos da DC em 2007 (leia mais aqui e aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h20
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12/01/2007

O homem de aço de volta às origens

O Super-Homem tem várias origens. Os elementos básicos são os mesmos, mas há uma versão feita para o cinema, outra para a televisão (caso de "Smallville"), outra para os quadrinhos. Ou melhor: outras para os quadrinhos. A história clássica, escrita em 1938, ganhou novo verniz em 1986 na minissérie "The Man of Steel" (O Homem de Aço).
 
A série, que já tinha saído no Brasil pela editora Abril, ganhou uma reedição, em volume único ("Superman: O Homem de Aço", Mythos, R$ 15,90). O álbum chegou às bancas nesta sexta-feira. É a primeira vez que o material é publicado em formato americano (na primeira vez, pela Abril, foi no chamado formatinho, como o das revistas infantis).
 
A história é escrita e desenhada por John Byrne. À época, era um dos nomes mais disputados do mercado norte-americano e tinha a característica de deixar uma marca por onde passava. No caso do homem de aço, deixar marca era cláusula contratual. A tarefa de Byrne era recriar a origem do herói.
 
Byrne se concentrou menos no super e mais no homem, de modo a torná-lo mais humano e vulnerável. Um dos elementos para mostrar a humanidade de Clark Kent foi manter os pais dele vivos. Jonathan Kent, ao contrário do filme e dos quadrinhos até 1986, tinha morrido quando o herói ainda era jovem.
 
Outra alteração é que o Super-Homem seria o único sobrevivente do planeta Krypton. E que teria assumido o lado super já adulto. Assim, sumiam da cronologia Superboy, Supermoça e Krypto, o supercão (que foram retomados à cronologia do personagem).
  
A fórmula das mudanças apresentava ainda uma obsessão por explicações racionais para os poderes do kryptoniano. A roupa não rasgava por causa de uma aura em volta do corpo que envolvia também o uniforme. Para cortar a barba, refletia a visão de calor num pedaço de metal, parte do foguete de seu planeta natal.
 
A mudança mais radical foi com relação a Lex Luthor, o grande inimigo do herói. Byrne tirou do vilão o ar de cientista do mal e o tornou o homem mais rico e poderoso de Metrópolis. A chegada do Super-Homem à cidade ofuscou o destaque de Luthor, que tenta destruir o herói por inveja e por disputa de poder.
 
John Byrne deu continuidade à história nas revistas mensais do personagem em 1987. Permaneceu por dois. Ainda, hoje, é lembrada como uma das melhores fases do herói.
 
Há pouco, a DC fez uma nova mexida na história do Super-Homem (na minissérie "O Legado das Estrelas"). A preocupação foi agregar elementos do seriado "Smallville", principalmente a amizade entre Clark Kent e Lex Luthor quando jovens. No cinema, ele tem um filho. São várias origens. De vez em quando, é bom reler o material de Byrne para voltar ao rumo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h43
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Edição de luxo de 300 serve de prévia para o filme

É comum no cinema um filme ser reeditado e relançado com o rótulo de "versão do diretor". Nos quadrinhos, a prática não acontece muito (no máximo, há uma "versão do editor"). Mas há uma exceção: "Os 300 de Esparta", obra escrita e desenhada por Frank Miller que começa a ser vendida neste finzinho de semana (Devir, R$ 58).

A reedição da obra ficou do jeito como Miller queria que tivesse sido publicada na primeira vez, no meio dos anos 90 (quando as imagens foram divididas no meio e adaptadas para se adaptar ao formato tradicional). Foi feita em capa dura, tratamento de luxo e, principalmente, formato "widescreen", como o da tela de cinema. O álbum reúne num volume só as cinco partes da minissérie (que saíram no Brasil em 1999 pela editora Abril). São a base do filme, que tem estréia programada para março.

A história mostra as estratégias de 300 espartanos para combater o poderoso exército persa comandando pelo imperador Xerxes, personagem interpretado pelo brasileiro Rodrigo Santoro no filme. Os 300 guerreiros, liderados pelo rei Leônidas, conseguem sistematicamente derrotar as tropas inimigas. O interessante é ver como.

Miller conta a sua versão da história de uma maneira relativamente simples. Mas estão lá elementos que pautaram outras obras dele: violência, corrupção, heroísmo, lado mercantil das autoridades e da religião. É só comparar com "Sin City", trabalho do autor também adaptado para o cinema (vai ganhar uma seqüência).

Parece que o cinema norte-americano encontrou nos quadrinhos de Miller um território fértil de novas idéias. E Miller viu na linguagem cinematográfica um novo caminho a ser trilhado. Co-dirigiu "Sin City" e pretende repetir a dose. Não é de estranhar que queria ver "Os 300 de Esparta" em formato "widescreen" (33 cm por 24 cm).

Nota: o lançamento da obra estava previsto inicialmente para novembro, foi adiado para dezembro e, por fim, para o fim do mês passado. Mas só saiu agora. Segundo a editora, houve problema na gráfica que montou o material.

Veja cenas do filme "300" clicando aqui.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 08h56
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11/01/2007

Demolidor: cancelado, mas em grande estilo

A edição 35 de "Demolidor", que começou a ser vendida nesta semana, marca dois finais: 1) é o último número da revista; 2) é o fim da fase escrita por Brian Michael Bendis, que revirou por completo a vida do herói cego (por causa da revelação de sua identidade secreta).
 
A saída de Bendis é em grande estilo. Ele aproveita este arco final (intitulado "O Dossiê Murdock") para levar ao limite o problema com a identidade secreta. Surgem, enfim, provas de que Matt Murdock é o Demolidor, o que leva o governo à caça dele.
 
A edição, com cem páginas, mostra as últimas quatro partes da história. Com o cancelamento da revista, as aventuras do herói passam a ser publicadas num novo título da Panini, "Marvel Action", previsto para estrear neste mês. Com a saída de Bendis, as histórias do "Demolidor" passam para as mãos de Ed Brubacker.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h45
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10/01/2007

Uma boa e uma má notícia sobre Bone

Há duas notícias sobre Bone, uma boa e outra ruim. A boa: a Via Lettera confirmou que vai retomar a série neste ano. A má: a edição colorida da Devir -que já está impressa- pode não sair mais. Aos fatos.
 
A Via Lettera renovou no fim do ano passado o contrato de publicação do personagem de Jeff Smith. A previsão é lançar ainda este mês dois volumes, "A Princesa Revelada" (o décimo volume, capa ao lado) e "A Caverna do Ancião". Ambos trazem histórias inéditas.
 
A editora pretende publicar até o fim do ano mais três ou quatro volumes. O novo contrato prevê ainda a edição de dois encadernados ligados à série: "Stupid, Stupid Rat-Tails", sobre Big Johnson Bone, e "Rose", com desenhos de Charles Vess.
 
Segundo a Via Lettera, o acordo estabelece exclusividade na publicação do material em preto-e-branco, forma como foi feito originalmente e como a editora tem publicado desde dezembro de 1998.
 
A obra colorida é uma reedição da história e foi anunciada pela Devir no fim de setembro (este blog noticiou o assunto no dia 27.09.06). A editora imprimiu cerca de duas mil cópias na Alemanha. Os exemplares já estão no Brasil. A obra tem 144 páginas e está pronta para a venda (capa ao lado).
 
O segundo volume (de um total de nove) estava indo para a gráfica quando o projeto parou. Segundo a Devir, a esposa de Jeff Smith, Vijaya, que cuida do licenciamento da série, avisou que não tinha recebido o contrato e que já tinha fechado com outra editora.
 
Quanto ao contrato, a Devir reconhece. "Foi um problema de comunicação", diz Douglas Quinta Reis, diretor editorial da Devir. "Mas isso nunca foi problema com nenhuma outra editora. Pelo menos comigo nunca tinha ocorrido".
 
Reis diz que foi Vijaya quem procurou a Devir propondo a edição da obra. O primeiro contato dela teria sido há dois anos. O acordo foi firmado em 2006, por e-mail. Foi quando teve início o processo de edição, que previa o lançamento em novembro.
 
A Devir informou que vai tentar um novo contato. Se a obra não sair, a editora leva um prejuízo de R$ 10 mil (números aproximados).
 
Há a possibilidade de outra editora ter fechado esse contrato (e o manteria em segredo). A Via Lettera, vale reforçar, afirma que o novo acordo prevê exclusividade apenas do material preto-e-branco, e não do colorido.
 
Bone foi criado em 1991. Mostra as histórias de três primos -Bone, Phoney Bone e Smiley Bone- que tentam voltar a Boneville, cidade onde moram. A premiada série terminou no número 55 (de junho de 2004) ainda inédito no Brasil.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h25
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Novidades da Devir: Tartarugas Ninjas, Classificados e mais Incal

A editora Devir anunciou os lançamentos programados para este começo de ano. Até o fim de março, prevê a publicação de 11 novos títulos, três deles nacionais. Tem de tudo um pouco, desde as primeiras histórias das Tartarugas Ninjas e a continuação da série francesa Incal até um quarto volume das tiras "Classificados", de Laerte. A notícia é divulgada em primeira mão pelo Blog dos Quadrinhos.

A previsão da editora é lançar as Tartarugas Ninjas em março. A edição, com mais de 200 páginas, vai mostrar as primeiras aventuras feitas por Kevin Eastman e Peter Laird. É um material mais underground, em preto-e-branco, bem diferente da versão em desenho animado, mais conhecida do grande público. Uma parte das histórias já tinha saído no Brasil num álbum lançado pela Nova Sampa no começo dos anos 90.

Outros dois lançamentos estrangeiros de destaque estão programados para março. Um é o primeiro volume de "Lost Girls", obra erótica de Alan Moore já noticiada neste blog. O outro é "Antes do Incal", série em três edições. Apesar de feita depois de "Incal", a história se passa antes. Conta a origem de John Difool, o protagonista da saga (e mostra como ele encontrou o pássaro que sempre o acompanha). O texto é do mesmo Alexandro Jodorowsky e os desenhos, de Zoran Janjetov (Moebius não fez a arte desta seqüência).

Os primeiros lançamentos estrangeiros começam a sair no mês que vem. "Samurai" é o grande destaque de fevereiro (imagem ao lado). A história é desenhada pelo brasileiro Luke Ross e mostra a trajetória de um samurai que vai à procura da namorada, vendida como escrava. Também em fevereiro sai um terceiro volume de Luluzinha (a editora prevê outras três edições em 2007).

Completam a lista histórias pouco conhecidas no Brasil, como "Courtney Crumrin", Pathfinder" e "Capote in Kansas", de Ande Parks (mostra que uma das fontes de informação do jornalista Truman Capote para escrever o livro-reportagem "A Sangue Frio" seria o fantasma de uma das vítimas).

O primeiro lançamento nacional é "Folheteen", de José Aguiar (imagem ao lado). Está previsto para este mês. O álbum mostra histórias inéditas da adoscelente Malu. A criação de Aguiar foi premiada no 1º Concurso Internacional de Quadrinhos. Atualmente, ele mantém em Curitiba uma exposição sobre desenhos feitos durante uma viagem pela Alemanha (leia aqui).

Os outros dois álbuns brasileiros saem em março. "Classificados" ganha um quarto volume. Reúen mais tiras feitas por Laerte para os cadernos de classificados do jornal "Folha de S.Paulo". As histórias tinham a característica de nunca apresentarem um personagem fixo. O outro lançamento é a continuação de "Fetichast", criação de José Márcio Nicolosi.

A diversidade de títulos é conseqüência da instabilidade gerada pela renovação de contrato da DC no Brasil. A editora norte-americana ainda não definiu (pelo menos não publicamente) quem fica com os títulos dos selos ABC e Vertigo, que eram os carros-chefes da Devir (como Preacher e Fábulas). A Devir optou por não esperar e buscou novos caminhos. Os super-heróis continuaram com a Panini (leia aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h31
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09/01/2007

Morre o criador de Scooby-Doo

O criador do personagem Scooby-Doo, Iwao Takamoto, morreu de ataque cardíaco em Los Angeles, nos Estados Unidos. O falecimento foi na segunda-feira, mas só foi divulgado hoje. Ele estava com 81 anos.
 
Takamoto trabalhou em duas grandes empresas de animação. Foi assistente dos estúdios Disney logo após a Segunda Guerra Mundial. Desde 1961, atuava para a Hanna-Barbera, onde criou o medroso cachorro Scooby-Doo. Takamoto ocupava o cargo de vice-presidente de desenho criativo da empresa.
 
A morte dele ocorre menos de um mês depois da de Joseph Barbera, co-criador de desenhos clássicos, como Flintstones e Zé Colméia.
 
Nos quadrinhos, Scooby-Doo já passou por várias editoras. Atualmente, é publicado pela Panini.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h55
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L&PM lança primeiro pocket de Snoopy

Começou a ser vendido nesta semana o primeiro volume de Snoopy editado pela L&PM. "Snoopy e Sua Turma" (R$ 11) traz tiras de 1984. A edição estava prevista para a segunda quinzena de novembro, mas foi adiada para ser o primeiro lançamento de 2007.
 
A L&PM programou mais quatro volumes com os personagens criados por Charles M. Schulz em 1950. Os títulos fazem parte da coleção pocket, linha de livros de bolso da editora gaúcha (que possui outras histórias em quadrinhos em catálogo). Em 2004, a Conrad também lançou coletâneas de tiras de Snoopy.
  
Snoopy ("Peanuts", no original) conta a história de um menino, Charlie Brown, e sua turma de amigos. Com o tempo, tornou-se uma franquia promissora e um clássico dos quadrinhos. A última tira saiu em 2000. O autor fez um agradecimento aos fãs por todos os anos de convivência. Schulz morreu pouco depois.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 05h51
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08/01/2007

HQ Maniacs vai publicar Liberty Meadows e Savage Dragon

A editora HQ Maniacs vai publicar a origem de "Savage Dragon" e uma coletânea de tiras de "Liberty Meadows" (imagem ao lado). A previsão é lançar os dois títulos na virada de janeiro para fevereiro.
A informação saiu hoje no site HQ Maniacs, mantido pelos integrantes da editora.
 
"Savage Dragon" é um herói criado por Erik Larsen para a Image Comics. É publicado desde os anos 90. Se esta edição única com a origem dele vender bem, a editora pode publicar o restante da série. Os dois primeiros anos da revista já tinham sido publicados no Brasil pela editora Abril (em minissérie e, depois, num título próprio).
 
"Liberty Meadows" é uma tira criada por Frank Cho, mais lembrado por desenhar belas e provocantes heroínas para a Marvel. A história de humor é inédita no Brasil e gira em torno das criações que habitam uma reserva florestal.
 
A editora, que completa um ano de publicações em março, anunciou outros lançamentos para este trimestre. A programação inclui mais encadernados de "Invencível", "Mortos Vivos" (que está virando cult) e "Estranhos no Paraíso" (que já é cult).
 
No caso de Estranhos, a previsão é lançar neste ano entre quatro e seis volumes, entre material inédito e reedições.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h58
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Fim da contagem: Crise Infinita chega hoje às bancas

De quando em quando, a DC Comics fazia um megassérie que mexia com todos os personagens e títulos da editora norte-americana. A qualidade das histórias nem sempre eram o ponto alto. O objetivo maior era corrigir algumas mudanças e, principalmente, criar um evento que chamasse a atenção dos fãs e alavancasse as vendas. Não deixa de ser o caso da última dessas séries, "Crise Infinita", que começa a ser a vendida hoje no Brasil (Panini, R$5,50). Mas há algo de novo desta vez. A história faz parte de um projeto muito bem planejado de reestruturação editorial.

A minissérie em sete edições é uma continuação de "Crise nas Infinitas Terras", a primeira dessas megassagas, lançada em 1986. Crise é a palavra que melhor resume a história. O mundo parece acabar em volta dos heróis, e em várias frentes. Os vilões se uniram para apagar a mente deles, o espaço sideral entra em colapso, o plano mágico se fragmenta. Uma série de seres eletrônicos superpoderosos e mortais, os OMACs, saem para acabar com cada um dos heróis. O trio central, Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha, perde a confiança um no outro.

É desse jeito que a história começa. A minissérie é o ponto culminante de uma série de eventos imaginados em 2003. A editora reuniu um staff de roteiristas (Greg Rucka, Judd Winick, Jeph Loeb e Geoff Johns, que escreve esta Crise) para reunir idéias sobre um novo rumo à DC. O encontro estabeleceu uma meta de mudanças, que seriam construídas a partir de então.

A grande diferença do projeto é que as alterações não foram abruptas, como nos outros megaeventos. Foram paulatinas, graduais, com uma mudança aqui, outra ali. O ponto de partida foi a minissérie "Crise de Identidade", escrita por Brad Meltzer, que mostrava o assassinato da esposa do herói Homem Elástico e revelava uma prática questionável dos heróis: eles apagavam a mente de alguns criminosos quando necessário (em caso de descoberta de identidade secreta, por exemplo).

De lá para cá, começaram a surgir novos elementos nas revistas mensais, no especial "Contagem Regressiva Para Crise Infinita" e na revista homônima (ao menos no Brasil), que reunia quatro minisséries que se seguiram. Eram, na verdade, a preparação do terreno para a obra que começa a ser publicada hoje e que vai pautar o rumo da DC a partir de agora, inclusive o de todos os títulos mensais.

"Crise Infinita" é uma grande articulação de elementos e de personagens. Isso, às vezes, fragmenta e ofusca a história central. Nesse ponto, não supera a primeira Crise, de 1986, escrita por Marv Wolfman e desenhada George Pérez (que, mais à frente, fará a arte de parte de "Crise Infinita"). Mas a minissérie, desenhada por Phil Jimenez, tem bons momentos. E deixa aquela sensação de querer ler a próxima edição, o que é um bom termômetro para uma boa história de super-heróis.

P.S.: a Panini lançou a minissérie com duas capas diferentes. Uma é a desta postagem, feita por Jim Lee. A outra é de autoria de George Pérez.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h15
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07/01/2007

Batman vira demônio na Itália

A polêmica é do fim de 2006, mas merece registro.
 
A administração de Benevento, na Itália, convidou um escultor para ornamentar a cidade para as festas natalinas.
 
O artista usou os quadrinhos como tema. Com autorização municipal, colocou uma estátua de Batman na torre da Igreja de Santa Sofia (como mostra a foto ao lado).
 
A imagem escandalizou os fiéis. Viram nela o demônio. Não demorou para pedirem a retirada da bat-escultura. "Aquilo é um monstro, uma figura demoníaca", disse um padre de Benevento. No que recebeu como resposta das autoridades: "Ma non vedi che è Batman?"
 
A previsão inicial era deixar a imagem no alto da Igreja até o fim deste mês.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h02
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Tiras de Laerte voltam ao humor tradicional

Depois de um período produzindo tiras mais "filosóficas", o cartunista Laerte volta ao estilo tradicional de humor. O material dele está entre os melhores do país. A tira abaixo, de "Piratas do Tietê", foi publicada hoje no jornal "Folha de S.Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h18
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06/01/2007

Obra de Neil Gaiman mostra crime no reino divino

Dizer que uma história em quadrinhos tem como tema central a investigação de uma morte não seria muita novidade. A história (inclusive a em quadrinhos) muda quando o morto é um anjo e o caso se passa no reino divino, antes mesmo da criação do universo. Quem, então, seria o autor? É esse o enredo de "Mistérios Divinos" (Devir, R$ 42), álbum que começou a ser vendido nesta virada de semana.

A história é baseada num conto escrito pelo inglês Neil Gaiman, criador do cultuado Sandman. A adaptação ficou a cargo de P. Craig Russell. A trama começa no nosso presente, em Los Angeles. Um desconhecido aparece, fila um cigarro e se oferece para contar uma história. É a tal do assassinato no reino divino. O desconhecido narrador diz ser Raguel, o anjo da vingança convocado por Lúcifer (já trabalhado de outra forma em Sandman) para descobrir o autor do crime.

A investigação se passa no momento em que um grande projeto é coordenado por todos os anjos, o da criação do universo. Os "arquitetos" tentam simular tudo o que, para nós, é óbvio. Desde o caixão para enterrar os mortos até os sentimentos mais básicos. Gaiman trabalha bem o ar de novidade entre os anjos quando tentam criar o medo, o arrependimento, o sonho, a morte, a paixão.

Os sentimentos simulados e a morte do anjo caminham juntos na trama. Quando o autor do crime é descoberto, a história volta à Terra e ao nosso presente. E tem um dos desfechos mais inesperados dos quadrinhos.

"Mistérios Divinos" já tinha publicado no Brasil. Era um dos 31 contos de "Fumaças e Espelhos: Contos e Ilusões", livro de Neil Gaiman publicado em 2004 pela editora Via Lettera. Ver a história quadrinizada dá a inevitável impressão de que se trata de um dos capítulos de Sandman. Mas não é. É o estilo de Gaiman que se impõe mais uma vez.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h40
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05/01/2007

Panini começa a publicar Turma da Mônica

Começaram a ser vendidas nesta sexta-feira as primeiras revistas da Turma da Mônica publicadas pela Panini. São praticamente as mesmas que vinham sendo lançadas até dezembro pela editora Globo, antiga casa dos personagens de Maurício de Sousa. Os títulos têm o mesmo preço e número de páginas. A principal diferença é que todos voltaram ao número um, estratégia para atrair novos leitores.
 
Dez revistas chegaram hoje às bancas: Mônica, Cebolinha, Cascão, Chico Bento, Magali, Turma da Mônica, Ronaldinho e Turma da Mônica e os Almanaques da Mônica, do Cebolinha e do Cascão. Outras estão programadas para a sexta-feira que vem.
 
A saída da editora Globo tinha sido acertada há seis meses. A mudança para a multinacional Panini faz parte de uma estratégia de Maurício de Sousa de publicar suas criações no exterior.
 
A estratégia é assumida na primeira página das novas revistas, em texto assinado pelo empresário e desenhista: "estamos com a Panini, uma casa multinacional que acena com novas tecnologias e novos territórios para nossas revistas".
 
O primeiro movimento para a inserção em outros países foi dado no primeiro semestre do ano passado. A Universal, empresa que trabalha com uma rede de 4700 jornais, passou a distribuir tiras de Ronaldinho Gaúcho para jornais estrangeiros. O acordo foi firmado em abril e tem obtido resultados.
 
Não foi a primeira vez que Maurício de Sousa trocou de editora. Há pouco mais de 20 anos, ele saía da Abril e migrava para a Globo, de olho nas possibilidades midiáticas das empresas do grupo.
 
A ida para a Panini reduz consideravelmente a linha infantil da editora Globo, agora restrita a títulos do Sítio do Picapau Amarelo e alguns especiais de Menino Maluquinho. A revista mensal do personagem de Ziraldo, uma das apostas da editora, foi cancelada no semestre passado sem muito alarde. 

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Escrito por PAULO RAMOS às 13h32
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Vallat: uma história dadaísta sobre o dadaísmo

Há um modelo de narrativa repetido à exaustão na literatura, no cinema e não é diferente nos quadrinhos. Um dado momento histórico se torna o pano de fundo da trama vivida pelos personagens. "Vallat - Uma Investigação Dadaísta" (Conrad, R$ 39) dá um passo além. Mistura história real com história da arte e faz disso uma história com arte.
 
O momento abordado é o início do dadaísta, estilo avesso à ordem, ao fixo, ao equilíbrio, ao convencional. Os primeiros passos do movimento artístico ocorreram em Zurique, na Suíça, em 1916. O país passou a receber artistas europeus, que procuravam uma forma de não lutar na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A suíça se manteve neutra no conflito.
 
Isso é fato. A ficção começa no mesmo ano, 1916. O inspetor Charles Vallat é incumbido de se infiltrar no movimento de novos artistas para averiguar as idéias "revolucionárias" do grupo. Seria a "investigação dadaísta" do título. O alvo prioritário é Hans Schlaier, ligado ao teatro (e que já tinha sido preso por deserção).
 
A investigação de Valltat não mostra em detalhes o surgimento do dadaísmo. Mas perseguir os passos de Schlaier capta o espírito de criação do movimento artístico, representado também na arte do álbum.
 
Os três autores -Bruno Moser, Reto Gloor e Massimo Milano- seguem à risca o estilo dadaísta e criam cenas que fogem à separação convencional dos quadrinhos na página (ver imagens ao lado).
 
As ilustrações se misturam, às vezes se meclam, tomam página inteira (do início ao fim do álbum). Há uma intencional busca pelo diferente, pelo não convencional, como no dadaísmo.
 
"Vallat - Uma Investigação Dadaísta" é, no fundo, uma história policial, com mistério, traições, reviravoltas (há até ritual macabro). Mas tem um brilho próprio. A anarquia visual prevalece sobre a linguagem convencional dos quadrinhos. E ajuda a construir uma trama sobre dadaísmo, narrada com dadaísmo.
  
A Conrad colocou em seu site um trecho da obra suíça, que começa a ser vendida neste finzinho de semana. É o terceiro capítulo do álbum.
 
Para ler, clique aqui.
 

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Escrito por PAULO RAMOS às 09h04
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04/01/2007

Desafio em Recife: 12 páginas de HQ em 12 horas

Parece até enredo do seriado "24 Horas", exibido atualmente pela TV Globo. Um grupo de Recife lançou o seguinte desafio aos desenhistas: produzir uma história em quadrinhos completa (roteiro, desenho, arte-final, letras), com 12 páginas e num prazo de 12 horas.
 
Detalhe: as histórias têm de ser feitas individualmente e não é permitido trazer de casa esboços ou qualquer material previamente escrito.
 
O "Recife 12 Horas de HQ" está marcado para o próximo dia 20, das 9h às 21h, na Elemental Comic Shop (rua Riachuelo, 36, Recife).
 
Os melhores trabalhos serão premiados e terão as histórias publicadas pela Pada Produções, que edita a revista independente "Prismarte". O resultado sai no dia 31.
 
A idéia é preparar os desenhistas pernambucanos para o "24 Hour Comic Day", que dedica um dia inteiro à produção de quadrinhos.
 
As inscrições para o "Recife 12 Horas de HQ" vão até o dia 18 deste mês. Só pode participar quem morar em Pernambuco e tiver mais de 14 anos. Para ler o regulamento e saber onde e como se inscrever, clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h17
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Panini lança novas revistas Marvel e DC

A revista "Wizmania" de dezembro, que começou a ser vendida nesta semana, traz algumas novidades da editora Panini para este início de ano. O principal destaque é a publicação de novas revistas, tanto da Marvel quanto da DC.

A Marvel terá cinco novos títulos mensais. "Marvel Action" é uma espécie de continuidade da revista "Demolidor", cancelada no número 35 (edição de dezembro, ainda não lançada). Vai trazer histórias do Pantera Negra, do próprio Demolidor (o início da fase escrita por Ed Brubaker), a estréia de Cavaleiro da Lua e a minissérie  "Justiceiro versus Mecenário" (que começa a partir de fevereiro). A revista terá cem páginas.

Outro título mensal com cem páginas é "Avante, Vingadores". Vai mostrar as histórias dos Jovens Vingadores, que eram publicadas na revista "Os Novos Vingadores" (vai haver duas revistas ligadas ao supergrupo). Compõem a publicação Fugitivos e Mulher-Hulk.

As três revistas mensais restantes são em formatinho (formato menor): Quarteto Fantástico, Vingadores e Quarteto Futuro. São publicações voltadas ao público mais jovem, chamado pela editora de Geração Marvel.

Outras novidades da Marvel merecem registro. A revista "Marvel Max", com títulos mais adultos, passa a ter cem páginas neste mês. Continua com Esquadrão Supremo e vai trazer Zumbis Marvel (de Robert Kirkman, o mesmo de "Mortos Vivos"), Motoqueiro Fantasma e Justiceiro do selo Max (ambos de Garth Ennis). "Marvel Especial", um sexto título, trimestral, tem a proposta de publicar apenas histórias completas. A primeira é "Homem de Ferro: Inevitável".

A Panini programou mais dois encadernados da linha "Os Maiores Clássicos", que reedita material antigo da Marvel. Um terá a Tropa Alpha de John Byrne. Outro é o segundo volume de Thor, de Walt Simonson. Ambos são dos anos 80. Deve sair neste mês o encadernado com histórias do Homem-Aranha desenhadas por Frank Miller, previsto para dezembro.

Quanto à DC, há poucas novidades, principalmente pela indefinição sobre a negociação do contrato, renovado em dezembro (leia aqui). Segundo a "Wizmania", que é editada pela Panini, estréia em janeiro uma nova revista, "DC Apresenta", com a origem da Poderosa, personagem que terá um papel importante na minissérie "Crise Infinita" (que deve sair neste mês). As histórias antigas da Sociedade da Justiça voltam a ser publicadas na "Wizmania".

A notícia confirma a política da Panini de aumentar o número de lançamentos em 2007. Mas contrasta com os atrasos nos lançamentos, um problema de 2006 ainda não resolvido.

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Escrito por PAULO RAMOS às 09h31
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03/01/2007

Gip! Gip! Nheco! Nheco!: a nova antologia do Pasquim

A história reservou ao jornal "O Pasquim" ao menos dois papéis: um de resistência e crítica ao regime militar brasileiro (1964-1985); outro por revelar e projetar um grupo extremamemte criativo de escritores e desenhistas. As duas características estão presentes em "Gip! Gip! Nheco! Nheco!", a nova antologia do Pasquim (Desiderata, R$ 34,80).

As 160 páginas da obra mostram trabalhos de Henfil, Claudius, Miguel Paiva (o "pai" da Radical Chic). O destaque, no entanto, é para o escritor Ivan Lessa e o desenhista Redi. E por um bom motivo. A maior parte da coletânea é dedicada à coluna criada por eles para "O Pasquim", a "Gip gip nheco nheco" (às vezes só chamada de "gip gip").

A coluna foi publicada entre 1971 e 1981. A edição da Desiderata compilou material até 1977.

A alma da coluna eram os textos de Lessa, escritor que se auto-exilou em Londres em 1978 (e pode ser lido regularmente no site da BBC Brasil). Ele tecia críticas afiadíssimas à situação do brasileiro durante a ditadura. Funcionava como uma história em quadrinhos, em que cada quadrinho apresentava uma frase ilustrada. Algumas:

  • Desenvolvimento no nordeste é quando um garoto consegue fazer 10 anos, 1,20m de altura e 35 kg de peso.
  • Se todas as disposições em contrário fossem revogadas, todas as disposições a favor continuariam enchendo o saco.
  • Os jovens brasileiros, quando crescem e se formam, viram críticos articulados da progressiva decadência de nosso ensino superior.
  • 3 em cada 5 índios são, cada vez mais, 1 só. Os outros 2 também.

Frases ácidas, críticas, não poupavam nada e ninguém, nem as aparentemente inocentes figurinhas da série "Amar é...", cult entre os anos 70 e 80, alvo recorrente de Ivan Lessa. Coube a Redi (como assinava Sylvio Redinger, falecido em 2004) a difícil tarefa de ilustrar os pensamentos do escritor.

O lançamento de coletâneas de "O Pasquim" virou a galinha dos ovos de ouro da Desiderata. A editora publicou o primeiro volume no começo do ano passado ("O Pasquim: Antologia – 1969-1971). Volta à carga agora com este "Gip! Gip! Nheco! Nheco!". As altas vendas indicam que outras obras virão.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h08
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02/01/2007

Quais os melhores quadrinhos nacionais de 2006?

A produção do Metrópolis, da TV Cultura, pediu que eu fizesse uma espécie de retrospectiva dos quadrinhos em 2006 no quadro que mantenho no programa. Propus uma revisão dos lançamentos nacionais. O resultado foi ao ar nesta terça-feira.Na minha leitura, não faltou qualidade ao quadrinho brasileiro em 2006. Faltou quantidade.

Difícil foi selecionar os destaques nacionais (sempre acho que cometo alguma injustiça). Separei quatro: "O Messias", de Gonçalo Junior e Flávio Luiz (capa ao lado), "Chapa Quente", de André Kitagawa, "Seis Mãos Bobas", relançamento de histórias de Laerte, Angeli e Glauco, e "Gringo, O Escolhido", de Wilson Vieira e Aloísio de Castro.

A matéria é a primeira do programa e pode ser vista no TV UOL (para assinantes). O Metrópolis traz ainda uma reportagem sobre a "Juke Box", outro destaque do ano. Para assistir, clique aqui.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h25
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2007: mais um ano de Manara no Brasil

A capa ao lado é de "Revolução", o próximo álbum de Milo Manara a ser publicado no Brasil. A história tem a tradicional mocinha sexy com pouca roupa e em posições provocantes, mas o pano de fundo é uma crítica à influência exercida pela televisão. A obra é da editora Conrad e está prevista para a segunda quinzena deste mês. É apenas o primeiro de uma série de lançamentos do desenhista italiano que deve ocorrer em 2007. A exemplo de 2006, este ano também deve ter uma overdose de títulos dele.

A Conrad pretende lançar toda a série "Clic", na qual uma maquininha, quando acionada, coloca nas alturas a libido da protagonista Claudia Christiani. A editora já lançou os dois primeiros e anunciou os dois últimos. A quarta parte é inédita no Brasil (as demais saíram pela Martins Fontes e L&PM).

Outra editora está na fase final de negociação de mais quatro álbuns de Manara. Se a transação realmente for efetivada (o que tudo indica), o desenhista italiano terá publicada no Brasil quase toda a sua obra num espaço de dois anos.

Em 2006, nunca houve tantos títulos de Manara editados no Brasil de uma só vez. Os lançamentos se alternaram entre as editoras Pixel e Conrad. O último foi "Clic 2", que começou a ser vendido no começo de dezembro. Antes, houve "Bórgia", "Gullivera", "El Gaucho", a primeira parte de "Clic", "A Metamorfose de Lucius", "Pentiti!".

A Conrad colocou uma prévia de "Revolução" no site da editora. São as páginas iniciais da obra. Para ler, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h33
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01/01/2007

Uma charge para começar bem o ano

Começa a ser escrita hoje mais uma página da história.

Que seja bem escrita.

Desejo um excelente 2007 a todos.

Justo e merecido crédito: o desenho é de Orlandeli e pode ser visto no blog dele (clique aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h39
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