30/11/2006

Quem vai ficar com a DC em 2007?

A Pixel confirmou nesta quinta-feira, por e-mail, que não vai publicar as revistas da DC Comics no ano que vem. A decisão teria partido da DC, que optara por não fechar contrato com a editora brasileira. A Pixel havia adiado vários lançamentos para 2007, como o próximo álbum de Corto Maltese, por causa da negociação. A editora informou que não vai comentar o assunto.

Uma notícia leva à outra: quem vai publicar os super-heróis da DC em 2007?

Ainda não há informação nesse sentido. Sabe-se apenas que tem de ser uma empresa com alto poder aquisitivo.

O Blog dos Quadrinhos conversou hoje à tarde com o presidente da Panini, multinacional que edita a DC no Brasil desde 2002. José Eduardo Severo Martins disse que a editora gostaria de continuar com as revistas da DC. "Todas as editoras têm interesse na DC. A Panini tem interesse também, claro".

José Eduardo Martins diz que, até o momento, não há nada acertado. "Se a DC fica com a Panini ou não, eu não tenho essa informação". Segundo ele, as negociações são feitas por meio da matriz italiana, que estaria aguardando uma posição oficial da sede da DC, nos Estados Unidos. Essa informação dá a entender que houve uma proposta feita pela Panini.

De concreto, por enquanto, é o fato de que o contrato da Panini com a DC encerra no dia 31de dezembro deste ano. Há dois cenários. Se não for renovado, a editora publica até o fim do ano a minissérie "Crise Infinita" num volume só, segundo Martins. A obra, o mais importante evento da DC dos últimos anos, saiu originalmente em sete edições. Se o contrato for renovado, essa decisão pode ser revista.

Outras editoras que publicam material da DC no Brasil não foram informadas oficialmente sobre qualquer decisão da editora norte-americana a respeito da ida dos personagens para outra empresa. O clima de incerteza, no entanto, instigou a busca por outros materiais. A Devir, que edita Preacher e Fábulas, ambos da DC, procurou garantir outros contratos para 2007. No ano que vem, terá Bone, Lost Girls (de Alan Moore) e mais álbuns de Luluzinha.

A informação de que os direitos de publicação da DC iriam para a Pixel surgiu em setembro, em matéria veiculada no site Universo HQ. A notícia dava como certa a transação (o site colocou no ar hoje uma matéria explicando os bastidores do que ocorreu) . À época, o Blog dos Quadrinhos apurou que a negociação existia, mas que o acordo não estava cem por cento fechado (postagem de 13 de setembro).

Do ponto de vista do leitor, o principal interessado na história, o ponto-chave é: a pouco mais de um mês para a virada do ano, ainda não se sabe quem vai editar Batman, Super-Homem e companhia em 2007.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h53
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Violência de Battle Royale chega ao Brasil

Imagine a seguinte situação. Você está no último ano do colégio. O governo escolhe a sua sala para participar de um projeto chamado "O Programa". Você e seus colegas de escola são levados involuntariamente para uma ilha deserta e mantidos lá contra a vontade. Detalhe importante: você só sai dali se matar todos os outros jovens. Se não fizer isso, um dispositivo colocado em volta do seu pescoço explode sua cabeça.

É esse o roteiro de "Battle Royale", lançado este mês no Brasil (Conrad, R$ 9,90). É um dos mangás mais comentados dos últimos anos. A polêmica, como se nota, é por causa da violência. Correção: das doses cavalares de violência. Até a metade deste primeiro número, morrem dois dos 42 estudantes (sem falar no assassinato de um docente e no estupro de uma professora). Do meio para o fim, mais três jovens são mortos. Não é para menos que a capa da edição nacional estampa a recomendação "impróprio para menores".

É tentador dizer que o mangá repete parte do enredo da série "Lost". Engano. É "Lost" que usa "Battle Royale" como inspiração (há até os flashbacks). A história foi feita originalmente em livro, em 1999, escrito por Koushun Takami. No ano seguinte, ele adaptou a história para os quadrinhos, desenhados por Masayuki Taguchi. Um mês depois, estreava no Japão a adaptação cinematrográfica, que teve participação especial do ator e diretor Takeshi Kitano (de "Zatoichi", entre outros) como o temido professor disciplinador (imagem ao lado). Houve um segundo longa em 2003, "Battle Royale: Requiem".

Falar da violência de "Battle Royale", muitas vezes excessiva e gratuita, só serve para fomentar a polêmica em torno da obra, que terá 15 volumes no Brasil. E polêmica, como se sabe, é uma excelente estratégia de marketing para aumentar vendas.

Nota: há uma prévia da história no site da Conrad. Para ler, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h45
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29/11/2006

DVDs de Superman mantêm dublagem original

O lançamento de “Superman – O Retorno” levou a Warner a relançar os quatro primeiros filmes da série cinematográfica (preço sugerido: R$ 34,90 cada um). Os DVDs trazem uma boa surpresa: a dublagem original dos longas. A voz do herói, interpretado por Christopher Reeve, era feita por André Filho, tido como um dos maiores dubladores brasileiros.

 

Nos trabalhos que fazia, ele não se limitava a emprestar a voz ao ator. Conseguia modular o timbre de tal modo que reproduzia o modo de falar do personagem.

 

Dois exemplos: Sean Connery em “Os Intocáveis” e Sylvester  Stallone nos três primeiros filmes da série “Rocky – O Lutador”. É só comparar a versão inglesa com a feita no Brasil.

 

A lista de atuações de André Filho é longa. Dublou Lee Majors (em “O Homem de Seis Milhões de Dólares”), Roger Moore e Sean Connery (em 007), Keith Carradine (“no último ano da série “Kung Fu”), a voz de Kitt, o computador de bordo do seriado “A Super-Máquina” (no último ano da série).

 

A lista só não é maior por dois motivos, ambos pesarosos. André Filho morreu em 1997, vítima de complicações causadas pela Aids. O outro motivo é que parte dos filmes em que atuou foi redublada, caso de 007 (restou um com a voz dele) e dos longas de Superman. Imaginava-se que esta versão tivesse sido destruída. Curiosamente não foi o caso. Os DVDs da Warner prestam uma justa homenagem, tanto a Reeve quanto ao dono de sua primeira voz em português.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h36
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Primeira-dama vira personagem de quadrinhos

A esposa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva virou personagem de quadrinhos. As histórias de Dona Marisa saem todas as quartas-feiras no blog do cartunista Flávio, um dos criadores da tira. Só saem no blog, segundo ele, porque nenhum órgão de imprensa teria coragem de publicar o material. A tira acima é a mais recente. Entrou no ar hoje.

A idéia surgiu durante o Salão de Humor de Paraguaçu Paulista, realizado há duas semanas. Foi lá que Flávio conheceu o cartunista Verde, o outro autor da tira. Ambos integraram a comissão julgadora. "Fiquei logo amigo do Verde e conversamos bastante", diz Flávio, que já soma 30 anos de carreira. "A gente começou a falar dos absurdos cometidos durante o governo Lula. Então eu me lembrei da dona Marisa, que ao meu ver é uma nulidade. Só vive na sombra do marido, não foi eleita pra nenhum cargo público e tem uma sala no Palácio do Planalto! Um absurdo total!"

Flávio pediu a Verde, que já foi roteirista na editora Abril, se aceitava escrever as tiras. "Ele topou. Quando voltamos de viagem, uns dois dias depois, o Verde me manda os roteiros de três historinhas", conta Flávio, que já teve passagens pelo "Pasquim", pela "Mad" (foi diretor de arte) e por uma série de jornais.

O Blog dos Quadrinhos perguntou se ele e Verde não têm medo de que a tira seja lida como ofensiva. "Não temos essa preocupação. Acho que essa primeira-dama (assim como o marido) é muito fraca. Todas as primeiras-damas de presidentes tiveram um papel social relevante nos mandatos de seus maridos. Essa aí não coloca um prego num sabonete, e ainda fica com uma sala no Palácio do Planalto sem ter um cargo público. E a tal estrela do PT que ela mandou fazer nos jardins do Palácio da Alvorada? Coisa que jamais poderia ter sido feita, já que o Palácio é tombado. O que foi feito disso? Nada. Essa gente confunde o público com o privado e faz proselitismo com o dinheiro do povo."

Flávio mora em Franca, cidade no interior de São Paulo. É de lá que desenha as histórias após receber o roteiro de Verde. Para acessar o blog dele, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h58
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Relançado livro que ensina como fazer roteiro de HQ

Dica rápida. A editora Marca de Fantasia relançou o livro "A palavra em ação: a arte de escrever roteiros para histórias em quadrinhos". É a terceira edição da obra, escrita por Marcelo Marat. A proposta, como o título diz, é apresentar um guia sobre como criar uma história em quadrinhos. Uma obra assim é rara no mercado. Por isso, tem esgotado com facilidade. O livro custa R$ 14 e só é vendido por meio do site da editora. Para acessar, clique aqui.

Outra dica. Há um curso de quadrinhos gratuito num site de Portugal, onde as HQs são chamados de bandas desenhadas. O "Tratado de banda desenhada" foi elaborado por Francisco Chinita. Ele diz na apresentação do curso que queria publicar as aulas num livro, mas não conseguiu porque "as editoras ainda não têm coragem para se aventurar neste mercado". Colocou todo o material na internet. De graça. Para ler o curso, clique aqui.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h12
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28/11/2006

Tira inédita de Mismatches no Metrópolis

O desenhista Acácio Geraldo de Lima produziu uma tira inédita de Mismatches. A história foi montada durante a gravação de uma reportagem para o programa Metrópolis, da TV Cultura. Ele fez uma brincadeira sobre a falta de iluminação num estúdio de TV.

Acácio tinha produzido até então oito tiras de Mismatches, que mistura desenho e colagem. A criação dele ficou em primeiro lugar na categoria tiras no Salão Internacional de Humor de Piracicaba deste ano. Todas as tiras já foram mostradas aqui no Blog dos Quadrinhos (veja nas postagens de 29.08, que mostra os premiados de Piracicaba, e de 19.09).

Veja abaixo a nova criação de Acácio, que tem planos de produzir mais tiras e reunir tudo num livro. Para assistir à reportagem exibida no Metrópolis, clique aqui (assinante UOL).

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h34
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Quadrinhos viram livro escolar em 2007

O governo federal divulgou nesta segunda-feira as histórias em quadrinhos incluídas no Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE). Fazem parte da lista: "Toda Mafalda", com tiras da personagem criada pelo argentino Quino (ao lado, a capa da primeira edição); o premiado "Santô e os pais da aviação", de Spacca, que faz a biografia de Santos Dummont; "Dom Quixote em quadrinhos", de Caco Galhardo; "Na prisão", um mangá feito por Kazuichi Hanawa.

As obras serão distribuídas no ano que vem a 46.700 escolas públicas de ensino fundamental. São 7,5 milhões de exemplares, que devem atender 14 milhões de alunos. Segundo nota divulgada no site do MEC (Ministério da Educação e do Desporto), o governo defende que o elemento visual é um atrativo a mais para incentivar a leitura nos alunos.

O Blog dos Quadrinhos noticiou o assunto no dia 12 de setembro. Na ocasião, não havia confirmação sobre os quadrinhos incluídos no PNBE. O governo anunciara apenas os nomes das editoras.

O governo federal apenas segue a orientação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, elaborados no fim dos anos 90, ainda sob administração de Fernando Henrique Cardoso. Os Parâmetros –popularmente conhecidos como PCNs- têm como eixo central a necessidade da leitura de textos de diversos gêneros. Assim, orientavam os professores dos ensinos fundamental e médio a utilizar em sala de aula piadas, editorias, reportagens. As histórias em quadrinhos também foram incluídas.

A presença dos quadrinhos nos Parâmetros Curriculares foi o principal motivo do aumento dos estudos sobre o tema nas universidades de Letras. Até então, eram raras abordagens lingüísticas sobre o assunto. Foi nesse contexto que surgiu o livro interdisciplinar "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula", organizado por Ângela Rama e Waldomiro Vergueiro e do qual sou um dos autores. A obra, lançada pela Contexto em 2004, está na terceira edição.

Colocar quadrinhos na escola é algo que chega com atraso. No começo da década de 90, o vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) já pedia aos futuros universitários a interpretação do humor em tiras cômicas. A questão é repetida até hoje. O ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) também usou o recurso em todas as provas, exceção feita à deste ano. A maioria dos livros didáticos de língua portuguesa já usa a linguagem há vários anos.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h04
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27/11/2006

Revista argentina Fierro volta a ser publicada

A revista argentina "Fierro" voltou a ser publicada neste mês. O primeiro número saiu no dia 11 junto com o jornal "Página 12". O mesmo processo de venda vai ser repetido mensalmente, sempre no segundo sábado. A equipe que está à frente do título é a mesma de antes, com nomes importantes como José Muñoz, Carlos Sampayo, Tati, Breccia, Carlos Trillo, Carlos Nine (que vai desenhar Porto Alegre para a série "Cidades Ilustradas"). Há desenhistas novos também, como Maitena.

A "Fierro" foi uma das mais importantes revistas em quadrinhos da Argentina. Reuniu os principais quadrinistas do país, que tinham acabado de sair do regime militar argentino. O primeiro número saiu em setembro de 1983 e último, em dezembro de 1992 (na centésima edição).

A imagem acima é do número 79, de março de 1991. "Fierro" serviu de inspiração para a extinta "Animal", publicada no Brasil nos anos 80 e 90.

Perguntar não ofende: por que o Brasil ainda ignora o quadrinho argentino (que tem muito mais do que Maitena e Quino)?

Nota: esta notícia foi uma dica do leitor Zerramos. O crédito pela informação é todo dele.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h54
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David Lloyd quer lançar novo álbum no Brasil

 

 

 

David Lloyd durante sessão de autógrafos no sábado, em São Paulo

 

 

 

O desenhista de David Lloyd quer publicar no Brasil o álbum "Kickback", de sua autoria. Ele está à procura de uma editora. A informação foi dita pelo próprio ilustrador durante palestra na livraria Fnac, em São Paulo, no sábado à tarde. A obra é um quadrinho sobre crimes, como ele mesmo define. A primeira publicação foi na França, em 2003.

Entre as mais de 50 pessoas presentes, estava um representante da editora da Pixel, que demonstrou interesse em conversar com Lloyd. Há uma prévia da obra no site do desenhista (clique aqui).

O desenhista inglês está no Brasil para registrar impressões sobre a cidade de São Paulo. A pesquisa será usada na composição do sétimo volume da coleção "Cidades Ilustradas", da editora Casa 21, também presente ao debate. Cada número mostra uma cidade brasileira pelo traço de um ilustrador.

A oitava edição, a editora confirmou no sábado, será sobre Porto Alegre e vai ter arte do argentino Carlos Nine. O trabalho de Lloyd sobre a capital paulista tem duas possíveis datas para ser lançado, segundo a Casa 21: fim de 2007 (data desejada) ou no começo de 2008 (se o processo de edição atrasar). O projeto tem patrocínio da Esso. O desenhista teve quinze dias para visitar a cidade, cinco a mais do que os outros desenhistas da coleção. "É porque é a maior de todas", diz.

Lloyd concorda com a idéia de que a melhor visão é a de quem vê de fora. O ponto de vista dele sobre São Paulo, então, adquire uma importância ainda maior. "Me chamou a atenção o cinza e o verde", disse, sempre com a ajuda da escritora e roteirista de quadrinhos Marcela Godoy, que o acompanhou pela cidade e fez as traduções. "Vocês tem muito verde aqui". Apesar de a editora ter imaginado o álbum em preto-e-branco, é possível que cores pontuais componham o trabalho.

Ele faz mistério sobre o que vai colocar no papel. Deixou claro que a situação das moradias –mais especificamente a das favelas- o tocou de alguma forma. Mencionou o problema mais de uma vez. Ficou impressionado com o processo de "encher" laje, que conta com a ajuda de vários moradores para o serviço. Ele faz mistério também quanto ao estilo que vai usar nas ilustrações. "Posso surpreender. Posso fazer algo novo. Posso usar o estilo antigo".

Ficou claro, no entanto, que o sétimo volume de "Cidades Ilustradas" terá dois lados da capital paulista, o bom e o ruim. Ele antecipa uma possível pergunta, se o morador não poderia se sentir ofendido com isso. "I dont´care", diz com um sorriso maroto, que começou a esboçar a partir da metade do debate e após tomar dois copos de vinho.

Durante a exposição, o desenhista britânico se mostrou uma pessoa bem diferente do personagem anárquico que ajudou a criar para a minissérie "V de Vingança", seu trabalho mais famoso. Fala mansa, fluente, sem flutuação de tom. Demonstrou-se polido e atencioso, e não deixou de responder a nenhuma pergunta, inclusive as mais cabeludas.

Este blogueiro (que mediou o debate) quis saber a opinião dele sobre a briga de Alan Moore, escritor de V, com a editora DC Comics. Você compartilha da mesma visão de Moore? Lloyd diz que não teve nenhum problema contratual com a DC e que a editora cumpriu exatamente o que previa o contrato. O problema de Moore, diz, é que ele vê no contrato algo mais, que não existe. É o jeito de ser dele, conclui. "Moore é um anarquista".

Se a melhor visão é a do estrangeiro, como comentado acima, não deixa de ser curiosa a opinião dele sobre a situação política do Brasil. "O país sempre esteve à sombra dos Estados Unidos, era o quintal deles", diz. Ele vê a situação atual, no entanto, com otimismo. "Vocês têm agora uma ótima oportunidade para mudar as coisas", em referência à política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nota: já noticiamos, mas não custa reforçar. Lloyd faz mais uma palestra hoje à noite, em São Paulo. É na Universidade Mackenzie. Começa às 20h.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h27
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26/11/2006

Morre desenhista que revitalizou X-Men

Morreu hoje de manhã, nos Estados Unidos, o desenhista Dave Cockrum. A notícia foi divulgada por Clifford Meth, um amigo da família, e começou a circular em sites estrangeiros durante a tarde. Segundo a nota escrita por ele, Cockrum teve complicações causadas pelo diabetes. Estava com 63 anos.

Dave Cockrum é mais conhecido no Brasil por ter participado da revitalização dos X-Men, em 1975. É dele a arte das primeiras histórias que mostram a nova composição da equipe (com Wolverine, Tempestade, Colossus e outros).

Anos depois, a revista se tornou líder de vendas nos EUA. Cockrum deixou os personagens após algumas edições. Foi substituído por John Byrne. Retomou a revista na década de 80, mas o reencontro com os heróis mutantes não durou muito.

Dave Cockrum mantinha um site sobre seu trabalho. É de lá a imagem desta postagem. Para visitar, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h00
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Encontro histórico de ilustradores no Rio

 

 

 

Gutemberg Monteiro (à esquerda) e Benício no Ilustra Brasil! (Ana Maria Moura ao fundo)

 

 

 

O desenhista brasileiro Gutemberg Monteiro deu uma palestra no último dia de debates do Ilustra Brasil!, evento que terminou na sexta-feira no Rio de Janeiro. Gutemberg –ou somente Goott, como também é conhecido- começou a fazer ilustrações na década de 40. Atuou tanto no Brasil como no mercado norte-americano. O Blog dos Quadrinhos pediu para o ilustrador Orlando Pedroso, outro palestrante do dia, um depoimento sobre o bate-papo com Goot, que completa 90 anos em dezembro. Orlando se superou. Conseguiu registrar um encontro histórico entre Gutemberg e o ilustrador Benício, autor de vários dos cartazes feitos para o cinema.

Com a palavra, Orlando (que aparece na imagem abaixo, entre os dois ilustradores):

Pra algumas coisas, você precisa ter um pouco de sorte. Fui ao Rio para lançar o "Moças Finas" e dar uma palestra no evento IlustraBrasil!, organizado pela SIB (Sociedade Brasileira de Ilustradores). A palestra que abriu o evento na sexta, dia 24, era com o carioca Gutemberg Monteiro, senhor que do alto de seus 90 anos, 3 pernas, como ele diz, mantém viva boa parte da memória da introdução dos quadrinhos no Brasil.
Funcionário da Rio Gráfica, era o principal capista de publicações como a X-9 até ser convidado a trabalhar na América. De studio em studio, desenhou Superman, Batman, Gasparzinho, Brazinha, Tom e Jerry entre outros. Morador do Queens, só não se deu melhor, segundo ele, porque não tem ambições. Temporariamente no Brasil, está cheio de planos e registrando personagens. Na platéia, Benício que diz ter tido Gutemberg como seu mestre. Este, por sua vez, diz que Benício chegou pronto. Detalhes.Goott vem ao Brasil anualmente, quando participa do encontro dos contemporâneos da Rio Gráfica.
Quem viu, viu.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h13
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25/11/2006

Chargista invade redação e mantém jornalistas reféns 

Um chargista do "El Nuevo Herald" invadiu a redação do jornal neste sábado e manteve os funcionários sob ameaça de uma metralhadora por três horas e meia. O desenhista Jose Varela pedia a demissão do diretor de redação, Humberto Castelló, e do diretor-executivo, Tom Fidler. O jornal tem sede em Miami, nos Estados Unidos.

Varela chegou ao jornal às 10h40. Estava com roupas militares e uma camisa com a sigla FBI escrita nas costas. "Sou o novo diretor aqui. Que venha Humberto aqui", teria dito, segundo o site do "El Nuevo Herald". Muitos pensaram ser uma brincadeira. Viram que o negócio era sério quando o chargista cubano entrou na sala do diretor de redação e começou a quebrar o computador e a tirar quadros das paredes. Foi quando começou a manter refém a equipe usando a metralhadora.

A polícia foi acionada e iniciou uma longa negociação com o desenhista. Jose Varela se entregou às 14h15. Os dois diretores permanecem nos cargos. Ninguém ficou ferido.

Varela é cubano e estava em Miami como refugiado político. Ele publicava charges diariamente no "El Nuevo Herald" (para ver os trabalhos dele, clique aqui). Esse foi o segundo incidente na sede do jornal ocorrido neste semestre. No fim de julho, uma pessoa se suicidou no local. No Brasil, houve caso parecido neste ano, quando um chargista invadiu o Projac, lugar onde são gravadas as novelas e minisséries da TV Globo, no Rio de Janeiro.

O assunto ecoou rápido na blogosfera brasileira. É do chargista Nico, do Rio de Janeiro, o desenho abaixo:

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h57
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Álbum do espanhol Max faz surrealismo em quadrinhos

Entre o anúncio da criação da Zarabatana e o início da venda do primeiro álbum da editora foram quatro dias. "O prolongado sonho do Sr. T." (R$ 29) já chegou a algumas lojas especializadas em quadrinhos de São Paulo (deve ser repassado a outras cidades na próxima semana). A tomar como base esta obra inaugural, a editora começa bem.

O álbum é surreal. Tem de ser surreal, aliás. De que forma poderia ser narrada o sonho de uma pessoa se não pelo recurso do non-sense? O comerciante Cristovão T., o dono do sonho, dormiu no dia 17 de março de 1993, como fazia todos os dias. Acordou às sete da manhã. Só que 40 dias depois. Estava na UTI de um hospital.

Ao despertar, Cristóvão –ou só Sr. T.- pede um papel e uma caneta. Quer descrever as imagens que passaram por sua mente durante o tempo em que esteve dormindo. É essa a história do álbum. O relato de um sonho, um diálogo dele com ele mesmo. Os coadjuvantes que surgem ao longo da narrativa não passam de figuras criadas pelo subconsciente de T., que terão um papel fundamental no final da trama.

O relato, pela peculiaridade de ser um sonho, não se preocupa com uma condução narrativa muito linear. O protagonista está nu o tempo todo. Alguns percebem a ausência das roupas, outros não. Em outro momento, do nada, surge o Supermouse, antigo personagem dos desenhos animados. Por que surgiu e por que desaparece logo depois são um mistério sem muito sentido. Nada mais lógico para descrever o ilógico subconsciente (que deve ser uma das moradas do supercamundongo). O desenho da obra, com diagramação tortuosa, reforça o tom psicológico do álbum.

A história é escrita e desenhada por Max, forma como assina o espanhol Francesc Capdevila, um dos mais destacados quadrinistas do país europeu. No Brasil, ele é lembrado pelos leitores da "Animal", publicada nos anos 80. A revista trazia material alternativo de outros países. Max teve publicada uma de suas criações, Peter Pank, uma radical paródia de Peter Pan (imagem ao lado).

A Zarabatana (sediada em Campinas, interior paulista) surgiu com a proposta de publicar quadrinhos alternativos, obras que dificilmente sairiam no Brasil, por mais promissor que esteja o mercado. A idéia é editar material estrangeiro, um por mês. Há três outras obras programadas (leia aqui). A qualidade de "O prolongado sonho de Sr. T." reforça a expectativa para o que virá. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h46
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23/11/2006

Pesquisa da UFMG mostra como ensinar artes usando quadrinhos

João Marcos é mais conhecido pela faceta de desenhista. Só que o ilustrador mineiro –mora em Governador Valadares- esconde um outro lado, bem menos noticiado: o de pesquisador. Ele tem um estudo sobre o uso de quadrinhos no ensino de artes. A pesquisa fez parte de um mestrado, defendido neste semestre na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

O estudo levou dois anos para ficar pronto. "Mas há um bom tempo eu já estava lendo bastante, procurando algumas respostas", diz. A pesquisa mostrou uma aplicação para o ensino fundamental da história em quadrinhos "Persépolis", da iraniana Marjane Satrapi, em que a narradora descreve a infância vivida naquele país (a Companhia das Letras publicou três volumes da obra). A página é uma das usadas no mestrado.

"As questões relacionadas à produção de imagens, à apreciação, à reflexão e à elaboração artística são pontos importantes no que diz respeito ao ensino de arte", diz o pesquisador, de 31 anos, que também atua como professor de cursos de design gráfico, arquitetura e urbanismo. "Através da produção de histórias em quadrinhos, em que os estudantes passam por várias etapas, é possível desenvolver vários conteúdos e o mais importante, competências e habilidades comuns a outras modalidades artísticas e outras tantas específicas das HQs."

A conclusão do mestrado atesta que é, sim, possível utilizar quadrinhos para o ensino de artes. O problema é outro, segundo ele. É a resistência que ainda existe no meio acadêmico. "Pessoalmente, foi muito bom poder defender uma dissertação sobre quadrinhos numa escola de Belas Artes, que, apesar da inegável abertura para essa área, ainda encontra uma certa resistência. Às vezes, nas disciplinas, eu me sentia um peixe fora d’água, mas sempre tive convicção de que os quadrinhos poderiam oferecer muito mais no campo das artes."

João Marcos Parreira Mendonça quer dar seqüência ao estudo, que deve ser compilado num livro. Recebeu da banca avaliadora a recomendação de publicar o mestrado. Ele faz parte de um novo grupo de pesquisadores que também são desenhistas. E de destaque. Na semana passada, João Marcos venceu a categoria tiras do Salão de Humor de Paraguaçu Paulista, seu primeiro prêmio (veja na postagem do dia 17.11). Na imprensa, publica na imprensa mineira as histórias de Mendelévio, um garoto que fica às turras com a irmã, Telúria. O personagem já rendeu um livro. Pode vir outro no ano que vem.

Na entrevista abaixo, feita por e-mail, João Marcos comenta sobre seus trabalhos e fala da pesquisa no ensino de artes.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h42
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Entrevista: João Marcos Mendonça

(continuação da postagem anterior)

 

- No seu entender, os quadrinhos possibilitam o aprendizado de mais ou menos conteúdo na área de artes?

- A vantagem dos quadrinhos é que podemos trabalhar vários conteúdos numa só modalidade. A partir das HQ podemos trabalhar teoria da cor, forma, estudos sobre composição, bidimensionalidade, entre outros, além dos elementos visuais como ponto, linha, textura, volume, movimento, superfície. Mas o que considero muito importante é que as HQs podem ser uma modalidade artística, em que o aluno pode experimentar e explorar as suas possibilidades expressivas, além de várias questões relacionados ao aprendizado em arte.

 

- Você usou na dissertação uma história de Persépolis. Como foi a aplicação da obra no ensino de artes?

- Usei a história Persepólis para mostrar que podemos analisar uma HQ seguindo parâmetros artísticos, como se analisa uma obra de arte. Procurei mostrar aspectos culturais, referências e influências artísticas da autora que aparecem em Persepólis. Analisei os elementos visuais e como eles são utilizados. Pra mim, ficou claro que a formação e o conhecimento que ela teve em artes deixou a história melhor e muito mais rica do ponto de vista artístico. Essa obra em específico e várias outras produções podem ser utilizadas em sala de aula, até as que são consideradas "industrializadas", como as de super-heróis. A escolha fica a critério do professor e da realidade escolar em que está inserido.

 

- O que o levou a estudar o assunto?

- Desde a minha graduação em arte-educação, eu vinha trabalhando com oficinas de histórias em quadrinhos. Acabei não lecionando Arte. Mas, nas oficinas, eu fui percebendo que vários conceitos e conteúdos do ensino de arte estavam presentes na produção de HQ. Quando passei a lecionar no curso de Design Gráfico algumas displinas específicas, como Composição, Plástica e Desenho, tive ainda mais certeza. Nesse processo, acabei criando uma metodologia que, graças a Deus, estava dando ótimos resultados. Fui atrás do mestrado pra tentar provar o que eu já vivenciava na prática: que se pode aprender arte através da produção de HQ e que elas podem ser uma modalidade artística como o desenho, a escultura, gravura, pintura, entre outras.

 

- Havia um rótulo de que quadrinhos e sala de aula não combinavam. Seu estudo abordou esse assunto?

- Sim. O primeiro capítulo foi todo dedicado a isso. Li vários e vários livros sobre a história das HQs e sobre como estava a arte no período do surgimento dos quadrinhos e durante o restante do século 20. Procurei descobrir de onde e como surgiram os vários preconceitos relacionados aos quadrinhos e o porquê de sua rejeição no campo da arte e no ensino. Depois pesquisei os artistas e as situações que contribuíram para mudar esse panorama.

 

- Qual foi o momento de "virada", data em que você sentiu que os quadrinhos passaram a entrar nas aulas de arte?

- Acredito que aconteceu quando comecei a ministrar oficinas para professores, em cursos de extensão da UFMG (Universidade Federal de mnas gerais) e em projetos como a Maratona de Quadrinhos, que aconteceu no 3º FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) em Belo Horizonte. Pra mostrar que é possível trabalhar as HQs como modalidade artística, eles tinham que criar seus personagens e produzir um fanzine ao final do curso, além de conhecer mais sobre essa linguagem. Tenho visto que, independentemente da idade, é possível aprender a desenhar e utilizar as HQs como expressão artística. E o retorno que eles deram das experiências em sala de aula foram muito positivos.

 

- E para Mendelévio? Novidades?

- Continuo produzindo uma página por semana em tamanho tablóide para o jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, e para um jornal aqui de Valadares (também em Minas). Estou esperando juntar um pouco mais de material (apesar de já ter uma boa quantidade) pra pensar e tentar mais uma publicação no próximo ano, quem sabe em cores, como no jornal. Tenho postado as histórias novas em um blog, que tem dado um retorno muito legal (para ler, clique aqui).

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h37
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David Lloyd dá duas palestras em São Paulo

Dica rápida. O desenhista da minissérie “V de Vingança”, David Lloyd, dá duas palestras em São Paulo. A primeira é neste sábado, às 16h, na Fnac Pinheiros (av. Pedroso de Moraes, 858). Fui convidado para fazer a mediação do debate.

 

O segundo bate-papo é na segunda-feira, às 20h, na Universidade Mackenzie (rua da Consolação, 930). O evento será conduzido por Octavio Cariello, desenhista e professor da Quanta Academia, que organiza a palestra com a editora Casa 21.

 

As duas palestras são gratuitas.

 

O inglês David Lloyd chegou ao Brasil no fim da semana passada. Ele vai desenhar a capital paulista para a série “Cidades Ilustradas”, da editora Casa 21. Já foram publicados seis volumes da coleção, que mostra as cidades brasileiras sob o traço de diferentes ilustradores.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h10
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HQ da Marvel escancara crítica à política externa de Bush

O escritor Mark Millar já usou várias de suas histórias para cutucar a política externa norte-americana iniciada no primeiro mandato do governo George Bush. Em “Authority”, sobre um grupo que exerce o papel de defensor do planeta, não eram poucas as ironias sutis contra o presidente e as sucessivas invasões feitas pelo país. A diferença, agora, é Millar explicita a crítica. Fez isso na história de “Os Supremos”, publicada este mês na revista “Marvel Millenium - Homem-Aranha” (Panini, R$ 7,90). A edição é do mês passado, mas só chegou às bancas em novembro.

 

Nos Estados Unidos, a aventura saiu no nono número de "The Ultimates 2", em janeiro deste ano. O mundo se alia contra os americanos, num ensaio de terceira guerra. Uma força de seres superpoderosos ataca os norte-americanos. É aí que Mark Millar escancara a crítica a Bush, verbalizada na boca do líder do grupo anti-EUA.

 

Duas frases do líder. Primeira: “Me ofereci como voluntário para liderar esta coletividade internacional simplesmente porque os planos dos Estados Unidos tinham de ser restringidos”. Outra: “O mundo é um lugar mais seguro agora que este novo Império Romano foi contido”.

 

O grupo “Os Supremos” é uma versão modernizada dos “Vingadores”, ambos da editora Marvel Comics. Capitão América, Thor, Homem de Ferro e outros seres com habilidade especiais integram uma força tática que tem a função de atuar em grandes crises. O comando fica a cargo do governo norte-americano.

 

A crítica de Ellis é feita ao mesmo tempo em outra série da Marvel, Poder Supremo, publicada no Brasil na revista “Marvel Max” (também da Panini). Novamente, há uma seleção de pessoas superpoderosas a serviço dos Estados Unidos. A primeira tarefa do grupo é sumir com o ditador de um país do terceiro mundo, algo que o exército dos Estados Unidos jamais poderia fazer “oficialmente”.

 

Os quadrinhos de super-heróis –alguns, não todos- deram um fim à lua-de-mel que mantinham com a política externa de Bush. Logo após os ataques do 11 de Setembro de 2001, os autores de quadrinhos refletiram em suas histórias o sentimento de lamentação e de impotência vivido pelo americanos. As revistas que abordavam o tema tinham um tom ufanista e pró-belicismo.

 

Numa revista especial, o Homem-Aranha e vários heróis ajudam nos resgates às vítimas. O Capitão América se incumbe a fazer uma cruzada contra o terrorismo, mesmo que ninguém soubesse -nem ONU, nem Estados Unidos- soubesse o que era terror ou terrorismo (comentamos o assunto em postagem do dia 11 de setembro).

 

Anos depois (mas não muito depois), o povo americano acorda e percebe que a invasão ao Iraque não se resolvia e que os soldados morriam. Surge um novo sentimento, que tem no documentarista Michael Moore a projeção mais extremada. A popularidade de Bush cai, e continua em queda. E os autores de quadrinhos passam a ter uma postura mais crítica com relação ao governo dos Estados Unidos. Art Spiegelman já havia levantado a questão em “A Sombra das Torres Ausentes”, lançado pela Companhia das Letras. Mark Millar segue a tendência.

 

Não há mais metáforas. Há críticas explícitas. E os quadrinhos de super-heróis, mais uma vez, refletem o sentimento da sociedade americana.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h01
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22/11/2006

Pesquisadores querem recriar núcleo de quadrinhos da Intercom

Estudos sobre quadrinhos podem voltar a fazer parte do principal congresso de comunicação do país, a Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação). Desde a década de 90, o evento mantinha um núcleo exclusivo para quadrinhos, com apresentação de pesquisas vindas do país inteiro. Neste ano, o núcleo foi desativado. A proposta é recuperar o espaço já no próximo congresso, no ano que vem.

 

A idéia de recuperar o espaço dentro da Intercom é encabeçada pelos professores Waldomiro Vergueiro, da Universidade de São Paulo, e Roberto Elísio dos Santos, da Universidade IMES. Eles tornaram pública a intenção na tarde desta quarta-feira, no fim do 1º Seminário de Pesquisa de História em Quadrinhos, realizado em São Caetano do Sul, no ABC paulista. O seminário apresentou estudos deste ano feitos na USP e na Unesp (Universidade Estadual Paulista) e mostrou que aumenta o número de teses e dissertações sobre quadrinhos nos cursos de pós-graduação do país (veja na postagem do último dia 14).

 

Para recriar a núcleo na Intercom, há duas exigências: 1) oito professores com título de doutor têm de se associar à Intercom; 2) eles devem se inscrever no tema ligado a quadrinhos. Vergueiro e Elísio dizem ter seis doutores inscritos. Um sétimo está para se inscrever. O oitavo nome, segundo eles, será Gazy Andraus, que defende tese de doutorado na USP no dia oito de dezembro.

 

A próxima edição da Intercom vai ser realizada em Santos, no litoral de São Paulo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h02
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Cresce o número de revistas sobre quadrinhos no Brasil - I

A revista Wizard, atual Wizmania, tem um grande mérito. Está há três anos no mercado. Não é pouca coisa. As várias tentativas de firmar no Brasil uma publicação sobre quadrinhos naufragraram nos primeiros números. A maré traz neste fim de ano uma nova onda de tentativas. Com uma grande diferença. Desta vez, não são casos isolados. Parece haver uma tendência de revistas sobre o tema.

A "Mundo dos Super-Heróis" já está no segundo número. Procura atingir um público semelhante ao da Wizmania. A estratégia é rechear a publicação com notícias e curiosidades sobre heróis. No número 2 (capa ao lado, desenhada por Renato Guedes), o maior destaque é o Homem-Aranha. Há um dossiê (o nome não é força de expressão) de 20 anos a respeito do personagem da Marvel. Mais outro tanto com curiosidades do seriado de televisão da década de 70 e das diferentes versões animadas.

"O projeto inicial era sair [com a revista] quando houvesse um grande evento", diz Manoel de Souza, um paulistano de 33 anos da Freguesia do Ó, que edita a revista para a Editora Europa. Mas a repercussão convenceu a empresa a dar carta branca para uma segunda edição.

"Do nada, vários editores e leitores elogiaram". Só na primeira semana de publicação do número inicial, no fim de junho, ele recebeu tantos e-mails que, se colocados em seqüência, dariam 20 páginas de texto. Já há material para um terceiro número.

Manoel de Souza conta que faz a "Mundo dos Super-heróis" por hobby, um gosto que surgiu quando fazia fanzines na metade da década de 80. "Desde que me interessei por quadrinhos, além de ler as histórias, sempre quis editar uma revista minha", diz. "Faz 15 anos que tento fazer a revista. Aos 12, 13 anos, eu fazia todo o trabalho de edição. Queria ser editor sem saber o que era ser um editor".

A passagem do desejo para a realidade começou quando começou a trabalhar na Editora Europa, onde está há 13 anos. "Tentei aprender tudo o que era necessário para ser editor". Escreveu pequenas matérias, revisou outras, até que se firmou como um dos editores da empresa. Hoje, é o editor (fala com orgulho) da revista "Natureza". E da "Mundo dos Super-Heróis", oportunidade que surgiu quando a Europa abriu espaço para que os funcionários apresentassem novos projetos.

(Leia a continuação na postagem abaixo).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h10
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Cresce o número de revistas sobre quadrinhos no Brasil - II

(Continuação da postagem acima)

A revista "Crash" surgiu sem muito alarde nas bancas, no fim do mês passado. Veio no embalo de outra publicação da Editora Scala, a "Neo Tokyo", voltada para mangás e animês. A revista tem a proposta de noticiar tudo o que diga respeito aos mitos modernos, um rótulo amplo o bastante para abarcar integrantes dos seriados "Lost" e "Smallville" a personagens como Super-Homem e Príncipe Valente.

"Tínhamos em nosso corpo de colaboradores estudiosos e fãs que dominavam tais temas", diz a editora do título, Amaruk Seta, que trabalha para o Criativo Mercado Editorial. "Apresentamos a idéia para um de nossos clientes, a Editora Escala, que resolveu apostar o projeto". Ela define a revista como "um guia para os antigos e novos fãs".

Apesar e o número inaugural ter atores de "Lost" na capa, o grosso do título, cerca de 70%, é sobre quadrinhos. Assim como a "Mundo dos Super-Heróis" (postagem acima), tem nos textos um de seus diferenciais. Muito por causa dos colaboradores, nomes conhecidos do mercado de quadrinhos: Eloyr Pacheco (do site Bigorna), os jornalistas Gonçalo Junior e Franco de Rosa (que atua também na editora Opera Graphica), Heitor Pitombo, Leonardo Vicente Di Sessa (do site HQ Maniacs).

O primeiro número teve a grande qualidade de não se pautar apenas no que ocorre na indústria norte-americana de quadrinhos. Há Marvel e DC, mas não só Marvel e DC. A revista traz informações diversificadas, sem deixar de lado autores nacionais (como o histórico -e esquecido- Gutemberg Monteiro).

Circula a informação de que não vai haver um segundo número. Amaruk Seta, de 22 anos, uma fã de Alan Moore, diz que tudo depende de como a revista vai ser recebida no mercado. "Para a Escala, só existe um parâmetro verdadeiro, que é o público consumidor e cabe a ele a aceitação ou não da publicação, o espaço e a longevidade da mesma", diz.

Até março de 2007, surge mais uma publicação sobre quadrinhos: a Revista HQM, feita pela editora homônima (noticiado na postagem do dia 16 de outubro). A proposta é que seja bimestral num primeiro momento. Depois, mensal. A publicação pretende misturar textos noticiosos com quadrinhos ("Meteoro", de Roberto Guedes, "Ran", de Salvador, "Destino Oeste", de Ricardo Leite). "A idéia é descobrir talentos nacionais de qualidade", diz Carlos Costa, editor-chefe da revista. "Mas vamos também lançar outros materiais do exterior".

A HQM tem um grande trunfo na manga: os colunistas. A editora já havia anunciado Roberto Guedes (autor de "Quando Surgem os Super-Heróis" e "A Saga dos Super-Heróis Brasileiros), Marko Ajdaric (jornalista do Neorama dos Quadrinhos) e eu, que também fui convidado a ser um dos colaboradores.

Os responsáveis pela publicação anunciaram ao Blog dos Quadrinhos, em primeira mão, os nomes de outros colaboradores, todos de destaque na área: Álvaro de Moya (autor de "Shazam!" e "História da história em quadrinhos"), Waldomiro Vergueiro (professor da USP, coordenador do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da USP e organizador do livro "Como usar as histórias em quadrinhos na sala de aula"), Roberto Elísio dos Santos (vice-coordenador do Núcleo de Quadrinhos da USP e autor de "Para reler os quadrinhos Disney"), Gonçalo Junior (colaborador da "Crash" e autor de uma série de livros, entre eles "A Guerra dos Gibis" e o recém-lançado "Biblioteca dos Quadrinhos"), Ruy Jobim Neto (colunista do site Bigorna e criador do cão Jarbas).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h06
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21/11/2006

Livros e quadrinhos pela metade do preço na USP

Dica rápida. Começa amanhã a 8ª Festa do Livro da USP (Universidade de São Paulo). A proposta é vender qualquer obra com pelo menos 50% de desconto. Neste ano, participam mais de cem editoras, algumas de quadrinhos, como a Conrad e a Via Lettera. A feira vai até sexta (dia 24). Funciona das 9h às 21h no saguão do prédio de História e Geografia da USP. Não paga nada para entrar. Quem compareceu às edições anteriores sabe que vale a pena. Para ver a lista completa de editoras, clique aqui

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h44
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Nova editora traz para o Brasil obras alternativas

O site Universo HQ traz hoje uma nota que merece registro. É o surgimento de uma nova editora, a Zarabatana Books, com sede em Campinas, no interior de São Paulo. A proposta é lançar um título por mês.

O primeiro é “O Prolongado Sonho do Sr. T.” (R$ 29, capa ao lado), do espanhol Max (o mesmo de Peter Pank, da antiga revista “Animal”). A editora anunciou outros três títulos, todos estrangeiros: “Chiara Rosemberg”, “Mulheres” (um mangá) e o americano “Maakies”.

As revistas serão vendidas em lojas especializadas em quadrinhos e no site da editora, que traz mais informações sobre os títulos e algumas prévias.

Para visitar o site, clique aqui.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h24
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20/11/2006

Ilustra Brasil promove ciclo de debates no Rio

Começa amanhã, no Rio de Janeiro, uma série de debates sobre desenho e histórias em quadrinhos. As discussões fazem parte do Ilustra Brasil, promovido pela SIB, Sociedade Brasileira dos Ilustradores. Veja a programação:

21.11, às 16h30 - o tema é sobre a arte nos jornais diários. Participam da mesa Ary Moraes ("O Dia"), Ricardo Cunha Lima ("Correio Braziliense"), Cavalcante ("O Globo") e Mário Alberto (do "Lance"; é dele a "Ronalisa" ao lado).

22.11, às 17h30 - o tema é "Quadrinhos: um novo boom?". Cinco pessoas foram convidadas: o jornalista Heitor Pitombo, Télio Navega (do site Gibizada), Sandro Lobo (da editora Desiderata), Carlos Parati (do "Almanaque dos Quadrinhos") e Renato Lima, editor da independente "Juke Box".

23.11, às 16h30, a mesa-redonda é sobre ilustração é sobre o mercado de animação. No mesmo dia, Orlando Pedroso faz o lançamento fluminense do livro de cartuns "Moças Finas".

24.11, às 16h – Palestra com Gutemberg Monteiro, ilustrador brasileiro que completa 90 anos em dezembro. Ele começou a carreira na década de 40 (é dele a capa ao lado). Também atuou no mercado americano. Às 17h30, o papo é com Orlando Pedroso.

Todos os dias, às 15h, iliustradores da SIB irão avaliar trabalhos de iniciantes. Uma exposição com desenhos de integrantes da SIB fica no local até o dia 10 de dezembro.

SERVIÇO – Ciclo de debates do Ilustra Brasil. Quando: de 21 a 24 de novembro. Horário: desde 15h. Onde: Centro Cultural justiça Federal. Endereço: av. Rio Branco, 241, Cinelândia, Rio de Janeiro. Quanto: a entrada é franca.

Nota: também nesta terça-feira começa a 2ª Mostra de Humor Gráfico da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Haverá exposições, shows e oficinas de caricatura, mangás e charges, sempre à tarde. Para ver a programação completa, clique aqui.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h11
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Álbum reúne histórias de Alan Moore dos anos 80 (algumas inéditas)

O inglês Alan Moore chegou num ponto em que apenas a presença do nome dele na capa de uma revista já causa euforia entre os leitores de quadrinhos. Apesar disso, ainda há material inédito do escritor no Brasil. São aventuras de super-heróis da metade dos anos 80 feitas para a editora DC Comics. Essas e outras reedições clássicas do período foram reunidas numa obra única, que começa a ser vendida nesta semana ("Grandes Clássicos DC 9 – Alan Moore", Panini, R$ 36,90).

O título se baseia no original: "The DC Universe Stories of Alan Moore". Para o leitor brasileiro, é como se fossem descobertos arquivos secretos do escritor, há muito escondidos. Duvido que muita gente saiba que Moore escreveu histórias do Vigilante, da Tropa dos Lanternas Verdes, do Arqueiro Verde, dos Omega Men. São aventuras que não justificariam uma edição em português, não fosse o fato de terem sido escritas por Moore.

Só a curiosidade da existência delas já justificaria a obra e garantiria a tal euforia para as vendas. Mas o título vai além. Publica duas das histórias mais lembradas entre os leitores de Batman e Super-Homem, já editadas e reeditadas no Brasil: "A Piada Mortal" e "O que aconteceu com o homem de aço?"

"A Piada Mortal" é uma das mais importantes aventuras de Batman. O homem morcego tem de enfrentar um Coringa bem mais violento do que de costume. Num dos ataques, o vilão deixa a Batmoça paralítica após disparar contra ela, que é filha do Comissário Gordon. O Coringa ainda se dá ao luxo de fotografá-la enquanto ela agoniza. A história é desenhada por Brian Bolland, que também faz a capa deste álbum especial (imagem acima).

Com relação ao Super-Homem, Moore teve uma oportunidade de ouro, daquelas raríssimas de acontecer. O escritor e desenhista John Byrne iria assumir as revistas do homem de aço no fim de 1986. O personagem seria reformulado após a megassérie "Crise nas Infinitas Terras" e ganharia uma nova origem. As edições do mês de setembro seriam as últimas do momento cronológico pré-Crise. O autor inglês teve carta branca para fazer a derradeira aventura do Super-Homem, em duas partes (que saíram nas duas revistas do herói, "Superman" e "Action Comics").

Foi assim que surgiu "O que aconteceu com o homem de aço", que mata alguns coadjuvantes, dá rumo a outros e redefine o futuro do herói, ao lado de Lois Lane. Tudo podia. Nada disso teria importância cronológica para as edições seguintes. Um achado, que coube a Curt Swan ilustrar (o desenhista foi um dos mais famosos a trabalhar com o herói).

"Grandes Clássicos DC – Alan Moore" tem outras histórias que já tiveram versão nacional, como o encontro de Super-Homem com o Monstro do Pântano e o confronto do homem de aço com Mongul. Parte das aventuras tem um texto introdutório de editores ou desenhistas que dividiram o processo de criação com o polêmico escritor. Mas não estranhe: Moore é mencionado, elogiado, mas não foi ouvido. O motivo é simples: ele tem uma briga de longa data com a editora por causa de direitos autorais de "Watchmen" e de "V de Vingança". A DC soube com o álbum aproveitar o prestígio conquistado por Alan Moore. Mais uma vez.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 07h32
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19/11/2006

Edição de luxo de Cavaleiro das Trevas vai sair no Brasil

As duas minisséries de Cavaleiro das Trevas, criadas por Frank Miller, vão ser lançadas num volume único no Brasil. A obra sairá pela editora Panini e tomará como base o original "The Dark Knight Absolute Edition", edição luxuosa, com mais de 500 páginas e vários extras.

Não há informação sobre o preço. No site Amazon, o título custa 62,99 dólares. Em São Paulo, na loja Comix (especializada em quadrinhos), a obra original é vendida por mais de R$ 400. É muito provável que a edição nacional siga a linha de outras obras de luxo da Panini, lançadas recentemente ("Batman: Silêncio" e "LJA/Vingadores", que custaram, respectivamente, R$ 79 e R$ 69).

A Panini tornou pública a informação nesta semana. Um anúncio de página inteira na revista "Liga da Justiça", recém-lançada, promete a obra para "breve". No começo da semana, uma nota no site Omelete antecipava o lançamento, que mostra Batman voltando a assumir o uniforme do morcego num futuro hipotético. Foram duas minisséries, ambas já lançadas no Brasil. A primeira, em quatro partes, é unanimemente elogiada e é uma das mais importantes histórias do homem-morcego. A continuação, em três edições, é polêmica: há quem defenda, há quem critique.

Para registro: a mesma revista da "Liga da Justiça" traz um outro anúncio, este sobre "Crise Infinita", também da DC Comics. O anúncio indica que a editora vai mesmo publicar a minissérie, que tem sete partes. Se não houver mudanças, o contrato da Panini com a DC termina no dia 31 de dezembro. Como publicar uma série em sete edições em pouco mais de um mês? A única forma seria numa edição única. A ida da DC para a editora Pixel ainda não foi confirmada oficialmente. Pixel e Panini preferem não comentar o assunto.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h36
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18/11/2006

Três óperas de Mozart ilustradas por Manara

Não se engane. "Péntiti!" (Pixel, R$ 57,90) não é uma história em quadrinhos. É um livro ilustrado em comemoração aos 250 anos de nascimento do compositor Chryssostomus Wolfgangus Theophilus Mozart, ou só Mozart, como ficou mundialmente conhecido. O que aproxima a obra dos quadrinhos é o italiano Milo Manara. São dele os desenhos desta edição de luxo, que começa a chegar às livrarias e lojas especializadas em histórias em quadrinhos neste fim de semana.

Manara deu um jeitinho de ser Manara no livro. Está lá a sua marca registrada: a mulher bela e ao mesmo tempo provocante (como a capa ao lado deixa bem claro). As ilustrações são uma leitura muito particular dele para três óperas criadas por Mozart: Così fan tutte, Don Giovanni e As bodas de Fígaro, possivelmente seu trabalho mais famoso, tanto hoje como à época (1786).

A imagem ao lado sintetiza um dos causos sobre a ópera. A presença de Mozart teria inibido uma das atrizes da ópera, a soprano Henriett Baranius. Ela se recusava a voltar ao palco. O compositor foi aos bastidores oferecer ajuda a ela, o que fosse necessário para que retornasse à apresentação. Reza a lenda que se tornou uma das amantes de Mozart.

As imagens de Manara resumem momentos das três óperas. Coube a Rudolph Angermüller, um especialista em Mozart, a atribuição de fazer o texto do livro. Ele detalha todo o processo de criação e de realização das composições, feitas com o apoio de Lorenzo da Ponte. Ao fim da leitura, percebe-se claramente que falar de Mozart é falar de suas obras. E vice-versa. Teve uma vida curta (morreu aos 35 anos), mas criativamente intensa.

"Péntiti!" saiu este ano na Europa. A Pixel foi ágil na edição do material, que perderia o sentido se fosse publicado em outra data. Os apreciadores de Mozart, um dos públicos-alvo do livro, agradecem. Bem como os fãs de Manara, autor que nunca teve tanto material editado de uma vez só no Brasil como neste rico ano de 2006.

 

Veja mais imagens de Milo Manara em "Péntiti!" clicando aqui.

 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h32
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17/11/2006

Divulgados os vencedores do Salão de Paraguaçu Paulista

A comissão organizadora do 2º Salão de Humor de Paraguaçu Paulista divulgou agora há pouco as ilustrações vencedoras deste ano. São cinco categorias: charge, tiras, caricatura, cartum e cartum temático (sobre a idéia "homem voador"). Foram 1250 trabalhos inscritos.
 
Esta segunda edição foi internacional e recebeu desenhos de 37 países. Dos cinco primeiros colocados, dois são do exterior. "Isso surpreendeu", diz Mario Mastrotti, presidente do salão. "Em Piracicaba, por exemplo, são poucos estrangeiros." Ele afirma que orientou o júri para que esquecesse a nacionalidade do desenho e avaliasse a qualidade da arte.
 
Os trabalhos ficam expostos até 15 de março de 2007 em Paraguaçu Paulista, no interior de São Paulo. A abertura foi no último dia 15. A seguir, os vencedores das cinco categorias.
 
 
 
 
 
Charge
 
Rodrigo de Oliveira Maia
 
Ananindeua - PB
 
Título: "Rumo ao Ocidente"
 
 
 
 
 
 
 
Cartum
 
Vladimir Kazanevsky
 
Ucrânia
 
Sem título
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cartum Temático
 
Young Sik Oh
 
Seul - Coréia
 
Sem título
 
 
 
 
 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h35
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Salão de Paraguaçu Paulista - Mais vencedores

 
 
 
 
 
 
 
 
Caricatura
 
Márcio Leite da Silva
 
Montes Claros - MG
 
Enéas Carneiro
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tiras
 
João Marcos Parreira Mendonça
 
Governador Valadares - MG
 
Tìtulo: "Não Contém Glúten"
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os organizadores vão colocar os outros colocados e as menções honrosas no site do salão de humor. Para acessar, clique aqui. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h34
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Editora lança últimos volumes de Ozzy, de Angeli

Sem muito alarde, a Companhia das Letras colocou no mercado mais dois números de "Ozzy", personagem infantil criado por Angeli (R$ 25 cada um). São os volumes finais de um total de quatro edições, que reeditam todas as histórias do garoto inquieto e travesso.
 
Ozzy seria um garoto normal se não tivesse sido imaginado por Angeli. Foi criado para a "Folhinha", suplemento infantil do jornal "Folha de S.Paulo". Os álbuns reúnem histórias publicadas entre 1993 e 1999. São trabalhos curtos, de uma página só, que usam e abusam do surrealismo (presente num dos mais criativos trabalhos visuais do cartunista). A exemplo dos dois primeiros números, lançados no meio do ano, as aventuras bem-humoradas foram separadas por temas.
 
"Ozzy - Família? Pra que serve isso?", o terceiro da série,  mostra as situações que o personagem cria para os pais, um casal liberal, aberto ao diálogo e preocupado com a formação do filho. O quarto volume, "Ozzy - As lesmas carnívoras e outros amigos esquisitos", aborda os esquisitos animaizinhos de estimação do garoto: um grupo de lesmas gigantes. Os demais "amigos esquisitos" são os colegas de escola.
 
Aos poucos, os autores paulistas que renovaram o humor nos quadrinhos a partir dos anos 80 (Angeli entre eles) têm reunidas suas obras completas, mesmo que por editoras diferentes. Ou "sobras completas", como se chama a coletânea do criador de Chiclete com Banana publicada pela Devir.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h53
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16/11/2006

Mangás fazem parte de festival sobre arte japonesa

Um festival em São Paulo vai dar um panorama geral da cultura japonesa. Vai ter de tudo um pouco. Mangá, inclusive.
"Japão: pinceladas de cultura japonesa" começa nesta sexta-feira à noite. A palestra sobre quadrinho underground vai ser no sábado, às 17h.
O papo é no "Rato de Livraria", rua Paraíso, 790 (perto do metrô Paraíso do metrô). Na sexta, começa às 19h. No sábado, às 11h.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h28
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Fábulas preenche vácuo deixado por Sandman

Sandman deixou um vácuo no mercado norte-americano quando Neil Gaiman encerrou a série. O leitor da Vertigo, linha adulta da DC Comics, logo voltou os olhos para Preacher, escrita por Garth Ennis. A revista preencheu o vazio e caiu no gosto do público. Mas a violência de Preacher estava longe dos temas místicos trabalhados nas histórias do Mestre dos Sonhos. Até surgir Fábulas. Os primeiros números já davam sinais de semelhança com os textos de Gaiman. A tendência fica bem clara no terceiro volume, que começa a ser vendido nesta semana (Devir, R$ 43).

 

“Fábulas – O livro do amor” acentua a idéia desenvolvida desde a primeira história. Faz uma versão adulta e modernizada dos personagens dos contos de fadas. Eles vivem em Nova Iorque, numa espécie de confraria secreta. A área onde moram recebeu o nome de Cidade das Fábulas. Lobo Mau, ou Bigby Lobo, é o xerife. Branca de Neve é quem auxilia o rei na condução das políticas de “contenção" das lendas, que têm de seguir um roteiro para ficarem longe dos “mundanos” (traduzindo: nós, meros mortais).

 

O que poderia ser uma idéia boba e simplória convence, principalmente por causa dos textos de Bill Willingham. Ele soube trabalhar o tema com seriedade e dar uma nova personalidade a cada um dos peronsagens dos contos de fadas. Nem todos são o que eram nos livros. Fica no ar o que Pinóquio faz numa das histórias. É algo que deixaria qualquer vovozinho morrendo de vergonha.

 

O clima de faz-de-conta recupera o ar criado por Gaiman em Sandman. “Fábulas” também tem um grupo de pessoas com características especiais, mas que prefere ficar à parte da sociedade. As histórias trabalham temas mais místicos. Cada arco da série possui um desenhista diferente. Mais uma semelhança: neste terceiro encadernado, há dois ilustradores do universo onírico de Sandman: Bryan Talbot e Mark Buckingham.

 

Buckingham é o único dos quatro desenhistas a ser creditado na capa. Possivelmente é por ser dele a arte do arco principal, “O livro do amor”, em que Lobo e Branca de Neve (na imagem ao lado) têm de enfrentar um plano de Barba-Azul e Cachinhos Dourados (há uma surpresa no fim). Outro destaque, não indicado na capa, é a história “Um trote em duas partes”, em que as lendas são descobertas por um jornalista e têm de lidar com a situação.

 

“Fábulas” continua firme e forte nos Estados Unidos, o que indica que preencheu com sucesso a vaga deixada por Sandman. Não é só impressão. A série tem abocanhado prêmios importantes, como o Eisner. A surpresa, no entanto, é ver Bill Willingham se firmar como um talentoso escritor. É muito mais do que se esperaria de um ilustrador, lembrado até hoje por ter desenhado a namorada do Lanterna Verde morta dentro de uma geladeira.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h16
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15/11/2006

Metrópolis mostra bastidores da arte de desenhar

O programa Metrópolis, da TV Cultura, exibiu mais uma reportagem sobre quadrinhos. A matéria cobriu o "Quanta Produção", evento que mostrou os bastidores da arte de desenhar. Participaram Orlando Pedroso (autor da ilustração ao lado), Ivan Reis (deu entrevista enquanto desenhava páginas da revista "Lanterna Verde"), Fábio Moon, Gabriel Bá entre outros. A reportagem está disponível no TV UOL (para assinantes). Para acessar, clique aqui.

Nota: a Quanta Academia, que promoveu o "Quanta Produção", promove na próxima sexta-feira um bate-papo com o desenhista Roger Cruz e com o editor das revistas Marvel no Brasil, Fernando Lopes. Começa às 20h e a entrada é franca. A academia fica na rua Minas Gerais, 27, em São Paulo.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h03
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Desenhista de "V de Vingança" vem ao Brasil

Parece uma combinação estranha. Impensável, até. O inglês David Lloyd, mais conhecido por ser o desenhista da minissérie "V de Vingança", vem ao Brasil para fazer ilustrações da cidade de São Paulo. O trabalho faz parte da coleção "Cidades Ilustradas", da editora Casa 21, que mostra diferentes visões de capitais brasileiras.
 
A editora já publicou seis volumes da coleção, cada um feito por um desenhista diferente: Jano (Rio de Janeiro), Marcello Quinanilha (Salvador), Jean-Claude Denis (Belém), Miguelanxo Prado (Belo Horizonte), Cesar Lobo (Curitiba), Marcelo Lelis (Cidades do Ouro, lançado neste ano).
 
Lloyd chega ao Brasil na sexta-feira. Fica até o fim do mês. Vai passar boa parte do tempo circulando pela capital paulista. No dia 27, dá palestra na Universidade Mackenzie, também em São Paulo. O chamariz do bate-papo será certamente "V de Vingança", seu trabalho mais famoso.
 
A série, escrita por Alan Moore, virou filme neste ano. Uma boa a ser feita na palestra é como David Lloyd viu a adaptação da minissérie para o cinema. Moore diz que não viu e não gostou (o escritor tem uma briga de anos com a editora DC Comics por causa de direitos autorais). E Lloyd? O que será que achou?

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Escrito por PAULO RAMOS às 08h58
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14/11/2006

Manifestantes fazem protesto nos EUA vestidos de "V"

 

Deu hoje no UOL. Um grupo de pessoas se vestiu de “V” (personagem-título da minissérie “V de Vingança”) para fazer um protesto nos Estados Unidos. A manifestação era da fundação “Nós somos o povo” e foi em frente ao Departamento de Justiça de Washington. 

 

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h25
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Seminário inédito discute aumento de pesquisas de HQ no país

Nunca se produziu tantas pesquisas sobre histórias em quadrinhos no Brasil como neste ano. Só nos cursos de pós-graduação da USP (Universidade de São Paulo), foram seis até agora. Outra está marcada para o próximo dia oito, na Escola de Comunicações e Artes. O tema é um dos assuntos de um seminário sobre estudos de quadrinhos, que acontece no próximo dia 22 em São Caetano do Sul, no ABC paulista. O evento científico é inédito no país.

A proposta do seminário é divulgar as produções acadêmicas mais recentes de diferentes universidades. "Nossa intenção é mostrar que é possível fazer pesquisas científicas em quadrinhos", diz Roberto Elísio dos Santos, professor da Universidade IMES e um dos coordenadores do seminário.

Estudos sobre quadrinhos já são um fato. A tendência vem se consolidando desde a virada do século. Pesquisa feita na USP –divulgada pelo Blog no dia 4 de maio- releva que houve, desde 2000, 13 pesquisas defendidas nos cursos de pós-graduação. É quase a metade de tudo o que foi produzido na universidade desde sua fundação.

"A resistência aos quadrinhos diminuiu", conclui Waldomiro Vergueiro, professor da Universidade de São Paulo, que organiza o 1º Seminário de Pesquisas em História em Quadrinhos ao lado de Roberto Elísio. "Havia uma demanda que era reprimida porque as pessoas não encontravamum meio de apresentar a proposta de estudo", diz Vergueiro, que também é coordenador do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da Universidade de São Paulo.

Vergueiro e Elísio abrem o evento com uma palestra sobre a situação atual das pesquisas de quadrinhos no Brasil. Na seqüência, haverá a apresentação de autores de quatro teses/dissertações, duas defendidas na USP, duas na Unesp (Universidade Estadual Paulista).

Este primeiro seminário ocorre na Universidade IMES, de São Caetano do Sul. A idéia é que os próximos sejam feitos em outras instituições de ensino superior. Leia na postagem abaixo a programação completa.

SERVIÇO
1º Seminário de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos. Quando: dia 22.11. Horário: 14h. Onde: Universidade IMES (Campus II), sala 122. Endereço: rua Santo Antonio, 50, São Caetano do Sul (no ABC paulista). Quanto: de graça.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h53
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Programação: 1º Seminário de Pesquisas em HQ

14h
Panorama das histórias em quadrinhos no Brasil
Palestrantes: Waldomiro Vergueiro e Roberto Elísio dos Santos
 
15h30
História em quadrinhos: aplicações
 
Coordenador: Elydio dos Santos Neto
 
Palestrante 1: Betânia Libânio de Araújo (USP)
O desenho de humor na escola: um canto paralelo
 
Palestrante 2 : Alberto Pessoa (Unesp)
Quadrinhos na escola: uma proposta didática ma educação básica
 
16h40
Histórias em quadrinhos: leituras
 
Coordenação: Sonia Luyten
 
Palestrante 1: Alexandre Barbosa (USP)
Histórias em quadrinhos sobre a história do Brasil na década de 50: a narrativa dos artistas da EBAL e outras editoras
 
Palestrante 2: Alexandre Luiz dos Santos Mendes (Unesp)
Mangá, uma nova gênese: análise da história em quadrinhos Néon Gênesis Evangelion

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h51
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13/11/2006

Álvaro de Moya vai publicar livro de memórias

Um dos mais importantes acadêmicos das histórias em quadrinhos vai ter um livro de memórias, que deve ser lançado no ano que vem. A convivência de mais de meio século de Álvaro de Moya com a área será reunida em "O mundo é quadrado - Conversas com Gonçalo Junior". A previsão é que a obra tenha mais de 400 páginas.
 
O Blog dos Quadrinhos presenciou o momento em que Moya entregava uma parte do livro, já revisada e com várias anotações, ao jornalista Gonçalo Junior. A cena ocorreu durante o lançamento de "Biblioteca dos Quadrinhos", último livro de Gonçalo.
 
A obra é resultado de 14 horas de gravação entre o jornalista e Moya. A entrevista era inicialmente para o jornal "Gazeta Mercantil", mas nunca foi publicada. Os depoimentos narram a trajetória de Moya tanto nos quadrinhos como na TV, que deve tomar a maior parte do livro. Ele foi um dos pioneiros da televisão brasileira. Foi a primeira pessoa a fazer os créditos de quem aparecia na tela.
 
Nos quadrinhos, a atuação de Moya se confunde com militância. Em 18 de junho de 1951, ajudou a organizar a exposição internacional de histórias em quadrinhos. Foi a primeira do mundo. A idéia era mostrar que quadrinhos eram uma forma de arte, algo parecido com o feito pelo movimento modernista na histórica Semana de 22. Não deu certo. E os organizadores passaram a ser boicotados.
 
Parte da experiência da mostra foi contada no livro "Anos 50 - 50 anos", lançado em 2001, data do cinqüentenário da exposição. Lá, ele narrou vários alguns dos casos que presenciou. Um deles:
 
"Todos ficaram contra nós. Daí começaram a acontecer coisas incríveis. Eu tinha ilustrado um livro para a Editora Melhoramentos. Quando fui à livraria e peguei um exemplar, eu fiquei branco! Eram outras ilustrações, não as minhas! Corri lá na Melhoramentos e perguntei: "O que aconteceu com meus desenhos, vocês perderam?" E eles responderam: Não, nós jogamos no lixo! Por que você é muito influenciado por histórias em quadrinhos e nós não queremos isso aqui!"
 
Foi por isso que Álvaro de Moya teve de abandonar os quadrinhos e migrar para a televisão.
 
O reencontro foi no fim dos anos 60, quando se tornou professor da Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo). É nessa fase, mais teórica, que surgiu o pioneiro livro "Shazam!", somente sobre quadrinhos. Em 1986, lançou "História da história em quadrinhos" (imagem ao lado e onde foi publicada a fotografia do início da postagem), outra obra de referência. A atuação se deu também em outro campo. Ajudou Mauricio de Sousa a inserir a Turma da Mônica no exterior nos anos 70.
 
Todas essas histórias devem constar no livro, e em detalhes. O título, "O mundo é quadrado", é uma síntese das experiências de Moya na TV e nos quadrinhos: ambos são veiculados por um quadrado. Mas há outra leitura. "Quadrado" é uma gíria, usada para quem não aceita mudanças. Um recado para quem o perseguiu. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h17
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Como seria um ensaio sensual de Heloísa Helena?

A pergunta acima foi feita pela "Playboy" a três fotógrafos. As respostas eram para uma das matérias da revista. Coube ao premiado Baptistão ilustrar a reportagem. O resultado é a imagem ao lado, que pinço do blog dele.

A página virtual de Baptistão merece visita. Para conhecer, clique aqui 

Baptistão faz ilustrações para o jornal "O Estado de S.Paulo" e é o vencedor do Troféu HQ Mix deste ano na categoria melhor cartunista.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h25
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12/11/2006

Magias e Barbaridades: da internet para as livrarias

 

 

 

 

Capa da coletânea de tiras criadas por Fabio Ciccone

 

 

 

 

Imagine a seguinte combinação: um mago, um bárbaro, aventuras ao estilo de Senhor dos Anéis, uma boa dose de humor. Coloque tudo no formato de uma tira. Imaginou? É isso o que Fabio Ciccone faz em "Magias e Barbaridades", uma das gratas surpresas que a internet esconde. Ou melhor, escondia. As primeiras histórias vão ser reunidas num livro, que vai ser lançado nos próximos meses.

O livro vai reunir os cinco primeiros arcos da série, veiculadas na internet entre 2003 e 2004. São as histórias iniciais da dupla Remmil (o mago) e Oc (o bárbaro aventureiro). Vai haver também algumas tiras inéditas com um personagem criado antes da série.

Cada tira conta um capitulo da comédia-aventura. Mas sem deixar de lado a piadinha no final da história (assim como "Ferdinando" e "Ed Mort", só para ficar em dois exemplos). Quando reunidas, contam uma narrativa mais longa e interligada. É o formato de tira mais difícil de ser feito. E Ciccone domina bem a técnica. Muito bem.

"A tira surgiu como um passatempo em 2003, estava querendo uma forma construtiva de substituir meu blog. Nem eu levava muito a sério, atualizava muito esporadicamente", diz o autor, um publicitário de 24 anos nascido no Rio de Janeiro e criado em Lençóis Paulista, no interior de São Paulo. "Com o passar do tempo, fui tomando gosto pela coisa, passei a ficar mais assíduo. Desde agosto, estou tentando fazer um trabalho cada vez mais profissional, me dedicando e divulgando o trabalho."

Fabio Ciccone conta que desenha desde sempre. De início, era como diversão. "A diferença é que agora descobri que dá para onvestir nisso como uma futura carreira, que é o que espero conseguir, como todo desenhista amador, imagino", diz. A primeira aposta desse novo projeto profissional é o livro, que saírá pela Com-Arte, editora vinculada à Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo), onde cursou publicidade.

O desenhista atualiza a página de Magias e Barbaridades às segundas, quartas e sextas. Para acessar, clique aqui. Na postagem abaixo, há uma seqüência da série.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h38
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Tiras de Magias e Barbaridades

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Escrito por PAULO RAMOS às 15h33
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11/11/2006

Novo álbum de Mortos-Vivos tem mais estresse e menos ação

Há algo de diferente neste segundo volume de "Os Mortos-Vivos", lançado esta semana (HQM Editora, R$ 28,90). Há menos ação que a edição anterior, que inaugurou a série ("Os Mortos-Vivos: Dias Passados"). A proposta do escritor Robert Kirkman é aprofundar o relacionamento do grupo de sobreviventes e acentuar o estresse por que passam. Estresse físico e psicológico.

Os nervos à flor da pele são conseqüência da situação em que se encontram. Todos à sua volta se transformaram em mortos-vivos. Uma mordida dos monstros pode ser fatal e, pior, transformar a pessoa numa das aberrações. Por que os mortos-vivos ficaram assim? A pergunta é boa e pertinente, mas Kirkman não responde. É o que torna a série interessante e o que a aproxima do seriado "Lost". Há um grande mistério como pano de fundo. Ninguém sabe qual é. Enquanto isso, o grupo sobrevive como pode e se descobre aos poucos.

Há ao menos duas outras mudanças nesse segundo volume. O grupo liderado pelo policial Rick encontra outros sobreviventes, um deles numa fazenda, cheia de mantimentos (e de mortos-vivos no celeiro). É desses encontros e desencontros que a história vai sendo construída, às vezes de forma um pouco arrastada (falta mais da ação do primeiro arco).

Outra novidade deste segundo número é a troca de desenhistas. Entra o inglês Charlie Adlard, sai o bom Tony Moore (o nome dele aparece creditado equivocadamente na primeira página do encadernado). Adlard conta a história sem comprometer o roteiro de Kirkman. Mas é inevitável a comparação com o traço de Moore, bem superior ao dele.

O encadernado reúne os números de sete a doze da revista "Walking Dead", da Image Comics. A impressão que se tem ao fim da leitura é que o arco "Caminhos trilhados" funciona como uma transição para as próximas aventuras. É esperar para ver.

Nota: a última página do álbum traz uma informação que merece registro. A editora pretende lançar mais um volume de Estranhos do Paraíso, premiada série de Terry Moore. O nome será "Tempos de Colégio".

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Escrito por PAULO RAMOS às 11h28
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10/11/2006

Angeli publica história inédita na revista "Piauí"

Angeli fez uma história de dez páginas para o segundo número da revista “Piauí”, que chegou esta semana às bancas. O material é inédito. “Satisfaction – Minha vida em um compacto simples” (editora Alvinegra, R$ 7,90) mostra como um disco dos Rolling Stones mudou completamente a vida de um menino em dezembro de 1965. Tudo indica que a história é autobiográfica e que o garoto seja o próprio Angeli.

 

É um dos trabalhos mais autorais de Angeli. É uma narrativa mais madura, diferente de tudo o que ele já fez. Que venha mais da mesma fonte. Quem descobriu a história foi Telio Navega, do site Gibizada. É de lá que tomo emprestada a imagem abaixo, o momento máximo de “Satisfaction”.

 

 

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h19
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Coletânea de charges de Chico Caruso conta história do governo Lula

Tem gente –e não é pouca gente, diga-se de passagem- que confunde charge, cartum e caricatura. Na grande imprensa, um passa pelo outro como se fosse a mesma coisa. Chico Caruso, chargista por gosto, opção e profissão, dá uma aula prática sobre o gênero no álbum “Lula Lá – A (O)Missão” (Devir, R$ 49), que começa a ser vendido neste finzinho de semana.

 

A charge tem um olhar na realidade, nos assuntos que compõem a pauta diária dos jornais. A obra de Caruso (re)lembra o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Estão lá a posse, a esperança de mudança, a expulsão de Heloísa Helena, os escândalos, Roberto Jefferson, José Dirceu, Antonio Palocci, as demissões, a disputa eleitoral, Geraldo Alckmin, os debates, a reeleição, a nova Câmara dos Deputados, Clodovil.

 

Charge é isso.

 

Os historiadores já perceberam que as charges são uma riquíssima fonte de pesquisa. Por dois motivos: 1) são um retrato da realidade da época; 2) refletem, por meio do humor, a voz crítica do povo e dos formadores de opinião. Este álbum permite visualizar perfeitamente as duas características. Lula é mostrado nos primeiros desenhos como o sinônimo da esperança. Era o sentimento do brasileiro à época. Até o fim do mandato, a percepção mudou e também o enfoque de Caruso sobre o presidente.

 

As charges foram feitas para o jornal “O Globo” e para a Rede Globo (em animações) entre 2002 e 2006. A última é de 30 de outubro deste ano. Separadas, as ilustrações são pílulas diárias de humor. Reunidas, mostram a história recente do país. Como é a função de uma boa charge.

 

A capa, no canto superior esquerdo, traz um sugestivo "Parte 1". A continuação começa a ser feita já, diariamente, para ser publicada daqui a quatro anos, no fim do segundo mandato de Lula.

 

Na postagem abaixo, mais charges do álbum de Chico Caruso.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h02
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09/11/2006

Charges - Chico Caruso

 

 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h56
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Fãs de Batman fazem exposição em SP e preparam filme do herói

Os fãs do homem-morcego saíram do bat-esconderijo. A missão do grupo: divulgar o principal defensor de Gotham City. Estratégias de ação: uma bat-exposição na estação Sé do metrô paulistano e um bat-filme do herói, ainda em bat-produção.
 
O filme deve ter cerca de meia hora. O nome é "O Retorno de Bane". Bane é o vilão que quebrou a coluna de Batman e que o deixou paralítico, história publicada por aqui na década de 90 pela Editora Abril (uma versão caricata de Bane aparece no penúltimo longa-metragem do homem-morcego). Atores, direção, equipe técnica, tudo é feito no Brasil.
 
A filmagem é coordenada pela Batbase, principal fã-clube do herói, com cerca de 1200 integrantes. A direção ficou a cargo do presidente do grupo, Renato Araújo. Ele conta que a produção envolve cerca de dez pessoas "Tudo amigo", diz. Ele quer finalizar o filme entre dezembro e janeiro. O resultado ficará disponível na página da Batbase na internet.
 
O orçamento é bem diferente de "Batman Begins", última megaprodução do herói, que custou US$ 135 milhões. O valor gasto em "O Retorno de Bane" é bem, bem, bem mais modesto. São R$ 500, dinheiro arrecadado numa "vaquinha" entre elenco e equipe técnica. Mas conta com um trunfo: os efeitos especiais de Sandy Collora, o mesmo que participou de uma filmagem independente de "Guerra nas Estrelas" que circula pela internet.
 
Renato Araújo, um dono de padaria de Guarulhos, na grande São Paulo, está à frente também da exposição de fãs de "Batman no Brasil", que começa amanhã na estação Sé do metrô, em São Paulo. A proposta é mostrar quem são os bat-colecionadores brasileiros. A iniciativa partiu da administração do metrô. "Eles entraram em contato pra fazer uma exposição sobre quadrinhos. Daí conversa vai, conversa vem, surgiu a idéia de falar dos colecionadores", diz Renato. Para 2007, tem mais. "O metrô já falou que quer mais exposições para o ano que vem".
 
O grupo conta ainda com o jornalista Silvio Ribas, criador do "Dicionário do Morcego", e Jorge Ventura, autor de "Sock!! Pow!! Crash! 40 Anos da Série Batman da TV", lançado neste ano (a obra tem uma sessão de autógrafos neste sábado à tarde na Saraiva Megastore, no shopping Morumbi, em São Paulo).
 
A idéia da Batbase surgiu junto com a internet. Renato Araújo, o fundador do grupo, queria reunir numa mesma página tudo o que via sobre Batman e que ficava diluído em vários sites diferentes. Criou então o site Batbase, que foi crescendo, reunindo mais adeptos, até virar o fã-clube.
 
Renato conta que o interesse pelo personagem surgiu quando tinha 13 anos. Teve uma doença séria na garganta. A mãe trazia quadrinhos para ele se distrair durante o tratamento. Tinha de tudo um pouco, e, do pouco, muito de super-herói. Ele diz que, após ler uma história do Batman, melhorou. E não parou mais de ler o herói. Hoje, com 34 anos, tem mais de cinco mil revistas só do homem-morcego. Metade fica num salão de festas da mãe.
 
A exposição na estação Sé do metrô paulistano é gratutia e vai até o dia 30 deste mês.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h39
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Lançados mais três álbuns de Tintim

O fim do ano é estratégico para as editoras. A aposta é que livros e quadrinhos sejam dados como presente Natal. Os títulos chegam às lojas este mês, numa espécie de pré-aquecimento do mercado. É por isso que a Companhia das Letras concentra a maior parte dos lançamentos de Tintim nesta época. A editora começou a vender nesta semana três álbuns do repórter aventureiro.

 

“A Estrela Misteriosa”, “O Segredo do Licorne” e “O Tesouro de Rackham, o Terrível” (R$ 34,50 cada um) vão parecer mais familiares aos leitores que só conhecem Tintim pelos desenhos (fartamente exibidos pela TV Cultura e TVE). A animação tomou como base a fase do personagem que começa nesses álbuns. É quando o Capitão Haddock deixa de ser um mero coadjuvante e se firma como um grande parceiro nas aventuras do jovem repórter (que continua acompanhado por Milu, seu fiel cachorro).

 

As histórias são reedições (com nova tradução). Os álbuns de Tintim já haviam sido editados pela Record, material que só é encontrado em sebos. As primeiras republicações saíram no fim do ano passado, com quatro aventuras. Houve outras duas no meio deste ano e agora estas três, antecipadas na postagem de 16 de julho. A Companhia das Letras pretende lançar toda a obra.

 

Tintim foi criado na Bélgica por Hergé, forma como Georges Rémi assinava suas histórias. A primeira é de 1929. Os álbuns (foram 24 ao todo, um deles inacabado) tornaram personagem e autor referências na Europa, e não só em termos mercadológicos. O estilo de Hergé ainda hoje conta com uma série de seguidores.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h46
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08/11/2006

"A Mosca no Copo de Vidro" tem lançamento hoje em SP

Dica rápida. Hoje à noite, em São Paulo, há o lançamento da revista "A Mosca no Copo de Vidro e Outras Histórias", parceria da Bigorna Quadrinhos com a SM Editora. A proposta é apresentar trabalhos nacionais de diferentes autores.

A história de terror psicológico (e filosófico) que dá nome à obra foi escrita por Eloyr Pacheco e desenhada por Caio Majado. Há também de produções de Leonardo Pascoal: "Demi Video" (de apenas duas, com um humor fino e inteligente) e "As Novas Amazonas - Homem Bom é Homem Morto!" (de Leonardo Santana e Ricardo Anderson, dá a entender que terá uma seqüência). Completam a edição tiras de Moretti: os morcegos de "Stevão Piro" e "Sigmóid Frund" (em parceria com Bira Dantas, ambos sempre afinados no tom do humor).
 
A revista custa R$ 3. Também pode ser comprada pela internet, nos e-mails contato@bigorna.net e smeditora@yahoo.com.br . No lançamento, vai haver um debate com os autores. O tema é a produção de quadrinhos independentes no Brasil. O site Bigorna colocou uma prévia da obra. Para ver, clique aqui.
 
SERVIÇO
Lançamento de "A Mosca no Copo de Vidro e Outras Histórias". Quando: quinta-feira (09.11). Horário: a partir das 19h. Onde: Planeta Tela Espaço Cultural. Endereço: rua Humberto 1º, 981, Vila Mariana, São Paulo. Quanto: a revista custa R$ 3.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h51
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"O Fotógrafo": álbum faz jornalismo em quadrinhos

Dos lançamentos da última Fest Comix (feira de quadrinhos que terminou domingo em São Paulo), um merece um olhar mais atento: "O Fotógrafo - Uma História no Afeganistão" (Conrad; R$ 46), obra que chega nesta semana às livrarias e bancas de grande porte. O álbum amadurece um gênero que tem (ou tinha) em Joe Sacco o seu principal representante: o jornalismo gráfico.
 
O nome é um trocadilho do termo graphic novel (ou romance gráfico). A invenção é do escritor Sid Jacobson, autor da versão quadrinizada do relatório da Comissão de Ataques Terroristas nos Estados Unidos, lançada neste ano. "É uma história de investigação", disse. "É jornalismo gráfico".
 
O termo -na falta de outro- rotula bem a síntese entre jornalismo e quadrinhos. Ou entre fotojornalismo e quadrinhos, caso de "O Fotógrafo". As páginas do álbum intercalam imagens desenhadas com fotos registradas por Didier Lefèvre durante visita ao Afeganistão em 1986 (imagem ao lado).
 
Lefèvre viajou para acompanhar o Movimento dos Médicos sem Fronteiras, grupo especializado em atender pessoas em regiões de conflito ou de difícil acesso. O convite (ele diz na obra que foi uma "encomenda") era para registrar uma caravana de médicos que ia para o norte do Afeganistão. O roteiro: chegar a um hospital de guerra e, depois, construir outro um pouco mais à frente. Era uma época de guerra no país.
 
A expedição partia do zero, assim como o olhar de Lefèvre. Tudo era novidade, tudo era diferente, tudo era motivo de registro pela lente de sua câmera. A forma como conseguiu a primeira roupa, uma espécie de beca, é narrada em detalhes. Clique. A compra de burros tem de obedecer a um certo ritual de cumprimentos, com panos cobrindo as mãos, algo inimaginável para nós, ocidentais. Clique. As conversas e impressões que têm são relatadas em primeira pessoa. E fotografadas, claro. Clique.
 
A câmera não registrou tudo. É aí que entram os desenhos do ilustrador Emmanuel Guibert. Ele preenche os buracos narrativos e transforma em palavras o relato de Lefèvre. O resultado é uma das obras mais criativas do ano, uma mescla bem-sucedida de fotos e arte.
 
O leitor desavisado vai ter dificuldades para saber quem é quem antes de ler a obra. A capa não explica quem é o fotógrafo e quem é o desenhista. Também não há informação clara sobre a história em si, resultado de um ensaio fotojornalístico verídico. Quem sana essas lacunas é a jornalista Simone Rocha, que há nove anos trabalha com o grupo dos Médicos Sem Fronteiras. Ela assina a introdução do álbum e acrescenta vários detalhes, interessantes de ter antes de se aventurar nessa instigante viagem pelo Afeganistão.
 
Comece pela introdução de Simone. Depois, aproveite o passeio promovido pelas lentes de Didier Lefèvre.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 07h37
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07/11/2006

"Veja" não poderia publicar charge sem autorização, diz advogado

"Se ele não autorizou, a revista não deveria publicar. Tanto que a Veja sabia disso e tentou conseguir a autorização dele." A opinião é do advogado Eduardo Salles Pimenta, especialista em direitos autorais, com vários títulos publicados sobre o assunto. O "ele" da citação é o desenhista Santiago, que teve uma charge publicada na Veja" contra a vontade. A ilustração, reproduzida ao lado com autorização do autor, saiu na edição de 1º de novembro. A revista defende o uso. Afirma que veiculou a charge como notícia.
 
Salles se pauta no artigo 33 da Lei de Direitos Autorais. "Ninguém pode usar obras alheias sob pretexto de comentá-las ou criticá-las, a não ser que sejam de domínio público, o que não é o caso." No entender dele, cabe processo nesse caso, noticiado pelo Blog dos Quadrinhos na postagem do último dia 5.
 
O editor sênior de "Veja", Júlio César Barros, diz que a revista usou a charge como notícia, e não como obra de arte. "Como é que ele [Santiago] cita a Veja e quer impedir a revista de noticiar?". Barros afirma ainda que Santiago quis "impedir a revista de publicar a charge como notícia": "Ele não tem esse poder. Nós colocamos o fac-símile do jornal [Jornal do Comércio]."
 
Segundo Barros, a ilustração foi importante para que a revista explicasse o posicionamento de "Veja" em relação ao governo Lula. "A charge ilustra bem o que algumas pessoas pensam, que a gente sacaneia o presidente. Isso não existe." O assunto foi o teor do texto que acompanhava a charge. A revista justificava ao leitor que tem a linha editorial de fiscalizar o poder. "O lado de Veja é do lado do Brasil".
 
Santiago conta que foi procurado pela "Veja" dois dias antes da votação do segundo turno. Ouviu um pedido de autorização de uso da charge, que saiu pela primeira vez no "Jornal do Comércio", de Porto Alegre. A solicitação foi negada pelo desenhista, porque disse não concordar com a linha editorial da revista. O contato da semanal propôs, então, pagar pela utilização da imagem. Nova negação. "Esperei que fosse acolhido o meu pedido", diz o ilustrador. A ilustração saiu na edição de 1º de novembro, na página nove, ilustrando a seção "Carta ao Leitor".
 
O desenhista encaminhou um e-mail à revista na segunda-feira, dia 30 de outubro. No texto, reiterava que não havia autorizado o uso da imagem por não concordar com a linha da revista. Santiago pedia que o conteúdo do e-mail fosse publicado. Foi o início de uma série de réplicas e tréplicas.
 
O profissional de "Veja" (o Blog omite o nome) respondeu que a publicação do e-mail seria uma indicação de que a revista errou na veiculação da charge, o que, segundo ele, não ocorreu. "Sua charge foi notícia em Veja e isso não depende de sua autorização. Logo, que sentido faz publicar sua carta?" Em outro trecho, o profissional diz que a proibição de Santiago à veiculação da figura foi um gesto de censura: "[Você, Santiago] Quis censurar a revista." A carta, por fim,  saiu em outra revista, "Carta Capital", na edição deste fim de semana (leia na postagem de 05.11).
  
Santiago teve a idéia do desenho lendo uma das edições da revista "Veja" do período eleitoral. "Chamou a atenção a carga que tinha. Havia um caráter de propaganda. Eu achei tão exagerado que resolvi fazer a charge."
 
Nota: o jornalista e apresentador de TV Marcelo Tas diz em seu blog que enfrentou problema parecido com a "Veja" nesta semana. Segundo Tas, a revista noticiou uma informação ligada a ele sem ouvi-lo a respeito. Tas afirma que "Veja" também não publicou uma carta sua, em que registrava seu lado da história.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h28
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Rico lança livro de charges (mas só vende pela internet)

A internet foi um achado para quem vive do desenho. A rede virtual se tornou uma grande vitrine para ilustradores, que passaram a abrigar seus trabalhos em blogs e fotoblogs. Esse fenômeno virtual começa a viver uma segunda etapa: a da publicação desse material no papel. Mas sem deixar de lado o computador. Como? É por meio dele que as vendas são feitas.
 
Há dois casos recentes: "Moças Finas", de Orlando, lançado em São Paulo nas duas últimas semanas, e "Onde foi que eu errei?", do chargista mineiro Rico, que acaba de ser impresso. Rico pretende nesse primeiro momento ficar apenas nas vendas virtuais. A obra tem 66 páginas e reúne mais de cem charges feitas por ele, algumas inéditas.
 
O ilustrador de 29 anos nasceu em Manhuaçu, cidade "no fundinho de Minas Gerais", como se diz. Começou a publicar em 1990. Já expôs muito, tanto aqui como no exterior. Rico faz trabalhos para empresas e para a imprensa. Já teve ilustrações publicadas em diversos jornais e revistas. Atualmente, faz as charges dos jornais "Valeparaibano" (do interior de São Paulo) e "Coletivo" (do Distrito Federal). O livro custa R$ 15. O e-mail para comprar é ricouai@uai.com.br Rico mantém uma página com trabalhos seus (e outras cositas más). Para acessar, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h09
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Metrópolis na Fest Comix

Tem matéria nova de quadrinhos no Metrópolis, programa exibido pela TV Cultura. A reportagem mostra os lançamentos da 11ª Fest Comix, feira que terminou no último domingo em São Paulo. A gravação está disponível no TV UOL (apenas para assinantes UOL). Para acessar, clique aqui.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h33
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06/11/2006

Ilustradores criticam governo sobre adiamento da Câmara de Comunicação Visual

Entidades ligadas a ilustradores e designers gráficos enviaram na tarde desta segunda-feira uma carta ao Ministro da Cultura, Gilberto Gil. O texto critica o adiamento do seminário que criaria a Câmara Setorial de Artes em Comunicação Visual. A Câmara discutiria e planejaria políticas ligadas à área, que inclui as histórias em quadrinhos. Seria composta por integrantes do governo e das associações de artistas e teria plena autonomia na implantação das medidas discutidas.
 
O encontro deveria ocorrer em agosto, no Rio de Janeiro (como noticiado na postagem do dia 20 de junho). Foi prorrogado para outubro. Dez dias antes, houve um comunicado do governo informando sobre o cancelamento. A pauta do seminário está disponível no site da Câmara Setorial. Seriam dois dias de discussão.
 
A carta enviada ao Ministério da Cultura também questiona a intenção do governo de unificar a Câmara de Comunicação Visual com a de Artes Visuais, que engloba áreas como escultura e arquitetura. No entender das entidades de ilustradores e designers gráficos, são setores que não apresentam pontos em comum. Já existem no país câmaras para outras atividades artísticas mais "prestigiadas", tais como circo, dança e artes cênicas.
 
O Blog dos Quadrinhos reproduz a carta na postagem abaixo. O texto é assinado por associações de webdesigners, cartunistas, ilustradores, designers gráficos e fotosites.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h37
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Íntegra da carta ao Ministro Gilberto Gil

Prezado Ministro,

Pela primeira vez na história de nosso país diversas associações de ilustradores, cartunistas, fotógrafos, designers de web e designers gráficos se uniram em torno de um ideal comum e organizado: a criação de uma Câmara Setorial de Artes em Comunicação Visual. Esse movimento surgiu pois essas categorias não se sentem representadas pela já formada Câmara de Artes Visuais que atende, basicamente, aos interesses da produção de Artes Plásticas como museus, arquitetura, escultura e outros.

Essa posição se tornou uma realidade após dois anos de reuniões e diálogo entre as áreas representativas com acompanhamento do Ministério da Cultura através da Funarte. Assim a Associação Brasileira de Webdesigners, Associação dos Cartunistas do Brasil, Associação dos Designers Gráficos do Brasil, Fotosite e a Sociedade dos Ilustradores do Brasil conseguiram através de seu movimento nacional conquistar o seminário para a formação de uma Câmara própria.

A apenas 10 dias do seminário, de termos toda a organização nacional e mídia mobilizadas, recebemos um comunicado da Funarte nos informando que, diante da proximidade das eleições, não haveria mais condições de se realizar o evento marcado há dois meses e que aconteceria nos dias 5 e 6 de outubro deste ano. O mesmo comunicado informa que, caso o seminário venha a acontecer, tratará da inclusão de todas essas categorias na câmara já existente, solução que repudiamos com veemência. Basta olhar o texto produzido pela Câmara de Artes Visuais para se detectar que não há pontos de interesses comuns entre as áreas, fato percebido não só pelas categorias mas pelos próprios técnicos do Ministério da Cultura.

Temos certeza de que o governo não vai ignorar a voz de profissionais da área de desenho, design, animação, humor gráfico e fotógrafos que através de seu trabalho atendem a quase todos os cidadãos dessa nação pela mídia onde atuam. É um público maior que o de cinema, maior que o de teatro, maior que o de circo, maior que o de literatura mas que sempre foi relegado à segundo plano pela elite cultural de um Brasil antigo e sem olhos para nosso futuro.

Portanto, nossa posição é a de manter o seminário no mês de novembro em data a ser estudada pelas partes, rapidamente, na possibilidade de ser realizado no Rio de Janeiro ou em São Paulo onde temos local para tal. No seminário seriam acertados os pontos de vista de nosso movimento e o do Governo para o lançamento de nossa Câmara Setorial e aprovação do Ministério da Cultura para a primeira formação dos nossos representantes. Não deve haver radicalismo das duas partes mas a constatação de uma solução compartilhada.

Sabemos da boa vontade do Ministro, principalmente por seu histórico de luta na ditadura onde também o humor gráfico foi primordial para o movimento nacional de volta à normalidade democrática. Agora todos nós lutamos pela sua manutenção e aprimoramento por um canal de representatividade do setor junto ao Governo Federal.

Esse é um momento histórico para todos nós.

Aguardamos com expectativa sua resposta para que possamos continuar no processo de valorização de nossa categoria de profissionais.

Atenciosamente,

Associação Brasileira de Webdesigners / Associação dos Cartunistas do Brasil / Associação dos Designers Gráficos / Fotosite / Sociedade dos Ilustradores do Brasil

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h36
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L&PM lança mais pockets nacionais até o fim do ano

A história da L&PM se confunde com lançamentos de quadrinhos. Foi assim, pelo menos, na década de 80, quando publicou vários álbuns, nacionais e estrangeiros (americanos, argentinos, italianos, franceses). Na década de 90, a coleção pocket (livros em formato de bolso) deu um novo rumo à empresa. O maior investimento foi nas obras literárias. Os quadrinhos, salvo algumas exceções, ficaram num segundo plano. Ficaram. Há sinais de que a história mudou.
 
A editora voltou a investir no setor. Neste ano, incluiu vários títulos de quadrinhos na coleção pocket. Neste semestre, acelerou o ritmo de lançamentos (como mostrado nas postagens dos dias 26 de junho e 30 de agosto). O último foi o sexto volume de "Garfield" ("Garfield de Bom Humor"; capa ao lado). Até o fim do ano, deve colocar outras obras nas livrarias e bancas de grande porte. A maioria é material de autores brasileiros.
 
A L&PM programou: "As mil e uma noites", de Paulo Caruso; "Striptiras", de Laerte (que já teve dois numeros de "Piratas do Tietê" publicados neste semestre); "Wood & Stock", de Angeli;  "Abobrinhas da Babilônia" e "Geraldão 2", de Glauco (um terceiro número sai em 2007). Há também cinco volumes de Snoopy, como mostrado na postagem abaixo (o primeiro sai neste mês).
 
As edições ainda não têm preço fechado. A linha tem custado R$ 10 em média.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h54
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Snoopy volta a ser publicado no Brasil

Snoopy vai ser editado novamente no Brasil. Cinco volumes do personagem criado por Charles M. Schultz serão publicados pela editora L&PM em formato pocket. Cada número terá 140 páginas, duas tiras em cada uma. O primeiro, "Snoopy e Sua Turma", sai na segunda quinzena deste mês. O preço ainda não foi definido. Deve ficar em torno de R$ 11, o mesmo valor de outros títulos de quadrinhos da editora gaúcha.
 
O material deste número inicial reúne tiras de 1984. É a segunda editora a trabalhar com a turma de Charlie Brown nos últimos anos. A Conrad lançou em 2004 coletâneas de tiras de Snoopy, a maior parte em formato de bolso.
 
Snoopy ("Peanuts", no original) foi criado em 1950. Conta a história de um menino, Charlie Brown, e sua turma de amigos. Com o passar dos anos, seu cachorro, Snoopy, tornou-se o elemento central da turma e virou um bem-sucedido produto de marketing. A franquia não ofuscou a qualidade das tiras, inovadoras por dois motivos: 1) na abordagem, mais filosófica; 2) no estilo, que aboliu a perspectiva em profundidade, o chamado segundo plano (recurso que fez escola em todo o mundo). A última tira saiu em 2000, quando fez um agradecimento aos fãs por todos os anos de convivência. Schultz morreu pouco depois.
 
Há uma prévia das tiras de Snoopy editadas pela L&PM na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h08
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Prévia - Snoopy

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h01
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05/11/2006

Mais uma charge causa polêmica na mídia

A edição de 1º de novembro da "Veja" reproduziu a charge ao lado na seção "Carta ao leitor". A ilustração, feita por Santiago, havia sido veiculada no "Jornal do Comércio", de Porto Alegre. A revista usou a imagem para justificar ao leitor que tem a linha editorial de fiscalizar o poder. "O lado de Veja é do lado do Brasil", dizia o texto.

A edição deste fim de semana da revista "Carta Capital" traz uma carta de Santiago, mostrando um outro lado da história. Ele afirma não ter autorizado a reprodução da imagem na "Veja".

O Blog dos Quadrinhos reproduz na íntegra a carta, que já circulava esta semana por blogs de ilustradores:

Dois dias antes do segundo turno, recebi um telefonema de um funcionário da revista Veja. Ele pediu autorização para usar uma charge minha, originalmente publicada no Jornal do Comércio de Porto Alegre. Respondi que não autorizava por não concordar com a linha editorial da publicação. Repeti que não gostaria de ver o trabalho nas páginas de Veja, principalmente nesse momento de eleições. A pessoa ainda pediu que eu atribuísse um preço ao desenho, que a revista pagaria... Eu disse que falar em remuneração piorava a situação. Pois foi grande a minha surpresa quando soube que, apesar dos apelos, a charge foi publicada na seção Carta ao leitor, da edição 1980. Além de usar um trabalho sem mencionar o nome do autor, Veja publicou um desenho que havia sido verbalmente desautorizado. Um belo exemplo de arrogância da grande imprensa.

Santiago / Desenhista de humor

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h16
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04/11/2006

Site exibe documentário sobre Renato Canini

Há um bom jeito de gastar 13 minutos deste fim de feriadão. Por que exatos 13 minutos? É a duração do documentário "Kactus Canini Kid – Uma Graficobioanimada",  agora disponível na internet. Dirigido por Lancast Mota, conta a história do desenhista Renato Canini.

É das mãos de Canini o traço mais brasileiro de Zé Carioca (imagem ao lado). O ilustrador tirou o guarda-chuva e o paletó e deu ao papagaio de Disney camiseta, pés descalços, um jeitão malandro (ele tinha até uma associação de cobradores, a Anacozeca, Associação Nacional dos Cobradores do Zé Carioca). Para muitos, foi a melhor fase do personagem. Mas, como o estilo fugia ao padrão Disney, houve um divórcio no relacionamento entre desenhista e personagem, iniciado em abril de 1971, no número 1015 da revista "Zé Carioca". Essa e outras histórias foram reeditadas no ano passado pela Abril no quinto volume da coleção "Mestres Disney", dedicada a Canini. A edição trouxe também uma produção inédita, um reencontro dele com o papagaio carioca, trinta anos depois.

O desenhista, nascido em 1936 em Paraí, no Rio Grande do Sul, teve participação em duas outras revistas da Abril, também nos anos 70. Fez ilustrações para a "Recreio", título de variedades voltado ao público infantil, e participou do grupo de artistas da "Crás!", tentativa da editora de colocar nas bancas uma publicação só com autores nacionais. A contribuição de Canini foi com Kactus kid (imagem ao lado, personagem que dá nome ao documentário), uma paródia das histórias de caubói. O pistoleiro queixudo vivia na cidade de Descansa City. Sua identidade secreta era mantida de um jeito, no mínimo, peculiar: para não descobrirem quem ele era, punha óculos escuros e tirava os dentes. Para se tornar o bravo Kactus kid, a dentura voltava à boca, dando a ele um sorriso hilariante.

Canini, hoje, continua na ativa. Faz ilustrações e charges para jornais. O documentário, feito em 2004, conta trajetória do desenhista e a de seus personagens, como o Zé Candango, sua primeira criação. Há também uma animação de Kactus Kid.

O vídeo está disponível no site Porta Curtas, da Petrobras. Para acessar, clique aqui.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h57
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03/11/2006

Começa a votação para o Prêmio Angelo Agostini 2007

O site Bigorna divulgou hoje uma informação que merece registro. É um texto de pesquisador Worney Almeida de Souza, dando todas as coordenadas para o próximo Prêmio Angelo Agostini. A escolha será feita por voto, como nas edições anteriores. Qualquer pessoa pode participar, desde que se interesse pela área de quadrinhos.
 
São sete categorias nesta 23ª edição: desenhista, roteirista, cartunista, fanzine, lançamento, Mestres do Quadrinho Nacional e Prêmio Jayme Cortez. Os vencedores recebem os prêmios no dia 10 de fevereiro de 2007. Há uma lista dos indicados no site Bigorna (clique aqui para ver).
 
A votação vai até 15 de janeiro. Os nomes podem ser encaminhados à Caixa Postal 675, São Paulo, CEP 01059-970, aos cuidados de Worney Almeida de Souza. Ou então para o e-mail angeloagostini@bigorna.net .
 
O prêmio existe desde 1984 e é mantido pela Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo. É uma homenagem a Angelo Agostini, imigrante italiano que passou as últimas décadas de vida no Brasil. Desenhou para diversos jornais do Rio e de São Paulo no século 18. É tido como um dos pioneiros do quadrinho nacional.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h48
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"Biblioteca dos Quadrinhos" e "Front" têm lançamento sábado em SP

Dois lançamentos neste sábado na 11ª Fest Comix, feira de quadrinhos que vai até domingo em São Paulo. Um é o novo número da "Front", obra que mostra apenas trabalhos de autores nacionais. Outro é o último trabalho do jornalista Gonçalo Junior, "Biblioteca dos Quadrinhos" (os exemplares chegam à feira entre hoje e amanhã).
 
O livro de Gonçalo faz jus ao nome. Compila numa obra tudo o que saiu sobre quadrinhos desde 1944. O pesquisador resenhou mais de 700 títulos nas 352 páginas da obra, prevista inicialmente para o fim de julho. Na pesquisa, contou com a colaboração do publicitário Nobu Chinen, do jornalista Franco de Rosa e do cartunista Gualberto Costa, o Gual.
 
O Blog antecipou o lançamento na postagem do dia 17 de junho. Na ocasião, o jornalista disse que o livro seria "um trabalho dirigido a pesquisadores, estudantes e meios de comunicação brasileiros". Cada obra tem uma ficha completa, com o formato, autor e número de páginas.
 
O acervo foi dividido em nove partes:
  1. livros exclusivamente sobre histórias em quadrinhos
  2. livros com artigos (ao menos um) sobre quadrinhos
  3. obras sobre caricatura, cartum, charge e desenho animado
  4. romances que vieram dos quadrinhos e quadrinhos que vieram dos romances
  5. álbuns de quadrinhos que contenham ensaios a respeito do personagem-título
  6. revistas especializadas em reportagens sobre quadrinhos
  7. revistas que falam de arte e incluem, entre as matérias, quadrinhos
  8. fanzines
  9. sites e blogs que noticiam quadrinhos
O livro, lançado pela Opera Graphica, é resultado de uma vida inteira de pesquisas deste baiano, que adotou São Paulo como morada. Gonçalo Junior ganhou destaque por causa do livro "Guerra dos Gibis", da Companhia das Letras (ele já prepara a segunda parte, que abordará o período da Ditadura Militar). Foi o primeiro de uma série. Pelos trabalhos, Gonçalo venceu o Troféu HQMix 2006 como "grande contribuição do ano".
 
O outro lançamento deste sábado é o 17º número da "Front", da editora Via Lettera. É uma das mais bem-sucedidas revistas de quadrinho nacional do país. O álbum funciona como uma espécie de cooperativa entre os autores, todos brasileiros. Por e-mail, eles discutem os roteiros e as histórias de cada edição. É também pela internet que definem o tema da obra (cada edição aborda um assunto). O deste número é a invisibilidade.
 
Se engana quem pensa que é um superpoder ou algo do tipo. É outro tipo de ser invisível. É aquele que passa despercebido na selva urbana contemporânea. É a solidão, a introspecção, o individual, mesmo que inserido no coletivo.
 
A edição traz trabalhos de 22 autores, entre eles Bira Dantas (que prepara os desenhos para uma adaptação do romance "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida) e Orlandeli (criador de "Grump"). A maioria dos colaboradores, no entanto, é desconhecida do público. É o erro da edição: não há uma biografia que os apresenta ao leitor. É algo interessante tanto para quem produz as histórias quanto para quem as lê.
 
SERVIÇO
Lançamentos de "Biblioteca dos Quadrinhos" e "Front # 17". Quando: sábado (04.11). Horário: às 14h e 16h, respectivamente. Onde: Colégio Arquidiocesano (dentro da 11ª Fest Comix). Endereço: rua Domingos de Morais, 2565, vila Mariana, São Paulo (em frente à saída do metrô Santa Cruz. Quanto: a entrada custa R$ 3; as obras terão 20% de desconto.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h19
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02/11/2006

Lailson: o relato de um brasileiro nos festivais da Europa

Lailson de Holanda Cavalcanti é um ilustrador com duplo reconhecimento. Destaca-se tanto na produção de charges e quadrinhos quanto na pesquisa do assunto. Seu trabalho ecoa há alguns anos na Europa, onde publicou a "Historia del Humor en el Brasil", uma das melhores obras sobre o assunto (ver postagem de 24 de maio). Seu último álbum também dialoga com o continente europeu, mais especificamente Portugal. "Lusíadas 2500", lançado em maio deste ano, coloca o clássico de Camões no futuro.

O currículo de Lailson explica o convite para participar de dois eventos sobre quadrinhos, que ocorreram na Europa: a "Muestra Internacional de Humor Gráfico de Alcalá de Henares", na Espanha, e do "17º Festival de Banda Desenhada da Amadora", em Portugal (quadrinhos, lá, são chamados de banda desenhada ou simplesmente BD).

O Blog dos Quadrinhos pediu a Lailson se ele toparia fazer uma espécie de diário de bordo da viagem. Não só topou como também mandou fotos do que viu por lá, principalmente de Amadora. O relato chegou hoje à tarde, por e-mail. O Blog reproduz nesta e na próxima postagem o texto dele, na íntegra.

Um olhar sobre o resto do mundo

Cheguei a Portugal para participar do 17º FIBDA no dia 23 de outubro, depois de passar dois dias na Muestra Internacional de Humor Gráfico de Alcalá de Henares, na Espanha, onde reencontrei velhos conhecidos como Ares (Cuba), Ruz (El Salvador), Zé Oliveira (Portugal), Omar Perez (Galícia), Juan Acevedo (Peru), Turcios (Colômbia/Espanha) e sua esposa, a também cartunista Nani Mosquera que participa da Mostra de Mulheres Cartunistas, uma da exposições paralelas de Alcalá neste ano, coordenada por Ana Von Reuber (Argentina) e que apresenta trabalhos de mulheres de todo o mundo, estando presentes várias dela em Alcalá, como Maria Centeno (Venezuela), Vilma Vargas (Ecuador), Raquel Orzuj (Uruguai) e Marlene Pohele (Argentina/Alemanha).

A exposição com os cartuns sobre o tema "Violência de Gênero" está instalada no novo espaço da mostra e os cartunistas também participaram de diferentes atividades como o "Livro Gigante" e a "Festa da Caricatura", desenhando cartuns gigantes e caricaturando o público na Calle Mayor de Alcalá.

O veterano cartunista mexicano Rius (Gran Prix no Salão de Montreal em 1968) também estava lá e foi nomeado "Papa Ateu" pelas cartunistas, que o vestiram de papa e lhe puseram um par de chifres vermelhos durante uma "cerimônia" realizada no restaurante Kneipe. Rius e Zé Oliveira depois se encontraram comigo no Festival da Amadora.

O FIBDA deste ano teve como tema os "17 Graus Periféricos e o Resto do Mundo" e envolveu toda uma mística sobre o número dezessete que, segundo o Professor Manuel Gandra - o qual fui visitar no Monumento de Mafra - tem uma relação intrínseca com os ciclos da História de Portugal.

No piso superior do Centro Cultural Luís de Camões - novo espaço cultural onde está instalado o festival - estavam instaladas exposições específicas como a dedicada a Filipe Abranches - melhor desenhista português de 2005 - e aos 17 quadrinistas portugueses. Foram espaços muito bem realizados, tendo na mostra coletiva vários baús, cada um contendo três elementos (esboço/viagem/Portugal) pertencentes ou representativos de cada autor, além das páginas dos quadrinhos montadas em painéis laterais de fundo negro.

A mostra dedicada ao "Decálogo" estava excelente, com estantes de madeira encimadas por maquetes do cenário principal de cada capítulo e tendo ao lado um exemplar de cada livro do conjunto, que podia ser folheado.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h06
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Lailson: o relato de um brasileiro nos festivais da Europa (2ª parte)

Por fim, chegava-se à mostra do meu trabalho, o "Lusíadas 2500" que divide uma sala com a versão anterior publicada em 1984, desenhada em estilo clássico pelo mestre quadrinista português José Ruy, fazendo assim um contraponto entre a versão mais ortodoxa que representa o poema no século XVI e a minha versão futurista que situa a história no século XXVI.

No primeiro andar, além das exposições, havia espaço para palestras, autógrafos e a feira de quadrinhos, que deixava muita gente com água na boca com os novos álbuns e outros produtos a preço de ocasião.

No andar de baixo, um enorme pavilhão de exposições abrigava a mostra do resto do mundo, com grande expositores em formato de longas mesas de topo inclinado onde podiam ser vistos originais e reproduções de todos os continentes, uma gigantesca exposição como eu nunca havia visto antes.

Por todo o espaço do pavilhão, interferências de objetos e personagens completavam o espírito da instalação.

Além da mostra principal havia os selecionados do concurso de quadrinhos, uma sala para quadrinhos eróticos (BD Voyeur), novos lançamentos e um espaço lúdico para as crianças.

Em outra sala do CCLC foi instalado o encontro dos pesquisadores e quadrinistas latino-americanos, onde representei o Brasil e que foi presidido por Melina Gatto (Fundação Franco Forsatti-Milão-Itália). O encontro contou com a presença de Carolina Rodriguez (Venezuela), Joaquín Cuevas (Colômbia), Andres Accorsi (Argentina), Cristian Diaz (Chile), José Campo H. (Colômbia), Melvin Ledgard (Perú), Matias Castro (Uruguai), Chiqui (Peru) e Luiggi Bona (Itália). Durante o encontro foram debatidos os aspectos que envolvem a produção dos quadrinhos nos diferentes países, sua situação atual e estabelecidas propostas para trabalhos internacionais.

Além das atividades e compromissos do festival, os convidados tiveram vários momentos de confraternização (incluindo o aniversário de Maurício de Souza) e realizaram visitas a pontos turísticos importantes de Portugal como a cidade de Sintra (onde se realiza o World Press Cartoon) e ao Centro Nacional da Banda Desenhada, onde foi prestada uma homenagem aos antigos editores Tio António (já falecido) e Tia Nita (homenageada na noite anterior) e aos quadrinistas portugueses José Ruy e José Garcez, que estavam presentes, além do Diretor do FIBDA, Nelson Dona.

Na sala da homenagem, o piso reproduzia a primeira página do jornal de quadrinhos "O Mosquito", marco histórico da BD portuguesa e podíamos ver nas paredes e em mostruários os originais, clichês e reproduções dos trabalhos dos autores portugueses das décadas de 40, 50 e 60.

O CNBI é um órgão da Cãmara Municipal da Amadora (equivalente à uma Prefeitura, no Brasil) e que funciona o ano inteiro na área do desenvolvimento aos quadrinhos, organizando o festival e coordenando outros projetos como a edição de livros sobre a BD portuguesa. 

Lailson de Holanda Cavalcanti.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h05
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Miguel Paiva abre festival de animação e HQ no Rio

Dica rápida. Há uma boa palestra sobre quadrinhos amanhã à noite, no Rio de Janeiro. O cartunista Miguel Paiva abre um evento que tem um nome longo, mas auto-explicativo: 1º Festival Nacional de Cinema de Animação, Quadrinhos e Games da Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro. O evento é em Teresópolis e vai até domingo.
 
Miguel Paiva é o criador da Radical Chic (imagem ao lado). Ele fez também as tiras do Gatão de Meia Idade e, em parceria com o escritor Luís Fernando Verissimo, as histórias do detetive Ed Mort.
 
SERVIÇO
1º Festival Nacional da Região Serrana do Rio de Janeiro. Quando: de sexta a domingo (a palestra com Miguel Paiva é às 18h da sexta). Horário: sexta, das 18h às 22H; sábado e domingo, das 11h às 21h. Onde: Casa de Cultura de Teresópolis. Endereço: pça. Juscelino Kubitschek de Oliveira, s/nº, Teresópolis, Rio de Janeiro.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h09
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Programa de rádio cria quadro sobre histórias em quadrinhos

Quadrinhos são imagem, mas, acima de tudo, informação. Mesmo que seja no rádio. Hélio Eduardo Lopes vai comandar uma coluna sobre o assunto no programa "Manchete Cultural", transmitido pela rádio Manchete AM, do Rio de Janeiro. A estréia é no próximo sábado, com um bate-papo com ele. "Os quadrinhos estão num momento muito propício, e vamos falar disso na entrevista", diz.
 
Hélio Lopes acumula cargos ligados à área. Cuida do marketing da editora Pixel e é o coordenador do pioneiro  curso de graduação em histórias em quadrinhos, da Universidade Estácio de Sá, do Rio (ver postagem de 04.09). Ele conta que o convite surgiu numa conversa com a produtora do programa, Cátia Nasseh. "Mostrei a situação atual das histórias em quadrinhos, de como outras formas de artes têm bebido na fonte dos quadrinhos e isso despertou o interesse dela, como acredito que vá despertar também o interesse dos ouvintes."
 
Hélio Lopes acredita que colocar o assunto na mídia, qualquer mídia, é uma forma de conquistar novos leitores. "Um espaço numa rádio significa, primeiramente, falar não só com um grande número de ouvintes mas também com um público que que pode não conhecer ou ler quadrinhos no dia-a-dia. Ou seja, temos a possibilidade de, numa mídia de massa, criar um novo público consumidor." E acrescenta: "A função das pessoas ligadas a quadrinhos agora é sair da toca e mostrar que histórias em quadrinhos não são lance de gueto ou de nerd. É cultura, é educação, é informação."
 
A cultura, a educação e a informação vão ao ar todos os sábados, entre meio-dia e uma da tarde, horário do programa "Manchete Cultural". A sintonia da emissora é 760 AM. O sinal da emissora pega no Rio de Janeiro e em alguns outros estados.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h11
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01/11/2006

Feira em SP faz megalançamento de quadrinhos no feriadão

Colocar num lugar só 200 mil títulos, todos com desconto (de no mínimo 20%). É essa a idéia da 11ª Fest Comix, feira de quadrinhos que começa amanhã em São Paulo (vai até domingo). O evento existe desde 2001 e recebe mais público a cada edição. No ano passado, foram 10 mil pessoas. A previsão, agora, é superar esse número. 
 
Tanta gente torna o evento um oásis para as editoras de quadrinhos. Nesta edição, estão programados 25 lançamentos, número que pode aumentar até o fim da feira, promovida pela loja Comix, de São Paulo. O Blog dos Quadrinhos separou cinco destaques, que começam a ser vendidos na Fest Comix. Todos terão 20% de desconto.
 
 
 
 
 
Príncipe Valente - Volume 19 
Editora Opera Graphica 
Álbum inédito, com histórias clássicas criadas por Hal Foster. Segue a mesma linha de publicação das edições anteriores: formato gigante, capa dura, acabamento de luxo.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sandman - Fábulas e Reflexões 
Editora Conrad 
Sexto livro que reedita as histórias do Mestre dos Sonhos, personagem criado por Neil Gaiman para a linha Vertigo da DC Comics. Edição de luxo, em capa dura.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Fotógrafo
Editora Conrad
Na linha do jornalismo gráfico, criado por Joe Sacco. Narra a visita do fotógrafo Didier Lefèvre ao Afeganistão, acompanhando o movimento Médicos Sem Fronteiras. A obra, em três volumes, mescla fotos dele com trechos em quadrinhos. 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
Ultra - Sete Dias (Vol. 2)
Editora Pixel
Última parte da história criada pelos Luna Brothers, publicada nos Estados Unidos pela Image Comics. Mostra o dia-a-dia de três super-heroínas, que são vistas -e vendidas- como celebridadades.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
 
 
 
Crying Freeman
Editora Panini
Primeiro de dez volumes. O mangá conta a história de um assassino misterioso, que chora após completar cada missão. Vai agradar os leitores mais saudosos. A série começou a ser publicada no início da década de 90, mas não foi concluída.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SERVIÇO
11ª Fest Comix. Quando: de quinta a domingo. Horário: das 10h às 18h. Onde: Colégio Arquidiocesano. Endereço: rua Domingos de Morais, 2565, vila Mariana, São Paulo (em frente à saída do metrô Santa Cruz. Quanto: a entrada custa R$ 3.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h32
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