30/09/2006
Categoria: DICA
29/09/2006
NEKOMAJIN
MANGÁ DE TORIYAMA SATIRIZA DRAGON BALL (DE TORIYAMA) Akira Toriyama fez uma dupla volta ao passado em "Nekomajin", mangá que chegou às bancas nesta semana (Conrad, R$ 24,90). O desenhista japonês resgatou o humor simples e ingênuo que fazia em seus primeiros trabalhos. E trouxe de volta os personagens de Dragon Ball, sua criação mais conhecida. A curiosidade é que Toryiama satiriza o próprio Toryiama, o que dá um tom de non-sense à edição.Dragon Ball está presente na obra de duas formas. A primeira é nas referências explícitas. Estão lá Son Goku, Majin Buu, Freeza e Vegeta (personagens de Dragon Ball). É tão assumida a relação de intertextualidade que o escritor-desenhista se dirige em vários momentos ao leitor novato, que nunca ouviu falar da série, e provoca: se você não está entendendo nada é porque não leu Dragon Ball (veja algo assim na imagem abaixo).
A outra semelhança está na essência da história, lançada entre 1999 e 2005. Uma raça diferente de gatos, conhecida como Nekomajin, possui dons mágicos e a prática das artes marciais. O personagem-título vira um supersayajin e domina o golpe do Nekohamehá (paródia ao Kamehamehá de Son Goku, protagonista de Dragon Ball). Outro ponto em comum é a passagem de tempo. Há uma espécie de Nekomajin Z. Os anos avançam porque Nekomajin dormiu muito (mais de três décadas).
O método de fazer os anos passarem é ironia pura. É algo aparentemente ingênuo e bobo. Mas o humor vem exatamente disso, algo difícil de ser feito. Muito é centrado nos diálogos do personagem Nekomajin, grande, gordo, folgado e com o dom de falar a frase errada para a pessoa errada na hora errada. É daí que vem a graça e boa parte do interesse pelo mangá, algo que o autor fazia muito em "Dr. Slump", série que desenhou no começo dos anos 80 (parte das histórias saiu no Brasil).
Ao reencontrar um amigo de infância, tão reconhudo quanto ele, Nekomajin comenta: "você tá gordo, hein?". No começo da história, ele "toma emprestada" a moto de um homem. O dono pede o veículo de volta. E tem de ouvir: "se gostou tanto, posso vender baratinho para você". Outra situação é quando vai enfrentar um dos vilões, numa daquelas cenas clássicas de luta de Dragon Ball. No momento de maior tensão, Nakomajin solta um pum. Desmonta o vilão, que perde toda a vontade de lutar. É o protótipo do "sem-noção".O interessante seria (re)ler Dragon Ball antes de partir para Nekomajin, lançado nesta semana. Mas não é algo obrigatório. Pelo contrário. Para quem nunca leu mangá, é um bom começo. Vai ver uma história engraçadíssima, com diálogos impertinentes, daqueles que só crianças fazem. E vai ver um afiado Akira Toryiama extraindo as últimas gotas de sua maior criação. Para os fãs de Dragon Ball, não haveria apêndice melhor. Categoria: RESENHAS 28/09/2006
PUTZGRILA
AUTORES COLOCAM HQs DA REVISTA NA INTERNET
Dica rápida. O segundo número da "Putzgrila" está disponível na internet. A revista mostra trabalhos de 41 alunos do curso de histórias em quadrinhos oferecido no ano passado pela Gibiteca Henfil, em São Paulo. A obra tinha sido lançada em maio (ver postagem de 18.05).
A revista contém as primeiras histórias dos integrantes da Sócios Ltda. O grupo se conheceu no curso da Gibiteca. Resolveu não ficar só na teoria e partiu para a prática. O primeiro resultado é a revista "Garagem Hermética", lançada na sexta-feira da semana passada (ver postagem de 22.09). É um grupo para ficar de olho.
O material da "Putzgrila" está disponível no site da Sócios Ltda: http://socios.dracron.com/ Categoria: DICA 27/09/2006
FORA DE BONEVILLE
BONE VOLTA A SER EDITADO NO BRASIL (EM VERSÃO COLORIDA) ![]() A Devir vai publicar a série Bone no Brasil. O primeiro volume deve ser lançado em novembro ("Bone - Fora de Boneville"; capa ao lado) e conta a história dos personagens desde o início. A editora vai usar uma reedição do material, feita em cores (a primeira versão saiu em preto-e-branco). Os álbuns terão 144 páginas e sairão num formato um pouco menor do que o original norte-americano (16,5 cm por 22,8 cm). A informação é divulgada em primeira mão pelo Blog dos Quadrinhos.As edições foram feitas em sistema de parceria com diferentes países. O trabalho de co-impressão foi centralizado na Alemanha pela empresa Tokyo Pop. "O primeiro volume já foi impresso e está a caminho do Brasil", diz o editor da obra no Brasil, Leandro Luigi Del Manto. "Já estamos em fase de pré-impressão do segundo volume".
"Os dois primeiros volumes serão lançados com um intervalo de tempo menor, mas nosso cronograma prevê que sejam lançados novos volumes de quatro em quatro meses. Assim, o último volume está previsto para ser lançado em maio de 2009", conta Del Manto. Ao todo, serão nove volumes. A lombada de todas as edições, quando reunidas lado a lado, formam a figura que abre esta postagem.
Bone foi criado em 1991 pelo norte-americano Jeff Smith. A série conta a história dos primos Bone (sensível, corajoso e fã de Moby Dick), Phoney Bone (ranzina e cheio de planos infalíveis) e Smiley Bone (bonachão e sempre bem-humorado), que se perderam na hora de voltar a Boneville, cidade onde moram. As aventuras deles agregam outros coadjuvantes (como um enigmático dragão), muito mistério, tramas pessoais e ação. É um caso raro nos quadrinhos. Bone consegue agradar tanto adultos quanto crianças.
A premiada série encerrou no número 55 (de junho de 2004, ainda inédito por aqui). Foi uma opção de Smith. Desde então, as aventuras vêm sendo reeditadas, ora na edição colorida que agora chega ao Brasil, ora num volume único, recém-lançado nos Estados Unidos.Parte da série já saiu no Brasil pela editora Via Lettera. Foram nove álbuns. O primeiro foi lançado em dezembro de 1998 ("Fora de Boneville"). O último, em dezembro de 2004 ("Rojão - O senhor da fronteira oriental"). O Blog dos Quadrinhos procurou a editora para saber se haverá novos álbuns. A assessoria de imprensa respondeu que a Via Lettera pretende lançar mais dois volumes de Bone ainda neste ano, mas sem data certa. "Falta acertar alguns detalhes com os editores americanos". Não há informação se o acordo feito pela Devir anula o da Via Lettera.
Veja na postagem abaixo uma prévia exclusiva da versão em cores de Bone, editada pela Devir. Categoria: NOTÍCIA 26/09/2006
OS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA PELO OLHAR DO CHARGISTA - III
HELOÍSA HELENA O Blog dos Quadrinhos ouviu a opinião de quatro chargistas sobre os candidatos à Presidência da República. Nesta postagem, Cláudio, Dacosta e Paulo e Chico Caruso falam sobre Heloísa Helena, do PSOL. As opiniões sobre Lula e Geraldo Alckmin estão nas duas últimas postagens.Chico Caruso
A mal-amada da Albânia.
Cláudio
A Heloísa Helena ponho copm cara de alucinada. A propostas de extrema-esquerda, do tipo rever privatizações, são bem irrealistas.
Dacosta
Ela parece militante da Libelu, parece profeta dos filmes do Glauber Rocha ("Deus e o Diabo...")... será que ela tem coleção de camisas?
Paulo Caruso
É a Branca de Neve da Era Dunga.
Crédito: a caricatura de Heloísa Helena foi feita por Cláudio. Há outros trabalhos dele no site http://chargistaclaudio.zip.net/ Categoria: NOTÍCIA 25/09/2006
OS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA PELO OLHAR DO CHARGISTA - II
GERALDO ALCKMIN
O Blog dos Quadrinhos perguntou para quatro chargistas como eles vêem os atuais candidatos à Presidência. As respostas foram sobre os três primeiros colocados. As opiniões sobre Lula estão na postagem de ontem (24.09).
Veja agora qual a leitura de Dacosta, Cláudio e dos irmãos Paulo e Chico Caruso sobre Geraldo Alckmin, do PSDB:
Chico Caruso
É um anestesista que virou anestesia.
Cláudio
O Alckmin eu faço com cara de bundinha. Meio elitista, com aquela história de "choque de gestão". O PSDB não se afirmou como partido do social.
Dacosta
Como diz o Jaguar (o velho cartunista), ele tem boca de rico e só governa pra rico. Será que ele come buchada?
Paulo Caruso
Me parece o Pinóquio. O nariz para o cartunista é um paraíso.
Na postagem acima, as opiniões sobre Heloísa Helena, candidata do PSOL.
Crédito: a charge acima é de Dacosta. Há outras no site dele: http://o.dacosta.fotoblog.uol.com.br/ Categoria: NOTÍCIA 24/09/2006
OS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA PELO OLHAR DO CHARGISTA - I LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
O Blog dos Quadrinhos ouviu as opiniões de quatro chargistas: Cláudio (do jornal "Agora"), Dacosta (autor da melhor charge no Salão Internacional de Humor de Piracicaba deste ano) e os irmãos Paulo ("Jornal do Brasil" e TV Cultura) e Chico Caruso ("O Globo" e TV Globo). A pergunta foi a mesma para todos: qual a leitura que você faz dos candidatos à Presidência? As respostas foram sobre os três primeiros colocados, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Heloísa Helena (PSOL).
A leitura deles começa a ser publicada hoje no Blog dos Quadrinhos, numa série de três postagens. A primeira é sobre o presidente Lula. Veja o que os quatro chargistas disseram:
Chico Caruso
Lula é o Fidel Castro de uma camarilha de sindicalistas bancários da maior estupidez, como se pôde ver agora nesses recentes episódios do dossiê Vedoin.
Cláudio
Eu costumo desenhar Lula meio cara de bundão. Ele não peitou os interesses estabelecidos e não mudou o modelo econômico. Deslumbrou-se com as delícias do poder.
Dacosta
Simão no deserto, quer acabar com a pobreza no mundo e aqui na terra dos tapuias... será que consegue?
Paulo Caruso
Vejo o cenário político atual como o filme do Shrek, onde o ogro abominável parece um padrão de beleza indiscutível. Nesse cenário, o Lula parece o Gato de Botas.
Na postagem acima, as opiniões sobre Geraldo Alckmin.
Crédito: a charge acima é de autoria de Paulo Caruso. Categoria: NOTÍCIA 23/09/2006
SUPREMOS
DESENHO COM GRUPO DA MARVEL TEM TRAILER EXIBIDO EM SITE
Segundo Navega, "Os Supremos 1" é uma versão "light" do grupo escrito por Mark Millar e desenhado por Bryan Hitch. O Hulk perde o lado canibal e a Vespa não é espancada por Hank Pym, como visto no primeiro arco de histórias (saiu no Brasil na revista Marvel Millennium – Homem-Aranha). O desenho ganhou uma seqüência, também com trailer. Os Supremos é a versão dos Vingadores para o universo Millennium, uma versão atualizada dos super-heróis da Marvel. A idéia funcionou. Os títulos estão entre os mais vendidos nos Estados Unidos. Assista ao trailer. O endereço do Gibizada é http://oglobo.globo.com/blogs/Gibizada/ Categoria: DICA 22/09/2006
QUAL ÁLBUM LER?
ASTERIX E OS VIKINGS ou ASTERIX E OS NORMANDOS?
No álbum, o adolescente Calhambix chega à Gália e tem de se tornar um grande guerreiro. O problema é que morre de medo de entrar numa briga. Cabe a Asterix e Obelix, o fiel parceiro do pequeno herói gaulês, a tarefa de treinar o rapaz. De maneiras diferentes, a mesma história é contada três vezes. Vale a pena acompanhar tantas vezes a mesma aventura?
Primeiro, o longa-metragem. Ele foi anunciado como a animação mais cara já produzida na Europa. Custou U$ 30 milhões de dólares e envolveu desenhistas de várias países, inclusive o Brasil. A elaboração do filme teve a participação da Academia de Animação, empresa criada pelo casal Marcelo de Moura e Jean de Moura. A dupla contratou 20 estagiários para ajudar no serviço.
O resultado do investimento e, por que não, da experiência de Marcelo de Moura, deram um ar de megaanimação Disney aos heróis europeus. Moura já teve passagem pelos estúdios Disney e Warner, o que justifica a impressão. Como animação, é bem feita.
Mas o fã de Asterix terá dois estranhamentos. Primeiro estranhamento: há mais emoção no relacionamento entre os personagens. Parte do humor e dos diálogos inteligentes dos quadrinhos se perde na telona. Segundo estranhamento: a dublagem em português é feita por integrantes do programa Pânico na TV. Asterix, Obelix, Calhambix e Abba (garota viking por quem Calhambix se apaixona) ganharam as vozes de Vesgo, Ceará, Mendigo e Sabrina Satto. Em São Paulo, a maioria das salas exibe a versão dublada.
O álbum "Asterix e os Vikings - O Álbum do Filme" (Record, R$ 23,90) mostra tudo o que ocorre no filme. Mistura um longo texto com cenas da animação. A obra chegou às livrarias há algumas semanas e é a mais recente publicação de Asterix no Brasil (já saíram quase 40 aventuras por aqui). É o filme em formato de livro. É mais para os fãs que compram tudo o que sai sobre o personagem.
Resumo da ópera: das três versões da aventura de Asterix, a original ainda é a melhor. Categoria: NOTÍCIA 21/09/2006
DA TEORIA À PRÁTICA
EX-ALUNOS DE CURSOS DE HQ MOSTRAM TRABALHOS EM SP
Alunos da ABRA (Academia Brasileira de Arte) expõem trabalhos (sobre terror) na sede da academia. As histórias, futuramente, vão ser reunidas num fanzine, o Alboom! A mostra vai até o próximo dia 30. Além dos desenhos, os organizadores programaram uma série de palestras. Neste sábado, os convidados são os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon, criadores dos fanzines e álbuns dos "10 Pãezinhos".
A dupla conversa com o público às duas e meia da tarde. As inscrições tem de ser feitas com antecedência na secretaria da ABRA (a academia fica no bairro da Santa Cruz, na capital paulista). Há 40 vagas.
Os autores já fizeram um pré-lançamento há um mês. O lançamento oficial é nesta sexta-feira à noite, na própria Gibiteca onde estudaram. SERVIÇO 1: Lançamento de Garagem Hermética. Quando: 22.09, às 18h30min. Onde: Gibiteca Henfil (fica no Centro Cultural Vergueiro). Endereço: rua Vergueiro, 1000, São Paulo (fica perto da estação Vergueiro do metrô). SERVIÇO 2: 3ª Mostra do Núcleo ABRA de Quadrinhos. Quando: até 30 de setembro (neste sábado, ás 14h30min, há bate-papo com Fábio Moon e Gabriel Bá). Onde: unidade Santa Cruz da ABRA. Endereço: rua Domingos de Moraes, 2267, São Paulo (fica perto do metrô Santa Cruz). Quanto: de graça. Categoria: DICA 20/09/2006
CARLOS LATUFF
DESENHISTA BRASILEIRO RECEBE AMEAÇA DO LIKUD "Ele é um dos que mais odeiam Israel. Ele é o cabeça de uma das maiores indústrias de propaganda e incitamento contra Israel. Ele destila veneno por toda parte. O dano que ele está fazendo a Israel, junto à juventude mundial, é enorme."
"Ele odeia a América e Israel. Seus cartuns mostram os israelenses e seus líderes como demônios. Ele envia mísseis de ódio não menos potentes que aqueles que o Irã está desenvolvendo e faz parte de gigantesca indústria genocida, cuja missão é a destruição do Estado judeu."
O "ele" das frases acima tem nome: é o brasileiro Carlos Latuff, de 36 anos. O desenhista carioca é o autor de várias charges contra a ocupação de Israel no território palestino. A ilustração que parece ter criado toda a polêmica é esta, reproduzida ao lado. Tio Sam (= Estados Unidos) aplaude um militar que segura uma bomba com os dizeres "From Israel with Love (De Israel com amor). O alvo são crianças libanesas da cidade de Qana, a quem Latuff dedica a arte ("in loving memory").O manifesto contra o desenhista rotula esse e outros trabalhos dele de "cartuns satânicos". E conclama os simpatizantes a se unirem contra o artista brasileiro. O texto circulou pela primeira vez num site israelense e teria sido assinado por um militante do partido conservador de direita Likud, ligado a Israel. "Nada de novo no front", diz Latuff ao Blog dos Quadrinhos, numa de suas raras entrevistas. "Essas ameaças vem sempre dos mesmos segmentos conservadores e direitistas. Não poderia ser diferente, já que estou pisando nos calos deles."
A Embaixada de Israel comentou o caso. A nota foi reproduzida esta semana pelo site Comunique-se, voltado a notícias sobre a mídia. É assinada por Raphael Singer, primeiro-secretário da Embaixada. No texto, ele afirma que o país respeita a liberdade de expressão e que é aberto a críticas. Lamenta os desenhos e os compara "aos do sistema de propaganda nazista". E acrescenta: "Da mesma forma que o sr. Latuff tem o direito de se expressar, também tem esse mesmo direito o site do Likud".
"Mas é claro que IsraHell (sic.) não poderia responder de forma diferente", rebate Latuff. "Agora imagine se a mesma declaração tivesse sido feita numa página relacionada a um partido árabe/muçulmano, referindo-se a um cartunista judeu. Será que a Embaixada de IsraHell (sic., de novo) teria a mesma opinião sobre liberdade de expressão?"
Carlos Latuff não se define como um ativista, mas sim um "artivista". Começou a desenhar na imprensa sindical em 1990. Em 1997, descobriu o movimento Zapatista de Chiapas, para quem produziu ilustrações livres de direitos autorais. Desde então, tem abraçado causas semelhantes e difundido seus desenhos pela internet. São vários os sites que reproduzem os trabalhos que faz."Essa ´rede´ se criou espontaneamente a partir do momento em que comecei a espalhar esses desenhos pela internet. Dado o seu conteúdo e o fato de serem livres de impedimentos autorais, surgiu rapidamente um fluxo, um tráfico de imagens por todo o planeta", conta o desenhista, que tem como um dos alvos a atuação norte-americana no Iraque (veja a imagem ao lado e também a da próxima postagem).
As ameaças, diz Latuff, não inibem a produção de novos trabalhos. "Não muda nada no que eu faço e penso. Continuarei colocando meu trabalho a serviço da causa palestina, pelo fim da ocupação de territórios palestinos e em favor de um Estado palestino independente."
Veja na postagem abaixo alguns links para conhecer o trabalho de Latuff. Categoria: NOTÍCIA
LATUFF NA NET
DESENHISTA SELECIONA SITES COM MELHORES TRABALHOS Carlos Latuff tem trabalhos espalhados por várias páginas da internet. O Blog dos Quadrinhos pediu a ele que indicasse quais os melhores sites. Os links estão a seguir:Tradução aproximada da charge ao lado: "Você me deu seu filho, agora eu te dou uma bandeira... bastante justo, hein? (risos)" Categoria: NOTÍCIA
NÍQUEL NÁUSEA
FERNANDO GONSALES LANÇA NOVA COLETÂNEA DE TIRAS
Até uns dez, quinze anos atrás, qual era a trajetória de publicação de uma tira? Ela saía primeiro nos cadernos de cultura dos jornais e, depois de um tempo, o material era compilado numa revista ou álbum. Hoje, é fato, a internet mudou parte dessa relação. Mesmo assim, alguns autores não deixam de lado o esquema tradicional. Um deles é Fernando Gonsales, que lança mais uma coletânea de tiras."Níquel Náusea - Tédio no Chiqueiro" (Devir, R$ 26) começa a ser vendido hoje. O álbum reúne 225 tiras, que saíram há sete anos no jornal "Folha de S.Paulo". O desenhista conta que a publicação segue uma ordem cronológica. Começa onde terminou o álbum anterior. Só elimina as que "não funcionam mais". "As que eu não gosto eu tiro", diz. Em alguns casos, teve de fazer sutis adaptações para atualizar informações do texto.
Gonsales vê diferença na leitura das tiras nos jornais e nas compilações. Nestas, o leitor acompanha tudo de uma só vez, o que pode chamar a atenção para estratégias repetidas para provocar o humor (algo que passaria despercebido na leitura diária). "No álbum, as fórmulas ficam mais evidentes. A sensação é de repetição. Às vezes, tem de dar uma editada [para afastar um tira da outra]".
Gonsales mantém uma página virtual com histórias de Níquel Náusea e companhia. Não é um autor avesso a novidades. Mas seu humor é daqueles tradicionais, bem aos moldes das tiras norte-americanas mais clássicas. "As tiras nacionais caminham para uma coisa mais introspectiva, mais pessoal. Acho que o legal é a diversidade. As tiras americanas têm uma maneira rígida de ser. É mais ou menos o que eu sigo", diz.
A tira cômica possui uma estratégia própria para provocar o humor. A exemplo de uma piada, tem de criar um desfecho inesperado. A surpresa provoca o riso. Gonsales diz que não se espelha numa piada para criar a dose diária de Níquel Náusea. "Às vezes nem é uma piada. Mas é uma situação minimamente engraçada".
Gonsales sabe o que cria. Talvez seja o desenhista brasileiro que mais domina o chamado "mundo animal", tema da maioria das tiras que cria. É veterinário formado pela Universidade de São Paulo. Foi nas aulas da USP que ensaiou os primeiros desenhos. Chegou a trabalhar na área. Um ano. Largou por causa das ilustrações. A primeira tira de Níquel Náusea saiu na Folha de S.Paulo em 1985, quando Gonsales venceu um concurso de novos talentos promovido pelo jornal paulista. Está lá desde então.
Este "Tédio no Chiqueiro" é o sexto álbum de Níquel Náusea lançado pela editora Devir. O primeiro foi "Com Mil Demônios!". Depois, vieram "Botando os Bofes de Fora", "Nem Tudo Que Balança Cai", "Vá Pentear Macacos" e "A Perereca da Vizinha".
Para encerrar: a tira abaixo e também a que abre a postagem fazem parte do álbum lançado hoje.
![]() Categoria: RESENHAS 19/09/2006
VOTO HISTÓRICO
FOTOBLOG MOSTRA CHARGES DE OUTRAS ELEIÇÕES O instituto Datafolha divulgou agora há pouco o resultado da última pesquisa eleitoral para a Presidência. Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, estaria eleito no primeiro turno, a exemplo do que indicavam os resultados anteriores. O presidente aparece com 50% das intenções de voto. Geraldo Alckmin, do PSDB, tem 29%. Heloísa Helena, do PSOL, registra 9% e Cristovam Buarque, do PDT, 1%. Tradução: tudo igual às pesquisas anteriores.
A temperatura desta eleição tem sido morna, morna. Esquentou nos últimos dias por conta das acusações de compra de dossiê contra a campanha tucana. Mas a disputa em si não tem empolgado muito. É só comparar com as campanhas anteriores. Um jeito de voltar ao passado num clique só é visitar fotoblog do chargista Cláudio. Ele reuniu trabalhos feitos em outras disputas presidenciais (como a desta postagem, da última eleição presidencial). Há charges de 2002, 1998, até de 1989. "Os personagens continuam os mesmos", diz o ilustrador, que atualmente faz charges para o jornal "Agora", de São Paulo. "Mas há também personagens novos, tipo Freud", referência ao ex-assessor especial da Secretaria Particular da Presidência Freud Godoy, demitido ontem (sob a acusação de ter negociado a compra do dossiê).Cláudio fez algo parecido durante a Copa do Mundo (veja na postagem do dia 22 de junho). Atualizava o fotoblog diariamente com imagens dos outros Mundiais. O chargista já tem 30 anos de estrada. Experiência que pretende reunir num livro, que acabou de revisar.
Vale visita à página dele. O endereço é: http://chargistaclaudio.zip.net Categoria: DICA
MISMATCHES INÉDITO
LEIA AS ÚLTIMAS QUATRO TIRAS VENCEDORAS EM PIRACICABA Existem só oito tiras de Mismatches, a vencedora do Salão Internacional de Humor de Piracicaba deste ano. O autor, o artista plástico Acácio Geraldo de Lima, fez apenas duas pranchas, com quatro tiras cada uma. Metade já foi publicada pelo Blog dos Quadrinhos (no dia 28 de agosto). É o mesmo material que foi reproduzido por outros sites. A seguir, estão as quatro tiras que faltavam. O material é inédito. Os originais estão expostos em Piracicaba ao lado dos demais trabalhos que participaram do salão de humor, o maior do país e um dos principais do mundo.
Acácio conversou com o Blog dos Quadrinhos sobre o processo de criação de Mismatches. Leia na postagem de ontem (18.09).
![]() ![]() ![]() ![]() Categoria: NOTÍCIA 18/09/2006
VOCÊ CONHECE O CRIADOR DE MISMATCHES? VAI CONHECER
ENTREVISTA: ACÁCIO GERALDO DE LIMA ![]() O leitor do Blog dos Quadrinhos já viu a história acima. Mais exatamente na postagem do dia 28 de agosto. Foi nessa data que os internautas conheceram pela primeira vez a tira vencedora do Salão Internacional de Humor de Piracicaba deste ano, Mismatches, uma mistura desenho com colagem (os protagonistas são palitos de fósforo). O resultado é um dos trabalhos mais criativos dos 33 anos do salão.
O "Acácio", que assina a tira e a idéia, é um paulista de 45 anos, nascido em Piraju, a 328 km de São Paulo. Ele conta que já fez outras experiências com colagem de objetos. Uma delas foi com clipes de papel. Mas Mismatches é seu primeiro prêmio. A idéia estava escrita em um caderninho de notas que sempre o acompanha. Foi a concretização de um daqueles "insights" que todo mundo tem, mas nunca anota. Essa anotação deu trabalho para virar realidade. O quadrinista tinha de cortar cada palito no meio para reduzir o volume e a espessura da imagem na hora de escanear a tira.
Acácio Geraldo de Lima se define como um "artista plástico/quadrinista de coração e designer/produtor gráfico de profissão". Paralelamente aos desenhos, atua como coordenador das áreas de merchandising visual e computação gráfica no SENAC Santa Cecília, na capital paulista.
Acácio é uma pessoa acolhedora, daquelas que transforma uma conversa rápida num grande bate-papo entre amigos. Esta entrevista mostra um pouco disso. Ele fala de Mismatches, do prêmio que ganhou em Piracicaba e de como conseguiu fazer os desenhos com um braço só (usava uma tipóia quando criou a tira).
- "Mismatches" é uma tira que usa outro recurso, além do desenho. É uma ampliação do conceito de quadrinhos?
- Eu acho que é mais uma técnica não convencional. Podemos dizer que a mensagem, sim, é ampliada por pegar carona em objetos banais do cotidiano assumindo o papel humano, fazendo com que o observador possa rir de si mesmo se vendo em objetos que sua sociedade criou.- Como você elabora as histórias? - Optei em fazer Mismatches com colagem de palitos, isqueiros, giletes, caixas de fósforos reais, resistindo à tentação de desenhá-los, pois a mensagem fica mais forte. O restante da arte foi feita com tinta branca. - Há uma história curiosa sobre a produção desses trabalhos, não? Foi um trabalho de um braço só? - Pois é, em fevereiro fraturei o ombro esquerdo e fiquei um longo período de tipóia e, depois de alguns meses, teve que operar. Quando fiz Mismatches me virei só com a mão direita, usando a esquerda apenas para apoiar coisas sem esforço. - De onde surgiu a idéia de dar vida aos palitinhos? - Surgiu como outras idéias que tenho, e que anoto em um caderninho que sempre levo comigo. Desde criança costumo manusear os objetos e acabo por imaginá-los em outra aplicação que não a original. Estava manuseando um isqueiro e veio a idéia que está na primeira tira. O restante veio de roldão em seguida. - Você já viu algo parecido? - Com o uso de fósforos, não. Mas não é incomum o uso de objetos fazendo o papel de outras coisas, como um cartum que rola na web de uma tartaruga míope apaixonada por um capacete. - Foi uma surpresa ver o seu nome como vencedor na categoria tiras na edição deste ano?- Todos nós que competimos, torcemos para ganhar, pois acreditamos em nosso trabalho, mas ao mesmo tempo temos consciência de que tem muita gente boa. Só o fato de ser selecionado dentre tantos já é uma grande conquista. Mas, quando se é premiado nesse salão, você sente uma explosão de alegria. - Você tem trabalhos mais convencionais ou todos seguem a linha de "Mismatches"? - Tenho. Neste Salão, além de Mismatches, participo também com um trabalho de 20 tiras sobre o "Lulalice no País das Maravilhas". Em outros salões, participei com charges e cartuns convencionais. - Há outras idéias semelhantes? - Sim. No salão de 2004 fiz dois cartuns utilizando clipes de metal, desses comuns de escritório, um retratando o cruzamento de dois cachorros e outro um casamento "forçado". - Você tem planos para os Mismatches daqui para frente? - Tenho já algumas idéias pra outras tiras, mas ainda não tenho nenhum canal definido para mostrá-las. Categoria: ENTREVISTA 17/09/2006
TULÍPIO
REVISTA DISTRIBUÍDA EM BARES DE SP CHEGA AO 2º NÚMERO
- O figurinha aí ao lado tá fazendo sinal de "paz e amor" ou é marketing gratuito do segundo número da revista?
- Marketing gratuito, não tenha dúvida disso.
- Do que se trata, se me permite a pergunta.
- É uma tal de "revista de boteco". Ou sobre a vida no boteco. A idéia é dos autores, Paulo Stocker e Eduardo Rodrigues. O Paulo desenha, o Eduardo escreve, o Tulípio protagoniza, todos bebem. O Edu diz que tem as idéias durante "visita" aos bares paulistanos. Surge a idéia, escreve num guardanapo.
- Os dois devem ser chegados num copo, hein? Já tá no segundo número!
- O Eduardo conta que tem mais de 800 guardanapos escritos...
- Eita! E tem gente que lê?
- O primeiro número teve 7.000 cópias. Esgotou. Nem eu consegui ler.
- E essa segunda edição?
- 8.000 cópias. A dupla quer chegar a 100 mil. A gente já conversou sobre isso no dia 8 de junho. É só conferir na postagem desse dia.
- E quem compra isso?
- Ninguém.
- Tá me tirando?
- Ninguém compra. Todo mundo recebe. É dada de graça em bares de São Paulo.
- Agora tenho certeza: tu tá tirando uma com a minha cara...
- É sério! É um acordo que eles fizeram com uma rede de bares de Sampa. Os bares exibem os cartuns num telão enquanto os dois distribuem as edições. Eles dizem que a aceitação é boa. Pelo menos quem pega um exemplar leva a sério.
- A bebida é de graça também?- Não. Só a revista.
- Tava bom demais. E que bar que dá o Tulípio?
- Tem uma lista no site do Stocker.
- E você faria o favor de me dizer o endereço ou vai mendigar o link?
- Mais alguma coisa?
- Tipo?
- Tem mais alguma coisa legal da revista?
- Até que tem. Cada edição tem um desenhista convidado. No primeiro número, foi o Paulo Caruso. Neste segundo, é o Glauco. O desenho mostra o Geraldão levando o Tulípio pra casa. Hilário...
- Eta postagenzinha de bêbedo essa tua, hein?
- Mas captou direitinho o espírito do personagem. Categoria: NOTÍCIA 16/09/2006
MOSTRA EM SANTOS
EXPOSIÇÃO REÚNE 350 FANZINES DO BRASIL E DO EXTERIOR
Os organizadores prepararam também um catálogo com o material da mostra, a exemplo do que ocorre com os salões de humor. O catálogo será lançado neste domingo, às 17h. Os exemplares serão distribuídos a fanzineiros participantes e a gibitecas de todo o país. A exposição deve se repetir em 2007. Já é feita uma chamada de trabalhos para o ano que vem. A mostra terá também uma série de palestras e oficinas. No dia 20, às 19h, Gazy Andraus (doutorando da USP e fanzineiro) participa de um bate-papo sobre o assunto. Ele ensina um jeito de fazer fanzine a um custo baixíssimo. Gazy participa também no dia 27 de uma mesa-redonda sobre produção de histórias em quadrinhos no Brasil. Estarão na mesa, além dele, Sônia Luyten (pesquisadora e autora de "Mangá, o Poder dos Quadrinhos Japoneses"), JAL (cartunista e criador do HQMix), Sidney Gusman (jornalista do UniversoHQ e da Wizard/Brasil), Roberto Miranda (do estúdio Prancheta.com) e Elza Keiko (editora de mangás da Panini). Também participo da mesa. Começa às 19h. O evento confirma a importância do litoral paulista no processo de arquivamento de fanzines brasileiros. Muito por mérito do idealizador desta mostra, Fábio Tatsubô. Boa parte do que foi produzido no Brasil foi reunido por ele há alguns anos na Fanzinoteca de São Vicente, a segunda do mundo (a primeira é a Fanzinothèque de Poitiers, na França). O acervo, hoje, está a cargo de uma Associação de Artistas do Litoral. No campo teórico, três livros abordaram o fenômeno: "Fanzine" (de Edgard Guimarães), "O Rebuliço Apaixonante dos Fanzines" e "A Nova Onda dos Fanzines" (ambos de Henrique Magalhães). As três edições são da Marca de Fantasia e só são encontradas no site da editora ( www.marcadefantasia.com.br).SERVIÇO - Mostra Nacional de Fanzines e Publicações Independentes 2006. Quando: de 17 a 30 de setembro. Local: SESC/Santos. Endereço: rua Conselheiro Ribas, 136, bairro Aparecida, Santos (litoral de São Paulo). A programação completa pode ser lida no site http://musicaearte.com.br. Categoria: NOTÍCIA 15/09/2006
INCAL 2
SAI 2º VOLUME DA SÉRIE CRIADA POR JODOROWSKY E MOEBIUS
Na introdução do álbum, o escritor Jodorowsky conta que a idéia era essa mesmo. Como um novelo sendo desenrolado, parte de uma ponta e vai puxando o fio, até ele envolver todo o espaço. "O que tentei fazer com o Incal –ou, melhor, o que eu fiz, já que a série terminou- foi criar uma história de ficção-científica que começa com um pequeno e aparentemente insignificante evento, que se desenvolve até adquirir enormes proporções cósmicas. O isolado, e quase particular, conflito do início se transforma numa rebelião planetária, que, em seguida, vira uma guerra galática e isso tudo termina com o destino do universo sendo colocado em perigo!" A mudança constante no tom da história também foi previamente pensada. "Isso ocorre porque acredito que a vida é feita de uma série de mudanças e evoluções perpétuas". Há a transposição da trama para a galáxia (o que não deixa de ser uma mudança). Mas há outras. Duas dessas metamorfoses são visuais. A cor acompanha o momento da história escrito por Jodorowsky. O mérito da idéia, no entanto, é de Moebius, desenhista que criou um estilo de arte, detalhada e com idéias vanguardistas, que é seguido na Europa até hoje. A outra alteração visual está na figura do protagonista Jonh Difool. Ele continua um "detetive particular de classe R", como no primeiro volume, lançado no começo de março deste ano (ver postagem do dia 09.05). Mas seu corpo muda e se torna altivo, belo e elegante quando ele entra em contato com o Incal, entidade poderosa da qual Difool é um dos guardiões e hospedeiro. Nesta edição, é revelado o motivo de ser ele o escolhido para a função. "Incal" foi publicado originalmente em capítulos na francesa "Metal Hurlant". A primeira história saiu em 1980, no número 58 da revista alternativa, que inspirou a criação da norte-americana "Heavy Metal". Foi na revista francesa que começou a adquirir o prestígio que envolve a série até hoje. É tida como um dos clássicos dos quadrinhos, por mérito e por influência a outras obras, européias e não-européias, que foram criadas nas décadas seguintes. Este segundo volume de Incal é uma leitura difícil, até para quem já teve contato com o primeiro volume. É preciso ler de maneira mais pausada, para absorver e relacionar todas as informações. Mas isso não desmerece a obra em nada. É só um elemento a mais a justificar sua importância. Categoria: RESENHAS 14/09/2006
QUANTA GENTE!
RENATO GUEDES PARTICIPA DE BATE-PAPO EM SÃO PAULO Dica rápida. O desenhista Renato Guedes participa de um bate-papo com fãs de quadrinhos nesta sexta-feira à noite, em São Paulo. O encontro faz parte do projeto Quanta Gente!, promovido pela Quanta Academia de Arte.Guedes é um dos brasileiros que atuam no mercado norte-americano de super-heróis. Fez trabalhos para várias revistas, muitas ligadas ao Super-Homem. A arte ao lado é uma das ilustrações feitas para a versão em quadrinhos da série Smallville, que conta as aventuras do homem de aço quando jovem.
O Quanta Gente! tem reunido profissionais ligados às histórias de super-heróis. O próximo encontro, marcado para 20 de outubro, é com o desenhista Ivan Reis, que teve um de seus trabalhos premiados com o Wizard´s Fan Awards (ver postagem de 10.09). O último encontro, no dia 24 de agosto, contou com a participação dos desenhistas Greg Tocchini e Edde Wagner e do editor das revistas Marvel no Brasil, Fernando Lopes.
O bate-papo começa às 20h. O evento é gratuito.
SERVIÇO
Quanta Gente. Quando: sexta-feira, 15.09. Horário: a partir das 20h. Onde: Quanta Academia de Artes. Endereço: rua Minas Gerais, 27, Higienópolis, São Paulo (perto do metrô Consolação). Quanto: de graça. Categoria: DICA
TESE DISCUTE PAPEL DOS QUADRINHOS DE HUMOR NO ENSINO
ENTREVISTA: BETANIA LIBANIO DANTAS DE ARAÚJO A escola excluiu o humor e a pedagogia nunca o estudou. As duas hipóteses foram a base do doutorado de Betania Libanio Dantas de Araújo, defendido no mês passado na Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo). A tese analisou a importância de charges, cartuns e tiras cômicas na atividade escolar.
"O humor nunca foi estudado pela pedagogia porque a educação segue numa só via", diz a pesquisadora, que também é professora de arte e de pedagogia. "O seu pensamento converge sempre para as mesmas respostas e o humor é a oposição ao pensamento único. É essa a contradição que negligenciou o humor."Betania estudou histórias em quadrinhos no mestrado, feito na UNESP (Universidade Estadual Paulista). Carioca, a pesquisadora adotou São Paulo como morada. Está na cidade há 22 anos. Nesta entrevista ao Blog dos Quadrinhos, ela fala um pouco da tese "O desenho de humor na escola: um canto paralelo".
- Qual foi a hipótese de seu doutorado?
- A hipótese era que a Pedagogia e a escola não incorporaram o humor porque é opositor. No Brasil o ensino não tem a prática da autonomia como nos países europeus. De caráter ético, o humor também age como regulador dos costumes. A linguagem da charge e do cartum contribui com um pensamento refinado e a prática da liberdade para os estudantes.
- E qual foi a conclusão?
- Acreditava que o humor não estava na escola, mas aos poucos encontrei todos: da exclusão, da aproximação, o nonsense, o espirituoso. Os adolescentes, aos poucos, são ativados pela estrutura do humor e agem diferentemente. Interfere na relação agressiva, atuando na criação de outras maneiras de se relacionar.
- Quais as vantagens de usar o humor no ensino?- O humor faz alunos e professores questionarem um dado estado de coisas e faz acreditar na sua inversão. O pensamento divergente, no simbolismo do desenho de humor, atua na relação entre coisas que não tem uma relação direta, criando o novo. Mas não pode ser o humor plastificado dos cursinhos e também não pode virar disciplina e nem currículo, a legalização do humor teria resultados desastrosos.
- Historicamente, houve resistência de usar quadrinhos na sala de aula. Essa resistência ainda existe?
- Não senti resistência. Por exemplo, os quadrinhos do Quino não são entendidos pela a maioria. Ocorre que alguns alunos tornam-se os mediadores. Existe uma primeira leitura partilhada entre colegas que conseguem ler e outros que não conseguem, pois os quadrinhos de Quino (exceto Mafalda) não trazem balão e texto, o discurso verbal é totalmente desenhado. Alguns quadrinhos precisam da mediação do professor, outros não. Segundo pesquisas recentes, o melhor leitor na escola e no mundo é aquele que lê quadrinhos. Mas sei que essa resistência continua de outra maneira: continua nas editoras que permanecem produzindo inúmeros livros dos modernistas, porém nenhum de quadrinhos e charge. Continua na grade curricular do curso de Arte que prevê, às vezes, a arte Contemporânea e não os quadrinhos. Consequentemente muitos professores de Arte não contemplam a linguagem, pois não foram ensinados a vê-la e entendê-la.
- No seu entender, isso é um caso exclusivamente brasileiro? Ou ocorre o mesmo no exterior?
- A minha resposta é puramente ocidental, precisávamos aprofundar os estudos orientais, sabemos apenas do Koan, piada elaborada pelos mestres zen-budistas. Do ponto de vista ocidental digo qua a Pedagogia e a Psicologia não estudaram o humor no mundo. Autores franceses apontam que até a Psicologia não estudou, portanto na área da Psicanálise sempre remetemos a Freud com o seu estudo sobre o chiste, não encontramos pesquisas sobre o assunto.
- Você sentiu resistência de ter estudado quadrinhos na universidade? - Senti muita resistência no mestrado. Estudiosos de Arte Contemporânea olhavam a arte sequencial com desdem, até porque apesar da revolução da Arte Contemporânea em relação aos cânones da Arte, ainda havia entre eles um olhar para o mercadológico, uma cabeça da hierarquia da Arte. Sendo os quadrinhos da era da reprodutibilidade técnica, as suas milhares de cópias quebravam a aura da arte.
- Esse estudo no doutorado tem alguma ligação com a pesquisa do mestrado?
- A dissertação de mestrado trazia os processos criativos dos cartunistas que entrevistei e contava sobre a experiência na escola. No doutorado aprofundei a natureza da charge e do cartum que é o humor. Permaneci na pesquisa com alunos da escola pública, porém ampliei para professores, estudantes de pós-graduação e de graduação.
- Daqui para frente, pretende dar continuidade na pesquisa com quadrinhos?
-Tenho um projeto para o pós-doutorado com tiras cômicas e desenho de humor. Permaneço com o trabalho com alunos da prefeitura de São Paulo, atualmente participo do projeto Ler e escrever em Arte contribuindo com estudos sobre charge.
Créditos. Os desenhos que ilustraram esta entrevista são, respectivamente, de Emerson (autor da tira Sala de Aula) e de Salvador (criador do personagem Ran). Ambos estão no primeiro livro da coleção "Tiras de Letra", da editora Virgo. Categoria: ENTREVISTA 13/09/2006
MUDANÇA À VISTA
PIXEL PODE EDITAR DC COMICS NO BRASIL EM 2007 A DC Comics pode trocar de editora no Brasil. Sairia da Panini e iria para a Pixel, que estreou no mercado nacional no começo do ano. Se concretizada, a transação começaria a valer em janeiro de 2007.A notícia foi divulgada hoje pelo jornalista Sidney Gusman no site Universo HQ. A reportagem dá como certa a transação. O Blog dos Quadrinhos apurou que a negociação existe, mas que o acordo ainda não está cem por cento fechado. A editora Pixel informou que não vai comentar o assunto. Na Panini, ninguém foi encontrado na tarde desta quarta-feira.
Havia um boato no mercado de que a DC Comics iria mudar de casa no Brasil. A informação circula há uns três meses, mas nunca era confirmada. Um alto funcionário de uma das grandes editoras do mercado confirmou, na época, que tinha sido sondado por representantes da DC sobre uma possível transação. Mas, de concreto, nada.
Sabe-se que o valor pago à DC Comics não é baixo. Se a Pixel realmente adquirir os direitos autorais de Super-Homem, Batman e companhia, terá de desembolsar uma altíssima quantia. A editora norte-americana passa por uma de suas melhores fases, ancorada pelo megaevento "Crise Infinita". O prelúdio da saga é publicado atualmente pela Panini, que começou a editar material da DC no fim de 2002.
A Panini é uma multinacional italiana, que investe em quadrinhos no Brasil há cinco anos. Primeiro, conseguiu os direitos de publicação dos personagens Marvel. Depois, foi a vez da DC Comics. A estratégia "matou" a linha de super-heróis da editora Abril. A empresa, desde então, tem diversificado suas publicações. Hoje, edita mangás, material europeu e, a partir de janeiro do ano que vem, a Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.
A Pixel começou no início deste ano. Surgiu a partir da fusão de oduas editoras: Ediouro e Futuro Comunicação (que surgiu da separação dos sócios da Conrad; a Futuro é de André Forastieri). A Pixel tem se firmado com a publicação de álbuns, a um preço que não passa de R$ 35. Tem como público-alvo o leitor de poder aquisitivo mais alto. O carro-chefe tem sido o personagem italiano Corto Maltese.
Levar a DC seria a chance de a Pixel atingir outra fatia de mercado, o público adolescente, consumidor de histórias de super-heróis. A transação teria outro impacto no mercado: tiraria parte do "império" que a Panini começava a firmar no Brasil. E acirraria a disputa entre Marvel e DC, a exemplo do que ocorre há décadas no Estados Unidos.
Se confirmada a transação, janeiro de 2007 promete ser um mês muito interessante de se acompanhar. Categoria: NOTÍCIA
VAMPIRELLA
BRASILEIRO É FINALISTA EM CONCURSO NOS ESTADOS UNIDOS
O campineiro Marcelo Ferreira é um dos cinco finalistas. E lidera a disputa, com mais da metade dos votos. A página ao lado é uma das seis que ele enviou à editora. As outras podem ser vistas no site da personagem, onde também ocorre a votação. Lá estão os trabalhos dos outros concorrentes: Michela da Sacco, Pablo Verdugo Munoz, Eduardo Savid e Agnes Garbowska. Para conhecer o trabalho dele- e votar-, é só acessar o endereço www.vampirella.com
Marcelo soube que era um dos finalistas no último dia 5. Ele diz que teve pouco mais de duas semanas para desenhar o roteiro de seis páginas exigido pela editora. Cumpriu o prazo à risca. "Santo FedEx", brinca. Ele conta que é fã de quadrinhos desde criança. Ser um dos finalistas do concurso, diz, "é como um sonho prestes a se tornar real".
Marcelo é desenhista profissional há seis anos, mas atua há oito no mercado. Deu aulas de desenho e tem trabalhos em livros infantis e sites. Um pouco do que faz pode ser visto no site do Eureka Studio, www.eurekastudio.com.br.
Vampirella já teve algumas histórias lançadas no Brasil, mas nunca fez muito sucesso por aqui. Nos Estados Unidos, tem um grupo fiel de fãs. A personagem é uma mistura de Drácula, anti-heróis (ou anti-heroínas) e quadrinhos sensuais italianos (características que a arte de Marcelo captou muito bem). Categoria: NOTÍCIA
MONSTER
SUSPENSE SE DESTACA ENTRE OS MANGÁS NO MERCADO Continha rápida: quantos mangás são publicados por mês no Brasil? Só em setembro, estão programados 41 títulos. E as conversas de bastidor sugerem que vem muito mais por aí. É difícil ler todas as revistas. Por isso, vale a lei darwiniana mais básica, a da seleção natural. É preciso pinçar o que realmente vale a leitura. É o caso de "Monster" (Conrad, R$ 12). O terceiro número chega hoje às bancas (capa ao lado).Há um bom jeito de medir se uma história é boa. Basta ver se ela deixa o leitor com vontade de ler o número seguinte. "Monster" consegue isso, muito por mérito de seu criador, Naoki Urasawa (tido como expert em suspense). O desenhista-escritor criou uma trama ambientada na Alemanha pré-queda do Muro de Berlim. O jovem médico Kenzo Tenma tem de enfrentar o dilema ético de atender os pacientes pela ordem de chegada ou pela importância social ou política. Prefere a primeira opção. Atende um menino ao invés do prefeito. O político morre e Tenma vê uma reviravolta em sua vida.
O menino salvo é o monstro que dá nome ao título (ao lado, as imagens do médico e do Monster, quando jovem e já adulto). Anos depois, já com o fim do muro que separava as Alemanhas Ocidental e Oriental, ele é o principal suspeito de uma série de assassinatos a casais idosos. O neurocirurgião descobre e tenta impedir. Ao mesmo tempo em que enfrenta a desconfiança da polícia, que vê nele o possível autor das mortes.É nesse ponto que a tensão deixada a cada número fisga o leitor. E que surge uma sensação de já ter visto algo parecido. E já viu mesmo. Lembra um pouco a antiga série de TV dos anos 60 "O Fugitivo". Um médico tenta provar sua inocência e foge de tudo e de todos. A história foi transposta para o cinema anos depois, em filme estrelado por Harrison Ford e Tommy Lee Jones.
A série "Monster" é bem mais do que o pouco relatado aqui. Bem mais não. Muito mais. Segundo a Conrad, editora da revista, a obra deve ser publicada em 18 edições. No Japão, saiu entre 1994 e 2001.
Nota: pelo menos dois outros mangás merecem menção. "Lobo Solitário", principal obra de Kazuo Koike e Goseki Gojima, chega este mês ao número 21. E "Adolf", de Osamu Tezuka, obra que já foi comentada duas vezes neste blog. Chega agora à terceira edição, prevista para sair no próximo dia 20. São dois clássicos do quadrinho japonês, que também valem leitura. Categoria: NOTÍCIA 12/09/2006
HQ NA SALA DE AULA GOVERNO DISTRIBUI QUADRINHOS NAS ESCOLAS EM 2007 O governo federal vai incluir histórias em quadrinhos no programa Biblioteca na Escola, mantido pelo MEC (Ministério da Educação e do Desporto). As obras serão distribuídas para 46.700 escolas brasileiras e devem ser lidas por 14 milhões de estudantes. Os alunos vão receber os quadrinhos até o começo do ano que vem, quando tem início o período letivo. A informação é do jornalista Marko Ajdaric e foi divulgada no site Bigorna, especializado em notícias sobre quadrinhos. Segundo a reportagem, haverá títulos de editoras como Conrad, Martins Fontes, Devir, Companhia das Letras e Salamandra. Para as editoras, é um excelente negócio. Ter o governo como cliente garante um volume grande e regular de vendas, o que deve incentivar o lançamento de outras publicações parecidas às adquiridas dentro do programa do MEC. Um dos filões que já estão sendo explorados pelas editoras é o de biografias. Spacca venceu o último Troféu HQMix com o álbum “Santô e os Pais da Aviação”, em que conta a história de Santos Dummont. O cartunista prepara uma biografia de Monteiro Lobato (como antecipado em postagem do dia 11 de julho). Outra abordagem que garante vendas na área de ensino é a de adaptações de obras literárias, gênero que sempre acompanhou a história dos quadrinhos, desde os tempos da extinta EBAL (Editora Brasil-América). A Conrad já começa a investir no setor. A presença de quadrinhos na escola, com política financiada pelo governo federal, é algo que chega com atraso. No começo da década de 90, o vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) já pedia aos futuros universitários a interpretação do humor em tiras cômicas. A questão é repetida até hoje. O ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) também usou o recurso em todas as provas, exceção feita à deste ano. O governo federal apenas segue a orientação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, elaborados no fim dos anos 90, ainda sob administração de Fernando Henrique Cardoso. Os Parâmetros –popularmente conhecidos como PCNs- têm como eixo central a necessidade da leitura de textos de diversos gêneros. Assim, orientavam os professores dos ensinos fundamental e médio a utilizar em sala de aula piadas, editorias, reportagens. As histórias em quadrinhos também foram incluídas. A presença dos quadrinhos nos PCNs foi o principal motivo do aumento dos estudos sobre o tema nas universidades de Letras. Até então, eram raras abordagens lingüísticas sobre o assunto. Foi nesse contexto que surgiu o livro “Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula”, organizado por Ângela Rama e Waldomiro Vergueiro e do qual sou um dos autores (meu capítulo aborda especificamente o uso dos quadrinhos em aulas de língua portuguesa). A obra, lançada pela Contexto em 2004, está na terceira edição. Categoria: NA MÍDIA
MENINO CARANGUEJO
FUNDAÇÃO DE JOINVILLE BANCA MINISSÉRIE DO PERSONAGEM ![]() Houve quem dissesse que a polêmica envolvendo a revista "Banda Grossa" sepultaria qualquer outra idéia de publicação de quadrinhos com dinheiro público. A previsão não se concretizou. E por iniciativa da própria Fundação Cultural de Joinville, a mesma que processa os autores da "Banda Grossa", pedindo de volta o dinheiro investido. A entidade, mantida pela prefeitura, fez um novo concurso de incentivo a produções culturais. Na categoria Artes Visuais, venceu o projeto ecológico "O Menino Caranguejo", do designer gráfico José Francisco Xavier (mais conhecido como Chicolam). Ele recebeu R$ 9.140 para criar uma minissérie com o personagem, programada para o ano que vem.
A Fundação optou por um projeto mais conhecido, ao contrário do que ocorreu com a "Banda Grossa" (a entidade reclama que o projeto original, de estímulo à produção de autores regionais, foi alterado; os autores negam, como mostram as postagens dos dias 10 de julho e 7 de agosto). O trabalho com o Menino Caranguejo existe há nove anos. Começou com um projeto de conclusão de curso em desenho industrial na Escola de Belas Artes de São Paulo. Desde então, tem sido usado em animações de cunho ecológico, aplicadas como ferramenta educacional. Em 2004, ficou em segundo lugar no júri-popular do festival Anima Mundi.
A história em quadrinhos é uma forma de tornar a proposta do personagem mais conhecida. Segundo Chicolam, o roteiro da minissérie já está pronto. "Trata-se da relação do personagem e seus poderes, numa trama de conflitos entre sua existência e sua ligação com os diversos meio ambientes", diz o autor, que também dá aulas de design na Univille, na região de Joinville. "É uma história com muita ação, mistério envolvendo fatos históricos e naturais, relacionados à cultura, sociedade e regionalidade do nosso Brasil".
A história do personagem brasileiro também tem ligação com a ecologia. Segundo resumo no site do herói mirim, ele foi salvo de uma queimada numa floresta. Mora no litoral sul e vive catando e vendendo caranguejos na beira da estrada. Tudo muda quando ele encontra a "Garra", artefato que lhe dá poderes especiais: uma ligação de energia entre o mangue e as florestas tropicais. Torna-se, então, o Menino Caranguejo.
Além dos projetos e das aulas na universidade, Chicolam arruma tempo para o mestrado na área de educação, que faz na Univali. Desenvolve um trabalho de "desenho animado ambiental", como chama. "Tem como um de seus objetivos principais o estudo de uma das sete animações como material didático para educação ambiental na sala de aula", diz.
Há um site com outras informações sobre o Menino-Caranguejo. Para conhecer, clique aqui. Categoria: NOTÍCIA 11/09/2006
11.09 NAS HQs - PARTE I
QUADRINHOS TÊM COMPORTAMENTO DÚBIO SOBRE 11.09
A dubiedade vista nas revistas, ao longo desses cinco anos, só é coerente com o sentimento da população estadunidense. O caso é um excelente estudo sobre uso ideológico nos quadrinhos. É algo muito parecido com o que foi feito durante a 2ª Guerra Mundial. O ataque a Pearl Harbor obrigou os Estados Unidos a entrar no conflito mundial. Não demorou para os super-heróis também estarem no front. Super-Homem, Mulher-Maravilha, Capitão América (criado para combater os nazistas) e outros passaram a viver histórias de guerra, em que os inimigos eram os países do Eixo e seus líderes. O exemplo mais exacerbado talvez tenha sido o de Flash Gordon. O herói espacial voltou do Planeta Mongo para combater ao lado dos Aliados. Havia uma política do governo norte-americano de usar a mídia como um veículo ufanista pró-aliados (ou anti-nazistas). Os quadrinhos não foram exceção. Não é que a presença do conflito era necessariamente imposta pelo governo: ela era consentida pelos escritores e desenhistas. Eles também haviam captado o sentimento de sofrimento vivido em Pearl Harbor e escreviam aquilo que os leitores queriam ver. Essa interpretação é do pesquisador Chris Murray, no artigo "Popaganda: superhero A argumentação de Murray se encaixa perfeitamente no 11 de Setembro. Novamente, os Estados Unidos foram vítimas de um ataque em larga escala. Novamente, a maior potência do mundo se sentiu ferida. Novamente, partiu para um ataque em terras estrangeiras, passando por cima de uma decisão do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), que pedia provas mais consistentes sobre a presença de armas químicas (que o tempo mostrou inexistirem). Novamente, os Estados Unidos usaram a mídia a seu favor (hoje, a literatura sobre o assunto já é suficientemente extensa para comprovar esse ponto de vista). Continua na postagem abaixo. Categoria: NOTÍCIA |