30/09/2006

TIRA ELEITORAL GRATUITA - GRUMP

Traço: Orlandeli http://blogorlandeli.zip.net/

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h55
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29/09/2006

NEKOMAJIN

MANGÁ DE TORIYAMA SATIRIZA DRAGON BALL (DE TORIYAMA)

Akira Toriyama fez uma dupla volta ao passado em "Nekomajin", mangá que chegou às bancas nesta semana (Conrad, R$ 24,90). O desenhista japonês resgatou o humor simples e ingênuo que fazia em seus primeiros trabalhos. E trouxe de volta os personagens de Dragon Ball, sua criação mais conhecida. A curiosidade é que Toryiama satiriza o próprio Toryiama, o que dá um tom de non-sense à edição.
 
Dragon Ball está presente na obra de duas formas. A primeira é nas referências explícitas. Estão lá Son Goku, Majin Buu, Freeza e Vegeta (personagens de Dragon Ball). É tão assumida a relação de intertextualidade que o escritor-desenhista se dirige em vários momentos ao leitor novato, que nunca ouviu falar da série, e provoca: se você não está entendendo nada é porque não leu Dragon Ball (veja algo assim na imagem abaixo).
 
A outra semelhança está na essência da história, lançada entre 1999 e 2005. Uma raça diferente de gatos, conhecida como Nekomajin, possui dons mágicos e a prática das artes marciais. O personagem-título vira um supersayajin e domina o golpe do Nekohamehá (paródia ao Kamehamehá de Son Goku, protagonista de Dragon Ball). Outro ponto em comum é a passagem de tempo. Há uma espécie de Nekomajin Z. Os anos avançam porque Nekomajin dormiu muito (mais de três décadas).
 
O método de fazer os anos passarem é ironia pura. É algo aparentemente ingênuo e bobo. Mas o humor vem exatamente disso, algo difícil de ser feito. Muito é centrado nos diálogos do personagem Nekomajin, grande, gordo, folgado e com o dom de falar a frase errada para a pessoa errada na hora errada. É daí que vem a graça e boa parte do interesse pelo mangá, algo que o autor fazia muito em "Dr. Slump", série que desenhou no começo dos anos 80 (parte das histórias saiu no Brasil).
 
Ao reencontrar um amigo de infância, tão reconhudo quanto ele, Nekomajin comenta: "você tá gordo, hein?". No começo da história, ele "toma emprestada" a moto de um homem. O dono pede o veículo de volta. E tem de ouvir: "se gostou tanto, posso vender baratinho para você". Outra situação é quando vai enfrentar um dos vilões, numa daquelas cenas clássicas de luta de Dragon Ball. No momento de maior tensão, Nakomajin solta um pum. Desmonta o vilão, que perde toda a vontade de lutar. É o protótipo do "sem-noção".
 
O interessante seria (re)ler Dragon Ball antes de partir para Nekomajin, lançado nesta semana. Mas não é algo obrigatório. Pelo contrário. Para quem nunca leu mangá, é um bom começo. Vai ver uma história engraçadíssima, com diálogos impertinentes, daqueles que só crianças fazem. E vai ver um afiado Akira Toryiama extraindo as últimas gotas de sua maior criação. Para os fãs de Dragon Ball, não haveria apêndice melhor.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 13h59
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28/09/2006

PUTZGRILA

AUTORES COLOCAM HQs DA REVISTA NA INTERNET

Dica rápida. O segundo número da "Putzgrila" está disponível na internet. A revista mostra trabalhos de 41 alunos do curso de histórias em quadrinhos oferecido no ano passado pela Gibiteca Henfil, em São Paulo. A obra tinha sido lançada em maio (ver postagem de 18.05).
 
A revista contém as primeiras histórias dos integrantes da Sócios Ltda. O grupo se conheceu no curso da Gibiteca. Resolveu não ficar só na teoria e partiu para a prática. O primeiro resultado é a revista "Garagem Hermética", lançada na sexta-feira da semana passada (ver postagem de 22.09). É um grupo para ficar de olho.
 
O material da "Putzgrila" está disponível no site da Sócios Ltda: http://socios.dracron.com/ 

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h55
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27/09/2006

FORA DE BONEVILLE

BONE VOLTA A SER EDITADO NO BRASIL (EM VERSÃO COLORIDA)

 
A Devir vai publicar a série Bone no Brasil. O primeiro volume deve ser lançado em novembro ("Bone - Fora de Boneville"; capa ao lado) e conta a história dos personagens desde o início. A editora vai usar uma reedição do material, feita em cores (a primeira versão saiu em preto-e-branco). Os álbuns terão 144 páginas e sairão num formato um pouco menor do que o original norte-americano (16,5 cm por 22,8 cm). A informação é divulgada em primeira mão pelo Blog dos Quadrinhos.
 
As edições foram feitas em sistema de parceria com diferentes países. O trabalho de co-impressão foi centralizado na Alemanha pela empresa Tokyo Pop. "O primeiro volume já foi impresso e está a caminho do Brasil", diz o editor da obra no Brasil, Leandro Luigi Del Manto. "Já estamos em fase de pré-impressão do segundo volume".
 
"Os dois primeiros volumes serão lançados com um intervalo de tempo menor, mas nosso cronograma prevê que sejam lançados novos volumes de quatro em quatro meses. Assim, o último volume está previsto para ser lançado em maio de 2009", conta Del Manto. Ao todo, serão nove volumes. A lombada de todas as edições, quando reunidas lado a lado, formam a figura que abre esta postagem.
 
Bone foi criado em 1991 pelo norte-americano Jeff Smith. A série conta a história dos primos Bone (sensível, corajoso e fã de Moby Dick), Phoney Bone (ranzina e cheio de planos infalíveis) e Smiley Bone (bonachão e sempre bem-humorado), que se perderam na hora de voltar a Boneville, cidade onde moram. As aventuras deles agregam outros coadjuvantes (como um enigmático dragão), muito mistério, tramas pessoais e ação. É um caso raro nos quadrinhos. Bone consegue agradar tanto adultos quanto crianças.
 
A premiada série encerrou no número 55 (de junho de 2004, ainda inédito por aqui). Foi uma opção de Smith. Desde então, as aventuras vêm sendo reeditadas, ora na edição colorida que agora chega ao Brasil, ora num volume único, recém-lançado nos Estados Unidos.
 
Parte da série já saiu no Brasil pela editora Via Lettera. Foram nove álbuns. O primeiro foi lançado em dezembro de 1998 ("Fora de Boneville"). O último, em dezembro de 2004 ("Rojão - O senhor da fronteira oriental"). O Blog dos Quadrinhos procurou a editora para saber se haverá novos álbuns. A assessoria de imprensa respondeu que a Via Lettera pretende lançar mais dois volumes de Bone ainda neste ano, mas sem data certa. "Falta acertar alguns detalhes com os editores americanos". Não há informação se o acordo feito pela Devir anula o da Via Lettera.
 
Veja na postagem abaixo uma prévia exclusiva da versão em cores de Bone, editada pela Devir.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h25
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PRÉVIA EXCLUSIVA - BONE EM CORES

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h24
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26/09/2006

OS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA PELO OLHAR DO CHARGISTA - III

HELOÍSA HELENA

O Blog dos Quadrinhos ouviu a opinião de quatro chargistas sobre os candidatos à Presidência da República. Nesta postagem, Cláudio, Dacosta e Paulo e Chico Caruso falam sobre Heloísa Helena, do PSOL. As opiniões sobre Lula e Geraldo Alckmin estão nas duas últimas postagens.
 
Chico Caruso
A mal-amada da Albânia.
 
Cláudio
A Heloísa Helena ponho copm cara de alucinada. A propostas de extrema-esquerda, do tipo rever privatizações, são bem irrealistas.
 
Dacosta
Ela parece militante da Libelu, parece profeta dos filmes do Glauber Rocha ("Deus e o Diabo...")... será que ela tem coleção de camisas?
 
Paulo Caruso
É a Branca de Neve da Era Dunga.
 
Crédito: a caricatura de Heloísa Helena foi feita por Cláudio. Há outros trabalhos dele no site http://chargistaclaudio.zip.net/ 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h04
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25/09/2006

OS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA PELO OLHAR DO CHARGISTA - II

GERALDO ALCKMIN

 
O Blog dos Quadrinhos perguntou para quatro chargistas como eles vêem os atuais candidatos à Presidência. As respostas foram sobre os três primeiros colocados. As opiniões sobre Lula estão na postagem de ontem (24.09).
 
Veja agora qual a leitura de Dacosta, Cláudio e dos irmãos Paulo e Chico Caruso sobre Geraldo Alckmin, do PSDB:
 
Chico Caruso
É um anestesista que virou anestesia.
 
Cláudio
O Alckmin eu faço com cara de bundinha. Meio elitista, com aquela história de "choque de gestão". O PSDB não se afirmou como partido do social.
 
Dacosta
Como diz o Jaguar (o velho cartunista), ele tem boca de rico e só governa pra rico. Será que ele come buchada?
 
Paulo Caruso
Me parece o Pinóquio. O nariz para o cartunista é um paraíso.
 
Na postagem acima, as opiniões sobre Heloísa Helena, candidata do PSOL.
 
Crédito: a charge acima é de Dacosta. Há outras no site dele: http://o.dacosta.fotoblog.uol.com.br/

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h08
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24/09/2006

OS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA PELO OLHAR DO CHARGISTA - I

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

O chargista ganha a vida transformando em imagem o dia-a-dia e a personalidade das figuras políticas. Não há ninguém melhor do que ele para entender e descrever os atuais candidatos à Presidência da República.

O Blog dos Quadrinhos ouviu as opiniões de quatro chargistas: Cláudio (do jornal "Agora"), Dacosta (autor da melhor charge no Salão Internacional de Humor de Piracicaba deste ano) e os irmãos Paulo ("Jornal do Brasil" e TV Cultura) e Chico Caruso ("O Globo" e TV Globo). A pergunta foi a mesma para todos: qual a leitura que você faz dos candidatos à Presidência? As respostas foram sobre os três primeiros colocados, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Heloísa Helena (PSOL).
 
A leitura deles começa a ser publicada hoje no Blog dos Quadrinhos, numa série de três postagens. A primeira é sobre o presidente Lula. Veja o que os quatro chargistas disseram:
 
Chico Caruso
Lula é o Fidel Castro de uma camarilha de sindicalistas bancários da maior estupidez, como se pôde ver agora nesses recentes episódios do dossiê Vedoin.
 
Cláudio
Eu costumo desenhar Lula meio cara de bundão. Ele não peitou os interesses estabelecidos e não mudou o modelo econômico. Deslumbrou-se com as delícias do poder.
 
Dacosta
Simão no deserto, quer acabar com a pobreza no mundo e aqui na terra dos tapuias... será que consegue?
 
Paulo Caruso
Vejo o cenário político atual como o filme do Shrek, onde o ogro abominável parece um padrão de beleza indiscutível. Nesse cenário, o Lula parece o Gato de Botas.
 
Na postagem acima, as opiniões sobre Geraldo Alckmin.
 
Crédito: a charge acima é de autoria de Paulo Caruso.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h06
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23/09/2006

SUPREMOS

DESENHO COM GRUPO DA MARVEL TEM TRAILER EXIBIDO EM SITE

Há dois trailers do desenho animado dos Supremos. O material, originalmente do YouTube, foi reproduzido no site Gibizada, de Télio Navega. A animação baseada nos personagens Marvel começa a ser vendida em DVD na semana que vem.

Segundo Navega, "Os Supremos 1" é uma versão "light" do grupo escrito por Mark Millar e desenhado por Bryan Hitch. O Hulk perde o lado canibal e a Vespa não é espancada por Hank Pym, como visto no primeiro arco de histórias (saiu no Brasil na revista Marvel Millennium – Homem-Aranha). O desenho ganhou uma seqüência, também com trailer.

Os Supremos é a versão dos Vingadores para o universo Millennium, uma versão atualizada dos super-heróis da Marvel. A idéia funcionou. Os títulos estão entre os mais vendidos nos Estados Unidos.

Assista ao trailer. O endereço do Gibizada é http://oglobo.globo.com/blogs/Gibizada/

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h17
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22/09/2006

QUAL ÁLBUM LER?

ASTERIX E OS VIKINGS ou ASTERIX E OS NORMANDOS?

Estréia hoje nos cinemas "Asterix e os Vikings", nova animação sobre os personagens criados por René Goscinny e Albert Uderzo. O longa-metragem criou uma relação curiosa. O filme gerou um álbum que conta a história do próprio filme (capa ao lado). E ambos se basearam na aventura "Asterix e os Normandos", lançada no Brasil em 1985.

No álbum, o adolescente Calhambix chega à Gália e tem de se tornar um grande guerreiro. O problema é que morre de medo de entrar numa briga. Cabe a Asterix e Obelix, o fiel parceiro do pequeno herói gaulês, a tarefa de treinar o rapaz. De maneiras diferentes, a mesma história é contada três vezes. Vale a pena acompanhar tantas vezes a mesma aventura?
 
Primeiro, o longa-metragem. Ele foi anunciado como a animação mais cara já produzida na Europa. Custou U$ 30 milhões de dólares e envolveu desenhistas de várias países, inclusive o Brasil. A elaboração do filme teve a participação da Academia de Animação, empresa criada pelo casal Marcelo de Moura e Jean de Moura. A dupla contratou 20 estagiários para ajudar no serviço.
 
O resultado do investimento e, por que não, da experiência de Marcelo de Moura, deram um ar de megaanimação Disney aos heróis europeus. Moura já teve passagem pelos estúdios Disney e Warner, o que justifica a impressão. Como animação, é bem feita.
 
Mas o fã de Asterix terá dois estranhamentos. Primeiro estranhamento: há mais emoção no relacionamento entre os personagens. Parte do humor e dos diálogos inteligentes dos quadrinhos se perde na telona. Segundo estranhamento: a dublagem em português é feita por integrantes do programa Pânico na TV. Asterix, Obelix, Calhambix e Abba (garota viking por quem Calhambix se apaixona) ganharam as vozes de Vesgo, Ceará, Mendigo e Sabrina Satto. Em São Paulo, a maioria das salas exibe a versão dublada.
 
O álbum "Asterix e os Vikings - O Álbum do Filme" (Record, R$ 23,90) mostra tudo o que ocorre no filme. Mistura um longo texto com cenas da animação. A obra chegou às livrarias há algumas semanas e é a mais recente publicação de Asterix no Brasil (já saíram quase 40 aventuras por aqui). É o filme em formato de livro. É mais para os fãs que compram tudo o que sai sobre o personagem. 

Se é para gastar R$ 23,90, talvez seja melhor ir direto à fonte, "Asterix e os Normandos" (capa ao lado, também pela Record), que mostra a aventura que inspirou o longa-metragem. A primeira edição do álbum saiu no Brasil em 1985 e também custa R$ 23, 90. Ainda é possível encontrar algum exemplar perdido nas seções de quadrinhos das grandes livrarias. Ou então nos sebos, que costumam vender edições de Asterix pela metade do preço. Se o vendedor pedir mais do que R$ 12, pechinche que sai mais barato. 

Resumo da ópera: das três versões da aventura de Asterix, a original ainda é a melhor.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h02
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21/09/2006

DA TEORIA À PRÁTICA

EX-ALUNOS DE CURSOS DE HQ MOSTRAM TRABALHOS EM SP

Dois cursos de produção de histórias em quadrinhos começam a gerar os primeiros frutos. Os resultados podem ser vistos neste fim de semana em São Paulo.

Alunos da ABRA (Academia Brasileira de Arte) expõem trabalhos (sobre terror) na sede da academia. As histórias, futuramente,  vão ser reunidas num fanzine, o Alboom! A mostra vai até o próximo dia 30. Além dos desenhos, os organizadores programaram uma série de palestras. Neste sábado, os convidados são os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon, criadores dos fanzines e álbuns dos "10 Pãezinhos".
 
A dupla conversa com o público às duas e meia da tarde. As inscrições tem de ser feitas com antecedência na secretaria da ABRA (a academia fica no bairro da Santa Cruz, na capital paulista). Há 40 vagas. 

O outro trabalho é a revista independente "Garagem Hermética". As 28 páginas desta primeira edição foram criadas por ex-alunos do curso de histórias em quadrinhos promovido pela Gibiteca Henfil, de São Paulo, entre outubro e dezembro do ano passado. Parte do grupo se uniu e formou a Sócios Ltda., que assina a obra.

Os autores já fizeram um pré-lançamento há um mês. O lançamento oficial é nesta sexta-feira à noite, na própria Gibiteca onde estudaram.

 

SERVIÇO 1: Lançamento de Garagem Hermética. Quando: 22.09, às 18h30min. Onde: Gibiteca Henfil (fica no Centro Cultural Vergueiro). Endereço: rua Vergueiro, 1000, São Paulo (fica perto da estação Vergueiro do metrô). 

SERVIÇO 2:
3ª Mostra do Núcleo ABRA de Quadrinhos. Quando: até 30 de setembro (neste sábado, ás 14h30min, há bate-papo com Fábio Moon e Gabriel Bá). Onde: unidade Santa Cruz da ABRA. Endereço: rua Domingos de Moraes, 2267, São Paulo (fica perto do metrô Santa Cruz). Quanto: de graça.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h19
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20/09/2006

CARLOS LATUFF

DESENHISTA BRASILEIRO RECEBE AMEAÇA DO LIKUD

"Ele é um dos que mais odeiam Israel. Ele é o cabeça de uma das maiores indústrias de propaganda e incitamento contra Israel. Ele destila veneno por toda parte. O dano que ele está fazendo a Israel, junto à juventude mundial, é enorme."
 
"Ele odeia a América e Israel. Seus cartuns mostram os israelenses e seus líderes como demônios. Ele envia mísseis de ódio não menos potentes que aqueles que o Irã está desenvolvendo e faz parte de gigantesca indústria genocida, cuja missão é a destruição do Estado judeu."
 
O "ele" das frases acima tem nome: é o brasileiro Carlos Latuff, de 36 anos. O desenhista carioca é o autor de várias charges contra a ocupação de Israel no território palestino. A ilustração que parece ter criado toda a polêmica é esta, reproduzida ao lado. Tio Sam (= Estados Unidos) aplaude um militar que segura uma bomba com os dizeres "From Israel with Love (De Israel com amor). O alvo são crianças libanesas da cidade de Qana, a quem Latuff dedica a arte ("in loving memory").
 
O manifesto contra o desenhista rotula esse e outros trabalhos dele de "cartuns satânicos". E conclama os simpatizantes a se unirem contra o artista brasileiro. O texto circulou pela primeira vez num site israelense e teria sido assinado por um militante do partido conservador de direita Likud, ligado a Israel. "Nada de novo no front", diz Latuff ao Blog dos Quadrinhos, numa de suas raras entrevistas. "Essas ameaças vem sempre dos mesmos segmentos conservadores e direitistas. Não poderia ser diferente, já que estou pisando nos calos deles."
 
A Embaixada de Israel comentou o caso. A nota foi reproduzida esta semana pelo site Comunique-se, voltado a notícias sobre a mídia. É assinada por Raphael Singer, primeiro-secretário da Embaixada. No texto, ele afirma que o país respeita a liberdade de expressão e que é aberto a críticas. Lamenta os desenhos e os compara "aos do sistema de propaganda nazista". E acrescenta: "Da mesma forma que o sr. Latuff tem o direito de se expressar, também tem esse mesmo direito o site do Likud".
 
"Mas é claro que IsraHell (sic.) não poderia responder de forma diferente", rebate Latuff. "Agora imagine se a mesma declaração tivesse sido feita numa página relacionada a um partido árabe/muçulmano, referindo-se a um cartunista judeu. Será que a Embaixada de IsraHell (sic., de novo) teria a mesma opinião sobre liberdade de expressão?"
 
Carlos Latuff não se define como um ativista, mas sim um "artivista". Começou a desenhar na imprensa sindical em 1990. Em 1997, descobriu o movimento Zapatista de Chiapas, para quem produziu ilustrações livres de direitos autorais. Desde então, tem abraçado causas semelhantes e difundido seus desenhos pela internet. São vários os sites que reproduzem os trabalhos que faz.
 
"Essa ´rede´ se criou espontaneamente a partir do momento em que comecei a espalhar esses desenhos pela internet. Dado o seu conteúdo e o fato de serem livres de impedimentos autorais, surgiu rapidamente um fluxo, um tráfico de imagens por todo o planeta", conta o desenhista, que tem como um dos alvos a atuação norte-americana no Iraque (veja a imagem ao lado e também a da próxima postagem).
 
As ameaças, diz Latuff, não inibem a produção de novos trabalhos. "Não muda nada no que eu faço e penso. Continuarei colocando meu trabalho a serviço da causa palestina, pelo fim da ocupação de territórios palestinos e em favor de um Estado palestino independente."
 
Veja na postagem abaixo alguns links para conhecer o trabalho de Latuff.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h44
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LATUFF NA NET

DESENHISTA SELECIONA SITES COM MELHORES TRABALHOS

Carlos Latuff tem trabalhos espalhados por várias páginas da internet. O Blog dos Quadrinhos pediu a ele que indicasse quais os melhores sites. Os links estão a seguir:
 
 
 
 
 
Tradução aproximada da charge ao lado: "Você me deu seu filho, agora eu te dou uma bandeira... bastante justo, hein? (risos)"

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h42
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NÍQUEL NÁUSEA

FERNANDO GONSALES LANÇA NOVA COLETÂNEA DE TIRAS

Até uns dez, quinze anos atrás, qual era a trajetória de publicação de uma tira? Ela saía primeiro nos cadernos de cultura dos jornais e, depois de um tempo, o material era compilado numa revista ou álbum. Hoje, é fato, a internet mudou parte dessa relação. Mesmo assim, alguns autores não deixam de lado o esquema tradicional. Um deles é Fernando Gonsales, que lança mais uma coletânea de tiras.
 
"Níquel Náusea - Tédio no Chiqueiro" (Devir, R$ 26) começa a ser vendido hoje. O álbum reúne 225 tiras, que saíram há sete anos no jornal "Folha de S.Paulo". O desenhista conta que a publicação segue uma ordem cronológica. Começa onde terminou o álbum anterior. Só elimina as que "não funcionam mais". "As que eu não gosto eu tiro", diz. Em alguns casos, teve de fazer sutis adaptações para atualizar informações do texto.
 
Gonsales vê diferença na leitura das tiras nos jornais e nas compilações. Nestas, o leitor acompanha tudo de uma só vez, o que pode chamar a atenção para estratégias repetidas para provocar o humor (algo que passaria despercebido na leitura diária). "No álbum, as fórmulas ficam mais evidentes. A sensação é de repetição. Às vezes, tem de dar uma editada [para afastar um tira da outra]".
 
Gonsales mantém uma página virtual com histórias de Níquel Náusea e companhia. Não é um autor avesso a novidades. Mas seu humor é daqueles tradicionais, bem aos moldes das tiras norte-americanas mais clássicas. "As tiras nacionais caminham para uma coisa mais introspectiva, mais pessoal. Acho que o legal é a diversidade. As tiras americanas têm uma maneira rígida de ser. É mais ou menos o que eu sigo", diz.
 
A tira cômica possui uma estratégia própria para provocar o humor. A exemplo de uma piada, tem de criar um desfecho inesperado. A surpresa provoca o riso. Gonsales diz que não se espelha numa piada para criar a dose diária de Níquel Náusea. "Às vezes nem é uma piada. Mas é uma situação minimamente engraçada".
 
Gonsales sabe o que cria. Talvez seja o desenhista brasileiro que mais domina o chamado "mundo animal", tema da maioria das tiras que cria. É veterinário formado pela Universidade de São Paulo. Foi nas aulas da USP que ensaiou os primeiros desenhos. Chegou a trabalhar na área. Um ano. Largou por causa das ilustrações. A primeira tira de Níquel Náusea saiu na Folha de S.Paulo em 1985, quando Gonsales venceu um concurso de novos talentos promovido pelo jornal paulista. Está lá desde então.
 
Este "Tédio no Chiqueiro" é o sexto álbum de Níquel Náusea lançado pela editora Devir. O primeiro foi "Com Mil Demônios!". Depois, vieram "Botando os Bofes de Fora", "Nem Tudo Que Balança Cai", "Vá Pentear Macacos" e "A Perereca da Vizinha".
 
Para encerrar: a tira abaixo e também a que abre a postagem fazem parte do álbum lançado hoje.
 

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 06h33
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19/09/2006

VOTO HISTÓRICO

FOTOBLOG MOSTRA CHARGES DE OUTRAS ELEIÇÕES

O instituto Datafolha divulgou agora há pouco o resultado da última pesquisa eleitoral para a Presidência. Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, estaria eleito no primeiro turno, a exemplo do que indicavam os resultados anteriores. O presidente aparece com 50% das intenções de voto. Geraldo Alckmin, do PSDB, tem 29%. Heloísa Helena, do PSOL, registra 9% e Cristovam Buarque, do PDT, 1%. Tradução: tudo igual às pesquisas anteriores.
 
A temperatura desta eleição tem sido morna, morna. Esquentou nos últimos dias por conta das acusações de compra de dossiê contra a campanha tucana. Mas a disputa em si não tem empolgado muito. É só comparar com as campanhas anteriores. Um jeito de voltar ao passado num clique só é visitar fotoblog do chargista Cláudio. Ele reuniu trabalhos feitos em outras disputas presidenciais (como a desta postagem, da última eleição presidencial). Há charges de 2002, 1998, até de 1989. "Os personagens continuam os mesmos", diz o ilustrador, que atualmente faz charges para o jornal "Agora", de São Paulo. "Mas há também personagens novos, tipo Freud", referência ao ex-assessor especial da Secretaria Particular da Presidência Freud Godoy, demitido ontem (sob a acusação de ter negociado a compra do dossiê).
 
Cláudio fez algo parecido durante a Copa do Mundo (veja na postagem do dia 22 de junho). Atualizava o fotoblog diariamente com imagens dos outros Mundiais. O chargista já tem 30 anos de estrada. Experiência que pretende reunir num livro, que acabou de revisar.
 
Vale visita à página dele. O endereço é: http://chargistaclaudio.zip.net

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h33
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MISMATCHES INÉDITO

LEIA AS ÚLTIMAS QUATRO TIRAS VENCEDORAS EM PIRACICABA

Existem só oito tiras de Mismatches, a vencedora do Salão Internacional de Humor de Piracicaba deste ano. O autor, o artista plástico Acácio Geraldo de Lima, fez apenas duas pranchas, com quatro tiras cada uma. Metade já foi publicada pelo Blog dos Quadrinhos (no dia 28 de agosto). É o mesmo material que foi reproduzido por outros sites. A seguir, estão as quatro tiras que faltavam. O material é inédito. Os originais estão expostos em Piracicaba ao lado dos demais trabalhos que participaram do salão de humor, o maior do país e um dos principais do mundo.
 
Acácio conversou com o Blog dos Quadrinhos sobre o processo de criação de Mismatches. Leia na postagem de ontem (18.09).
 
 
 
 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h02
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18/09/2006

VOCÊ CONHECE O CRIADOR DE MISMATCHES? VAI CONHECER

ENTREVISTA: ACÁCIO GERALDO DE LIMA

 
O leitor do Blog dos Quadrinhos já viu a história acima. Mais exatamente na postagem do dia 28 de agosto. Foi nessa data que os internautas conheceram pela primeira vez a tira vencedora do Salão Internacional de Humor de Piracicaba deste ano, Mismatches, uma mistura desenho com colagem (os protagonistas são palitos de fósforo). O resultado é um dos trabalhos mais criativos dos 33 anos do salão.
 
O "Acácio", que assina a tira e a idéia, é um paulista de 45 anos, nascido em Piraju, a 328 km de São Paulo. Ele conta que já fez outras experiências com colagem de objetos. Uma delas foi com clipes de papel. Mas Mismatches é seu primeiro prêmio. A idéia estava escrita em um caderninho de notas que sempre o acompanha. Foi a concretização de um daqueles "insights" que todo mundo tem, mas nunca anota. Essa anotação deu trabalho para virar realidade. O quadrinista tinha de cortar cada palito no meio para reduzir o volume e a espessura da imagem na hora de escanear a tira.
 
Acácio Geraldo de Lima se define como um "artista plástico/quadrinista de coração e designer/produtor gráfico de profissão". Paralelamente aos desenhos, atua como coordenador das áreas de merchandising visual e computação gráfica no SENAC Santa Cecília, na capital paulista.
 
Acácio é uma pessoa acolhedora, daquelas que transforma uma conversa rápida num grande bate-papo entre amigos. Esta entrevista mostra um pouco disso. Ele fala de Mismatches, do prêmio que ganhou em Piracicaba e de como conseguiu fazer os desenhos com um braço só (usava uma tipóia quando criou a tira).
 
- "Mismatches" é uma tira que usa outro recurso, além do desenho. É uma ampliação do conceito de quadrinhos?
- Eu acho que é mais uma técnica não convencional. Podemos dizer que a mensagem, sim, é ampliada por pegar carona em objetos banais do cotidiano assumindo o papel humano, fazendo com que o observador possa rir de si mesmo se vendo em objetos que sua sociedade criou.

- Como você elabora as histórias?
- Optei em fazer Mismatches com colagem de palitos, isqueiros, giletes, caixas de fósforos reais, resistindo à tentação de desenhá-los, pois a mensagem fica mais forte. O restante da arte foi feita com tinta branca.

- Há uma história curiosa sobre a produção desses trabalhos, não? Foi um trabalho de um braço só?
- Pois é, em fevereiro fraturei o ombro esquerdo e fiquei um longo período de tipóia e, depois de alguns meses, teve que operar. Quando fiz Mismatches me virei só com a mão direita, usando a esquerda apenas para apoiar coisas sem esforço.
 
- De onde surgiu a idéia de dar vida aos palitinhos?
- Surgiu como outras idéias que tenho, e que anoto em um caderninho que sempre levo comigo. Desde criança costumo manusear os objetos e acabo por imaginá-los em outra aplicação que não a original. Estava manuseando um isqueiro e veio a idéia que está na primeira tira. O restante veio de roldão em seguida.
 
- Você já viu algo parecido?
- Com o uso de fósforos, não. Mas não é incomum o uso de objetos fazendo o papel de outras coisas, como um cartum que rola na web de uma tartaruga míope apaixonada por um capacete.

- Foi uma surpresa ver o seu nome como vencedor na categoria tiras na edição deste ano?
- Todos nós que competimos, torcemos para ganhar, pois acreditamos em nosso trabalho, mas ao mesmo tempo temos consciência de que tem muita gente boa. Só o fato de ser selecionado dentre tantos já é uma grande conquista. Mas, quando se é premiado nesse salão, você sente uma explosão de alegria.

- Você tem trabalhos mais convencionais ou todos seguem a linha de "Mismatches"?
- Tenho. Neste Salão, além de Mismatches, participo também com um trabalho de 20 tiras sobre o "Lulalice no País das Maravilhas". Em outros salões, participei com charges e cartuns convencionais.

- Há outras idéias semelhantes?
- Sim. No salão de 2004 fiz dois cartuns utilizando clipes de metal, desses comuns de escritório, um retratando o cruzamento de dois cachorros e outro um casamento "forçado".
 
- Você tem planos para os Mismatches daqui para frente?
- Tenho já algumas idéias pra outras tiras, mas ainda não tenho nenhum canal definido para mostrá-las.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h04
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17/09/2006

TULÍPIO

REVISTA DISTRIBUÍDA EM BARES DE SP CHEGA AO 2º NÚMERO

- O figurinha aí ao lado tá fazendo sinal de "paz e amor" ou é marketing gratuito do segundo número da revista?
- Marketing gratuito, não tenha dúvida disso.
- Do que se trata, se me permite a pergunta.
- É uma tal de "revista de boteco". Ou sobre a vida no boteco. A idéia é dos autores, Paulo Stocker e Eduardo Rodrigues. O Paulo desenha, o Eduardo escreve, o Tulípio protagoniza, todos bebem. O Edu diz que tem as idéias durante "visita" aos bares paulistanos. Surge a idéia, escreve num guardanapo.
- Os dois devem ser chegados num copo, hein? Já tá no segundo número!
- O Eduardo conta que tem mais de 800 guardanapos escritos...
- Eita! E tem gente que lê?
- O primeiro número teve 7.000 cópias. Esgotou. Nem eu consegui ler.
- E essa segunda edição?
- 8.000 cópias. A dupla quer chegar a 100 mil. A gente já conversou sobre isso no dia 8 de junho. É só conferir na postagem desse dia.
- E quem compra isso?
- Ninguém.
- Tá me tirando?
- Ninguém compra. Todo mundo recebe. É dada de graça em bares de São Paulo.
- Agora tenho certeza: tu tá tirando uma com a minha cara...
- É sério! É um acordo que eles fizeram com uma rede de bares de Sampa. Os bares exibem os cartuns num telão enquanto os dois distribuem as edições. Eles dizem que a aceitação é boa. Pelo menos quem pega um exemplar leva a sério.
- A bebida é de graça também?
- Não. Só a revista.
- Tava bom demais. E que bar que dá o Tulípio?
- Tem uma lista no site do Stocker.
- E você faria o favor de me dizer o endereço ou vai mendigar o link?
- Mais alguma coisa? 
- Tipo?
- Tem mais alguma coisa legal da revista?
- Até que tem. Cada edição tem um desenhista convidado. No primeiro número, foi o Paulo Caruso. Neste segundo, é o Glauco. O desenho mostra o Geraldão levando o Tulípio pra casa. Hilário...
- Eta postagenzinha de bêbedo essa tua, hein?
- Mas captou direitinho o espírito do personagem. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h00
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16/09/2006

MOSTRA EM SANTOS

EXPOSIÇÃO REÚNE 350 FANZINES DO BRASIL E DO EXTERIOR

Começa amanhã em Santos, no litoral de São Paulo, a Mostra Nacional de Fanzines e Publicações Independentes 2006. Segundo os organizadores, a proposta é "identificar e catalogar a produção nacional de histórias em quadrinhos". E também divulgar. 350 fanzines brasileiros e do exterior vão estar em exposição até o próximo dia 30.

Os organizadores prepararam também um catálogo com o material da mostra, a exemplo do que ocorre com os salões de humor. O catálogo será lançado neste domingo, às 17h. Os exemplares serão distribuídos a fanzineiros participantes e a gibitecas de todo o país. A exposição deve se repetir em 2007. Já é feita uma chamada de trabalhos para o ano que vem.

A mostra terá também uma série de palestras e oficinas. No dia 20, às 19h, Gazy Andraus (doutorando da USP e fanzineiro) participa de um bate-papo sobre o assunto. Ele ensina um jeito de fazer fanzine a um custo baixíssimo. Gazy participa também no dia 27 de uma mesa-redonda sobre produção de histórias em quadrinhos no Brasil. Estarão na mesa, além dele, Sônia Luyten (pesquisadora e autora de "Mangá, o Poder dos Quadrinhos Japoneses"), JAL (cartunista e criador do HQMix), Sidney Gusman (jornalista do UniversoHQ e da Wizard/Brasil), Roberto Miranda (do estúdio Prancheta.com) e Elza Keiko (editora de mangás da Panini). Também participo da mesa. Começa às 19h.

O evento confirma a importância do litoral paulista no processo de arquivamento de fanzines brasileiros. Muito por mérito do idealizador desta mostra, Fábio Tatsubô. Boa parte do que foi produzido no Brasil foi reunido por ele há alguns anos na Fanzinoteca de São Vicente, a segunda do mundo (a primeira é a Fanzinothèque de Poitiers, na França). O acervo, hoje, está a cargo de uma Associação de Artistas do Litoral.

No campo teórico, três livros abordaram o fenômeno: "Fanzine" (de Edgard Guimarães), "O Rebuliço Apaixonante dos Fanzines" e "A Nova Onda dos Fanzines" (ambos de Henrique Magalhães). As três edições são da Marca de Fantasia e só são encontradas no site da editora (www.marcadefantasia.com.br).

SERVIÇO - Mostra Nacional de Fanzines e Publicações Independentes 2006. Quando: de 17 a 30 de setembro. Local: SESC/Santos. Endereço: rua Conselheiro Ribas, 136, bairro Aparecida, Santos (litoral de São Paulo). A programação completa pode ser lida no site http://musicaearte.com.br.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h41
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15/09/2006

INCAL 2

SAI 2º VOLUME DA SÉRIE CRIADA POR JODOROWSKY E MOEBIUS

Há algo diferente neste segundo número de Incal, obra de Alexandro Jodorowsky e Moebius que começa a ser vendida hoje ("Incal, volume 2 – O que está embaixo & o que está em cima", Devir, R$ 45). O tom é de uma filosofia espacial futurista, se é que o termo existe. Os protagonistas da série deixam de se preocupar apenas com o futuro do planeta, foco do primeiro álbum. A preocupação, agora, é com o destino da galáxia. O Sol está prestes a ser condenado. E a entidade política Assembléia Humana sofre um golpe de Estado.

Na introdução do álbum, o escritor Jodorowsky conta que a idéia era essa mesmo. Como um novelo sendo desenrolado, parte de uma ponta e vai puxando o fio, até ele envolver todo o espaço. "O que tentei fazer com o Incal –ou, melhor, o que eu fiz, já que a série terminou- foi criar uma história de ficção-científica que começa com um pequeno e aparentemente insignificante evento, que se desenvolve até adquirir enormes proporções cósmicas. O isolado, e quase particular, conflito do início se transforma numa rebelião planetária, que, em seguida, vira uma guerra galática e isso tudo termina com o destino do universo sendo colocado em perigo!"

A mudança constante no tom da história também foi previamente pensada. "Isso ocorre porque acredito que a vida é feita de uma série de mudanças e evoluções perpétuas". Há a transposição da trama para a galáxia (o que não deixa de ser uma mudança). Mas há outras. Duas dessas metamorfoses são visuais. A cor acompanha o momento da história escrito por Jodorowsky. O mérito da idéia, no entanto, é de Moebius, desenhista que criou um estilo de arte, detalhada e com idéias vanguardistas, que é seguido na Europa até hoje.

A outra alteração visual está na figura do protagonista Jonh Difool. Ele continua um "detetive particular de classe R", como no primeiro volume, lançado no começo de março deste ano (ver postagem do dia 09.05). Mas seu corpo muda e se torna altivo, belo e elegante quando ele entra em contato com o Incal, entidade poderosa da qual Difool é um dos guardiões e hospedeiro. Nesta edição, é revelado o motivo de ser ele o escolhido para a função.

"Incal" foi publicado originalmente em capítulos na francesa "Metal Hurlant". A primeira história saiu em 1980, no número 58 da revista alternativa, que inspirou a criação da norte-americana "Heavy Metal". Foi na revista francesa que começou a adquirir o prestígio que envolve a série até hoje. É tida como um dos clássicos dos quadrinhos, por mérito e por influência a outras obras, européias e não-européias, que foram criadas nas décadas seguintes.

Este segundo volume de Incal é uma leitura difícil, até para quem já teve contato com o primeiro volume. É preciso ler de maneira mais pausada, para absorver e relacionar todas as informações. Mas isso não desmerece a obra em nada. É só um elemento a mais a justificar sua importância.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 08h37
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14/09/2006

QUANTA GENTE!

RENATO GUEDES PARTICIPA DE BATE-PAPO EM SÃO PAULO

Dica rápida. O desenhista Renato Guedes participa de um bate-papo com fãs de quadrinhos nesta sexta-feira à noite, em São Paulo. O encontro faz parte do projeto Quanta Gente!, promovido pela Quanta Academia de Arte.
 
Guedes é um dos brasileiros que atuam no mercado norte-americano de super-heróis. Fez trabalhos para várias revistas, muitas ligadas ao Super-Homem. A arte ao lado é uma das ilustrações feitas para a versão em quadrinhos da série Smallville, que conta as aventuras do homem de aço quando jovem.
 
O Quanta Gente! tem reunido profissionais ligados às histórias de super-heróis. O próximo encontro, marcado para 20 de outubro, é com o desenhista Ivan Reis, que teve um de seus trabalhos premiados com o Wizard´s Fan Awards (ver postagem de 10.09). O último encontro, no dia 24 de agosto, contou com a participação dos desenhistas Greg Tocchini e Edde Wagner e do editor das revistas Marvel no Brasil, Fernando Lopes.
 
O bate-papo começa às 20h. O evento é gratuito.
 
SERVIÇO
Quanta Gente. Quando: sexta-feira, 15.09. Horário: a partir das 20h. Onde: Quanta Academia de Artes. Endereço: rua Minas Gerais, 27, Higienópolis, São Paulo (perto do metrô Consolação). Quanto: de graça.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h11
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TESE DISCUTE PAPEL DOS QUADRINHOS DE HUMOR NO ENSINO

ENTREVISTA: BETANIA LIBANIO DANTAS DE ARAÚJO

A escola excluiu o humor e a pedagogia nunca o estudou. As duas hipóteses foram a base do doutorado de Betania Libanio Dantas de Araújo, defendido no mês passado na Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo). A tese analisou a importância de charges, cartuns e tiras cômicas na atividade escolar.
 
"O humor nunca foi estudado pela pedagogia porque a educação segue numa só via", diz a pesquisadora, que também é professora de arte e de pedagogia. "O seu pensamento converge sempre para as mesmas respostas e o humor é a oposição ao pensamento único. É essa a contradição que negligenciou o humor."
 
Betania estudou histórias em quadrinhos no mestrado, feito na UNESP (Universidade Estadual Paulista). Carioca, a pesquisadora adotou São Paulo como morada. Está na cidade há 22 anos. Nesta entrevista ao Blog dos Quadrinhos, ela fala um pouco da tese "O desenho de humor na escola: um canto paralelo".
 
- Qual foi a hipótese de seu doutorado?
- A hipótese era que a Pedagogia e a escola não incorporaram o humor porque é opositor. No Brasil o ensino não tem a prática da autonomia como nos países europeus. De caráter ético, o humor também age como regulador dos costumes. A linguagem da charge e do cartum contribui com um pensamento refinado e a prática da liberdade para os estudantes.
 
- E qual foi a conclusão?
- Acreditava que o humor não estava na escola, mas aos poucos encontrei todos: da exclusão, da aproximação, o nonsense, o espirituoso. Os adolescentes, aos poucos, são ativados pela estrutura do humor e agem diferentemente. Interfere na relação agressiva, atuando na criação de outras maneiras de se relacionar.
 
- Quais as vantagens de usar o humor no ensino?
- O humor faz alunos e professores questionarem um dado estado de coisas e faz acreditar na sua inversão. O pensamento divergente, no simbolismo do desenho de humor, atua na relação entre coisas que não tem uma relação direta, criando o novo. Mas não pode ser o humor plastificado dos cursinhos e também não pode virar disciplina e nem currículo, a legalização do humor teria resultados desastrosos.
 
- Historicamente, houve resistência de usar quadrinhos na sala de aula. Essa resistência ainda existe?
- Não senti resistência. Por exemplo, os quadrinhos do Quino não são entendidos pela a maioria. Ocorre que alguns alunos tornam-se os mediadores. Existe uma primeira leitura partilhada entre colegas que conseguem ler e outros que não conseguem, pois os quadrinhos de Quino (exceto Mafalda) não trazem balão e texto, o discurso verbal é totalmente desenhado. Alguns quadrinhos precisam da mediação do professor, outros não. Segundo pesquisas recentes, o melhor leitor na escola e no mundo é aquele que lê quadrinhos. Mas sei que essa resistência continua de outra maneira: continua nas editoras que permanecem produzindo inúmeros livros dos modernistas, porém nenhum de quadrinhos e charge. Continua na grade curricular do curso de Arte que prevê, às vezes, a arte Contemporânea e não os quadrinhos. Consequentemente muitos professores de Arte não contemplam a linguagem, pois não foram ensinados a vê-la e entendê-la.
 
- No seu entender, isso é um caso exclusivamente brasileiro? Ou ocorre o mesmo no exterior?
- A minha resposta é puramente ocidental, precisávamos aprofundar os estudos orientais, sabemos apenas do Koan, piada elaborada pelos mestres zen-budistas. Do ponto de vista ocidental digo qua a Pedagogia e a Psicologia não estudaram o humor no mundo. Autores franceses apontam que até a Psicologia não estudou, portanto na área da Psicanálise sempre remetemos a Freud com o seu estudo sobre o chiste, não encontramos pesquisas sobre o assunto.
 
- Você sentiu resistência de ter estudado quadrinhos na universidade?
- Senti muita resistência no mestrado. Estudiosos de Arte Contemporânea olhavam a arte sequencial com desdem, até porque apesar da revolução da Arte Contemporânea em relação aos cânones da Arte, ainda havia entre eles um olhar para o mercadológico, uma cabeça da hierarquia da Arte. Sendo os quadrinhos da era da reprodutibilidade técnica, as suas milhares de cópias quebravam a aura da arte.
 
- Esse estudo no doutorado tem alguma ligação com a pesquisa do mestrado?
- A dissertação de mestrado trazia os processos criativos dos cartunistas que entrevistei e contava sobre a experiência na escola. No doutorado aprofundei a natureza da charge e do cartum que é o humor. Permaneci na pesquisa com alunos da escola pública, porém ampliei para professores, estudantes de pós-graduação e de graduação.
 
- Daqui para frente, pretende dar continuidade na pesquisa com quadrinhos?
-Tenho um projeto para o pós-doutorado com tiras cômicas e desenho de humor. Permaneço com o trabalho com alunos da prefeitura de São Paulo, atualmente participo do projeto Ler e escrever em Arte contribuindo com estudos sobre charge.
 
Créditos. Os desenhos que ilustraram esta entrevista são, respectivamente, de Emerson (autor da tira Sala de Aula) e de Salvador (criador do personagem Ran). Ambos estão no primeiro livro da coleção "Tiras de Letra", da editora Virgo. 

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h20
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13/09/2006

MUDANÇA À VISTA

PIXEL PODE EDITAR DC COMICS NO BRASIL EM 2007

A DC Comics pode trocar de editora no Brasil. Sairia da Panini e iria para a Pixel, que estreou no mercado nacional no começo do ano. Se concretizada, a transação começaria a valer em janeiro de 2007.
 
A notícia foi divulgada hoje pelo jornalista Sidney Gusman no site Universo HQ. A reportagem dá como certa a transação. O Blog dos Quadrinhos apurou que a negociação existe, mas que o acordo ainda não está cem por cento fechado. A editora Pixel informou que não vai comentar o assunto. Na Panini, ninguém foi encontrado na tarde desta quarta-feira.
 
Havia um boato no mercado de que a DC Comics iria mudar de casa no Brasil. A informação circula há uns três meses, mas nunca era confirmada. Um alto funcionário de uma das grandes editoras do mercado confirmou, na época, que tinha sido sondado por representantes da DC sobre uma possível transação. Mas, de concreto, nada.
 
Sabe-se que o valor pago à DC Comics não é baixo. Se a Pixel realmente adquirir os direitos autorais de Super-Homem, Batman e companhia, terá de desembolsar uma altíssima quantia. A editora norte-americana passa por uma de suas melhores fases, ancorada pelo megaevento "Crise Infinita". O prelúdio da saga é publicado atualmente pela Panini, que começou a editar material da DC no fim de 2002.
 
A Panini é uma multinacional italiana, que investe em quadrinhos no Brasil há cinco anos. Primeiro, conseguiu os direitos de publicação dos personagens Marvel. Depois, foi a vez da DC Comics. A estratégia "matou" a linha de super-heróis da editora Abril. A empresa, desde então, tem diversificado suas publicações. Hoje, edita mangás, material europeu e, a partir de janeiro do ano que vem, a Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.
 
A Pixel começou no início deste ano. Surgiu a partir da fusão de oduas editoras: Ediouro e Futuro Comunicação (que surgiu da separação dos sócios da Conrad; a Futuro é de André Forastieri). A Pixel tem se firmado com a publicação de álbuns, a um preço que não passa de R$ 35. Tem como público-alvo o leitor de poder aquisitivo mais alto. O carro-chefe tem sido o personagem italiano Corto Maltese.
 
Levar a DC seria a chance de a Pixel atingir outra fatia de mercado, o público adolescente, consumidor de histórias de super-heróis. A transação teria outro impacto no mercado: tiraria parte do "império" que a Panini começava a firmar no Brasil. E acirraria a disputa entre Marvel e DC, a exemplo do que ocorre há décadas no Estados Unidos.
 
Se confirmada a transação, janeiro de 2007 promete ser um mês muito interessante de se acompanhar.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h36
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VAMPIRELLA

BRASILEIRO É FINALISTA EM CONCURSO NOS ESTADOS UNIDOS

Um desenhista de Campinas pode fechar um contrato para fazer a arte da personagem Vampirella nos Estados Unidos. O inusitado é que a escolha é feita por um concurso, o Talent Search, promovido pela editora da sensual vampira, a Harris Publications. A votação é feita pela internet.

O campineiro Marcelo Ferreira é um dos cinco finalistas. E lidera a disputa, com mais da metade dos votos. A página ao lado é uma das seis que ele enviou à editora. As outras podem ser vistas no site da personagem, onde também ocorre a votação. Lá estão os trabalhos dos outros concorrentes: Michela da Sacco, Pablo Verdugo Munoz,  Eduardo Savid e Agnes Garbowska.

Para conhecer o trabalho dele- e votar-, é só acessar o endereço www.vampirella.com

 

 

Marcelo soube que era um dos finalistas no último dia 5. Ele diz que teve pouco mais de duas semanas para desenhar o roteiro de seis páginas exigido pela editora. Cumpriu o prazo à risca. "Santo FedEx", brinca. Ele conta que é fã de quadrinhos desde criança. Ser um dos finalistas do concurso, diz, "é como um sonho prestes a se tornar real".

 

Marcelo é desenhista profissional há seis anos, mas atua há oito no mercado. Deu aulas de desenho e tem trabalhos em livros infantis e sites. Um pouco do que faz pode ser visto no site do Eureka Studio, www.eurekastudio.com.br.

 

Vampirella já teve algumas histórias lançadas no Brasil, mas nunca fez muito sucesso por aqui. Nos Estados Unidos, tem um grupo fiel de fãs. A personagem é uma mistura de Drácula, anti-heróis (ou anti-heroínas) e quadrinhos sensuais italianos (características que a arte de Marcelo captou muito bem).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h45
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MONSTER

SUSPENSE SE DESTACA ENTRE OS MANGÁS NO MERCADO

Continha rápida: quantos mangás são publicados por mês no Brasil? Só em setembro, estão programados 41 títulos. E as conversas de bastidor sugerem que vem muito mais por aí. É difícil ler todas as revistas. Por isso, vale a lei darwiniana mais básica, a da seleção natural. É preciso pinçar o que realmente vale a leitura. É o caso de "Monster" (Conrad, R$ 12). O terceiro número chega hoje às bancas (capa ao lado).
 
Há um bom jeito de medir se uma história é boa. Basta ver se ela deixa o leitor com vontade de ler o número seguinte. "Monster" consegue isso, muito por mérito de seu criador, Naoki Urasawa (tido como expert em suspense). O desenhista-escritor criou uma trama ambientada na Alemanha pré-queda do Muro de Berlim. O jovem médico Kenzo Tenma tem de enfrentar o dilema ético de atender os pacientes pela ordem de chegada ou pela importância social ou política. Prefere a primeira opção. Atende um menino ao invés do prefeito. O político morre e Tenma vê uma reviravolta em sua vida.
 
O menino salvo é o monstro que dá nome ao título (ao lado, as imagens do médico e do Monster, quando jovem e já adulto). Anos depois, já com o fim do muro que separava as Alemanhas Ocidental e Oriental, ele é o principal suspeito de uma série de assassinatos a casais idosos. O neurocirurgião descobre e tenta impedir. Ao mesmo tempo em que enfrenta a desconfiança da polícia, que vê nele o possível autor das mortes.
 
É nesse ponto que a tensão deixada a cada número fisga o leitor. E que surge uma sensação de já ter visto algo parecido. E já viu mesmo. Lembra um pouco a antiga série de TV dos anos 60 "O Fugitivo". Um médico tenta provar sua inocência e foge de tudo e de todos. A história foi transposta para o cinema anos depois, em filme estrelado por Harrison Ford e Tommy Lee Jones.
 
A série "Monster" é bem mais do que o pouco relatado aqui. Bem mais não. Muito mais. Segundo a Conrad, editora da revista, a obra deve ser publicada em 18 edições. No Japão, saiu entre 1994 e 2001.
 
Nota: pelo menos dois outros mangás merecem menção. "Lobo Solitário", principal obra de Kazuo Koike e Goseki Gojima, chega este mês ao número 21. E "Adolf", de Osamu Tezuka, obra que já foi comentada duas vezes neste blog. Chega agora à terceira edição, prevista para sair no próximo dia 20. São dois clássicos do quadrinho japonês, que também valem leitura.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h13
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12/09/2006

HQ NA SALA DE AULA

GOVERNO DISTRIBUI QUADRINHOS NAS ESCOLAS EM 2007

O governo federal vai incluir histórias em quadrinhos no programa Biblioteca na Escola, mantido pelo MEC (Ministério da Educação e do Desporto). As obras serão distribuídas para 46.700 escolas brasileiras e devem ser lidas por 14 milhões de estudantes. Os alunos vão receber os quadrinhos até o começo do ano que vem, quando tem início o período letivo.

 

A informação é do jornalista Marko Ajdaric e foi divulgada no site Bigorna, especializado em notícias sobre quadrinhos. Segundo a reportagem, haverá títulos de editoras como Conrad, Martins Fontes, Devir, Companhia das Letras e Salamandra. Para as editoras, é um excelente negócio. Ter o governo como cliente garante um volume grande e regular de vendas, o que deve incentivar o lançamento de outras publicações parecidas às adquiridas dentro do programa do MEC.

 

Um dos filões que já estão sendo explorados pelas editoras é o de biografias. Spacca venceu o último Troféu HQMix com o álbum “Santô e os Pais da Aviação”, em que conta a história de Santos Dummont. O cartunista prepara uma biografia de Monteiro Lobato (como antecipado em postagem do dia 11 de julho). Outra abordagem que garante vendas na área de ensino é a de adaptações de obras literárias, gênero que sempre acompanhou a história dos quadrinhos, desde os tempos da extinta EBAL (Editora Brasil-América). A Conrad já começa a investir no setor.

 

A presença de quadrinhos na escola, com política financiada pelo governo federal, é algo que chega com atraso. No começo da década de 90, o vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) já pedia aos futuros universitários a interpretação do humor em tiras cômicas. A questão é repetida até hoje. O ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) também usou o recurso em todas as provas, exceção feita à deste ano.

 

O governo federal apenas segue a orientação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, elaborados no fim dos anos 90, ainda sob administração de Fernando Henrique Cardoso. Os Parâmetros –popularmente conhecidos como PCNs- têm como eixo central a necessidade da leitura de textos de diversos gêneros. Assim, orientavam os professores dos ensinos fundamental e médio a utilizar em sala de aula piadas, editorias, reportagens. As histórias em quadrinhos também foram incluídas.

 

A presença dos quadrinhos nos PCNs foi o principal motivo do aumento dos estudos sobre o tema nas universidades de Letras. Até então, eram raras abordagens lingüísticas sobre o assunto. Foi nesse contexto que surgiu o livro “Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula”, organizado por Ângela Rama e Waldomiro Vergueiro e do qual sou um dos autores (meu capítulo aborda especificamente o uso dos quadrinhos em aulas de língua portuguesa). A obra, lançada pela Contexto em 2004, está na terceira edição.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h23
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MENINO CARANGUEJO

FUNDAÇÃO DE JOINVILLE BANCA MINISSÉRIE DO PERSONAGEM

 
Houve quem dissesse que a polêmica envolvendo a revista "Banda Grossa" sepultaria qualquer outra idéia de publicação de quadrinhos com dinheiro público. A previsão não se concretizou. E por iniciativa da própria Fundação Cultural de Joinville, a mesma que processa os autores da "Banda Grossa", pedindo de volta o dinheiro investido. A entidade, mantida pela prefeitura, fez um novo concurso de incentivo a produções culturais. Na categoria Artes Visuais, venceu o projeto ecológico "O Menino Caranguejo", do designer gráfico José Francisco Xavier (mais conhecido como Chicolam). Ele recebeu R$ 9.140 para criar uma minissérie com o personagem, programada para o ano que vem.
 
A Fundação optou por um projeto mais conhecido, ao contrário do que ocorreu com a "Banda Grossa" (a entidade reclama que o projeto original, de estímulo à produção de autores regionais, foi alterado; os autores negam, como mostram as postagens dos dias 10 de julho e 7 de agosto). O trabalho com o Menino Caranguejo existe há nove anos. Começou com um projeto de conclusão de curso em desenho industrial na Escola de Belas Artes de São Paulo. Desde então, tem sido usado em animações de cunho ecológico, aplicadas como ferramenta educacional. Em 2004, ficou em segundo lugar no júri-popular do festival Anima Mundi.
 
A história em quadrinhos é uma forma de tornar a proposta do personagem mais conhecida.  Segundo Chicolam, o roteiro da minissérie já está pronto. "Trata-se da relação do personagem e seus poderes, numa trama de conflitos entre sua existência e sua ligação com os diversos meio ambientes", diz o autor, que também dá aulas de design na Univille, na região de Joinville. "É uma história com muita ação, mistério envolvendo fatos históricos e naturais, relacionados à cultura, sociedade e regionalidade do nosso Brasil".
 
A história do personagem brasileiro também tem ligação com a ecologia. Segundo resumo no site do herói mirim, ele foi salvo de uma queimada numa floresta. Mora no litoral sul e vive catando e vendendo caranguejos na beira da estrada. Tudo muda quando ele encontra a "Garra", artefato que lhe dá poderes especiais: uma ligação de energia entre o mangue e as florestas tropicais. Torna-se, então, o Menino Caranguejo.
 
Além dos projetos e das aulas na universidade, Chicolam arruma tempo para o mestrado na área de educação, que faz na Univali. Desenvolve um trabalho de "desenho animado ambiental", como chama. "Tem como um de seus objetivos principais o estudo de uma das sete animações como material didático para educação ambiental na sala de aula", diz.
 
Há um site com outras informações sobre o Menino-Caranguejo. Para conhecer, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h02
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11/09/2006

11.09 NAS HQs - PARTE I

QUADRINHOS TÊM COMPORTAMENTO DÚBIO SOBRE 11.09

A indústria norte-americana de quadrinhos teve um comportamento dúbio em relação aos ataques de 11 de Setembro, tragédia que completa hoje cinco anos. Num primeiro momento, as editoras seguiram a tendência de solidariedade e de pesar extremo vivido dentro dos Estados Unidos (e, de certo modo, em outras nações do mundo ocidental). Esse sentimento deu o tom às primeiras histórias que abordaram o tema. Dois, três anos depois, o povo americano viu que seus filhos não voltavam da guerra. O sentimento mudou, a popularidade do presidente George W. Bush caiu (e continua baixa) e os super-heróis mudaram sua atitude em relação aos atentados e à política externa norte-americana.

A dubiedade vista nas revistas, ao longo desses cinco anos, só é coerente com o sentimento da população estadunidense.

O caso é um excelente estudo sobre uso ideológico nos quadrinhos. É algo muito parecido com o que foi feito durante a 2ª Guerra Mundial. O ataque a Pearl Harbor obrigou os Estados Unidos a entrar no conflito mundial. Não demorou para os super-heróis também estarem no front. Super-Homem, Mulher-Maravilha, Capitão América (criado para combater os nazistas) e outros passaram a viver histórias de guerra, em que os inimigos eram os países do Eixo e seus líderes. O exemplo mais exacerbado talvez tenha sido o de Flash Gordon. O herói espacial voltou do Planeta Mongo para combater ao lado dos Aliados.

Havia uma política do governo norte-americano de usar a mídia como um veículo ufanista pró-aliados (ou anti-nazistas). Os quadrinhos não foram exceção. Não é que a presença do conflito era necessariamente imposta pelo governo: ela era consentida pelos escritores e desenhistas. Eles também haviam captado o sentimento de sofrimento vivido em Pearl Harbor e escreviam aquilo que os leitores queriam ver. Essa interpretação é do pesquisador Chris Murray, no artigo "Popaganda: superhero in World War Two". Ele chamou de "popaganda" a mistura da propaganda governamental pró-guerra com o uso da cultura pop.

A argumentação de Murray se encaixa perfeitamente no 11 de Setembro. Novamente, os Estados Unidos foram vítimas de um ataque em larga escala. Novamente, a maior potência do mundo se sentiu ferida. Novamente, partiu para um ataque em terras estrangeiras, passando por cima de uma decisão do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), que pedia provas mais consistentes sobre a presença de armas químicas (que o tempo mostrou inexistirem). Novamente, os Estados Unidos usaram a mídia a seu favor (hoje, a literatura sobre o assunto já é suficientemente extensa para comprovar esse ponto de vista).

Continua na postagem abaixo. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h08
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11.09 NAS HQs - PARTE II

O altíssimo número de mortos após os ataques do 11 de Setembro criou outro índice altíssimo: o de popularidade a Bush. Isso deu a ele o cacife necessário para implementar a política de invasões ao Eixo do Mal (outra semelhança com a 2ª Guerra). Apresentou como argumentos a caça ao terror (palavra vazia, com conteúdo vago e pejorativo) e a presença de armas químicas (que não foram encontradas, como admitiu a Casa Branca anos depois).

Os primeiros quadrinhos sobre o conflito refletiam essa soma de características. Á primeira história veio da Marvel Comics, que fez uma edição com capa toda preta, numa clara demonstração de luto. Era do Homem-Aranha, mas mostrava a comoção de todos os heróis da editora. Heróis e vilões. Havia uma cena em que até o inescrupuloso Doutor Destino chorava (veja na imagem abaixo). Houve, com o passar dos meses, outras publicações semelhantes. Só para citar um exemplo, o Capitão América (aquele da 2ª Guerra) passou a caçar terroristas.

A invasão norte-americana no Iraque –ainda não resolvida- fez a popularidade de Bush cair vertiginosamente. Havia um novo sentimento no povo norte-americano, sintetizado no documentário "Farenheit 11/9", do polêmico Michael Moore. Os soldados estavam morrendo. E nada parecia justificar racionalmente o conflito.

Os quadrinhos passaram a refletir esse sentimento. É difícil dizer a data exata da virada na abordagem, mas parece ser 2004. Alguns escritores da DC Comics começaram a dar cutucadas na política externa dos Estados Unidos. Um caso. Joe Kelly escreveu uma história da Liga da Justiça (publicada aqui no número 25 da revista homônima) em que Super-Homem tem uma série de visões. Numa delas, argumenta com o então presidente Lex Luthor sobre a irracionalidade de uma invasão a um país indefeso. Luthor, metáfora de Bush, responde aos gritos que invadirá, sim: "É assim que manteremos a paz. Mostrando a terroristas e ditadores que eles não podem desafiar a ONU. Se o Conselho de Segurança não entende isso os Estados Unidos suportarão esse fardo sozinhos se for preciso. Infelizmente, não vejo outra saída". Oficialmente, o tom de crítica fica para o leitor mais atento, já que a história não passa de uma visão do homem de aço.

Outro exemplo, também já publicado no Brasil, é de autoria de Greg Rucka e tem a esposa do Super-Homem como protagonista. Lois Lane não aceita receber notícias do exército norte-americano, como os demais repórter se sujeitaram a aceitar. Ela não queria o discurso oficial, compartilhado por todos os jornais e redes de televisão. Perry White, seu editor, alerta que sair das asas do governo implicaria correr riscos desnecessários na região do conflito. Resposta: "O governo vai controlar a reportagem, Perry. Se não diretamente, vai restringir acesso e censurar o que eu mandar. Me deixe pegar a história inteira" (leia diálogo ao lado). Lois foi.

Há, certamente, outros exemplos. Hoje, as produções fazem a crítica de forma ainda mais acirrada e explícita. Um caso é o álbum "A sombra das torres ausentes", de Art Spiegelman (pela Companhia das Letras). Outro é "9/11 Report", versão quadrinizada do relatório da Comissão de Ataques Terroristas, recém-lançado nos Estados Unidos e que solta várias farpas na direção de Bush (ver na postagem do dia primeiro deste mês).

De cinco anos para cá, os quadrinhos deixaram de produzir histórias ufanistas sobre os ataques do 11 de Setembro e seguiram o comportamento crítico do povo norte-americano. Tal qual na 2ª Guerra Mundial, o comportamento dúbio é um reflexo do sentimento vivido pela sociedade, coerente apenas com esse sentimento. Tudo o que lemos é um reflexo do social? Tudo indica que sim.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h07
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10/09/2006

IVAN REIS & ED BENES

DESENHISTAS BRASILEIROS RECEBEM PRÊMIO INÉDITO NOS EUA

Os desenhistas Ivan Reis e Ed Benes foram premiados nos Estados Unidos. Eles receberam o Wizard´s Fan Award pela participação na revista "Contagem Regressiva para Crise Infinita", obra do ano passado que recentemente ganhou versão nacional pela editora Panini (ver postagem do dia 12 de julho). É a primeira vez que dois brasileiros recebem um prêmio da indústria norte-americana por um trabalho feito com super-heróis.

"Contagem Regressiva" venceu na categoria "favorite one-shot", forma como são chamadas as edições especiais na indústria norte-americana de quadrinhos. Benes e Reis (que teve arte-fnal de outro brasileiro, Marc Campos; veja imagem ao lado) dividiram a arte do título com outros três artistas, Rags Morales, Jesus Saiz e Phil Jimenez. Cada um fez um dos cinco capítulos da revista, escrita por Geoff Johns, Greg Rucka e Judd Winick. Todos receberão o prêmio.

O troféu de Ivan Reis vai chegar pelo correio. Vai direito para sua casa, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. O desenhista soube do prêmio na semana passada. "Achei fantástico! É o primeiro prêmio que eu ganho na vida. Não esperava", diz Reis, por telefone. "Isso dá uma visibilidade muito maior. Eu acredito que deva dar mais atenção para os meus próximos trabalhos".

Talvez já tenha dado atenção. Reis é tido como uma das estrelas da DC Comics, com quem tem um contrato de exclusividade até 2009. Nos dois últimos anos, esteve à frente dos principais projetos da editora. Além da edição premiada, fez a arte de "Guerra Rann-Thanagar" (atualmente publicada pela Panini"), participou da minissérie "Crise Infinita" e cuida da arte da revista do Lanterna Verde, um dos campeões de venda da DC. Terminou os desenhos da edição 14 e está começando a seguinte. "Continuo no Lanterna Verde até Segunda ordem. Eu pretendo ficar mais um ano e meio ou dois no título."

Ed Benes (imagem ao lado) também é visto como um dos principais desenhistas da editora, a ponto de receber elogios públicos do vice-presidente sênior e editor-executivo da DC Comics, Dan Didio (ele chamou os brasileiros de "incrivelmente talentosos meninos do Brasil; leia na postagem do dia 22 de agosto). Benes –forma abreviada de José Edilbenes- também mantém um contrato de exclusividade. Foi escalado para fazer a arte da prestigiada revista "Liga da Justiça", uma das mais badaladas da editora. O texto será de Brad Meltzer, que escreveu a minissérie "Crise de Identidade", já lançada no Brasil.

Outros brasileiros já tinham conseguido trabalhos na indústria norte-americana no começo dos anos 90. Foram muito criticados por aqui na época. O mercado redescobriu a arte brasileira neste século. Reis e Benes são dois dos vários desenhistas que hoje trabalham na DC Comics e na Marvel Comics, as duas principais editoras de super-heróis.

O Wizard´s Fan Award foi anunciado numa convenção no mês passado. É promovido pela revista "Wizard", especializada em quadrinhos norte-americanos (leia-se super-heróis). O prêmio ouve a opinião dos fãs, por isso a palavra "favorita" no nome das categorias vitoriosas. A "Wizard" tem uma versão nacional, editada pela Panini. "Contagem Regressiva para Crise Infinita", escolhida a "edição única favorita" serve de prelúdio para a minissérie em sete partes "Crise Infinita", ainda inédita no Brasil. Mostra a trajetória trágida do personagem Besouro Azul, que descobre uma rede de conspiração contra todos os super-heróis.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h11
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09/09/2006

CHARGE ELEITORAL GRATUITA

O desenho é do santista Oswaldo da Costa Santos, o Dacosta. Ele foi o vencedor na categoria charge na edição deste ano do Salão Internacional de Humor de Piracicaba (veja o desenho vencedor na postagem do dia 26 de agosto).

Dacosta mantém um fotoblog com este e outros trabalhos que faz. Há até uma foto dele ao lado de  Jaguar, durante visita à cidade de Santos.

Merece visita. O endereço está embaixo da charge.

Fonte:http://o.dacosta.fotoblog.uol.com.br/

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h31
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08/09/2006

LAMPIÃO X LANCELOTE

LIVRO MISTURA CORDEL COM ARTE FEITA EM CARIMBO

Há uma fronteira que separa os quadrinhos das outras formas de arte. Mas é uma fronteira tênue, sujeita à turbulência criativa dos ilustradores. Um caso assim é "Lampião & Lancelote", inusitado encontro idealizado pelo artista plástico Fernando Vilela (Cosac Naify, R$ 49). Não é uma história em quadrinhos propriamente dita. Também não é uma obra literária. É um pouco das duas linguagens, e, ao mesmo tempo, nenhuma das duas.
 
"A obra se aproxima dos quadrinhos porque é uma narrativa", diz Vilela. "Mas acho que ´livro ilustrado´ é o nome mais adequado". A falta de um rótulo é sentida nas livrarias também. É vendida nas mais diferentes seções, de histórias em quadrinhos a literatura infanto-juvenil.
 
O que torna o livro tão peculiar? É o método usado pelo artista plástico paulistano, que já tem um histórico de exposições de arte no Brasil e no exterior. Ele ilustra a obra com imagens feitas a partir de carimbos, criados por ele mesmo. "Vou desenhando carimbando", brinca. A brincadeira, no entanto, resume todo o método artesanal de criação. Faz o desenho numa borracha. Depois, coloca uma almofada no contorno e está feito o carimbo. "Para cada desenho, faço várias gravuras dessa".
 
Cada página é um show de carimbos sobrepostos. Como na cena da luta entre o cangaceiro Lampião e Lancelote, personagem mítico da Távola Redonda (veja na imagem ao lado). O resultado final ofusca a leitura, dada a plasticidade das ilustrações. A cor, outro elemento que ganha sentido na obra, é usada para marcar os mundos dos dois protagonistas. O preto e o prata predominam nas imagens de Lancelote (simbolizam o metal); o preto e o cobre representam a vida de Lampião (a cor alude as moedas de ouro, usadas por ele). Na imagem da luta, confundem-se, como num palco de guerra.
 
A idéia de um encontro entre os dois personagens surgiu há dois anos e meio. Vilela tem trabalhado no projeto desde então. Parte do tempo foi investido no processo de ilustração. Outra parte, em pesquisa. Estudou cordéis e obras literárias sobre as duas figuras. As leituras influenciaram no texto que acompanha os desenhos. Fez a primeira e a última parte da narrativa em forma de cordel. Só o miolo é em prosa. "O que predomina é o cordel, já que o duelo se passa no Nordeste".
 
É a primeira obra completa de Fernando Vilela. Até então, havia feito ilustrações para livros de outros autores. Já tem programado um segundo encontro de Lampião. Só não revela com quem será. Essa obra, a exemplo de "Lampião & Lancelote", pode não ser uma história em quadrinhos. Mas é dos quadrinhos que vêm parte da influência de seu trabalho. Já leu tudo o que foi publicado de Frank Miller. E admite que há algo de Bill Sienkiewcz. Fazer quadrinhos? "Acho que um dia vou fazer", diz.
 
Leia na postagem abaixo um trecho da obra e outras imagens do livro ilustrado.
 
Nota: Fernando Vilela mantém uma página na internet. Lá, há outras imagens da obra e alguns de seus trabalhos em artes plásticas. O endereço é 

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 08h37
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LAMPIÃO X LANCELOTE: TRECHO DA OBRA 

O texto e as imagens a seguir são criação do artista plástico Fernando Vilela. Fazem parte do livro ilustrado "Lampião & Lancelote" (leia na postagem acima).

 

Meu povo peço licença / Para lhes apresentar / O primeiro personagem / Que vai desfilar / Bom e nobre cavaleiro / Valoroso e altaneiro / Passa a vida a galopar

 

 

 

Agora eu lhes apresento / Um grande cangaceiro / Nascido em nosso país / Leal e bom companheiro / Para uns foi criminoso / Para outros justiceiro

 

 

 

 

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 08h33
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07/09/2006

LIVRO CONTA EM CHARGES HISTÓRIA DO GOVERNO LULA

ENTREVISTA: NICO

A última pesquisa do instituto Datafolha indica vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da disputa presidencial, com 51% das intenções de voto. O chargista Nico não poderia ter escolhido melhor hora para lançar o livro de charges "E agora, Lula? Charges do desastrado governo" (Marimba, R$ 12). A pergunta que dá nome à obra é feliz porque soa ambígua. Ao mesmo que recupera, em desenhos, como foram os últimos quatro anos de Lula, provoca o presidente sobre como seria em eventual segundo mandato.
 
A obra mistura trabalhos inéditos com outros, já publicados no jornal "Pasquim 21". Como toda boa charge, usa o humor para dar o tom da crítica. Crítica que não falta nas 40 páginas do livro. Além dos desenhos, Nico compilou frases do presidente Lula, ditas ao longo deste mandato. Chamou de "Guia de Frases Besteirol do Presidente Lula" (leia algumas na postagem abaixo).
 
O carioca Márcio Malta, o Nico (o apelido o acompanha desde a infância), não esconde a frustração em relação ao Partido dos Trabalhadores. Foi militante de 2000 a 2003. Abandonou o barco e migrou para o PSOL, do qual é um dos fundadores. A política o acompanha na vida, nas imagens e nas letras também. Ele termina um mestrado em Ciência Política na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estuda a figura do Jeca Tatu, do histórico cartunista J. Carlos. Analisa obras de 1919 a 1960.
 
O chargista de 24 anos está à frente de outro projeto, também pela novata Marimba (gíria que, no subúrbio do Rio de Janeiro, faz referência à pedra amarrada num barbante para pegar pipas em postes). Vai selecionar material de novos quadrinistas para a editora lançar.
 
Nesta entrevista ao Blog dos Quadrinhos, Nico fala da obra, da saída do PT e do mestrado sobre a figura de Jeca Tatu.
 
- Por que um livro especificamente sobre o governo Lula?
- O governo Lula, em seu princípio, vem carregado de esperanças de transformação. Realmente existia um clima de mudança na sociedade. A partir do momento que o mesmo frusta os ideais a que veio, carrega um sentimento de desencanto, frustração. No entanto, a minha resposta a isso -como bom chargista- foi através do humor.
 
- Você teve de observar o "modus operandi" do presidente Lula. Qual a principal característica dele, refletida no seu traço?
- Na verdade, a definição do traço não é tão racional. É carregada de espontaneidade. No entanto, ao analisar posteriormente minhas charges, sempre observava um Lula indeciso, até mesmo espantado, eu diria. Só depois compreendi que o presidente Lula é refém da estrutura que compõe o seu governo. Pois sofre pressão de dois tipos de oposição: de direita (PFL/PSDB) e de esquerda (PSOL/PSTU e outros). Essa constituição faz com que ele se comporte como um administrador (malsucedido) desse jogo. Pecando pela indecisão e omissão, quando diz, por exemplo, que não sabia de nada.
 
 
- Qual a diferença principal entre Lula e os demais candidatos no olhar do chargista?
- O Lula é prenhe de significados. Pois mudou totalmente o seu perfil: de metalúrgico radical, adotou o estilo "Lulinha Paz e Amor", do marqueteiro Duda Mendonça. Isso o faz alvo de humor. E a personalidade do Lula também favorece muito, pois sempre falando de improviso, consegue soltar "pérolas" engraçadissímas. O que compõe inclusive no meu livro o "Guia de Frases Besteirol" do Lula. Dentre os outros candidatos, o Alckmin é sem sabor; já a Heloísa Helena se destaca pela sua raiva e ao mesmo tempo candura de mulher.
 
- Você saiu do PT e partiu para o PSOL. Sua posição política interferiu na composição do trabalho? Foi uma espécie de grito de protesto?
- Independentemente de partido, mesmo no PT, já adotava a linha "hay gobierno soy contra", pois acredito na autonomia do chargista em seu ofício. Sou fundador do PSOL não somente por questão de sigla partidária mas também porque resolvi permanecer fiel aos meus ideais. Como na poesia do Thiago de Mello: não tenho um caminho novo, tenho um jeito novo de caminhar. O Lula diz que foi traído, mas ele é quem realmente traiu todos aqueles que nele depositavam sua fé mais sincera.
 
 
- Qual é a proposta da editora onde você publica o livro?
- A "Marimba Editorial" é uma nova editora, que volta a sua atenção para os novos talentos do mercado editorial. Neste momento estou bem otimista, pois estou com "carta branca" para procurar novos autores na área de quadrinhos.
 
- Você finaliza um mestrado sobre Jeca Tatu. Do que se trata?
- O Brasil sempre foi carente de um símbolo de identidade nacional. Diversas foram as tentativas, que passaram pela figura do Índio, Zé Povo, dentre outros. O Jeca Tatu, durante um bom período, representou - não só nas charges - a figura do povo brasileiro. O personagem figurou nas capas das revistas de humor retratado pelo traço dos maiores cartunistas do Brasil. O meu interesse é em sua viés político, em que o personagem Jeca Tatu dialoga com as autoridades brasileiras, representando o povo sempre de forma crítica e matreira.
 
Leia mais na postagem abaixo.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h25
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OBRA DE NICO COMPILA "GUIA DO BESTEIROL"

O livro "E agora, Lula? Charges do desastrado governo" não tem só imagens. O autor, Nico, pesquisou uma série de frases "infelizes" ditas pelo presidente desde que assumiu o governo, há quase quatro anos. Algumas:

- "Eu sou filho de uma mulher que nasceu analfabeta" (08.03.2004)
- "Estou vendo aqui companheiros portadores de deficiência física. Estou vendo o Arnaldo Godoy sentado, tentando me olhar, mas ele não pode me olhar por que ele é cego. Estou aqui à tua esquerda, viu, Arnaldo! Agora, você está olhando pra mim..." (27.06.2003)
- "Quando se aposentarem, por favor, não fiquem em casa atrapalhando a família. Tem que procurar alguma coisa para fazer." (01º.10.2003, ao assinar o Estatuto do Idoso diante de uma delegação de idosos)
 
Nico prepara uma série de lançamentos no Rio de Janeiro. O próximo é no dia 14 deste mês. As datas e os endereços estão no blog do chargista: http://blogdonico.zip.net/. A obra pode ser encomendada no site que ele mantém na internet. Lá, há também informações sobre as ilustrações que fez para outro livro sobre o governo Lula, de autoria de Lincoln de Abreu Penna: "Lula, a presidência - Passos e tropeços". O endereço é http://www.mundoemrabisco.hpg.ig.com.br/

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h15
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06/09/2006

ALDEBARAN

SAI 2º NÚMERO DA SÉRIE CRIADA PELO BRASILEIRO LEO

Saiu hoje o segundo número de "Aldebaran", umas das apostas européias da editora Panini (R$ 22,90). A revista chama a atenção por ter sido escrita e desenhada por um brasileiro, Leo (assinatura do carioca Luís Eduardo de Oliveira, de 62 anos). Merece ser lida também por ser dele. A história de mistério e ficção científica entretém o leitor, recriando um pouco do clima visto no seriado Lost.
 
Aldebaran é um planeta colonizado pela Terra. Os moradores esperam há décadas uma missão de resgate terrestre. Nada. Abandonados, tiveram de se arranjar sozinhos, com trabalhos improvisados e poderes paralelos (nas mãos da Igreja, possivelmente uma metáfora do período ditatorial brasileiro, do qual Leo foi vítima). Tudo seguia razoavelmente bem até que passam a presenciar uma série de manifestações da natureza. O primeiro número, lançado no fim de junho, começa com uma vila inteira sendo destruída. O que teria causado a tragédia é o mote da história.
 
Leo é feliz na condução do mistério. Vai soltando pistas aos poucos. Neste segundo número, o leitor descobre mais alguns elementos, que embaralham ainda mais a trama. Os mistérios não serão revelados aqui para não estragar a surpresa. O que se pode antecipar é que os protagonistas Marc e Kim, os protagonistas da série, estão mais velhos e se reencontram. Eles são a chave para o reconhecimento de duas pessoas, que trariam respostas para o que está ocorrendo em Aldebaran.
 
Leo deixou o Brasil nos anos 70. Fugia do regime militar. Encontrou berço na França. Encantou-se com os quadrinhos produzidos por lá. Isso o incentivou a produzir os próprios trabalhos, algo que não conseguia fazer no Brasil. Aldebaran, lançado entre 1990 e 1998- é sua história de maior projeção. Tanto que gerou uma seqüência, "Bételgeuse".
 
Este segundo número, lançado hoje pela Panini, reúne os tomos três e quatro da série. Aldebaran foi publicado na França pela editora Dargaud, a mesma de XIII e Tenente Blueberry, outros títulos franceses editados pela Panini.
 
Nota: a Panini continua com a política de diversificar os títulos que põe em bancas. A novidade são livros baseados em personagens dos quadrinhos. Os dois primeiros contam histórias dos X-Men e do Homem-Aranha. Adaptações assim já foram feitas outras vezes. Foram sempre obras isoladas, que não tiveram continuidade.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h52
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05/09/2006

TESE ANALISA (COM HQs) COMO SERIAM AS ARTES NO FUTURO

ENTREVISTA: EDGAR FRANCO

Imagine o futuro. Agora, tente visualizar como seriam as manifestações artísticas desse futuro. Difícil, né? O pesquisador Edgar Franco passou os últimos anos estudando exatamente isso. O resultado virou um doutorado, defendido hoje (05.09) na Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo). Franco não só foi aprovado como a banca recomendou também que transformasse a tese em livro.
 
"O enfoque principal do doutorado foi analisar as visões de um futuro pós-humano na poética de ciberartisitas que trabalham com biogenética, telemática, robótica e realidade virtual e sofrem influência e contaminação do Cyberpunk e de novos cultos transhumanistas", diz Franco, que também é desenhista de quadrinhos, tanto em papel quanto em computador (a caricatura dele, ao lado, foi feita por Gazy Andraus durante a defesa).
 
Para a elaboração do doutorado, teve de criar um universo  de ficção científica para abrigar (e demonstrar) todas as tendências artísticas do "futuro". O pesquisador-desenhista já lançou alguns produtos ligados a esse universo. Dois são em quadrinhos: 1) "BioCyberDrama", lançado em 2003 (Opera Graphica), em parceria com Mozart Couto (a dupla já tem um segundo número pronto, à espera de uma editora); 2) "Artlectos & Pós-Humanos nº 1", obra deste ano (Editora SM, veja capa da revista abaixo).
 
Franco também criou uma HQtrônica para a tese: "brinGuedoTeCA 2.0". O termo HQtrônica foi criado por ele no mestrado defendido na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). A palavra sintetiza as histórias em quadrinhos híbridas criadas para a internet, que misturam imagem, som e movimento. O estudo foi lançado em livro (veja postagem do dia 16 de agosto).
 
Edgar Franco divide os desenhos e os estudos com o giz e a sala de aula. É professor da PUCMG (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais). O ilustrador-pesquisador de 34 anos mora em Poços de Caldas. Foi de lá que falou com o Blog dos Quadrinhos.
 
- Qual foi a hipótese da tese? E quais foram as conclusões?
- Algumas das minhas hipóteses, apontadas no início da pesquisa, comprovaram-se e ampliaram-se com o desenvolvimento do trabalho, como a de que a relação do homem com as novas tecnologias está mudando profundamente a forma de apreensão do mundo, as noções tradicionais de corpo físico, realidade e transcendência - apontando para uma ruptura do tradicional conceito de humano. As artes que se utilizam das novas tecnologias - robótica, telemática e genética - funcionam como antecipadoras e questionadoras dessa vislumbrada futura condição pós-humana, remetendo ao tradicional visionarismo da ficção científica, ou ainda produzindo um deslocamento conceitual necessário para discutir questões prementes contemporâneas. Conclui também que muitos dos artistas envolvidos com as novas tecnologias exercem um papel de vanguarda do pensamento em relação à condição futura da espécie humana.
 
- Há alguma ligação entre este estudo e as HQtrônicas, tema de seu mestrado?
- Desta vez, a pesquisa foi mais ampla e buscou refletir sobre múltiplas linguagens que estão nascendo com os avanços tecnológicos em diversas áreas, como nanotecnologia e genética, e não apenas hipermídia. No entanto, um dos produtos artísticos da tese é a HQtrônica "brinGuedoTeCA 2.0". Com a criação artística, tenho dado continuidade às minhas investigações poéticas e teóricas sobre o fenômeno das HQs híbridas.
 
-Você percebeu mudanças nas HQtrônicas desde que terminou o mestrado?
- Vejo que elas estão realmente se consolidando gradativamente como linguagem,  mantendo alguns dos códigos que mapeei no mestrado. Mas muito ainda acontecerá até sua efetiva estruturação. Os avanços tecnológicos constantes na área de softwares de criação e navegação têm proporcionado muitos recursos novos. Percebi também que a tecnologia  do "Flash (da Macromedia)" tornou-se a principal entre as novas HQtrônicas por sua facilidade de manipulação e leveza dos arquivos que produz.

- É difícil estudar um gênero que ainda está em processo de molde?
- Muito complicado, principalmente pela resistência que encontrei entre os meus pares (pesquisadores da área de quadrinhos). Existe um verdadeiro "tradicionalismo decadentista" entre a maioria dos pesquisadores que preferem olhar somente para o passado e se recusam a ver as possibilidades de futuro. Alguns foram até meio xiitas em relação à minha pesquisa e meu livro. Encontrei mais eco entre os pesquisadores de cinema, animação, web arte e novas linguagens artísticas do que entre os pesquisadores de HQ. Estudar algo que está acontecendo, um fenômeno contemporâneo, através de pesquisa exploratória é muito complexo, mas acho que minha pesquisa cumpriu o seu papel, meu livro "HQtrônicas: Do Suporte Papel à Rede Internet" é um dos trabalhos pioneiros no mundo a tratar sobre o assunto das HQs hipermidiáticas.
 
- Você é referência no estudo de outras linguagens, principalmente a virtual. Para você, o papel está datado? Ou haverá uma convivência simultânea com o suporte virtual?
- Uma nova mídia não supera a sua antecessora, mas tem a tendência de torná-la "cult". O papel continuará existindo sempre, mas tornar-se-á um artigo mais luxuoso no futuro. As HQs impressas serão produtos ainda mais elitizados, assim como os livros. Mas isso é uma projeção para uns 30, 40 anos. O suporte digital gradativamente irá tornar-se mais popular e barato que o papel e este se elitizará. Acabar, isso nunca. Ainda bem, pois gosto muito do digital, mas adoro o cheirinho de gibi novo (he,he!)

- Uma pergunta bem genérica: para onde caminham os quadrinhos?
- Como eu disse na resposta anterior: para uma grande elitização. Não estamos formando gerações de novos leitores, portanto as HQs como mídia de massa serão coisa do passado. Cada vez menos pessoas terão afinidade com a linguagem, assim não só alguns autores serão cult, mas a linguagem das HQs impressas será cult! As HQtrônicas encontrarão aos poucos o seu caminho, uma linguagem intermídia que pode até vir a se consolidar como algo para o grande público da rede, mas isso só o tempo dirá. As HQs impressas precisaram de 100 anos para chegar ao seu auge, as HQtrônicas têm pouco mais de 10 anos...

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h12
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04/09/2006

HQ NA FACULDADE

DUAS UNIVERSIDADES ABREM CURSO DE QUADRINHOS

Houve uma época em que ler histórias em quadrinhos na escola era motivo para ficar de castigo e levar uma baita bronca, tanto do professor quanto dos pais. A atitude seria inimaginável para alunos da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, e da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio Grande do Sul. Eles vão para a faculdade estudar quadrinhos, em cursos oferecidos pelas duas instituições.
 
A Estácio de Sá organizou uma graduação em histórias em quadrinhos, algo inédito no país. O coordenador do curso, Hélio Eduardo Lopes, diz que a idéia surgiu a partir de conversas com outros professores e também da percepção de que se trata de um mercado emergente. "Há também um interesse político nessa história", diz. "Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei do deputado Simplício Mário que quer institucionalizar que as editoras nacionais passem obrigatoriamente a publicar, em dois anos, 20% de títulos nacionais. Enfim, é o universo conspirando a nosso favor".
 
A Graduação em Produção de Charges, Cartuns e Histórias em Quadrinhos foi pensada para ser bem prática e direcionada para o mercado. Terá, segundo o coordenador do curso, uma "grade curricular muito voltada para estimular a multidisciplinaridade dos alunos, que terão, além das aulas específicas para quadrinhos (desenho, roteiro, arte-final, cartum etc.), matérias que trabalharão a parte editorial e de produção". As aulas serão ministradas por profissionais que atuam na área.
  
O curso foi oferecido pela primeira vez em agosto. Não preencheu todas as vagas. O início dos trabalhos foi adiado para outubro, para ver se haverá novas inscrições. Para a abertura de uma turma, a faculdade espera entre 30 e 50 alunos. A Estácio de Sá não exige vestibular ou prova específica para o curso, que tem mensalidade de R$ 370 e duração de dois anos.
 
A graduação ainda não teve o registro aprovado pelo MEC (Ministério da Educação e do Desporto). Hélio Eduardo Lopes acredita que seja uma questão de tempo. "Precisa ser levado ao conhecimento do MEC e, como é uma área nova, precisará ser avaliada sob todos os aspectos para receber a aprovação. Mas isso não significa que será uma via-crúcis para tal. A Estácio aprovou mais de 20 novos cursos nos dois últimos anos."
 
O curso da PUC do Rio Grande do Sul, por ser de extensão, não precisa do aval do MEC. Ao contrário da estácia de Sá, o enfoque é na parte teórica. A proposta é fazer 13 aulas semanais de duas horas de duração cada uma. Os encontros serão sempre às quartas-feiras à noite. É organizado e ministrado por Samir Machado e Guilherme Sfredo Miorando, dois publicitários que estudam o assunto há cinco anos. A idéia deles é romper definitivamente com o estereótipo de que "quadrinhos são coisas para crianças".
 
"Notamos que havia um interesse considerável dos alunos de comunicação social por histórias em quadrinhos, mas não havia até então nada na faculdade direcionado para pesquisa da área", diz Samir Machado. "Havia, e ainda há, uma abundância de cursos de ilustração e desenho para histórias em quadrinhos. Um dos argumentos que usamos para convencer a faculdade da viabilidade do projeto é que há uma grande faixa de público que consome quadrinhos sem necessariamente ter interesse em desenhá-los".
 
O Curso de Extensão em Histórias em Quadrinhos da PUCRS (veja cartaz ao lado) é aberto ao público em geral, seja ele graduado ou não. Os organizadores aceitam inscrições até o início do curso. Mas é bom correr: as aulas começam nesta quarta-feira (06.09). São oferecidas 35 vagas. "É possível que, em caso de grande procura, abram-se mais três ou quatro vagas adicionais", diz Machado. O custo é dividido em três parcelas de R$ 100 para alunos da PUC e de R$ 120 para outros interessados.
 
A USP (Universidade de São Paulo) ofereceu um curso semelhante entre 1991 e 1993. Foi a primeira especialização em histórias em quadrinhos do país. A experiência era voltada a alunos que já possuíam diploma de graduação e formou duas turmas. Até então, o que havia eram disciplinas esporádicas em cursos de comunicação, primeiro na Universidade Federal de Brasília, em 1970, e depois na própria USP, na década de 70. A Universidade de São Paulo sedia, há 15 anos, o Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos, também pioneiro no Brasil.
 
Informações sobre os cursos de quadrinhos -assim como formas de se inscrever- podem ser obtidas pela internet. Para o curso da Estácio de Sá, o endereço eletrônico é http://www.estacio.br/politecnico/cursos/prod_quadrinhos.asp. Para o da PUCRS, a página é http://www.pucrs.br/eventos/quadrinhos/

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h16
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EDITORA PROCURA DESENHISTAS PARA LIVRO DE TIRAS

ENTREVISTA: MARIO MASTROTTI

Editora com sede no ABC paulista procura desenhista interessado em participar de coletânea de tiras cômicas. Parece anúncio. E é. A proposta é reunir um grupo de ilustradores para compor a quinta edição do projeto "Tiras de Letra", que edita os trabalhos de diferentes autores em sistema de cooperativa. O novo número está programado sair em outubro.

A organização é do professor universitário e desenhista Mario Mastrotti, ele também um dos cooperados. Ele conta que a idéia surgiu por causa da "falta de oportunidades do mercado editorial convencional". O livro vai sair novamente pela Virgo, editora que o ilustrador capitania em São Caetano do Sul. Mastrotti está na luta há mais de 30 anos. É o criador das tiras "Cubinho", "De-co-ra-ção-e-de-men-te" e "Filhos da Máquina", todas reunidas nas edições anteriores.

A curiosidade da coleção são os nomes. Há sempre um trocadilho no nome dos livros: "Tiras de Letra Outra Vez", no segundo número, "Tiras de Letra Muito Mais", no terceiro, "Tiras de Letra Pra Valer", no quarto. A quinta edição foi batizada de "Tiras de Letra Todo dia" (capa na imagem acima, de autoria do cartunista Gilmar).

Mastrotti fecha o livro assim que reunir 27 autores, como fez nos números anteriores. Já tem dez. Na entrevista a seguir, ele fala como funciona o projeto, como os interessados podem participar e comenta a experiência como presidente do 2º Salão de Humor de Paraguaçu Paulista, que agora é internacional (a abertura da mostra é em 15 de novembro; as inscrições abertas vão até 20 de outubro).

- Como funciona a cooperativa na prática? O que cada autor tem de fazer?
- Fornece o trabalho, faz um pequeno investimento e tem cota de livros correspondente com margem de lucro real.
 
- Já é o quinto número. Como foi a recepção dos quatro primeiros (ao lado, capa do primeiro número)?
- Muito boa, nossos livros são únicos no país. Infelizmente, pois já era tempo de termos muito mais. Temos 27 tiristas no mesmo livro.
 
- Cada número faz uma brincadeira com a palavra "tiras". Você tem nome na manga para mais edições?
- Isso é o que não falta, no início de 2007 está previsto o número 6,"Tiras de Letra na Casa da Vizinha"!
 
- Você está fazendo uma chamada de trabalhos para este quinto número. Quem se interessar, o que tem de fazer?
- Entrar no site da editora www.editoravirgo.com.br ou enviar um e-mail para mastrotti@editoravirgo.com.br  falando sobre o interesse em participar.
 
- A internet tem popularizado e difundido muito o humor visual, tiras inclusive. O papel está perdendo espaço, na sua opinião?
- Penso que a portabilidade de um gibi ainda é um diferencial forte.No longo prazo, creio que isso pode mudar. A questão econômica sempre tem um grande peso nessas mudanças.
 
- Há uma outra chamada de trabalhos, só que para o Salão Internacional de Humor de  Paraguaçu Paulista. Como se inscrever?
- A inscrição pode ser feita através do site www.salaodehumordeparaguacu.com destacando que este salão estou participando da organização e presidencia do mesmo eele é o primeiro ater 5 categorias que aceita envio pela internet e trabalhos digitais. Outro destaque é o valor.No total são R$ 17.500,00 de prêmios em dinheiro

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h17
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03/09/2006

ULTRA - SETE DIAS

SÉRIE COLOCA SUPER-HEROÍNAS NO "MUNDO DE CARAS"

"Ultra – Sete Dias", lançado nesta semana (Pixel, R$ 33,90), tem sido anunciado como uma versão super-heróis do seriado "Sex and the City". A comparação realmente é tentadora. Três jovens –ao contrário das quatro da série de TV- discutem relacionamentos e experiências enquanto vivem o estressante dia a dia de trabalho batendo em bandidos. Para apimentar ainda mais a semelhança, uma das mulheres, Liv, costuma se gabar para as amigas dos relacionamentos fúteis e superficiais que têm. Seria a Samantha do seriado, interpretada por Kim Catrall?

Os autores de Ultra, os irmãos Jonathan e Joshua Luna (ou Luna Brothers, como assinam), concordam que os temas são semelhantes, mas contam que a produção da HBO não os influenciou. "Na verdade, nunca assisti a um episódio inteiro de Sex and the City", diz Jonathan na introdução do álbum, em entrevista ao editor e jornalista Odair Braz Junior. Se o seriado não serviu de influência direta, de onde veio a idéia de mostrar super-heroínas "discutindo a relação"? Eles dizem que queriam uma história sobre amor, amizade e destino. O destino vem de uma visita que as três fizeram a uma vidente, que teria previsto mudanças na vida delas em sete dias (que dá nome ao álbum).

Na verdade, a história criada pelos Luna Brothers, lançada originalmente há dois anos pela Image Comics, é uma mescla de influências. Quando o assunto é mostrar o relacionamento entre mulheres em quadrinhos, o primeiro nome que surge à mente é o de Terry Moore. O escritor e desenhista já trabalhava o mundo feminino em "Estranhos do Paraíso" bem antes de Sex and the City. Há um pouco de Moore nas histórias, mas com uniformes, capas e superpoderes.

Mas a maior influência não está nos quadrinhos nem na televisão. Está no marketing usado pela indústria do entretenimento e que tem no cinema norte-americano o seu oásis. As personagens da série não são apenas super-heroínas que combatem o mal porque "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades". Longe disso. Elas são celebridades que alimentam o lado comercial do trabalho que exercem. São garotas-propaganda de uma série de produtos e estampam as capas das revistas de fofoca. Até o uniforme é pensado como produto de marketing. É por isso que a série é intercalada com páginas que simulam capas de revista ou anúncios publicitários, que mostram as curvas das protagonistas.

A futilidade movida a dinheiro é o real alvo dos Luna Brothers. Nas mãos deles, os super-heróis invadiram a ilha de Caras. O que rende diálogos peculiares. Ultra, a personagem-título, pede a seu agente uma mudança no curto uniforme por causa do inverno. "Tomara-que-caia no inverno é uma idiotice. Falando sério, qualquer tipo de tecido térmico na região dos mamilos seria bem-vindo". Resposta do agente: "Vamos ver, mas o tomara-que-caia fica. Desculpa... as pesquisas com os fãs são unânimes." E nada muda.

Os Luna Brothers são novatos no mercado de quadrinhos. Ainda não se pode fazer uma análise profunda do trabalho deles. Mas é possível ver algumas tendências. Uma delas: querem crescer na indústria dos entretenimento. Ultra virou um malsucedido piloto de série de TV (não vai haver a versão super-heróis de Sex and the City).

Outra tendência: a exemplo de Terry Moore, a dupla tem declarada predileção por figuras femininas. O segundo trabalho, Girls, também joga o foco nas mulheres (a Pixel anunciou que vai publicar a série no Brasil; ao lado, a capa do primeiro encadernado). Os irmãos há pouco tempo foram convidados para fazer uma série da Mulher-Aranha, herína que tem pela primeira vez destaque na Marvel Comics, graças aos textos de Brian Bendis.

Os Luna começam bem.

Nota: a Pixel anunciou os próximos lançamentos. Na lista, estão o brasileiro "O Curupira" (já divulgado, mas ainda não lançado) e três álbuns europeus: "A Metamorfose de Lucius", "Péntiti" (ambos de Milo Manara) e o quarto volume de Corto Maltese ("Corto Maltese – As Célticas"), de Hugo Pratt.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h45
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02/09/2006

MARCA DE FANTASIA

NOVO LIVRO DA EDITORA DISCUTE O QUADRINHO-ARTE

Não resta mais dúvida. A Marca de Fantasia é a editora nacional com o maior número de obras teóricas sobre quadrinhos. O último lançamento é "Quadrinhos & Outros bichos" (R$ 11), de Wellington Srbek. O pesquisador mineiro reúne artigos sobre o que chama de quadrinho-arte, ou seja, as histórias em quadrinhos que fogem ao processo industrializado de produção. O tema já foi trabalhado por ele no mestrado, sobre Pererê (de Ziraldo), e no doutorado, que abordou o humor feito por Henfil.

Srbek é um colaborador antigo da Marca de Fantasia, mantida graças aos esforços do editor Henrique Magalhães (há uma entrevista com ele na postagem do dia 21 de julho). Publicou por lá "Um mundo em quadrinhos – Estudos sobre a linguagem dos quadrinhos", "O herói na Grécia Antiga" e "Entrequadros", em que faz uma série de entrevistas com pessoas ligadas ao mundo dos quadrinhos.

Os livros da Marca de Fantasia são vendidos por meio do site da editora, que tem sede em João Pessoa (PB). Merece visita, sempre. Para conhecer, clique aqui.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h00
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LIVROS PARA LER E VER

OBRAS LITERÁRIAS VÃO TER ILUSTRAÇÕES EM QUADRINHOS

A novata editora Desiderata cresce e começa a mostrar a que veio. Ganhou projeção nacional com o lançamento dos primeiros números d´O Pasquim, de 1969 a 1971 (imagem ao lado). Daqui para frente, promete mais do mesmo. Programou outros volumes do jornal de humor, inclusive com material censurado pela ditadura. E anuncia uma novidade: adaptações em quadrinhos de obras literárias. A informação foi trazida hoje no "Estado de S. Paulo", em reportagem de Ubiratan Brasil.

Na matéria, a proprietária da Desiderata, Martha Batalha, conta que pretende publicar o texto original da obra, acompanhado de ilustrações em quadrinhos. O primeiro trabalho será de Julio Cortázar. A Desiderata vai adaptar dois contos do escritor argentino, ainda inéditos no Brasil. Depois, virão textos e(m) quadrinhos do norte-americano Ernest Hemingway e de Vinicius de Moraes. É algo bem parecido com o que outra editora, a Escala, fez no fim do ano passado com a coleção "Lietratura Brasileira em Quadrinhos". A preocupação era atingir o estudante com adaptações de contos de Machado de Assis e Lima Barreto.

As adaptações em quadrinhos devem ser publicadas no ano que vem. Nesta semana, a editora lançou uma antiga obra de Millôr Fernandes, "A verdadeira história do paraíso". Na época em que foi lançada, causou polêmica e foi criticada pela Igreja Católica. Outras obras de Millôr estão na mira da editora.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h32
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01/09/2006

ATÉ O FIM DO MUNDO

EDITORA LANÇA SEGUNDO ENCADERNADO DE PREACHER

Os super-heróis sofreram muito na década de 90. Os vilões eram poderosíssimos e atendiam pelo codinome "editor". Ele, o temível editor, matou o homem de aço, quebrou as costas do homem morcego, arrumou um clone para o incrível Homem-Aranha, assassinou portadores de anéis esmeralda e tornou heróis históricos em vilões. A estratégia era criar megaeventos para aumentar as vendas. Funcionava num primeiro momento. Mas o leitor, sempre fiel a raízes, percebia que a qualidade da história ficava em segundo plano. Meses ou anos depois, tudo voltava ao normal. A linha Vertigo, selo adulto da DC Comics, caminhava em sentido oposto nessa época. Investia na qualidade das histórias. O resultado é colhido agora. É do selo Vertigo boa parte das (re)edições dos anos 90, como Sandman, pela Conrad, e Preacher, que tem um segundo álbum lançado neste finzinho de semana ("Preacher – Até o fim do mundo", Devir, R$ 45).

Este segundo volume reúne as histórias dos números 8 a 17 da revista norte-americana, material já lançado no Brasil. As 256 páginas da edição são praticamente as mesmas do encadernado lançado nos Estados Unidos em 1997. É de lá a introdução do cineasta Kevin Smith, reaproveitada na versão nacional. É uma fase em que as características dos personagens já estão consolidadas. Por isso, a preocupação está nas origens, principalmente no primeiro arco, o violento "Tudo em família". O leitor fica sabendo como Jesse Custer (nome do personagem-título Preacher) se tornou pastor e por que deixou o cargo. Descobre também como conheceu Tulip (a editora optou por manter o nome inglês, e não a versão que havia saído antes no Brasil, Tulipa). O "até o fim do mundo", nome do álbum, está relacionado ao um detalhe do casal. E, claro, é apresentado à vovó de Preacher.

A vovó, como é chamada na trama, é um personagem que o leitor aprende a odiar logo na primeira cena. Não é tanto pelo visual de "cara de bosta seca", como diz Custer (veja na imagem abaixo). É pelas atitudes. Mesmo presa numa cadeira de rodas, ela esteve diretamente relacionada à morte dos pais de Preacher e passou a criá-lo. Não por amor ao neto. Mas porque queria que sua linhagem continuasse. O processo de "educação" contava com métodos pouco convencionais. O castigo era ser colocado num caixão, que ficava dias no fundo de um lago pantanoso. Para suportar o confinamento no caixão, Custer tinha o apoio de John Wayne, o ator do cinema. Mesmo falecido, misteriosamente aparece de quando em quando para ajudar o "parceiro".

Wayne e vovó só reforçam uma das características do escritor Garth Ennis na confecção de suas histórias: usar coadjuvantes com personalidade forte. Em muitos dos momentos, chegam a ofuscar os protagonistas. No segundo arco, "Caçadores", surge um terceiro coadjuvante, que rouba a cena ainda mais: Herr Starr. Ele começa nesse arco uma caçada a Preacher que irá continuar até o fim da série, ainda inédito no Brasil. Starr, na cabeça amalucada de Ennis, é o líder de um grupo que quer proteger a linhagem divina e vê em Jesse Custer um perigo iminente. É violento, como a maioria dos personagens do escritor. Mas é também cômico. Um dos ajudantes arruma uma mulher para Starr. Não sabia que, na verdade, era um travesti. É motivo para querer matar o assistente: "Você me transformou num homossexual, seu grande animal".

Fica claro, hoje, que Garth Ennis começa a se repetir nas fórmulas de construir uma história. Usa violência em excesso, diálogos cheios de palavrões, personagens com personalidade forte, coadjuvantes com características peculiares (que os tornam mais interessantes do que os "mocinhos"). É só observar as primeiras histórias que escreveu para o Justiceiro, no começo deste século. É um repeteco do que fez em Preacher. Havia até uma mafiosa italiana, bem velha e maldosa, presa numa cadeira de rodas. A vovó do Preacher? Não tenha dúvidas disso. Mas não tira o mérito deste álbum lançado pela Devir. Pelo contrário. É onde a criatividade de Ennis foi mostrada pela primeira vez. É, ainda, o melhor trabalho dele e um dos principais quadrinhos dos anos 90. Dois motivos que justificam a reedição.

Preacher saiu no Brasil por diferentes editoras (veja em postagem do dia 29 de abril). A última, Brainstore, deixou de publicar a série a poucos números do fim. O assunto era um mistério. Era. Leia sobre isso na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h50
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PREACHER NO BRASIL

POR QUE A BRAINSTORE DEIXOU DE PUBLICAR O PERSONAGEM?

Quando o assunto é Preacher, é comum surgir a pergunta: por que a Brainstore, antiga editora do personagem, deixou de publicar o título a poucos números do fim? A revista nacional parou no número 34 (correspondente ao número 62 norte-americano), de janeiro de 2004 (veja capa ao lado). O último arco, "Álamo", em que o pastor Jesse Custer finalmente confronta Deus, ficou sem desfecho, até hoje inédito por aqui.

Quando o Blog dos Quadrinhos noticiou o lançamento do primeiro encadernado de Preacher da Devir (postagens do dia 28 de abril), houve algumas (pertinentes) perguntas de internautas sobre o assunto. O lançamento do segundo volume (veja postagem acima) deve trazer o tema novamente à tona. O Blog tentou descobrir o que aconteceu e foi direto à fonte: Eloyr Pacheco, editor-chefe e proprietário da Brainstore. Ele comentou pela primeira vez o assunto.

Pacheco conta que a Brainstore não fechou as portas oficialmente, ao contrário do que é noticiado. A editora estaria inativa por causa de uma série de contratempos vividos por ele. Em abril de 2004, quebrou a perna e teve de ficar fora da empresa por cinco meses. Nesse período, títulos da Brainstore -entre eles Preacher, Sandman e Lúcifer- passaram para outras editoras (Devir, Conrad e Opera Graphica, respectivamente).

A Brainstore voltou aos trabalhos em maio do ano seguinte, na Bienal do Rio de Janeiro, com a publicação da revista "Replicante". Só que houve um segundo contratempo: o escritório da editora, em São Paulo, foi arrombado. Os ladrões levaram computadores, scanners, impressoras. Os equipamentos seriam a última reserva de Pacheco. O editor conseguiu se manter no mercado por meio do Bigorna, site com notícias e artigos sobre quadrinhos que mantém na internet há pouco mais de um ano (http://www.bigorna.net/). Recentemente, editou a graphic novel nacional "Gringo", da nova Nomad Editora, escrita por Wilson Vieira e desenhada por Aloísio de Castro (veja na postagem do dia 2 de agosto).

Os dois fins, o da revista e o da última saga de Preacher, teriam sido conseqüência de tudo isso. "Acho que o importante, no momento, é a série [Preacher] estar sendo publicada", diz.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h48
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