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31/08/2006
HUMOR EM SÃO LUÍS
18 ILUSTRADORES FAZEM MOSTRA DE HUMOR NO MARANHÃO
Dica rápida. 18 ilustradores inauguram hoje em São Luís, no Maranhão, a exposição de humor "Rindo com as Paredes". Conta com trabalhos de 15 maranhenses e três de outros estados (dois de São Paulo e um do Piauí).
A mostra fica no Sesc Galeria/Deodoro até 30 de setembro. A abertura, nesta sexta-feira, é às 19h.
SERVIÇO
Rindo com as Parades. Quando: de 1º a 30 de setembro. Onde: Sesc Galeria/Deodoro. Onde: avenida Gomes de Castro, 132, Centro de São Luís, no Maranhão. Horário: a abertura, nesta sexta-feira, é às 19h. Entrada: franca.
Categoria: DICA
Escrito por PAULO RAMOS às 19h57
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JORNALISMO GRÁFICO
HQ SOBRE 11 DE SETEMBRO CONSOLIDA NOVO GÊNERO

O assunto surgiu ontem, num bate-papo por telefone. A conversa era sobre um novo gênero que começava a surgir: o jornalismo feito com quadrinhos. O filão foi oficializado -e popularizado- com os trabalhos de Joe Sacco, já publicados no Brasil pela Conrad. A dúvida, na conversa, era como chamar essa forma de história, ainda não batizada.
Uma boa resposta surgiu, ironicamente, hoje. O nome apareceu num comentário do escritor Sid Jacobson, quando perguntado sobre a versão quadrinizada do relatório da Comissão de Ataques Terroristas nos Estados Unidos. "É uma história de investigação. É jornalismo gráfico", trocadilho do termo graphic novel (ou romance gráfico). A citação está em reportagem do correspondente da "Folha de S.Paulo" em Washington, Sérgio Dávila, publicada hoje no jornal.
"9/11 Report", recém-lançado nos Estados Unidos, transpõe para os quadrinhos as 568 páginas os resultados do relatório da comissão, formada para apurar e divulgar o máximo de informações sobre o atentado de 11 de setembro (que completa cinco anos no mês que vem). As conclusões viraram livro, um best seller escrito por Thomas H. Kean e Lee H. Hamilton. Segundo a reportagem de Dávila, o tom é de crítica ao governo Bush. O governo teria tomado ciência do ataque às torres gêmeas pela CNN (canal de notícias norte-americano).
Os desenhos de "9/11 Report" ficaram a cargo de Ernie Colón, que ilustrou muitas histórias para as editoras marvel e DC Comics. A versão em quadrinhos seria uma forma de atingir uma nova geração de leitores. Mas teve uma segunda função. Ajudou a consolidar o novo gênero jornalismo gráfico (se assumido como certo o nome sugerido por Jacobson), que deixa de ser exclusividade de Joe Sacco e de trabalhos esporádicos, como "O Fotógrafo", que a Conrad deve publicar ainda este ano.
O jornalista Sérgio Dávila mantém um blog no UOL. Ele abordou o assunto na postagem de hoje. É de lá a imagem que abre esta postagem. Vale visita. Clique aqui.
Categoria: NA MÍDIA
Escrito por PAULO RAMOS às 12h25
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JONAH HEX
ÁLBUM DUPLO TRAZ PRIMEIRAS HISTÓRIAS DO CAUBÓI

 O brasileiro tem um pouco de faroeste spaghetti nas veias. É isso o que mantém vivas as edições de western que surgem de quando em quando no mercado. Ou que ressurgem, caso de Jonah Hex. As 22 primeiras histórias do caçador de recompensas com rosto deformado foram reeditadas ("Jonah Hex - Showcase", Opera Graphica, R$ 89). O álbum duplo -vendido dentro de uma caixa, com tratamento editorial de luxo- já está à venda nas lojas especilizadas em quadrinhos.
Jonah Hex é a tentativa da editora norte-americana DC Comics de publicar histórias de faroeste. O criador do personagem, John Albano (falecido em 2005, aos 82 anos), imaginou um anti-herói. O escritor radicalizou na proposta. Deformou metade do rosto do personagem, característica que virou sua marca registrada. Foi uma saída inteligente. A face dividida evidenciou os dois lados que seguiriam a trajetória do caçador de recompensas.
Hex é o anti-herói e o herói. Atua em causa própria, mas não abandona apelos em nome de um bem maior. É também um personagem de faroeste que tem de dividir espaço com os super-heróis da DC. Tanto que participou com Super-Homem, Batman e companhia do megaevento "Crise nas Infinitas Terras", nos anos 80.
 É da primeira metade dos anos 80, aliás, o lado mais extremado dos dois lados do herói (ou anti-herói?). Hex teve de confrontar a inimaginável -e inexplicável- dualidade entre passado e futuro. Michael Fleischer, escritor do caubói à época, teve a idéia de transportá-lo para o futuro (idéia nada original, usada décadas antes com Buck Rogers). Para sobreviver, o personagem foi obrigado a entender, na marra, a tecnologia futurista. Trocou o cavalo por uma moto, que aprendeu a "dominar". O estilo das histórias tinha muito dos filmes de Mad Max (veja na imagem ao lado e na postagem abaixo).
Por mais bem intencionada que fosse a proposta de Fleischer, ela não funcionou, e Hex logo voltou para o lugar onde permanece até hoje. Seria o mesmo que tirar Tex (caubói mais famoso dos quadrinhos, publicado por aqui pela Mythos) do oeste americano e enfiá-lo num mundo pós-apocalíptico. Isso quebraria o acordo de verossimilhança que existe entre autor e leitor. E o leitor, com razão, gritaria, assim como reclamou anos atrás da saga do clone, quando descobriu que o Homem-Aranha que ele aprendeu a gostar era, na verdade uma cópia do Peter Parker original (que agora voltava). A sensação foi a de traição. Mesmo caso em Hex.
Há uma outra dualidade no rosto de Jonah Hex (além da deformação). Seus traços foram inspirados em outra figura do western spaghetti, Clint Eastwood. O hoje respeitado ator e diretor era também um respeitado (para os fãs do gênero) protagonista de faroestes. Foi o modelo para os desenhistas das primeiras aventuras do anti-herói, publicadas originalmente na revista "All-Star Western", material que a Opera Graphica agora reedita. Os ilustradores dessa fase hoje são tidos como clássicos: Gil Kane, José Luis García-López, Jim Aparo e Tony DeZuñiga (co-criador de Jonah Hex). Recentemente, Hex voltou a ser publicado nos Estados Unidos. Os primeiros desenhos foram do brasileiro Luke Ross.
A obra que a Opera Graphica põe no mercado, curiosamente, brinca editorialmente com essa dualidade, tão característica no personagem. São dois volumes, com duas capas diferentes. Uma delas mostra metade do rosto, apresentando o lado deformado. O oposto é feito na outra capa (veja nas imagens desta postagem). O que permanece único é o tratamento dado pela editora aos títulos que lança. Todos têm acabamento de luxo, feitos por e para colecionadores.
Hex já passou por muitas editoras no Brasil: EBAL (ganhou até título próprio, em formatinho), Nova Sampa, Abril (a fase futurista), a própria Opera Graphica, que trouxe a nova fase do caubói, lançada pela Vertigo. Para os fãs, as 500 páginas de "Jonah Hex - Showcase" são a edição definitiva.
Dica: há um bom texto sobre Jonah Hex no site TexBR, o melhor sobre quadrinhos de faroeste. É de lá a informação de que as marcas do rosto foram feitas num ritual apache, com uma machadinha incandescente. Para ler, clique aqui.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 23h30
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DE VOLTA PARA O FUTURO
FASE DE JONAH HEX NO SÉCULO 21 SAIU PELA ABRIL EM 86
Não se engane. A moto ao lado é pilotada pelo caubói Jonah Hex, lançado do faroeste direto para o século 21. Essa fase, é bom que fique claro, não tem nada a ver com o álbum duplo, lançado pela Opera Graphica (veja na postagem acima). As histórias futuristas saíram no Brasil na revista "Super-Homem", então publicada na Editora Abril. Foram só duas aventuras: a estréia, no número 26 (agosto de 1986), e uma seqüência, na edição seguinte (setembro do mesmo ano). A imagem é do número 27, época em que a revista custava 7 cruzados (moeda que vigorava no Brasil). O desenho é de Mark Texeira.
A mesma revista traz um texto do escritor Michael Fleischer, autor da idéia. Um trecho: "V-você quer permissão pra fazer o quê?!" A voz nitidamente alterada pertence a Dick Giordano, vice-presidente executivo da Detective Comics, e não posso censurá-lo pela reação. Afinal, eu acabo de entrar em seu escritório e, calmamente, perguntei se podia transportar Jonah Hex –o famoso pistoleiro do Velho Oeste, cujas aventuras escrevo há mais de dez anos- para a Terra do século XXI, devastada pelo holocausto nuclear, povoada de robôs homicidas, mutantes psicóticos e quadrilhas de motociclistas depravados. Giordano estava em pé quando entrei, mas agora está sentado. Confortavelmente, eu espero. Porque, de repente, ficou pálido e ofegante."
Giordano, conta Fleischer, pediu um tempo para pensar. Demorou mais do que esperava, mas topou a idéia, que surgiu após o escritor ver um logotipo meio futurista feito pelo desenhista Ed Hannigan. A revista não durou dois anos. E o caubói arrumou um jeito de voltar para o passado (ou arrumaram um jeito para ele).
Perguntar não ofende: Hex no futuro? O que você acha?
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 23h24
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30/08/2006
TIRAS DE BOLSO
EDITORA LANÇA POCKETS DE PIRATAS, GERALDÃO E PATO
A editora gaúcha L&PM tinha uma tradição de publicar quadrinhos nos anos 80. Muitos dos álbuns eram com personagens nacionais. A década de 90 indicava que empresa não ia mais apostar no filão. Só que a aceitação da coleção pocket -edições em formato de livro de bolso- estimulou a editora a investir novamente em autores brasileiros (como mostrado em postagem do dia 26 de junho). Nesta virada de semana, chegaram às livrarias três títulos: "Geraldão - Edipão, Surfistão & Gravidão" (R$ 9), "Piratas do Tietê 2 - Histórias de Pavio Curto" (R$ 9) e "Pagando o Pato" (R$ 8).
O Pato, de Ciça, foi uma das tiras mais politizadas do país nos anos 70 e 80. A autora fazia dos animais uma metáfora do regime militar brasileiro. As formigas, por exemplo, tinham uma rainha, que sempre usava um porta-voz para se comunicar com os "reles" súditos (= o povo). É um importante registro de época.
A ditadura datou muitas das histórias do Pato. Mas Ciça soube se reciclar. Incluiu temas mais "democráticos" nas tiras, que são publicadas atualmente no "Jornal do Brasil", do Rio de Janeiro. Os personagens falam agora sobre os sem-terra, inflação, corrupção. É dessa fase o material da L&PM. A paulistana Ciça -ou Cecília Whitaker Vicente de Azevedo Alves Pinto- publicou uma outra coletânea de seus personagens em 1986. Saiu pela Circo Editorial. Era uma edição maior e mais completa do que o livro de bolso da L&PM. A capa, curiosamente, era a mesma.
"Geraldão - Edipão, Surfistão & Gravidão" mostra tiras do personagem-título, que saem na "Folha de S.Paulo" desde os anos 80. A edição traz histórias de Geraldão e de outras duas criações de Glauco: Casal Neuras e Van Grogue. Não são muitas tiras. Mas são suficientes para mostrar como o cartunista ajudou a tornar mais adulto o humor diário nos cadernos de cultura dos jornais brasileiros, em especial o da Folha.
Uma prova disso é a cueca de Geraldão. Explico. O leitor vai reparar que, neste primeiro número, o personagem com complexo de Édipo segura a cueca com uma das mãos. Ela ameaça, mas nunca cai. Anos depois, num contexto mais "liberal", criador e criatura assumiram a queda da peça íntima. Hoje, o Geraldão é publicado diariamente com tudo à mostra. Vale um estudo: observar a evolução de Geraldão sob a ótica da liberdade de expressão. O que mudou com o passar dos anos? Os meios de comunicação ficaram mais ousados no trato com as tiras ou a sociedade passou a aceitar melhor determinadas condutas?Ou as duas coisas? Geraldão é reflexo de tudo isso, independentemente da respostas.
A idéia do estudo vale também para Laerte e seus "Piratas do Tietê 2 - Histórias de Pavio Curto". A exemplo do número anterior, lançado em junho, é uma coletânea de histórias que saíram na "Folha de S.Paulo". Ao lado de "Chiclete com Banana", de Angeli, foi por anos uma das tiras mais urbanas do país. Serviu para influenciar muitas das tiras publicadas atualmente.
Piratas são de uma fase de Laerte em que ele impunha um humor mais agressivo. E violento, afinal, eram piratas. Também vale como comparação para as histórias que ele cria hoje na Folha. Possuem o mesmo rótulo no título: "Piratas do Tietê". Mas os piratas sumiram. Há muito tempo. Restou um humor diferente, mais introspectivo, mais filosófico, quase um novo gênero de tira. Os velhos personagens ficaram só no pocket.
A L&PM pretende publicar outras obras nacionais ainda neste semestre. A maioria é de Glauco. A editora também editou álbuns com tiras estrangeiras, caso de Recruta Zero, Hagar e Garfield.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 08h07
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29/08/2006
MEMÓRIA VIVA
SITE FAZ ARQUIVO DE REVISTAS E ILUSTRAÇÕES ANTIGAS
O jornal "Folha de S.Paulo" publicou um achado na edição de hoje. Edições inteiras de revistas históricas fazem parte de um arquivo digital, sediado no site Memória Viva. E o melhor: tudo de graça. Há obras que trazem os primórdios do humor gráfico nacional, caso de "O Malho" (de 1902) e "Careta" (o arquivo mostra uma edição de 6 de junho de 1908).
O Memória Viva possui ainda páginas digitalizadas do "Amigo da Onça", de Péricles, e da revista "Pif Paf". Publicada nos anos 60, a "Pif Paf" foi uma espécie de ensaio para o Pasquim, outro título que está nos planos do criador da página, o jornalista e historiador Sandro Fortunato. Faz tudo por amor à arte. E faz na raça.
Na reportagem, ele conta que ganhou a coleção do "Pasquim" de um morador de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Como Sandro mora em Brasília, buscou as edições de Ônibus. "Cheguei à rodoviária com 16 sacos de lixo lotados. O motorista me disse: ´Olha, você precisa transformar isso tudo em quatro volumes. Dois deles você tem direito a levar, o menor eu vou te cobrar, e o quarto eu finjo que não vi.", disse em entrevista à jornalista Gabriela Longman, que assina a matéria.
É parte da história da imprensa brasileira e da nosso humor visual. Vale visita. O endereço é: www.memoriaviva.com.br
Categoria: NA MÍDIA
Escrito por PAULO RAMOS às 15h59
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28/08/2006
TIRAS DE PIRACICABA
1º LUGAR NO SALÃO DE HUMOR: MISMATCHES
Autor: Acácio Geraldo de Lima - São Paulo
Até agora, só havia os nomes dos premiados na categoria tiras do 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba (anunciados nas postagens de hoje, ontem e sábado). Houve um problema na digitalização dos trabalhos vencedores. A assessoria do prêmio, o mais importante do país, só conseguiu sanar o problema no fim da tarde desta segunda-feira. Nesta e nas próximas postagens, podem ser vistas (em primeira mão) as imagens que justificaram a escolha dos nomes.
Todos os 270 trabalhos selecionados na edição deste ano estão expostos no Parque Engenho Central, em Piracicaba. O espaço da mostra abre todos os dias. A entrada é franca.




Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 22h58
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TIRAS DE PIRACICABA - II
2º LUGAR: OCRE
Autor: Gilmar Barbosa - Santo André / São Paulo

Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 22h57
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TIRAS DE PIRACICABA - III
MENÇÃO HONROSA: O AMOR É UMA M...
Autor: José Antonio Costa - Teresina / Piauí

Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 22h55
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SALÃO DE PIRACICABA
7 TRABALHOS TÊM MENÇÃO HONROSA NO SALÃO DE HUMOR
O júri do 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba condeceu sete menções honrosas na edição deste ano. Na categoria tiras, o destaque foi o trabalho de José Antonio Costa (pela história "O amor é uma m..."), de Teresina, no Piauí. O ilustrador teve outra menção na categoria charge, que também destacou o desenho de Eduardo dos Reis Evangelista, de Belo Horizonte, Minas Gerais. Das outras quatro menções, duas foram para cartuns e duas, para caricaturas.
As menções honrosas são dadas quando a qualidade do trabalho merece ser destacada, embora não tenha conquistado o primeiros ou segundo lugar. O júri deste ano contou com 16 participantes, entre eles os irmãos Ziraldo e Zélio e os cartunistas Orlando, Gual e Adão Iturrusgarai.
Veja as charges que tiveram menção honrosa nesta postagem. Nas próximas, estão os trabalhos das categorias cartum e carictura. Veja também os demais premiados nas postagens de ontem e de sábado (26.08).
MENÇÃO HONROSA
CHARGE
Eduardo dos Reis Evangelista
Belo Horizonte / MG

MENÇÃO HONROSA
CHARGE
José Antonio Costa
Teresina / PI
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 11h47
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MENÇÕES HONROSAS: CARTUM
MENÇÃO HONROSA
CARTUM
Erasmo Spadotto
Piracicaba / SP
MENÇÃO HONROSA
CARTUM
Joaquim José Sacco Junior
Campinas / SP
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 11h29
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MENÇÕES HONROSAS: CARICATURA
A da esquerda é de Eduardo Baptistão, de São Paulo. A outra é de Alfredo Sabat, de Buenos Aires, Argentina.

Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 11h22
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27/08/2006
SALÃO DE PIRACICABA
VEJA OS TRABALHOS QUE FICARAM EM 2º LUGAR
Os segundos colocados no 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba levam um prêmio de R$ 2.250 cada um. Na categoria tiras, o segundo lugar ficou com Gilmar Barbosa (Ocre), de Santos André, no ABC paulista. As demais categorias -charge, cartum e caricatura- você confere abaixo. Veja também os premiados em primeiro lugar na postagem de ontem à tarde (26.08).

2º LUGAR - CHARGE
Alberto da Costa Santos
Aracaju / SE

2º LUGAR - CARTUM
Lézio Custódio Júnior
São José do Rio Preto / SP

2º LUGAR - CARICATURA
Lucas Leibholz
Piracicaba / SP
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 08h09
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26/08/2006
VENCEDORES DE PIRACICABA
DEFINIDOS OS PREMIADOS DESTE ANO DO SALÃO DE HUMOR
A assessoria do 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba divulgou agora há pouco os trabalhos premiados deste ano. O Blog dos Quadrinhos mostra em primeira mão as ilustrações vencedoras de três categorias: charge, cartum e caricatura. A quarta categoria, tiras, foi vencida por Acácio Geraldo de Lima (Mismatches), de São Paulo. 270 desenhos haviam sido selecionados para esta etapa do salão, o principal do país e um dos mais importantes do mundo.
Os prêmios serão entregues hoje à noite, a partir das 20h (leia mais detalhes na postagem abaixo). Os primeiros colocados ganham R$ 4 mil cada um. Uma curiosidade: dois dos quatro vencedores são estrangeiros. Neste ano, houve ainda sete menções honrosas, dada a qualidade dos trabalhos.
MELHOR CHARGE
Oswaldo da Costa Santos (Dacosta) - Santos / SP

MELHOR CARTUM
Makmudjon Eshonkulov
República do Uzbequistão

MELHOR CARICATURA
Omar Figueroa Turcios
Madrid / Espanha
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 15h53
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25/08/2006
HUMOR DE PIRACICABA
SALÃO DE HUMOR DEFINE OS VENCEDORES NESTE SÁBADO
Alô, alô, freguesia: os vencedores do 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba vão ser conhecidos neste sábado. Uma primeira seleção escolheu 270 trabalhos, que concorrem a uma das quatro categorias: charge, cartum, caricatura e tiras. Amanhã, um segundo júri define os vencedores.
Os encontro para definir os premiados está marcado para o fim da manhã. O júri deste ano é composto por 16 pessoas. Entre elas, estão os cartunistas Orlando, Gual, Adão Iturrusgarai e os irmãos Zélio e Ziraldo (criador do Menino Maluquinho). À noite, os nomes são divulgados ao público e tem início à exposição com os 270 desenhos selecionados. Os primeiros lugares de cada uma das quatro categorias ganha R$ 4 mil. Os segundos colocados levam R$ 2.250.
Esta edição do Salão de Piracicaba teve quase 1600 trabalhos inscritos, 200 a menos que no ano passado. Mas houve aumento no número de países estrangeiros participantes. Passou de 21 (em 2005) para 22 (neste ano). Além da exposição com os desenhos selecionados, a organização do evento programou uma série de outras mostras e lançamentos, todos relacionados ao humor (há até uma "instalação sanguessuga", que deve funcionar numa "ambulância sanguessuga").
O Salão Internacional de Humor de Piracicaba é o principal do país (e um dos mais importantes do mundo). Foi criado em 1974 como uma forma de valorizar a produção artística nacional. Cumpriu a meta, mas teve um segundo papel: as imagens serviram como grito de resistência ao Regime Militar que vigorava no país. Hoje, a cidade do interior paulista se tornou referência no assunto. O prêmio é a principal atração turística do município e já faz parte da agenda e eventos culturais.
Os organizadores do Salão lançaram no dia 31 de julho um catálogo com as obras selecionadas no ano passado. As duas ilustrações desta postagem fazem parte do livro. O desenho do ministro da Cultura Gilberto Gil foi a vencedora de 2005 na categoria caricatura. É de autoria de Baptistão. A outra ilustração foi a premiada na categoria cartum. O trabalho é do Irã e é assinado por Mohammad Amin Aghaey.
SERVIÇO
Abertura do 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Quando: sábado, 25.08. Horário: a partir das 20h. Onde: Armazém 7 do Parque Engenho Central. Endereço: av. Maurice Allain, 454, Piracicaba (acesso pela rodovia dos Bandeirantes, no km 134B, ou pela rodovia Anhangüera, no km 120. Quanto: de graça. Obs.: a exposição será no Armazém 14 do Engenho Central.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 13h56
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24/08/2006
QUANTA GENTE
ESTÚDIO PROMOVE BATE-PAPOS SOBRE QUADRINHOS EM SP

Fazer bate-papos com pessoas ligadas à área de quadrinhos. Com entrada franca. A idéia não ficou só na proposta e foi colocada em prática pela Quanta Academia de Artes, em São Paulo. A escola de desenho programou uma série de convidados para este semestre, sempre às sextas-feiras à noite. No encontro desta sexta (25.08), o Quanta Gente (como foi chamado o evento) vai receber três palestrantes: Fernando Lopes e os desenhistas Greg Tocchini e Edde Wagner.
Lopes é editor das revistas Marvel editadas pela Mythos (para a Panini). Wagner e Tocchini têm dois pontos em comum: são professores de desenho da Quanta e têm experiência com editoras estrangeiras (Marvel e DC, para citar as duas grandes). É de Tocchini a arte da continuação da minissérie "1602", título que chegou às bancas nesta semana ("1602 - Novo Mundo", Panini, R$ 8). Atualmente, faz a arte da série "Ion", para a DC (ao lado, uma das páginas da revista).
A Quanta -estúdio de Marcelo e Fátima Campos- agendou palestras até o meio de novembro. A próxima, em 15 de setembro, é com o desenhista Renato Guedes, outro brasileiro que também faz trabalhos para a DC Comics. Estas não são as primeiras palestras. Em junho, a escola recebeu os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá (ver postagem do dia 22 de junho).
SERVIÇO
Quanta Gente. Quando: sexta-feira, 25.08. Horário: a partir das 20h. Onde: Quanta Academia de Artes. Endereço: rua Minas Gerais, 27, Higienópolis, São Paulo (perto do metrô Consolação). Quanto: de graça.
Para ver a lista completa dos próximos Quanta Gente (e para ver vídeos com os professores), entre no blog da Quanta. Clique aqui.
Categoria: DICA
Escrito por PAULO RAMOS às 19h58
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23/08/2006
GEMMA BOVERY
AUTORA INGLESA FAZ LITERATURA E(M) QUADRINHOS
A fronteira que separa quadrinhos e literatura sempre foi tênue. Há quem defenda que não existe diferença entre os dois. Outros, mais radicais, propõem que os quadrinhos são a literatura definitiva, modernizada para uma nova época, mais dependente do elemento visual na composição do texto. De uns anos para cá, surgiram pesquisas –poucas ainda, é verdade- mais conciliatórias. Uma delas, de autoria de Daniele Barbieri (“El lenguaje del cómic”), defende que os quadrinhos já compõem uma linguagem autônoma. Mas não deixam de receber influência de outros “ambientes” (como o autor chama), como a literatura, o teatro e o cinema.
Um álbum - que começa a ser vendido hoje nas livrarias e lojas especializadas em quadrinhos- reforça ao extremo o ponto de vista de Barbieri. “Gemma Bovery” (Conrad, R$ 38,90) é uma história em quadrinhos contada na linguagem da literatura. Aquela linha que separa os dois ambientes se torna fina demais, a ponto de a pessoa se questionar o que está lendo. Há o texto, tal qual um romance. Só que a narrativa é cortada por alguns quadros (com personagens e balões), que acrescentam informações à narrativa.
“Lobo Alpha”, um álbum brasileiro lançado neste ano, usou o mesmo recurso (ver postagem do dia 14 de junho). Foi feito por dois autores. Helena Gomes escrevia a história que, em determinados momentos, tinha cortes visuais, desenhados por Alexandre Barbosa. “Gemma Bovery” vai além. A estratégia de intercalar ora literatura, ora quadrinhos, é feita em todas as páginas. E mais de uma vez.
A inglesa Posy Simmonds, autora de “Gemma Bovery”, consegue questionar a fronteira existente entre as duas linguagens ao mesmo tempo em que brinca com ela, como se a dominasse por completo. A mescla é intencional e faz parte também da composição da história. Há uma intertextualidade (uso explícito ou implícito de elementos de um texto em outro) declarada com o romance “Madame Bovary”, do francês Gustave Flaubert. As semelhanças começam com a proximidade sonora entre os nomes: Gemma Bovery/Emma Bovary. A protagonista do álbum de Simmonds vive em Bailleville e é casada com Charlie Bovery. No romance de Flaubert, a protagonista mora em Yonville e é casada com Charles Bovary, representado como um homem ingênuo e ao mesmo tempo ridículo. Algo semelhante ocorre em “Gemma Bovery”.
Os nomes são as semelhanças mais superficiais e intencionalmente óbvias. A intertextualidade avança e se aprofunda na trama do romance de Flaubert, obra tida como marco a literatura realista. É exatamente o tom realista, que ridiculariza para o leitor elementos do mundo real, que pauta também o trabalho de Simmonds. As duas protagonistas vivem a mesma historia, só que em momentos históricos diferentes. Ambas estão desgostosas da vida que levam, bem como do marido. As duas, Gemma e Emma, mantêm casos extraconjugais e, por causa deles, contraem dívidas, que não podem pagar.
Em determinado momento, os personagens fazem a mesma pergunta que o leitor tem em mente: as duas protagonistas teriam também o mesmo fim? Gemma é alertada por um amigo das semelhanças, tanto que ganha dele, de presente, um exemplar de “Madame Bovary”, explicitando para quem lê o último resquício de intertextualidade. Falar mais pode estragar o desfecho da trama. Das duas tramas, para quem não leu a obra clássica de Flaubert.
Posy Simmonds –ou Rosemary Elizabeth Simmonds- atualmente faz uma tira no jornal inglês “The Guardian”. Começou a carreira no fim dos anos 60 e tem, desde então, acumulado prêmios e diversificado a carreira. Parte do que se lê em “Gemma Bovery” advém da experiência com livros infantis. Mas não se engane. O álbum lançado hoje de pueril não tem nada. A obra faz um convite ao leitor adulto para que acione todas as informações que guarda na mente sobre duas linguagens que ele supostamente conhece, a dos quadrinhos e a literária. E faz a pessoa questionar esses conhecimentos. Será literatura? Serão quadrinhos? Seriam as duas linguagens? É a fronteira que separa os dois ambientes em xeque.
A editora Conrad colocou em seu site o primeiro capítulo de “Gemma Bovery”. Para ler, clique aqui
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 09h26
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22/08/2006
MARCELO CAMPOS
DESENHISTA RELEMBRA O (DIFÍCIL) COMEÇO NOS EUA
Hoje, há estrelas brasileiras brilhando no disputado mercado norte-americano dos super-heróis (como mostrado na postagem abaixo). Isso só foi possível por causa do trabalho de desbravadores como Marcelo Campos. O desenhista foi um dos primeiros brasileiros a trabalhar para as grandes editoras dos Estados Unidos. Foi também pioneiro em assumir a arte de um título de primeiro escalão. Ele foi o titular da prestigiada revista da Liga da Justiça, uma das mais importantes revistas da DC Comics. Deixou de atuar na área neste ano. O último trabalho foi a arte-final dos desenhos de outro brasileiro, Ivan Reis. Hoje, ele se dedica ao estúdio de arte Quanta e a uma criação sua: o personagem Quebra-Queixo.
O começo nos Estados Unidos foi na virada dos anos 80 para os 90. Na época, Marcelo Campos -ou Marc Campos, como assina em solo norte-americano- foi muito criticado por aqui. "Em todas as palestras que fiz em universidades, faculdades e centros culturais de todo o país, sempre existiam aqueles que se levantavam e gritavam dizendo que eu era um vendido e isso e aquilo. Em algumas ocasiões, outros profissionais que estavam na mesma mesa que eu, arrancavam o microfone de minhas mãos e me acusavam disso e daquilo... foi uma época estranha... eu achava tudo muito engraçado", diz. "Mas entendo a paixão de todo esse pessoal em relação ao assunto quadrinho nacional. O mais engraçado, é que durante muito tempo eu era o único brasileiro que publicava no exterior, mas estava sempre tentando fazer alguma coisa aqui no Brasil também, com o personagem Quebra-Queixo ou a revista Alta Voltagem, lançada pela minha editora. Então, de alguma maneira eu estava tentando fazer com que nossa ida lá pra fora, resultasse em algo aqui pra dentro."
O tempo ajuda a entender melhor os eventos (estão aí os historiadores para provar). Hoje, 15 anos depois e num contexto completamente diferente, ele relembra a trajetória pioneira nos States. Trajetória que abriu espaço para uma nova geração trilhar o mesmo caminho. O depoimento foi enviado por e-mail e reconstrói um momento histórico importante para o papel do desenhista brasileiro. O texto foi mantido na íntegra.
"Eu entrei no mercado norte-americano em 1989... bem no começo do ano.
Começamos eu e o Watson Portela. O Portela publicou um material já pronto dele na Malibu -o "Paralelas" (que lá foi nomeado de "Inferno") - e eu fiz duas minisséries pra Malibu -a "Deathworld" (em 12 edições) e a "Retief and The Warlords" (também em 12 edições). Mais ou menos 7 meses depois que nós entramos, vieram o Kipper, o Cariello e o Hector Gomes. Depois de um tempo é que veio a terceira leva, com o Bilal, o Deodato, o Mozart Couto e alguns outros.
Em 91, eu entrei na DC fazendo o "Darkstars" e depois de três ediçoes eu fui contrato por dois anos e meio pra fazer a Liga da Justiça. Foi um pouco depois desse período que o Roger Cruz pegou o Hulk e o Deodato, a Mulher-Maravilha. Foi aí que a coisa começou mesmo a esquentar. Eu peguei a Liga no final de 90 ou 91... não me lembro... Logo depois, uns três ou quatro meses, o Roger me ligou dizendo que estava indo pra Marvel pra fazer o Hulk! Foi um momento muito bacana, porque a gente sempre foi muito criticado no sentido de que todos achavam que os brasileiros nunca pegariam uma editora importante, só as pequenas...
Foi meio assim: - primeiro eles diziam que a gente nunca entraria no mercado norte-americano... aí eu e o Watson entramos... - depois eles disseram que a gente nunca entraria numa grande editora... aí eu entrei na DC... - depois eles disseram que a gente até poderia entrar numa grande editora, MAS que a gente nunca pegaria um título importante... aí eu peguei a Liga... meses depois o Roger pegou uma edição de Hulk e logo foi pra X-Men! Meses depois o Deodato pegou a Mulher-Maravilha!
Era muito engraçado tudo isso!
A negociação foi rápida. Eles gostaram do que eu havia feito em "Darkstars" -cumpri os prazos e a qualidade esperada e aumentei as vendas. Eles me chamaram pra fazer a Liga. Foi bem rápida e um pouco assustadora porque a Liga é o terceiro título da DC: primeiro Batman, depois Superman e depois Liga. Foi simples, rápido e divertido, mas nunca foi o que eu queria fazer... mas fiz. Nunca sonhei em desenhar super-heróis e fazer esse tipo de trabalho, mas aconteceu.
Acho que essa época foi uma época de construção. O Helcio [de Carvalho, um dos donos da Art & Comics, que agencia artistas brasileiros nos Estados Unidos] sempre me lembrava da minha responsabilidade em todo esse processo, já que estava sendo "a escada", como ele dizia. Havia sido o primeiro a pegar um trabalho "encomendado" por uma editora norte-americana, depois o primeiro a pegar um título de uma grande editora e depois o primeiro a pegar um grande título. Não era uma coisa da qual eu me gabava. Nunca quis esse tipo de responsabilidade e nem era uma coisa que havia imaginado pra mim em termos de carreira.
De qualquer maneira, tentei fazer o melhor trabalho possível. Depois, tentei direcionar minha carreira pra outros tipos de materiais, mais independentes, mas como não dá muita grana e é sempre possível a chance de não receber, não existia tanto interesse por parte do Art & Comics. Aí decidi parar e abri a Fábrica de Quadrinhos, atual Quanta. Acho que gosto mais de ver o pessoal se formando do que propriamente fazer material de super-heróis pra fora. Acho que é por aí!"
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 19h55
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TALENTED BOYS FROM BRAZIL
DESENHISTAS BRASILEIROS SE TORNAM ESTRELAS NOS EUA
No sexto número da minissérie "Crise Infinita", lançada nos Estados Unidos em maio deste ano e ainda inédita por aqui, o vice-presidente sênior e editor-executivo da DC Comics, Dan Didio, escreveu um editorial para falar dos desenhos dos novos títulos da editora. No fim do primeiro parágrafo, ele fez menção às ilustrações dos "incrivelmente talentosos meninos do Brasil". Citou Ivan Reis, Ed Benes e Joe Bennett. Artista brasileiro recebendo elogio do manda-chuva de uma das principais editoras norte-americanas? O que é que está acontecendo?
O que acontece é que um grupo de desenhistas brasileiros ganhou status de estrela de primeiro time. Eles têm sido escalados para os títulos mais prestigiados da editora. Benes (nome artístico de José Edilbenes, que mora em Limoeiro do Norte, no Ceará) foi escalado para ilustrar as histórias da nova revista da Liga da Justiça. O texto será do badalado escritor Brad Meltzer (o mesmo de "Crise de Identidade"). Também é dele a arte da atual fase da revista nacional do Super-Homem. Bennett (ou José Benedito da Conceição Nascimento, que vive em Belém, no Pará) fez alguns desenhos da última edição da "Crise Infinita" e continuou na megassérie "52", que deu seqüência à saga. Reis também ilustrou algumas edições de crise. Atualmente, faz os desenhos de "Green Lantern" (Lanterna Verde), um dos títulos mais vendidos da DC Comics (acima, uma imagem inédita da revista).
Ivan Reis conta que a chegada à revista do herói esmeralda foi um processo iniciado anos antes. O nome do desenhista começou a ganhar destaque depois que assumiu a arte de "Action Comics", o mais antigo título da editora, que mostra aventuras do Super-Homem. "Na hora em que eu peguei o título, não acreditei; fiquei treinando o "S" do Superman por três meses", diz o artista de 29 anos, que mora em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. "Superman e Batman estão entre os personagens mais conhecidos do planeta. Até minha avó conhece", brinca. Um dos desenhos da revista aparece na abertura do filme "Superman - O Retorno", ainda em cartaz.
A fase em "Action Comics", já publicada no Brasil pela editora Panini, abriu as portas para outros projetos, ainda mais importantes. Assumiu o traço da minissérie "Guerra Rann/Tanaghar", publicada por aqui na revista "Contagem Regressiva para Crise Infinita" (o segundo número chega às bancas nesta semana; veja capa ao lado). Participou do megaevento "Crise Infinita", do qual recebeu elogios de Dan Didio. Quem sugeriu o nome dele foi o próprio titular da série, o desenhista Phil Jimenez, sobrecarregado pelo volume de ilustrações que tinha de fazer. "É uma das revistas mais importantes da editora. E um brasileiro estava lá", diz.
Após Crise, recebeu três propostas do editor Eddie Berganza: voltar para "Action Comics", ir para o título dos Novos Titãs (outro que figura entre os mais vendidos da editora) ou embarcar nas histórias do Lanterna Verde. optou pelo Lanterna. Reis mantém um contrato de exclusividade com a DC Comics até 2009. Para ele, colhe-se hoje o resultado de anos de trabalho em títulos americanos. "Foi trabalho duro mesmo. Trabalho sem preguiça. Velocidade com qualidade", conta o desenhista que hoje é quem agencia os próprios trabalhos.
Reis, no entanto, é exceção. A maioria usa os serviços da empresa Art & Comics. Criada no fim dos anos 90, tem a função de fazer uma espécie de meio de campo entre artista e editora. Joe Prado, que cuida dessa tarefa, diz que a DC Comics depositou muita confiança nos trabalho dos brasileiros. Confiança correspondida. A editora é, hoje, a que mais usa mão de obra daqui. "A DC Comics é boa de se trabalhar. Tanto no pagamento quanto no volume de trabalho. Eles não deixam você parado", diz. "Todo o processo de Crise Infinita foi se construindo. E nós fazíamos parte desse processo".
Prado possui um portfólio de cerca de 30 artistas. Aos poucos, vão conseguindo mostrar trabalho nos Estados Unidos. Ed Barrows (adaptação de Eduardo Barros) é outro brasileiro que participoa de "52". Paulo Siqueira fará a arte de Aves de Rapina, título que teve mais de 50 edições feitas por brasileiros. Renato Guedes participa da nova série OMAC. Isso só na DC.
Na rival Marvel, Roger Cruz assinou contrato de exclusividade. E Mike Deodato muda de revista: sai do Homem-Aranha (fase publicada atualmente no Brasil; a imagem ao lado é do desenhista) e passa para o prestigiado Esquadrão Supremo. E há quem produza material para as duas editoras. Greg Tocchini está à frente de Ion, na DC, e da continuação da série 1602, publicada nesta semana pela Panini.
Não é de hoje que os brasileiros atuam no disputado mercado dos super-heróis. Um dos primeiros a participar de um grande título foi Marc Campos, ou Marcelo Campos. É dele a arte-final de Ivan Reis em "Action Comics" e na minissérie "Guerra Rann-Thanagar". Nos anos 90, o desenhista fez a arte da revista da Liga da Justiça. Hoje, ele atua na Quanta Academia de Artes, em São Paulo.
Veja uma prévia dos trabalhos de Ivan Reis e de Ed Benes na postagem abaixo.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 23h26
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21/08/2006
PRÉVIA: IVAN REIS & ED BENES
Os desenhos abaixo são de autoria dos brasileiros Ivan Reis e Ed Benes, respectivamente. O primeiro é inédito e faz parte da revista "Green Lantern". O segundo, de Benes, é uma chamada para o novo título da Liga da Justiça e já circula há algum tempo na internet.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 16h38
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EROTISMO À ITALIANA
GIOVANNA CASOTTO USA O PRÓPRIO CORPO COMO MODELO

A imagem que se vende da italiana Giovanna Casotto é semelhante à de Bruna Surfistinha para os brasileiros. Dadas as devidas proporções, é claro. Casotto não ficou famosa por relatar histórias do tempo em que era garota de progarama (caso de Surfistinha). Mas ganhou fama na abordagem do sexo. A brasileira escreve memórias; a italiana desenhar histórias eróticas. Com um detalhe: as imagens são baseadas em fotos que tira dela mesma.
Giovanna Casotto não é muito conhecida por aqui (ao contrário de seu país de origem). Isso dá um atrativo a mais ao lançamento do álbum que traz o nome (Conrad, R$ 45). A edição, que chega às bancas e livrarias nesta virada de semana, mostra dez histórias eróticas feitas pela desenhista. É curioso ver uma mulher mexer com o tema. Não se trata um caso de machismo. É que é raro ver traços eróticos feitos por mulheres na história dos quadrinhos. Casotto passeia no erotismo, sem deixar a desejar aos trabalhos já existentes e que tem na Itália algumas das histórias de mais expressão do gênero. A artista vai fundo nos traços. Literalmente fundo. Não usa artifícios para esconder o que o leitor desse tipo de história espera ver ao comprar a obra.
O álbum faz parte de uma série de edições eróticas editadas pela Conrad. A coleção Eros (como foi chamada) já publicou o primeiro número de "Clic", do italiano Milo Manara (um especialista na arte erótica) e "Omaha, a stripper", de Reed Wlaker e Kate Worley. É também da editora a reedição da "mãe" dos quadrinhos eróticos europeus: Valentina. A Conrad lançou neste ano uma reedição das primeiras histórias da personagem (ver postagens do dia 10 de maio).
A coleção Eros -e, por extensão, este álbum de Giovanna Casotto- talvez enfrente problemas para ser distribuída às bancas e livrarias. Motivo: haveria uma censura a capas muito ousadas nas bancas e livrarias. A informação é do jornalista Gonçalo Junior. Ele abordou o assunto na coluna Guerra dos Gibis, que escreve no site Bigorna. Um caso citado por ele: as obras de Robert Crumb. Não seriam vendidas por ter conteúdo pornográfico.
Segundo o jornalista, a fonte dos relatos é o dono da Conrad, Rogério de Campos. Algumas capas da editora estariam sendo montadas de um modo que escondesse a voluptuosidade feminina (caso de "El Gaucho"). E voluptuosidade explícita, não só feminina, é o que não falta no trabalho de Casotto. Seria motivo para o álbum sofrer esse "boicote"?
É revelador o tema abordado pelo jornalista Gonçalo Junior. Merece leitura. Clique aqui.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 13h52
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20/08/2006
SUPERSALVADOR DA PÁTRIA
ENQUETE MOSTRA QUE SÓ SUPER-HOMEM SALVA O BRASIL
Que figura da literatura, cinema, folclore ou quadrinhos seria capaz de resolver os problemas do Brasil? Foi essa a pergunta feita numa enquete da Folha Online. O resultado saiu hoje na Revista da Folha (que circula junto com o jornal "Folha de S.Paulo"). O vencedor? Super-Homem. Quase um quarto dos 18.838 internautas escolheu o homem de aço para solucionar as mazelas brasileiras. O herói teve 23% dos votos. A Feiticeira e Jeannie (dos seriados homônimos) aparecem em segundo e terceiro lugares (10% e 9%, respectivamente).
Outros dois personagens dos quadrinhos figuram entre os dez mais votados. Lex Luthor, maior rival do herói de Krypton, surge na sétima colocação (6%). Hulk foi o décimo mais lembrado (5%). Veja a lista dos dez mais votados:
- Super-Homem – 23% (4.276 votos)
- Feiticeira – 10% (1.959)
- Jeannie – 9% (1.072)
- Willy Wonka – 9% (1.636)
- Fada Madrinha – 8% (1.450)
- Dick Vigarista – 7% (1.252)
- Lex Luthor – 6% (1.252)
- Bento Carneiro – 6% (1.064)
- Dom Quixote – 5% (1.014)
- Incrível Hulk – 5% (891)
E para você? Que personagem dos quadrinhos resolveria as mazelas do Brasil?
Categoria: NA MÍDIA
Escrito por PAULO RAMOS às 13h28
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JORNADA EM QUADRINHOS
40 ANOS DE STAR TREK NOS QUADRINHOS BRASILEIROS
"O espaço, a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise em sua missão de cinco anos para exploração de novos mundos, para pesquisar novas vidas, novas civilizações... audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve..."
A narração de abertura do seriado Jornada nas Estrelas está inscrita no DNA de qualquer fã da série. A missão de cinco anos foi encurtada para três, período que durou a série (1966-1969), mas não pôs fim à missão da Enterprise. A jornada continuou nas reprises durante os anos 70. Virou febre e deu sobrevida ao seriado, que vive há 40 anos na memória dos fãs. Um grupo de admiradores de "Star Trek" faz neste fim de semana nos Estados Unidos um grande encontro para marcar as quatro décadas de Kirk, Spock, Mckoy e companhia.
O encontro antecipa a data oficial de comemoração de 40 anos de Jornada. A série estreou na rede norte-americana no começo de setembro de 1966. No Brasil, chegou anos depois, ainda na década de 60, na extinta TV Excelsior. Era dublado pela hoje saudosa AIC-São Paulo (a narração de abertura era lida pelo locutor de rádio Antonio Celso). Foi nesse período que começaram as adaptações do seriado para os quadrinhos, tanto lá nos Estados Unidos como cá no Brasil.
A primeira versão da jornada em quadrinhos foi em 1967 nos Estados Unidos, em edições feitas pela editora Gold Key. Durou até o lançamento do filme baseado no seriado, no fim dos anos 70. A versão cinematográfica deu novo fôlego à franquia e atraiu os olhos da grande editora Marvel Comics, de Homem-Aranha, Hulk e outros. A parceria foi de 1979 a 1982, quando a rival DC Comics adquiriu os direitos de publicação. Os personagens ficaram na editora até 1995. A partir daí, novo pulo de editora em editora: Marvel, Malibu, Wildstorm. A última notícia é que será feito um mangá da série.
No Brasil, o seriado nunca emplacou nos quadrinhos. O material americano da Gold Key começou a ser editado pela EBAL (Editora Brasil-América) no fim dos anos 60, época em que Jornada nas Estrelas começou a ser exibida na TV. A revista teve vida curta. Passou para a Abril na década seguinte (uma das capas ao lado), que lançou a revista em formatinho (formato menor, parecido com o das atuais edições infantis). De novo, poucas edições.
A Abril fez novo esforço em 1991, quando a série comemorava, com toda a pompa, 25 anos de criação. A série voltava também à televisão na extinta TV Manchete, com nova dublagem (a abertura e Kirk tiveram a voz do prestigiado Garcia Junior, mesmo dublador de He-Man, Macgyver e outros; é a mesma versão que saiu nos três box em DVD). A tripulação da Entreprise ganhou revista em formato americano em novembro de 1991, com histórias escritas por Peter David (que fazia sucesso escrevendo Hulk). O autor impôs um ritmo de humor fino e aventura nas edições. Funcionou enquanto história, mas não garantiu a continuidade da revista, que alternava o espaço com aventuras da Nova Geração. Novo cancelamento, no nono número.
Em agosto de 2002, a editora Brainstore publicou uma das mais bem escritas histórias em quadrinhos de Star Trek: "Jornada nas Estrelas - Dívida de Honra". Era uma graphic novel escrita por Chris Claremont (autor que ficou famoso escrevendo aventuras dos X-Men) e desenhada por Adam Hughes. A trama se passava após os eventos narrados no quarto filme do cinema e ainda pode ser encontrada nas lojas especializadas em quadrinhos.
Reler os quadrinhos da série mostra que, assim como nas reprises, o tempo não passa para os atores de Jornada nas Estrelas. Pelo menos no irreal mundo da ficção científica. Longe do espaço e bem perto da nossa realidade, a história é outra. William Shatner (Kirk) e Leonard Nimoy (Spock) já estão com 75 anos (eram esperados na convenção deste fim de semana nos Estados Unidos). Deforest Kelley (McKoy) e James Doohan (Scotty) já morreram. Mas todos estão vivos na memória.
Há um texto muito bom sobre as adaptações em quadrinhos de Jornada nas estrelas no site Trekbrasilis. Foi fonte de parte das informações lidas aqui. Vale leitura. Clique aqui.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 10h20
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19/08/2006
CAIM
ÁLBUM ARGENTINO TRAZ DESENHOS DE EDUARDO RISSO
Este ano se torna definitivamente um dos mais ecléticos em termos de lançamentos de quadrinhos. As editoras nacionais não miram mais seus alvos apenas nos Estados Unidos e Japão. Estão de olho em outros mercados também. Nesta virada de semana, chega às bancas um álbum argentino, "Caim" (Mythos, R$ 19,90). A edição é escrita por Ricardo Barreiro e desenhada pelo premiado Eduardo Risso.
O leitor vai comprar a obra por causa da arte de Risso. Ele é o chamariz do título e o que levou a editora Mythos a publicar no Brasil um título argentino (em tese, de pouco apelo comercial). Apesar de ter ilustrado histórias na Argentina por quase duas décadas, fez fama nos Estados Unidos. O sucesso veio com a série "100 Balas", publicada por aqui pela Opera Graphica. O trabalho rendeu a ele, em 2001, o prestigiado prêmio Eisner na categoria de melhor desenhista. Risso ainda trabalha na revista.
O mesmo leitor que levar para casa o álbum por causa da arte vai ler a história de um menino, abandonado ainda bebê. Como o abandono não deve ter ocorrido por um bom motivo, foi batizado de Caim pelas pessoas que o acharam (referência ao personagem bíblico). O tempo tornou o garoto um hábil ladrão, atividade que o leva a um reformatório (onde permaneceria até atingir a maioridade). A vida do confinamento e a uma rebelião fazem o menino tornar-se homem e querer vingança daqueles que o trataram mal.
Aparentemente, é mais uma história de vingança como tantas outras. Mas só aparentemente. É uma história de Ricardo Barreiro, o que significa muito. O roteirista pode ser desconhecido dos brasileiros, mas é muito (re)conhecido na Argentina e Europa. Começou a mexer com quadrinhos na década de 70. Em 78, a ditadura o levou ao exílio. Morou na Espanha, França, Itália, sempre trabalhando na área. Voltou a produzir quadrinhos na Argentina na década de 80 na revista "Fierro" (espécie de "Heavy Metal" ou "Metal Hurlant"). Foi lá que surgiram em 1988 os capítulos de "Caim", agora compilados neste álbum.
Barreiro e Risso tiveram outra parceria, também na "Fierro": "Parche Chas". Sabe-se pouco da obra. Mas, do pouco que se sabe, é possível que seja superior a "Caim". Agradou tanto que os autores fizeram uma continuação. Talvez os dois fizessem outros projetos juntos. O tempo se encarregou de pôr fim à parceria. Barreiro morreu em 1999, aos 49 anos.
O sucesso de Risso fez o mercado internacional voltar os olhos para tudo o que o desenhista fez. Suas obras foram compiladas e lançadas para o mundo. Esta edição que a Mythos publica não vem da Argentina, vem da SAF (Strip Art Features), empresa criada em 1972 e que, hoje, tem sede na Eslovênia. A aceitação de "Caim" pode abrir espaço para outros materias de Risso, como "Parche Chas". E, quem sabe, seja o início de um intercâmbio tardio entre os países integrantes do Mercosul. Intercâmbio que tem muito material para se pautar. Material bom, mesmo sem o questionável aval do mercado norte-americano.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 09h17
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18/08/2006
QUADRINHOS EM DEBATE
DOIS (BONS) EVENTOS OCORREM EM SÃO PAULO E NO CEARÁ
Na falta de um, dois bons eventos sobre quadrinhos neste fim de semana. No Ceará, começa hoje o Festival Internacional de Ilustração de Fortaleza, evento que ocorre paralelamente à sétima Bienal Internacional do Livro. Em São Paulo, está marcado para amanhã o segundo "Enquadrando - Encontros sobre Quadrinhos em São Paulo", promovido por Marko Ajdaric, jornalista do site Neorama dos Quadrinhos.
O Festival Internacional de Ilustração de Fortaleza vai até o dia 27 de agosto. Intercala imagem e palavra, tal qual uma história em quadrinhos. A imagem é vista na exposição "Ilustração - 1001 Utilidades", que apresenta trabalhos de 30 artistas do humor gráfico. A parte da palavra fica a cargo de uma série de palestras. Os organizadores agendaram três por dia, sempre às 15h, 17h e 19h. Algumas se destacam.
Amanhã, às 17h, o tema é quadrinhos na sala de aula. Dois palestrantes vão conduzir a discussão: 1) Waldomiro Vergueiro, coordenador do Núcleo de Histórias em Quadrinhos da USP (Universidade de São Paulo) e organizador do livro "Como usar as histórias em quadrinhos na sala de aula"; 2) Weaver Lima, criador do projeto Lápis Atômico (que produz revistas em quadrinhos em escolas).
No domingo, às 19h, os desenhistas Clayton (do jornal "O Povo") e Jean (da "Folha de S.Paulo") falam sobre o processo de produção das charges. Na segunda-feira, Fábio Zimbres (que trabalhou na extinta "Animal") e Klévisson Viana (da editora Tupiniquim) comentam a experiência de fazer quadrinho alternativo no Brasil.
O maior destaque do Festival fica para o meio da semana. É o premiado ilustrador português José Carlos Fernandes, autor de "A Pior Banda do Mundo" (série de álbuns editada pela Devir). Ele fala de sua experiência na terça-feira em dois horários: às 15h e às 19h (aqui, ao lado de Zimbres).
No restante da semana, as oficinas de quadrinhos dominam a agenda do Festival.
Esta segunda edição do "Enquadrando - Encontros sobre Quadrinhos em São Paulo" é mais ampla do que a primeira, tanto no espaço físico (ocorre na Gibiteca Henfil) quanto no número de convidados. A partir das 15h, começam as "sessões de 15 minutos", em que cada convidado fala durante um quarto de hora.
Entre os convidados, destaque para: Márcio Baraldi (para falar do novo álbum de "Roko Loko e Adrina Lina"), Leonardo Pascoal (da independente "Quadreca"), Rodrigo Arco e Flexa (para falar de seu mestrado na USP sobre a editora EBAL), Rodolfo Zalla (comenta os 50 anos da obra argentina "El Eternauta" e Audálio Dantas (autor do livro sobre a infância de Mauricio de Sousa). Dantas tem um histórico na área sindical do jornalismo. Começa agora uma nova etapa à frente da Associação Brasileira de Imprensa e deve falar de uma possível ponte entre a entidade e os quadrinho. Haverá também no encontro uma homenagem aos criadores do site HQManiacs, que completa cinco anos no ar.
O Enquadrando começa oficialmente às 14h, com sorteios de revistas em quadrinhos. Há também uma exposição de ilustradores premiados em 2006. A organização reuniu trabalhos de diferentes partes do mundo.
SERVIÇO 1
Festival Internacional de Ilustração de Fortaleza. Quando: de 18 a 27 de agosto. Horário: tarde e noite. Onde: Centro de Convenções de Fortaleza. Endereço: av. Washington Soares, 1141, bairro Edson Queiroz, Fortaleza, Ceará.
SERVIÇO 2
Enquadrando - Encontros sobre Quadrinhos em São Paulo. Quando: sábado, 19.08. Horário: 14h às 18h30. Onde: Gibiteca Henfil (fica no Centro Cultural Vergueiro). Endereço: rua Vergueiro, 1000, São Paulo (perto da estação Vergueiro do metrô).
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 08h13
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17/08/2006
MORRE BOB THAVES
CARTUNISTA FOI O CRIADOR DA TIRA FRANK & ERNEST

Tradução aproximada:
- O que você gostaria que constasse no seu epitáfio?
- "... continua."
A tira acima foi reproduzida pela família de Bob Thaves no site oficial da dupla "Frank & Ernest". Foi feita pelo cartunista em 1998. Um texto acompanha a tira. Uma nota de agradecimento, na verdade. A esposa, Katie, e os filhos, Sara e Tom, agradecem os leitores e a classe dos ilustradores por todo apoio dado aos personagens de Thaves. O pai de "Frank & Ernest" morreu nos Estados Unidos no dia primeiro deste mês.
Thaves estava com 81 anos e foi vítima de complicações respiratórias. A família optou por divulgar o falecimento apenas no último domingo. Na nota divulgada no site oficial dos personagens, a família informa que o filho do cartunista, Tom, vai dar seqüência ao trabalho do pai. O processo de transição das mãos de um autor para outro teria começado há alguns anos.
As histórias de "Frank & Ernest" começaram a ser produzidas no fim da década de 60. As tiras começaram a ser distribuídas pelos Syndicates -empresas especializadas em vender tiras aos jornais- em 1972. Hoje, segundo informações da Agência Estado, são publicadas em 1,3 mil jornais em todo o mundo. No Brasil, é publicada nos jornais do grupo Estado de S.Paulo.
As tiras são centradas nas alfinetadas irônicas da dupla de pobretões "bon vivants". A maior parte da graça vem dos diálogos (como no exemplo acima). As histórias de Thaves foram estudadas no Brasil numa dissertação de mestrado, defendida no fim dos anos 90 no Departamento de Línguas Modernas da USP (Universidade de São Paulo). A pesquisa mostrava a adaptação feita no processo de tradução do inglês para o português. A adaptação era necessária para adequar o humor à realidade brasileira.
O cartunista criou outra tira cômica na década de 90: "King Baloo" (ver imagem ao lado), feita em parceria com Scott Stantis (que teria prometido um tributo ao parceiro, a ser publicado no dia 10 de setembro).
Para encerrar. Este blogueiro soube da notícia por meio de uma nota divulgada hoje no site Universo HQ. Pesquisa na internet revelou que a Agência Estado já havia divulgado a informação na segunda-feira passada, dia 14. A notícia, no entanto, passou despercebida. Parte das informações lidas aqui teve como fonte os dois sites. |