31/08/2006

HUMOR EM SÃO LUÍS

18 ILUSTRADORES FAZEM MOSTRA DE HUMOR NO MARANHÃO

Dica rápida. 18 ilustradores inauguram hoje em São Luís, no Maranhão, a exposição de humor "Rindo com as Paredes". Conta com trabalhos de 15 maranhenses e três de outros estados (dois de São Paulo e um do Piauí).
 
A mostra fica no Sesc Galeria/Deodoro até 30 de setembro. A abertura, nesta sexta-feira, é às 19h.
 
 
 
SERVIÇO
Rindo com as Parades. Quando: de 1º a 30 de setembro. Onde: Sesc Galeria/Deodoro. Onde: avenida Gomes de Castro, 132, Centro de São Luís, no Maranhão. Horário: a abertura, nesta sexta-feira, é às 19h. Entrada: franca.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h57
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JORNALISMO GRÁFICO

HQ SOBRE 11 DE SETEMBRO CONSOLIDA NOVO GÊNERO

O assunto surgiu ontem, num bate-papo por telefone. A conversa era sobre um novo gênero que começava a surgir: o jornalismo feito com quadrinhos. O filão foi oficializado -e popularizado- com os trabalhos de Joe Sacco, já publicados no Brasil pela Conrad. A dúvida, na conversa, era como chamar essa forma de história, ainda não batizada.
 
Uma boa resposta surgiu, ironicamente, hoje. O nome apareceu num comentário do escritor Sid Jacobson, quando perguntado sobre a versão quadrinizada do relatório da Comissão de Ataques Terroristas nos Estados Unidos. "É uma história de investigação. É jornalismo gráfico", trocadilho do termo graphic novel (ou romance gráfico). A citação está em reportagem do correspondente da "Folha de S.Paulo" em Washington, Sérgio Dávila, publicada hoje no jornal.
 
"9/11 Report", recém-lançado nos Estados Unidos, transpõe para os quadrinhos as 568 páginas os resultados do relatório da comissão, formada para apurar e divulgar o máximo de informações sobre o atentado de 11 de setembro (que completa cinco anos no mês que vem). As conclusões viraram livro, um best seller escrito por Thomas H. Kean e Lee H. Hamilton. Segundo a reportagem de Dávila, o tom é de crítica ao governo Bush. O governo teria tomado ciência do ataque às torres gêmeas pela CNN (canal de notícias norte-americano).
 
Os desenhos de "9/11 Report" ficaram a cargo de Ernie Colón, que ilustrou muitas histórias para as editoras marvel e DC Comics. A versão em quadrinhos seria uma forma de atingir uma nova geração de leitores. Mas teve uma segunda função. Ajudou a consolidar o novo gênero jornalismo gráfico (se assumido como certo o nome sugerido por Jacobson), que deixa de ser exclusividade de Joe Sacco e de trabalhos esporádicos, como "O Fotógrafo", que a Conrad deve publicar ainda este ano.
 
O jornalista Sérgio Dávila mantém um blog no UOL. Ele abordou o assunto na postagem de hoje. É de lá a imagem que abre esta postagem. Vale visita. Clique aqui

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h25
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JONAH HEX

ÁLBUM DUPLO TRAZ PRIMEIRAS HISTÓRIAS DO CAUBÓI

 

O brasileiro tem um pouco de faroeste spaghetti nas veias. É isso o que mantém vivas as edições de western que surgem de quando em quando no mercado. Ou que ressurgem, caso de Jonah Hex. As 22 primeiras histórias do caçador de recompensas com rosto deformado foram reeditadas ("Jonah Hex - Showcase", Opera Graphica, R$ 89). O álbum duplo -vendido dentro de uma caixa, com tratamento editorial de luxo- já está à venda nas lojas especilizadas em quadrinhos.
 
Jonah Hex é a tentativa da editora norte-americana DC Comics de publicar histórias de faroeste. O criador do personagem, John Albano (falecido em 2005, aos 82 anos), imaginou um anti-herói. O escritor radicalizou na proposta. Deformou metade do rosto do personagem, característica que virou sua marca registrada. Foi uma saída inteligente. A face dividida evidenciou os dois lados que seguiriam a trajetória do caçador de recompensas.
 
Hex é o anti-herói e o herói. Atua em causa própria, mas não abandona apelos em nome de um bem maior. É também um personagem de faroeste que tem de dividir espaço com os super-heróis da DC. Tanto que participou com Super-Homem, Batman e companhia do megaevento "Crise nas Infinitas Terras", nos anos 80.
 
É da primeira metade dos anos 80, aliás, o lado mais extremado dos dois lados do herói (ou anti-herói?). Hex teve de confrontar a inimaginável -e inexplicável- dualidade entre passado e futuro. Michael Fleischer, escritor do caubói à época, teve a idéia de transportá-lo para o futuro (idéia nada original, usada décadas antes com Buck Rogers). Para sobreviver, o personagem foi obrigado a entender, na marra, a tecnologia futurista. Trocou o cavalo por uma moto, que aprendeu a "dominar". O estilo das histórias tinha muito dos filmes de Mad Max (veja na imagem ao lado e na postagem abaixo).
 
Por mais bem intencionada que fosse a proposta de Fleischer, ela não funcionou, e Hex logo voltou para o lugar onde permanece até hoje. Seria o mesmo que tirar Tex (caubói mais famoso dos quadrinhos, publicado por aqui pela Mythos) do oeste americano e enfiá-lo num mundo pós-apocalíptico. Isso quebraria o acordo de verossimilhança que existe entre autor e leitor. E o leitor, com razão, gritaria, assim como reclamou anos atrás da saga do clone, quando descobriu que o Homem-Aranha que ele aprendeu a gostar era, na verdade uma cópia do Peter Parker original (que agora voltava). A sensação foi a de traição. Mesmo caso em Hex.
 
Há uma outra dualidade no rosto de Jonah Hex (além da deformação). Seus traços foram inspirados em outra figura do western spaghetti, Clint Eastwood. O hoje respeitado ator e diretor era também um respeitado (para os fãs do gênero) protagonista de faroestes. Foi o modelo para os desenhistas das primeiras aventuras do anti-herói, publicadas originalmente na revista "All-Star Western", material que a Opera Graphica agora reedita. Os ilustradores dessa fase hoje são tidos como clássicos: Gil Kane, José Luis García-López, Jim Aparo e Tony DeZuñiga (co-criador de Jonah Hex). Recentemente, Hex voltou a ser publicado nos Estados Unidos. Os primeiros desenhos foram do brasileiro Luke Ross.
 
A obra que a Opera Graphica põe no mercado, curiosamente, brinca editorialmente com essa dualidade, tão característica no personagem. São dois volumes, com duas capas diferentes. Uma delas mostra metade do rosto, apresentando o lado deformado. O oposto é feito na outra capa (veja nas imagens desta postagem). O que permanece único é o tratamento dado pela editora aos títulos que lança. Todos têm acabamento de luxo, feitos por e para colecionadores.
 
Hex já passou por muitas editoras no Brasil: EBAL (ganhou até título próprio, em formatinho), Nova Sampa, Abril (a fase futurista), a própria Opera Graphica, que trouxe a nova fase do caubói, lançada pela Vertigo. Para os fãs, as 500 páginas de "Jonah Hex - Showcase" são a edição definitiva.
 
Dica: há um bom texto sobre Jonah Hex no site TexBR, o melhor sobre quadrinhos de faroeste. É de lá a informação de que as marcas do rosto foram feitas num ritual apache, com uma machadinha incandescente. Para ler, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h30
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DE VOLTA PARA O FUTURO

FASE DE JONAH HEX NO SÉCULO 21 SAIU PELA ABRIL EM 86

Não se engane. A moto ao lado é pilotada pelo caubói Jonah Hex, lançado do faroeste direto para o século 21. Essa fase, é bom que fique claro, não tem nada a ver com o álbum duplo, lançado pela Opera Graphica (veja na postagem acima). As histórias futuristas saíram no Brasil na revista "Super-Homem", então publicada na Editora Abril. Foram só duas aventuras: a estréia, no número 26 (agosto de 1986), e uma seqüência, na edição seguinte (setembro do mesmo ano). A imagem é do número 27, época em que a revista custava 7 cruzados (moeda que vigorava no Brasil). O desenho é de Mark Texeira.

A mesma revista traz um texto do escritor Michael Fleischer, autor da idéia. Um trecho: "V-você quer permissão pra fazer o quê?!" A voz nitidamente alterada pertence a Dick Giordano, vice-presidente executivo da Detective Comics, e não posso censurá-lo pela reação. Afinal, eu acabo de entrar em seu escritório e, calmamente, perguntei se podia transportar Jonah Hex –o famoso pistoleiro do Velho Oeste, cujas aventuras escrevo há mais de dez anos- para a Terra do século XXI, devastada pelo holocausto nuclear, povoada de robôs homicidas, mutantes psicóticos e quadrilhas de motociclistas depravados. Giordano estava em pé quando entrei, mas agora está sentado. Confortavelmente, eu espero. Porque, de repente, ficou pálido e ofegante."

Giordano, conta Fleischer, pediu um tempo para pensar. Demorou mais do que esperava, mas topou a idéia, que surgiu após o escritor ver um logotipo meio futurista feito pelo desenhista Ed Hannigan. A revista não durou dois anos. E o caubói arrumou um jeito de voltar para o passado (ou arrumaram um jeito para ele).

Perguntar não ofende: Hex no futuro? O que você acha?

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h24
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30/08/2006

TIRAS DE BOLSO

EDITORA LANÇA POCKETS DE PIRATAS, GERALDÃO E PATO

A editora gaúcha L&PM tinha uma tradição de publicar quadrinhos nos anos 80. Muitos dos álbuns eram com personagens nacionais. A década de 90 indicava que empresa não ia mais apostar no filão. Só que a aceitação da coleção pocket -edições em formato de livro de bolso- estimulou a editora a investir novamente em autores brasileiros (como mostrado em postagem do dia 26 de junho). Nesta virada de semana, chegaram às livrarias três títulos: "Geraldão - Edipão, Surfistão & Gravidão" (R$ 9), "Piratas do Tietê 2 - Histórias de Pavio Curto" (R$ 9) e "Pagando o Pato" (R$ 8).
 
O Pato, de Ciça, foi uma das tiras mais politizadas do país nos anos 70 e 80. A autora fazia dos animais uma metáfora do regime militar brasileiro. As formigas, por exemplo, tinham uma rainha, que sempre usava um porta-voz para se comunicar com os "reles" súditos (= o povo). É um importante registro de época.
 
A ditadura datou muitas das histórias do Pato. Mas Ciça soube se reciclar. Incluiu temas mais "democráticos" nas tiras, que são publicadas atualmente no "Jornal do Brasil", do Rio de Janeiro. Os personagens falam agora sobre os sem-terra, inflação, corrupção. É dessa fase o material da L&PM. A paulistana Ciça -ou Cecília Whitaker Vicente de Azevedo Alves Pinto- publicou uma outra coletânea de seus personagens em 1986. Saiu pela Circo Editorial. Era uma edição maior e mais completa do que o livro de bolso da L&PM. A capa, curiosamente, era a mesma.
 
"Geraldão - Edipão, Surfistão & Gravidão" mostra tiras do personagem-título, que saem na "Folha de S.Paulo" desde os anos 80. A edição traz histórias de Geraldão e de outras duas criações de Glauco: Casal Neuras e Van Grogue. Não são muitas tiras. Mas são suficientes para mostrar como o cartunista ajudou a tornar mais adulto o humor diário nos cadernos de cultura dos jornais brasileiros, em especial o da Folha.
 
Uma prova disso é a cueca de Geraldão. Explico. O leitor vai reparar que, neste primeiro número, o personagem com complexo de Édipo segura a cueca com uma das mãos. Ela ameaça, mas nunca cai. Anos depois, num contexto mais "liberal", criador e criatura assumiram a queda da peça íntima. Hoje, o Geraldão é publicado diariamente com tudo à mostra. Vale um estudo: observar a evolução de Geraldão sob a ótica da liberdade de expressão. O que mudou com o passar dos anos? Os meios de comunicação ficaram mais ousados no trato com as tiras ou a sociedade passou a aceitar melhor determinadas condutas?Ou as duas coisas? Geraldão é reflexo de tudo isso, independentemente da respostas.
 
A idéia do estudo vale também para Laerte e seus "Piratas do Tietê 2 - Histórias de Pavio Curto". A exemplo do número anterior, lançado em junho, é uma coletânea de histórias que saíram na "Folha de S.Paulo". Ao lado de "Chiclete com Banana", de Angeli, foi por anos uma das tiras mais urbanas do país. Serviu para influenciar muitas das tiras publicadas atualmente.
 
Piratas são de uma fase de Laerte em que ele impunha um humor mais agressivo. E violento, afinal, eram piratas. Também vale como comparação para as histórias que ele cria hoje na Folha. Possuem o mesmo rótulo no título: "Piratas do Tietê". Mas os piratas sumiram. Há muito tempo. Restou um humor diferente, mais introspectivo, mais filosófico, quase um novo gênero de tira. Os velhos personagens ficaram só no pocket.
 
A L&PM pretende publicar outras obras nacionais ainda neste semestre. A maioria é de Glauco. A editora também editou álbuns com tiras estrangeiras, caso de Recruta Zero, Hagar e Garfield.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 08h07
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29/08/2006

MEMÓRIA VIVA

SITE FAZ ARQUIVO DE REVISTAS E ILUSTRAÇÕES ANTIGAS

O jornal "Folha de S.Paulo" publicou um achado na edição de hoje. Edições inteiras de revistas históricas fazem parte de um arquivo digital, sediado no site Memória Viva. E o melhor: tudo de graça. Há obras que trazem os primórdios do humor gráfico nacional, caso de "O Malho" (de 1902) e "Careta" (o arquivo mostra uma edição de 6 de junho de 1908).
 
O Memória Viva possui ainda páginas digitalizadas do "Amigo da Onça", de Péricles, e da revista "Pif Paf". Publicada nos anos 60, a "Pif Paf" foi uma espécie de ensaio para o Pasquim, outro título que está nos planos do criador da página, o jornalista e historiador Sandro Fortunato. Faz tudo por amor à arte. E faz na raça.
 
Na reportagem, ele conta que ganhou a coleção do "Pasquim" de um morador de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Como Sandro mora em Brasília, buscou as edições de Ônibus. "Cheguei à rodoviária com 16 sacos de lixo lotados. O motorista me disse: ´Olha, você precisa transformar isso tudo em quatro volumes. Dois deles você tem direito a levar, o menor eu vou te cobrar, e o quarto eu finjo que não vi.", disse em entrevista à jornalista Gabriela Longman, que assina a matéria.
 
É parte da história da imprensa brasileira e da nosso humor visual. Vale visita. O endereço é: www.memoriaviva.com.br

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h59
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28/08/2006

TIRAS DE PIRACICABA

1º LUGAR NO SALÃO DE HUMOR: MISMATCHES

Autor: Acácio Geraldo de Lima - São Paulo

Até agora, só havia os nomes dos premiados na categoria tiras do 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba (anunciados nas postagens de hoje, ontem e sábado). Houve um problema na digitalização dos trabalhos vencedores. A assessoria do prêmio, o mais importante do país, só conseguiu sanar o problema no fim da tarde desta segunda-feira. Nesta e nas próximas postagens, podem ser vistas (em primeira mão) as imagens que justificaram a escolha dos nomes.

Todos os 270 trabalhos selecionados na edição deste ano estão expostos no Parque Engenho Central, em Piracicaba. O espaço da mostra abre todos os dias. A entrada é franca.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h58
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TIRAS DE PIRACICABA - II

2º LUGAR: OCRE

Autor: Gilmar Barbosa - Santo André / São Paulo

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h57
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TIRAS DE PIRACICABA - III

MENÇÃO HONROSA: O AMOR É UMA M...

Autor: José Antonio Costa - Teresina / Piauí

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h55
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SALÃO DE PIRACICABA

7 TRABALHOS TÊM MENÇÃO HONROSA NO SALÃO DE HUMOR

O júri do 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba condeceu sete menções honrosas na edição deste ano. Na categoria tiras, o destaque foi o trabalho de José Antonio Costa (pela história "O amor é uma m..."), de Teresina, no Piauí. O ilustrador teve outra menção na categoria charge, que também destacou o desenho de Eduardo dos Reis Evangelista, de Belo Horizonte, Minas Gerais. Das outras quatro menções, duas foram para cartuns e duas, para caricaturas.

As menções honrosas são dadas quando a qualidade do trabalho merece ser destacada, embora não tenha conquistado o primeiros ou segundo lugar. O júri deste ano contou com 16 participantes, entre eles os irmãos Ziraldo e Zélio e os cartunistas Orlando, Gual e Adão Iturrusgarai.

Veja as charges que tiveram menção honrosa nesta postagem. Nas próximas, estão os trabalhos das categorias cartum e carictura. Veja também os demais premiados nas postagens de ontem e de sábado (26.08).

MENÇÃO HONROSA

CHARGE

Eduardo dos Reis Evangelista

Belo Horizonte / MG

MENÇÃO HONROSA

CHARGE

José Antonio Costa

Teresina / PI

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h47
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MENÇÕES HONROSAS: CARTUM

MENÇÃO HONROSA

CARTUM

 

Erasmo Spadotto

 

Piracicaba / SP

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MENÇÃO HONROSA

 

CARTUM

 

Joaquim José Sacco Junior

 

Campinas / SP

 

 

 

 

 

 

 

 

  

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h29
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MENÇÕES HONROSAS: CARICATURA

A da esquerda é de Eduardo Baptistão, de São Paulo. A outra é de Alfredo Sabat, de Buenos Aires, Argentina.

      

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h22
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27/08/2006

SALÃO DE PIRACICABA

VEJA OS TRABALHOS QUE FICARAM EM 2º LUGAR

Os segundos colocados no 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba levam um prêmio de R$ 2.250 cada um. Na categoria tiras, o segundo lugar ficou com Gilmar Barbosa (Ocre), de Santos André, no ABC paulista. As demais categorias -charge, cartum e caricatura- você confere abaixo. Veja também os premiados em primeiro lugar na postagem de ontem à tarde (26.08).

2º LUGAR - CHARGE

Alberto da Costa Santos

Aracaju / SE

2º LUGAR - CARTUM

Lézio Custódio Júnior

São José do Rio Preto / SP

2º LUGAR - CARICATURA

Lucas Leibholz

Piracicaba / SP

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h09
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26/08/2006

VENCEDORES DE PIRACICABA

DEFINIDOS OS PREMIADOS DESTE ANO DO SALÃO DE HUMOR

A assessoria do 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba divulgou agora há pouco os trabalhos premiados deste ano. O Blog dos Quadrinhos mostra em primeira mão as ilustrações vencedoras de três categorias: charge, cartum e caricatura. A quarta categoria, tiras, foi vencida por Acácio Geraldo de Lima (Mismatches), de São Paulo. 270 desenhos haviam sido selecionados para esta etapa do salão, o principal do país e um dos mais importantes do mundo.

Os prêmios serão entregues hoje à noite, a partir das 20h (leia mais detalhes na postagem abaixo). Os primeiros colocados ganham R$ 4 mil cada um. Uma curiosidade: dois dos quatro vencedores são estrangeiros. Neste ano, houve ainda sete menções honrosas, dada a qualidade dos trabalhos.

 

MELHOR CHARGE

Oswaldo da Costa Santos (Dacosta) - Santos / SP

 

 

 

MELHOR CARTUM

Makmudjon Eshonkulov

República do Uzbequistão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MELHOR CARICATURA

Omar Figueroa Turcios

 Madrid / Espanha 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h53
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25/08/2006

HUMOR DE PIRACICABA

SALÃO DE HUMOR DEFINE OS VENCEDORES NESTE SÁBADO

Alô, alô, freguesia: os vencedores do 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba vão ser conhecidos neste sábado. Uma primeira seleção escolheu 270 trabalhos, que concorrem a uma das quatro categorias: charge, cartum, caricatura e tiras. Amanhã, um segundo júri define os vencedores.
 
Os encontro para definir os premiados está marcado para o fim da manhã. O júri deste ano é composto por 16 pessoas. Entre elas, estão os cartunistas Orlando, Gual, Adão Iturrusgarai e os irmãos Zélio e Ziraldo (criador do Menino Maluquinho). À noite, os nomes são divulgados ao público e tem início à exposição com os 270 desenhos selecionados. Os primeiros lugares de cada uma das quatro categorias ganha R$ 4 mil. Os segundos colocados levam R$ 2.250.
 
Esta edição do Salão de Piracicaba teve quase 1600 trabalhos inscritos, 200 a menos que no ano passado. Mas houve aumento no número de países estrangeiros participantes. Passou de 21 (em 2005) para 22 (neste ano). Além da exposição com os desenhos selecionados, a organização do evento programou uma série de outras mostras e lançamentos, todos relacionados ao humor (há até uma "instalação sanguessuga", que deve funcionar numa "ambulância sanguessuga").
 
O Salão Internacional de Humor de Piracicaba é o principal do país (e um dos mais importantes do mundo). Foi criado em 1974 como uma forma de valorizar a produção artística nacional. Cumpriu a meta, mas teve um segundo papel: as imagens serviram como grito de resistência ao Regime Militar que vigorava no país. Hoje, a cidade do interior paulista se tornou referência no assunto. O prêmio é a principal atração turística do município e já faz parte da agenda e eventos culturais.
 
Os organizadores do Salão lançaram no dia 31 de julho um catálogo com as obras selecionadas no ano passado. As duas ilustrações desta postagem fazem parte do livro. O desenho do ministro da Cultura Gilberto Gil foi a vencedora de 2005 na categoria caricatura. É de autoria de Baptistão. A outra ilustração foi a premiada na categoria cartum. O trabalho é do Irã e é assinado por Mohammad Amin Aghaey.
 
SERVIÇO
Abertura do 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Quando: sábado, 25.08. Horário: a partir das 20h. Onde: Armazém 7 do Parque Engenho Central. Endereço: av. Maurice Allain, 454, Piracicaba (acesso pela rodovia dos Bandeirantes, no km 134B, ou pela rodovia Anhangüera, no km 120. Quanto: de graça. Obs.: a exposição será no Armazém 14 do Engenho Central. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h56
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24/08/2006

QUANTA GENTE

ESTÚDIO PROMOVE BATE-PAPOS SOBRE QUADRINHOS EM SP

Fazer bate-papos com pessoas ligadas à área de quadrinhos. Com entrada franca. A idéia não ficou só na proposta e foi colocada em prática pela Quanta Academia de Artes, em São Paulo. A escola de desenho programou uma série de convidados para este semestre, sempre às sextas-feiras à noite. No encontro desta sexta (25.08), o Quanta Gente (como foi chamado o evento) vai receber três palestrantes: Fernando Lopes e os desenhistas Greg Tocchini e Edde Wagner.
 
Lopes é editor das revistas Marvel editadas pela Mythos (para a Panini). Wagner e Tocchini têm dois pontos em comum: são professores de desenho da Quanta e têm experiência com editoras estrangeiras (Marvel e DC, para citar as duas grandes). É de Tocchini a arte da continuação da minissérie "1602", título que chegou às bancas nesta semana ("1602 - Novo Mundo", Panini, R$ 8). Atualmente, faz a arte da série "Ion", para a DC (ao lado, uma das páginas da revista).
 
A Quanta -estúdio de Marcelo e Fátima Campos- agendou palestras até o meio de novembro. A próxima, em 15 de setembro, é com o desenhista Renato Guedes, outro brasileiro que também faz trabalhos para a DC Comics. Estas não são as primeiras palestras. Em junho, a escola recebeu os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá (ver postagem do dia 22 de junho).
 
SERVIÇO
Quanta Gente. Quando: sexta-feira, 25.08. Horário: a partir das 20h. Onde: Quanta Academia de Artes. Endereço: rua Minas Gerais, 27, Higienópolis, São Paulo (perto do metrô Consolação). Quanto: de graça.
 
Para ver a lista completa dos próximos Quanta Gente (e para ver vídeos com os professores), entre no blog da Quanta. Clique aqui.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h58
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23/08/2006

GEMMA BOVERY

AUTORA INGLESA FAZ LITERATURA E(M) QUADRINHOS

A fronteira que separa quadrinhos e literatura sempre foi tênue. Há quem defenda que não existe diferença entre os dois. Outros, mais radicais, propõem que os quadrinhos são a literatura definitiva, modernizada para uma nova época, mais dependente do elemento visual na composição do texto. De uns anos para cá, surgiram pesquisas –poucas ainda, é verdade- mais conciliatórias. Uma delas, de autoria de Daniele Barbieri (“El lenguaje del cómic”), defende que os quadrinhos já compõem uma linguagem autônoma. Mas não deixam de receber influência de outros “ambientes” (como o autor chama), como a literatura, o teatro e o cinema.

Um álbum - que começa a ser vendido hoje nas livrarias e lojas especializadas em quadrinhos- reforça ao extremo o ponto de vista de Barbieri. “Gemma Bovery” (Conrad, R$ 38,90) é uma história em quadrinhos contada na linguagem da literatura. Aquela linha que separa os dois ambientes se torna fina demais, a ponto de a pessoa se questionar o que está lendo. Há o texto, tal qual um romance. Só que a narrativa é cortada por alguns quadros (com personagens e balões), que acrescentam informações à narrativa.

“Lobo Alpha”, um álbum brasileiro lançado neste ano, usou o mesmo recurso (ver postagem do dia 14 de junho). Foi feito por dois autores. Helena Gomes escrevia a história que, em determinados momentos, tinha cortes visuais, desenhados por Alexandre Barbosa. “Gemma Bovery” vai além. A estratégia de intercalar ora literatura, ora quadrinhos, é feita em todas as páginas. E mais de uma vez.

 

A inglesa Posy Simmonds, autora de “Gemma Bovery”, consegue questionar a fronteira existente entre as duas linguagens ao mesmo tempo em que brinca com ela, como se a dominasse por completo. A mescla é intencional e faz parte também da composição da história. Há uma intertextualidade (uso explícito ou implícito de elementos de um texto em outro) declarada com o romance “Madame Bovary”, do francês Gustave Flaubert. As semelhanças começam com a proximidade sonora entre os nomes: Gemma Bovery/Emma Bovary. A protagonista do álbum de Simmonds vive em Bailleville e é casada com Charlie Bovery. No romance de Flaubert, a protagonista mora em Yonville e é casada com Charles Bovary, representado como um homem ingênuo e ao mesmo tempo ridículo. Algo semelhante ocorre em “Gemma Bovery”.

 

Os nomes são as semelhanças mais superficiais e intencionalmente óbvias. A intertextualidade avança e se aprofunda na trama do romance de Flaubert, obra tida como marco a literatura realista. É exatamente o tom realista, que ridiculariza para o leitor elementos do mundo real, que pauta também o trabalho de Simmonds. As duas protagonistas vivem a mesma historia, só que em momentos históricos diferentes. Ambas estão desgostosas da vida que levam, bem como do marido. As duas, Gemma e Emma, mantêm casos extraconjugais e, por causa deles, contraem dívidas, que não podem pagar.

 

Em determinado momento, os personagens fazem a mesma pergunta que o leitor tem em mente: as duas protagonistas teriam também o mesmo fim? Gemma é alertada por um amigo das semelhanças, tanto que ganha dele, de presente, um exemplar de “Madame Bovary”, explicitando para quem lê o último resquício de intertextualidade. Falar mais pode estragar o desfecho da trama. Das duas tramas, para quem não leu a obra clássica de Flaubert.

 

Posy Simmonds –ou Rosemary Elizabeth Simmonds- atualmente faz uma tira no jornal inglês “The Guardian”. Começou a carreira no fim dos anos 60 e tem, desde então, acumulado prêmios e diversificado a carreira. Parte do que se lê em “Gemma Bovery” advém da experiência com livros infantis. Mas não se engane. O álbum lançado hoje de pueril não tem nada. A obra faz um convite ao leitor adulto para que acione todas as informações que guarda na mente sobre duas linguagens que ele supostamente conhece, a dos quadrinhos e a literária. E faz a pessoa questionar esses conhecimentos. Será literatura? Serão quadrinhos? Seriam as duas linguagens? É a fronteira que separa os dois ambientes em xeque.

A editora Conrad colocou em seu site o primeiro capítulo de “Gemma Bovery”. Para ler, clique aqui

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 09h26
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22/08/2006

MARCELO CAMPOS

DESENHISTA RELEMBRA O (DIFÍCIL) COMEÇO NOS EUA

Hoje, há estrelas brasileiras brilhando no disputado mercado norte-americano dos super-heróis (como mostrado na postagem abaixo). Isso só foi possível por causa do trabalho de desbravadores como Marcelo Campos. O desenhista foi um dos primeiros brasileiros a trabalhar para as grandes editoras dos Estados Unidos. Foi também pioneiro em assumir a arte de um título de primeiro escalão. Ele foi o titular da prestigiada revista da Liga da Justiça, uma das mais importantes revistas da DC Comics. Deixou de atuar na área neste ano. O último trabalho foi a arte-final dos desenhos de outro brasileiro, Ivan Reis. Hoje, ele se dedica ao estúdio de arte Quanta e a uma criação sua: o personagem Quebra-Queixo.
 
O começo nos Estados Unidos foi na virada dos anos 80 para os 90. Na época, Marcelo Campos -ou Marc Campos, como assina em solo norte-americano- foi muito criticado por aqui. "Em todas as palestras que fiz em universidades, faculdades e centros culturais de todo o país, sempre existiam aqueles que se levantavam e gritavam dizendo que eu era um vendido e isso e aquilo. Em algumas ocasiões, outros profissionais que estavam na mesma mesa que eu, arrancavam o microfone de minhas mãos e me acusavam disso e daquilo... foi uma época estranha... eu achava tudo muito engraçado", diz. "Mas entendo a paixão de todo esse pessoal em relação ao assunto quadrinho nacional. O mais engraçado, é que durante muito tempo eu era o único brasileiro que publicava no exterior, mas estava sempre tentando fazer alguma coisa aqui no Brasil também, com o personagem Quebra-Queixo ou a revista Alta Voltagem, lançada pela minha editora. Então, de alguma maneira eu estava tentando fazer com que nossa ida lá pra fora, resultasse em algo aqui pra dentro."
 
O tempo ajuda a entender melhor os eventos (estão aí os historiadores para provar). Hoje, 15 anos depois e num contexto completamente diferente, ele relembra a trajetória pioneira nos States. Trajetória que abriu espaço para uma nova geração trilhar o mesmo caminho. O depoimento foi enviado por e-mail e reconstrói um momento histórico importante para o papel do desenhista brasileiro. O texto foi mantido na íntegra.   
 
 
"Eu entrei no mercado norte-americano em 1989... bem no começo do ano.

Começamos eu e o Watson Portela. O Portela publicou um material já pronto dele na Malibu -o "Paralelas" (que lá foi nomeado de "Inferno") - e eu fiz duas minisséries pra Malibu -a "Deathworld" (em 12 edições) e a "Retief and The Warlords" (também em 12 edições). Mais ou menos 7 meses depois que nós entramos, vieram o Kipper, o Cariello e o Hector Gomes. Depois de um tempo é que veio a terceira leva, com o Bilal, o Deodato, o Mozart Couto e alguns outros.

Em 91, eu entrei na DC fazendo o "Darkstars" e depois de três ediçoes eu fui contrato por dois anos e meio pra fazer a Liga da Justiça. Foi um pouco depois desse período que o Roger Cruz pegou o Hulk e o Deodato, a Mulher-Maravilha. Foi aí que a coisa começou mesmo a esquentar. Eu peguei a Liga no final de 90 ou 91... não me lembro...  Logo depois, uns três ou quatro meses, o Roger me ligou dizendo que estava indo pra Marvel pra fazer o Hulk! Foi um momento muito bacana, porque a gente sempre foi muito criticado no sentido de que todos achavam que os brasileiros nunca pegariam uma editora importante, só as pequenas...

Foi meio assim:
- primeiro eles diziam que a gente nunca entraria no mercado norte-americano... aí eu e o Watson entramos...
- depois eles disseram que a gente nunca entraria numa grande editora... aí eu entrei na DC...
- depois eles disseram que a gente até poderia entrar numa grande editora, MAS que a gente nunca pegaria um título importante... aí eu peguei a Liga... meses depois o Roger pegou uma edição de Hulk e logo foi pra X-Men! Meses depois o Deodato pegou a Mulher-Maravilha!

Era muito engraçado tudo isso!
 
 
A negociação foi rápida. Eles gostaram do que eu havia feito em "Darkstars" -cumpri os prazos e a qualidade esperada  e aumentei as vendas. Eles me chamaram pra fazer a Liga. Foi bem rápida e um pouco assustadora porque a Liga é o terceiro título da DC: primeiro Batman, depois Superman e depois Liga. Foi simples, rápido e divertido, mas nunca foi o que eu queria fazer... mas fiz. Nunca sonhei em desenhar super-heróis e fazer esse tipo de trabalho, mas aconteceu.

Acho que essa época foi uma época de construção. O Helcio [de Carvalho, um dos donos da Art & Comics, que agencia artistas brasileiros nos Estados Unidos] sempre me lembrava da minha responsabilidade em todo esse processo, já que estava sendo "a escada", como ele dizia. Havia sido o primeiro a pegar um trabalho "encomendado" por uma editora norte-americana, depois o primeiro a pegar um título de uma grande editora e depois o primeiro a pegar um grande título. Não era uma coisa da qual eu me gabava. Nunca quis esse tipo de responsabilidade e nem era uma coisa que havia imaginado pra mim em termos de carreira.

De qualquer maneira, tentei fazer o melhor trabalho possível. Depois, tentei direcionar minha carreira pra outros tipos de materiais, mais independentes, mas como não dá muita grana e é sempre possível a chance de não receber, não existia tanto interesse por parte do Art & Comics. Aí decidi parar e abri a Fábrica de Quadrinhos, atual Quanta. Acho que gosto mais de ver o pessoal se formando do que propriamente fazer material de super-heróis pra fora.
Acho que é por aí!"

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h55
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TALENTED BOYS FROM BRAZIL

DESENHISTAS BRASILEIROS SE TORNAM ESTRELAS NOS EUA

No sexto número da minissérie "Crise Infinita", lançada nos Estados Unidos em maio deste ano e ainda inédita por aqui, o vice-presidente sênior e editor-executivo da DC Comics, Dan Didio, escreveu um editorial para falar dos desenhos dos novos títulos da editora. No fim do primeiro parágrafo, ele fez menção às ilustrações dos "incrivelmente talentosos meninos do Brasil". Citou Ivan Reis, Ed Benes e Joe Bennett. Artista brasileiro recebendo elogio do manda-chuva de uma das principais editoras norte-americanas? O que é que está acontecendo?
 
O que acontece é que um grupo de desenhistas brasileiros ganhou status de estrela de primeiro time. Eles têm sido escalados para os títulos mais prestigiados da editora. Benes (nome artístico de José Edilbenes, que mora em Limoeiro do Norte, no Ceará) foi escalado para ilustrar as histórias da nova revista da Liga da Justiça.  O texto será do badalado escritor Brad Meltzer (o mesmo de "Crise de Identidade"). Também é dele a arte da atual fase da revista nacional do Super-Homem. Bennett (ou José Benedito da Conceição Nascimento, que vive em Belém, no Pará) fez alguns desenhos da última edição da "Crise Infinita" e continuou na megassérie "52", que deu seqüência à saga. Reis também ilustrou algumas edições de crise. Atualmente, faz os desenhos de "Green Lantern" (Lanterna Verde), um dos títulos mais vendidos da DC Comics (acima, uma imagem inédita da revista).
 
Ivan Reis conta que a chegada à revista do herói esmeralda foi um processo iniciado anos antes. O nome do desenhista começou a ganhar destaque depois que assumiu a arte de "Action Comics", o mais antigo título da editora, que mostra aventuras do Super-Homem. "Na hora em que eu peguei o título, não acreditei; fiquei treinando o "S" do Superman por três meses", diz o artista de 29 anos, que mora em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. "Superman e Batman estão entre os personagens mais conhecidos do planeta. Até minha avó conhece", brinca. Um dos desenhos da revista aparece na abertura do filme "Superman - O Retorno", ainda em cartaz.
 
A fase em "Action Comics", já publicada no Brasil pela editora Panini, abriu as portas para outros projetos, ainda mais importantes. Assumiu o traço da minissérie "Guerra Rann/Tanaghar", publicada por aqui na revista "Contagem Regressiva para Crise Infinita" (o segundo número chega às bancas nesta semana; veja capa ao lado). Participou do megaevento "Crise Infinita", do qual recebeu elogios de Dan Didio. Quem sugeriu o nome dele foi o próprio titular da série, o desenhista Phil Jimenez, sobrecarregado pelo volume de ilustrações que tinha de fazer. "É uma das revistas mais importantes da editora. E um brasileiro estava lá", diz.
 
Após Crise, recebeu três propostas do editor Eddie Berganza: voltar para "Action Comics", ir para o título dos Novos Titãs (outro que figura entre os mais vendidos da editora) ou embarcar nas histórias do Lanterna Verde. optou pelo Lanterna. Reis mantém um contrato de exclusividade com a DC Comics até 2009. Para ele, colhe-se hoje o resultado de anos de trabalho em títulos americanos. "Foi trabalho duro mesmo. Trabalho sem preguiça. Velocidade com qualidade", conta o desenhista que hoje é quem agencia os próprios trabalhos.
 
Reis, no entanto, é exceção. A maioria usa os serviços da empresa Art & Comics. Criada no fim dos anos 90, tem a função de fazer uma espécie de meio de campo entre artista e editora. Joe Prado, que cuida dessa tarefa, diz que a DC Comics depositou muita confiança nos trabalho dos brasileiros. Confiança correspondida. A editora é, hoje, a que mais usa mão de obra daqui. "A DC Comics é boa de se trabalhar. Tanto no pagamento quanto no volume de trabalho. Eles não deixam você parado", diz. "Todo o processo de Crise Infinita foi se construindo. E nós fazíamos parte desse processo".
 
Prado possui um portfólio de cerca de 30 artistas. Aos poucos, vão conseguindo mostrar trabalho nos Estados Unidos. Ed Barrows (adaptação de Eduardo Barros) é outro brasileiro que participoa de "52". Paulo Siqueira fará a arte de Aves de Rapina, título que teve mais de 50 edições feitas por brasileiros. Renato Guedes participa da nova série OMAC. Isso só na DC.
 
Na rival Marvel, Roger Cruz assinou contrato de exclusividade. E Mike Deodato muda de revista: sai do Homem-Aranha (fase publicada atualmente no Brasil; a imagem ao lado é do desenhista) e passa para o prestigiado Esquadrão Supremo. E há quem produza material para as duas editoras. Greg Tocchini está à frente de Ion, na DC, e da continuação da série 1602, publicada nesta semana pela Panini.
 
Não é de hoje que os brasileiros atuam no disputado mercado dos super-heróis. Um dos primeiros a participar de um grande título foi Marc Campos, ou Marcelo Campos. É dele a arte-final de Ivan Reis em "Action Comics" e na minissérie "Guerra Rann-Thanagar". Nos anos 90, o desenhista fez a arte da revista da Liga da Justiça. Hoje, ele atua na Quanta Academia de Artes, em São Paulo.
 
 
Veja uma prévia dos trabalhos de Ivan Reis e de Ed Benes na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h26
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21/08/2006

PRÉVIA: IVAN REIS & ED BENES

Os desenhos abaixo são de autoria dos brasileiros Ivan Reis e Ed Benes, respectivamente. O primeiro é inédito e faz parte da revista "Green Lantern". O segundo, de  Benes, é uma chamada para o novo título da Liga da Justiça e já circula há algum tempo na internet.
 
 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h38
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EROTISMO À ITALIANA

GIOVANNA CASOTTO USA O PRÓPRIO CORPO COMO MODELO

A imagem que se vende da italiana Giovanna Casotto é semelhante à de Bruna Surfistinha para os brasileiros. Dadas as devidas proporções, é claro. Casotto não ficou famosa por relatar histórias do tempo em que era garota de progarama (caso de Surfistinha). Mas ganhou fama na abordagem do sexo. A brasileira escreve memórias; a italiana desenhar histórias eróticas. Com um detalhe: as imagens são baseadas em fotos que tira dela mesma.
 
Giovanna Casotto não é muito conhecida por aqui (ao contrário de seu país de origem). Isso dá um atrativo a mais ao lançamento do álbum que traz o nome (Conrad, R$ 45). A edição, que chega às bancas e livrarias nesta virada de semana, mostra dez histórias eróticas feitas pela desenhista. É curioso ver uma mulher mexer com o tema. Não se trata um caso de machismo. É que é raro ver traços eróticos feitos por mulheres na história dos quadrinhos. Casotto passeia no erotismo, sem deixar a desejar aos trabalhos já existentes e que tem na Itália algumas das histórias de mais expressão do gênero. A artista vai fundo nos traços. Literalmente fundo. Não usa artifícios para esconder o que o leitor desse tipo de história espera ver ao comprar a obra.
 
O álbum faz parte de uma série de edições eróticas editadas pela Conrad. A coleção Eros (como foi chamada) já publicou o primeiro número de "Clic", do italiano Milo Manara (um especialista na arte erótica) e "Omaha, a stripper", de Reed Wlaker e Kate Worley. É também da editora a reedição da "mãe" dos quadrinhos eróticos europeus: Valentina. A Conrad lançou neste ano uma reedição das primeiras histórias da personagem (ver postagens do dia 10 de maio).
 
A coleção Eros -e, por extensão, este álbum de Giovanna Casotto- talvez enfrente problemas para ser distribuída às bancas e livrarias. Motivo: haveria uma censura a capas muito ousadas nas bancas e livrarias. A informação é do jornalista Gonçalo Junior. Ele abordou o assunto na coluna Guerra dos Gibis, que escreve no site Bigorna. Um caso citado por ele: as obras de Robert Crumb. Não seriam vendidas por ter conteúdo pornográfico.
 
Segundo o jornalista, a fonte dos relatos é o dono da Conrad, Rogério de Campos. Algumas capas da editora estariam sendo montadas de um modo que escondesse a voluptuosidade feminina (caso de "El Gaucho"). E voluptuosidade explícita, não só feminina, é o que não falta no trabalho de Casotto. Seria motivo para o álbum sofrer esse "boicote"?
 
É revelador o tema abordado pelo jornalista Gonçalo Junior. Merece leitura. Clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h52
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20/08/2006

SUPERSALVADOR DA PÁTRIA

ENQUETE MOSTRA QUE SÓ SUPER-HOMEM SALVA O BRASIL

Que figura da literatura, cinema, folclore ou quadrinhos seria capaz de resolver os problemas do Brasil? Foi essa a pergunta feita numa enquete da Folha Online. O resultado saiu hoje na Revista da Folha (que circula junto com o jornal "Folha de S.Paulo"). O vencedor? Super-Homem. Quase um quarto dos 18.838 internautas escolheu o homem de aço para solucionar as mazelas brasileiras. O herói teve 23% dos votos. A Feiticeira e Jeannie (dos seriados homônimos) aparecem em segundo e terceiro lugares (10% e 9%, respectivamente).

Outros dois personagens dos quadrinhos figuram entre os dez mais votados. Lex Luthor, maior rival do herói de Krypton, surge na sétima colocação (6%). Hulk foi o décimo mais lembrado (5%). Veja a lista dos dez mais votados:

  1. Super-Homem – 23% (4.276 votos)
  2. Feiticeira – 10% (1.959)
  3. Jeannie – 9% (1.072)
  4. Willy Wonka – 9% (1.636)
  5. Fada Madrinha – 8% (1.450)
  6. Dick Vigarista – 7% (1.252)
  7. Lex Luthor – 6% (1.252)
  8. Bento Carneiro – 6% (1.064)
  9. Dom Quixote – 5% (1.014)
  10. Incrível Hulk – 5% (891)

E para você? Que personagem dos quadrinhos resolveria as mazelas do Brasil?

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h28
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JORNADA EM QUADRINHOS

40 ANOS DE STAR TREK NOS QUADRINHOS BRASILEIROS

"O espaço, a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise em sua missão de cinco anos para exploração de novos mundos, para pesquisar novas vidas, novas civilizações... audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve..."
A narração de abertura do seriado Jornada nas Estrelas está inscrita no DNA de qualquer fã da série. A missão de cinco anos foi encurtada para três, período que durou a série (1966-1969), mas não pôs fim à missão da Enterprise. A jornada continuou nas reprises durante os anos 70. Virou febre e deu sobrevida ao seriado, que vive há 40 anos na memória dos fãs. Um grupo de admiradores de "Star Trek" faz neste fim de semana nos Estados Unidos um grande encontro para marcar as quatro décadas de Kirk, Spock, Mckoy e companhia.
O encontro antecipa a data oficial de comemoração de 40 anos de Jornada. A série estreou na rede norte-americana no começo de setembro de 1966. No Brasil, chegou anos depois, ainda na década de 60, na extinta TV Excelsior. Era dublado pela hoje saudosa AIC-São Paulo (a narração de abertura era lida pelo locutor de rádio Antonio Celso). Foi nesse período que começaram as adaptações do seriado para os quadrinhos, tanto lá nos Estados Unidos como cá no Brasil.
A primeira versão da jornada em quadrinhos foi em 1967 nos Estados Unidos, em edições feitas pela editora Gold Key. Durou até o lançamento do filme baseado no seriado, no fim dos anos 70. A versão cinematográfica deu novo fôlego à franquia e atraiu os olhos da grande editora Marvel Comics, de Homem-Aranha, Hulk e outros. A parceria foi de 1979 a 1982, quando a rival DC Comics adquiriu os direitos de publicação. Os personagens ficaram na editora até 1995. A partir daí, novo pulo de editora em editora: Marvel, Malibu, Wildstorm. A última notícia é que será feito um mangá da série.
No Brasil, o seriado nunca emplacou nos quadrinhos. O material americano da Gold Key começou a ser editado pela EBAL (Editora Brasil-América) no fim dos anos 60, época em que Jornada nas Estrelas começou a ser exibida na TV. A revista teve vida curta. Passou para a Abril na década seguinte (uma das capas ao lado), que lançou a revista em formatinho (formato menor, parecido com o das atuais edições infantis). De novo, poucas edições.
A Abril fez novo esforço em 1991, quando a série comemorava, com toda a pompa, 25 anos de criação. A série voltava também à televisão na extinta TV Manchete, com nova dublagem (a abertura e Kirk tiveram a voz do prestigiado Garcia Junior, mesmo dublador de He-Man, Macgyver e outros; é a mesma versão que saiu nos três box em DVD). A tripulação da Entreprise ganhou revista em formato americano em novembro de 1991, com histórias escritas por Peter David (que fazia sucesso escrevendo Hulk). O autor impôs um ritmo de humor fino e aventura nas edições. Funcionou enquanto história, mas não garantiu a continuidade da revista, que alternava o espaço com aventuras da Nova Geração. Novo cancelamento, no nono número.
Em agosto de 2002, a editora Brainstore publicou uma das mais bem escritas histórias em quadrinhos de Star Trek: "Jornada nas Estrelas - Dívida de Honra". Era uma graphic novel escrita por Chris Claremont (autor que ficou famoso escrevendo aventuras dos X-Men) e desenhada por Adam Hughes. A trama se passava após os eventos narrados no quarto filme do cinema e ainda pode ser encontrada nas lojas especializadas em quadrinhos.
Reler os quadrinhos da série mostra que, assim como nas reprises, o tempo não passa para os atores de Jornada nas Estrelas. Pelo menos no irreal mundo da ficção científica. Longe do espaço e bem perto da nossa realidade, a história é outra. William Shatner (Kirk) e Leonard Nimoy (Spock) já estão com 75 anos (eram esperados na convenção deste fim de semana nos Estados Unidos). Deforest Kelley (McKoy) e James Doohan (Scotty) já morreram. Mas todos estão vivos na memória.
Há um texto muito bom sobre as adaptações em quadrinhos de Jornada nas estrelas no site Trekbrasilis. Foi fonte de parte das informações lidas aqui. Vale leitura. Clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h20
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19/08/2006

CAIM

ÁLBUM ARGENTINO TRAZ DESENHOS DE EDUARDO RISSO

Este ano se torna definitivamente um dos mais ecléticos em termos de lançamentos de quadrinhos. As editoras nacionais não miram mais seus alvos apenas nos Estados Unidos e Japão. Estão de olho em outros mercados também. Nesta virada de semana, chega às bancas um álbum argentino, "Caim" (Mythos, R$ 19,90). A edição é escrita por Ricardo Barreiro e desenhada pelo premiado Eduardo Risso.
 
O leitor vai comprar a obra por causa da arte de Risso. Ele é o chamariz do título e o que levou a editora Mythos a publicar no Brasil um título argentino (em tese, de pouco apelo comercial). Apesar de ter ilustrado histórias na Argentina por quase duas décadas, fez fama nos Estados Unidos. O sucesso veio com a série "100 Balas", publicada por aqui pela Opera Graphica. O trabalho rendeu a ele, em 2001, o prestigiado prêmio Eisner na categoria de melhor desenhista. Risso ainda trabalha na revista.
 
O mesmo leitor que levar para casa o álbum por causa da arte vai ler a história de um menino, abandonado ainda bebê. Como o abandono não deve ter ocorrido por um bom motivo, foi batizado de Caim pelas pessoas que o acharam (referência ao personagem bíblico). O tempo tornou o garoto um hábil ladrão, atividade que o leva a um reformatório (onde permaneceria até atingir a maioridade). A vida do confinamento e a uma rebelião fazem o menino tornar-se homem e querer vingança daqueles que o trataram mal.
 
Aparentemente, é mais uma história de vingança como tantas outras. Mas só aparentemente. É uma história de Ricardo Barreiro, o que significa muito. O roteirista pode ser desconhecido dos brasileiros, mas é muito (re)conhecido na Argentina e Europa. Começou a mexer com quadrinhos na década de 70. Em 78, a ditadura o levou ao exílio. Morou na Espanha, França, Itália, sempre trabalhando na área. Voltou a produzir quadrinhos na Argentina na década de 80 na revista "Fierro" (espécie de "Heavy Metal" ou "Metal Hurlant"). Foi lá que surgiram em 1988 os capítulos de "Caim", agora compilados neste álbum.
 
Barreiro e Risso tiveram outra parceria, também na "Fierro": "Parche Chas". Sabe-se pouco da obra. Mas, do pouco que se sabe, é possível que seja superior a "Caim". Agradou tanto que os autores fizeram uma continuação. Talvez os dois fizessem outros projetos juntos. O tempo se encarregou de pôr fim à parceria. Barreiro morreu em 1999, aos 49 anos.
 
O sucesso de Risso fez o mercado internacional voltar os olhos para tudo o que o desenhista fez. Suas obras foram compiladas e lançadas para o mundo. Esta edição que a Mythos publica não vem da Argentina, vem da SAF (Strip Art Features), empresa criada em 1972 e que, hoje, tem sede na Eslovênia. A aceitação de "Caim" pode abrir espaço para outros materias de Risso, como "Parche Chas". E, quem sabe, seja o início de um intercâmbio tardio entre os países integrantes do Mercosul. Intercâmbio que tem muito material para se pautar. Material bom, mesmo sem o questionável aval do mercado norte-americano.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 09h17
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18/08/2006

QUADRINHOS EM DEBATE

DOIS (BONS) EVENTOS OCORREM EM SÃO PAULO E NO CEARÁ

Na falta de um, dois bons eventos sobre quadrinhos neste fim de semana. No Ceará,  começa hoje o Festival Internacional de Ilustração de Fortaleza, evento que ocorre paralelamente à sétima Bienal Internacional do Livro. Em São Paulo, está marcado para amanhã o segundo "Enquadrando - Encontros sobre Quadrinhos em São Paulo", promovido por Marko Ajdaric, jornalista do site Neorama dos Quadrinhos.
 
O Festival Internacional de Ilustração de Fortaleza vai até o dia 27 de agosto. Intercala imagem e palavra, tal qual uma história em quadrinhos. A imagem é vista na exposição "Ilustração - 1001 Utilidades", que apresenta trabalhos de 30 artistas do humor gráfico. A parte da palavra fica a cargo de uma série de palestras. Os organizadores agendaram três por dia, sempre às 15h, 17h e 19h. Algumas se destacam.
 
Amanhã, às 17h, o tema é quadrinhos na sala de aula. Dois palestrantes vão conduzir a discussão: 1) Waldomiro Vergueiro, coordenador do Núcleo de Histórias em Quadrinhos da USP (Universidade de São Paulo) e organizador do livro "Como usar as histórias em quadrinhos na sala de aula"; 2) Weaver Lima, criador do projeto Lápis Atômico (que produz revistas em quadrinhos em escolas).
 
No domingo, às 19h, os desenhistas Clayton (do jornal "O Povo") e Jean (da "Folha de S.Paulo") falam sobre o processo de produção das charges. Na segunda-feira, Fábio Zimbres (que trabalhou na extinta "Animal") e Klévisson Viana (da editora Tupiniquim) comentam a experiência de fazer quadrinho alternativo no Brasil.
 
O maior destaque do Festival fica para o meio da semana. É o premiado ilustrador português José Carlos Fernandes, autor de "A Pior Banda do Mundo" (série de álbuns editada pela Devir). Ele fala de sua experiência na terça-feira em dois horários: às 15h e às 19h (aqui, ao lado de Zimbres).
 
No restante da semana, as oficinas de quadrinhos dominam a agenda do Festival.
 
Esta segunda edição do "Enquadrando - Encontros sobre Quadrinhos em São Paulo" é mais ampla do que a primeira, tanto no espaço físico (ocorre na Gibiteca Henfil) quanto no número de convidados. A partir das 15h, começam as "sessões de 15 minutos", em que cada convidado fala durante um quarto de hora.
 
Entre os convidados, destaque para: Márcio Baraldi (para falar do novo álbum de "Roko Loko e Adrina Lina"), Leonardo Pascoal (da independente "Quadreca"), Rodrigo Arco e Flexa (para falar de seu mestrado na USP sobre a editora EBAL), Rodolfo Zalla (comenta os 50 anos da obra argentina "El Eternauta" e Audálio Dantas (autor do livro sobre a infância de Mauricio de Sousa). Dantas tem um histórico na área sindical do jornalismo. Começa agora uma nova etapa à frente da Associação Brasileira de Imprensa e deve falar de uma possível ponte entre a entidade e os quadrinho. Haverá também no encontro uma homenagem aos criadores do site HQManiacs, que completa cinco anos no ar.
 
O Enquadrando começa oficialmente às 14h, com sorteios de revistas em quadrinhos. Há também uma exposição de ilustradores premiados em 2006. A organização reuniu trabalhos de diferentes partes do mundo.
 
SERVIÇO 1
Festival Internacional de Ilustração de Fortaleza. Quando: de 18 a 27 de agosto. Horário: tarde e noite. Onde: Centro de Convenções de Fortaleza. Endereço: av. Washington Soares, 1141, bairro Edson Queiroz, Fortaleza, Ceará.
SERVIÇO 2
Enquadrando - Encontros sobre Quadrinhos em São Paulo. Quando: sábado, 19.08. Horário: 14h às 18h30. Onde: Gibiteca Henfil (fica no Centro Cultural Vergueiro). Endereço: rua Vergueiro, 1000, São Paulo (perto da estação Vergueiro do metrô).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h13
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17/08/2006

MORRE BOB THAVES

CARTUNISTA FOI O CRIADOR DA TIRA FRANK & ERNEST

Tradução aproximada:
 
- O que você gostaria que constasse no seu epitáfio?
- "... continua."
 
A tira acima foi reproduzida pela família de Bob Thaves no site oficial da dupla "Frank & Ernest". Foi feita pelo cartunista em 1998. Um texto acompanha a tira. Uma nota de agradecimento, na verdade. A esposa, Katie, e os filhos, Sara e Tom, agradecem os leitores e a classe dos ilustradores por todo apoio dado aos personagens de Thaves. O pai de "Frank & Ernest" morreu nos Estados Unidos no dia primeiro deste mês.
 
Thaves estava com 81 anos e foi vítima de complicações respiratórias. A família optou por divulgar o  falecimento apenas no último domingo. Na nota divulgada no site oficial dos personagens, a família informa que o filho do cartunista, Tom, vai dar seqüência ao trabalho do pai. O processo de transição das mãos de um autor para outro teria começado há alguns anos.
 
As histórias de "Frank & Ernest" começaram a ser produzidas no fim da década de 60. As tiras começaram a ser distribuídas pelos Syndicates -empresas especializadas em vender tiras aos jornais- em 1972. Hoje, segundo informações da Agência Estado, são publicadas em 1,3 mil jornais em todo o mundo. No Brasil, é publicada nos jornais do grupo Estado de S.Paulo.
 
As tiras são centradas nas alfinetadas irônicas da dupla de pobretões "bon vivants". A maior parte da graça vem dos diálogos (como no exemplo acima). As histórias de Thaves foram estudadas no Brasil numa dissertação de mestrado, defendida no fim dos anos 90 no Departamento de Línguas Modernas da USP (Universidade de São Paulo). A pesquisa mostrava a adaptação feita no processo de tradução do inglês para o português. A adaptação era necessária para adequar o humor à realidade brasileira.
 
O cartunista criou outra tira cômica na década de 90: "King Baloo" (ver imagem ao lado), feita em parceria com Scott Stantis (que teria prometido um tributo ao parceiro, a ser publicado no dia 10 de setembro).
 
Para encerrar. Este blogueiro soube da notícia por meio de uma nota divulgada hoje no site Universo HQ. Pesquisa na internet revelou que a Agência Estado já havia divulgado a informação na segunda-feira passada, dia 14. A notícia, no entanto, passou despercebida. Parte das informações lidas aqui teve como fonte os dois sites.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h11
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16/08/2006

CHARGE INTERATIVA

JAL CRIA EM FOTOBLOG UM NOVO JEITO DE FAZER CHARGE

Os quadrinhos estão se recriando. Quem diz isso é o desenhista norte-americano Scott McCloud no livro "Reinventando os Quadrinhos" (lançado no ano passado pela M. Books). A revolução, no entender dele, seria promovida pela internet. O novo suporte mudaria o modo de produção das histórias e a relação com o leitor. O cartunista JAL desenha um novo capítulo dessa inovação. Começou a fazer charges interativas no fotoblog que mantém. Ele faz o traço. Quem escreve o conteúdo do balão é o internauta.
 
O primeiro desenho foi colocado na página virtual no dia 10 deste mês. Mostrava o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (ver imagem ao lado). Ficava parado enquanto, atrás dele, a violência corria solta. Os internautas enviavam propostas para preencher o espaço do balão. Venceu a sugestão "Tudo sob controle!" (confira a versão final abaixo). Para estimular os comentários no fotoblog, o cartunista oferece uma caricatura para o vitorioso.
 
"Na internet, as possibilidades são extraordinárias, pois é como se o desenhista fosse para o palco do teatro e tivesse a platéia ao mesmo tempo em que é realizada a obra", diz JAL, ou José Alberto Lovetro, seu verdadeiro nome. "Pretendo promover novas idéias sobre essa linguagem, pois acredito que seja o futuro de nossa profissão de chargistas".
 
 
JAL já havia feito algo parecido no tempo em que fazia desenhos para o jornal DCI (Diário Comércio e Indústria), de São Paulo, entre 1979 e 1987. Segundo ele, a idéia era bem aceita. "Na época, chamei de charge-reportagem, pois a participação foi do próprio caricaturizado".
 
O chargista, na prática, está criando um novo gênero de quadrinhos, dentro do suporte internet (no papel, as charges existem desde o século 19). É um novo formato que ainda é descoberto pelos ilustradores virtuais. O leque de possibilidades é a criatividade de cada um. O assunto já tinha sido abordado no Brasil pelo ilustrador e pesquisador Edgar Franco. Chamou de HQtrônicas os novos formatos que passaram a surgir na internet (leia mais na postagem abaixo).
 
JAL tem outros planos para a página virtual, mas ainda mantém segredo. O que divulga é que está publicando seus trabalhos no exterior também. A série "Confessions", de sua autoria, sai desde junho na revista "Sem Fronteiras", que circula na Holanda e na Bélgica. A série trata de problemas universais do ser humano, como trabalho e relacionamento. "Por isso a aceitação do público europeu que não difere dos questionamentos de vida do resto do mundo", diz.
  
A imagem desta semana do fotolog ironiza o horário eleitoral gratuito. Sugira uma possibilidade de texto. O máximo que pode acontecer é vencer e ganhar uma caricatura. Para acessar a página de JAL, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h38
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VOCÊ SABE O QUE É HQTRÔNICA?

Há quem defenda a idéia de que os quadrinhos estão ligadas ao suporte que as veicula. O jornal impresso, por exemplo, impõe ao desenhista um formato fixo para a história. Por isso que as tiras têm sempre o mesmo tamanho e largura. É padrão. O mesmo valeria para a charge e o cartum. Se o raciocínio é correto, então a internet, ou melhor, o suporte internet vai impor um novo modo de produção. Vai impor, não. Já impôs. 

Há uma ampla criação de histórias em quadrinhos animadas na net. O exemplo da charge interativa, vista na postagem acima, é apenas um caso. As imagens podem mesclar elementos de animação com recursos da linguagem dos quadrinhos, como os balões. Pode haver ainda a presença de sons. Enfim: uma grande mistura compondo novos gêneros.
Seriam as HQtrônicas, nome adotado pelo ilustrador e pesquisador Edgar Franco, o primeiro a estudar o assunto no país.
 
O assunto foi o tema da dissertação de mestrado dele defendida na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). O estudo foi compilado no livro "HQtrônicas: do suporte papel à rede Internet" (capa ao lado). O pesquisador continua trabalhando novas linguagens num doutorado, que vai ser defendido no mês que vem na Universidade de São Paulo. Parte do projeto virou os box "Posthuman Tantra", que tentam simular quais seriam os sons da humanidade no futuro. O material foi lançado na França. Cards, feitos por Franco, acompanham o material.
 
Leia mais sobre as HQtrônicas nestes links (o acesso é apenas para os assinantes do UOL):
 
- para saber mais sobre o assunto (clique aqui)
- para ver dicas de sites com HQtrônicas (clique aqui)
- para saber dicas de como fazer uma HQtrônicas (clique aqui) 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h37
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15/08/2006

HQ NOS CURSOS DE COMUNICAÇÃO

GRUPO QUER QUADRINHOS COMO DISCIPLINA OBRIGATÓRIA

Os cursos de comunicação social (jornalismo, publicidade e outros) e de artes gráficas deveriam ter no currículo uma disciplina obrigatória que ensinasse os princípios básicos das histórias em quadrinhos, tiras, charges, cartuns e ilustrações. A proposta é para qualificar melhor o profissional antes de ele entrar no mercado de trabalho. Essa idéia já circula pelos e-mails e listas de discussão de ilustradores brasileiros e começa a ganhar força. Tem o apoio do portal Tupixel, do site Central de Tiras e da Associação dos Cartunistas do Brasil.
 
Um dos idealizadores do texto que circula pela internet é o ilustrador e designer Faoza Monteiro, que participou da organização do álbum "Central de Tiras" (saiu em 2002 pela Via Lettera). "A idéia me surgiu quando discutia com colegas a qualificação do desenhista no Brasil e as dificuldades do nosso mercado -muito se fala e se falará disso nos próximos anos-, porém sempre me pareceu incompleto ou falho discutirmos tanto só sobre o lado de cá da corda [o ilustrador]. E do lado de lá?", diz, referindo-se aos profissionais que trabalham com ilustração sem necessariamente desenhá-la (caso dos jornalistas).
 
"Sou a favor (e muito) da qualificação e regulamentação da atividade do desenhista brasileiro, tanto quanto sou a favor da qualificação do profissional de comunicação que ´usa´ desenho artístico como elemento de seu trabalho. Como disse, somente numa ponta não resolverá o problema dos desenhistas".
 
Faoza -criador da tira Nojob- diz que a próxima etapa é conquistar o apoio de outras entidades ligadas à classe, como a dos ilustradores (SIB) e dos designers gráficos (ADG). Depois, quer que a idéia deixe de ser virtual e seja oficializada. Dá isso como "quase certo".
 
As faculdades de jornalismo não ensinam artes visuais. Nas sediadas em São Paulo, as ementas das disciplinas não incluem o tema. Quem já trabalhou em alguma redação de jornal sabe que os jornalistas têm muita dificuldade em distinguir charges, cartuns, tiras e caricaturas. Muitos vêem como uma coisa só.
 
Essa dificuldade ficou clara na cobertura das 12 charges sobre Maomé, publicadas no jornal dinamarquês "Jyllands Posten" e reproduzidas em periódicos franceses e alemães. Um dos desenhos mostrava o profeta com um turbante em forma de bomba. O caso gerou revolta de grupos árabes no começo do ano. Várias pessoas morreram nos protestos. O jornal "Jyllands Posten" pediu desculpas públicas e o tempo se encarregou de acalmar a história. No Brasil, as ilustrações foram rotuladas na imprensa ora de charges, ora de caricaturas.
 
Post postagem: Faoza acaba de me informar que a proposta teve mais uma adesão. Foi encampada também pela SIB, entidade que representa os ilustradores. Ele já está agendando reuniões para finalizar um documento a ser encaminhado às autoridades.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h23
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14/08/2006

MENISQUÊNCIA!

ONG AJUDA JOVENS A PRODUZIR REVISTA EM QUADRINHOS

Usar a arte para fazer o jovem refletir e se tornar uma cidadão mais crítico. A idéia não é nova, mas conseguiu um resultado bem interessante em São Paulo. Jovens de 14 a 23 anos organizaram uma revista que tem de tudo um pouco, e, entre o tudo e o pouco, histórias em quadrinhos. A "Menisquência!", como foi chamada, tem lançamento nesta terça-feira à noite.
 
A revista foi feita com a ajuda do Instituto Sala 5, uma ONG que promove cursos de línguas e artes aos moradores da Vila Brasilândia, na Zona Noroeste da capital paulista. Até então, o grupo só havia produzido apenas fanzines. A revista é a novidade. A elaboração contou com orientadores de diversas áreas: roteiro, fotografia, design, fotonovela, jornalismo (a tutoria de jornalismo teve início há quatro meses).
 
O grupo contou também com a ajuda da eclética Soninha (é apresentadora da ESPN, vereadora de São Paulo, colunista da "Folha de S.Paulo" e blogueira do UOL) e do cartunista Laerte (de Piratas do Tietê). É dele a tira estampada no convite de lançamento (como visto na imagem acima). Laerte também ofereceu uma história inédita para a revista. Apesar da orientação dos profissionais, os tutores dizem que o resultado final reflete a vontade dos jovens. A previsão é que seja lançada uma "Menisquência!" a cada dois meses.
 
A revista vai custar R$ 2. A idéia é vender no boca a boca. Metade do dinheiro fica para quem vende.
 
SERVIÇO
Lançamento da revista Menisquencia! Quando: terça-feira, 15.08. Horário: a partir das 22h. Onde: Sarajevo Club. Endereço: rua Augusta, 1385, Centro, São Paulo (fica a três quadras do metrô Consolação, no sentido centro). Quanto: a revista custa R$ 2; a entrada, entre R$ 5 (com nome na lista) e R$ 10 (sem nome na lista). Para incluir o nome na lista, envie e-mail para festamenisquencia@gmail.com (encaminhe até as 19h) ou telefone para (11) 3983-6789.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h55
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GRUMP NO EXTERIOR

ORLANDELI FECHA ACORDO PARA DISTRIBUIR TIRA FORA DO BRASIL

O cartunista Orlandeli fechou contrato para distribuir tiras do personagem Grump no exterior. A distribuição vai ficar a cargo da empresa Intercontinental Press (ou somente Ipress). O acordo prevê que o syndicate veicule a tira em países da América do Sul. No Brasil, Grump é publicado nos jornais Diário da Região e Folha da Região, ambos do interior de São Paulo, região onde o ilustrador mora (a "base de operações" é em São José do Rio Preto).

Walmir Américo Orlandeli -ou só Orlandeli, como costuma assinar- conta que a idéia é tornar o personagem mais conhecido dentro e fora do país. É o terceiro autor nacional que se associa a um Syndicate nos últimos meses. Ruy Jobim Neto terá material do cão Jarbas distribuído pela mesma Ipress de Grump. Mauricio de Sousa fechou acordo com a Universal Press para publicar Ronaldinho Gaúcho no exterior (leia nas postagens dos dias 21 de maio e 3 de julho).

Orlandeli criou Grump em 1994. Integrava o rol de personagens de outra tira, Violência Gratuita. O jeito brasileiro do personagem cativou e ganhou vida própria. Em 2002, virou revista em quadrinhos, publicada pela editora Escala. Apesar de o título vencer um HQMix, teve vida curta e foi cancelado. Deve voltar num álbum, que vai reunir nove seqüências de tiras.

Grump é apenas uma das facetas visuais do ilustrador de 32 anos, formado em Publicidade e Propaganda. Ele é também um premiado cartunista. Neste ano, foi um dos premiados do Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco (o desenho está na postagem do dia 6 de junho). No bate-papo a seguir, Orlandeli fala sobre seus desenhos de humor e, claro, a respeito do recente acordo com a Ipress.

- Como começou a parceria com a Ipress?
- Negociar o material por conta própria é meio difícil, então resolvi investir em uma parceria com uma empresa especializada. Entrei em contato com eles e apresentei o material.

- Só para entender: como funciona na prática a parceria? Você tem de pagar alguma coisa ou é na base da divisão dos lucros?

- O autor não paga nada. A Ipress recebe uma porcentagem em cima do valor negociado por cada tira.

- Já há algo concreto? Algum país ou jornal demonstrou interesse pelo personagem?

- Por enquanto não. A parceria é bem recente, começamos a trabalhar juntos desde junho, e estamos na fase de divulgação do personagem entre os jornais. Isso é feito de várias formas, contato pessoal, mala-direta... Enfim. Na próxima etapa é que começam as propostas de comercialização.


- Quanto pagam em média por uma tira aqui no Brasil? E no exterior?

- É complicado definir valores. Não existe um preço único, varia conforme as características do veículo, tiragem... Essas coisas. Pode ser menos que um salário mínimo, mais que o dobro... Enfim, cada caso é um caso. O que é fato é que tira é um investimento de baixo custo se levarmos em conta as características de cada jornal. Para o autor, só se torna viável se publicar a mesma tira em vários jornais ao mesmo tempo. No exterior ainda não posso opinar.

- Grump ainda não é muito divulgado na imprensa nacional. Você acha que a parceria com a Ipress vai ajudar a tornar o personagem mais conhecido por aqui também?
- A idéia é essa. A IPress atua no seguimento há vários anos, fornece material para jornais de todo Brasil e até fora dele. Toda essa tradição e experiência faz dela uma empresa sólida e confiável. Acredito que essa credibilidade é fundamental para convencer os editores a apostarem no Grump.

- A revista do Grump foi muito elogiada (venceu até um HQMix), mas teve vida curta. Há outros planos para o personagem?
- Estou finalizando um livro com as tiras do Grump. O material já está todo selecionado e, mesmo sendo suspeito pra falar, promete ficar bem bacana.

- Você é também um cartunista premiado nos vários salões de humor. Quanto tempo em média você leva para fazer um desenho desses? E de onde vem a idéia?

- Depende. O desenho em si não demora muito, no máximo umas duas ou três horas. Mas a idéia já é mais complicado. Geralmente foco meu pensamento em um assunto, ou situação, e fico analisando as possibilidades de deixar aquilo interessante e engraçado. A sacada tanto pode vir na hora, como ficar dias cozinhando na cabeça.

Leia mais sobre Grump na postagem abaixo.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h13
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DUAS VEZES GRUMP

As tiras abaixo vieram de diferentes fontes. A primeira foi indicada por Orlandeli, o criador do personagem. Faz parte de um álbum com histórias do personagem, ainda ser data para ser lançado. As outras duas vieram dos sites que ele mantém: www.orlandeli.com.br e http://blogorlandeli.zip.net/.

O blog, além de Grump, contém textos de Orlandeli. O último relembra um diálogo travado por Sandman nas profundezas do inferno. Era um jogo verbal, disputado com Chorozon, daquelas "eu sou o fogo, e você?"; "Eu sou a água que apaga o fogo". Em dado momento, Chorozon diz que é a escuridão, o fim do universo e de tudo o que existe. "E agora, Lorde dos Sonhos, o que você é?". Resposta: "Sou a esperança". Nem precisaria dizer quem venceu. Merece visita. E há um desenho de Sandman no traço do cartunista.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h12
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13/08/2006

GRINGO EM DESENHO

ANIMADORES FAZEM TRAILER DA HISTÓRIA DE FAROESTE

Coisa rara de ver. Um trailer de uma revista em quadrinhos. O desenho foi feito por Clóvis Vieira e Aloísio de Castro para divulgar o álbum "Gringo - o Escolhido", lançado na virada de julho para agosto pela editora Nomad. Castro também fez a arte da história de faroeste, escrita por Wilson Vieira (leia entrevista com ele na postagem do último dia 2).

O trailer foi descoberto pelos colegas do Blog da Nona Arte. Na postagem que fizeram no último dia 9, há o link para assistir ao trailer. Clique aqui.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h39
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12/08/2006

CONTAGEM REGRESSIVA PARA CRISE INFINITA

Uma das primeiras medidas de Dan Didio ao assumir o comando editorial da DC Comics foi marcar uma reunião com seus escritores de maior destaque. O encontro teria juntado Geoff Johns (Flash e Sociedade da Justiça), Judd Winick (Arqueiro Verde e, naquela época, Lanterna Verde), Greg Rucka (Batman, Gotham City Contra o Crime) e Jeph Loeb (do popular Superman & Batman). Perguntou a eles: que história vocês gostariam de contar. Não se sabe exatamente de quem foi a idéia, mas foi nesse encontro que começou o projeto "Crise Infinita", megassaga que o leitor brasileiro começa a tomar contato. A minissérie que serve de prelúdio para a grande crise chega às bancas nesta virada de semana ("Contagem Regressiva para Crise Infinita", Panini, R$ 8,90).
 
Da concepção à saga final foram três anos. A partir de 2002 (nos Estados Unidos), os escritores começaram a inserir dicas nas histórias que produziam. Patrocinaram a morte de personagens centrais (Donna Troy, que volta agora, e Besouro Azul), o surgimento de novos heróis (como um clone de Metamorfo, para citar um caso), o afastamento intencional de criações secundárias (Sasha Bordeaux, que manteve um relacionamento com Bruce Wayne/Batman), carregaram em presságios do tipo "haverá um crise" e "o futuro será turbulento". Tudo ficava aparentemente solto na cabeça do leitor. O tecido, agora, começa a ganhar costura.
 
A saga tem um mérito: foi planejada. Esse foi o grande acerto da DC Comics. As mudanças desta crise não ocorreriam só para criar um megaevento que aumentasse as vendas. Ocorreriam a partir da proposta de criar uma boa história. Começaria com a edição solo "Dia de Julgamento" (que traz a morte de Donna Troy). Depois, viriam a minissérie "Crise de Identidade" (de Brad Meltzer) e os prelúdios nas edições mensais até a publicação de "Contagem Regressiva para Crise Infinita - Edição Especial", em que as várias pontas começavam a ser ligadas (ver postage do dia 12 de julho). Essa edição daria vida a quatro novas minisséries,  que aparariam o terreno até "Crise Infinita".
 
O que sai agora no Brasil são exatatamente as quatro minisséries. Elas saíram originalmente em seis números mensais e foram publicadas simultaneamente. A Panini optou por reunir todas numa grande minissérie, também em seis edições. "Vilões Unidos" mostra a estratégia de Lex Luthor de reunir os supervilões para acabar com os heróis. "Dia de Julgamento" trabalha os personagens místicos e mágicos da editora. Espectro, um dos seres mais poderosos da franquia, fica fora de controle. "Guerra Rann/Thanagar" mostra o que o título diz: uma guerra entre os dois planetas. Aborda o filão espacial da DC Comics e tem como destaque os desenhos do brasileiro Ivan Reis (o ilustrador parece cada vez mais seguro e à vontade na função de ilustrar as estrelas da editora). A quarta minissérie é o destaque. "Projeto OMAC" coloca o foco na agência de espionagem Xeque-Mate, que já tinha trabalhado para o lado do "bem" e agora ganha ares mais negros. Foi o chefe da agência que assassinou o Besouro Azul (história já mostrada no Brasil na edição especial de Crise Infinita). A trama começa nos momentos seguintes ao assassinato.
 
A vantagem de OMAC em relação às outras três minis é o texto de Greg Rucka, um dos participantes da reunião com Didio. Ele não é tão festejado pelos leitores quanto seus colegas, mas, de todos, é o que mais sabe conduzir uma história. Ele mescla momentos emocionais (sabe usar muito bem a técnica do silêncio) com diálogos nem um pouco superficiais. Rucka parece se sentir em casa com enredos de suspense ou mistério. Basta ver o que fez com "Gotham City contra o Crime" (a Panini já publicou dois volumes da premiada série sobre os detetives de Gotham City). Em OMAC, o mistério é a essência da trama.
 
Batman criou uma espécie de satélite -o OMAC-, que observa todos os superseres do planeta. O Xeque-Mate consegue controlar o sistema e passa a ter acesso a todas as informações, bem como as identidades secretas dos heróis. O olho do OMAC vê tudo sem que ninguém o veja. A referência é ao Big Brother? Não, a referência é à obra que inspirou o reallity show, "1984", de George Orwell, em que o governo consegue ter controle sobre todos com o auxílio do Grande Irmão. Não é por acaso que Batman se refere ao equipamento como "irmão" (veja na imagem ao lado).
 
A DC Comics já errou muito criando megaeventos para vender revistas. O Batman tendo a coluna quebrada pelo vilão Bane e passando o manto para um susbtituto, Azrael, é apenas um dos exemplos. No fim, tudo voltava ao que era antes. A fórmula foi tão usada que se desgastou. "Crise Infinita" mostra um amadurecimento editorial. É um projeto planejado, inspirado nos acertos do megaevento que mais funcionou na história da editora, "Crise nas Infinitas Terras" (lançado na década de 80 e ainda superior a este publicado agora). E aí que a DC acerta. Mudanças são lentas e graduais, e não abruptas, como a rival Marvel vem fazendo (recentemente, o Homem-Aranha revelou sua identidade secreta ao mundo). A Marvel repete, hoje, os erros da DC no passado.
 
Post postagem: os colegas do HQManiacs descobriram um site em que é possível ler, de graça, o primeiro número da minissérie "52", que deu seqüência aos eventos de "Crise Infinita" (o projeto crise ainda não terminou nos Estados Unidos). Vale conferir, mas aviso antes: vai estragar muitas surpresas para quem não acompanhou Crise. Para acessar, clique aqui.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 08h55
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11/08/2006

TOM STRONG: NO FINAL DOS TEMPOS

NOVO ÁLBUM ABUSA DAS REFERÊNCIAS A OUTROS QUADRINHOS

Fazer referência a livros, filmes ou mesmo histórias em quadrinhos sempre funcionou bem nos "comics". Cria a impressão -verdadeira ou não- de que o texto da trama é bem escrito. Neil Gaiman, autor de "Sandman", usou e abusou do recurso (o ajudou a transformou a revista num item cult). A série Tom Strong, do inglês Alan Moore, leva a estratégia à potência máxima. Isso fica bem claro no segundo volume das histórias do herói, que chega nesta semana às livrarias e lojas especializadas ("Tom Strong: no Final dos Tempos", Devir, R$ 45).
 
O álbum compila os números oito a 14 da revista norte-americana, editada pelo selo ABC, criado pelo próprio Moore. Essa seqüência de histórias não só faz referência a outras obras dos quadrinhos mas também reproduz o estilo gráfico de cada gênero mencionado. Para dar mais ênfase à intertextualidade visual, Moore usa diferentes ilustradores ao longo da história. O recurso já havia sido utilizado no primeiro volume, também editado pela Devir. Só que fica muito mais evidente nesta seqüência. A mescla de gêneros cria duas leituras: a da história em si e a da procura pela fonte dos diversos estilos. O limite é o conhecimento quadrinístico do leitor.
 
Pode-se perceber claramente a presença da Liga da Justiça, das histórias de Batman das décadas de 40 e 50 (nessa parte, o desenho é caricato e carregado de onomatopéias), de Sandman e/ou de histórias de terror (recriadas no traço de Gary Gianni), da família Shazam! (também em estilo caricato). Há até mesmo a presença das histórias infantis, quando Strong conhece a Divertilândia, cheia de animais falantes (o traço é o das revistas para crianças; está autorizada uma relação com o personagem "Pogo", de Walt Kelly).
 
Há mais. Alguns personagens começam a ver versões alternativas de si mesmos. É claro que a referência é ao multiverso da editora DC Comics, com seus vários mundos paralelos e crises nas infinitas terras. Crises, não. No mundo do personagem, trata-se da "calamidade na Terra-C". Outra cena mostra várias versões do cientista-herói Tom Strong, todas com o contorno e o tônus do Super-Homem. Uma até usa óculos, tal qual o alter ego do homem de aço, Clark Kent. Existem muitas outras referências. Como já mencionado, o limite é o conhecimento do leitor, que está autorizadíssimo a ver cutucadas na DC Comics em alguns dos casos de intertextualidade. A editora e Moore estão em conflito há anos por causa dos direitos de duas criações de Moore: "Watchmen" e "V de Vingança", que virou filme e passou neste ano nos cinemas. O escritor chegou a dizer que nem viu a adaptação do filme.
  
Tom Strong é um cientista que tem sede por conhecimento e por expedições cinetífico-arqueológicas. Passou por um procedimento que permitiu retardar o processo de envelhecimento. Por isso, suas histórias vão desde o século 19 até décadas no futuro. É acompanhado nas aventuras pela família: a esposa Dhalua, a filha Tesla, o robô Pneuman e um gorila dotado de inteligência chamado Rei Salomão.
 
Uma família se metendo em expedições para buscar conhecimento? O mesmo já não havia sido feito no Quarteto Fantástico, da Marvel Comics? Sim, havia, sim. Mas Tom Strong é isso mesmo. É um personagem criado para fazer referência aos mais de cem anos dos quadrinhos. Não é por acaso que a lateral das capas é feita para parecer intencionalmente gasta, como se fosse uma daquelas revistas bem antigas. O miolo da obra reúne vários estilos e gêneros, de tudo um pouco. Resta saber se, com isso, o polêmico escritor faz uma homenagem a esses personagens ou escancara ao leitor o quanto aquelas histórias tinham de irreal.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h03
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10/08/2006

SOCK! POW! CRASH!

LIVRO MOSTRA CURIOSIDADES SOBRE O SERIADO BATMAN

Todos que assistiram à série de TV de Batman guardam alguma recordação "trash-cult". Uma vem à mente. Um dos episódios terminava com o seguinte cenário: Robin, equilibrando-se na beirada de uma daquelas mirabolantes armadilhas, era empurrado pelo vilão do dia. "A queda iria matar o menino-prodígio?", perguntava o narrador. A continuação, no mesmo bat-horário e bat-canal, revelava o desfecho. O homem-morcego apareceu no último momento e conseguiu jogar uma corda para salvar o parceiro. Robin -amarrado, não custa relembrar- pegou a corda com os dentes, em plena queda livre. Estava salvo. Após tirar as cordas, Batman comenta: viu como é importante escovar os dentes após as refeições, Robin? Uma pérola.

Histórias assim foram reunidas no livro "Sock! Pow! Crash! - 40 Anos da Série Batman da TV" (Opera Graphica, R$ 74), lançado nesta semana. O texto é do jornalista e publicitário carioca Jorge Ventura. Ele já havia trabalhado o personagem em outra ocasião, no fanzine "Tribuna do Morcego". Ventura colocou em 320 páginas uma bateria de curiosidades sobre os 120 episódios da série. A editora antecipou algumas.

- Robin falou 347 interjeições do tipo "santa alguma coisa". A maioria era adaptada pela dublagem brasileira: "santo fumacê!", "santas algemas perníferas!", "santa xaropada!", "santos parentes desaparecidos".

- Batman tirou 26 bat-itens de seu cinto de utilidades. Saíram dali um bat-escudo, um bat-mata-moscas, um bat-espanador de pó. A editora não cita, mas havia o "santo repelente de tubarão", usado no filme baseado na série.

- Três atores interpretaram o "vilão especialmente convidado" Senhor Frio. Segundo o livro, cada ator foi batizado de um jeito diferente na dublagem brasileira: Senhor Gelo (George Sanders), Senhor Gelado (Otto Preminger) e Senhor Frio (Eli Wallach).

O seriado é sempre reprisado na TV brasileira. Atualmente, passa no canal a cabo FX (ligado ao grupo Fox). A fórmula nunca se esgota. Batman (interpretado por Adam West) e Robin (por Burt Ward) são lançados em aventuras que misturam ação e humor, com toques de um pouco de psicodelismo-pop da década de 60 e muito da linguagem dos quadrinhos. Nisso, a série era inovadora. Os enquadramentos de câmera tortos e a presença de onomatopéias nas cenas de luta transpunham para a tela o que podia ser lido nos quadrinhos. O resultado final agradou e o seriado virou febre. Hoje, é cult.

O desenhista David Mazzuchelli –que fez a arte da série "Batman – Ano Um"- defende a tese de que o seriado era fiel aos quadrinhos feitos na década de 60. Era só um reflexo televisivo da ingenuidade lida nas revistas mensais. A opinião é polêmica e causa arrepios nos fãs mais ardorosos do homem-morcego. Se havia resquícios de semelhança entre TV e quadrinhos, eles foram sepultados no começo da década de 70. A DC Comics, que edita o personagem, queria fugir do fantasma da série. Tomou duas providências: 1) tornar o personagem mais sério; 2) afastá-lo imediatamente de seu parceiro. A solução foi colocar Robin na universidade. A dupla passou a se reunir apenas esporadicamente. A volta da dupla dinâmica, em definitivo e com outro Robin, só ocorreu nos anos 80.

As medidas adotadas pela DC renderam boas histórias, especialmente as escritas por Denny O´Neil e ilustradas por Neal Adams. Mas o estigma de Adam West permanecia, mesmo que à distância. Ainda hoje há pessoas que explicam a mitologia que envolve o personagem pela ótica do seriado. Ou pela visão do diretor Tim Burton, dos dois primeiros filmes de Batman, longas que ajudaram a mostrar ao grande público um outro herói, bem mais sombrio.

O livro de Jorge Ventura é mais uma mostra de que talvez não haja um Batman, mas vários. Depende do olhar de quem vê. O Batman do seriado, de longe, é o mais divertido.

Há uma outra obra com curiosidades sobre o universo do personagem, "Dicionário do Morcego", do jornalista Silvio Ribas (Flama, R$ 35). Outra curiosidade: Adam West e Burt Ward estrelaram há alguns anos um longa-metragem, em que parodiavam a si mesmos convivendo com o fantasma da série. Entre uma piadinha e outra, revelam bastidores do seriado e as muitas situações constrangedoras por que passaram.

Perguntar não ofende: qual a bat-pérola de que você se lembra? Comente abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h26
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09/08/2006

QUADRECA E QUASE

REVISTAS INDEPENDENTES TÊM LANÇAMENTO NESTA SEMANA

Quadrinhos e universidade já firmaram parcerias muito interessantes. O ambiente parece propício para a criação de revistas alternativas e fanzines. E não é de hoje. Na primeira metade da década de 70, a revista "Balão", editada por estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (Universidade de São Paulo), revelou nomes como Laerte e Luiz Gê. Nesta semana, há o lançamento de novos números de duas revistas que nasceram na universidade: "Quadreca" e "Quase".
A "Quadreca" chega ao décimo quinto número. A revista, criada em 1977, é produzida pelos alunos de editoração da Escola de Comunicações e Artes da USP. Esta nova edição segue o exemplos das revistas anteriores. Apresenta matérias (sobre o uso dos quadrinhos na escola), entrevista (com os editores da revista "Kaos!") e 14 histórias em quadrinhos, de diferentes estilos e abordagens (algumas merecem leitura atenta).
Houve um primeiro lançamento da "Quadreca" durante a entrega do Troféu HQMix deste ano (o evento foi no dia 11 de julho). Os organizadores programaram um segundo lançamento para esta quinta-feira, na Gibiteca Henfil, em São Paulo.
A "Quase" vai ser lançada um dia antes. A revista começou dentro do curso de comunicação da Universidade Federal do Espírito Santo, em 2002. Cresceu e hoje anda com as próprias pernas. Em entrevista à revista "Trip", os autores dizem que conseguem pagar a obra só com o dinheiro que vem dos anúncios, das camisetas que vendem, das festas que promovem e da verba pública que recebem da prefeitura de Vitória.
A revista -que está no nono número- mistura de tudo um pouco. Em comum, o humor. Os autores tomam sempre o cuidado de fazer um "ensaio de fotos masculino". Pura tiração de sarro. E mantêm firme a idéia que tiveram em outras edições de promover um abaixo-assinado pedindo o fim do grupo "Engenheiros do Hawaii". A explicação para o "movimento" é dada no site da "Quase". "O povo brasileiro não agüenta mais. Até quando teremos que suportar calados o sofrimento de ter que ouvir as rimas e melodias de Humberto Gessinger? Até quando teremos que aturar os arranjos, os discos, as capas dos discos, os acústicos, as coletâneas, o cabelo, as entrevistas desse mal social/musical?".
A proposta é entregar o abaixo-assinado a Gessinger e à MTV (as assinaturas são colhidas pelo site www.quase.com.br).
SERVIÇO 1
Lançamento da revista "Quase". Quando: quarta-feira, 09.08. Horário: 22h. Onde: A Obra. Endereço: rua Rio Grande do Norte, 1168, Savassi, Belo Horizonte (Minas Gerais). Quanto: R$ 7 (ingresso para o show do grupo U.D.R. dá direito a um exemplar da revista)
SERVIÇO 2
Lançamento da revista "Quadreca". Quando: quinta-feira, 10.08. Horário: a partir das 19h. Onde: Gibiteca Henfil (fica no Centro Cultural Vergueiro). Endereço: rua Vergueiro, 1000, São Paulo (fica perto da estação Vergueiro do metrô). Quanto: R$ 5.

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Escrito por PAULO RAMOS às 23h03
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08/08/2006

POR E-MAIL: DEPOIMENTO DE UMA DESIGNER

A leitora e designer gráfica Maira Moraes enviou um e-mail para comentar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao decreto-lei que ampliava de 11 para 23 as atribuições profissionais dos jornalistas. Um dos itens previa diploma de jornalismo para os ilustradores. O Blog dos Quadrinhos noticiou o assunto nos dias 24 e 27 de julho.

O texto de Maira é mais um desabafo, possivelmente o mesmo de tantos outros profissionais do setor. Por isso, torna-se um registro importante, daqueles que fazem pensar. Ela autorizou a veiculação do e-mail, que reproduzimos na íntegra:

"Olá Sr. Paulo Ramos!

De tempos para cá comecei a acompanhar seu blog, que fala de um mundo que me agrada bastante.

Uma notícia que li e me entristeceu foi a de que o presidente Lula havia vetado o projeto de lei que profissionalizaria o ilustrador. Eu sou designer, tenho 28 anos e moro no Paraná. Há seis que entrei nesta área e até hoje não encontrei um emprego que pagasse bem ou que tivesse sua dignidade. Tenho uma certa amargura porque estudei tanto e não vi reconhecida minha dedicação. É uma pena. Sonhava em viver da minha arte, chance que ainda não tive. Que não se culpe somente a força de meia dúzia de "detentores"... Saiba que o CREA também se coloca contra a decisão de se profissionalizar designers, ilustradores, decoradores e afins, isso porque o mercado, tão ruim, faz com que muitos arquitetos com registro no CREA atuem am outras áreas. Cidades do Paraná como Londrina, Maringá ou mesmo Curitiba oferecem um mercado sem pespectivas futuras, porque é tanta a mão-de-obra despreparada e barata que quem estudou se vê em condições ruins, trabalhando por 100 reais (o que já vi várias vezes) por mês em 40 horas/semana. Vale lembrar que muitos dos postos são ocupados por estagiários e que não têm qualquer direito trabalhista, com desculpa de ser "aprendizado". Não sei como é o mercado de São Paulo.

Então, o problema é maior ainda! A felicidade é que este mundo dos desenhos, seja quadrinhos, animados, mangás e animes está em expansão e a internet é um bom meio de veiculação.

Até!"

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h29
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07/08/2006

BANDA GROSSA, UM MÊS DEPOIS

AUTORES PLANEJAM SEGUNDA EDIÇÃO;  BRIGA NA JUSTIÇA CONTINUA

A "Banda Grossa" deve ganhar uma segunda edição. Na opinião dos autores, esse foi o aspecto positivo da polêmica envolvendo a revista, editada com dinheiro público, vindo de uma fundação ligada à prefeitura de Joinville (Santa Catarina). "O lado bom é que, devido ao marketing de guerrilha promovido pela própria Câmara de Vereadores, vendemos muito bem a revista, possibilitando visibilidade pra bancar um segundo número", diz Paulo Gerloff, um dos criadores do título. Mas, junto com a boa notícia, há uma série de outras, não tão otimistas assim. Parte da briga envolvendo a publicação foi transferida para a justiça.

A Câmara dos Vereadores continua contrária à publicação. É a mesma posição tomada um mês atrás, quando o caso veio à tona. Em sessões públicas, os vereadores criticaram duramente a revista. Alguns viram "pornografia do mais baixo calão" e "dinheiro jogado fora" (as frases e os autores estão na postagem do dia 10 de julho, data em que o Blog dos Quadrinhos noticiou o assunto). Os debates motivaram a Câmara a notificar a Vara da Criança e do Adolescente. O pedido era para que constassem na capa dizeres do tipo "proibido para menores". Os autores já foram notificados, mas contestam. Argumentam que a capa já apresenta a frase "desaconselhável para menores" (o que não deixa de ser verdade).

Essa é apenas uma frente judicial enfrentada pelos desenhistas. Outra ação foi movida pela Fundação Cultural de Joinville, que bancou a obra por meio de um concurso de incentivo à cultura. A revista venceu na categoria artes plásticas. Os responsáveis por ela receberam R$ 9.100 para ser editar o título. A Fundação -mantida pela município e presidida pelo vice-prefeito de Joinville, Rodrigo Borholdt- quer o dinheiro de volta. Defende que o resultado final não corresponde ao projeto original, assinado no dia 21 de julho do ano passado. Os autores contestam e contrataram um advogado para se defenderem. "Não vejo probabilidade de pagarmos, judicialmente falando", afirma Paulo Gerloff.

Uma decisão da justiça os autores já tiveram de acatar. A Fundação pediu que fosse colocada uma tarja preta nos logos da entidade e da prefeitura. As revistas vendidas em bancas e pela internet já vêm com o selo.

Até o segundo número, o foro de discussões do grupo tem sido pelo blog que criaram. A página tem uma dupla função. Remonta, do ponto de vista deles, toda a cronologia da polêmica que enfrentaram no município. Há vários recortes de jornal, com quase tudo o que foi publicado sobre o assunto. O outro papel do blog é divulgar –e vender- a revista e os desenhos e textos feitos por eles. É por meio dessas produções que eles "exorcizam" tudo o que passaram. A classe política é o alvo preferencial. Um dos textos provoca: "Ontem sonhei que dei uma cabeçada no Rodrigo Borholdt. Não sei o que isso quer dizer, mas seria interessante saber a opinião de um especialista... Alguém aí tem o número de telefone do Zidane?"

O Blog dos Quadrinhos entrou em contato com o presidente da Fundação Cultural de Joinville, Rodrigo Borholdt, e com o diretor-executivo da entidade, Charles Narloch. Eles entendem que não há nada de novo sobre o assunto.

Para conhecer (ou rever) o blog da "Banda Grossa", clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 22h38
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06/08/2006

ABERRAÇÕES NO CORAÇÃO DA AMÉRICA:

ÁLBUM DE STEVE NILES LEVA O HORROR PARA DENTRO DE CASA

Steve Niles tem o mérito de ter feito os quadrinhos de horror virarem novamente um bom negócio nos Estados Unidos. O sucesso veio após "30 Dias de Noite". Foi o passaporte que ele precisava para criar duas seqüências para a trama e uma série de outras sobre o gênero. Boa parte do material já ganhou versão nacional. Lendo de uma só vez os vários títulos que ele escreveu, é possível ver que algumas das idéias de Niles começam a se repetir. O horror é representado por meio de criaturas, sejam elas monstros, vampiros ou zumbis. Há a figura do "matador de criaturas", em geral um homem. A ambientação é numa cidade pequena do interior dos Estados Unidos.

"Aberrações no Coração da América" (Devir, R$ 38,50) é o último trabalho dele a sair no Brasil (foi lançado no fim da semana passada). Niles repete os rótulos de outros obras de horror, mas apresenta uma diferença desta vez: o tema é a intolerância humana. O tom da narrativa é bem mais ameno, a começar pelo protagonista, Trevor, um menino que mora no Vale de Gristlewood, interior americano (a pequena cidade no "coração da América" é um clichê do qual o escritor não conseguiu escapar). O garoto divide a casa com o pai e a mãe. O irmão Will, de seis anos, fica escondido num celeiro. Will é uma das aberrações do título. Não lembra em nada uma criança. É um ser alto, de aparência deformada e grotesca. Com Trevor, mantém uma relação de amizade.

O desenrolar da história revela que há outras aberrações, todas escondidas pelas famílias nas fazendas vizinhas. Tudo é envolto por um mistério, que aos poucos vai sendo esclarecido. As mães das crianças ficaram grávidas ao mesmo tempo e tiveram os bebês na mesma semana. Anos depois, o caso volta à tona, tendo Will como protagonista.

O que se destaca no álbum de Niles é a fobia humana quanto à diferença. Quem não é igual a mim se torna um peso, um frado a ser carregado. Por isso, "tem" de ser excluído do convívio familiar. O enredo não é novo e já foi muito bem trabalhado por Kafka no romance "Metamorfose", em que Gregor Samsa acorda "metamorfoseado num inseto repugnante". A transformação -que Kafka deixa claro não ser um sonho- transforma-se num fardo para as pessoas com quem convivinha e que sustentava. É mantido longe delas.

Niles usa a estratégia kafkiana e a transpõe para o interior norte-americano. Dá um verniz de horror e consegue cutucar algo dentro da alma do leitor. Não com sustos ou com figuras aberrantes (embora o desenho de Greg Ruth crie esse clima em alguns momentos). É um horror que faz pensar na relação que existe dentro da família. Pode-se tirar as figuras disformes do álbum e colocar, no lugar, os doentes, os idosos, os desempregados. São pessoas –e não monstros- muitas vezes excluídas porque "incomodam" quem cuida delas. É difícil a sociedade ocidental admitir isso. Por isso, Steve Niles usa a metáfora das aberrações. O resultado final incomoda.

Há uma prévia da obra no site da editora Devir. Para ver, clique aqui. 

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Escrito por PAULO RAMOS às 21h52
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05/08/2006

NOVO NÚMERO DA MOSH! (OU MELHOR... DA JUKE BOX)

Na entrega do HQMix deste ano, no mês passado, o editor da "Mosh!", Renato Lima, confirmava ao público o que já circulava pela internet: a revista, escolhida a melhor publicação independente de 2005, chegava ao fim. Segundo ele, houve problemas com o nome do título, pleiteado por outro grupo. Esse era o lado ruim da notícia. O lado bom é que editaria um novo título, com um novo nome e uma nova proposta. Só não mudaria o formato de bolso. "Não vamos mexer em time que está ganhando", disse.
Lima prrometeu que a revista seria lançada no dia 6 de agosto (veja numa das postagens do dia 11 de julho). Foi britânico. O novo título vai ser lançado neste domingo, no Rio de Janeiro, cidade onde nasceu. Sai de cena a "Mosh!", entra no lugar a "Juke Box", nome oficializado nesta semana em notícia do site Gibizada.
O novo batismo ganhou ares de recomeço. O foco maior será no rock´n roll. "A Juke Box pretende ampliar o universo da MOSH! e do que consideramos rock'n'roll. Não só um estilo de música mas sim um estilo de vida", diz o editor. "E nada mais 'roquenrrou' nesse país do que ser independente. A cena independente brasileira é muito rica atualmente em todos os seus segmentos: bandas, selos, moda, design, quadrinhos, animação etc., e a revista pretende dar espaço para esse pessoal que anda produzindo. Além de uma pincelada no que rola lá fora."
As 64 páginas terão quadrinhos também, a exemplo da versão anterior. Os antigos colaboradores (Sandro Menezes, Léo Finocchi e Erik Judsonganham) ganham novos parceiros (Paula Jardim, Pedro Eboli, Leon e Zé Colméia, e colaborações dos estrangeiros Aleksandar Zograf e Billy Burg). Além do lançamento-show deste fim de semana, haverá outros dois no Rio (nos dias 12 e 19 deste mês) e um em Florianópolis (no dia 6 de setembro). Lima programa um em São Paulo. A revista vai custar R$ 3.
Veja na postagem abaixo uma prévia de duas histórias que integram a Juke Box.
SERVIÇO
Lançamento da revista Juke Box. Quando: domingo, 06.08. Horário: a partir das 16h. Local: Teatro Odisséia. Endereço: Rua Mem de Sá, 66, Lapa, Rio de Janeiro. Quanto: R$ 3. Está programado também um show de rock no local.

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Escrito por PAULO RAMOS às 10h16
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PRÉVIA: JUKE BOX

Os desenhos abaixo integram a nova revista "Juke Box". O primeiro é de Erik Judson. O segundo, de Aleksandar Zograf. A revista independente é criada pelo mesmo grupo da "Mosh!", título que deixa de ser editado (ver postagem acima).

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Escrito por PAULO RAMOS às 10h14
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04/08/2006

GIBIZADA: BLOG COMPLETA UM ANO NO AR

 
Criar um blog sobre quadrinhos é fácil. Manter o blog sempre atualizado já é outra história. Só quem mantém um sabe o trabalho que dá. O designer Télio Navega está nessa vida há um ano. Um ano exato. Colocou a página no ar no dia 5 de agosto de 2005, sempre com notícias sobre quadrinhos. "A idéia de criar o blog surgiu da necessidade quase patológica de arrumar mais sarna para me coçar", brinca ele, que concilia as postagens com o cargo de diagramador do jornal carioca "O Globo" (função que exerce desde 1994).
 
"Como se não bastasse trabalhar bastante como diagramador, resenhista do Prosa & Verso [suplemento do jornal] uma vez ou outra, designer, marido, pai de duas crianças pequenas, ainda me meto a escrever sobre outra de minhas paixões: os quadrinhos. Também é uma velha vontade de voltar a escrever com mais constância". O desejo de escrever foi sanado. Até demais. "Nem quando editava fanzines como o 'Das Dores' e o 'Rosebud' no final da década de 80 escrevia tanto assim", conta o designer, que completa 37 anos um dia depois do aniversário do Gibizada.
 
O esforço foi compensado. Nesse primeiro ano, conseguiu dar algumas notícias em primeira mão, como o encerramento da revista independente "Mosh!", vencedora do HQMix deste ano. "O fim da 'Mosh!' surgiu como burburinho entre fãs de quadrinhos aqui da redação [de 'O Globo']. E acabou sendo confirmado pelo Lobo, um dos dois editores da maravilhosa revistinha". O adjetivo "maravilhosa" tem um bom motivo para ter sido mencionado. Télio não esconde a paixão pelos quadrinhos independentes.
 
A revista que surgiu após a "Mosh!" foi um dos temas desta semana. O Gibizada antecipou o novo nome do título, "Juke Box", e a imagem da capa da primeira edição. Houve outros "furos" (jargão usado pelos jornalistas para notícias dadas com exclusividade). "A notícia de que o 'New York Times' criara o suplemento 'The Funny Pages', com o quadrinhista Chris Ware na estréia, também foi noticiado primeiro no Gibizada", lembra.
 
Há três meses, a empreitada virtual ganhou uma versão impressa no "Megazine", suplemento jovem de "O Globo". Sai uma vez por mês. "A página do 'Megazine' surgiu quando o jornalista Bruno Porto, que escrevia no mesmo caderno as colunas 'Ouça Bem´(sobre discos) e ´Veja Bem´(filmes em DVDs) foi convidado a trabalhar no ´Segundo Caderno´ [de cultura e arte]. Com isso, ele decidiu manter apenas a primeira coluna, que era semanal, e aoutra, mensal, acabaria. Vi uma oportunidade de a Gibizada ganhar uma versão impressa com o fim da ´Veja Bem´ e vendi a idéia à editora do ´Megazine´, que topou na hora."
 
Télio Navega costuma fazer atualizações diárias no Gibizada. Vale conferir o blog. Clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 15h37
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03/08/2006

MISTER X: UMA VOLTA AOS QUADRINHOS DOS ANOS 80

Dean Motter não é um autor muito conhecido aqui no Brasil. Quem já tem algum tempo de leitura talvez se lembre dele na minissérie "Terminal City", lançada há alguns anos. Os quadrinistas da antiga, forçando um pouco a memória, vão se recordar de outra mini dele, "O Prisioneiro", baseada no seriado homônimo. Foi publicada pela editora Globo na virada da década de 80 para a de 90. Motter era o co-autor. O primeiro trabalho dele é anterior a tudo isso. "Mister X", lançado nesta semana (Editora Devir, R$ 45), reúne as primeiras histórias do personagem, até então inéditas no Brasil.
 
"Mister X" começou a ser publicado entre 1983 e 1984. Teve um processo de criação curioso. Motter era designer gráfico e fazia ilustrações para capas de disco. Um dos trabalhos foi para um vinil da banda Megatron Man. Criou um homem careca, com óculos escuros, de ar sombrio e futurista. Teria ficado nisso não fosse o colega e também ilustrador Paul Rivoche. Entre uma conversa e outra, decidiram que a figura enigmática viraria uma história em quadrinhos. Rivoche fez as primeiras capas. Motter ficou responsável pela concepção gráfica da revista, publicada pela editora Vortex.
 
Apesar do entusiasmo, "Mister X" não funcionou como esperado e a revista teve vida curta, com direito até a desentendimento entre Motter e Rivoche. Resumo da história até aqui: um autor pouco conhecido no Brasil criou no início dos anos 80 uma série que não deu certo e foi cancelada. Por que, então, é publicada no Brasil? Não deveria ser o contrário? Aí é que está: não. A obra esconde interesse. Dois bons motivos justificaram o investimento da Devir no material, feito em parceria com uma editora européia.
 
O primeiro motivo são os desenhistas da série. Além das capas de Paul Rivoche e do design do próprio Motter, as primeiras histórias contaram com arte do irmãos Jaime e Gilbert Hernandez. É um dos poucos trabalhos deles feitos fora do mundo de "Love and Rockets", série inovadora que eles criaram e que fez bastante sucesso nos Estados Unidos nas décadas de 80 e 90 (algumas edições saíram no Brasil). Na primeira aventura de Mister X, há até um encontro entre o misterioso personagem e a atraente Luba, uma das moradores de Palomar, cidade-sede das criações dos Hernandez.
 
Os irmãos desenhistas saíram da série no quarto número. Segundo o pesquisador Arlen Schumer, na introdução do álbum, Motter queria algo futurista e revolucionário. Os Hernandez ofereceram desenhos caricatos, fiéis ao estilo que deu fama a eles. Foram substituídos primeiro por Ty Templeton (que fez algums histórias da Liga da Justiça, da DC Comics, nos anos 90), depois por Seth.
 
O outro motivo que justifica a importância da série é o papel que ela desempenhou na renovação do quadrinho norte-americano. Nos anos 80, buscavam-se novidades, algo diferente do que era publicado pelas grandes editoras (leia-se Marvel e DC). Aqui e ali, começavam a surgir títulos novos, com propostas novas. Alguns chegaram a sair por aqui: Badger, Grim Jack, Jon Sable, o já citado Love and Rockets, American Flagg!, de Howard Chaycrin (de todos, talvez seja o que trazido mais elementos diferentes à linguagem dos quadrinhos). Mister X surge nesse contexto. Sua contribuição foi ter levado ao quadrinhos o mundo do design gráfico. O impacto foi tão forte que as capas de Paul Rivoche (uma delas ao lado) chamavam mais atenção que a arte interna. Foi um dos pontos que levaram ao fim da revista. Mas a inserção do design nos EUA traz à edição um interesse histórico.
 
O tipo de texto de Dena Motter e as capas Rivoche tiveram influência na classe artística. Muitos trabalhos que se seguiram reaproveitaram a premissa desenvolvida pelos dois. Um caso é o de Dave Mackean, criador das famosas capas de Sandman. Era um desenhista não muito conhecido até então, mas se mostrava um admirador de Mister X. O interesse era tanto que chegou a fazer uma história curta do personagem.  Há, neste álbum da Devir, a reprodução dessa aventura, feita com o enigmático personagem. Não deixa de ser curioso ver o estilo de Mackean numa fase pré-fama. É outro aspecto que justifica o interesse no álbum.

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h57
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EUROPA, VOLVER!

MERCADO BRASILEIRO (RE)DESCOBRE QUADRINHO EUROPEU

Há no mercado editorial brasileiro predomínio de títulos japoneses e norte-americanos. As produções brasileiras começam a ganhar novo fôlego, numa espécie de retomada do quadrinho de autor. Mas a bússola do mercado aponta numa nova direção: a Europa. Personagens clássicos ganham novas edições, algumas de luxo. Novos criadores são apresentados pela primeira vez ao leitor brasileiro.  

Publicar material europeu não é novidade. Foi muito lido em revistas editadas na década de 70. E há os personagens da italiana Sergio Bonelli Editore, publicados há décadas por aqui ("Tex" é o melhor exemplo). O que há de novo é a retomada maciça desse tipo de publicação, tendência que começou a ganhar fôlego na virada do ano. Consolidou-se no primeiro semestre e promete mais lançamentos até o fim deste ano.

Nesta semana, a Panini coloca nas bancas os primeiros volumes do clássico "Blueberry", de Moebius, e de "Blacksad", da editora francesa Dargaud. Programa em paralelo a seqüência de outras duas sagas da Dargaud: "XIII" (dois números já lançados) e "Aldebaran", desenhada pelo brasileiro Leo. "Por enquanto, os informes são animadores", diz Levi Trindade, editor dos materiais europeus da Panini. "XIII já era um pouco conhecido, por conta do jogo para PC. Então, já imaginávamos que deveria ter resultados melhores nas vendas. Agora, surpresa mesmo foi Aldebaran que, sendo completamente desconhecido do público brasileiro, era a aposta mais arriscada no pacote de títulos anunciados pela Panini. Porém, a recepção dos leitores têm sido ótima e isso pode fazer com que o autor Luis Eduardo de Oliveira (o LEO) finalmente seja (re)conhecido em seu país de origem."

Para Trindade, a tendência de incorporar material da Europa é natural. Mas, segundo ele, possui uma pecularidade: as edições atingem um leitor mais crítico. "Elas são destinadas, em sua maioria, a um público mais esclarecido, com poder aquisitivo maior e que espera algo mais do que compra para ler. É aquele pessoal que vai à livraria e à banca atrás de novidades, de coisas que agucem seus sentidos. E esses quadrinhos vêm suprir essa carência."

A Panini começou a publicar material europeu no fim de junho. A Pixel incorporou o filão no começo do ano. O primeiro lançamento da nova editora foi "Corto Maltese", do italiano Hugo Pratt. No fim da semana passada, lançou o terceiro álbum do aventureiro, "Corto Maltese - Sempre Um Pouco Mais Distante" (com uma entrevista rara de Pratt, que, por si só, já valeria a edição). A idéia é lançar um a cada três meses. A editora publicou ainda "Gullivera", do também italiano Milo Manara. Prevê outros títulos dele. "Muita gente falava que não tinha público, que era um material sem apelo. Eu nunca concordei", diz Odair Braz Júnior, editor-chefe da Pixel. "Vamos entrar pesado no quadrinho europeu. Tem mercado pra isso". A editora programou álbuns do velho continente até (pelo menos) o fim do ano.

Não haveria o risco de tantos lançamentos saturarem o mercado? "Eu acho que pode haver uma certa satuação, não só de material europeu como de americano também", defende o editor-chefe e jornalista. "A vantagem dos álbuns fechados é que podem ser comprados num segundo momento nas livrarias".

A Conrad foi uma das primeiras editoras a virar o ponteiro da bússola para a Europa. "A gente [Conrad] começou a publicar quadrinho japonês. Outras editoras vieram atrás. Está acontecendo o mesmo com o quadrinho europeu", diz o diretor da Conrad, Rogério de Campos. Segundo ele, há uma espécie de "onda" européia no mercado, mas não só no brasileiro. A tendência seria vista também em outros países. Nos Estados Unidos, "O Gato do Rabino" (publicado aqui pela Jorge Zahar) venceu o Eisner Awards deste ano na categoria melhor material estrangeiro. Na França, as vendagens de quadrinhos batem recorde ano após ano.

A Conrad lança neste mês um título italiano, o erótico "Giovanna" (de Giovanna Casotto), e outro inglês, "Gemma Bovery" (de Posy Simmonds). A editora, ao longo do ano, investiu em edições clássicas, como "Valentina", de Guido Crepax, e "El Gaucho" (parceria de Milo Manara com Hugo Pratt). Títulos clássicos dão o tom de parte dos lançamentos de outras editoras que apostaram no setor. A Companhia das Letras já lançou seis álbuns de Tintin, dois no começo de julho. Programou mais três para dezembro. A Devir tem editado editado há algum tempo histórias da "Pior Banda do Mundo", do português José Carlos Fernandes. Também publicou, no primeiro semestre ano, "Incal", de Moebius. Lança em agosto o segundo volume. De olho na Itália, mas não com material clássico, a Tutatis colocou no mercado o italiano "Lazarus Ledd".

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h06
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02/08/2006

SIGAM-ME OS BONS (POR BAPTISTÃO)

Dizem que a boa caricatura é aquela que não precisa apresentar a pessoa representada, a imagem fala por si. Se a premissa é verdadeira, Baptistão é mestre no ofício. Os desenhos acima fazem parte da capa e da contracapa do livro "Sigam-me os bons", de Fernando Thuler e Luís Joly (Editora Matrix, R$ 27). Traz curiosidades a respeito da série e sobre os personagens.
 
Baptistão trabalha há 15 anos no jornal "Estado de S. Paulo". Foi premiado como melhor caricaturista no último Troféu HQMix. No evento, ele disse ter planos de reunir seus trabalhos em livro (ver postagem do dia 11). Até lá, o ilustrador se diverte com o blog que mantém no UOL, página onde constam esta e outras caricaturas feitas por ele. Merece visita: http://baptistao.zip.net/ 
 
A propósito: até aqui, não revelei quem são os personagens. Nem precisa. É sinal de que a caricatura é boa.  

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h39
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GRINGO, O ESCOLHIDO: FAROESTE MADE IN BRASIL

ENTREVISTA: WILSON VIEIRA

O Brasil tem leitores fiéis às histórias de faroeste. É o mesmo grupo que mantém a revista italiana "Tex" há tantos anos no mercado. O curioso é que poucos autores nacionais se aventuraram no gênero. É o que, à primeira vista, chama a atenção em "Gringo - O Escolhido", que chegou às bancas nessa virada de mês (Editora Nomad, R$ 29,90). Olhando a obra mais a fundo, percebe-se que há muito mais.

O texto é escrito por Wilson Vieira, paulistano de 56 anos. Começou como desenhista. No fim dos anos 70, fez trabalhos na Itália, na prestigiada Sergio Bonelli Editore (a mesma de Tex). Foi lá que conheceu em detalhes o faroeste. Seu traço ainda hoje é lembrado no país. Voltou ao Brasil no começo da década seguinte e trouxe na bagagem a idéia desta história, ambientada no período seguinte à Guerra Civil norte-americana (1861-1865). Sobre o assunto, diga-se, é uma assumidade. Faz um elucidativo sumário sobre o conflito no fim do álbum.

Desde que imaginou a obra, 23 anos atrás, deu uma guinada na carreira: passou a se dedicar à produção de roteiros (é dele o texto de "Cangaceiros - Homens de Couro"). A transição abriu espaço para a arte de Aloísio de Castro, desenhista que divide o tempo entre o traço e a coordenação de comunicação do Metrô paulistano. É dono de um estilo europeu difícil de ver por aqui. Acentua a expressão dos personagens de forma bem realista e tem o cuidado de criar diagramações revolucionárias em cada página. "Sensacionais desenhos. O Aloísio, além de amigo particular, é um excelente profissional e captou muito facilmente a personalidade do personagem", diz Wilson Vieira.

O Blog dos Quadrinhos conversou por e-mail com o criador de Gringo. Ele fala da carreira, do mercado nacional de quadrinhos e deste álbum, que tem jeitão de material europeu. Bom material, diga-se, que pretende dar seqüência numa minissérie.

- Foram 23 anos entre concepção e publicação. Por que tanto tempo?
- Talvez pelo fato de os editores [brasileiros] não me conhecerem bem efetivamente, apesar de meus sete anos de profissionalismo na Itália.
 
- Você teve essa experiência na Itália nos anos 70. E com faroeste. Você ainda colabora para edições italianas? Por que a volta ao Brasil nos anos 80?
- É verdade, desenhei para a SBE (Sergio Bonelli Editore), o personagem "Il Piccolo Ranger". Bem, resolvi voltar, pois, como profissional da nona arte, tinha atingido o degrau máximo, ou seja, tinha desenhado para o maior editor europeu. Não colaboro hoje, mas continuo mantendo contato com antigos colegas de profissão e editores.
 
- É difícil produzir uma obra desse porte no Brasil?
- Para mim não é, pois faço tudo detalhadamente por antecipação, sou minucioso, quando se trata de quadrinhos. O Aloísio, o artista, também o é, portanto fizemos tudo com calma, sem pressão alguma, pelo simples gosto que temos pela história em quadrinhos brasileira.
 
- Faroeste é uma tema que tem muitos fãs no Brasil, mas poucos artistas nacionais se aventuram no gênero. Por quê?
- Concordo. O número de leitores de "western" é imenso em nosso país. Creio que seja um tema muito específico e é necessária uma vasta pesquisa para que o produto final seja realista, como é a proposta do Gringo. Bem, eu amo de paixão o tema. Criar e desenvolver o roteiro foi muito relaxante.
 
- Há, no fim da obra, um texto seu sobre a Guerra Civil Americana. É uma aula sobre o assunto. Há quanto tempo você "flerta" com o assunto?
- Obrigado pelo elogio. Bem, o "western", visto dessa maneira bem real, que chamamos de "spaghetti western", já está em minha vida há mais de 30 anos e continuo estudando.
  
- O resultado final do álbum parece material europeu. Lá, o autor goza de respeito artístico. Tanto que seu trabalho, Gringo, é divulgado na Itália. Você sente o mesmo tratamento aqui? 
- Infelizmente não. Se não fosse por poucos e bons amigos, os meus trabalhos não seriam publicados ou divulgados, coisa bem diferente por lá, pois ainda hoje sou lembrado como desenhista. Tanto o "Cangaceiros - Homens de Couro" como "Gringo - O Escolhido" foram e estão sendo divulgados por lá.
 
- Por que parou de desenhar na primeira metade dos anos 80? Por que passou a investir no roteiro?
- Não é que parei assim abruptamente, foi uma transição natural para mim, pois me envolvo demais em pesquisas e isso toma um tempo imenso. Ficaria impossível desenhar também. Mas, com a facilidade de visualizar as cenas, acho que me tornei um roteirista aceitável (risos).
 
- E daqui para frente? Para onde Wilson Vieira vai levar Gringo?
- Bem, o futuro a Deus pertence. Continuo a escrever e revisar as histórias do Gringo. Primeiramente, gostaria que o personagem fosse muito conhecido por aqui e, talvez depois, torná-lo uma minissérie. Já escrevi 16 episódios com 132 páginas cada uma e estou traduzindo-os em italiano.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h06
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01/08/2006

LITERATURA MARGINAL DE FERRÉZ CHEGA AOS QUADRINHOS

Os leitores de quadrinhos talvez não conheçam Ferréz. Deveriam. Seu livro inaugural, "Capão Pecado", lançado em 2000, consolidou um novo gênero de prosa, a literatura marginal. Mostra a realidade da periferia paulistana do ponto de vista de quem viveu lá. A obra exala a região no enredo e, principalmente, na linguagem, cheia de gírias e expressões comuns a seus moradores (algumas até difíceis de entender, mesmo dentro do contexto). Ferréz, agora, leva esse mundo aos quadrinhos, no álbum "Os Inimigos Não Mandam Flores", que vai ser lançado na segunda quinzena deste mês pela editora Pixel.

A obra nasceu do encontro de Ferréz com Alexandre De Mayo, editor da revista "Rap Brasil". Descobriram afinidades comuns, entre elas o olhar voltado à periferia. O traço de De Mayo caiu no gosto do escritor e surgiu a idéia de quadrinizar o poema de Ferréz, que dá nome ao álbum. O estilo de texto, carregado de gírias e de vocabulário denso, dão alma aos personagens da trama.

A história já havia sido adaptada para o teatro. Como era de se esperar, mostra um pouco da vida na periferia paulistana e da relação com o tráfico de drogas. Começa no passado. Um homem é preso e promete matar alguém da família de quem o colocou na cadeia. É o fio que liga a trama e suas reviravoltas narrativas (veja uma prévia na postagem abaixo).
 
Este é o primeiro lançamento nacional da Pixel, editora que começou neste ano. Há outros dois programados. "Curupira" mostra o último trabalho inédito de Flávio Colin, autor que morreu em 2002. O personagem do folclore brasileiro que dá nome ao álbum funciona como uma espécie de mestre-de-cerimônias para as cinco histórias da edição. Os temas envolvem assuntos ligados à ecologia e à preservação ambiental. A lição dada na obra é que a natureza pode se vingar do homem. A edição havia sido anunciada para julho. Foi adiada e ainda não há data de lançamento definida.
 
Outro título nacional da Pixel é "Zózimo: Um Corno Que Sabia Demais", de Wander Antunes. No Brasil, poucos conhecem o autor. Na França, foi premiado. Venceu uma das categorias do Festival de Chambery pelo álbum "Big Bill Est Mort" ("Big Bill está morto", numa tradução adaptada). Teve, no festival, cinco indicações. Em "Zózimo", Antunes se volta para o Brasil. Mais especificamente o Rio de Janeiro dos anos 50. Segundo a ediotra, é uma quase pornochanchada, que capta o espírito dos textos do dramaturgo Nelson Rodrigues. O álbum está progaramado para este semestre.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h08
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PRÉVIA: OS INIMIGOS NÃO MANDAM FLORES

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 06h59
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