31/07/2006

ALÔ, ALÔ, FREGUESIA:

DUAS NOTÍCIAS SOBRE O SALÃO DE HUMOR DE PIRACICABA

A proximidade do mês de agosto esquenta as notícias sobre o Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o mais tradicional do país. Há duas informações. A primeira é que termina no próximo dia 5 o prazo para inscrição de trabalhos. São quatro categorias: cartum, charge, caricatura e tiras. Os vencedores de cada uma das categorias recebem R$ 4 mil. Os segundos colocados levam R$ 2.250 cada um.

A outra novidade é o lançamento do catálogo com os trabalhos selecionados no ano passado. Não é a primeira vez que os organizadores reúnem em livro as ilustrações de humor. Mas o resultado é sempre inovador.

O Salão de Humor de Piracicaba começou em 1974 e é um dos cartões de visita da cidade do interior de São Paulo. Neste ano, está na 33ª edição. O início da premiação está marcado para o dia 26 de agosto.

SERVIÇO 1: todas as informações para a inscrição de trabalhos estão no site oficial do salão. Clique aqui.

SERVIÇO 2: Catálogo do 32º Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Quando: hoje (31.07). Horário: 19h. Local: Casa das Rosas. Endereço: Av. Paulista, 37, São Paulo. Quanto: entrada franca.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h26
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30/07/2006

A LÍNGUA MUDA... E OS QUADRINHOS ACOMPANHAM

Aos poucos, os estudos sobre a influência da língua oral ganham força nas universidades brasileiras. A última novidade sobre o assunto é um artigo do professor Jean Lauand, da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo). Ele comparou edições diferentes de uma mesma história do Tio Patinhas e mostrou as adaptações que foram feitas para adequar os diálogos aos novos tempos. A pesquisa foi publicada na última edição da revista "Língua Portuguesa" (número nove).

Lauand trabalhou com a história "Tio Patinhas e os Índios Nanicós", de Carl Barks. A aventura foi publicada pela primeira vez no Brasil em 1958, na revista "Pato Donald" 334. Teve reedições em 1967, 1982, 1988 e 2004 (esta no oitavo número de "O Melhor da Disney"). O cerne do estudo -embora não seja o único- está na comparação entre os extremos, 1958 e 2004. Constatou muitas diferenças no trato com a língua ao longo das décadas. Algumas, extraídas dos balões apresentados nas histórias:

Presença dos pronomes

1958 - "Diga-lhes" / 2004 - "Diga a eles"

Uso do futuro

1958 - "Que faremos agora?" / 2004 - "E agora? O que vamos fazer?"

Uso de vocabulário

1958 - "Eis o novo lago" / 2004 - "Lá está o outro lago"

1958 - "Que pretende caçar?" / 2004 "O que vai caçar?"

Interjeições trocadas

1958 - "Puxa! Mas que ar saudável e revigorante!" / 2004 - "Oh, que ar saudável!"

1958 - "Boing! Aí vem ele!" / 2004 - "Uau! Aí vem ele..."

1958 - "Credo! Não adiantará enfrentá-lo com uma canoa!" / 2004 - "Ai, ai, ai! Não adiantará enfrentá-lo com uma canoa!"

Para o professor da USP, é exagerado dizer que há uma nova língua. O que ocorre é um acompanhamento das mundanças do português falado no Brasil. A percepção dele empata com a forma como as edições são trabalhadas pela Abril. Segundo Emerson Agune, editor das revistas Disney, a tradução é a mais fiel possível. Mas conta que segue algumas orientações: "evitar o uso de gírias regionais, adequar a fala ao personagem e ser fiel às intenções do autor. Conforme a própria matéria da revista Língua Portuguesa apontou, fazemos a atualização para que seja a linguagem usada hoje pelos falantes de língua portuguesa."

Há dois estudos pioneiros sobre o assunto. Um é de 1973, de autoria de Dino Preti, ex-professor da USP, hoje na PUC paulistana (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). O pesquisador estudou 37 edições da revista "Mônica" do início dos anos 70, quando ainda saíam pela Abril. Constatou que os personagens de Mauricio de Sousa, apesar de crianças, falavam como adultos. Não havia uma preocupação de adequar o conteúdo dos balões ao modo de falar de uma criança. Foi publicado em forma de artigo no oitavo número da já extinta "Revista de Cultura Vozes" (dedicada ao pensamento cientìfico das então ciências artísticas de vanguarda).

O outro estudo é de 2001. É uma dissertação de mestrado defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Clarícia Akemi Eguti pesquisou como se dava a "representatividade da oralidade nos quadrinhos", o tema da dissertação. Ela analisou e exemplificou cada detalhe da linguagem dos quadrinhos, desde os balões até as onomatopéias. A conclusão é que há diversas maneiras de representar a língua oral nas histórias em quadrinhos. É só parar, observar e constatar.

O artigo de Jean Lauand pode ser lido na íntegra no site da revista "Língua Portuguesa". Vale conferir. Clique aqui.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h20
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28/07/2006

ESTRANHOS NO PARAÍSO, MAIS UMA VEZ

Os personagens de "Estranhos no Paraíso" já passaram por três editoras no Brasil. Começaram na Abril, foram para a Via Lettera e, depois, para a extinta Pandora. A trajetória é um pouco confusa, mas prova que nunca saíram da pauta do mercado editorial, que sempre arruma um jeitinho de publicar as criações do escritor e desenhista Terry Moore. Prova disso é que surge, agora, uma quarta editora A HQManiacs coloca a partir de hoje nas livrarias e lojas de quadrinhos "Estranhos no Paraíso - Inimigos Mortais" (RS 27,90).
 
Esta edição reúne os números 6 a 12 da revista norte-americana (o título voltou ao número um duas vezes). O arco é de 1997 e já havia começado a ser publicado no Brasil pela Pandora, que parou a história no meio. À época, circulou a informação de que a editora teve problemas com os direitos de publicação da obra. São problemas reais, que adiaram o desfecho dos ficcionais, tema deste arco "Inimigos Mortais".
 
Ter os personagens de Moore no rol de títulos é uma estratégia certeira para qualquer editora, ainda mais uma em início de vida, como a HQManiacs (começou em março). O mundo de Estranhos traz credibilidade e seriedade a quem o publica. As histórias são muito bem vistas pela crítica norte-americana. Ter o aval dos críticos de lá, para os mais críticos de cá, muitas vezes não quer dizer muita coisa. Serve só de rótulo para vender o produto. Mas, neste caso, o olhar da crítica foi certeiro.
 
"Estranhos no Paraíso" não fala de feitos heróicos, nem heróis têm. O assunto é outro. O foco está no relacionamento humano. Parece algo banal. Mas pare para perceber como são complexas as amizades que nos rodeiam e a fina linha que as articula. Moore consegue olhar para todas essas nuances e tem uma capacidade ímpar para articulá-las ao leitor. Texto e imagem se casam harmonicamente. Os diálogos, inteligentes e bem amarrados, dão o toque final. Entende e representa como poucos a mente feminina.
 
Para quem acompanha a série desde o início, é um arco importante. (Re)define o relacionamento entre Francine e Katchoo, as duas amigas que tentam entender se há algo mais nessa amizade. Há algo mais, sim, mas é de outra ordem. Parte do passado misterioso de Katchoo vem à tona e coloca à prova a parceria delas. E de David, amigo delas, que também esconde um passado misterioso (revelado só agora).
 
A HQManiacs apostou no público que já lia a série. É pequeno, mas fiel, como as idas e vindas de editora para editora comprovam. As histórias anteriores, no entanto, não foram descartadas. "Está em nossos planos, sim, a republicação dos arcos que saíram no país por outras editoras, bem como todos os TPs [Trade Paperbacks]seguintes da história", diz a editora do álbum, Dandara Palankof e Cruz. "Tudo depende das vendas alcançadas por este volume".

Quem nunca leu "Estranhos no Paraíso" vai entender a história. Vai querer saber outras tantas passagens, mas vai entender. E vai perceber por que é questionável a tese de quem defende que os anos 90 foram uma década perdida para os quadrinhos norte-americanos. Não é verdade. Havia Terry Moore e seus estranhos, porém cativantes, personagens. E mais umas outras criações de outros autores (como um certo mestre dos sonhos), que ficam para uma outra postagem.
 
Nota 1 - Terry Moore anunciou que vai encerrar a série. Achou que está na hora. O fim do "paraíso" está previsto para maio do ano que vem, na edição 90 da revista norte-americana.
 
Nota 2 - Para quem nunca leu e quer se achar na série -e para quem já leu e se perdeu entre as várias editoras por onde a série passou-, o Blog preparou uma espécie de kit de sobrevivência para não se sentir estranho no paraíso de Moore. Leia na postagem abaixo. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h36
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PARA NÃO SE SENTIR ESTRANHO NO PARAÍSO

A confusão editorial envolvendo "Estranhos no Paraíso" não é exclusividade do Brasil. Nos Estados Unidos, a série mudou a numeração duas vezes. A história de Francine e Katchoo começou numa minissérie em três edições (novembro de 1993). Essa fase premiada foi chamada por lá de "volume 1".
 
Depois da minissérie, o título recomeçou do número 1. Foram 13 edições, chamadas de "volume 2". Uma mudança para o selo editado por Jim Lee motivou outra volta à primeira edição (em outubro de 1996). Não mudou mais desde então. Foi rotulada, a exemplo das fases anteriores, de "volume 3". É o segundo arco dessa fase o que a Pandora não terminou e que a HQManicas publica agora no Brasil.
 
Além da HQManiacs, Estranhos passou por outras três editoras:
 
 
- Abril (maio a junho de 1998)
Publicou a minissérie do volume 1, chamada "Estranhos no Paraíso" (capa ao lado). As três edições só existem em sebos.
 
- Via Lettera (dezembro de 1999 e março de 2000)
A editora publicou o arco "Sonho com Você" em dois volumes, um no fim de 1999 (imagem abaixo) e outro em março do ano seguinte. Pode ser encontrado em lojas especializadas em quadrinhos ou no site da Via Lettera. Corresponde aos números 1 a 9 do volume 2 americano.
 
- Pandora (outubro de 2002 a janeiro de 2004)
Foi a que mais editou histórias dos personagens de Terry Moore no Brasil. Os títulos passaram por dois momentos. No primeiro, a editora encerrou a fase do volume 2 norte-americano. Foi num encadernado chamado "A Vida é Bela". Ainda pode ser encontrado nas lojas especializadas. O segundo momento foi numa revista mensal, publicada entre março de 2003 e janeiro de 2004. O título corresponde ao início do volume 3 americano, quando as histórias voltaram mais uma vez ao número 1. O segundo arco, "Inimigos Mortais", este que agora sai pela HQManiacs, foi interrompido no terceiro capítulo (número 8 da revista).
 
É confuso. Mas a peregrinação vale a pena.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h34
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MORRE JOSEPH LUYTEN

Morreu na quinta-feira o professor e pesquisador Joseph Maria Luyten. Foi vítima de um ataque cardíaco.

Ele era uma assumidade na literatura de Cordel, tanto aqui como no exterior. Publicou "Um Século de Literatura de Cordel" e "A Literatura de Cordel em São Paulo". Passou pelas principais universidades de comunicação do país (USP, Cásper Líbero, Metodista). No meio dos quadrinhos, era muito conhecido por ser o marido de Sonia Bibe Luyten, uma das maiores conhecedores do assunto no Brasil, especialista em mangás. Sempre a acompanhava nos eventos, como no último HQMix. Durante a cobertura do Prêmio, Joseph teve a preocupação de ficar ao meu lado durante parte da transmissão, enquanto a platéia via a entrega dos troféus. Um gesto pequeno, mas que mostrava a grandiosidade dele.

Joseph deixa a esposa, três filhas, três netas. O enterro é nesta sexta-feira, 28.07, às 17h, no Cemitério Campo Grande (Av. Nossa Senhora do Sabará, 1371, em Santo Amaro, São Paulo).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h54
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27/07/2006

DUAS (BOAS) HISTÓRIAS DE SUPER-HERÓI

Está cada vez mais freqüente encontrar uma boa história de super-herói nas bancas. Boa parte dos títulos de linha passa por uma fase de textos inteligentes e instigantes (fruto da concorrência entre Marvel e DC Comics). Entre os especiais, os destaques se alternam entre obras inéditas e reedições. Ou as duas juntas, caso desta semana. Volta às bancas "Superman - As Quatro Estações" (Grandes Clássicos DC # 8; Panini, R$ 25,90), tida como uma das melhores histórias do homem de aço. Chega também o primeiro volume da premiada "DC: a Nova Fronteira" (Panini, R$ 25,90).
 
Darwyn Cooke abocanhou os principais prêmios norte-americanos de quadrinhos no ano passado: Harvey, Shuster e o prestigiado Eisner Awards. O que ele fez de tão especial em "DC: a Nova Fronteira"? Não é tanto pelo enredo. Não são novidade histórias em que os heróis abandonam a "profissão" porque se negam a revelar a identidade secreta ao governo. Também não é inédita a idéia de colocar o homem de aço a serviço de Washington (leia-se: "Cavaleiro das Trevas", de Frank Miller). O mérito de Cooke foi a forma como articulou esses elementos.
 
O pós-guerra foi cruel com os quadrinhos. Houve, nos Estados Unidos, uma caça aos gibis (usado aqui no sentido mais pejorativo do termo). Cooke transpõe esse espírito aos super-heróis. Coloca aquele ranço macarthista contra eles. Alguns persistem, ou subservientes ao governo, ou às escondidas (caso de Batman). O período nebuloso ganha luzes à medida que surgem os novos super-heróis, como Flash e Lanterna Verde/Hal Hordan. E tudo em ordem cronológica, ao contrário do que a DC fez na transição das eras de prata e de ouro. É o segundo trunfo do escritor e desenhista, que conduz a trama com um estilo cartunizado e inspirado no traço de Jack Kirby (o desenhista que criou os principais personagens da Marvel no anos 60 ao lado de Stan Lee). Consegue resultados visuais muito criativos.
 
A história foi publicada nos Estados Unidos em forma de minissérie. No Brasil, sai em dois volumes. O próximo está programado para o mês que vem.
 

"Superman - As Quatro Estações" também é uma minissérie. Foi assim que as quatro partes -ou quatro estações- foram publicadas pela primeira vez no Brasil (quinzenalmente entre setembro e outubro de 1999). Era uma outra época, quando Superman era Super-Homem e Smallville, Pequenópolis. Os nomes originais são mantido na nova edição, que teve uma nova tradução.
 
A história escrita por Jeph Loeb é contada em quatro movimentos. Cada um deles dá usa à exaustão as diferentes acepções do tempo nos quadrinhos, como antecipava, em 1975, Antônio Luiz Cagnin, no pioneiro "Os Quadrinhos" (que deve ser relançado; veja na postagem do dia 11 deste mês). Há o tempo da história, mostrada em flashback. Há o tempo da narração, contada por diferentes pessoas ligadas ao homem de aço, cada uma numa estação. Há, enfim, o tempo da história, o mesmo de cada uma das estações do ano. Começa na primavera, termina no inverno.
 
A história capta a essência do personagem. Um homem do campo se torna o maior herói do planeta. Mas continua sendo um homem do campo, com medo, apego aos pais, incertezas. É um pouco do que Richard Donner fez no primeiro filme do super-herói (há uma referência visual à obra num dos quadrinhos da primeira parte, primavera; vale descobrir). Os desenhos de Tim Sale reforçam esse lado "meninão" de Clark Kent.
 
O trabalho de Loeb certamente influiu na construção do seriado "Smallville". Não é para menos que o escritor atuou como consultor nos quatro primeiros anos de produção do seriado. Fez a fórmula render. Especializou-se em criar minisséries sobre o "ano um" dos personagens. Fez isso com Demolidor, Homem-Aranha, Hulk e Mulher-Gato. Sempre acompanhado por Tim Sale.
 
"Superman - As Quatro Estações", outro relançamento motivado pelo filme, foi reunido num volume só (no oitavo número de Grandes Clássicos DC). Lidas em seqüência, as quatro estações revelam sutilezas, perdidas numa leitura fragmentada. Há um mesmo ângulo de cena,  de Clark Kent, deitado na cama, repetido em momentos diferentes da trama. A cena final também se liga a um outro trecho da obra. Mas tem de ler para descobrir por quê.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h49
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LULA VETA PROJETO QUE PREVIA DIPLOMA A ILUSTRADORES

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou ontem à noite o decreto-lei que aumentava de 11 para 23 as atribuições dos jornalistas. Um dos itens previa diploma de jornalismo para ilustradores atuarem na imprensa brasileira. O governo federal argumentou que havia brechas jurídicas no projeto e que uma eventual aprovação comprometeria o ldireito à livre expressão. As entidades de ilustradores tinham se posicionado contra a medida (ver postagem do último dia 24).
 
Na prática, o veto significa que a lei não entra em vigor, continua tudo como está. Ou quase tudo. Ontem mesmo, o governo fez uma reunião com representantes de entidades ligadas à área, segundo informações do jornal "Folha de S.Paulo" e do portal da revista "Imprensa". A pauta era discurtir a regulamentação da profissão (a última regulamentação é de 1969). Estiveram presentes cinco representantes das empresas e cinco vinculados aos funcionários. O grupo terá três meses para apresentar uma proposta.
 
A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), a maior entusiasta do decreto-lei vetado, criticou a decisão de Lula. No entender da entidade, o governo federal cedeu a interesses dos donos da mídia, que usaram os veículos que mantém para defender interesses próprios. "A verdadeira ameaça à liberdade de expressão e de imprensa não é a regulamentação da profissão dos jornalistas. É, isto sim, o alto grau de concentração da propriedade privada na mídia, o conluio com elites políticas nos Estados e no Congresso Nacional e a hegemonia, no mercado de comunicação, de um único grupo, a Rede Globo", afirma a Fenaj, em carta aberta veiculada no site da federação (www.fenaj.org.br).
 
O projeto de lei era de autoria do deputado federal Pastor Amarildo (PSC-Tocantins). Segundo ele, a proposta era a de regulamentar a profissão do jornalista no Brasil. O texto foi para o Senado, que aprovou o decreto-lei. Para entrar em vigor, precisava da assinatura de Lula. O presidente vetou o texto na íntegra.
 
A decisão do governo federal encerra -ou adia- apenas uma das discussões sobre quadrinhos e artes gráficas. Há outras duas em pauta. Uma é o projeto do deputado  federal Simplício Mário (PT do Piauí), que prevê a criação de cotas para os quadrinhos nacionais. As editoras deveriam reservar parte de suas publicações para histórias criadas por autores brasileiros. Por enquanto, o projeto passa pela fase de debates públicos. Houve uma reunião no Rio de Janeiro no dia 19 de julho. Deve haver outra em Brasília, em data a ser confirmada.
 
A outra discussão é a criação da Câmara Setorial de Comunicação Visual, órgão ligado ao governo federal que decidiria todas as políticas sobre a área (que inclui as histórias em quadrinhos). A entidade seria formada por representantes do governo federal e da sociedade civil. A implantação caminha a passos largos. Vai haver uma reunião no começo do mês que vem no Rio de Janeiro para definir como será o funcionamento da Câmara. Participarão as entidades ligadas ao setor. A proposta será encaminhada ao Ministério da Cultura, que centraliza o assunto (leia mais na postagem do dia 27 de junho). 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h46
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26/07/2006

MARCIO BARALDI: NOVO ÁLBUM DE ROKO-LOKO E ADRINA-LINA

Ele não precisa de assessor. Assessora a si mesmo. Não espera o jornalista bater à sua porta. Ele é que encontra o jornalista. E fala com entusiasmo suas criações. Foi Marcio Baraldi que sugeriu a entrevista a seguir. Pedi uma novidade para justificar o bate-papo. O desenhista foi persuasivo: apresentou um pacote de coisas do que anda fazendo. Uma das novidades é a terceira coletânea de Roko-Loko e Adrina-Lina (capa ao lado), prevista para setembro. Reúne histórias publicadas na revista "Rock Brigade", onde colabora há dez anos. Pelos duas coletâneas anteriores, recebeu o prêmio Angelo Agostini de melhor cartunista e lançamento em 2003 e 2004.
 
O espírito irriquieto começou na infância, vivida em Santo André, no ABC paulista. Foi lá que conheceu o rock, o movimento sindical e o mundo artístico. Foi lá também que estudou desenho mecânico, artes plásticas e música. "Fiz teatro, grafite, vídeo, toquei baixo em bandas de garagem", diz. Aprendeu a trabalhar cedo. Hoje, é o que mais faz. Nem sabe dizer direito para todas as revistas onde desenha. "Eu nem perco tempo contando quantas revistas e jornais eu faço todo mês, são dezenas, mano! Em um ano faço milhares de cartuns, é coisa de doido!"
 
Ele é daquelas pessoas que não esperam algo acontecer. Faz acontecer. A entrevista abaixo é prova disso.
 

- Você teve basicamente duas influências: o lado político-sindical e o rock, ambos no ABC. Até que ponto você vê as duas influências no seu trabalho hoje?

- Total. São minhas raízes, minhas “bloody roots”! Eu entrei no movimento sindical aos dezesseis anos, como chargista e faz-tudo na imprensa do Sindicato dos Químicos do ABC (aliás, pra onde trabalho até hoje). Participei do movimento estudantil, freqüentei zilhões de passeatas, trabalhei pra todos os movimentos sociais e populares que você puder imaginar. Paralelamente, sempre fui roqueiro, e o ABC sempre foi um pólo roqueiro muito forte. Cresci mergulhado nessas duas correntes energéticas, e elas alteraram o meu DNA para sempre, me transformando num cartunista roqueiro-político mutante!

 

- Para onde você pretende guiar o seu trabalho daqui para frente?

- “Para o alto e avante!”, como diria um velho amigo e conterrâneo meu, sabe?! Eu amo profundamente minha profissão e meu trabalho. E sou muito grato a Deus por ter permitido me estabelecer e progredir neste que, sem dúvida, não é um dos ramos mais fáceis de se estabelecer. Eu vou seguir em frente fazendo o que gosto, cada vez melhor, mais forte e bonito: livros, camisetas, vídeo games, animações, bonequinhos e, principalmente, muuuuuuitos cartuns e histórias bacanas que as pessoas leiam e gostem tanto a ponto de guardá-las num caderno, numa estante, ou, melhor ainda, nos corações e mentes!

 

- Por que a diversificação de produtos?

- Está sendo tudo natural. Comecei fazendo livros porque saquei que precisava reunir todas as minhas HQs em livros ou elas se perderiam com o tempo. Depois, passei pras camisetas, pois servem pra divulgar os personagens por aí, no corpo das pessoas. Depois comecei a atacar os games. Estou fazendo uma tiragem de bonecos do Roko-Loko muito bonitos que vou colocar pra vender no site da Brigade. De quebra, andei fazendo umas animações também. Tem uma com o Roko-Loko na “AllTV” (www.alltv.com.br) e mais algumas em sites por aí. Ainda estou começando com as animações, com o tempo devo investir mais nisso.

 

Abaixo, mais Baraldi e uma prévia do novo álbum.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h43
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PRÉVIA: ROKO-LOKO E ADRINA-LINA

"Roko-Loko e Adrina-Lina - Born to Be Wild" é a quarta parceria de Marcio Baraldi com a Opera Graphica. Já publicou na editora outras duas coletâneas com os personagens roqueiros e um terceiro álbum com outra criação sua, Tattozinho. A relação com a Opera começou com um convite ou por insistência do desenhista? Resposta do Baraldi:
 
- Nem uma coisa, nem outra. Foi tudo muito natural, pois eu já trabalhava com o Carlos Mann (dono da Opera Graphica) há um bom tempo, ilustrando várias revistas pra ele. O Carlos é um cara que desde o começo simpatizou com meu trabalho e com meu pique agitado e batalhador. Ele é um cara que, assim como eu, também veio do zero e sempre trabalhou absurdamente para construir sua carreira, e ele sempre reconheceu essa “semelhança” entre nós. Por isso, quando eu resolvi fazer o primeiro livro do Roko, em 2003, ele foi a opção mais lógica, e eu, de forma natural, ofereci o projeto pra ele, que, com a mesma naturalidade, aceitou. E já estamos indo para o quarto livro da minha poderosa “Enciclopédia do Baraldi”!
 
A história foi escrita por Anita Costa Prado, autora da personagem lésbica Katita (publicada pela Marca de Fantasia; leia na postagem do dia 5 de junho). Ela fez o texto por conta, por gostar dos rockeiros Roko-Loko e Adrina-Lina. Baraldi achou a idéia legal e quadrinizou. O resultado pode ser lido abaixo. É em primeiro mão, segundo o desenhista. Tão primeira mão que nem Anita viu o resultado final, conta.
 
A página a seguir é a abertura da única história inédita de "Roko-Loko e Adrina-Lina - Born to Be Wild", terceira coletânea da dupla. O lançamento foi programado para setembro.

Marcio Baraldi mantém uma página na internet. Se quiser conhecer, clique aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 17h23
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25/07/2006

WOOD & STOCK NO CINEMA: SEXO, ORÉGANO E ROCK´N ROLL

O desenhista Angeli sempre  deu um ar de contracultura às suas criações. Fora dos quadrinhos, quem diria, a vida alternativa de seus personagens foi rotulada para maiores de 18 anos. O desenho "Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock´n Roll" foi proibido para menores. Foi a primeira vez no país que uma animação para o cinema teve essa classificação. A decisão foi revista no começo de junho. Mas não muito. O Ministério da Justiça reclassificou o longa para quem tem mais de 16 anos.
 
O desenho, por enquanto, testa a recepção do público. Passa no próximo sábado em São Paulo no 14o. Anima Mundi, teve sessões no Rio de Janeiro na semana passada. Antes disso, passou por Minas e pelo nordeste. A história dos dois hippies tem tido boa recepção. O auge foi em Recife, no CINE-PE, Festival do Audiovisual, no mês de abril. Teve sala cheia e conquistou três prêmios: Especial do Júri, Melhor Trilha Sonora e o inédito e inusitado Melhor Atriz Coadjuvante para a dublagem de Rita Lee para Rê Bordosa.
 
Segundo a cantora, Angeli se baseou nela para criar a personagem "porra-loca". Nem teria precisado interpretar no trabalho de dublagem. A ex-integrante do grupo Mutantes não é a única personalidade do meio musical a compor o cast da dublagem. O cantor e compositor Tom Zé fez a voz de Raulzito (Raul Seixas) durante uma "viagem" dos personagens-título. Tom Zé é baiano, como Raul. "Caiu como uma luva", diz Otto Guerra, diretor do longa.
 
Wood & Stock -dois velhos que mantêm, ainda hoje, o modo de vida hippie- são o fio condutor da animação, feita com verba do Ministério da Cultura. Mas, como Rê Bordosa prova, há outras criações do mundo "alternativo" de Angeli. Estão lá Meiaoito, Nanico, Rhalah Rikota, os Skrotinhos. A idéia de colocar todos na tela grande surgiu de uma conversa entre Otto Guerra e o cartunista num bar paulistano, onze anos atrás. O diretor, que cria desenhos em sua produtora desde 1984, sugeriu fazer uma longa-metragem com o personagem "Ozzy", personagem de Angeli voltado ao público infantil. O cartunista teria retrucado: por que não Wood e Stock? Por que não? Ficou Wood e Stock.
 
Angeli participou do projeto à distância. Ajudou no roteiro, deu idéias. A redação final ficou a cargo Rodrigo John. Não foi o primeiro trabalho com quadrinhos feito por Guerra. Em 1994, ele animou a dupla de caubóis gays Rock e Hudson, de Adão Iturrusgarai. O diretor tem um histórico de fã e produtor de quadrinhos. Começou a fazer desenhos nas HQs. "Copiava o belga Hergé, autor do Tintim. Sempre fui um devorador de quadrinhos. Passei a ser fã do Crumb em 1977 e conheci o trabalho do Angeli em meados de 1984", diz. Não só conhecia como colecionava. "Do Angeli eu comprava todas as Chicletes com Banana, além de acompanhar seu trabalho na Folha".
 
"Esse espírito contracultural foi uma descoberta meio tardia para mim. Quando era guri tinha medo de barbudos drogados, mas aos poucos esse medo foi se transformando em admiração, num processo sem volta. Claro nem eu nem o Angeli somos hippies, talvez o Angeli tenha sido um pouco, vi umas fotos dele de bigodão e tal. De qualquer forma, cada vez mais me vejo enfronhado com autores ditos, malditos. Então foi uma reviravolta de 180 graus, meu ídolo anterior, o belga George Rémis, Hergé, era um ultra-direitista. Mesmo assim continuo admirando muito todos os álbuns do Tintim. Seu desenho continua uma referência mundial, transcriado por autores de todos os continentes."
 
"Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock´n Roll" deve estrear "oficialmente" no dia 25 de agosto em Porto Alegre. "Estamos negociando as salas comerciais aqui do sul, Cinemark, Cinesystem, GNC etc.", diz a produtora-executiva do desenho, Marta Machado. "Pretendemos estar em pelo menos cinco salas e mais cinco na grande Porto Alegre e interior."  Depois, vai subindo o mapa do Brasil. Novas sessões em São Paulo e Rio de Janeiro. "Distribuiremos de forma independente, mas acreditamos no potencial do filme para um grande público. Nossa idéia é não restringir a um segmento apenas." O próximo projeto é um desenho dos Piratas do Tietê, de Laerte. A previsão de estréia é 2008.
 
Os produtores do desenho criaram uma página com muitas informações -e imagens- do longa de animação. Clique aqui para conferir. Em outra página da internet, Angeli fala sobre os personagens Wood e Stock. Para assistir, clique aqui.
 
SERVIÇO
Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock´n Roll. Quando: sábado, 29.07. Horário: 21h. Local: Memorial da América Latina. Endereço: Rua Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, São Paulo. Quanto: R$ 6 (meia-entrada R$ 3). Venda no local a partir desta quarta-feira (26 de julho).

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Escrito por PAULO RAMOS às 08h22
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24/07/2006

PROJETO PREVÊ DIPLOMA DE JORNALISMO A DESENHISTAS

Os ilustradores podem ser obrigados a ter diploma de jornalismo para atuar na imprensa brasileira. A exigência faz parte de um decreto-lei que aumenta de 11 para 23 as funções da profissão. Uma das atribuições envolve os desenhistas. O texto, no parágrafo 22, inclui "o profissional encarregado de criar ou executar desenhos artísticos ou técnicos, charges ou ilustrações de qualquer natureza para matéria ou programa jornalístico". Para entrar em vigor, o decreto-lei precisa ser assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele tem até a próxima sexta-feira para se manifestar. A tendência é pelo veto.
 
Não há dados sobre o assunto, mas é seguro dizer que a maioria dos ilustradores não possui diploma de jornalismo. A categoria já se posicionou contrária ao projeto. Um abaixo-assinado deve ser levado a Brasília. "Há um quê de ranço autoritário nessa história, seja por parte dos sindicatos de jornalistas, que pretendem uma atuação maior dentro das redações assim como de renda pela contribuição sindical, seja pelo próprio governo, que poderia penalizar jornalistas não-amigáveis", diz Orlando Pedroso, da SIB, Sociedade dos Ilustradores do Brasil. "No caso dos ilustradores, chargistas e cartunistas, a coisa piora já que essas profissões, além de não serem reconhecidas, não fazem parte da grade curricular de nenhum curso de jornalismo nem de nenhuma outra formalidade educacional."
 
O fato de as faculdades de jornalismo não ensinarem artes visuais é também o argumento de José Alberto Lovetro, da ACB, Associação dos Cartunistas do Brasil. A entidade é contra o decreto-lei. "Primeiro porque nos cursos de jornalismo não há disciplina de desenho ou arte e segundo porque um ilustrador tem que ter a opção de escolher entre uma Faculdade de Belas Artes ou uma de jornalismo. Embora eu ache que um chargista necessite de um curso de jornalismo para aprofundar seu sentido de análise política, é dele a opção ou seria uma oneração injusta ter que fazer duas faculdades para exercer a profissão."
 
As associações de jornalistas estão divididas sobre o assunto, a exemplo do que já ocorreu durante a discussão do Conselho Federal de Jornalismo (órgão que centralizaria as decisões sobre a atuação na área e que não foi aprovado). A ABI, Associação Brasileira de Imprensa, pediu que o presidente Lula vete o projeto de lei. A ANJ (Associação Nacional de Jornais) também é contra. A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) defende as alterações. O presidente da entidade, Sérgio Murilo de Andrade, escreveu uma carta aberta sobre o assunto no portal da revista "Imprensa", ligada à área jornalística. "Por ser de natureza pública, o exercício do jornalismo exige qualificação profissional e democratização no seu acesso. Essa democratização se dá com a oferta - aos veículos de imprensa e aos mais diversos setores - de profissionais formados pela sociedade em suas instituições de ensino superior. Democratizar também é atualizar as funções profissionais conforme as mudanças de caráter técnico, tecnológico, cultural e político operadas na sociedade." Andrade afirma que sua entidade é criticada pelos "donos da mídia" (que têm opinião diametralmente oposta).
 
O jornal "Folha de S.Paulo" apurou na semana passada que a tendência do Palácio do Planato é pelo veto. Na edição desta quarta-feira (25.07), traz outra informação: o Ministério da Justiça emitiu parecer recomendando ao presidente veto completo ao decreto-lei. O argumento é que a sociedade teria o direito de receber informações de qualquer fonte. Embora o projeto de lei tenha sido aprovado no Senado, a discussão começou na Câmara dos Deputados. O texto é de autoria do deputado federal Pastor Amarildo (PSC-Tocantins). Em entrevista ao portal de "Imprensa", ele diz que procurou valorizar a profissão do jornalista e que não contou com a colaboração de nenhuma entidade ligada àrea. O deputado entende que o decreto-lei pode sofrer ajustes antes de entrar em vigor.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h56
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23/07/2006

EISNER AWARDS 2006: VENCEDORES

Foram divulgados neste fim de semana os vencedores do Eisner Awards 2006, espécie de Oscar dos quadrinhos norte-americanos. O anúncio foi feito na Comic-Con, convenção que ocorreu em San Diego, nos Estados Unidos. A editora DC Comics, de Batman e Super-Homem, venceu nas principais categorias. Além da editora, há outros quatro destaques:

- "Solo" (da DC; levou três prêmios); a revista mostra um olhar diferente e autoral de escritores e desenhistas sobre os heróis da DC; o material é inédito no Brasil;

- "Fábulas" (DC, dois troféus); os dois primeiros arcos já saíram no Brasil pela editora Devir; a obra coloca os personagens de contos de fadas nos dias de hoje, enfrentando problemas modernos e intrigas entre eles;

- "Astonishing X-Men" (da Marvel Comics, escrita por Joss Whedon, criador de "Buffy, a Caça-Vampiros", venceu em duas categorias, incluindo melhor desenhista, John Cassaday); as histórias são publicadas atualmente no Brasil na revista "X-Men Extra", da Panini;

- o escritor Grant Morrison, responsável pelas premiadas "Seven Soldiers" e "All Star Superman", ambas da DC e ainda inéditas por aqui.

Confira os principais vencedores:

- Melhor série regular: Astonishing X-Men (Marvel Comics; ao lado, capa da versão nacional, pela Panini)

- Melhor história seriada: Fábulas números 36 a 38 e 40 a 41, por Bill (DC Comics)

- Melhor minissérie: Seven Soldiers (DC Comics)

- Melhor nova série: All Star Superman (DC Comics)

- Melhor escritor: Alan Moore (Promethea, Top Ten: The Forty-Niners, pela ABC)

- Melhor desenhista: John Cassaday (por Astonishing X-Men, da Marvel, e Planetary, da DC Comics)

- Melhor escritor/desenhista: Geoff Darrow (por Shaolin Cowboy, da Burlyman)

- Melhor escritor/desenhista de humor: Kyle Baker (por Plastic Man, da DC Comics)

- Melhor desenhista de capa: James Jean (por Fábulas, da DC, e Runaways, da Marvel)

- Melhor publicação para público jovem: Owly: Flying Lessons (Top Shelf)

- Melhor história curta: "Teenage Sidekick" (na revista Solo número 3, da DC Comics, capa ao lado)

- Melhor edição única (one-shot): Solo número 5

- Melhor Antologia: Solo (DC Comics)

- Melhor quadrinho digital: PVP (www.pvonline.com)

- Melhor álbum gráfico (novo): Top Ten: The Forty-Niners (ABC, empresa ligada à DC Comics)

- Melhor álbum gráfico (reimpressão): Black Hole (Pantheon)

- Melhor coleção de arquivo/Projeto de tira: The Complete Calvin & Hobbes (Andrews McMeel)

- Melhor coleção de arquivo/Projeto de revista em quadrinhos: Absolute Watchmen (DC Comics)

- Melhor edição de material estrangeiro: The Rabbi´s Cat (O Gato do Rabino, da Pantheon); a primeira história saiu por aqui pela Jorge Zahar

- Melhor obra sobre quadrinhos: Eisner/Miller (Dark Horse Books); o livro mostra uma longa conversa entre o já falecido Will Eisner (que dá nome ao prêmio) e o criador de Sin City, Frank Miller(capa ao lado).

A maioria dos trabalhos é inédita no Brasil, mas pode ser importada pela internet. Alguns dos títulos, como "Eisner/miller" e "The Complete Calvin & Hobbes", constam no catálogo das grandes livrarias brasileiras.

 

Veja a lista completa dos vencedores do Eisner Awards 2006 clicando aqui.  

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h24
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DIRETOR RICHARD DONNER DE VOLTA AO SUPER-HOMEM

O diretor de cinema Richard Donner volta a trabalhar com o Super-Homem. Ele escrever as histórias da revista norte-americana "Action Comics", um dos títulos mensais do personagem. Donner dirigiu o primeiro filme do homem de aço, interpretado por Christopher Reeve. A notícia já circulava em alguns sites, mas foi confirmada neste fim de semana na Comic-Con, convenção de quadrinhos que acontece na cidade de San Diego, nos Estados Unidos.

Donner vai dividir o texto com Geoff Johns, atual estrela da editora DC Comics, detentora dos direitos do personagem. Johns chamou atenção ao roteirizar histórias do Flash e da Sociedade da Justiça da América. É um escritor raro. Consegue passar para o papel a essência do personagem, sem descaracterizá-lo, ao mesmo tempo em que o coloca em tramas longas, criativas e bem amarradas.

Johns foi assistente de Donner no filme "Teoria da Conspiração", com Mel Gibson e Julia Roberts. O contato entre os dois vem desde essa época. O uso de pessoas ligadas ao cinema e à televisão tem ganhado força nos últimos anos na indústria de quadrinhos norte-americana. Kevin Smith, de "O Balconista", foi o responsável por trazer de volta o personagem Arqueiro Verde, também da DC Comics. O criador de "Buffy, a Caça Vampiros", Joss Whedon, tem feito muito sucesso com as histórias de "Astonishing X-Men", da Marvel Comics (venceu dois prêmios Eisner deste ano; veja na postagem acima). Curioso que o escritor e desenhista Frank Miller faz o caminho contrário. Co-dirigiu "Sin City – A Cidade do Pecado" e deve estar envolvido na direção e no roteiro de um longa-metragem de Spirit, criação mais famosa de Will Eisner.

A dupla estréia na revista ‘Action Comics" no número 844. Deve sair possivelmente em outubro. As histórias terão desenhos de Adam Kubert (é dele o esboço acima).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h14
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21/07/2006

LIVRO CONTA HISTÓRIA DAS TIRAS NO BRASIL

ENTREVISTA: HENRIQUE MAGALHÃES

Se no mundo dos quadrinhos há os que fazem, os que não fazem e os que só sabem falar -como diz o jornalista Gonçalo Junior-, Henrique Magalhães encabeça a lista dos que fazem. E como faz. O interesse pelos quadrinhos levou o professor da Universidade Federal da Paraíba a criar uma editora, a Marca de Fantasia. Ela existe, diz, "pela mediocridade do mercado, que não valoriza os autores nacionais".
 
A editora existe há 11 anos. Possui obras com quadrinhos e sobre quadrinhos. É nestas o ponto forte. Possui o maior acervo do país de títulos teóricos sobre o assunto. O último livro, lançado nesta semana, foi escrito pelo próprio Magalhães. "Humor em Pílulas" (R$ 15; pode ser comprado pelo site www.marcadefantasia.com.br) é um estudo pioneiro. Remonta parte da história do quadrinho nacional sob o ponto de vista das tiras. Sempre que algo assim foi feito, o gênero ficava diluído como um dos elementos dos quadrinhos. Há poucos estudos a respeito no país, em geral escondidos nas prateleiras das universidades.
 
O Blog dos Quadrinhos conversou por e-mail com Henrique Magalhães. A conversa foi sobre o livro e as tiras nacionais. O professor de Comunicação Social, que completa 49 anos em agosto, estava na véspera de uma viagem. Sempre prestativo, arranjou tempo para as respostas abaixo. Gente que faz é assim. Não tem tempo, arruma tempo.
 
 
- Seu livro aborda as tiras nacionais. No seu entender, há muita diferença em relação às americanas?
- Sim, há muita diferença no aspecto de conteúdo. As tiras brasileiras tem sua força na crítica social, ligada a nossa cultura e realidade. As norte-americanas, para poderem ser veiculadas em todo o mundo, são mais neutras, não buscam a provocação e a crítica, salvo as exceções.

- Por que o rótulo "humor em pílulas" (nome do livro)?
- Assim como as pílulas farmacêuticas, as tiras têm que ser compactas, comprimidas, e tomadas sistematicamente: são tiras diárias.

- Na sua pesquisa, você identificou um "marco zero" para a tira nacional?
- Não. Não tive essa preocupação, até porque este é um estudo pioneiro e as fontes de pesquisa são raras. Dei mais ênfase à produção da década de 1970 em diante, que é a que conheço um pouco mais.

- Há um outro formato de tira, a de aventuras, em que a história é contada um pouquinho a cada dia. Esse tipo de formato está em extinção no Brasil? Se sim, por quê?
- Creio que sim. Hoje os jornais são apenas mais um veículo de informação entre tantos e os leitores não são mais tão assíduos quanto em outras épocas, de modo que fica difícil acompanhar uma tira seqüenciada. A de humor se resolve o mesmo dia, o que facilita sua veiculação. As revistas em quadrinhos são mais apropriadas para as histórias de aventuras.
 
Tiras também são histórias em quadrinhos. Mas, ao contrário dos demais gêneros, são vistas sempre com bons olhos. Pode-se dizer que é um gênero privilegiado?
- O humor, que é o ingrediente principal das tiras, é muito sedutor e, não raro, leva à reflexão. É por isso que as tiras de humor gozam dessa simpatia do público.

- Existem no Brasil muitas coletâneas de tiras, mas pouquíssimos estudos e publicações sobre o assunto. Foi difícil encontrar material de referência para compor a obra?
- Sim. Não encontrei nenhum estudo aprofundado sobre o assunto, apenas artigos em revistas e citações em livros. Isso reforçou meu empenho em estudar o assunto.
 
- A distribuição de tiras no Brasil, hoje, profissionalizou-se ou ainda está aquém do modelo ideal?
- Não se compara com o modelo norte-americano, com sua eficiência e agressividade. Falta muito para o Brasil ter uma distribuidora profissional e abrangente.

- A internet é o novo canal de distribuição das tiras? Estamos caminhando a passos largos para um novo suporte?
- Não creio. A internet é boa para divulgação, não para veiculação. Não se compara o prazer de folhear um livro a ler na tela do computador. Talvez isso mude com as novas gerações de leitores, educados com os recursos eletrônicos. Por enquanto, vamos curtindo a revista, o fanzine, o jornal, o livro em seu formato impresso.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h01
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AS PANELINHAS DOS QUADRINHOS

O meio editorial brasileiro vive de panelinhas. Há torcida contra, boicotes a lançamentos e a determinadas publicações. A opinião é do jornalista e pesquisador  Gonçalo Junior, autor do livro "A Guerra dos Gibis" e vencedor na categoria contribuição aos quadrinhos no HQMix deste ano. Seu ponto de vista sobre as panelinhas no mundo dos quadrinhos está na coluna que ele mantém no site Bigorna.
 
Gonçalo defende a idéia de que há três tipos de panelas: os que fazem, os que não fazem e os que só sabem falar. Algumas frases do artigo (começando pela descrição do "terceiro" grupo, o dos que só sabem falar):
 
- O terceiro reúne os chamados espíritos de porco, fofoqueiros, intrigueiros, paranóicos, psicóticos. São criaturas que agem pela internet, criam personagens fictícios para ofender, destratar, difamar.
 
- Quadrinhos no Brasil são como torcida de futebol. Se um caiu para a segunda divisão, os outros querem vê-lo na terceira. Ou mesmo extinto.
 
- Como em qualquer atividade profissional humana, porém, existem as panelinhas nefastas, aquelas que atropelam valores éticos e morais em nome do se dar bem a qualquer custo para seus acampados membros. 
 
- Essa mesquinharia vai matar o mercado.
 
Texto instigante, corajoso, provocador. Para dizer o mínimo. Merece leitura. Clique aqui.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h29
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20/07/2006

ENCONTRO DE FANZINEIROS NO RIO GRANDE DO SUL

Há algum tempo, surgiu a discussão de que a internet aposentaria o fanzine. A rede mundial de computadores seria o suporte ideal para difundir textos, imagens e idéias, tal qual faziam os fanzines. O crescimento do número de fotologs é inegável. Mas não decretou a morte dos zines. Uma prova é o Primeiro Encontro de Editores e Adoradores de Fanzines, que vai ocorrer neste sábado em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.
 
A reunião é organizada pela universitária Aline Ebert, uma adepta do gênero. A proposta é discutir o papel dos "fan magazines" (palavras que deram origem ao nome). Vai haver exposição de trabalhos e uma palestra com o fanzineiro Daniel Villaverde. O encontro é também uma chance de trocar e vender/comprar fanzines.
 
O gênero era uma forma de os artistas se manifestarem à margem das grandes editoras. As histórias em quadrinhos e textos eram feitos numa folha de sulfite. Depois, o material era xerocado e distribuído pelo correio ou de mão em mão. Os grandes eventos de quadrinhos são, ainda hoje, uma ótima chance para divulgação.
 
Os fanzines foram o cartão de visitas de muitos desenhistas. Boa parte do que foi produzido no Brasil foi reunido na Fanzinoteca de São Vicente, a segunda do mundo (a primeira é a Fanzinothèque de Poitiers, na França). O acervo, hoje, está a cargo de uma associação de artistas, que procura uma nova sede para guardar o material. No campo teórico, três livros abordaram o fenômeno: "Fanzine" (de Edgard Guimarães), "O Rebuliço Apaixonante dos Fanzines" e "A Nova Onda dos Fanzines" (ambos de Henrique Magalhães). As três edições são da Marca de Fantasia e só são encontradas no site da editora (www.marcadefantasia.com.br).
 
SERVIÇO
Primeiro Encontro de Editores e Adoradores de Fanzines. Quando: sábado, 22.07. Horário: 14h. Local: Biblioteca Municipal Olavo Bilac. Endereço: Praça Vinte de Setembro, centro de São Leopoldo, Rio Grande do Sul.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h46
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19/07/2006

MASCOTE DOS JOGOS PAN-AMERICANOS: CASO DE PLÁGIO?

     

As três imagens acima, apesar de parecidas, foram criadas em momentos diferentes, com propostas diferentes.
 
A primeira, da esquerda para a direita, é a mascote dos Jogos Pan-americanos do ano que vem, que acontecem no Rio de Janeiro. É a primeira vez que o evento, em sua décima quinta edição, não é representado por um animal. A opção pelo sol, e não por um bicho, foi para melhor representar a capital carioca. O visual infantil tem apelo junto às crianças e à família. A escolha foi anunciada no último dia 13 de julho, em cerimônia que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mascote ainda não tem nome. Há uma votação no site oficial do evento para definir como vai se chamar. Existem três opções: Cauê, Kuará e Luca. A votação vai até o dia 4 de agosto.
 
A figura mostrada na imagem do meio já tem nome há alguns anos: Solzinho. É usado pela loja de brinquedos Rihappy. O personagem tem poderes especiais e integra uma turma de crianças, nos mesmos moldes das criações de Mauricio de Sousa. O site do Clube do Solzinho apresenta histórias, tiras, informações sobre a turma e venda de cartões postais do grupo (veja uma das tiras na postagem abaixo).
 
A última ilustração é de 1990. Faz parte da campanha presidencial do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB). O sol, na verdade, acompanha o político desde que se candidatou ao governado paulista, em 1986. Havia um jingle: "o sol nasceu pra todos e também para você... vote Quércia, vote Quércia, P-M-D-B".
 
Alguns ilustradores viram plágio no personagem-sol criado para o Pan-2007. Houve até quem visse inspiração na bandeira da Argentina. O Blog dos Quadrinhos procurou ontem, por e-mail, tanto a Rihappy quanto a organização do evento. Não houve resposta. Nova tentativa hoje, no começo da tarde. Até agora, nada.
 
Perguntar não ofende: plágio ou coincidência? Deixe sua opinião abaixo.
 
Sites do Pan-2007 e da Turma do Solzinho, se alguém quiser consultar: http://www.rio2007.org.br/pan2007/portugues/indexpt.asp

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h17
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A TURMA DO SOLZINHO

Fonte: http://www.solzinho.com.br/tirinhas.asp

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h14
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18/07/2006

QUINO E FONTANAROSSA: DOUTORES HONORIS CAUSA

Quino e Fontanarossa -dois dos ilustradores mais importantes da história da Argentina- vão receber da Universidade Nacional de Córdoba o título de Doutor Honoris Causa (dado a pessoas que apresentem notório saber fora da academia). A decisão levou em conta a contribuição deles para a cultura argentina e o compromisso permanente de ambos com os direitos humanos. A cerimônia de entrega está marcada para o dia 9 de agosto, na própria universidade.
 
Quino (auto-retrato ao lado) não deve comparecer. Segundo a assessoria da Universidade, a esposa dele passou por uma delicada operação. Fontanarossa -conhecido como "El Negro"- confirmou presença. A cerimônia deve contar com outros desenhistas argentinos de destaque, como Caloi. A titulação foi decidida no último dia 4, em reunião do conselho universitário.
 
Joaquín Salvador Lavado, o Quino, é o desenhista argentino mais conhecido no mundo. Boa parte da fama vem da personagem Mafalda, que criou em 1964. As tiras da menina crítica e politizada foram publicadas em vários países (inclusive no Brasil, na edição "Toda Mafalda", da Martins Fontes). Em 25 de julho de 1973, deixou de fazer a personagem. Julgou que estava sendo repetitivo. "Quando alguém tapa o último quadro de uma história e já sabe qual vai ser o final, é porque a coisa não vai bem", explica ele em seu site oficial. Mafalda só apareceria novamente em desenhos e campanhas institucionais.
 
Deixar Mafalda (imagem da personagem ao lado) deu a Quino a liberdade para fazer cartuns (veja um deles na postagem abaixo). Se as tiras já eram acima da média, nos cartuns ele se superou. Traço rico, detalhista, texto afiado, crítico. Publicava, assim como muitos de seus colegas, em meio ao duro regime militar argentino. No Brasil, a editora Martins Fontes tem editado muitas coletâneas de trabalhos seus. Em 2004, comemorou 50 anos fazendo ilustrações. Começou uma mostra itinerante, "Quino 50 años", que já viajou -e continua viajando- pelas principais cidades argentinas.
 
Quando alguém se refere a Roberto Fontanarossa, geralmente insere um "el negro" entre o nome e o sobrenome. É o apelido que acompanha sua carreira. Nasceu em 1944. Publicou o primeiro desenho 14 anos depois, na revista "Boom". Ganhou fama com dois personagens, criados em 1972, ambos publicados na revista "Hortensia". "Inodoro Pereyra, el renegau" era um argentino daqueles radicais. Era esse o mote do humor de suas tiras. O contrário de "Boogie, el Aceitoso" (imagem ao lado), que "desde o nascimento se converteu num profissional da violência" (como o site do autor define o personagem). Possui duas marcas registradas: o queixo grande e quadrado e um eterno cigarrinho nos lábios. Teve algumas histórias publicadas no Brasil pela L&PM nos anos 80.
 
Tanto Quino quanto Fontanarossa receberam vários prêmios. A distinção da Universidade Nacional de Córdoba os insere oficialmente no meio acadêmico. No Brasil, há alguns estudos sobre a personagem Mafalda. As pesquisas são na área de lingüística.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h28
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UM POUCO DE QUINO NUNCA É DEMAIS

 
 
 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h27
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17/07/2006

ANGELO AGOSTINI: AUTOR DE IDEAIS CONTRADITÓRIOS

ENTREVISTA: GILBERTO MARINGONI

Angelo Agostini se dizia abolicionista. Mas não vivia esses ideais. Era um homem da elite, que não tinha um necessário compromisso com os negros. As três frases sintetizam o doutorado de Gilberto Maringoni, defendido semana passada no departamento de história da USP (Universidade de São Paulo). A pesquisa durou cinco anos. O interesse por Agostini, no entanto, vem de longe. Começou nos anos 80, quando conheceu parte do trabalho dele. Planejou uma biografia. Adiou o projeto. Adaptou a idéia no doutorado.
 
Agostini (1843-1910) é um italiano que desenhou em vários jornais cariocas e paulistas da segunda metade do século 19 e início do 20 (a imagem ao lado, de autoria dele, é da "Revista Illustrada", de agosto de 1886). É tido como um dos pioneiros dos quadrinhos. Seus trabalhos têm sido lembrados de um ano para cá. Além da tese, há uma compilação de um dos tablóides onde atuou, o "Diabo Coxo" (Edusp, R$ 65), obra premiada com um HQMix.
 
Maringoni, 47 anos, é um colecionador de títulos profssionais. O Maringoni autor faz plano de publicar a tese. Quer também editar um álbum, mostrando a visão que Agostini tinha do Rio de Janeiro. O Maringoni jornalista mantém uma coluna no site Carta Maior. Possui cinco livros publicados, como "A Venezuela que se inventa - Poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez (Editora Perseu Abramo, R$ 30). O Maringoni chargista faz dois desenhos, toda semana, no mesmo site onde escreve o jornalista Maringoni (www.cartamaior.com.br). Faz ilustrações há um bom tempo, aqui e no exterior. Trabalhos já viajaram à França, Itália, Espanha, Portugal, Chile, Venezuela. E há também o arquiteto Maringoni. Veio de Bauru para fazer o curso na USP. "Me formei, mas nunca arquitetei nada".
 
Todos os Maringonis falam na entrevista a seguir, feita por e-mail. Ele comenta a pesquisa, fala de Agostini, do papel e da liberdade artística na imprensa.
 
- Há um movimento, sutil ainda, de ilustradores que realizam pesquisas nas universidades (lembro-me, de cabeça, do Guazzelli e do Bar, na USP). O que o levou a este doutorado?
- Achei que por impulso próprio não faria esta pesquisa. Eu comprei em sebos grande parte das coleções dos jornais editados pelo Agostini. Tinha o material na mão e achei que seria um desperdício não me aprofundar no assunto. Além do mais, ele viveu numa das épocas de maiores transformações da história do Brasil. São os anos situados entre o fim da Guerra do Paraguai e o início da República Velha. O Brasil deixava para trás os restos da economia colonial, baseada no escravismo, recebi um montante considerável de capitais externos e construía as bases de uma sociedade de classes profundamente desigual e injusta, mas moderna.
 
- O que você procurou mostrar?
- Fundamentalmente duas coisas. A primeira é que Agostini, embora seja um dos mais destacados ativistas pelo abolicionismo, acompanhou o projeto que a minoria branca - na feliz expressão cunhada pelo governador Cláudio Lembo - tinha para o país: uma sociedade baseada no liberalismo, no trabalho assalariado, que relegou os negros à própria sorte. Secundariamente, mostro a passagem de um tempo em que a imprensa era uma atividade artesanal, de poucas pessoas, para um empreendimento capitalista de grande porte, a exigir pesados investimentos em maquinário, pessoal e matérias primas. Os marcos dessa passagem são a fundação do "Jornal do Brasil" (1892) e da casa publicadora "O Malho" (1902), o primeiro conglomerado de imprensa da América do Sul.
 
- Qual a conclusão do estudo?
- Que embora Agostini fosse um abolicionista, isso não implicava um compromisso maior com os negros ou com as classes populares. Era um homem da elite ilustrada, com seus parâmetros e visões de mundo. Era genial, mas elitista, como Joaquim Nabuco, Rui Barbosa e outros (ao lado, reverência à princesa Isabel, em ilustração de julho de 1888).
 
- Qual o papel de Angelo Agostini: 1) na história da imprensa nacional; 2) na história da história em quadrinhos?
- Agostini atuou por 44 anos na imprensa. É uma das carreiras mais longas de nossa história. Sua importância é decisiva na implantação de uma imprensa ilustrada e de agitação em nosso país. Além disso, seus painéis sobre a escravidão são o melhor retrato visual da barbárie social dos anos 1880. Na história das histórias em quadrinhos, ele deve ser apontado como um dos principais precursores, ao lado do suíço Rudolph Topffer e do alemão Willheim Busch. Ele fez aqui algo que não existia em parte alguma: um romance seriado totalmente ilustrado, com duração de 24 anos, recheado de interrupções.
 
- Agostini é mesmo o primeiro quadrinista brasileiro?
- Há outros desenhistas que fizeram imagens em seqüência antes dele. Ele pode ser classificado como um dos primeiros.
 
- Você vê a charge como um tipo de história em quadrinhos? Ou é um produto à parte?
- Quadrinhos feitos em cima de fatos imediatos podem ser classificados como charge. Quando eu era chargista do "Estadão" (1989-1996), fiz quadrinhos de meia página sobre a crise do governo Collor. Era uma espécie de "charge seqüencial" para usar um termo bacana.
 
- Você tem uma longa trajetória na arte visual brasileira. Hoje, há liberdade na imprensa brasileira para a produção de charges?
- Eu acho que existe em alguns jornais. Não acho que estejamos na melhor fase da produção de humor político na imprensa. Passada a fase da ditadura, quando todos os chargistas eram de oposição e a fase da queda do Collor, há uma diversificação grande da produção. Mas não sinto que estejamos - tirando honrosas exceções, como o Angeli e outros - numa fase muito criativa. Não sei bem o motivo, mas me espanta ver charges abertamente preconceituosas e repetidoras da desinformação que a grande imprensa tenta disseminar contra alguns temas muito polêmicos, como os sem-terra, a nacionalização do gás boliviano, cuba, Venezuela etc.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h48
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16/07/2006

SEMANA ABARROTADA DE LANÇAMENTOS

Esta semana começa com uma série de lançamentos, todos de destaque. É raro haver tantas obras relevantes chegando de uma só vez às bancas e livrarias. Os títulos vão desde clássicos dos quadrinhos, como Tintin, até histórias nacionais, caso de Ozzy, do cartunista Angeli. Confira:

O Cetro de Ottokar / O Caranguejo das Pinças de Ouro (R$ 34,50 cada um) – São dois álbuns com aventuras de Tintin, relançados pela Companhia das Letras (a informação tinha sido antecipada em postagem do dia 23 de maio). A editora pretende republicar em ordem cronológica todas as histórias do jovem repórter, criado por Herge em 1929. Em dezembro, programou mais três volumes: "A Estrela Misteriosa", O Segredo do Licorne" e "O Tesouro de Rackham, o Terrível". Entre os lançamentos, destaque para o encontro de Tintin com o Capitão Haddock, em "O Caranguejo das Pinças de Ouro".

Ozzy 1 – Caramba! Mas que garoto Rabugento! / Ozzy 2 Tirex e mais uma cambada de bichos de estimação (R$ 24 cada um) – Outros dois lançamentos da Companhia das Letras, que confirma o interesse da editora na publicação de quadrinhos nacionais (a exemplo do premiado "Santô e os Pais da Aviação", de Spacca). Ozzy é a versão infantil dos tipos urbanos criados por Angeli. O visual do personagem comprova. As histórias foram publicadas na "Folha de S.Paulo" entre 1993 e 1999 e eram voltadas para crianças. Talvez por isso, Angeli usa e abusa dos recursos gráficos. É um dos trabalhos dele mais criativos em termos visuais. Dois novos números foram programados para novembro.

Adolf – Volume 2 (R$ 27,90) – Continuação da história criada por Osamu Tezuka, tido como o pai dos quadrinhos japoneses. Conta a trajetória de três pessoas chamadas Adolf (um deles o próprio Hitler). A trama é vivida e narrada pelo repórter Sohei Toge. É por meio dele que Tezuka mostra o desenrolar do mistério que envolve os bastidores do partido nazista. É um dos trabalhos mais autores do artista japonês. Um exercício de como fazer uma boa quadrinhos. O primeiro volume foi lançado no começo de maio (ver postagem do dia 03.05). A edição é da Conrad.

Nausicaa do Vale do Vento – Volume 1 (R$ 29,90) – Outro mangá lançado pela Conrad, editora que tem se especializado no gênero. A história, um conto fantástico, em si já se sustenta. Mas o destaque da obra é o autor, Hayao Miyazaki. É o mesmo do desenho japonês "A Viagem de Chihiro", muito conhecido aqui no Brasil.

Y – O Último Homem (R$ 56) – Todos os homens do mundo morrem na mesma hora. Sobram apenas as mulheres e o escapista Yorick Brown, o único representante do sexo masculino. A trama parte dessa premissa e mescla elementos de histórias sobre o fim do mundo com algo do seriado "Lost". Há um mistério, resta desvendá-lo. Brian K. Vaughan cria um roteiro intrigante neste primeiro arco, publicado originalmente na Vertigo (selo adulto da DC Comics). O escritor iria se superar, anos depois, com Ex-Machina, lançado pela Panini. A versão nacional de "Y- O Último Homem" tem acabamento de luxo (capa dura, papel especial), política adotada pela Opera Graphica para suas edições.

Os Maiores Clássicos do Quarteto Fantástico – Volume 2 (R$ 24,90) – Mostra nove histórias do grupo criado por Stan Lee e Jack Kirby para a Marvel Comics. Reúne a fase desenvolvida pelo escritor e desenhista John Byrne, nos anos 80. Era a época áurea de Byrne nos quadrinhos norte-americanos. Anos depois, foi convidado a reescrever a origem do Super-Homem para a concorrente DC Comics. No Quarteto, criou uma das melhores fases dos heróis. Esta edição da Panini tinha sido agendada para o primeiro trimestre e foi reprogramada para junho. Chega às bancas neste começo de julho.

XIII – Número 2 (R$ 22,90) – Dá seqüência à história do Agente XIII, desmemoriado e perseguido. Tem um pouco de "O Fugitivo", tem outro tanto de "A identidade Bourne". Esta edição reúne os números três e quatro da revista, publicada pela francesa Dargaud (leia na postagem do dia 28 de junho). Ao lado de "Aldebaran", do brasileiro Leo, é o segundo título europeu da Panini. A editora italiana está em franca expansão. Anunciou hoje que fechou contrato com a Virgin Comics, com sede na Índia. O acordo deve trazer ao Brasil mais títulos fora do circuito Estados Unidos/Japão.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 17h12
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13/07/2006

SUPERMAN OU SUPER-HOMEM?

O lançamento do novo filme do homem de aço escancarou uma discussão até então restrita a leitores de quadrinhos: Superman ou Super-Homem. O nome oficial do filme é em inglês ("Superman - O Retorno"). Na revista mensal do personagem, a mesma coisa. A mídia se dividiu. Uns noticiaram a forma traduzida. Outros, acompanharam a versão do longa-metragem. Quem tem razão? A discussão é antiga e acompanhou a trajetória do herói de Krypton desde que começou a ser publicado no Brasil.

O super-herói estreou por aqui no fim de 1940, dois anos após sua criação. Foi no oitavo número da revista "Lobinho". Fez fama na EBAL (Editora Brasil-América), de Adolfo Aizen. Foi editado de 1947 até o começo dos anos 80. As revistas traziam uma contradição no uso do nome. O logotipo da capa mostrava ora "Superman", ora "Super-Homem" (a primeira edição, imagem ao lado, usava Superman). Dentro da obra, reinava a forma em português. Sua eterna paixão, a repórter Lois Lane, era Míriam Lane.
 
Em 1984, o personagem trocou de editora. Saiu da EBAL e se mudou para a Abril. A nova casa padronizou "Super-Homem", tanto na capa como nas aventuras (abaixo, a capa da primeira edição). O tempo guardaria duas mudanças. A primeira foi em 1987, durante a
publicação da série "Crise nas Infinitas Terras", que revolucionou os personagens da DC   Comics. A mudança radical no rumo das histórias foi o mote para mudar o nome de Míriam Lane, agora Lois Lane, forma mantida até hoje. A primeira história com o "novo" nome saiu em agosto de 1987, na revista mensal do herói (número 38). "Crise" também estimulou um primeiro debate sobre a padronização do termo em inglês. "A redação ficou dividida entre os puristas e os não-puristas", conta Leandro Luigi Del Manto, um dos editores da época, hoje na Devir. "No fim, nós optamos por manter".
 
O cerne da idéia já havia sido plantado. O debate foi adiado até o ano 2000. A Abril havia decidido abandonar o formatinho (convenção para se referir à revista em formato menor) e lançar os títulos em formato maior, com mais páginas, papel especial, preço maior. As edições foram chamadas de Premium. Essa nova mudança foi o momento escolhido para padronizar a forma em inglês, forma mantida pela Panini quando passou a publicar o personagem, poucos anos depois.
 
O redator-chefe da Abril, Sérgio Figueiredo, conta que não houve uma determinação da DC Comics para a troca dos nomes. A decisão foi dele. Figueiredo diz que se baseou em alguns pontos: 1) momento de mudança editorial dos formatinhos para a linha Premium e privilegiar a sonoridade do nome; 2) unificar a comunicação visual da marca Superman (nome visto em outros produtos além dos quadrinhos); 3) padronizar à forma em inglês, usada no filme com Christopher Reeve e no seriado "Lois & Clark - As Novas Aventuras do Superman"; 4) adequar a uma das formas usadaspela EBAL; 5) evitar a adaptação do logotipo com o nome do herói na capa (o logotipo original "Superman", em perspectiva, tinha de ser refeito para comportar todas as letras de "Super-Homem", além do hífen; ele entende que o logo em inglês "é mais elegante e tem mais apelo").
 
"Em resumo, se o logotipo original é mais elegante, se a sonoridade é melhor, se ele é reconhecido pelo nome em inglês, se a popularidade do filme e da série de TV era inquestionável, se o personagem era assim chamado antes do período Abril, se a DC Comics preferia desta forma e se o novo título ajudava a alavancar a revista Premium [uma das capa ao lado]... por que não mudar?", diz. E acrescenta: "Que fique registrado um último comentário, nada científico, apenas pessoal. Acima de tudo, eu acho que tanto faz. É como discutir o sexo dos anjos, sabe? Crianças e adultos reconhecem o personagem por qualquer um dos nomes."
 
Há quem veja problemas na troca de nome. O professor de lingüística da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Kanavillil Rajagopalan, considera a mudança uma forma de dominação por meio da língua. "Acho que estamos diante de um episódio sintomático. Duvido, por exemplo, que, se o caso fosse ao contrário, isto é, se a marca fosse brasileira, haveria tanta preocupação em manter a forma, pronúncia e grafia do nome original. No fundo, no fundo, o que está sendo "vendido" não é só o produto; é "a origem estrangeira (leia-se norte-americana)" do produto. Como se isso lhe conferisse uma "aura" adicional", diz.
 
Rajagopalan tem vários estudos sobre a influência da língua inglesa. Um deles está no livro "A Lingüística que Nos Faz Falhar", do qual é co-autor (Parábola, R$ 29). O fenômeno, segundo ele, é mundial. "Note-se, entretanto, que coisa parecida ocorre em outros países--tenho em mãos relatórios sobre Alemanhã, Itália, Argentina, Chile. Daí o porquê do tamanho interesse em anglicizar os nomes dos produtos como parte da estratégia de marketing".
 
A Warner, que distribui o novo longa-metragem do herói, diz que manteve no Brasil a mesma forma usada nos quadrinhos ("Superman"). A distribuidora usou o mesmo nome em outros países. O filme estréia nesta sexta-feira (14.07).
 
O Blog dos Quadrinhos ouviu a opinião de algumas pessoas da área de quadrinhos sobre o assunto. Leia na postagem abaixo e, depois, deixe também a usa opinião. 

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Escrito por PAULO RAMOS às 08h46
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SUPERMAN OU SUPER-HOMEM II: OPINIÕES

O Blog dos Quadrinhos ouviu pessoas ligadas à área de quadrinhos, em diferentes campos de atuação. A pergunta foi a mesma: Superman ou Super-Homem? Qual você prefere e por quê? Leia os resultados, tire suas conclusões e, depois, escreva sua opinião.
 
"Super-Homem. Estamos no Brasil. E ele chegou à minha infância com esse nome."
Mauricio de Sousa, desenhista, empresário e criador da Turma da Mônica
 
"Super-Homem. O nome ficou muito conhecido. Ficou anos sendo chamado assim. Senão, chamaríamos Spider-Man, e não Homem-Aranha."
Waldomiro Vergueiro, professor da USP e coordenador do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP
 
"Pode me colocar no bloco dos indiferentes. Tanto faz Super-Homem ou Superman"
Cláudio, chargista do jornal "Agora"
 
"Super-Homem. Há uma tendência no Brasil de chamar os personagens pelo nome antigo. É o mesmo caso de Zorro e do Fantasma ["Lone Ranger" e "The Phantom", respectivamente] É
uma convenção que se estabeleceu também no cinema, Só que, lá, isso é muito respeitado"
Gonçalo Junior, jornalista e autor de "Guerra dos Gibis" (entre outras obras)
 
"Para mim é Super-Homem. Sempre foi e sempre será. Esse negóico de a DC querer padronizar não está com nada."
Odair Braz Júnior, jornalista e editor da Pixel
 
"Super-Homem. Pela mesma razão que chamo de Homem-Aranha"
Nobu Chinen, publicitário e pesquisador de quadrinhos
 
"Superman, porque Super-Homem se refere a qualquer pessoa que tenha alguma habilidade considerada super-humana. Nos quadrinhos, isso significa ter poderes, na vida real, que possa fazer algo acima do considerado natural."
Artur Tavares, do site e da editora HQManiacs
 
"Veja bem, cresci lendo gibi do "Super-Homem".  Assistia ao desenho dos Super-Amigos com o "Super-Homem". Tinha até o saudoso gibi dos Trapalhões, em que o Didi era o "Super-ômi". Então não tem jeito, para mim o filme que estréia sexta não é do Superman, é do "Super-Homem".
Orlandeli, cartunista

E você? O que acha? Comente.  

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h27
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12/07/2006

A ESTRATÉGIA PARA MANTER O RISO DENTRO DA CRISE

Há um lado positivo no atraso do lançamento de dois dos títulos da editora Panini. Ambos chegaram às bancas no mesmo dia (hoje), o que permite ao leitor fazer uma ordem de leitura diferente da programada inicialmente. É mais lógico acompanhar primeiro "Não acredito que não é a Liga da Justiça" (DC Especial 10, R$ 14,90, anunciada para junho) e, na seqüência, "Contagem regressiva para crise infinita – Edição Especial" (R$ 8,90, programada inicialmente para maio). O contrário pode matar algumas surpresas.

O ar de mistério marca as duas edições. Ou melhor: as capas das duas obras. Na edição especial de crise infinita (imagem da capa ao lado), Batman segura nos braços um dos personagens da DC Comics, morto. Muita gente sabe quem é desde o ano passado, quando a história saiu nos Estados Unidos. Uma segunda versão da capa –que aparece no fim da edição brasileira- revelava o segredo. A informação migrou pelos sites da internet. O máximo que se pode dizer, sem matar o suspense, é que é um herói muito querido entre os brasileiros e que aparece no outro lançamento. Por isso, a sugestão de leitura de começar pela outra revista.

"Não acredito que não é a Liga da Justiça" mostra, na capa, a sombra de um personagem. Quem é fica claro no fim da primeira história (a trama toda se desenrola em seis partes). Na verdade, é uma brincadeira feita pelos autores Keith Giffen e J.M. de Matteis. Mais uma brincadeira. Os dois estiveram à frente das demais histórias da versão cômica da Liga da Justiça, o principal grupo de heróis da editora. A farra começou na segunda metade dos anos 80. Giffen contou, numa de suas entrevistas, que adorava infernizar o editor da revista, Andrew Helfer. Pedia que ele o deixasse escrever o título. Helfer, a certa altura, teria dito: você os quer? Então fique com eles! Foi assim que começou algo invovador nas histórias de super-heróis: injetou humor e deboche às aventuras.

O escracho era total. Tudo era motivo de piada. Um dos vilões se chamava "Manga Khan", referência a um dos vilões de Jornada nas Estrelas e aos mangás japoneses. Ajax, herói marciano representado até então de forma séria e sisuda, virou um viciado por biscoitos. O ápice estava na trica Guy Gardner/Besouro Azul/Gladiador Dourado. As melhores tiradas envolviam os três. Como Giffen, à época, tinha dificuldade em desenvolver os diálogos, deixou o caro para de Matteis. Matteis só tinha feito histórias sérias e introspectivas até então, como a minissérie "Moonshadow". Revelou-se um afiado criador de falas.

As histórias dessa Liga da Justiça forma publicadas no Brasil pela editora Abril. O primeiro arco foi reeditado pela Mythos há pouco tempo. A vertente cômica durou quase meia década, até que a editora resolveu tornar o super-grupo sério novamente. Giffen e de Matteis só retornaram aos personagens em 2004, na minissérie "Já fomos a Liga da Justiça", já publicada pela Panini (que acertou ao apelidar o grupo de Superamiguinhos). Voltam à carga neste especial, melhor que o anterior, que coloca os personagens no inferno. Volta também o desenhista que acompanhou a dupla, Kevin Maguire. Ele tem o talento de desenhar a expressão humana. É sua marca registrada e o que faz melhor. O estilo, já nos anos 80, encaixou como uma luva nas loucuras de Giffen e nos diálogos de de Matteis. A história ganha uma expressividade, como poucas vezes se viu nos quadrinhos. Observar os rostos acrescenta –e muito- à comicidade da história. Pode ser impressão, pode ser o formato americano, mas parece que aprimou o traço.

Giffen e de Matteis publicaram essa despedida do grupo sabendo que viria após as mudanças iniciadas em contagem regressiva. Contornaram o problema de duas formas, uma no primeiro quadrinho, outra no último. No primeiro, aparece escrito "Tempos atrás, em uma década muito, muito distante...". No último, uma piada envolvendo dois personagens importantes de contagem regressiva, seguido da risada "Bwa-há-há-há-há", marca registrada das histórias. Leia-se: nada disso vai acontecer, como o leitor, de antemão, já sabe.

O fã de quadrinhos de super-heróis têm a chance de contornar o problema e manter o suspense. Ao fim de contagem regressiva, o leitor verá que o riso das histórias da Liga não será mais o mesmo.

"Contagem regressiva para crise infinita – Edição especial" é um prelúdio. Faz parte de uma bem planejada estratégia da DC Comics de reformular o rumo de seus personagens. O que chama a atenção é que o projeto foi meticulosamente detalhado. Dan Didio, o responsável pelas publicações da editora, sabia exatamente aonde queria chegar. Foi deixando pistas nas revistas regulares nos dois últimos anos. A edição nacional da Panini supera a americana ao compilar todas as dicas deixadas. Didio soube recriar algo que muitos dos títulos da DC haviam perdido (e que faz parte do gênero super-heróis): aquele gostinho de saber o que vai acontecer depois. Não é por acaso que a capa mantém o suspense sobre quem é o herói morto.

O prelúdio terá seqüência em quatro minisséries: Vilões Unidos, Dia de Vingança, Guerra Rann-Thanagar e Projeto OMAC. Vão ser publicados em seis partes num título só, "Contagem regressiva para crise infinita", prometido para este mês. Depois, vem o filé mignon: "Crise Infinita". É uma continuação de "Crise nas infinitas terras", que revolucionou os personagens da editora nos anos 80. Esta nova crise resgata elementos da anterior e funciona como uma seqüência. Não é tão revolucionária quanto a anterior, mas vai deixar um rastro de mudanças e de mortes pelo caminho. Como uma boa crise tem de ser. Muitas das mudanças ainda estão ocorrendo nos Estados Unidos.

Para quem não acompanha as histórias de super-heróis, os títulos lançados hoje são um bom começo. Para quem gosta, são histórias para ler e reler. Para manter o mistério, é melhor começar com a Liga. Ria muito. Porque, depois, a graça não será a mesma. A sensação é a de festa de despedida. Pena.

P.S.: a edição de crise infinita tem desenhos de dois brasileiros, Ivan Reis e Ed Benes.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 13h31
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POR E-MAIL: GILMAR RODRIGUES

Recebi e-mail de Gilmar Rodrigues. Ele foi um dos editores da "DunDum", revista que gerou polêmica em 1990 por usar papel cedido pela prefeitura de Porto Alegre. Ele tem um ponto de vista diferente de Eloar Guazzelli, outro dos responsáveis pela revista. A entrevista com Guazzelli, postada no último dia 10, foi motivada pela polêmica envolvendo a revista de humor "Banda Grossa". A prefeitura de Joinville, que bancou o título, alega que o projeto original foi alterado e quer os R$ 9.100 da obra de volta. Os autores negam qualquer irregularidade. Noticiamos o assunto no mesmo da entrevista com Guazzelli.

Reproduzo o e-mail de Gilmar na íntegra. A veiculação tem o consentimento dele (e traz uma novidade: o relançamento das edições da DunDum).

"Oi, Paulo. Em primeiro lugar parabéns pelo seu blogue, informação sempre atualizada, debates pertinentes, comentários idem. Acompanho sempre, é muito bom. Meu nome é Gilmar Rodrigues e editei, junto com Adão Iturrusgarai, a revista Dundum em Porto Alegre. Li a matéria sobre a Banda Grossa e, claro, identifiquei logo um paralelo com o que aconteceu com a nossa revista. A diferença é que a prefeitura ficou do nosso lado e a oposição, e a maior parcela da mídia, nos atacou e atacou o PT. Vibrei quando vi a entrevista do Eloar Guazzelli, um dos nossos principais combatentes. Só que o Eloar, o Alemão Guazzelli, cometeu dois pequenos equívocos: a intenção de publicar a revista não foi para o Adão se despedir do Brasil. A Dundum começou sem intenção de peridiocidade, era para ser um número apenas. A prioridade era desengavetar trabalhos nossos e de vários outros desenhistas gaúchos. Divulgar e colocar na rua as HQs. Adão é desenhista, eu já havia participado da edição de uma revista de quadrinhos e conhecíamos muitos quadrinistas. Julgamos, na época, que tinhamos os elementos básicos para fazer uma revista de quadrinhos. E o segundo equívoco, acho que o Guazzelli não deve ter lembrado, foi que o processo não foi adiante: foi sim. Eu e Adão fomos julgados e absolvidos em audiência pública. Foi 3X0 pra gente, três desembargadores nos absolveram. Está para ser lançado no final do ano um álbum reunindo os três números da Dundum. A Devir prometeu. Aproveite para acessar: www.ignoranciatimes.com.br edito esse site e lá tem trabalhos meus e do Adão. Um grande abraço. Obrigado pela atenção. Gilmar."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h11
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11/07/2006

HQMIX: FIM DA TRANSMISSÃO

Ouço risos. Distantes. Sinal de que a entrega deste do HQMix 2006 funcionou. Funcionou pelo décimo oitavo ano. Digo "sinal de que" porque permaneço à frente do computador, gentilmente cedido pelo Sesc Pompéia, em São Paulo, local da entrega. Não consegui apurar ainda como foi a transmissão feita por este Blog. Sei dizer que deu trabalho. Espero que tenha correspondido.

Foi a primeira vez que algo assim foi feito na área de quadrinhos. Até em outros eventos jornalísticos esse tipo de transmissão é raro no Brasil. Não vi ainda as postagens. Se houve falhas, assumo. Se houve acertos, divido com a organização deste HQMix (JAL e Gual), com o pessoal de informática do Sesc Pompéia, com os colegas do UOL (Roberto Moreno, Bruna, Daniel, Ana Lúcia, que, em férias, apareceu para ajudar), com a Cecília, que fez as fotos, com todos que ajudaram direta ou indiretamente (e que o cansaço ofusca a lembrança dos nomes), e a você, que acompanhou a entrega por este Blog.

Obrigado.

Paulo Ramos.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h07
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MIX DE FOTOS VIII

Crédito: fotos de Cecília Laszkiewicz

À esquerda, Baptistão, o melhor caricaturista de 2005; ao lado, Fernando Coelho dos Santos, lembrado pelo Primeiro Salão Mackenzie de Humor e Quadrinhos, feito no início dos anos 70 (e que serviu de modelo para os demais).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h01
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MIX DE FOTOS VII

Crédito: fotos de Cecília Laszkiewicz

Pela ordem: Sidney Gusman e Marcelo Naranjo, recebendo o prêmio pelo melhor site sobre quadrinhos (Universo HQ); Gusman também foi escolhido o melhor jornalista da área; na seqüência, Zélio Alves Pinto, o presidente do Troféu HQMix deste ano.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h52
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MIX DE FOTOS VI

Crédito: fotos de Cecília Laszkiewicz

Primeiro, Andrea de Araújo Nogueira, vencedora pela melhor tese de 2005 (sobre o cartunista Nelo Lorenzon); depois, Rogério de Campos e Cris Monti, diretores da Conrad, ganhadora na categoria de melhor editora de 2005.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h46
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MIX DE FOTOS V

Crédito: fotos de Cecília Laszkiewicz

Da esquerda para a direita: Angeli, o melhor chargista; Ziraldo, pela melhor publicação infantil ("O Menino Maluquinho").

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h42
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MIX DE FOTOS IV

Crédito: fotos de Cecília Laszkiewicz

Pela ordem: Laerte, abocanhando (literalmente) o prêmio de melhor tira nacional; Orlando, o melhor ilustrador de 2005.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h35
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MIX DE FOTOS III

Crédito: fotos de Cecília Laszkiewicz

Na esuqerda, Spacca, o grande vencedor da noite (levou quatro troféus); à direita, Gonçalo Junior, ganhador pela contribuição à área de quadrinhos em 2005.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h31
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MIX DE FOTOS II

As fotos são de Cecília Laszkiewicz (a quem agradeço de público a ajuda).

Na ordem: Laerte Sarrumor, como Topo Giggio, na apresentação de abertura; Fernando Gonsales, vencedor na categoria de melhor publicação de tiras de 2005 (ao lado dele, o apresentador Serginho Groissman); as vedetes da noite, os troféus baseados na personagem Madame, de Fortuna.

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Escrito por PAULO RAMOS às 21h16
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HQMIX: CONRAD, UM PASSEIO PELO MUNDO

A editora Conrad vai publicar quadrinhos pouco conhecidos no Brasil. Na verdade, é um passeio pelo mundo. São obras francesas, chinesas, suíças. O destaque é o álbum "O Fotógrafo", da França. Mescla imagens em quadrinhos com fotografias.

As informações são de Rogério de Campos, um dos responsáveis pela Conrad. A editora recebeu o troféu na categoria de melhor editora de 2005.

É o último troféu entregue na noite.

Fim do HQMix 2006.

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Escrito por PAULO RAMOS às 21h15
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HQMIX: ANGELI, O MELHOR CHARGISTA

Neste momento, Ziraldo Alves Pinto no palco. É dono de um discurso cativante. Foi muito aplaudido. Venceu por "Menimo Maluquinho", melhor revista infantil.

Angeli foi escolhido como chargista de 2005. Mas as novidades dele são sobre tiras. Vai publicar neste mês, pela Companhia das Letras, dois livros de um personagem infantil seu, Ozzy. Saem dois números agora em julho e outros dois em dezembro.

Também saiu no mês passado um livro de bolso, pela L&PM, com a Rê Bordosa. Ela é imortal. Angeli já a matou nos quadrinhos. Ela sempre volta. "Não consigo matar ela", conta. "E o livro está vendendo bem", conta.

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Escrito por PAULO RAMOS às 21h06
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HQMIX: AS CARICATURAS DE BAPTISTÃO

O melhor caricaturista de 2005, Baptistão, tem projeto de reunir seus trabalhos em livro. "Até agora, não fui atrás de editora. Mas quero publicar. O retorno que o blog está me dando é fantástico". O blog a que ele se refere está neste endereço: http://baptistao.zip.net/.

Baptistão trabalha há 15 anos no jornal "O Estado de S. Paulo". Ao lado, um de seus trabalhos. Uma caricatura de... descubra. É um dos grandes autores de nossa literatura.

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Escrito por PAULO RAMOS às 21h00
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HQMIX: LAERTE, A MELHOR TIRA DE 2005

O cartunista Laerte foi o premiado na categoria de melhor tira por "Piratas do Tietê". É publicada diariamente na "Folha de S.Paulo". Uma compilação do material saiu há poucos meses pela L&PM na coleção Pocket. Um segundo volume já foi programado para o segundo semestre.

Ele contou por que desde 2004 faz tiras mais "filosóficas". "Cansou. Acho que foi um ciclo que encerrou. Agora, faço histórias de humor, não necessariamente para rir."

Mais prêmios entregues: grande mestre: Inácio Justo; melhor tese: Andrea Nogueira (sobre Nelo Lorenzon); valorização aos quadrinhos para o Salão Mackenzie de Humor, realizado nos anos 70; livro teórico, para "Narrativas Gráficas", de Will Eisner (aqui na entrada do Sesc, é vendido a R$ 40; é da editora Devir).

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Escrito por PAULO RAMOS às 20h49
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HQMIX: GONÇALO JUNIOR, GRANDE CONTRIBUIÇÃO

Um dos prêmios mais importantes da noite é o de grande contribuição à área de quadrinhos durante o ano de 2005. Foi para o pesquisador e jornalista Gonçalo Junior. Publicou quatro livros no ano passado. Ele, no palco, queria falar mais. "Deu branco na hora". Para o Blog dos Quadrinhos, saiu o discurso que queria dizer:

"Para que os quadrinhos no Brasil evoluam e se profissionalizem é preciso que os editores respeitem os artistas, o que, infelizmente, nem sempre acontece", disse. "Por isso, divido o prêmio com as editoras Companhia das Letras e Opera Graphica. Ambas publicaram os livros exatamente como tinha imaginado."

"Agora o discurso saiu..."

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Escrito por PAULO RAMOS às 20h43
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HQMIX: TROCA DE APRESENTADOR

Sai Serginho Groissman, entra no palco Zélio Alves Pinto, o presidente do HQMix deste ano. A troca é por causa da peça que Groissman encena em São Paulo, "Brasas no Congelador". Fica em cartaz às terças e quartas, às 21h, no Sesc Ipiranga, em São Paulo. Passa de 21h30min. Hoje, a platéia da peça vai reclamar.

Já foram dados os prêmios à melhor adaptação a outro veículo (Sin City), salão de humor (de Piracicaba), revistas de aventura e minissérie (Lobo Solitário e Identidade Secreta), evento (FIQBH), exposição (Henfil), animação (para o Cartoon Network).

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Escrito por PAULO RAMOS às 20h37
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MIX DE FOTOS - 1

Fotos do Troféu HQMix 2006. Na ordem, Antônio Luiz Cagnin, Serginho Groissman (apresentador), os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon. 

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Escrito por PAULO RAMOS às 20h30
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HQMIX: SPACCA PUBLICA BIOGRAFIA DE MONTEIRO LOBATO

Spacca é o grande vencedor da noite. Ganhou em quatro categorias por causa do álbum "Santô e os Pais da Aviação" (veja imagem da capa ao lado), editado pela Companhia das Letras. Ele confirmou agora há pouco, com exclusividade, que tem outros três álbuns programados. Ambos saem pela mesma editora.

O primeiro é uma biografia de Monterio Lobato. "Deve ser no mesmo esquema do Santô, umas 120 páginas", disse. Sai em 2008 ou 2009. O outro álbum é sobre os 200 anos da vinda da família real ao Brasil. A data será comemorada em 2008, data de publicação da obra. O terceiro projeto ele divide com os cartunistas Angeli e Laerte. É para marcar os 20 anos da Companhia das Letras. Spacca vai desenhar a história de Debret, retratista da corte de Dom João VI.

Por que a fixação por temas históricos? "Não sei. Gosto de desenhar roupas antigas", brinca.

Já estão nas mãos do cartunista os troféus de melhor: roteiro, álbum nacional, cartunista e desenhista.

Spacca mantém uma página mostrando o making-of do álbum "Santô e os Pais da Aviação". Visite até a próxima postagem: www.14bis.nafoto.net.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h15
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HQMIX: NOVO ÁLBUM DE NÍQUEL NÁUSEA

Fernando Gonsales confirmou agora há pouco que vai lançar um sexto álbum de tiras. A coletânea sai pela Devir no segundo semestre. Vai se chamar "Tédio no Chiqueiro". Gonsales recebeu o prêmio de melhor publicação de tiras.

Até a próxima postagem, visite o site dele: http://www2.uol.com.br/niquel

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Escrito por PAULO RAMOS às 20h07
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HQMIX: "OS QUADRINHOS" PODE SER REEDITADO

O livro "Os Quadrinhos", obra referência na área de quadrinhos, pode ser republicado. A primeira edição é de 1975. O livro é uma compilação da dissertação de mestrado de Antônio Luiz Cagnin, feita na Universidade de São Paulo. Foi orientado por Antonio Cândido. Pode sair pela Opera Graphica. Segundo o autor, ele já revisou metade do material.

O professor da ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP recebeu o prêmio pela organização do álbum "Diabo Coxo", pela EDUSP. É um resgate de um dos mais antigos jornais de humor do país, publicado noséculo XIX. Mostrava histórias de Angelo Agostini, um dos pioneiros na área de quadrinhos no mundo e o primeiro desenhista da área no Brasil.

Adão Iturrusgarai, melhor site de autor, mandou representante, Zed. O de Allan Sieber, na categoria  cartuns, foi recebido pelo cartunista Orlando. André Dinis não veio para receber na categoria melhor site de quadrinhos (www.nonaarte.com.br). 

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h53
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HQMIX: GABRIEL BÁ E FÁBIO MOON LANÇAM FANZINE

Os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon, vencedores na categoria melhor Blog/Flog  de quadrinhos, lançam hoje no prêmio a revista "Um Dia, Uma Noite" (R$5). É a última produção da dupla. Trata-se de uma revista independente, que pode ser encontrada a partir desta semana nas lojas especializadas em quadrinhos.

Sidney Gusman acaba de receber o Troféu de melhor jornalista de quadrinhos e melhor site da área, o Universo HQ.

Conheça os dois sites: www.universohq.com.br e www.10paezinhos.blog.uol.com.br

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h49
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HQMIX: FIM DA REVISTA MOSH!

A melhor publicação independente de 2005, a revista Mosh!, vai acabar. A informação já circulava nesta semana e foi confirmada agora no Troféu HQMix pelo editor Renato Lima. Ele explica que teve problemas com o nome da publicação, patenteado por outro grupo.

A opção, então, foi manter a publicação com outro nome. Sai no dia 6 de agosto. O sistema de distribuição será o mesmo. Vai ter mais conteúdo pop, segundo Lima. Mas, em essência, não muda muita coisa. O formato, por exemplo, é o mesmo. "Não vamos mexer em time que está ganhando", diz.

Melhor prozine (estímulo a produção de quadrinhos), Areia Hostil, e melhor fanzine, Manicomics, também recebem os prêmios neste instante.

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h43
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HQMIX: HOMENAGEM AO CARTUNISTA FORTUNA

O primeiro prêmio, ou a primeira lembrança, é para o cartunista Fortuna, já falecido. Ele é o homenageado desta edição do HQMix. Anna Fortuna recebeu o prêmio em nome do pai.

Uma das criações de Fortuna, "Madame e Seu Bicho Muito Louco", é o molde do troféu deste ano (veja imagem ao lado). O personagem foi publicado pela primeira vez em 1971, em "O Pasquim".

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h39
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HQMIX 2006: COMEÇOU

Começa agora a entrega do Trofèu HQMix 2006. Zélio Alves Pinto, irmão de Ziraldo, dá início à premiação.

O HQMix surgiu na TV Gazeta. Os cartunistas JAL e Gual mantinham um quadro no programa TV Mix, da TV Gazeta de São Paulo. O quadro foi o berço do prêmio. Os dois cartunistas são, ainda hoje, os organizadores do troféu.

Serginho Groissman era, à época, o diretor e o apresentador do programa. Groissman, desde então, comanda a entrega dos troféus. Não furou um só ano. Hoje, não é diferente.

Até a próxima postagem, veja os premiados no site oficial do prêmio: www.hqmix.com.br

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h27
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MIX DE IMAGENS - 1

As primeiras imagens do Troféu HQMix 2006. Casa cheia:

Público na Conrad

Show do Língua de Trapo

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h23
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HQMIX: PREPARAÇÃO PARA O EVENTO

O Blog dos Quadrinhos já está instalado no Sesc Pompéia, em São Paulo. Daqui a pouco, começa o HQMix, principal premiação de quadrinhos do país. O Blog fará a cobertura on-line.

O público ainda chega ao Sesc. Os presentes acompanham a apresentação de Laerte Sarrumor e Guca, ambos do Língua de Trapo. Laerte fez uma brincadeira muito legal com o Topo Giggio, personagem que ele dublou na televisão.

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h10
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BLOG DOS QUADRINHOS NO HQMIX

O Blog dos Quadrinhos começa a cobertura do Troféu HQMix 2006 a partir das 20h, hora prevista para começar a premiação. O Blog vai postar diretamente do SESC Pompéia, em São Paulo, onde será a entrega do prêmio. A proposta é atualizar a página sempre que surgir algum assunto relevante. A transmissão on-line vai permitir que pessoas de outros estados -e até de outros países- acompanhem o evento por meio da internet.
 
Uma cobertura assim nunca foi feita nos 18 anos do HQMix, a principal premiação de quadrinhos do país. Veja quem são os premiados no site oficial: www.hqmix.com.br

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Escrito por PAULO RAMOS às 13h20
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10/07/2006

UMA DAS BOAS FASES DOS SUPER-HERÓIS

Super-heróis vivem -e sobrevivem a- uma história sem fim. A cada saga encerrada, cria-se outra. Enquanto a revista vender, novas tramas são traçadas. Com um volume tão grande de aventuras, é aceitável que haja oscilações na qualidade do material. Ora os roteiristas acertam, ora não. Por isso, vale a máxima do sábio anônimo dos quadrinhos: atenha-se às boas fases dos super-heróis; são elas que sobrevivem.
 
Um caso sempre lembrado é a parceria entre Lanterna e Arqueiro Verde, que tem um segundo volume lançado neste começo de julho pela editora Panini ("Grandes Clássicos DC", R$ 25,90). O material saiu no início da década de 70. O "staff" da DC Comics -que detém os direitos dos personagens- deu carta branca ao escritor Denny O´Neil colocar temas reais nas histórias, exagerando algo que havia iniciado uma década antes, nas aventuras da Marvel Comics. O´Neil escancarou a oportunidade: discutiu racismo, a apatia dos seres humanos, poluição química.
 
O mais "real" dos temas, ou o que mais marcou a série, é quanto ao uso de drogas. Ricardito, o enteado e parceiro-mirim do Arqueiro Verde, revela-se um viciado. A história em duas partes coloca a dupla de heróis verdes à caça dos revendedores. Mais de 30 anos depois, o assunto pode soar banal ou corriqueiro. Não é, e não era à época. Uma releitura da história permite verificar que as drogas foram tratadas com um realismo ainda atual. Os desenhos de Neal Adams ajudam a acentuar o tom de realidade.
 
O desenhista se destacou por inovar. Havia poucos estilos a serem seguidos na virada das décadas de 60 e 70. Podem-se citar  Jack kirby, Jim Steranko, John Buscema. Neal Adams -a exemplo de Steranko- explorou todos os recursos possíveis de diagramação da página. Quadros tortos, duplos, formato de página relevando o perfil de um dos personagens. Na aventura sobre o consumo de drogas, seu traço conseguiu representar momentos difíceis de serem colocados em imagens. A descoberta da morte de um dos coadjuvantes, por overdose, é mostrada por meio de uma explosão psicodélica de cores, como que representando uma "viagem" após o consumo. Em outra página, Lanterna Verde, drogado à força, tem de usar seu anel energético. O controle é feito pela mente, abalada pelo uso da substância química. A força emitida pelo anel ganha o contorno disforme de um monstro, metáfora do mal causado aos viciados.
 
O estilo de Adams -copiado até hoje por muita gente importante- já havia marcado nas aventuras de Batman. Contribuiu para tornar a parceria esmeralda (ainda) mais memorável. A fase é sempre lembrada pelos fãs. A história das drogas é a mais citada. A fórmula heróis/realismo de O´Neil pauta as atuais aventuras do gênero. Uns partem da influência, outros escancaram a idéia. Um exemplo é Judd Winick, atual escritor da revista do Arqueiro Verde. Sempre mescla as tramas com momentos de "realidade". A nova Ricardita é portadora do vírus HIV. Em outra história, agora do Lanterna Verde, um homossexual foi espancado por causa de sua opção sexual. É a mão de O´Neil, ainda presente.
 
A edição de "Grandes Clássicos DC" segue a louvável iniciativa da Panini de (re)publicar histórias clássicas dos super-heróis (aquelas histórias das boas fases). É a primeira vez que a parceria entre Lanterna e Arqueiro Verde é publicada na íntegra no Brasil (a edição reúne ainda histórias curtas, que saíram na revista "Flash"). As duas histórias inéditas que restavam haviam sido publicadas há dois anos no álbum "Lanterna Verde/Arqueiro Verde - Sem Destino", da Opera Graphica. A Panini -via Mythos, que cuida das edições- tem garantido uma indiscutível qualidade editorial aos títulos. O calcanhar-de-aqulies são os atrasos. A previsão é resolver o problema em agosto (ver na postagem do dia 2 de julho).
 
Em tempo: "Contagem Regressiva para Crise Infinita" não saiu na semana passada, ao contrário do que a editora informou. A edição também tinha sido anunciada para maio e foi reprogramada. Fabiano Denardin, editor dos títulos da DC Comics, diz que o cronograma editorial foi cumprido. "Nós fizemos a parte editorial. A data que eu tinha era a de sexta-feira [dia 7]", diz. O problema, segundo ele, está na área de distribuição e marketing. O atraso de um título, muitas vezes, trunca o processo de produção e cria uma espécie de efeito dominó nos atrasos. No caso específico de "Contagem Regressiva", um dos contratempos, diz, é a parte de pós-produção. A edição virá com pôster, envolvida em plástico e etiqueta, o que teria atrasado ainda mais o lançamento.
 
Neste mês de julho, a Panini anunciou mais de 50 títulos. Podem ser vistos no site oficial da editora. A empresa italiana também divulgou que adquiriu os direitos de publicação dos personagens da norte-americana Top Cow, que publica, entre outros, o conceituado Rising Stars.

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h38
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PREFEITURA DE JOINVILLE x REVISTA "BANDA GROSSA":

FUNDAÇÃO LIGADA À PREFEITURA QUER DEVOLUÇÃO DE R$ 9.100

Os autores da "Banda Grossa" podem ter de devolver o dinheiro que custeou a revista em quadrinhos, lançada no fim de março deste ano. São R$ 9.100. A verba é pública e foi concedida pela Fundação Cultural de Joinville (em Santa Catarina). A entidade, vinculada à prefeitura, entende que o título não cumpriu a proposta original. Pediu à Procuradoria Geral do Município que mova ação contra os artistas. Os responsáveis pela publicação negam qualquer irregularidade.

O projeto da revista foi encaminhado à Fundação no primeiro semestre de 2005. Atendia a um concurso de apoio às artes. A "Banda Grossa" venceu na categoria artes plásticas. Pela proposta, a verba seria utilizada numa revista de humor em forma de quadrinhos, que visava "uma busca por colaboradores, com o intuito de amadurecimento artístico de autores que estão começando, ou resgate de obras de autores que já atuam na área (profissional ou amador), embora permaneçam desconhecidos". Os modelos para a revista eram a "Animal" e a "Chiclete com Banana", editadas nos anos 80. A proposta foi aprovada por uma comissão, composta por três especialistas.

A polêmica é quanto ao conteúdo da revista. A edição final gerou diferentes interpretações, principalmente em relação aos temas sexuais e religiosos (uma das histórias mostra o personagem "Jesus Cristo sem Braços"). O Blog dos Quadrinhos conversou com todos os lados envolvidos e ouviu suas versões.

A Fundação Cultural de Joinville alega que foi enganada. Os artistas, afirma, não cumpriram o projeto inicial. A entidade também não teria tido conhecimento prévio sobre o teor das histórias. "Quando eu recebi a revista, me preocupei com o conteúdo", diz o presidente do órgão, Rodrigo Borholdt, também vice-prefeito de Joinville (pelo PMDB). O diretor-executivo da Fundação, Charles Narloch, reforça a tese. "A gente só teve ciência do material final após o produto final estar pronto. Tivemos conhecimento pelo release distribuído". O release –texto de divulgação encaminhado à imprensa- teria escrito que o lançamento "marca o investimento de verbas públicas –logo, dinheiro do contribuinte- na difusão de idéias relacionadas à iconolastria, ao onanismo [...], ao meretrício, ao consumo de álcool, cigarros e outras drogas menos perigosas, além de atitudes consideradas politicamente incorretas, tais como comer tatu e cometer adultério".

"Pedi que a comissão julgadora visse se o conteúdo estava de acordo", diz Borholdt. "Todos os três disseram que estava em desacordo". O Blog dos Quadrinhos teve acesso aos três pareceres da comissão, de autorias de Paulo Roberto de Oliveira Reis (professor da Universidade Federal do Paraná), Valter de Queirós (crítico de arte e historiador) e Nádia lamas (professora da Univille, universidade da região de Joinville). Todos afirmam que a revista não continha as linhas de trabalho originalmente traçadas e que não correspondia à amostra de ilustrações encaminhada à comissão.. O texto de Oliveira Reis é o mais contundente: "concluo ter havido má fé e falta de amadurecimento dos participantes do projeto, que aproveitando-se da oportunidade de tornar visíviel suas reais intenções apresentaram coisa totalmente diversa".

Com base nos pareceres, a Fundação quer: 1) a devolução dos R$ 9.100; 2) que os autores cubram os logos da Fundação e da prefeitura de Joinville, que constam na capa das edições à venda. Os dois itens serão cobrados judicialmente pela Procuradoria Geral do Município.

Os autores procuram advogado para saber como vão agir juridicamente. Afirmam que seguiram à risca o contrato firmado com a Fundação, assinado no dia 21 de junho de 2005. A resposta foi feita numa carta aberta, divulgada no blog da revista. O editor da "Banda Grossa", Paulo Eduardo Gerloff, diz: " Antes da assinatura do contrato o representante da contratante garantiu que, em nenhuma hipótese [o sublinhado consta na carta original], haveria qualquer tipo de censura. Também anteriormente ao lançamento da revista Banda Grossa, realizado em 31/03/2006, a Fundação Cultural solicitou e recebeu exemplares e cartazes para divulgação do evento. A distribuidora somente distribuiu os exemplares após a autorização da própria Fundação Cultural de Joinville. Com esses fatos, dizer que havia desconhecimento do conteúdo da revista é uma grande hipocrisia. Se existe alguma negligência nessa história toda, não é por parte dos artistas. Dizer que o conteúdo da revista é uma apologia às drogas, é um verdadeiro absurdo. Dizer que existe algum conteúdo pedófilo, é uma ignorância."

O assunto ganhou destaque na semana passada. Foi debatido na Câmara dos Vereadores de Joinville. Alguns defendem mau uso do dinheiro público. Dois representantes municipais foram ouvidos por telefone pelo Blog dos Quadrinhos. Carmelinda Alves Filha Barjona (PP) –que também é pedagoga e professora universitária- diz que recebeu a publicação das mãos de um integrante de uma ONG evangélica. "Analisei a revista. O conteúdo é pornografia do mais baixo calão Na capa, havia patrocínio e logomarca do município", diz. "O ponto é o financiamento público que denigre a ética, a moral e os bons costumes." João Sdrighotti (PMDB, mesmo partido do presidente da Fundação e vice-prefeito de Joinville), vereador desde 1983, tem interpretação semelhante. "Eu acho que a revista foi dinheiro jogado fora. A revista não acrescenta nada a ninguém, à arte e à cultura", afirma. Para ele, os autores (trabalho de "desocupados") "não têm compromisso com a moral com a ética e com a sociedade cristã". Acredita que seja caso para censura.

O caso foi a plenário. Os vereadores se posicionaram contrários à revista e pediram explicações à Fundação Cultural de Joinville. Houve sessão pública. Os autores da "Banda Grossa" estiveram presentes e defenderam seu ponto de vista. Rodrigo Borholdt, presidente da entidade, não compareceu à Câmara. Em carta encaminhada aos vereadores, justificou problemas de saúde (infecção gástrica).

Há 15 dias, a Câmara Municipal levantou outra polêmica ligada à Fundação. Os vereadores discutiram em plenário uma mostra sobre erotismo no cinema, apresentada na entidade e organizada por ela. Entre os títulos, "Entre as Pernas", do espanhol Manuel Gómez Pereira, e "Império dos Sentidos", de Nagisa Oshima. Na ocasião, a Câmara ficou dividida, metade contra a mostra, metade a favor.

Caso parecido com este da "Banda Grossa" ocorreu com a revista "DunDum", de Porto Alegre, em 1990. Leia na postagem abaixo. A íntegra da carta do editor da revista, Paulo Eduardo Gerloff, pode ser lida clicando aqui.

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Escrito por PAULO RAMOS às 01h03
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REVISTA DUNDUM: POLÊMICA PARECIDA À DA BANDA GROSSA

ENTREVISTA: ELOAR GUAZZELLI

Déjà vu. Caso parecido com o da revista "Banda Grossa" (os autores são acusados de mau uso do dinheiro público, leia na postagem acima) foi vivido pelos criadores da "DunDum" (ao lado, a capa de uma das edições). A publicação em quadrinhos foi editada em 1990. Contava, entre outros, com artistas como Adão Iturrusgarai (que hoje publica tiras na "Folha de S.Paulo") e Eloar Guazzelli, grande vencedor do Terceiro Concurso Folha de Ilustração e Humor. Na época, teve apoio cultural da prefeitura de Porto Alegre. O município forneceu o papel onde a revista foi impressa. O caso foi tema de acaloradas discussões na TV, foi parar na justiça, quase foi objeto de uma CPI.

O Blog dos Quadrinhos conversou sobre o assunto com Eloar Guazzelli, que hoje mora e trabalha em São Paulo. O tom da entrevista, feita por e-mail, é de um desabafo há muito contido.

- O que há de semelhante entre este caso da Banda Grossa e o vivido por vocês na DunDum?
- Em 1990, por iniciativa do Adão Iturrusgarai (antes da "Aline") e do editor Gilmar Rodrigues, saiu a revista "Dundum", um verdadeiro tiro na comunidade cultural portoalegrense. Isso que a intenção inicial do Adão era apenas fazer uma espécie de despedida pra cidade, pois estava indo pra França. E foi como muitas vezes acontece com projetos despretensiosos. A revista foi superbem recebida por público (naquele tempo, tinha um público bem interessante pra quadrinhos mais autorais) e critica. Tanto que tirou de vez o Adão da Província e colocou ele em Sampa. O que conta é que a revista trazia varios autores da cena gaúcha (além do Adão, Pedro Alice, Guazzelli, Kyoko Yamashita, Otto Guerra, Silvio Silveira, Lancast, o grande Jaca ), além de incorporações que hoje há são antológicas, como a incorporação do Fabio Zimbres, ex-editor da "Animal" e um dos grandes nomes do nosso quadrinho autoral contemporâneo. Enfim, a revista deu certo. O problema é que tinha apoio da prefeitura (existia o PT então, governava bem Porto Alegre -ficaria mais 12 anos, pelo voto, e incomodava muitos interesses, quem diria... ). Daí que a bancada da direita gaúcha aproveitou o pretexto e caiu com tudo, pedido de CPI, bate-boca na tv, indiciamento dos autores, no caso o Adão e o Gilmar. Hoje pode parecer banal, mas foi feio. Quando começou a parte jurídica, intimações, depoimentos, os guris apertaram. Teve que se articular um depoimento de personalidades da cultura, como os escritores Luis Fernando Veríssimo e Moacir Scliar, dentre outros. Foi um exercício pleno de macarthismo. Os rapazes corriam risco de sanções administrativas, pois eram acusados de usar dinheiro público pra promover pornografia. Não deu em nada. Virou folclore. Mas olhando à distância, eu não acho graça nenhuma, exercícios coletivos de intolerância são perigosos. A revista esgotou. Mas também esgotou toda chance de futuros financiamentos por parte da prefeitura para publicações de HQ.

- No seu entender, houve censura no caso da Banda Grossa?
- Não tenho muitos elementos pra opinar com segurança. Mas tendo em vista outros episódios, penso que sim, tem uma raiz no preconceito com a linguagem. Afinal, tem teatro e cinema com abordagens bem fortes e nem por isso se faz este tipo de ataque. E, mesmo quando essas expressões são atacadas , ainda assim a coisa se dá em outro nível. Neste caso, o que salta aos olhos é o preconceito.

- Alguns vereadores viram na revista "dinheiro público jogado fora".
- Em geral, os vereadores entendem muito disso, deste assunto de desperdício de dinheiro público, é a sua praia, então deve ser verdade. Enfim, falando sério, o que salta aos olhos é o preconceito. Quadrinhos e isso mesmo. Barulho, provocação. Como diria o Cazuza: me chamam de bicha maconheiro, transformam o país num puteiro. Acho triste.

– Como você vê o papel do poder público na produção de quadrinhos?
- Gostem ou não, é uma fonte importante de financiamento numa sociedade atrasada, onde a iniciativa privada na maior parte é de baixo nivel cultural, cheia de preconceitos e totalmente alheia à importância da cultura. Um país que há 40 anos deixou os militares destruírem a educação e a cultura. Então, por pior que seja o poder público, ele pelo menos pode ser cobrado a participar. Quer dizer, as pessoas tem que se organizar. Em Porto Alegre, tinha isso. Sei que o país é muito desigual, inclusive existem nichos fortes (Sampa, por exemnplo), onde a iniciativa privada tem evoluído nesse sentido. Mas, no contexto geral do país, é um deus nos acuda. Cultura é o supérfluo. Então, nesse caso, o poder público pelo menos pode ser cobrado. Quero dizer, naquele momento, em Porto Alegre, era assim.

- Qual o maior prejuízo que um caso como esse traz?
- O medo de editores e burocratas para aceitar novos projetos e o preconceito contra a linguagem das HQs criando raízes.

- E como fica a cabeça do autor da revista numa hora dessas?
- Só posso falar por mim. Primeiro levei um susto, depois fiquei revoltado e, muito tempo depois, quando tenho de falar como agora, fico triste por este pais. Aparentemente tão lindo e tropical na sua imagem . Tão cruel e preconceituoso na sua realidade cotidiana. Sinto raiva e tristeza. Mas, enfim, agora tem que discutir, trazer o assunto. Botar na mesa.

- Vocês, na DunDum, foram processados à época. Que fim levaram os processos?
- Na verdade, só o Adão e o Gilmar é que foram intimados a depor. Acho que o processo nem chegou a ser formalizado, mas se não fossem os depoimentos dos figurões da cultura, com certeza a bola ia seguir rolando. Mas o quer que estava sendo encaminhado foi arquivado. Às vezes a justiça se dá conta do ridículo e encerra determinados assuntos. Mas ficaram seqüelas. Dia desses, um cartunista teve de se retratar por ofensa ao sistema judiciário. Não existe humor sem ofensa. Claro, deve haver bom gosto, critério editorial, mas esperar bom comportamento de uma arte de combate. Desenhista controlado é um eunuco.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h57
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07/07/2006

BLOG DOS QUADRINHOS VAI COBRIR HQMIX 2006

O Blog dos Quadrinhos vai fazer a cobertura da entrega do Troféu HQMix 2006, a principal premiação da área no país. A proposta é postar mensagens nesta página durante a premiação, programada para começar às 20h. Os textos serão produzidos diretamente do local (Sesc Pompéia, em São Paulo). A cerimônia é na próxima terça-feira, dia 11. A cobertura vai permitir que pessoas de outros estados -e até do exterior- acompanhem a entrega. Uma transmissão assim nunca foi feita nos 18 anos do prêmio.
 
O recurso é pouco usado nos blogs brasileiros. A "cobertura on-line" -como tem sido provisoriamente batizada- foi muito usada nas últimas eleições americanas. Os blogueiros colocavam suas impressões e análises durante as transmissões dos debates presidenciais. Um olho ficava na TV, outro no blog. O esquema funcionou e gerou o que os assessores chamaram de "spin", a impressão que se criava do debate. Tornou-se uma arma eleitoral.
 
No Brasil, o mais próximo de uma cobertura on-line são as transmissões de jogos de futebol, feitas pelos grandes portais. Minuto a minuto, frases reproduzem as jogadas. Na transmissão do HQMix, na próxima terça, a idéia é colocar notícias nesta página sempre que surgir um assunto relevante.
 
O Troféu é o principal do gênero no país. É organizado pela Associação dos Cartunistas do Brasil e pelo Instituto Memorial de Artes Gráficas do Brasil. Conta com apoio do Sesc Pompéia. A cada ano, entrega uma estátua diferente aos premiados, sempre uma homenagem a personagens e autores dos quadrinhos. A imagem deste ano é "Madame e seu Bicho Muito Louco", do cartunista Reginaldo José Azevedo Fortuna, ou só Fortuna (imagem do troféu acima). O ilustrador foi um dos fundadores do "Pasquim". Atuou também nas revistas "O Bicho" e "PIF-PAF". Morreu em 1994.
 
Os primeiros premiados foram divulgados no dia 2 de junho. Um segundo anúncio, com os vendedores de outras quatro categorias, ocorreu no dia 16, também de junho (ver postagens das duas datas para ver os ganhadores). O grande premiado foi o cartunista Spacca, do álbum "Santô e os Pais da Aviação". Levou quatro troféus.
 
SERVIÇO
18o. Troféu HQMix. Quando: terça-feira, 11.07. Horário: 20h. Local: Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, São Paulo. Quanto: entrada franca. O evento terá cobertura on-line do Blog dos Quadrinhos.
 
Há outras informações sobre o prêmio no site oficial do HQMix. Para acessar, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h50
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06/07/2006

O HUMOR DE NELO LORENZON: A TESE VENCEDORA DO HQMIX 06

ENTREVISTA: ANDREA DE ARAÚJO NOGUEIRA

Uma conversa com a autora da tese vencedora do HQMix 2006 é contagiante. A empolgação parte dela mesma. Fala da pesquisa sobre as charges de Nelo Lorenzon (1909-1963, foto ao lado) como se fosse um filho querido. O doutorado, orientado por Antonio Luis Cagnin, demorou quatro anos para ficar pronto. A defesa foi em abril do ano passado, na Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo).
 
A maior dificuldade foi encontrar os desenhos. "Como partes de um quebra-cabeça, a busca é sempre complicada, comendo um tanto do pó dos arquivos da cidade. Era uma festa quando unia os fragmentos das charges", diz. O ilustrador atuava desde a década de 30. Ganhou destaque em publicações da empresa Folha da Manhã, antiga Folha de S.Paulo. É desse período a pesquisa (1948-1960). "Muitas das reproduções de sua primeira fase estão no acervo de Obras Raras da Biblioteca da Faculdade de Direito [em São Paulo], no acervo da Folha de S.Paulo e, felizmente preservadas pela família Lorenzon".
 
Andrea é formada em história pela USP e estudou charges também no mestrado, feito no Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista). Hoje, trabalha na programação do Sesc Pompéia, em São Paulo, mesmo local onde vai receber, na terça-feira (11.07), o troféu de melhor tese de 2005. O papo com o Blog dos Quadrinhos começou pelo telefone. Terminou por e-mail. Em comum, a mesma empolgação, como mostram as respostas a seguir.
 
 
 
- Por que Nelo Lorenzon?
- Na verdade foi uma continuação. Comecei a pesquisar a produção de charges na imprensa na década de 20, tratando de seu contexto, aspecto formal e as relações intertextuais que a linguagem da charge realiza, aliando humor ao processo histórico. A sugestão de trabalhar com o material do Nelo foi do Jal [José Alberto Lovetro, um dos criadores e organizadores do HQMix], pesquisador e cartunista, que eu rapidamente acolhi.
 
- Qual a conclusão do seu estudo?
- O trabalho analisou o significado da charge, enquanto fonte histórica fundamental do debate político. Nelo Lorenzon, em seu desafio diário, pretendeu atender aos propósitos da empresa Folha da Manhã S.A. em ampliar seu alcance nas camadas populares. Contudo, por meio da sátira e da ironia de Zé Marmiteiro, seu principal interlocutor [ao lado, ilustração do personagem com seu cachorro, Chuvisco], expôs a ambigüidade do discurso político, num período marcado pelas falcatruas e corrupção no poder. A pesquisa evidencia sua atitude educativa em relação aos problemas e anseios das camadas populares no processo do desenvolvimento econômico, na década de 50 do século XX.
  
- Para você, charge é história em quadrinhos?
- A linguagem da HQ não exclui a charge. Essa, porém, é uma longa polêmica. Podemos incluir a charge na história em quadrinhos por suas características quanto aos recursos formais ou verbais, legendas ou balões. Contudo, o termo charge, adotado do conceito francês, enquanto manifestação comunicativa condensadora, relaciona-se na intertextualidade das notícias diárias (manchetes, fotos, editoriais), dispensável no caso das tiras, que possui um repertório temático muito mais amplo.
                 
- A charge é vista com bons olhos. Quadrinhos, nem sempre. Não soa contraditório?
- A charge por sua direta relação com a política e seu destaque na apresentação gráfica do jornal, possui um aspecto mais editorial, avalizado pela publicação. Contudo, os quadrinhos - embora ainda vistos como entretenimento pelos críticos - consolidam sua importância e potencial nos estudos dos aspectos culturais, históricos, educacionais e formais. É contraditório, mas estamos aos poucos alterando esses critérios e julgamentos.
 
- Com relação a outros países, existe algo que torna peculiar a charge brasileira?
- Como estou mais familiarizada com os da “velha guarda”, falo um pouco mais da minha praia. No Brasil, a charge tem um alcance impensável. Tivemos os incríveis J. Carlos e Nássara, formamos uma escola única, estabelecendo um diálogo na América Latina com grandes artistas, como Guevara e Divito, que trabalharam na década de 50 aqui. A charge hoje (mesmo com as ameaças de irritação por parte dos fundamentalistas) provoca ainda a sensação de deslocamento e no Brasil ganha mais visibilidade, como se pudéssemos nos aliviar de todas as contradições e problemas neste tão pequeno espaço do humor.
   
- Aumentam os estudos sobre a área de artes gráficas no Brasil. Diminuiu o tradicional preconceito acadêmico sobre o tema?
- Na História, creditamos esse interesse ao amadurecimento da linha metodológica da História Cultural, que incentiva a interdisciplinaridade como objeto de pesquisa. Os trabalhos (há muito publicados) de Anna Maria Belluzzo sobre Voltolino e de Mônica Peixoto, sobre os Turunas e Quixotes do Rio de Janeiro, aliados ao trabalho do Prof. Elias Saliba [docente da USP], contribuem para ampliar essa procura.
   
- Seu mestrado também foi sobre artes gráficas, não? Fale um pouco sobre o estudo.
- Antes de Nelo o desenhista das Folhas era o Benedito Bastos Barreto, o Belmonte, que era muito conhecido no período por retratar a figura ‘heróica’ do bandeirante e por uma vasta produção enquanto ilustrador de partituras e de livros. Trabalhei com a produção de suas charges, as primeiras da Folha da Manhã em 1925, com seu personagem famoso, o Juca Pato. Foi muito gostoso descobrir um lado diferente da política do café e suas irracionais taxas de câmbio que corroboraram para a queda de Washington Luis e a posse de Getúlio Vargas, por meio do Juca, um pequeno flâneur  apaixonado por São Paulo.
  
- Você pretende dar continuidade às pesquisas? Um pós-doutorado, talvez? 
- Pretendo sim. Gostaria muito de continuar a pesquisa sobre os anos 50, tratando de Augusto Rodrigues e Hilde Weber. Vamos ver. Há muito material ainda a ser pesquisado na produção tão efêmera, que, contando com a ajuda de todos os desenhistas, há de se tornar perene.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h06
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UM POUCO DE NELO LORENZON

O ilustrador Nelo Lorenzon ficou conhecido pelas charges produzidas para os jornais da Empresa Folha da Manhã (leia na postagem acima). A seguir, uma das ilustrações. Uma charge, sátira ao ex-presidente Getúlio Vargas. 
 
 

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h02
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05/07/2006

ÁLBUM TRAZ ÚLTIMAS HISTÓRIAS INÉDITAS DE SIN CITY

Três histórias da cidade do pecado de Frank Miller  continuavam inéditas no Brasil. Continuavam. Elas fazem parte do álbum "Sin City - Balas, Garotas & Bebidas" (editora Devir, R$ 38), que chega até o fim da semana às livrarias e lojas especializadas em quadrinhos. São 11 contos curtos. Mostram cenas de  vários dos personagens da série, como Marv, Dwight e as prostitutas armadas e sensuais.
 
Não é necessário ter lido toda a série para entender essas histórias curtas, publicadas originalmente em revistas da editora norte-americana Dark Horse. Mas ter acompanhado a obra de Miller ajuda a compreender melhor os 11 contos. Eles seguem o mesmo mecanismo que o criador de "Cavaleiro das Trevas" criou ao longo dos outros seis volumes de Sin City (também reeditados pela Devir). Miller entrelaça uma narrativa com outra. Uma cena perpassa a cena de outra história. E vice-versa. O leitor, às vezes, nem se dá conta disso. É o mesmo que fez Quentin Tarantino em "Pulp Fiction". Tarantino faz nas telas o que Miller impõe no papel.
 
"Impõe" é o termo apropriado. O texto do escritor Frank Miller ganha força nas mãos do desenhista Frank Miller. Acumular as duas funções faz com que ele coloque os personagens e as situações exatamente onde quer. É um difícil exercício de criatividade. Ele se impôs (a palavra, de novo) uma limitação: o uso do branco e do preto, recurso que domina como poucos.
 
A cor é usada poquíssimas vezes, nunca de forma ingênua. Como sua ausência é a regra, quando surge na página ganha impacto, a ponto de compor o enredo, tornando-se tão relevante quanto o personagem (a exemplo do que fez em "O Assassino Amarelo"). O azul vira elemento narrativo em "Olhos Azuis" e "Contramão" (duas das histórias inéditas); o vermelho, em "A Dama de Vermelho"; o rosa, em "A Garotinha do Papai".
 
O leitor antigo, que já acompanhou a maioria das histórias pela editora Pandora, pode estranhar o título "A Garotinha do Papai". Na Pandora, era "A Filhinha do Papai". Outra mudança ocorre no conto "Noite de Paz", rebatizado de "Noite Silenciosa". Mudanças sutis, conseqüência da nova tradução, que não comprometem a obra.
 
O filme "Sin City - A Cidade do Pecado", de Robert Rodriguez e do próprio Miller, deu um destaque natural a um dos 11 contos do álbum. É "O Cliente Tem sempre Razão". A história de três páginas foi vivida na tela pelo ator Josh Hartnett. Uma mulher paga um assassino para matá-la. Ele usa a estratégia da sedução para que a vítima sinta o menos possível. No Brasil, o conto teve pouco destaque na primeira que foi publicado. Foi diluído na revista "A Dama de Vermelho", também com histórias curtas de Sin City.
 
O álbum lançado nesta semana encerra a reedição de Sin City no Brasil. Não há mais material inédito, pelo menos por enquanto. Mas fica faltando, pela Devir, uma história: "Misericórdia", lançada em "Sem Perdão", outra revista com histórias curtas da cidade do pecado, editada pela Pandora. É possível encontrar algum exemplar nas lojas especializadas em quadrinhos.
 
O Blog dos Quadrinhos havia noticiado este lançamento em postagem do dia 7 de junho. Lá, há uma prévia do conto "Contramão", um dos três inéditos. Veja e repare como a cor ganha força no meio do preto e do branco.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 12h43
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UMA TIRA VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS

Autor: Caco Galhardo.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h42
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04/07/2006

UM JOGO DE VOCÊ: MAIS UM SONHO CULT DE SANDMAN

Já se vão 14 anos desde que "Um Jogo de Você" foi publicado no Brasil pela primeira vez. Saiu pela editora Globo, entre os números 32 e 37 da revista Sandman. 14 anos é um bom espaço de tempo para repensar por que o mestre dos sonhos se tornou tão popular, a ponto de ter suas histórias reeditadas em álbuns de luxo, como em "Sandman - Um Jogo de Você" (editora Conrad, R$ 60, capa ao lado), que chega nesta semana às bancas e livrarias.
 
Sandman é um divisor de águas no mercado editorial norte-americano. Na virada dos anos 80 para os 90, comprovou -se é que havia alguma dúvida disso- que uma boa história em quadrinhos se faz com texto de qualidade, e não só com imagens. Tanto que a arte da revista é secundária. O rodízio de desenhistas não importa. O interesse está nas palavras escritas pelo inglês Neil Gaiman. Elas são o mote da saga. Elas conquistaram a atenção de público e crítica. Elas tornaram a revista uma unanimidade. Agradou fãs, que viram no texto de Gaiman algo raro no mercado norte-americano de então. Agradou críticos, inclusive os que torciam o nariz para as histórias em quadrinhos. Agradou até quem não lia quadrinhos.
 
Gaiman tem méritos. Consegue fazer uma história sobre um assunto difícil de ser trabalhado: o sonhar, que tem em Sandman o seu mestre. O segredo do escritor é deixar o personagem-título como mero coadjuvante na maioria das histórias. Aparece quando necessário, em momentos decisivos. Os personagens secundários é que realmente conduzem a trama. E Gaiman sabe escrevê-los. Neste "Um Jogo de Você", uma moça descobre que elementos de seu sonho se tornam reais. Ela, no sonho, é a princesa -princesa Barbie/Barbara- de uma terra fria, que tem nela a esperança de dias melhores. A narrativa passa, então, a misturar sonho e realidade.
 
Gaiman soube dosar suas histórias com várias referências da cultura pop, que ganhava mais força justamente nos anos 90. Neste "Um Jogo de Você", podem ser vistas menções a seriados, obras literárias, músicas, outros personagens de quadrinhos. O mecanismo do texto do escritor inglês é parte importante do sucesso de Sandman, mas não o único motivo. É isso que a distância de uma década e meia ajuda a compreender. A fórmula e o tom de realismo fantástico, por algum motivo, fascinaram a crítica. A crítica gastou nos adjetivos ao falar da obra aos leitores. Os leitores -principalmente os que não apreciavam quadrinhos- viam nas tramas do mestre dos sonhos não uma "histórias em quadrinhos" (no sentido mais pejorativo possível), mas literatura. Literatura possui o (merecido) rótulo de ser algo artístico e, por isso, bem aceito social e culturalmente. Tornou-se cult. Estava trilhado o caminho para as boas vendagens. Não é por acaso que os álbuns do personagem estampam as vitrines das grandes livrarias.
 
A editora Conrad soube perceber que Sandman era "algo mais" e deu ao personagem da DC Comics tratamento VIP. O álbum de luxo (capa dura, papel especial) que sai nesta semana é o quinto. Outros estão programados e reconstituem a saga toda, do início ao fim. É o mesmo motivo que estimulou a editora a publicar romances de Neil Gaiman, como "Os Filhos de Anansi", lançado no começo do mês passado.
 
Neil Gaiman tem todos os méritos por tornar Sandman o personagem que é. Mas o ar cult de seu personagem não é obra só dele. O que, década e meia depois, mostra duas coisas: 1) histórias em quadrinhos são um bom negócio, desde que tenham qualidade (caso de Sandman); 2) parte da aceitação social dos quadrinhos não depende apenas das boas histórias, mas de um parecer favorável dos formadores de opinião (sejam eles quem forem), algo que tem melhorado, embora ainda aquém do esperado (o que justifica por que tantas outras histórias, tão boas quanto Sandman, não são sequer lembradas) .
 
A editora colocou o começo de "Um Jogo de Você" na internet. Para ler, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h24
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03/07/2006

MAURICIO DE SOUSA NA PANINI: O QUE MUDA?

Mauricio de Sousa troca de editora pela segunda vez. Há 20 anos, saiu da Abril e foi para a Globo. Agora, vai da Globo para a Panini. O negócio foi oficialmente assinado na última sexta-feira, no fim da tarde. O acordo interessa às duas partes e deve criar um novo cenário no mercado de quadrinhos nacional. A Panini diversifica seus títulos e cresce ainda mais; Mauricio de Sousa movimenta a bússola dos negócios para o exterior.

Em entrevista ao Blog dos Quadrinhos, veiculada na postagem do dia 25 de maio, Mauricio de Sousa deixou claro que pretende exportar seus personagens. O projeto teve início na virada do século. O empresário começou a apresentar a Turma da Mônica em eventos internacionais. A estratégia se consolidou com Ronaldinho Gaúcho, figura bastante conhecida fora do país. O jogador ingressou no rol de personagens pouco antes da Copa. No Brasil, ganhou revista própria, já no segundo número. No exterior, funciona como cartão de visitas.

As tiras de Ronaldinho são publicadas, hoje, em 17 jornais da Europa, Estados Unidos e América do Sul (entre eles Venezuela e Colômbia). A distribuição é da Universal, empresa que mantém uma rede de 4700 jornais (ver postagem do dia 2 de junho). O acordo foi firmado em abril. A parceria com a Panini deve ser entendida nesse contexto. A editora já tinha fechado contrato para publicar Ronaldinho Gaúcho e a Turma da Mônica na Itália,  Espanha, Estados Unidos e América do Sul. Só faltava o Brasil.
 
Se Mauricio de Sousa ganha com a internacionalização de suas criações, a Panini ganha no sentido inverso. A editora se firma no mercado nacional e consolida a política de diversificação de seus títulos. A multinacional começou na área de quadrinhos ao adquirir os direitos de publicação dos heróis da Marvel Comics. Um ano depois, publicava os títulos da DC Comics. A estratégia quebrou a divisão de super-heróis da Abril, que veiculava o material até então. Hoje, a Panini coloca nas bancas títulos japoneses e, desde o fim de junho, álbuns europeus (ver postagem do dia 28 de junho). Mauricio de Sousa é o segundo autor brasileiro a ser editado pela Panini (o primeiro foi Fábio Yabu com os "Combo Rangers", publicação já cancelada).
 
A transação, a exemplo do que ocorreu com a Abril, vai dar um novo perfil à divisão infantil da editora Globo, limitada agora a edições do Sítio do Picapau Amarelo e do Menino Maluquinho, de Ziraldo. O Blog dos Quadrinhos procurou a diretora de títulos infantis da Globo, Lucia Machado. Até este momento, não houve retorno.
 
O acordo entre Mauricio de Sousa e Panini confirma informação divulgada há um mês pelo site "Meio&Mensagem" (ver postagem do dia 2 de junho). O criador da Turma da Mônica tinha de manifestar interesse em sair da Globo seis meses antes do término do contrato, em vigor até o fim de dezembro. Do contrário, a renovação seria automática. A data-limite foi justamente o dia da assinatura e do anúncio "oficial", 30 de junho. Desde que a transação "vazou", todas as partes envolvidas têm despistado a imprensa, negado o acordo ou relevado as informações.
 
A Turma da Mônica começa a ser publicada pela Panini em 2007. O contrato com a Globo vai ser cumprido até o fim (dezembro deste ano).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h30
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02/07/2006

ATRASOS NOS LANÇAMENTOS DA EDITORA PANINI

Cena presenciada há uma semana numa loja especializada em quadrinhos, em São Paulo. Um dos clientes perguntou sobre "Contagem Regressiva para Crise Infinita", edição especial da editora Panini, anunciada para maio (capa ao lado). "Não chegou ainda", disse o vendedor. "E não há previsão de chegada".
 
Os atrasos nos lançamentos da Panini têm sido constantes, principalmente entre os títulos especiais (as revistas mensais têm saído dentro do prazo, salvo exceções como "Novos Titãs"). "Os Maiores Clássicos dos X-Men - A Saga da Fênix Negra" foi lançado depois da estréia do terceiro filme dos heróis mutantes. A edição compila as histórias que inspiraram o roteiro do filme. "V de Vingança" é outro caso parecido. A minissérie de Alan Moore e David Lloyd, que serviu de base para o filme homônimo, saiu bem depois de a produção chegar aos cinemas.
 
Dois títulos prometidos para maio ainda não estão nas bancas. O atraso passa de um mês. Um deles é "Contagem Regressiva para Crise Infinita", tema da conversa reproduzida acima. O outro é o sétimo número de "Grandes Clássicos DC". O álbum mostra a continuação das polêmicas aventuras de Lanterna Verde e Arqueiro Verde, criadas nos anos 70 por Denny O´neil e Neal Adams. De junho, ainda não foi lançado o décimo número de "DC Especial", com os Superamiguinhos.
 
As sessões de cartas das revistas mensais da Panini não explicam os atrasos. O site da editora também não aborda o assunto. O que acontece?
 
Hélcio de Carvalho, diretor e editor-chefe da Mythos, que edita o material da Panini, diz que os problemas estão ligados à chegada do material vindo da matriz americana. "Eles se devem, em sua grande maioria, a atrasos no recebimento de arquivos digitais (material de reprodução) que vêm do exterior. Temos tomado algumas providências para que esse problema seja sanado e as revistas cheguem às bancas pontualmente a partir de agosto (mas com certeza você já vai notar melhorias em julho, pois conseguimos recuperar vários atrasos acelerando a produção)".
 
Fabiano Denardin, editor das revistas da DC Comics no Brasil, fala em datas para as edições em atraso. "Tanto ´Contagem' quanto o 'Grandes Clássicos' devem chegar às bancas na semana que vem [primeira de julho]." Quanto a "DC Especial", a edição também "deve chegar às bancas no mesmo período."
 
A editora Panini é uma multinacional que se firmou no mercado brasileiro de quadrinhos. Começou com material da Marvel Comics (X-Men, Homem-Aranha e outros),  até então publicado pela Abril. Um ano depois, adquiriu os direitos dos personagens da DC Comics, também da Abril. O investimento e a qualidade editorial (a cargo da Mythos) "desmontaram" os quadrinhos de heróis da concorrente (que se limitou a editar apenas "Spawn", da Image Comics, agora editado pela Pixel). A Panini, hoje, adota a política de diversificar seus títulos. Coloca nas bancas revistas japonesas (como "Lobo Solitário") e européias (ver postagem do dia 28 de junho). Pode editar -embora ainda não confirmado- a Turma da Mônica, histórias que já distribui na Europa e Estados Unidos. Além de quadrinhos, a Panini produz álbuns de figurinhas.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h07
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