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31/07/2006
ALÔ, ALÔ, FREGUESIA:
DUAS NOTÍCIAS SOBRE O SALÃO DE HUMOR DE PIRACICABA
A proximidade do mês de agosto esquenta as notícias sobre o Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o mais tradicional do país. Há duas informações. A primeira é que termina no próximo dia 5 o prazo para inscrição de trabalhos. São quatro categorias: cartum, charge, caricatura e tiras. Os vencedores de cada uma das categorias recebem R$ 4 mil. Os segundos colocados levam R$ 2.250 cada um.
A outra novidade é o lançamento do catálogo com os trabalhos selecionados no ano passado. Não é a primeira vez que os organizadores reúnem em livro as ilustrações de humor. Mas o resultado é sempre inovador.
O Salão de Humor de Piracicaba começou em 1974 e é um dos cartões de visita da cidade do interior de São Paulo. Neste ano, está na 33ª edição. O início da premiação está marcado para o dia 26 de agosto.
SERVIÇO 1: todas as informações para a inscrição de trabalhos estão no site oficial do salão. Clique aqui.
SERVIÇO 2: Catálogo do 32º Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Quando: hoje (31.07). Horário: 19h. Local: Casa das Rosas. Endereço: Av. Paulista, 37, São Paulo. Quanto: entrada franca.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 11h26
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30/07/2006
A LÍNGUA MUDA... E OS QUADRINHOS ACOMPANHAM
Aos poucos, os estudos sobre a influência da língua oral ganham força nas universidades brasileiras. A última novidade sobre o assunto é um artigo do professor Jean Lauand, da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo). Ele comparou edições diferentes de uma mesma história do Tio Patinhas e mostrou as adaptações que foram feitas para adequar os diálogos aos novos tempos. A pesquisa foi publicada na última edição da revista "Língua Portuguesa" (número nove).
Lauand trabalhou com a história "Tio Patinhas e os Índios Nanicós", de Carl Barks. A aventura foi publicada pela primeira vez no Brasil em 1958, na revista "Pato Donald" 334. Teve reedições em 1967, 1982, 1988 e 2004 (esta no oitavo número de "O Melhor da Disney"). O cerne do estudo -embora não seja o único- está na comparação entre os extremos, 1958 e 2004. Constatou muitas diferenças no trato com a língua ao longo das décadas. Algumas, extraídas dos balões apresentados nas histórias:
Presença dos pronomes
1958 - "Diga-lhes" / 2004 - "Diga a eles"
Uso do futuro
1958 - "Que faremos agora?" / 2004 - "E agora? O que vamos fazer?"
Uso de vocabulário
1958 - "Eis o novo lago" / 2004 - "Lá está o outro lago"
1958 - "Que pretende caçar?" / 2004 "O que vai caçar?"
Interjeições trocadas
1958 - "Puxa! Mas que ar saudável e revigorante!" / 2004 - "Oh, que ar saudável!"
1958 - "Boing! Aí vem ele!" / 2004 - "Uau! Aí vem ele..."
1958 - "Credo! Não adiantará enfrentá-lo com uma canoa!" / 2004 - "Ai, ai, ai! Não adiantará enfrentá-lo com uma canoa!"
Para o professor da USP, é exagerado dizer que há uma nova língua. O que ocorre é um acompanhamento das mundanças do português falado no Brasil. A percepção dele empata com a forma como as edições são trabalhadas pela Abril. Segundo Emerson Agune, editor das revistas Disney, a tradução é a mais fiel possível. Mas conta que segue algumas orientações: "evitar o uso de gírias regionais, adequar a fala ao personagem e ser fiel às intenções do autor. Conforme a própria matéria da revista Língua Portuguesa apontou, fazemos a atualização para que seja a linguagem usada hoje pelos falantes de língua portuguesa."
Há dois estudos pioneiros sobre o assunto. Um é de 1973, de autoria de Dino Preti, ex-professor da USP, hoje na PUC paulistana (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). O pesquisador estudou 37 edições da revista "Mônica" do início dos anos 70, quando ainda saíam pela Abril. Constatou que os personagens de Mauricio de Sousa, apesar de crianças, falavam como adultos. Não havia uma preocupação de adequar o conteúdo dos balões ao modo de falar de uma criança. Foi publicado em forma de artigo no oitavo número da já extinta "Revista de Cultura Vozes" (dedicada ao pensamento cientìfico das então ciências artísticas de vanguarda).
O outro estudo é de 2001. É uma dissertação de mestrado defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Clarícia Akemi Eguti pesquisou como se dava a "representatividade da oralidade nos quadrinhos", o tema da dissertação. Ela analisou e exemplificou cada detalhe da linguagem dos quadrinhos, desde os balões até as onomatopéias. A conclusão é que há diversas maneiras de representar a língua oral nas histórias em quadrinhos. É só parar, observar e constatar.
O artigo de Jean Lauand pode ser lido na íntegra no site da revista "Língua Portuguesa". Vale conferir. Clique aqui.
Categoria: NA MÍDIA
Escrito por PAULO RAMOS às 15h20
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28/07/2006
ESTRANHOS NO PARAÍSO, MAIS UMA VEZ
Os personagens de "Estranhos no Paraíso" já passaram por três editoras no Brasil. Começaram na Abril, foram para a Via Lettera e, depois, para a extinta Pandora. A trajetória é um pouco confusa, mas prova que nunca saíram da pauta do mercado editorial, que sempre arruma um jeitinho de publicar as criações do escritor e desenhista Terry Moore. Prova disso é que surge, agora, uma quarta editora A HQManiacs coloca a partir de hoje nas livrarias e lojas de quadrinhos "Estranhos no Paraíso - Inimigos Mortais" (RS 27,90).
Esta edição reúne os números 6 a 12 da revista norte-americana (o título voltou ao número um duas vezes). O arco é de 1997 e já havia começado a ser publicado no Brasil pela Pandora, que parou a história no meio. À época, circulou a informação de que a editora teve problemas com os direitos de publicação da obra. São problemas reais, que adiaram o desfecho dos ficcionais, tema deste arco "Inimigos Mortais".
Ter os personagens de Moore no rol de títulos é uma estratégia certeira para qualquer editora, ainda mais uma em início de vida, como a HQManiacs (começou em março). O mundo de Estranhos traz credibilidade e seriedade a quem o publica. As histórias são muito bem vistas pela crítica norte-americana. Ter o aval dos críticos de lá, para os mais críticos de cá, muitas vezes não quer dizer muita coisa. Serve só de rótulo para vender o produto. Mas, neste caso, o olhar da crítica foi certeiro.
"Estranhos no Paraíso" não fala de feitos heróicos, nem heróis têm. O assunto é outro. O foco está no relacionamento humano. Parece algo banal. Mas pare para perceber como são complexas as amizades que nos rodeiam e a fina linha que as articula. Moore consegue olhar para todas essas nuances e tem uma capacidade ímpar para articulá-las ao leitor. Texto e imagem se casam harmonicamente. Os diálogos, inteligentes e bem amarrados, dão o toque final. Entende e representa como poucos a mente feminina.
Para quem acompanha a série desde o início, é um arco importante. (Re)define o relacionamento entre Francine e Katchoo, as duas amigas que tentam entender se há algo mais nessa amizade. Há algo mais, sim, mas é de outra ordem. Parte do passado misterioso de Katchoo vem à tona e coloca à prova a parceria delas. E de David, amigo delas, que também esconde um passado misterioso (revelado só agora).
A HQManiacs apostou no público que já lia a série. É pequeno, mas fiel, como as idas e vindas de editora para editora comprovam. As histórias anteriores, no entanto, não foram descartadas. "Está em nossos planos, sim, a republicação dos arcos que saíram no país por outras editoras, bem como todos os TPs [Trade Paperbacks]seguintes da história", diz a editora do álbum, Dandara Palankof e Cruz. "Tudo depende das vendas alcançadas por este volume".
Quem nunca leu "Estranhos no Paraíso" vai entender a história. Vai querer saber outras tantas passagens, mas vai entender. E vai perceber por que é questionável a tese de quem defende que os anos 90 foram uma década perdida para os quadrinhos norte-americanos. Não é verdade. Havia Terry Moore e seus estranhos, porém cativantes, personagens. E mais umas outras criações de outros autores (como um certo mestre dos sonhos), que ficam para uma outra postagem.
Nota 1 - Terry Moore anunciou que vai encerrar a série. Achou que está na hora. O fim do "paraíso" está previsto para maio do ano que vem, na edição 90 da revista norte-americana.
Nota 2 - Para quem nunca leu e quer se achar na série -e para quem já leu e se perdeu entre as várias editoras por onde a série passou-, o Blog preparou uma espécie de kit de sobrevivência para não se sentir estranho no paraíso de Moore. Leia na postagem abaixo.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 19h36
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PARA NÃO SE SENTIR ESTRANHO NO PARAÍSO
A confusão editorial envolvendo "Estranhos no Paraíso" não é exclusividade do Brasil. Nos Estados Unidos, a série mudou a numeração duas vezes. A história de Francine e Katchoo começou numa minissérie em três edições (novembro de 1993). Essa fase premiada foi chamada por lá de "volume 1".
Depois da minissérie, o título recomeçou do número 1. Foram 13 edições, chamadas de "volume 2". Uma mudança para o selo editado por Jim Lee motivou outra volta à primeira edição (em outubro de 1996). Não mudou mais desde então. Foi rotulada, a exemplo das fases anteriores, de "volume 3". É o segundo arco dessa fase o que a Pandora não terminou e que a HQManicas publica agora no Brasil.
Além da HQManiacs, Estranhos passou por outras três editoras:
- Abril (maio a junho de 1998)
Publicou a minissérie do volume 1, chamada "Estranhos no Paraíso" (capa ao lado). As três edições só existem em sebos.
- Via Lettera (dezembro de 1999 e março de 2000)
A editora publicou o arco "Sonho com Você" em dois volumes, um no fim de 1999 (imagem abaixo) e outro em março do ano seguinte. Pode ser encontrado em lojas especializadas em quadrinhos ou no site da Via Lettera. Corresponde aos números 1 a 9 do volume 2 americano.
- Pandora (outubro de 2002 a janeiro de 2004)
Foi a que mais editou histórias dos personagens de Terry Moore no Brasil. Os títulos passaram por dois momentos. No primeiro, a editora encerrou a fase do volume 2 norte-americano. Foi num encadernado chamado "A Vida é Bela". Ainda pode ser encontrado nas lojas especializadas. O segundo momento foi numa revista mensal, publicada entre março de 2003 e janeiro de 2004. O título corresponde ao início do volume 3 americano, quando as histórias voltaram mais uma vez ao número 1. O segundo arco, "Inimigos Mortais", este que agora sai pela HQManiacs, foi interrompido no terceiro capítulo (número 8 da revista).
É confuso. Mas a peregrinação vale a pena.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 19h34
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MORRE JOSEPH LUYTEN
Morreu na quinta-feira o professor e pesquisador Joseph Maria Luyten. Foi vítima de um ataque cardíaco.
Ele era uma assumidade na literatura de Cordel, tanto aqui como no exterior. Publicou "Um Século de Literatura de Cordel" e "A Literatura de Cordel em São Paulo". Passou pelas principais universidades de comunicação do país (USP, Cásper Líbero, Metodista). No meio dos quadrinhos, era muito conhecido por ser o marido de Sonia Bibe Luyten, uma das maiores conhecedores do assunto no Brasil, especialista em mangás. Sempre a acompanhava nos eventos, como no último HQMix. Durante a cobertura do Prêmio, Joseph teve a preocupação de ficar ao meu lado durante parte da transmissão, enquanto a platéia via a entrega dos troféus. Um gesto pequeno, mas que mostrava a grandiosidade dele.
Joseph deixa a esposa, três filhas, três netas. O enterro é nesta sexta-feira, 28.07, às 17h, no Cemitério Campo Grande (Av. Nossa Senhora do Sabará, 1371, em Santo Amaro, São Paulo).
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 07h54
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27/07/2006
DUAS (BOAS) HISTÓRIAS DE SUPER-HERÓI
Está cada vez mais freqüente encontrar uma boa história de super-herói nas bancas. Boa parte dos títulos de linha passa por uma fase de textos inteligentes e instigantes (fruto da concorrência entre Marvel e DC Comics). Entre os especiais, os destaques se alternam entre obras inéditas e reedições. Ou as duas juntas, caso desta semana. Volta às bancas "Superman - As Quatro Estações" (Grandes Clássicos DC # 8; Panini, R$ 25,90), tida como uma das melhores histórias do homem de aço. Chega também o primeiro volume da premiada "DC: a Nova Fronteira" (Panini, R$ 25,90).
Darwyn Cooke abocanhou os principais prêmios norte-americanos de quadrinhos no ano passado: Harvey, Shuster e o prestigiado Eisner Awards. O que ele fez de tão especial em "DC: a Nova Fronteira"? Não é tanto pelo enredo. Não são novidade histórias em que os heróis abandonam a "profissão" porque se negam a revelar a identidade secreta ao governo. Também não é inédita a idéia de colocar o homem de aço a serviço de Washington (leia-se: "Cavaleiro das Trevas", de Frank Miller). O mérito de Cooke foi a forma como articulou esses elementos.
O pós-guerra foi cruel com os quadrinhos. Houve, nos Estados Unidos, uma caça aos gibis (usado aqui no sentido mais pejorativo do termo). Cooke transpõe esse espírito aos super-heróis. Coloca aquele ranço macarthista contra eles. Alguns persistem, ou subservientes ao governo, ou às escondidas (caso de Batman). O período nebuloso ganha luzes à medida que surgem os novos super-heróis, como Flash e Lanterna Verde/Hal Hordan. E tudo em ordem cronológica, ao contrário do que a DC fez na transição das eras de prata e de ouro. É o segundo trunfo do escritor e desenhista, que conduz a trama com um estilo cartunizado e inspirado no traço de Jack Kirby (o desenhista que criou os principais personagens da Marvel no anos 60 ao lado de Stan Lee). Consegue resultados visuais muito criativos.
A história foi publicada nos Estados Unidos em forma de minissérie. No Brasil, sai em dois volumes. O próximo está programado para o mês que vem.
 "Superman - As Quatro Estações" também é uma minissérie. Foi assim que as quatro partes -ou quatro estações- foram publicadas pela primeira vez no Brasil (quinzenalmente entre setembro e outubro de 1999). Era uma outra época, quando Superman era Super-Homem e Smallville, Pequenópolis. Os nomes originais são mantido na nova edição, que teve uma nova tradução.
A história escrita por Jeph Loeb é contada em quatro movimentos. Cada um deles dá usa à exaustão as diferentes acepções do tempo nos quadrinhos, como antecipava, em 1975, Antônio Luiz Cagnin, no pioneiro "Os Quadrinhos" (que deve ser relançado; veja na postagem do dia 11 deste mês). Há o tempo da história, mostrada em flashback. Há o tempo da narração, contada por diferentes pessoas ligadas ao homem de aço, cada uma numa estação. Há, enfim, o tempo da história, o mesmo de cada uma das estações do ano. Começa na primavera, termina no inverno.
A história capta a essência do personagem. Um homem do campo se torna o maior herói do planeta. Mas continua sendo um homem do campo, com medo, apego aos pais, incertezas. É um pouco do que Richard Donner fez no primeiro filme do super-herói (há uma referência visual à obra num dos quadrinhos da primeira parte, primavera; vale descobrir). Os desenhos de Tim Sale reforçam esse lado "meninão" de Clark Kent.
O trabalho de Loeb certamente influiu na construção do seriado "Smallville". Não é para menos que o escritor atuou como consultor nos quatro primeiros anos de produção do seriado. Fez a fórmula render. Especializou-se em criar minisséries sobre o "ano um" dos personagens. Fez isso com Demolidor, Homem-Aranha, Hulk e Mulher-Gato. Sempre acompanhado por Tim Sale.
"Superman - As Quatro Estações", outro relançamento motivado pelo filme, foi reunido num volume só (no oitavo número de Grandes Clássicos DC). Lidas em seqüência, as quatro estações revelam sutilezas, perdidas numa leitura fragmentada. Há um mesmo ângulo de cena, de Clark Kent, deitado na cama, repetido em momentos diferentes da trama. A cena final também se liga a um outro trecho da obra. Mas tem de ler para descobrir por quê.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 18h49
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LULA VETA PROJETO QUE PREVIA DIPLOMA A ILUSTRADORES
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou ontem à noite o decreto-lei que aumentava de 11 para 23 as atribuições dos jornalistas. Um dos itens previa diploma de jornalismo para ilustradores atuarem na imprensa brasileira. O governo federal argumentou que havia brechas jurídicas no projeto e que uma eventual aprovação comprometeria o ldireito à livre expressão. As entidades de ilustradores tinham se posicionado contra a medida (ver postagem do último dia 24).
Na prática, o veto significa que a lei não entra em vigor, continua tudo como está. Ou quase tudo. Ontem mesmo, o governo fez uma reunião com representantes de entidades ligadas à área, segundo informações do jornal "Folha de S.Paulo" e do portal da revista "Imprensa". A pauta era discurtir a regulamentação da profissão (a última regulamentação é de 1969). Estiveram presentes cinco representantes das empresas e cinco vinculados aos funcionários. O grupo terá três meses para apresentar uma proposta.
A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), a maior entusiasta do decreto-lei vetado, criticou a decisão de Lula. No entender da entidade, o governo federal cedeu a interesses dos donos da mídia, que usaram os veículos que mantém para defender interesses próprios. "A verdadeira ameaça à liberdade de expressão e de imprensa não é a regulamentação da profissão dos jornalistas. É, isto sim, o alto grau de concentração da propriedade privada na mídia, o conluio com elites políticas nos Estados e no Congresso Nacional e a hegemonia, no mercado de comunicação, de um único grupo, a Rede Globo", afirma a Fenaj, em carta aberta veiculada no site da federação (www.fenaj.org.br).
O projeto de lei era de autoria do deputado federal Pastor Amarildo (PSC-Tocantins). Segundo ele, a proposta era a de regulamentar a profissão do jornalista no Brasil. O texto foi para o Senado, que aprovou o decreto-lei. Para entrar em vigor, precisava da assinatura de Lula. O presidente vetou o texto na íntegra.
A decisão do governo federal encerra -ou adia- apenas uma das discussões sobre quadrinhos e artes gráficas. Há outras duas em pauta. Uma é o projeto do deputado federal Simplício Mário (PT do Piauí), que prevê a criação de cotas para os quadrinhos nacionais. As editoras deveriam reservar parte de suas publicações para histórias criadas por autores brasileiros. Por enquanto, o projeto passa pela fase de debates públicos. Houve uma reunião no Rio de Janeiro no dia 19 de julho. Deve haver outra em Brasília, em data a ser confirmada.
A outra discussão é a criação da Câmara Setorial de Comunicação Visual, órgão ligado ao governo federal que decidiria todas as políticas sobre a área (que inclui as histórias em quadrinhos). A entidade seria formada por representantes do governo federal e da sociedade civil. A implantação caminha a passos largos. Vai haver uma reunião no começo do mês que vem no Rio de Janeiro para definir como será o funcionamento da Câmara. Participarão as entidades ligadas ao setor. A proposta será encaminhada ao Ministério da Cultura, que centraliza o assunto (leia mais na postagem do dia 27 de junho).
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 13h46
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26/07/2006
MARCIO BARALDI: NOVO ÁLBUM DE ROKO-LOKO E ADRINA-LINA

Ele não precisa de assessor. Assessora a si mesmo. Não espera o jornalista bater à sua porta. Ele é que encontra o jornalista. E fala com entusiasmo suas criações. Foi Marcio Baraldi que sugeriu a entrevista a seguir. Pedi uma novidade para justificar o bate-papo. O desenhista foi persuasivo: apresentou um pacote de coisas do que anda fazendo. Uma das novidades é a terceira coletânea de Roko-Loko e Adrina-Lina (capa ao lado), prevista para setembro. Reúne histórias publicadas na revista "Rock Brigade", onde colabora há dez anos. Pelos duas coletâneas anteriores, recebeu o prêmio Angelo Agostini de melhor cartunista e lançamento em 2003 e 2004.
O espírito irriquieto começou na infância, vivida em Santo André, no ABC paulista. Foi lá que conheceu o rock, o movimento sindical e o mundo artístico. Foi lá também que estudou desenho mecânico, artes plásticas e música. "Fiz teatro, grafite, vídeo, toquei baixo em bandas de garagem", diz. Aprendeu a trabalhar cedo. Hoje, é o que mais faz. Nem sabe dizer direito para todas as revistas onde desenha. "Eu nem perco tempo contando quantas revistas e jornais eu faço todo mês, são dezenas, mano! Em um ano faço milhares de cartuns, é coisa de doido!"
Ele é daquelas pessoas que não esperam algo acontecer. Faz acontecer. A entrevista abaixo é prova disso.
- Você teve basicamente duas influências: o lado político-sindical e o rock, ambos no ABC. Até que ponto você vê as duas influências no seu trabalho hoje?
- Total. São minhas raízes, minhas “bloody roots”! Eu entrei no movimento sindical aos dezesseis anos, como chargista e faz-tudo na imprensa do Sindicato dos Químicos do ABC (aliás, pra onde trabalho até hoje). Participei do movimento estudantil, freqüentei zilhões de passeatas, trabalhei pra todos os movimentos sociais e populares que você puder imaginar. Paralelamente, sempre fui roqueiro, e o ABC sempre foi um pólo roqueiro muito forte. Cresci mergulhado nessas duas correntes energéticas, e elas alteraram o meu DNA para sempre, me transformando num cartunista roqueiro-político mutante!
- Para onde você pretende guiar o seu trabalho daqui para frente?
- “Para o alto e avante!”, como diria um velho amigo e conterrâneo meu, sabe?! Eu amo profundamente minha profissão e meu trabalho. E sou muito grato a Deus por ter permitido me estabelecer e progredir neste que, sem dúvida, não é um dos ramos mais fáceis de se estabelecer. Eu vou seguir em frente fazendo o que gosto, cada vez melhor, mais forte e bonito: livros, camisetas, vídeo games, animações, bonequinhos e, principalmente, muuuuuuitos cartuns e histórias bacanas que as pessoas leiam e gostem tanto a ponto de guardá-las num caderno, numa estante, ou, melhor ainda, nos corações e mentes!
- Por que a diversificação de produtos?
- Está sendo tudo natural. Comecei fazendo livros porque saquei que precisava reunir todas as minhas HQs em livros ou elas se perderiam com o tempo. Depois, passei pras camisetas, pois servem pra divulgar os personagens por aí, no corpo das pessoas. Depois comecei a atacar os games. Estou fazendo uma tiragem de bonecos do Roko-Loko muito bonitos que vou colocar pra vender no site da Brigade. De quebra, andei fazendo umas animações também. Tem uma com o Roko-Loko na “AllTV” (www.alltv.com.br) e mais algumas em sites por aí. Ainda estou começando com as animações, com o tempo devo investir mais nisso.
Abaixo, mais Baraldi e uma prévia do novo álbum.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 18h43
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PRÉVIA: ROKO-LOKO E ADRINA-LINA
"Roko-Loko e Adrina-Lina - Born to Be Wild" é a quarta parceria de Marcio Baraldi com a Opera Graphica. Já publicou na editora outras duas coletâneas com os personagens roqueiros e um terceiro álbum com outra criação sua, Tattozinho. A relação com a Opera começou com um convite ou por insistência do desenhista? Resposta do Baraldi:
- Nem uma coisa, nem outra. Foi tudo muito natural, pois eu já trabalhava com o Carlos Mann (dono da Opera Graphica) há um bom tempo, ilustrando várias revistas pra ele. O Carlos é um cara que desde o começo simpatizou com meu trabalho e com meu pique agitado e batalhador. Ele é um cara que, assim como eu, também veio do zero e sempre trabalhou absurdamente para construir sua carreira, e ele sempre reconheceu essa “semelhança” entre nós. Por isso, quando eu resolvi fazer o primeiro livro do Roko, em 2003, ele foi a opção mais lógica, e eu, de forma natural, ofereci o projeto pra ele, que, com a mesma naturalidade, aceitou. E já estamos indo para o quarto livro da minha poderosa “Enciclopédia do Baraldi”!
A história foi escrita por Anita Costa Prado, autora da personagem lésbica Katita (publicada pela Marca de Fantasia; leia na postagem do dia 5 de junho). Ela fez o texto por conta, por gostar dos rockeiros Roko-Loko e Adrina-Lina. Baraldi achou a idéia legal e quadrinizou. O resultado pode ser lido abaixo. É em primeiro mão, segundo o desenhista. Tão primeira mão que nem Anita viu o resultado final, conta.
A página a seguir é a abertura da única história inédita de "Roko-Loko e Adrina-Lina - Born to Be Wild", terceira coletânea da dupla. O lançamento foi programado para setembro.

Marcio Baraldi mantém uma página na internet. Se quiser conhecer, clique aqui.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 17h23
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25/07/2006
WOOD & STOCK NO CINEMA: SEXO, ORÉGANO E ROCK´N ROLL
O desenhista Angeli sempre deu um ar de contracultura às suas criações. Fora dos quadrinhos, quem diria, a vida alternativa de seus personagens foi rotulada para maiores de 18 anos. O desenho "Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock´n Roll" foi proibido para menores. Foi a primeira vez no país que uma animação para o cinema teve essa classificação. A decisão foi revista no começo de junho. Mas não muito. O Ministério da Justiça reclassificou o longa para quem tem mais de 16 anos.
O desenho, por enquanto, testa a recepção do público. Passa no próximo sábado em São Paulo no 14o. Anima Mundi, teve sessões no Rio de Janeiro na semana passada. Antes disso, passou por Minas e pelo nordeste. A história dos dois hippies tem tido boa recepção. O auge foi em Recife, no CINE-PE, Festival do Audiovisual, no mês de abril. Teve sala cheia e conquistou três prêmios: Especial do Júri, Melhor Trilha Sonora e o inédito e inusitado Melhor Atriz Coadjuvante para a dublagem de Rita Lee para Rê Bordosa.
Segundo a cantora, Angeli se baseou nela para criar a personagem "porra-loca". Nem teria precisado interpretar no trabalho de dublagem. A ex-integrante do grupo Mutantes não é a única personalidade do meio musical a compor o cast da dublagem. O cantor e compositor Tom Zé fez a voz de Raulzito (Raul Seixas) durante uma "viagem" dos personagens-título. Tom Zé é baiano, como Raul. "Caiu como uma luva", diz Otto Guerra, diretor do longa.
Wood & Stock -dois velhos que mantêm, ainda hoje, o modo de vida hippie- são o fio condutor da animação, feita com verba do Ministério da Cultura. Mas, como Rê Bordosa prova, há outras criações do mundo "alternativo" de Angeli. Estão lá Meiaoito, Nanico, Rhalah Rikota, os Skrotinhos. A idéia de colocar todos na tela grande surgiu de uma conversa entre Otto Guerra e o cartunista num bar paulistano, onze anos atrás. O diretor, que cria desenhos em sua produtora desde 1984, sugeriu fazer uma longa-metragem com o personagem "Ozzy", personagem de Angeli voltado ao público infantil. O cartunista teria retrucado: por que não Wood e Stock? Por que não? Ficou Wood e Stock.
Angeli participou do projeto à distância. Ajudou no roteiro, deu idéias. A redação final ficou a cargo Rodrigo John. Não foi o primeiro trabalho com quadrinhos feito por Guerra. Em 1994, ele animou a dupla de caubóis gays Rock e Hudson, de Adão Iturrusgarai. O diretor tem um histórico de fã e produtor de quadrinhos. Começou a fazer desenhos nas HQs. "Copiava o belga Hergé, autor do Tintim. Sempre fui um devorador de quadrinhos. Passei a ser fã do Crumb em 1977 e conheci o trabalho do Angeli em meados de 1984", diz. Não só conhecia como colecionava. "Do Angeli eu comprava todas as Chicletes com Banana, além de acompanhar seu trabalho na Folha".
"Esse espírito contracultural foi uma descoberta meio tardia para mim. Quando era guri tinha medo de barbudos drogados, mas aos poucos esse medo foi se transformando em admiração, num processo sem volta. Claro nem eu nem o Angeli somos hippies, talvez o Angeli tenha sido um pouco, vi umas fotos dele de bigodão e tal. De qualquer forma, cada vez mais me vejo enfronhado com autores ditos, malditos. Então foi uma reviravolta de 180 graus, meu ídolo anterior, o belga George Rémis, Hergé, era um ultra-direitista. Mesmo assim continuo admirando muito todos os álbuns do Tintim. Seu desenho continua uma referência mundial, transcriado por autores de todos os continentes."
"Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock´n Roll" deve estrear "oficialmente" no dia 25 de agosto em Porto Alegre. "Estamos negociando as salas comerciais aqui do sul, Cinemark, Cinesystem, GNC etc.", diz a produtora-executiva do desenho, Marta Machado. "Pretendemos estar em pelo menos cinco salas e mais cinco na grande Porto Alegre e interior." Depois, vai subindo o mapa do Brasil. Novas sessões em São Paulo e Rio de Janeiro. "Distribuiremos de forma independente, mas acreditamos no potencial do filme para um grande público. Nossa idéia é não restringir a um segmento apenas." O próximo projeto é um desenho dos Piratas do Tietê, de Laerte. A previsão de estréia é 2008.
Os produtores do desenho criaram uma página com muitas informações -e imagens- do longa de animação. Clique aqui para conferir. Em outra página da internet, Angeli fala sobre os personagens Wood e Stock. Para assistir, clique aqui.
SERVIÇO
Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock´n Roll. Quando: sábado, 29.07. Horário: 21h. Local: Memorial da América Latina. Endereço: Rua Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, São Paulo. Quanto: R$ 6 (meia-entrada R$ 3). Venda no local a partir desta quarta-feira (26 de julho).
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 08h22
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24/07/2006
PROJETO PREVÊ DIPLOMA DE JORNALISMO A DESENHISTAS
Os ilustradores podem ser obrigados a ter diploma de jornalismo para atuar na imprensa brasileira. A exigência faz parte de um decreto-lei que aumenta de 11 para 23 as funções da profissão. Uma das atribuições envolve os desenhistas. O texto, no parágrafo 22, inclui "o profissional encarregado de criar ou executar desenhos artísticos ou técnicos, charges ou ilustrações de qualquer natureza para matéria ou programa jornalístico". Para entrar em vigor, o decreto-lei precisa ser assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele tem até a próxima sexta-feira para se manifestar. A tendência é pelo veto.
Não há dados sobre o assunto, mas é seguro dizer que a maioria dos ilustradores não possui diploma de jornalismo. A categoria já se posicionou contrária ao projeto. Um abaixo-assinado deve ser levado a Brasília. "Há um quê de ranço autoritário nessa história, seja por parte dos sindicatos de jornalistas, que pretendem uma atuação maior dentro das redações assim como de renda pela contribuição sindical, seja pelo próprio governo, que poderia penalizar jornalistas não-amigáveis", diz Orlando Pedroso, da SIB, Sociedade dos Ilustradores do Brasil. "No caso dos ilustradores, chargistas e cartunistas, a coisa piora já que essas profissões, além de não serem reconhecidas, não fazem parte da grade curricular de nenhum curso de jornalismo nem de nenhuma outra formalidade educacional."
O fato de as faculdades de jornalismo não ensinarem artes visuais é também o argumento de José Alberto Lovetro, da ACB, Associação dos Cartunistas do Brasil. A entidade é contra o decreto-lei. "Primeiro porque nos cursos de jornalismo não há disciplina de desenho ou arte e segundo porque um ilustrador tem que ter a opção de escolher entre uma Faculdade de Belas Artes ou uma de jornalismo. Embora eu ache que um chargista necessite de um curso de jornalismo para aprofundar seu sentido de análise política, é dele a opção ou seria uma oneração injusta ter que fazer duas faculdades para exercer a profissão."
As associações de jornalistas estão divididas sobre o assunto, a exemplo do que já ocorreu durante a discussão do Conselho Federal de Jornalismo (órgão que centralizaria as decisões sobre a atuação na área e que não foi aprovado). A ABI, Associação Brasileira de Imprensa, pediu que o presidente Lula vete o projeto de lei. A ANJ (Associação Nacional de Jornais) também é contra. A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) defende as alterações. O presidente da entidade, Sérgio Murilo de Andrade, escreveu uma carta aberta sobre o assunto no portal da revista "Imprensa", ligada à área jornalística. "Por ser de natureza pública, o exercício do jornalismo exige qualificação profissional e democratização no seu acesso. Essa democratização se dá com a oferta - aos veículos de imprensa e aos mais diversos setores - de profissionais formados pela sociedade em suas instituições de ensino superior. Democratizar também é atualizar as funções profissionais conforme as mudanças de caráter técnico, tecnológico, cultural e político operadas na sociedade." Andrade afirma que sua entidade é criticada pelos "donos da mídia" (que têm opinião diametralmente oposta).
O jornal "Folha de S.Paulo" apurou na semana passada que a tendência do Palácio do Planato é pelo veto. Na edição desta quarta-feira (25.07), traz outra informação: o Ministério da Justiça emitiu parecer recomendando ao presidente veto completo ao decreto-lei. O argumento é que a sociedade teria o direito de receber informações de qualquer fonte. Embora o projeto de lei tenha sido aprovado no Senado, a discussão começou na Câmara dos Deputados. O texto é de autoria do deputado federal Pastor Amarildo (PSC-Tocantins). Em entrevista ao portal de "Imprensa", ele diz que procurou valorizar a profissão do jornalista e que não contou com a colaboração de nenhuma entidade ligada àrea. O deputado entende que o decreto-lei pode sofrer ajustes antes de entrar em vigor.
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Escrito por PAULO RAMOS às 18h56
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23/07/2006
EISNER AWARDS 2006: VENCEDORES
Foram divulgados neste fim de semana os vencedores do Eisner Awards 2006, espécie de Oscar dos quadrinhos norte-americanos. O anúncio foi feito na Comic-Con, convenção que ocorreu em San Diego, nos Estados Unidos. A editora DC Comics, de Batman e Super-Homem, venceu nas principais categorias. Além da editora, há outros quatro destaques:
- "Solo" (da DC; levou três prêmios); a revista mostra um olhar diferente e autoral de escritores e desenhistas sobre os heróis da DC; o material é inédito no Brasil;
- "Fábulas" (DC, dois troféus); os dois primeiros arcos já saíram no Brasil pela editora Devir; a obra coloca os personagens de contos de fadas nos dias de hoje, enfrentando problemas modernos e intrigas entre eles;
- "Astonishing X-Men" (da Marvel Comics, escrita por Joss Whedon, criador de "Buffy, a Caça-Vampiros", venceu em duas categorias, incluindo melhor desenhista, John Cassaday); as histórias são publicadas atualmente no Brasil na revista "X-Men Extra", da Panini;
- o escritor Grant Morrison, responsável pelas premiadas "Seven Soldiers" e "All Star Superman", ambas da DC e ainda inéditas por aqui.
Confira os principais vencedores:
- Melhor série regular: Astonishing X-Men (Marvel Comics; ao lado, capa da versão nacional, pela Panini)
- Melhor história seriada: Fábulas números 36 a 38 e 40 a 41, por Bill (DC Comics)
- Melhor minissérie: Seven Soldiers (DC Comics)
- Melhor nova série: All Star Superman (DC Comics)
- Melhor escritor: Alan Moore (Promethea, Top Ten: The Forty-Niners, pela ABC)
- Melhor desenhista: John Cassaday (por Astonishing X-Men, da Marvel, e Planetary, da DC Comics)
- Melhor escritor/desenhista: Geoff Darrow (por Shaolin Cowboy, da Burlyman)
- Melhor escritor/desenhista de humor: Kyle Baker (por Plastic Man, da DC Comics)
- Melhor desenhista de capa: James Jean (por Fábulas, da DC, e Runaways, da Marvel)
- Melhor publicação para público jovem: Owly: Flying Lessons (Top Shelf)
- Melhor história curta: "Teenage Sidekick" (na revista Solo número 3, da DC Comics, capa ao lado)
- Melhor edição única (one-shot): Solo número 5
- Melhor Antologia: Solo (DC Comics)
- Melhor quadrinho digital: PVP ( www.pvonline.com)
- Melhor álbum gráfico (novo): Top Ten: The Forty-Niners (ABC, empresa ligada à DC Comics)
- Melhor álbum gráfico (reimpressão): Black Hole (Pantheon)
- Melhor coleção de arquivo/Projeto de tira: The Complete Calvin & Hobbes (Andrews McMeel)
- Melhor coleção de arquivo/Projeto de revista em quadrinhos: Absolute Watchmen (DC Comics)
- Melhor edição de material estrangeiro: The Rabbi´s Cat (O Gato do Rabino, da Pantheon); a primeira história saiu por aqui pela Jorge Zahar
- Melhor obra sobre quadrinhos: Eisner/Miller (Dark Horse Books); o livro mostra uma longa conversa entre o já falecido Will Eisner (que dá nome ao prêmio) e o criador de Sin City, Frank Miller(capa ao lado).
A maioria dos trabalhos é inédita no Brasil, mas pode ser importada pela internet. Alguns dos títulos, como "Eisner/miller" e "The Complete Calvin & Hobbes", constam no catálogo das grandes livrarias brasileiras.
Veja a lista completa dos vencedores do Eisner Awards 2006 clicando aqui.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 15h24
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DIRETOR RICHARD DONNER DE VOLTA AO SUPER-HOMEM
O diretor de cinema Richard Donner volta a trabalhar com o Super-Homem. Ele escrever as histórias da revista norte-americana "Action Comics", um dos títulos mensais do personagem. Donner dirigiu o primeiro filme do homem de aço, interpretado por Christopher Reeve. A notícia já circulava em alguns sites, mas foi confirmada neste fim de semana na Comic-Con, convenção de quadrinhos que acontece na cidade de San Diego, nos Estados Unidos.
Donner vai dividir o texto com Geoff Johns, atual estrela da editora DC Comics, detentora dos direitos do personagem. Johns chamou atenção ao roteirizar histórias do Flash e da Sociedade da Justiça da América. É um escritor raro. Consegue passar para o papel a essência do personagem, sem descaracterizá-lo, ao mesmo tempo em que o coloca em tramas longas, criativas e bem amarradas.
Johns foi assistente de Donner no filme "Teoria da Conspiração", com Mel Gibson e Julia Roberts. O contato entre os dois vem desde essa época. O uso de pessoas ligadas ao cinema e à televisão tem ganhado força nos últimos anos na indústria de quadrinhos norte-americana. Kevin Smith, de "O Balconista", foi o responsável por trazer de volta o personagem Arqueiro Verde, também da DC Comics. O criador de "Buffy, a Caça Vampiros", Joss Whedon, tem feito muito sucesso com as histórias de "Astonishing X-Men", da Marvel Comics (venceu dois prêmios Eisner deste ano; veja na postagem acima). Curioso que o escritor e desenhista Frank Miller faz o caminho contrário. Co-dirigiu "Sin City – A Cidade do Pecado" e deve estar envolvido na direção e no roteiro de um longa-metragem de Spirit, criação mais famosa de Will Eisner.
A dupla estréia na revista ‘Action Comics" no número 844. Deve sair possivelmente em outubro. As histórias terão desenhos de Adam Kubert (é dele o esboço acima).
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 15h14
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21/07/2006
LIVRO CONTA HISTÓRIA DAS TIRAS NO BRASIL
ENTREVISTA: HENRIQUE MAGALHÃES
 Se no mundo dos quadrinhos há os que fazem, os que não fazem e os que só sabem falar -como diz o jornalista Gonçalo Junior-, Henrique Magalhães encabeça a lista dos que fazem. E como faz. O interesse pelos quadrinhos levou o professor da Universidade Federal da Paraíba a criar uma editora, a Marca de Fantasia. Ela existe, diz, "pela mediocridade do mercado, que não valoriza os autores nacionais".
A editora existe há 11 anos. Possui obras com quadrinhos e sobre quadrinhos. É nestas o ponto forte. Possui o maior acervo do país de títulos teóricos sobre o assunto. O último livro, lançado nesta semana, foi escrito pelo próprio Magalhães. "Humor em Pílulas" (R$ 15; pode ser comprado pelo site www.marcadefantasia.com.br) é um estudo pioneiro. Remonta parte da história do quadrinho nacional sob o ponto de vista das tiras. Sempre que algo assim foi feito, o gênero ficava diluído como um dos elementos dos quadrinhos. Há poucos estudos a respeito no país, em geral escondidos nas prateleiras das universidades.
O Blog dos Quadrinhos conversou por e-mail com Henrique Magalhães. A conversa foi sobre o livro e as tiras nacionais. O professor de Comunicação Social, que completa 49 anos em agosto, estava na véspera de uma viagem. Sempre prestativo, arranjou tempo para as respostas abaixo. Gente que faz é assim. Não tem tempo, arruma tempo.
- Seu livro aborda as tiras nacionais. No seu entender, há muita diferença em relação às americanas? - Sim, há muita diferença no aspecto de conteúdo. As tiras brasileiras tem sua força na crítica social, ligada a nossa cultura e realidade. As norte-americanas, para poderem ser veiculadas em todo o mundo, são mais neutras, não buscam a provocação e a crítica, salvo as exceções.
- Por que o rótulo "humor em pílulas" (nome do livro)? - Assim como as pílulas farmacêuticas, as tiras têm que ser compactas, comprimidas, e tomadas sistematicamente: são tiras diárias.
- Na sua pesquisa, você identificou um "marco zero" para a tira nacional? - Não. Não tive essa preocupação, até porque este é um estudo pioneiro e as fontes de pesquisa são raras. Dei mais ênfase à produção da década de 1970 em diante, que é a que conheço um pouco mais.
- Há um outro formato de tira, a de aventuras, em que a história é contada um pouquinho a cada dia. Esse tipo de formato está em extinção no Brasil? Se sim, por quê? - Creio que sim. Hoje os jornais são apenas mais um veículo de informação entre tantos e os leitores não são mais tão assíduos quanto em outras épocas, de modo que fica difícil acompanhar uma tira seqüenciada. A de humor se resolve o mesmo dia, o que facilita sua veiculação. As revistas em quadrinhos são mais apropriadas para as histórias de aventuras.
- Tiras também são histórias em quadrinhos. Mas, ao contrário dos demais gêneros, são vistas sempre com bons olhos. Pode-se dizer que é um gênero privilegiado? - O humor, que é o ingrediente principal das tiras, é muito sedutor e, não raro, leva à reflexão. É por isso que as tiras de humor gozam dessa simpatia do público.
- Existem no Brasil muitas coletâneas de tiras, mas pouquíssimos estudos e publicações sobre o assunto. Foi difícil encontrar material de referência para compor a obra? - Sim. Não encontrei nenhum estudo aprofundado sobre o assunto, apenas artigos em revistas e citações em livros. Isso reforçou meu empenho em estudar o assunto.
- A distribuição de tiras no Brasil, hoje, profissionalizou-se ou ainda está aquém do modelo ideal? - Não se compara com o modelo norte-americano, com sua eficiência e agressividade. Falta muito para o Brasil ter uma distribuidora profissional e abrangente.
 - A internet é o novo canal de distribuição das tiras? Estamos caminhando a passos largos para um novo suporte?- Não creio. A internet é boa para divulgação, não para veiculação. Não se compara o prazer de folhear um livro a ler na tela do computador. Talvez isso mude com as novas gerações de leitores, educados com os recursos eletrônicos. Por enquanto, vamos curtindo a revista, o fanzine, o jornal, o livro em seu formato impresso.
Categoria: ENTREVISTA
Escrito por PAULO RAMOS às 16h01
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AS PANELINHAS DOS QUADRINHOS
O meio editorial brasileiro vive de panelinhas. Há torcida contra, boicotes a lançamentos e a determinadas publicações. A opinião é do jornalista e pesquisador Gonçalo Junior, autor do livro "A Guerra dos Gibis" e vencedor na categoria contribuição aos quadrinhos no HQMix deste ano. Seu ponto de vista sobre as panelinhas no mundo dos quadrinhos está na coluna que ele mantém no site Bigorna.
Gonçalo defende a idéia de que há três tipos de panelas: os que fazem, os que não fazem e os que só sabem falar. Algumas frases do artigo (começando pela descrição do "terceiro" grupo, o dos que só sabem falar):
- O terceiro reúne os chamados espíritos de porco, fofoqueiros, intrigueiros, paranóicos, psicóticos. São criaturas que agem pela internet, criam personagens fictícios para ofender, destratar, difamar.
- Quadrinhos no Brasil são como torcida de futebol. Se um caiu para a segunda divisão, os outros querem vê-lo na terceira. Ou mesmo extinto.
- Como em qualquer atividade profissional humana, porém, existem as panelinhas nefastas, aquelas que atropelam valores éticos e morais em nome do se dar bem a qualquer custo para seus acampados membros.
- Essa mesquinharia vai matar o mercado.
Texto instigante, corajoso, provocador. Para dizer o mínimo. Merece leitura. Clique aqui.
Categoria: NA MÍDIA
Escrito por PAULO RAMOS às 13h29
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20/07/2006
ENCONTRO DE FANZINEIROS NO RIO GRANDE DO SUL
Há algum tempo, surgiu a discussão de que a internet aposentaria o fanzine. A rede mundial de computadores seria o suporte ideal para difundir textos, imagens e idéias, tal qual faziam os fanzines. O crescimento do número de fotologs é inegável. Mas não decretou a morte dos zines. Uma prova é o Primeiro Encontro de Editores e Adoradores de Fanzines, que vai ocorrer neste sábado em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.
A reunião é organizada pela universitária Aline Ebert, uma adepta do gênero. A proposta é discutir o papel dos "fan magazines" (palavras que deram origem ao nome). Vai haver exposição de trabalhos e uma palestra com o fanzineiro Daniel Villaverde. O encontro é também uma chance de trocar e vender/comprar fanzines.
O gênero era uma forma de os artistas se manifestarem à margem das grandes editoras. As histórias em quadrinhos e textos eram feitos numa folha de sulfite. Depois, o material era xerocado e distribuído pelo correio ou de mão em mão. Os grandes eventos de quadrinhos são, ainda hoje, uma ótima chance para divulgação.
Os fanzines foram o cartão de visitas de muitos desenhistas. Boa parte do que foi produzido no Brasil foi reunido na Fanzinoteca de São Vicente, a segunda do mundo (a primeira é a Fanzinothèque de Poitiers, na França). O acervo, hoje, está a cargo de uma associação de artistas, que procura uma nova sede para guardar o material. No campo teórico, três livros abordaram o fenômeno: "Fanzine" (de Edgard Guimarães), "O Rebuliço Apaixonante dos Fanzines" e "A Nova Onda dos Fanzines" (ambos de Henrique Magalhães). As três edições são da Marca de Fantasia e só são encontradas no site da editora (www.marcadefantasia.com.br).
SERVIÇO
Primeiro Encontro de Editores e Adoradores de Fanzines. Quando: sábado, 22.07. Horário: 14h. Local: Biblioteca Municipal Olavo Bilac. Endereço: Praça Vinte de Setembro, centro de São Leopoldo, Rio Grande do Sul.
Categoria: DICA
Escrito por PAULO RAMOS às 19h46
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19/07/2006
MASCOTE DOS JOGOS PAN-AMERICANOS: CASO DE PLÁGIO?
As três imagens acima, apesar de parecidas, foram criadas em momentos diferentes, com propostas diferentes.
A primeira, da esquerda para a direita, é a mascote dos Jogos Pan-americanos do ano que vem, que acontecem no Rio de Janeiro. É a primeira vez que o evento, em sua décima quinta edição, não é representado por um animal. A opção pelo sol, e não por um bicho, foi para melhor representar a capital carioca. O visual infantil tem apelo junto às crianças e à família. A escolha foi anunciada no último dia 13 de julho, em cerimônia que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mascote ainda não tem nome. Há uma votação no site oficial do evento para definir como vai se chamar. Existem três opções: Cauê, Kuará e Luca. A votação vai até o dia 4 de agosto.
A figura mostrada na imagem do meio já tem nome há alguns anos: Solzinho. É usado pela loja de brinquedos Rihappy. O personagem tem poderes especiais e integra uma turma de crianças, nos mesmos moldes das criações de Mauricio de Sousa. O site do Clube do Solzinho apresenta histórias, tiras, informações sobre a turma e venda de cartões postais do grupo (veja uma das tiras na postagem abaixo).
A última ilustração é de 1990. Faz parte da campanha presidencial do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB). O sol, na verdade, acompanha o político desde que se candidatou ao governado paulista, em 1986. Havia um jingle: "o sol nasceu pra todos e também para você... vote Quércia, vote Quércia, P-M-D-B".
Alguns ilustradores viram plágio no personagem-sol criado para o Pan-2007. Houve até quem visse inspiração na bandeira da Argentina. O Blog dos Quadrinhos procurou ontem, por e-mail, tanto a Rihappy quanto a organização do evento. Não houve resposta. Nova tentativa hoje, no começo da tarde. Até agora, nada.
Perguntar não ofende: plágio ou coincidência? Deixe sua opinião abaixo.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 19h17
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Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 19h14
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18/07/2006
QUINO E FONTANAROSSA: DOUTORES HONORIS CAUSA
Quino e Fontanarossa -dois dos ilustradores mais importantes da história da Argentina- vão receber da Universidade Nacional de Córdoba o título de Doutor Honoris Causa (dado a pessoas que apresentem notório saber fora da academia). A decisão levou em conta a contribuição deles para a cultura argentina e o compromisso permanente de ambos com os direitos humanos. A cerimônia de entrega está marcada para o dia 9 de agosto, na própria universidade.
Quino (auto-retrato ao lado) não deve comparecer. Segundo a assessoria da Universidade, a esposa dele passou por uma delicada operação. Fontanarossa -conhecido como "El Negro"- confirmou presença. A cerimônia deve contar com outros desenhistas argentinos de destaque, como Caloi. A titulação foi decidida no último dia 4, em reunião do conselho universitário.
Joaquín Salvador Lavado, o Quino, é o desenhista argentino mais conhecido no mundo. Boa parte da fama vem da personagem Mafalda, que criou em 1964. As tiras da menina crítica e politizada foram publicadas em vários países (inclusive no Brasil, na edição "Toda Mafalda", da Martins Fontes). Em 25 de julho de 1973, deixou de fazer a personagem. Julgou que estava sendo repetitivo. "Quando alguém tapa o último quadro de uma história e já sabe qual vai ser o final, é porque a coisa não vai bem", explica ele em seu site oficial. Mafalda só apareceria novamente em desenhos e campanhas institucionais.
Deixar Mafalda (imagem da personagem ao lado) deu a Quino a liberdade para fazer cartuns (veja um deles na postagem abaixo). Se as tiras já eram acima da média, nos cartuns ele se superou. Traço rico, detalhista, texto afiado, crítico. Publicava, assim como muitos de seus colegas, em meio ao duro regime militar argentino. No Brasil, a editora Martins Fontes tem editado muitas coletâneas de trabalhos seus. Em 2004, comemorou 50 anos fazendo ilustrações. Começou uma mostra itinerante, "Quino 50 años", que já viajou -e continua viajando- pelas principais cidades argentinas.
Quando alguém se refere a Roberto Fontanarossa, geralmente insere um "el negro" entre o nome e o sobrenome. É o apelido que acompanha sua carreira. Nasceu em 1944. Publicou o primeiro desenho 14 anos depois, na revista "Boom". Ganhou fama com dois personagens, criados em 1972, ambos publicados na revista "Hortensia". "Inodoro Pereyra, el renegau" era um argentino daqueles radicais. Era esse o mote do humor de suas tiras. O contrário de "Boogie, el Aceitoso" (imagem ao lado), que "desde o nascimento se converteu num profissional da violência" (como o site do autor define o personagem). Possui duas marcas registradas: o queixo grande e quadrado e um eterno cigarrinho nos lábios. Teve algumas histórias publicadas no Brasil pela L&PM nos anos 80.
Tanto Quino quanto Fontanarossa receberam vários prêmios. A distinção da Universidade Nacional de Córdoba os insere oficialmente no meio acadêmico. No Brasil, há alguns estudos sobre a personagem Mafalda. As pesquisas são na área de lingüística.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 18h28
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UM POUCO DE QUINO NUNCA É DEMAIS
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 18h27
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17/07/2006
ANGELO AGOSTINI: AUTOR DE IDEAIS CONTRADITÓRIOS
ENTREVISTA: GILBERTO MARINGONI
Angelo Agostini se dizia abolicionista. Mas não vivia esses ideais. Era um homem da elite, que não tinha um necessário compromisso com os negros. As três frases sintetizam o doutorado de Gilberto Maringoni, defendido semana passada no departamento de história da USP (Universidade de São Paulo). A pesquisa durou cinco anos. O interesse por Agostini, no entanto, vem de longe. Começou nos anos 80, quando conheceu parte do trabalho dele. Planejou uma biografia. Adiou o projeto. Adaptou a idéia no doutorado.
Agostini (1843-1910) é um italiano que desenhou em vários jornais cariocas e paulistas da segunda metade do século 19 e início do 20 (a imagem ao lado, de autoria dele, é da "Revista Illustrada", de agosto de 1886). É tido como um dos pioneiros dos quadrinhos. Seus trabalhos têm sido lembrados de um ano para cá. Além da tese, há uma compilação de um dos tablóides onde atuou, o "Diabo Coxo" (Edusp, R$ 65), obra premiada com um HQMix.
Maringoni, 47 anos, é um colecionador de títulos profssionais. O Maringoni autor faz plano de publicar a tese. Quer também editar um álbum, mostrando a visão que Agostini tinha do Rio de Janeiro. O Maringoni jornalista mantém uma coluna no site Carta Maior. Possui cinco livros publicados, como "A Venezuela que se inventa - Poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez (Editora Perseu Abramo, R$ 30). O Maringoni chargista faz dois desenhos, toda semana, no mesmo site onde escreve o jornalista Maringoni (www.cartamaior.com.br). Faz ilustrações há um bom tempo, aqui e no exterior. Trabalhos já viajaram à França, Itália, Espanha, Portugal, Chile, Venezuela. E há também o arquiteto Maringoni. Veio de Bauru para fazer o curso na USP. "Me formei, mas nunca arquitetei nada".
Todos os Maringonis falam na entrevista a seguir, feita por e-mail. Ele comenta a pesquisa, fala de Agostini, do papel e da liberdade artística na imprensa.
- Há um movimento, sutil ainda, de ilustradores que realizam pesquisas nas universidades (lembro-me, de cabeça, do Guazzelli e do Bar, na USP). O que o levou a este doutorado?
- Achei que por impulso próprio não faria esta pesquisa. Eu comprei em sebos grande parte das coleções dos jornais editados pelo Agostini. Tinha o material na mão e achei que seria um desperdício não me aprofundar no assunto. Além do mais, ele viveu numa das épocas de maiores transformações da história do Brasil. São os anos situados entre o fim da Guerra do Paraguai e o início da República Velha. O Brasil deixava para trás os restos da economia colonial, baseada no escravismo, recebi um montante considerável de capitais externos e construía as bases de uma sociedade de classes profundamente desigual e injusta, mas moderna.
- O que você procurou mostrar?
- Fundamentalmente duas coisas. A primeira é que Agostini, embora seja um dos mais destacados ativistas pelo abolicionismo, acompanhou o projeto que a minoria branca - na feliz expressão cunhada pelo governador Cláudio Lembo - tinha para o país: uma sociedade baseada no liberalismo, no trabalho assalariado, que relegou os negros à própria sorte. Secundariamente, mostro a passagem de um tempo em que a imprensa era uma atividade artesanal, de poucas pessoas, para um empreendimento capitalista de grande porte, a exigir pesados investimentos em maquinário, pessoal e matérias primas. Os marcos dessa passagem são a fundação do "Jornal do Brasil" (1892) e da casa publicadora "O Malho" (1902), o primeiro conglomerado de imprensa da América do Sul.
- Qual a conclusão do estudo?
- Que embora Agostini fosse um abolicionista, isso não implicava um compromisso maior com os negros ou com as classes populares. Era um homem da elite ilustrada, com seus parâmetros e visões de mundo. Era genial, mas elitista, como Joaquim Nabuco, Rui Barbosa e outros (ao lado, reverência à princesa Isabel, em ilustração de julho de 1888).
- Qual o papel de Angelo Agostini: 1) na história da imprensa nacional; 2) na história da história em quadrinhos?
- Agostini atuou por 44 anos na imprensa. É uma das carreiras mais longas de nossa história. Sua importância é decisiva na implantação de uma imprensa ilustrada e de agitação em nosso país. Além disso, seus painéis sobre a escravidão são o melhor retrato visual da barbárie social dos anos 1880. Na história das histórias em quadrinhos, ele deve ser apontado como um dos principais precursores, ao lado do suíço Rudolph Topffer e do alemão Willheim Busch. Ele fez aqui algo que não existia em parte alguma: um romance seriado totalmente ilustrado, com duração de 24 anos, recheado de interrupções.
- Agostini é mesmo o primeiro quadrinista brasileiro?
- Há outros desenhistas que fizeram imagens em seqüência antes dele. Ele pode ser classificado como um dos primeiros.
- Você vê a charge como um tipo de história em quadrinhos? Ou é um produto à parte?
- Quadrinhos feitos em cima de fatos imediatos podem ser classificados como charge. Quando eu era chargista do "Estadão" (1989-1996), fiz quadrinhos de meia página sobre a crise do governo Collor. Era uma espécie de "charge seqüencial" para usar um termo bacana.
- Você tem uma longa trajetória na arte visual brasileira. Hoje, há liberdade na imprensa brasileira para a produção de charges?
- Eu acho que existe em alguns jornais. Não acho que estejamos na melhor fase da produção de humor político na imprensa. Passada a fase da ditadura, quando todos os chargistas eram de oposição e a fase da queda do Collor, há uma diversificação grande da produção. Mas não sinto que estejamos - tirando honrosas exceções, como o Angeli e outros - numa fase muito criativa. Não sei bem o motivo, mas me espanta ver charges abertamente preconceituosas e repetidoras da desinformação que a grande imprensa tenta disseminar contra alguns temas muito polêmicos, como os sem-terra, a nacionalização do gás boliviano, cuba, Venezuela etc.
Categoria: ENTREVISTA
Escrito por PAULO RAMOS às 11h48
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16/07/2006
SEMANA ABARROTADA DE LANÇAMENTOS
Esta semana começa com uma série de lançamentos, todos de destaque. É raro haver tantas obras relevantes chegando de uma só vez às bancas e livrarias. Os títulos vão desde clássicos dos quadrinhos, como Tintin, até histórias nacionais, caso de Ozzy, do cartunista Angeli. Confira:
O Cetro de Ottokar / O Caranguejo das Pinças de Ouro (R$ 34,50 cada um) – São dois álbuns com aventuras de Tintin, relançados pela Companhia das Letras (a informação tinha sido antecipada em postagem do dia 23 de maio). A editora pretende republicar em ordem cronológica todas as histórias do jovem repórter, criado por Herge em 1929. Em dezembro, programou mais três volumes: "A Estrela Misteriosa", O Segredo do Licorne" e "O Tesouro de Rackham, o Terrível". Entre os lançamentos, destaque para o encontro de Tintin com o Capitão Haddock, em "O Caranguejo das Pinças de Ouro".
Ozzy 1 – Caramba! Mas que garoto Rabugento! / Ozzy 2 Tirex e mais uma cambada de bichos de estimação (R$ 24 cada um) – Outros dois lançamentos da Companhia das Letras, que confirma o interesse da editora na publicação de quadrinhos nacionais (a exemplo do premiado "Santô e os Pais da Aviação", de Spacca). Ozzy é a versão infantil dos tipos urbanos criados por Angeli. O visual do personagem comprova. As histórias foram publicadas na "Folha de S.Paulo" entre 1993 e 1999 e eram voltadas para crianças. Talvez por isso, Angeli usa e abusa dos recursos gráficos. É um dos trabalhos dele mais criativos em termos visuais. Dois novos números foram programados para novembro.
Adolf – Volume 2 (R$ 27,90) – Continuação da história criada por Osamu Tezuka, tido como o pai dos quadrinhos japoneses. Conta a trajetória de três pessoas chamadas Adolf (um deles o próprio Hitler). A trama é vivida e narrada pelo repórter Sohei Toge. É por meio dele que Tezuka mostra o desenrolar do mistério que envolve os bastidores do partido nazista. É um dos trabalhos mais autores do artista japonês. Um exercício de como fazer uma boa quadrinhos. O primeiro volume foi lançado no começo de maio (ver postagem do dia 03.05). A edição é da Conrad.
Nausicaa do Vale do Vento – Volume 1 (R$ 29,90) – Outro mangá lançado pela Conrad, editora que tem se especializado no gênero. A história, um conto fantástico, em si já se sustenta. Mas o destaque da obra é o autor, Hayao Miyazaki. É o mesmo do desenho japonês "A Viagem de Chihiro", muito conhecido aqui no Brasil.
Y – O Último Homem (R$ 56) – Todos os homens do mundo morrem na mesma hora. Sobram apenas as mulheres e o escapista Yorick Brown, o único representante do sexo masculino. A trama parte dessa premissa e mescla elementos de histórias sobre o fim do mundo com algo do seriado "Lost". Há um mistério, resta desvendá-lo. Brian K. Vaughan cria um roteiro intrigante neste primeiro arco, publicado originalmente na Vertigo (selo adulto da DC Comics). O escritor iria se superar, anos depois, com Ex-Machina, lançado pela Panini. A versão nacional de "Y- O Último Homem" tem acabamento de luxo (capa dura, papel especial), política adotada pela Opera Graphica para suas edições.
Os Maiores Clássicos do Quarteto Fantástico – Volume 2 (R$ 24,90) – Mostra nove histórias do grupo criado por Stan Lee e Jack Kirby para a Marvel Comics. Reúne a fase desenvolvida pelo escritor e desenhista John Byrne, nos anos 80. Era a época áurea de Byrne nos quadrinhos norte-americanos. Anos depois, foi convidado a reescrever a origem do Super-Homem para a concorrente DC Comics. No Quarteto, criou uma das melhores fases dos heróis. Esta edição da Panini tinha sido agendada para o primeiro trimestre e foi reprogramada para junho. Chega às bancas neste começo de julho.
XIII – Número 2 (R$ 22,90) – Dá seqüência à história do Agente XIII, desmemoriado e perseguido. Tem um pouco de "O Fugitivo", tem outro tanto de "A identidade Bourne". Esta edição reúne os números três e quatro da revista, publicada pela francesa Dargaud (leia na postagem do dia 28 de junho). Ao lado de "Aldebaran", do brasileiro Leo, é o segundo título europeu da Panini. A editora italiana está em franca expansão. Anunciou hoje que fechou contrato com a Virgin Comics, com sede na Índia. O acordo deve trazer ao Brasil mais títulos fora do circuito Estados Unidos/Japão.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 17h12
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13/07/2006
SUPERMAN OU SUPER-HOMEM?
O lançamento do novo filme do homem de aço escancarou uma discussão até então restrita a leitores de quadrinhos: Superman ou Super-Homem. O nome oficial do filme é em inglês ("Superman - O Retorno"). Na revista mensal do personagem, a mesma coisa. A mídia se dividiu. Uns noticiaram a forma traduzida. Outros, acompanharam a versão do longa-metragem. Quem tem razão? A discussão é antiga e acompanhou a trajetória do herói de Krypton desde que começou a ser publicado no Brasil.
O super-herói estreou por aqui no fim de 1940, dois anos após sua criação. Foi no oitavo número da revista "Lobinho". Fez fama na EBAL (Editora Brasil-América), de Adolfo Aizen. Foi editado de 1947 até o começo dos anos 80. As revistas traziam uma contradição no uso do nome. O logotipo da capa mostrava ora "Superman", ora "Super-Homem" (a primeira edição, imagem ao lado, usava Superman). Dentro da obra, reinava a forma em português. Sua eterna paixão, a repórter Lois Lane, era Míriam Lane.
Em 1984, o personagem trocou de editora. Saiu da EBAL e se mudou para a Abril. A nova casa padronizou "Super-Homem", tanto na capa como nas aventuras (abaixo, a capa da primeira edição). O tempo guardaria duas mudanças. A primeira foi em 1987, durante a
publicação da série "Crise nas Infinitas Terras", que revolucionou os personagens da DC Comics. A mudança radical no rumo das histórias foi o mote para mudar o nome de Míriam Lane, agora Lois Lane, forma mantida até hoje. A primeira história com o "novo" nome saiu em agosto de 1987, na revista mensal do herói (número 38). "Crise" também estimulou um primeiro debate sobre a padronização do termo em inglês. "A redação ficou dividida entre os puristas e os não-puristas", conta Leandro Luigi Del Manto, um dos editores da época, hoje na Devir. "No fim, nós optamos por manter".
O cerne da idéia já havia sido plantado. O debate foi adiado até o ano 2000. A Abril havia decidido abandonar o formatinho (convenção para se referir à revista em formato menor) e lançar os títulos em formato maior, com mais páginas, papel especial, preço maior. As edições foram chamadas de Premium. Essa nova mudança foi o momento escolhido para padronizar a forma em inglês, forma mantida pela Panini quando passou a publicar o personagem, poucos anos depois.
O redator-chefe da Abril, Sérgio Figueiredo, conta que não houve uma determinação da DC Comics para a troca dos nomes. A decisão foi dele. Figueiredo diz que se baseou em alguns pontos: 1) momento de mudança editorial dos formatinhos para a linha Premium e privilegiar a sonoridade do nome; 2) unificar a comunicação visual da marca Superman (nome visto em outros produtos além dos quadrinhos); 3) padronizar à forma em inglês, usada no filme com Christopher Reeve e no seriado "Lois & Clark - As Novas Aventuras do Superman"; 4) adequar a uma das formas usadaspela EBAL; 5) evitar a adaptação do logotipo com o nome do herói na capa (o logotipo original "Superman", em perspectiva, tinha de ser refeito para comportar todas as letras de "Super-Homem", além do hífen; ele entende que o logo em inglês "é mais elegante e tem mais apelo").
"Em resumo, se o logotipo original é mais elegante, se a sonoridade é melhor, se ele é reconhecido pelo nome em inglês, se a popularidade do filme e da série de TV era inquestionável, se o personagem era assim chamado antes do período Abril, se a DC Comics preferia desta forma e se o novo título ajudava a alavancar a revista Premium [uma das capa ao lado]... por que não mudar?", diz. E acrescenta: "Que fique registrado um último comentário, nada científico, apenas pessoal. Acima de tudo, eu acho que tanto faz. É como discutir o sexo dos anjos, sabe? Crianças e adultos reconhecem o personagem por qualquer um dos nomes."
Há quem veja problemas na troca de nome. O professor de lingüística da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Kanavillil Rajagopalan, considera a mudança uma forma de dominação por meio da língua. "Acho que estamos diante de um episódio sintomático. Duvido, por exemplo, que, se o caso fosse ao contrário, isto é, se a marca fosse brasileira, haveria tanta preocupação em manter a forma, pronúncia e grafia do nome original. No fundo, no fundo, o que está sendo "vendido" não é só o produto; é "a origem estrangeira (leia-se norte-americana)" do produto. Como se isso lhe conferisse uma "aura" adicional", diz.
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