30/06/2006
CHARGES DA SELEÇÃO DURANTE OS JOGOS DA COPA

Categoria: DICA
30/06/2006
CHARGES DA SELEÇÃO DURANTE OS JOGOS DA COPA
Jogo é imagem. Internet é interação. O jogo na internet une imagem e interação. A equação resume o raciocínio do cartunista José Alberto Lovetro, o JAL. Ele faz nesta Copa o que chama de cobertura interativa das partidas. Cria charges durante a transmissão do jogo. O material pode ser visto em tempo real na página que mantém na internet. A iniciativa tem conseguido boa repercussão. O UOL, que sedia a página, tem colocado uma grande chamada na página principal do portal durante as partidas.
"Acompanho direto as notícias que estão entrando nos provedores e achei que é preciso mais agilidade também em nosso material (cartuns, charges, ilustrações ) para acompanhar os acontecimentos mais importantes", diz o ilustrador, que também é presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil. "A idéia de fazer isso no blog foi para testar a interatividade no calor dos acontecimentos, coisa não feita antes, que eu tenha conhecimento."
O interessante, segundo ele, é mesmo a interação com o leitor da página. "O que é legal é ver a resposta dos internautas ao mesmo momento em que posto uma charge no fotoblog. É como sair da televisão e fazer teatro para um ator." Para ele, o futuro do trabalho do chargista passa por essa questão. "Os jornais impressos estão se matando mais rápido do que seria o natural por uma idéia editorial errada em valorizar apenas o factual em detrimento do artístico. A interatividade do chargista com o público, que está sendo esquecida por nossos editores é a liga que faz alguém ainda ler algo impresso."´
As charges de jogos anteriores estão disponíveis no fotoblog. A desta postagem mostra a brincadeira feita após um dos gols de Ronaldo. Há ainda uma provocação muito engraçada sobre a desclassificação da Argentina (veja na postagem abaixo). As da partida entre Brasil e França poderão ser acompanhadas no momento do jogo, que começa às 16h deste sábado (30.06).
Para acessar a página, clique aqui. Categoria: DICA 29/06/2006
BEM-VINDO A MAIS UM PASSEIO POR ASTRO CITY
Não é de hoje que os quadrinhos de super-heróis vivem à cata de realismo. O escritor inglês Alan Moore escancarou o tema em "Watchmen", uma das mais lembradas obras do gênero. O realismo excessivo ajudou a mudar o rumo para onde apontava a bússola do mercado americano. O estilo e o conteúdo do roteiro (o papel dos heróis na sociedade) são copiados até hoje. Houve quem dissesse que não se tratava de uma homenagem ao gênero. O ultra-realismo teria causado um "efeito perverso" e decretado o início do fim dos super-heróis.
Vinte anos depois, o impacto da minissérie merece releitura. Se vingar a idéia de que Moore sepultou os heróis (o que é questionável), Kurt Busiek os resgatou, como mostra o álbum "Astro City: Inquisição", que chega a partir desta sexta-feira às lojas especializadas em quadrinhos (editora Devir, R$ 45). São histórias inéditas no Brasil (ao lado, a imagem da capa, pintada por Alex Ross).
Busiek é o criador da cidade imaginária (a exemplo da Metrópolis do Super-Homem e da Gotham City do Batman) que concentra super-heróis. Eles fazem parte do cenário do município, são sua principal atração turística, convivem harmonicamente com os moradores. O autor também abusa do realismo, coloca os heróis ali ao lado do leitor. Mas, ao contrário de Moore, deixa claro que se trata de uma homenagem a eles.
O segredo de Busiek está no enfoque. O olhar é o da pessoa comum, que interage com os personagens míticos. É o mesmo que fez em "Marvels", outro trabalho em outra editora. A estratégia serve para realçar o lado de mito dos heróis. Eles estão lá, usando e abusando de seus poderes, e eu, pessoa comum/leitor, fico só na espreita, observando, reverenciando. Consegue-se um realismo e uma humanidade ainda maiores do que os de Moore. São trilhas que partem de um mesmo ponto, mas que seguem caminhos diferentes.
A pessoa comum foi o mote das primeiras histórias que saíram no Brasil, publicadas inicialmente em forma de minissérie (três números, entre janeiro e maio de 2002) e depois reunidas em álbum ("Vida na Cidade Grande"). Ambos saíram pela editora Pandora. O arco "Inquisição" -da Devir- também se vale da estratégia da pessoa comum, com uma diferença sutil. Aqui, quem conduz a história é um jovem, fascinado pelos heróis. Abandona o orfanato onde vivia, pega um ônibus e arrisca a vida na cidade dos super-heróis. Torna-se um deles. Um herói sem o super.
O jovem Brian Kenney não tem poderes. O acaso o faz parceiro de um herói de roupas negras, capa, que captura a bandidagem nos becos e que usa o medo como estratégia. Batman? Não, Inquisidor (que inspira o título do arco, publicado nos número de quatro a nove da série). Robin? Não, Altar Boy. A associação é obrigatória e intencional. Busiek recria os personagens tradicionais da DC Comics em outra roupagem. Muda os rostos e os nomes apenas mostrar ao leitor que um elemento-chave fica preservado: o mito. Não importa se é Batman ou Inquisidor, Robin ou Altar Boy, Gotham City ou Shadow Hill, a batcaverna ou a igreja que serve de esconderijo ao herói em Astro City. O mito se mantém.
Há outras referências. A versão do Super-Homem é o Samaritano (nesta tradução, a Devir optou acertadamente pelo original "Samaritan", nome mantido nas edições da Pandora). A Primeira Família seria o Quarteto Fantástico. E por aí vai. Há também referências a figuras importantes da história (norte-americana) dos quadrinhos, outra homenagem de Busiek. Estariam lá, perdidas no meio da trama desenhada por Brent Anderson, não fossem as explicações nas notas de rodapé, esforço louvável do editor Leandro Luigi del Manto. Outro ponto positivo é voltar a publicar a série com histórias inéditas, o que não ocorreu com "Preacher" (voltou aos primeiros números, em álbum também publicado pela Devir).
O escritor e desenhista Frank Miller dizia que, para ele, bastava uma cidade para tecer suas histórias. Criou Sin City e a associou à escuridão, valentia, corrupção, relações desregradas, humanidade. Kurt Busiek é o oposto. Astro City também usa a cidade como palco da trama. Mas traz brilho, heroísmo, humanidade, poderes. Uma outra forma de humanidade, do tipo que faz uma ode aos super-heróis. Busiek assumiu recentemente os textos da revista mensal do Super-Homem nos Estados Unidos. É algo para ficar de olho. O escritor é fã assumido do personagem. É como se Astro City e Marvels fossem um ensaio para a peça principal.
"Você está deixando Astro City. Por favor, dirija com cuidado" (se não entendeu a referência, é porque nunca visitou Astro City). Categoria: NOTÍCIA 28/06/2006
INVASÃO EUROPÉIA 1: EL GAUCHO
Numa mesma semana, três lançamentos de quadrinhos europeus. Anunciado há algumas semanas, o italiano "El Gaucho" começa a chegar nesta quinta-feira (29.06) às bancas. É uma parceria dos respeitados Milo Manara e Hugo Pratt. As outras novidades são lançadas com atraso de quase dois meses (tinham sido anunciadas para maio, data que aparece na contracapa dos dois títulos). "XIII" e "Aldebaran" são a aposta da editora Panini na publicação de material europeu. Os dois álbuns pertencem à editora francesa Dargaud. Dos três títulos, o maior destaque é "El Gaucho" (editora Conrad, R$ 39). As atenções se voltam mais para os autores do que a obra em si, que mostra os interesses (comerciais) ingleses para libertar os colonos de Buenos Aires do domínio espanhol no século XIX. Um encontro de dois nomes como Manara e Pratt não é algo difícil de passar despercebido. Os dois construíram carreira fartamente reconhecida na Europa e nas Américas. Manara criou obras como "O Clic" e "Gullivera" e é muito conhecido por desenhar mulheres nuas. Pratt é o criador de Corto Maltese, aventureiro que percorre os mais diferentes pontos do planeta e que funciona como alter-ego de Pratt (leia na postagem do dia 25 de maio). Todas esses títulos foram lançados recentemente no Brasil. Outros estão programados. "El Gaucho" é uma parceria na verdadeira acepção da palavra. Pratt e Manara mantinham uma relação de mestre/aprendiz. Isso aparece na obra. Há um pouquinho de cada um, e o melhor dos dois. A presença de Pratt fica clara no texto. Mudam os personagens, mas a sensação, em muitos momentos, é de estar lendo uma história de Corto Maltese. Estão lá o mar, as embarcações, a aventura, a América do Sul (Pratt morou na Argentina por alguns anos e teve passagens pelo Brasil). De Manara, sobressaem-se os desenhos e suas mulheres nuas, a marca de seu trabalho. Os lançamentos franceses estão na postagem abaixo.
Há um trecho de "El Gaucho" disponível na internet. Para acessar, clique aqui. Categoria: NOTÍCIA
INVASÃO EUROPÉIA 2: XIII E ALDEBARAN (DE UM BRASILEIRO) ![]() Virada para a França. Dos títulos da editora Dargaud que chegam nesta semana às bancas e lojas especializadas, o interesse recai sobre "Aldebaran" (editora Panini, R$ 22,90). Por dois motivos: a história trabalha com a curiosidade e consegue "fisgar" o leitor logo no início; o autor, Leo, é, na verdade, o carioca Luís Eduardo de Oliveira, hoje com 62 anos.
Leo é um bom caso de brasileiro que trocou o país de berço pela Europa em busca de melhores chances para publicar. Conseguiu. A trajetória começou nos anos 70. Cansado do exílio e da sucessiva transferência de cidade para cidade (fugindo dos militares durante o período da ditadura), ele se estabeleceu em São Paulo e resolveu se dedicar aos desenhos. Publicou na brasileira "O Bicho". Encantou-se com o quadrinho europeu, a ponto de justificar uma mudança para Paris, em 1981, para editar na França, onde quadrinhos são arte. Alguns anos depois, conheceu Jean-Claude Forest, criador de Barbarella e, com ele, ganhou destaque. O trabalho de maior projeção, no entanto, seria o "Aldebaran", que agora é lançado no Brasil.
A série foi publicada em partes (ou tomos, como se costuma usar no quadrinho francês). O álbum da Panini compila os dois primeiros. A saga foi contada em cinco tomos, publicados (segundo o site oficial da Dargaud) entre 1990 e 1998). Mostra a vida no planeta Aldebaran. Os habitantes testemunham uma série de mudanças ambientais, um presságio da chegada de uma poderosa criatura. Os segredos articulam a história dos sobreviventes. O mistério sobre o que estaria ocorrendo mantém -e sabe manter- a curiosidade do leitor. Gerou uma seqüência, "Bételgeuse". Leo deixa escapar seu lado brasileiro em ao menos três momentos. A vila pesqueira, mostrada logo no início da obra, assemelha-se muito a praias do nosso nordeste. O outro ponto é um toque autobiográfico. A polícia -aqui, sob o domínio da Igreja- exerce um papel autoritário, torturador e unilateral, parecido com os militares brasileiros de quem Leo fugiu por anos. Além de uma menção a músicas de Tom Jobim.
"XIII" (editora Panini, R$ 22,90) também aposta no mistério. Relata a história de um homem, que desperta numa praia sem memória. A ligação com o passado está na tatuagem XIII, fixada em sua clavícula direita. A contracapa do título o associa ao filme "A Identidade Bourne". Correta a ligação, mas um quê de "O Fugitivo". O protagonista é perseguido e sempre escapa. A história, de W. Vance e J. van Hamme, também é contada em tomos. Esta edição reúne as duas primeiras partes. As primeiras histórias saíram entre 1984 e 1985 na revista "Spirou", bastante conhecida -e vendida- na França. Tem tido, desde então, uma média de um novo álbum por ano. O último é de 2005.
A Panini não divulgou, mas se supõe que publicará os demais tomos de "XIII" e "Aldebaran". Mesmo com os constantes -e misteriosos- atrasos (os dois álbuns tinham sido anunciados para maio), a editora tem honrado o compromisso de terminar aquilo que põe nas bancas.
Leia sobre o lançamento de "El Gaucho" na postagem acima. Categoria: NOTÍCIA 27/06/2006
EDITORA (RE)LANÇA PRIMEIRO VOLUME DE PRÍNCIPE VALENTE
Os anos têm sido generosos com o Príncipe Valente. As décadas passam e as edições nacionais do personagem mantêm o mesmo ar de nobreza. Desde 1974, suas aventuras ganharam 18 álbuns de luxo, com capa dura e formato grande. Todas essas características foram preservadas pela Editora Opera Graphica no (re)lançamento do primeiro volume, que mostra o começo da saga vivida pelo herói. São as primeiras aventuras, da segunda metade da década de 30 (foi criado em 1937, nos Estados Unidos). A obra começa a ser vendida no fim desta semana. O lançamento foi marcado para o próximo sábado, em São Paulo.
"Príncipe Valente: nos Tempos do Rei Arthur" (R$ 79) não reproduz apenas as histórias da versão original, lançada em 1974 pela EBAL, Editora Brasil-América. Novas cópias deram mais definição aos traços de Foster. A capa é diferente (veja na imagem acima) e foi feita uma outra tradução. Uma introdução, escrita por Franco de Rosa, contextualiza quem é o personagem, quem foram seus autores e qual o papel do príncipe para Adolfo Aizen, fundador da EBAL. Um segundo texto, de Fábio Santoro, reconstitui a trajetória da publicação do Príncipe no Brasil, trajetória que tem como protagonistas Roberto Marinho e Aizen. Foi este quem publicou o personagem pela primeira vez no Brasil, em 19 de junho de 1937, na edição número 393 do "Suplemento Juvenil" (quatro meses após o lançamento nos Estados Unidos). Dois anos depois, Marinho tirou de Aizen os direitos de publicação do material da King Features Syndicate, distribuidora do Príncipe Valente, entre outras criações. O "troco" veio em 1974, quando Aizen voltou a editá-lo, agora em álbuns de luxo (formato que a Opera Graphica manteve).
São muitas as histórias de Adolfo Aizen, pioneiro na edição de quadrinhos no Brasil. Uma delas, relatada por Franco de Rosa, conta que seus olhos marejaram quando viu a versão editada das páginas dominicais de "O Príncipe Valente". Era como um o reencontro de um filho pródigo, trinta e cinco anos depois. Aizen, dizem quem o conheceu, transferia para suas edições grande parte da paixão que nutria pelos quadrinhos. Não é por acaso que o Príncipe Valente ganhou roupagem de luxo também no papel. Os álbuns de capa dura saíram num formato ainda hoje ousado para o mercado brasileiro, 27,5 cm por 36 cm. Foram 15 edições pela Ebal, publicadas entre 1974 e 1997. A última foi a de número XV.
A Opera Graphica soube perceber que a morte de Aizen, em 1991, deixava um vácuo (quase) impreenchível e um legado a ser seguido. A editora prendeu-se ao legado. Passou a publicar material da King Features Syndicate e deu continuidade ao trabalho de Aizen. Desde 2001, edita as histórias do Príncipe Valente do ponto onde a Ebal parou (e no mesmo formato). Já saíram os números XVI, XVII e XVIII. Está programado o volume XIX. O formato maior e a capa dura têm sido transferidos a edições de outros personagens, como a que comemora os 50 anos do Fantasma, lançada neste mês (leia postagem do dia 6 de junho). Outra, que reunirá as primeiras tiras do Recruta Zero, deverá ter o mesmo tratamento (ver postagem do dia 11 de maio). Cada edição conserva viva a memória de Aizen e consolida a aproximação entre Ebal e Opera Graphica.
(Re)editar o clássico personagem é relembrar também uma outra figura importante para a consolidação dos quadrinhos: Hal Foster. Ele ficou conhecido por ter desenhado Tarzan no começo da década de 30. Abandonou o homem-macaco para se dedicar a Príncipe Valente, sua maior criação. Escreveu e fez a arte do personagem até 1971, quando passou a se dedicar apenas aos textos. Roteirizou a saga, publicada em páginas semanais nos jornais americanos, até o começo dos anos 80 (sua última história data de 10 de fevereiro de 1980). Foi substituído por John Cullen Murphy, que ficou à frente das histórias até 2004. Hoje, é escrito por Mark Schultz e desenhado por Gary Gianni. Foster morreu em 25 de julho de 1982.
Outras editoras brasileiras já publicaram o personagem nas décadas de 70 (editora Paladino) e 90 (Nova Sampa, em formato de bolso). Nenhuma com a qualidade da EBAL, mantida e aprimorada pela Opera Graphica. A editora paulista soube carregar o rótulo de continuadora do trabalho de Aizen. Até aqui, com méritos. Faz trabalho de quem é fã de quadrinhos.
O lançamento de "Príncipe Valente: nos Tempos do Rei Arthur" vai ser no próximo sábado (primeiro de julho) na Comix, loja especializada em quadrinhos. Fica na alameda Jaú, 1998, em São Paulo (perto da av. Paulista). Lá, é possível encontrar as antigas edições da EBAL e as editadas pela Opera Graphica.
Há um livro que analisa Príncipe Valente, considerada a obra-prima de Hal Foster. Leia na postagem abaixo. Categoria: NOTÍCIA
ALGUMAS LEITURAS DE PRÍNCIPE VALENTE
Guimarães é mestre em ciências pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). O título pode ser comprado no site da editora Marca de Fantasia. Para acessar, clique aqui.
Categoria: NOTÍCIA 26/06/2006
COMUNICAÇÃO VISUAL PODE GANHAR ÓRGÃO FEDERAL
O Brasil pode ter um órgão, ligado ao governo federal, que teria como objetivo discutir e planejar políticas ligadas à área da comunicação visual (entre elas, histórias em quadrinhos). A idéia caminha a passos largos. Já foi marcado um seminário para discutir o assunto. Está agendado para agosto, no Rio de Janeiro. O encontro foi pedido pelo Ministério da Cultura.
Na prática, indica que o governo federal deve acatar a criação da Câmara Setorial de Comunicação Visual, como vem sendo provisoriamente chamada. A pauta do seminário no Rio de Janeiro é definir como será o funcionamento dessa Câmara, que deve reunir representantes do governo e da sociedade civil. Devem participar do seminário representantes das principais entidades brasileiras da área de ilustração.
As associações ligadas ao setor já discutem o assunto. No último sábado, tornaram público o debate durante a Oitava Bienal Brasileira de Design Gráfico, realizada em São Paulo. Estavam presentes representantes das associações dos cartunistas, do cinema de animação, dos designers gráficos e dos ilustradores do Brasil. No seminário no Rio, em agosto, é aguardada também a presença dos web designers. "É a primeira vez que está havendo essa junção de forças no país", diz José Alberto Lovetro, o JAL, presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil.
Se o seminário obtiver resultados práticos e o governo federal acatar as conclusões do encontro, será algo inédito no país: um órgão, com a função específica de pensar o setor visual brasileiro. "A Câmara seria um lugar de discussão, em que você tem mais facilidade para definir políticas da área visual", afirma o cineasta de animação Céu D´Ellia, um dos articuladores da Câmara Setorial. Mas tudo depende do andamento do seminário. "É importante ter um raciocíonio de sociedade, um setor precisa entender as necessidades do outro".
A Câmara Setorial de Comunicação Visual poderia articular e representar ilustradores, animadores, designers gráficos, web designers, cartunistas, cineastas de animação, quadrinistas, humoristas gráficos, web masters e artistas seqüenciais (caso dos produtores de histórias em quadrinhos). Já existem Câmaras Setoriais para outros setores, como circo, artes cênicas, dança e artes plásticas. Categoria: NOTÍCIA
L&PM LANÇA MAIS LIVROS DE BOLSO COM QUADRINHO NACIONAL
- "Piratas do Tietê 2"
- "Geraldão", "Edipão", "Abobrinhas da Brasilônia" e "Piadas para Sempre" (em dois volumes), todos de Glauco
- "Pagando o Pato", de Ciça (a tira, publicada no Jornal do Brasil, não é editada em livro há um bom tempo)
A maioria compila tiras publicadas nos anos 80 e 90, momento em que o quadrinho urbano de São Paulo começava a ganhar força no cenário nacional (via jornal Folha de S.Paulo) . Algumas edições, caso de Piratas do Tietê, reúnem as tiras pela primeira vez. O custo das obras deve ficar entre R$ 9 e R$ 11. Se não houver alteração, os títulos saem entre setembro e outubro. A coleção de livros de bolso da editora contém outros títulos, lançados em anos anteriores.
A L&PM tem um histórico de publicações de quadrinhos no Brasil. Já editou Corto Maltese, Valentina, Steve Canyon, Popeye, Fantasma, Mandrake, Batman, Super-Homem e muitos autores nacionais, como Edgar Vasques (Rango, outro título da coleção). Nos anos 90, a área de quadrinhos entrou em declínio. Ganha novo fôlego agora dentro da coleção Pocket, como são chamados os livros de bolso. Categoria: NOTÍCIA 23/06/2006
UM SUPER-HOMEM, TRÊS HISTÓRIAS
"Superman: Identidade Secreta" venceu o Prêmio HQMix deste ano na categoria melhor minissérie (ao lado, a imagem da capa do encadernado). A história tenta levar ao leitor a seguinte pergunta: o que você faria se fosse o Super-Homem? A resposta é dado pelo olhar de um jovem, chamado Clark Kent (o alter ego do homem de aço). Ele é alvo de chacota dos colegas e da família por causa do nome. Até que, um dia, descobre ter todos os poderes do herói de Krypton.
É ficção, claro, mas o tom é de realismo, uma característica do autor, Kurt Busiek (o mesmo de "Marvels" e da série "Astro City"). O escritor recentemente assumiu o texto de uma das revistas mensais do herói nos Estados Unidos. Tenta fazer o mesmo: dar mais realismo e introspecção ao personagem, sem se esquecer dos elementos míticos que o tornaram uma das figuras mais populares do planeta. A arte de Stuart Immonen -que já trabalhou com o personagem por muitos anos, tanto escrevendo quanto suas aventuras- só reforçam o ar realismo de "Identidade Secreta".
A realidade -aqui, trata-se da realidade geopolítica- é também o foco principal de "Superman: entre a Foice e o Martelo". A história parte de uma premissa: e se o foguete que trouxe o homem de aço de Krypton tivesse caído na antiga União Soviética? Que impacto teria na configuração política mundial? Para o escritor Mark Millar, o regime comunista ganharia uma arma militar mais eficaz do que a bomba de hidrogênio. Millar, com a trama, reinterpreta a Guerra Fria, alterando o peso da balança para o lado soviético.
Millar tem a tendência de colocar elementos geopolíticos em suas criações. Fez o mesmo em "Os Supremos", sucesso de vendas nos Estados Unidos. Na nova fase, publicada no Brasil na revista "Marvel Millenium - Homem-Aranha", os heróis da revista intervêm em nações "problemáticas". Na prática, cumprem os interesses políticos dos Estados Unidos, uma clara crítica à invasão do Iraque. Em outro título escrito por ele (mas não criado por ele), "Authority", o grupo de heróis tenta minimizar a miséria de nações além da linha de pobreza, passando por cima dos americanos (outra crítica, agora ao que os Estados Unidos não fazem). É dentro desse prisma que deve ser lido "entre a Foice e o Martelo".
"Superman: Dia do Juízo Final" é a menos conhecida das três minisséries. É uma obra (mais uma) que faz referência à morte do Super-Homem, que foi extremamente popular nos anos 90 (numa luta contra Apocalypse, o herói de Krypton perde a vida; a "morte" durou poucos meses e foi uma das melhores estratégias de marketing da história dos quadrinhos). "Dia do Juízo Final" traz a volta (mais uma) dos dois "assassinos" do homem de aço: Apocalypse e o escritor/desenhista Dan Jurgens, o escritor/desenhista da aventura que mostrava o herói sendo morto. A idéia funcionou na primeira vez. A chama da novidade já tinha se apagado quando esta minissérie saiu nos Estados Unidos. A editora demorou para perceber isso.
A editora Panini promete mais histórias do homem de aço. Em "Grandes Clássicos DC", deve reunir outra minissérie, "As Quatro Estações", que mantém o clima da série de TV "Smallville". Foi assinada por consultor dos quatro primeiros anos do seriado, Jeph Loeb. Deve sair também material escrito pelo cultuado escritor britânico Alan Moore. As duas histórias estã entre mais lembradas do homem de aço.
A dúvida é saber quando os títulos vão chegar às bancas. A editora Panini tem sistematicamente atrasado os lançamentos de obras especiais. A empresa anuncia as edições, não lança e não explica ao leitor e à imprensa o que acontece. Categoria: RESENHAS
JAGUAR DEVOLVE MEDALHA A VEREADORES DO RIO Seria piada, não fosse verdade. A última do cartunista Jaguar: ele devolveu nesta semana aos vereadores cariocas a medalha Pedro Ernesto, considerada a maior condecoração do Rio de Janeiro. Motivo da devolução: não quer dividir a "honra" com o ex-deputado federal Roberto Jefferson, do PTB, agraciado com a mesma medalha há pouco mais de uma semana. Jefferson foi um dos cassados pela Câmara dos Deputados no ano passado em razão do escândalo do mensalão. Jaguar havia recebido a homenagem há oito anos.
A informação foi antecipada na coluna que Jaguar mantém no jornal "O Dia", do Rio de Janeiro. O Blog reproduz um trecho:
E agora, mudando de assunto, hoje, quarta, às três horas da tarde, vou devolver a medalha Pedro Ernesto que a Câmara de Vereadores me deu. Se é que tem alguém trabalhando lá a essa hora. Desconfio que o Ancelmo Góis tem um olheiro no Bracarense. Falei de sacanagem no boteco que me recusava a ser colega de medalha do Roberto Jefferson, a notícia saiu no dia seguinte na coluna dele.
Coisa parecida aconteceu quando joguei ovos na Academia Brasileira de Letras no dia da posse de Roberto Campos. Depois que o presidente da ABL disse “Jaguar é covarde, não vai fazer isso”, Ancelmo publicou e lá fui eu, “pressionado pela mídia”, como Ronaldo Fenômeno, aliás Fenô, porque não está jogando nem metade do que sabe. Aluguei no Mundo Teatral um fardão de imortal, troquei de roupa no Vilarinho e, depois de tomar algumas doses para espantar a covardia, joguei meia dúzia de ovos nas paredes do vetusto prédio, devidamente cozidos para não emporcalhar mais ainda a cidade.
E por falar em sacanagem, pô, Bussunda!
"O Dia" também repercutiu o assunto. A reportagem é de Madalena Romeo e está disponível no site do jornal. Ela conta a divertida trajetória de Jaguar para devolver a medalha. Deixou os funcionários da Câmara dos Vereadores sem saber o que fazer. Leia um trecho:
Foi andando até a Câmara e deixou os servidores atônitos, ao pedir que protocolassem a devolução. “Isso é no segundo andar”, reagiu a balconista, como se existisse departamento de devolução de medalhas. A situação era inédita e foram tirar do plenário a presidente em exercício da Câmara, vereadora Leila do Flamengo.
Política, ela compromenteu-se a mudar os critérios de condecoração para evitar vexames e convidou Jaguar a ir a Plenário. “Não dá. Vou ver Argentina e Holanda no Amarelinho”, respondeu. Com a medalha em mãos, a vereadora prometeu que iria ao bar para entregar-lhe o protocolo. A caminho do Amarelinho, Jaguar era só indagações: “Você sabia que a Leila do Flamengo mora na Barra? Você acha que ela virá ao bar? Você confia em político?” No intervalo do jogo, duas saideiras depois, deve ter encontrado respostas. Despediu-se e partiu sem o protocolo mesmo.
Jaguar -ou Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe- trabalha com humor gráfico desde os naos 50. Foi um dos responsáveis pelo tablóide "O Pasquim", jornal conhecido servir de resistência ao regime militar. Para ler a reportagem de "O Dia" sobre o assunto, clique aqui. Categoria: NA MÍDIA 22/06/2006
PALESTRA SOBRE QUADRINHOS? TEM PRA ESCOLHER ![]() Esta sexta-feira à noite (23.06) terá duas palestras sobre quadrinhos em São Paulo. A primeira é sobre a revista "O Tico-tico". Será feita por Waldomiro Vergueiro e Roberto Elísio dos Santos, organizadores do livro "O Tico-tico 100 Anos - Centenário da primeira revista de quadrinhos do Brasil, lançada no começo deste ano (Opera Graphica, R$ 139; imagem da capa acima). Os dois devem falar da trajetória da obra ao longo dos anos. Após a exposição, haverá uma sessão de autógrafos. Vergueiro é professor da Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo) e coordenador do Núcleo de Pesquisa de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP. Santos, também integrante do Núcleo, é professor da Universidade IMES.
A outra palestra é dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá. O bate-papo é promovido pela Quanta Academia de Artes. A dupla -que criou as histórias de "10 Pãezinhos"- vai falar dos trabalhos feitos para o exterior (como "De:tales", que reúne contos urbanos do Brasil, publicado pela editora norte-americana Dark Horse; imagem da capa acima) e também do processo de produção de quadrinhos. No blog que eles mantêm no UOL, os dois desenhistas anteciparam um pouco do que pensam a respeito. "Não existe um só caminho e o nosso pode não servir pra você, mas o mais importante é saber aonde você quer chegar. Temos uma revista independente e um livro novo pra publicar este ano. Nós sabemos onde queremos chegar e é sobre isso que vamos falar."
O único senão é que as duas palestras ocorrem quase no mesmo horário: sobre "O Tico-Tico" começa às 19h e a de Bá e Moon, às 20h. Uma é perto da outra e o trajeto pode ser feito rapidamente de metrô. É possível ir às duas, perdendo o começo de uma e o fim da outra. Ou, então, opte por uma delas.
SERVIÇO
O Tico-tico: a primeira revista de quadrinhos no Brasil. Quando: sexta-feira, 23.06. Horário: 19h. Local: Gibiteca Henfil. Endereço: Rua Vergueiro, 1000, São Paulo (próximo ao metrô Vergueiro).
Quanta Gente, com Gabriel Bá e Fábio Moon. Quando: sexta-feira, 23.06. Horário: 20h. Local: Quanta Academia de Artes - Unidade I. Endereço: rua Minas Gerais, 27, São Paulo (próximo ao metrô Consolação).
Em tempo: há uma prévia da revista "De:tales", de Bá e Moon, disponível no site da editora Dark Horse. Para ler, clique aqui. Categoria: NOTÍCIA
OUTRAS COPAS Nos 30 anos de carreira, o chargista Cláudio produziu material de sobra a respeito de Copa do Mundo. Parte do acervo é apresentada em doses diárias no blog que ele mantém no UOL. Há raridades, como uma caricatura de Claúdio Coutinho, técnico da seleção brasileiro de 1978.Há também charges sobre este Mundial (Ronaldinho é a vítima preferida). O interessante é comparar os desenhos desta com os de outras Copas. Algumas piadas continuam atuais (como na charge ao lado).
Para conhecer o site de Cláudio, clique aqui.
Categoria: DICA 21/06/2006
EDITORA EBAL VIRA TEMA DE PESQUISA NA USP
ENTREVISTA: RODRIGO ARCO E FLEXA Uma história pode ser contada de várias formas. Depende do ângulo dado ao assunto. O jornalista e pesquisador Rodrigo Arco e Flexa preencheu mais uma etapa da longa trajetória da Editora Brasil-América, ou só EBAL. Ele escolheu um momento específico da empresa criada por Adolfo Aizen (1907-1991), o da publicação dos quadrinhos de super-heróis entre os anos 60 e 70. Foi uma fase de proliferação das revistas do gênero.A pesquisa levou três anos para ficar pronta. Foi o tema de seu mestrado na Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo), intitulado "Super-Heróis da EBAL - A publicação nacional dos personagens dos ´comic books´ dos EUA pela Editora Brasil-América (EBAL), décadas de 1960 e 70". A defesa -que conferiu a ele o título de mestre em ciências da comunicação- foi na última terça-feira (20.06).
Nesta entrevista, feita por e-mail, o paulistano Rodrigo Arco e Flexa conta mais detalhes da pesquisa sobre os quadrinhos da EBAL, material que lê desde os sete anos (hoje, está com 40). E fala também do impacto que os títulos tiveram nos leitores.
- Qual foi hipótese da dissertação de mestrado? E a que conclusões chegou?- Minha dissertação teve como tema central de pesquisa a publicação dos super-heróis dos "comic books" dos EUA pela EBAL, entre meados de 60 e 70. A proposta do trabalho foi analisar as razões desse processo editorial -contextualizado dentro da história da EBAL e dos quadrinhos de uma maneira geral- investigando, ainda, de que maneiras gerações de leitores foram influenciadas por tais publicações. Realizei um amplo levantamento iconográfrico das revistas da EBAL da época, além de entrevistas com leitores das publicações de Adolfo Aizen. As narrativas dos super-heróis dos quadrinhos do período, de variadas maneiras, representam (seja isso intencional ou não) a crise das antigas certezas da luta do "bem contra o mal" -marcada pela Guerra do Vietnã, a revolução do comportamento, o avanço da mídia e da tecnologia sobre aspectos da sociedade, entre diversos outros aspectos da sociedade contemporânea. E foi a EBAL a editora nacional a publicar e difundir no Brasil grande parte das histórias mais importantes desse período, com qualidades, virtudes e dificuldades que são analisadas ao longo da pesquisa. A análise contextualiza a trajetória da EBAL, propondo a leitura de histórias relevantes lançadas pela editora.
- Adolfo Aizen é uma figura que parece permear toda a sua dissertação. Qual a importância dele: para o momento da Editora Brasil-América estudado por você; para a indústria de quadrinhos nacional?
- A história da EBAL, em sua amplitude, confunde-se com a evolução da imprensa no Brasil e seus variados impactos sobre a sociedade. A EBAL investiu na publicação de revistas e álbuns em quadrinhos feitos por artistas brasileiros (ou aqui radicados) sobre fatos da história brasileira, além de adaptações da literatura nacional. Artistas reconhecidos por sua contribuição na trajetória das HQs no Brasil trabalharam para a EBAL, como André Le Blanc, Gutemberg Monteiro, Nico Rosso, Monteiro Filho e Ivan Washt Rodrigues. Os títulos aqui produzidos são importantes no lento processo de legitimação das histórias em quadrinhos no Brasil.
- O que a série de entrevistas mostrou? Alguma marcou mais?
- Em todas as entrevistas, aparece uma recorrência: a leitura dos quadrinhos pontuou, exerceu influências (as mais variadas) sobre a vida de cada um. A dissertação dedica o quarto e último capítulo às entrevistas colhidas, destacando comentários dos leitores sobre edições e histórias da EBAL, acompanhados pela iconografia correspondente.
- Você sentiu algum tipo de preconceito na academia com relação a trabalhos científicos envolvendo quadrinhos?
- Antes de ingressar no mestrado, imaginava que isso poderia ocorrer. Mas não foi o que aconteceu. Pelo contrário, muitos colegas que trabalhavam com assuntos diferentes mostraram interesse pelo tema e até comentaram a importância em se aprofundar o conhecimento sobre uma forma de expressão tão relevante ao mundo contemporâneio, mas ainda com poucos trabalhos produzidos no país, em relação aos EUA e à Europa.
- Este mestrado vai render um doutorado na mesma linha?
- Certamente. Uma possibilidade é um estudo sobre as variadas relações da imprensa com as histórias em quadrinhos, uma linha de pesquisa que já venho desenvolvendo. Mas ainda não é o momento para me concentrar nisso. Ainda quero reler com calma, nas próximas semana, tudo o que escrevi. Daí, naturalmente as coisas irão ocorrer. Categoria: ENTREVISTA 20/06/2006
EDITORAS VOLTAM A INVESTIR EM TERROR
Categoria: NOTÍCIA
SITE REÚNE CAPAS DE REVISTAS DE TERROR
O Brasil teve muitas publicações de terror. Eram histórias de qualidade, que garantiram fama a uma série de escritores e desenhistas. As revistas do gênero ganharam força com o fim da editora norte-americana EC Comics, na década de 50, especializada em obras de terror. Foi vítima da "caça às bruxas" (aos quadrinhos, claro) patrocinada pelo psiquiatra Frederic Wertham, autor de "Sedução dos Inocentes", livro que rotulou os quadrinhos como os responsáveis pela violência e delinqüência juvenil. Sem material de fora, a saída foi investir numa solução caseira e brasileira.
O site "Nostalgia do Terror" reúne parte das capas de revistas do gênero publicadas no Brasil a partir dos anos 50. Foi idealizado por Ulisses Azeredo, um antigo colecionador de quadrinhos de terror. A iniciativa deste morador de Itiúba, interior da Bahia, recupera uma parte importante da memória do quadrinho nacional.
Abaixo, as capas dos primeiros números de duas das revistas mais conhecidas do gênero: "Kripta" e "Calafrio". O "Nostalgia do Terror" possui muitas outras capas, além de links sobre o assunto. Para acessar, clique aqui.
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CAPITÃO PRESENÇA: UM HERÓI À BRASILEIRA
Uma sátira bem brasileira a todos os rótulos do universo dos super-heróis. O cartunista Arnaldo Branco criou um herói maconheiro, malandro e que é visto circulando –ou voando- pela orla carioca. “As Aventuras do Capitão Presença” (editora Conrad, R$ 25), lançado nesta semana, mostra muito do pouco que foi produzido sobre o personagem. É o primeiro álbum do anti-herói. A edição mescla histórias já publicadas com material inédito.
Capitão Presença tem pouco tempo de estrada. Foi criado no segundo semestre de 2003. “Bolei o personagem baseado na figura do Matias Maxx, fotógrafo, jornalista, fanzineiro [um dos criadores do “Tarja Preta”] e agora dono de uma loja roupas/quadrinhos/acessórios para se fumar tabaco”, conta Arnaldo Branco. “O Matias tem todos os poderes do Presença, menos voar –ou seja, tem sempre em beque em cima, em qualquer situação.” O cabelo e o cavanhaque ralo também vieram de Matias.
O cartunista carioca fez algumas histórias e colocou em seu blog. Deixou lá e foi viajar, como conta no texto de abertura do álbum. Quando voltou, ficou espantado com a repercussão. “Não ia fazer muita coisa a respeito do personagem, a idéia original era só sacanear o Maxx. Mas, quando fui ver, vários cartunistas se afeiçoaram ao Capitão e desenharam suas próprias versões, enviando para mim ou para o Matias.” O material saiu no primeiro número do Tarja Preta.
Depois do batismo, Presença fez jus ao nome. É um dos personagens fixos da revista “F.” (ver postagem do dia 31 de maio), que Branco edita com os "comparsas" Leonardo e Allan Sieber. “O álbum da Conrad tem todas as histórias que saíram pela “Tarja” e pela “F.”, mas tem muito mais material inédito, já que a Tarja tem uma periodicidade irregular e eu tinha feito poucas tiras para a “F.””, diz.
Arnaldo Branco está com 34 anos. Começou a fazer quadrinhos em 1998. Criou uma tira chamada “Pretos de Preto – Blackmen in Black” para um informativo da comunidade de Vigário Geral, no Rio de Janeiro. Em 1999, ficou em segundo lugar num concurso promovido pelo jornal “Folha de S.Paulo” com a tira “Mundinho Animal”. O humor, presente desde esses primeiros trabalhos, sempre pautou suas produções. É dele também a criativa Futebol-Força Futebol Clube, um dos pontos altos da revista “F.”
O cartunista mantém um blog. Para acessar, clique aqui. Num outro link, mantém histórias de “Mundinho Animal”. Para conhecer o material, clique aqui. Categoria: NOTÍCIA 17/06/2006
VENCEDOR DO HQMIX PUBLICA "BIBLIOTECA DOS QUADRINHOS"
"Biblioteca dos Quadrinhos". É esse o nome do novo livro do jornalista e escritor Gonçalo Junior, vencedor da categoria grande contribuição do ano do HQMix 2006 (uma das mais importantes do prêmio; leia mais na postagem abaixo). A obra vai reunir tudo o que foi escrito e noticiado sobre histórias em quadrinhos no Brasil. O autor resenhou mais de 700 títulos. O mais antigo é de 1944. O livro, de 350 páginas, deve sair até o fim de julho pela editora Opera Graphica. A pesquisa contém publicações impressas e veiculadas pela internet. A última atualização é de maio de 2006. Cada obra resenhada terá uma ficha completa, com o formato da obra, autor e o número de páginas. O livro vai ser dividido em nove partes: Além da "Biblioteca dos Quadrinhos", Gonçalo Junior está escrevendo a Segunda parte de "Guerra dos Gibis". O livro, publicado pela Companhia das Letras, venceu o HQMix do ano passado de melhor obra teórica sobre quadrinhos. Em 96, o trabalho, que foi a base do livro, também levou o prêmio de melhor pesquisa. "A vitória de ´Guerra dos Gibis´ em 96 me abriu muitas portas", diz o jornalista, natural da Bahia. "Foi o que levou a minha vinda para São Paulo", onde mora atualmente. A premiação de grande contribuição do ano no HQMix 2006, segundo ele, foi o reconhecimento pelos 20 anos de "trabalho árduo e solitário" na área. "Prêmios sempre são uma espécie de estímulo. É muito frustrante nadar, nadar e não ser percebido. Eu fico muito feliz porque acho que é a categoria mais importantes do HQMix." Em 2005, Gonçalo Junior publicou quatro obras ligadas a quadrinhos. Escreveu "O Homem Abril" (R$ 49) e "Tentação Italiana" (R$ 98, imagem da capa acima), as duas pela Opera Graphica, organizou a coleção "Quadrinhos Sujos" (R$ 39, mesma editora) e fez a biografia do famoso desenhista dos cartazes de cinema em "Benício – Um Perfil do Mestre das Pin-ups", pela editora RLV (R$ 49,90). Categoria: NOTÍCIA 16/06/2006
HQMIX 2006: MAIS PREMIADOS
- troféu grande contribuição do ano: Gonçalo Junior, jornalista que teve vários trabalhos publicados na área dos quadrinhos em 2005 (leia entrevista com ele nas postagens do dia 2 de junho) - troféu mestre homenageado: Inácio Justo, pelas histórias de guerra publicadas nos anos 60 - troféu valorização da linguagem do quadrinho e humor gráfico: Primeiro Salão Mackenzie de Humor, para marcar o primeiro salão de humor, no Colégio Mackenzie, em 1973 - troféu melhor tese do ano de 2005: Andrea de Araújo Nogueira, por "Humor e Populismo: O desafio diário nas Charges de Nelo Lorenzon (1948-1960)". O trabalho teve orientação de Antonio Luis Cagnin e foi defendido na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo no dia 6 de abril do ano passado. As outras categorias do Prêmio HQMix 2006 foram divulgadas no começo deste mês (leia sobre os vencedores nas postagens do dia 2 de junho). O cartunista Spacca, de "Santô e os Pais da Aviação", foi o grande destaque. Venceu em quatro categorias. A entrega do troféu será no dia 11 de julho, no Sesc Pompéia, em São Paulo. A cerimônia está para marcada para começar às 20h e é aberta ao público. Categoria: NOTÍCIA 14/06/2006
DIÁLOGO (CONVINCENTE) ENTRE QUADRINHOS E LITERATURA
Quem estuda quadrinhos nas universidades já se deparou com a discussão sobre o aspecto literário dos quadrinhos. É literatura ou se trata de uma outra forma de narrativa, numa outra linguagem? Geralmente, o debate não chega a uma conclusão. Um lançamento deste mês pode dar uma nova luz ao tema. "Lobo Alpha" (editora Rocco, R$ 31) , de Helena Gomes e Alexandre Barbosa, não é nem litetarura nem quadrinhos. É os dois. A mescla muda o processo de leitura. O texto some em determinados momentos e abre espaço para páginas de histórias em quadrinhos. Depois, volta o texto. A parte visual funciona como uma fissura na narrativa, contando um aspecto tangencial da história. "Esse corte serve como referência para a continuidade da história. Mas faz parte dela", diz Alexandre Barbosa -ou Bar, como também é conhecido-, que cuidou dos desenhos. A idéia surgiu há alguns anos de uma conversa entre os autores. Pessoas (aparentemente) normais desenvolvem poderes de mutação. O personagem-título se transforma num lobo. "Era para ser um roteiro de histórias em quadrinhos", diz a jornalista e professora universitária Helena Gomes, responsável pelo texto. Quando voltou ao projeto, anos depois, reformulou tudo. Deu mais profundidade aos protagonistas e planejava algo novo. "Queria uma coisa diferente. Como o personagem era um desenhista, pensei: por que não intercalar texto e história em quadrinhos? Por que não misturar como se fosse ele desenhando?" O livro foi lançado pelo selo "jovens leitores" da editora Rocco. A trama, com pessoas em processo de mutação, tem um apelo aos apreciadores de super-heróis. Mas não é voltada apenas para esse público, segundo os autores. "Lobo Alpha" é só mais um elemento que une os Alexandre Barbosa e Helena Gomes. Os dois têm uma trajetória com muitas coincidências: ambos nasceram no mesmo ano (1966), na mesma cidade (Santos, no litoral de São Paulo), são professores universitários, tiveram experiência na imprensa escrita, possuem outras obras publicadas. Bar teve outro livro ligado a quadrinhos. É um dos autores de "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula", lançado em 2004 pela editora Contexto. Ele foi o responsável pela parte sobre o ensino de artes nas escolas. Categoria: NOTÍCIA 13/06/2006
SPACE GHOST DE VOLTA AOS QUADRINHOS
Personagem de desenho animado não morre, vai para o limbo dos personagens esquecidos. Fica lá até ser resgatado. Não sei quem inventou esse raciocínio, mas se aplica bem a Space Ghost, herói-título da animação exibida nos Estados Unidos de 1966 a 1968 (foram 42 episódios). Ficou esquecido por mais de uma década, teve um namoro rápido com os quadrinhos, voltou à TV num novo desenho no início dos anos 80 (mais 22 episódios), depois como âncora de um "talk show" de humor (Space Ghost de Costa a Costa, transmitido pelo Cartoon Network), retorna agora às histórias em quadrinhos.
"Space Ghost" (editora Panini, R$ 5,90) chegou nesta semana às bancas. A proposta do escritor Joe Kelly (que roteirizou por anos as histórias do Super-Homem) é explicitar o que o desenho intencionalmente escondia: o passado do herói e os detalhes de sua vida pessoal. No primeiro número da minissérie, o antigo fã do personagem fica sabendo o nome dele -Thadeus Bach-, que era casado, que participava de um grupo de elite da polícia, que é traído por seu superior e que perde alguém muito próximo, a ponto de pensar em suicídio. No fim, encontra os braceletes e a espaçonave.
O fã de carteirinha do "herói fantasma do espaço" (como dizia a abertura do desenho) talvez torça o nariz ante tantas novidades. A estranheza tem motivo. Os desenhos da empresa de animação criada por William Hanna e Joseph Barbera tinham uma característica comum: não importava o que ocorresse na história, os heróis sempre venciam e você nunca, nunca ficava sabendo aonde iam e qual era sua intimidade. Não era necessária uma explicação muito lógica para o que se via na tela. Era algo atemporal e ingênuo.
Num dos epsiódios, "The Space Ark" (" A Arca do Espaço", na versão dublada), o início resumia a trama, sem muitos detalhes. Space Ghost, a bordo de sua nave espacial, diz aos parceiros: "Acabam de me avisar que o Rei das Feras está indo para Júpiter com uma horda de feras controladas. É, ele voltou." Era tudo o que o espectador precisava saber. Estava armado o enredo para o herói usar seus poderes.
Nos desenhos, as aventuras de Space Ghost mostravam suas viagens pelo espaço. Era sempre acompanhado de Blip -o macaquinho da trupe- e de um casal de auxiliares, os gêmeos Jane e Jace (nenhum aparece neste início de minissérie). O perigo era o pretexto para Space Ghost utilizar seus braceletes de força, cheios de botões, cada um com uma função específica. Um deles emitia poderosos raios. Outro garantia invisibilidade (a inviboforça). A fórmula de Hanna e Barbera inseria nas aventuras sutis toques do humor. Em geral, ficavam a cargo de um animal, criado especialmente para esse fim. Em Space Ghost, o papel era de Blip. Deu tão certo que o humor se tornou o ponto central dos desenhos de aventuras da empresa nas décadas seguintes. Scooby-Doo é um bom exemplo.
Parte desse saudosismo se perde na minissérie da editora Panini, lançada originalmente no ano passado. O herói é transportado para o universo ultra-realista que há décadas invade os quadrinhos de super-heróis americanos. Funciona? Sim, principalmente para quem gosta de histórias de super-heróis (há também os desenhos de Ariel Olivetti, uma atração à parte). Para aquele adulto, que esconde a criança que via o herói e vibrava com seus braceletes, podem incomodar tantos detalhes sobre a vida do personagem. Eles põem abaixo todo o ar de mistério e ingenuidade que rodeava o herói, a começar pela máscara, que nunca revelava seu rosto. Mas não vai incomodar tanto quanto a morte de Alex Toth, verdadeiro criador do layout de Space Ghost. O desenhista faleceu no último dia 27 de maio.
Space Ghost passa no Brasil há décadas. O primeiro dublador dele, Arakém Saldanha, conversou com o Blog dos Quadrinhos. Leia na postagem abaixo. Categoria: NOTÍCIA
A VOZ BRASILEIRA DE SPACE GHOST
O desenho animado de Space Ghost estreou nos Estados Unidos no dia 10 de setembro de 1966. No Brasil, chegou pouco depois. A versão brasileira foi feita pela AIC-São Paulo. Quem tem mais de trinta, talvez se lembre dos bordões utilizados na abertura. Primeiro, vinha o grito: "Spaaaaace Ghooooooost!". Depois, percebia-se a trilha. O locutor completava, de forma enfática: "o herói fantasma do espaço. Distribuição da CBS Filmes do Brasil. Versão Brasileira, AIC São Paulo". A AIC São Paulo dublou a maior parte dos desenhos da Hanna & Barbera dos anos 60.
O herói fantasma do espaço ganhou uma voz grave, que dava a ele um ar sério e imponente. Não parecia a mesma voz que atendeu o telefonema feito pelo Blog dos Quadrinhos. "Sim, fui eu que dublei o Space Ghost", disse um acolhedor e simpático Arakém Saldanha. Faz tempo que a dublagem foi feita. Tanto tempo que ele não sabe dizer com exatidão o ano em que ganhou o papel do personagem. "Fiz teste, todo mundo fazia. Você tinha de fazer semelhante ao original", diz. A escolha, segundo ele, dependia muito do patrocinador e da empresa. A dublagem, ao contrário de tantas outras que se perderam, foi preservada nas reprises.
O paranaense Saldanha trabalha com dublagem há quase 60 anos. Começou nos anos 50. O tempo dedicado à profissão dá a ele ainda mais autoridade para dizer que, naquela época, era tudo feito "na raça". "Tinha que decorar. Não tinha som para se guiar. Eram dois, três atores juntos na mesma sala. Se dois acertavam o texto eo terceiro não, voltada tudo do início." Hoje, o trabalho é feito individualmente.
Na época das dublagens de Space Ghost, dividia a tal "sala" com Rita Cléos, Olney Cazarré e Older Cazarré, respectivamente os gêmeos Jane e Jace e o vilão Zorak (o mais famoso oponente do herói). Os três atores já estão falecidos. Olney Cazarré, que fazia um fanático pelo Corinthians na "Escolinha do Professor Raimundo", da Rede Globo, morreu em 19 de janeiro de 1991, aos 47 anos. É dele também uma das vozes do Pica-Pau e a de James Stevens, marido da Feiticeira.
O irmão Olney, Older Cazarré, também trabalhou nos programas de humor de Chico Anysio. Na dublagem, fez muitos dos desenhos da Hanna & Barbera da década de 60. O mais famoso trabalho dele foi, possivelmente, o que fez em Dom Pixote. O ator morreu atingido por uma bala perdida que entrou pela janela. Estava dormindo em seu apartamento, no Rio de Janeiro. O caso ocorreu em 26 de fevereiro de 1992, pouco mais de um ano depois da morte do irmão.
Arakém Saldanha, o nosso Space Ghost, está em férias. Viajou para Águas de Lindóia, cidade a 170 km de São Paulo. Aos 76 anos, continua na ativa. Dirige dublagens na empresa Dublavideo, em São Paulo, cidade onde mora há quase seis décadas. Ele pretende, daqui para frente, atuar mais nos bastidores da dublagem, opção feita há alguns anos. Talvez por isso, não tenha sido lembrado para fazer "Space Ghost de Costa a Costa", exibido pelo Cartoon Network. Mas foi dele a voz da segunda versão do desenho, feita nos anos 80. Teve 22 episódios. Categoria: NOTÍCIA 10/06/2006
LIVRO EXPLICA A INVASÃO MUNDIAL DOS MANGÁS
"Este livro não é um elogio ou uma apologia aos mangás". A frase foi pinçada da abertura de "Mangá - Como o Japão Reinventou os Quadrinhos" (Conrad, R$ 75), lançado neste mês. Paul Gravett, o autor (da frase e da obra), parte do princípio que deveria nortear todo trabalho científico: deixe os preconceitos de lado e veja o que o objeto de estudo tem a mostrar.
E este objeto de análise, os mangás, tem muito a dizer. O livro preenche todas as brechas sobre o assunto. Mostra o contexto histórico, que levou o Japão a produzir quadrinhos. Faz uma cuidadosa resenha de seus criadores e personagens (cita até o brasileiro Julio Shimamoto). Revela o poder e a influência dessa indústria no mercado editorial japonês. De cada dez publicações do país, quatro são mangás.
O que levou o país a investir tão alto no gênero? Paul Gravett, em entrevista por e-mail ao Blog dos Quadrinhos, vê no fim da Segunda Guerra Mundial um divisor de águas da produção dos mangás. "Antes da Guerra, a indústria dos quadrinhos era fortemente influenciada pelas tiras norte-americanas, como as de George McManus [criador de Pafúncio e Marocas", diz. "O mangá teve de esperar até a derrota do Japão em 1945 para renascer como uma fênix".
O renascimento trouxe algumas mudanças: uso de impressões com uma só cor e a publicação de almanaques com muitas histórias, muitos personagens, muitos autores a um preço baixo. A migração dos mangás para os desenhos de TV foi um impulso a mais na indústria.
Além da Segunda Guerra, fica claro na leitura da obra o papel que Osamu Tezuka desempenhou na fixação do gênero. Muitas das criações de mangás e de desenhos animados partiram dele. São dele produções clássicas, como "A Princesa e o Cavaleiro" (publicada no Brasil pela JBC), "Astro Boy" (mais conhecido por aqui por causa da animação) e, mais recentemente, "Buda" e "Adolf" (que saíram pela Conrad). Com esforço, Tezuka impôs um estilo à indústria. Não faltam no livro outras criações, como Dragon Ball, para citar apenas uma. estão todas lá, as que saíram no ocidente e as que não saíram. Não é novidade que os mangás, hoje, exercem influência na Europa e nas Américas.
Aos Estados Unidos, acostumados com seus heóris imortais e sagas intermináveis, Gravett conta que os mangás ensinaram "a mais radical de todas as lições: nem todo personagem de quadrinhos dura para sempre". E acrescenta: "o mangá entretém porque mostra o surgimento e o crescimento dos personagens e, de fato, caminham rumo a um fim. Isso pode durar milhões de páginas, mas você pode ver realmente as mudanças ocorrendo."
A lição que veio do oriente, de fato, mudou a forma como as publicações eram tradicionalmente publicadas. "As séries regulares de Cerebus, Watchmen, Sandman, Preacher, Bone e outras graphic novels provam que há um público para histórias completas." O jornalista Paul Gravett vê seu livro como "uma primeira palavra" sobre mangás. A cautela é bem-vinda. O Brasil tem um estudo pioneiro sobre o assunto. Em 1991, Sonia Bibe Luyten publicava o resultado de tese realizada na USP, Universidade de São Paulo: "Mangá - O Poder dos Quadrinhos Japoneses". No livro, ela já antecipava ao ocidente o impacto da produção industrial japonesa e traçava suas principais características. Ganhou nova edição em 2000, pela editora Hedra (leia entrevista com a autora na postagem abaixo).
Não ser o precursor de publicações a respeito não desmerece a obra de Paul Gravett. Nem seu autor, que batalha no mundo dos quadrinhos há mais de 20 anos. O jornalista inglês foi um dos responsáveis pela revista "Escape", que publicava quadrinhos. Co-editou "Violent Cases", de Neil Gaiman e Dave Mckean, em 1987. De 1992 a 2001, foi o diretor do Cartoon Art Trust, que tinha a incumbência de preservar os quadrinhos na Inglaterra.
'Mangá - Como o Japão Reinventou os Quadrinhos" ganhou na Califórnia, nos Estados Unidos uma polêmica inesperada. Uma mãe se escandalizou numa livraria ao ver o filho, de 16 anos, ver imagens de sexo num livro sobre mangás. A obra teve de ficar restrita às seções reservadas. A polêmica, certamente, ajudou nas vendas.
P.S.: o jornalista e diretor da Conrad, Rogério de Campos, foi quem matou a charada no prefácio da obra. Enquanto os americanos impuseram restrições e censura aos quadrinhos após a Segunda Guerra, especialmente na década de 50, a produção dos mangás caminhava a passos largos no caminho inverso. O resultado está aí. Categoria: NOTÍCIA
SONIA BIBE LUYTEN
O Brasil –nem todos sabem- figura entre os pioneiros nos estudos sobre mangás. O mérito é da pesquisadora e professora universitária Sonia Bibe Luyten. Ela publicou em 1991, pela editora estação Liberdade, “Mangá – O Poder dos Quadrinhos Japoneses” (veja capa ao lado), resultado de pesquisa realizada na Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo). O livro venceu o Prêmio Romano Calise do prestigiado Festival Internacional de Lucca, na Itália. No Brasil, a obra esgotou. Foi relançada em 2000 pela Hedra. O livro, hoje, é recomendado aos professores pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.
Sonia Luyten não pára. Já foi professora da USP, deu aulas no Japão, morou na Holanda. Tantas viagens a tornaram uma referência em quadrinhos estrangeiros. Depois de participar de dois eventos, um em Goiânia e outro em Recife, ela conversou com o Blog dos Quadrinhos. A pesquisadora fala de sua obra e como contribuiu para a pesquisa de “Mangá – Como o Japão Reinventou os Quadrinhos”, de Paul Gravett (leia na postagem acima). - No fim da sua obra, você comenta que é difícil dizer qual o caminho que os mangás trilhariam dali para frente. Passaram-se alguns anos. Já é possível perceber para onde a trilha vai? - Podemos observar alguns pontos de mudanças a partir dos anos 90. Nos mangás femininos, notamos uma mudança na estética.Os corpos esguios foram tomando mais volume e os seios ficaram cada vez maiores. Os olhos sofreram outra transformação, ficando mais angulosos e com menos raios e estrelinhas que saltavam de dentro deles. Muitos temas novos, com a inclusão de mitologia ocidental, foram incorporados ao estilo japonês. - A indústria de quadrinhos japoneses se adaptou ao mundo globalizado? - Com certeza. Ela passou a ser um item de exportação como qualquer outro produto. No Japão, após a perda da Segunda Guerra Mundial, houve uma programação organizada para crescer e exportar. O inicio foi com as pérolas, depois rádios, aparelhos de som, TVs, (que antes eram de qualidade duvidosa), carros, tecnologia, artes tradicionais (ikebana, cerimônia do chá etc), formas de organização empresarial e, finalmente, neste milênio, a intensificação dos produtos da cultura pop, como os animês e mangás em escala gigantesca. - Qual a diferença básica entre a sua obra e a de Gravett? |