30/06/2006

CHARGES DA SELEÇÃO DURANTE OS JOGOS DA COPA

Jogo é imagem. Internet é interação. O jogo na internet une imagem e interação. A equação resume o raciocínio do cartunista José Alberto Lovetro, o JAL. Ele faz nesta Copa o que chama de cobertura interativa das partidas. Cria charges durante a transmissão do jogo. O material pode ser visto em tempo real na página que mantém na internet. A iniciativa tem conseguido boa repercussão. O UOL, que sedia a página, tem colocado uma grande chamada na página principal do portal durante as partidas.
 
"Acompanho direto as notícias que estão entrando nos provedores e achei que é preciso mais agilidade também em nosso material (cartuns, charges, ilustrações ) para acompanhar os acontecimentos mais importantes", diz o ilustrador, que também é presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil. "A idéia de fazer isso no blog foi para testar a interatividade no calor dos acontecimentos, coisa não feita antes, que eu tenha conhecimento."
 
O interessante, segundo ele, é mesmo a interação com o leitor da página. "O que é legal é ver a resposta dos internautas ao mesmo momento em que posto uma charge no fotoblog. É como sair da televisão e fazer teatro para um ator." Para ele, o futuro do trabalho do chargista passa por essa questão. "Os jornais impressos estão se matando mais rápido do que seria o natural por uma idéia editorial errada em valorizar apenas o factual em detrimento do artístico. A interatividade do chargista com o público, que está sendo esquecida por nossos editores é a liga que faz alguém ainda ler algo impresso."´
 
As charges de jogos anteriores estão disponíveis no fotoblog. A desta postagem mostra a brincadeira feita após um dos gols de Ronaldo. Há ainda uma provocação muito engraçada sobre a desclassificação da Argentina (veja na postagem abaixo). As da partida entre Brasil e França poderão ser acompanhadas no momento do jogo, que começa às 16h deste sábado (30.06).
 
Para acessar a página, clique aqui.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h57
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UMA CHARGE VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS

A provocação é do cartunista JAL.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h54
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29/06/2006

BEM-VINDO A MAIS UM PASSEIO POR ASTRO CITY

Não é de hoje que os quadrinhos de super-heróis vivem à cata de realismo. O escritor inglês Alan Moore escancarou o tema em "Watchmen", uma das mais lembradas obras do gênero. O realismo excessivo ajudou a mudar o rumo para onde apontava a bússola do mercado americano. O estilo e o conteúdo do roteiro (o papel dos heróis na sociedade) são copiados até hoje. Houve quem dissesse que não se tratava de uma homenagem ao gênero. O ultra-realismo teria causado um "efeito perverso" e decretado o início do fim dos super-heróis.
 
Vinte anos depois, o impacto da minissérie merece releitura. Se vingar a idéia de que Moore sepultou os heróis (o que é questionável), Kurt Busiek os resgatou, como mostra o álbum "Astro City: Inquisição", que chega a partir desta sexta-feira às lojas especializadas em quadrinhos (editora Devir, R$ 45). São histórias inéditas no Brasil (ao lado, a imagem da capa, pintada por Alex Ross).
 
Busiek é o criador da cidade imaginária (a exemplo da Metrópolis do Super-Homem e da Gotham City do Batman) que concentra super-heróis. Eles fazem parte do cenário do município, são sua principal atração turística, convivem harmonicamente com os moradores. O autor também abusa do realismo, coloca os heróis ali ao lado do leitor. Mas, ao contrário de Moore, deixa claro que se trata de uma homenagem a eles.
 
O segredo de Busiek está no enfoque. O olhar é o da pessoa comum, que interage com os personagens míticos. É o mesmo que fez em "Marvels", outro trabalho em outra editora. A estratégia  serve para realçar o lado de mito dos heróis. Eles estão lá, usando e abusando de seus poderes, e eu, pessoa comum/leitor, fico só na espreita, observando, reverenciando. Consegue-se um realismo e uma humanidade ainda maiores do que os de Moore. São trilhas que partem de um mesmo ponto, mas que seguem caminhos diferentes.
 
A pessoa comum foi o mote das primeiras histórias que saíram no Brasil, publicadas inicialmente em forma de minissérie (três números, entre janeiro e maio de 2002) e depois reunidas em álbum ("Vida na Cidade Grande"). Ambos saíram pela editora Pandora. O arco "Inquisição" -da Devir- também se vale da estratégia da pessoa comum, com uma diferença sutil. Aqui, quem conduz a história é um jovem, fascinado pelos heróis. Abandona o orfanato onde vivia, pega um ônibus e arrisca a vida na cidade dos super-heróis. Torna-se um deles. Um herói sem o super.
 
O jovem Brian Kenney não tem poderes. O acaso o faz parceiro de um herói de roupas negras, capa, que captura a bandidagem nos becos e que usa o medo como estratégia. Batman? Não, Inquisidor (que inspira o título do arco, publicado nos número de quatro a nove da série). Robin? Não, Altar Boy. A associação é obrigatória e intencional. Busiek recria os personagens tradicionais da DC Comics em outra roupagem. Muda os rostos e os nomes apenas mostrar ao leitor que um elemento-chave fica preservado: o mito. Não importa se é Batman ou Inquisidor, Robin ou Altar Boy, Gotham City ou Shadow Hill, a batcaverna ou a igreja que serve de esconderijo ao herói em Astro City. O mito se mantém.
 
Há outras referências. A versão do Super-Homem é o Samaritano (nesta tradução, a Devir optou acertadamente pelo original "Samaritan", nome mantido nas edições da Pandora). A Primeira Família seria o Quarteto Fantástico. E por aí vai. Há também referências a figuras importantes da história (norte-americana) dos quadrinhos, outra homenagem de Busiek. Estariam lá, perdidas no meio da trama desenhada por Brent Anderson, não fossem as explicações nas notas de rodapé, esforço louvável do editor Leandro Luigi del Manto. Outro ponto positivo é voltar a publicar a série com histórias inéditas, o que não ocorreu com "Preacher" (voltou aos primeiros números, em álbum também publicado pela Devir).
 
O escritor e desenhista Frank Miller dizia que, para ele, bastava uma cidade para tecer suas histórias. Criou Sin City e a associou à escuridão, valentia, corrupção, relações desregradas, humanidade. Kurt Busiek é o oposto. Astro City também usa a cidade como palco da trama. Mas traz brilho, heroísmo, humanidade, poderes. Uma outra forma de humanidade, do tipo que faz uma ode aos super-heróis. Busiek assumiu recentemente os textos da revista mensal do Super-Homem nos Estados Unidos. É algo para ficar de olho. O escritor é fã assumido do personagem. É como se Astro City e Marvels fossem um ensaio para a peça principal.
 
"Você está deixando Astro City. Por favor, dirija com cuidado" (se não entendeu a referência, é porque nunca visitou Astro City).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h20
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28/06/2006

INVASÃO EUROPÉIA 1: EL GAUCHO

Numa mesma semana, três lançamentos de quadrinhos europeus. Anunciado há algumas semanas, o italiano "El Gaucho" começa a chegar nesta quinta-feira (29.06) às bancas. É uma parceria dos respeitados Milo Manara e Hugo Pratt. As outras novidades são lançadas com atraso de quase dois meses (tinham sido anunciadas para maio, data que aparece na contracapa dos dois títulos). "XIII" e "Aldebaran" são a aposta da editora Panini na publicação de material europeu. Os dois álbuns pertencem à editora francesa Dargaud. 

Dos três títulos, o maior destaque é "El Gaucho" (editora Conrad, R$ 39). As atenções se voltam mais para os autores do que a obra em si, que mostra os interesses (comerciais) ingleses para libertar os colonos de Buenos Aires do domínio espanhol no século XIX. Um encontro de dois nomes como Manara e Pratt não é algo difícil de passar despercebido. Os dois construíram carreira fartamente reconhecida na Europa e nas Américas. Manara criou obras como "O Clic" e "Gullivera" e é muito conhecido por desenhar mulheres nuas. Pratt é o criador de Corto Maltese, aventureiro que percorre os mais diferentes pontos do planeta e que funciona como alter-ego de Pratt (leia na postagem do dia 25 de maio). Todas esses títulos foram lançados recentemente no Brasil. Outros estão programados.

 

"El Gaucho" é uma parceria na verdadeira acepção da palavra. Pratt e Manara mantinham uma relação de mestre/aprendiz. Isso aparece na obra. Há um pouquinho de cada um, e o melhor dos dois. A presença de Pratt fica clara no texto. Mudam os personagens, mas a sensação, em muitos momentos, é de estar lendo uma história de Corto Maltese. Estão lá o mar, as embarcações, a aventura, a América do Sul (Pratt morou na Argentina por alguns anos e teve passagens pelo Brasil). De Manara, sobressaem-se os desenhos e suas mulheres nuas, a marca de seu trabalho.

 

Os lançamentos franceses estão na postagem abaixo.

 

Há um trecho de "El Gaucho" disponível na internet. Para acessar, clique aqui.  

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h39
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INVASÃO EUROPÉIA 2: XIII E ALDEBARAN (DE UM BRASILEIRO)

Virada para a França. Dos títulos da editora Dargaud que chegam nesta semana às bancas e lojas especializadas, o interesse recai sobre "Aldebaran" (editora Panini, R$ 22,90). Por dois motivos: a história trabalha com a curiosidade e consegue "fisgar" o leitor logo no início; o autor, Leo, é, na verdade, o carioca Luís Eduardo de Oliveira, hoje com 62 anos.
 
Leo é um bom caso de brasileiro que trocou o país de berço pela Europa em busca de melhores chances para publicar. Conseguiu. A trajetória começou nos anos 70. Cansado do exílio e da sucessiva transferência de cidade para cidade (fugindo dos militares durante o período da ditadura), ele se estabeleceu em São Paulo e resolveu se dedicar aos desenhos. Publicou na brasileira "O Bicho". Encantou-se com o quadrinho europeu, a ponto de justificar uma mudança para Paris, em 1981, para editar na França, onde quadrinhos são arte. Alguns anos depois, conheceu Jean-Claude Forest, criador de Barbarella e, com ele, ganhou destaque. O trabalho de maior projeção, no entanto, seria o "Aldebaran", que agora é lançado no Brasil.
 
A série foi publicada em partes (ou tomos, como se costuma usar no quadrinho francês). O álbum da Panini compila os dois primeiros. A saga foi contada em cinco tomos, publicados (segundo o site oficial da Dargaud) entre 1990 e 1998). Mostra a vida no planeta Aldebaran. Os habitantes testemunham uma série de mudanças ambientais, um presságio da chegada de uma poderosa criatura. Os segredos articulam a história dos sobreviventes. O mistério sobre o que estaria ocorrendo mantém -e sabe manter- a curiosidade do leitor. Gerou uma seqüência, "Bételgeuse". Leo deixa escapar seu lado brasileiro em ao menos três momentos. A vila pesqueira, mostrada logo no início da obra, assemelha-se muito a praias do nosso nordeste. O outro ponto é um toque autobiográfico. A polícia -aqui, sob o domínio da Igreja- exerce um papel autoritário, torturador e unilateral, parecido com os militares brasileiros de quem Leo fugiu por anos. Além de uma menção a músicas de Tom Jobim.
 
"XIII" (editora Panini, R$ 22,90) também aposta no mistério. Relata a história de um homem, que desperta numa praia sem memória. A ligação com o passado está na tatuagem XIII, fixada em sua clavícula direita. A contracapa do título o associa ao filme "A Identidade Bourne". Correta a ligação, mas um quê de "O Fugitivo". O protagonista é perseguido e sempre escapa. A história, de W. Vance e J. van Hamme, também é contada em tomos. Esta edição reúne as duas primeiras partes. As primeiras histórias saíram entre 1984 e 1985 na revista "Spirou", bastante conhecida -e vendida- na França. Tem tido, desde então, uma média de um novo álbum por ano. O último é de 2005.
 
A Panini não divulgou, mas se supõe que publicará os demais tomos de "XIII" e "Aldebaran". Mesmo com os constantes -e misteriosos- atrasos (os dois álbuns tinham sido anunciados para maio), a editora tem honrado o compromisso de terminar aquilo que põe nas bancas. 
 
Leia sobre o lançamento de "El Gaucho" na postagem acima.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h37
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27/06/2006

EDITORA (RE)LANÇA PRIMEIRO VOLUME DE PRÍNCIPE VALENTE

Os anos têm sido generosos com o Príncipe Valente. As décadas passam e as edições nacionais do personagem mantêm o mesmo ar de nobreza. Desde 1974, suas aventuras ganharam 18 álbuns de luxo, com capa dura e formato grande. Todas essas características foram preservadas pela Editora Opera Graphica no (re)lançamento do primeiro volume, que mostra o começo da saga vivida pelo herói. São as primeiras aventuras, da segunda metade da década de 30 (foi criado em 1937, nos Estados Unidos). A obra começa a ser vendida no fim desta semana. O lançamento foi marcado para o próximo sábado, em São Paulo. 
 
"Príncipe Valente: nos Tempos do Rei Arthur" (R$ 79) não reproduz apenas as histórias da versão original, lançada em 1974 pela EBAL, Editora Brasil-América. Novas cópias deram mais definição aos traços de Foster. A capa é diferente (veja na imagem acima) e foi feita uma outra tradução. Uma introdução, escrita por Franco de Rosa, contextualiza quem é o personagem, quem foram seus autores e qual o papel do príncipe para Adolfo Aizen, fundador da EBAL. Um segundo texto, de Fábio Santoro, reconstitui a trajetória da publicação do Príncipe no Brasil, trajetória que tem como protagonistas Roberto Marinho e Aizen. Foi este quem publicou o personagem pela primeira vez no Brasil, em 19 de junho de 1937, na edição número 393 do "Suplemento Juvenil" (quatro meses após o lançamento nos Estados Unidos). Dois anos depois, Marinho tirou de Aizen os direitos de publicação do material da King Features Syndicate, distribuidora do Príncipe Valente, entre outras criações. O "troco" veio em 1974, quando Aizen voltou a editá-lo, agora em álbuns de luxo (formato que a Opera Graphica manteve).
 
São muitas as histórias de Adolfo Aizen, pioneiro na edição de quadrinhos no Brasil. Uma delas, relatada por Franco de Rosa, conta que seus olhos marejaram quando viu a versão editada das páginas dominicais de "O Príncipe Valente". Era como um o reencontro de um filho pródigo, trinta e cinco anos depois. Aizen, dizem quem o conheceu, transferia para suas edições grande parte da paixão que nutria pelos quadrinhos. Não é por acaso que o Príncipe Valente ganhou roupagem de luxo também no papel. Os álbuns de capa dura saíram num formato ainda hoje ousado para o mercado brasileiro, 27,5 cm por 36 cm. Foram 15 edições pela Ebal, publicadas entre 1974 e 1997. A última foi a de número XV.
 
A Opera Graphica soube perceber que a morte de Aizen, em 1991, deixava um vácuo (quase) impreenchível e um legado a ser seguido. A editora prendeu-se ao legado. Passou a publicar material da King Features Syndicate e deu continuidade ao trabalho de Aizen. Desde 2001, edita as histórias do Príncipe Valente do ponto onde a Ebal parou (e no mesmo formato). Já saíram os números XVI, XVII e XVIII. Está programado o volume XIX. O formato maior e a capa dura têm sido transferidos a edições de outros personagens, como a que comemora os 50 anos do Fantasma, lançada neste mês (leia postagem do dia 6 de junho). Outra, que reunirá as primeiras tiras do Recruta Zero, deverá ter o mesmo tratamento (ver postagem do dia 11 de maio). Cada edição conserva viva a memória de Aizen e consolida a aproximação entre Ebal e Opera Graphica.
 
(Re)editar o clássico personagem é relembrar também uma outra figura importante para a consolidação dos quadrinhos: Hal Foster. Ele ficou conhecido por ter desenhado Tarzan no começo da década de 30. Abandonou o homem-macaco para se dedicar a Príncipe Valente, sua maior criação. Escreveu e fez a arte do personagem até 1971, quando passou a se dedicar apenas aos textos. Roteirizou a saga, publicada em páginas semanais nos jornais americanos, até o começo dos anos 80 (sua última história data de 10 de fevereiro de 1980). Foi substituído por John Cullen Murphy, que ficou à frente das histórias até 2004. Hoje, é escrito por Mark Schultz e desenhado por Gary Gianni. Foster morreu em 25 de julho de 1982.
 
Outras editoras brasileiras já publicaram o personagem nas décadas de 70 (editora Paladino) e 90 (Nova Sampa, em formato de bolso). Nenhuma com a qualidade da EBAL, mantida e aprimorada pela Opera Graphica. A editora paulista soube carregar o rótulo de continuadora do trabalho de Aizen. Até aqui, com méritos. Faz trabalho de quem é fã de quadrinhos.
 
O lançamento de "Príncipe Valente: nos Tempos do Rei Arthur" vai ser no próximo sábado (primeiro de julho) na Comix, loja especializada em quadrinhos. Fica na alameda Jaú, 1998, em São Paulo (perto da av. Paulista). Lá, é possível encontrar as antigas edições da EBAL e as editadas pela Opera Graphica.
 
Há um livro que analisa Príncipe Valente, considerada a obra-prima de Hal Foster. Leia na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h20
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ALGUMAS LEITURAS DE PRÍNCIPE VALENTE

"Algumas leituras de Príncipe Valente" (Marca de Fantasia, R$ 11) é do ano passado, mas foi pouco divulgado. Mostra peculiaridades e o mecanismo dos roteiros de Hal Foster. Edgard Guimarães, autor da obra, debruçou-se sobre as cem primeiras páginas da série para compor o livro.

Guimarães é mestre em ciências pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). O título pode ser comprado no site da editora Marca de Fantasia.

 
 
Para acessar, clique aqui.
 
 
 
 
 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h14
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UMA CHARGE VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS

Traço: Gilmar. Fonte: http://gilmar.zip.net/

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h38
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26/06/2006

COMUNICAÇÃO VISUAL PODE GANHAR ÓRGÃO FEDERAL

O Brasil pode ter um órgão, ligado ao governo federal, que teria como objetivo discutir e planejar políticas ligadas à área da comunicação visual (entre elas, histórias em quadrinhos). A idéia caminha a passos largos. Já foi marcado um seminário para discutir o assunto. Está agendado para agosto,  no Rio de Janeiro. O encontro foi pedido pelo Ministério da Cultura.
 
Na prática, indica que o governo federal deve acatar a criação da Câmara Setorial de Comunicação Visual, como vem sendo provisoriamente chamada. A pauta do seminário no Rio de Janeiro é definir como será o funcionamento dessa Câmara, que deve reunir representantes do governo e da sociedade civil. Devem participar do seminário representantes das principais entidades brasileiras da área de ilustração.
 
As associações ligadas ao setor já discutem o assunto. No último sábado, tornaram público o debate durante a Oitava Bienal Brasileira de Design Gráfico, realizada em São Paulo. Estavam presentes representantes das associações dos cartunistas, do cinema de animação, dos designers gráficos e dos ilustradores do Brasil. No seminário no Rio, em agosto, é aguardada também a presença dos web designers. "É a primeira vez que está havendo essa junção de forças no país", diz José Alberto Lovetro, o JAL, presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil.
 
Se o seminário obtiver resultados práticos e o governo federal acatar as conclusões do encontro, será algo inédito no país: um órgão, com a função específica de pensar o setor visual brasileiro. "A Câmara seria um lugar de discussão, em que você tem mais facilidade para definir políticas da área visual", afirma o cineasta de animação Céu D´Ellia, um dos articuladores da Câmara Setorial. Mas tudo depende do andamento do seminário. "É importante ter um raciocíonio de sociedade, um setor precisa entender as necessidades do outro".
 
A Câmara Setorial de Comunicação Visual poderia articular e representar ilustradores, animadores, designers gráficos, web designers, cartunistas, cineastas de animação, quadrinistas, humoristas gráficos, web masters e artistas seqüenciais (caso dos produtores de histórias em quadrinhos). Já existem Câmaras Setoriais para outros setores, como circo, artes cênicas, dança e artes plásticas.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h17
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L&PM LANÇA MAIS LIVROS DE BOLSO COM QUADRINHO NACIONAL

De forma sutil, sem muita divulgação, a editora gaúcha L&PM vem colocando no mercado uma série de livros de bolso com quadrinhos. Neste ano, já saíram "O Melhor do Recruta Zero" (reedição de um antigo álbum da editora), "Garfield 5 - Toneladas de Diversão" e os nacionais "Rê Bordosa" (de Angeli) e "Piratas do Tietê - A Escória em Quadrinhos" (de Laerte; capa ao lado). A programação prevê outros lançamentos no segundo semestre. O destaque fica para as coletâneas de autores nacionais. Estão na lista da editora:

- "Piratas do Tietê 2"
- "Geraldão", "Edipão", "Abobrinhas da Brasilônia" e "Piadas para Sempre" (em dois volumes), todos de Glauco
- "Pagando o Pato", de Ciça (a tira, publicada no Jornal do Brasil, não é editada em livro há um bom tempo)
 
A maioria compila tiras publicadas nos anos 80 e 90, momento em que o quadrinho urbano de São Paulo começava a ganhar força no cenário nacional (via jornal Folha de S.Paulo) . Algumas edições, caso de Piratas do Tietê, reúnem as tiras pela primeira vez. O custo das obras deve ficar entre R$ 9 e R$ 11. Se não houver alteração, os títulos saem entre setembro e outubro. A coleção de livros de bolso da editora contém outros títulos, lançados em anos anteriores.
 
A L&PM tem um histórico de publicações de quadrinhos no Brasil. Já editou Corto Maltese, Valentina, Steve Canyon, Popeye, Fantasma, Mandrake, Batman, Super-Homem e muitos autores nacionais, como Edgar Vasques (Rango, outro título da coleção). Nos anos 90, a área de quadrinhos entrou em declínio. Ganha novo fôlego agora dentro da coleção Pocket, como são chamados os livros de bolso.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h23
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23/06/2006

UM SUPER-HOMEM, TRÊS HISTÓRIAS

O lançamento do filme do Super-Homem -que estréia no mês que vem- vai motivar uma série de lançamentos sobre o personagem. Hoje (23.06), começou a maratona. Três álbuns chegaram às bancas de uma só vez: "Superman: Identidade Secreta", "Superman: entre a Foice e o Martelo"  e "Superman: Dia do Juízo Final". Os três títulos -todos da Panini- são edições encadernadas de minisséries já lançadas no Brasil.

"Superman: Identidade Secreta" venceu o Prêmio HQMix deste ano na categoria melhor minissérie (ao lado, a imagem da capa do encadernado). A história tenta levar ao leitor a seguinte pergunta: o que você faria se fosse o Super-Homem? A resposta é dado pelo olhar de um jovem, chamado Clark Kent (o alter ego do homem de aço). Ele é alvo de chacota dos colegas e da família por causa do nome. Até que, um dia, descobre ter todos os poderes do herói de Krypton.
 
É ficção, claro, mas o tom é de realismo, uma característica do autor, Kurt Busiek (o mesmo de "Marvels" e da série "Astro City"). O escritor recentemente assumiu o texto de uma das revistas mensais do herói nos Estados Unidos. Tenta fazer o mesmo: dar mais realismo e introspecção ao personagem, sem se esquecer dos elementos míticos que o tornaram uma das figuras mais populares do planeta. A arte de Stuart Immonen -que já trabalhou com o personagem por muitos anos, tanto escrevendo quanto suas aventuras- só reforçam o ar realismo de "Identidade Secreta".
 
A realidade -aqui, trata-se da realidade geopolítica- é também o foco principal de "Superman: entre a Foice e o Martelo". A história parte de uma premissa: e se o foguete que trouxe o homem de aço de Krypton tivesse caído na antiga União Soviética? Que impacto teria na configuração política mundial? Para o escritor Mark Millar, o regime comunista ganharia uma arma militar mais eficaz do que a bomba de hidrogênio. Millar, com a trama, reinterpreta a Guerra Fria, alterando o peso da balança para o lado soviético.
 
Millar tem a tendência de colocar elementos geopolíticos em suas criações. Fez o mesmo em "Os Supremos", sucesso de vendas nos Estados Unidos. Na nova fase, publicada no Brasil na revista "Marvel Millenium - Homem-Aranha", os heróis da revista intervêm em nações "problemáticas". Na prática, cumprem os interesses políticos dos Estados Unidos, uma clara crítica à invasão do Iraque. Em outro título escrito por ele (mas não criado por ele), "Authority", o grupo de heróis tenta minimizar a miséria de nações além da linha de pobreza, passando por cima dos americanos (outra crítica, agora ao que os Estados Unidos não fazem). É dentro desse prisma que deve ser lido "entre a Foice e o Martelo".
 
"Superman: Dia do Juízo Final" é a menos conhecida das três minisséries. É uma obra (mais uma) que faz referência à morte do Super-Homem, que foi extremamente popular nos anos 90 (numa luta contra Apocalypse, o herói de Krypton perde a vida; a "morte" durou poucos meses e foi uma das melhores estratégias de marketing da história dos quadrinhos). "Dia do Juízo Final" traz a volta (mais uma) dos dois "assassinos" do homem de aço: Apocalypse e o escritor/desenhista Dan Jurgens, o escritor/desenhista da aventura que mostrava o herói sendo morto. A idéia funcionou na primeira vez. A chama da novidade já tinha se apagado quando esta minissérie saiu nos Estados Unidos. A editora demorou para perceber isso.
 
A editora Panini promete mais histórias do homem de aço. Em "Grandes Clássicos DC", deve reunir outra minissérie, "As Quatro Estações", que mantém o clima da série de TV "Smallville". Foi assinada por consultor dos quatro primeiros anos do seriado, Jeph Loeb. Deve sair também material escrito pelo cultuado escritor britânico Alan Moore. As duas histórias estã entre mais lembradas do homem de aço.
 
A dúvida é saber quando os títulos vão chegar às bancas. A editora Panini tem sistematicamente atrasado os lançamentos de obras especiais. A empresa anuncia as edições, não lança e não explica ao leitor e à imprensa o que acontece.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 13h33
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JAGUAR DEVOLVE MEDALHA A VEREADORES DO RIO

Seria piada, não fosse verdade. A última do cartunista Jaguar: ele devolveu nesta semana aos vereadores cariocas a medalha Pedro Ernesto, considerada a maior condecoração do Rio de Janeiro. Motivo da devolução: não quer dividir a "honra" com o ex-deputado federal Roberto Jefferson, do PTB, agraciado com a mesma medalha há pouco mais de uma semana. Jefferson foi um dos cassados pela Câmara dos Deputados no ano passado em razão do escândalo do mensalão. Jaguar havia recebido a homenagem há oito anos.
 
A informação foi antecipada na coluna que Jaguar mantém no jornal "O Dia", do Rio de Janeiro. O Blog reproduz um trecho:
 
E agora, mudando de assunto, hoje, quarta, às três horas da tarde, vou devolver a medalha Pedro Ernesto que a Câmara de Vereadores me deu. Se é que tem alguém trabalhando lá a essa hora. Desconfio que o Ancelmo Góis tem um olheiro no Bracarense. Falei de sacanagem no boteco que me recusava a ser colega de medalha do Roberto Jefferson, a notícia saiu no dia seguinte na coluna dele.
Coisa parecida aconteceu quando joguei ovos na Academia Brasileira de Letras no dia da posse de Roberto Campos. Depois que o presidente da ABL disse “Jaguar é covarde, não vai fazer isso”, Ancelmo publicou e lá fui eu, “pressionado pela mídia”, como Ronaldo Fenômeno, aliás Fenô, porque não está jogando nem metade do que sabe. Aluguei no Mundo Teatral um fardão de imortal, troquei de roupa no Vilarinho e, depois de tomar algumas doses para espantar a covardia, joguei meia dúzia de ovos nas paredes do vetusto prédio, devidamente cozidos para não emporcalhar mais ainda a cidade.
E por falar em sacanagem, pô, Bussunda!
 
"O Dia" também repercutiu o assunto. A reportagem é de Madalena Romeo e está disponível no site do jornal. Ela conta a divertida trajetória de Jaguar para devolver a medalha. Deixou os funcionários da Câmara dos Vereadores sem saber o que fazer. Leia um trecho:
 
Foi andando até a Câmara e deixou os servidores atônitos, ao pedir que protocolassem a devolução. “Isso é no segundo andar”, reagiu a balconista, como se existisse departamento de devolução de medalhas. A situação era inédita e foram tirar do plenário a presidente em exercício da Câmara, vereadora Leila do Flamengo.
Política, ela compromenteu-se a mudar os critérios de condecoração para evitar vexames e convidou Jaguar a ir a Plenário. “Não dá. Vou ver Argentina e Holanda no Amarelinho”, respondeu. Com a medalha em mãos, a vereadora prometeu que iria ao bar para entregar-lhe o protocolo. A caminho do Amarelinho, Jaguar era só indagações: “Você sabia que a Leila do Flamengo mora na Barra? Você acha que ela virá ao bar? Você confia em político?” No intervalo do jogo, duas saideiras depois, deve ter encontrado respostas. Despediu-se e partiu sem o protocolo mesmo.
 
Jaguar -ou Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe- trabalha com humor gráfico desde os naos 50. Foi um dos responsáveis pelo tablóide "O Pasquim", jornal conhecido servir de resistência ao regime militar. Para ler a reportagem de "O Dia" sobre o assunto, clique aqui.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h33
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22/06/2006

PALESTRA SOBRE QUADRINHOS? TEM PRA ESCOLHER

 
 
Esta sexta-feira à noite (23.06) terá duas palestras sobre quadrinhos em São Paulo. A primeira é sobre a revista "O Tico-tico". Será feita por Waldomiro Vergueiro e Roberto Elísio dos Santos, organizadores do livro "O Tico-tico 100 Anos - Centenário da primeira revista de quadrinhos do Brasil, lançada no começo deste ano (Opera Graphica, R$ 139; imagem da capa acima). Os dois devem falar da trajetória da obra ao longo dos anos. Após a exposição, haverá uma sessão de autógrafos. Vergueiro é professor da Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo) e coordenador do Núcleo de Pesquisa de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP. Santos, também integrante do Núcleo, é professor da Universidade IMES.
 
A outra palestra é dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá. O bate-papo é promovido pela Quanta Academia de Artes. A dupla -que criou as histórias de "10 Pãezinhos"- vai falar dos trabalhos feitos para o exterior (como "De:tales", que reúne contos urbanos do Brasil, publicado pela editora norte-americana Dark Horse; imagem da capa acima) e também do processo de produção de quadrinhos. No blog que eles mantêm no UOL, os dois desenhistas anteciparam um pouco do que pensam a respeito. "Não existe um só caminho e o nosso pode não servir pra você, mas o mais importante é saber aonde você quer chegar. Temos uma revista independente e um livro novo pra publicar este ano. Nós sabemos onde queremos chegar e é sobre isso que vamos falar."
 
O único senão é que as duas palestras ocorrem quase no mesmo horário: sobre "O Tico-Tico" começa às 19h e a de Bá e Moon, às 20h. Uma é perto da outra e o trajeto pode ser feito rapidamente de metrô. É possível ir às duas, perdendo o começo de uma e o fim da outra. Ou, então, opte por uma delas.
 
SERVIÇO
O Tico-tico: a primeira revista de quadrinhos no Brasil. Quando: sexta-feira, 23.06. Horário: 19h. Local: Gibiteca Henfil. Endereço: Rua Vergueiro, 1000, São Paulo (próximo ao metrô Vergueiro).
Quanta Gente, com Gabriel Bá e Fábio Moon. Quando: sexta-feira, 23.06. Horário: 20h. Local: Quanta Academia de Artes - Unidade I. Endereço: rua Minas Gerais, 27, São Paulo (próximo ao metrô Consolação).
 
Em tempo: há uma prévia da revista "De:tales", de Bá e Moon, disponível no site da editora Dark Horse. Para ler, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h09
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OUTRAS COPAS

Nos 30 anos de carreira, o chargista Cláudio produziu material de sobra a respeito de Copa do Mundo. Parte do acervo é apresentada em doses diárias no blog que ele mantém no UOL. Há raridades, como uma caricatura de Claúdio Coutinho, técnico da seleção brasileiro de 1978.
 
Há também charges sobre este Mundial (Ronaldinho é a vítima preferida). O interessante é comparar os desenhos desta com os de outras Copas. Algumas piadas continuam atuais (como na charge ao lado).
 
Para conhecer o site de Cláudio, clique aqui.
 

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h17
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21/06/2006

EDITORA EBAL VIRA TEMA DE PESQUISA NA USP

ENTREVISTA: RODRIGO ARCO E FLEXA

Uma história pode ser contada de várias formas. Depende do ângulo dado ao assunto. O jornalista e pesquisador Rodrigo Arco e Flexa preencheu mais uma etapa da longa trajetória da Editora Brasil-América, ou só EBAL. Ele escolheu um momento específico da empresa criada por Adolfo Aizen (1907-1991), o da publicação dos quadrinhos de super-heróis entre os anos 60 e 70. Foi uma fase de proliferação das revistas do gênero.
 
A pesquisa levou três anos para ficar pronta. Foi o tema de seu mestrado na Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo), intitulado "Super-Heróis da EBAL - A publicação nacional dos personagens dos ´comic books´ dos EUA pela Editora Brasil-América (EBAL), décadas de 1960 e 70". A defesa -que conferiu a ele o título de mestre em ciências da comunicação- foi na última terça-feira (20.06).
  
Nesta entrevista, feita por e-mail, o paulistano Rodrigo Arco e Flexa conta mais detalhes da pesquisa sobre os quadrinhos da EBAL, material que lê desde os sete anos (hoje, está com 40). E fala também do impacto que os títulos tiveram nos leitores.
 
- Qual foi hipótese da dissertação de mestrado? E a que conclusões chegou?
- Minha dissertação teve como tema central de pesquisa a publicação dos super-heróis dos "comic books" dos EUA pela EBAL, entre meados de 60 e 70. A proposta do trabalho foi analisar as razões desse processo editorial -contextualizado dentro da história da EBAL e dos quadrinhos de uma maneira geral- investigando, ainda, de que maneiras gerações de leitores foram influenciadas por tais publicações. Realizei um amplo levantamento iconográfrico das revistas da EBAL da época, além de entrevistas com leitores das publicações de Adolfo Aizen.  As narrativas dos super-heróis dos quadrinhos do período, de variadas maneiras, representam (seja isso intencional ou não) a crise das antigas certezas da luta do "bem contra o mal" -marcada pela Guerra do Vietnã, a revolução do comportamento, o avanço da mídia e da tecnologia sobre aspectos da sociedade, entre diversos outros aspectos da sociedade contemporânea. E foi a EBAL a editora nacional a publicar e difundir no Brasil grande parte das histórias mais importantes desse período, com qualidades, virtudes e dificuldades que são analisadas ao longo da pesquisa. A análise contextualiza a trajetória da EBAL, propondo a leitura de histórias relevantes lançadas pela editora.
 
- Adolfo Aizen é uma figura que parece permear toda a sua dissertação. Qual a importância dele: para o momento da Editora Brasil-América estudado por você; para a indústria de quadrinhos nacional?
- A história da EBAL, em sua amplitude, confunde-se com a evolução da imprensa no Brasil e seus variados impactos sobre a sociedade. A EBAL investiu na publicação de revistas e álbuns em quadrinhos feitos por artistas brasileiros (ou aqui radicados) sobre fatos da história brasileira, além de adaptações da literatura nacional. Artistas reconhecidos por sua contribuição na trajetória das HQs no Brasil trabalharam para a EBAL, como André Le Blanc, Gutemberg Monteiro, Nico Rosso, Monteiro Filho e Ivan Washt Rodrigues. Os títulos aqui produzidos são importantes no lento processo de legitimação das histórias em quadrinhos no Brasil.
 
- O que a série de entrevistas mostrou? Alguma marcou mais?
- Em todas as entrevistas, aparece uma recorrência: a leitura dos quadrinhos pontuou, exerceu influências (as mais variadas) sobre a vida de cada um. A dissertação dedica o quarto e último capítulo às entrevistas colhidas, destacando comentários dos leitores sobre edições e histórias da EBAL, acompanhados pela iconografia correspondente.
 
- Você sentiu algum tipo de preconceito na academia com relação a trabalhos científicos envolvendo quadrinhos?
- Antes de ingressar no mestrado, imaginava que isso poderia ocorrer. Mas não foi o que aconteceu. Pelo contrário, muitos colegas que trabalhavam com assuntos diferentes mostraram interesse pelo tema e até comentaram a importância em se aprofundar o conhecimento sobre uma forma de expressão tão relevante ao mundo contemporâneio, mas ainda com poucos trabalhos produzidos no país, em relação aos EUA e à Europa.
 
- Este mestrado vai render um doutorado na mesma linha?
- Certamente. Uma possibilidade é um estudo sobre as variadas relações da imprensa com as histórias em quadrinhos, uma linha de pesquisa que já venho desenvolvendo. Mas ainda não é o momento para me concentrar nisso. Ainda quero reler com calma, nas próximas semana, tudo o que escrevi. Daí, naturalmente as coisas irão ocorrer.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h27
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20/06/2006

EDITORAS VOLTAM A INVESTIR EM TERROR

A melhor revista de terror de 2005 foi cancelada. Dylan Dog, título vencedor do HQMix deste ano na categoria publicação de terror, teve a última edição publicada em fevereiro (número 40). A editora Mythos alegou baixas vendas. O mercado de quadrinhos brasileiro, no entanto, caminha em sentido contrário. Houve um sensível aumento no número de obras de terror colocadas à venda. E há mais em vista.
 
O último título lançado foi "Crimes Macabros", da editora Pixel (capa ao lado). Chegou às bancas há pouco mais de uma semana. A história é narrada e vivida por Cal Mcdonald. O caçador de monstros é tratado pelos autores como um ser humado de carne e osso, apesar de fictício. Mcdonald relata como descobriu uma estranha parceria entre vampiros e lobisomens, algo inédito até então.
 
"Crimes Macabros" ganha força à medida que se aproxima do fim. É quando o autor, Steve Niles, explica uma possível gênese científica para os monstros. Falar sobre a explicação seria entregar parte do desfecho da história. A proposta é remexer com os elementos estereótipos dos monstros. Os zumbis, por exemplo, estão do lado do bem. E usam até celular.
 
No fim do maio, outra editora investiu no filão, também editando material norte-americano. A editora HQManiacs lançou "Os Mortos-Vivos" (ver postagens dos dias 22 e 24 de maio). A história é de Robert Kirkman, que, ao lado de Steve Niles, tem se especializado em criações do gênero. esta trama reúne todos os clichês dos filmes de terros dos anos 70 e 80. Um xerife acorda do coma e encontra sua cidade -e as demais- dominada por mortos-vivos. Ele tem de sobreviver ao mesmo tempo em que procura a família.
 
Kirkman e o desenhista, Tony Moore, conseguem prender a atençao do leitor, apesar dos clichês (ou por causa dos clichês). O álbum encerra e fica aquele gosto de querer ler mais. A editora pretende lançar a continuação da aventura num segundo volume.
Outras editoras vêm investindo em publicações de terror há algum tempo. A Devir editou a obra de terror mais conhecida de Steve Niles, "30 Dias de Noite". Está em pré-produção para virar filme. O ator Josh Hartnett deve ser o protagonista. As continuações, "Dias Sombrios" e "30 Dias de Noite - Retorno a Barrow", também saíram pela editora e podem ser encontrados em lojas especializadas. A Devir programou para o segundo semestre outra obra de Niles, "Aberrações - No Coração da América".
 
A Opera Graphica investe no setor há alguns anos. Foi possivelmente a primeira a recuperar os quadrinhos de terror, inclusive os nacionais. Tem em seu catálogo títulos como "No Reino do Terror", de R. F. Lucchetti, "O Morto do Pântano" e "Mirza, a Vampira", de Eugênio Colonnese (veja capa acima), e "Calafrio - 20 Anos Depois". Todas podem ser encontradas nas lojas de quadrinhos.
 
O quadrinho nacional -nem todos sabem- foi muito popular entre as décadas de 50 e 80. Leia na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h50
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SITE REÚNE CAPAS DE REVISTAS DE TERROR

O Brasil teve muitas publicações de terror. Eram histórias de qualidade, que garantiram fama a uma série de escritores e desenhistas. As revistas do gênero ganharam força com o fim da editora norte-americana EC Comics, na década de 50, especializada em obras de terror. Foi vítima da "caça às bruxas" (aos quadrinhos, claro) patrocinada pelo psiquiatra Frederic Wertham, autor de "Sedução dos Inocentes", livro que rotulou os quadrinhos como os responsáveis pela violência e delinqüência juvenil. Sem material de fora, a saída foi investir numa solução caseira e brasileira.
 
O site "Nostalgia do Terror" reúne parte das capas de revistas do gênero publicadas no Brasil a partir dos anos 50. Foi idealizado por Ulisses Azeredo, um antigo colecionador de quadrinhos de terror. A iniciativa deste morador de Itiúba, interior da Bahia, recupera uma parte importante da memória do quadrinho nacional.
 
Abaixo, as capas dos primeiros números de duas das revistas mais conhecidas do gênero: "Kripta" e "Calafrio". O "Nostalgia do Terror" possui muitas outras capas, além de links sobre o assunto. Para acessar, clique aqui.
 
 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h43
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CAPITÃO PRESENÇA: UM HERÓI À BRASILEIRA

Uma sátira bem brasileira a todos os rótulos do universo dos super-heróis. O cartunista Arnaldo Branco criou um herói maconheiro, malandro e que é visto circulando –ou voando- pela orla carioca. “As Aventuras do Capitão Presença” (editora Conrad, R$ 25), lançado nesta semana, mostra muito do pouco que foi produzido sobre o personagem. É o primeiro álbum do anti-herói. A edição mescla histórias já publicadas com material inédito.

 

Capitão Presença tem pouco tempo de estrada. Foi criado no segundo semestre de 2003. “Bolei o personagem baseado na figura do Matias Maxx, fotógrafo, jornalista, fanzineiro [um dos criadores do “Tarja Preta”] e agora dono de uma loja roupas/quadrinhos/acessórios para se fumar tabaco”, conta Arnaldo Branco. “O Matias tem todos os poderes do Presença, menos voar –ou seja, tem sempre em beque em cima, em qualquer situação.” O cabelo e o cavanhaque ralo também vieram de Matias.

 

O cartunista carioca fez algumas histórias e colocou em seu blog. Deixou lá e foi viajar, como conta no texto de abertura do álbum. Quando voltou, ficou espantado com a repercussão. “Não ia fazer muita coisa a respeito do personagem, a idéia original era só sacanear o Maxx. Mas, quando fui ver, vários cartunistas se afeiçoaram ao Capitão e desenharam suas próprias versões, enviando para mim ou para o Matias.” O material saiu no primeiro número do Tarja Preta.

 

Depois do batismo, Presença fez jus ao nome. É um dos personagens fixos da revista “F.” (ver postagem do dia 31 de maio), que Branco edita com  os "comparsas" Leonardo e Allan Sieber. “O álbum da Conrad tem todas as histórias que saíram pela “Tarja” e pela “F.”, mas tem muito mais material inédito, já que a Tarja tem uma periodicidade irregular e eu tinha feito poucas tiras para a “F.””, diz.

 

Arnaldo Branco está com 34 anos. Começou a fazer quadrinhos em 1998. Criou uma tira chamada “Pretos de Preto – Blackmen in Black” para um informativo da comunidade de Vigário Geral, no Rio de Janeiro. Em 1999, ficou em segundo lugar num concurso promovido pelo jornal “Folha de S.Paulo” com a tira “Mundinho Animal”. O humor, presente desde esses primeiros trabalhos, sempre pautou suas produções. É dele também a criativa Futebol-Força Futebol Clube, um dos pontos altos da revista “F.”

 

O cartunista mantém um blog. Para acessar, clique aqui. Num outro link, mantém histórias de “Mundinho Animal”. Para conhecer o material, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h30
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17/06/2006

VENCEDOR DO HQMIX PUBLICA "BIBLIOTECA DOS QUADRINHOS"

"Biblioteca dos Quadrinhos". É esse o nome do novo livro do jornalista e escritor Gonçalo Junior, vencedor da categoria grande contribuição do ano do HQMix 2006 (uma das mais importantes do prêmio; leia mais na postagem abaixo). A obra vai reunir tudo o que foi escrito e noticiado sobre histórias em quadrinhos no Brasil. O autor resenhou mais de 700 títulos. O mais antigo é de 1944. O livro, de 350 páginas, deve sair até o fim de julho pela editora Opera Graphica.

A pesquisa contém publicações impressas e veiculadas pela internet. A última atualização é de maio de 2006. Cada obra resenhada terá uma ficha completa, com o formato da obra, autor e o número de páginas. O livro vai ser dividido em nove partes:

  1. livros exclusivamente sobre histórias em quadrinhos
  2. livros com artigos (ao menos um) sobre quadrinhos
  3. obras sobre caricatura, cartum, charge e desenho animado
  4. romances que vieram dos quadrinhos e quadrinhos que vieram dos romances
  5. álbuns de quadrinhos que contenham ensaios a respeito do personagem-título
  6. revistas especializadas em reportagens sobre quadrinhos
  7. revistas que falam de arte e incluem, entre as matérias, quadrinhos
  8. fanzines
  9. sites e blogs que noticiam quadrinhos

"É um trabalho dirigido a pesquisadores, estudantes e meios de comunicação brasileiros", conta o autor. Na pesquisa, contou com a colaboração do publicitário Nobu Chinen, do jornalista Franco de Rosa e do cartunista Gualberto Costa, o Gual.

Além da "Biblioteca dos Quadrinhos", Gonçalo Junior está escrevendo a Segunda parte de "Guerra dos Gibis". O livro, publicado pela Companhia das Letras, venceu o HQMix do ano passado de melhor obra teórica sobre quadrinhos. Em 96, o trabalho, que foi a base do livro, também levou o prêmio de melhor pesquisa. "A vitória de ´Guerra dos Gibis´ em 96 me abriu muitas portas", diz o jornalista, natural da Bahia. "Foi o que levou a minha vinda para São Paulo", onde mora atualmente.

A premiação de grande contribuição do ano no HQMix 2006, segundo ele, foi o reconhecimento pelos 20 anos de "trabalho árduo e solitário" na área. "Prêmios sempre são uma espécie de estímulo. É muito frustrante nadar, nadar e não ser percebido. Eu fico muito feliz porque acho que é a categoria mais importantes do HQMix."

Em 2005, Gonçalo Junior publicou quatro obras ligadas a quadrinhos. Escreveu "O Homem Abril" (R$ 49) e "Tentação Italiana" (R$ 98, imagem da capa acima), as duas pela Opera Graphica, organizou a coleção "Quadrinhos Sujos" (R$ 39, mesma editora) e fez a biografia do famoso desenhista dos cartazes de cinema em "Benício – Um Perfil do Mestre das Pin-ups", pela editora RLV (R$ 49,90).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h55
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16/06/2006

HQMIX 2006: MAIS PREMIADOS

Os organizadores do HQMix 2006 divulgaram os últimos vencedores do prêmio, considerado o Oscar dos quadrinhos no Brasil. Faltava definir quatro categorias: grande contribuição do ano, mestre homenageado (uma das mais importantes do prêmio), valorização da linguagem do quadrinho e humor gráfico e melhor tese do ano de 2005. Os premiados foram:

- troféu grande contribuição do ano: Gonçalo Junior, jornalista que teve vários trabalhos publicados na área dos quadrinhos em 2005 (leia entrevista com ele nas postagens do dia 2 de junho)

- troféu mestre homenageado: Inácio Justo, pelas histórias de guerra publicadas nos anos 60

- troféu valorização da linguagem do quadrinho e humor gráfico: Primeiro Salão Mackenzie de Humor, para marcar o primeiro salão de humor, no Colégio Mackenzie, em 1973

- troféu melhor tese do ano de 2005: Andrea de Araújo Nogueira, por "Humor e Populismo: O desafio diário nas Charges de Nelo Lorenzon (1948-1960)". O trabalho teve orientação de Antonio Luis Cagnin e foi defendido na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo no dia 6 de abril do ano passado.

As outras categorias do Prêmio HQMix 2006 foram divulgadas no começo deste mês (leia sobre os vencedores nas postagens do dia 2 de junho). O cartunista Spacca, de "Santô e os Pais da Aviação", foi o grande destaque. Venceu em quatro categorias. A entrega do troféu será no dia 11 de julho, no Sesc Pompéia, em São Paulo. A cerimônia está para marcada para começar às 20h e é aberta ao público.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h42
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14/06/2006

DIÁLOGO (CONVINCENTE) ENTRE QUADRINHOS E LITERATURA

Quem estuda quadrinhos nas universidades já se deparou com a discussão sobre o aspecto literário dos quadrinhos. É literatura ou se trata de uma outra forma de narrativa, numa outra linguagem? Geralmente, o debate não chega a uma conclusão. Um lançamento deste mês pode dar uma nova luz ao tema. "Lobo Alpha" (editora Rocco, R$ 31) , de Helena Gomes e Alexandre Barbosa, não é nem litetarura nem quadrinhos. É os dois.

A mescla muda o processo de leitura. O texto some em determinados momentos e abre espaço para páginas de histórias em quadrinhos. Depois, volta o texto. A parte visual funciona como uma fissura na narrativa, contando um aspecto tangencial da história. "Esse corte serve como referência para a continuidade da história. Mas faz parte dela", diz Alexandre Barbosa -ou Bar, como também é conhecido-, que cuidou dos desenhos.

A idéia surgiu há alguns anos de uma conversa entre os autores. Pessoas (aparentemente) normais desenvolvem poderes de mutação. O personagem-título se transforma num lobo. "Era para ser um roteiro de histórias em quadrinhos", diz a jornalista e professora universitária Helena Gomes, responsável pelo texto. Quando voltou ao projeto, anos depois, reformulou tudo. Deu mais profundidade aos protagonistas e planejava algo novo. "Queria uma coisa diferente. Como o personagem era um desenhista, pensei: por que não intercalar texto e história em quadrinhos? Por que não misturar como se fosse ele desenhando?"

O livro foi lançado pelo selo "jovens leitores" da editora Rocco. A trama, com pessoas em processo de mutação, tem um apelo aos apreciadores de super-heróis. Mas não é voltada apenas para esse público, segundo os autores. "Lobo Alpha" é só mais um elemento que une os Alexandre Barbosa e Helena Gomes. Os dois têm uma trajetória com muitas coincidências: ambos nasceram no mesmo ano (1966), na mesma cidade (Santos, no litoral de São Paulo), são professores universitários, tiveram experiência na imprensa escrita, possuem outras obras publicadas.

Bar teve outro livro ligado a quadrinhos. É um dos autores de "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula", lançado em 2004 pela editora Contexto. Ele foi o responsável pela parte sobre o ensino de artes nas escolas.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h01
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13/06/2006

SPACE GHOST DE VOLTA AOS QUADRINHOS

Personagem de desenho animado não morre, vai para o limbo dos personagens esquecidos. Fica lá até ser resgatado. Não sei quem inventou esse raciocínio, mas se aplica bem a Space Ghost, herói-título da animação exibida nos Estados Unidos de 1966 a 1968 (foram 42 episódios). Ficou esquecido por mais de uma década, teve um namoro rápido com os quadrinhos, voltou à TV num novo desenho no início dos anos 80 (mais 22 episódios), depois como âncora de um "talk show" de humor (Space Ghost de Costa a Costa, transmitido pelo Cartoon Network), retorna agora às histórias em quadrinhos.
 
"Space Ghost" (editora Panini, R$ 5,90) chegou nesta semana às bancas. A proposta do escritor Joe Kelly (que roteirizou por anos as histórias do Super-Homem) é explicitar o que o desenho intencionalmente escondia: o passado do herói e os detalhes de sua vida pessoal. No primeiro número da minissérie, o antigo fã do personagem fica sabendo o nome dele -Thadeus Bach-, que era casado, que participava de um grupo de elite da polícia, que é traído por seu superior e que perde alguém muito próximo, a ponto de pensar em suicídio. No fim, encontra os braceletes e a espaçonave.
 
O fã de carteirinha do "herói fantasma do espaço" (como dizia a abertura do desenho) talvez torça o nariz ante tantas novidades. A estranheza tem motivo. Os desenhos da empresa de animação criada por William Hanna e Joseph Barbera tinham uma característica comum: não importava o que ocorresse na história, os heróis sempre venciam e você nunca, nunca ficava sabendo aonde iam e qual era sua intimidade. Não era necessária uma explicação muito lógica para o que se via na tela. Era algo atemporal e ingênuo.
 
Num dos epsiódios, "The Space Ark" (" A Arca do Espaço", na versão dublada), o início resumia a trama, sem muitos detalhes. Space Ghost, a bordo de sua nave espacial, diz aos parceiros: "Acabam de me avisar que o Rei das Feras está indo para Júpiter com uma horda de feras controladas. É, ele voltou." Era tudo o que o espectador precisava saber. Estava armado o enredo para o herói usar seus poderes.
  
Nos desenhos, as aventuras de Space Ghost mostravam suas viagens pelo espaço. Era sempre acompanhado de Blip -o macaquinho da trupe- e de um casal de auxiliares, os gêmeos Jane e Jace (nenhum aparece neste início de minissérie). O perigo era o pretexto para Space Ghost utilizar seus braceletes de força, cheios de botões, cada um com uma função específica. Um deles emitia poderosos raios. Outro garantia invisibilidade (a inviboforça). A fórmula de Hanna e Barbera inseria nas aventuras sutis toques do humor. Em geral, ficavam a cargo de um animal, criado especialmente para esse fim. Em Space Ghost, o papel era de Blip. Deu tão certo que o humor se tornou o ponto central dos desenhos de aventuras da empresa nas décadas seguintes. Scooby-Doo é um bom exemplo.
 
Parte desse saudosismo se perde na minissérie da editora Panini, lançada originalmente no ano passado. O herói é transportado para o universo ultra-realista que há décadas invade os quadrinhos de super-heróis americanos. Funciona? Sim, principalmente para quem gosta de histórias de super-heróis (há também os desenhos de Ariel Olivetti, uma atração à parte). Para aquele adulto, que esconde a criança que via o herói e vibrava com seus braceletes, podem incomodar tantos detalhes sobre a vida do personagem. Eles põem abaixo todo o ar de mistério e ingenuidade que rodeava o herói, a começar pela máscara, que nunca revelava seu rosto. Mas não vai incomodar tanto quanto a morte de Alex Toth, verdadeiro criador do layout de Space Ghost. O desenhista faleceu no último dia 27 de maio.
 
Space Ghost passa no Brasil há décadas. O primeiro dublador dele, Arakém Saldanha, conversou com o Blog dos Quadrinhos. Leia na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h26
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A VOZ BRASILEIRA DE SPACE GHOST

O desenho animado de Space Ghost estreou nos Estados Unidos no dia 10 de setembro de 1966. No Brasil, chegou pouco depois. A versão brasileira foi feita pela AIC-São Paulo. Quem tem mais de trinta, talvez se lembre dos bordões utilizados na abertura. Primeiro, vinha o grito: "Spaaaaace Ghooooooost!". Depois, percebia-se a trilha. O locutor completava, de forma enfática: "o herói fantasma do espaço. Distribuição da CBS Filmes do Brasil. Versão Brasileira, AIC São Paulo". A AIC São Paulo dublou a maior parte dos desenhos da Hanna & Barbera dos anos 60.
 
 O herói fantasma do espaço ganhou uma voz grave, que dava a ele um ar sério e imponente. Não parecia a mesma voz que atendeu o telefonema feito pelo Blog dos Quadrinhos. "Sim, fui eu que dublei o Space Ghost", disse um acolhedor e simpático Arakém Saldanha. Faz tempo que a dublagem foi feita. Tanto tempo que ele não sabe dizer com exatidão o ano em que ganhou o papel do personagem. "Fiz teste, todo mundo fazia. Você tinha de fazer semelhante ao original", diz. A escolha, segundo ele, dependia muito do patrocinador e da empresa. A dublagem, ao contrário de tantas outras que se perderam, foi preservada nas reprises.
 
O paranaense Saldanha trabalha com dublagem há quase 60 anos. Começou nos anos 50. O tempo dedicado à profissão dá a ele ainda mais autoridade para dizer que, naquela época, era tudo feito "na raça". "Tinha que decorar. Não tinha som para se guiar. Eram dois, três atores juntos na mesma sala. Se dois acertavam o texto eo terceiro não, voltada tudo do início." Hoje, o trabalho é feito individualmente.
 
Na época das dublagens de Space Ghost, dividia a tal "sala" com Rita Cléos, Olney Cazarré e Older Cazarré, respectivamente os gêmeos Jane e Jace e o vilão Zorak (o mais famoso oponente do herói). Os três atores já estão falecidos. Olney Cazarré, que fazia um fanático pelo Corinthians na "Escolinha do Professor Raimundo", da Rede Globo, morreu em 19 de janeiro de 1991, aos 47 anos. É dele também uma das vozes do Pica-Pau e a de James Stevens, marido da Feiticeira.
 
O irmão Olney, Older Cazarré, também trabalhou nos programas de humor de Chico Anysio. Na dublagem, fez muitos dos desenhos da Hanna & Barbera da década de 60. O mais famoso trabalho dele foi, possivelmente, o que fez em Dom Pixote. O ator morreu atingido por uma bala perdida que entrou pela janela. Estava dormindo em seu apartamento, no Rio de Janeiro. O caso ocorreu em 26 de fevereiro de 1992, pouco mais de um ano depois da morte do irmão.
 
Arakém Saldanha, o nosso Space Ghost, está em férias. Viajou para Águas de Lindóia, cidade a 170 km de São Paulo. Aos 76 anos, continua na ativa. Dirige dublagens na empresa Dublavideo, em São Paulo, cidade onde mora há quase seis décadas. Ele pretende, daqui para frente, atuar mais nos bastidores da dublagem, opção feita há alguns anos. Talvez por isso, não tenha sido lembrado para fazer "Space Ghost de Costa a Costa", exibido pelo Cartoon Network. Mas foi dele a voz da segunda versão do desenho, feita nos anos 80. Teve 22 episódios.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h24
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UMA CHARGE VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS - 1

Traço: Orlandeli. Fonte: http://blogorlandeli.zip.net/

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h11
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UMA CHARGE VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS - 2

Traço: Paulo Stocker. Fonte: http://stockadas.zip.net/

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h09
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10/06/2006

LIVRO EXPLICA A INVASÃO MUNDIAL DOS MANGÁS

"Este livro não é um elogio ou uma apologia aos mangás". A frase foi pinçada da abertura de "Mangá - Como o Japão Reinventou os Quadrinhos" (Conrad, R$ 75), lançado neste mês. Paul Gravett, o autor (da frase e da obra), parte do princípio que deveria nortear todo trabalho científico: deixe os preconceitos de lado e veja o que o objeto de estudo tem a mostrar.
 
E este objeto de análise, os mangás, tem muito a dizer. O livro preenche todas as brechas sobre o assunto. Mostra o contexto histórico, que levou o Japão a produzir quadrinhos. Faz uma cuidadosa resenha de seus criadores e personagens (cita até o brasileiro Julio Shimamoto). Revela o poder e a influência dessa indústria no mercado editorial japonês. De cada dez publicações do país, quatro são mangás.
 
O que levou o país a investir tão alto no gênero? Paul Gravett, em entrevista por e-mail ao Blog dos Quadrinhos, vê no fim da Segunda Guerra Mundial um divisor de águas da produção dos mangás. "Antes da Guerra, a indústria dos quadrinhos era fortemente influenciada pelas tiras norte-americanas, como as de George McManus [criador de Pafúncio e Marocas", diz. "O mangá teve de esperar até a derrota do Japão em 1945 para renascer como uma fênix".
 
O renascimento trouxe algumas mudanças: uso de impressões com uma só cor e a publicação de almanaques com muitas histórias, muitos personagens, muitos autores a um preço baixo. A migração dos mangás para os desenhos de TV foi um impulso a mais na indústria.
 
Além da Segunda Guerra, fica claro na leitura da obra o papel que Osamu Tezuka desempenhou na fixação do gênero. Muitas das criações de mangás e de desenhos animados partiram dele. São dele produções clássicas, como "A Princesa e o Cavaleiro" (publicada no Brasil pela JBC), "Astro Boy" (mais conhecido por aqui por causa da animação) e, mais recentemente, "Buda" e "Adolf" (que saíram pela Conrad). Com esforço, Tezuka impôs um estilo à indústria. Não faltam no livro outras criações, como Dragon Ball, para citar apenas uma. estão todas lá, as que saíram no ocidente e as que não saíram. Não é novidade que os mangás, hoje, exercem influência na Europa e nas Américas.
 
Aos Estados Unidos, acostumados com seus heóris imortais e sagas intermináveis, Gravett conta que os mangás ensinaram "a mais radical de todas as lições: nem todo personagem de quadrinhos dura para sempre". E acrescenta: "o mangá entretém porque mostra o surgimento e o crescimento dos personagens e, de fato, caminham rumo a um fim. Isso pode durar milhões de páginas, mas você pode ver realmente as mudanças ocorrendo."
 
A lição que veio do oriente, de fato, mudou a forma como as publicações eram tradicionalmente publicadas. "As séries regulares de Cerebus, Watchmen, Sandman, Preacher, Bone e outras graphic novels provam que há um público para histórias completas." O jornalista Paul Gravett vê seu livro como "uma primeira palavra" sobre mangás. A cautela é bem-vinda. O Brasil tem um estudo pioneiro sobre o assunto. Em 1991, Sonia Bibe Luyten publicava o resultado de tese realizada na USP, Universidade de São Paulo: "Mangá - O Poder dos Quadrinhos Japoneses". No livro, ela já antecipava ao ocidente o impacto da produção industrial japonesa e traçava suas principais características. Ganhou nova edição em 2000, pela editora Hedra (leia entrevista com a autora na postagem abaixo).
 
Não ser o precursor de publicações a respeito não desmerece a obra de Paul Gravett. Nem seu autor, que batalha no mundo dos quadrinhos há mais de 20 anos. O jornalista inglês foi um dos responsáveis pela revista "Escape", que publicava quadrinhos. Co-editou "Violent Cases", de Neil Gaiman e Dave Mckean, em 1987. De 1992 a 2001, foi o diretor do Cartoon Art Trust, que tinha a incumbência de preservar os quadrinhos na Inglaterra.
 
'Mangá - Como o Japão Reinventou os Quadrinhos" ganhou na Califórnia, nos Estados Unidos uma polêmica inesperada. Uma mãe se escandalizou numa livraria ao ver o filho, de 16 anos, ver imagens de sexo num livro sobre mangás. A obra teve de ficar restrita às seções reservadas. A polêmica, certamente, ajudou nas vendas.
 
P.S.: o jornalista e diretor da Conrad, Rogério de Campos, foi quem matou a charada no prefácio da obra. Enquanto os americanos impuseram restrições e censura aos quadrinhos após a Segunda Guerra, especialmente na década de 50, a produção dos mangás caminhava a passos largos no caminho inverso. O resultado está aí.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h40
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SONIA BIBE LUYTEN

O Brasil –nem todos sabem- figura entre os pioneiros nos estudos sobre mangás. O mérito é da pesquisadora e professora universitária Sonia Bibe Luyten. Ela publicou em 1991, pela editora estação Liberdade, “Mangá – O Poder dos Quadrinhos Japoneses” (veja capa ao lado), resultado de pesquisa realizada na Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo). O livro venceu o Prêmio Romano Calise do prestigiado Festival Internacional de Lucca, na Itália. No Brasil, a obra esgotou. Foi relançada em 2000 pela Hedra. O livro, hoje, é recomendado aos professores pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.
 

Sonia Luyten não pára. Já foi professora da USP, deu aulas no Japão, morou na Holanda. Tantas viagens a tornaram uma referência em quadrinhos estrangeiros. Depois de participar de dois eventos, um em Goiânia e outro em Recife, ela conversou com o Blog dos Quadrinhos. A pesquisadora fala de sua obra e como contribuiu para a pesquisa de “Mangá – Como o Japão Reinventou os Quadrinhos”, de Paul Gravett (leia na postagem acima).

 

No fim da sua obra, você comenta que é difícil dizer qual o caminho que os mangás trilhariam dali para frente. Passaram-se alguns anos. Já é possível perceber para onde a trilha vai?

- Podemos observar alguns pontos de mudanças a partir dos anos 90. Nos mangás femininos, notamos uma mudança na estética.Os corpos esguios foram tomando mais volume e os  seios ficaram cada vez maiores. Os olhos sofreram outra transformação, ficando mais angulosos e com menos raios e estrelinhas que saltavam de dentro deles. Muitos temas novos, com a inclusão de mitologia ocidental, foram incorporados ao estilo japonês.

 

 - A indústria de quadrinhos japoneses se adaptou ao mundo globalizado?

 - Com certeza.  Ela passou a ser um item de exportação como qualquer outro produto. No Japão, após a perda da Segunda Guerra Mundial, houve uma programação organizada para crescer e  exportar. O inicio foi com as pérolas, depois rádios, aparelhos de som, TVs, (que antes eram de qualidade duvidosa), carros, tecnologia, artes tradicionais (ikebana, cerimônia  do chá etc), formas de organização empresarial e, finalmente, neste milênio, a intensificação dos produtos da cultura pop, como os animês e mangás em escala gigantesca.

 

- Qual a diferença básica entre a sua obra e a de Gravett?

- Conheci Paul  Gravett num dos Festivais da Amadora, em Portugal,  e conversamos muito sobre o meu livro, sobre os mangás que dei a ele naquela ocasião.  Ele me disse que estava interessado nesse assunto, pretendendo escrever um livro, e me pediu algumas contribuições sobre alguns assuntos relativo aos mangás e também sobre os desenhistas nisseis da geração dos anos 60 (como Shimamoto, Cláudio Seto, Paulo Fukue), que já produziam mangá no Brasil antes dos norte-americanos. Convidei Paul para vir ao Brasil em 2003 para o Seminário de Cultura Pop Japonesa que organizei em Santos [compilado no livro “Cultura Pop Japonesa – Anime e Manga”, também da Hedra], mas infelizmente não pode vir pois sua mãe estava com uma operação marcada justamente naquela data. Tempos depois, enviou-me seu livro pronto em inglês, que achei muito lindo graficamente, revelando um investimento espetacular da editora. Aqui no Brasil, são poucas as editoras que investem numa edição como esta, colorida, papel de boa qualidade. E o mangá é um assunto, como qualquer  HQ, que precisa de muita imagem e produção editorial. Se desde  1991 as editoras brasileiras me ouvissem quando eu dizia que  o mangá era o futuro, que editassem de forma bem feita o meu livro, o Brasil estaria na frente e seria pioneiro no mundo nesse assunto. Fico muito frustrada com a  mentalidade estreita de muitas editoras e da falta de visão para investir. Depois que o assunto vira produto de massa, como é o caso do mangá, aí é que vão investir, deixando para trás os autores. Digo isso porque  já estou em outro patamar em pesquisa de quadrinhos e as editoras brasileiras ainda não se entusiasmaram com novos assuntos que estão em minha pauta.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h21
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COPA + CARLOS ZÉFIRO + DIA DOS NAMORADOS

O cartão é da editora A Cena Muda, do Rio de Janeiro (addadig@hotmail.com)

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h16
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LAZARUS LEDD: NOVA EDIÇÃO

Saiu hoje o segundo número de Lazarus Ledd, personagem italiano criado por Ade Capone. O lançamento mostra que, até o momento, a estratégia de assinaturas da editora Tutatis tem funcionado. A editora intercalou vendas nas lojas especializadas a um sistema de assinaturas, organizado por fãs de quadrinhos italianos (ver postagens do dia 29 de junho). A edição três está prevista para o dia 27 de junho. A imagem abaixo é da capa do número dois.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h08
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08/06/2006

PONTA DE STOCKER 1: QUADRINHOS DE GRAÇA

A figura aí ao lado é o Tulípio. É um daqueles paulistas chegados a um bar. Ou boteco, como preferem seus criadores.
 
Começou mais ou menos assim. Eduardo Rodrigues, um publicitário que gostava de beber, pensou num personagem que também gostasse de beber. Os dois, criador e criatura, precisavam de um desenhista que captasse a "alma" de ambos. Encontraram em Paulo Stocker o parceiro ideal.
 
"É uma afinidade de dois caras que bebem", conta Stocker, um catarinense da cidade de Brusque. "É um traço boêmio". A inspiração de Rodrigues, diz, vem dos bares. "Sabe aqueles caras que conhecem todos os bares da cidade, sabe de cabeça onde tem a melhor comida de qualquer prato? É o Eduardo."
 
O publicitário tinha as idéias nos bares que freqüentava. "Ele criava as frases no boteco. Escrevia num guardanapo. Reuniu mais de 800." De idéia em idéia, de frase em frase, de desenho em desenho, os dois reuniram cartuns suficientes para fazer uma revista com Tulípio. Imprimiram sete mil exemplares. A primeira rodada das histórias será servida de graça aos leitores. E não se inspiraram no personagem para ter a idéia.
 
O lançamento da revista está marcado para a próxima segunda-feira. Será num bar de São Paulo. Stocker e Guimarães fizeram uma parceria com o dono de uma rede de bares (ou botecos) paulistanos. Quatro vão distribuir as edições. O projeto prevê trinta pontos de distribuição e, futuramente, cem mil exemplares. Cem mil  "revistas de boteco", como resolveram chamar.
 
A idéia é que cada edição do personagem boêmio tenha um artista convidado. O deste primeiro número é o cartunista Paulo Caruso. A dupla também vai exibir 32 animações com o personagem, exibidas nos próprios bares (o chamado "cineboteco").
 
Este é um dos dois lançamentos de Paulo Stocker. Neste sábado, 10 de junho, ele lança "Stockadas", pela editora Via Lettera. Leia na postagem abaixo.
 
SERVIÇO.
Tulípio. Onde: Posto 6. Rua Aspicuelta, 644, na Vila Madalena, em São Paulo. Quando: segunda-feira, 12 de junho. Horário: a partir das 19h.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h46
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PONTA DE STOCKER 2: STOCKADAS

"Stockadas" (Via Lettera, R$ 19,50), que vai ser lançado no sábado (10.06), é o trabalho de uma vida. Levou 20 anos para ficar pronto e é um resumo, em imagens, da trajetória de seu criador, Paulo Stocker.
 
O cartunista começou a ganhar destaque na coluna "Woodstocker", que fazia na "Tribuna de Brusque", jornal da cidade homônima, em Santa Catarina. Dessa época, 1986, para cá fez muitos outros trabalhos, ou stockadas, como batizou. Houve stockadas na "Caros Amigos", no "Pasquim 21", no álbum "Central de Tiras".
 
O título que lança agora pela editora Via Lettera reúne parte dessa trajetória, que está estacionada hoje em São Paulo, cidade onde mora há 12 anos. "Stockadas" mostra as ilustrações de humor que tinham sexo como tema. Ele as considera produções surreais. "Havia uma mentalidade de que o grande público não entenderia o que é surrealismo. Pois eu levei o assunto para o banheiro [referência ao tema álbum]. Isso tornou o surrealismo popular", diz.
 
As ilustrações brincam com a relação entre homem e mulher, sempre com uma conotação sexual. Para Stocker, trata-se de mostra de arte em forma de revista. "Eu considero o álbum uma exposição de artes plásticas. Não cansa porque não conta uma história. Cada página é a história."
 
"Stockadas" tem 80 páginas. As ilustrações são feitas em preto-e-branco. Um bom aperitivo pode ser visto no blog que Paulo Stocker mantém há um ano no UOL. O "Ponta de Stocker", outro trocadilho com o nome dele (que tomei emprestado para o título desta postagem), reúne trabalhos do autor. Para acessar, clique aqui.
 
Leia sobre o outro lançamento do cartunista, "Tulípio", na postagem acima.
 
SERVIÇO
Stockadas. Onde: Casa das Rosas. Avenida Paulista, 37, em São Paulo. Quando: sábado, 10 de junho. Horário: 20h.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h25
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SOB NOVA DIREÇÃO

Um novo grupo de heróis tenta salvar o mundo de uma ameaça interplanetária. Não é novidade para quem lê quadrinhos. E se a nova equipe tiver integrantes parecidos com Super-Homem e Batman? Também não seria novidade. Mas e se o grupo assumir um papel de liderança mundial, numa posição supranacional? Uma monstruosa nave, do tamanho de uma cidade, garantiria a supremacia entre as nações. Mais: as versões do Homem-de-aço e do Cavaleiro teriam um relacionamento homossexual. Que tal? Bom, aí teríamos, certamente, algo de muito novo.
 
É esse o enredo de Authority. O grupo tem a incumbência de livrar o planeta das grandes ameaças. Foi assim nas primeiras histórias, publicadas pela Pandora (editora que já não existe mais) e relançadas pela Devir num álbum único ("Authority - Sem Perdão"). É assim neste novo volume, "Authority - Sob Nova Direção", lançado nesta semana (Devir, R$ 43), que apresenta material inédito no Brasil.
 
A edição reúne dois arcos de histórias da revista norte-americana do grupo. O primeiro arco, "Trevas Cósmicas", mostra a luta contra uma entidade que chega ao planeta Terra. É chamada de Deus e é, potencialmente, indestrutível. Essa é a missão que o Authority tem em mãos. Um dos personagens morre ao final.
 
O arco encerra a fase de Warren Ellis (texto) e Bryan Hitch (desenhos) no título. Hitch, depois, embarcou em outro projeto, que hoje faz sucesso nos Estados Unidos: "Os Supremos", da editora Marvel Comics. A revista -escrita por Mark Millar- faz uma atualização dos Vingadores, equipe que conta com Capitão América, Homem de Ferro e Thor (aqui, um ativista ecológico). É publicada atualmente pela Panini na revista "Homem-Aranha Millenium". É irresistível uma aproximação entre os dois títulos. Tanto em Supremos como em Authority o foco está na geopolítica e nas relações internacionais. Pode-se dizer que um trabalho era um rascunho do outro.
 
Outro ponto que instiga a aproximação entre as obras é Mark Millar. É dele o texto do segundo arco de "Authority - Sob Nova Direção", batizado de "Natividade". Ele assume as semelhanças ao usar, em Authority, uma paródia dos Vingadores (ou dos Supremos). A referência aos heróis da Marvel é mais uma "cutucada" de Millar, algo que faz parte do estilo dele. Há outras críticas, explíticas e veladas. Cabe ao leitor encontrar. Em "Natividade", o Authority tem de administrar a popularidade (viraram celebridades mundiais) e a busca por uma criança, que pode determinar o rumo do século 21.
 
O "Sob Nova Direção", subtítulo do novo álbum, é intencionalmente ambíguo. Um dos integrantes assume a liderança da equipe em "Natividade", e a revista, nesse segundo arco, ganha uma nova equipe de criação, Millar e o desenhista Frank Quitely. Quitely se destaca naturalmente. Após a passagem pela revista, sua arte esteve presente em títulos campeões de venda, como X-Men (material já publicado no Brasil pela Panini) e o novo título do Super-Homem nos Estados Unidos, "Superman All-Star" (feito com o escritor Grant Morrison).
 
Quitely tem um desenho realista e provocador. Desenha as cenas de ação e de luta como todos os outros, mas impõe sutis toques de ironia, daquela ironia bem sugestiva. Percebe-se isso nos detalhes. É só observar os rostos que ele faz, especialmente os do personagem Apolo. Dizem muito mais do que a própria cena sugere.
 
E há também o relacionamento entre as versões de Super-Homem (= Apolo) e Batman (= Meia-Noite). Quando a revista foi lançada no exterior, a imprensa só tinha olhares para os dois. O caso ajudou na divulgação do título, lembrado até hoje por conta do romance entre os heróis.
 
A Devir colocou 13 páginas de "Authority - Sob Nova Direção" no site da editora. É o começo do álbum. Para acessar, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h45
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07/06/2006

A DEMOCRACIA ESPANHOLA EM QUADRINHOS

 

 

A charge ao lado é um dos 98 painéis da exposição “A História em Quadrinhos da Democracia Espanhola”. A mostra começa hoje. Reúne desenhos do período em que a Espanha migrava da ditadura de Francisco Franco para o período democrático. A maioria dos trabalhos vai da morte de Franco, em 1975, até a vitória do partido socialista, em 1982. Há produções de 84 artistas.

 

Na Espanha, ocorreu processo semelhante ao Brasil. O ácido humor gráfico refletia as aspirações da sociedade pelo fim da censura. Olhar a história espanhola, por meio das imagens, é entender um pouquinho melhor o Brasil de Ziraldo, Carusos, Henfil, Jaguar, Claudius e tantos outros que usaram os desenhos como um grito visual contra o fim da ditadura.

 

A exposição fica aberta ao público até o dia 7 de julho. A entrada é franca.

 

 

 

 

SERVIÇO

As Histórias em Quadrinhos da Democracia Espanhola. Onde: Espaço Cultural Instituto Cervantes. Avenida Paulista, 2439 (ao lado do metrô Consolação), em São Paulo. Horário: segundas, das 14h às 20h; terças a sextas, das 8h às 21h; sábados, das 9h às 15h (não abre aos domingos e feriados). Quando: até 7 de julho. Quanto: a entrada é franca.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h34
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PRÉVIA: SIN CITY

As imagens abaixo fazem parte do álbum "Sin City - Balas, Garotas e Bebidas", de Frank Miller. O álbum publica as últimas histórias da cidade do pecado. Reúne 11 narrativas curtas, a maioria inédita no Brasil. As páginas abaixo -inéditas- fazem parte de "Contramão".
 
O álbum, o sétimo publicado pela editora Devir, sai até o fim do mês.
 
 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h55
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06/06/2006

BIOGRAFIA E HISTÓRIAS RARAS MARCAM 70 ANOS DO FANTASMA

Duas publicações marcam os 70 anos de criação do Fantasma. A primeira saiu nesta semana. "O Fantasma - Sempre aos Domingos" (editora Opera Graphica, R$ 69,90) compila histórias do personagem publicadas de 1939 a 1942. O título do álbum tem uma boa explicação. Era -e ainda é- uma tradição os personagens norte-americanos terem tiras publicadas durante a semana e uma página aos domingos.
 
O assunto foi muito bem explicado na introdução da obra, escrita pelo jornalista Gonçalo Junior, o mesmo de "O Messias" (ver postagens do dia 2 de junho) e "A Guerra dos Gibis". O texto dele é um atrativo à parte. Remonta toda a história do herói e a insere no contexto da época. Há também uma apresentação, curiosamente feita por Luís Nassif, jornalista especializado na área econômica.
 
O álbum foi pensado para o colecionador de quadrinhos. Tem acabamento de luxo, capa dura, tamanho maior (como as edições de "O Príncipe Valente" da antiga editora Ebal), 112 páginas. Reúne sete histórias, contadas página a página, originalmente lidas domingo a domingo. A primeira, "A Liga dos Homens Perdidos", é de 28 de maio de 1939, três anos depois da criação do personagem, até então publicado apenas em tiras diárias. Segundo a editora, é a primeira vez que o material sai na íntegra no Brasil. Para isso, os organizadores tiveram de garimpar as histórias com fãs e reproduzir parte das páginas.
 
Outro item de colecionador é o conteúdo. O material resgata desenhos raros de Ray Moore, que criou o personagem ao lado de Lee Falk (que também levou aos quadrinhos o mágico Mandrake). Moore fez o traço do personagem apenas nos primeiros anos de publicação. Depois, foi substituído por Wilson McCoy.
 
A outra publicação sobre os 70 anos de criação do Fantasma também é da Opera Graphica, mas deve demorar alguns meses para sair. A editora pretende lançar uma biografia do Espírito-que-anda (como o personagem também é chamado), escrita por Marco Aurélio Lucchetti, mesmo autor de "Desnudando Valentina - Realidade e Fantasia no Universo de Guido Crepax" (ver postagens do dia 10 de maio).
 
Lucchetti diz que levou três meses de pesquisa para escrever "Fantasma - Uma Biografia Oficial". Entregou à editora 450 páginas. Tomou como base sua coleção particular. Tem entre 600 e 700 revistas do personagem. Possui raridades, como uma história de A Gazetinha e o que saiu em O Globo Juvenil nas décadas de 30 e 40 (inclusive parte do material do álbum lido acima).
 
Uma curiosidade que fará parte do livro é a história sobre a cor do uniforme. Fantasma era publicado em preto e branco. As capas eram coloridas. Os editores não sabiam direito qual cor colocar. Optaram pelo vermelho. Não era. O original era um azul, quase roxo. Lucchetti conta que o mesmo ocorreu em outros países, entre eles a Itália. A cor vermelha permaneceu no Brasil até os anos 90, quando a Rio Gráfica Editora fez uma votação com os leitores: preferiam a forma original ou a tupiniquim? Venceu o azul/roxo. A Opera Graphica manteve essa cor na capa de "O Fantasma - Sempre aos Domingos" (como mostra a imagem acima).
 
Fantasma é tido como o primeiro herói mascarado. Não tinha superpoderes como o Super-Homem, que seria criado dois anos depois, em 1938. O que o tornava peculiar é que o título de Fantasma era passado de pai para filho. Gerações e gerações lutaram contra o mal, usando o anel da caveira, que deixava a marca de um crânio nos vilões quando levavam um soco (o que sempre ocorria). Morava em Bengala, na África. Era o líder e protetor do local.
 
No Brasil, Fantasma é publicado desde o fim dos anos 30. Passou por A Gazetinha, Globo Juvenil, Saber, Rio Gráfica Editora (que se tornou a mais famosa a publicar o personagem) e, há alguns anos, pela Opera Graphica, que tem lançado algumas edições especiais.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h32
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PREMIADOS NO FESTIVAL DE PERNAMBUCO

Saíram hoje os vencedores do oitavo FIHQ 2006, o Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco. Os premiados são:
 
melhor cartum: Orlandeli, de São José do Rio Preto (SP) (veja acima o cartum "Procurado")
 
melhor caricatura: Hector Salas, de Salvador (BA)
 
melhor charge: Dálcio Machado, de Campinas (SP)
 
melhor história em quadrinhos: Jarbas Domingos, de Recife (PE)
 
melhor ilustração editorial (prêmio criado neste ano): Walter Vasconcelos, do Rio de Janeiro
 
Cada vencedor vai receber R$ 4 mil, além de ter os desenhos incluídos no catálogo do festival. O júri decidiu premiar outros dez trabalhos, dois em cada categoria. Esta edição do FIHQ 2006 teve 400 desenhos inscritos. 126 foram selecionados pela comissão julgadora, presidida pelo norte-americano Peter Kuper (a estrela do festival). 
  
Os trabalhos ficam expostos até 5 de julho no Observatório Cultural Malakoff, em Recife, sede do evento. A visitação é de terça-feira a domingo, das 15h às 20h. A entrada é franca. O FIQH 2006 foi organizado pela Acape (Associação dos Cartunistas de Pernambuco) e pela Secretaria de Educação e Cultura do Estado.
 
Orlandeli, um dos premiados, mantém um blog com cartuns e histórias em quadrinhos. Para conhecer, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h11
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05/06/2006

TENDÊNCIA: PERSONAGENS LÉSBICAS

Definitivamente, quadrinhos com personagens lésbicas estão na moda. Dois exemplos recentes comprovam a tendência. A editora Marca de Fantasia lança nesta semana "Katita: tiras sem preconceito" (R$ 8; capa ao lado). O álbum mostra histórias de uma moça, Katita, às voltas com situações ligadas ao homossexualismo feminino (leia uma das tiras na postagem abaixo).
 
As histórias são escritas pela paulistana Anita Costa Prado, organizadora do livro "Infância Desfavorecida". Segundo a editora, ela milita em causas homossexuais e sociais. Katita seria uma de suas formas de expressão. Os desenhos ficaram a cargo do cearense Ronaldo Mendes, que publica no "Manicomics", vencedor do HQMix deste ano na categoria melhor fanzine (leia mais nas postagens do dia dois de junho). O título da Marca de Fantasia é o décimo terceiro número da coleção "Das Tiras, Coração".
 
O outro exemplo da tendência vem sendo noticiado pela mídia na última semana. A editora norte-americana DC Comics -a mesma de Batman e Super-Homem- resolveu resgatar uma personagem há tempos desaparecida, a Batwoman (veja imagem abaixo), mais uma versão feminina do homem-morcego (há também a Batgirl). A diferença, agora, é que a socialite Kathy Kane, identidade da heroína, é lésbica. A imprensa em geral tratou o assunto com raro destaque.
 
Os holofotes jogados sobre Batwoman dão a entender que o assunto é inédito. Não é. A própria DC Comics possuiu outros exemplos. Renee Montoya, detetive de Gotham City que será namorada da Batwoman, assumiu ser lésbica em 2003 nos Estados Unidos. A história em que a opção sexual fica pública -contra a vontade dela- foi publicada no Brasil em dezembro do ano passado pela editora Panini (em "Gotham City contra o Crime", oitava edição do selo DC Especial). A trama recebeu um prêmio Eisner (espécie de Oscar dos quadrinhos nos Estados Unidos), além de outras premiações, Harvey Award, Eagle Award, Prism Award.
 
A primeira personagem lésbica da editora foi, possivelmente, Maggie Sawyer. Ela era capitã da polícia de Metrópolis, a cidade do Super-Homem, nas histórias do homem de aço dos anos 80 e 90. O assunto foi abordado de forma sutil pelo roteirista e desenhista John Byrne. Mas não nega a existência anterior de uma figura lésbica no rol de criações da editora.
 
Fugindo dos Estados Unidos, há os casos bissexuais de Valentina e outras figuras clássicas dos quadrinhos eróticos europeus. E há Bionda, criação de Saudelli, publicada no Brasil no segundo número de "Grandes Clássicos Animal", da editora VHDdifusion (outubro de 1990). A personagem era uma ladra que tinha o fetiche de amarrar as vítimas, sempre mulheres, sem roupa. Certamente há outros casos, além dos mencionados aqui.
 
Leia na postagem abaixo uma prévia de "Katita: tiras sem preconceito".
 
 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h45
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PRÉVIA: KATITA

"Katita: tiras sem preconceito" é vendida por e-mail. O endereço da editora Marca de Fantasia é: contato@marcadefantasia.com.br 
 
A editora possui um grande acervo de obras, pouco divulgado. O site da editora é:

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h45
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04/06/2006

A INGENUIDADE TRAVESSA DE LULUZINHA

As gerações mais novas talvez só conheçam Luluzinha pelos desenhos animados. Há muito mais sobre a personagem. Nos Estados Unidos, a menina de vestido vermelho foi popular por décadas. Ela teve também uma forte influência na cultura brasileira, desde que começou a ser publicada pela editora de O Cruzeiro (nas décadas de 50 e 60). Foi tema de música escrita por Roberto e Erasmo Carlos, inspirou duas de nossas gírias: clube da luluzinha e clube do bolinha (referência a outro famoso personagem da turma).

A gíria brasileira (leia mais na postagem abaixo) é uma ótima síntese de uma das histórias mais recorrentes da personagem: as brigas entre meninos e meninas. De um lado, ela e as amigas (o tal clube da luluzinha). De outro, Bolinha e os colegas (o clube do bolinha). Entre eles, a disputa para ver quem se saía melhor. Uma dessas aventuras, "A Guerra das Bolas de Neve", integra "Luluzinha Vai às Compras" (Devir, R$ 21), que começa a ser vendido hoje. O álbum reúne histórias clássicas da personagem, publicadas originalmente na revista "Marge's Little Lulu" na segunda metade dos anos 40. Trata-se de uma compilação dos números seis a oito.

O "Marge" do título é a forma abreviada de Marjorie Henderson Buell, cartunista que criou a personagem em 1935. A primeira aparição foi na revista "The Saturday Evening Post", em substituição a outra criança, Pinduca. Luluzinha foi ganhando um destaque cada vez até que, em 1945 ganhou revista própria. É dos primeiros anos de publicação o material do ábum lançado hoje.

A revista "Marge's Little Lulu" foi editada até 1984. A longevidade não se deveu à autora, mas a John Stanley. Foi ele que desenvolveu a Luluzinha como a conhecemos hoje. É dele também a criação dos outros personagens da turma. Se Marge concebeu a idéia e as aventuras iniciais, foi Stanley quem deu a eles alma e carisma (apesar de o título da revista levar o nome da cartunista). Foi um processo semelhante ao que ocorreu com as criações da Disney. Walt Disney levou fama, mas o responsável por todo o trabalho com Tio Patinhas, Pato Donald e outros foi Carl Barks (ver postagem do dia primeiro de junho).

"Luluzinha Vai às Compras" ajuda a entender por que a personagem e sua turma se tornaram tão populares. As histórias conseguem retratar as crianças como realmente são: ingênuas e, ao mesmo tempo, travessas. São as mesmas características que tornaram o seriado "Chaves", exibido desde os anos 80 no SBT, um fenômeno para mais de uma geração (e um incômodo para a concorrência em qualquer horário em que Silvio Santos decide exibir a série).

Há quem se lembre de Luluzinha (e Bolinha, não menos popular) pelas revistas da editora Abril das décadas de 70 e 80. É outro elemento de nostalgia que envolve a personagem. O álbum é uma oportunidade para adultos a relembrarem e a entenderem melhor. E para os mais novos terem contato com essa menina, que já tem 71 anos de história.

Leia algumas curiosidades sobre Luluzinha na postagem abaixo.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 21h44
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A FESTA DO BOLINHA

Valeria um estudo a influência de Luluzinha na cultura brasileira. Na postagem anterior, mencionamos a gíria, baseada nela e em Bolinha. Já aparece nos (poucos) dicionários de gíria que existem no país. Um deles, o "Dicionário de Gíria - O Equipamento Lingüístico Falado do Brasileiro" (de J. B. Serra e Gurgel), define os verbetes da seguinte maneira:

Clube da luluzinha - reunião só de mulheres. "No clube da luluzinha, sapatona não entra".

Clube do bolinha - reunião só de homens. "Isto aqui é o clube do bolinha".

Na música, há uma canção escrita por Roberto e Erasmo Carlos com os personagens. A letra, para quem nunca ouviu:

Eu ontem fui a uma festa na casa do Bolinha
Confesso não gostei dos modos da Glorinha
Toda assanhada, nunca vi igual
Trocava mil beijocas com o Raposo no quintal
Porém pouco durou, aquela paixão
Pois Bolinha com ciúmes, formou a confusão
Aninha tropeçou e os copos derrubou
E a casa do Bolinha num inferno se tornou
Bolinha provou, que é ciumento pra xuxu
E... Que não gosta da Lulu
Bobinha, que por ele ainda chora
Com tanto pão, dando bola no salão
Luluzinha foi gostar, logo de um bolão.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 21h40
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02/06/2006

MAURICIO DE SOUSA NA PANINI?

 

Mauricio de Sousa pode deixar a Editora Globo e publicar seus personagens pela Panini. A mudança, dada como certa pelo jornalista Marcelo Affini no site Meio & Mensagem, começaria em 2007. Segundo a reportagem, a Mauricio de Sousa Produções já teria informado que o contrato -que venceria em dezembro próximo- não seria renovado.
 
Verdade ou boato? O Blog dos Quadrinhos apurou que a informação procede, embora ainda pairem muitas dúvidas sobre o assunto.
 
Está confirmado que a Panini fechou um contrato com a Mauricio de Sousa Produções para publicar Ronaldinho Gaúcho (a grande aposta do empresário para publicar no exterior) e a Turma da Mônica na Itália e na Espanha. A empresa também detém os direitos de publicação para a América do Sul e Estados Unidos.
 
A tendência é que a transação incluísse o Brasil, embora a informação não esteja oficialmente confirmada. A negociação existe, mas não se sabe se o contrato foi efetivamente assinado. É nesse ponto que a informação ainda é nebulosa. Há uma espécie de "lei do silêncio" entre as partes envolvidas. 
 
A Mauricio de Sousa Produções preferiu não comentar o assunto. A responsável pela área infantil da Globo, Lucia Machado, foi procurada no começo da noite. A informação é que estava numa reunião e que não poderia atender o Blog naquele momento. Até este instante, não houve um retorno telefônico. José Eduardo Martins, da Panini, não foi encontrado. O espaço, neste Blog, está aberto a todos eles para comentar o assunto.
 
Uma possível saída da Mauricio de Sousa Produções pode comprometer, e muito, a área infantil da Editora Globo. Ela perderia, segundo se apurou (informação que confere com a do Meio & Mensagem), 70% das vendas, representadas pela Turma da Mônica. Permaneceriam na editora os títulos de Ziraldo -Julieta e Menino Maluquinho, este o vencedor do HQMix 2006 na categoria revista infantil- e do Sítio do Picapau Amarelo.
 
A Panini publica no Brasil figurinhas e quadrinhos. Na área das histórias em quadrinhos, firmou-se com os personagens das norte-americanas Marvel (X-Men, Homem-Aranha) e DC Comics. A editora tem procurado diversificar suas publicações. Já edita mangás (os quadrinhos japoneses)e prometeu material europeu da editora francesa Dargaud. Os títulos da Europa deveriam ter saído no mês passado.
 
Esta seria a segunda mudança de editora feita por Mauricio de Sousa. Ele havia deixado a Abril para ingressar na Globo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h03
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SPACCA: O GRANDE VENCEDOR DO HQMIX

"Santô e os Pais da Aviação", publicado pela Companhia das Letras (R$ 39), deu a Spacca quatro indicações no Troféu HQMix: melhor cartunista, desenhista nacional, edição especial nacional e roteirista nacional. Venceu todas. É o principal destaque do prêmio.
 
Spacca, que desenha há mais de duas décadas, concorda que a história dos criadores da aviação ajudou os votantes a lembrarem o nome dele. Mas considera exageradas tantas indicações. "Como roteiro e álbum, eu achei bacana. Como desenhista, acho que não sei. Meu desenho está legal, mas há outros artistas de destaque."
 
João Spacca de Oliveira -ou só Spacca, como prefere- estuda a vida dos pioneiros da aviação desde 1979, quando tinha 15 anos. O projeto de colocar tudo numa obra ficou encubado por 25 anos. Ele conta tem "uma pilha de motivações" para estudar o assunto. Uma delas era a amizade que Santos Dumont mantinha com um caricaturista.
 
Spacca prepara mais um projeto para a Companhia das Letras. Ela fará uma história das histórias de um livro comemorativo, que vai reunir diferentes quadrinistas. A parte dele mostrará Jean Baptiste Debret, que participou da missão francesa de 1816 que ilustrou, no Rio de Janeiro, importantes momentos da história brasileira. É uma "biographic novel", brinca.
 
O cartunista é colaborador do site do Observatório da Imprensa e do Jornal da OAB, da Ordem dos Advogados do Brasil. Teve histórias publicadas em diversas revistas, entre elas "Níquel Náusea", publicada entre os anos 80 e 90. Spacca é também um dos premiados do Salão Internacional de Humor de Piracicaba do ano passado.
 
Ele mantém uma página sobre 'Santô e os Pais da Aviação". Para conhecer, clique aqui.
 
Leia mais sobre o Troféu HQMix 2006 nas postagens abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h14
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HQMIX: MAIS PRÊMIOS

A Conrad venceu esta décima oitava edição do Troféu HQMix como melhor editora de 2005. A Conrad tem se firmado no mercado com publicações de vários lugares do mundo, reunindo diferentes estilos. Editou parte das histórias do anti-americano Robert Crumb. Teve títulos europeus, como "Bórgia", que garantiu o prêmio de melhor desenhista a Milo Manara. Editou autores nacionais, como Allan Sieber, e tem como carro-chefe os mangás. Veja outros vencedores:

Animação: vinhetas nacionais do Cartoon Network

Evento: Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte

Exposição: Henfil do Brasil

Fanzine: Manicomics

Jornalista especializado: Sidney Gusman

Livro teórico: Narrativas gráficas, de Will Eisner

Prozine: Areia hostil

Salão de humor: Salão Internacional de Humor de Piracicaba

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h54
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HQMIX: VENCEDORES DA INTERNET

Não é a primeira vez que o HQMix destaca a produção de quadrinhos da internet, um nicho cada vez mais utilizado, tanto por criadores como por jornalistas. Veja a relação dos vencedores que tiveram produções veiculadas pela rede virtual:

Blog/Flog: Gabriel Bá e Fábio Moon -http://10paezinhos.blog.uol.com.br

Site de autor: Adão Iturrusgarai - www.adaoonline.com.br

Site de quadrinhos - www.nonaarte.com.br

Site sobre quadrinhos - www.universohq.com.br

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h47
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HQMIX: AUTORES

Confira a seguir os criadores que venceram o HQMix deste ano. Leia mais sobre o troféu nas postagens abaixo:

 

Caricaturista: Baptistão

Cartunista e desenhista nacional: Spacca

Chargista: Angeli

Desenhista estrangeiro: Milo Manara

Desenhista revelação: Julia Bax

Ilustrador: Orlando

Ilustrador de livro infantil: Cárcamo

Roteirista estrangeiro: Ozamu Tesuka

Roteirista nacional: Spacca

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h39
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HQMIX: OBRAS VENCEDORAS

Confira as publicações vencedoras da edição deste ano do Troféu HQMix (leia mais na postagem abaixo):

 

Adaptação para outro veículo: Sin City

Álbum de aventura: Tintin - Os Charutos do Faraó

Álbum infantil: Turma do Xaxado - Pelourinho em quadrinhos

Edição especial estrangeira: Maus

Edição especial nacional: Santô e os Pais da Aviação

Minissérie: Superman - Identidade Secreta

Projeto editorial e projeto gráfico: Cidades Ilustradas

Publicação de cartuns: Sem comentários de Allan Sieber

Publicação de charges: Diabo Coxo

Publicação de clássicos: Maus

Publicação de terror: Dylan Dog

Publicação de tiras: Níquel Náusea - A perereca da vizinha

Publicação independente e MIX: Mosh!

Publicação sobre quadrinhos: Wizard

Revista de aventura: Lobo Solitário

Revista infantil: O Menino Maluquinho

Tira nacional: Piratas do Tietê 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h05
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HQMIX: DIVULGADOS OS VENCEDORES

Os organizadores do Troféu HQMix -o principal prêmio de quadrinhos no país- divulgaram os vencedores desta décima oitava edição. O grande destaque deste ano foi cartunista Spacca. Venceu em quatro categorias: cartunista, desenhista nacional, roteirista nacional e edição especial nacional ("Santô e os Pais da Aviação", publicado pela Companhia das Letras).

Dois outros projetos receberam dois prêmios cada um. "Mosh!" venceu nas categorias melhor publicação independente e melhor publicação MIX (que reúne diferentes histórias e autores). A Coleção Cidades Ilustradas, que mostra capitais brasileiras desenhadas por diferentes artistas, ganhou como melhor projeto editorial e melhor projeto gráfico.

Votaram neste HQMix mais de mil especialistas na área. Ôs prêmios serão entregues no dia 11 de julho, no Sesc Pompéia, em São Paulo. A cerimônia é aberta ao público e está prevista para começar às 20h.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h47
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A VIOLÊNCIA MUDA NOS QUADRINHOS

Poucas vezes uma história em quadrinhos foi tão contundente na forma de mostrar a violência. "O Messias", lançado nesta semana (Opera Graphica, R$ 29), opta por não usar diálogos. Há apenas uma ou outra onomatopéia . O resultado é um silêncio ensurdecedor. O mundo do crime do morro carioca tem, obrigatoriamente, de ser visto e percebido.
 
Construir um álbum com mais de cem páginas só com imagens não é tarefa das mais simples. Três desenhistas desistiram do projeto. Coube ao baiano Flávio Luiz o desafio de transformar em imagens as idéias de Gonçalo Junior, autor do roteiro. O jornalista e pesquisador Gonçalo Júnior (o mesmo do livro "A Guerra dos Gibis", da Companhia das Letras) já usou o recurso em outra criação, "Claustrofobia", em parceria com Julio Shimamoto. Mas, em "O Messias", o uso do silêncio ganha mais sentido. Funciona como metáfora do medo vivido na periferia carioca, dominada por outras leis: a das drogas, a das balas, a do silêncio.
 
O álbum foi passado à imprensa como sendo uma obra que, de certa forma, antecipava a onda de ataques do PCC, o Primeiro Comando da Capital, feita no mês passado em São Paulo. Há certamente a coincidência do silêncio, do medo e da violência. Mas as semelhanças residem em outra obra, "Cidade de Deus", de Paulo Lins. É quase automática a analogia quando vemos, n´"O Messias" o crescimento de um jovem e sua inserção no mundo do tráfico carioca.
 
A comparação não tira o vanguardismo da leitura que Gonçalo fez da violência atual. Ele conta que teve a idéia em 1997. Só se tornou real a partir de 2002, quando a história começou a ser desenhada. Ficou pronta no ano passado.
 
"O Messias" surge num momento em que o quadrinho nacional trilha uma nova caminhada, e a passos largos. O álbum se soma a uma série de outros lançamentos de qualidade: "Lusíadas 2500", de Lailson, "Morte e Vida Severina", adaptado por Leuguim, "Santô e os Pais da Aviação", biografia feita por Spacca, "Passos Perdidos, História Desenhada: a Presença Judaica em Pernambuco no Século XX", ligada a um grupo de docentes da Universidade Federal de Pernambuco.
 
"Cidade de Deus" ajudou a consolidar um novo momento do cinema brasileiro. "O Messias" certamente vai contribuir para este novo quadrinho nacional que (res)surge. A comparação é mesmo com a obra de Paulo Lins.
 
Leia entrevista com Gonçalo Junior nas postagens abaixo.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 23h08
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GONÇALO JUNIOR - O LADO AUTOR

Gonçalo Junior é um homem de muitas faces. É autor, jornalista, pesquisador de quadrinhos, biógrafo. Consegue destaque em todas as funções. O lado criador de histórias tem uma fixação: o silêncio nos quadrinhos. Ele assume a tendência de só roteirizar histórias mudas, sem palavras, trabalho difícil de ser realizado. Tem planejado mais um álbum, também priorizando a linguagem visual.

Nesta primeira parte da entrevista (veja a continuação na postagem abaixo) ele explica por que gosta tanto de quadrinhos sem palavras, fala como faz para roteirizar esse tipo de história e conta como foi a pesquisa para escrever "O Messias".

- Não é o primeiro trabalho que você faz sem uso das palavras, apoiando-se apenas nas imagens já utilizou o recurso em "Claustrofobia"]. Por que isso?
Gonçalo Junior
- Comecei a escrever roteiros para quadrinhos na década de 1980, quando fazia fanzines e criava principalmente tiras ou histórias de uma página para os Estúdios Cedraz, responsáveis pela tira Xaxado, que é reproduzida em vários estados do Nordeste, principalmente. E, nessa época, achava desafiante escrever histórias num espaço tão limitado. Mais ainda, criar tiras sem texto, como acontecia com o personagem americano Pinduca, que existiu por muitos anos, nas décadas de 1920 e 1930, sem jamais ter trazido um único diálogo – adorava suas histórias. Gosto de desafios e concordo com Will Eisner que a linguagem dos comics ainda engatinha e há muito a ser explorada. Brinco com os amigos que são quadrinhos pop, que podem ser lidos por qualquer leitor em algum ponto do planeta. Digo também que, num nível mais superficial e primário, são compreensíveis até mesmo por quem não sabe ler e escrever. Estou preparando o terceiro álbum nesse mesmo formato. Mas tenho outros três roteiros concluídos com textos.

- Como você faz para descrever cada cena ao desenhista? Foi por isso que três desistiram de desenhar a obra no meio do percurso?
- Tenho um passado de cartunista, cheguei a colaborar em um suplemento semanal de um grande jornal na cidade de Aracaju, Sergipe, onde morei em 1987. Ilustrei várias capas. Depois, larguei o desenho por uma série de circunstâncias, mas ficou algo que me ajuda a escrever o roteiro. Ou seja, divido as páginas no número de quadrinhos que acho legal e escrevo no centro de cada um a descrição da cena – quando tem balão, coloco o texto dentro, claro. Não raro, faço um rascunho à
caneta para que o artista tenha uma idéia mais precisa do que imaginei. Se acho que tem de ter impacto, construo um quadrinho maior. Assim, a sintonia fica melhor. Os três que desistiram de fazer "O Messias" – um chegou a desenhar 20 páginas – alegaram falta de tempo. Eu até entendo, eles precisam pagar as contas e não vão perder tempo com algo incerto, que não sabem se será aproveitado e muito menos dará algum retorno financeiro. Creio que o desenhista precisa se apaixonar pela história e acreditar que ele pode fazê-la bem.

– O posfácio do álbum comenta que a idéia para "O Messias" data de 1997. É um período pré-PCC, pré-Cidade de Deus. De lá para cá, a leitura que você faz da violência se manteve a mesma?
- Eu temia que algo parecido com O Messias acontecesse antes de conseguir concluir a história. Nesses nove anos, tive vários sinais de que a coisa estava caminhando para algo muito grave. Começou-se a falar em guerra civil declarada. Os bandidos começaram a descer dos morros, a fazer arrastões, a incendiar ônibus. Marcola, aqui em São Paulo, conseguiu encurralar 10 milhões de pessoas em casa. Isso jamais aconteceu na história da cidade. A capital só ficava vazia nos feriados porque as pessoas viajavam. Só faltou ele se anunciar como um Messias. Enfim, minha
leitura continuou cada vez mais atual e, pior, profética até certo ponto. O terreno nunca esteve tão propício para um messias. Deixa eu esclarecer algo: a trama nasceu num momento em que a TV dava muito destaque à proliferação de seitas evangélicas nos morros cariocas. Lembro-me do nome do pastor Caio Fábio, que teve seu nome ligado ao tráfico. Os evangélicos também tinham tomado conta das cadeias nesse período. Foi quando Ratinho se tornou um fenômeno de mídia.


- Você é baiano, hoje vive em São Paulo. Flávio Luiz também é da Bahia. Como vocês fizeram para retratar a violência carioca? Houve algum processo de pesquisa?
- Sim, durante mais de um ano, a gente fez um rastreamento em jornais e revistas para conseguir fotos dos morros cariocas controlados pelo tráfico de drogas. Ele procurava em Salvador e eu aqui em São Paulo. A cena da abertura que tem uma favela e ocupa toda a página foi feita muito depois, quando mais de vinte páginas já tinham sido concluídas. Além disso, Salvador e Rio se parecem muito. Por toda a cidade, existem condomínios de luxo que são cercados por favelas e invasões. A
geografia da cidade é muito acidentada, como no Rio. Quem não conhece a fama das ladeiras da Bahia? Ajudou o fato de que eu e Flávio termos trabalhado muito tempo em jornais locais. Cobri polícia e cidade e conheço bem a miséria e o desespero desses lugares. E sei que estão cheios de pessoas honestas e trabalhadoras.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h01
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01/06/2006

GONÇALO JUNIOR - O LADO PESQUISADOR

O lado pesquisador de Gonçalo Junior já produziu um dos títulos mais relevantes da literatura sobre quadrinhos, "A Guerra dos Gibis". É referência para estudos sobre a histórias dos quadrinhos no Brasil e da indústria que os produz. Foi a obra que colocou em evidência este jornalista baiano, que adotou São Paulo como morada nos últimos anos. O livro sucedeu outro, e mais outro, e o volume de publicações não parou mais. O último, "Benício", conta a biografia do artista que ilustrou vários dos cartazes do cinema brasileiro.

Nesta segunda parte da entrevista, Gonçalo Junior fala desse lado "fuçador", como ele diz, e da continuação de "A Guerra dos Gibis", que deve ser apresentado à editora ainda neste ano.

- Você é autor de livros respeitados sobre quadrinhos, como "A Guerra dos Gibis". Hoje, você se vê como autor de quadrinhos ou pesquisador de quadrinhos?
- Sempre fiz as duas coisas e fico feliz que só agora estou tendo a oportunidade de mostrar meus roteiros. Mas nunca deixei de fazê-los. Só de histórias mudas como O Messias tenho aqui mais de 400 páginas inéditas. A pesquisa é uma forma de exercer minha paixão pelo jornalismo, uma vez que a nossa imprensa sepultou o jornalismo investigativo com os restos mortais de Tim Lopes. Não se vende mais jornal hoje por causa da manchete, do furo – a não ser quando o Ministério Público vaza algum processo ou um político corrupto quer ferrar alguém e chama algum repórter numa quebrada de Brasília. Compra-se jornal ou revista por causa do caderno de TV, de cultura, de fofoca, de horóscopo ou de esportes. Gosto de fuçar, de esgotar as possibilidades, de tirar confissões das pessoas e montar um quebra-cabeça. Isso para mim é prazeroso. Quero também contar histórias de pessoas que sempre ficaram à margem, mas que fizeram trabalhos importantes. Parto do principio de que toda a vida é uma grande história. Mesmo o mais anônimo e apagado dos seres, aquele por quem certos arrogantes e prepotentes da imprensa não dão o menor valor, tem ótimas histórias para contar.

- Quando sai a segunda parte de "A Guerra dos Gibis"? Há outro(s) livro(s) engatado(s)?
- A Guerra dos Gibis 2 não terá este título. Foi escrito antes do primeiro volume e, no momento, estou reescrevendo tudo. Espero apresentar à editora ainda este ano para que publique no próximo, caso seja do interesse da mesma. Dessa vez, pego a ditadura militar, de 1964 a 1985.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h52
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PEÇA DE MUTARELLI REESTRÉIA EM SP

Reestréia nesta sexta-feira (02.06) em São Paulo "O que você foi quando era criança", peça escrita pelo autor de quadrinhos Lourenço Mutarelli. A encenação, montada pela Companhia da Mentira, está em cartaz no TUSP (Teatro da Universidade de São Paulo).
 
A primeira montagem foi no ano passado, também em São Paulo. Depois, teve curta temporada no Rio de Janeiro. A peça mostra a reunião de um casal acolhe parentes, à procura de emprego. Nas conversas, relembram do que queriam ser quando crescessem. O "astronauta" virou palhaço; o engenheiro, um desempregado.
 
Em menos de um mês, é a terceira peça ligada aos quadrinhos a entrar em cartaz em São Paulo. No começo de maio, estreou "Chapa Quente", inspirada nas histórias do quadrinista André Kitagawa (leia postagem do dia 5 de maio). Uma semana depois, no dia 12 de maio, começava uma nova temporada de "Avenida Dropsie",  baseada na graphic novel de Will Eisner (ver postagem do dia 7 de maio).
 
Lourenço Mutarelli, 42 anos, é um autor premiado. Escreve quadrinhos há anos, mas ganhou projeção com os álbuns produzidos para a Editora Devir: "O Dobro de Cinco", "O Rei do Ponto" e as duas partes de "A Soma de Tudo".  Pelo trabalho na peça, foi indicado no ano passado ao Prêmio Sheel de Teatro na categoria nelhor autor.
 
"O que você foi quando era criança?" é dirigida por Donizeti Mazonas e Gabriela Flores, que também integram o elenco. A peça fica em cartaz até o dia 25 de junho.
 
SERVIÇO.
O que você foi quando era criança. Quando: de 2 a 25 de junho. Horário: sextas e sábados às 21h; domings às 20h. Local: TUSP - Teatro da Universidade de São Paulo. Rua Maria Antônia, 294, São Paulo. Preço: R$ 20.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h36
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MAIS CLÁSSICOS DE CARL BARKS

A Editora Abril confirmou mais quatro edições com histórias clássicas dos personagens Disney criadas por Carl Barks. As revistas vão trazer as últimas produções do artista para a revista norte-americana “Uncle Scrooge” (Tio Patinhas), publicadas originalmente no começo da década de 60. O volume 21 (R$ 16,95), o próximo a ser publicado, chega às bancas no dia 5 de junho.

 

A coleção “O Melhor da Disney” -que reúne a obra completa de Barks- foi uma forma de a Abril atingir um mercado ainda pouco explorado pela editora: o dos leitores Disney adultos. Os 20 primeiros volumes conseguiram boa repercussão, a ponto de justificar a publicação de mais quatro partes.

 

O foco desta nova fase vai ser no personagem Tio Patinhas. O volume 21, o primeiro desta nova fase, vai trazer histórias clássicas do personagem, como “O Intruso Invisível”, que mostra a infância do pato pão duro. A edição de número 22, que sai no mês de julho, trará uma aventura publicada na íntegra pela primeira vez no Brasil, Como Era Verde Minha Alface”. A curiosidade do último volume, 24, são as narrativas escritas por Barks, mas desenhadas por outros artistas.

 

Haverá, além do Tio Patinhas, histórias curtas do Professor Pardal. Cada edição traz textos explicativos e dados sobre as aventuras, assim como ocorreu nos demais volumes da coleção. A periodicidade será mensal.

 

Carl Barks foi o principal criador das histórias Disney nos quadrinhos. Desenvolveu um estilo próprio, até hoje seguido pelos artistas que trabalham os personagens. Por décadas, Walt Disney levou fama pela autoria das histórias que, na verdade, eram de Barks.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h26
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