31/05/2006

REVISTA F. AGORA SAI EM BANCAS

A revista de humor F. vai ser publicada, a partir de junho, pela editora Conrad. Até então, era editada e bancada pelos próprios autores, os cartunistas Allan Sieber, Arnaldo Branco e Leonardo. Eles já produziram três números, encontrados apenas em algumas lojas especializadas em quadrinhos. A quarta edição, a primeira pela Conrad (veja capa ao lado), será vendida nas bancas. Sai no próximo dia 5, a R$ 5,90 cada uma.
 
A Conrad procura na F. uma maneira de diversificar o material nas bancas. Os autores, por outro lado, encontraram uma forma mais segura de financiar a revista. "A gente viu que ia ser complicado colocar um novo número nas bancas. Eu ofereci à Conrad, eles analisaram e resolveram investir", conta Allan Sieber, que já teve outros títulos publicados pela Conrad, "Vida de Estagiário" (R$ 25) e "Preto no Branco" (R$ 24).
 
A nova casa trouxe algumas mudanças. O formato original, 31 cm de altura por 27 cm de largura, foi reduzido para se adaptar ao novo mercado. As 52 páginas terão, agora, 27cm por 21 cm. Vai ser editada a cada dois meses. A linha editorial continua a mesma. Ou seja: a palavra final é dos três autores. A revista F. continuará mesclando quadrinhos, entrevistas (pelo menos uma grande entrevista por edição) e fotonovelas de humor (recurso pouco usado atualmente).
 
"A idéia de criar a revista é antiga", diz Sieber do Rio de Janeiro, onde mora há sete anos. Ele conta que queria fazer a F. com Leonardo, quando ambos ainda moravam em Porto Alegre. Tinham no Pasquim, tablóide do qual eram e são fãs, a principal fonte de inspiração. Não é coincidência entre as duas publicações. Faltava apenas o empurrão final, que foi dado quando conheceram Arnaldo, em 2003.
 
O trio desenvolveu e custeou as três primeiras edições. As datas de lançamento mostram a dificuldade em produzir o material. O número um saiu em dezembro de 2004. O dois, em março de 2005. O três, em julho.
 
Veja na postagem abaixo uma das tiras que serão publicadas na quarta edição.

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Escrito por PAULO RAMOS às 17h00
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F.: PRÉVIA

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h59
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30/05/2006

EDITORA VAI LANÇAR ALMANAQUE DE CARLOS ZÉFIRO

A Editora A Cena Muda, do Rio de Janeiro, vai publicar um almanaque com histórias pornográficas criadas por Carlos Zéfiro. A notícia é divulgada em primeira mão pelo Blog dos Quadrinhos. O material sai ainda neste ano, provavelmente no segundo semestre. Cada edição vai reunir dez produções de Zéfiro, acompanhadas por dez depoimentos de antigos leitores.
 
A idéia é da proprietária da editora, Adda Di Guimarães, que publica os chamados "catecismos" de Carlos Zéfiro desde março de 2005 (já saíram 24 números; acima, a capa da edição 22). Adda conta que os leitores foram sua fonte de inspiração. Apareciam para comprar a obra em quadrinhos e iniciavam uma "viagem, uma volta ao passado".
 
As lembranças surgiam no momento em que punham os olhos nos catecismos. A capa e o formato, fiéis aos originais, ajudavam a aumentar o saudosismo. O entusiasmo dos clientes se transformava em palavras. Faziam relatos animados de quando liam os catecismos, muitas vezes escondidos, com medo de serem flagrados pelos pais.
 
Adda percebeu que começaram a aparecer muitos relatos, todos igualmente curiosos. Surgiu aí a idéia do almanaque. Reuniria dez histórias já publicadas, mescladas com os casos que escutava.
 
Um dos relatos -um dos mais curiosos, segundo Adda- foi contado por uma moça. Ela, para ler os catecismos, tinha de pagar aluguel ao irmão, dono das revistas. Os pagamentos continuaram até que ela descobriu o esconderijo dos catecismos: dentro de um violão. Logo bolou uma estratégia. Disse ao irmão que havia se confessado e que, a partir daquele momento, não leria mais Zéfiro. Pura artimanha para ler de graça.
 
Carlos Zéfiro acompanhou diferentes gerações de leitores com suas histórias sobre sexo. A família estima que ele tenha feito desenhos para mais de 800 catecismos, publicados entre o final da década de 40 e o início dos anos 70. Zéfiro era o pseudônimo de Alcides de Aguiar Caminha Filho. Revelou o verdadeiro nome numa entrevista, concedida pouco antes de morrer, em cinco de julho de 1992, aos 71 anos.
 
Leia mais sobre a publicação dos catecismos de Zéfiro na postagem abaixo.

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h50
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EDITORA POSSUI MAIS 300 CATECISMOS

Foram os leitores de Carlos Zéfiro que levaram Adda Di Guimarães a republicar os catecismos. A banca que mantém no Rio de Janeiro, A Cena Muda (que deu o nome da editora que publica os catecismos), sempre tinha gente à procura dos antigas revistas, consideradas raridade. Havia um mercado.
 
Adda procurou a família de Alcides Caminha, verdadeiro nome de Zéfiro, e adquiriu os direitos de publicação de mais ou menos 300 histórias por um período de dez anos. Algumas passam agora por uma triagem, para saber se foram mesmo produzidas por ele. Quem dá a palavra final é a família.
 
A cada 15 dias, sai um novo número da Coleção Carlos Zéfiro. Para saber quando chega uma nova edição, é só olhar o cartaz na lateral da banca, em Ipanema. "Chegou o número 22", anunciava no dia em que o Blog dos Quadrinhos esteve lá. São impressas duas mil cópias, vendidas a R$ 12 reais cada uma. "Os originais eram adorados por duas gerações", conta Ada. "Me surpreendeu a procura do Brasil inteiro". E até do exterior. Ela recebe uma média de 50 e-mails por semana com solicitações. Responde um por um.
 
O sistema de vendas por e-mail foi uma forma de contornar as dificuldades na distribuição dos catecismos. "Em bancas, não funcionou muito bem. Para os jornaleiros, é um outro pornô. Só que o público é outro", diz Adda. O resultado foi limitar as vendas a um pequeno grupo pontos de venda, além da banca A Cena Muda e dos e-mails.
 
Adda tem outros planos para os catecismos, mas não revela todos. O Almanaque de Carlos Zéfiro é apenas uma das idéias.
  
Leia sobre o Almanaque de Carlos Zéfiro na postagem acima. 
 
CATECISMOS DE CARLOS ZÉFIRO / ONDE ENCONTRAR
Banca A Cena Muda. Rua Visconde de Pirajá, 54. Ipanema, Rio de Janeiro. Tel.: (21) 2287-8072.

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Escrito por PAULO RAMOS às 08h09
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JORODOWSKY: HOMENAGEM EM CANNES

O cineasta, ator e escritor de quadrinhos Alejandro Jorodowsky foi o homenageado do ano do Festival de Cannes, que terminou no último dia 28. Dois de seus filmes, “El Topo”, de 1970, e “A Montanha Sagrada”, de 1973, obra que o projetou internacionalmente. Os dois longas foram relançados em DVD.

 

Jorodowsky disse, na cerimônia, que não esperava a homenagem. O tom do discurso prova isso. O cineasta de 77 anos criticou o tom comercial dos festivais de cinema, inclusive o que o homenageou. “Cannes estreou com ´O Código da Vinci´ e não há mais nada a dizer. Lamentavelmente, o cinema é uma indústria e Cannes é uma entidade comercial. Ponto.”

 

Para os leitores de quadrinhos, o chileno Alejandro Jorodowsky é mais conhecido como o autor de “Incal”, lançado neste mês pela Devir (veja postagem do dia 09.05). É dele também o texto os dois volumes de, “Bórgia” (acima, a capa do segundo número), feitos com o desenhista Milo Manara e lançados recentemente pela Editora Conrad.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h20
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29/05/2006

LAZARUS LEDD - VERSÃO DO EDITOR

Este mês de maio viu nascer uma nova editora de quadrinhos, a Tutatis, de Porto Alegre. O título escolhido para a estréia no mercado foi o italiano "Lazarus Ledd" (a imagem ao lado é a capa do primeiro número), personagem ainda pouco conhecido por aqui. O que chamou a atenção -mais até do que o próprio herói italiano- foi a estratégia de vendas adotada. A edição ganhou duas versões, uma mais simples e mais barata e outra com um acabamento melhor e um pouco mais cara (voltada para o colecionador). Além disso, a Tutatis criou um sistema de assinaturas -algo raro aqui no mercado de quadrinhos brasileiro- a ser administrado pelos fãs de quadrinhos italianos (o pessoal do Portal TexBR).
 
O Blog dos Quadrinhos conversou sobre o assunto tanto com o dono da Tutatis, o bancário Edie Ferreira da Silva Júnior, (o lado editor da estratégia) quanto com o coordenador do Portal TexBR, Gervásio Santana de Freitas (o lado fã da estratégia de vendas). A seguir, a entrevista com Edie Júnior. Leia, na próxima postagem, o bate-papo com Gervásio Santana.
 
- Como surgiu a idéia?
Edie Júnior - Lazarus Ledd tem uma tiragem bem reduzida. É distribuído apenas em bancas e lojas especializadas em quadrinhos e também em algumas livrarias. O Portal TexBr é um site especializado em fumetti (quadrinhos italianos) de estilo bonelliano (publicações da Sergio Bonelli Editore). Apesar de Lazarus Ledd não ser publicado pela Bonelli, tem estrutura narrativa e formato de histórias bem semelhantes. Então, teoricamente, os freqüentadores do Portal são consumidores potenciais de Lazarus Ledd. Precisávamos de um instrumento de fidelização de clientes, que pudesse auxiliar na "arrancada" da editora, até que a revista possa se sustentar apenas com as vendas em lojas e livrarias. Analisando todos os dados acima, a conclusão óbvia foi a parceria com o Portal TexBR, que já possui experiência em comércio eletrônico e goza de enorme credibilidade junto aos seus clientes, principalmente pela seriedade com que é conduzido pelo Gervásio e demais colaboradores.

- Já é possível perceber algum resultado? Isso já criou algum tipo de fidelização por parte do leitor?
- Ainda não é possível avaliar totalmente os resultados. Fixamos inicialmente uma meta no número de assinantes, que ainda não foi atingida. Cremos que com o lançamento do número 1 e as opiniões dos leitores que participam do fórum do Portal, possa haver um incentivo para que surjam novos assinantes.

- "Lazarus Ledd" não é tão popular no Brasil. Há mercado para dois formatos, um de luxo e outro mais econômico?
- O formato duplo foi idealizado para ser utilizado do seguinte modo: a série normal, mais econômica, seria distribuída nas bancas de todo o país, em tiragem nacional. A série ouro, mais luxuosa, em tiragem reduzida, seria distribuída apenas em lojas especializadas e livrarias. Ocorre que, em razão dos custos gráficos envolvidos, neste primeiro momento não nos foi possível partir para uma distribuição nacional. Optamos então por distribuir as duas edições simultaneamente apenas nas comic-shops [lojas especializadas em quadrinhos], para avaliar a receptividade do título junto aos leitores, sem corrermos o risco de sérios prejuízos financeiros decorrentes de um grande "encalhe" em bancas.   

- Como surgiu a editora?
- Como dissemos numa das páginas da edição zero de Lazarus Ledd, a editora surgiu pela minha paixão por quadrinhos, pela vontade de publicar uma revista, pelo sonho de que a empreitada dê certo e que possamos aumentar continuamente a quantidade de títulos publicados.

- Por que "Lazarus Ledd" entre tantos títulos possíveis?
- Eu gosto de fumetti de estilo bonelliano. Foi uma opção de fã. Nossa idéia era começar com apenas um título mensal, para depois irmos expandindo, conforme as condições de mercado. Fizemos propostas idênticas e simultâneas para os detentores dos direitos autorais de Lazarus Ledd e também para alguns títulos Bonelli. A Editora Star Comics, da Itália, aceitou nossa proposta sem maiores problemas. A Strip Art Features (SAF Comics), com sede na Eslovênia, que negocia os direitos dos títulos Bonelli, impôs algumas condições. Apesar destas condições serem normais e aceitáveis, preferimos negociar primeiro com a Star, que aceitou nossa proposta sem alterações. Mas o fator determinante para a escolha foram as histórias, que eu já li até o número 22 e posso assegurar que apresentam uma qualidade crescente. 
  
- Como surgiu a idéia de o escritor de Lazarus fazer uma história exclusiva para o Brasil?
- Ade Capone, criador e roteirista de Lazarus Ledd, é grande amigo de Júlio Schneider, que faz a tradução das histórias para a edição brasileira. Em uma de suas conversas com o Júlio, Capone se mostrou bastante entusiasmado com a publicação do título fora da Itália e, para demonstrar seu apreço aos leitores brasileiros, prometeu que, se a série se firmar no Brasil, ainda este ano fará um roteiro exclusivo para ser desenhado por artistas brasileiros.

- Quais os planos de vocês daqui para frente? Há algum título que estejam de olho?
- Muitos. Apesar de não termos fechado inicialmente com algum personagem da Bonelli, as portas da SAF Comics ficaram abertas para uma futura negociação. Assim, para novos títulos chegarem pela Tutatis Editora, tudo vai depender do resultado das vendas de Lazarus Ledd.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h06
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LAZARUS LEDD - VERSÃO DO LEITOR

O Portal Tex BR existe desde agosto de 2000. É um site feita por fãs de quadrinhos italianos, voltado para fãs de quadrinhos italianos. O foco principal é nos personagens da editora Bonelli, responsável pela publicação de Zagor, Júlia Kendall, Mágico Vento, Ken Parker, Dylan Dog e, claro, Tex, que dá nome ao site. A maioria é publicada no Brasil pela Mythos. Alguns, como Nick Raider, Dylan Dog e Dampyr, já foram cancelados.

O fim de muitos títulos da Bonelli no Brasil foram as baixas vendas. Lazarus Ledd, que não é da Bonelli (é editado pela Star Comics), talvez não siga o mesmo caminho. O site organiza a estratégia de vendas do título por assinatura. O coordenador do Portal TexBR, o gerente de informática Gervásio Santana de Freitas, 35 anos, conta como é a participação do site nas vendas do título da editora Tutatis (veja também entrevista com o dono da editora, Edie Júnior, na postagem acima).

- Já é possível perceber algum resultado? Isso criou algum tipo de fidelização por parte do leitor?

Gervásio Santana - Tivemos um grande atraso na previsão do lançamento da edição #1 de Lazarus Ledd, devido a problemas alheios à vontade da Tutatis, isto naturalmente atrapalhou um pouco esta entrada em cena de Lazarus Ledd, talvez até gerando alguma frustração entre os mais afoitos, entretanto, o número um já saiu, já foi distribuída aos assinantes, já chegou na Comix e daí nas melhores lojas e gibiterias do Brasil, além de, naturalmente, na loja virtual do Portal TEXBR - www.texbr.com. A marca do Portal TEXBR associada à Tutatis e à Lazarus Ledd evidentemente que garantiu a confiança necessária para a pré-venda de assinaturas, que gerou antecipadamente recursos importantes para a gestão do título. O sistema de assinatura semestral de Lazarus Ledd continua, garantimos que os leitores que experimentarem a publicação em seu número um e dois (que já está saindo) que vão ser fisgados por Lazarus Ledd. A assinatura é de seis edições e o leitor paga o preço de capa da edição escolhida (normal a R$ 6,90 ou Ouro a R$ 12,90) multiplicado por seis edições, recebendo a publicação em casa sem pagar nada de frete e ganhando inteiramente grátis a edição zero, um número promocional que apresentou o personagem.
 
- "Lazarus Ledd" não é tão popular no Brasil. Há mercado para dois formatos, um de luxo e outro mais econômico?
- Mesmo sendo Lazarus Ledd um personagem pouco conhecido no Brasil, esta estratégia adotada pela Tutatis em ter dois formatos para a mesma edição, uma de luxo e outra econômica, foi meticulosamente pensada para atingir tanto o leitor que deseja apenas ter a opção de mais um título para simples leitura quanto o colecionador exigente que prima por um acabamento especial, papel especial, tratamento especial. Certamente que é um desafio manter os dois formatos para uma mesma publicação, entretanto, além do formato italiano, este é também um diferencial da Tutatis para atingir todos os tipos de leitores. Se há mercado ou não, isto caberá aos leitores dizer, pela resposta que darão adquirindo um e outro formatos.
 
- A estrátégia adotada em Lazarus Ledd poderia ser aplicada também a títulos da Bonelli publicados pela Mythos? Salvaria, por exemplo, Dylan Dog de um cancelamento?
- É praticamente impossível fazer uma análise segura neste momento inicial de Lazarus Ledd. Nós do Portal TEXBR, bem como os leitores amantes da nona arte e de fumetti em geral, acreditamos que esta ousada iniciativa da Tutatis possa vingar e lograr êxito, mas isto depende única e exclusivamente dos leitores de Lazarus Ledd. Já quanto a afirmar se este tipo de ação editorial e mercadológica salvaria um Dylan Dog, ou indo mais longe, um Martin Mystère, um Mister No, um Dampyr, um Nick Raider ou um Nathan Never de cancelamento, não temos elementos que permitam responder esta pergunta, porquanto os números de vendas que estes títulos atingiam ao ser cancelados são de conhecimento apenas dos detentores dos direitos quando do cancelamento, no caso Mythos Editora e Ediouro. Podemos dizer apenas, que se os leitores apoiarem a iniciativa de Lazarus Ledd, esta poderá ser a janela aberta para novos lançamentos com a chancela da Tutatis num futuro próximo.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h05
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27/05/2006

OS DOIS FINAIS DE X-MEN 3

Não assista ao filme antes de ler este texto. Há dois fins em "X-Men 3 - O Confronto Final" (que não serão revelados aqui para não estragar a surpresa). Um é o oficial. Há o desfecho da trama e começam as subir os letreiros. Aí é que está a novidade: NÃO SAIA DO CINEMA. Após os créditos, há uma pequena cena, que acrescenta uma informação importante ao longa-metragem. Essa informação dá claramente a entender que haverá um quarto filme.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h55
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26/05/2006

A SOMBRA DE CRUMB, A LUZ DE PEKAR

Robert Crumb é um dos responsáveis por revolucionar os quadrinhos norte-americanos. Fazia histórias para um público adulto, fugia do esquema de produção das grandes editoras, destacou-se na geração underground dos anos 60. Na década seguinte, apagou-se. Por uma daquelas ironias do destino, um amigo de longa data é que se iluminaria. Harvey Pekar passou a ser o novo revolucionário ao criar histórias alternativas para a revista "American Splendor".

Crumb fazia os desenhos. Hoje, a presença dele é o principal chamariz do álbum "Bob & Harv - Dois Anti-Heróis Americanos" (Conrad, R$ 33), lançado hoje. O destaque exclusivo para Crumb -o Bob do título- merece revisão. Lendo a obra, percebe-se que é exatamente o contrário. Apesar da presença de Crumb, é Pekar quem fala mais alto. "Fala" não é força de expressão. É dele a voz da maioria dos contos urbanos reunidos na obra.

Sabe quando você encontra um amigo e começa a divagar sobre alguma coisa? O relato não precisa fazer muito sentido, basta que seja dito numa conversa à toa. Harvey Pekar faz o mesmo. Numa das histórias, divaga sobre a "arte" de pegar a fila mais rápida do supermercado. "Há  muitos fatores a considerar - a velocidade e eficiência do caixa, o número e tipo de pessoas na fila, a quantidade e os tipos de coisas que estão comprando- é uma verdadeira arte!", conta o narrador de um dos contos, representado na imagem do próprio Pekar.

Não é só representação. Há um quê autobiográfico no álbum. Intencionalmente autobiográfico. Ele explica como criou a revista, de que forma começou a amizade com Crumb (iniciada pelo amor mútuo aos discos de vinil), como convenceu o velho companheiro a desenhar as histórias que o leitor está acompanhando. É puro non-sense. Crumb desenha um roteiro -criado por outra pessoa- que conta como era a juventude do próprio Crumb.

É inovador, e justifica a influência que exerceu sobre outros criadores de quadrinhos alternativos. Um exemplo é a maneira como os causos (parece com os causos brasileiros) são contados. O narrador fica de pé e divaga sobre a história. Silencia. Volta a dialogar novamente com quem lê, como efetivamente ocorre num bate-papo qualquer.

Para os leitores mais novos, as histórias podem lembrar o seriado Seinfeld, tido como a melhor série sobre o nada. Mas o nada de Pekar é, ao mesmo tempo, tudo o que ele precisa para contar os relatos de vida. O leitor irá comprar o álbum por causa de Crumb. Mas é Pekar que roubará a cena. Vale a pena também alugar o filme "Anti-Herói Americano", que conta a história dele.

Em tempo: a editora colocou um trecho do álbum na internet. Para acessar, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h42
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25/05/2006

X-MEN 3: ONDE ENCONTRAR A SAGA DA FÊNIX

O terceiro filme dos X-Men, que estréia nesta sexta-feira, foi baseado numa das mais famosas histórias do super-grupo: a Saga da Fênix. A Fênix é o lado negro de Jean Grey, interpretada no longa-metragem por Famke Jensen. É um personagem extremamente poderoso, que, nos quadrinhos, chegou a destruir um planeta.

A história de Chris Claremont (texto) e John Byrne (desenhos e co-argumento) teve de ser adaptada na tela. Mas não porque o enredo apresentasse problemas. A mudança se deu para: 1) acrescentar outros elementos do universo dos X-Men, como a Irmandade de Mutantes; 2) dar mais destaque aos personagens de Hugh Jackman (Wolverine) e Halle Barry (Tempestade, que, na saga original, tinha uma importância menor). Um exemplo disso é na cena em que Jean pede a Wolverine que a mate (está no trailer do filme, não estamos antecipando nada demais). Na versão quadrinizada, a fala é de Ciclope, namorado dela.

Para quem não conhece muito os personagens, é interessante comparar a produção das telas com a impressa. A saga saiu no Brasil pela primeira vez na revista Superaventuras Marvel, da Editora Abril. É material difícil de encontrar, mas não impossível. A gibiteca Henfil, de São Paulo, tem a obra completa (e é de graça). Outro caminho é ir aos sebos e fuçar.

Outra idéia seria esperar o lançamento da saga pela Editora Panini, anunciado para este mês de maio. Mas também requer paciência. A empresa costuma atrasar as publicações, principalmente as especiais. O segundo volume de "Quarteto Fantástico", que reúne a fase criada por John Byrne (trabalho que fez após X-Men), foi anunciado e ainda não saiu. "V de Vingança", obra de Alan Moore que inspirou o filme homônimo ainda em cartaz, saiu bem depois da estréia do longa-metragem (o que minou a estratégia de conciliar o lançamento dos quadrinhos com o do cinema).

Uma saída é tentar encontrar a edição da Mythos, que saiu há algum tempo (ver imagem da capa acima). Ainda é vendida nas lojas especializadas (a R$ 17,90). É em preto-e-branco, ao contrário das demais, mas sacia sem problemas os casos mais urgentes de curiosidade.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h56
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CORTO MALTESE - SOB O SIGNO DE CAPRICÓRNIO

Os heróis de quadrinhos criados na Itália têm a tendência de serem corajosos, prestativos ao extremo, contestadores, irresistíveis para as mulheres. De onde vem o esterótipo é difícil dizer. Pode-se afirmar, no entanto, que Corto Maltese não só reúne todos os atributos como também contribuiu para popularizar os rótulos heróicos na Europa.
 
Isso já era claro na primeira aventura, "Corto Maltese - A Balada do Mar Salgado", lançada no começo do ano pela editora Pixel. A segunda história chegou às bancas e lojas especializadas nesta semana. Em "Corto Maltese - Sob o Signo de Capricórnio", o herói navegante ajuda um jovem (veja aí o elemento "prestativo ao extremo") a encontrar a irmã e a desvendar um mistério. Para o leitor brasileiro, a história tem um sabor especial. A maior parte se passa na Bahia. O autor, Hugo Pratt, trabalha com os detalhes. Detalhes verbais, criando diálogos longos e cheios de minúcias. Detalhes visuais, desenhando cenários carregados de informação (e que, geralmente, passam despercebidos pelo leitor médio).
 
Trabalhar com os detalhes é algo coerente com a vida do autor. Era um homem culto. Muito disso foi conseqüência das viagens que fez. E como fez: nasceu na Itália, passou parte da infância na Etiópia, viveu e desenhou na Argentina (lá criou Sargento Kirk), namorou o Brasil mais de uma vez (teve até filha aqui), estabeleceu-se novamente na Itália. As histórias que cria são a representação, em desenhos, do que viu em suas empreitadas.
 
Um exemplo -um bom exemplo, a propósito- está nesta edição de Corto Maltese. Logo no início, o personagem participa de uma sessão de umbanda. É o nosso umbanda, bem brasileiro. Está representado com fidelidade, tanto nos diálogos, como nas imagens (de novo, os detalhes: as roupas dos nativos são minuciosamente caracterizadas).
 
Hugo Pratt morreu vítima de tumor no estômago em agosto de 1995. Na mesma data, morria Corto Maltese. Outro autor não poderia dar continuidade à obra. Pratt era Maltese. E vice-versa. O especialista em quadrinhos Álvaro de Moya confirma a relação criador/criatura com muita propriedade na introdução deste segundo volume. Vale ler tanto quanto a história.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 19h54
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PIXEL CONFIRMA MAIS CORTO MALTESE (E OUTROS TÍTULOS)

A editora Pixel confirmou o lançamento de outros títulos de Corto Maltese. A previsão é que saiam ainda neste ano. A estratégia é alternar a produção européia com outras obras, em geral dos Estados Unidos. Nesta semana, a editora lança a segunda edição de Corto Maltese (ver postagem acima) e outros dois títulos, ambos americanos: "Nexus - Justiça Alienígena", de Mike Baron e Steve Rude, e "Madman Comics - Volume I", de Mike Allred, o mais inusitado dos três (mais um título que "brinca" com os rótulos dos super-heróis).
 
No mês que vem, saem "O Reino dos Malditos" e "Crimes Macabros", este de Steve Niles, que, ao lado de Robert Kirkman, tem dado um novo fôlego às histórias de vampiros, zumbis e terror. Está programado também o segundo volume de "O Coração do Império", de Brian Talbot (a primeira parte já foi lançada pela editora).
 
Em julho, há uma intencional redução nos lançamentos. Mas há uma novidade em relação aos demais títulos: sai o primeiro álbum com autor nacional. É "Curupira", de Flávio Colin. Está prevista ainda uma coletânea com as edições de Star Wars lançadas pela Ediouro (com caixa para guardar as edições). E, ainda sem confirmação de lançamento, outras obras de Milo Manara, o mesmo de "Gullivera" (outro produto da Pixel já lançado).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h53
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BLOG DOS QUADRINHOS: UM MÊS NO AR

Este blog completa hoje um mês. O resultado, confesso, surpreendeu. O número de visitas foi bem maior do que imaginava, sinal de que a página está no caminho certo.

Agradeço a todos os que colaboraram com este projeto, direta ou indiretamente. E ao leitor, que me honra com a visita e com os comentários.

Vamos a mais um mês.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h43
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24/05/2006

LUSÍADAS 2500

Ele levou o clássico de Camões muito adiante do além-mar. Colocou a idéia da navegação do povo português quinhentos anos no futuro. A primeira parte da trilogia criada por Lailson de Holanda Cavalcanti -ou somente Lailson- vai ser lançada na semana que vem em São Paulo e, na seguinte, em Recife.
 
Segundo o autor, o que o instigou a fazer "Lusíadas 2500"  foram as sucessivas viagens feitas a Portugal, terra de Camões. Lailson acredita que há dificuldade em compreender a história de Camões e a tecnologia envolvida nas navegações. Por isso, o deslocamento para o futuro. Fica mais fácil de perceber a dimensão do avanço tecnológico.
 
A obra promete atingir um público diversificado, indo desde do fã de quadrinhos até o literato. "Lusíadas 2500" é um dos trabalhos de destaque de Lailson. Ele é autor de uma obra que tem muito a acrescentar aos estudos do humor gráfico brasileiro (veja mais na postagem abaixo).
 
Lailson já fez de tudo um pouco nas artes gráficas: publicidade, trabalhos em revistas, charges para jornais. Venceu vários prêmios de humor, entre eles o prestigiado Salão de Humor de Piracicaba (em 1977).
 
SERVIÇO
 
Lusíadas 2500.
São Paulo - Quando: 30.05 (terça-feira). Horário: 19h. Onde: Livraria Cultura (Conjunto Nacional). Avenida Paulista, 2073.
Recife - Quando: 09.06 (sexta-feira). Horário: 19h. Onde: Livraria Cultura (Paço Alfândega). Rua Madre de Deus, s/n. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h50
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HISTÓRIA DEL HUMOR GRÁFICO EM EL BRASIL - I

LAILSON DE HOLANDA CAVALCANTI

A "História del Humor Gráfico em el Brasil" foi publicado em outubro do ano passado pela Editorial Milenio e Universidade de Alcalá.  Por ser uma edição estrangeira, o acesso à obra é restrito (leia como comprar na postagem abaixo). Por ser uma edição estrangeira, chamou pouca atenção no Brasil, país onde vive e produz humor gráfico o autor, Lailson de Holanda Cavalcanti. Saíram pouquíssimas notas sobre o assunto. Trata-se de um equívoco. Também por ser uma edição estrangeira, a pesquisa adquire uma importância singular. O livro difunde para o exterior algo em que o Brasil é especialista (a produção de humor gráfico) e abre um campo -ainda pouco explorado- para estudos acadêmicos sobre o assunto.
 
A obra registra a história do humor gráfico brasileiro. O ponto de partida é 1831, data que o autor julga ter sido publicada a primeira charge nacional. Com o rigor científico que o estudo exige, admite que o assunto é polêmico. O autor se posiciona, mas não ignora as divergências.
 
Lailson já fez vários trabalhos no Brasil e é bastante respeitado como ilustrador e cartunista. Desde a segunda metade da década de 90, ganhou respeito também como pesquisador do humor brasileiro. Publicou há nove anos "Humor Diário", sobre as ilustrações do Diário de Pernambuco. O trabalho e o acesso aos salões internacionais o levaram a ser convidado para a produção da "História del humor grafico en el Brasil".
 
Nesta entrevista -por e-mail-, Lailson fala sobre o convite, as primeiras charges brasileiras e a importância acadêmica que a obra representa. 
 
- Um livro publicado na Espanha contando a história do humor gráfico brasileiro. Como foi isso?
Lailson - Desde 1998 que participo da Muestra Internacional de Humor Gráfico, uma exposição não competitiva, promovida dentro do Programa de Humor Gráfico da Fundación General da Universidad de Alcalá de Henares (situada na Comunidade de Madrid), a segunda universidade mais antiga da Espanha. O programa de humor gráfico promove um encontro anual e uma mostra temática, onde participam mais especificamente os da comunidade Ibero-Americana, que envolve países de língua portuguesa e espanhola. Entre os vários aspectos do programa, estão o estabelecimento de uma Cátedra de Humor Gráfico, a criação de um Museu do Humor Gráfico e o Prêmio Quevedos. Este último é bienal e já premiou nomes como Quino, Mingote, Chumy Chumez e El Roto. Por conta da criação da Cátedra de Humor Gráfico, foi estabelecido um convênio entre a Editorial Milenio (de Lleida, comunidade de Barcelona), com a Universidade de Alcalá para estabelecer um projeto editorial conjunto, objetivando criar a biblioteca básica desta Cátedra. Serão 16 volumes, cada um versando sobre um país da comunidade Ibero-Americana (alguns serão conjuntos, como Honduras e El Salvador) e realizados por pesquisadores de Humor Gráfico em cada um desses países. Já foram editados os livros sobre México, Portugal, Espanha, Venezuela e Brasil. Para o do Brasil, eu fui o autor convidado devido ao trabalho que já vinha desenvolvendo em relação às origens do Humor Gráfico em nosso país através dos salões e festivais que organizo desde 1983, do livro "Humor Diário" -sobre a ilustração humorística no Diário de Pernambuco entre 1914 e 1995 (publicado em 1997 e premiado como melhor livro teórico no HQMix daquele ano)- e palestras que realizo já há algum tempo.
 
- Imagino que seja difícil determinar um ponto de partida para começar a história do humor visual brasileiro. Qual momento, segundo sua pesquisa, pode ser visto como o marco inicial? 
- Defendo a opinião do historiador Alfredo de Carvalho, que considera a ilustração humorística na capa d´O Carcundão -jornal independente de três números, publicado entre abril e maio de 1831, no Recife- como sendo a primeira manifestação do Humor Gráfico feita no Brasil. Antes, já haviam sido publicadas na Europa algumas gravuras -inclusive de Honoré Daumier- que registravam fatos ligados ao Brasil, como a disputa entre os irmãos Pedro (D. Pedro I) e Miguel pela coroa portuguesa, mas não são obra de brasileiros nem editadas no Brasil. A ilustração do Carcundão, na verdade uma charge em dois tempos, faz uma sátira política ao Partido Restaurador e à Sociedade Colunas do Trono -que defendia a volta de D. Pedro I- e, apesar de ser de autor anônimo (tanto o desenho como o texto), é, sem dúvida alguma, um trabalho de humor político e não apenas uma ilustração avulsa, sendo, portanto, o primeiro trabalho de Humor Gráfico realizado e impresso no Brasil. No ano seguinte, é publicado O Cangaceiro, jornal satírico escrito pelo Padre Lopes Gama, também em Recife, onde se pode supor que o autor do Carcundão era o referido padre, segundo minha opinião e de outros historiadores pernambucanos, como Leonardo Dantas Silva. A partir do número sete, o Carapuceiro traz em seu frontispício um desenho humorístico satirizando a classe dominante pernambucana. O trabalho de Humor Gráfico que tem sido apresentado como sendo o primeiro do Brasil tem sido o de uma litografia atribuída a Manuel de Araújo Porto Alegre, publicada em folha avulsa no Rio de Janeiro em 1837.
 
- Em comparação com outros países, há diferenças com relação ao humor brasileiro? Há algo que o torne diferente ou peculiar?
- A descrença no sistema e no governo é uma constante no humor político brasileiro. Há uma exaltação do anit-herói e uma indignação permanente contra a corrupção e a inoperância do sistema. É um humor extremamente partidarizado e, regra geral, de oposição. Em alguns momentos, ele se alinha com o sistema dominante, porém por pouco tempo, pois a capacidade de percepção do autor brasileiro é aguda e não se deixa levar pela propaganda por muito tempo. No entanto, como é um humor partidarizado, tende a relevar os erros dos partidos ao qual o cartunista está alinhado e exagerar os erros dos partidos que considera adversário.
 
- Houve alguma conclusão de seu trabalho?
- O livro demonstra que existe um vasto campo para a pesquisa séria sobre a iconografia e a transversalidade do Humor Gráfico como elemento de compreensão do processo sócio-político brasileiro. Praticamente cada um dos capítulos que estruturei no livro (veja na postagem abaixo) seriam capazes de fornecer material para um livro individual, pois ocorreram em contextos sócio-políticos extremamente diversos, considerando os diferentes regimes políticos que o Brasil atravessou.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h49
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HISTÓRIA DEL HUMOR GRAFICO EN EL BRASIL - II

O livro de Lailson parte da monarquia, na primeira metade do século XIX, passa por toda a república até chegar aos dias de hoje. Ao lado de "Raízes do Riso", de Elias Thomé Saliba, é referência sobre o tema. Veja como "História del Humor Grafico em el Brasil" foi organizado:

Introdução 1500-1831: Os motivos do riso

Cap I 1831-1837: A primeira caricatura

Cap II 1844-1868: As primeiras revistas na Corte Imperial

Cap III 1864-1891: O Humor nas provínicas

Cap IV 1867 -1889: Os grande mestres

Cap V 1889-1920: O Humor na Primeira República

Cap VI 1920-1945: Humor em tempos de revolução, ditadura e guerra

Cap VII 1946-1964: Uma breve Democracia

Cap VIII 1964-1970: O Humor e a Ditadura Militar

Cap IX 1970-1985: Da Ditadura à Democracia

Cap X 1985-2000: Humor no fim do Século

Cap XI 2000-2004: O Humor em um novo Século

 

O livro não saiu no Brasil. É espanhol e só pode ser comprado por importação. As grandes livrarias costumam ter a obra em catálogo., caso da Livraria Cultura. Leva até oito semanas para chegar ao Brasil. Outro caminho é neste site espanhol. Para acessar, clique aqui. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h45
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HQMANÍACOS - PARTE I

Eles não vivem de quadrinhos. Vivem para os quadrinhos. Chamam a si próprios de hqmaníacos, nome dado ao site que mantém na internet(www.hqmaniacs.com.br). É também o nome da editora, que lançaram este ano. De fanáticos por quadrinhos, tornaram-se empresários da área. De onde vieram os recursos? Fizeram uma "vaquinha" e adquiriram os direitos de publicação. Simples assim.

Os cinco proprietários (Artur Tavares, Carlos Costa, Fábio Ribeiro, Leonardo Vicente e Rogério De Simone) sabem que o retorno do investimento é a longo prazo. Mesmo assim, não parecem desanimar. Já lançaram "Invencível" (de Robert Kirkman e Cory Walker), já pensam num segundo volume, pretendem publicar "Estranhos no Paraíso" (premiada criação de Terry Moore) e colocam hoje à venda "Os Mortos-Vivos", escrita pelo mesmo Kirkman e desenhada por Tony Moore (veja a capa e uma prévia do material na postagem do dia 22.05). Essa última obra é vendida nas lojas especializadas ou pelo e-mail osmortosvivos@hqmaniacs.com O e-mail foi uma forma de contornar os problemas de distribuição. Bancas não se interessam por tiragens pequenas, contam.

O Blog dos Quadrinhos conversou com dois hqmaníacos -Artur Tavares e Leonardo Vicente- há dois sábados. Nesta primeira parte da entrevista (leia o restante na postagem a seguir), eles falam sobre o surgimento da editora.

- Como é deixar de ler quadrinhos e virar editor de quadrinhos?

Artur - Era uma coisa que a gente queria fazer há mais de um ano. Talvez tenha sido o caminho natural. Ia chegar uma hora em que a gente publicaria quadrinhos. Não foi uma opção mercadológica. Foi por curtição. É diferente você trabalhar com jornalismo de quadrinhos e com uma editora de quadrinhos.

- No que é diferente?

Leonardo - Na verdade, é uma coisa que foi mudando com o tempo. Quando começa é aquela empolgação de fazer, é bom. Depois, quanto mais tempo passa, a gente percebe que tem de se aprimorar, ficar um pouco mais profissional. A gente começa a ver de um outro jeito as coisas. Curte do mesmo jeito. Mas começa a ver de um hjeito profissional.

- Quando surgiu a idéia da editora?

Leonardo - Faz mais ou menos uns dois anos que a gente está pensando nisso. No começo, era só uma idéia, que a gente mesmo não levava a sério. Um dia vamos fazer? Vamos...

Artur - Acho que a primeira vez que eu ouvi sobre isso foi em fevereiro do ano passado...

Leonardo - No começo do ano passado foi quando a gente parou pra valer para fazer...

Artur - Foi quando eu falei: lança o "The Walking Dead" (nome original de "Os Mortos-Vivos")

- O que deu certo e o que deu errado no primeiro lançamento ("Invencível")?

Leonardo - Ainda é um pouco cedo para analisar. Por enquanto, a gente vê que está dando tudo certo. Algum escorregão em adaptação, coisa que a maioria das pessoas nem percebeu, mas que estamos aprimorando.

- O primeiro lançamento já se pagou?

Leonardo - Ainda não, mas está se pagando.

Artur - Está se pagando.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h41
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HQMANÍACOS II

Daria um filme a forma como os cinco hqmaníacos se conheceram. Começou como amizade virtual. O ponto de encontro eram salas de bate-papo sobre quadrinhos. Surgiram aí os apelidos que levam até hoje: Artur é Billy Batson (alter-ego do Capitão Marvel); Carlos Costa, o criador do site "hqmaniacs", é Spider (referência ao nome original do Homem-Aranha, Spider-Man); Fábio Ribeiro é Inumano (menção aos Inumanos, personagens da Marvel Comics); Leonardo Vicente é Buddy Baker (nome do Homem-Animal, da editora americana DC Comics). Rogério De Simone é o único que teve a identidade secreta revelada. Assume que é Rogério (um dia já foi Titã nas listas), forma como assina atualmente.

Um dia, resolveram revelar as identidades secretas um ao outro. Foi num encontro real. O primeiro de muitos e o início de uma amizade que já dura cinco anos e que é percebida -ou lida- no site que mantêm. As atualizações são feitas no pouco tempo livre que sobra. Geralmente, durante a madrugada. Deixam claro: "o site não sustenta a gente". Pelo contrário. "A gente acaba gastando mais ainda", brincam, com uma grande dose de verdade.

O sustento para si e para as leituras vem de outros empregos. Dois trabalham em fórum Fábio e Carlos), um é publicitário (Leonardo), outro lida com a área financeira (Rogério) e o último a aderir ao quinteto estuda jornalismo (Artur). De quando em quando, abandonam a profissão para assumir os codinomes diante dos fãs do site, em encontros reais, com chamadas virtuais.

Nesta segunda parte da entrevista (leia o primeiro trecho na postagem anterior), dois dos hqmaníacos, Artur Tavares e Leonardo Vicente (ou Billy Batson e Buddy Baker) comentam o que esperam do lançamento do segundo título da editora que criaram, "Os Mortos-Vivos", vencedor de um dos prêmios dos British Eagle Awards deste ano. Falam também da forma "original" como arrecadaram a verba para a edição.

- Qual a expectativa para "Os Mortos-Vivos"? E que a resposta não seja "a melhor possível"...

(Risos)

Artur - A gente espera que faça mais sucesso que "Invencível".

Leonardo - O título pega um nicho de mercado que estava um pouco morto por aqui, que é o de quadrinhos de terror. Na década de 70, 80, havia muita editora produzindo material nacional. E era muito popular. O problema maior de terem acabado os quadrinhos de terror foi econômico, não falta de interesse. As editoras nacionais não tinham como manter a produção. É um vácuo nos quadrinhos.

- Vocês fizeram uma "vaquinha" e compraram os direitos?

Artur - Foi.

Leonardo - Foi isso mesmo.

Artur - Eu fui o último a entrar... mas foi isso mesmo (risos).

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 06h21
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23/05/2006

MAIS DOIS ÁLBUNS DE TINTIN NO BRASIL

A Companhia das Letras confirmou a publicação de mais dois álbuns de Tintin no Brasil. Os títulos serão "O Cetro de Ottokar" (de 1939) e "O Caranguejo das Pinças de Ouro" (de 1941). A editora programou o lançamento para julho. A notícia consolida o interesse na (re)edição de todas as aventuras do personagem, seguindo a ordem original de publicação. 

A editora já lançou quatro álbuns de Tintin. No fim do ano passado, publicou "Os Charutos do Faraó", "O Lótus Azul", "O Ídolo Roubado" e "A Ilha Negra" (R$ 33 cada). As obras ainda podem ser encontradas nas livrarias. Trata-se de novas edições. Aventuras com o jovem repórter haviam saído no Brasil pela editora Record. O material é artigo de colecionador e só é encontrado em sebos.

Tintin foi criado na Bélgica por Hergé, forma como Georges Rémi assinava suas histórias. A primeira história é de 1929. As aventuras mostram o repórter viajando pelo mundo atrás de notícias (sempre encontra perigos pelo caminho). Os álbuns (foram 24 ao todo, um deles inacabado) agradaram o público e ganharam fama nos anos seguintes. Tintin se tornou uma referência na Europa, tanto em termos mercadológicos como estilísticos. O traço criado por Hergé ainda hoje conta com uma série de seguidores.

No Brasil, Tintin conta com fãs fiéis. O número de apreciadores aumentou com a exibição do desenho animado com as aventuras dele, exibido pela TV Cultura e TVE. É um personagem raro. Consegue interessar tanto adultos como crianças.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h41
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22/05/2006

PRÉVIA - OS MORTOS-VIVOS

Capa e uma das páginas da edição nacional de "Os Mortos-Vivos", programada para sair esta semana. O álbum é escrito por Robert Kirkman e desenhado por Tony Moore. A publicação é da editora HQManiacs.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h34
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PALESTRA: QUADRINHO ALTERNATIVO

O brasileiro Eduardo Pinto Barbier tem uma experiência inusitada. Começou a editar uma revista alternativa no Brasil no começo dos anos 90. Mudou-se para a França e levou junto a idéia. Hoje, publica por lá "La Bouche du Monde" (A Boca do Mundo), que reúne contribuições de artistas de diferentes países, inclusive Brasil.

O editor e quadrinista contará um pouco da experiência com quadrinho alternativo numa palestra nesta terça-feira (23.05) em São Paulo. A entrada é franca. Barbier mantém um blog com novidades sobre a revista. Para ler, clique aqui.

SERVIÇO

La Bouche du Monde / A Boca do Mundo - A epopéia de uma publicação independente franco-brasileira. Quando: terça-feira (23.05). Horário: 19h30. Local: Espaço Cultural Planeta Tela. Rua Humberto I, 981. Vila Mariana. São Paulo.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h17
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21/05/2006

MAURICIO DE SOUSA VAI PUBLICAR TIRAS DE RONALDINHO NO EXTERIOR

Mauricio de Sousa fechou contrato para publicar Ronaldinho Gaúcho e a Turma da Mônica no exterior. A distribuição das tiras e páginas em quadrinhos nos jornais será feita pela empresa norte-americana Universal, uma das maiores do ramo, responsável por personagens como Garfield e Calvin & Haroldo.  O acordo foi firmado há um mês e é divulgado em primeira mão pelo Blog dos Quadrinhos.

Foram feitos dois contratos: um para a Turma da Mônica e outro exclusivo para o personagem Ronaldinho Gaúcho, lançado no Brasil há pouco mais de uma semana (na revista "Ronaldinho Gaúcho e Turma da Mônica"). O primeiro jornal a publicar histórias criadas pela equipe de Mauricio de Sousa é o inglês Daily Mirror. Estréia tiras de Ronaldinho no dia 30 deste mês.

Segundo Mauricio de Sousa, o jogador da seleção brasileira e do Barcelona é o carro-chefe do projeto. "Ronaldinho me pareceu a chave ideal para fazer uma entrada no mercado internacional. Serviu para melhorar a nossa estratégia", disse por telefone de Barcelona, na Espanha, onde esteve na semana passada. Por estratégia, leia-se: Ronaldinho é o cartão de visitas. Só que, junto com ele, vão também os outros personagens da empresa, como Mônica e Cebolinha. De acordo com o empresário, a quantidade de jornais interessados no material ainda não chega a cem. Ele espera multiplicar esse número por cinco num prazo de seis meses. A Universal mantém uma rede de 4700 jornais.

O plano de colocar a Turma da Mônica em outros países não é novo. Teve início na virada do século. Os personagens começaram a participar de feiras e mostras internacionais. Foi uma preparação do terreno, até que surgiu a idéia de transformar o jogador num personagem de histórias em quadrinhos. A iniciativa partiu do próprio empresário.

Mônica, Cebolinha e companhia já tinham sido publicados no exterior na década de 80. 18 países veiculavam os personagens, entre eles Alemanha e Inglaterra. A experiência não foi positiva. A chegada dos quadrinhos japoneses  -fartos de cenas de ação e violência- impuseram uma nova realidade às criações de Mauricio de Sousa. "O nosso material era muito pacífico, sem violência. Os editores pediram mais violência. Não concordei Perdi a publicação em 15 países".

Não há chance de o problema se repetir? O empresário entende que não. Para ele, a situação mudou. "Agora, o nosso material é que está na moda. Há procura por mais humor e mais alegria".

Ronaldinho Gaúcho não foi o primeiro jogador a virar personagem de Maurico de Sousa. Na década de 70, Pelé inspirou a criação de Pelezinho (que também tinha uma turma de personagens coadjuvantes).  A revista com o personagem foi publicada de 1977 a 1982.

Veja uma prévia exclusiva das tiras de Ronaldinho Gaúcho nas postagens a seguir.

Leia também sobre a revista do jogador. Clique aqui

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h24
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PRÉVIA - RONALDINHO GAÚCHO 1

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h14
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PRÉVIA - RONALDINHO GAÚCHO 2

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h13
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19/05/2006

DOIS BRASILEIROS SÃO PREMIADOS NO EXTERIOR

Dois brasileiros foram premiados na oitava edição do Porto Cartoon-Wolrd Festival, de Portugal. O salão de humor é tido como um dos três maiores do mundo. José Antonio Costa e João Vieira de Melo, o Lin, receberam menção honrosa do júri, presidido pelo cartunista francês Georges Wolinski.
 
A ilustração de José Antonio, do Piauí, ironiza a polêmica criada a partir de charge que representava o profeta Maomé (e que causou protestos em vários países). João Vieira brincou com um desenho diferente no meio de imagens aparentemente iguais.
 
O grande prêmio foi para o cartunista Musa Gümüs, da Turquia. A premiação será no fim de junho. Os vencedores ganharão troféus, uma quantia em dinheiro (não divulgada) e garrafas de vinho da região do Porto.
 
O Porto Cartoon-World Festival deste ano teve como tema a desertificação e a degradação da terra. O salão de humor recebeu 1360 trabalhos, vindos de 50 países. Mais de 200 foram de brasileiros, que registraram o maior número de participações.
 
A grande qualidade dos trabalhos, termos do próprio júri, fez com que 10 ilustrações recebessem menção honrosa. Os dois brasileiros estão entre os selecionados.
 
Veja nas postagens abaixo as ilustrações de José Antonio Costa e João Vieira de Melo, que o Blog dos Quadrinhos mostra em primeira mão.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h59
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CHARGE PREMIADA 1


Charge de João Vieira de Melo (Lin), de Pernambuco

Sem título

Menção honrosa no oitavo Porto Cartoon

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h27
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CHARGE PREMIADA 2


Charge de José Antônio Costa, do Pauí

Título: alvo

Menção honrosa na oitava edição do Porto Cartoon

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h24
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18/05/2006

QUADRINHOS NA VIRADA CULTURAL PAULISTANA

 A segunda Virada Cultural -evento que promove atrações culturais durante dois dias seguidos em São Paulo- vai ter um espaço dedicado às histórias em quadrinhos. No primeiro dia do evento, haverá o lançamento do segundo número da revista "PutzGrila" e uma jam session de quadrinhos (espécie de montagem coletiva de uma história). Estão agendadas duas datas, uma no sábado (no Centro Cultural Vergueiro), e outra no domingo (na Galeria Olido).

A "PutzGrila" é uma compilação de desenhos produzidos durante um curso de histórias em quadrinhos ministrado no próprio Centro Cultural. O álbum reúne os trabalhos de 41 alunos. Eles colocaram na prática o que aprenderam com os cartunistas JAL e Gual e com os professores Waldomiro Vergueiro (Universidade de São Paulo) e Sonia Bibe Luyten (da Unisantos). A primeira edição da "PutzGrila" venceu um HQMix (um dos principais prêmios de quadrinhos do país) na categoria prozine.

A revista será distribuída de graça. São cerca de 300 exemplares. Os autores ainda não viram a edição final. Acreditam que devea ter entre 160 e 170 páginas.

A Jam Session é a outra atração da Virada Cultural. A proposta é reunir diferentes artistas e uni-los na produção coletiva de histórias e caricaturas. Segundo os organizadores, confirmaram presença: Alexandre Nagado, Rodolfo Zalla, Rafael Coutinho, Fábio Cobiaco, Sam Hart, Sandro Castelli, Osvaldo Pavaneli e Eloar Guazzelli (que venceu recentemente o Grande Prêmio de um concurso de humor gráfico promovido pelo jornal "Folha de S.Paulo"). Os artistas da "PutzGrila" também devem participar. Os trabalhos produzidos ficarão expostos na Gibiteca Henfil, que também fica no Centro Cultural, até o dia 31 de maio.

A grande mídia noticiou a Virada Cultural. Curiosamente, ignorou este evento de quadrinhos.

SERVIÇO

Lançamento de "PutzGrila" e Jam Session de quadrinhos. Sábado (20.05). Onde: Centro Cultural Vergueiro. Rua Vergueiro, 1000. Paraíso. São Paulo. Horário: 18h. Domingo (21.05). Onde: Galeria Olido. Avenida São João, 473. Centro. São Paulo. Horário: 10h. Os dois eventos são gratuitos. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h28
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EDIÇÃO DE RISCO: LANÇAMENTO

O humor gráfico produzido no sul é pouco conhecido no restante do país. “Edição de Risco” (Tinta China, R$ 20) é uma chance rara de ter acesso aos trabalhos de artistas do Rio Grande do Sul. O álbum reúne charges, caricaturas, cartuns e histórias em quadrinhos de 32 artistas do estado.

 

A edição foi organizada pela Grafar (Grafistas Associados do Rio Grande do Sul). O lançamento é hoje à noite no Centro Municipal de Cultura de Rio Grande (RS). Os autores prometem autógrafos “personalizados” aos presentes. Haverá também uma exposição, batizada de “Taim... graçado!” (fica aberta para visitação até 3 de junho).

  

 

SERVIÇO

 

Edição de Risco. Onde: Centro Municipal de Cultura. Rio Grande. Quando: hoje (19.05). Horário: 19h.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h49
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MAS ELE DIZ QUE ME AMA

É bom que o leitor saiba antes: Rosalind B. Penfold não existe, é um pseudônimo. É importante saber também que a história escrita por ela existiu e foi baseada numa amarga experiência própria. É confuso, mas é essa a proposta de "Mas Ele Diz que me Ama" (Ediouro: R$ 34,90), lançado nesta semana.

Esconder-se atrás de um nome foi a forma que autora encontrou para relatar o conturbado relacionamento mantido com Brian (o nome também é fictício). De início, era um homem amoroso e atencioso. Tudo ia bem, a ponto de ela concordar em dividir com o namorado a criação dos quatro filhos dele: Tom, Lizzie, Megan e Jim. Brian era viúvo.

O trato com as crianças tomou tempo que ela não tinha. Abriu mão de parte do horário  dedicado à sua empresa. Fazia as vezes de babá, enquanto Brian trabalhava. Ou viajava. O relacionamento começava a ficar estranho.

 

O relato de Rosalind mostra como se deu a virada. De uma hora para outra, ela passava de namorada/amante a serviçal. Era estimulada –por ele- a abandonar as amizades, a família, a empresa. “Somos um só”, dizia. Era ridicularizada, o humor do namorado variava abruptamente. Não sabia mais onde pisava. Resistiu e se negou (idéia que o título em português resume com precisão).

 

É essa a mensagem que Rosalind (nome fictício que aqui cria ares de real) quis passar no álbum. Trata-se de um alerta às outras pessoas, principalmente as mulheres, sobre o dia-a-dia de um relacionamento abusivo. De mulher inteligente e bem-sucedida, passou a ser submissa e apagada. Vivia para ele, não com ele.

 

Como ela mudou de vida, a ponto de escrever um álbum em quadrinhos, é o mote de toda a obra. Um fator ajudou na composição da história. A cada abuso, ela desenhava a cena na forma de uma história em quadrinhos. O título reúne o material que ela compôs ao longo dos anos. O traço é simples (mas, isso, é o que menos importa na leitura da obra). 20 páginas foram feitas por outro profissional. Fica difícil, na leitura, saber quem desenhou o quê.

 

A situação era tão massacrante para ela que, em algumas páginas, Rosalind se desenhou como uma criança. Via-se inferiorizada, como um ser humano menor.

 

É comum ouvir pessoas dizerem que os quadrinhos são uma forma de arte menor. Os defensores dos quadrinhos têm sempre na manga um seleto grupo de histórias para citar sempre que ouvem a crítica (“Maus”, trabalhos jornalísticos de Joe Sacco, qualquer álbum de Will Eisner). O relato (real, não custa lembrar) de “Mas Ele Diz que me Ama” deveria estar no topo da lista.

 

A autora mantém um site com informações sobre abuso. Para acessar, clique aqui. Leia mais sobre relacionamento abusivo no Brasil na postagem abaixo.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 10h13
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RELACIONAMENTO ABUSIVO NO BRASIL

O Brasil mantém um sistema telefônico para atender e orientar casos de violência doméstica. É o 180, Central de Atendimento à Mulher, mantido pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Funciona 24 horas por dia desde o mês passado.
 
O serviço entrou no ar no dia 25 de novembro de 2005. Até abril deste ano, recebeu 17.991 ligações. A maioria (49,4%) era para obter informações sobre direitos e como proceder nos casos de violência. A região sudeste liderou o número de chamadas (43,12%). A maior procura partiu do Estado de São Paulo (5.172 chamadas).
 
A mulher que ligou para o serviço foi uma mulher, casada (26%) ou solteira (25%), com apenas o ensino fundamental, entre 20 e 29 anos.
 
Os dados levantados pelo serviço não dão uma dimensão aprofundada sobre o tema. Mas permitem perceber o quão presente é a violência doméstica entre as brasileiras. A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres mantém um site. Para acessar, clique aqui.
 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h10
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17/05/2006

CHAPA QUENTE: LANÇAMENTO

CHAPA QUENTE: LANÇAMENTO

O arquiteto e desenhista André Kitagawa lança amanhã (18 de maio) o álbum "Chapa Quente - 7 histórias de André Kitagawa". A edição da Atrito Art Editorial tem 60 páginas e reúne sete criações dele. São microcontos urbanos, que serviram de base para a peça "Chapa Quente", em cartaz desde o dia 5 deste mês em São Paulo.

A maior parte das histórias de André Kitagawa foi veiculada pela internet. Algumas já saíram em publicações impressas, como "Faísca Existência" e "Super-T", que saíram nas revistas Front números 10 e 11 (editadas pela Via Lettera).

O álbum custa R$ 20. A publicação foi antecipada pelo Blog dos Quadrinhos, em postagem do dia 5 de maio. Na mesma postagem, há informações sobre a peça, em cartaz até o dia 7 de julho.

SERVIÇO

Chapa Quente - 7 Histórias de André Kitagawa. Local: Mercearia São Pedro. Rua Rodésia, 34. São Paulo. Perto do metrô Vila Madalena. Quinta-feira (18.05), 20h30.   

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h56
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DOIS LANÇAMENTOS USAM QUADRINHOS PARA TORNAR LIVROS MAIS POPULARES

Usar histórias em quadrinhos para tornar um livro mais popular. O assunto é polêmico e há, certamente, quem vá torcer o nariz para a idéia. Mas é o ponto que une dois lançamentos nacionais, vindos de Recife: "Morte e Vida Severina" e "Passos Perdidos, História Desenhada: a Presença Judaica em Pernambuco no Século XX - Vol 1".

O primeiro é a adaptação da obra homônima de João Cabral de Melo Neto. O álbum da Editora Massangana, de Recife, celebra em quadrinhos o cinqüentenário do livro "Morte e Vida Severina". Foi adaptado por Miguel Falcão, ou Leuguim ("Miguel" lido de trás para frente), como gosta de assinar.

O álbum usa palavras e figuras para remontar a dura busca do personagem Severino por uma vida melhor no sertão nordestino. Ele, na verdade, é uma metáfora usada por João Cabral para representar a situação difícil de tantos outros "severinos" brasileiros: "O meu nome é Secerino, não tenho outro de pia. / Como há muitos severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar Severino de Maria. / Como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do finado Zacarias."

A quadrinização guarda uma curiosidade. O álbum -bancado pela Fundação Joaquim Nabuco, órgão do Ministério da Educação- não vai ser vendido ao público: será oferecido de graça. Segundo os responsáveis pela edição, a idéia é atender um desejo antigo do poeta, o de ver sua obra popularizada.

É exatamente esse o caso do outro lançamento. "Passos Perdidos, História Desenhada: a Presença Judaica em Pernambuco no Século XX - Vol. 1" será distribuído gratuitamente nas escolas municipais de Recife. O material também será enviado a secretarias de educação do Estado e a bibliotecas de todo o país. De novo: de graça.

A obra é uma versão quadrinizada do livro homônimo, escrito por Tânia Kaufman, professora da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e diretora do Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco. A adaptação ficou a cargo do sociólogo e desenhista Amaro Braga, também professor da Universidade. 

A história é narrada pela (agora personagem) Tania Kaufman. Ela é retratada como uma avó que conta aos netos a presença e a importância da comunidade judaica em Pernambuco. Instalada a partir do século 16, fincou raiz no Estado. O registro do tema, em livro ou quadrinhos, é um resgate da memória pernambucana.

Como conseguir os álbuns. "Morte e Vida Severina" é distribuído Editora Massangana. Há um telefone de contato: (81) 3441-5500, ramal 576.

"Passos Perdidos, História Desenhada: a Presença Judaica em Pernambuco no Século XX - Vol 1" deve chegar às bibliotecas universitárias, principalmente as de Recife. Hoje à noite, há uma boa chance de conseguir um exemplar e conhecer os autores. Haverá um lançamento às 19h na Livraria Cultura do Shopping Paço Alfândega, em Recife. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h30
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16/05/2006

UMA CHARGE VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS - 4

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h45
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UMA CHARGE VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS - 3

Fonte: http://www.politicus.org.br/ (e você ainda pode mandar um e-mail a todos os congressistas)

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h33
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UMA CHARGE VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS - 2

Fonte: http://gilmarcartum.fotoblog.uol.com.br/

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h28
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UMA CHARGE VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS - 1

Fonte: http://jc.uol.com.br/jornal/charge.php 

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h19
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15/05/2006

ALAN MOORE: PORNOGRÁFICO

O escritor inglês Alan Moore escreve mais um capítulo nas polêmicas que marcaram a obra da sua vida. Vai escrever, agora, quadrinho pornográfico. A proposta dele é mostrar que é possível ter conteúdo em histórias desse gênero. "Eu pensava: ´É possível criar pornografia que preencha todos os requisitos da arte e da literatura e que ainda assim continue sendo pornografia?´" Ele mesmo responde: "Eu imaginava que era possível".
 
Mas o possível, para ele, tem sempre uma outra conotação. Seguindo a tradição de usar personagens literários, vai trabalhar com as protagonistas de "Peter Pan", "O Mágico de Oz" e "Alice no País das Maravilhas", já adultas. A história foi chamada de "Lost Girls" e será desenhada por Melinda Gebbie, esposa dele. Deve sair em agosto deste ano.
 
A polêmica está na segunda parte da entrevista que concedeu à revista Trip (está na edição 144, recém-lançada). Moore disse também que pretende continuar com os quadrinhos cujos direitos autorais são seus, caso da "Liga Extraordinária", e que pretende investir mais na literatura. O autor de "Watchmen" escreve seu segundo romance, "Jerusalém".
 
O termômetro desta segunda parte da entrevista esteve numa temperatura mais morna. No trecho anterior, publicado na Trip número 143 (edição de abril), Moore soltou o verbo. Disse que as grandes editoras tratavam os artistas como gado e que não tinha visto as adaptações de quadrinhos seus no cinema (como V de Vingança, ainda em cartaz).
 
Leia mais sobre a primeira entrevista na postagem do dia 27.04.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h53
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12/05/2006

À PROCURA DE WILL EISNER

O relançamento de "Avenida Dropsie" no teatro dá um ar de nostalgia a quem aprecia o trabalho do autor, Will Eisner. É dele a história em que a peça se baseou. A escolha óbvia é reler "Avenida Dropsie: a Vizinhança", ainda disponível nas livrarias e lojas especializadas. Mas há outros títulos, que também podem ser encontrados com facilidade.

As obras de Eisner (1917-2005) se dividem entre três editoras: Devir, Companhia das Letras e Martins Fontes. A primeira se voltou para os títulos mais adultos dele, tanto teóricos (como "Narrativas Gráficas") como romanceados ("O Último Dia no Vietnã", "O Nome do Jogo", "Pequenos Milagres", o último a ser lançado). A Companhia das Letras possui em catálogo uma das obras da fase adulta, "Fagin, o Judeu". Os demais títulos são leituras particulares de obras literárias consagradas: "A Baleia Branca", "A Princesa e o Sapo", "Sundiata, o Leão do Mali", "O Último Cavaleiro Andante". A Martins Fontes tem apenas uma obra, mas é também o livro teórico dele mais conhecido e respeitado academicamente, "Quadrinhos e Arte Seqüencial".

A principal mais famosa de Will Eisner, "Spirit" (de 1940), está fora de catálogo. Houve cinco álbuns publicados pela LP&M. Alguns volumes aparecem no site da editora, mas, na prática, estão fora de catálogo. É possível encontrar algum perdido em grandes livrarias. Ou sem sebos, onde são bastante valorizados (inclusive no preço). O personagem mascarado faz parte da primeira fase do artista. Mesmo sendo um super-herói (ou só herói, já que não tinha poderes), Eisner já impunha seu estilo realista nas histórias. Elaborava contos em quadrinhos, discutindo o que seria visto décadas depois em "Avenida Drosie: a Vizinhança": o papel do ser humano e(m) suas relações, escancarando o que há de bom e de ruim na índole das pessoas.

A reestréia da peça "Avenida Dropsie" é hoje à noite em São Paulo. Leia mais sobre a encenação nas postagens do último dia 7.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h50
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11/05/2006

ENCONTRADOS DESENHOS CENSURADOS DE OSAMU TEZUKA

Material produzido por Osamu Tezuka entre 1945 e 1949 foi encontrado nos Estados Unidos. Estava na Universidade de Maryland. Os desenhos fariam parte de um acervo que reúne jornais japoneses confiscados pela censura americana no período pós-guerra.
 
A notícia circulou hoje e é creditada à agência de notícias France Presse. Não há informação sobre o conteúdo dos desenhos. Sabe-se que são da infância do artista. A agência ouviu Minoru Kotoku, da Tezuka, empresa fundada pelo artista. "Essa descoberta é significativa para o conhecimento da obra de Tezuka e para o universo do mangá".
 
Osamu Tezuka criou um estilo próprio de produzir os mangás, como são conhecidos os quadrinhos no Japão. Criou personagens famosos entre os brasileiros, especialmente entre os que têm mais de trinta anos (caso de "A Princesa e o Cavaleiro"). Seu trabalho influenciou a maioria dos artistas das gerações seguintes.
 
Osamu Tezuka morreu em 1989. A última publicação dele publicada no Brasil foi "Adolf", lançada na semana passada (Conrad, R$ 27,90). Conta a história de três pessoas com o mesmo nome (o do título da obra), ligadas por uma situação do destino. Um dos Adolfs é Hitler. O nazismo é o pano de fundo do enredo.
 
Leia mais sobre "Adolf" na postagem do dia 3 deste mês.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h17
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RECRUTA ZERO ANO UM

Recruta Zero vai ganhar uma edição de luxo. A obra irá reunir todas as tiras do primeiro ano de publicação do personagem. O material deverá ter por volta de 120 páginas. Será publicado em capa dura e no formato 27 x 36,5 cm. O tamanho vai ser o mesmo utilizado nas histórias de Príncipe Valente (criação de Hal Foster, há anos editado num formato maior).

Segundo a Opera Graphica, editora responsável pela publicação, o título do álbum será Recruta Zero Ano Um. Começa com a primeira tira, de 4 de setembro de 1950, até o período em que ele entra para o serviço militar. A fase inicial do personagem de Mort Walker mostrava Zero como um universitário. Os problemas dele na faculdade eram o tema central da narrativa. Foi só em 1951 que Walker o recrutou para o exército. Funcionou. E Zero ficou por lá desde então. O ranzinza Sargento Tainha surge nesse período.

Parte dessa fase inicial já foi mostrada no Brasil. A diferença da edição da Opera Graphica é que serão publicadas todas as tiras em seqüência, da universidade ao exército. As outras edições publicadas por aqui faziam uma triagem das tiras mais relevantes, intercalando quadrinhos com notas explicativas.

Nos últimos 20 anos, três editoras utilizaram esse recurso (com publicações muito semelhantes). A gaúcha LP&M editou miniálbuns com diferentes personagens. Zero era um deles. Saiu em 1986 e teve reedição neste ano, em formato pocket (é o número 483 e ainda está à venda).

A Editora Globo selecionou, em 1993, uma série de personagens da King Features Syndicate -empresa que detém os direitos de Recruta Zero e o distribui para outras países- para estamparem edições do Gibi (publicado no chamado "formatinho", o mesmo tamanho de revistas em quadrinhos da Turma da Mônica). A edição reservada para o Recruta Zero foi a de número 3.

A Opera Graphica, que vai lançar o álbum de luxo, já editou Recruta Zero antes, com uma proposta semelhante. Em 2002, inclui o personagem na Coleção Opera King, que apresenta, a cada volume, uma das criações do selo. O folgado e preguiçoso Zero foi o selecionado para a quinta edição.

A editora não tem uma data exata para o lançamento de Recruta Zero Ano Um. Sabe-se que deve ser nos próximos meses. A obra também terá notas explicativas.

Leia mais sobre Recruta Zero a seguir.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h22
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RECRUTA NA REDE

Há muito material sobre Recruta Zero na internet. Estes dois são muito bons:

www.mortwalker.com (sobre o autor, Mort Walker)

http://seattlepi.nwsource.com/fun/beetlebailey.asp (com as últimas tiras)

 

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h17
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10/05/2006

TIO PATINHAS CITADO NA CPI

Só faltava essa no sempre inovador mundo político brasileiro: Tio Patinhas (personagem de Walt Disney) foi citado agora há pouco na CPI dos Bingos. Foi durante depoimento do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira. O ex-petista fazia referência à amizade que mantinha com o presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Paulo Okamotto.
 
"A imagem que tenho de Paulo Okamotto é a de uma pessoa muito séria. Ele sempre foi muito conservador em termos de gastos. Era chamado de Patinhas. Não deixava gastar."
 
(Se não deixava gastar, é o mesmo Patinhas).
 
Não deixa de ser curioso imaginar como seria a atuação de uma CPI em Patópolis. O Pato Donald resolve contar tudo. Tio Patinhas nega saber de qualquer irregularidade ("não sei de nada") e arma um esquema de caixa dois para justificar todos os gastos. Entrega as "provas" ao Peninha. É fácil imaginar o resto da história.
 
Bom mesmo seria ver uma CPI em Sin City, a cidade barra-pesada criada por Frank Miller.
 
Em tempo: em entrevista ao jornal "O Globo", Silvio Pereira disse que Marcos Valério pretendia conseguir R$ 1 bilhão por meio de contratos de empresas com o governo federal.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h28
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VALENTINA: NOVO PASSEIO PELO BRASIL

     A Itália sempre produziu e exportou mitos femininos. No cinema, Sophia Loren e Gina Lollobrigida marcaram época. Nos quadrinhos, a vaga é disputada. Mas Valentina, personagem criada por Guido Crepax em 1965, é, de longe, a mais conhecida. Os brasileiros já flertaram com ela nos anos 70 e 80, quando teve algumas histórias publicadas por aqui. Agora, ela volta em edição de luxo, lançado hoje nas livrarias. Chega às bancas no dia 17.

A edição da Conrad (R$ 55) é uma ode à personagem. O álbum de 142 páginas, envolvido numa capa plástica dura, apresenta as histórias da fotógrafa em ordem cronológica, algo nunca feito antes no Brasil. Esta edição -a proposta da editora é dar seqüência à publicação- reúne quatro histórias, compreendendo os anos de 1965 e 1966. A maioria foi publicada na revista Linus, que mesclava produções italianas com outras, importadas dos Estados Unidos.

Há uma curiosidade sobre Valentina, que só reforça o destaque que ela alcançou. Era personagem secundária na primeira aventura, A Curva de Lesmo. O protagonista era Neutron, o protótipo do herói de aventuras. Valentina roubou a cena. Ganhou um espaço maior na segunda história, a começar pelo título, Olá, Valentina. Neutron ficou em segundo plano, até cair no esquecimento. Essa mudança fica clara durante a leitura.

A mudança de protanonista tem uma boa explicação, principalmente por parte do público masculino. Havia uma erotização das mais bizarras situações. Apesar de ser um clichê, ganhava outra cor nas mãos de Guido Crepax. É quase um delírio, que ganhava forma por meio dos desenhos dele. A impressão que se tem, durante a leitura, é que Crepax aprimora o estilo página após página. Não é impressão. Ele refina a estética e se supera a cada nova história. O elemento visual é tão forte que uma das críticas mais comuns ao autor é que prioriza o visual em detrimento do conteúdo.

Será que Crepax sabia a projeção que a personagem alcançaria? Difícil dizer. O fato é que o casamento durou 29 anos. Terminou em 1994, com a história Valentina Movie.Há algumas hipóteses sobre quem teria sido a inspiração para a criação de Valentina. Estão reunidas no livro Desnudando Valentina - Realidade e Fantasia no Universo de Guido Crepax (veja entrevista com o autor Marco Aurélio Lucchetti a seguir). Há quem diga que Crepax tenha se baseado na atriz Louise Brooks. Há outro relato, no entanto, de que era parecida com a esposa dele. O nome teria vindo de uma sobrinha.

São mistérios que dificilmente terão uma resposta definitiva. O autor, que poderia dar o veredicto, morreu em julho de 2003. Ficou a obra. Os brasileiros tiveram contato com Valentina em edições da revista Grilo, do Gibi e em álbuns da editora LP&M. Nenhuma das edições obedeceu à ordem cronológica. A leitura das histórias em seqüência é uma boa oportunidade para entender o mito, que se tornou um dos maiores símbolos sexuais dos quadrinhos. É também uma chance de apreciar os delírios visuais de Crepax, até hoje inovadores.

 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h03
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MARCO AURÉLIO LUCCHETTI

O primeiro encontro de Valentina com Marco Aurélio Lucchetti foi no dia 23 de novembro de 1971, uma terça-feira. Ele, ainda criança, esperava a chegada do pai, o escritor R. F. Lucchetti. O pai entrou em casa acompanhado. Trazia nas mãos a revista Grilo. Na capa, um rosto feminino, de cabelos escuros e curtos. O título "Valentina chegou". Lucchetti -o filho- foi fisgado na mesma hora.
Valentina virou um fascínio. Lucchetti passou a comprar tudo o que saiu no Brasil sobre a personagem. Era pouco. Comprou também originais, em italiano. O interesse pela personagem rendeu um doutorado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, defendido em 1999. A tese foi compilada no livro Desnudando Valentina - Realidade e Fantasia no Universo de Guido Crepax, lançado no ano passado (Opera Graphica, R$ 84).
A tese é o trabalho de uma vida. O professor universitário é um dos maiores especialistas na personagem.
 
- Os leitores de Valentina são mais antigos. Há público para a personagem?
- Sim. O leitor natural é o que acompanha a personagem desde os anos 70. Vai haver um novo público atraído pelo "erotismo", termo que prefiro entre aspas. Mas não vai captar todo o referencial da personagem.
 
- Qual foi o objetivo de Crepax com a personagem?
- Contar o dia-a-dia dela. Na verdade, Valentina é um grande romance em quadrinhos. Só se percebe isso quando a história é lida em seqüência. A maioria pensa que ele fez uma história erótica. Isso ficou em segundo plano. O mais importante são as referências culturais. A cada vez que é lida, percebe-se algo novo.
 
- É uma criação que prioriza a estética ou a história?
- O primeiro impacto do leitor é pela estética. Valentina não tem aquela paginação normal dos quadrinhos. Foge totalmente à diagramação tradicional. Esse é o primeiro nível de leitura. Depois, vem a história. É um fiozinho. Não possui muita aventura ou drama (quem lê só super-heróis vai detestar). A intenção de Crepax foi contar o dia-a-dia de uma mulher normal, com profissão própria [é fotógrafa] e filho.
 
- E é válido deixar a história num segundo plano?
- É válido. Acontece em todos os campos da arte: no cinema, na música e em outros. O que mais importante á a forma. A gente nunca lembra uma história completa. Lembramos partes dela. A intenção de Crepax é essa. Fixar as partes, não a coerência da narrativa. Ele não era um bom contador de histórias. É o inverso de Hugo Pratt [criador de Corto Maltese]. O forte [de Crepax] eram os referenciais e a diagramação.
 
- O que tornou Valentina um personagem tão forte e duradouro?
- Ela é a personagem que melhor representa a mulher liberal, independente, que é várias coisas ao mesmo tempo. É intelectual, mãe, fotógrafa, independente, amante e comunista (embora, com o temo, ela mude o referencial político).

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h45
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09/05/2006

INCAL É PUBLICADO PELA PRIMEIRA VEZ NO BRASIL

Há algumas histórias que ganham fama não por um motivo apenas. Os motivos são plurais. "Incal", lançado nesta semana (Devir), é um caso assim. Tornou-se um marco da ficção científica em quadrinhos. Reúne reputação, criadores consagrados (Alexandro Jodorowsky e Moebius), enredo e personagens inovadores. Apesar disso, a obra nunca tinha saído no Brasil. O que chegou por aqui foram edições européias, a maioria editada em Portugal.
 
O que tornou a história tão (re)conhecida?  O momento histórico ajudou. A ficção científica foi publicada em capítulos na revista francesa Metal Hurlant (estreou no número 58, em 1980). A publicação era tida como um produto de vanguarda, que contava com artistas inovadores na temática e no estilo. Parte do prestígio veio daí.
 
A outra parte é mérito dos autores. Moebius era o desenhista de mais destaque da revista (que influenciou a criação de uma versão americana, a Heavy Metal). Possui um estilo detalhista, mas sem perder de vista o lado expressivo dos personagens. Tem ainda o curioso dom de criar figurinos, característica que contribui -e muito- para a composição de obras de ficção científica (caso de Incal). São dele os figurinos de filmes como Alien e Duna.
 
Moebius -conta o escritor Alexandro Jodorowski, o mesmo de Bórgia- foi a escolha lógica para dar vida ao mundo de Incal. O escritor relata, na introdução da obra, o peculiar processo de criação de ambos. Ele imaginava a história, mas não colocava as idéias no papel. Recitava o enredo (fazia até mímicas), enquanto Moebius desenhava, sempre numa velocidade acima do normal. Ficavam horas nisso, até chegar a um resultado final. Os diálogos vinham depois, elaborados em comum acordo.
 
Foi assim que contaram a história de John Difool, um detetive particular de "classe R". Uma entidade, o Incal, cruza o destino do detetive. Caberia a ele, junto com o Incal, dar um novo destino ao planeta. O cenário futurista criado por Moebius é uma atração à parte. Pode-se ler a história e, depois, voltar a leitura, apenas para perceber os detalhes visuais idealizados por Jean Giraud (nome de Moebius).
 
O material da Metal Hurlat foi compilado em seis álbuns. Os dois primeiros, O Incal Negro e O Incal Luminoso, compõem a edição da Devir. Um segundo volume está programado para agosto.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 07h01
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07/05/2006

QUADRINHOS NO TEATRO 2: AVENIDA DROPSIE

A peça Avenida Dropsie volta a ser encenada. A reestréia é na próxima sexta-feira em São Paulo. A montagem da Sutil Companhia de Teatro é baseada na graphic novel criada pelo norte-americano Will Eisner (1917-2005), um dos mais respeitados nomes dos quadrinhos mundiais. O roteiro e a direção são de Filipe Hirsch, que repete as mesmas funções da  primeira encenação.

A previsão é de curta temporada. Estão programadas 12 apresentações no Teatro Alfa. Na primeira montagem, em 2005, a estimativa inicial também era de poucas semanas. Ficou seis meses em cartaz no Teatro Popular do Sesi. Segundo a produção, foi vista por cerca de 40 mil pessoas.

Avenida Dropsie foi indicada a três categorias do prêmio Shell de teatro. Ganhou por iluminação (para Beto Bruel). Bruel volta nesta nova montagem, assim como os fundadores da Sutil Companhia de Teatro, Felipe Hirsch e Guilherme Weber. Ambos criaram o grupo em 1993 em Curitiba. Parte do elenco também volta nesta reestréia.

A peça conta ainda com a voz do ator Gianfrancesco Guarnieri, fazendo a voz do criador da história, Will Eisner. Avenida Dropsie deve ficar em cartaz no Teatro Alfa até 4 de junho. Esta é a segunda encenação sobre histórias em quadrinhos atualmente em São Paulo. Chapa Quente, baseada nos quadrinhos de André Kitagawa, estreou na sexta-feira passada. Veja mais detalhes na postagem do último dia 5.

Leia mais sobre Eisner e a história em quadrinhos que inspirou a peça na postagem abaixo.

SERVIÇO

Avenida Dropsie. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722. Santo Amaro, São Paulo. Sextas e sábados: 21h. Domingos: 20h. Ingressos: R$ 50,00 (platéia inferior) e R$ 30,00 (platéia superior). Classificação: 14 anos. A partir de 12 de maio.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h47
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A AVENIDA DROPSIE DE WILL EISNER

Avenida Dropsie: a Vizinhança foi escrita e desenhada por Will Eisner na primeira metade dos anos 90. A edição nacional saiu em 2004 (veja a capa ao lado) e ainda pode ser encontrada (Devir, R$ 35). Mostra o estabelecimento e a decadência do sul do bairro do Bronx, em Nova Iorque. Segundo o autor, a ruína ficou clara no fim dos anos 70. Ele comprova com números: 68 mil incêndios, 17 mil empregos acabaram, 1,5 mil edifícios ficaram sem moradores.

Will Eisner justificou a escolha do tema na introdução da obra (texto originalmente escrito em 1994). "Minha preocupação com esse fenômeno tem ocupado minhas reflexões sobre a vida na cidade há bastante tempo, mas foi só em 1990, quando o New York Times noticiou o renascimento do sul do Bronx, que minha atenção tornou-se mais evidente. Para mim, isso geralmente leva a escrever um livro".

O livro foi outra de suas graphic novels, nome que serviu de rótulo para as produções de quadrinhos norte-americanas de cunho mais autoral e mais trabalhadas. A obra pertence a um segundo momento do autor. Eisner havia deixado definitivamente para trás seu personagem mais famoso, Spirit (criado em 1940), e passou a produzir, a partir dos anos 70, histórias mais autorais e adultas. Não tinha nada a provar. Cada história parecia um exercício da arte seqüencial, termo que usou para se referir às histórias em quadrinhos.

Avenida Dropsie traz muito desse exercício criativo. O local da avenida é o cenário e o personagem principal. Os seres que por lá passaram servem para justificar as sucessivas mudanças nas residências. É também por meio deles que se percebe o passar do tempo, em outra brincadeira criativa de Eisner. Eles envelhecem, passam de crianças a adultos, e, quando o leitor percebe, passaram-se décadas, sem que fosse necessária a presença do narrador para explicar o que está acontecendo. Tudo fica claro, graças ao talento do autor.

A vizinhança, subtítulo do álbum, é uma menção às famílias de holandeses que se estabeleceram no que seria o Bronx, ainda em 1870. A história parte daí. São as pessoas que fazem uma vizinhança, segundo o autor. Em qualquer avenida. A Dropsie é apenas uma delas.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h33
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05/05/2006

QUADRINHOS NO TEATRO: CHAPA QUENTE

Estréia hoje em São Paulo a peça Chapa Quente. O trabalho é baseado nas histórias em quadrinhos criadas pelo arquiteto e ilustrador André Kitagawa. Ele é o co-diretor da encenação. A direção ficou a cargo de Mário Bortolotto, que comanda a o grupo teatral Cemitério de Automóveis.

Os dois iniciaram a parceria por causa dos quadrinhos. Bertolotto gostou das histórias produzidas por Kitagawa. "Ele não me conhecia", conta o ilustrador. "Entrou em contato comigo depois de ler meu material". Foi um namoro ("no bom sentido", brinca) que levou dois anos até a estréia deste fim de semana.

Os quadrinhos estão reunidos numa página da internet, mantida pelo ilustradorhá três anos. Lá, há os principais trabalhos dele. São histórias curtas, uma espécie de microcontos. Sete são utilizados na peça: Mariza?, Vagabundo, Paranga Insana (imagem acima), Balada Sangrenta, O Pacote, Faísca Existência e Super-T.

André Kitagawa não é um novato na área de quadrinhos. As histórias reunidas no site foram produzidas entre 1996 (caso de Mariza?, uma das primeiras do autor) e 2002 (Faísca Existência e Super-T, publicadas originalmente na revistas Front números 10 e 11 (editadas pela Via Lettera). Clique aqui para ler os trabalhos dele.

Outra forma de ler o material de André Kitagawa é comprar a coletânea editada por ele, em parceria com a editora Atrito Art. A tiragem é pequena, 500 exemplares. Os álbuns serão vendidos apenas na peça.

A peça fica em cartaz até o dia 7 de julho. É o segundo trabalho sobre quadrinhos em cartaz. Avenida Dropsie, baseada nas histórias de Will Eisner, voltará a ser encenada.

SERVIÇO

Chapa Quente. Rua Capote Valente, 1323. Pinheiros. São Paulo. Próximo ao metrô Sumaré. Sextas e sábados: 21h30. Domingos: 20h30. Ingresso: R$ 20.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h43
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ALEXANDRE BARBOSA

Ilustrador e professor universitário, é dele a pesquisa mais recente sobre quadrinhos defendida na USP (Universidade de São Paulo). Em abril, obteve o título de mestre na Escola de Comunicações e Artes. A dissertação era sobre quadrinhos produzidos na década de 50, que abordavam temas históricos. Alexandre Barbosa -ou somente Bar- analisou o tipo de narrativa empregado pela EBAL (Editora Brasil-América, que já não existe mais). 

- Qual foi a principal conclusão?
A conclusão é que os artistas tinham uma narrativa engessada. A criação teve um direcionamento ideológico, o que diminuía a criatividade dos artistas e afetava não só o texto mas também a estética dos quadrinhos, distanciando a linguagem empregada naquilo que hoje conhecemos como uma narrativa de história em quadrinhos, em que texto e imagem se mesclam.  
 
- Costuma-se dizer que há uma resistência no meio científico sobre os quadrinhos? É verdade ou é lenda? Você sentiu isso?
Sim, existe uma certa resitência quando eu digo que minha dissertação é sobre quadrinhos. Mas, quando começo a descrever o trabalho e a explicar a importância de desvendar esse tipo de narrativa, as barreiras diminuem. Esse posicionamento em relação às histórias em quadrinhos está diminuindo, graças a livros e artigos acadêmicos. 
 
- Há uma pesquisa que mostra um sensível aumento no número de dissertações e teses sobre quadrinhos na USP (ver notícia aqui no Blog). A que você credita isso?
Não posso falar com exatidão. Mas, no meu entender, é resultado de um processo em que as pessoas descobriram nos quadrinhos uma literatura diferente e mais condizente com a influência que a imagem tem na vida de todos. Talvez os pesquisadores tenham percebido certas transições na comunicação, em que histórias em quadrinhos e sua literatura sejam capazes de gerar respostas e caminhos.

 

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h04
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04/05/2006

AUMENTA O NÚMERO DE TESES SOBRE QUADRINHOS NA USP

Aumentou nos últimos anos o número de trabalhos científicos sobre quadrinhos na USP (Universidade de São Paulo). Houve, desde 2000, 13 teses e dissertações defendidas nos cursos de pós-graduação. É quase a metade de tudo o que foi o que já foi produzido a respeito desde a fundação da universidade.
A pesquisa revela que a USP produziu, até o ano passado, 30 trabalhos científicos. 43,4% foram de 2000 a 2005. O número deve aumentar nos próximos anos. Há pelo menos três trabalhos em andamento. Se esses estudos forem concluídos, esta década deverá terminar com o maior volume de pesquisas sobre histórias em quadrinhos já feito pela USP.
O levantamento -que o Blog dos Quadrinhos veicula em primeira mão- é inédito. Foi feito pelos professores Waldomiro Vergueiro e Roberto Elísio dos Santos, coordenadores do Núcleo de Pesquisa de Histórias em Quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da USP. O estudo deve ser apresentado ainda neste ano em congresso na área de comunicação.
A tendência não é só na USP, segundo Roberto Elísio. "Pelos trabalhos apresentados no Congresso da Intercom [Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação] por pesquisadores de todo o país, essa tendência de aumento do número de pesquisas acadêmicas sobre quadrinhos pode ser notada em diversas universidades do país."
Para ele, houve uma mudança na maneira como as histórias em quadrinhos são vistas na academia. "Eu acredito que o preconceito contra os quadrinhos tenha  
Pessoas interessadas na pesquisa sobre quadrinhos começaram a ter coragem de  apresentar e desenvolver seus projetos de pesquisa." Mas faz uma ressalva: "Isso não significa que o preconceito acabou".
Leia a pesquisa completa a seguir.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h25
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VEJA A PESQUISA COMPLETA

A pesquisa revela que houve aumento no número de teses e dissertações produzidas na USP (Universidade de São Paulo).
 
Período           Número de trabalhos 
1970-1979   -   3 (10%)
1980-1989   -   4 (13,4%)
1990-1999   -   10 (33,3%)
2000-2005   -   13 (43,3%)

Total       -   30


Fonte: Doutores Waldomiro Vergueiro e Roberto Elísio dos Santos

 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h17
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WALDOMIRO VERGUEIRO

"A luta pela legitimação acadêmica e científica das histórias em quadrinhos é uma batalha ainda inconclusa."

Ele é professor titular da Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo) e coordenador do Núcleo de Pesquisa de Histórias em Quadrinhos da USP. Organizou os livros "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula" e "O Tico-Tico: 100 Anos da Primeira Revista Infantil Brasileira". É um dos maiores especialistas em quadrinhos no país.

O Blog dos Quadrinhos ouviu Waldomiro Vergueiro sobre o aumento no número de produções acadêmicas sobre quadrinhos na USP.

- Por que houve esse aumento no número de pesquisas sobre quadrinhos?
- Não temos uma única razão para isso. Acredito que podemos vislumbrar várias possibilidades nesse sentido: por um lado, a diminuição dos preconceitos contra as histórias em quadrinhos fez com que fossem mais bem aceitas como objeto de estudo na Universidade, enquanto, ao mesmo tempo, mais alunos se sentiram motivados a propor temáticas relacionadas com os quadrinhos. par disso, não posso descartar o efeito do trabalho de várias décadas de alguns pesquisadores da Universidade no estudo de quadrinhos - entre os quais eu me incluo -, que tem seus frutos agora brotando e recebendo maior visibilidade científica.

- Quais os temas mais estudados?
- Parte significativa dos trabalhos de pesquisa realizados na USP enquadra-se na categoria que denominamos "estudos de conteúdo", ou seja, trabalhos que visam identificar e discutir os possíveis significados presentes nas histórias em quadrinhos, analisando personagens (Horácio e Turma da Mônica), autores (Laerte), gêneros ou formatos específicos (humor, shojo mangá, quadrinhos eróticos e quadrinhos Disney).

- Vocês têm notícia se essa é uma tendência da USP ou de outras universidades do país?
- Esta será uma pesquisa a ser desenvolvida no futuro, mas temos indícios que apontam um crescimento da pesquisa em quadrinhos no país como um todo.

- No exterior, ocorre o mesmo comportamento?
- O número de pesquisas acadêmicas sobre quadrinhos também vem crescendo no exterior. A constituição de cadeiras específicas sobre o tema, em várias universidades norte-americanas, se torna cada vez mais freqüente de alguns anos para cá. A chamada "comics scholarship" já é uma realidade indiscutível nos meios acadêmicos, tendo publicações especializadas (como a International Journal of Comic Art) e listas de discussão acadêmicas (como a Comix Scholars List) bastante atuantes.

- Sempre houve uma espécie de preconceito acadêmico sobre os quadrinhos. Esse preconceito diminuiu?
- Não tenho dúvidas de que esse preconceito diminuiu substancialmente. No entanto, ele absolutamente não chegou a desaparecer, aparecendo praticamente a todo momento. A luta pela legitimação acadêmica e científica das histórias em quadrinhos é uma batalha ainda inconclusa.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h08
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03/05/2006

TRÊS ADOLFS POR UM TEZUKA

"Esta é a história de três homens. Todos chamados Adolf. Cada um trilhou um caminho diferente. Mas todos estavam ligados pelo fio do destino." As quatro frases iniciam o primeiro volume de Adolf, lançado nesta semana (Conrad, R$ 27,90). É tido como um dos trabalhos mais autorais de Osamu Tezuka, conhecido como o pai dos mangás, os quadrinhos japoneses.

É um Tezuka diferente. O trabalho se distancia dos mangás e desenhos animados que o tornaram conhecido (como "A Princesa e o Cavaleiro", já publicado no Brasil). É uma história mais densa, assim como Buda (os 14 volumes ainda podem ser encontrados), outra criação sua.

Adolf é uma trama de mistério. Quem convida o leitor a acompanhá-la é o repórter Sohei Toge. Ele -Toge- se auto-intitula o narrador e é elo entre os três Adolfs. A relação com o primeiro (Hitler) ainda é distante neste primeiro número. O repórter descobre que seu irmão foi assassinado por pessoas ligadas ao Führer. O irmão teria uma informação que poderia derrubar o partido nazista. O mistério é o mote da primeira metade da obra.

A segunda parte da história mostra os dois outros Adolfs, dois meninos, moradores do Japão. Um é filho de alemães judeus; o outro, filho de nazistas. Nesse trecho da obra, encontram-se algumas das sutilezas que fizeram Osamu Tezuka ser um dos -senão o- criadores mais renomados do quadrinho japonês. As duas crianças querem manter a amizade, apesar das diferenças. Os pais são contra, as ideologias são distintas, mas a amizade seria maior do que os rótulos.

A obra é longa, 261 páginas. Mas Tezuka prende o leitor até o fim. Parece um exercício de um artista que não tem mais o que provar a ninguém. Inventa, cria, recupera os rostos caricatos (uma das marcas de seu estilo), brinca com os cortes de um quadro para outro. Mas preserva o suspense, o fio condutor da trama, e o que a torna uma de suas obras mais peculiares.

Osamu Tezuka é bastante comparado a Walt Disney. Talvez a analogia merecesse uma releitura. O autor japonês tem uma trajetória muito semelhante à de outro americano: Will Eisner. Começaram com trabalhos de destaque (Eisner é criador de Spirit) e, décadas depois, compuseram histórias mais autorais. O preconceito vivido pelos judeus -visto em Adolf- é tema comum a Eisner. O respeito que ambos têm no meio é outro ponto em comum. Adolf mostra por quê.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 11h48
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