29/04/2006

AVE, CLAUDIUS: ÚLTIMA CHAMADA

Termina neste fim de semana a mostra Ave, Claudius. Reúne trabalhos dos 50 anos de carreira do cartunista (ou quase 50 anos, como ele corrige em texto do catálogo à venda na exposição). Claudius passou por praticamente todos os grandes jornais do país. Também integrou o grupo de autores do Pasquim.

Todas as etapas da carreira podem ser vistas na mostra, que teve mais de 1300 visitas (número registrado até sábado, às 16h). O catálogo, que reúne os trabalhos expostos, chega a ser melhor do que a mostra. Além das charges e cartuns de Claudius, reúne os vencedores do último Salão de Carioca de Humor.

Há ainda uma espécie de árvore genealógica dos artistas nacionais, tentando aproximar possíveis influências. Um caso: Robert Crumb, Claudius e Jaguar teriam influenciado os trabalhos de Angeli, que, por usa vez, teria influenciado Adão, Allan Sieber e Spacca. Haverá quem discorde da seqüência. Mas, pelo menos, é uma seqüência a ser discutida.

A mostra fica até amanhã (30.04) na Casa de Cultura Laura Alvim, no começo da praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. A entrada é franca. O catálogo do Salão de Humor -que teve Claudius como homenageado nesta décima sétima edição- custa R$ 30 e pode ser comprado lá mesmo. Os responsáveis disseram que o catálogo continuará sendo vendido depois que a mostra terminar. 

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h45
[comente] [ link ]

28/04/2006

PREACHER PARA INICIANTES

A Editora Devir lançou nesta semana um encadernado com as primeiras histórias de Preacher. É uma notícia atinge dois públicos distintos: o dos fãs que acompanharam as aventuras do personagem por anos a fio; o dos novos leitores, que pouco conhecem a história. Se Preacher é uma novidade para você, continue a leitura. Se você é das antigas, há uma outra versão da notícia logo abaixo. Sugiro que vá direto a ela.

Preacher foi publicado numa época em que a editora DC Comics enfrentava a decisão de Neil Gaiman de encerrar as histórias de Sandman, carro-chefe do selo adulto da editora (Vertigo). Sandman era sucesso de vendas e de críticas. Haveria um espaço a ser preenchido. Preacher ocupou o vácuo. Com sucesso.

O mérito é da equipe de criação. Garth Ennis sabe construir uma história marcante e instigante. A leitura de cada capítulo deixa aquele gosto de querer saber como a trama vai continuar. É a vantagem de uma edição encadernada (Preacher: a Caminho do Texas). Quando menos se espera, a leitura acabou. E você vai querer o segundo volume (ainda sem data de lançamento).

Dois elementos ajudam a aumentar a expectativa do leitor. O primeiro são os personagens. Ninguém é secundário nas histórias de Garth Ennis. Todos têm personalidade forte, defeitos (e como os têm!), manias. O curioso é que todos eles roubam a cena.
O segundo elemento a instigar o leitor é a abordagem de tabus. Homossexualismo, religião, excesso de violência (que o desenhista Steve Dillon não faz nenhuma questão de esconder). Tudo reproduzido em diálogos (claro) repletos de palavrões.

É o trabalho mais marcante de Ennis. As idéias presentes em Preacher aparecem também nos trabalhos seguintes feitos por eles, como nas aventuras do Justiceiro (publicadas no Brasil pela Panini) e de Hittman (parte das histórias também chegou a sair por aqui). É mais do mesmo, apenas reciclado.

A edição da Devir sai, ao contrário dos demais lançamentos da editora, num formato um pouco menor do original em inglês. Mas houve um cuidado editorial que merece registro. Cada referência citada no texto (e há um monte delas) mereceu um nota de rodapé explicando do que se tratava. É algo que não existe no encadernado original.

A clareza na leitura da história coincide com a estratégia de atingir novos leitores. São eles que irão comprar a continuação da história (publicada, nos Estados Unidos, em 65 edições. A primeira edição de Preacher no Brasil foi marcada por mudanças de editoras e sucessivos atrasos. A Devir pretende publicar mais dois álbuns do personagem ainda este ano.

Escrito por PAULO RAMOS às 18h36
[comente] [ link ]

PREACHER PARA INICIADOS

Imagine um filme empolgante. Nem se percebem os 65 minutos de duração. Perto do final, faltando cinco minutos para acabar, a exibição pára, as luzes acendem, ninguém entende nada. As obras se abrem, a direção do cinema não explica o que ocorreu.

Foi mais ou mesmo essa a sensação dos leitores de Preacher no início de 2004. A última edição com as histórias do personagem deixou de ser publicada a cinco números do encerramento (nos Estados Unidos, a revista durou 65 edições). Teria o pastor rebelde encontrado quem procurou por 65 edições (nos Estados Unidos, a revista foi encerrada no número 65 por opção do autor, Garth Ennis)? Mistério.

O fim da Brainstore, que publicava o personagem no Brasil, ainda merece ser contado a contento. Principalmente para os fãs. Era, na época, o fim de uma trajetória de saltos de editora para editora.
Preacher passou por quatro editoras até chegar, agora, à Devir.

- Começou com a Tudo em Quadrinhos em novembro de 97. Foram dois números especiais antes de gerar um título próprio e mensal, em março de 98.
- A primeira mudança no nome da editora foi em junho de 99. A Tudo em Quadrinhos passou a dividir a edição com a Fractal Edições. Com alteração, começaram a sair duas histórias por edição.
- Em outubro de 99, o nome mudou de novo: Atitude Publicações. A numeração continuou a mesma. Durou até a edição 18.
- A Brainstore assumiu o personagem, também num título próprio e mensal, em maio de 2000. A numeração voltou ao início. Foi até janeiro de 2004, com a edição 34 (correspondente ao número 60 americano). Faltavam cinco edições para o final).
- Abril de 2006. A Devir publica o primeiro arco de histórias. Tudo volta ao início.

A Devir optou por atingir os leitores que não conheciam Preacher. Do ponto de vista de quem acompanhou todos os números publicados no Brasil e sobreviveu aos preços altos e aos constantes atrasos, a decisão da editora é questionável. Questionável, talvez, mas não quer dizer que o álbum não tenha sido bem editado.

A reunião das primeiras histórias (Preacher: a Caminho do Texas) teve um acabamento bem cuidado: papel, cores, nova tradução. O formato é um pouco menor, mas não compromete. Notas de rodapé explicam as muitas referências da obra. O que o leitor das antigas vai estranhar é a personagem Violeta ter sido rebatizada de Violet, como no original (manutenção do inglês, a exemplo do que já ocorreu com Super-Homem/Superman há alguns anos).

O intervalo entre um álbum e outro da Devir costuma ser grande. Com Preacher pode ser diferente. A editora pretende acelerar a publicação dos próximos dois volumes, previstos para sair ainda este ano.

Escrito por PAULO RAMOS às 18h34
[comente] [ link ]

27/04/2006

ALAN MOORE: SOMOS TRATADOS COMO GADO

O escritor britânico Alan Moore -um dos mais conceituados dos quadrinhos- fez duras críticas às editoras norte-americanas. O alvo era a DC Comics (que publica personagens como Superman e Batman). "Eu estou simplesmente tão cansado, tão doente com a indústria de quadrinhos norte-americana e com o jeito com que eles tratam os criadores... Esse povo, você precisa entender isso, eles não têm talento algum. Eles não têm nenhum talento criativo. Eles tratam os autores como gado. É uma relação parasítica." A declaração faz parte de uma entrevista concedida à revista Trip.

A bronca é com relação ao uso de personagens criados por ele, uma briga judicial antiga que mantém com a editora. Moore diz não ter visto nenhuma das versões feitas para o cinema (leia-se Liga Extraordinária e V de Vingança, ainda em cartaz). "Não. Não vi nenhuma delas. Eu não poderia. O motivo essencial é porque esses filmes não vão conseguir se parecer com os meus quadrinhos. E eu sei que qualquer variação das minhas HQs só poderia me estressar, me irritar profundamente. Sou a última pessoa no mundo que deveria ver esses filmes. Não, não quero."

Moore não salva nem outras adaptações, como Sin City (criação do escritor e desenhista americano Frank Miller, que co-dirigiu o filme). "Eu não vi nenhum desses filmes feitos com o meu trabalho e não vi Sin City. Para ser absolutamente honesto. Em relação a Sin City em quadrinhos, por mais que eu goste do empenho que Frank colocou no trabalho de arte desse projeto, a história não me agrada tanto quanto os trabalhos anteriores dele. Nada contra o trabalho em si, é apenas uma questão de gosto pessoal."

Alan Moore começou a escrever quadrinhos na revista inglesa 2000 AD. Os trabalhos renderam um convite para trabalhar na americana DC Comics. Ele assumiu o texto do título Monstro do Pântano (já publicado no Brasil pelas editoras Abril e Brainstore). As histórias, inovadoras para os quadrinhos de super-heróis dos anos 80, chamaram a atenção do público e da DC, que o colocou em outros projetos, todos com destaque. É nessa fase que surgiram histórias como A Piada Mortal e Watchmen, considerado o seu melhor trabalho.

V de Vingança era um trabalho anterior, produzido na Inglaterra, em parceria com o desenhista David Lloyd. A criação era de Moore, os direitos autorais ficaram com a DC Comics. Era o início da disputa, que duraria mais de uma década.

A Trip colocou parte da entrevista na internet. Clique aqui para ler.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h07
[comente] [ link ]

HOMENS DO AMANHÃ: CAPÍTULO NA INTERNET

O primeiro capítulo do livro Homem do Amanhã (Conrad, R$ 65) está disponível na internet. Há também o prólogo e as notas iniciais do autor, Gerard Jones. A obra venceu o prêmio norte-americano Eisner Award (uma espécie de Oscar dos quadrinhos) no ano passado. Para ler, clique aqui.

Jones foi, por muito tempo, escritor das duas principais editoras de quadrinhos americanas, DC Comics e Marvel. Mais recentemente, enveredou por outros caminhos. É colaborador de jornais e integra o Programa de Estudos Comparativos de Mídia do MIT (Massachusetts Institute of Techology).

O lançamento do livro é hoje à noite em São Paulo. Haverá um debate sobre a censura nas histórias em quadrinhos. Terá as presenças do autor, do escritor e jornalista Gonçalo Júnior e do diretor editorial da Conrad. Às 19h, na FNAC da Avenida Paulista.

 

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h06
[comente] [ link ]

CASTELO & RAFAEL SICA

 
O lançamento do álbum "Seis Mãos Bobas", divulgado ontem aqui no blog, levantou uma dúvida. A capa mostra três cachorros colados -ou presos- pelo traseiro. A tira Nestor & Laika, lançada semana passada na internet (clique), também traz cachorros na mesma situação. Com a palavra, os criadores de Nestor & Laika, Rafael Sica e Castelo.
 
- Como vocês viram a coincidência do álbum "Seis Mãos Bobas" ter um desenho parecido com o de vocês?

Sica - Há algum tempo já vinha trocando uns mails com o Castelo. Admiro muito os escritos dele e ele sinpatiza com os meus desenhos. Acho que a semelhança fica só no fato de serem cães colados, mas não passa disso. Vi mesmo como uma grande coincidência. Também porque tô desenhando já há um tempão e achei um pouco chato chamar a atenção pro meu trabalho logo com isso que é um projeto paralelo. Tenho um trabalho autoral que venho desenvolvendo no meu blog e espero que isso não atrapalhe. 
Castelo - Apesar de ser um agnóstico dialético, dou espaço para a superstição, senão a vida  fica muito chata. Por causa disso acho que faz muito sentido aquele lance do Registro Acásico - a memória cósmica. As idéias humanas vão todas pra esse lugar no Universo. Aí o artista, que é a antena da raça, capta o que vem do Registro. Muitas vezes eles podem captar a mesma idéia, na mesma hora. Aí acontece isso do "Nestor & Laika" e da capa do livro "Seis Mãos Bobas". Bom estar na mesma sintonia do Angeli, do Glauco e do Laerte.

- De onde surgiu a idéia de criar "Nestor & Laika"?

Sica - Mais ou menos no começo deste mês, o Castelo veio com essa idéia de fazer piadas de relacionamento com dois cães de rua colados. Gostei da idéia e das piadas que ele escreveu e desenhei uns protótipos. Mas a idéia veio dele. Ele pode responder melhor.
Castelo - Quando eu era moleque devorava Pato Donald, tinha o Manual do Tio Patinhas e o do Mickey. Mais velho, passei a curtir histórias elaboradas, como a do "Spirit", de Will Eisner. Na faculdade de jornalismo passei a ler sem as figurinhas correspondentes e entrei de cabeça nos romances "cabeça". A paixão meio infantil, meio adolescente pelos quadrinhos, no entanto, subsistiu. Num jornal que editei ainda no meio acadêmico (chamado "O Matraca") criei uma tirinha de um papagaio meio italianado do Brás, chamada Oberdan - em homenagem a um jogador do antigo Palestra Itália. Foi o primeiro contato, ainda nos anos 80, com a criação de texto pra quadrinho. Com a minha entrada no mundo dos blogs, passei a conhecer pessoas que desenhavam. Um deles foi o Rafael Sica. Uma amiga me enviou o "link" de uma de suas histórias. Achei o material de grande personalidade. Uma mistura de niilismo e agressividade que me agradam muito no humor. Pois não é que passaram-se uns dias e o Sica me manda um e-mail dizendo-se admirador dos meus textos? E mais: pedia que eu escrevesse um roteiro que ele queria quadrinizar.  Enviei a história no ato e, no meio do papo, sugeri os cãezinhos (estavam na minha cabeça fazia tempo já, eu só não sabia como materializar a idéia). Sica foi gentilíssimo, topou fazer na hora, agregou detalhes importantes. Dei o nome da Laika e ele sugeriu o do Nestor.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h58
[comente] [ link ]

26/04/2006

SEIS MÃOS BOBAS

 Nada mais atual. Num momento em que se vive um "revival" dos anos 80, um lançamento para agradar em cheio os trintões, quarentões e afins. Seis Mãos Bobas (Devir Editora e Jacaranda, R$ 23), lançado oficialmente hoje, reúne 17 parcerias de três dos autores mais marcantes da época: Angeli, Glauco e Laerte, ou Chiclete com Banana, Geraldão e Piratas do Tietê, respectivamente.

Parte dos personagens resistiu ao tempo e é publicada até hoje na Folha de S.Paulo em forma de tiras. Mas alguma coisa mudou. Percebe-se isso claramente durante a leitura do álbum. Havia uma declarada intenção transgressora, bem mais do que hoje. Sexo era o tema preferido, sempre trabalhado com o humor peculiar e urbano do trio. Numa das histórias, um baixinho bigodudo promete que, se Malu Mader e Luma de Oliveira o visitassem, ficaria com as duas. "Ding dong": são as duas tocando a campainha na porta da casa dele, prontas para o que der e vier. O baixinho, ao contrário do esperado, fica com medo e foge. É o tema da história.

Temas como sexo, homossexualismo e uso de camisinha eram novidade nos anos 80. Todos são abordados pelo trio. Mais do que 17 parcerias -publicadas originalmente nas revistas Chiclete com Banana e Geraldão-, Seis Mãos Bobas é um registro de época, um momento pós-ditadura em que a liberdade de expressão ainda testava seus limites.

E o que o trio parecia adorar era testar os limites dessa liberdade. Batizaram uma das histórias de "Cenas Censuradas da Reunião do Conselho de Censura". Pura provocação. Segundo Laerte, em depoimento registrado no fim da edição, ainda havia resquícios da "tesoura" da censura. E isso incomodava.

Esse depoimento se junta a outros e compõe um dos diferenciais do álbum (em comparação a outras publicações individuais do trio pela mesma editora Devir/Jacaranda): há um making of de cada história. Sugestão: leia a história e corra para saber como foi feita. É lá que você descobre por que Angeli não participou da homenagem a Henfil, vítima de Aids (a doença era outro tema novo nos anos 80). Angeli "não estaria gostando dele naquele momento". Glauco e Laerte contestam. Toninho Mendes, que recolheu os depoimentos, tem o mérito de não esconder as divergências do grupo.

Divergências que não comprometeram a relação do trio. Glauco, Angeli e Laerte, os "Los 3 Amigos", mantêm uma relação de amizade duradoura. Começou lá nos anos 80. O álbum mostra um pouco daquela época. Há muito mais material, que também merece reedição. É como diz o homenageado Henfil: "Morro, mas meu desenho fica". O deles também ficou.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 14h37
[comente] [ link ]

ROBERTO ELÍSIO DOS SANTOS

Ele é professor universitário do IMES e pós-doutorado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. A pesquisa que fez na USP foi sobre os quadrinhos da Circo Editorial, que publicou nos anos 80 os trabalhos de Angeli, Laerte e Glauco, relançados agora pela Devir/Jacaranda. É um especialista no assunto.


- Qual o papel das criações de Angeli, Laerte e Glauco (entre outros) na Circo Editorial na história do quadrinho nacional?

O trio acima (sem esquecer Luiz Gê e outros artistas importantes da época) forma a trindade da Circo Editorial, responsáveis por títulos como Chiclete com Banana, Piratas do Tietê, Striptiras e Geraldão. Eles eram capitaneados pelo editor Toninho Mendes, responsável por essas publicações. Esses artistas conseguiram traduzir o que foi a história do país (e, por tabela, do mundo) nas décadas de 1980 e 1990.


- Era uma época pós-ditadura (segunda metade dos anos 80). É por isso que há uma fixação por temas censurados até então, como sexo?

Os quadrinhos do trio tiveram seu auge na Circo Editorial durante o processo de redemocratização do país (o primeiro lançamento da editora foi no dia da votação, e derrota, da emenda da eleição direta para presidente). Naquele momento histórico, o foco do humor havia mudado da crítica política para a sátira comportamental, especialmente da classe média e das elites do mundo urbano. Não se pode esquecer que o tema sexo já estava presente nos trabalhos de Henfil e Ziraldo dos anos 1970, mas o enfoque era mais político.


- Não há hoje, quase vinte anos depois, uma produção semelhante a que o trio fez lá nos anos 80. Foi algo marcado por uma época específica e difícil de ser repetida?

Hoje, além do trio, há outros artistas que procuram refletir em seus quadrinhos, cartuns e charges o atual momento. Gosto muito dos trabalhos do Caco Galhardo e do Alan Sieber.


- Qual o legado que o trio deixou?

A produção de Angeli-Laerte-Glauco das décadas de 1980 e 1990 ajuda a entender o mundo naquela época (as conquistas e frustrações das mulheres, evidenciadas por Rê Bordosa e Dona Marta, as modas, o medo da guerra nuclear, as mudanças na família, nas atitudes, no relacionamento amoroso, na política...). Personagens como o engajado Meiaoito e os velhos hippies Wood e Stock mostram como idéias que marcaram a juventude há pouco tempo ficaram deslocadas, antiquadas, obsoletas, diante de uma nova realidade.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h36
[comente] [ link ]

NESTOR & LAIKA

A capa do álbum Seis Mãos Bobas traz três cachorros grudados pela traseira (entendeu o que isso quer dizer, né?). O desenho de Laerte, Angeli e Glauco é curiosamente parecido com os personagens Nestor & Laika, que entraram na rede na semana passada. Tanto Nestor quanto Laika também estão colados um no outro. A criação é de Castelo e de Rafael Sica. Veja clicando aqui.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h47
[comente] [ link ]

25/04/2006

HQMIX 2006: COMEÇAM AS INDICAÇÕES

Começou hoje o processo de seleção para o Troféu HQMix 2006. Neste ano, os organizadores vão premiar 41 categorias, além de quatro homenagens especiais. Não é todo mundo que pode votar. As indicações são feitas apenas por jornalistas, artistas, pesquisadores e editores previamente inscritos.

A votação é feita pelo site do prêmio (clique), que entrou no ar hoje. Lá, há todos os indicados nas categorias (mas nada impede que o voto vá para outra pessoa, editora, site ou publicação). Só podem ser selecionados trabalhos produzidos entre primeiro de janeiro e 31 de dezembro de 2005. Foi um período de muitos lançamentos no Brasil, tanto de quadrinhos como de livros. A lista de indicados comprova isso.

O Troféu HQMix é coordenado pela Associação dos Cartunistas do Brasil. É um dos principais prêmios de quadrinhos do país. Foi criado em 1988 por Gualberto Costa e José Alberto Lovetro, o JAL. Os dois faziam comentários sobre quadrinhos no programa "TV Mix", da TV Gazeta de São Paulo, que era comandado por Serginho Groisman, hoje na Rede Globo. Groisman tem sido o apresentador do Troféu desde então. A presença dele, neste ano, ainda não foi confirmada.

A entrega do prêmio será no dia 11 de julho, a partir das 20h. Local: Sesc Pompéia, em São Paulo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h01
[comente] [ link ]

Quem sou eu

Meu nome é Paulo Ramos. Sou jornalista, professor universitário e consultor de língua portuguesa da Folha de S.Paulo e do UOL.

Sou doutor em língua portuguesa pela USP (Universidade de São Paulo). A tese fazia uma comparação entre piadas e tiras cômicas.

Também integro o Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP.

Sou co-autor do livro "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula" (Editora Contexto) e assino um dos artigos de "Discurso, argumentação e produção de sentido" (Editora Humanitas). Tenho também textos publicados em congressos científicos, todos sobre Lingüística.

Na imprensa, já fiz de tudo um pouco: fui repórter, repórter especial, editor, editor-executivo, editor-chefe, âncora de telejornal. Passei pela Folha, TV Tribuna (afiliada da Rede Globo no litoral sul de São Paulo) e TV Cultura.

Como professor, divido meu tempo entre cursinho e universidade. Dei aulas na USP-Leste em 2005. Sou docente dos cursos de jornalismo e relações públicas da Universidade Metodista desde 2004.

Não sei como, mas eu ainda arrumo tempo para ler histórias em quadrinhos. Agora, vou blogar também.

 

Escrito por PAULO RAMOS às 18h16
[comente] [ link ]

[ ver mensagens anteriores ]